segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Os três filhotes de onça-pintada do Parque Nacional do Iguaçu que são esperança para a espécie




Um dos três filhotes de onça-pintada atravessa pista do Parque Nacional do Iguaçu; desde 1990, é a primeira vez que nasce uma ninhada de três filhotes no local (Foto: BBC/Thiago Reginato)


Por BBC

Desde o início dos esforços de conservação do felino no parque, em 1990, por meio do projeto hoje conhecido como Onças do Iguaçu, esta é a primeira vez que é registrado o nascimento de três filhotes. Número de onças-pintadas no parque dobrou entre 2009 e 2016.

A segunda-feira, dia 6 de agosto, foi um dia de agitação e alegria para os pesquisadores que trabalham no Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná. Nesse dia, a onça-pintada Atiaia (raio de luz, em tupi-guarani) foi avistada com três filhotes. O nascimento das oncinhas é uma esperança para a sobrevivência da espécie na Mata Atlântica, bioma em que está criticamente ameaçada de extinção.

"Numa população de 22 onças no Parque Nacional do Iguaçu, o nascimento de três filhotes é extremamente importante. Em toda a Mata Atlântica, existem apenas cerca de 300 desses felinos. Por isso, a região do parque é chave para conservação da espécie", afirma a bióloga Yara de Melo Barros, coordenadora executiva do Projeto Onças do Iguaçu, que protege a espécie no Parque Nacional do Iguaçu.

Na manhã de segunda-feira, Atiaia e seus filhotes, que têm cerca de dois meses, foram vistos em um trecho da pista asfaltada que cruza o parque. A mãe e duas oncinhas atravessaram a pista, enquanto o terceiro filhote voltou para a mata. No fim da tarde, o filhotinho que havia se separado da mãe foi resgatado pela equipe do projeto e reunido à família.

Foi a primeira vez que a prole foi vista pelos pesquisadores. Antes do encontro, pensava-se que Atiaia tinha dado à luz apenas um filhote.

Estão sendo feito esforços para evitar que os filhotes ou a mãe sejam atropelados na pista do Parque Nacional do Iguaçu - uma área turística. Para isso, o local está sendo sinalizado com placas que informam sobre os filhotes e com cones nos locais onde os animais são avistados com mais frequência. Além disso, os carros que circulam no parque recebem um GPS que monitora a velocidade.

As oncinhas são uma demonstração do sucesso do Projeto Onças do Iguaçu. Desde o início dos esforços de conservação do felino no parque, em 1990, esta é a primeira vez que é registrado o nascimento de três filhotes. O número de onças-pintadas no parque está crescendo - dobrou entre 2009 e 2016.

As principais ameaças à sobrevivência da onça-pintada são a perda de habitat, provocada por desmatamento, e a caça - seja ela esportiva ou para retaliar a morte de rebanhos. "Acuadas em (pequenos) fragmentos de floresta, que não têm populações adequadas de presas, as onças-pintadas podem acabar predando bezerros", diz Yara.

No entanto, segundo a bióloga, "estudos feitos no Pantanal, no sul da Amazônia e no oeste do Paraná indicam que, em média, apenas uma ou duas a cada 100 cabeças de gado são abatidas por onças-pintadas".


A mãe Atiaia atravessa pista na frente dos pesquisadores do Projeto Onças do Iguaçu (Foto: BBC/Thiago Reginato)


Objetivo é aumentar a população de onças-pintadas na região

Além do Parque Nacional do Iguaçu, as onças-pintadas se espalham mais para o sul, no chamado corredor verde. Trata-se uma área de 2 mil quilômetros quadrados que inclui áreas de conservação na Argentina, como o Parque do Iguazu, e o Parque Estadual do Turvo, no Rio Grande do Sul.

O número de onças nesse corredor passou de 50 para 90 entre 2009 e 2016. "Nosso objetivo agora é chegar a 250 indivíduos até 2030", diz Ronaldo Morato, coordenador do Centro Nacional de Pesquisas e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). "É uma meta baseada em análises de viabilidade populacional. Se atingirmos esse número, garantimos uma população viável por pelo menos mais 200 anos."


Fonte: G1 











domingo, 12 de agosto de 2018

CULTURA EM NITERÓI: Ações locais serão premiadas



O edital será lançado nesta segunda-feira, às 18:00, no Solar do Jambeiro.


