domingo, 21 de janeiro de 2018

Martine Grael consegue primeiro pódio na Volvo Ocean Race



Martine Grael. Pedro Martinez/Volvo Ocean Race


Team AkzoNobel ficou com a terceira colocação da quarta etapa da Volvo Ocean Race, disputada entre Melbourne e Hong Kong. Resultado animou a campeão olímpica da Rio 2016

O barco team AkzoNobel, que tem como uma das tripulantes a brasileira Martine Grael, ficou com a terceira colocação da quarta etapa da Volvo Ocean Race 2017-18. A equipe da campeã olímpica na Rio 2016 completou o percurso de quase 6 mil milhas náuticas entre Melbourne (Austrália) e Hong Kong na noite desta sexta-feira (19) no Brasil, já manhã na Ásia, local da chegada.

O time fez o trajeto em 17 dias, 21 horas e 6 minutos. A etapa foi vencida pelo Team Sun Hung Kai / Scallywag, que fechou a quarta perna da Volvo Ocean Race em 17 dias, 4 horas e 30 minutos. Em segundo ficou o Dongfeng Race Team, que fez em 17 dias, 17 horas e 18 minutos.

''Foi uma das pernas mais divertidas. No começo a gente teve muita disputa, com os barcos sempre no visual até passar da Linha do Equador. O tempo inteiro, de dia, de noite, com binóculo. Foi super competitiva e isso divertiu bastante'', contou a brasileira Martine Grael. ''Depois de uma terceira perna muito dura com uma quebra, foi muito bom chegar em Hong Kong com o pódio''.

O team AkzoNobel se recuperou na competição após resultados ruins nas duas etapas anteriores. Com o pódio inédito nesta edição, o barco da brasileira Martine Grael soma 14 pontos no geral.

''A gente estava super esperando conseguir esse pódio que era importante. Uma pena o que ocorreu com o Vestas antes da linha de chegada'', disse Martine Grael.

Como citado pela brasileira, o Vestas 11th Hour Racing deveria ser o terceiro colocado ou até mesmo o segundo, mas uma colisão com um barco na chegada a Hong Kong impediu a continuação na etapa quatro. O barco norte-americano/dinamarquês abandonou a perna ao ligar o motor. Mais barcos devem concluir a quarta etapa ainda neste sábado (20).

A próxima etapa será de transição, uma novidade na regata, entre Hong Kong e Guangzhou, marcada para 1º de fevereiro. Os veleiros vão percorrer apenas 100 milhas náuticas e ficam na cidade chinesa para a disputa de uma In-Port Race. Depois voltam a Hong Kong.

O MAPFRE, que foi o quarto colocado, lidera a competição da Volvo Ocean Race, mas a vantagem para os chineses do Dongfeng Race Team diminuiu.

Fonte: Volvo Ocean Race







sábado, 20 de janeiro de 2018

PARQUES: Sobre a origem do termo “unidade de conservação”



Serrinha do Alambari



Consultor e professor emérito da Universidade Nacional Agrária de Lima, Peru. Foi chefe da Divisão Ambiental do Banco Interamericano de Desenvolvimento e fundador da ProNaturaleza.


De onde vem a denominação "unidade de conservação" para se referir a uma área protegida? Muitos já devem ter percebido que o Brasil é o único país - salvo erro ou omissão - que denomina genericamente as suas áreas protegidas como "unidades de conservação" e que tem uma lei que consagra esta denominação e institui um "Sistema Nacional de Unidades de Conservação". Em todos os demais países, inclusive os vizinhos da América do Sul, os espaços dedicados a conservar amostras da natureza se denominam simplesmente de "áreas protegidas" ou, dentre outros nomes, "áreas naturais protegidas", "parques nacionais e reservas equivalentes", "áreas silvestres". Mas, a denominação largamente dominante no mundo é "áreas protegidas".

O nome mais clássico para as áreas que se protegem da atividade econômica humana para conservar amostras duradouras dos ecossistemas originais é o de parque nacional, que foi dado à região de Yellowstone em 1872, quando foi decidido que ela seria preservada. Durante muito tempo as áreas dedicadas a este fim foram todas denominadas "parques". Mas, logo ficou óbvio que nem todas eram iguais e, por isso, outras denominações começaram a ser usadas para caracterizá-las. Ou seja, pouco a pouco o nome "parque nacional" foi perdendo sua hegemonia. Quando criada em 1960, a atual Comissão Mundial de Áreas Protegidas da União Internacional para a Conservação da Natureza denominou-se "Comissão Mundial de Parques Nacionais" que logo se transformou em "Comissão Mundial de Parques Nacionais e Áreas Protegidas" antes de retirar "parques nacionais" do seu nome. De fato, é mais fácil falar simplesmente de áreas protegidas, englobando todas as múltiplas categorias atuais.

O Código Florestal brasileiro de 1934 fala de parques nacionais e é ratificado por um decreto legislativo de 1948 que adotou a Convenção de Washington de 1940, a qual trata dos parques nacionais e reservas equivalentes. No Serviço Florestal existia uma Seção de Parques e Florestas Nacionais. O Código Florestal de 1965 também se refere às áreas a proteger como parques (nacionais, estaduais e municipais) e reconhece assim mesmo as reservas biológicas e florestas nacionais, estaduais e municipais. Em 1967, cria-se se cria o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) com um Departamento de Pesquisas e Conservação da Natureza a cargo dos parques e reservas. Em 1979 saiu o Regulamento dos Parques Nacionais Brasileiros sem menção ao termo "unidade de conservação". Nos anos 70 e 80, o Brasil viveu um intenso processo de reformas sobre assuntos de meio ambiente e se criou numerosas áreas protegidas. Porém o termo "unidade de conservação" continuou a não ser mencionado nas normas legais. A primeira norma que o menciona seria o Decreto N0 78 de 05 de abril de 1991 que cria (Art. 22) o Conselho Nacional de Unidades de Conservação que substituiu o Conselho de Valorização de Parques. Nos anos 1990 o termo aparece com maior frequência. Parece que é só a Lei N0 9.985 de 18 de julho de 2000 que cria o Sistema Nacional de Unidades de Conservação - que na prática existia dede 1979 - que essa denominação é definida (art. 2o, inc. I) e formalmente sancionada.

Contudo, o termo e o conceito de "unidade de conservação" vinham sendo usados pelos profissionais desde meados dos anos 1970. Ele aparece numa publicação técnica oficial pela primeira vez em 1976. Logo vai se tornando de uso comum entre os especialistas. Numa publicação de 1978, Maria Tereza Jorge Pádua discute os objetivos de manejo das "categorias de unidades de conservação". A primeira versão do Plano do Sistema de Unidades de Conservação do Brasil foi publicada em 1979 e a sua segunda etapa foi publicada em 1982. O plano de 1979 foi aprovado pelo Presidente da República, mas, sem um documento legal específico.

Enigma

"Consultas feitas a colegas da época não levantaram nenhuma explicação sobre o assunto (...) Mas, de fato, o mistério continua."

Consultada sobre a origem do termo, Maria Tereza Jorge Pádua, que trabalhou no IBDF desde a sua criação e que nos anos 1970 e até 1982 era diretora do Departamento de Pesquisas e Conservação da Natureza, acredita que seu uso foi consequência do fato de o Código Florestal de 1965 ter estabelecido as áreas de preservação permanentes (APPs). Estas, na linguagem do dia a dia eram chamadas de áreas protegidas. Por isso, segundo ela, usar o nome "áreas protegidas" também para parques, reservas e outras áreas semelhantes poderia gerar confusão. Isto pode explicar o uso do termo "unidade de conservação", mas não a sua origem.

