terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Exposição à poluição é desigual na cidade de São Paulo



Pesquisadores estão medindo a diferença entre os níveis de poluição dentro dos ônibus, carros e metrô na região metropolitana (Alexandre Giesbrecht/Wikimedia Commons)


Maria Fernanda Ziegler, de Nova York (EUA) | Agência FAPESP 

Há desigualdade em São Paulo também quando o assunto é poluição do ar. Passageiros de ônibus que fazem longos trajetos diários estão mais expostos à poluição que motoristas de carro ou passageiros de metrô. Há também uma diferença significativa entre os níveis de poluição em locais como faixas de ônibus, pontos de ônibus e nas principais vias da cidade, os chamados hotspots.

“Embora ainda esteja acima do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a poluição na Região Metropolitana de São Paulo melhorou nos últimos 30 anos. Mas isso acontece quando se olha a média. A exposição à poluição não é homogênea entre as pessoas. Individualmente existem perspectivas muito acima dessa média, quando se leva em conta o tempo de exposição e os locais onde há mais poluição", disse Maria de Fátima Andrade, professora do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), em palestra na FAPESP Week New York, realizada de 26 a 28 de novembro de 2018.

O encontro, na City University of New York (CUNY), reuniu pesquisadores brasileiros e norte-americanos com o objetivo de estreitar parcerias em pesquisa.

De acordo com a OMS, o limite de exposição a material particulado é de 20 µg/m3 (micrograma por metro cúbico de ar). Índice superado por todas as estações de monitoramento da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Algumas chegam próximo a 40 µg/m3 de material particulado, como é o caso das estações de Osasco, Grajaú e Mauá. Um pouco acima de 20 µg/m3 estão as estações de Capão Redondo, Mogi, Diadema e Cerqueira Cesar.

De acordo com Andrade, entre os motivos para a diferença da poluição entre as estações está o fato de que a frota dos carros e, sobretudo, de ônibus que circulam nas regiões periféricas é mais antiga – o que a torna mais poluente.

Andrade tem se dedicado ao estudo de poluição atmosférica na Região Metropolitana de São Paulo. Em artigo publicado no ano passado na revista Atmospheric Environment, a pesquisadora e sua equipe mostraram que, embora ainda em níveis alarmantes, a qualidade do ar na Grande São Paulo melhorou nos últimos 30 anos graças, principalmente, ao controle de emissões veiculares e industriais.

O artigo é um resumo dos resultados alcançados no Projeto Temático Narrowing the uncertainties on aerosol and climate changes in São Paulo State: Nuance-SPS, apoiado pela FAPESP.

Justiça social

“Agora estamos com outro projeto temático e medimos a poluição em determinados pontos da cidade. O que vimos é que há diferença individual. Dependendo do cotidiano de cada um, a exposição à poluição será maior ou menor. Isso mostra que também do ponto de vista da poluição não há equidade em São Paulo”, disse Andrade sobre os resultados ainda não publicados do projeto temático “Astrid - accessibility, social justice and transport emission impacts of transit-oriented development strategies.

Duas bolsistas da FAPESP estão relacionadas diretamente com o projeto. A pós-doutoranda Anne Slovic está analisando a questão da desigualdade no acesso ao sistema de transporte e percepção sobre a poluição do ar, e a doutoranda Veronika Brand está trabalhando com a aquisição de dados nas cidades envolvidas.

O projeto Astrid tem como objetivo comparar três regiões metropolitanas: São Paulo, Londres (Inglaterra) e Randstad South (que engloba Haia e Rotterdã, na Holanda) para identificar os processos e as circunstâncias que reduzem ou ampliam as diferenças sociais existentes, particularmente relacionadas à acessibilidade ao transporte, à percepção da qualidade do ar e às condições de mobilidade.

Em São Paulo, o projeto avalia a qualidade do ar no sistema de transporte (ônibus, carro e metrô), ao analisar quatro rotas entre o centro da cidade e a periferia.

Entre os resultados iniciais do projeto, cujos dados foram coletados em São Paulo, está a percepção de que a exposição a poluição é desigual. “Os dados médios não estão refletindo aquela população que está mais exposta. São pessoas que respiram mais poluentes e por mais tempo durante seu trajeto de casa para o trabalho”, disse.

Nas quatro rotas, o metrô foi o meio de transporte com menor exposição ao material particulado (variação de 12 a 17 µg/m3). Ônibus e carro permaneceram em níveis similares (mínima de 17 e máxima de 35 para ônibus e 28 µg/m3 para carro).

Estudos epidemiológicos relacionam a exposição ao material particulado, incluindo o carbono negro (ou fuligem), com mortalidade e morbidade causadas por doenças cardiovasculares, respiratórias e neurodegenerativas.

“Algumas pessoas são mais expostas, pois passam mais tempo se deslocando no transporte público. Nesse aspecto, consideramos um fator importante que é a exposição a grandes concentrações, que geralmente são desprezadas quando se olha para a média anual e para toda a região da cidade”, disse.

Poluição e a tomada de decisão

Andrade chama atenção para questões como a construção de ciclofaixas não levarem em conta as vias e os locais com maior poluição. “Em uma mesma via, um passageiro de ônibus estaria mais exposto à poluição atmosférica que um motorista de carro, pois a faixa de ônibus é um desses hotspots. Muitas ciclofaixas são instaladas próximas desses hotspots, tornando o ciclista mais exposto”, disse.

A medição da poluição nos hotspots pode contribuir também para a formulação de políticas públicas. Um exemplo, de acordo com Andrade, é a discussão sobre colocar ônibus elétricos na cidade.

