sexta-feira, 17 de maio de 2019

LARS GRAEL ENCERRA CARREIRA INTERNACIONAL: Uma linda homenagem dos velejadores da Classe Star



O velejador brasileiro Lars Grael, medalhista olímpico (Classe Tornado - Seul 1988 e Atlanta 1996), campeão mundial e multicampeão sulamericano e brasileiro, anunciou que despede-se da carreira internacional durante o campeonato europeu que está sendo realizado no Lago de Garda, na Itália.

O campeonato reúne mais de 90 tripulações, contando com alguns dos melhores velejadores do mundo e dentre eles, campeões olímpicos e mundiais, como Robert Scheidt (BRA), Paul Cayard (EUA) e Samuel Gonçalves, velejador revelado pelo Projeto Grael, que conquistou o campeonato mundial como proeiro de Lars Grael.

Reunidos em praça pública, residentes locais, ex-velejadores além dos velejadores participantes do evento fizeram uma comovente homenagem a Lars Grael e à família Grael.

Como irmão, Lars, manifesto aqui o meu enorme orgulho pelo seu legado esportivo e, acima de tudo, por tudo o que você representa, com o seu exemplo de dedicação, competência, perseverança e resiliência pessoal.

Assista ao discurso de agradecimento de Lars Grael




















BRAVO ZULU!!!! Muito sucesso sempre, Lars!







Projeto Grael representado na abertura do projeto "Escola para a Vida", da Secretaria de Educação de Niterói











A subsecretaria Municipal de Educação, através da Diretoria de 3º e 4º ciclos, promoveu na última terça (14), no Teatro Popular Oscar Niemeyer, a abertura do Projeto “Escola para a vida”, edição 2019.

A iniciativa tem por objetivo contribuir para o enriquecimento cultural e ampliação das perspectivas de futuro dos adolescentes da rede municipal de Educação de Niterói. 

De acordo com coordenador do programa, professor Luciano Palmares, a proposta se baseia no ambiente da escola como fator de motivação para que os alunos possam caminhar rumo à realização de sonhos pessoais.

O evento contou com apresentações de música e teatro, realizadas por alunos na faixa etária de 11 a 14 anos.

Na ocasião, nosso Coordenador do Programa de Desenvolvimento Esportivo, Andre Alcantara Martins apresentou o Projeto Grael aos jovens presentes.


Fonte: Projeto Grael e Educação Niterói









quinta-feira, 16 de maio de 2019

FLORESTAS AMEAÇADAS: Por uma reserva legal justa, protetora e produtiva



Reserva legal comunitária do assentamento Vale do Amanhecer. MARCELO CAMARGO (AGÊNCIA BRASIL)


M. BUSTAMANTEI. VIEIRAV. PILLAR, G. FERNANDES

O projeto que prevê fim da Reserva Legal nas propriedades rurais representa um retrocesso da lei ambiental, com implicações para a sociedade. Suas justificativas não se sustentam

O Projeto de Lei (PL) apresentado pelos senadores Marcio Bittar (MDB-AC) e Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) que prevê o fim da Reserva Legal (RL) nas propriedades rurais é extemporâneo e raso. Extemporâneo porque a nova Lei de Proteção da Vegetação Nativa foi exaustivamente debatida até sua aprovação em 2012 e revista pelo STF em 2018. Raso porque não tem nenhum fundamento válido para propor o fim de tão importante pilar da conservação e uso sustentável da vegetação nativa. As justificativas desse retrocesso dramático da legislação ambiental, com profundas implicações para a sociedade e produtores rurais, não se sustentam.

Não é verdade que...

1) a demanda por conservação venha do “clamor ecológico fabricado” por estrangeiros. A RL, já prevista desde 1934, é fruto de um olhar responsável do Estado brasileiro para assegurar a conservação e a sustentabilidade no uso econômico dos recursos naturais em uma fração do imóvel rural. Em sua evolução no ordenamento jurídico, incorporaram-se os valores da Constituição Federal de 1988, pela qual, além da função econômica, a propriedade ou posse deve obedecer a uma função social que inclui a utilização adequada dos recursos naturais e a preservação do meio ambiente, bens coletivos de toda a sociedade. Ao contrário do exposto no PL, os dispositivos da RL não “ferem de morte o princípio constitucional do direito à propriedade privada”.

