quarta-feira, 17 de julho de 2019

Manejo sustentável pode salvar a Amazônia das queimadas





São José dos Campos-SP, 15 de julho de 2019

O uso planejado e sustentável da terra na Amazônia pode minimizar drasticamente a degradação florestal na região provocada pelo aumento de incêndios devido às mudanças climáticas. Esta é a conclusão do estudo, publicado nesta segunda-feira (15/07) na revista Global Change Biology pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em colaboração com o Centro de Pesquisa e Monitoramento de Desastres (Cemaden) e as universidades de Exeter (Reino Unido) e de Estocolmo (Suécia).

Intitulado "Efeitos de cenários de mudanças climáticas e de uso do solo na probabilidade de fogo durante o século 21 na Amazônia brasileira" (Effects of climate and land-use change scenarios on fire probability during the 21st century in the Brazilian Amazon), o trabalho mostra que as futuras conversões de floresta para usos agropastoris não manejados adequadamente podem causar um aumento de mais de 70% na extensão de áreas com alta probabilidade de fogo no final deste século em relação aos padrões observados.

Este cenário inclui, por exemplo, a redução da efetividade das áreas protegidas, a pavimentação de novas rodovias e o aumento do desmatamento. Quando combinado com o cenário pessimista de mudança climática do CMIP5 do IPCC, que projeta maiores emissões de gases de efeito estufa (GEE) ao longo do século 21, a área com alta probabilidade de incêndios poderia aumentar em até 110%.

"Se continuarmos removendo a cobertura florestal na Amazônia, estaremos potencializando a probabilidade de degradação das florestas remanescentes, com consequências para a estabilidade dos estoques de carbono e serviços ambientais", diz Marisa Fonseca, pesquisadora de pós-doutorado no INPE e principal autora do estudo.

Os resultados indicam que mais de 1 milhão de km² em terras indígenas ou áreas protegidas estariam sujeitas a uma maior probabilidade de ocorrência de incêndios florestais, ameaçando tanto os ecossistemas quanto as populações humanas nessas áreas. A adoção de medidas destinadas a reduzir o desmatamento e as emissões de GEE, no entanto, pode reduzir significativamente a probabilidade de incêndios florestais, mesmo com a intensificação das secas na Amazônia no final do século.

O aumento da área com alta probabilidade de incêndio seria 90% menor no cenário que considera o cumprimento da legislação ambiental e, também, a proteção de unidades de conservação e a consequente redução do desmatamento para taxas anuais abaixo de 1.000 km² até 2025. Assim, haveria redução das taxas de emissões de GEE, com posterior estabilização na segunda metade do século.

Para alcançar o nível de mudanças considerado no cenário otimista do estudo, um esforço coordenado pela sociedade civil, governo e especialistas é fundamental, dizem os cientistas.

"O estudo identifica um problema muito sério e temos que usar este resultado em benefício do desenvolvimento sustentável do Brasil", afirma Luiz Aragão, chefe da Divisão de Sensoriamento Remoto do INPE. “Pela primeira vez conseguimos demonstrar que, embora o clima esteja mudando, com a possibilidade de consequências negativas para a Amazônia, o maior vilão na questão das queimadas é o uso mal planejado da terra nessa região".




Ao contrário do clima, os problemas relacionados ao uso da terra podem ser resolvidos com medidas de controle que podem ser implementadas rapidamente, resolvendo uma fração significativa do problema.

"A produção energética no Brasil é centrada em energia hidrelétrica. Além disso, grande parte da economia brasileira é baseada em produtos biológicos, derivados de plantas e animais. Para manter a balança comercial brasileira positiva, há a necessidade de garantir a exportação desses produtos. Para promover o desenvolvimento nacional, portanto, a sociedade e os governos têm que entender que precisamos da floresta Amazônica com sua plena extensão e funcionamento para garantir, dentre outros serviços essenciais, o provimento de chuva para a produção agrícola e para o abastecimento das bacias hidrográficas”, conclui Aragão.


Fonte: INPE











Morre o jornalista Rogério Daflon



O jornalismo, o esporte e o Rio de Janeiro perderam o Rogério Daflon. Nos deixou muito cedo, vítima de um atropelamento. Uma perda lamentável. Eu e meus familiares somos muito gratos a ele por ter escrito a obra "Bons Ventos - A trajetória vencedora da família Schmidt Grael", que produziu com muita competência, dedicação, paciência e carinho pela trajetória da minha família.

Lembro de boas conversas com Rogério sobre esporte, meio ambiente, política. Era uma figura interessante: conseguia se indignar com o que estava errado, mas sem perder a forma cândida de ser.

Obrigado por tudo, amigo. Com certeza você vai encontrar as melhores pautas lá em cima.

Axel Grael




----------------------------------------




Rogério Daflon foi repórter de esportes, política, arquitetura, urbanismo e meio ambiente Foto: Reprodução


Repórter teve carreira pautada pela ética, pelo jornalismo crítico e pela gentileza nas palavras e nas ações

RIO - A primeira palavra que vem à cabeça de qualquer pessoa que tenha convivido ou trabalhado com o jornalista Rogério Daflon é gentileza. Uma característica que marcou a vida e a obra deste carioca que conseguiu reunir em uma só profissão tantas paixões: foi repórter de esportes, política, arquitetura, urbanismo e meio ambiente.

Dono de um estilo afiado, divertido e sempre contestador, Daflon começou a carreira na antiga TVE. De lá, percorreu grandes redações, como as revistas "Placar", "Época", "Veja-Rio" e "Isto é" e os jornais O GLOBO, "O Dia" e "Jornal do Brasil". Especialista e mestre em planejamento urbano pelo Ippur/UFRJ, venceu a 1ª edição do Prêmio ISWA em Florença com a série de reportagens "Desleixo sustentável", do GLOBO, que fez ao lado de Emanuel Alencar sobre a gestão do lixo no Rio de Janeiro .

