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sexta-feira, 3 de abril de 2026

MARTINE GRAEL COMANDARÁ O BRASIL NO SAILGP NO PRÓXIMO FIM DE SEMANA. Niterói será a base logística





Martine Grael é a comandante do Mubadala Brazil SailGP Team. É a primeira e única mulher a liderar uma equipe na mais competitiva e sofisticada modalidade da vela mundial.

Você já ouviu falar na Sail Grand Prix (ou SailGP)? É uma das mais radicais e sofisticadas modalidades da vela mundial e o próximo evento acontecerá na Baía de Guanabara no próximo final de semana (11 e 12 de abril de 2026). Será o Enel Rio Sail Grand Prix. As regatas acontecerão próximo ao Aterro do Flamengo e você pode adquirir ingressos para assistir bem de pertinho.

O Brasil possui uma equipe na competição: o Mubadala Brazil SailGP Team, comandado pela bi-campeã olímpica Martine Grael, minha querida sobrinha, velejadora do Rio Yacht Club, de Niterói.  Seu irmão, Marco Grael (na posição de grinder), também faz parte da tripulação, que conta com mais 5 velejadores. A equipe estreou no ano passado e está na sua segunda temporada. A primeira vitória da equipe brasileira aconteceu na etapa de Nova York, em junho de 2025.


Tecnologia e performance

Chamados de Fórmula 1 dos mares, os barcos da SailGP são os F50, cujo projeto foi desenvolvido ao longo de 10 anos com o uso da mais moderna tecnologia de design e material, para garantir alta performance, competitividade e muita adrenalina. São catamarãs que navegam sobre "foils", estruturas que permitem que os barcos "voem sobre as águas", mantendo o mínimo de contato com o mar e, assim, transformam o máximo da energia em velocidade. Além da tecnologia dos cascos e dos foils, os barcos são equipados com velas em forma de asas, que também são decisivas na performance. Movidos exclusivamente pelo vento, os barcos chegam a mais de 100 km/hora e garantem um espetáculo de tecnologia e exigem muita capacidade técnica das equipes. 

Quando eu ainda estava como prefeito de Niterói (2021-2024) ajudei a trazer o SailGP para a Baía de Guanabara e ter a nossa cidade co-sediando o evento. O "Box" de cada uma das 13 equipes do Sail GP (Brasil, Suécia, Austrália, Nova Zelândia, França, Inglaterra, Alemanha, Espanha, Canadá, Itália, Dinamarca, Suiça e Estados Unidos) estarão no Caminho Niemeyer, em Niterói.

Falta pouco para torcermos muito pela Martine, Marco e toda a equipe do Mubadala Brazil SailGP Team. 

Axel Grael


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Leia matéria na VEJA Rio












quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Aves marinhas ingerem quantidades consideráveis de poluentes, alguns proibidos há décadas

 

Mesmo em arquipélago isolado, atobás residentes apresentaram contaminação por DDT (foto: Janeide Padilha/Universidade do Minho)

Análises realizadas em material biológico de seis espécies migratórias e uma residente do Brasil indicam concentrações similares de alguns dos chamados poluentes orgânicos persistentes (POPs), incluindo o DDT e o formicida Mirex

André Julião | Agência FAPESP – No livro Primavera Silenciosa, de 1962, a bióloga norte-americana Rachel Carson relata como o DDT, um pesticida até então largamente utilizado para conter pragas agrícolas, era responsável pela morte massiva de aves, incluindo a emblemática águia-americana.

Uma das razões era que a contaminação torna as cascas dos ovos mais finas, a ponto de as mães os quebrarem quando se sentam para chocá-los. O livro é tido como fundador do movimento ambientalista moderno.

Nos anos 1970, a maior parte dos países ricos havia banido o DDT. No Brasil, a proibição agrícola só ocorreu em 1985, mas o veneno continuou liberado para controle de vetores de doenças como o Aedes aegypti. Apenas em 2009 uma lei proibiu o uso, a fabricação e estocagem do diclorodifeniltricloretano no país, seguindo a Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes.

No entanto, um trabalho publicado na revista Environmental Monitoring and Assessment, com apoio da FAPESP, traz novas evidências sobre a presença do DDT e de outros chamados poluentes orgânicos persistentes (POPs) no organismo das aves.

“Ainda que não tenham sido usados numa determinada área, os poluentes orgânicos sofrem o efeito gafanhoto. Nesse fenômeno, eles se evaporam no calor e se condensam novamente no frio. Com isso, migram pelo ar, das baixas latitudes dos trópicos em direção às áreas polares”, explica Janeide de Assis Guilherme Padilha, pesquisadora da Universidade do Minho, em Portugal, e primeira autora do estudo.

Numa parceria com a pesquisadora Maria Virginia Petry, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Padilha e pesquisadoras do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP) analisaram os fígados de carcaças de aves marinhas de seis espécies encontradas na costa do Rio Grande do Sul durante sua migração anual para o Atlântico Sul.

As pesquisadoras analisaram ainda o sangue de uma população residente de atobá-pardo (Sula leucogaster) no Arquipélago de São Pedro e São Paulo, conjunto de ilhas rochosas distante cerca de mil quilômetros da cidade de Natal (RN).

Mesmo tão longe da costa e de atividades humanas, os atobás-pardos do arquipélago apresentaram contaminação por DDT e por PCBs (bifenilas policloradas), compostos industriais antes usados em transformadores e reatores elétricos.

As seis espécies analisadas da costa gaúcha, ainda que com diferentes hábitos alimentares, apresentaram níveis parecidos de POPs entre si, embora os dois indivíduos de pardela-de-bico-preto (Ardenna gravis) analisados tenham tido uma média maior de PCBs e Mirex, um formicida também banido, mas que persiste no ambiente.

O trabalho teve apoio da FAPESP por meio de equipamento multiusuário, instalado no IO-USP.

Novas perguntas

Nas aves, os POPs podem ser transferidos de mãe para filho e causam o afinamento da casca dos ovos, entre outros problemas, enquanto em humanos estão relacionados a alguns tipos de câncer, desregulação do sistema endócrino e problemas reprodutivos e de desenvolvimento.

Os resultados surpreenderam as pesquisadoras por conta das semelhanças entre os níveis encontrados mesmo em espécies com diferentes dietas e tamanhos. A água e os alimentos são os principais vetores da contaminação de aves marinhas.

“Esperávamos que espécies de maior porte, como os albatrozes, apresentassem as maiores concentrações de POPs, já que ocupam níveis tróficos mais altos e costumam consumir presas maiores e mais longevas, que acumulam mais contaminantes ao longo da vida. Contudo, a pardela-de-bico-preto exibiu os valores mais elevados de PCBs e Mirex”, conta a pesquisadora, que realizou parte do estudo durante pós-doutorado no IO-USP.

A pardela-de-bico-preto (Ardenna gravis) percorre rotas migratórias extensas, utiliza áreas associadas à pesca e pode se alimentar de presas capturadas em regiões mais contaminadas do Atlântico Sul, o que ajuda a explicar por que apresentou uma carga de poluentes tão alta.

Outro exemplo faz parte de um trabalho publicado anteriormente pelo grupo de Padilha. Populações de uma mesma espécie, o atobá-pardo, de três diferentes locais, possuíam diferentes perfis de contaminação.