Edital para seleção de 20 iniciativas será lançado nesta segunda-feira. Vencedores dividirão R$ 300 mil

A Prefeitura Municipal de Niterói, através da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação de Arte de Niterói (FAN), lança, nesta segunda-feira, às 18h, no Solar do Jambeiro, o Edital de Ações Locais, com premiação total no valor de R$ 300 mil. Serão oferecidos prêmios em reconhecimento a ações locais, desenvolvidas em Niterói que estimulem o exercício da cidadania e fomentem a diversidade cultural, gerando impacto em comunidades localizadas em regiões com altos índices de vulnerabilidade social.

Ao todo, serão contempladas 20 iniciativas, divididas em duas categorias: “Valorização da Matriz da Diversidade Cultural Brasileira” (10 ações locais) e “Promoção de uma Cultura de Direitos Humanos” (10 ações locais). Cada ação selecionada receberá um prêmio no valor de R$ 15 mil.

Candidatos - Podem participar coletivos culturais ou grupos sem constituição jurídica, representados por pessoa física maior de 18 anos, indicada pelos integrantes (candidato).
Durante o processo de inscrição, os coletivos culturais vão poder contar com o auxílio de articuladores locais, responsáveis pela capacitação dos proponentes de projetos. Informações pelo e-mail: acoeslocaisniteroi@gmail.com, pelo site www.culturaviva.com.br ou pelo telefone (21) 2719-9639 (ramal 227).

O que é - Compreende-se “Ação Local” como a realização continuada de projetos, práticas e atividades, nos campos da cultura, da arte, da comunicação e do conhecimento, que tenham gerado transformações socioculturais positivas nas comunidades e nos territórios em que são desenvolvidos, valorizando a matriz da diversidade cultural brasileira ou a promoção de uma cultura em direitos humanos.


Fonte: O Fluminense








PROJETO GRAEL: participantes de curso de capacitação para o mercado de trabalho fazem visitas culturais



Diante da grave crise financeira que o país atravessa e a alarmante taxa de desemprego, principalmente entre jovens, o Projeto Grael firmou uma parceria com as Lojas Americanas, SENAC e BNDES, para o desenvolvimento de um curso de "Operações de Varejo", visando promover a empregabilidade de 30 jovens participantes. O curso é uma iniciativa complementar ao Programa Profissionalizante já desenvolvido pelo Projeto Grael.

Na semana que passou, os alunos participaram de uma visita guiada ao Centro Cultural Correios e Biblioteca Parque de Niterói, como atividade do módulo de Formação Humanística.

Veja as fotos da visita, a seguir:







Fonte: Projeto Grael









Lars e Samuel são vice-campeões europeus da Classe Star





Lars Grael e Samuel Gonçalves, velejadores do Rio Yacht Club, de Niterói, conquistaram neste domingo o vice-campeonato europeu da Classe Star, em competição concluída hoje, na cidade de Flensburg, na Alemanha.

A disputa do título reuniu 71 tripulações, de 16 países e dentre os participantes, estavam 6 campeões mundiais.

O campeonato foi marcado por condições climáticas muito adversas, com tempestades e fenômenos climáticos que esvaziaram as águas do "fiorde" onde as competições ocorreram, fazendo com que os barcos encalhassem no cais do Flensburger Segel-Club (Iate Clube de Flensburg).

Na regata do dia 10 de agosto, por ocasião da quarta regata, a região foi assolada por ventos muito fortes, com mais de 39 nós (72,2 km/h) e dos 71 barcos participantes, somente 33 concluíram a regata, devido às muitas avarias, mastros quebrados e desistências.

O velejador Lars Grael, mesmo com a deficiência em função de um acidente sofrido em 1998, há exatos 20 anos atrás, quando perdeu a sua perna direita, está entre os melhores velejadores do mundo, tendo conquistado o campeonato mundial e diversos outros títulos, disputando de igual para igual com os melhores nomes da vela mundial. Seu proeiro, Samuel Gonçalves, é um velejador revelado pelo Projeto Grael.