— Era uma figura única, uma pessoa extremamente ética, contundente, mas doce. Uma pessoa indignada diante de injustiças sociais. Um grande amigo, excelente jornalista, um cara que me ensinou a ter uma visão mais ampla da questão ambiental. A gente tinha planos de dar aulas conjuntas, unindo a questão ambiental à urbana, que ele conhecia com profundidade — lembra Emanuel Alencar.

Um dos grandes amigos e parceiros de trabalho, o jornalista Tulio Brandão destacou a pessoa idealista, que se mantinha firme em suas convicções:

— Dafla era um amigo, antes de tudo. Um amigo daqueles plenos, que são capazes de transformar, com elegância, aqueles com quem ele convivia. Era um cara doce e sereno. Era, ao mesmo tempo, um jornalista de posições firmes. Manteve-se firme em todo o caminho, em todas as redações por onde passou. Algumas vezes pagou pela firmeza, mas nunca se arrependeu. Era um exemplo para todos nós.

Uma de suas grandes contribuições, com suas reportagens, foi estimular a discussão sobre a cidade:

— Ele era irremediavelmente apaixonado por cidades, e, em especial, pelo Rio. Tive o privilégio de estar com ele em muitas resenhas sobre as ruas, os grandes marcos arquitetônicos, as favelas, a evolução urbana, as soluções para o futuro. Contava histórias da cidade como se estivesse falando sobre um grande amor. Sem dúvida, o melhor jornalista setorista de urbanismo do Rio — diz Tulio.

Colega de editoria, no GLOBO, Paulo Marqueiro aponta outra característica marcante do jornalista que acompanhava de perto grandes projetos urbanísticos:

— Ele era um repórter obstinado pela notícia. Certa vez, para conseguir uma entrevista, ficou horas sentando num banquinho num estacionamento, esperando a chegada do então presidente do Instituto Pereira Passos (IPP) Ricardo Henriques. Acabou convencendo-o a falar. E dali saiu uma grande reportagem sobre as "ex-favelas" do Rio.

Uma persistência, que, segundo Tadeu Aguiar, que chefiou Daflon durante o tempo em que ele trabalhou na editoria de Esportes do GLOBO, sempre fez dele um repórter na essência da palavra:

— Ele desconfiava das primeiras versões de uma notícia. Era persistente. Tinha a desconfiança saudável dos bons jornalistas, sempre questionando respostas prontas ou fatos consumados. Era um repórter obstinado, do tipo capaz de esperar 12, 15 horas até conseguir a informação.

Entre os livros que escreveu estão "Bons Ventos - A trajetória vencedora da família Schmidt Grael"; ''Heroísmo sem limites'', junto com João Máximo, e ''Rioativo: Geografia social do esporte'', com Felipe Awi:

— Tanto neste trabalho como nos anos em que trabalhamos juntos no Esporte do GLOBO, Daflon foi sempre generoso, democrático, levava a sua opinião em conta mesmo que discordasse totalmente dela. Nunca concebeu a nossa profissão sem o idealismo que a maioria de nós tem na faculdade e vai perdendo ao longo do tempo. Para ele, o jornalismo tinha que ser crítico, questionador, com a obrigação moral de fugir dos clichês.

Uma outra característica do botafoguense que começou na profissão cobrindo esportes era a inquietação:

— O Daflon repórter era inquieto, procurava o desconforto que o levaria a entregar um trabalho melhor. Se não estivesse satisfeito, pedia o boné e ia tentar a sorte em outra coisa. Foi assim que deixou o Esporte e se reinventou estudando e cobrindo urbanismo e arquitetura. Muito duro perdê-lo. Um grande cara, um grande jornalista — contou Felipe Awi.

O iatista Toben Grael, retratado por Daflon em livro, recorda que Daflon era um excelente entrevistador:

— Eu o conheci no esporte. Logo depois, ele nos contatou para fazer o livro e aí convivemos bastante com ele. Era uma pessoa simples, excelente jornalista e excelente entrevistador. Fazia outro nível de jornalismo, interessado em matérias construtivas e não em sensacionalismo. É uma pena perdê-lo tão cedo.

Para Aydano André Motta, Daflon deixa como legado a generosidade e sua defesa da justiça e do bem estar. Segundo ele, Daflon era "uma ilha de doçura e generosidade" que fará muita falta.

— Despojado, costumava deixar para trás objetos pessoais, como chave, celular etc, no caminho de casa para o trabalho. Os amigos faziam troça — e ele ria junto, na felicidade de estar entre as pessoas que amava — lembra o repórter que, por muitos anos, trabalhou ao seu lado no GLOBO.— Reencontrei o Daflon na Casa Pública, endereço do jornalismo independente da melhor qualidade, ele como free-lancer, potencializando seu jeito ético de trabalhar. Construiu reportagens de impacto, com o mesmo senso de justiça que pautou sua vida toda. Nos encontros no casarão da Rua Dona Mariana, a conversa serena, bem-humorada, pacata era um prazer que agora terá lugar cativo na parede da memória. Nesses tempos tão esquisitos e infames, o querido Daflon fará falta demais.

Rogério Daflon morreu às 8h40m desta terça-feira, dia 16, aos 55 anos, em consequência de atropelamento ocorrido na noite do último dia 7. Deixa dois filhos.

— Fomos todos atropelados. Estamos no chão e está difícil levantar. Os amigos, quase todos jornalistas, sentem a falta de um colega guerreiro, obstinado, que vivia a essência do jornalismo em detrimento até da própria vida pessoal. Muitas vezes não entendia essa obsessão do Rogério pela missão jornalística, a de representar a verdade, a de defender os menos protegidos pelo sistema... Quando quase todos comemoravam as obras faraônicas da cidade na esteira das Olimpíadas e da Copa do Mundo, ele produzia matérias sobre os bastidores corruptos destas falsas boas notícias. O preço que ele sempre pagou por ser um questionador foi alto. Mas hoje, vendo as homenagens e lendo sobre sua trajetória, só tenho orgulho de tudo, dimensiono seu valor, e é isso que estou passando para nossos filhos, Beatriz e Felipe. Assim, vamos nos reerguer — disse a jornalista Luciana Neiva, ex-mulher de Daflon e mãe de seus dois filhos.