Uma hipótese para a maior concentração de poluentes tóxicos, como estanho, nas aves das Ilhas Cagarras, no Rio de Janeiro, em relação às de Abrolhos e do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, por exemplo, é que as ilhas cariocas recebem mais desse contaminante, por conta da proximidade com a área urbana.

Atobá-pardo tem medidas tomadas durante monitoramento nas Ilhas Cagarras, no Rio de Janeiro (foto: Janeide Padilha/acervo pessoal)

Além disso, aquela população de aves se alimenta predominantemente de lulas, que acumulam mais o metal tóxico do que as espécies que são alimentos mais abundantes nas outras áreas estudadas.

“É preciso levar em conta que, no trabalho atual, analisamos materiais biológicos distintos: no Rio Grande do Sul os fígados de animais já mortos e , no arquipélago, o sangue dos atobás-pardos vivos. Outros tipos de análise ou tecidos podem apontar poluentes que não encontramos com os métodos usados agora”, ressalta Padilha.

Os fígados representam acúmulos prolongados, porque muitos POPs têm baixa taxa de metabolização e acabam permanecendo no órgão por longos períodos. O sangue, por sua vez, dá uma ideia do que está circulando no organismo.

Padilha agora investiga o papel da poluição plástica para as aves marinhas. Alguns POPs, como os retardantes de chamas, por exemplo, estão presentes em plásticos facilmente acessíveis para aves no oceano.

“Suspeitamos que algumas cores são associadas a certos alimentos, o que estaria fazendo essas aves ingerirem pedaços de plástico”, diz. Em trabalhos de campo nas Ilhas Cagarras, a pesquisadora já presenciou escovas de dentes e isqueiros sendo usados como parte dos ninhos.

O artigo Bioaccumulation of legacy POPs in seabirds: A multi-species comparison between Procellariiformes and Suliformes in the South Atlantic pode ser lido em: link.springer.com/article/10.1007/s10661-025-14703-1.

Fonte: Agência FAPESP




segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

NOVO CENTRO DE NITERÓI: Niterói conquista Prêmio IAB 2025 por projeto de Revitalização do Centro

Um dos legados da minha gestão como prefeito de Niterói (2021-2024) foi o planejamento da Revitalização do Centro da cidade, que fez parte do Plano Niterói 450 Anos (saiba mais aqui). Dentre as muitas intervenções realizadas na gestão, cabe destaque a Revitalização da Orla, projeto concebido pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Mobilidade (SMU), dentro do conceito de "Ruas Completas", principalmente na Avenida Visconde do Rio Branco, que foi totalmente requalificada. O projeto de paisagismo é do Escritório Burle Marx, que valorizou ainda mais a Praça Arariboia. 

A Frente Marítima, de excepcional valor histórico e paisagístico, estava obstruída pela presença de um estacionamento (próximo ao Bicicletário) e pelas instalações abandonadas do antigo aerobarco (próximo ao Terminal João Goulart). Ambos foram removidos e hoje os espaços são belas praças, que já se tornaram pontos privilegiados de contemplação, principalmente ao pôr-do-sol. 

Fizemos a licitação das obras que se estenderam desde o Mercado São Pedro (Ponta D'Areia) até o Forte Gragoatá. A Frente Marítima ganhou mais arborização, uma ciclovia ao longo de toda a sua extensão, a integração do Caminho Niemeyer, canteiros e jardins. A nova Praça Arariboia foi entregue em 2024 e as demais intervenções estavam 95% concluídas e foram finalizadas na atual gestão.

A concepção e a construção do Novo Centro de Niterói

Além da nova orla, na nossa gestão o Centro ganhou outras 20 obras estruturantes para o Centro de Niterói, que foram concluídas ou inauguradas na nossa gestão:

  • Parque Esportivo na Concha Acústica: obra entregue em 2024 e hoje oferece atividades esportivas para cerca de 2.000 pessoas.
  • Complexo de Atletismo Aída dos Santos: o equipamento esportivo pertence à UFF e foi integralmente reformado e é considerado pela Confederação Brasileira de Atletismo um dos melhores espaços para o atletismo no país e já sediamos o Grande Prêmio Brasil de Atletismo, em 2024. Saiba mais aqui.
  • Ginásio Poliesportivo: a obra foi projetada, licitada e iniciada na nossa gestão e está em desenvolvimento, devendo ser concluída em 2026.
  • Cantareira: há anos que o imóvel era reivindicado pelo setor cultural da cidade para uso público. O prédio foi desapropriado por mim em dezembro de 2022, o projeto de restauração foi desenvolvido e as obras começaram em 2024. 
  • Castelinho do Gragoatá: o imóvel é tombado e estava muito deteriorado. O prédio foi desapropriado pela Prefeitura e foi totalmente restaurado. Hoje sedia a Coordenadoria do Niterói de Bicicleta. A praça também foi revitalizada e hoje é conhecida como a Praça da Bicicleta.
  • Solar Notre Rève: conhecido também como Casa Norival de Freitas, o imóvel foi totalmente restaurado e hoje abriga a sede do Projeto Aprendiz Musical.
  • Mercado Municipal: a concessão do Mercado Municipal foi realizada na gestão anterior do prefeito Rodrigo Neves e as obras aconteceram majoritariamente na nossa gestão, até que foi reinaugurado em 2023.
  • Edifício Nossa Senhora da Conceição - "Prédio da Caixa": o chamado "Prédio da Caixa" era um grave problema social em plena Avenida Amaral Peixoto. O prédio foi desapropriado pela Prefeitura, em acordo com o Ministério Público e os seus moradores começaram a ser indenizados na nossa gestão. O objetivo é a recuperação do prédio (retrofit) em parceria com a iniciativa privada, fazendo a reconversão das unidades para uso misto a serem destinadas para habitação de interesse social e lojas com atendimento de serviços públicos.
  • Amaral Peixoto Verde: a avenida mais importante do Centro será requalificada, deixando o seu aspecto atual de aridez para uma nova via, arborizada, com ciclovia segregada e paisagismo. A concepção e o projeto foram desenvolvidos na nossa gestão. Lançamos a licitação que foi concluída na atual gestão.
  • Integração do Caminho Niemeyer: entre a Avenida Visconde do Rio Branco e o Caminho Niemeyer, havia um vazio urbano, ocupado com estacionamentos irregulares que atraiam cerca de 2.000 automóveis diariamente para o Centro. A área foi totalmente urbanizada e recebe agora investimentos imobiliários que se constituirá na nova feição urbana do Centro de Niterói. 
  • Rua da Conceição: No mesmo edital de licitação da Amaral Peixoto, foi prevista a obra de requalificação da Rua da Conceição. A reforma completa da Rua da Conceição incluirá a ampliação dos passeios com acessibilidade e implantação de infraestrutura subterrânea da rede de telecomunicações para desobstruir a poluição visual que prejudica o patrimônio de edificações preservadas da rua.
  • Duplicação do Bicicletário Arariboia: com a remoção total do estacionamento que existia na Praça Arariboia, obteve-se espaço para a duplicação do Bicicletário, que passou de 446 para 1.000 vagas. 
  • IACS: em mais uma parceria com a UFF, o novo Instituto de Artes e Comunicação Social - IACS teve a sua obra concluída em 2024.
  • VLT: desde quando fui vice-prefeito de Niterói (2013-2016) coordenei o planejamento para a implantação do VLT de Niterói, que unirá a Estação Multimodal localizada no Terminal do Catamarã em Charitas, até o Terminal João Goulart no Centro, e de lá irá até o Barreto. Esta solução modal revolucionará a mobilidade da cidade e trará também muitos benefícios para o Centro de Niterói. O Projeto Básico e o Estudo de Viabilidade Econômica foram concluído e deixamos para o governo seguinte o financiamento aprovado no Novo PAC, do Governo Federal, para a implantação da primeira etapa do projeto.
  • Parque Natural Águas Escondidas: Na nossa gestão, criamos o Parque Natural Municipal Águas Escondidas, que abrange o Morro da Boa Vista, onde desenvolve-se o maior projeto de reflorestamento desenvolvido pela Prefeitura de Niterói.
  • Comunidades: fizemos investimentos de melhorias da infraestrutura na Comunidade do Sabão e também obras de contenção de encostas em várias comunidades, como o Morro do Estado, Morro da Boa Vista e .
  • Escola no Morro da Penha: Construção e entrega da UMEI Leni dos Santos Oliveira – Dona Helena, no Morro da Penha, bairro da Ponta d’Areia. A unidade é a 29ª inaugurada em Niterói nos últimos 12 anos e oferece 120 vagas, em tempo integral, para crianças de 1 e 2 anos. A Umei conta com seis salas de aula, sala de multimeios, sala dos professores, pátio, refeitório (equipado com cozinha e despensa), área verde, além de estar nos padrões de acessibilidade e sustentabilidade.
  • Reforma de Unidades de Saúde: Três unidades de Saúde receberam obras importantes de reforma, como a Unidade de Saúde do Morro do Estado Dr. Mário Pardal (investimento: R$ 950.720,00), Médico de Família na Ponta D'Areia (R$ 300.503,00) e Ilha da Conceição (R$ 939.126,00). O valor total do investimento foi de R$ 2.190.346,00.
As referidas obras fazem parte do maior ciclo de investimentos em infraestrutura na história da cidade. No período de 2021 a 2024 foram investidos mais de R$ 3 bilhões na cidade, trazendo melhorias para a vida do cidadão niteroiense. Também cabe destacar a Lei do Retrofit, que encaminhamos ao Legislativo através de Mensagem Executiva e que foi aprovada como a Lei 3.608/2021. A lei estimula a iniciativa privada a investir na reforma e reaproveitamento dos imóveis no Centro de Niterói.