“Do ponto de vista do total de emissões na Região Metropolitana de São Paulo, o efeito seria até pequeno, porque é pouco em relação ao total de emissões, mas quando se olha para a quantidade de pessoas que ficam esperando nos pontos de ônibus e dentro do sistema de transporte, expostas a essa poluição, é possível notar o benefício que a medida traria para elas. A avaliação do efeito à saúde não pode ser feita só a partir da média de concentração, mas sim considerando a rotina da população”, disse.


Fonte: Agência FAPESP















O que o clima tem a ver com Direitos Humanos?



Ativistas do Greenpeace projetam a mensagem “Não há esperança sem ação climática” aos líderes mundiais na COP24, exigindo ações urgentes para reverter o agravamento do aquecimento global © Konrad Konstantynowicz


A Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 70 anos, mas pode se tornar um sonho ainda mais distante se não enfrentarmos as mudanças climáticas

Instituída pelas Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948, após as barbáries da Segunda Guerra Mundial, a Declaração Universal dos Direitos Humanos teve o propósito de fortalecer o mais elevado dos ideais: permitir que todas as pessoas, independente do sexo, idade, raça, cultura, orientação sexual ou religiosa, vivam com dignidade, liberdade, igualdade, justiça e paz. Sete décadas depois, esse conjunto de direitos inalienáveis e universais continua a ser um alicerce sobre o qual nós do Greenpeace assumimos nosso compromisso com um mundo mais verde e pacífico. Um planeta saudável e harmonioso tem conexão direta com os Direitos Humanos quando começamos a entender a forma como os impactos das mudanças climáticas afetam nossas famílias, comunidades e as gerações do futuro.

Acesse o Press Release do documentário.

Se as emissões de carbono parecem complexas demais, os impactos que as mudanças climáticas têm nos ecossistemas são percebidos diretamente por qualquer um, pois ameaçam a vida humana. Seja pelos danos à saúde física, na falta de comida e de água, na perda de propriedade, plantações, casa e modo de vida. Os mais vulneráveis da nossa sociedade, como crianças, idosos e comunidades marginalizadas, estão em maior risco pois têm menos condições de se defender.

O Amanhã é hoje

Aquecimento global, portanto, não é apenas um problema ambiental, mas também social, humano, civilizatório, e uma questão de direitos. No documentário O Amanhã É Hoje, lançado no último dia 6 e produzido pelo Greenpeace com outras seis organizações da sociedade civil, contamos histórias de brasileiros que já tiveram suas vidas profundamente afetadas pelos impactos do clima. A pequena agricultora que perdeu tudo em seis anos de uma severa seca no sertão de Pernambuco; o comerciante de Friburgo (RJ) que viu sua loja ser destruída e os amigos serem mortos pela enxurrada; a jovem indígena Krikati que se tornou brigadista para enfrentar os incêndios florestais que consomem o seu território; a artesã que precisou abandonar sua casa após o mar engolir um pedaço na sua comunidade, no litoral de São Paulo. Em cada caso, vemos a violação de direitos fundamentais como o direito à vida, à saúde, à alimentação e a um padrão de vida adequado. Confira o trailer do documentário:





Ação urgente

Os Direitos Humanos expressam o direito de todas as pessoas a serem tratadas com igualdade, a viverem em segurança e liberdade e a serem protegidas pelo seu governo. Se hoje já parece muito difícil implementá-los, com o agravamento dos eventos climáticos, se nada for feito na medida necessária, esses princípios podem se tornar um sonho ainda mais distante. E o que já tem afetado alguns pode, em breve, afetar ainda mais gente – eu, você, aqueles que amamos. Dar importância a isto é um dever de todos nós, que nos consideramos humanos.

É por isso que durante a Conferência do Clima da ONU, a COP 24, que ainda acontece na Polônia, 34 especialistas em Direitos Humanos das Nações Unidas ligados às mais diferentes áreas, conclamaram os países a elevar sua ambição e a adotar uma ação firme para limitar a elevação da temperatura global em 1.5°C. A declaração conjunta histórica tem implicações muito além da Conferência e envia um sinal claro aos governos nacionais e às empresas de combustíveis fósseis. Elas precisam abandonar velhas práticas e energias sujas que aquecem o planeta, sob pena de ferir o mais profundo dos nossos direitos – o direito à vida.

Fonte original: Greenpeace
Fonte: Amazônia













domingo, 9 de dezembro de 2018

Canal de São Lourenço próximo da dragagem



Segundo pescadores, quando a maré está baixa às vezes se torna impossível navegar pelo canal, pois o espelho d’água desaparece. Foto: Evelen Gouvêa


Carolina Ribeiro

Estudo e relatório de impacto ambiental para desassoreamento do Canal de São Lourenço são concluídos

Apesar de atrasado, o primeiro passo para a dragagem do Canal de São Lourenço, parte da Baía de Guanabara, foi concluído. A Prefeitura de Niterói informou que foi finalizado o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (Rima), necessários para a intervenção, e que a análise deve ser enviada nesta semana para aprovação do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Especialistas afirmam que a medida é essencial para o desenvolvimento do setor naval e pesqueiro na cidade.

Segundo o gerente comercial do Estaleiro Camorim, João Guerra, o desassoreamento do canal, aguardado há anos, vai permitir mais possibilidades de negócios para os estaleiros e empresas pesqueiras, resultando em mais postos de trabalho. Para ele, a demora na conservação do meio ambiente na região piora a situação cada vez mais ao longo dos anos.