2) o Brasil conserva sua vegetação nativa mais do que o necessário. As Unidades de Conservação (UCs) (públicas e privadas), e as áreas protegidas dentro de imóveis rurais têm papéis complementares e não são intercambiáveis como sugere o PL. As UCs protegem áreas com características especiais e porções significativas da biodiversidade brasileira. Cobrem 29% da Amazônia, mas apenas 10% da Mata Atlântica, e ainda menos nos demais biomas. Ainda, o PL usa dados de todas as áreas com algum nível de proteção no Brasil e os compara com áreas estritamente protegidas em outros países. De mesma forma, o PL cita que os EUA usam 74,3% de sua área para a agropecuária; mas descontando as pradarias naturais com uso pastoril compatível ao de nossas RLs, seriam 22% com lavouras e pastagens. As RLs garantem benefícios locais como a polinização de cultivos agrícolas, a proteção do solo e o suprimento de água, além de permitir a conectividade das paisagens naturais, essencial para a conservação da biodiversidade regional. Sem isso, a extinção de espécies aumentará significativamente.

3) a Reserva Legal trava a produção agrícola brasileira. A RL não é “terra improdutiva”. O uso sustentável da RL sempre foi assegurado em Lei. Paisagens agrícolas com produção diversificada, incluindo o uso produtivo das RLs, trazem mais benefícios diretos aos produtores e à sociedade. Por exemplo, estima-se que no Brasil os serviços de polinização do café contribuam com 1,9 a 6,5 bilhões de reais/ano. Considerados todos os serviços ecossistêmicos, manter as RLs é melhor que desmatá-las. Ademais, há uma grande extensão de pastagens degradadas que podem ser recuperadas para produção agrícola sem precisar retroceder na conservação de vegetação nativa.

Reduzir a proteção ambiental resulta em prejuízos diretos para a agricultura. Isso já é aceito pela fração responsável do agronegócio mas, os autores do PL ecoam as vozes mais arcaicas do setor. Parlamentares devem defender os interesses da coletividade, buscando o bem comum de forma mais eficiente possível. Claramente não é o caso do PL 2362/2019.

Este artigo foi escrito com apoio do grupo Coalizão Ciência e Sociedade, formado por aproximadamente 50 cientistas de diversas instituições de pesquisa do País.

Mercedes Bustamante é Professora titular do Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília. Doutorado em Geobotânica pela Universitaet Trier, Alemanha. Membro eleito da Academia Brasileira da Ciências e da The World Academy of Sciences.

Ima Vieira é Pesquisadora titular do Museu Parense Emilio Goeldi-MPEG. Doutorado em Ecologia pela University of Stirling, Escócia. Docente permanente dos programas de Pós-graduação em Ciências Ambientais (UFPa-MPEG-EMBRAPA) e de Biologia Vegetal (MPEG-UFRA), em Belém-Pará.

Valério De Patta Pillar é Professor Titular do Departamento de Ecologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Doutorado em Plant Sciences (Quantitative Ecology) - University of Western Ontario, Canadá. É Presidente da Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação (ABECO).

Geraldo Wilson Fernandes é Professor Titular do Departamento de Biologia Geral da Universidade de Minas Gerais. Doutorado em Ecologia Evolutiva pela Northern Arizona University, Estados Unidos. Foi Tinker Visiting Professor na Stanford University, Estados Unidos.


Fonte: El País










Martine e Kahena mantêm liderança do Campeonato Europeu






Com as regatas de quinta, o trio da liderança mudou, e as holandesas Annemiek Bekkering e Annette Duetz, subiram para a segunda colocação, com 32 pontos

As campeãs olímpicas Martine Grael e Kahena Kunze seguem líderes do Campeonato Europeu de 49erFX em Weymouth, na Inglaterra. Nesta quinta-feira (16), as brasileiras garantiram dois segundos lugares e um quarto lugar, somando oito pontos perdidos no dia. No ranking geral fecharam o dia com 21 pontos, 11 pontos a frente da segunda dupla.