Axel Grael
Prefeito de Niterói (2021-2024)

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Prefeitura de Niterói conquista Prêmio IAB 2025 com projeto de revitalização da orla do Centro

Premiação coloca a cidade na vanguarda nacional do planejamento urbano

A cidade de Niterói acaba de ser reconhecida nacionalmente por uma das mais importantes instituições de arquitetura e urbanismo do país. O projeto “Revitalização da Orla do Centro de Niterói” foi o vencedor da categoria Urbanismo e Infraestrutura Verde da 63ª Premiação Anual do Instituto de Arquitetos do Brasil, cujo resultado foi anunciado em cerimônia na sede do IAB-RJ, no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (11/12).

O prêmio, um dos mais tradicionais do setor, destaca os projetos que mais contribuem para a qualificação das cidades brasileiras. O projeto niteroiense foi reconhecido por sua capacidade de transformar a principal frente marítima da cidade, propondo um novo paradigma urbano para a Região Metropolitana, com foco em sustentabilidade e inclusão social.

“Ser premiado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil, uma das instituições mais respeitadas do setor, reafirma Niterói como referência em planejamento urbano contemporâneo. A orla revitalizada é um legado que deixaremos para as próximas gerações. Ao priorizar pedestres, ciclistas e o transporte coletivo, e ao integrar habitação e equipamentos culturais, estamos construindo a Niterói do futuro: uma cidade mais integrada, viva e com oportunidades para todos”, declarou o prefeito Rodrigo Neves.

O projeto conecta o Caminho Niemeyer, a Praça Arariboia e o Parque Esportivo Municipal, conformando um novo parque linear costeiro. O conjunto de intervenções devolveu à cidade toda a beleza da paisagem da Baía de Guanabara e reconfigurou uma área que estava degradada, trazendo mais segurança, qualidade de vida, e estimulando a ocupação habitacional sustentável no entorno dos terminais de ônibus e barcas. Até a estátua do cacique Arariboia, fundador da cidade, foi reposicionada a 100 metros de distância do local antigo para ficar com a vista livre para o mar.

“O projeto recupera a relação com a paisagem cultural da baía, restabelece percursos visuais, amplia a vivência pública e devolve aos habitantes o protagonismo sobre um dos espaços mais emblemáticos da cidade”, destacou o secretário de Mobilidade e Infraestrutura, Renato Barandier, que representou a Prefeitura na premiação.

O Prêmio IAB 2025 se junta a vários outros conquistados pela cidade ao longo do ano, como:
  • Connected Smart Cities 2025: 1º lugar na categoria “Soluções” com o Pacto Contra a Violência e o CISP, consolidando-se em segurança e tecnologia.
  • Casos de Sucesso em Saneamento Básico: 1º lugar no RJ e 3º no Brasil ranking promovido pelo Instituto Trata Brasil e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), com 100% de água tratada e quase 96% de rede de esgoto,
  • Prêmio Band Cidades Excelentes 2025: Niterói foi premiada nas categorias de Desenvolvimento Socioeconômico e Ordem Pública, reconhecida pelo bom desempenho geral e índices elevados.Prêmio InovaCidade 2025: A cidade foi reconhecida por iniciativas como o programa de integridade “Previne” e um projeto de monitoramento de drenagem com robótica.
  • Prêmio Profissionais da Música 2025: O Programa Aprendiz Musical foi reconhecido, evidenciando o investimento na cultura e formação de jovens.
As premiações refletem um esforço contínuo da Prefeitura em diversas áreas, com impacto direto na qualidade de vida dos moradores.

Fonte: Prefeitura de Niterói




terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Luciano Moreira, parceiro do Projeto Grael, é um dos 10 cientistas mais influentes no mundo em 2025

Dr. Luciano Moreira (quinto da direita para a esquerda) com técnicos da Fiocruz e dirigentes da Fundação Bill e Melinda Gates, em visita ao Projeto Grael, em 2016.

O pesquisador brasileiro Luciano Moreira, acaba de ser anunciado pela renomada revista científica "Nature" como um dos 10 cientistas mais influentes no mundo em 2025. 

O professor Luciano Moreira é engenheiro agrônomo e entomólogo, formado pela Universidade Federal de Viçosa-MG, sendo pesquisador ligado à Fundação Oswaldo Cruz - FIOCRUZ. O cientista desenvolve pesquisa sobre o uso da bactéria Wolbachia, de presença comum em muitos insetos, mas que os mosquitos Aedes aegypti não possuem naturalmente no seu organismo. Quando inoculado no mosquito, a bactéria bloqueia a transmissão da dengue, zika e chikungunya. Esta é a base do Método Wolbachia para o controle das doenças. Trata-se de uma tecnologia natural, eficaz e segura. Não há mudança genética nem no mosquito nem na bactéria. O método também evita a aplicação de produtos químicos, tão utilizados no passado. Protege cerca de 14 milhões de pessoas/ano dos efeitos da dengue, zika e chikungunya.

A iniciativa chegou ao Brasil em 2011, com o apoio do Ministério da Saúde, em parceria com a Fundação Bill & Melinda Gates e a National Institutes of Health, que investiram no método Wolbachia R$ 31 milhões.