O Peru foi outro país que, por cerca de 20 anos, utilizou "unidades de conservação" para descrever a seus parques nacionais e outras áreas protegidas. Até o final dos anos 1960 toda referência à preservação de espaços naturais se referia a "parques nacionais e reservas equivalentes". Mas, o termo "unidade de conservação" apareceu na literatura especializada desse país no começo dos anos 1970. Sua consagração veio com a Lei Florestal de 1975, que tinha um capítulo sobre as unidades de conservação indicando que estas podem ser parques, reservas ou santuários nacionais e santuários históricos. Essa lei não definiu diretamente o que é uma "unidade de conservação" embora nela se subintenda o que significa. A partir de então, o termo foi extensamente utilizado e reiterado no regimento da lei e refletido na estrutura da Direção Geral Florestal do Peru. Em 1977, já existia formalmente um Sistema Nacional de Unidades de Conservação. O termo foi amplamente utilizado nos anos 1980 e começou a cair em desuso nos anos 1990 sendo gradativamente substituído por o de "áreas naturais protegidas". A extinção do nome "unidade de conservação" no Peru foi sancionada pela Lei N0 26834 de 1997, Lei de Áreas Naturais Protegidas, que está vigente. Na atualidade só alguns nostálgicos ainda o usam.

O autor desta nota é peruano e, como a sua colega Maria Tereza, esteve na origem da criação das áreas protegidas de seu país nos anos 1960, 1970 e 1980, tampouco se lembra de onde veio o termo "unidade de conservação". Consultas feitas a colegas da época não levantaram nenhuma explicação sobre o assunto. É possível que naqueles tempos outros países também o usassem. Mas, de fato, o mistério continua.

O certo é que usar "unidades de conservação" para se referir às áreas protegidas não tem nada de errado. Ao contrário, é original. De fato, esta nota só tem por finalidade ressaltar o fato que é curioso se procurar uma explicação para essa terminologia distinta. De outra parte, seu uso "sem tradução" pode confundir e, de fato, por isso a literatura brasileira sobre o tema usa a cada ano com mais frequência o termo "área protegida", que é conhecido universalmente.

Fonte: O ((Eco))









Amazônia peruana ganha parque nacional de 868 mil hectares



O Parque Nacional de Yaguas é o lar de 3 mil espécies de plantas. Foto: Álvaro del Campo/Mongabay.

Por Sabrina Rodrigues
O Peru protegerá 868.927 hectares de floresta através da criação do Parque Nacional Yaguas. Os documentos que oficializam a decisão já foram assinados pela ministra do Meio Ambiente, Elsa Galarza Contreras, e do Presidente do país, Pedro Pablo Kuczynski Godard.

Localizado em Loreto, no norte do Peru, a área protegida tem o triplo do tamanho do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO), que possui 240 mil hectares. A nova área protegida é o lar de 3 mil espécies de plantas, 500 espécies de aves e 160 espécies de mamíferos. É possível encontrar na área peixes-boi, botos, lontras gigantes e macacos.

O governo peruano espera transformar a unidade em trunfo para a venda futura de carbono no mercado internacional, já que a área é densamente preservada e possui centenas de árvores.

A decisão representa uma vitória para as comunidades que vivem no entorno de Yaguas e que há 30 anos lutam pela criação da área protegida, já que o local é considerado sagrado por eles. A ministra Elza Galarza enfatizou que o uso dos recursos pelas famílias indígenas serão respeitados e não serão afetados pela criação do parque nacional.

Imagem: Mongabay.

Fonte: O ((Eco))



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Parque Nacional de Cutervo, Perú.


Brasil e Peru: Comparando legislações sobre áreas protegidas
Por Marc Dourojeanni
Publicado em 24 novembro 2014

O Brasil tem quase 3.000 quilômetros de fronteira com o Peru. Estes países compartilham grande parte da mesma diversidade biológica, têm áreas protegidas fronteiriças e vários projetos de corredores ecológicos que cruzam os limites internacionais. Por isso é importante conhecer como conservam suas áreas protegidas e, em especial, algumas das caraterísticas da sua legislação que até podem ser replicáveis. Neste artigo se compara, em termos gerais, a legislação sobre áreas protegidas desses dois países.

O primeiro parque nacional do Brasil foi Itatiaia (1937). O primeiro do Peru foi Cutervo (1961). Apenas para fins comparativos, em 1990 no Brasil já existiam 162 áreas protegidas (20,5 milhões de hectares) enquanto que no Peru havia 24 (5,5 milhões de hectares). Hoje, no Brasil existem mais de 600 áreas protegidas (federais e estaduais) que cobrem cerca de 150 milhões de hectares, e no Peru há 166, com quase 20 milhões de hectares. Levando em conta o tamanho dos países, a situação é similar já que o Brasil protege 17% do seu território e o Peru mais de 15%. Em ambos os países existem áreas protegidas enormes. No Peru destacam-se Alto Purus, Pacaya-Samiria, Manu, Cordillera Azul e Bahuaja-Sonene, com entre 1 e 2,5 milhões de hectares cada. A principal diferença entre os dois países é que no Peru 59% da extensão protegida estão submetidos ao regime de proteção integral enquanto no Brasil mais de 63% é de uso sustentável.

Em ambos os países os primeiros textos legais completos sobre áreas protegidas foram incorporados como capítulos da legislação florestal (na de 1960, no Peru, e na de 1965 no Brasil) e foram inspirados na "Convenção da OEA (Organização dos Estados Americanos) para a Proteção da Flora, da Fauna e das Belezas Cênicas dos Países da América", firmada em Washington em 1940. Em 1997, no Peru, e em 2000, no Brasil, foram promulgadas as primeiras leis específicas desses países para as áreas protegidas. A gestão das áreas protegidas nos dois países foi responsabilidade do setor florestal durante uns 50 anos, até a sua transferência ao setor ambiental. Hoje, as áreas protegidas do Brasil dependem do ICMBio e as do Peru do SERNANP (Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas). Em ambos os países, aspectos importantes que concernem às áreas protegidas dependem da legislação florestal e da ambiental. Como se observa, a evolução da legislação e da gestão das áreas protegidas tem sido semelhante no Peru e no Brasil.

"Os dois países tem doze categorias de áreas protegidas, mas suas descrições apresentam diferenças importantes. O Peru só tem três categorias de uso indireto (parques, santuários nacionais e santuários históricos, como Machu Picchu), enquanto o Brasil tem cinco."


Semelhanças nas formas de proteger

A comparação das leis de áreas protegidas também chama atenção para as semelhanças. Ambas definem o sistema nacional de áreas protegidas (SNUC no Brasil, SINANPE no Peru), reconhecem dois tipos de categorias (de uso indireto ou preservação permanente e de uso direto ou uso sustentável), ambas têm o mesmo tipo de zoneamento interno, zonas de amortecimento, conselhos consultivos e de gestão, planos de manejo, reservas particulares, etc. Os dois países tem doze categorias de áreas protegidas, mas suas descrições apresentam diferenças importantes. O Peru só tem três categorias de uso indireto (parques, santuários nacionais e santuários históricos, como Machu Picchu), enquanto o Brasil tem cinco. No Peru, não há reservas biológicas nem estações ecológicas, pois lá se considera que as funções dessas categorias podem ser cumpridas nos Parques Nacionais, com dependência apenas do zoneamento que se adote.

Há diferenças maiores nas categorias de uso direto. No Peru nem existe o conceito de Área de Proteção Ambiental (APA) que no Brasil ocupa uma enorme extensão do território protegido. Lá, o que mais se parece a uma APA são as Reservas Paisagísticas (só existem duas), cuja função é evitar alterações da paisagem original. No Peru, quando existiam, as florestas nacionais não eram consideradas áreas protegidas. Duas categorias peruanas têm alguma semelhança com as reservas de desenvolvimento sustentável: as reservas nacionais e as reservas comunais. As primeiras podem ser estabelecidas sobre terras de comunidades camponesas ou indígenas, caso aceito por elas, ou sobre terras públicas que em parte pequena têm assentamentos tradicionais. As reservas comunais se estabelecem sobre terras públicas anexas a comunidades indígenas e/ou sobre os seus territórios tradicionais. Nestas, a gestão é compartilhada com os indígenas, mas não se pode desmatar.

Uma categoria peruana inexistente no Brasil é a das reservas de caça (cotos de caza), onde a caça é permitida só com base em um manejo da fauna estrito. Ao contrário, os refúgios de vida silvestre brasileiros são praticamente idênticos aos peruanos. Tampouco existe no Brasil a categoria conhecida como Floresta de Proteção, que tem por finalidade preservar bacias hidrográficas de importância especial. No Brasil esta categoria está na prática suprida pela legislação sobre Áreas de Preservação Permanente (APPs) e, diga-se de passagem, essa é uma medida que o Peru deveria adotar evitando estabelecer áreas protegidas específicas o que implica um custo elevado. Ambas as legislações outorgam um tratamento similar às Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPNs).