“Alguns estaleiros no final do canal já estão com calado 0, ou seja, não tem água para a embarcação navegar, alguns estão tendo que optar pelo transporte terrestre. A dragagem será benéfica para todos, pois nossos barcos conseguem chegar, mas tem muita dificuldade no acesso e ficam no meio de muita sujeira. Sem a dragagem ao longo dos anos, a tendência é piorar”, explicou.

Pescadores da Ilha da Conceição, um dos pólos de pesca da cidade, estão ansiosos também com o desassoreamento do canal. De acordo com o Presidente da Associação de Pescadores do bairro, Ulysses Ferreira de Farias, dependendo da maré, os pescadores precisam sair durante a madrugada para pescar, pois correm o risco da embarcação ficar presa.

“Se não tomar cuidado, temos muito prejuízo. Com a dragagem, nosso trabalho vai melhorar muito, vamos ter mais abertura. Tem dias que não há mais espelho d’água, é apenas lama”, lamentou.

Ainda há várias outras etapas a serem cumpridas

O objetivo é que a dragagem permita que o calado (profundidade do ponto mais baixo da embarcação em relação a linha d’água) passe de 7 para 11 metros. Desta forma, o canal terá tamanho suficiente para a entrada de navios de grande porte, possibilitando que a cidade volte a desenvolver negócios na área naval, ampliando a arrecadação no setor e gerando emprego e renda.

Na época de sua realização, a Prefeitura de Niterói explicou que o estudo também levaria em consideração a geologia através da análise do solo, níveis de ruídos subaquáticos, caracterização de qualidade da água e qualidade química e microbiológica, assim como a fauna marinha da região.

Outra análise anunciada dizia respeito ao uso e ocupação do solo urbano, aspectos econômicos e níveis de empregabilidade, proporção da população economicamente ativa, número de habitantes por idade, etnia e sexo. O objetivo era traçar o perfil social e econômico da cidade para auxiliar nas políticas públicas do município.

O estudo, no valor estimado de R$ 772.598,53, foi custeado pela Prefeitura de Niterói na tentativa de acelerar o processo, cuja responsabilidade é do Governo Federal. Iniciado em março, a previsão era de que a análise fosse finalizada em outubro, no entanto, o Executivo Municipal não divulgou a data de finalização e os resultados, apenas que enviará o resultado nesta semana ao Inea.

Ainda segundo a prefeitura, os resultados, após a análise do Inea, serão apresentados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH) aos órgãos competentes do governo Federal, que são os responsáveis legais pela realização da dragagem. Em junho deste ano, o prefeito Rodrigo Neves, anunciou que, caso o Governo Federal não inicie as obras de dragagem do Canal de São Lourenço até 2019, irá custear as intervenções.

Fonte: O Fluminense









PRO-SUSTENTÁVEL: Prefeitura de Niterói contrata projeto para a solução do calçadão da Praia de Piratininga








Mais um passo importante foi dado na execução do Programa Região Oceânica Sustentável (PRO-SUSTENTÁVEL), desenvolvido pela Prefeitura de Niterói com recursos obtidos junto ao Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF): o avanço na solução do problema de estabilidade da Praia de Piratininga.

Nas últimas décadas, seguidas ressacas têm causado danos à infraestrutura urbana, em particular, do Calçadão de Piratininga, que foi mais uma vez danificado em forte ressaca ocorrida em 2016. A atual gestão da Prefeitura de Niterói não quis repetir soluções paliativas utilizadas no passado e que duraram apenas até a próxima ressaca. Decidiu, então, fazer uma análise de toda a dinâmica costeira da praia e seu entorno e buscar a melhor solução que garanta a proteção e a melhor utilização deste cartão postal da cidade.

Contratação

A Prefeitura de Niterói concluiu o processo licitatório e eu assinei nessa semana que passou o contrato com a Aquamodelo Consultoria e Engenharia, empresa oriunda da Incubadora da COPPE/UFRJ, que vai elaborar estudos investigativos, relatório técnico de proposições de soluções e o Projeto Básico para estabilização da Praia de Piratininga e a recuperação do seu calçadão.

A empresa vai avaliar a dinâmica da praia e elencar todas as possíveis alternativas para recuperação e estabilidade da estrutura.

Também será feita a modelagem matemática de toda a praia e seu entorno para simular as diversas opções e assegurar o controle de impactos ambientais. O produto final será um projeto básico para, a partir dele, fazermos a nova licitação para a contratação das obras de reparo do calçadão.

O objetivo desses estudos que vêm sendo desenvolvidos é encontrar uma solução definitiva para o calçadão de Piratininga, que tem um histórico de destruição pela ação do mar. Todas as alternativas capazes de recuperar o calçadão estão sendo consideradas e, a partir da ação escolhida, será elaborado um Projeto Básico de Engenharia para o local. 

O investimento é de R$ 750 mil e o prazo de conclusão dos estudos é de 9 meses.

Workshop

O contrato inclui a realização de um Workshop para apresentação dos dados coletados e das previsões dos cenários obtidos pelas modelagens e debater com a comunidade técnica-científica, com os técnicos da Prefeitura e atores sociais, sobre as alternativas técnicas mais adequadas para a recuperação do calçadão e proteção da Praia de Piratininga.

Apresento, a seguir, os objetivos e o escopo dos trabalhos contratados, conforme previsto no Termo de Referência, apresentado no Anexo 1 do Edital de Licitação para os serviços, publicado no site do PRO-SUSTENTÁVEL.