Agente libera Wolbitos com parte do projeto em cidades brasileiras. | Crédito: Flávio Carvalho / WMP Brasil Fiocruz

Em 2013, quando o Rio de Janeiro e Niterói viviam um grave surto de dengue, o Dr. Luciano Moreira e uma equipe da FIOCRUZ procuraram o Projeto Grael para pedir ajuda. Dr. Moreira estava decidido a testar a sua tecnologia em dois lugares que considerava geograficamente ideais: Jurujuba (Niterói) e Tubiacanga (Ilha do Governador, no Rio de Janeiro). O fato de Jurujuba ser uma península na Baía de Guanabara e ter relativo afastamento de outros bairros, se adequava à metodologia da pesquisa. No caso de Tubiacanga havia uma justificativa semelhante, mas os trabalhos não avançaram tanto que em Jurujuba.

Eu havia sido eleito vice-prefeito de Niterói em 2013 e fiz a ponte entre a equipe da FIOCRUZ e a Secretaria Municipal de Saúde, que aprovou o experimento na cidade e passou a acompanhar e apoiar a iniciativa.

Mosquito x mosquito

De início, o trabalho das equipes causava desconfiança, principalmente quando saíram espalhando mosquitos pelo bairro. Como engenheiro florestal, entendi o objetivo do professor Moreira e convenci a equipe do Projeto Grael que a ideia de soltar mais mosquitos Aedes para combater a dengue, por mais que parecesse estranho, fazia sentido.

Armadilha para captura de mosquitos para fins de monitoramento. Equipamentos semelhantes a este foram instalados no Projeto Grael. Fonte: Portal Drauzio

O Projeto Grael cedeu espaço para apoio logístico das equipes que fizeram o trabalho pioneiro em Jurujuba e ajudou no esclarecimento da comunidade. Recebemos aulas e exposição educativa sobre o trabalho que seria feito e incentivamos os alunos do Projeto Grael a ajudar o trabalho das equipes da FIOCRUZ.

Inicialmente, os técnicos da equipe do prof. Moreira fizeram estudos na região e começaram a soltar os mosquitos com Wolbachia em 2015 e os resultados foram muito positivos. Na minha gestão como prefeito de Niterói (2021-2024), expandimos o método Wolbachia para toda a cidade e, desde então, os números de casos registrados de dengue, zika e chikungunya são muito baixos em Niterói e o modelo foi levado pelo Ministério da Saúde e FIOCRUZ para outras partes do país. 

Hoje, Luciano Moreira dirige a "Fábrica de Mosquitos" da FIOCRUZ, em Curitiba, considerada a maior do mundo. Produz 80 milhões de ovos de mosquitos por semana para alimentar o programa de enfrentamento às doenças no país. O que deu certo em Niterói vai beneficiar outras cidades.

Niterói é muito grata por ter sido escolhida a primeira cidade no país a ser cuidada pelo Método Wolbachia e o Projeto Grael tem orgulho de ter participado, mesmo que de forma modesta, desta grande conquista da Ciência e da Saúde.

Parabéns ao Dr. Luciano Moreira e sua equipe. 

Axel Grael
Prefeito de Niterói (2021-2024)
Vice-prefeito de Niterói (2013-2016)
Cofundador do Projeto Grael


terça-feira, 25 de novembro de 2025

4ª EDIÇÃO DA RIO WOMEN’S CUP ACIRRA DISPUTA PELA LIDERANÇA DO RANKING FEMININO DA CLASSE SNIPE NO RIO DE JANEIRO

 


Fotos da edição do evento do ano passado.

Nos dias 29 e 30 de novembro, o Iate Clube do Rio de Janeiro será sede da quarta edição da Rio Women’s Cup, campeonato da classe Snipe exclusivamente feminino. Criada em 2022 com o objetivo de estimular a presença feminina numa das classes mais tradicionais da vela, a competição deste ano será fundamental para definir a velejadora que vai ocupar o primeiro lugar do ranking carioca. 

“O ranking da classe premia a assiduidade e também o desempenho nas regatas. Esse ano, pela primeira vez, duas mulheres disputam a liderança, e isso é resultado dos esforços para trazer mais mulheres para a classe”, afirma Roberto Adler, velejador responsável pelo ranking e um dos criadores da Rio Women’s Cup. Uma das velejadoras que disputa a liderança do ranking deste ano é Sophia Osthoff, de apenas 16 anos. Sophia acredita que ter duas mulheres disputando a liderança do ranking mostra o alto nível técnico das atletas e o quanto o campo competitivo está se renovando.

“Esse momento representa a força e a qualidade das duplas que têm surgido nos últimos anos, além de reforçar que a classe está cada vez mais diversa e aberta para novos perfis de velejadores. É um sinal da evolução natural do esporte e, sem dúvida, algo que inspira mais pessoas a se envolverem e competirem na classe Snipe”, reforça Sophia.

O Snipe é um barco para duas pessoas: o proeiro cuida da vela menor (buja) e realiza regulagens na parte da frente da embarcação e o timoneiro cuida da vela grande, e é o responsável pelo leme, definindo a direção do barco e as manobras. “Quando eu comecei a velejar de Snipe, em 2017, éramos somente duas velejadoras presentes nas regatas da classe, e velejávamos como proeiras. Depois que participei do mundial feminino de Snipe em 2021, como timoneira, decidi comprar meu barco. Tenho visto outras mulheres comprando Snipes e velejando como timoneiras e isso é fruto dos eventos femininos da classe pelo Brasil e pelo mundo”, explica Michelle Chevrand, criadora da Rio Women’s Cup. 

Somente este ano, aconteceram o Troféu Marina Prada, em São Paulo; o Troféu da Vela Feminina, em Brasília; o Mundial Feminino de Snipe, no Japão; e o Hemisphere Cup, em Miami, uma regata que reuniu velejadoras do continente americano e Japão e que será realizada no Brasil no ano que vem. 

A Rio Women’s Cup se consolidou no calendário carioca e algumas das velejadoras participaram de todas as edições até agora. É o caso da Renata Pellicano Grael. Esse ano, ela comprou com a irmã, Marcia MacDonald, um Snipe, batizado de "Pelli". “É muito bom ver que a participação de mulheres nas regatas de Snipe tem aumentado e com alto nível técnico. Eventos exclusivamente femininos ajudam a trazer cada vez mais meninas. E nas regatas abertas, muitas duplas mistas também ajudam a elevar o nível das mulheres”, reforça Renata. 

A programação do evento inclui atividades que vão além das regatas, uma forma de gerar integração entre as competidoras e proporcionar encontros para futuras parcerias. No sábado, as velejadoras poderão relaxar depois das regatas na tenda de massagem, pelas mãos da fisioterapeuta Liliana Azevedo, que já cuidou da dupla de ouro Martine Grael e Kahena Kunze. No domingo, após as regatas, acontece a cerimônia de premiação regada a pizza, e serão sorteados brindes. A edição deste ano tem o patrocínio exclusivo da OceanPact.

Fonte: Divulgação



sábado, 25 de outubro de 2025

Renovada na Sail GP, Martine Grael sonha com etapa do Rio em 2026: 'Estou esperando demais por esse dia'

 

Martine Grael é capitão do barco brasileiro na Sail GP — Foto: Divulgação/AT Films


Evento deste ano foi cancelado por problemas nas embarcações, mas está confirmado para abril do próximo ano.

