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quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

CISP ULTRAPASSA A MARCA DE 400 CARROS RECUPERADOS E NITERÓI AVANÇA NA PREVENÇÃO A VIOLÊNCIA



Fiquei muito feliz de participar, na última terça-feira (19), na Cidade da Ordem Pública, da cerimônia de premiação e reconhecimento a agentes da Guarda Municipal que se destacaram ao longo do ano de 2023. Uma das mais antigas e capacitadas do País, nossa Guarda é um dos grandes símbolos da aposta que a Prefeitura de Niterói fez, ao longo dos últimos anos, nas forças de segurança, na prevenção e tecnologia para diminuir índices de criminalidade. O Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp), onde os guardas municipais conseguem realizar monitoramento através de câmeras, ultrapassou em 2023 a marca de 403 veículos envolvidos em crimes abordados.

É sempre um orgulho muito grande ir à Cidade da Ordem Pública, porque em 2013, no início do governo do ex-prefeito e atual secretário Executivo Rodrigo Neves, a sede da Guarda Municipal era uma casa na Ponta D´Areia com uma estrutura muito precária. Desde então, sempre tivemos como prioridade valorizar a corporação e promover uma significativa reestruturação da Guarda. Ao longo dos últimos 10 anos, além da inauguração da Cidade da Ordem Pública, instituímos o Plano de Cargos e Salários, investimos em equipamentos e aumentamos o efetivo.

Este ano decretei o aumento do auxílio uniforme e até o final desta gestão, serão abertas mais 200 vagas para integrar a corporação, ampliando para mil agentes o número de guardas municipais no ordenamento público da nossa cidade. No evento de premiação dos guardas destaque, também apresentamos um exemplar das 25 bicicletas elétricas que foram adquiridas para o patrulhamento de ciclovias, além de novos equipamentos não letais.

Além das ruas, uma parte dos guardas municipais de Niterói também fica no Cisp, onde conseguem acompanhar as ruas ou vias, direcionando as equipes de segurança para abordagens em questão de minutos ou para montagem de estratégias que possam recuperar produtos roubados ou prender criminosos. No local trabalham, de forma integrada, as forças de segurança municipais, estaduais e federais, além de Corpo de Bombeiros, NitTrans e Defesa Civil. O Cisp conta ainda com agentes da Polícia Militar e do Programa Segurança Presente. O monitoramento acontece durante 24 horas com 522 dispositivos e dez portais de segurança nas entradas e saídas que monitoram a cidade 24 horas por dia, além dos 120 dispositivos de Cercamento Eletrônico.

Aliando as forças de segurança, planejamento e inteligência, Niterói segue avançando. Está em andamento a preparação da ampliação do uso de tecnologia de ponta (Projeto Cisp 2.0), com aperfeiçoamento do software, visando à modernização do órgão para os próximos dez anos. Nos últimos sete anos, foram registrados mais de 250 mil chamados pelo telefone do Cisp, o 153.

Todo esse trabalho da Prefeitura de Niterói resulta nos menores índices de criminalidade registrados na cidade nos últimos 20 anos. Ainda que a segurança pública seja uma responsabilidade constitucional do Governo do Estado, não cruzamos os braços. Ao longo dos últimos anos, em um trabalho que começou com o ex-prefeito Rodrigo Neves, apostamos em integração, diálogo e planejamento para, com inteligência, cuidar da segurança em nossa cidade. Parabenizando os guardas destaque deste ano, estendo minha gratidão a toda a corporação da Guarda Municipal pelo serviço prestado a nossa cidade. Vamos em frente!

Principais ações da Prefeitura de Niterói em apoio à Segurança nos últimos anos:
  • Pacto Niterói Contra Violência – Com investimento total de R$ 304 milhões, o Pacto Niterói Contra Violência conta com 18 projetos nos eixos de Prevenção, Policiamento e Justiça, Convivência e Engajamento dos Cidadãos e Ação Territorial integrada. Niterói é o único município do Estado a contar com um programa integrado deste porte, atuando em diversas áreas para auxiliar os órgãos de segurança.
  • Reestruturação da Guarda Municipal, com aumento de efetivo, valorização profissional e foco na qualificação
  • Criação do Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) em 2015
  • Construção da Cidade da Ordem Pública
  • Criação do Observatório de Segurança
  • Reforma de delegacias
  • Estruturação do Cercamento Eletrônico, com 70 câmeras inteligentes espalhadas por locais estratégicos da cidade
  • Ampliação do Proeis



quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Atletas do Caramujo conquistam ouro e prata em sua primeira competição de Levantamento de Peso Olímpico

 




Duas atletas que treinam no Parque Esportivo e Social do Caramujo (Pesc), projeto da Prefeitura de Niterói, conquistaram o ouro e a prata, neste final de semana, em sua primeira competição de Levantamento de Peso Olímpico (LPO). O campeonato foi organizado pela Federação Estadual de Levantamento de Pesos com apoio da Confederação Brasileira da modalidade.

Maria Fernanda de Oliveira, de 17 anos, levou o ouro na categoria +81 kg após levantar 85 kg (no total olímpico, que consiste no somatório do movimento arranco e arremesso) e Lidiane Carvalho, de 17, conquistou a medalha de prata na categoria até 81 kg, levantando um total de 102 kg (no total olímpico). As atletas realizam treinamentos diários no Parque Esportivo do Caramujo com a professora Aline Campeiro e o professor Igor Pontes.

O administrador regional da Zona Norte, Oto Bahia, destaca que o Parque tem sido um lugar de descoberta de bons atletas.

“O projeto, além do cunho social que é muito importante na região, inclusive por ter o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Niterói, tem sido também um espaço de descoberta de atletas que ainda vão dar muito orgulho para nossa cidade. Estamos muito felizes de poder fazer parte e dar oportunidade para esses jovens que estão tendo no esporte uma mudança de vida, transformando a realidade desta geração e com isso estamos fazendo o enfrentamento social que tanto almejamos”, analisa Oto.

A competição, realizada na Associação do Pessoal da Caixa Econômica Federal, em Jacarepaguá, é uma seletiva para o Campeonato Nacional. O coordenador do Pesc, Carlos Aveiro, reforça a importância da competição para as atletas.

“É de grande relevância a participação das meninas em um campeonato de atletas de nível internacional que já competiram em pan-americanos, sul-americanos e mundiais. Além disso, é uma seletiva para o campeonato nacional que acontece daqui a um mês. Agora estamos aguardando a convocatória e na esperança delas estarem nessa lista”, explica.

Fonte: Prefeitura de Niterói






domingo, 31 de janeiro de 2021

PRIMEIRO MÊS DA GESTÃO NA PREFEITURA: MINHA ENTREVISTA PARA O JORNAL A TRIBUNA






Grael afirma que Niterói pode negociar vacinas fora do PNI

Vítor d’Avila

Niterói pode voltar a negociar aquisição de vacinas fora do Plano Nacional de Imunização (PNI), segundo o prefeito Axel Grael (PDT). A informação foi concedida durante entrevista ao jornal A TRIBUNA, onde o chefe do Poder Executivo Municipal falou sobre este e outros temas.

Ainda no governo do ex-prefeito Rodrigo Neves (PDT), Niterói assinou um memorando, junto ao Instituto Butantan, com a intenção de adquirir 1,1 milhão de doses da CoronaVac. Todavia, a compra não pôde acontecer após o Ministério da Saúde lançar o PNI, garantindo exclusividade para a compra das vacinas. Entretanto Grael afirma que, caso haja descontinuidade por parte da pasta, no fornecimento do imunizante, Niterói pode tentar adquirir por conta própria, assim como já negociam outros estados e municípios.

“É claro que a gente gostaria de um volume maior, mas a vacinação está acontecendo e reconhecemos a importância do PNI. Niterói tomou essa iniciativa em um momento em que o Governo Federal não tinha nenhum plano para viabilizar uma vacinação nacional. O momento agora é diferente. A gente gostaria de vacinar nossa população toda, mas não adianta a gente imunizar nossa população e as cidades em volta não. Nossa preocupação é que há uma incerteza muito grande em relação a oferta das doses. Se por acaso houver alguma descontinuidade ou deficiência grave de suprimento das vacinas, Niterói, assim como as demais cidades, vão ter que pensar no que fazer”, explicou o prefeito.






Axel Grael afirmou ainda que a Prefeitura estuda a renovação do arrendamento do Hospital Oceânico ou até mesmo a compra da unidade de saúde. O hospital foi inaugurado, em abril de 2020, para atender exclusivamente pacientes de covid-19 e, segundo o prefeito, tem 70% de chances de ser mantido em definitivo.