Com toda a dificuldade imposta pelos fortes ventos, Lars Grael e Samuel Gonçalves ficaram em segundo lugar na regata, que foi vencida pelos irmãos irlandeses Peter O'Leary e Rob O'Leary.
Veja as dificuldades dos velejadores na quarta regata no vídeo abaixo:





Terminado o campeonato, o resultado final consagrou o americano Augie Diaz e o brasileiro Bruno Prada como os campeões europeus de 2008. Os niteroienses Lars Grael e Samuel Gonçalves ficaram com o vice-campeonato (empatados na pontuação geral com os campeões, mas perderam no critério de desempate) e os irlandeses Peter O'Leary e Rob O'Leary em terceiro. Veja o resultado final dos 10 primeiros colocados abaixo:


Para a súmula completa, acesse aqui.


Veja algumas fotos divulgadas pelos organizadores do campeonato:







Fotos da quarta regata, sob ventos muito fortes. Somente 33 barcos concluíram a regata e muitos barcos sofreram avarias.


Outro registro interessante foi o fenômeno meteorológico que reduziu o nível das águas de forma atípica, fazendo com que os barcos no cais do clube ficassem encalhados na lama do fundo do mar local. Veja as fotos:



Maré meteorológica fez o nível do mar abaixar de forma anormal e encalhou os barcos.

Outras fotos







Parabéns à dupla Lars e Samuel por mais esta belíssima performance e o resultado excelente em condições tão desfavoráveis para vocês. O nosso orgulho e admiração!

Axel Grael








sábado, 11 de agosto de 2018

Prefeitura de Niterói lança Atlas de Unidades de Conservação



O Atlas das Unidades de Conservação de Niterói. Foto: Duda Menegassi


Por Duda Menegassi

Ontem (09/08), a prefeitura de Niterói realizou o lançamento do Atlas de Unidades de Conservação do município. A publicação traz informações e fotos das 9 unidades de conservação existentes na cidade que, juntas, cobrem 33% do território niteroiense. O evento foi realizado no Parque da Cidade, dentro do Parque Natural Municipal de Niterói (RJ), uma das áreas protegidas que figura no livro, ao lado de outras como o Parque Estadual da Serra da Tiririca (RJ) e a Reserva Extrativista Marinha de Itaipu (RJ).

O principal objetivo do Atlas é produzir conhecimento e conscientizar a população sobre a importância de conservar essas áreas. A elaboração do livro foi feita a muitas mãos, como conta a subsecretaria de Meio Ambiente, Amanda Jevaux, que coordenou a publicação. Além das equipes das unidades de conservação e dos pesquisadores, a sociedade civil também colaborou com o Atlas. As fotos que ilustram as 100 páginas da publicação foram todas enviadas por pessoas que participaram do concurso fotográfico organizado pela prefeitura. “Nós recebemos mais de 700 fotos”, revelou Amanda.

O Atlas será distribuído em todas as escolas municipais e nas bibliotecas de Niterói, mas também está disponível para download no site da Secretaria, neste link. O investimento em educação ambiental tem sido feito também em outras frentes, como explica Amanda: “nós temos feito também trilhas interpretativas voltadas para conscientização ambiental que mostram a importância de preservar ecossistemas específicos como manguezais e restingas”.


O secretário executivo de Niterói, Axel Grael, fala durante o evento de lançamento do Atlas. Foto: Duda Menegassi


A cerimônia contou com a presença do Secretário Executivo de Niterói, Axel Grael. Em sua fala, ele comemorou o Atlas e reforçou a importância do investimento nas áreas protegidas. “O Atlas é um ato importante, mas mais importante ainda é o que ele representa que é esse esforço da prefeitura em reconhecer e valorizar suas unidades de conservação”, pontuou o secretário. Axel ressaltou ainda a posição pioneira do município, que possui a maior proporção de áreas verdes preservadas de toda região metropolitana do estado do Rio de Janeiro, com 56% do território protegido ambientalmente, somando as unidades de conservação com as áreas de preservação permanente, de acordo com o zoneamento ambiental da cidade.

Outras duas publicações organizadas pela Secretaria de Meio Ambiente estão em andamento: um Guia Botânico, com previsão de lançamento em março, e o Guia de Trilhas de Niterói, que incluirá também as áreas insulares e está previsto apenas para agosto de 2019.


Fonte: Wikiparques








Participando do programa "Pulando a Cerca", com Axel Grael", da UniTEVÊ, da UFF





Convidado: Axel Grael (Secretário Executivo de Niterói-RJ - Ambientalista - Velejador). Apresentação: Daniel Chutorianscy. Edição de 10/08/2018.

Fui entrevistado pelo Dr. Daniel Chutoriancy, psiquiatra, que trabalhou na Secretaria Municipal de Saúde de Niterói, atendendo pelo SUS.