Por Tatiana Furtado

Bicampeã olímpica na vela, no Rio e em Tóquio, Martine Grael traz no semblante a alegria pueril de quem ganhou um brinquedo novo neste ano. No caso, o “brinquedo” custa alguns milhões de dólares, tem 15 metros de comprimento, conta com a mais alta tecnologia de aerodinâmica náutica e pode chegar a 100km/h. Capitã da equipe brasileira estreante na Sail GP — considerada a Fórmula 1 dos mares —, ela tirou algumas semanas de folga no Rio antes da última etapa da temporada, no final de novembro, em Abu Dhabi.

Única mulher a liderar uma embarcação entre as 12 nações presentes na competição, Martine compartilhou a nova experiência com outros oito velejadores —incluindo o irmão Marco — e mais de 20 profissionais de outras áreas. E o saldo até aqui transparece na empolgação da atleta de 34 anos.

—Esse projeto me estimulou demais, é um espetáculo a corrida. Já são cinco anos de competição e sempre visualizei como sendo o top da vela mundial — diz Martine Grael, que será uma das personagens principais do documentário sobre o time brasileiro produzido pela Globoplay, com estreia em dezembro.

Saiba mais sobre a SailGP, modalidade radical da vela mundial com barcos que ultrapassam os 100 km/h. Martine é a primeira mulher a comandar um barco na SailGP e, mesmo na temporada de estreia, já venceu duas regatas. Em abril do ano que vem, vamos torcer por Martine e a tripulação do Mubadala Brazil SailGP Team, que representa o nosso país.

Em seu ano de estreia, ela viveu a emoção de comandar o barco na primeira vitória brasileira numa regata da competição, em Nova York — o Brasil ficou em quarto na etapa americana. Mês passado, a equipe sentiu novamente o gostinho do topo, ao vencer a regata geral de Cádiz.

Mas também teve que conviver com as dificuldades de uma embarcação extremamente tecnológica e dependente de uma comunicação afiada entre os tripulantes. Além dos percalços devido a acidentes e avarias com o barco que impediram a participação completa em duas etapas (Sassnitz, na Alemanha, e Genebra, na Suíça).

—São pequenas vitórias do time que não são exatamente de resultado mas o q conseguimos chegar na água. Há uma cultura de time muito legal. Ao entrar numa liga que já existe há tempo, precisamos saber onde queremos chegar — afirma a capitã.

Assista a primeira vitória de Martine e do Mubadala Brazil SailGP Team, em Nova York.

Os novos desafios, no entanto, deram um novo colorido à vida de uma atleta que se dedicou quase integralmente aos últimos quatro ciclos olímpicos, com presença em três Olimpíadas consecutivas — e duas medalhas de ouro na categoria 49erFX. Los Angeles-2028 já não tem o mesmo apelo, mas ela não descarta totalmente.

Recentemente, Martine se uniu novamente à parceira Kahena Kunze no Mundial da categoria, em Cagliari, na Itália. Elas terminaram em 9º lugar.

— Nós nos divertimos muito — conta Martine, acrescentando. — Não penso em 2028 agora. Minha energia está toda na Sail GP. Foram 13 anos de parceria, estávamos com pouca evolução, cometendo os mesmos erros. Precisava fazer algo diferente.

Pelo visto, Martine também não vai pensar no ciclo olímpico no próximo ano. A expectativa para a temporada 2026 é maior ainda. Finalmente, o Rio vai sediar uma etapa da Sail GP — a desse ano teve que ser cancelada por causa de problemas estruturais das embarcações. O evento já tem data marcada: 11 e 12 de abril, no Aterro do Flamengo:

—Estou esperando demais por esse dia.

Fonte: O Globo



terça-feira, 7 de outubro de 2025

Ciclofaixa na orla da Boa Viagem, em Niterói, é inaugurada

 

Ciclofaixa inaugurada na Boa Viagem, em Niterói — Foto: Divulgação/Luciana Carneiro

Conexão de 750 metros liga infraestrutura cicloviária existente ao lado do Forte Gragoatá à que fica na Ilha da Boa Viagem

Por Sophia Lirio

Inaugurada semana passada, a ciclofaixa na orla de Boa Viagem já está a todo vapor. As obras, que duraram pouco mais de um mês, fazem uma conexão de 750 metros entre a infraestrutura cicloviária existente ao lado do Forte Gragoatá (contornando a Universidade Federal Fluminense) e a que fica na altura da Ilha da Boa Viagem, próxima à orla.

Segundo a gestão municipal, para viabilizar a faixa, o estacionamento foi transferido para o lado oposto da via. O número de vagas continuou o mesmo, e a vista ainda ficou livre para o mar e para o MAC. Rampas de acessibilidade e paraciclos, para estacionamento de bicicletas, também foram instalados. A inauguração faz parte de uma série de investimentos do município em prol do ciclismo e marca os 90 quilômetros de malha cicloviária da cidade, ainda segundo a prefeitura.

Débora Craveiro, moradora de Boa Viagem, relata que a vida ficou mais fácil com a ciclovia. Como vai à faculdade e à academia de bicicleta, conta que o novo trecho é um facilitador:

— A ciclofaixa facilitou muito a minha locomoção diária com praticidade e segurança, especialmente nesses trajetos. Além de delimitar com clareza o espaço destinado aos ciclistas, ela também acaba sendo um chamariz. Agora temos até a possibilidade de locação de bicicletas pela cidade, o que amplia ainda mais o acesso e o incentivo ao uso.

Para ela, esse meio de locomoção representa múltiplas vantagens: economia, praticidade, conexão com o entorno e uma sensação de liberdade.

—Gostaria de ver toda a cidade conectada — diz.

Fonte: O Globo Niterói


domingo, 28 de setembro de 2025

50 ANOS DO EMISSÁRIO DE IPANEMA: Lembrança do enfrentamento da crise do rompimento do Emissário em 1999


Parte de tubulação de emissário submarino reaparece em Ipanema em situação de ressaca — Foto: Ricardo Gomes / Inst. Mar Urbano. Jornal Extra.

Nos últimos dias, a imprensa deu destaque aos 50 anos da construção do Emissário Submarino de Ipanema (RJ2, da Rede Globo). O emissário foi inaugurado, em 1975, com o objetivo de dar destino final ao esgoto de toda a Zona Sul e Centro da cidade do Rio de Janeiro. O Emissário tem uma vazão de 6 mil litros por segundo, correspondendo ao esgoto produzido por 700 mil pessoas. Através de uma tubulação de 2,4 metros de diâmetro, o esgoto é lançado a 4,3 km do litoral e a 40 metros de profundidade.

Com a construção do emissário, houve também um grande investimento na melhoria e ampliação da rede de esgoto e a implantação de um interceptor que coletou pontos previamente existentes de lançamento de esgoto na orla (línguas de esgoto), levando tudo até o emissário. (Saiba mais aqui).

GESTÃO DA CRISE DO ROMPIMENTO DO EMISSÁRIO 

Em janeiro de 1999, assumi a presidência da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente - FEEMA (hoje INEA), para a minha primeira gestão à frente do antigo órgão ambiental do RJ. Já na primeira semana de gestão, fomos surpreendidos com a notícia do rompimento da tubulação do emissário de Ipanema, notícia que nos chegou como "uma bomba". Imediatamente, comuniquei ao então secretário estadual do Meio Ambiente, deputado André Corrêa, e ao governador, Anthony Garotinho. A decisão foi pelo cumprimento da legislação e pela precaução: tomamos a iniciativa de interditar as praias da Zona Sul, do Leme ao Leblon. Decidimos também por evitar a imposição com força policial, mas fazer um grande esforço de comunicação, mobilizando um numeroso efetivo de servidores da FEEMA e outros órgãos para se posicionarem na orla, abordando cada pessoa e esclarecendo sobre os riscos do contato com o mar.