“Nós estamos estudando o arrendamento ou até mesmo a aquisição do Hospital Oceânico. Mas hoje eu diria que há 70% de chances de a gente manter o Hospital Oceânico dentro da estrutura de saúde da Prefeitura de Niterói”, garantiu.

Benefícios Sociais

Uma das bandeiras de campanha de Grael era manter os auxílios financeiros dados pela Prefeitura às populações mais frágeis economicamente até que houvesse a vacinação. Mesmo com o início, ainda que tímido, da imunização, o prefeito garantiu a manutenção dos benefícios pelo menos até março e afirmou que se for avaliada a necessidade de continuidade, os programas sociais serão mantidos.

“Nós temos autorização legislativa para manter os programas até março, ao longo dos três primeiros meses do ano. Até lá a gente vai avaliar. O importante é que, à medida em que a vacinação vai avançando e a gente vai tendo uma segurança sanitária maior da população, a gente possa ir reduzindo essa ajuda. Mas enquanto ela for necessária, será mantida”, garantiu.

Economia

Por ter uma situação econômica estável, os efeitos da pandemia em Niterói foram menos devastadores, de forma com que fosse elaborado o plano de se construir um polo econômico na região do Canal de São Lourenço, englobando indústria naval, pesqueira e o Mercado Municipal renovado. A expectativa de que se gere em torno de 23 mil empregos está mantida, o que pode ajudar a recolocar pessoas que ficaram desempregadas por conta do novo coronavírus, ao longo do ano passado.

“A dragagem do canal é fundamental para a retomada da atividade naval, que a vocação é muito mais para reparos que construção de navios e logística offshore. Os estudos estão em fase final, alguns para complementação são necessários para que a gente possa ter a licença de operação e fazer a dragagem, que viabiliza o terminal pesqueiro. Há um potencial de sucesso muito grande e isso já está acontecendo. Nesta semana mesmo, tive contatos com empresas, inclusive do rio, querendo se estabelecer em Niterói. Criamos agora uma coordenadoria de trabalho e renda, cuja finalidade é fazer um diagnóstico dessa situação do mercado de trabalho em Niterói. Vamos lançar um plano de retomada da economia no novo normal, que prevê uma série de ações de capacitação dessa mão de obra”, disse Grael.

Retorno das Aulas

Niterói se prepara para o retorno das aulas presenciais, cujo plano de retomada foi lançado na sexta-feira (29). Grael garantiu a segurança para o reinício das atividades presenciais na escola e pontuou que dados científicos comprovam que o potencial de transmissão do coronavírus pelas crianças é baixo, em relação aos adultos. Além disso, haverá uma atenção especial ao combate da evasão escolar.

“Esse planejamento está sendo feito com muito cuidado pelas secretarias de Saúde e Educação, com muita conversa. As representações das escolas particulares e públicas, dialogando com os profissionais da educação. existe um levantamento da Unesco que mostra que o Brasil é um dos poucos países que manteve o fechamento das escolas por um período muito longo. Os demais fecharam as escolas por períodos pequenos. Os estudos mostraram ao longo do ano passado que, na verdade, a transmissão através das crianças é muito mais baixa do que se pensava. A gente tem dialogado com a Sociedade Brasileira de Pediatria e outras organizações da área médica que têm se colocado a favor da abertura das escolas. Os impactos na saúde mental, no próprio processo e aprendizado das crianças é muito grande. As escolas terão que se adequar aos protocolos, que temos para diferentes tipos de escolas. Nossa preocupação, principalmente na rede pública, é a evasão. vamos começar as aulas na rede pública um pouco antes para fazer um grande programa de busca ativa para esses jovens que saíram da escola e a gente precisa trazê-los de volta, reincorporar ao dia a dia escolar”, destacou.




Cultura

Em um momento de retomada também para a classe artística, Grael garantiu todo apoio à cultura da cidade e falou sobre a utilização dos equipamentos culturais municipais.

“Em Niterói a gente fez um apoio para a classe artística que ajudou muito as pessoas a superar esse momento. A gente tem toda uma tradição, o fato da gente ser ex-capital nos deixou com um legado de equipamentos culturais muito grande. Hoje, Niterói é muito bem provida. No auge da crise da Covid-19 essas atividades todas foram desativadas e agora nós estamos estudando a forma de retomar a atividade cultural também, de uma forma segura e controlada para proteger a população. Já estamos lançando novos editais de apoio à produção artística da cidade”, contou o prefeito.

Política e Conleste

Axel Grael também falou sobre a relação com São Gonçalo. Na época da eleição, comentava-se que haveria uma grande sinergia entre a cidade com Niterói e Maricá, caso Dimas Gadelha (PT) fosse eleito. Todavia, a vitória ficou para Capitão Nelson (Avante), com quem o prefeito de Niterói se mostrou disposto a ter uma relação institucional. Além disso, Grael também falou sobre o papel de Niterói no Consórcio de Desenvolvimento Intermunicipal do Leste Fluminense (Conleste).

“Nossa relação é institucional, a cidade de Niterói precisa de um diálogo com São Gonçalo, pois são cidades conurbadas. É claro que se a gente tivesse uma vitória de um prefeito com mais identificação ideológica, isso poderia ter facilitado muito. Mas isso não impede que a gente tenha uma relação administrativa de parceria entre as cidades. Já o Conleste está se reorganizando agora. É uma iniciativa muito importante para Niterói e todos os municípios do Leste Metropolitano, porque a região vai passar por transformações importantes e o Conleste nos fortalece nessa relação. As estratégias de mobilidade precisam ser integradas, na área de saúde recebemos em Niterói um contingente grande de pessoas de outras cidades que vêm ter atendimento aqui. Em todas as áreas temos uma relação entre esses municípios. Essa conjugação de interesses nos leva a uma aproximação natural”, disse.

O prefeito também alertou para a importância de todos os municípios que fazem parte do Leste Metropolitano crescerem em conjunto.

“Niterói precisa crescer junto com os municípios vizinhos. Nossa perspectiva de crescimento, sem que haja um avanço nas cidades vizinhas, é muito limitado. Na área de segurança, por exemplo, não adianta investirmos tanto dinheiro aqui se os municípios vizinhos não investirem também. A gente tem uma agenda que foi estruturada agora num planejamento que foi feito muito parecido com o programa Niterói que Queremos. Os mesmos parceiros que viabilizaram esse planejamento de Niterói, fizeram um estudo do Leste Metropolitano e foi estabelecido uma série de diretrizes e prioridades, com metas definidas, então esse estudo gerou um norte”, alertou Grael.

Secretariado

A primeira baixa na equipe de secretários da atual gestão aconteceu antes mesmo da posse de Grael, quando Giovanna Victer, ex-secretária de Fazenda, declinou do convite para assumir a pasta do Desenvolvimento após ser convidada para assumir a Secretaria de Fazenda de Salvador. O prefeito teceu elogios ao secretariado niteroiense e afirmou que é normal bons profissionais receberem sondagens. Ele também elogiou o escolhido para a pasta, Américo Diniz.

“Niterói tem um secretariado de excelência, então é natural que haja uma cobiça sobre os quadros gerenciais. São quadros excelentes, de competência comprovada nessas gestões anteriores, o que acaba credenciando essas pessoas a poder levar a experiência de Niterói para outros lugares. A Giovanna é uma excelente profissional, que contribuiu muito para os resultados que tivemos na gestão do Rodrigo Neves. Ela recebeu uma proposta e foi profissionalmente para ela muito importante. A gente perdeu a Giovanna, mas temos o Américo Diniz, um profissional experiente com uma grande história no fomento à atividade empreendedora e empresarial aqui na região e vai ser também muito importante para dar continuidade às políticas públicas nessa área”, ressaltou.

Governos Estadual e Federal

Sobre a relação com outros poderes, como o Executivo Estadual e Federal, além do Legislativo Municipal, Estadual e Federal, Grael citou a necessidade de possuir um bom diálogo com todos. O prefeito relatou já ter conversado com o governador em exercício do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, mas ainda não teve a oportunidade de falar com o presidente da República, Jair Bolsonaro.