O velório de Daflon será na próxima quinta-feira, na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), de 9h às 14h. Os detalhes sobre o sepultamento ainda não foram definidos.


Fonte: O Globo










‘Vocês estão vivendo um novo tipo de ditadura’, diz sociólogo Manuel Castells



Acompanhando o sociólogo Manuel Castells em visita ao MAC, em Niterói, 15/07/2019. Ao fundo, a exposição sobre a obra de Abdias Nascimento. Foto Luciana Carneiro.

Prefeito Rodrigo Neves mostra a paisagem de Niterói para Manuel Castells.

Manuel Castells durante a sua conferência no Teatro Popular.

Ao final, aplaudido de pé. 

Respondendo a perguntas.


O sociólogo espanhol Manuel Castells, um dos principais teóricos da comunicação, esteve em Niterói na última segunda-feira à convite da Prefeitura de Niterói, para participar do seminário “Educação, Cultura e Tecnologia: Escola do Século XXI”, realizado no Teatro Popular, no Caminho Niemeyer. Ontem, Castells esteve na FGV, no Rio, onde proferiu palestra sobre “Comunicação, política e democracia”.

A conferência de Castells em Niterói versou sobre as perspectivas para a educação no século XXI, no contexto das novas tecnologias e da sociedade em rede e as implicações disso para a democracia e as liberdades e autonomia do cidadão. Analisou a conjuntura política no mundo e no Brasil e criticou duramente muitas das ideias e medidas do governo Bolsonaro, principalmente os retrocessos democráticos, ambientais e na educação.

Foi aplaudido de pé por uma plateia de cerca de 500 participantes do seminário.

A leitura da obra de Castells é indispensável para se entender o momento atual e a influência e a prática da cidadania e a democracia em tempos de redes sociais.

" A Sociedade em Rede" é um clássico do autor, mas achei especialmente esclarecedora a leitura de "Redes de Indignação e Esperança: Movimentos sociais na era da internet". O livro aborda a força das redes sociais, capazes de promover movimentos sociais como a Primavera Árabe, os Indignados na Espanha, Occupy nos Estados Unidos, que mostraram uma enorme capacidade de mobilização, mas devido à velocidade da informação e ao caráter efêmero dos processos de exposição dos temas, agravado pela ausência de lideranças ou de governança dos processos, as mobilizações não resultaram necessariamente em avanços democráticos, em alguns casos em flagrantes retrocessos.

Castells inspira a reflexão e motiva a seguir em frente.

Axel Grael




----------------------------------------



O sociólogo espanhol Manuel Castells, durante o seminário "Comunicação, Política e Democracia", na FGV Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo


‘Vocês estão vivendo um novo tipo de ditadura’, diz sociólogo Manuel Castells

Referência no estudo das redes, espanhol diz que disseminação de informações falsas conduz país ao totalitarismo e educação é única via para reverter o quadro

Paula Ferreira

RIO — O Brasil está vivendo um novo tipo de ditadura, que tem como pilares a disseminação de notícias falsas e sucessivos ataques à Educação . Essa é a visão do espanhol Manuel Castells , um dos principais teóricos da comunicação e autor de livros como “A Sociedade em Rede” e “Galáxia da Internet”.

Em entrevista ao GLOBO, ele afirmou que o país só conseguirá evitar um futuro totalitário caso as escolas desempenhem bem seu papel . Nesse sentido, criticou o projeto do governo Bolsonaro de criar escolas militares, com foco na disciplina.

Castells diz ainda que os cidadãos que “querem estabelecer a verdade” precisam retomar o protagonismo nas redes.

O espanhol visitou o Rio para participar do seminário “Educação, Cultura e Tecnologia: Escola do Século XXI”, promovido pela Prefeitura de Niterói, e para palestrar sobre “Comunicação, política e democracia”, na FGV.

Hoje, no Brasil, há pessoas que dizem que o nazismo era de esquerda, que as vacinas são ruins e que a terra é plana. Como isso é possível na era da informação?

Primeiro, as pessoas não funcionam racionalmente e sim a partir de emoções.As pesquisas mostram cientificamente que a matriz do comportamento é emocional e, depois, utilizamos nossa capacidade racional para racionalizar o que queremos. As pessoas não leem os jornais ou veem o noticiário para se informar, mas para se confirmar. Leem ou assistem o que sabem que vão concordar. Não vão ler algo de outra orientação cultural, ideológica ou política. A segunda razão para esse comportamento é que vivemos em uma sociedade de informação desinformada. Temos mais informação do que nunca, mas a capacidade de processá-la e entendê-la depende da educação e ela, em geral, mas particularmente no Brasil, está em muito mau estado. E vai ficar pior, porque o próprio presidente acha que a educação não serve e vai cortar os investimentos na área. Por um lado, temos mundos de redes de informação, de meios que invadem o conjunto de nosso pensamento coletivo, e ao mesmo tempo pouca capacidade de educação das pessoas para entender, processar, decidir e deliberar. Isso é o que chamo de uma era da informação desinformada.

As universidades públicas e os professores brasileiros estão sob ataque?

