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sábado, 10 de fevereiro de 2024

LARS GRAEL, 60 ANOS: Mar Brasil relembrou ótima entrevista de 10 anos atrás.

Meu irmão Lars Grael completou, no último dia 9 de fevereiro, 60 anos! Para comemorar, Alexandre Haddad, da Sana Produções, reapresentou matéria do Canal Mar Brasil que celebrou os 50 anos do Lars, há 10 anos atrás.

Na entrevista, Lars fala da sua trajetória esportiva, dos momentos difíceis do seu triste acidente, fala da família e do prazer de poder "viver do vento".

Vale a pena conferir clicando aqui no vídeo abaixo:

Acesse o vídeo no YouTube também por aqui.

Lars, mais uma vez, parabéns pelos 60 anos de muitas conquistas e que venham mais belos capítulos para a sua história.

Haddad, parabéns por mais esse belo registro.


 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

ILHA DA BOA VIAGEM: Prefeitura publica edital para as obras de restauração



Vista aérea da Ilha da Boa Viagem, situada na orla da Baía de Guanabara de Niterói.

Visitantes na Capela de Nossa Senhora da Boa Viagem.

Ponte de acesso à Ilha da Boa Viagem.


Desde o início da atual gestão municipal, em 2013, recebi a incumbência do prefeito Rodrigo Neves de promover a recuperação e a abertura à visitação pública da Ilha da Boa Viagem, um dos mais importantes patrimônios culturais e marcos paisagístico de Niterói.

A nossa atuação ocorreu em diferentes etapas:

  • primeiro, foi restaurada a ponte de acesso à ilha
  • depois, foram tomadas medidas para a abertura da ilha durante o período dos Jogos Olímpicos de 2016 
  • e agora, estamos na terceira etapa, implementando obras definitivas para garantir a integridade deste patrimônio e possibilitar a visitação do público.


Portanto, agora, após décadas de abandono, a Prefeitura fará a completa restauração do patrimônio da Ilha da Boa Viagem. Através da Empresa Municipal de Moradia, Urbanização e Saneamento - EMUSA, a Prefeitura publicou o Edital de Concorrência Pública Nº 02/2020, para a contratação de empresa para a restauração do chamado "castelo", da capela Nossa Senhora da Boa Viagem e do fortim situados na Ilha da Boa Viagem.

Para chegar ao momento atual, foi necessário superar muitas dificuldades até que a Prefeitura pudesse cumprir o seu objetivo. As intervenções, que serão iniciadas tão logo se conclua o processo licitatório, foram devidamente autorizados pelo Secretaria do Patrimônio da União - SPU, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN e pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade - SMARHS, e seguirão as orientações determinadas pelos órgãos para que a restauração garanta as características originais.

Quando as obras forem concluídas, as atividades religiosas na capela e a dos Escoteiros do Mar, ambas tradicionais na ilha, serão mantidas e a gestão da atividade turística e de visitação será feita de forma controlada, assim como ocorreu na época dos Jogos Olímpicos Rio 2016, mantendo-se o cuidado da limitação do número de visitantes e as visitas acontecerão apenas com o acompanhamento especializado.

A Prefeitura já iniciou um outro contrato de obras de contenção de encosta e outras intervenções de estabilização da infraestrutura da ilha.

Para saber mais sobre as obras e o processo licitatório, acesse aqui:

Faça Download do Edital

Faça Download da Planta

Faça Download do Cronograma Financeiro

Faça Download do Projeto

A restauração da Ilha da Boa Viagem é o cumprimento de mais um compromisso assumido pela atual gestão.

Vamos em frente.

Axel Grael



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domingo, 6 de outubro de 2019

Torben Grael e Marcelo Ferreira: triunfo em Atlanta, glória em Atenas



Torben Grael e Marcelo Ferreira são recebidos em Niterói com a medalha de ouro em Atlanta (1996), mediante uma grande festa e reconhecimentos público. No alto do carro de bombeiros, já estava a nova geração dos Grael: Marco e Martine.


Campeões em 1996, nos Estados Unidos, e em 2004, na Grécia, velejadores viajam no tempo para relembrar as conquistas que fizeram com que os dois ganhassem lugar em um dos grupos mais seletos do país: o dos bicampeões olímpicos

A última regata da classe Star dos Jogos olímpicos de 1996, disputada em 29 de julho, em Savannah – cidade a 400 quilômetros de Atlanta e que sediava as provas de vela daquela Olimpíada –, já estava em curso havia quase meia hora quando o carioca Marcelo Ferreira, ao contornar a primeira boia do percurso, notou uma placa de sinalização que mudaria totalmente a sua vida e a de seu parceiro, o paulista Torben Grael, ambos a bordo do barco Vida Bandida.

O que a placa mostrava era que a embarcação dos australianos Colin Beashel e David Giles havia queimado a largada e que por isso a dupla rival tinha sido desclassificada. Ao perceber isso, foi impossível para Marcelo e Torben não serem tomados por uma sensação de júbilo. Afinal, com aquela informação, os dois – antes mesmo de cruzarem a linha de chegada, longe dos olhos do público e sem qualquer festa ou aplausos – tinham se tornado campeões olímpicos.


Marcelo Ferreira e Torben Grael, com as medalhas de ouro das Olimpíadas de Atlanta 1996: Sonho realizado em Savannah. Foto: Jorge Peter/Agência O Globo

“Não caiu a ficha na hora não”, lembra Marcelo. “Esse troço só quem passa é que entende como funciona. Essa é a realidade. Até quando a gente cruzou a linha, a gente estava comemorando, mas é uma sensação tão indescritível que você não realiza. Você está lá no meio do oceano. É diferente de quando você está dentro de uma arena fechada ou em uma pista de atletismo, com o público em volta. Não tinha nem spectator boat (barco que é usado para levar o público para acompanhar a regata de perto). Foi diferente de outros eventos. É o ouro que ninguém viu, vamos dizer assim”, resume Marcelo.

As lembranças daquela tarde, passados 20 anos, também seguem frescas na memória de Torben. “Na realidade, a gente começou a fazer uma marcação forte nele (Colin Beashel ) na largada dessa última regata, porque a gente queria ficar sempre junto dele. Como a gente tinha vantagem e ele tinha que ganhar, ele, pressionado, acabou queimando a largada”, recorda o velejador. “A gente já vinha na frente do Colin e quando chegamos lá perto da boia, quando o Marcelo viu a placa, realmente foi aquela comemoração. A gente estava bem ciente de que tinha dado certo”, prossegue Torben.

A medalha de ouro nos Jogos de Atlanta 1996 representou uma espécie de redenção para Torben e Marcelo em relação à experiência que a dupla vivera nas Olimpíadas de Barcelona, 1992. Na Espanha, eles competiram juntos pela primeira vez nos Jogos e terminaram na 11ª posição.

Para Torben, em especial, o significado da conquista em Savannah ia além. Quando desembarcou na Geórgia para os Jogos de 1996, ele já tinha no currículo dois pódios olímpicos. A primeira medalha, de prata, foi arrebatada em Los Angeles 1984, na classe Soling (ao lado de Daniel Adler e Ronaldo Senfft). Quatro anos depois, em 1988, em Seul, veio o bronze na classe Star, ao lado de Nelson Falcão.

Assim, aos 36 anos – seis a mais do que Marcelo –, o experiente Torben Grael finalmente havia chegado ao sonhado título olímpico. “Foi uma sensação maravilhosa, aquela sensação de dever cumprindo, de você ter chegado ao topo da pirâmide. Realmente foi uma curtição o restante da regata”, descreve Torben.

Campanha favorável

Ao contrário da campanha de Barcelona, quando os dois terminaram a primeira regata dos Jogos Olímpicos de 1992 em nono lugar, em Savannah os ventos sopraram a favor desde o início. A estreia nos Jogos de 1996 se deu em 22 de julho e a dupla começou vencendo a primeira regata. No dia seguinte, quando foram disputadas duas provas, eles conquistaram um sexto e um segundo lugares. Em 24 de julho, Torben e Marcelo terminaram em sétimo, mas se recuperaram um dia depois, quando cruzaram a linha de chegada em primeiro. No dia 26, quando novamente duas disputas, e os brasileiros chegaram em quarto e em nono. Depois disso, um segundo lugar no dia 27 e um sexto no dia 28 deixaram os dois em posição confortável para a última prova, no dia 29.


Grael e Ferreira em ação: sintonia do time assegurou dois ouros e um bronze em Jogos Olímpicos à dupla. Fotos: Marcelo Ferreira/arquivo pessoal

“Atlanta foi um lugar bom para a gente porque as condições eram parecidas com o que a gente estava acostumado no Rio de Janeiro”, lembra Torben. “Era vento térmico, calor, umidade, sem vento de manhã, vento só à tarde, com aqueles temporais de verão de final de tarde... Enfim, era uma série de coisas com as quais a gente ficou super à vontade. Muita gente ficou achando ruim aquelas condições, mas para nós era como a gente velejava sempre, então nos adaptamos bem lá”, continua.