“Nós temos demandas gerenciais com todas as esferas de governo. Niterói tem uma aproximação cada vez maior com o governador Cláudio Castro. Temos uma agenda importante na área ambiental. Na área da segurança talvez seja a agenda que, de imediato, que mais precisamos estabelecer parcerias com o governo estadual e na área da mobilidade a gente precisa retomar a linha de catamarã para Charitas. Com relação ao Governo Federal, Niterói tem uma agenda de investimentos de infraestrutura muito forte e a gente precisa acessar financiamentos em parceria com o Governo Federal. Eu não estive ainda com o presidente mas tenho falado com interlocutores que têm aberto caminhos. A gente está mantendo a boa relação que a gestão anterior tinha com a Câmara Municipal, temos as mensagens que estamos mandando e estão sendo bem recebidas, tanto o Legislativo quando o Executivo com o compromisso de construir uma cidade cada vez melhor. O olhar crítico de deputados que nos apoiam é no sentido de melhorar, buscar algumas soluções e de trazer algumas oportunidades para Niterói. É natural que a gente tenha uma relação mais próxima e produtiva com os deputados que nos apoiam, os de oposição também têm a sua função democrática que se pautam mais na crítica, o que é importante, pensando no bem da cidade, e a gente também dialoga com eles”, completou.

Fonte: A Tribuna






domingo, 24 de maio de 2020

PDPA: Divulgados os resultados da seleção de projetos da UFF apoiados pela Prefeitura de Niterói





Em 28 de novembro de 2019, apresentei em evento realizado na Sala Nelson Pereira dos Santos, a parceria que entre a Prefeitura e a Universidade Federal Fluminense para a seleção e o financiamento de projetos aplicados a serem desenvolvidos por aquela comunidade acadêmica de forma a atender demandas da cidade de Niterói.

A parceria foi anunciada com a presença do prefeito, do prefeito Rodrigo Neves, do reitor Antônio Cláudio Lucas da Nóbrega. Também estiveram outros dirigentes da UFF, autoridades municipais, do deputado federal Chico D'Angelo, dos deputados estaduais Paulo Bagueira e Waldeck Carneiro, de representantes da comunidade acadêmica e lideranças estudantis.

Em fevereiro de 2020, lançamos o Edital para a seleção de projetos, processo este que se conclui agora.

O PDPA disponibilizou R$ 25 milhões para os estudos e projetos da UFF. Importante contextualizar que o valor contrasta

Critérios

As propostas foram submetidas e analisadas de acordo com a relevância para Niterói em relação aos eixos da Niterói que Queremos (NQQ) e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Os eixos do NQQ são os seguintes:

  • Niterói Organizada e Segura: Mobilidade, Desenvolvimento e Ordenamento Urbano; Prevenção e Segurança
  • Niterói Saudável: Saúde, Saneamento e Gestão de Resíduos
  • Niterói Escolarizada e Inovadora: Educação; Ciência e Tecnologia
  • Niterói Próspera e Dinâmica: Desenvolvimento Econômico, Inserção Produtiva
  • Niterói Vibrante e Atraente: Meio Ambiente; Lazer e Esporte; Cultura e Entretenimento
  • Niterói Inclusiva: Igualdade de Oportunidades
  • Niterói Eficiente e Comprometida: Gestão Pública, Participação Cidadã, Integração Regional

O número de projetos e o valor aprovado para cada eixo são apresentados na tabela, a seguir:



Conheça mais detalhes sobre os projetos aprovados e os seus responsáveis aqui.

Axel Grael
Secretário
Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão - SEPLAG
Prefeitura de Niterói



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Divulgados os resultados do processo seletivo do PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS APLICADOS (PDPA)

Ao todo, foram selecionados 78 projetos de grupos de pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF), distribuídos pelas sete Áreas de Resultado do Plano Estratégico “Niterói Que Queremos (NQQ) – 2033”. A Prefeitura investirá, ao longo de três anos, R$ 25 milhões nos projetos. Trata-se de um marco para o desenvolvimento científico e tecnológico de Niterói e da consolidação de uma estratégia de gestão baseada em evidências científicas.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Os projetos têm como objetivo o desenvolvimento e a implementação de soluções inovadoras para os problemas da cidade em diversas áreas de políticas públicas: saúde, educação, segurança pública, desenvolvimento econômico, meio ambiente, cultura, inovação, planejamento e eficiência na gestão, entre outros. Na Área de Resultado Niterói Organizada e Segura, foram selecionados 10 projetos; Niterói Saudável, 13; Niterói Escolarizada e Inovadora, 13; Niterói Próspera e Dinâmica, 10; Niterói Vibrante e Atraente; 10; Niterói Inclusiva, 11; e Niterói Eficiente e Comprometida, 11.


Anúncio do PDPA.

O PDPA é fruto da parceria firmada entre a Prefeitura de Niterói, a UFF e a Fundação Euclides da Cunha de Apoio Institucional à Universidade Federal Fluminense (FEC). O PDPA é coordenado pela Secretaria de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão, (SEPLAG) e pelo Núcleo de Gestão Estratégica (NGE), e contou com a colaboração de diversos técnicos das Secretarias da Prefeitura nas Bancas de Seleção.

Veja os resultados no site: https://somosfec.org.br/resultado-pdpa/

Fonte: SEPLAG







domingo, 8 de dezembro de 2019

DIA DA FAMÍLIA: muitos motivos para celebrar



Hoje, celebra-se o Dia da Família. Não sei de quem e de onde surgiu a ideia desta comemoração, mas acho uma ótima ideia. A família é o primeiro abrigo e proteção que encontramos ao nascer, é nela que encontramos os primeiros ensinamentos e onde buscamos as primeiras referências e modelos de ética e comportamento.

Na família, encontramos incentivo para o crescimento pessoal, profissional e cidadão. Chega uma hora, que acrescentamos à nossa família original, uma nova família, que escolhemos constituir quando casamos.

Assista a um vídeo com o depoimento da minha esposa Christa e meu sobre como nos conhecemos. 😀 

Mesmo com o avanço dos anos, quando familiares muito queridos passam desta vida, a presença deles segue na lembrança, no exemplo, na inspiração, nas coisas e principalmente no legado: hábitos, tradições e na identidade familiar que persistem.

Ter orgulho da família é uma bênção, uma bem-aventurança. É assim que eu me sinto com a minha família. Orgulho redobrado pois sei que compartilho o sentimento com muitas outras pessoas - de outras famílias - devido à tradição que a família Schmidt Grael conquistou no esporte da Vela, mas também em outras atividades da vida de Niterói e do país.

Recentemente e nos próximos dias, tivemos e teremos muitos bons motivos para compartilhar a nossas comemorações familiares com o país, com a cidade de Niterói, com no nosso Rio Yacht Club (Sailing) e com nossos amigos e colegas de trajetória, pelos motivos que expomos, a seguir:



Martine e Kahena sagraram-se ontem vice-campeãs mundiais no Campeonato Mundial da Classe 49erFX, realizado na Baía de Hauraki, em Auckland, Nova Zelândia.

Martine Soffiatti Grael e Kahena Kunze

Ontem, 07 de dezembro, minha sobrinha Martine (filha de Torben e Andrea) e sua proeira Kahena conquistaram o VICE-CAMPEONATO MUNDIAL DA CLASSE 49erFX, em competição realizada em Auckland, Nova Zelândia, mostrando que seguem firmes demonstrando ótima performance rumo à Olimpíada de Tóquio, no próximo ano. Em 2019, Martine e Kahena já conquistaram a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima e também venceram o evento preparatório para Tóquio 2020, realizado na própria raia olímpica dos próximos jogos.

Marco Grael e Gabriel Borges (assista ao vídeo deles) terminaram na 19° lugar e seguem firme na busca da vaga olímpica para Tóquio.


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XXIV Regata Preben Schmidt

No próximo sábado, será realizada a tradicional Regata Preben Schmidt, promovida pelo Rio Yacht Club (Sailing) em homenagem ao meu avô, o dinamarquês Preben Schmidt, um dos precursores da vela no Brasil, patriarca da tradição e um dos grandes inspiradores da família Schmidt Grael na vela.

Veja como foi a Regata Preben Schmidt em 2018.


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Documentário "Gerações da Vela", no SporTV

O SporTV apresentará no dia 10 de dezembro, o filme completo preparado pelo canal sobre a família Schmidt Grael. Trata-se de um documentário sobre a história e as conquistas da família que foi apresentado em quatro episódios entre junho e julho de 2019, e agora será apresentada na forma de um filme. Curta conosco esse momento!


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O mesmo filme será apresentado para convidados no Reserva Cultural, no dia 12 de dezembro, com a presença da família Schmidt Grael.