A estabilização e recuperação do Calçadão de Piratininga é mais um avanço importante para a melhoria da infraestrutura da cidade de Niterói e a sua elevação a uma referência de sustentabilidade urbana e qualidade de vida.

Vamos em frente.

Axel Grael
Secretário Executivo
Prefeitura de Niterói



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TERMO DE REFERÊNCIA
ESTUDOS E PROJETO BÁSICO PARA ESTABILIZAÇÃO DA PRAIA DE PIRATININGA 

(Trecho selecionado do Termo de Referência. Para conhecer a íntegra do Edital e Termo de Referência, consulte aqui).

1. OBJETIVOS

Realizar estudos preliminares de engenharia costeira e geotecnia a fim de avaliar a dinâmica da Praia de Piratininga;

Realizar modelagem matemática considerando em cada cenário as alternativas sugeridas a fim de subsidiar a escolha da ação de conservação a ser escolhida;

Elaborar relatório técnico apresentando um diagnóstico da área e proposição de soluções técnicas para recuperação dos trechos erodidos e para estabilidade da Praia de Piratininga, com a finalidade de subsidiar a escolha da melhor técnica a ser implantada;

Elaborar Projeto Básico de engenharia da alternativa escolhida.

2. ESCOPO DOS SERVIÇOS

O escopo dos serviços será realizado em quatro etapas: (i) pesquisa bibliográfica e estudos prévios, (ii) modelagem hidrodinâmica, (iii) relatório técnico de proposição de ações para estabilização da Praia de Piratininga e (iv) elaboração de projeto básico de engenharia da solução selecionada.

Etapa 1 – Pesquisa Bibliográfica e Estudos Preliminares

i. Pesquisa Bibliográfica

A CONTRATADA deverá levantar estudos pretéritos efetuados na região através de revisão bibliográfica e outros documentos, tais como imagens de satélite, fotos aéreas, dados fisiogeográficos (clima, geologia, geomorfologia, paleogeografia e oceanografia), histórico do uso e ocupação, dinâmica praial e o que mais julgar necessário a fim de consolidar o conhecimento do problema do processo erosivo que ocorre na praia, assim procurando-se ter uma base para o diagnóstico da situação.

Ainda deverão ser levantados os registros de ocorrências de ressaca e consequentemente de erosão e desabamento do calçadão da Praia de Piratininga, identificando as áreas de ocorrência predominantes, avaliando a intensidade dos danos e períodos de ocorrência e condições meteoceanográficas da época.

ii. Estudos Preliminares

Deverão ser executados estudos prévios, infracitados, que subsidiarão a formulação de proposições de ações para a recuperação da área e, também, do projeto básico da alternativa selecionada, que terão como base dados primários. Contudo, as informações deverão ser complementadas e corroboradas com os dados secundários.

a) Topografia de praia – levantamento topográfico e transporte litorâneo de sedimentos

Deverá ser feito o levantamento topográfico do arco praial nas mesmas regiões (extremo leste, meio e extremo oeste) onde já foram executados estudos na região costeira da Praia de Piratininga a fim de verificar áreas de acresção e/ou erosão, assim como feições morfológicas com variações topográficas significativas do terreno, tal como dunas frontais e cúspides do setor emerso da praia. Para a realização do levantamento topográfico poderão ser utilizados métodos clássicos como poligonação, nivelamento geométrico, perfil transversal a linha da costa e etc, assim como novas técnicas espaciais de posicionamento. Sendo assim, deverão ser realizados levantamentos topográficos em pelo menos duas campanhas, uma no inverno (período de ressaca) e outra no verão (período sem ressaca), em 13 (treze) perfis de praia, espaçados de 200 (duzentos) em 200 (duzentos) metros.

Para entender a dinâmica sedimentar, é necessário o entendimento e conhecimento dos processos que descrevem o comportamento da morfodinâmica na praia, de acordo com três escalas de processos: de longo termo (equilíbrio dinâmico – anos e décadas), médio termo (sazonal – inverno – verão) e curto termo (condições de tempestades – horas a dias), (Gonzáles et.al., 2009). Assim, também deverá ser verificada a tendência de estabilidade ou erosiva das áreas central, leste e oeste, face as condições oceanográficas e geológicas; visando uma avaliação das variações volumétricas do perfil de praia.

b) Batimetria da Praia de Piratininga

O levantamento batimétrico até 20m da LC, deverá ser realizado a fim de mostrar com precisão a morfologia do fundo marinho, identificando as feições morfológicas geralmente encontradas nas áreas submersas, tais como bancos e cavas.

Para o levantamento batimétrico poderão ser utilizados ecobatímetros, ecossondas ou perfiladores sísmicos, que permitam um mapeamento detalhado da morfologia do fundo. Este estudo deverá produzir uma tabela com registros ecobatimétricos georreferenciados, e os dados deverão ser tratados através de programas específicos para este tipo de dados, e os resultados apresentados em forma de mapas batimétricos e de relevo.

c) Caracterização sedimentológica da Praia de Piratininga - análise granulométrica da face praial

A caracterização sedimentológica tem como finalidade mostrar a composição textural e granulométrica do sedimento dos perfis de praia. Para isso deverão ser coletadas amostras de sedimentos superficiais em 13 (treze) pontos, em campanha única, correspondendo aos perfis de praia onde ocorrerão os levantamentos topográficos, contemplando as áreas do pós-praia, estirâncio, zona de arrebentação e antepraia. As coletas das amostras deverão ser realizadas nos primeiros centímetros de sedimentos superficiais, abrangendo uma área representativa do perfil.