Em termos gerais, a legislação brasileira - não unicamente a de áreas protegidas - oferece mais vantagens para as áreas protegidas do que a peruana. As áreas de preservação permanente se somam as reservas legais. Na medida em que se consolidem, isso facilitará muito a conectividade entre áreas protegidas. O artigo 36 da lei do SNUC é valioso: obriga como compensação ambiental até 0,5% do valor de empreendimentos impactantes, que devem ser destinados a áreas protegidas de proteção integral, embora na prática este dispositivo esteja sendo aos poucos deturpado. A existência, em vários estados, do ICMS ecológico é uma excelente oportunidade para que a população e as autoridades locais aceitem com maior simpatia as áreas protegidas. Disposições da nova legislação florestal como o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o caráter transferível e negociável das cotas de reserva legal podem contribuir a consolidar áreas protegidas e facilitar a sua interconexão. Isso também existe na legislação peruana, mas sua implementação é improvável. Outra vantagem importante do Brasil sobre o Peru é a existência de corpos de brigadas de bombeiros florestais bem treinados e relativamente bem equipados, que atuam na defesa das áreas protegidas. No Peru sequer existe um corpo de bombeiros militares, e todo esse serviço fica a cargo de voluntários que só atuam nas zonas urbanas.

A legislação florestal peruana oferece, em compensação, duas opções interessantes chamadas de Concessões de Conservação e Concessões de Ecoturismo. As primeiras não têm limites de extensão e se outorgam sobre terras públicas por 40 anos renováveis para serem manejadas como áreas protegidas por instituições que demonstrem ter os recursos e a capacidade técnica para fazê-lo. As Concessões de Ecoturismo, com dimensões menores - até 10.000 hectares por 40 anos renováveis - são outorgadas a empresas ou outros interessados em desenvolver projetos de ecoturismo e que demonstrem ter capacidade técnica e econômica. Este tipo de concessão permite ampliar a ação de conservação do governo e de criar corredores entre áreas protegidas. Outra ferramenta interessante no Peru é o Profonanpe, um fundo para financiar as áreas protegidas que começou com US$5,2 milhões em 1995 e que hoje dispõe de US$134,4 milhões, e que funciona como complemento ao orçamento público anual.

Em conclusão, o tratamento legal para as áreas protegidas no Brasil e no Peru é muito semelhante e, se for bem aplicado, oferece boas oportunidades para que esses países possam efetivamente garantir a manutenção de amostras viáveis dos seus biomas, ecossistemas e da sua diversidade biológica. A realidade legal e administrativa de ambos os países, apesar de algumas diferenças, permite que juntem esforços para construir um futuro melhor para todos.


Fonte: O ((Eco))











sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Na Amazônia, floresta paga o preço pela crise vivida pelo país



Estrada e desmatamento próximo ao Rio Madeira, Rondônia. Foto de Axel Grael. (Fonte)

Imagem da NASA mostra desmatamento ao longo de estradas na Amazônia brasileira.



Abílio Ikeziri viu a fumaça que subia da cidade amazônica de Humaitá (AM) antes de dar-se conta da multidão furiosa. Garimpeiros ilegais estavam queimando o escritório local do Ibama em retaliação à destruição dos botes que usavam para dragar os rios da região em busca de ouro.

Ikeziri, funcionário do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), órgão responsável pelos parques nacionais no país, achou que seu escritório poderia ser o próximo a arder em chamas e deu a ordem para que fosse evacuado no momento em que o bando apontava na esquina. “Um homem começou a bater em nosso carro, então puxei minha arma”, diz Ikeziri. O atacante recuou, e Ikeziri conseguiu escapar em segurança, mas não antes de os garimpeiros incendiarem também seu escritório.

O ataque ocorreu em outubro. Semanas depois os danos ainda estão claramente visíveis. As instalações do Ibama e do ICMBio são apenas estruturas escurecidas pelo fogo. Os veículos, não passam de destroços carbonizados.

Cercada por reservas florestais e próxima à ligação entre duas rodovias, Humaitá é um portão de entrada para o Amazonas. Até agora, o chamado “arco do desmatamento”, uma frente que se estende pelo limite sul da Amazônia, do litoral até a Bolívia, e corta o maior país pela metade, poupou boa parte do Estado.

Agora, no entanto, em razão das incertezas políticas depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, e com o Brasil diante de suas eleições mais imprevisíveis em décadas, a floresta amazônica se torna mais vulnerável.


"...com o Brasil diante de suas eleições mais imprevisíveis em décadas, a floresta amazônica se torna mais vulnerável".


Até 95% do desmatamento na região é ilegal, impulsionado por garimpeiros, pecuaristas e pequenas propriedades rurais irregulares, bem como pelas novas áreas de incursão abertas por projetos de infraestrutura como estradas e represas. Cerca de 80% das áreas desmatadas tornam-se pastos, de acordo com as autoridades ambientais. Embora o desmatamento no Brasil continue muito menor que no pico registrado em 2004, quando uma área maior do que a Macedônia foi dizimada, a área atingida vem aumentando de 2012 para cá.

“O arco do desmatamento é uma zona de guerra. Piorou nos últimos dez anos e vai continuar piorando”, diz Áquilas Mascarenhas, fiscal do ICMBio e chefe da Floresta Nacional de Jamari, em Rondônia.

Críticos sustentam que as incertezas fortaleceram elementos conservadores no Congresso, em particular os ruralistas – políticos que representam os interesses dos produtores rurais em tempos nos quais o desejo insaciável da China por comida torna o Brasil uma potência agrícola cada vez mais forte. Isso quer dizer que a eleição geral de outubro não é importante apenas para o futuro do Brasil, mas também para o da maior floresta tropical do mundo, um dos principais baluartes contra as mudanças climáticas na Terra, de acordo com os ativistas. O mundo vai observar de perto a eleição, particularmente depois que 2017 entrou para a história do clima como o segundo ano mais quente já registrado, quando partes do gelo ártico diminuíram para suas menores áreas históricas, furacões rasgaram o Caribe e incêndios assolaram a Califórnia.





“Os atores [ilegais] na Amazônia praticamente conseguem sentir a fragilidade e aproveitam ao máximo esses momentos, o que resulta em surtos repentinos de desflorestamento”, diz Saulo Rodrigues Filho, da Universidade de Brasília (UnB), autor de um estudo no qual concluiu que incertezas políticas tendem a aumentar o desmatamento. Os anos de 2018 e 2019 vão ser anos perigosos para a Amazônia, diz.

Até 2012, o Brasil parecia encaminhado a cumprir tanto seu compromisso internacional contra as mudanças climáticas, de acabar com o desmatamento ilegal até 2030, quanto sua meta nacional, de reduzir o desmatamento a menos de 3,9 mil quilômetros quadrados por ano até 2020.

Entre 2004 e 2012, graças a árduos esforços de fiscalização, o país diminuiu o índice de desmatamento em 83%, para 4,571 mil quilômetros quadrados, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Depois de 2012, o corte da floresta voltou a subir e chegou a 7,9 mil quilômetros quadrados entre agosto de 2015 e julho de 2016. Em 2017, caiu 16%, sob influência da recessão econômica e de uma ofensiva do Ibama, mas ainda continua alto em relação a 2012.

“Não há motivo para crer que em três anos o Brasil vai conseguir reduzir o desflorestamento de algo entre mais de 6 mil e 8 mil quilômetros quadrados para 3,9 mil quilômetros quadrados”, diz o cientista especializado em clima Carlos Nobre. “O desafio vai ser ainda maior para 2030, a menos que haja uma clara mudança na política ambiental, e isso só vai ficar claro quando soubermos quem vai ser eleito em 2018.”

As primeiras pesquisas mostram que os dois candidatos na liderança são o político de ultradireita Jair Bolsonaro e o ex-presidente esquerdista Luiz Inácio Lula da Silva, que pode pegar quase dez anos de prisão, caso a Justiça recuse a apelação de sua defesa contra uma condenação por corrupção. Analistas esperam que outros candidatos se destaquem. Seja quem for o vencedor, provavelmente vai se deparar com um Congresso fragmentado, no qual frentes conservadoras exercem influência desproporcional, especialmente diante do declínio relativo do Partido dos Trabalhadores, de Lula.