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Formatura do Projeto Grael

No dia 12 de dezembro, teremos mais uma formatura dos alunos do Projeto Grael, inciativa que foi iniciada pelos irmãos Grael há mais de 21 anos. Desde a sua fundação, o Projeto Grael já beneficiou mais de 17 mil estudantes da rede pública de educação e já foi premiado no país e no exterior pela qualidade e pelo ineditismo do trabalho realizado.


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Um bom Dia da Família para todos.

Axel Schmidt Grael





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LEIA TAMBÉM:

Postagens sobre a família Schmidt Grael
Site do Torben Grael
Site do Lars Grael 
Site do Projeto Grael

Preben Schmidt

Preben Schmidt: a inspiração de gerações de velejadores da família Schmidt Grael

Helene Schmidt

Helene Schmidt e os Imigrantes na Ilha das Flores, na Baía de Guanabara

Dickson Grael


Centenário do AILEEN (1912-2012): um barco de várias gerações
Os primeiros passos da construção de um sonho: o Projeto Grael
Exposição "GRAEL - AMOR PELO MAR": sábado é o último dia. Não perca!!!!
MATÉRIA PUBLICADA NA ESPANHA: "Familia Grael, una estela nacida hace más de un siglo"
GLOBO ESPORTE: Axel Grael, irmão de Torben e Lars, se divide entre lixo da Baía e torcida pela família
Órgão máximo da vela mundial destaca a tradição da família Grael: "Grael Family Sailing Dynasty"
UFF - TORBEN GRAEL: um campeão da vela focado na inclusão social
REPORTAGEM DA BBC SOBRE LARS GRAEL E O PROJETO GRAEL
BOM DIA BRASIL: Tocha Olímpica deixa Niterói e segue em direção ao Rio pelo mar
JORNAL NACIONAL: Para levar a tocha em Niterói, Lars Grael decide usar prótese
Pela primeira vez desde o acidente, em 1998, Lars Grael aparecerá usando uma prótese conduzindo a tocha olímpica em Niterói


ASSISTA À MATÉRIA DO ESPORTE ESPETACULAR, DA GLOBO, SOBRE A EXPOSIÇÃO: GRAEL OU SCHMIDT: descubra a origem da família brasileira mais vitoriosa da vela








domingo, 6 de outubro de 2019

Torben Grael e Marcelo Ferreira: triunfo em Atlanta, glória em Atenas



Torben Grael e Marcelo Ferreira são recebidos em Niterói com a medalha de ouro em Atlanta (1996), mediante uma grande festa e reconhecimentos público. No alto do carro de bombeiros, já estava a nova geração dos Grael: Marco e Martine.


Campeões em 1996, nos Estados Unidos, e em 2004, na Grécia, velejadores viajam no tempo para relembrar as conquistas que fizeram com que os dois ganhassem lugar em um dos grupos mais seletos do país: o dos bicampeões olímpicos

A última regata da classe Star dos Jogos olímpicos de 1996, disputada em 29 de julho, em Savannah – cidade a 400 quilômetros de Atlanta e que sediava as provas de vela daquela Olimpíada –, já estava em curso havia quase meia hora quando o carioca Marcelo Ferreira, ao contornar a primeira boia do percurso, notou uma placa de sinalização que mudaria totalmente a sua vida e a de seu parceiro, o paulista Torben Grael, ambos a bordo do barco Vida Bandida.

O que a placa mostrava era que a embarcação dos australianos Colin Beashel e David Giles havia queimado a largada e que por isso a dupla rival tinha sido desclassificada. Ao perceber isso, foi impossível para Marcelo e Torben não serem tomados por uma sensação de júbilo. Afinal, com aquela informação, os dois – antes mesmo de cruzarem a linha de chegada, longe dos olhos do público e sem qualquer festa ou aplausos – tinham se tornado campeões olímpicos.


Marcelo Ferreira e Torben Grael, com as medalhas de ouro das Olimpíadas de Atlanta 1996: Sonho realizado em Savannah. Foto: Jorge Peter/Agência O Globo

“Não caiu a ficha na hora não”, lembra Marcelo. “Esse troço só quem passa é que entende como funciona. Essa é a realidade. Até quando a gente cruzou a linha, a gente estava comemorando, mas é uma sensação tão indescritível que você não realiza. Você está lá no meio do oceano. É diferente de quando você está dentro de uma arena fechada ou em uma pista de atletismo, com o público em volta. Não tinha nem spectator boat (barco que é usado para levar o público para acompanhar a regata de perto). Foi diferente de outros eventos. É o ouro que ninguém viu, vamos dizer assim”, resume Marcelo.

As lembranças daquela tarde, passados 20 anos, também seguem frescas na memória de Torben. “Na realidade, a gente começou a fazer uma marcação forte nele (Colin Beashel ) na largada dessa última regata, porque a gente queria ficar sempre junto dele. Como a gente tinha vantagem e ele tinha que ganhar, ele, pressionado, acabou queimando a largada”, recorda o velejador. “A gente já vinha na frente do Colin e quando chegamos lá perto da boia, quando o Marcelo viu a placa, realmente foi aquela comemoração. A gente estava bem ciente de que tinha dado certo”, prossegue Torben.

A medalha de ouro nos Jogos de Atlanta 1996 representou uma espécie de redenção para Torben e Marcelo em relação à experiência que a dupla vivera nas Olimpíadas de Barcelona, 1992. Na Espanha, eles competiram juntos pela primeira vez nos Jogos e terminaram na 11ª posição.

Para Torben, em especial, o significado da conquista em Savannah ia além. Quando desembarcou na Geórgia para os Jogos de 1996, ele já tinha no currículo dois pódios olímpicos. A primeira medalha, de prata, foi arrebatada em Los Angeles 1984, na classe Soling (ao lado de Daniel Adler e Ronaldo Senfft). Quatro anos depois, em 1988, em Seul, veio o bronze na classe Star, ao lado de Nelson Falcão.

Assim, aos 36 anos – seis a mais do que Marcelo –, o experiente Torben Grael finalmente havia chegado ao sonhado título olímpico. “Foi uma sensação maravilhosa, aquela sensação de dever cumprindo, de você ter chegado ao topo da pirâmide. Realmente foi uma curtição o restante da regata”, descreve Torben.

Campanha favorável

Ao contrário da campanha de Barcelona, quando os dois terminaram a primeira regata dos Jogos Olímpicos de 1992 em nono lugar, em Savannah os ventos sopraram a favor desde o início. A estreia nos Jogos de 1996 se deu em 22 de julho e a dupla começou vencendo a primeira regata. No dia seguinte, quando foram disputadas duas provas, eles conquistaram um sexto e um segundo lugares. Em 24 de julho, Torben e Marcelo terminaram em sétimo, mas se recuperaram um dia depois, quando cruzaram a linha de chegada em primeiro. No dia 26, quando novamente duas disputas, e os brasileiros chegaram em quarto e em nono. Depois disso, um segundo lugar no dia 27 e um sexto no dia 28 deixaram os dois em posição confortável para a última prova, no dia 29.


Grael e Ferreira em ação: sintonia do time assegurou dois ouros e um bronze em Jogos Olímpicos à dupla. Fotos: Marcelo Ferreira/arquivo pessoal

“Atlanta foi um lugar bom para a gente porque as condições eram parecidas com o que a gente estava acostumado no Rio de Janeiro”, lembra Torben. “Era vento térmico, calor, umidade, sem vento de manhã, vento só à tarde, com aqueles temporais de verão de final de tarde... Enfim, era uma série de coisas com as quais a gente ficou super à vontade. Muita gente ficou achando ruim aquelas condições, mas para nós era como a gente velejava sempre, então nos adaptamos bem lá”, continua.

“A gente também foi fazer o evento-teste, fomos treinar duas vezes antes dos Jogos, e isso tudo ajudou muito. A gente conhecia bem o lugar. Estávamos com um barco que desenvolvemos para competir lá. Testamos bastante os equipamentos antes e isso tudo ajudou. Nós estávamos rápidos para a competição. Desenvolvemos um cockpit bem fechado para correr lá e em Savannah tinha bastante onda. Então o barco drenava mais rápido, ficava com menos água dentro, e isso ajudou. Mas a realidade foi que a gente velejou super bem”, prossegue Torben. Ele ressalta ainda que, além de ele e Marcelo terem ido bem em Savannah, outro fator contribuiu para a conquista do ouro em 1996.

“Nós disputamos muito com o Colin desde o começo a ponteira da competição. A gente alternava bastante os resultados com ele, mas quando ele ia bem a gente nunca ia mal. E quando a gente ia bem, às vezes ele dava uma escorregadinha. Aí, quando foi chegando o fim do campeonato, o que aconteceu foi que como a gente conseguiu abrir uma distanciazinha de pontos e no final ele tinha que ganhar a regata para ficar com o ouro”, detalha.