Os resultados de granulometria dos perfis deverão ser apresentados em forma de gráfico (histograma e frequência acumulada) para cada local do perfil.

d) Morfodinâmica da praia

A morfodinâmica praial é um método de estudos que integra observações morfológicas e dinâmicas numa descrição mais completa e coerente da praia e zona de arrebentação (Calliari et al. 2003). Deverão ser realizados estudos a fim de avaliar o comportamento hidrodinâmico da Praia de Piratininga, analisando os dados de maré, correntes e ondas.

Marés

As medidas das variações periódicas do nível do mar na área de estudo são fundamentais, já que estão associadas às mares astronômicas e meteorológicas que junto com as ondas e o vento são as principais forçantes no transporte de sedimentos ao longo da LC.

Para isso, deverá ser realizado um levantamento do registro maregráfico da região por um período de 30 dias, de modo a contemplar os diferentes regimes de maré (sizígia e quadratura) nos períodos seco e chuvoso, perfazendo um total de 2 campanhas.

Ao fim do estudo pretende-se caracterizar o nível do mar, identificar as variações do nível do mar em diferentes escalas temporais e estabelecer as relações causais com fenômenos meteorológicos ou oceanográficos de escala local, de mesoescala ou larga escala.

Ondas

Quanto as ondas, deverão ser avaliadas as alturas, períodos, ângulo de incidência, direções predominantes (maior penetração de frente de onda, maior energia, comportamento em áreas rasas) fazendo uma reconstituição do clima de ondas, já que elas são o principal agente causador de erosão.

A obtenção de dados de ondas podem ser através de medições in situ ou a partir de modelos globais retrospectivos (dados de ondas de reanálise). Esta segunda alternativa apresenta a vantagem de suprir informações em locais onde não há medidas in situ ou onde estas medidas não englobam um intervalo de tempo longo (mais de 15 anos).

Como resultado deverá ser apresentado uma descrição do Clima de Ondas da região da Praia de Piratininga, contendo a análise estatística do Clima de Ondas interanual, sazonal e para todo o período avaliado.

Correntes

Deverão ser descritos o padrão geral das correntes para a região e caracterizar seu comportamento costeiro, identificando a intensidade e direção nas camadas próximas à superfície e ao fundo de acordo com as variações de maré (enchente e vazante). Para tanto, deverão ser realizadas medições de correntes através da instalação de equipamentos tipo perfiladores acústicos que possibilitem a medição de correntes na superfície e no fundo por período de 30 dias, em 2 (duas) campanhas (verão/primavera e inverno/outono) ou podendo também ser utilizados dados secundários recentes da área coletados por instituições de pesquisa de reconhecida expertise em estudos oceanográficos.

A partir da obtenção desses dados deverão ser esclarecidas as questões como qual a magnitude das correntes em frente a praia de Piratininga e quais as origens das correntes ali observadas.

e) Caracterização climática

Deverão ser levantados os principais parâmetros climáticos (direção e velocidade dos ventos) para a área de estudo, a partir de dados secundários disponíveis nas estações meteorológicas da PMN, localizada em Piratininga e dos dados do Instituto Nacional de Meteorologia – INMET a fim de caracterizar o vento da região e sua influência nas correntes marinhas locais.

Etapa 2 - Modelagem Hidrodinâmica para Avaliação das Alternativas

Conhecer e entender os efeitos das variações nas condições energéticas (oceanográficas e meteorológicas) da zona costeira no presente e no passado, bem como fazer projeções para o futuro, é essencial para a maioria dos projetos de engenharia, sendo um requisito básico para o gerenciamento costeiro.

A partir dos dados obtidos nos estudos prévios e dos dados secundários deverão ser aplicados modelos matemáticos de hidrodinâmica e transporte de sedimentos considerando os cenários atual e posterior a implantação de cada alternativa proposta, a fim de verificar o comportamento da praia pós intervenção, contemplando:

- condições de ondas;
- marés meteorológica e oceanográfica e suas variações sazonais;
- correntes e níveis da água ao longo da Praia de Piratininga;
- padrão de transporte de sedimentos e possíveis interferências nas praias adjacentes;
- variação da linha de costa e a determinação dos locais de erosão e progradação;
- estabilidade da feição resultante das intervenções propostas.

As simulações deverão abranger cenários representativos e durar um período suficientemente longo para que se tenha uma previsão representativa das mudanças possíveis na região, considerando inclusive a previsão de vida útil da intervenção realizada, sendo possível prever a resposta da praia após a implantação de cada ação de modo a subsidiar a escolha da melhor alternativa.

O modelo utilizado deverá atender a alguns requisitos básicos como: possuir ampla aceitação das comunidades cientifica e de engenharia, com extensa aplicação em diferentes estudos e projetos; ter sido desenvolvido em instituição de reconhecida capacidade técnica; possuir equipe técnica dedicada ao desenvolvimento e manutenção dos modelos e possuir documentação referente à sua base teórica e implementação numérica. O modelo deverá ser calibrado com os dados primários obtidos nos estudos preliminares.

Todos os resultados deverão ser apresentados em forma de gráficos e mapas de cenários, devidamente descritos e interpretados no Relatório. Deverão ser apresentadas a metodologia, as equações e os modelos utilizados, além de análises estatísticas quando aplicadas.