Estávamos diante de um grave problema ambiental. Com o rompimento a uma distância de cerca de 900 metros da orla, o volume de esgoto que iria ao final do emissário, acabou vazando mais próximo às praias, interferindo na balneabilidade e levando risco à saúde das pessoas. É importante lembrar que conforme o Ministério Público Federal comprovou posteriormente, o emissário já apresentava sinais de colapso desde 1991. Portanto, já havia acontecido um problema semelhante, sem que houvessem alertas às autoridades ou comunicação com a população. Provavelmente, os usuários das praias estiveram expostos à poluição sem saber do risco que corriam. E sem transparência, não houve também o merecido investimento. Acabaram fazendo apenas um "gatilho" e o problema voltou a acontecer, com maior gravidade.

Imaginem: a maioria das praias mais famosas do Rio de Janeiro fechadas ao banho em pleno verão?! Não foi fácil gerir aquela crise! Foi um bombardeio. Fomos muito pressionados pela população, pelo setor hoteleiro, pelo comércio, pela mídia etc. Até o famoso humorista Cláudio Besserman Vianna - conhecido na TV como Bussunda - pegou no nosso pé, dizendo em cadeia nacional que vivíamos no Rio o "Verão do Cocô". Foram muitos os conflitos: diante do problema da balneabilidade, tivemos até um bate-boca entre os secretários de Meio Ambiente do estado (André Corrêa) e do município (Maurício Lobo), ao vivo na TV. O episódio teve grande repercussão na época. Um atribuía ao outro "a responsabilidade pelo coliforme: seria estadual ou municipal?"

Enfim, tivemos a parceria da Petrobras que diante da situação emergencial socorreu a cidade e fez a obra, resolvendo o problema de forma duradoura. A obra foi concluída no dia 08 de maio e as praias foram liberadas para o banho no dia 12 de maio.

Em 2016, o Estado e a CEDAE foram condenados a pagar R$ 2 milhões pelos danos causados em 1999.

SOBRE SANEAMENTO E EMISSÁRIOS

O Rio de Janeiro foi a segunda capital mundial a contar com um sistema de tratamento de esgotos, depois de Londres, de onde D. Pedro II trouxe a tecnologia para implantar o sistema do Rio de Janeiro, em meados do Século XIX (saiba mais aqui). Infelizmente, passado o nosso pioneirismo, o avanço do saneamento não seguiu o crescimento da cidade e o Rio de Janeiro conviveu com uma situação sanitária muito precária.

Elevatória da Glória, com máquina a vapor, que ainda existe na sede da Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro - SEAERJ. Foto SEAERJ.

O primeiro emissário submarino foi implantado no Canadá, em 1911, segundo publicaram os engenheiros sanitaristas Fernando Botafogo Gonçalves e Amarílio Pereira de Souza no livro "Disposição Oceânica de Esgotos Sanitários: história, teoria e prática" (publicado pela Multiservice Engenharia e ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, Rio de Janeiro, 1997). 

A opção por emissários vinha de uma lógica mantida há muito tempo, e ainda defendida, por muitos sanitaristas mundo afora, baseada na expressão: "Dilution is the solution to polution". Os emissários têm a finalidade de levar o esgoto para pontos de grande capacidade de dispersão, ou seja, de diluição. Até hoje, os parâmetros legais para o lançamento de efluentes são expressos em medidas do tipo miligrama por litro (mg/l), ou seja de diluição. Com a crescente saturação dos corpos receptores, a crença no conceito da diluição passou a dar lugar ao conceito da efetiva carga poluidora: ou seja, o que importa é o volume de poluente aportado ao corpo receptor e não a sua mistura em água.

Interceptor Oceânico em construção na faixa de areia.

POLÊMICA

A Região Metropolitana possui quatro emissários: Ipanema, Barra da Tijuca e Icaraí. Uma das polêmicas é que o único emissário a não ter um tratamento prévio para a redução de carga orgânica e retirada eficiente de sólidos (lixo) é o de Ipanema. Outra polêmica é sobre a eficácia dos equipamentos. O modelo do SISBahia, da UFRJ, simula a dispersão dos três emissários. Embora estas modelagens sempre respaldaram a argumentação pela eficácia dos três emissários, também causam dúvidas.

Em 1996, foi aprovada a Lei 2.661, que passou a exigir tratamento primário para todos lançamentos de esgotos sanitários, e definiu, por acréscimo da Lei nº 4692/2005, que: 

Art. 2° - Para lançamento de esgotos sanitários em corpos d’água, o tratamento primário completo deverá assegurar eficiências mínimas de remoção de demanda bioquímica de oxigênio dos materiais sedimentáveis, e garantir a ausência virtual de sólidos flutuantes, com redução mínima na faixa de 30% (trinta por cento) a 40% (quarenta por cento) da DBO - Demanda Bioquímica de Oxigênio.

Ocorre que o Emissário de Ipanema é anterior a essa legislação e, portanto, o esgoto de 700 mil pessoas, que escoa pelo emissário, até hoje não recebe qualquer tratamento e isso tem sido corretamente contestado. É fato também que este não é um problema facilmente solucionável, pois não há disponibilidade de espaços na Zona Sul do Rio para essa finalidade. Já foram até mesmo cogitadas alternativas subterrâneas ou escavadas em rocha para a implantação de Estações de Tratamento de Esgoto, como aliás existe em cidades de outros países.

O Emissário da Barra da Tijuca foi inaugurado em 2007, com quatro anos de atraso e uma espera de 30 anos! Tudo devido ao acalorado debate sobre a localização do difusor (trecho de dispersão do efluente) e, principalmente, sobre a necessidade de implantação de uma Estação de Tratamento de Esgoto - ETE antes do emissário. Como presidente do órgão licenciador (FEEMA) exigi a ETE. O assunto gerou uma longa disputa judicial e, enquanto se discutia, todo o esgoto da bacia sanitária da Barra/Jacarepaguá (AP4) ia para o sistema lagunar. Saiba mais sobre a polêmica aqui.

OUTRO EPISÓDIO MARCANTE

Com relação à polêmica sobre os emissários, me chega uma outra lembrança interessante. Em 1997, organizei um debate em Niterói, realizado na sede do Rio Yacht Club (Sailing), para o lançamento do livro de Fernando Botafogo e Amarílio, que citei acima. Dois profissionais que eu respeitava muito: o Amarílio foi da FEEMA. Chamei também vários interessados, dentre eles amigos das lutas ambientalistas de Niterói. Na época, estava em implantação o Emissário Submarino de Icaraí, que lançaria os efluentes no meio da Baía de Guanabara, em local considerado de alta capacidade de diluição. Os autores do livro defendiam o projeto do emissário e os ambientalistas presentes contestavam  e houve uma grande discussão. Eu que coordenava a mesa, e não conseguia controlar os ânimos, mesmo com apelos em vão por calma no recinto. Tive que usar de um artifício inusitado: apaguei a luz do recinto. Diante do espanto de todos, consegui esfriar o ímpeto de todos e evitar um conflito maior. kkk

O emissário de Icaraí foi implantado como parte dos investimentos do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara - PDBG. Recebe o efluente que passa pelo tratamento da ETE Icaraí, operado pela Concessionária Águas de Niterói.