Superstição e camisa furada

Nas lembranças de Torben Grael, talvez por ser mais experiente, talvez por ter se sentido tranquilo por tudo o que haviam feito nas nove regatas anteriores, a noite do dia 28 de julho, véspera da decisão da classe Star nos Jogos de 1996, não foi angustiante.

“Nós não ficamos muito nervosos porque a gente vinha dos Jogos em Barcelona, onde nós tivemos um péssimo resultado, e (em Savannah) nós já estávamos matematicamente com a medalha de prata garantida. A gente já estava com aquela sensação de que já tinha conquistado um excelente resultado”, afirma.

Para Marcelo Ferreira, entretanto, aquela noite foi tudo menos calma. “Passava pela minha cabeça que a gente poderia ser campeão olímpico, sim. Mas não foi muito fácil tentar dormir nessa noite não. Na verdade, eu até saí como tio do Torben, o Erik, nosso técnico, para tomar uma cervejinha com ele. Porque não adiantava ficar deitado fritando na cama, né? Eu dormi mal na noite anterior à competição. É aquela situação de estar indo para a última prova sabendo que tem chances reais (de conquistar o ouro)”, recorda Marcelo.

Em seguida, Marcelo narra como foram as horas antes do início da regata que renderia a ele e a Torben a consagração nos Jogos de Atlanta:


Marcelo Ferreira, com a blusa furada abaixo da axila direita: superstição o fez usar a mesma camisa em todas as regatas dos Jogos de Atlanta 1996. Foto: Ivo Gonzalez/Agência O Globo

“A regata era tipo uma hora da tarde. Você acorda como sempre naquele horário do café da manhã, umas 8 horas, para depois sair no ônibus e ir para o canal onde a gente pegava o ferry para ir para a marina”, conta. E cabe aqui uma observação em relação ao local de competição da vela em Savannah: ao contrário de muitas regatas onde o público em terra ainda consegue ver os barcos, mesmo que à distância, a marina olímpica de 1996 era flutuante, ficava a mais de uma hora de distância de barco mar adentro, muito longe dos olhares de qualquer torcedor.

“Aí chega lá e tem aquele velho ritual, porque a gente não muda nada, a superstição impera”, prossegue Marcelo. “Nem roupa a gente trocava. A camisa, se você olhar uma foto que eu tenho que saiu no jornal, tem um buraco embaixo da axila que continua até hoje. Foi uma camisa que eu usei durante todo o evento. A minha roupa de velejar, que era de feltro, foi feita aqui na confecção da minha esposa por uma costureira. Todos esses detalhes foram ficando mais fortes durante todos os dias do evento. Você não troca nada. Eu acho que isso é com todo mundo. E o Torben é pior do que eu. Ele não vai falar, mas é bem pior. Aquele cara com superstição é brincadeira...”, entrega.

O resto é história. Torben e Marcelo trataram de colocar em prática a estratégia de pressionar o australiano Colin Beashel e seu parceiro desde o início e a pressão surtiu o efeito desejado.

“Não estava nada ganho, mas a coisa estava muito na mão para a gente. E a tática de pressioná-lo na largada acabou funcionando”, lembra Torben. “Acho que foram três largadas. As duas primeiras foram invalidadas por muitos barcos partindo fora da linha. Mas nessas duas a gente saiu bem melhor do que ele, pressionando. Nessa terceira, ele viu que se continuasse daquele jeito não ia ter chances de ganhar a regata e acabou acelerando cedo. Ele saiu melhor do que nas outras duas, mas acabou queimando a largada. Mesmo assim a gente saiu bem também. Chegamos à bóia de contravento à frente dele. E foi lá na bóia de contravento que a gente viu pela primeira vez a placa com a sinalização da Austrália como barco escapado. Aí o resto da regata foi uma curtição só, porque a gente já sabia que tinha conquistado aquele sonho grande”, detalha Torben.

Enfim a celebração em terra

O que se seguiu ao fim da regata naquele 29 de julho de 1996, na qual Torben e Marcelo terminaram em terceiro lugar, foi uma sequência de eventos que marcaram profundamente os dois.

A comemoração para valer só se deu em solo firme em Savannah. Mas, antes, ainda houve tempo para uma breve celebração em alto mar. “Demorou mais de uma hora e meia até voltar para a terra. Já atendemos a imprensa lá no próprio flutuante e já teve a famosa champanhe lá mesmo no flutuante”, conta Marcelo.

“Quando chegamos, todo mundo estava dando os parabéns”, lembra Torben. “Obviamente, a gente tem sempre que chegar em terra e ver o resultado, ver se não tem nenhum protesto, aquela coisa toda de regata. A gente sabia que tinha feito uma regata bem limpa, que o Colin tinha queimado e que ele automaticamente precisava ganhar a regata e então estava bem decidida a coisa”, continua.

O premiação da classe Star dos Jogos Olímpicos de Atlanta só foi realizada no dia seguinte. E até a hora de subir ao pódio Torben e Marcelo comemoram em grande estilo. “Foi um barato porque tinha um bar/restaurante que a gente ia, chamado Spunks. A gente ia para tomar uma cervejinha e dar aquela relaxada e o dono do bar estava lá ensandecido e gritando (após saber que os brasileiros eram campeões olímpicos) e foi muito legal nesse aspecto. Era um lugar pequeno e foi bacana porque tudo acontecia naquela beirada de rio, naquelas arquibancadas para fazer a premiação. Foi um momento único, né? Eu nem lembro que horas a gente voltou pra casa. Nós fomos lá para esse tal de Spunks, botamos o cartão de crédito e fomos embora (celebrar)...”, conta Marcelo.

“Nesse aspecto foi melhor do que Atenas, pois em Atenas me pegaram para o antidoping e tive que fazer o teste de urina e de sangue. Mas aí o pessoal do sangue não estava lá e eu só podia fazer no dia seguinte. E aí o pessoal do COB não me deixou comemorar, porque eu tinha que fazer o antidoping no dia seguinte. Aí eu fiquei chupando dedo. Mas em Atlanta comemoramos com uma cervejinha, né?”, emenda Torben Grael, já se referindo ao que viveu na Grécia, oito anos depois da conquista em Savannah.


Torben, Marcelo e familiares desfilam em carro aberto no Rio de Janeiro no retorno das Olimpíadas de Atlanta 1996: reconhecimento do público não se converteu em apoio para o ciclo seguinte. Foto: Jorge Peter Agência O Globo


Emoção no pódio

No dia 30 de julho de 1996, Torben Grael e Marcelo Ferreira receberam a terceira medalha olímpica de ouro do Brasil na vela, repetindo os feitos que Lars Bjorkstrom e Alex Welter, na classe Tornado; e que Marcos Soares e Eduardo Penido, na classe 470, haviam protagonizado nos Jogos Olímpicos de Moscou 1980.

“Para quem faz qualquer esporte olímpico, você ir para os Jogos é uma coisa fantástica, é uma coisa que poucas pessoas têm a oportunidade. Você ir bem, fazer medalha, é uma coisa que menos pessoas no mundo conseguem, pouquíssimas pessoas conseguem. Você já foi mais longe. E quando você ganha a medalha de ouro realmente a satisfação é enorme. Você ir ao pódio, ver sua bandeira subindo, ouvir o Hino Nacional tocando... É uma sensação muito difícil de descrever, mas é maravilhosa. Mas eu não me lembro de ter chorado”, diz Torben Grael.

“Passa um filme, né? Primeiro porque a gente foi para essa Olimpíada com aquele gosto amargo de Barcelona, que foi o maior aprendizado que eu tive dentro do esporte”, ressalta Marcelo. Para ele, apesar de toda a emoção vivida no pódio nos Estados Unidos, foi somente no retorno ao Brasil que ambos finalmente perceberam a dimensão do que eles haviam conquistado em Savannah.

“A verdade é que demora muito até você realizar o que foi feito. Quando cheguei ao aeroporto (no Rio de Janeiro) foi que eu achei que uma coisa fenomenal. Tinha uma galera no aeroporto. Era uma coisa que a gente da vela nunca tinha visto. A gente nunca teve contato com o publico e com essas coisas. Ali eu falei: ‘Pô, a coisa foi grande mesmo’. Porque a gente fora do Brasil não sabia exatamente o que estava se passando aqui. Aí, quando eu vi o carro de bombeiro esperando e nós viemos lá do Rio até aqui (em Niterói) em cima do carro de bombeiro, isso foi um troço que me marcou muito”, lembra Marcelo.