Vocês estão vivendo um novo tipo de ditadura. As instituições estão preservadas, mas se manipulam tanto por poderes econômicos, quanto por poderes ideológicos. O Brasil, nesse momento, perdeu a influência da Igreja Católica que foi muito tradicional durante muito tempo na História, mas ganhou algo muito pior que são as igrejas evangélicas, para quem claramente não importa a ciência e a educação, porque quanto mais educadas e informadas estejam as pessoas, mais capacidade terão de resistir à doutrinação. O mesmo acontece com o presidente (Bolsonaro) e com o regime que está instalando. Não se pode fazer uma ditadura antiga, que se imponha com o exército, mas uma ditadura Orwelliana, de ocupar as mentes. Isso se faz acusando de corrupção qualquer tipo de oposição. Como a corrupção está em toda parte, então persegue-se apenas a corrupção de políticos e personalidades que se oponham ao regime. Esse tipo de ditadura só pode funcionar com um povo cada vez menos educado e mais submetido à manipulação ideológica.

Como essa manipulação é exercida?

Nosso mundo da informação é um mundo baseado nas redes sociais e nas redes sociais há de tudo. Elas permitem a autonomia dos indivíduos, acreditávamos que era um instrumento de liberdade e é, mas é uma liberdade que é usada tanto pelos manipuladores como pelos jovens que tentam mudar o mundo. Foram desenvolvidas técnicas muito poderosas de desinformação e manipulação, que incluem a utilização massiva de robôs manipulados por organizações como o Movimento Brasil Livre (MBL) e financiadas pela extrema direita internacional, que estão preenchendo as redes sociais e manipulando-as muito inteligentemente, de forma que a construção coletiva do que ocorre na sociedade está totalmente dominada por movimentos totalitários, que querem ir pouco a pouco anulando a democracia. Por isso, é preciso atacar a educação, atacar os professores, as universidades, as humanidades e as ciências sociais, que são áreas que nos permitem pensar. Tudo o que significa pensar é perigoso. Por isso, digo que é uma ditadura, ainda que de novo tipo. É uma ditadura da era da informação.

O que as escolas brasileiras precisam ter para mudar a realidade do país?

Primeiro: recursos. Mesmo que haja mudanças na pedagogia, se não há recursos, se não pagam e não respeitam os professores e se não há menos alunos por classe, (não adianta). É preciso uma formação inicial melhor dos professores e também uma reciclagem contínua, sobretudo, nas escolas mais longínquas do Brasil. Precisamos de bons professores imediatamente, não podemos esperar vinte anos para produzir os educadores que vão educar os jovens. E como fazer isso? Com educação virtual a distância. Precisamos reforçar as universidades virtuais, fazer com que haja programas de formação virtual, mas não de segunda categoria. Estou na Universidade Aberta da Catalunha, que tem 65 mil estudantes 100% na internet, e funciona muito bem. Os estudantes de lá têm os mesmos diplomas que os demais e não há nenhuma diferença de qualidade e nem de mercado para eles.

Você falou muito sobre a importância da valorização do professor. Atualmente, o professor mais conhecido do país, Paulo Freire, está sendo alvo de ataques.

Isso significa que tudo que é criação de uma cidadania informada, educada e autônoma, é um perigo para uma ditadura sutil, que precisa de pessoas que não sejam bem educadas, que sejam desinformadas e manipuláveis. Os três princípios de Paulo Freire são: aprender pela experiência— hoje em dia encontramos tudo na internet, há possibilidade de fazer grupos de aprendizagem na internet—, autonomia dos alunos para educar-se para buscar a informação, e professores para guiá-los. Agora que temos tecnologia, não só internet, mas as conexões rápidas, é possível revolucionar facilmente a escola seguindo os princípios de Paulo Freire. Por que se ataca Paulo Freire? Porque no mundo, e não só no Brasil, ele é um símbolo. Eu conheci Paulo Freire na Universidade Stanford e lá ele era adorado, porque seus princípios são adaptados ao que é a nova sociedade: criar pessoas livres e autônomas, capazes de promover sua própria aprendizagem, guiados por seus professores. Isso é muito perigoso para aqueles que querem manipular. Paulo Freire é liberdade, e a liberdade é agora o maior obstáculo que existe para que se siga desenvolvendo essa ditadura sutil que estão tentando impor ao Brasil.

O governo anunciou recentemente que pretende criar mais de 100 novas escolas militares, com uma forte disciplina. Qual sua opinião sobre essa iniciativa?

A autonomia é fundamental. O que precisamos hoje é de pessoas educadas para pensar autonomamente, porque há uma quantidade de informação tão grande que precisamos ser autônomos em construir nossas opiniões e tomar decisões. Hoje em dia, existem robôs cada vez mais avançados, e as escolas não podem ser produtoras de robôs. (A formação de) gente que simplesmente obedece, segue o que está programado e aceita tudo é um princípio de militarização não só da escola, mas da sociedade. A grande questão do Brasil nesse momento é que se não houver uma grande reação da sociedade contra essas medidas que chamo de uma ditadura de novo formato, o Brasil será transformado em uma sociedade totalitária.

O governo anunciou que fará o Enem, a principal via de acesso a universidades públicas, totalmente digital até 2026. Temos condições de fazer isso bem em um país com dimensões continentais e muito desigual?

A capacidade dos jovens de utilizar meios digitais hoje em dia está muito mais disseminada que a educação. Não teremos problema com a digitalização de um jovem, qualquer jovem sabe usar um computador conectado que se chama smartphone. Bom, nem todos sabem, mas quase todos. Então o problema é que há muitas zonas onde não há conexão ou são muito ruins. Nos Estados Unidos, a primeira aplicação na universidade é digital, mas lá as universidades organizam isso de maneira fácil e pedagógica e todos têm a conexão necessária.

Na sua opinião, qual o papel das redes sociais na eleição de Jair Bolsonaro?