Etapa 3 – Elaboração de Relatório Técnico

O Relatório Técnico deverá ser elaborado em duas partes, sendo a primeira um Diagnóstico Hidrossedimentar da Praia de Piratininga baseado nos dados primários e secundários e nos resultados obtidos da modelagem, e a segunda parte a Proposição de Alternativas para a estabilização da Praia de Piratininga, devendo ser consideradas as estruturas mais apropriadas de acordo com os estudos especializados e as melhores práticas correntes no Brasil e no Mundo.

O Relatório Técnico, deverá ser apresentado e discutido em um workshop a ser realizado nesta fase, com a sociedade civil e comunidade técnica-científica, além da equipe técnica da PMN e da CONTRATADA, de modo que todos os interessados sejam ouvidos e participem da escolha da melhor alternativa.

Etapa 4 - Elaboração do Projeto Básico de engenharia da Alternativa Selecionada

Após a definição da alternativa técnica a ser implementada na Praia de Piratininga, deverá ser elaborado o Projeto Básico necessário à intervenção costeira para a recuperação daquela faixa costeira.


Para saber mais, consulte o site do PRO-Sustentável




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quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Campo de São Bento ganha nova iluminação com LED amarelo












03/12/2018 – O Campo de São Bento, em Icaraí, é a primeira área pública da cidade a receber iluminação com LED amarelo. A escolha por este tipo de luz foi feita por apresentar menor impacto para as plantas e os animais. A instalação da nova iluminação, que faz parte do projeto de revitalização do parque, já foi concluída.

Na manhã desta segunda-feira (3), o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, esteve no Campo de São Bento acompanhando os trabalhos de revitalização. Neves enfatizou que a iluminação foi um dos principais pontos abordados na consulta pública para melhorias no parque, assim como a construção de novos banheiros.

“O Campo de São Bento é um espaço de convivência dos niteroienses, um espaço de encontro das famílias da cidade, não só de Icaraí, como de todas as outras regiões. O Campo completou 110 anos em 2018 e estamos realizando melhorias. Os projetos foram analisados junto ao Departamento de Preservação do Patrimônio Cultural (Depac), que já aprovou a reforma e ampliação dos banheiros. Também está sendo feita a limpeza dos lagos e tivemos a nova iluminação concluída”, disse Neves.

Ao todo, de acordo com a secretária municipal de Conservação e Serviços Públicos (Seconser), Dayse Monassa, foi feita a substituição de 126 luminárias de vapor de sódio de 400W por luminárias de LED amarelo de 250W nos 42 postes do Campo de São Bento. Também foi realizada a substituição de sete luminárias de vapor de sódio 150W por luminárias de LED branco de 120W na pista de patinação.

“Os pontos mais altos receberam o LED amarelo, e os mais baixos, LED branco. O LED amarelo é ambientalmente correto, tem menos impacto para os animais silvestres e as plantas. Este tipo de iluminação não causa estresse para a fauna e a flora. Além disso, o LED amarelo consome menos energia que o branco e tem uma vida útil maior. O LED branco é mais indicado para eixos principais, uma vez que oferece melhor visibilidade”, afirmou Dayse Monassa.

Fonte: Prefeitura de Niterói














segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Banco Mundial anuncia US$ 200 bilhões para proteção climática







Valor é o dobro do previsto pelo Acordo de Paris e será destinado à promoção de energias renováveis e adaptação de locais ameaçados pelas mudanças climáticas

O Banco Mundial anunciou nesta segunda-feira (03/12) que disponibilizará aos países em desenvolvimento 200 bilhões de dólares para investimentos em ações de proteção ao clima. A cifra representa o dobro do valor previsto para os próximos cinco anos, estabelecido durante as negociações do Acordo de Paris, em 2015.

Segundo a instituição, a medida, anunciada em meio à 24ª Conferência da ONU sobre o clima (COP 24), que ocorre na Polônia, representa uma aumento significativo na ambição de lidar com as mudanças climáticas, além de enviar "um sinal importante para que a comunidade internacional faça o mesmo".

As nações em desenvolvimento se comprometeram a aumentar os gastos públicos e privados anuais combinados para 100 bilhões de dólares até 2020, para combater o impacto das mudanças climáticas. Segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), os valores gastos por esses países na proteção ao clima foram de 48,5 bilhões de dólares em 2016 e de 57,6 bilhões em 2017.

Em comunicado, o Banco Mundial afirma que a própria instituição financiará aproximadamente 100 bilhões de dólares do total de 200 bilhões anunciado. Em torno de um terço do financiamento virá de duas outras agências do Banco Mundial, com o restante sendo fornecido por capitais privados levantados pelo grupo.

"Se não reduzirmos as emissões [de gases causadores do efeito estufa] e não nos adaptarmos agora, teremos 100 milhões de pessoas vivendo na pobreza até 2030", alertou o executivo sênior para mudanças climáticas da instituição, John Roome. "Também sabemos que, se não lidarmos proativamente com esse problema, apenas em três regiões – África, Ásia e América Latina – teremos 133 milhões de migrantes em razão do clima", afirmou.

Roome acrescentou que, no ano fiscal de 2018, iniciado em junho de 2017, o Banco Mundial destinou 20,5 bilhões de dólares à proteção ao clima, em comparação com a média anual de 13,5 bilhões no período de 2014 a 2018. Segundo o executivo, o novo valor corresponde a cerca de 35% de todos os financiamentos do Banco Mundial.

Parte significativa desse financiamento será dedicada à redução das emissões, principalmente através de estratégias para o desenvolvimento de energias renováveis. Segundo a instituição, outra prioridade é aumentar o apoio à adaptação ao clima, uma vez que milhões de pessoas já lidam com os efeitos das condições climáticas extremas.