Com as regatas de quinta, o trio da liderança mudou, e as holandesas Annemiek Bekkering e Annette Duetz, subiram para a segunda colocação, com 32 pontos. Donas da casa, as inglesas Charlotte Dobson e Saskia Tidey estão em terceiro, com 52 pontos perdidos.

A competição começou na segunda-feira (13), e com as nove regatas de qualificação já concluídas, Martine e Kahena contam com quatro vitórias, três segundos e um terceiro lugar. A competição, que reúne também provas das classes 49er e Nacra 17, acontece até domingo (19), quando será disputada a regata medalha. Somente na classe 49FX estão concorrendo 57 duplas de mais de 22 países.

Na temporada de 2019, Martine Grael e Kahena Kunze já conquistaram a Mindwinter, a etapa de Miami Copa do Mundo de Vela e o Troféu Princesa Sofia, na Espanha.


Fonte: O Fluminense









Desde Acordo de Paris, petrolíferas gastaram US$ 1 bi em desinformação sobre clima






Ao mesmo tempo em que se colocam como “parte da solução” da crise climática, as cinco principais companhias de petróleo e gás do mundo continuam agindo contra políticas climáticas, segundo relatório do think tank inglês InfluenceMap

Desde que o Acordo de Paris foi concluído em 2015, as cinco principais empresas de capital aberto do setor de petróleo e gás do mundo gastaram mais de US$ 1 bilhão para destacar suas “credenciais” como companhias preocupadas com a mudança do clima, ao mesmo tempo em que continuaram pressionando agentes públicos para proteger seus interesses e expandir suas operações de combustíveis fósseis. Esse dado foi revelado pelo think tank britânico InfluenceMap, que publicou um relatório abrangente sobre os gastos dessas empresas relacionados a clima.

O relatório revela que ExxonMobil, Royal Dutch Shell, Chevron, BP e Total gastam anualmente cerca de US$ 195 milhões em campanhas de branding, reforçando seus compromissos climáticos junto aos diferentes públicos de interesse. Ao mesmo tempo, essas mesmas empresas despendem US$ 200 milhões anuais para controlar ou adiar políticas públicas em clima e energia, impedindo que governos cumpram com suas promessas de redução de emissões de gases de efeito estufa no âmbito do Acordo de Paris.

“As principais empresas de petróleo estão se projetando como atores-chave na transição energética enquanto fazem lobby para atrasar, enfraquecer ou se opor a políticas climáticas significativas”, aponta Edward Collins, analista do InfluenceMap e autor do relatório.

De acordo com o relatório, a assinatura do Acordo de Paris forçou uma mudança na conduta de comunicação das gigantes petrolíferas, já que a percepção pública sobre a questão climática mudou em favor de ações incisivas para enfrentar o problema do aquecimento do planeta. Por isso, a estratégia de comunicação dessas empresas passou a valorizar a preocupação corporativa com a mudança do clima. No entanto, sem conexões mais sólidas entre mensagem e ação, essas companhias acabam praticando greenwash.

Esse esforço seria parte de uma estratégia mais ampla das empresas para proteger e expandir as operações com vendas anuais combinadas de mais de US$ 1 trilhão e lucros de US$ 55 bilhões em 2018, a grande maioria relacionada a petróleo e gás. Os gastos das empresas aumentarão para US$ 115 bilhões em 2019, de acordo com as divulgações corporativas, mas apenas cerca de 3% serão investidos em baixo carbono.

O relatório do InfluenceMap analisou e avaliou detalhadamente os gastos das grandes companhias petrolíferas em atividades relacionadas a clima, tanto diretamente quanto através de parceiros e grupos comerciais. Para tanto, primeiro foram identificaram áreas de atividade corporativa que possam influenciar a política e o branding nas empresas, incluindo pessoal interno, gastos com publicidade e lobby externo, com coleta de dados sobre esses gastos. Depois, analisou-se a proporção de custos dedicada a clima, observando o foco das publicações, propagandas e atividades de lobby.