Daniel se apresenta com entusiasmo "como a única pessoa no mundo que já teve um AVC a ter um programa na TV!". Daniel vem superando a doença e tornou-se um militante da causa, alerta para a necessidade de prevenção a esta doença que é uma das que mais causa mortes no país e milita na ajuda às vítimas deste mal.

Dr. Daniel conduz o programa de forma extrovertida e informal, basta ver o nome do programa: "Pulando a Cerca", e tem convidado pessoas interessantes da cidade para conversas bem humoradas sobre Niterói e outros temas.

O "Pulando a Cerca", também entrevistou os meus queridos tios Axel e Erik Schmidt, cujo registro sugiro assistir. Axel e Erik foram precursores do esporte brasileiro, membro de uma geração destacada, que incluiu os primeiros campeões do mundo no futebol (a primeira conquista da Copa do Mundo pela Seleção Brasileira, na Suécia, 1958), Maria Ester Bueno, Eder Jofre...

Axel e Erik foram tricampeões mundial da Classe Snipe, vencendo os campeonatos em Rye, Nova York (1961); Bandol, França (1963) e Ilhas Canárias (1965). Assista aqui a entrevista com eles no "Pulando a Cerca":




Vamos todos "pular a cerca", no sentido de sair "cada um do seu quadrado" e partir para um olhar altruísta, solidário para o outro e para as coisas coletivas. Agradeço ao Dr. Daniel por ter me dado esta oportunidade.

Axel Grael








Na volta às competições, Martine e Kahena ficam bem perto do pódio no Mundial



Martine Grael e Kahena Kunze - Crédito: Pedro Martínez/ Sailing Energy


MARTINE GRAEL E KAHENA KUNZE TERMINAM EM 4º LUGAR NO MUNDIAL DA DINAMARCA

Campeãs olímpicas já ficam perto do pódio na volta às competições. Samuel Albrecht e Gabriela Nicolino disputam medalha neste domingo na classe Nacra 17

Após um ano afastadas das competições juntas, Martine Grael e Kahena Kunze mostraram no Mundial de Classes Olímpicas que já estão bem próximas das principais concorrentes. As campeãs olímpicas da 49er FX encerraram neste sábado, dia 11, sua participação no principal campeonato de 2018 com um terceiro lugar na regata da medalha e a quarta colocação na classificação geral, com 102 pontos perdidos. O ouro foi para as holandesas Annemiek Bekkering e Annette Duetz (89 p.p.), a prata ficou com as austríacas Tanja Frank e Lorena Abicht (91 p.p.), e as britânicas Sophie Weguelin e Sophie Ainsworth (94 p.p.) levaram o bronze.

Neste domingo (12), Samuel Albrecht e Gabriela Nicolino entram na água na briga por uma medalha no Mundial. A dupla brasileira ocupa a quinta colocação na classificação da Nacra 17 e disputa a regata decisiva a partir de 10h25 de Brasília, com transmissão ao vivo em vídeo no canal do YouTube da World Sailing, no link abaixo:

https://youtu.be/oBuJpy2zxbU

Neste sábado, a regata da medalha da 49er FX resumiu à risca as condições climáticas imprevisíveis de Aarhus, desafiadoras mesmo para as melhores velejadoras do mundo. Na primeira metade, o vento mal dava velocidade aos barcos. Porém, na terceira perna, uma lufada entrou pelo lado direito da raia e pegou de surpresa as austríacas Frank e Abicht. O barco da dupla virou na água, elas perderam a liderança da prova e um ouro que parecia certo. Com o vento subitamente forte, Martine e Kahena cruzaram a linha de chegada em terceiro lugar e quarto no geral. Ao todo, a dupla brasileira soma quatro medalhas em Mundiais, sendo um ouro (2014) e três pratas (2013, 2015 e 2017).

A próxima parada para Martine e Kahena será no Japão. Em setembro, elas participarão do evento-teste para os Jogos de Tóquio 2020, em Enoshima. Será uma oportunidade para conhecer a raia olímpica.