Essas medidas incluem a construção de edificações resistentes aos climas extremos e a descoberta de novas fontes de água potável, uma vez que o aumento do nível do mar pode contaminar as reservas existentes.

"Ao incrementar o financiamento à adaptação direta para chegar a 50 bilhões de dólares entre [os anos fiscais de] 2021-2025, o Banco Mundial vai, pela primeira vez, dar ênfase igual a esse objetivo, ao lado dos investimentos para reduzir as emissões". Afirma a nota da instituição.

Sobre questões como o aumento do nível do mar e a maior ocorrência de enchentes e secas, a CEO do Banco Mundial, Kristalina Georgieva, afirma que é necessário "combater as causas, mas também se adaptar às consequências que costumam ser dramáticas para as populações mais pobres do mundo".


Fonte: Deutsche Welle




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Central termoelétrica a carvão de Dolna Odra, na Polônia. OMAR MARQUES (GETTY IMAGES)


Manuel Planelles/ Alvaro Sánchez

Comissão Europeia defende benefícios econômicos de eliminar por completo os gases do efeito estufa na região até meados deste século

A era da combustão na Europa – em que o carvão, o petróleo e o gás natural foram os motores de sua próspera economia – tem prazo para acabar: 2050. A Comissão Europeia (Poder Executivo da União Europeia) propôs que as emissões de gases do efeito estufa no bloco desapareçam em meados deste século, o que implica deixar de lado esses combustíveis fósseis que permitiram o expressivo crescimento do Ocidente desde 1950. Bruxelas defende, entre outros pontos, que 80% da eletricidade provenha de energias renováveis em 2050, e também que sejam usadas ferramentas tributárias para combater as tecnologias mais sujas. A Comissão calcula inclusive que essa transição trará benefícios econômicos para a UE, ao invés de prejuízos.

O Parlamento Europeu insistiu há um ano para que a Comissão apresentasse uma estratégia de longo prazo destinada a livrar a UE dessas emissões até meados do século XXI. É esse documento que Bruxelas apresentará nesta quarta-feira. O estudo, ao qual o EL PAÍS teve acesso antecipadamente, destaca que as políticas hoje vigentes na UE só permitiriam uma redução de 60% nas emissões até 2050. “Isto não é suficiente para que a UE contribua para os objetivos do Acordo de Paris”, admite Bruxelas em seu documento. Daí a necessidade de novas políticas e de estabelecer a meta de zerar as emissões dentro de pouco mais de três décadas.

O Acordo de Paris reconhece que o aquecimento global já é irreversível, por isso os signatários se conformam em limitar o aumento da temperatura até o final deste século em 1,5 a 2 graus Celsius acima dos valores médios de 1990. Essa é a margem para evitar as piores catástrofes climáticas. Para atingir essa meta, é preciso que todos os países apresentem planos de redução de emissões de gases do efeito estufa. A Europa atualmente responde por 10% das emissões mundiais.

Mais ambicioso

A estratégia de emissão zero até 2050 implica aumentar a ambição europeia na guerra contra o aquecimento. Em 2009, a UE estabeleceu uma redução de 80% a 95% das suas emissões até 2050, em comparação aos níveis de 1990. Entre as razões mencionadas agora pela Comissão para intensificar seus esforços está o recente relatório em que o IPCC (equipe científica que assessora a ONU) pede aos países que tomem atitudes, frente ao risco de fracassar e descumprir o que foi decidido na cúpula climática de 2015 em Paris.

A Comissão tenta afastar os temores quando recorda em sua estratégia que é possível crescer economicamente e ao mesmo tempo reduzir as emissões de gases do efeito estufa. É algo que o continente já tem conseguido: entre 1990 e 2016, essas emissões diminuíram 22% na UE, enquanto o PIB cresceu 54%. Com sua proposta, Bruxelas envia agora um poderoso sinal político. Também para setores como o energético e dos transportes, com a indústria automobilística já envolvida numa corrida tecnológica para se adaptar ao novo modelo.

O documento salienta os benefícios dessa corrida de longo percurso. Os impactos econômicos totais “são positivos apesar dos importantes investimentos adicionais que exigem”, aponta a Comissão. Segundo os cálculos de Bruxelas, o PIB crescerá 2 pontos percentuais a mais com as políticas de descarbonização que permitirão zerar as emissões. E isso sem contar o benefício econômico representado pela erradicação dos danos provocados pela mudança climática, que um recente relatório oficial de Bruxelas estimou em 240 bilhões de euros (1,05 trilhão de reais) por ano se o Acordo de Paris fracassar.

Mas as boas intenções reveladas pela Comissão neste documento ainda precisam ser referendadas e concretizadas em um pacote de medidas amplo, como o que já existe para o período compreendido entre agora e 2030.

Os 27 países da UE ainda precisam dar luz verde a esta estratégia. A predisposição parece favorável. Os ministros de Meio Ambiente de uma dezena de Estados – entre eles França, Itália e Espanha – assinaram há duas semanas uma carta conjunta dirigida ao comissário (ministro) europeu de Ação pelo Clima e Energia, Miguel Árias Cañete, em que insistiam para que fosse ambicioso e cumprisse o objetivo de zerar as emissões até 2050. Entretanto, países como a Alemanha, o motor econômico europeu, não se pronunciaram a respeito.