Anos depois, assumi novamente a presidência da FEEMA (2007-2008) e já nos primeiros dias de gestão me deparei com outra situação que obrigou a interdição da Praia da Barra da Tijuca, da Joatinga até o Pepê. Dessa vez, foi por causa da contaminação pela toxina microcistina, causada pela Microcystes aeroginosa, uma cianobactéria que se prolifera nas lagoas da Barra, devido à poluição. Mas, aí...é assunto para outra postagem.

Ficam mais esses registros aqui no Blog...

Axel Grael
Presidente da FEEMA (1999-2000 e 2007-2008)



sábado, 30 de agosto de 2025

NITERÓI SE DESPEDE DE MÁRCIA SILVEIRA

Niterói se despediu hoje da socióloga Márcia Saad Silveira, uma grande personagem da cidade. Era uma pessoa doce, afável, de presença marcante, apesar da atitude mais discreta. Certamente fará muita falta.

Em 1980, fundei o Movimento de Resistência Ecológica - MORE, uma organização ambientalista pioneira no RJ, de uma época que os termos "sustentabilidade" e "ambientalista" ainda não eram sequer utilizados. Naquela época, ainda éramos chamados de ecologistas e o termo sustentabilidade só surgiu anos depois, na preparação para a Rio-92. 

Eu presidi o MORE por muitos anos e contei com a Márcia como diretora em boa parte desse tempo. 

Filha de Roberto Silveira, ex-governador do antigo estado do RJ e irmã do ex-prefeito Jorge Roberto Silveira (eleito anos depois), dentre nós Márcia era a mais experiente em política, portanto nos ajudava como estrategista e grande conselheira. Muitas das nossas reuniões aconteciam na casa da Beth, prima da Márcia, ou mesmo tendo como anfitriã a saudosa dona Ismélia Silveira, mãe da Márcia.

Lutamos contra a poluição da Baía de Guanabara, pelo saneamento de Niterói, contra a poluição das "fábricas de sardinha" de Jurujuba, da Ilha da Conceição e do Barreto. Também defendemos a recuperação das lagoas de Piratininga e Itaipu e pela criação do Parque Estadual da Serra da Tiririca - PESET.

Que a presença da Márcia continue a nos inspirar e a motivar para as boas causas.

Nossos sentimentos ao seu querido esposo Alberto Vianna, à família Saad Silveira e a todos os seus amigos.

Márcia presente!

Axel e Christa Grael 


quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

DRAGAGEM DO CANAL DE SÃO LOURENÇO SEGUE AVANÇANDO




Inspeção no serviço de dragagem do Canal de São Lourenço. Fotos Bruno Eduardo Alves/PMN.

Desordem permitiu o abandono de cascos soçobrados, que impedem a navegação e dificulta o trabalho da dragagem. Foto Leonardo Simplicio/EMUSA.

Por intervenção da Capitania dos Portos do Rio de Janeiro cascos soçobrados foram removidos hoje, liberando o acesso ao Porto Pesqueiro de Niterói. Foto Divulgação.

Visitei na última segunda-feira (16) a obra de dragagem do Canal de São Lourenço. As dragas estão atuando em três frentes de trabalho: uma do tipo "Clamshell", próximo ao Porto e outras duas ("dragline" e sucção e recalque) na proximidade do acesso aos estaleiros e ao terminal pesqueiro. A obra é um investimento de R$ 137 milhões feito pela prefeitura para viabilizar a navegação de grandes embarcações no canal, com a ampliação de sua profundidade no canal principal de 7 metros para 11 metros, aumentando a competitividade das empresas locais e permitindo a geração de mais empregos.

De acordo com o licenciamento ambiental do INEA, o material dragado é lançado no local chamado de "Ponto F", fora da Baía de Guanabara. Nas áreas onde foram identificadas a existência de sedimentos contaminados a dragagem é feita por sucção e recalque e o material é destinado provisoriamente armazenado em estruturas conhecidas como "Geobags", estrutura com têxtil especial capaz de reter sedimentos, uma tecnologia desenvolvida justamente para esse tipo de trabalho.

Pátio de armazenamento em Geobags. Foto Leonardo Simplicio/EMUSA.

A tecnologia de Geobags permite que o sedimento contaminado fique retido e seja desidratado para posteriormente ser encaminhado para o destino final adequado.


Linha de recalque chegando ao local de armazenamento em Geobags. Fotos Leonardo Simplicio/EMUSA. 

Os Geobags tem capacidade para receber entre 900 a 1.500 metros cúbicos de resíduos cada. Elas estão localizadas em dois pontos às margens do Canal, e recebem o material dragado. Após os Geobags chegarem à capacidade ideal e com o grau de umidade adequado, o material é coletado e recebe a devida destinação de acordo com sua classificação. A previsão é a de que sejam dragados, ao todo, cerca de 1,6 milhão de metros cúbicos de sedimentos. Desse total, a expectativa é a de que 15% sejam compostos por material que não é adequado ao despejo em bota-fora oceânico.

Benefícios

Nosso objetivo com essa obra é de que todas as atividades aqui no Porto de Niterói possam ter uma capacidade operacional maior. E nós também, com essa dragagem, vamos dar acesso ao terminal pesqueiro de Niterói, que a prefeitura desapropriou e já lançou edital para manifestação de interesse para uma Parceria Público-Privada - PPP para viabilizar o seu funcionamento. 

Já concluímos o primeiro trecho de acesso com a dragagem de um volume de 240 mil metros cúbicos. Em um outro trecho, mais perto do Porto de Niterói, está bastante avançado, com cerca de 70% do serviço já concluído.

A previsão é a de que a obra continue por mais aproximadamente oito meses.

Axel Grael
Prefeito de Niterói


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MOMENTO HISTÓRICO: ASSINAMOS O CONTRATO DAS OBRAS DE DRAGAGEM DO CANAL DE SÃO LOURENÇO

ENSEADA DE JURUJUBA: Projeto leva educação ambiental às escolas da rede pública municipal de Niterói



A Prefeitura de Niterói deu início, em 2024, ao Projeto de Inventário da Biodiversidade Faunística da Bacia Hidrográfica Contribuinte à Enseada de Jurujuba que encerrou as atividades do ano com resultados positivos em campanhas de educação ambiental com três escolas da rede pública da região, em parceria com o Instituto Moleque Mateiro. O programa recebeu, ao todo, 434 crianças das escolas Helena Antipoff, Professora Lúcia Maria Silveira Rocha e Professora Maria Ângela Moreira Pinto. Dentre as atividades, aulas de ciências a bordo de um barco, observação da fauna e da flora, práticas com instrumentos de medição do vento e da qualidade da água, equipamentos de fotografia e de captação audiovisual, e dinâmicas de desenho e pintura.

Desirée Luzia Martins da Silva, pedagoga responsável pela Escola Municipal Helena Antipoff, considera o trabalho de extrema importância para o desenvolvimento das crianças.

“As atividades feitas com os alunos despertaram a curiosidade deles pela questão científica e ofereceram a eles uma visão mais ampla do que é o entorno da Baía de Guanabara, ampliando o aprendizado. E o tratamento que as crianças receberam por parte de toda a equipe foi fantástico, as crianças foram muito bem acolhidas por todos, todas trouxeram relatos incríveis dessa experiência. E eu pude observar a mudança no comportamento neles com uns lembrando aos outros para não jogarem lixo onde não deve e depositar nas lixeiras”, relata a profissional.