“A gente também foi fazer o evento-teste, fomos treinar duas vezes antes dos Jogos, e isso tudo ajudou muito. A gente conhecia bem o lugar. Estávamos com um barco que desenvolvemos para competir lá. Testamos bastante os equipamentos antes e isso tudo ajudou. Nós estávamos rápidos para a competição. Desenvolvemos um cockpit bem fechado para correr lá e em Savannah tinha bastante onda. Então o barco drenava mais rápido, ficava com menos água dentro, e isso ajudou. Mas a realidade foi que a gente velejou super bem”, prossegue Torben. Ele ressalta ainda que, além de ele e Marcelo terem ido bem em Savannah, outro fator contribuiu para a conquista do ouro em 1996.

“Nós disputamos muito com o Colin desde o começo a ponteira da competição. A gente alternava bastante os resultados com ele, mas quando ele ia bem a gente nunca ia mal. E quando a gente ia bem, às vezes ele dava uma escorregadinha. Aí, quando foi chegando o fim do campeonato, o que aconteceu foi que como a gente conseguiu abrir uma distanciazinha de pontos e no final ele tinha que ganhar a regata para ficar com o ouro”, detalha.

Superstição e camisa furada

Nas lembranças de Torben Grael, talvez por ser mais experiente, talvez por ter se sentido tranquilo por tudo o que haviam feito nas nove regatas anteriores, a noite do dia 28 de julho, véspera da decisão da classe Star nos Jogos de 1996, não foi angustiante.

“Nós não ficamos muito nervosos porque a gente vinha dos Jogos em Barcelona, onde nós tivemos um péssimo resultado, e (em Savannah) nós já estávamos matematicamente com a medalha de prata garantida. A gente já estava com aquela sensação de que já tinha conquistado um excelente resultado”, afirma.

Para Marcelo Ferreira, entretanto, aquela noite foi tudo menos calma. “Passava pela minha cabeça que a gente poderia ser campeão olímpico, sim. Mas não foi muito fácil tentar dormir nessa noite não. Na verdade, eu até saí como tio do Torben, o Erik, nosso técnico, para tomar uma cervejinha com ele. Porque não adiantava ficar deitado fritando na cama, né? Eu dormi mal na noite anterior à competição. É aquela situação de estar indo para a última prova sabendo que tem chances reais (de conquistar o ouro)”, recorda Marcelo.

Em seguida, Marcelo narra como foram as horas antes do início da regata que renderia a ele e a Torben a consagração nos Jogos de Atlanta:


Marcelo Ferreira, com a blusa furada abaixo da axila direita: superstição o fez usar a mesma camisa em todas as regatas dos Jogos de Atlanta 1996. Foto: Ivo Gonzalez/Agência O Globo

“A regata era tipo uma hora da tarde. Você acorda como sempre naquele horário do café da manhã, umas 8 horas, para depois sair no ônibus e ir para o canal onde a gente pegava o ferry para ir para a marina”, conta. E cabe aqui uma observação em relação ao local de competição da vela em Savannah: ao contrário de muitas regatas onde o público em terra ainda consegue ver os barcos, mesmo que à distância, a marina olímpica de 1996 era flutuante, ficava a mais de uma hora de distância de barco mar adentro, muito longe dos olhares de qualquer torcedor.

“Aí chega lá e tem aquele velho ritual, porque a gente não muda nada, a superstição impera”, prossegue Marcelo. “Nem roupa a gente trocava. A camisa, se você olhar uma foto que eu tenho que saiu no jornal, tem um buraco embaixo da axila que continua até hoje. Foi uma camisa que eu usei durante todo o evento. A minha roupa de velejar, que era de feltro, foi feita aqui na confecção da minha esposa por uma costureira. Todos esses detalhes foram ficando mais fortes durante todos os dias do evento. Você não troca nada. Eu acho que isso é com todo mundo. E o Torben é pior do que eu. Ele não vai falar, mas é bem pior. Aquele cara com superstição é brincadeira...”, entrega.

O resto é história. Torben e Marcelo trataram de colocar em prática a estratégia de pressionar o australiano Colin Beashel e seu parceiro desde o início e a pressão surtiu o efeito desejado.

“Não estava nada ganho, mas a coisa estava muito na mão para a gente. E a tática de pressioná-lo na largada acabou funcionando”, lembra Torben. “Acho que foram três largadas. As duas primeiras foram invalidadas por muitos barcos partindo fora da linha. Mas nessas duas a gente saiu bem melhor do que ele, pressionando. Nessa terceira, ele viu que se continuasse daquele jeito não ia ter chances de ganhar a regata e acabou acelerando cedo. Ele saiu melhor do que nas outras duas, mas acabou queimando a largada. Mesmo assim a gente saiu bem também. Chegamos à bóia de contravento à frente dele. E foi lá na bóia de contravento que a gente viu pela primeira vez a placa com a sinalização da Austrália como barco escapado. Aí o resto da regata foi uma curtição só, porque a gente já sabia que tinha conquistado aquele sonho grande”, detalha Torben.

Enfim a celebração em terra

O que se seguiu ao fim da regata naquele 29 de julho de 1996, na qual Torben e Marcelo terminaram em terceiro lugar, foi uma sequência de eventos que marcaram profundamente os dois.

A comemoração para valer só se deu em solo firme em Savannah. Mas, antes, ainda houve tempo para uma breve celebração em alto mar. “Demorou mais de uma hora e meia até voltar para a terra. Já atendemos a imprensa lá no próprio flutuante e já teve a famosa champanhe lá mesmo no flutuante”, conta Marcelo.

“Quando chegamos, todo mundo estava dando os parabéns”, lembra Torben. “Obviamente, a gente tem sempre que chegar em terra e ver o resultado, ver se não tem nenhum protesto, aquela coisa toda de regata. A gente sabia que tinha feito uma regata bem limpa, que o Colin tinha queimado e que ele automaticamente precisava ganhar a regata e então estava bem decidida a coisa”, continua.

O premiação da classe Star dos Jogos Olímpicos de Atlanta só foi realizada no dia seguinte. E até a hora de subir ao pódio Torben e Marcelo comemoram em grande estilo. “Foi um barato porque tinha um bar/restaurante que a gente ia, chamado Spunks. A gente ia para tomar uma cervejinha e dar aquela relaxada e o dono do bar estava lá ensandecido e gritando (após saber que os brasileiros eram campeões olímpicos) e foi muito legal nesse aspecto. Era um lugar pequeno e foi bacana porque tudo acontecia naquela beirada de rio, naquelas arquibancadas para fazer a premiação. Foi um momento único, né? Eu nem lembro que horas a gente voltou pra casa. Nós fomos lá para esse tal de Spunks, botamos o cartão de crédito e fomos embora (celebrar)...”, conta Marcelo.

“Nesse aspecto foi melhor do que Atenas, pois em Atenas me pegaram para o antidoping e tive que fazer o teste de urina e de sangue. Mas aí o pessoal do sangue não estava lá e eu só podia fazer no dia seguinte. E aí o pessoal do COB não me deixou comemorar, porque eu tinha que fazer o antidoping no dia seguinte. Aí eu fiquei chupando dedo. Mas em Atlanta comemoramos com uma cervejinha, né?”, emenda Torben Grael, já se referindo ao que viveu na Grécia, oito anos depois da conquista em Savannah.


Torben, Marcelo e familiares desfilam em carro aberto no Rio de Janeiro no retorno das Olimpíadas de Atlanta 1996: reconhecimento do público não se converteu em apoio para o ciclo seguinte. Foto: Jorge Peter Agência O Globo


Emoção no pódio

No dia 30 de julho de 1996, Torben Grael e Marcelo Ferreira receberam a terceira medalha olímpica de ouro do Brasil na vela, repetindo os feitos que Lars Bjorkstrom e Alex Welter, na classe Tornado; e que Marcos Soares e Eduardo Penido, na classe 470, haviam protagonizado nos Jogos Olímpicos de Moscou 1980.

“Para quem faz qualquer esporte olímpico, você ir para os Jogos é uma coisa fantástica, é uma coisa que poucas pessoas têm a oportunidade. Você ir bem, fazer medalha, é uma coisa que menos pessoas no mundo conseguem, pouquíssimas pessoas conseguem. Você já foi mais longe. E quando você ganha a medalha de ouro realmente a satisfação é enorme. Você ir ao pódio, ver sua bandeira subindo, ouvir o Hino Nacional tocando... É uma sensação muito difícil de descrever, mas é maravilhosa. Mas eu não me lembro de ter chorado”, diz Torben Grael.

“Passa um filme, né? Primeiro porque a gente foi para essa Olimpíada com aquele gosto amargo de Barcelona, que foi o maior aprendizado que eu tive dentro do esporte”, ressalta Marcelo. Para ele, apesar de toda a emoção vivida no pódio nos Estados Unidos, foi somente no retorno ao Brasil que ambos finalmente perceberam a dimensão do que eles haviam conquistado em Savannah.

“A verdade é que demora muito até você realizar o que foi feito. Quando cheguei ao aeroporto (no Rio de Janeiro) foi que eu achei que uma coisa fenomenal. Tinha uma galera no aeroporto. Era uma coisa que a gente da vela nunca tinha visto. A gente nunca teve contato com o publico e com essas coisas. Ali eu falei: ‘Pô, a coisa foi grande mesmo’. Porque a gente fora do Brasil não sabia exatamente o que estava se passando aqui. Aí, quando eu vi o carro de bombeiro esperando e nós viemos lá do Rio até aqui (em Niterói) em cima do carro de bombeiro, isso foi um troço que me marcou muito”, lembra Marcelo.