Perda do patrocínio e ganho na America’s Cup

Em geral, uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos costuma ser um divisor de águas na carreira de qualquer atleta. As portas, após uma conquista dessa magnitude, tendem a se abrir e o caminho a partir dali normalmente é mais tranqüilo em termos de apoio para a preparação visando ao ciclo olímpico seguinte. Mas, para a surpresa de Marcelo Ferreira e de Torben Grael, não foi isso que aconteceu depois que toda a celebração em torno do triunfo nos Jogos de Atlanta 1996 se foi.

“Como atleta, depois que passou essa festa pela medalha, foi uma frustração muito grande e isso eu não posso deixar de falar”, desabafa Marcelo Ferreira. “O que aconteceu, por incrível que pareça, foi que quando acabou a Olimpíada a gente perdeu o patrocínio. O ano de 1997 foi um terror em termos de apoio ao esporte e de incentivo, seja da Confederação, do Comitê Olímpico, de tudo. O nosso prêmio por ter tirado a medalha de ouro foi um ano seguinte muito ruim em termos de apoio. Eu acabei que em 1997 corri o Campeonato Mundial de Star com um alemão nos Estados Unidos e fui campeão mundial com ele”, prossegue.


Torben, com os companheiros da Equipe Prada, da Itália. Foto: Getty Images

Já para Torben Grael, em particular, se a conquista do ouro em 1996 não rendeu apoio em seu país, ela serviu para lhe abrir as portas para uma nova fase de sua carreira. “Em termos de Brasil, você se tornar campeão olímpico é um degrau a mais, mas não houve grandes mudanças. Eu acho que uma mudança grande foi que essa vitória em Atlanta foi logo antes da Prada decidir fazer a America's Cup”, conta o velejador, referindo-se à mais prestigiada competição de vela do iatismo mundial e que detém a honra de ser o troféu mais antigo em disputa no planeta entre todas as modalidades do esporte. A primeira taça foi disputada em 1851, 45 anos antes da primeira edição dos Jogos Olímpicos modernos, realizada em Atenas, em 1896.

“A pessoa que foi convidada para ser o comandante da equipe Prada foi o De Angelis (o italiano Francesco de Angelis), que foi com quem eu comecei a correr de Oceano na Itália. Obviamente, como a gente tinha uma parceria muito forte, quando o chamaram, me chamaram também, inclusive pelo resultado de Atlanta com a medalha de ouro. Então acho que a conquista da medalha de ouro foi um diferencial grande”, prossegue Torben.

Os compromissos de Torben Grael com a America’s Cup e seu envolvimento com a equipe Prada renderam, anos depois, um patrocínio para ele e Marcelo na preparação da dupla na classe Star visando aos Jogos de Sydney 2000.

“Nós fizemos uma excelente campanha na America’s Cup. Ganhamos a Louis Vuitton Cup, que é uma coisa muito importante, e aí fizemos a final. Acabamos perdendo a final para o defensor, o neozelandês (o barco que derrotou a equipe de Torben era comandado pelo lendário velejador Peter Blake)”.


Torben Grael (à esquerda) e o italiano Francesco de Angelis comemoram a conquista da Regata Louis Vuitton em 2000: campeão olímpico teve sucesso também na vela oceânica. Foto: Getty Images

“Ficamos na luta para retomar a nossa campanha para Sydney, procurando apoio, até que veio a Prada, que chegou em 1998. E aí ficamos com a Prada e a Petrobras. Mas a Prada foi graças ao Torben, que estava velejando na equipe”, destaca Marcelo. “Aí mudou o panorama financeiro para a gente para poder fazer tudo com calma. Só que aí a gente tinha mais recurso para fazer as coisas e menos tempo para a Star, porque tinha o envolvimento do Torben com a America’s Cup. Realmente tínhamos pouquíssimo tempo para treinar como dupla. A gente fez um ano de 1998 horroroso, com vontade de desistir, porque os resultados não vinham. A gente praticamente não tinha treinamento. A gente se encontrava e falava: ‘E aí? Qual é o campeonato?’ E ia lá para o campeonato e corria”, prossegue Marcelo.

“Então foi um ano terrível, desanimador, e em 1999 também não foi muito diferente. Em 1998, para ser sincero, que foi o ano do acidente do Lars, a gente até teve um Mundial fantástico na Eslovênia. A gente acabou o Mundial em segundo, o que valeu a classificação para Sydney (Jogos Olímpicos de 2000) para o país. Acabamos ganhando a eliminatória no Brasil também e fomos para Sydney com um barco novo e diferente. Para nossa surpresa, quando nós chegamos a Sydney nós acabamos conseguindo nos dedicar aos treinos e a gente estava voando baixo”, continua Marcelo.

Sydney 2000: o ouro caiu na água

Os Jogos Olímpicos de 2000, para o Brasil, ficará para sempre marcado como as Olimpíadas do “quase”. Várias de nossas estrelas consideradas favoritas sofreram reveses na hora H e, com isso, a delegação retornou para casa sem nenhuma medalha de ouro na bagagem pela primeira vez desde os Jogos de Montreal 1976.

Com Torben Grael e Marcelo Ferreira não foi diferente. Apesar de eles não terem feito uma preparação considerada ideal, a dupla por muito pouco não conquistou a segunda medalha dourada da parceria.

“A gente estava complemente fora de ritmo e de tempo para os Jogos e fizemos vários erros que a gente normalmente não teria feito se estivéssemos mais bem treinados”, lembra Torben Grael. “Mas ainda assim nós fomos para a última regata liderando, mas não demos muita sorte. A gente estava cinco pontos à frente do Mark Reynolds (norte-americano) e do barco dos ingleses. A gente acabou botando o americano fora da linha e ficamos com o lado bom da raia, só que nesse processo a gente acabou queimando a largada também e não conseguiu se dar conta disso. Normalmente, só do americano ter ido para o lado ruim da raia, a gente já teria ganho dele. Mas acabou que naquela regata em particular vagou o outro lado e então saiu tudo errado. A gente queimou e ele acabou ganhando a regata”, prossegue Torben. Torben e Marcelo acabaram no pódio, mas para receber a medalha de bronze, algo que eles não esperavam. “Nunca seria tão fácil (conquistar o ouro)”, resume Marcelo. “Mas só que mesmo com a largada escapada, e isso eu tenho que falar porque é a verdade, a gente velejou tão mal essa última regata que mesmo assim a gente não ganharia pela matemática. A gente cruzou a linha. Ninguém retirou a gente da regata. Nós cruzamos a linha e só depois soubemos que a gente tinha escapado. Mas com esse resultado de qualquer jeito a gente ficaria com o bronze, que era o pior que a gente poderia fazer no último dia. Antes de largar a gente já tinha o bronze. A gente fez o pior que a gente podia fazer”, reconhece.


No pódio dos Jogos Olímpicos de Sydney 2000: o ouro que quase se veio e que se transformou em bronze determinou a continuação da dupla para as Olimpíadas de Atenas 2004. Foto: Getty Images


“Sydney ficou entalado na gente. Primeiro, ficou entalado porque quando eu cheguei em terra, me lembro como se fosse hoje, teve algum cara lá de imprensa, um brasileiro, que fez uma pergunta tão ridícula que eu dei um coice. Eu falei: ‘Ô babaca, filma lá a festa do norueguês que tirou terceiro no Soling’. Os caras estavam comemorando pra caramba o bronze”. Nós fomos lá, lideramos a Olimpíada quase toda, tiramos um bronze e aí o cara vem dizer que foi um fracasso. É brincadeira isso!. O brasileiro tem essa mania. Se não for o primeiro não serve. Só que no Brasil eu falo o seguinte: ‘Só em ser atleta o cara já é campeão, porque só a gente sabe das dificuldades’’, continua Marcelo.

Seja como for, o bronze em Sydney, por mais que não tenha sido o que os dois esperavam diante das circunstâncias do último dia de prova na Oceania, foi determinante para algo incrível que viria quatro anos depois. E hoje, ao olhar para trás, Marcelo consegue curtir em paz tudo o que ele e Torben viveram nos Jogos de 2000.