Foi um papel fundamental. Bolsonaro é um pensamento totalitário, mas ele foi eleito democraticamente. Portanto, a grande pergunta é: por que uma maioria clara dos brasileiros elegeu Bolsonaro? Uma coisa é a democracia e outra são os resultados da democracia. Hitler foi eleito democraticamente. Tenho tentado dar uma resposta sobre isso não só para o Brasil, mas para o mundo, porque aconteceu o mesmo em outros lugares, como (Donald) Trump (nos Estados Unidos). O que mostro é que as pessoas em todo o mundo já não acreditam na classe política, nos partidos, nas formas do que chamávamos de democracia liberal, porque elas se corromperam. Os políticos se apropriaram da democracia e do Estado para eles mesmos. A confiança entre governantes e governados se rompeu. Então, qualquer pessoa com capacidade de mobilização e de carisma, apoiado por recursos econômicos muito importantes dos grupos poderosos de sempre — que temem que as pessoas sejam capazes de controlar suas próprias vidas e não se deixem manipular e explorar— formam a combinação (que leva a isso).Então surgem demagogos como Trump e Bolsonaro. A narrativa está sendo controlada nas redes sociais pela extrema direita e por movimentos totalitários, muitos deles de cunho religioso.

A esquerda já perdeu essa batalha nas redes?

Essa esquerda sim. Essa esquerda está morta. Toda a democracia liberal está morta e não só no Brasil. No resto do mundo, o pouco que resta da esquerda está tentando se reestruturar. Agora, a esquerda não é simplesmente uma ideologia, alguns partidos. O que chamamos de esquerda é a capacidade das pessoas de se rebelarem contra sua exploração, sua manipulação, e sua opressão. Então, se falamos da esquerda existente hoje, ela está em colapso total, mas se falamos da possibilidade de uma rebelião, de um controle social contra o que está acontecendo. Posso garantir, pela experiência história do Brasil que haverá mais que uma esquerda, haverá grandes movimentos sociais contra a ditadura, como houve para acabar com a ditadura anterior.

Hoje, temos uma difusão enorme de notícias falsas. Há precedentes na História?

Nunca tivemos tanta difusão de informação, mas os chamados "rumores" sempre foram fundamentais. Os "mitos". Pessoas foram perseguidas, mulheres foram queimadas por histórias de que eram bruxas e participavam de atos com o demônio. Tudo isso é fake news. A História está cheia de fake news fundamentais para mobilizar os comportamentos mais extremos e irracionais, mas o que acontece é que agora como há uma capacidade muito maior de difusão da informação, muito mais intervenção de todos nessas redes, não apenas dos poderes de sempre, a densidade é muito maior. As pessoas que querem estabelecer a verdade, a honestidade e os valores fundamentais humanos têm que intervir nas redes sociais, porque hoje em dia os que fazem isso são, sobretudo, os destruidores da Humanidade.


Fonte: O Globo










segunda-feira, 15 de julho de 2019

Americanos refletem sobre as enchentes que assolaram o país nas últimas semanas




Os EUA acabaram de enfrentar uma das mais severas temporadas de chuvas, com enchentes durante a última primavera do Hemisfério Norte, afetando e causando calamidades e muitos prejuízos em cidades, plantações, estradas, indústrias, áreas portuárias etc.

A situação provoca uma reflexão sobre a ocupação de áreas de várzeas, os seus riscos e consequências.

O artigo abaixo, faz referência a uma expressão utilizada por Gilbert White, um dos precursores do movimento de gestão de planícies inundáveis nos EUA, que alertou:

"Enchentes são atos de Deus; prejuízos causados por enchentes são atos dos Homens". Sempre haverá chuvas, mas as decisões que nós tomamos sobre como cuidamos dos nossos rios e usamos as nossas várzeas é que determinam a extensão dos danos durante uma enchente.
(“Floods are an act of God; flood damages result from the acts of man.” The rain will always fall, but the decisions we make about how we manage our rivers and use our floodplains determines how extensive the damages are during a flood).

Veja, a seguir, a extensão da calamidade das chuvas enfrentadas nos EUA nos últimos meses.

Axel Grael




------------------------------------




MAKING ROOM FOR FLOODS IN THE MIDWEST

In the coming weeks and months, the communities and landowners across the Midwest will want to act as quickly as possible to get back on their feet. A key step will be deciding whether to rebuild back the way things were, or to choose new options that could make us more prepared for the next flood.

We’ve all been watching the dramatic footage of flooding in the Midwest, destroying homes, fields of crops, infrastructure and even air force stations. The scale of the damage is daunting and it can be hard to wrap our heads around the scope of change that is needed in order to avoid such catastrophic damage in the future. In the coming weeks and months, the communities and landowners across the Midwest will want to act as quickly as possible to get back on their feet. A key step will be deciding whether to rebuild back the way things were, or to choose new options that could make us more prepared for the next flood.

There’s a famous quote by Gilbert White, the founder of the floodplain management movement: “Floods are an act of God; flood damages result from the acts of man.” The rain will always fall, but the decisions we make about how we manage our rivers and use our floodplains determines how extensive the damages are during a flood.

The rivers across the Midwest, and much of the country have been dramatically altered from their natural states over the last century. Before Europeans settled in the Midwest, big rivers like the Missouri and Mississippi would spread their flood waters out across wide floodplains, slowing the flows, and rejuvenating robust floodplain habitats. As farmers sought to make their land tillable, they straightened streams and created extensive levee systems to keep flood water off their land and in the streams. About a century ago, the Army Corps became the official flood control agency of the United States building monster levee systems along our big rivers. At last count, they oversee almost 30,000 miles of levees across the United States.


Levees in the United States, National Levee Database


As shown in this excellent piece by Propublica, relying on levees can have unfortunate consequences. Levees create the illusion of safety, and the “protected” floodplain can be attractive places for people to build communities and businesses. But trapping flood waters in a narrow channel forces water to move downstream more quickly, which puts stress on levees. When floodwaters overtop or breach a levee, the results can be catastrophic to the communities and fields behind it. To make matters worse, when levees fail, it tends to happen at the same spots meaning we see a damage and repair cycle play out flood after flood.

In many areas across the country where a historic reliance on levees has led to increased flood risk, communities and landowners are choosing to reduce the risk of future levee failures by creating more room for flood waters to spread out across the floodplain. These natural flood management approaches to alter levee systems and make room for rivers to flood can come in many forms.