O Mundial da Dinamarca é a primeira competição da vela classificatória para os países em Tóquio 2020. O Brasil já assegurou vaga olímpica na 49er FX, Laser e Nacra 17. As demais classes terão novas chances de carimbar passaporte para o Japão nos Campeonatos Mundiais de 2019 e nos eventos continentais de classificação. A definição de quais atletas vão representar o Brasil nos Jogos Olímpicos será feita ao longo dos próximos dois anos, de acordo com os critérios técnicos estabelecidos pela Confederação Brasileira de Vela, baseando-se nos resultados das principais competições nacionais e internacionais.

Resultados completos do Mundial: https://aarhus2018.sailing.org/results
Programação de regatas: https://www.aarhus2018.com/schedule-of-races/
Live Tracking: https://aarhus2018.sailing.org/tracking

Fonte: Tiago Campante/Media Guide/ CBVela

Mais informações: https://www.aarhus2018.com/









NITERÓI CONTRA QUEIMADAS: treinamento de voluntários tem aula noturna no Morro das Andorinhas




A Defesa Civil de Niterói formou mais uma turma de voluntários do módulo II. Niterói já conta com mais de 200 voluntários preparados para auxiliar a cidade, indicando focos de fogo em vegetação e combatendo à soltura de balões.




A atividade final da mais recente turma do Módulo II foi noturna, realizada no Morro das Andorinhas, e encerrou o curso gratuito que começou com as aulas teóricas realizadas nos sábados anteriores. O curso é oferecido para diversas comunidades de Niterói e faz parte do Programa Niterói Contra Queimadas. 

O objetivo do curso é que os voluntários formados estejam capacitados para atuar em apoio a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros, denunciando focos de incêndio e soltura de balões – uma questão muito nociva para o município em meses festivos, que também são caracterizados pelo clima seco e ausência de chuvas.




Quase todos os incêndios em vegetação têm origem humana, seja por ação criminosa ou acidental. Provocar incêndio em vegetação, assim como soltar balão, é crime, e os responsáveis estão sujeitos à multa.












sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Mudanças climáticas poderão extinguir 10% das espécies de anfíbios da Mata Atlântica






Peter Moon | Agência FAPESP – O aquecimento global poderá levar à extinção de até 10% das espécies de sapos, rãs e pererecas endêmicas da Mata Atlântica em cerca de 50 anos. Isso porque regimes de temperatura e chuva previstas para ocorrer entre 2050 e 2070 serão fatais para espécies com menor adaptação à variação climática, que habitam pontos específicos da Mata Atlântica.

Essa é uma das conclusões de um estudo que analisa a distribuição presente e futura de anfíbios (anuros, ou seja, sapos, rãs e pererecas) na Mata Atlântica e no Cerrado, à luz das mudanças climáticas em decorrência do contínuo aquecimento global.

O estudo foi publicado na revista Ecology and Evolution. O trabalho teve como autor principal o herpetólogo Tiago da Silveira Vasconcelos, da Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Bauru, e foi feito com apoio da FAPESP no âmbito do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais.

Colaboraram Bruno Tayar Marinho do Nascimento, também da Unesp, e Vitor Hugo Mendonça do Prado, da Universidade Estadual de Goiás.

"O objetivo maior da pesquisa foi fazer um levantamento de todas as espécies de anfíbios do Cerrado e da Mata Atlântica e caracterizar suas preferências climáticas nas diferentes áreas que habitam. Com os dados em mãos, buscamos fazer modelagens para poder projetar cenários de aumento ou de redução das áreas climáticas favoráveis às diferentes espécies, em função dos regimes climáticos estimados para 2050 e 2070”, disse Vasconcelos.

Conhecem-se atualmente 550 espécies de anfíbios na Mata Atlântica (80% delas, endêmicas) e 209 espécies no Cerrado. Vasconcelos trabalhou com os dados de distribuição espacial de 350 espécies da Mata Atlântica e 155 do Cerrado, aquelas encontradas em ao menos cinco ocorrências espaciais diferentes.

"Desse modo, foi possível identificar as áreas com maior riqueza de espécies de anfíbios, ou com composição de espécies únicas, tanto no Cerrado como na Mata Atlântica. Uma vez identificadas tais áreas, avaliamos a comunidade de anfíbios no cenário de clima atual e futuro, de modo a determinar quais são as áreas de clima favorável para cada uma das 505 espécies analisadas, e se haverá expansão ou redução dessas áreas em 2050 e 2070, em função do aquecimento global”, disse Vasconcelos.