Entre essas forças estão a bancada ruralista, composta por 228 parlamentares, que domina 44% da Câmara e mais de 25% do Senado. Combinadas, as duas outras bancadas conservadoras multipartidárias (a chamada bancada da bala, favorável a um maior rigor na segurança pública, de 299 parlamentares, e a evangélica, de 199), com as quais forma o bloco conhecido como “boi, bala e bíblia”, tem uma força admirável no Congresso.

“A frente [rural] é poderosa”, diz Confúcio Aires Moura, governador de Rondônia, que já foi parlamentar da bancada ruralista. “Argumentar com a frente parlamentar agrícola é perder tempo.”

No Congresso, o setor rural tem influência bem além de seu peso em uma sociedade que é 86% urbana. O motivo é simples. A agricultura é a estrela da economia brasileira. O agronegócio, que nos anos 70 era importador líquido de grãos, hoje contribui para 42% das exportações, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

No terceiro trimestre de 2017, o agronegócio teve expansão de 9,1% em comparação ao mesmo período do ano anterior, o que ajudou o Brasil a se recuperar de sua pior recessão na história. Atualmente, o país é o maior produtor de açúcar, suco de laranja, frango e café, além de estar entre os primeiros em soja e carne bovina, entre outras commodities.

“O Brasil tem potencial para ser a China da agricultura”, diz Luis Antonio Franciscatto Covatti, deputado ruralista pelo Rio Grande do Sul, em uma analogia com o domínio chinês na área industrial.


"Núcleo conservador formado pelas bancadas ruralista, evangélica e da bala domina o Congresso"

A ascensão dos ruralistas não passou despercebida pelo presidente Michel Temer. Acusado de corrupção em maio de 2017, Temer sobreviveu, em parte com a ajuda dos ruralistas, a duas votações no Congresso para decidir se deveria ir a julgamento. Críticos dizem que, em troca, ele aprovou ou tentou aprovar uma série de leis nos últimos 18 meses que, segundo ativistas, favorecem agricultores e mineradores – e que levam ao desmatamento.

Uma das mais controversas é a MP 759, que permite a ocupantes irregulares de terras do governo obter títulos de propriedade com desconto. Promotores a apelidaram de “lei da grilagem” e dizem que vai encorajar mais invasões de terras públicas na Amazônia. O governo sustenta que a lei ajuda a defender trabalhadores sem-terra de poucos recursos.

Temer também tentou reduzir a dimensão das áreas de proteção e facilitar o processo de concessão de licenças ambientais, além de propostas para enfraquecer o direito dos índios e abrir territórios indígenas para a mineração e o agronegócio, segundo o Zero Deforestation Working Group, que inclui entidades como o World Wide Fund for Nature, o Greenpeace e a Nature Conservancy. O Brasil tem 10 milhões de hectares de terra abandonada que poderiam ser usados para produção agrícola, sem necessidade de mais desmatamento, segundo o grupo.

“Estamos sofrendo muita pressão dos ruralistas”, diz uma alta autoridade do Ministério do Meio Ambiente. “Estamos vivendo uma ditadura parlamentar.”

Temer não consegui tudo o que queria. Diante da mobilização generalizada da população e grupos conservacionistas, ele se viu obrigado a recuar na tentativa de alterar os limites da reserva florestal de Jamanxim (PA).

Em sua defesa, o governo destaca a queda no desmatamento em 2017. Funcionários do Ibama e do Ministério do Meio Ambiente reconhecem os esforços do ministro, José Sarney Filho, para trabalhar nos bastidores contra as medidas defendidas p elo Congresso. “A melhor forma para podermos alcançar nossos objetivos é conseguir conscientizar as pessoas de que a floresta vale mais em pé do que derrubada”, diz Sarney Filho.

Os ruralistas, por sua vez, dizem ser contra o desmatamento ilegal e que os críticos são ambientalistas de sofá. “Muitas pessoas se dizem ambientalistas, mas moram em apartamentos, com televisores e internet”, diz Nilson Leitão, líder da bancada, que quer abrir as reservas indígenas à agricultura e mineração. Quem preserva as nascentes de rios, a floresta […] é o produtor”, acrescenta.

De volta à Amazônia, a luta contra os crimes ambientais continua. Iram Mendes, do ICMBio, salta do carro, com a arma em mãos, acompanhado de cinco policiais de operações especiais de elite, equipados com armas automáticas.
“Estamos vivendo uma ditadura parlamentar”, afirma um funcionário do Ministério do Meio Ambiente"

O alvo é uma mina de cassiterita suspeita de ser ilegal no limite da Floresta Nacional do Jamari, em Rondônia. A mina, de aspecto provisório, com lonas esticadas, criou um imenso lamaçal e devastou um córrego perto do parque. O supervisor da mina mostra a Mendes uma licença ambiental, mas uma leitura de GPS indica que a mina deveria estar a 2 quilômetros dali. “Envie-me toda a documentação”, diz Mendes ao supervisor, ameaçando abrir uma investigação.

Apesar da demonstração de força, agentes de preservação na linha de frente como Mendes têm uma postura pessimista e reclamam da falta de recursos. Em Rondônia e nos Estados próximos, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) conta apenas com apenas 30 fiscais para cobrir 4 milhões de hectares de parques. Um estudo sobre o Ibama feito pela Controladoria-Geral da União mostrou que entre 2010 e 2016, o número de agentes de campo do órgão caiu 26%, para 965.

Os criminosos, por outro lado, são altamente organizados, bem armados e motivados, especialmente os lenhadores ilegais.

“Temos vários políticos que são financiados pelo setor madeireiro, isso é um fato”, diz Daniel Azevedo Lôbo, procurador público, em Rondônia. Ele diz que o Brasil precisa de uma Lava-Jato do ambiente, referindo-se à investigação da corrupção política que sacudiu o país nos últimos quatro anos.

Promotores e autoridades também reclamam que mesmo quando as agências federais fiscalizam, os governos locais e estaduais frequentemente intervêm para ajudar os criminosos.

Depois do incidente em Humaitá, o governo do Amazonas concedeu licenças de operação a alguns dos garimpeiros envolvidos, em uma tentativa de legalizar suas atividades, sob o argumento de que a cidade depende da mineração. Promotores federais estão indiciando os garimpeiros e conseguiram uma medida judicial contra a concessão dessas licenças.

Pesquisas de opinião pública indicam que a maioria dos brasileiros apoia os esforços de conservação. A maior parte dos agentes na linha de frente, entretanto, diz que se a eleição não colocar em cena políticos dispostos a assumir uma linha mais dura contra o desmatamento, o futuro vai ser sombrio no longo prazo.

“Enquanto houver floresta, as pessoas não vão parar de derrubá-la”, diz Auro Neubauer, chefe da divisão técnica do Ibama, que estava no escritório em Humaitá, quando o prédio foi incendiado. Ele escapou com um guarda de segurança, que disparou tiros para o ar. “Hoje, a política [de conservação] é como tentar secar gelo com uma toalha. Estamos apenas retardando o processo. Vai continuar derretendo até não sobrar nada.”

Por: Joe Leahy e Andres Schipani
Fonte original: Valor Econômico

Fonte: Portal Amazônia



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LEIA MATÉRIA ORIGINAL DO FINANCIAL TIMES: Brazil: Rainforest pays the price for the country’s crisis


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NITERÓI: mais de 6 mil pessoas são vacinadas após ampliação da imunização contra febre amarela





18/01/2018 – Mais de 6 mil pessoas foram vacinadas contra a febre amarela nesta quinta-feira (18) em Niterói, com a ampliação da campanha de imunização em mais oito pontos da cidade. No total, 38 locais distribuídos por todas as regiões do município estão vacinando a população. A Fundação Municipal de Saúde (FMS) recebeu, na noite desta quarta (17), uma remessa da Secretaria de Estado de Saúde com 50 mil doses da vacina, que estão sendo distribuídas de acordo com a demanda.