  • After the 2011 Missouri River floods, a flooded landowner was tired of having his levee fail during floods, and asked the Army Corps to do a levee setback rather than rebuild it back along the river.
  • In 2010, the Army Corps worked with Iowa Department of Natural Resources to acquire the 300 acres of floodplain land and transfer it to the Green Island Wildlife Management after a repetitively damaged levee breached on the Maquoketa River in Iowa.
  • In Yakima County, Washington, after repetitive damage to their levee system, the flood control district is proactively reconnecting the Yakima River to the floodplain to reduce future flood damage.

NOAA’s 2019 Spring Outlook flood risk map


Each of these projects reconnected the river with the floodplain and reduced flood risk. But they had another thing in common — they were implemented after levees were damaged by a flood. Unfortunately, examples like these are few and far between. After a flood, there’s pressure to rebuild levees as fast as possible, to be ready before the next flood hits. Unless an alternate solution has been identified and planned ahead of time, there may not be time to plan a levee setback or get landowners on board with an acquisition or new idea.

After the 2011 Missouri River flood, the Omaha district of the Army Corps explored levee setbacks, and potential to implement projects after a flood. River managers across the Midwest should build upon their past success and planning to implement projects that give the river additional room to flood whenever they are repairing damaged levees. We need to work as quickly as possible with landowners and other stakeholders to identify opportunities to create more room for rivers to flood within the existing flood control system.


Fonte: American Rivers  













ILHA DA BOA VIAGEM: Projeto de restauração será apresentado ao Iphan





A restauração da Ilha da Boa Viagem, na Zona Sul de Niterói, está mais perto de sair do papel. Nas próximas semanas, a Prefeitura de Niterói apresenta ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) o projeto executivo para a restauração. Em paralelo a este projeto, a área também receberá obras de contenção de encosta e drenagem.

“O projeto executivo foi elaborado com base nas normativas do Iphan. Esta é uma restauração de caráter conservativo”, explica o secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão (Seplag), Axel Grael.

A Ilha da Boa Viagem abriga dois monumentos históricos: a capela de Nossa Senhora da Boa Viagem e o fortim, ambos do século XVIII. Durante a Segunda Guerra Mundial e os anos 1940, também foram construídas mais duas muralhas, sendo uma delas semelhante a um pequeno castelo.

Em 2016, a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) concedeu a anuência ao Município, permitindo que a Prefeitura realize as intervenções no local. Na proposta inicial está prevista a reforma da capela mantendo sua estrutura original e criando uma melhor acessibilidade ao local, além de um banheiro. Para o fortim, também será mantida a estrutura original sendo feita a restauração necessária.

Já no espaço conhecido como castelo, onde funcionam as atividades do Grupo Escoteiro Gaviões do Mar, a ideia é que seja feita a restauração da fachada, além da modernização da área interna. O local poderá ganhar uma cafeteria e um ambiente cultural para exposições.

“Vamos realizar a restauração da Ilha sem descaracterizar o patrimônio que se encontra ali. Nossa ideia é agregar a ilha à cidade trazendo de volta as visitações ao espaço, que tem uma vista privilegiada e muita história”, afirma Grael.

A Prefeitura de Niterói já licitou as obras de contenção de encostas e melhorias dos acessos da Ilha. O investimento será de aproximadamente R$ 1,4 milhão. O bairro Boa Viagem também está incluído no projeto que irá revitalizar a orla de Icaraí até o Gragoatá.

Memória

A Ilha de Boa Viagem se conecta ao continente por meio de uma ponte de concreto. Tombado como patrimônio natural e histórico, Boa Viagem tem edificações construídas no alto de uma escada de 127 degraus, o que o torna o local um destino curioso, cheio de vistas deslumbrantes.


Fonte: A Tribuna



-----------------------------------


LEIA TAMBÉM:

ILHA DA BOA VIAGEM: Obras de restauração próximas do início  

Mais sobre a Ilha da Boa Viagem

ILHA DA BOA VIAGEM JÁ RECEBEU MAIS DE 3 MIL VISITANTES 

domingo, 14 de julho de 2019

Niterói abre licitação para projeto de revitalização da orla de Charitas



Novos ares: Emusa prevê intervenções como a revitalização de todos 25 quiosques da praia, construídos em 1989. Projeto básico custará R$ 1,3 milhão Foto: Roberto Moreyra / Agência O Globo

Licitação para escolha da empresa está marcada para o dia 25 de julho. Elaboração do plano básico, orçado em R$ 1,3 milhão, prevê nova sinalização, postos salva-vidas, banheiros públicos, quiosques, ciclovia e outras novidades

Giovanni Mourão

NITERÓI — No próximo dia 25, a prefeitura vai promover uma licitação para contratação da empresa que vai elaborar oprojeto básico de reurbanização da orla de Charitas. Orçado em R$ 1,3 milhão, o projeto prevê nova sinalização viária , adequações de infraestrutura e acessibilidade, reforma de todo o calçadão, postos salva-vidas, banheiros públicos, quiosques revitalizados, ciclovia e novas iluminação e paisagismo. As medidas fazem parte do Projeto Orla .

A área do projeto contempla toda a orla do bairro, desde a Praça do Rádio Amador, na divisa com São Francisco, até o Clube Naval, no limite com Jurujuba.

De acordo com o edital divulgado pela Emusa (Empresa Municipal de Moradia Urbanização e Saneamento), o projeto deverá contar com mudanças arquitetônicas e urbanísticas na Praça do Rádio Amador, incluindo a construção de um mirante ou de um píer no local, além da requalificação do espaço, com a inserção de um “elemento visual referencial para a cidade”.

A empresa contratada terá seis meses para apresentar o projeto pronto, a contar a partir da publicação no Diário Oficial do Município. Os interessados podem conferir o edital e obter mais informações sobre o projeto no site da Emusa por meio do link bit.ly/2NPBeoC.