“A Olimpíada de Sydney, como Olimpíada, para mim foi maravilhosa. Era uma baía linda, um transporte maravilhoso, tudo funcionando, muito aprazível, um negócio muito bacana de você estar ali velejando naquele evento. Velejar naquela baía foi fantástico para a gente. Nós ganhamos duas regatas em um dia, e o resultado, para gente, estava acima das expectativas para as Olimpíadas. Foi o que o Torben falou: ‘Essa (medalha de ouro) bateu no convés e caiu na água’. Barcelona não existiu, deu tudo errado, então tudo bem. Ali não... A gente não contava que fosse chegar lá e arrebentar. Mas quando a gente viu que estava andando muito, que estava tudo bonito, ali realmente a medalha bateu no convés e caiu na água. E aí a gente fez um combinado de que teríamos que fazer mais uma campanha. Ali a gente já combinou. Aquela foi a que culminou em Atenas”, prossegue Marcelo.

Um lugar no Olimpo

No ciclo para os Jogos de Atenas 2004, Torben Grael mais uma vez se viu diante do desafio da America’s Cup. Mas, dessa vez, as coisas saíram diferente do caminho percorrido para os Jogos de Sydney.

“Novamente eu fiz America’s Cup. A diferença é que a Copa (a decisão do título) foi em 2003. Então, como a gente não foi para a final em 2003, a minha participação acabou no final de 2002. E a Olimpíada foi em 2004. Então deu bastante tempo para a gente se preparar bem para os Jogos. Se por um lado a America’s Cup, com a Prada, teve esse impacto, dificultando os treinamentos para a gente, por outro lado eles foram nossos grandes patrocinadores, tanto para Sydney quanto para Atenas, possibilitando fazer uma preparação, principalmente para Atenas, da melhor forma possível. Então são os dois lados da moeda”, pondera Torben.

Vieram os Jogos na Grécia. E no dia 26 de agosto de 2004, após um quarto lugar na décima e penúltima regata da classe Star das Olimpíadas de Atenas, Torben Grael e Marcelo Ferreira conquistaram, por antecipação, a segunda medalha de ouro olímpica de suas vidas.


Torben Grael e Marcelo Ferreira, com as medalhas de ouro dos Jogos de Atenas 2004: passaporte carimbado para o clube dos bicampeões olímpicos do Brasil. Foto: Getty Images

A campanha dourada teve início no dia 21 de agosto, com um quinto lugar e um quarto lugares. No dia seguinte, vieram duas vitórias, que foram seguidas por um segundo lugar no dia 23. Um dia depois, a dupla cruzou a linha de chegada em quinto e voltou a ficar em segundo no dia 25, quando ainda disputou outra prova e terminou em sétimo. Então, no dia 26, após um 11º lugar, veio o histórico quarto lugar na segunda regata, o que selou a conquista do ouro. Eles nem precisaram velejar a 11ª e última prova das Olimpíadas.

“Para Atenas a gente não queria saber de Campeonato Mundial, de Campeonato Europeu, nada disso... A gente queria trabalhar para desenvolver só para Atenas. E esse foi um grande trabalho mesmo. A gente contou com a ajuda do Alan Adler (experiente velejador brasileiro que disputou as Olimpíadas de 1984, em Los Angeles; de 1988, em Seul; e de 1992, em Barcelona), junto com o Roni (Ronald Seifert), que foi proeiro do Pascolato, que é um cara muito bacana. O Alan e o Roni foram com a gente para a Itália, para o Lago de Como, testamos vela, testamos mastro, e fizemos um trabalho de excelência junto com uma tripulação espanhola, que tinha o Roberto Bermudez (velejador espanhol), que fez a volta ao mundo com a gente no Brasil 1 (nome do barco em que Torben, Marcelo, Bermudez e outros sete tripulantes competiram na edição 2005/2006 da Volvo Ocean Race) depois”, recorda Marcelo.

“A gente ficou rápido demais em vento fraco, ficamos rápidos em vento forte, tivemos um barco novo, e nós levamos dois barcos para a Olimpíada de Atenas. O Alan estava lá velejando com a gente de sparring. E o desgraçado era o mais rápido da Olimpíada. O nosso sparring era o cara!”, diz Marcelo às gargalhadas. “Foi muito divertido porque logo no segundo dia de treino a nossa equipe foi protestada para tirar o barco do Alan do evento. Tivemos que tirar o barco de dentro da marina, porque só podia ficar um barco, e acabou que quando a gente ficava do lado dos caras e a gente estava muito rápido. Estava dando tudo certo. Realmente Atenas para a gente foi tudo perfeito. Não tinha uma coisa que você podia falar que não estava funcionando para a gente”, prossegue o bicampeão, que ainda hoje se diverte com uma história que ele presenciou logo no início da competição.

“No primeiro dia de regata da Olimpíada, saímos da água e a gente estava em segundo no geral, se não me engano, ou terceiro, e o americano Paul Cayard estava liderando a Olimpíada. Mas o cara sempre foi meio metidão, né? Nós saímos da marina e a gente descobriu um posto de gasolina que tinha bem pertinho da marina e que tinha uma cervejinha Heineken, aquela pra relaxar depois de um dia longo, e aí nós fomos para lá para tomar uma cervejinha. Aí estava o Alexandre Haddad (jornalista da ESPN) lá fumando o charuto dele e passou o americano vendo a gente tomando uma cervejinha. O cara olhou pra gente e nem cumprimentou, com uma cara de desprezo danada. A brasileirada estava toda nesse posto de gasolina e começou a zuar. E o Alexandre me pega aquele charuto e me enterra o charuto, fazendo lá as mandingas dele. Depois desse dia o cara (Paul Cayard) sumiu da Olimpíada”, recorda Marcelo.


Torben e a felicidade de ter a honra de carregar a bandeira brasileira na cerimônia de abertura das Olimpíadas de Atenas: momento inesquecível seria coroado com o ouro na classe Star. Foto: Getty Images


No clube dos bicampeões

Em 26 de agosto de 2004, Torben Grael e Marcelo Ferreira entraram para um dos grupos mais seletos que o Brasil possui: o dos bicampeões olímpicos, uma façanha que apenas 12 atletas até hoje conseguiram no país.

Um dia antes, no dia 25, Robert Scheidt havia conquistado sua segunda medalha de ouro nos Jogos Olímpicos na classe Laser e, com isso, tinha se juntado a Adhemar Ferreira da Silva, até então o único bicampeão olímpico do Brasil. Agora, com os feitos de Torben e Marcelo, eram quatro bicampeões. E em Atenas os jogadores de vôlei Maurício e Giovane ampliariam esse número para seis. Esses são, até hoje, os únicos homens com duas medalhas douradas olímpicas no currículo. Seis mulheres, todas do vôlei, completam o clube dos bicampeões olímpicos do Brasil: Paula Pequeno, Sheilla, Jaqueline, Fabiana Oliveira (Fabi), Fabiana Claudino e Thaisa.

“Em Atenas foi muito especial. Primeiro porque é um lugar com muito simbolismo. É o berço do olimpismo moderno e tem aquela coisa toda... A gente teve, eu e Marcelo, a oportunidade de levar a tocha de Atenas, porque a tocha passou aqui no Rio de Janeiro antes. E depois eu levei bandeira no desfile de abertura e acabamos conseguindo o bicampeonato. Então foi uma Olimpíada muito marcante. Até Atenas só tinha o Adhemar (bicampeão olímpico). Isso foi uma coisa muito bacana, porque o Adhemar era aquele farol, aquela luz para a gente, dizendo que era possível. Então foi fantástico a gente conseguir chegar lá. E teve uma coisa curiosa em Atenas. As casas lá não tinham número na Vila. E a gente ficou em uma casa que o nome era Centauros. E dessa casa vieram quatro medalhas de ouro. Foram nós, o Robert Scheidt, o vôlei de quadra e o vôlei de praia (com Emanuel e Ricardo). Todo mundo ficou lá. Era um lugar especial”, conta Torben.

Marcelo Ferreira vai na mesma linha: “Você encerrar seu ciclo olímpico em Atenas, onde tudo começou, eu não precisava mais de nada. Para mim foi a melhor Olimpíada da minha vida. Foi o meu melhor resultado, foi a que mais me tocou, foi a que eu mais curti. Se você me perguntar de Savannah (Jogos de Atlanta 1996), Savannah foi fantástica. Mas Atenas para mim é o ápice, é a glória, não tem mais o que falar. A gente passeou naquilo tudo antes da regata eu e o Torben. Fomos visitar aqueles monumentos... Foi uma harmonia com Atenas”, emenda Marcelo. A tocha dos Jogos de 2004 até hoje decora a sala do velejador, junto com outros troféus, como mais uma lembrança especial de sua carreira.