Perda do patrocínio e ganho na America’s Cup

Em geral, uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos costuma ser um divisor de águas na carreira de qualquer atleta. As portas, após uma conquista dessa magnitude, tendem a se abrir e o caminho a partir dali normalmente é mais tranqüilo em termos de apoio para a preparação visando ao ciclo olímpico seguinte. Mas, para a surpresa de Marcelo Ferreira e de Torben Grael, não foi isso que aconteceu depois que toda a celebração em torno do triunfo nos Jogos de Atlanta 1996 se foi.

“Como atleta, depois que passou essa festa pela medalha, foi uma frustração muito grande e isso eu não posso deixar de falar”, desabafa Marcelo Ferreira. “O que aconteceu, por incrível que pareça, foi que quando acabou a Olimpíada a gente perdeu o patrocínio. O ano de 1997 foi um terror em termos de apoio ao esporte e de incentivo, seja da Confederação, do Comitê Olímpico, de tudo. O nosso prêmio por ter tirado a medalha de ouro foi um ano seguinte muito ruim em termos de apoio. Eu acabei que em 1997 corri o Campeonato Mundial de Star com um alemão nos Estados Unidos e fui campeão mundial com ele”, prossegue.


Torben, com os companheiros da Equipe Prada, da Itália. Foto: Getty Images

Já para Torben Grael, em particular, se a conquista do ouro em 1996 não rendeu apoio em seu país, ela serviu para lhe abrir as portas para uma nova fase de sua carreira. “Em termos de Brasil, você se tornar campeão olímpico é um degrau a mais, mas não houve grandes mudanças. Eu acho que uma mudança grande foi que essa vitória em Atlanta foi logo antes da Prada decidir fazer a America's Cup”, conta o velejador, referindo-se à mais prestigiada competição de vela do iatismo mundial e que detém a honra de ser o troféu mais antigo em disputa no planeta entre todas as modalidades do esporte. A primeira taça foi disputada em 1851, 45 anos antes da primeira edição dos Jogos Olímpicos modernos, realizada em Atenas, em 1896.

“A pessoa que foi convidada para ser o comandante da equipe Prada foi o De Angelis (o italiano Francesco de Angelis), que foi com quem eu comecei a correr de Oceano na Itália. Obviamente, como a gente tinha uma parceria muito forte, quando o chamaram, me chamaram também, inclusive pelo resultado de Atlanta com a medalha de ouro. Então acho que a conquista da medalha de ouro foi um diferencial grande”, prossegue Torben.

Os compromissos de Torben Grael com a America’s Cup e seu envolvimento com a equipe Prada renderam, anos depois, um patrocínio para ele e Marcelo na preparação da dupla na classe Star visando aos Jogos de Sydney 2000.

“Nós fizemos uma excelente campanha na America’s Cup. Ganhamos a Louis Vuitton Cup, que é uma coisa muito importante, e aí fizemos a final. Acabamos perdendo a final para o defensor, o neozelandês (o barco que derrotou a equipe de Torben era comandado pelo lendário velejador Peter Blake)”.


Torben Grael (à esquerda) e o italiano Francesco de Angelis comemoram a conquista da Regata Louis Vuitton em 2000: campeão olímpico teve sucesso também na vela oceânica. Foto: Getty Images

“Ficamos na luta para retomar a nossa campanha para Sydney, procurando apoio, até que veio a Prada, que chegou em 1998. E aí ficamos com a Prada e a Petrobras. Mas a Prada foi graças ao Torben, que estava velejando na equipe”, destaca Marcelo. “Aí mudou o panorama financeiro para a gente para poder fazer tudo com calma. Só que aí a gente tinha mais recurso para fazer as coisas e menos tempo para a Star, porque tinha o envolvimento do Torben com a America’s Cup. Realmente tínhamos pouquíssimo tempo para treinar como dupla. A gente fez um ano de 1998 horroroso, com vontade de desistir, porque os resultados não vinham. A gente praticamente não tinha treinamento. A gente se encontrava e falava: ‘E aí? Qual é o campeonato?’ E ia lá para o campeonato e corria”, prossegue Marcelo.

“Então foi um ano terrível, desanimador, e em 1999 também não foi muito diferente. Em 1998, para ser sincero, que foi o ano do acidente do Lars, a gente até teve um Mundial fantástico na Eslovênia. A gente acabou o Mundial em segundo, o que valeu a classificação para Sydney (Jogos Olímpicos de 2000) para o país. Acabamos ganhando a eliminatória no Brasil também e fomos para Sydney com um barco novo e diferente. Para nossa surpresa, quando nós chegamos a Sydney nós acabamos conseguindo nos dedicar aos treinos e a gente estava voando baixo”, continua Marcelo.

Sydney 2000: o ouro caiu na água

Os Jogos Olímpicos de 2000, para o Brasil, ficará para sempre marcado como as Olimpíadas do “quase”. Várias de nossas estrelas consideradas favoritas sofreram reveses na hora H e, com isso, a delegação retornou para casa sem nenhuma medalha de ouro na bagagem pela primeira vez desde os Jogos de Montreal 1976.

Com Torben Grael e Marcelo Ferreira não foi diferente. Apesar de eles não terem feito uma preparação considerada ideal, a dupla por muito pouco não conquistou a segunda medalha dourada da parceria.

“A gente estava complemente fora de ritmo e de tempo para os Jogos e fizemos vários erros que a gente normalmente não teria feito se estivéssemos mais bem treinados”, lembra Torben Grael. “Mas ainda assim nós fomos para a última regata liderando, mas não demos muita sorte. A gente estava cinco pontos à frente do Mark Reynolds (norte-americano) e do barco dos ingleses. A gente acabou botando o americano fora da linha e ficamos com o lado bom da raia, só que nesse processo a gente acabou queimando a largada também e não conseguiu se dar conta disso. Normalmente, só do americano ter ido para o lado ruim da raia, a gente já teria ganho dele. Mas acabou que naquela regata em particular vagou o outro lado e então saiu tudo errado. A gente queimou e ele acabou ganhando a regata”, prossegue Torben. Torben e Marcelo acabaram no pódio, mas para receber a medalha de bronze, algo que eles não esperavam. “Nunca seria tão fácil (conquistar o ouro)”, resume Marcelo. “Mas só que mesmo com a largada escapada, e isso eu tenho que falar porque é a verdade, a gente velejou tão mal essa última regata que mesmo assim a gente não ganharia pela matemática. A gente cruzou a linha. Ninguém retirou a gente da regata. Nós cruzamos a linha e só depois soubemos que a gente tinha escapado. Mas com esse resultado de qualquer jeito a gente ficaria com o bronze, que era o pior que a gente poderia fazer no último dia. Antes de largar a gente já tinha o bronze. A gente fez o pior que a gente podia fazer”, reconhece.


No pódio dos Jogos Olímpicos de Sydney 2000: o ouro que quase se veio e que se transformou em bronze determinou a continuação da dupla para as Olimpíadas de Atenas 2004. Foto: Getty Images


“Sydney ficou entalado na gente. Primeiro, ficou entalado porque quando eu cheguei em terra, me lembro como se fosse hoje, teve algum cara lá de imprensa, um brasileiro, que fez uma pergunta tão ridícula que eu dei um coice. Eu falei: ‘Ô babaca, filma lá a festa do norueguês que tirou terceiro no Soling’. Os caras estavam comemorando pra caramba o bronze”. Nós fomos lá, lideramos a Olimpíada quase toda, tiramos um bronze e aí o cara vem dizer que foi um fracasso. É brincadeira isso!. O brasileiro tem essa mania. Se não for o primeiro não serve. Só que no Brasil eu falo o seguinte: ‘Só em ser atleta o cara já é campeão, porque só a gente sabe das dificuldades’’, continua Marcelo.

Seja como for, o bronze em Sydney, por mais que não tenha sido o que os dois esperavam diante das circunstâncias do último dia de prova na Oceania, foi determinante para algo incrível que viria quatro anos depois. E hoje, ao olhar para trás, Marcelo consegue curtir em paz tudo o que ele e Torben viveram nos Jogos de 2000.

“A Olimpíada de Sydney, como Olimpíada, para mim foi maravilhosa. Era uma baía linda, um transporte maravilhoso, tudo funcionando, muito aprazível, um negócio muito bacana de você estar ali velejando naquele evento. Velejar naquela baía foi fantástico para a gente. Nós ganhamos duas regatas em um dia, e o resultado, para gente, estava acima das expectativas para as Olimpíadas. Foi o que o Torben falou: ‘Essa (medalha de ouro) bateu no convés e caiu na água’. Barcelona não existiu, deu tudo errado, então tudo bem. Ali não... A gente não contava que fosse chegar lá e arrebentar. Mas quando a gente viu que estava andando muito, que estava tudo bonito, ali realmente a medalha bateu no convés e caiu na água. E aí a gente fez um combinado de que teríamos que fazer mais uma campanha. Ali a gente já combinou. Aquela foi a que culminou em Atenas”, prossegue Marcelo.

Um lugar no Olimpo

No ciclo para os Jogos de Atenas 2004, Torben Grael mais uma vez se viu diante do desafio da America’s Cup. Mas, dessa vez, as coisas saíram diferente do caminho percorrido para os Jogos de Sydney.