Fonte: O Globo Niterói











Estudo ‘descobre’ mais de 700 unidades de conservação municipais na Mata Atlântica



Visual do Parque Natural Municipal de Nova Iguaçu, uma das unidades de conservação municipais que ajuda a proteger a Mata Atlântica. Foto: Sergio Ramoz/Wikipedia


Por Duda Menegassi

Após séculos de urbanização (e desmatamento) da faixa litorânea do Brasil, pouca coisa sobrou da cobertura original da Mata Atlântica. A maior parte desses remanescentes estão protegidos em unidades de conservação, muitos em pequenos fragmentos preservados em municípios, outros em propriedades privadas convertidas em reservas. Uma pesquisa rápida no Cadastro Nacional de Unidades de Conservação (CNUC) com os filtros ‘Bioma: Mata Atlântica’ e ‘Esfera Administrativa: Municipal’ revela uma lista com 272 nomes. Um estudo lançado pela Fundação SOS Mata Atlântica, entretanto, revelou que, na verdade, existem 1.031 áreas protegidas municipais. Somadas elas respondem pela proteção de 4,1 milhões de hectares de floresta atlântica, 24% da área total protegida.

A descoberta das unidades de conservação (UCs) ignoradas pelo Cadastro foi feita pelos pesquisadores durante o levantamento de dados para publicação do ICMS Ecológico e as Unidades de Conservação Municipais da Mata Atlântica (acesse o estudo aqui). O estudo tem como objetivo provar o impacto econômico positivo dos parques e reservas, que podem gerar renda aos municípios através do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, o ICMS Ecológico. A política pública remunera as cidades por suas áreas naturais preservadas, uma maneira de recompensá-los pelos benefícios que geram à sua população por manterem unidades de conservação e outros atributos ambientais.

As 1.031 unidades identificadas pelo estudo em 466 municípios brasileiros se aproxima do número de unidades de conservação estaduais (1.052) e abrangem uma área equivalente ao protegido pelas unidades federais no bioma (4,2 milhões de hectares). Os números demonstram a importância das áreas protegidas municipais para garantir a preservação da Mata Atlântica e sua fauna e flora associadas. As categorias mais adotadas pelos municípios são os parques naturais e as áreas de proteção ambiental (APA).


Número e área das unidades de conservação municipais na Mata Atlântica e ecossistemas associados por categoria de manejo. Fonte: Fundação SOS Mata Atlântica, 2019.


De acordo com a gerente de Áreas Protegidas da Fundação SOS Mata Atlântica e coordenadora do estudo, Érika Guimarães, a pesquisa mostra que o ICMS Ecológico é uma fonte importante para financiar um sistema de proteção ambiental de qualidade nas cidades da Mata Atlântica. “Com isso, os municípios podem otimizar recursos para outras áreas também estratégicas, como educação e saúde, garantindo a melhoria da qualidade de vida da população“, afirma. Atualmente, 17 estados do país possuem ICMS Ecológico, 11 deles inseridos na Mata Atlântica.

O estudo indica que, além de não impedir que a cidade se desenvolva economicamente, pode ser mais vantajoso para alguns municípios de baixa renda proteger uma determinada área e receber o ICMS Ecológico do que investir em outras atividades produtivas. Além disso, o tributo pode ser um mecanismo indutor para criação e implementação de áreas protegidas.

“Acreditamos na criação, gestão e valorização de parques e reservas como algumas das ações mais importantes para a conservação da Mata Atlântica. Isso porque esses espaços resguardam diversos serviços prestados pela natureza à sociedade. Além disso, elas ajudam no ordenamento territorial das cidades e tem se revelado uma excelente oportunidade de arrecadação de recursos e de desenvolvimento de negócios sustentáveis para as cidades,“, conclui Érika.

Nos últimos 10 anos, foram repassados aos municípios do Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro mais de R$ 2,5 bilhões através do ICMS Ecológico. No Rio de Janeiro, a arrecadação saltou de R$ 37,9 milhões em 2009, para R$ 111,5 milhões, em 2011. Em 2017, a estimativa de repasse foi de R$ 220 milhões, sendo quase R$ 20 milhões pela presença de unidades de conservação municipais.

“Nós atuamos pela ampliação e fortalecimento das unidades de conservação na esfera municipal. Essa agenda local é estratégica para a nossa atuação e importante para a Mata Atlântica, que abriga 61% dos municípios do Brasil“, afirma a diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, Marcia Hirota.

A informação disponibilizada sobre a existência das unidades de conservação municipais ainda é um grande gargalo para o reconhecimento dessas áreas. Apenas 35% delas possuem algum tipo de informação nos websites das prefeituras e/ou estão registradas no Cadastro Nacional, o que aumenta o desafio de sistematizar informações a respeito delas. Atualmente, a Mata Atlântica conta com 2.595 unidades de conservação nas três esferas político-administrativas – federal, estadual e municipal –, que cobrem cerca de 17,3 milhões de hectares.

*Com informações da Fundação SOS Mata Atlântica

Fonte: WikiParques










ILHA DA BOA VIAGEM: Obras de restauração próximas do início





O jornal A Tribuna, de sábado, publicou matéria sobre a iniciativa da Prefeitura de Niterói de restauração do sítio histórico da Ilha da Boa Viagem, na orla da cidade na Baía de Guanabara.

Na Ilha da Boa Viagem existe uma capela, um prédio conhecido como casarão ou castelo, um fortim, pátios, escadarias, uma ponte ligando ao continente e outras instalações no acesso.

A Capela de Nossa Senhora da Boa Viagem, com início de construção em 1650, é voltada para a entrada da Baía de Guanabara e, no passado, era passagem obrigatória dos marinheiros que saiam ao mar, que ali passavam com as suas embarcações em busca das bençãos para uma viagem segura. O Fortim, ou Bateria, é de 1695.