“Ampliamos, mais uma vez, a vacinação contra a febre amarela em Niterói, com a abertura de salas de imunização no Barreto, Viçoso Jardim, Atalaia, Caramujo, Ititioca, Ponta da Areia e dois pontos no Fonseca. As pessoas devem procurar as unidades mais próximas de suas casas e se vacinarem. Niterói não possui notificações, em residentes, de casos suspeitos de febre amarela em humanos, mas independente disso é preciso se prevenir”, destaca a secretária municipal de Saúde, Maria Célia Vasconcellos, lembrando que a vacina sempre esteve disponível na rede municipal, mas que desde março de 2017, quando os primeiros casos da doença surgiram em municípios fluminenses, a Prefeitura aumentou a oferta da vacina.

Este ano, o Município já imunizou cerca de 14 mil pessoas. No ano passado, foram aplicadas 193 mil doses da vacina na cidade. Para a secretária, esses números mostram que a população está aderindo à vacina já que, em média, de 2007 a 2016, eram vacinadas 65 mil pessoas por ano. No total, mais de 258 mil pessoas foram vacinadas na cidade nos últimos 10 anos.

A vacina está sendo aplicada de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h, em todas as policlínicas regionais do município (Centro, Santa Rosa, Fonseca, Largo da Batalha, Itaipu, Barreto e Engenhoca); na Policlínica Comunitária de Jurujuba; nas Clínicas Comunitárias da Família da Teixeira de Freitas, Ilha da Conceição, Badu e Várzea das Moças; nos módulos do Programa Médico de Família do Viçoso, Marítimos, Atalaia, Bernadino, Morro do Céu, Ititioca, Ponta da Areia, Vila Ipiranga, Engenho do Mato, Cantagalo, Sapê, Cafubá II e III, Maravista, Matapaca, Caramujo, Jonathas Botelho, Leopoldina e Maruí; nas Unidades Básicas de Santa Bárbara, do Baldeador, Piratininga, Centro, Engenhoca e Morro do Estado; e na Policlínica Naval de Niterói.

Podem se vacinar pessoas a partir dos 9 meses, conforme orientação da Secretaria de Estado da Saúde. Gestantes, mulheres que estejam amamentando, bebês maiores de seis meses e menores de nove meses e idosos com mais de 60 anos devem passar por um profissional de saúde para avaliar a possibilidade de vacinação.

É importante observar que o Ministério da Saúde adotou os padrões internacionais da dose única. Ou seja: quem toma a dose plena da vacina da febre amarela está imunizado pelo resto da vida. A vacinação fracionada, quando a dose é menor do que a padrão, garante a imunização por oito anos. A previsão é de que, no próximo dia 25, seja iniciada em Niterói a aplicação das doses fracionadas.

A doença – A febre amarela é causada por um vírus transmitido através da picada de mosquitos. Os sinais e sintomas mais comuns da doença são: febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos que duram, em média, três dias. Nas formas mais graves da doença, podem ocorrer icterícia (olhos e pele amarelados), problemas no fígado e nos rins, hemorragia e cansaço intenso.

Por adoecerem primeiro, os macacos servem de alerta para o monitoramento da circulação do vírus. A FMS orienta que, ao encontrar um macaco morto, o cidadão deve acionar o Município pela central 153.

Contraindicação – A vacina é contraindicada para pessoas com alergia a algum componente da vacina e alergia a ovos e derivados; pessoas com doença febril aguda, com comprometimento do estado geral de saúde; ou ainda pacientes com doenças que causam alterações no sistema de defesa (nascidas com a pessoa ou adquiridas), assim como terapias imunossupressoras – quimioterapia e doses elevadas de corticosteroides, por exemplo; indivíduos portadores de Lúpus Eritematoso Sistêmico ou com outras doenças autoimunes; pacientes que tenham apresentado doenças neurológicas de natureza desmielinizante (Síndrome de Guillain-Barré, ELA, entre outras) no período de seis semanas após a aplicação de dose anterior da vacina; pacientes transplantados de medula óssea; pacientes com histórico de doença do Timo; crianças menores de seis meses de idade; crianças menores de dois anos de idade que não tenham sido vacinadas contra febre amarela não devem receber as vacinas tríplice viral ou tetra viral junto com a vacina contra FA. O intervalo entre as vacinas deve ser de 30 dias.

Postos de vacinação contra febre amarela em Niterói

Policlínica Regional Dr. Carlos Antônio da Silva Rua
Jansen de Mello s/nº – São Lourenço
Tel.: 2717-1426 e 2719-0050

Policlínica Regional Dr. Sérgio Arouca
Praça Vital Brazil s/nº – Santa Rosa
Tel.: 2711-2366

Policlínica Regional Dr. Guilherme Taylor March
Rua Desembargador Lima Castro, 238 – Fonseca
Tel.: 2626-4170

Policlínica Regional do Largo da Batalha
Dr. Francisco da Cruz Nunes Rua Ver.Armando Ferreira, 30 - Largo da Batalha
Tel.: 2616-3633 e 2710-7100

Policlínica Regional de Itaipu Assistente Social Maria Aparecida da Costa
Estrada do Engenho do Mato s/nº – Itaipu
Tel.: 2609-6368 e 2709-1579

Policlínica Regional da Engenhoca Dr. Renato SilvaÂ
Avenida João Brasil, s/nº – Engenhoca
Tel.: 2628-8047 e 3603-8874

Policlínica Regional do Barreto João da Silva Vizella
Rua Luiz Palmier, 726 – Barreto
Tel.: 2719-0141 – 2719-6861

Policlínica Comunitária de Jurujuba
Av. Carlos Ermelindo Marins s/nº – Jurujuba
Tel.: 2704-9638 e 2704-9668

Médico de Família do Engenho do Mato
Estrada Irene Lopes Sodré s/nº – Engenho do Mato
Tel.: 2709-5222

PMF Cantagalo – Haidée Santamaria
Estrada Francisco Cruz Nunes s/nº – Cantagalo
Tel.: 2616-50l37

PMF Cafubá II – Ernesto Che Guevara
Rua Vereador Luiz Erthal, Lt. 05, Qd. 69 – Cafubá
Tel.: 2619-5268

PMF Cafubá III – Alberto Ricardo Hatin
Rua Manoel Pacheco de Carvalho 107 – Piratininga
Tel.: 2709-4374

PMF Maravista – Cte. Manoel Piñeiro Lozada
Rua Astor da Costa Menezes, S/Nº – Maravista
Tel.: 2709-0360

PMF Matapaca – Abelardo Ramirez
Rua Aurora Ribeiro, nº 5 – Pendotiba
Tel.: 2617-9269

PMF Badu
Av. Nelson de Oliveira e Silva, 63 – Badu
Tel.: 2718-2283

PMF Caramujo
Rodovia Amaral Peixoto, S/n, Baldeador
Tel.: 2625-946

PMF Sapê
Rua E, S/N, Sapê
Tel.: 97691-7231

PMF Jonathas Botelho
Trav.Jonathas Botelho, 133 – Cubango
Tel.: 2710-6367

PMF Leopoldina
Rua George Allan s/nº – Largo dos Barradas – Barreto
Tel.: 2624-0017

PMF Maruí
Rua Monsenhor Raeder, 151 – Barreto
Tel.: 3714-2173

Clínica Comunitária da Família de Várzea Das MoçasÂ
Dr. Tobias Tostes Machado Estrada Velha de Maricá s/nº – Várzea das Moças
Tel.: 3602-8057

Clínica Comunitária da Família da Teixeira de Freitas
Rua Teixeira de Freitas s/n – Fonseca
Tel.: 99775-3421

CCF Ilha da Conceição
Rua Jornalista Sardo Filho, 196 – Ilha da Conceição
Tel: 2620-6671

PMF Marítimos
Rua Machado S/N Barreto
Tel:3703-3265

PMF Viçoso
Estrada Viçoso Jardim S/N
Tel: 2618-8295

PMF Atalaia
Rua Padre José Euger S/N – Atalaia
Tel:2618-7616

UBS Baldeador – Deputado José Sally
Lot.Bento Pestana s/nº – Morro do Castro
Tel.: 2624-1224 e 2722-3761