Os dados de distribuição espacial das 350 espécies da Mata Atlântica e 155 do Cerrado foram aplicados em duas métricas de ecologia de comunidade. A primeira, denominada diversidade alfa, é a diversidade local, correspondente ao número de espécies em uma pequena área de hábitat homogêneo. A diversidade beta é a variação na composição de espécies entre diferentes hábitats e que revela a heterogeneidade da estrutura de toda a comunidade.

Vasconcelos conta que o passo seguinte foi usar os dados de clima para fazer a modelagem de nicho climático. Foram usados quatro algoritmos diferentes baseados nas características de clima favorável a cada espécie. Trata-se de algoritmos de modelo linear generalizado, de árvore de regressão, de floresta aleatória e de máquina de vetores de suporte.

Os algoritmos serviram para determinar, na Mata Atlântica e no Cerrado, quais são as áreas de climas semelhantes, gerando um mapa da distribuição das áreas atuais onde cada espécie pode sobreviver.

A seguir foi a vez de calibrar os mesmos algoritmos com os cenários de clima futuro, a partir das estimativas feitas disponíveis no portal WorldClim.

"Para cada cenário futuro, em 2050 e 2070, utilizamos dois cenários de emissão de gás carbônico na atmosfera, um cenário mais otimista, com menor aquecimento global, e outro pessimista e mais quente. Também usamos três modelos de circulação global atmosférica e oceânica", disse Vasconcelos. Os dados são do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

"Para cada uma das 505 espécies analisadas geramos 24 mapas de distribuição [quatro algoritmos x dois cenários de emissões de CO2 x 3 modelos de circulação global]. Ao todo, foram mais de 12 mil mapas”, disse.

A partir dos resultados dos 24 mapas de distribuição para cada espécie, foi gerado um mapa consensual e, então, uma matriz de presença e ausência de espécies, determinando a ocorrência prevista de cada espécie em 2050 e 2070.

"O primeiro impacto esperado da mudança climática nos anfíbios da Mata Atlântica e Cerrado é a extinção de 42 espécies por meio da perda completa de suas áreas climaticamente favoráveis entre 2050 e 2070", disse Vasconcelos.

Os dados apontam para a extinção de 37 espécies na Mata Atlântica (ou 10,6% do total) e cinco no Cerrado. Das 42 espécies, apenas cinco são atualmente consideradas como em risco de extinção pelo Ministério do Meio Ambiente.

Homogeneização de anfíbios no Cerrado

A maior riqueza de anfíbios da Mata Atlântica ocorre atualmente na porção sudeste, nos estados do Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo. Já as regiões interioranas da Mata Atlântica são as áreas com menor riqueza de anfíbios.

Embora os resultados do estudo apontem para a perda de espécies em toda a Mata Atlântica, mesmo as taxas mais altas de perdas no sudeste do bioma não deverão alterar o fato de que esta região específica permanecerá como a mais rica em anfíbios.

Por outro lado, no Cerrado haverá perda generalizada, mas também ganho de biodiversidade em determinadas regiões.

"Os resultados da pesquisa indicam uma expansão das áreas climaticamente favoráveis aos anfíbios, dado que em função do aumento das temperaturas se espera uma expansão das áreas de Cerrado nas direções norte e nordeste, ocupando espaços que hoje são de floresta amazônica. A savanização de porções da floresta amazônica abrirá novas áreas para ocupação dos anfíbios do Cerrado”, disse.

Especificamente, a mudança climática não deverá alterar a área de maior riqueza de anfíbios do Cerrado, que fica na margem sul deste bioma, mas uma considerável perda de espécies é esperada no oeste e sudoeste, que faz contato com as terras baixas do Pantanal Mato-Grossense. Por outro lado, poderá haver ganho de espécies em Tocantins, no norte de Minas Gerais e no oeste da Bahia.

"Os cenários futuros de mudança climática sugerem que poderá haver uma homogeneização da fauna de anfíbios ao longo da extensão do Cerrado. Ou seja, aquelas espécies mais generalistas, adaptadas a diferentes hábitats e que suportam uma variação maior de temperatura e umidade, têm a previsão de expandir suas áreas de ocupação", disse Vasconcelos.

O artigo Expected impacts of climate change threaten the anuran diversity in the Brazilian hotspots, de Tiago S. Vasconcelos, Bruno T. M. do Nascimento e Vitor H. M. Prado (doi: 10.1002/ece3.4357), está publicado em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1002/ece3.4357?campaign=wolear

Fonte: Agência FAPESP