“Novamente eu fiz America’s Cup. A diferença é que a Copa (a decisão do título) foi em 2003. Então, como a gente não foi para a final em 2003, a minha participação acabou no final de 2002. E a Olimpíada foi em 2004. Então deu bastante tempo para a gente se preparar bem para os Jogos. Se por um lado a America’s Cup, com a Prada, teve esse impacto, dificultando os treinamentos para a gente, por outro lado eles foram nossos grandes patrocinadores, tanto para Sydney quanto para Atenas, possibilitando fazer uma preparação, principalmente para Atenas, da melhor forma possível. Então são os dois lados da moeda”, pondera Torben.

Vieram os Jogos na Grécia. E no dia 26 de agosto de 2004, após um quarto lugar na décima e penúltima regata da classe Star das Olimpíadas de Atenas, Torben Grael e Marcelo Ferreira conquistaram, por antecipação, a segunda medalha de ouro olímpica de suas vidas.


Torben Grael e Marcelo Ferreira, com as medalhas de ouro dos Jogos de Atenas 2004: passaporte carimbado para o clube dos bicampeões olímpicos do Brasil. Foto: Getty Images

A campanha dourada teve início no dia 21 de agosto, com um quinto lugar e um quarto lugares. No dia seguinte, vieram duas vitórias, que foram seguidas por um segundo lugar no dia 23. Um dia depois, a dupla cruzou a linha de chegada em quinto e voltou a ficar em segundo no dia 25, quando ainda disputou outra prova e terminou em sétimo. Então, no dia 26, após um 11º lugar, veio o histórico quarto lugar na segunda regata, o que selou a conquista do ouro. Eles nem precisaram velejar a 11ª e última prova das Olimpíadas.

“Para Atenas a gente não queria saber de Campeonato Mundial, de Campeonato Europeu, nada disso... A gente queria trabalhar para desenvolver só para Atenas. E esse foi um grande trabalho mesmo. A gente contou com a ajuda do Alan Adler (experiente velejador brasileiro que disputou as Olimpíadas de 1984, em Los Angeles; de 1988, em Seul; e de 1992, em Barcelona), junto com o Roni (Ronald Seifert), que foi proeiro do Pascolato, que é um cara muito bacana. O Alan e o Roni foram com a gente para a Itália, para o Lago de Como, testamos vela, testamos mastro, e fizemos um trabalho de excelência junto com uma tripulação espanhola, que tinha o Roberto Bermudez (velejador espanhol), que fez a volta ao mundo com a gente no Brasil 1 (nome do barco em que Torben, Marcelo, Bermudez e outros sete tripulantes competiram na edição 2005/2006 da Volvo Ocean Race) depois”, recorda Marcelo.

“A gente ficou rápido demais em vento fraco, ficamos rápidos em vento forte, tivemos um barco novo, e nós levamos dois barcos para a Olimpíada de Atenas. O Alan estava lá velejando com a gente de sparring. E o desgraçado era o mais rápido da Olimpíada. O nosso sparring era o cara!”, diz Marcelo às gargalhadas. “Foi muito divertido porque logo no segundo dia de treino a nossa equipe foi protestada para tirar o barco do Alan do evento. Tivemos que tirar o barco de dentro da marina, porque só podia ficar um barco, e acabou que quando a gente ficava do lado dos caras e a gente estava muito rápido. Estava dando tudo certo. Realmente Atenas para a gente foi tudo perfeito. Não tinha uma coisa que você podia falar que não estava funcionando para a gente”, prossegue o bicampeão, que ainda hoje se diverte com uma história que ele presenciou logo no início da competição.

“No primeiro dia de regata da Olimpíada, saímos da água e a gente estava em segundo no geral, se não me engano, ou terceiro, e o americano Paul Cayard estava liderando a Olimpíada. Mas o cara sempre foi meio metidão, né? Nós saímos da marina e a gente descobriu um posto de gasolina que tinha bem pertinho da marina e que tinha uma cervejinha Heineken, aquela pra relaxar depois de um dia longo, e aí nós fomos para lá para tomar uma cervejinha. Aí estava o Alexandre Haddad (jornalista da ESPN) lá fumando o charuto dele e passou o americano vendo a gente tomando uma cervejinha. O cara olhou pra gente e nem cumprimentou, com uma cara de desprezo danada. A brasileirada estava toda nesse posto de gasolina e começou a zuar. E o Alexandre me pega aquele charuto e me enterra o charuto, fazendo lá as mandingas dele. Depois desse dia o cara (Paul Cayard) sumiu da Olimpíada”, recorda Marcelo.


Torben e a felicidade de ter a honra de carregar a bandeira brasileira na cerimônia de abertura das Olimpíadas de Atenas: momento inesquecível seria coroado com o ouro na classe Star. Foto: Getty Images


No clube dos bicampeões

Em 26 de agosto de 2004, Torben Grael e Marcelo Ferreira entraram para um dos grupos mais seletos que o Brasil possui: o dos bicampeões olímpicos, uma façanha que apenas 12 atletas até hoje conseguiram no país.

Um dia antes, no dia 25, Robert Scheidt havia conquistado sua segunda medalha de ouro nos Jogos Olímpicos na classe Laser e, com isso, tinha se juntado a Adhemar Ferreira da Silva, até então o único bicampeão olímpico do Brasil. Agora, com os feitos de Torben e Marcelo, eram quatro bicampeões. E em Atenas os jogadores de vôlei Maurício e Giovane ampliariam esse número para seis. Esses são, até hoje, os únicos homens com duas medalhas douradas olímpicas no currículo. Seis mulheres, todas do vôlei, completam o clube dos bicampeões olímpicos do Brasil: Paula Pequeno, Sheilla, Jaqueline, Fabiana Oliveira (Fabi), Fabiana Claudino e Thaisa.

“Em Atenas foi muito especial. Primeiro porque é um lugar com muito simbolismo. É o berço do olimpismo moderno e tem aquela coisa toda... A gente teve, eu e Marcelo, a oportunidade de levar a tocha de Atenas, porque a tocha passou aqui no Rio de Janeiro antes. E depois eu levei bandeira no desfile de abertura e acabamos conseguindo o bicampeonato. Então foi uma Olimpíada muito marcante. Até Atenas só tinha o Adhemar (bicampeão olímpico). Isso foi uma coisa muito bacana, porque o Adhemar era aquele farol, aquela luz para a gente, dizendo que era possível. Então foi fantástico a gente conseguir chegar lá. E teve uma coisa curiosa em Atenas. As casas lá não tinham número na Vila. E a gente ficou em uma casa que o nome era Centauros. E dessa casa vieram quatro medalhas de ouro. Foram nós, o Robert Scheidt, o vôlei de quadra e o vôlei de praia (com Emanuel e Ricardo). Todo mundo ficou lá. Era um lugar especial”, conta Torben.

Marcelo Ferreira vai na mesma linha: “Você encerrar seu ciclo olímpico em Atenas, onde tudo começou, eu não precisava mais de nada. Para mim foi a melhor Olimpíada da minha vida. Foi o meu melhor resultado, foi a que mais me tocou, foi a que eu mais curti. Se você me perguntar de Savannah (Jogos de Atlanta 1996), Savannah foi fantástica. Mas Atenas para mim é o ápice, é a glória, não tem mais o que falar. A gente passeou naquilo tudo antes da regata eu e o Torben. Fomos visitar aqueles monumentos... Foi uma harmonia com Atenas”, emenda Marcelo. A tocha dos Jogos de 2004 até hoje decora a sala do velejador, junto com outros troféus, como mais uma lembrança especial de sua carreira.


Em Atenas, o ouro veio com uma regata de antecedência: Tudo a favor no berço dos Jogos Olímpicos. Fotos: Getty Images


Os Jogos no quintal de casa

A entrevista que serviu de base para essa matéria estava perto de terminar quando Marcelo Ferreira respondeu o que é ser um bicampeão olímpico.

“É aquela história da realização. Você dedica uma vida a um trabalho, que é o meu caso e o do Torben, que passamos a vida toda dentro de um esporte. Em todo o esporte o sofrimento é o mesmo. É sair de casa, tem as viagens, tem aquela coisa de abdicar das festas familiares e eu sou um cara muito família e então isso tudo soma no final. Você se dedicar tanto e conseguir algo assim é uma coisa muito forte. Ser campeão olímpico é ter seu trabalho reconhecido, sua recompensa, é chegar ao topo em um evento de uma magnitude que você não consegue mensurar. É o que todo atleta procura. A maioria procura ir para uma Olimpíada. Então você imagina eu, que tive a oportunidade e a chance e a alegria de poder ter ganho duas e ainda ter tido um bronze. É muito difícil descrever em palavras o que é você ser um bicampeão olímpico”, diz Marcelo.

A Torben Grael foi feita a mesma pergunta. E após refletir por vários segundos, ele encontrou uma explicação que vai além das medalhas.

“Cara, acho que primeiro é um orgulho enorme. A gente que optou por dedicar a vida da gente ao esporte, conseguir chegar aonde nós chegamos eu acho que é fantástico. Eu tenho uma amizade enorme com todos os meus tripulantes e ex-tripulantes e isso também é muito bacana, porque não foi só uma coisa do momento. Foi uma coisa muito além do treinamento, da participação, da competição. Eu tenho uma amizade enorme com todos eles e é difícil expressar o que isso significa. Acho que significa tudo pra gente”.


