sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

MUDANÇAS CLIMÁTICAS - Aviação assume compromissos mais ambiciosos perante as mudanças climáticas


Comentário Axel Grael:

Os setores de aviação e transporte marítimo sempre foram considerados dentre os segmentos mais reativos contra compromissos de sustentabilidade, que teriam como prioridade o investimento em tecnologia para combustíveis e motores mais eficientes e que gerem menos emissões atmosféricas.

E a responsabilidade do setor não é pequena. Segundo a matéria abaixo, a contribuição da aviação é cerca de 2% de toda as emissões causadas pela humanidade, estimadas em cerca de 700 milhões de toneladas/ano.

A situação do setor marítimo é ainda muito grave. Segundo estudos divulgados em 2011, a frota mundial de navios mercantes gerava uma contribuição de emissões anuais de gases do efeito estufa na ordem de 4,5%, ou cerca de 1,12 bilhões de toneladas de CO2. Outro estudo, considerou que as emissões de um navio correspondem às de 50 milhões de carros!

A IMO - Organização Marítima Internacional tem envidado esforços para estabelecer padrões mais eficientes de emissões, mas os avanços ainda são muito tímidos para a dimensão do problema causados pelos navios.

Uma curiosidade é que foram estabelecidos alguns padrões regionais: as Emission Control Areas. As regras estabelecem limites regionais para emissões de gases, lixo, esgoto, óleo. É difícil entender como pode ser admitido lançar mais lixo, mais óleo e mais gases em certas regiões do planeta do que outras. Níveis de saturação, preocupação seletiva ou maior permissividade dos países de certas regiões?

Existem exigências de performance ambiental dos navios para o Mediterrâneo, Mar Báltico, Mar do Norte, Oceano Antártico, Caribe e costa dos EUA. Não há definições de regras para o Atlântico Sul.

Veja nos mapas abaixo o nível de intensidade da poluição causada por navios nas diferentes partes do planeta.


Mapa das emissões de enxofre por navios. Reparem o litoral norte e nordeste do Brasil. Fonte: gCaptain

Emissões de NOx nas rotas globais de navegação. Fonte: Ship Emissions Assessment


O fato é que o setor marítimo é hoje um dos mais atrasados e mais perigosos para a segurança climática do planeta. Logo este setor, que justamente poderá ser um dos mais afetados pelas consequências das mudanças climáticas: danos à infraestrutura portuária pela elevação do nível do mar, aumento de tempestades, etc.

Com as medidas anunciadas pela IATA, a aviação assume uma posição de maior responsabilidade, o que mostra que o nível das discussões climáticas mundiais parece estar ganhando maior maturidade, como demonstrou-se recentemente nos avanços na Conferência Climática de Paris.

Espera-se agora uma resposta mais efetiva do setor marítimo.

Axel Grael




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Ambitious goals for aviation sustainability





Geneva – The aviation industry should find a balance between growth, which brings significant economic and social benefits, and acting in an environmentally responsible manner,” according to Michael Gill, director of aviation environment at the International Air Transport Association (Iata).

Currently the aviation industry contributes about 2% of all human carbon emissions in the world – about 700 million tonnes per year.

He said the first goal of the aviation industry should be to improve fuel efficiency across fleets by an average of 1.5% per year until 2020. The industry is actually ahead of this goal, he said, with an average fuel efficiency improvement of 2.9% per year.

He pointed out that many countries are aiming to create carbon neutral aviation growth to ensure sustainable trade and tourism in the future.

According to Gill, the aim of the aviation industry is to half its carbon emissions by 2050 compared to 2005 and, according to Iata, aviation partners are already working together to put in place the building blocks to achieve this goal.

Gill said there are four pillars that underpin the aviation industry’s approach to sustainability. These are investing in new technology, using more efficient operational techniques to make individual flights more efficient, building and using more efficient infrastructure and using effective global market-based measures.

The International Civil Aviation Organisation (ICAO) is, for instance, developing a certification standard for carbon emissions of aircraft.

“Our industry has set itself ambitious goals with necessary strategy to achieve them,” said Gill.

“Any form of mandatory carbon offsetting should deliver environmental integrity, be simple and transparent and be cost effective to the industry.”

* Carin Smith was a guest at Iata's global media day.

Fonte: FIN 24



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