PMF Bernadino
Rua Sá Barreto S/N – Fonseca
Tel:2721-7131

PMF Morro do Céu
Est. Viçoso Jardim 357- Caramujo
Tel: 99641-2165

UBS Piratininga – Dom Luiz Orione
Av. dos Pescadores – Lotes 2,3 e 4 – Piratininga
Tel.: 2618-2654

UBS Santa Bárbara – Adelino de Mendonça e Silva
Rua Jandira Pereira, 625 – Santa Bárbara
Tel: 2627-6303

PMF Ititioca
Rua Vila Costa Monteiro S/N - Ititioca
Tel: 2610-0852

PMF Ponta da Areia
Rua Coronel Miranda nº 18 - Ponta da Areia
Tel: 97198783

PMF Vila Ipiranga
Rua Tenente Ozório S/N – Fonseca
Tel: 2625-3821

UBS Centro
Rua Visconde de Uruguai, 531 – Centro
Tel.: 2620-8226

UBS Engenhoca
Rua Coronel Guimarães, 724 – EngenhocaÂ
Tel.:2628-8656

UBS Morro do Estado
Rua Araujo Pimenta s/nº
Tel.: 2622-1010

Policlínica Naval (Marinha)
Rua Barão de Jaceguaí, 289 – Ponta da Areia


Fonte: Prefeitura de Niterói











PROTEÇÃO ANIMAL EM NITERÓI: Centro de Controle Populacional agenda 200 castrações



As cirurgias que foram agendadas têm início nesta sexta e seguem até a primeira semana de março. Foto: Marcelo Feitosa


Carolina Ribeiro

Responsáveis por cães e gatos chegaram cedo para garantir o procedimento

Duas centenas de animais, entre cães e gatos, foram cadastrados nesta quinta-feira (18) para castração no Centro de Controle Populacional de Animais Domésticos (CCPAD) do Fonseca, na Zona Norte de Niterói. Desde às 5h30, os responsáveis pelos bichinhos formavam uma grande fila em busca de vagas, que foram preenchidas já por volta de 8h30. Segundo Daniel Marques, coordenador do espaço, novos cadastramentos estão previstos para este ano.

Às 6h, quando a equipe do centro chegou ao local, cerca de 80 pessoas já aguardavam em uma fila. Nesta quinta, foram disponibilizadas 200 vagas para cirurgias, sendo 100 de cães e 100 de gatos, machos e fêmeas. Durante a inscrição, o responsável recebeu a data da castração do animalzinho. De acordo com Marques, os primeiros a se cadastrar já serão operados amanhã.

“As operações vão até a primeira semana de março. Depois, fazemos um novo chamamento e operamos mais animais. São quatro veterinários e um anestesista, e não podemos misturar os animais no pós-operatório. Temos toda uma logística para que nada saia do controle, e nunca saiu”, comentou. Ainda não há data para os novos cadastros.

Dona de sete cachorros, a estudante Ivana Paula Carloni chegou ao local às 6h30 para garantir castração de dois de seus dogs, um macho e uma fêmea. Apesar de chegar cedo, conseguiu apenas para Havok, o macho de 6 meses.

“É importante castrar para garantir a saúde do animal, pois ele tende a ter menos problemas. Vou acompanhar para novos cadastramentos, pois no ano passado castrei um gato e deu tudo certo, foi ótimo”, contou, completando que o dia de operação de seu bichinho será 21 de fevereiro.

Um pouco mais tarde, às 7h20, o casal Jeferson Desterro, 30, e Leticia Alencar Desterro, 25, chegaram no espaço e já encontraram uma enorme fila de responsáveis de animais. Segundo eles, muitos foram embora sem conseguir vaga para a operação e o casal acabou sendo o penúltimo atendido, conseguindo castração para o cachorro macho.

“Não conhecíamos o trabalho do centro, mas vamos passar a acompanhar os dias de novos cadastros. O lugar é importante porque é confiável e de graça, pois esse serviço é caro e muita gente acaba abandonando os possíveis filhotes”, opinou Leticia.

Desde julho, quando o centro foi inaugurado, até dezembro, 500 animais foram castrados. Para este ano, a expectativa é que 2 mil, entre cães e gatos, recebam a cirurgia. Desses, 1.200 devem ser animais de rua e 800 particulares, já que 60% das vagas são destinadas a um cadastro de animais de rua, com tutores de colônias de gato e protetores de animais.

Para ser castrado, o animal deve ter mais do que 4 meses e menos do que 6 anos, ter menos do que 20kg, não estar obeso e nem extremamente magro. As fêmeas não podem estar no cio, nem prenhas e com leite nas mamas.


Fonte: O Fluminense











quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

A restauração de ecossistemas nos EUA gera um impacto econômico de 25 bilhões de dólares/ano





Recuperação de rios no estado de Maryland. Fotos Axel Grael


COMENTÁRIO DE AXEL GRAEL:

O artigo abaixo traz ótimos subsídios para um debate cada vez mais presente: a transição para uma economia verde e para a sustentabilidade.

Está cada vez mais evidente que o mundo precisa mudar o atual modelo de desenvolvimento para um novo paradigma de sustentabilidade. Talvez, o processo que mais evidencie que esta mudança é inexorável e inadiável, é a discussão em torno das mudanças climáticas. O mundo não afastará a ameaça das mudanças climáticas sem a transição para uma economia de baixo carbono. E a mudança requer novos paradigmas, novas tecnologias e vai demandar novas cidades, com um novo cotidiano das pessoas.

Se, por um lado, o debate do clima avança para o engajamento de um número cada vez maior de nações, setores da sociedade e segmentos corporativos, por outro lado, verifica-se uma crescente onda conservadora, cuja máxima expressão é Donald Trump e outras lideranças reativas aos temas do clima e da sustentabilidade. No Brasil, temos como exemplo destas forças reativas a bancada ruralista no Congresso Nacional, que junto com outras forças conservadoras, se opõe aos avanços das políticas ambientais, promovendo retrocessos na política florestal, de gestão de parques e patrocinam um desmonte da legislação ambiental.

Nos EUA, a legislação passou a estabelecer, de uns anos para cá, obrigações para governos e iniciativas privada de recuperação de ecossistemas degradados, como rios, áreas úmidas, estuários, etc. Incentivos e taxas passaram a ser compulsoriamente cobradas da população e de setores da economia, o que gerou muita controvérsia e resistência contra estas medidas. Um exemplo disso é o que ocorreu no estado de Maryland, que instituiu uma taxa sobre drenagem urbana ("storm water"), para custear o investimento em restauração de rios, uma prioridade para a despoluição da Baía de Chesapeake. Na última campanha eleitoral para governador do estado, a controvérsia causou a derrota do candidato democrata (Maryland é tradicionalmente democrata) para o candidato republicano, que acusou os seus adversários de defender um "imposto sobre a chuva" ("rain tax"). A crítica repercutiu no eleitorado e foi um duro golpe eleitoral aos democratas. Mas, surpreendentemente, uma vez empossado, o governador que antes criticava, manteve a política que ele chamava de "rain tax".

Portanto, o que vemos ultimamente é o recrudescimento do conflito entre "desenvolvimento" x meio ambiente, ou empregos x natureza. Na verdade, estas são falsas dicotomias que já haviam sido afastadas conceitualmente desde a Rio 92, realizada há 26 anos atrás, no Rio de Janeiro.

Mas, em tempos de Trump, o tema ganhou força novamente. Para os contrários aos setores ambientalistas, a legislação ambiental trava o desenvolvimento e extingue empregos. O contra-argumento é que as políticas e a legislação ambiental podem acabar com empregos nos segmentos "sujos" da economia, mas também gera seus próprios empregos. Além disso, a longo prazo, ainda promove uma melhor qualidade ambiental, melhor qualidade de vida e uma economia mais saudável.

O texto do artigo reproduzido, a seguir, vai além e traz apresenta números e elementos de reflexão para reforçar o argumento em favor das políticas pela sustentabilidade. Mostra que recuperar ecossistemas pode ter uma enorme força econômica e pode ser a base de uma nova e saudável economia.

Segundo o estudo “Estimating the Size and Impact of the Ecological Restoration Economy”, a legislação que impõe a obrigação de Restauração Ecológica nos EUA, movimenta uma economia de US$ 25 bilhões/ano e gera mais empregos diretos do que a mineração de carvão, a exploração madeireira e a siderurgia para a produção do aço.