Torben e Marcelo: Alegria por acompanhar os Jogos Olímpicos do Brasil em casa e torcida para que a competição seja um sucesso. Foto: Getty Images

A partir do dia 5 de agosto, Torben Grael e Marcelo Ferreira viverão mais uma emoção ligada aos Jogos Olímpicos. Ambos moradores de Niterói, eles poderão acompanhar os Jogos no quintal de suas casas, algo impensável para qualquer um deles quando ambos, na Grécia, tornaram-se bicampeões olímpicos, em 2004.

Para Marcelo, a crise pela qual passa o país torna ainda mais importante que as Olimpíadas no Brasil sejam bem-sucedidas. “Eu acho fantástico uma Olimpíada no Brasil, mas só que temos tudo isso aí que todos estão acompanhando (na política e na economia). Eu espero de coração que essa Olimpíada seja um grande sucesso e que dê tudo certo. Porque a nossa realidade está muito ruim”, pondera.

“Eu acho que é uma oportunidade fantástica para quem está tendo o privilégio de poder disputar os Jogos Olímpicos em casa”, ressalta Torben. “E é muito bacana eu ter ambos os filhos entre essas pessoas que vão ter esse privilégio”, continua, referindo-se a Martina Grael (que competirá na classe 49erFX, ao lado de Kahena Kunze) e a Marco Grael (que velejará na clase 49er, ao lado de Gabriel Borges).

“A gente ainda tem bastante coisa para fazer para estar tudo pronto para os Jogos, mas eu espero que no final vai dar tudo certo. A gente atravessa momentos difíceis na política e na economia e eu espero que isso também se aprume deixando uma boa mensagem para o futuro. Então, acho que os Jogos vão chegar em um momento legal para o Brasil para botar o esporte mais em evidência, para o país ver coisas boas. Vai ser um período muito bacana da vida da gente”, encerra o velejador.

Luiz Roberto Magalhães – brasil2016.gov.br













sexta-feira, 7 de setembro de 2018

VLT com Bilhete Único ajuda a ligação intermodal de Niterói com o Rio



COMENTÁRIO:

As obras de revitalização do Centro e Região Portuária da cidade do Rio de Janeiro podem ser consideradas uma referência de reforma urbana. A derrubada da Perimetral, o resgate da arquitetura e da ambiência urbana de uma região que estava tão deteriorada e a implantação do VLT - um elemento novo na mobilidade urbana do Rio, a nova orla, o Museu do Amanhã e o Museu do Rio (MAR) - que resignificaram a Praça Mauá, são as marcas de um dos mais importantes legados do momento olímpico que o Rio de Janeiro viveu com a Rio 2016.

Na nossa opinião, o ganho de qualidade urbana na região é inegável. A região está muito mais atraente e, mesmo com a crise econômica, os sinais de revitalização são evidentes.

No entanto, o novo partido urbanístico cometeu um erro e deixou um efeito colateral: a falta de integração modal entre o sistema de barcas e as alternativas de conexão com outras opções de transporte para levar o público que chega de Niterói e outras cidades do Leste Metropolitano para o seu destino no Rio de Janeiro, ou no sentido inverso, para os passageiros que se deslocam de volta para o outro lado da baía (movimento pendular).

A retirada dos ônibus da Praça XV obrigou que o passageiro das barcas se obrigasse a fazer uma caminhada até encontrar opções de transporte coletivo. O fato desestimulou o uso das barcas, que experimentou um declínio do número de passageiros ao longo de um passado recente.

A oferta da opção do VLT na Praça XV ajudou a mitigar o problema da falta de conexão, mas ainda havia um problema: o preço da passagem.

A medida ora adotada pelo governo estadual, de incluir o VLT no Bilhete Único, é um alento para a superação do problema, pois incentivará a conexão com a opção modal sobre trilho, permitindo que mais passageiros voltem a cogitar o uso das barcas.

Portanto, apoiamos a medida de bilhete único no VLT.

Axel Grael
Secretário Executivo
Prefeitura de Niterói





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VLT fará parte do Programa Bilhete Único Intermunicipal a partir de segunda-feira


VLT entrará para o BUI - Custódio Coimbra / Agência O Globo


Lei foi aprovada na Alerj e sancionada pelo governador Pezão

RIO - O Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) fará parte do Programa Bilhete Único Intermunicipal (BUI) a partir da próxima segunda-feira. A nova integração acontecerá após a sanção do governador Luiz Fernando Pezão de um projeto de lei aprovado na última semana na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A medida foi publicada no Diário Oficial desta quinta-feira.

Quando o BUI foi instituído, em 2010, o VLT ainda não existia. Dessa forma, houve a necessidade de atualização da Lei 5.628/09 para que fosse possível incluir o modal ao Programa, auxiliando no fomento às integrações entre os meios de transporte, em especial os de média e alta capacidade.

— O VLT tem um posicionamento estratégico no Centro do Rio, e o BUI poderá potencializar sua utilização integrada aos sistemas de Barcas, na Praça XV, e de trem, na Central do Brasil. Foi uma decisão acertada, que trará benefícios à população — ressaltou o secretário de Estado de Transportes, Rodrigo Vieira.

O subsídio tarifário respeitará as mesmas regras de negócio do BUI aplicadas aos modais pertencentes ao Programa (ônibus, metrô, trem, barcas, vans legalizadas e BRT). No caso do VLT, por se tratar de um modal municipal, receberá o mesmo tratamento aplicado aos ônibus municipais do Rio e ao metrô (que na regra do BUI é considerado de abrangência municipal). Isso significa que, para que a integração seja subsidiada, o usuário deverá utilizar o VLT e um modal intermunicipal, como trem, barcas, vans intermunicipais e ônibus intermunicipais.

O Bilhete Único Intermunicipal permite o embarque em até dois meios de transportes, sendo um deles intermunicipal, ao custo máximo de R$ 8, 55, no período de até três horas. Para usufruir do benefício, o usuário deve ter idade acima de 5 anos e máxima de 64 anos (Decreto 45.746/16) e renda mensal de até R$ 3.205,20, conforme estabelecido pela Lei Estadual nº 7.506, de 29 de dezembro de 2016.


Fonte: O Globo










terça-feira, 15 de maio de 2018

CNN apresenta matéria sobre a participação de Martine Grael na Volvo Ocean Race






Thanks to CNN Sport for this great interview with team AkzoNobel helmsman and sail trimmer Martine Grael (BRA) about her experience competing in the Volvo Ocean Race for the first time.

A CNN Sport apresentou uma matéria com Martine Grael, velejadora medalhista de ouro na Rio 2016, a primeira brasileira a disputar a regata Volvo Ocean Race, a bordo do barco holandês Team AkzoNobel.











sábado, 24 de fevereiro de 2018

Coluna Washington Fajardo (O Globo): "A urbanista do Rio"



Soluções importantes para a ocupação da cidade estão a alguns andares da sala do prefeito Marcelo Crivella. É importante conhecer, debater e acompanhar


Verena Andreatta é arquiteta e urbanista, além de Doutora em Urbanismo e Ordenação do Território - Divulgação


Verena Andreatta é nome de atlas. A arquiteta e urbanista, Doutora em Urbanismo e Ordenação do Território pela Universidade Politécnica da Catalunha, em Barcelona, tem grande conhecimento sobre os inúmeros planos já feitos para a cidade do Rio de Janeiro, que ela reuniu no livro “Cidades Quadradas, Paraísos Circulares. Os planos urbanísticos do Rio de Janeiro no século XIX” (Mauad, 2006), que resultaria no “Atlas Andreatta” (Vivercidades, 2008) cujos mapas mostram a evolução da forma da cidade, e o pensamento promotor dos modelos urbanos.

Foi Diretora de Projetos Urbanos e Presidente do Instituto Pereira Passos, entre 1993 e 2000. Trabalhou em projetos importantes como “Rio Orla”, “Rio Cidade” e “Favela Bairro". Desde 1º de fevereiro lidera uma equipe de mais de 1.200 servidores, uma das maiores pastas da prefeitura, que assumiu após a saída de Indio da Costa.

WF - Você está à frente de uma secretaria que passou a reunir as áreas do planejamento urbano, da habitação, da infraestrutura, e até do patrimônio cultural, sob um mesmo comando. O que isso significa em termos de mudança de política urbana?

VA - A integração das áreas significa o fortalecimento da política urbana que privilegie o planejamento urbano e a articulação das ações preconizadas na Política Urbana estabelecida no Plano Diretor. Significa que as ações estruturantes, os programas e os projetos devem ser pensados antes das obras, garantindo a qualidade, a adequação e a otimização dos custos. As grandes empresas construtoras foram as protagonistas das decisões sobre obras urbanas, seus preços e o próprio financiamento. Entendemos que estes procedimentos precisam ser revistos.

WF - Qual é a sua visão para o atual momento urbanístico da cidade após as Olimpíadas, com a transformação da Região Portuária em curso e, especialmente, qual sua visão sobre os desafios urbanos do Rio?