Os “pequenos cientistas” confirmam o impacto da participação nas atividades. Luan da Silva Costa Cordeiro, da turma 4A (EM Helena Antipoff), conta que foi a primeira vez que teve a oportunidade de passear de barco pela enseada e que adorou conhecer o lugar onde vive por outro ângulo e aprender sobre os cuidados com a natureza. “Se a gente joga lixo no mar, os animais podem engolir e morrer, então não podemos fazer isso”, compartilha ele sobre o que ouviu nas aulas.

A colega de turma Luiza Pimentel Silva também declara que passou a tomar mais cuidado com o descarte de objetos e que dividiu os ensinamentos adquiridos com sua família. “Eu cheguei em casa e já fui contando direto para minha mãe, ‘olha o que eu aprendi, não pode jogar lixo no meio ambiente’, e aí a minha mãe também nunca mais jogou lixo fora do lugar. Assim minha família está aprendendo junto comigo”.

Professora da turma GR3A, Lívia Moura Ramos considera que os benefícios das atividades têm, de fato, o potencial de serem perpetuados para além do ambiente escolar.

“Foi uma experiência muito enriquecedora para todos nós que estivemos lá. Os alunos estavam encantados, nunca tinham tido uma vivência desse tipo. E nós também tivemos a oportunidade de trazer os debates de volta para a escola, tivemos muitas conversas posteriores, tudo o que eles aprenderam lá, sobre questões ambientais. Eles até hoje falam que foi um dos melhores dias da vida deles, a gente percebia isso pelos olhos brilhando. E pelas reações, tenho certeza que eles levaram isso para as famílias, disseminaram esses conhecimentos para fora das escolas”.

A proposta do programa de educação ambiental do projeto é justamente atingir toda a comunidade através das atividades com os alunos. Além do conhecimento compartilhado com familiares e amigos, foram realizados 3 ciclos de exposições abertas ao público, nas quais pais e moradores locais puderam ter contato com o material de arte produzido pelos estudantes ao longo das aulas e vivenciar, através do olhar das crianças, o que foi aprendido durante as oficinas. Os eventos contaram, ao todo, com mais de mil espectadores presentes para apreciar a obra dos estudantes.

Nádia Maria da Rosa Santos, professora das turmas de aceleração A1 e A2 da Helena Antipoff, acredita ser um verdadeiro privilégio para os alunos poderem participar de um projeto deste porte. “É um projeto muito bacana, estava fazendo falta algo assim para nossas crianças. Elas podem ter essa complementação de conhecimento da questão ambiental para além da sala de aula. Sempre estimulamos eles a cuidarem do meio ambiente, mas quando eles vivenciam de forma assim, concreta, de dentro da Baía de Guanabara, é uma experiência fantástica”, comenta a docente. “É um projeto que deveria acontecer todos os anos, para mais e mais alunos terem uma oportunidade como essa”, completa ela.

A proposta do projeto é justamente levar o entendimento de pertencimento às crianças e suas comunidades, tornando palpável a relação e integração de todos com a natureza à sua volta. Dentre os relatos de professores e monitores participantes das atividades embarcadas, eles contam que um grupo de alunos avistou uma tartaruga marinha e deram a ela o nome de “Cascudo”. O contato direto com o animal dentro do mar despertou neles com clareza a importância de preservar tudo o que viam. Ao final da aula-passeio, todos se preocupavam com a ideia de resguardar a vida do Cascudo, não descartando lixo nas areias das praias e no mar. “O lixo fica preso no bicho e eles não conseguem mais nadar, ou engolem e morrem”, declara Ana Júlia Gonçalves da Silva, da turma 4A.

O programa de educação ambiental do projeto de Inventário da Biodiversidade Faunística da Bacia Hidrográfica Contribuinte à Enseada de Jurujuba é uma iniciativa da Prefeitura de Niterói com apoio da Secretaria Municipal de Educação de Niterói, com o objetivo de difundir conhecimentos científicos e abrir frentes para novos projetos voltados para a sustentabilidade na região.

Fonte: Prefeitura de Niterói



sexta-feira, 4 de outubro de 2024

NITERÓI APRESENTA PROJETO DO PRIMEIRO MUSEU DO CINEMA BRASILEIRO



Vista interna do espaço do Museu do Cinema Nacional. Fotos Alex Ramos.

Estive ontem em visita ao espaço do futuro Museu do Cinema Brasileiro, que será instalado em um prédio já existente no Reserva Cultural, em São Domingos, Niterói. O prédio foi projetado por Oscar Niemeyer e o museu ocupará o chamado "Rolo de Filme", conforme a concepção do arquiteto. Será o primeiro museu do Brasil a contar a história do cinema nacional. Na próxima semana, será lançado o edital que vai definir a empresa que vai executar a obra, na qual serão investidos R$ 12 milhões.

O projeto foi apresentado pelo prefeito de Niterói, Axel Grael, acompanhado do secretário executivo André Diniz; da secretária das Culturas, Júlia Pacheco; da presidente da Fundação de Arte de Niterói (FAN), Micaela Costa; e a subsecretária do Escritório de Gestão de Projetos (EGP), Katherine Azevedo.

O Museu do Cinema Brasileiro será um espaço interativo dedicado a celebrar a diversidade do cinema nacional. O museu vai ocupar dois andares, cada um com uma área de mil metros quadrados, e terá uma curadoria que reflete a história e a evolução do cinema brasileiro. A concepção e a elaboração do projeto museológico teve a parceria da UNESCO e da UFF.

Assista ao vídeo e veja como ficará o Museu do Cinema Brasileiro.

Em um ambiente inovador, os visitantes terão a oportunidade de explorar diversas exposições que incluem réplicas funcionais de cinematógrafos. O público vai ter experiências interativas que utilizam tecnologias como realidade virtual e sensorial. Essas interações são projetadas para criar um ambiente dinâmico e envolvente para estimular a curiosidade e o aprendizado sobre o patrimônio audiovisual do Brasil.

No primeiro pavimento, o museu terá uma linha do tempo que destaca a trajetória do cinema brasileiro e suas influências no cenário internacional. Equipamentos audiovisuais e exposições de curtas-metragens e documentários vão apresentar os principais marcos e efeitos especiais que marcaram a indústria cinematográfica ao longo dos anos.

O segundo andar será dedicado a um espaço educativo e cultural, equipado com infraestrutura moderna para eventos e exposições temporárias. Este espaço terá mostras fixas em homenagem a duas figuras importantes da história do cinema niteroiense: Nelson Pereira dos Santos e Paulo Gustavo.

Vista do roof top para o Complexo de Atletismo e para a Baía de Guanabara. Foto Alex Ramos 

Vista do roof top para a Avenida Visconde do Rio Branco. Foto Axel Grael.

Há ainda a previsão de implantação de um roof top que poderá ser concedido para a iniciativa privada para eventos, aproveitando a qualidade panorâmica única, com vista para o Complexo de Atletismo Aída dos Santos, o Campus da UFF, a Baía de Guanabara e a Ponte Rio-Niterói.

O Museu do Cinema Brasileiro será um espaço de preservação e celebração do cinema nacional, e vai promover a diversidade cultural e a inclusão. O museu terá uma programação variada e interativa para atrair públicos de todas as idades e estimular o interesse pela sétima arte.

Axel Grael
Prefeito de Niterói