Segundo o autor do estudo, Todd BenDor, a "indústria" da restauração ecológica tem um impacto direto na economia de US$ 9.5 bilhões e emprega 126.000 pessoas. Além disso, gera um impacto indireto de US$ 15 bilhões e 95.000 empregos, perfazendo um total de cerca de US$ 25 bilhões.

Em termos de empregos indiretos, fica atrás do setor de óleo e gás (200 mil empregos), indústria automobilística (175.000 empregos), mas fica a frente da mineração de carvão, a exploração madeireira e a siderurgia para a produção do aço.

E, conforme é destacado no artigo, os empregos gerados pela restauração ambiental são mais seguros, pois não têm risco de serem exportados para outros países, um problema que vários setores da economia americana experimentaram: empregos nos EUA acabaram sendo transferidos para outros países com a mão-de-obra mais barata.

Axel Grael
Engenheiro florestal
Secretário Executivo
Prefeitura de Niterói




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Ecological Restoration Is A $25 Billion Industry That Generates 220,000 Jobs

Kelli Barrett

Critics like to portray environmental regulation as a job killer, but the restoration economy now provides more jobs than mining, logging, or steel production – all while actually fixing the environment instead of destroying it – according to a new study.

8 July 2015 | Powerhouse industries like agriculture and energy along with their supporters in the US legislature lined up to contest the recently-finalized Clean Water Rule. As usual, their argument is economic: expanding the Clean Water Act’s jurisdiction, they argue, kills jobs. The counter-argument is also economic: regulation may kill some jobs, but it creates others – and, in the long term, it provides the clean air, clean water, and stable climate needed to support a healthy economy.

Now there are numbers to bolster that argument: according to a new study entitled “Estimating the Size and Impact of the Ecological Restoration Economy”, environmental regulation is driving a $25-billion-per year “restoration industry” that directly employs more people than coal mining, logging or steel production – but fewer than oil and gas or auto manufacturing.

“People want to know big picture numbers on industries,” said report author, Todd BenDor, an Associate Professor of City and Regional Planning with an environmental specialty at the University of North Carolina at Chapel Hill. “We basically find ecological restoration is a $9.5 billion industry employing about 126,000 people directly.” On top of that, he found, the restoration economy indirectly generates $15 billion and 95,000 jobs, bringing restoration’s total economic output value to nearly $25 billion.

In terms of direct employment, it ranks behind the oil and gas sector (200,000 jobs) and automaking (175,000), but ahead of coal mining (79,000), logging (54,000) or steel production (91,000).

“There are downsides to environmental regulations but there may be upsides as well. And one of the upsides may be a larger and stronger ecological restoration industry which has a major economic spillover effect,” said BenDor.

Quality of Life and Job Security

“This study diffuses the jobs versus the environment debate we’ve had for years,” said George Kelly, Chief Markets Officer at Resource Environmental Solutions, a large company that mitigates for ecological impacts.

He also noted that these jobs can’t be shipped abroad. “They have to be delivered here on the ground, domestically and locally,” he said.

“Restoration of natural infrastructure is the win-win solution, creating jobs and long term benefits even after the job is done,” said Amanda Wrona, the Knowldedge and Learning Lead at The Nature Conservancy.

But perhaps one of the most noteworthy finds didn’t have to do with the figures directly. BenDor noticed significant momentum in certain places for ecological restoration.

“There’s a lot of development in places such as Oregon, North Carolina and Louisiana where governments are really treating restoration as an industry that should grow and prosper,” he said. North Carolina, for instance, is using tax incentives to encourage watershed restoration

What is the Restoration Economy?

Report authors defined ecological restoration as any activity intended for ecological uplift resulting in a functioning ecosystem that delivers a suite of ecosystem services. They defined the restoration economy as economic activities that contribute to these efforts thus including the industries that carry out the work.

The range of industries is wide and includes project planning, engineering, consulting, legal services, forestry, landscape and earthmoving. Below is a list of the top 15.


Top 15 industries within the restoration economy by estimated sales, 2014.



Fonte: 



These industries worked mostly on water-related activities. Wetland, aquatic and riparian and marine and estuarine restoration and management comprised the top spots for restoration type, according to the study’s figures.

Recognizing the Restoration Economy

The study isn’t meant to be an all-encompassing analysis on the restoration industry. Rather, its intent is to start a trend of more in-depth research that leads to a fuller understanding of the restoration economy, BenDor said.

“We want to forge a path forward and establish a methodology for doing this,” he said. He mentioned partnerships with such organizations as the National Mitigation Banking Association or the Society of Ecological Restoration that have vested interests in this industry, as something he’s looking to pursue.

Greater information on this industry will also lead to more well-rounded policy debates on the economic impact of environmental regulations like the Clean Water Rule, BenDor said.

“I think this kind of information will support a cost-benefit analyses that could lead to policy promoting restoration,” said Kelly.

He also noted the report will help investors in understanding the range of opportunities within the restoration industry.

Creating a Metric

Measuring this obscure part of the US economy was no easy task, BenDor said, in part because it’s never been done before on a national scale. Locally, there is data. Oregon, for instance, does extensive work in this area. “There’s a Silicon Valley-type thought about restoration in Oregon,” BenDor said.

Also, restoration isn’t the only type of activity these firms carry out, BenDor explained. For example, CH2M Hill is a massive global engineering firm that implements various forms of restoration. However, the company also performs a bunch of other services that have nothing to do with restoration.

The entire business can’t be categorized as a restoration firm. To solve this problem, report authors conducted a national web-based survey collecting data on the percentage of a firm’s employment and sales that is based on restoration activities.

Starting from Scratch

Kelly noted difficulties in the past in terms of moving initiatives forward because of a lack of data. When the NMBA advocated for a capital gains treatment for credits, it had to prove to the Office of Management and Budget how many jobs these environmental markets generated. At the time though, we didn’t have the information, Kelly said.

“It involved a lot of assumptions, but we basically just said there’s a set of firms or a set of activities that we’re going to define as the ecological restoration economy. These are the people involved,” BenDor said.

He emphasized that this study is not a cost-benefit analysis. Nor is it even a comprehensive benefit analysis because the authors’ sole focus is jobs and output-its economic impact. The study doesn’t quantify the environmental benefits like clean water and air that restoration projects generate.

But even just in terms of impact, BenDor believes the study’s estimates are conservative. It’s likely we missed elements in the supply chain and restoration’s impact is actually larger, he said.

Kelli Barrett is a freelance writer and editorial assistant at Ecosystem Marketplace. She can be reached at kbarrett@ecosystemmarketplace.com.


PRO-SUSTENTÁVEL: Ciclovia ligará Itacoatiara a Charitas, via lagoas oceânicas

PARQUES EM MARYLAND: Infraestrutura para áreas brejosas e instrumentos de conservação
Visitando projetos de restauração de rios em Maryland, EUA

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Ausência de políticas de conservação de cardumes ameaça espécies de peixes



Estudo feito em comunidades de pescadores constata que um terço das principais espécies pescadas está ameaçado e põe em risco a segurança alimentar (foto: Matthew Hoelscher / Wikipedia)



Peter Moon | Agência FAPESP – O esgotamento mundial dos cardumes, a redução na diversidade do que é pescado e a diminuição no tamanho dos peixes capturados são grandes desafios para a atividade pesqueira. O enfrentamento dessas questões envolve o desenvolvimento de políticas de conservação de cardumes e de pesca sustentável.

Tais problemas não estão apenas ligados ao aspecto macroeconômico da indústria pesqueira e da aquicultura, responsáveis pelo abastecimento do mercado mundial com proteína animal marinha. Há os aspectos econômico-ecológicos ligados à pesca em pequena escala e que escapam às estatísticas dos organismos de fiscalização governamentais.

Esses aspectos envolvem a pesca artesanal em pequenas comunidades tradicionais, muitas delas espalhadas pelo litoral da Mata Atlântica brasileira, como revela um estudo que vem sendo desenvolvido ao longo dos últimos 20 anos em sete comunidades de pescadores artesanais no litoral sul do Rio de Janeiro e no litoral norte do Estado de São Paulo.