VA - O meu entendimento é o de que as obras olímpicas foram importantes, sobretudo as ações de mobilidade urbana. Ou seja, a rede arterial de transporte público integrou o território municipal e compõe hoje uma rede bastante abrangente. São 420 km de ciclovia, 270 km de trens (170 no município do Rio), 57 km de metrô, 10 km de VLT, 54 km de BRS, 120 km de BRT, 4 linhas de barcas, num total de 6,5 milhões de viagens/dia. Este processo fortaleceu centralidades existentes e contribuiu para a emergência de novas centralidades. Neste contexto, o Projeto “Rio Conecta” tem como objetivo tratar áreas estratégicas que precisam ser urbanizadas nestes novos pólos, com ênfase na micro acessibilidade. Para tanto, estamos planejando implantar um programa que envolva profissionais da área de urbanismo, arquitetura, design, paisagismo para trabalhar estes espaços urbanos ao longo dos eixos de mobilidade, com foco nas áreas de confluência de fluxos. O programa Rio Conecta será lançado entre maio e junho deste ano por meio de um concurso público de projetos.

WF - E sobre o Código de Obras e a Lei de Uso e Ocupação do Solo? Por que mudar?

VA - Regulamentar a legislação complementar ao Plano Diretor, através de inovações no Código de Obras, na Lei de Uso e Ocupação do Solo, de Parcelamento e de Licenciamento e Fiscalização, significa preparar a cidade para a sua situação e vocação atuais e para enfrentar os desafios do século XXI, uma vez que a grande maioria das leis urbanísticas em vigor foram elaboradas na segunda metade do século passado, para uma outra conformação de sociedade e cidade. As famílias mudaram profundamente. Hoje existem mais idosos do que crianças em alguns bairros da cidade. Os deslocamentos dos cidadãos tendem a ser feitos mais rapidamente, de forma local, sempre que possível, com meios públicos ou bicicletas, retirando a dependência do automóvel particular. As relações de trabalho também sofreram grandes alterações. Eliminando as amarras vigentes, a cidade poderá entrar em uma nova era de desenvolvimento imobiliário mais flexível, mais rápido, menos burocrático e mais adaptado aos usos e costumes dos cidadãos do nosso tempo e do futuro. Outro ponto a considerar é a dinâmica do mercado. O Estado moderno tem a obrigação de olhar a sociedade pela ótica do emprego, do trabalho, da renda e das oportunidades de ascensão social e econômica. Por isso, é importante a redução significativa no número de itens, decretos e dispositivos dos instrumentos legais que regulamentam as atividades da construção civil na cidade do Rio de Janeiro. O Projeto de Lei de uso e Ocupação do Solo considera que a cidade contemporânea deve ser múltipla, que mistura de usos pode permitir que ruas residenciais tenham movimento em todas as horas do dia sem prejudicar o bem-estar dos cidadãos. O Projeto de lei do Código de Licenciamento e Fiscalização tem como propostas simplificar os procedimentos de análise dos projetos apresentados à prefeitura para licenciamento, eliminando a exigência de documentação redundante e desnecessária, reduzindo os prazos até a aprovação.

WF - O Plano Diretor de 2011 define uma Macrozona Incentivada, essencialmente, o Porto, parte do Centro, Zona Norte e bairros da Leopoldina, o que está sendo feito ou será feito nestas áreas?

VA - O planejamento urbano, a partir do Estatuto das Cidades dispõe de inúmeros instrumentos que não estão sendo utilizados, como o IPTU progressivo, o PEUC, Operações Urbanas, etc que são iniciativas que possibilitam dinamizar áreas urbanas decadentes, aproveitar os vazios urbanos e a grande potencialidade das infraestruturas instaladas. Já é hora de começar a aplicar este instrumental. O Rio Conecta irá priorizar essa região.

WF - Que politica habitacional está sendo planejada para a cidade?

VA - As políticas habitacionais envolvem a urbanização das favelas, assistência habitacional, o cartão reforma, os POUSOS e finalmente a regularização fundiária que é um processo tão importante mas de extrema complexidade; somente agora estamos conseguindo a regularização no Parque Royal, após 20 anos de uma das primeiras obras do Favela Bairro.

WF - Você trabalhou ativamente no projeto Rio Cidade. Qual sua visão para a qualidade dos espaços públicos e como qualificá-los se ao mesmo tempo há visão favorável na prefeitura aos ambulantes?

VA - A qualificação dos espaços públicos é a diretriz principal da nossa atuação !!!! O programa Rio Conecta, consiste em uma evolução do programa Rio Cidade, voltado para a circulação e caminhabilidade na cidade, trás inovações importantes para melhorar a qualidade e a segurança dos espaços livres públicos e coletivos. Ganhar compreensão para o ordenamento do espaço público será o desafio.


Fonte: O Globo












domingo, 21 de janeiro de 2018

Martine Grael consegue primeiro pódio na Volvo Ocean Race



Martine Grael. Pedro Martinez/Volvo Ocean Race


Team AkzoNobel ficou com a terceira colocação da quarta etapa da Volvo Ocean Race, disputada entre Melbourne e Hong Kong. Resultado animou a campeão olímpica da Rio 2016

O barco team AkzoNobel, que tem como uma das tripulantes a brasileira Martine Grael, ficou com a terceira colocação da quarta etapa da Volvo Ocean Race 2017-18. A equipe da campeã olímpica na Rio 2016 completou o percurso de quase 6 mil milhas náuticas entre Melbourne (Austrália) e Hong Kong na noite desta sexta-feira (19) no Brasil, já manhã na Ásia, local da chegada.

O time fez o trajeto em 17 dias, 21 horas e 6 minutos. A etapa foi vencida pelo Team Sun Hung Kai / Scallywag, que fechou a quarta perna da Volvo Ocean Race em 17 dias, 4 horas e 30 minutos. Em segundo ficou o Dongfeng Race Team, que fez em 17 dias, 17 horas e 18 minutos.

''Foi uma das pernas mais divertidas. No começo a gente teve muita disputa, com os barcos sempre no visual até passar da Linha do Equador. O tempo inteiro, de dia, de noite, com binóculo. Foi super competitiva e isso divertiu bastante'', contou a brasileira Martine Grael. ''Depois de uma terceira perna muito dura com uma quebra, foi muito bom chegar em Hong Kong com o pódio''.

O team AkzoNobel se recuperou na competição após resultados ruins nas duas etapas anteriores. Com o pódio inédito nesta edição, o barco da brasileira Martine Grael soma 14 pontos no geral.

''A gente estava super esperando conseguir esse pódio que era importante. Uma pena o que ocorreu com o Vestas antes da linha de chegada'', disse Martine Grael.

Como citado pela brasileira, o Vestas 11th Hour Racing deveria ser o terceiro colocado ou até mesmo o segundo, mas uma colisão com um barco na chegada a Hong Kong impediu a continuação na etapa quatro. O barco norte-americano/dinamarquês abandonou a perna ao ligar o motor. Mais barcos devem concluir a quarta etapa ainda neste sábado (20).

A próxima etapa será de transição, uma novidade na regata, entre Hong Kong e Guangzhou, marcada para 1º de fevereiro. Os veleiros vão percorrer apenas 100 milhas náuticas e ficam na cidade chinesa para a disputa de uma In-Port Race. Depois voltam a Hong Kong.

O MAPFRE, que foi o quarto colocado, lidera a competição da Volvo Ocean Race, mas a vantagem para os chineses do Dongfeng Race Team diminuiu.

Fonte: Volvo Ocean Race







sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Um ano após o ouro, Martine e Kahena falam com exclusividade ao novo site da CBVela






O dia 18 de agosto entrou para a história da vela brasileira nos Jogos Rio 2016. Na tarde daquela quinta-feira nublada, uma multidão lotou a Praia do Flamengo e foi ao delírio com a conquista da medalha de ouro da dupla Martine Grael e Kahena Kunze, na classe 49erFX. Foram as primeiras campeãs olímpicas da vela feminina do Brasil.

A euforia foi tamanha que muita gente foi para dentro d’água festejar com a dupla brasileira, que venceu a regata da medalha por apenas dois segundos de vantagem sobre as adversárias neozelandesas, medalhistas de prata. Na chegada à areia, o barco foi erguido nos braços do povo. Festa nas águas da Baía de Guanabara, êxtase na Marina da Glória.

Hoje, exatamente um ano após a conquista, a Confederação Brasileira de Vela lança a nova versão do seu site oficial. É uma página mais dinâmica, com conteúdo mais rico em fotos, vídeos e conexão direta com nossas redes sociais. Para marcar a ocasião, a Confederação presta uma homenagem às campeãs olímpicas com um bate-papo muito especial. Confira!

Como foi a vida de vocês neste período de um ano após a conquista do ouro nos Jogos Rio 2016? O que fizeram fora da água, e o que fizeram no esporte?

Kahena – As duas semanas depois dos jogos foram as mais intensas da vida. Muitos compromissos, fotos e eventos junto com comemorações. Já tínhamos marcado viagem para tirar umas férias, esfriar a cabeça, curtir o momento e ponto! Por mais que estivéssemos de férias por aí, foi impossível não velejar. Velejei com outros barcos, mas de 49er só voltamos seis meses depois, para a Copa do Mundo em Miami.

Martine – Foram muitas mudanças, eu passei por uma “ressaquinha” pós-Jogos depois que eu voltei das férias. E nesse ano muitas coisas começaram a pintar. Como a Regata de Volta ao Mundo, que tem sido um projeto meu desde o começo do ano. Na 49er, fizemos a maior parte dos campeonatos e fomos bem em todos. Priorizamos os que íamos nos sentir melhor, pois começar no primeiro ano do ciclo a 100% ia ser complicado.