Mortes prematuras

Uma vez que o plano for aprovado pelos Governos nacionais, o maquinário legislativo da UE começará a operar, mas tendo no horizonte o objetivo de eliminar as emissões. A estratégia para 2050 será debatida também nesta quarta no Parlamento Europeu.

Árias Cañete ressalta que o plano de Bruxelas também “reduzirá em mais de 40% as mortes prematuras por poluição atmosférica, e os custos sanitários diminuirão em 200 bilhões de euros (875 bilhões de reais) por ano”. Os cálculos da Comissão prognosticam ao mesmo tempo uma descomunal economia graças à nula dependência das importações de petróleo: ao todo, entre dois e três trilhões de euros (8,75 a 3,13 trilhões de reais) entre 2030 e 2050.

A estratégia da Comissão é explícita quando aborda a transformação do setor elétrico. O barateamento dos custos das energias renováveis permitiu uma rápida implantação dessa matriz limpa. Para 2050, Bruxelas recorda que “mais de 80% da eletricidade virá de fontes renováveis”. A isso a Comissão soma outros 15% procedentes da nuclear – que não emite CO2, mas gera outros problemas relacionados aos resíduos – para falar de um modelo de matriz elétrica 100% livre de gases do efeito estufa. Esse plano inclui o fechamento de todas as centrais termoelétricas alimentadas com carvão e gás natural.

No caso do transporte, onde há importantes pressões das montadoras de automóveis, a Comissão não se aprofunda tanto. Embora o documento se refira à importância da eletrificação de carros e caminhões, não fecha a porta a “combustíveis alternativos”, como os biocombustíveis. O documento menciona, isso sim, a polêmica técnica de captura e armazenagem de dióxido de carbono, alvo de uma grande rejeição social, defendendo que sua implantação continua sendo “necessária”. Bruxelas, além disso, destaca a importância de usar os impostos e subvenções como uma “ferramenta eficiente para a política ambiental”.











sexta-feira, 30 de novembro de 2018

NITERÓI RESILIENTE: Contenção da Rua Jonathas Botelho será concluída em dezembro






27/11/2018 – O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, vistoriou nesta terça-feira (27) as obras de contenção de encosta na Rua Jonathas Botelho, no Cubango, na Zona Norte da cidade. A obra foi dividida em cinco frentes de trabalho e em todas essas áreas estão sendo executadas técnicas como cortina atirantada com vigas estaqueadas, solo grampeado e a instalação de guarda-corpos, passarelas e escadas para melhorar o acesso da população. Com investimento de R$ 9 milhões, a previsão é de que quatro intervenções sejam concluídas em dezembro e uma em janeiro.

“Essa é mais uma das obras de contenção de encostas que estão sendo realizadas pela Prefeitura. Mais de 2 mil pessoas moram nessa região, que já é atendida pelo Programa Médico de Família e outros programas sociais, mas precisava dessa intervenção para aumentar sua resiliência”, informou Rodrigo Neves.

Morador há mais de 50 anos da Rua Jonathas Botelho, Helvécio Rubis, de 90 anos, acompanha de perto a execução da obra.

“Estávamos esperando essa contenção há quase dez anos. Montamos uma comissão de moradores, nos organizamos e começamos o diálogo com a Prefeitura, em especial com a Defesa Civil e a Secretaria de Obras. Eu e todos os moradores daqui estamos muito satisfeitos com as obras”, elogia Helvécio.

Investimentos – Mais obras de contenção de encostas estão sendo realizadas em outros pontos da cidade, como no Morro do Arroz, no Centro, e na Rua São Paulo, na Ponta da Areia.

Desde 2013, a Prefeitura de Niterói já realizou mais de 70 obras de contenção, onde foram investidos mais de R$ 200 milhões. Entre elas, pontos na Grota do Surucucu, em São Francisco; Morro do Estado; Morro do Holofote, no Fonseca; Morro do Palácio, no Ingá; Rua Engenheiro Guilherme Greenhalgh, em Icaraí; Rua Fagundes Varela, entre Ingá e Icaraí; Travessa Beltrão, em Santa Rosa, além da obra na Rua Martins Torres, em Santa Rosa, concluída no início de março, onde uma pedra de 25 toneladas rolou em 2015.


Fonte: Prefeitura de Niterói










Guarda Municipal apreende 1.340 caranguejos em Niterói






27/11/2018 – A Coordenadoria Ambiental da Guarda Municipal de Niterói resgatou cerca de 1.340 caranguejos da espécie Ucides cordatus desde o início do período de defeso, em outubro, quando a captura e a comercialização dos animais é proibida pela Lei 9605/98. Os animais foram encaminhados para a Área de Proteção Ambiental (APA) de Guapimirim, onde foram reintegrados ao manguezal.

Na última ação, no domingo (24), os animais estavam sendo comercializados em ruas próximas ao Mercado São Pedro. Responsável pela Coordenadoria Ambiental da Guarda, Edson Jorge Martins, informa que a fiscalização continua até 31 de dezembro, quando se encerra o período de defeso da fêmea. Neste período, apenas os animais congelados inteiros podem ser comercializados, com a devida apresentação de data estoque, emitida pelas autoridades competentes.

“O defeso é o período em que os animais vão para o manguezal e se reproduzem. Se forem capturados, ocorre o desequilíbrio do ecossistema e pode chegar até a escassez ou extinção dos caranguejos”, observou Martins.

Além das ações rotineiras de fiscalização realizadas pela Guarda, a população também pode denunciar a comercialização ilegal dos animais através do número 153 que atende no Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp).

Fonte: Prefeitura de Niterói