Em Atenas, o ouro veio com uma regata de antecedência: Tudo a favor no berço dos Jogos Olímpicos. Fotos: Getty Images


Os Jogos no quintal de casa

A entrevista que serviu de base para essa matéria estava perto de terminar quando Marcelo Ferreira respondeu o que é ser um bicampeão olímpico.

“É aquela história da realização. Você dedica uma vida a um trabalho, que é o meu caso e o do Torben, que passamos a vida toda dentro de um esporte. Em todo o esporte o sofrimento é o mesmo. É sair de casa, tem as viagens, tem aquela coisa de abdicar das festas familiares e eu sou um cara muito família e então isso tudo soma no final. Você se dedicar tanto e conseguir algo assim é uma coisa muito forte. Ser campeão olímpico é ter seu trabalho reconhecido, sua recompensa, é chegar ao topo em um evento de uma magnitude que você não consegue mensurar. É o que todo atleta procura. A maioria procura ir para uma Olimpíada. Então você imagina eu, que tive a oportunidade e a chance e a alegria de poder ter ganho duas e ainda ter tido um bronze. É muito difícil descrever em palavras o que é você ser um bicampeão olímpico”, diz Marcelo.

A Torben Grael foi feita a mesma pergunta. E após refletir por vários segundos, ele encontrou uma explicação que vai além das medalhas.

“Cara, acho que primeiro é um orgulho enorme. A gente que optou por dedicar a vida da gente ao esporte, conseguir chegar aonde nós chegamos eu acho que é fantástico. Eu tenho uma amizade enorme com todos os meus tripulantes e ex-tripulantes e isso também é muito bacana, porque não foi só uma coisa do momento. Foi uma coisa muito além do treinamento, da participação, da competição. Eu tenho uma amizade enorme com todos eles e é difícil expressar o que isso significa. Acho que significa tudo pra gente”.


Torben e Marcelo: Alegria por acompanhar os Jogos Olímpicos do Brasil em casa e torcida para que a competição seja um sucesso. Foto: Getty Images

A partir do dia 5 de agosto, Torben Grael e Marcelo Ferreira viverão mais uma emoção ligada aos Jogos Olímpicos. Ambos moradores de Niterói, eles poderão acompanhar os Jogos no quintal de suas casas, algo impensável para qualquer um deles quando ambos, na Grécia, tornaram-se bicampeões olímpicos, em 2004.

Para Marcelo, a crise pela qual passa o país torna ainda mais importante que as Olimpíadas no Brasil sejam bem-sucedidas. “Eu acho fantástico uma Olimpíada no Brasil, mas só que temos tudo isso aí que todos estão acompanhando (na política e na economia). Eu espero de coração que essa Olimpíada seja um grande sucesso e que dê tudo certo. Porque a nossa realidade está muito ruim”, pondera.

“Eu acho que é uma oportunidade fantástica para quem está tendo o privilégio de poder disputar os Jogos Olímpicos em casa”, ressalta Torben. “E é muito bacana eu ter ambos os filhos entre essas pessoas que vão ter esse privilégio”, continua, referindo-se a Martina Grael (que competirá na classe 49erFX, ao lado de Kahena Kunze) e a Marco Grael (que velejará na clase 49er, ao lado de Gabriel Borges).

“A gente ainda tem bastante coisa para fazer para estar tudo pronto para os Jogos, mas eu espero que no final vai dar tudo certo. A gente atravessa momentos difíceis na política e na economia e eu espero que isso também se aprume deixando uma boa mensagem para o futuro. Então, acho que os Jogos vão chegar em um momento legal para o Brasil para botar o esporte mais em evidência, para o país ver coisas boas. Vai ser um período muito bacana da vida da gente”, encerra o velejador.

Luiz Roberto Magalhães – brasil2016.gov.br













domingo, 29 de setembro de 2019

Canoagem carimba o passaporte para Tóquio no Mundial





Ana Sátila disputará tanto na canoa quanto no caiaque. Pedro Gonçalves garantiu a vaga do K1 Masculino para o Brasil, o atleta precisa passar pela Seletiva Nacional para garantir sua ida para a terra do sol nascente

O Brasil volta pra casa do Mundial de Canoagem Slalom realizado em La Seu d’Urgell com vagas para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Depois de quatro dias de provas, o saldo do evento foi garantido com duas finais conquistadas por Ana Sátila, 10º lugar na canoa e 9º no caiaque, além da disputa de dois barcos na semifinal do K1 Masculino.

No início da manhã deste domingo (29), Ana Sátila disputou a final do C1 Feminino, ela não fez uma boa descida e teve toques em cinco balizas o que a deixou com o tempo de 115.16s, com isso ficou na 10ª posição. Quem ficou com a medalha dourada na disputa foi a alemã Andrea Herzog, Jessica Fox da Austrália com a prata e Nadine Weratschinig da Austria com a de bronze.

Nesta madrugada também teve as provas do K1 Masculino, Pedro Gonçalves foi o barco brasileiro mais rápido na semifinal o seu tempo no percurso foi de 90.37s e ficou na 24º posição, Guilherme Rodrigues em 34º lugar com 102.13s. Os atletas não conseguiram passar para a final da categoria que teve no pódio o checo Jiri Prskavec em primeiro lugar, e os espanhóis David Llorente e Joan Crespo com o bronze.

Brasil conquista vagas olímpicas na Espanha

Ana Sátila obteve índice tanto na disputa do C1 quanto do K1 Feminino, ela precisava ficar pela canoa neste domingo (29) no ranking dos 11 países mais bem colocados ela ficou em 8º lugar. No último sábado (28) pelo caiaque garantiu a quarta posição entre as 18 primeiras nações que buscavam a vaga olímpica.

De acordo com as regras da Federação Internacional de Canoagem (sigla ICF em inglês), o mesmo atleta não pode ficar com duas cotas, ou seja, ele tem que passar uma das cotas para outra nação subsequente, no Mundial essa mesma situação de Ana aconteceu com mais quatro países, Austrália, Estados Unidos, Andorra é Nova Zelândia, que tiveram que optar por qual cota ficaria. No caso do Brasil, optou-se pela vaga da canoa e liberou a vaga do caiaque.

Sátila teve um índice muito superior em relação às outras atletas do Brasil tanto no K1 quanto no C1. O seu percentual de diferença é maior do que o estipulado na circular para a seletiva nacional e também nas credenciais para que um atleta buscasse uma vaga continental, sendo assim ela será a única atleta feminina da Canoagem Brasileira em Tóquio.

Como Ana Sátila será a única representante, ela pode competir nas duas categorias dos Jogos Olímpicos, sendo assim, ela pode disputar tanto no C1 quanto no K1. Caso o país tivesse mais uma atleta apta para a disputa e conquistado a vaga olímpica ela disputaria só em uma categoria.

“Essa regra também pode ser no gênero masculino. Se só ficarmos com a vaga no K1 o atleta poderá competir no C1 se quiser, caso o Brasil não garanta a vaga da canoa também”, comenta André Behs supervisor da modalidade.

O K1 Masculino também tem vaga garantida. Pedro Gonçalves ficou em 16º lugar, ou seja, dentro do ranking dos 18 países classificados para Tóquio. Ele obteve a vaga para o Brasil e agora participará da seletiva nacional que acontecerá no ano que vem no Rio de Janeiro, por ter garantido a vaga para o País. Ele tem uma boa vantagem a frente dos outros postulantes para ir aos Jogos, dos outros 100 pontos que pode conquistar, ele já tem agora uma vantagem de 25. As regras gerais podem ser acessadas aqui.

C1 Masculino vai buscar a vaga continental

Com três vagas das quatro vagas já garantidas para Tóquio, agora o foco é garantir mais um barco nos Jogos Olímpicos em 2020 pelo C1 Masculino nas vagas destinadas para os continentes. Será uma única vaga que terá uma boa briga entre Brasil, Argentina e Estados Unidos, os favoritos na disputa, o Canadá garantiu no Mundial sua vaga. O evento de seletiva pan-americana está previsto entre os dias 03 a 05 de abril de 2020 no Parque Radical de Deodoro no Rio de Janeiro.

Equipe Brasileira na Europa

Ana Sátila
Felipe Borges
Kauã Silva
Pedro Gonçalves
Charles Corrêa
Guilherme Rodrigues
Fábio Rodrigues
Marina Souza
Omira Estácia
João Vitor Machado – Canoagem Descida

Equipe Técnica

André Luis Behs
Cassio Ramon Petry
Ricardo Taques
Mathieu Desnos
Denis Terezani


Fonte: Confederação de Canoagem