Olhando pra frente: onde vocês pretendem estar daqui a um ano?

Martine – Daqui a um ano espero estar super, superanimada para velejar todos os dias de 49er.

Kahena – Retomando os treinos depois do Mundial de Aarhus (Dinamarca).

A CBVela agora tem sede na Marina da Glória. O que a Marina representa para vocês?

Kahena – Finalmente conseguimos uma base para vela. Já é um passo bem grande ter a Marina como base. Agora é aproveitar para promover mais campeonatos e investir nas novas gerações.

Martine – É bom que a CBVela tenha um lugar permanente agora. Velejadores de outros estados que não tinham onde deixar o barco quando vinham para treinamentos no Rio agora têm onde ficar. Acho que abre mais espaço para organizarmos campeonatos de maior porte e trazer clínicas de treinamento para o Rio. Tirou um pouco a necessidade de velejadores estarem filiados a mais de um clube.

Como vocês lidam com a oportunidade de inspirar novas gerações na vela, especialmente as meninas?

Martine – Acho que fomos o abre-alas. Quebramos o gelo, agora só falta a mulheradinha se animar! Tem que ter dedicação, mas mostramos que não é impossível. Eu sou superaberta se algum dia alguém vier pedir dicas ou pedir para sair para ver um treino. Adoro pessoas proativas. Tenho o maior prazer de passar um pouco da experiência. Nos últimos dois anos, a gente estava superatenta se tinha alguma meninada vindo das classes mais jovens. E tem, mas para muitos falta o interesse.

Kahena – Essa medalha inspirou muitas meninas e jovens velejadores, mas o caminho é longo e, se não tiver uma paixão, uma motivação, é tudo mais complicado. Estamos abertas para ajudar e trazer novas meninas para a nossa e outras classes.

O Mundial de 49erFX começa no dia 28 de agosto, na cidade do Porto, em Portugal. Qual a expectativa para essa competição?

Martine – Vai ser um reencontro de todas as meninas que foram para os Jogos Rio 2016, algumas supertreinadas e outras um pouco menos, como nós. Além de todas as que estão começando.

Kahena – Vamos com calma e sem criar muita expectativa. Tem algumas meninas que já estão treinando forte desde o começo do ano. Muitas pararam e estão recomeçando agora. Não vai ser fácil, ainda mais no Porto, que é uma raia que exige muita técnica, com ondas e vento. Mas será um desafio e somos movidas por novos desafios. Então, é aproveitar os dias antes do campeonato para tirar o máximo.

Num dia sem vento, que outro esporte você mais gosta de fazer?

Kahena – Paddle, nadar, surfar, correr, pedalar…

Martine – Com certeza pedalar! Eu adoro. Sempre que tenho um tempinho entre as competições, pego a bike para explorar novos lugares.


Fonte: CBVela










segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Baía de Guanabara continua poluída um ano após Olimpíada



Guanabara: foram construídas ou reformadas 7 estações de tratamento de esgoto, mas que ainda tratam volume irrisório de esgoto (Christophe Simon/AFP Photo/AFP)


Governo fluminense contraiu um empréstimo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) de R$ 1,2 bilhão para colocar o projeto em prática.

Por Agência Brasil

Em 2016, quando o Rio sediou o maior evento esportivo do mundo – a Rio 2016 – uma das expectativas era que a Baía de Guanabara ganhasse a chance de ser despoluída. Na época, o governo fluminense contraiu um empréstimo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) de R$ 1,2 bilhão para colocar o projeto em prática. Um ano após a Olimpíada, ambientalistas afirmam que o programa não avançou como esperado.

“Foram construídas ou reformadas sete grandes estações de tratamento de esgoto. No entanto, elas tratam hoje um volume irrisório, extremamente limitado, de esgoto”, disse o fundador do Movimento Baía Viva, Sérgio Ricardo.

Neste sábado (5), o grupo faz um ato na Praça Tiradentes, região central do Rio de Janeiro, para pedir a retomada da despoluição da baía e a conclusão dos troncos coletores e das ligações domiciliares construídas a partir de 1995.

De acordo com Ricardo, se as sete estações estivessem em pleno funcionamento, reduziriam significativamente a quantidade de dejetos lançados na baía. A estação do Caju (Alegria), por exemplo, que trata mais esgoto, não está operando com 20% da capacidade.

A estação do Caju (Alegria), por exemplo, que trata mais esgoto, não está operando com 20% da capacidade.


O grupo também pede proteção dos mananciais no lado leste da Baía de Guanabara. Alguns rios na área, como os que abastecem São Gonçalo, Niterói e Paquetá, ainda estão limpos e têm água de boa qualidade.

Sérgio Ricardo informou também que a baía perdeu cerca de 80 quilômetros quadrados de água. Com assoreamentos. Quando chove, os sedimentos são carreados pelos rios, canais e valões para dentro da baía, elevando o risco de inundações e outros acidentes ambientais, porque o fundo da região – situada entre o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro-Tom Jobim e o município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense – é cortada por uma malha de dutos.

O presidente do Instituto Rumo Náutico – Projeto Grael (OBS: não sou presidente do Projeto Grael desde abril de 2012), Axel Grael, da família de velejadores campeões brasileiros olímpicos e mundiais de iatismo, também lamenta que a baía não tenha sido completamente despoluída. “Isso é muito frustrante, porque perdemos uma grande oportunidade. É um momento que podia ter trazido novas tecnologias, novas parcerias de investimento, uma série de benefícios para a Baía de Guanabara, que acabaram não acontecendo”, disse Grael.

“Isso é muito frustrante, porque perdemos uma grande oportunidade. É um momento que podia ter trazido novas tecnologias, novas parcerias de investimento, uma série de benefícios para a Baía de Guanabara, que acabaram não acontecendo”, disse Grael.


Ele cita como avanço o processo de despoluição da enseada de Jurujuba, em Niterói, que constituirá a primeira parte da Baía de Guanabara que poderá ser considerada despoluída.

Programa de despoluição

A Secretaria Estadual do Ambiente informou que duas obras, integrantes do Plano de Saneamento Ambiental dos Municípios do Entorno da Baía de Guanabara, estão em andamento e levarão saneamento básico a São Gonçalo e Cidade Nova.

“As obras em Alcântara e na Cidade Nova estão 48% e 41%, respectivamente, executadas. Porém, as mesmas correm o risco de serem interrompidas e serem, literalmente, desperdiçados cerca de US$ 100 milhões já investidos, caso o Tesouro Nacional não aprove o aditivo de prazo e de redução do financiamento com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), de US$ 451 milhões para US$ 167 milhões”, informou a secretaria em nota.

Com as obras, 120 milhões de litros de esgoto deixarão de ser jogados na baía diariamente.

A secretaria destaca que o Instituto Estadual do Ambiente teve orçamento reduzido e só foi possível implantar e operar o sistema de 17 ecobarreiras, que custa cerca de R$ 500 mil por mês, e conseguiu retirar 8 mil toneladas de resíduos sólidos.

O órgão espera que se conseguir concluir as obras do programa de despoluição “e com o bom andamento da operação das ecobarreiras, teremos deixado um legado da olimpíada significativo, diante da crise que o estado vem enfrentando”.

Fonte: Exame



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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Lars Grael, rei das águas e da superação: “não aproveitamos o momento olímpico”



Velejador Lars Grael.


Por Rogério Sampaio

Entre os dias 27 e 30 de agosto, o multicampeão de vela Lars Grael, como uma rajada de vento, passou por Brasília para disputar, junto com seu parceiro Samuel Gonçalves, o Campeonato Brasileiro da Classe Star onde, como era mais do que esperado, levantou a taça. Em meio a agenda apertada de atleta de ponta, extremamente requisitado pelos amigos e fãs, Grael concedeu um espaço para conversar com os leitores do Portal Extra Pauta e do Blog Oceano Candango sobre esporte, o traumático acidente que o vitimou, política e cidadania. Discorreu ainda sobre as inúmeras mazelas que afligem os brasileiros, com a propriedade de quem já esteve dos dois lados do balcão, tanto como atleta, quanto como gestor público. Foi Secretário Nacional de Esportes durante o governo FHC e também integrou o governo Alckmin, em São Paulo como secretário estadual de Juventude, Esporte e Lazer. Atualmente, de volta às competições de alto nível – foi campeão mundial da Classe Star em 2015, na Argentina e vice neste ano na Dinamarca – dedica-se a tocar o Projeto Grael de inserção social através do ensino da marinharia e da consciência náutica às crianças carentes de Niterói, junto com outra lenda viva da vela nacional, seu irmão Torben, e a repensar e apontar soluções para o Brasil.

Portal Extrapauta – Recentemente você lançou um livro, escrito em parceria com o jornalista Eduardo Ohata, intitulado “Lars Grael – Um líder para os novos tempos”, no qual sua trajetória de vida é exposta sem reservas. De que maneira essa sua enorme experiência pode ajudar ao Brasil, que sente o peso da ausência de qualquer liderança digna desse nome, a sair do atoleiro ético, político e econômico em que se encontra?