A Ilha permaneceu décadas fechada à visitação pública, recebendo apenas algumas celebrações religiosas na Capela e atividades dos escoteiros. Por falta de manutenção, o patrimônio se degradou muito.

Em 2016, a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) concedeu a anuência ao Município, permitindo que a Prefeitura realize as intervenções no local. Na proposta inicial está prevista a reforma da capela mantendo sua estrutura original e criando uma melhor acessibilidade ao local, além de um banheiro. Para o fortim, também será mantida a estrutura original sendo feita a restauração necessária.

Já no espaço conhecido como castelo, onde funcionam as atividades do grupo Escoteiros Gaviões do Mar, a ideia é que seja feita a restauração da fachada, além da modernização da área interna. A proposta é que haja uma administração para gestão, a criação de uma cafeteria, além de um ambiente cultural para exposições.

Uma primeira intervenção foi realizada em 2016 e agora será feita a restauração completa da Ilha. A Prefeitura já licitou a primeira parte das obras, que terá um investimento de aproximadamente R$ 1,4 milhão e refere-se à contenção da encosta.

Sob a coordenação da SEPLAG e da EMUSA, o projeto de restauração do casario e acessos já está pronto e aguarda a aprovação do IPHAN.

Vamos realizar a restauração da Ilha sem descaracterizar o patrimônio que se encontra ali. Nossa ideia é agregar a ilha à cidade trazendo de volta as visitações ao espaço, que tem uma vista privilegiada e muita história.

O início das obras será imediato, assim que houver a concordância do órgão de patrimônio cultural.

Axel Grael
Secretário
Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão - SEPLAG
Prefeitura de Niterói



-----------------------------------------------


LEIA TAMBÉM:

ILHA DA BOA VIAGEM: Projeto de restauração será apresentado ao Iphan

Mais sobre a Ilha da Boa Viagem

ILHA DA BOA VIAGEM JÁ RECEBEU MAIS DE 3 MIL VISITANTES
TURISTAS DE 11 PAÍSES JÁ VISITARAM A ILHA DA BOA VIAGEM DESDE REINAUGURAÇÃO
ILHA DA BOA VIAGEM ABERTA À VISITAÇÃO - registros do primeiro dia de funcionamento regular
ILHA DA BOA VIAGEM - Bem-vindo à Ilha da Boa Viagem
ILHA DA BOA VIAGEM É REABERTA AO PÚBLICO OFICIALMENTE
ILHA DA BOA VIAGEM - fotos da abertura à visitação pública
ILHA DA BOA VIAGEM - Bem-vindo à Ilha da Boa Viagem
ILHA DA BOA VIAGEM - Visitas à Ilha da Boa Viagem regressam ao circuito turístico
ILHA DA BOA VIAGEM, EM NITERÓI, REABRE PARA VISITAÇÃO APÓS 20 ANOS
VISTORIANDO OS PREPARATIVOS PARA A ABERTURA DA ILHA DA BOA VIAGEM NO DIA 20
ILHA DA BOA VIAGEM REABRE PARA VISITAÇÃO AINDA ESTE MÊS







sábado, 13 de julho de 2019

Iphan abre consulta pública sobre paisagens culturais






Contribuições podem ser enviadas por e-mail até 17 de agosto

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) abriu consulta pública para o delineamento da normativa que trata de paisagens culturais – espaços onde a integração entre a cultura e o ambiente natural se dá de modo incomparável. As sugestões podem ser enviadas até 17 de agosto. Os marcos legais que estão sob elaboração vão auxiliar o instituto na concessão de chancelas.

A consulta tem como referência uma iniciativa da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O Brasil já recebeu do organismo três certificados de paisagem cultural, pelo Conjunto Arquitetônico da Pampulha, por Paraty e Ilha Grande (RJ) e pela cidade do Rio de Janeiro. A capital fluminense é a primeira paisagem cultural urbana declarada Patrimônio Mundial da Unesco.

Entenda

Conferir o título de paisagens culturais é uma das estratégias do Iphan para preservar bens culturais e, simultaneamente, promover o princípio de desenvolvimento sustentável. Conforme explica o diretor do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização (Depam), Andrey Schlee, uma das principais ferramentas de proteção das áreas é o plano de gestão.

No planejamento, entram medidas de todos os âmbitos de gestão pública, desde o municipal até o federal. Nele, constam procedimentos de ordem prática, incluindo aspectos simples, como a recuperação de calçamento.

"A chancela tem essa novidade, digamos assim, de ser construída com o outro, com aqueles que já têm alguma responsabilidade sobre determinados territórios, como as prefeituras, mas principalmente com os protagonistas dessa paisagem, que são os moradores do local. A gente só vai chancelar se houver a construção coletiva desse plano e desse pacto. O pacto define quem são os atores que vão tratar da preservação e o plano, quais são as ações necessárias", diz o diretor do Iphan.

"O que é importante é que Iphan vem, cada vez mais, reforçando a ideia de que a comunidade é a guardiã de seu patrimônio e, como tal, tem que estar envolvida nos mecanismos de sua preservação", complementa.

Schlee ressalta que o que mais justifica a consulta pública agora em aberto é o entendimento, por parte do instituto, de que a certificação deve abranger a coleta de parâmetros junto à sociedade civil. É com isso, afirma ele, que se garante um cunho participativo.

"Nós já temos um estudo relacionado à questão da presença da imigração em Santa Catarina, que possui paisagens absolutamente fantásticas, ligadas, sobretudo, à imigração alemã e italiana, com uma arquitetura típica e um conjunto de saberes bastante próprio. Ele está avançado e acho que é uma espécie de pioneiro para nos indicar o trabalho a ser realizado", comenta.

Como participar

Os interessados em participar da consulta devem enviar suas sugestões para o e-mail paisagem.cultural@iphan.gov.br. Os comentários podem servir tanto para o texto da nova portaria, que aborda paisagens culturais, como para o relatório técnico que detalha a proposta do Iphan.


Fonte: EBC