O estudo liderado por Alpina Begossi, do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação (Nepa) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), registrou que boa parte das espécies de peixes capturadas por pescadores artesanais se encontra em situação de ameaça. Begossi é também professora na Universidade Santa Cecília e diretora do Fisheries and Food Institute (FIFO), ou Instituto para a Pesca, Diversidade e Segurança Alimentar, do qual é uma das fundadoras.

A pesquisadora atua desde os anos 1980 na área de ecologia humana das comunidades de pescadores artesanais na costa da Mata Atlântica e de populações ribeirinhas da região amazônica. Seu método de trabalho consiste em combinar conceitos e modelos de biologia, ecologia e antropologia para entender as relações entre a população e o uso dos recursos naturais.

Begossi e colegas acabam de publicar a primeira radiografia da situação dos pescadores artesanais nos litorais de São Paulo e do Rio de Janeiro e dos pesqueiros dos quais eles dependem. O trabalho foi publicado na revista Ambio e está inserido em um Projeto Temático coordenado por Begossi e financiado pela FAPESP.

“A pesquisa resume uma série de projetos iniciados nos anos 1990, com pesquisadores do Brasil e, atualmente, com outros da França e da Croácia que vêm trabalhando comigo desde então”, disse Begossi.

Ela se refere aos coautores do artigo Natalia Hanazaki, da Universidade Federal de Santa Catarina, Priscila Lopes, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Renato Silvano, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Gustavo Hallwass, da Universidade Federal do Pará, e Svetlana Salivonchyk, do Institute for Nature Management da Bielorrússia.

“Temos reunidos 20 anos de dados de consumo da pesca artesanal. No período, fizemos o registro das espécies de peixes consumidas e constatamos a sua crescente escassez com o passar dos anos, o que está em concordância com os indícios de que algumas espécies estavam sendo superexploradas, enquanto outras entravam para a lista vermelha das ameaçadas”, disse.

Com o enorme conjunto de dados de que dispunha, o grupo resolveu reuni-lo no trabalho agora publicado. Entre 1986 e 2009, foram realizadas centenas de entrevistas com pescadores artesanais de sete comunidades nas ilhas de Búzios, Vitória, Jaguanum e Itacuruçá e em três localidades costeiras (Puruba, Picinguaba e Praia Grande/Paraty).

O questionário aplicado nas entrevistas com os pescadores era de respostas abertas e envolvia perguntas do tipo “Você comeu peixe no jantar de ontem?”, “Qual peixe?”, “E no almoço?”.

Entre 70 e 110 espécies de peixes são alvo de captura pela pesca artesanal e comercial na região. As oito espécies mais frequentemente mencionadas pelos entrevistados foram a anchova (Pomatomus saltatrix), pescada (Cynoscion sp.), corvina (Micropogonias furnieri), garoupa (Epinephelus marginatus), peixe-espada (Trichiurus lepturus), xarelete (Caranx sp.), tainha (Mugil curema) e imbetara ou betara (Menticirrhus americanus).

De um total de 65 espécies mencionadas pelos pescadores em 347 entrevistas e mais de 1,5 mil coletas sobre consumo, cerca de 33% tiveram redução de população desde o início do estudo em 1986, enquanto para 54% das espécies capturadas a situação de seus estoques é desconhecida de acordo com dados da União Internacional para a Conservação da Natureza.

Segundo os autores, a crescente escassez de tais espécies impacta a segurança alimentar e o sustento dos pescadores artesanais que dependem dos recursos de sua captura tanto para a alimentação de suas famílias quanto para complemento de renda.

A maioria das espécies mencionadas é preterida pela pesca comercial pelo baixo volume dos cardumes. Por isso mesmo, elas têm maior valor individual e são fornecidas a restaurantes especializados no eixo Rio-São Paulo.

“Como resposta à ameaça aos cardumes, o governo brasileiro já estabeleceu diversas proibições à captura das espécies ameaçadas de extinção, sem, entretanto, incluir medidas de manejo da pesca e sem incluir prioridades no estudo dessas espécies”, disse Begossi.

“Se por um lado tal política visa proteger e recuperar os cardumes, por outro ela consiste em uma ameaça à pesca em pequena escala e ao sustento dos pescadores artesanais e suas famílias. A solução não está na proibição pura e simples da pesca destas espécies, mas no seu manejo sustentável”, disse.

Há ainda a questão da diversidade alimentar. “As espécies capturadas pela pesca artesanal são aquelas que garantem nossa diversidade alimentar. Os peixes preferidos, como a garoupa ou o robalo (Centropomus undecimalis), vêm da pesca artesanal. Nenhum deles vêm da pesca industrial”, disse a pesquisadora.

“Há espécies que eram comuns nos anos 1980, como a garoupa, mas que rarearam bastante. Hoje ainda se encontra garoupa, mas de tamanho menor. Já um peixe do mesmo gênero como o cherne (Epinephelus niveatus), este não se vê mais. Não é mais citado pelos pescadores. É um caso crítico”, disse.

O trabalho de Begossi e colegas destaca a necessidade de se reunir mais e melhores dados biológicos e ecológicos das espécies marinhas da costa da Mata Atlântica brasileira. Segundo ela, esses dados são “urgentemente necessários” para ajudar a promover a conservação e o manejo destas espécies.

“Nossa opção é permitir que esses peixes desapareçam? Nossa escolha é daqui para a frente comer apenas três ou quatro espécies de peixes, aqueles fornecidos pela aquicultura, como a tilápia e o salmão? É esse o futuro que queremos?”, disse.

O artigo Threatened fish and fishers along the Brazilian Atlantic Forest Coast (doi:10.1007/s13280-017-0931-9), de Alpina Begossi, Svetlana Salivonchyk, Gustavo Hallwass, Natalia Hanazaki, Priscila F. M. Lopes e Renato A. M. Silvano, pode ser lido em https://link.springer.com/article/10.1007%2Fs13280-017-0931-9.


Fonte: Agência FAPESP










terça-feira, 16 de janeiro de 2018

PROTEÇÃO ANIMAL EM NITERÓI: Dia de cadastro para castração



Responsáveis pelos animais devem levar original e xerox da identidade, CPF e o comprovante de residência de Niterói. Foto: Evelen Gouvêa



Maria Paula Macário

Serão distribuídas 200 senhas para realizar procedimento em cães e gatos no Centro de Controle Populacional

Serão realizados nesta quarta-feira (17), a partir das 8h, os cadastros para castração de animais no Horto do Fonseca, na Alameda São Boaventura, em Niterói. Os interessados em castrar seus cães e gatos, machos ou fêmeas, deverão se dirigir ao local portando original e xerox da identidade, CPF e o comprovante de residência de cidadão niteroiense.

De acordo com Daniel Marques, coordenador especial de Direitos dos Animais (Ceda) da prefeitura, o foco principal do Centro de Controle Populacional de Animais Domésticos (CCPAD), que fica na Travessa Luiz de Matos, nº 105, responsável pela ação, é atender as pessoas que realmente necessitam.

“O objetivo principal é apoiar os protetores e esterilizar de forma planejada os animais de rua, para controle da fauna doméstica urbana, é também uma campanha para evitar o abandono”.

O coordenador explicou que a campanha faz parte de uma logística para tentar atender o maior número de animais possível. O serviço de castração se reveza entre animais de proprietários e animais abandonados.

“Queremos estimular um exercício de cidadania, meio ambiente e saúde, controlando a população de animais abandonados nas ruas”.

Segundo o coordenador, é importante chegar cedo, pois serão distribuídas 200 senhas. No último ano, uma fila imensa se formou e muitos não conseguiram vaga. Quem conseguir uma das 200 vagas já deve sair do local com a data da castração do seu animalzinho. Não é necessário levar os animais nesse dia.

O Centro de Controle Populacional de Animais Domésticos (CCPAD) foi inaugurado em julho de 2017, no Horto do Fonseca, com o objetivo de consolidar a política de proteção animal na cidade.

Para ser castrado, o animal deve ter mais do que 4 meses e menos do que 6 anos, ter menos do que 20kg, não estar obeso e nem extremamente magro. As fêmeas não podem estar no cio, nem prenhas e com leite nas mamas.


Fonte: O Fluminense