Lars Grael – Falando sobre esse aspecto da gestão pública, em decorrência ao acidente que sofri em 1998 e que me afastou temporariamente do esporte de alto rendimento, fui convidado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para que trabalhasse no extinto INDESP – Instituto Nacional do Desenvolvimento do Esporte, para logo em seguida assumir como Secretário Nacional do Esporte. Nesse período eu fui presidente do Fórum Nacional de Secretários de Esportes, da Comissão Nacional de Atletas, do Conselho Sul-Americano do Esporte, acumulando experiência na área de gestão do esporte e vendo a carência que este País tem e tentando fortalecer o esporte não só com a agenda do alto rendimento, mas, também com uma agenda sócio-educacional. Nunca haverá uma educação de qualidade sem a prática de uma atividade física, sem esporte na escola. Foram anos de idealismo, tentando fazer o meu melhor, apesar das restrições que todos nós conhecemos, como de ordem orçamentária, burocracia e ao mesmo tempo intromissão política, sem falar na má gestão da coisa pública.

Portal Extrapauta – Hoje em dia, você ainda atua, em algum nível, na gestão da área de esportes?

Lars Grael – Hoje eu acompanho a gestão esportiva um pouco mais à distância. Atuo como superintendente técnico do Comitê Brasileiro de Clubes, ainda sou vice-presidente da Comissão Nacional de Atletas e presido o Conselho Empresarial do Esporte da Associação Comercial do Rio de Janeiro, além da administração do nosso Projeto Grael, iniciado lá em 1998, junto com meus irmão Torben e Axel , e voluntários, até hoje promovendo a inclusão social.

Portal Extrapauta – Qual a sua visão do atual momento do desporto nacional?

Lars Grael – O Brasil viveu um ciclo de produção de grandes eventos internacionais, começando com os Jogos Sul-Americanos em 2002, Jogos Panamericanos, em 2007; Jogos Mundiais Militares, em 2011; Copa do Mundo da FIFA, em 2014; Jogos Olímpicos e Paralímpicos, em 2016. Esse ciclo representou o apogeu da promoção de grandes eventos e a palavra de ordem mais usada era “deixar um legado”, aquilo que ficaria de fato para o conjunto da sociedade. Fora o Parque Olímpico que ficou no Rio de Janeiro, com uma dificuldade enorme de gestão, de manutenção, o maior legado que poderíamos esperar seria a universalização do esporte no Brasil. Colocar o esporte na agenda prioritária nas políticas públicas de inclusão social, sobretudo na educação.

Portal Extrapauta – Passamos longe em matéria de legado, você não acha?

Lars Grael – Nós, realmente, não aproveitamos esse momento. Hoje vivemos em um País mergulhado em uma crise social, política e econômica sem precedentes, um momento realmente complexo, onde tentamos buscar soluções imbuídos de muito espírito patriótico, para que voltemos a acreditar no Brasil a partir desse momento que vivenciamos.

Portal Extrapauta – Qual o seu sentimento pessoal em relação a esse período que o País atravessa?

Lars Grael – Mantenho o otimismo. Espero que a sociedade, a partir de 2018, tenha aprendido com os erros e melhore substancialmente a qualidade e a responsabilidade do voto e que possamos começar as profundas transformações pelas quais o brasileiro tanto anseia.

Portal Extrapauta – O último Secretário Nacional de Esportes, o nadador Luiz Lima, pediu demissão e saiu atirando contra as ingerências políticas e contra os partidos políticos de uma forma geral. Na sua época também ocorriam essas pressões, embora fossem momentos diferentes?

Lars Grael – Certamente. Se você atua na esfera governamental, é sabido que não existe governo sem a prática política. Sempre fui um ser politizado e tinha uma noção do tipo de cenário que iria encontrar. A gestão pública, ainda mais no caso brasileiro, é muito mais complicada do que se pode imaginar, por isso eu entendo a frustração do Luiz Lima na gestão do esporte de alto rendimento, em um momento, também, que o corte orçamentário na agenda do Ministério do Esporte foi drástico. Então fica aquela coisa de você ter o cargo, ter projetos e não ter meios para executá-los, pôr em prática as transformações necessárias.

Portal Extrapauta – E como funciona a coisa da intromissão política?

Lars Grael – A intromissão política, infelizmente ela existe e é bastante atuante, e não é de hoje. O importante é voe ter coerência, fazer aquilo que julga necessário, porque sempre vai ter a política partidária querendo aparelhar a máquina pública, querendo influenciar a forma de descentralização de recursos, etc. É necessário ter firmeza para que você possa resistir e manter a coerência ética, técnica e social.

Portal Extrapauta – Voltando a 1998, época daquele acidente estúpido, causado por um condutor de lancha alcoolizado, quando você estava no auge da forma física e técnica, de que forma o episódio transformou a sua vida?

Lars Grael – Vivenciei uma transformação muito grande na minha vida. Julgava que me encontrava no auge da carreira, após quatro Olimpíadas, duas medalhas de bronze, achava que 1998 era um ano especial aonde seria, como foi, realizado pela primeira vez o campeonato mundial da Classe Tornado, que era a classe pela qual fiz minhas campanhas Olímpicas, então estava em um momento de bastante motivação e tinha como meta a medalha de ouro em Sidney, quando tudo aconteceu.

Portal Extrapauta – Longe de mim querer fazer “spoiller” para aqueles que ainda não leram o livro mas é, seguramente, o momento mais emocionante da leitura.

Lars Grael – Pois é. Aquela lancha, conduzida por um inconsequente, dentro do espaço de uma raia de regata provocou o acidente que poderia acontecer com qualquer um, mas estava no meu caminho. Então, a primeira coisa, pós acidente, foi tentar entender um sentido para a vida. Lutar pela vida e não mais por troféus e medalhas. Aceitar que no auge da minha carreira me tornar um deficiente físico. Ao mesmo tempo, ocorreu um processo tão grande de solidariedade, de apoio de pessoas que passaram por situações semelhantes que foram ao meu encontro levando mensagens de motivação, de superação, no sentido de dar a volta por cima.

Portal Extrapauta – Essa movimentação de apoio fez a diferença e ajudou na retomada de uma nova normalidade?

Lars Grael – Tentei manter minha mente ocupada o máximo que pude. Todos os cargos que me chamavam, ações de voluntariado, fui aceitando como forma de nunca ter a mente ociosa que me levasse a uma possível depressão. A partir daí botei minha vida em um ritmo frenético, inclusive retomando a prática da vela para a partir daí me reposicionar na vela de competição. Acho que tudo isso foi muito importante para buscar um novo sentido para a vida que continuou. Ficou diferente, mas não necessariamente pior. O que grande aprendizado é entender que a felicidade reside no hoje, no aqui, no agora.

Portal Extrapauta – Ao retornar às competições, mesmo com a deficiência, você nunca cogitou ser um paratleta. Qual o motivo?

Lars Grael – Minha primeira velejada após o acidente se deu dois meses depois. Saí do hospital, voltei para Niterói, ainda bastante debilitado em função das dez cirurgias às quais fui submetido. Então, voltar a velejar era para mim um momento de reencontro e de fazer as pazes com o mar, onde eu dediquei minha vida e quase a perdi. Foi o meu irmão Torben que ao sentir esse meu distanciamento da vela, me direcionou para a Classe Star, um barco que pela sua configuração permitia uma adaptação melhor permitindo que eu me tornar tão competitivo quanto um velejador normal. Devo o reencontro com a motivação e aos bons resultados ao meu irmão Torben que, inclusive me queria como “sparring” nos seus treinamentos. Em suma, me reencontrei com a vela em um barco que exige a mais alta técnica e desempenho. Todavia, quero deixar claros minha admiração e respeito pelos paraatletas da vela que igualmente tem que se superar a cada dia.

Portal Extrapauta – Você está a par das transformações pelas quais o lago Paranoá vem passando, como a implantação do Projeto Orla Livre, da utilização de suas águas para consumo humano por conta da crise hídrica, por exemplo? Tem alguma opinião a respeito desses assuntos?

Lars Grael – O lago Paranoá representa, pelo menos, o principal espaço de lazer que tem em todo o DF e tem um valor enorme também no componente de regulação climática. O espelho d’água é lindíssimo, que esteticamente embeleza a cidade. Foi criado em uma época na qual o Brasil ainda pensava o futuro e sua ocupação foi pensada de forma ordenada. O projeto Orla Livre se por um lado tenta, corretamente, restituir áreas públicas que foram ocupadas irregularmente, por outro lado ele contém erros, um vício de origem porque conhecendo a forma predatória que os brasileiros, de um modo geral, ocupam as margens de lagos, rios e a própria orla marítima, me causa muita preocupação com o acesso livre e indiscriminado da orla em relação ao impacto ambiental e à falta de segurança.

Portal Extrapauta –Essa sequência de absurdos tem efeito determinante na crise hídrica no DF?

Lars Grael – O lago, hoje, vive um processo de assoreamento constante, fruto da ocupação desordenada de seus mananciais, condomínios irregulares, fruto de demagogia política. A crise hídrica em Brasília é séria, deveriam ter sido planejados novos reservatórios, mas o que nós temos são construções irregulares ocupando o solo de qualquer jeito. Isso me preocupa. O Paranoá ainda é um lago limpo, mas temos que lutar pela preservação dele. Democratizar a orla sim, mas com total responsabilidade e planejamento sério.

Fonte: Extra Pauta