Uma tendência observada no relatório é o uso tático de redes sociais. Nas quatro semanas que antecederam as eleições de 2018 nos Estados Unidos, a ExxonMobil liderou um esforço de US$ 2 milhões em anúncios no Facebook e no Instagram promovendo os benefícios do aumento da produção de combustível fóssil e se opondo a diversas iniciativas legislativas colocadas para votação popular no pleito.

O relatório conclui que as grandes petrolíferas terceirizam o lobby mais agressivo contra ação climática para grupos comerciais como o American Petroleum Institute, que fez campanha em 2018 para desregulamentar o setor de petróleo e gás e reverter as regulações sobre metano nos Estados Unidos. Esses grupos também vêm coordenando esforços para bloquear políticas para acelerar o desenvolvimento e uso de veículos elétricos nos Estados Unidos e na Europa.

No entanto, as empresas estão enfrentando uma pressão crescente de investidores, políticos e sociedade civil para mudar seu comportamento. Por exemplo, a iniciativa Climate Action 100+, que reúne instituições com US$ 30 trilhões em ativos, ajudou a forçar a Shell e a BP a se comprometer com a reforma de suas práticas de lobby. No plano político, alguns estados norte-americanos estão buscando processos legais climáticos contra ExxonMobil e outras empresas.

“As credenciais climáticas das gigantes petrolíferas estão esvaziadas, o que coloca sua credibilidade em jogo. Elas apoiam publicamente a ação climática, mas fazem lobby político contra. Elas defendem soluções de baixo carbono, mas esses investimentos são superados pelos gastos em expandir seu negócio de combustíveis fósseis”, aponta Collins.

“Há um consenso crescente sobre a necessidade de ação urgente em relação à mudança do clima, unindo cientistas, empresas, investidores e a sociedade civil em geral. Este relatório fornecerá munição para pressionar por regulamentos significativos e obrigatórios nas operações dessas empresas”.

O relatório está disponível neste link.

Fonte: Página 22












Fui palestrante sobre "Transporte, Trânsito e Meio Ambiente: desafios para uma Niterói sustentável"








Na quarta-feira, 15 de maio, fui palestrante da 3ª JORNADA DE CAPACITAÇÃO EM EDUCAÇÃO PARA O TRÂNSITO PARA DOCENTES DE NITERÓI, organizado pela NITTRANS, com a Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia, a Fundação Municipal de Educação, Programas Especiais, o Núcleo de Ações Integradas, o Programa Niterói de Bicicleta, Imprensa Oficial, Polícia Rodoviária Federal e ECOPONTE.

A minha apresentação foi sobre o tema: "Transporte, trânsito e Meio Ambiente: Desafios para uma Niterói Sustentável".

Abordei os problemas de mobilidade das cidades brasileiras, os dados sobre a frota de veículos do país, a matriz de combustíveis utilizados, as emissões atmosféricas do setor de transporte e demos especial ênfase para Niterói e as medidas que estão em curso para reverter os problemas de mobilidade da cidade.




Abordamos a implantação da TransOceânica, o Programa Niterói de Bicicleta, o Centro de Controle Operacional da Mobilidade (CCO), os estudos para a implantação do VLT, a implantação do LABMOB, o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável - PMUS que está em elaboração, além de outras iniciativas da Prefeitura.

Debatemos também os impactos do setor de transporte na qualidade do ar nas cidades, o trabalho de monitoramento da qualidade do ar que a Prefeitura está realizando em Niterói, o inventário de emissões e outras iniciativas do Grupo Executivo de Sustentabilidade e Mudanças Climáticas de Niterói - GECLIMA.

Dentre os participantes, estavam profissionais da rede municipal de educação, motoristas e outros representantes das empresas de transporte da cidade e visitantes de prefeituras de outras cidades.

Axel Grael
Secretário
Secretaria Municipal de Planejamento, orçamento e modernização da gestão - SEPLAG
Prefeitura de Niterói













Relatório aponta mais impactos negativos do plástico no meio ambiente e na saúde humana



Pedras na praia do Atalaia, em Fernando de Noronha, escondem lixo que vem do mar. — Foto: Fábio Tito/G1


Amélia Gonzales

As ruas estão cheias quando me sento para escrever. Pessoas protestam, legitimamente, contra os cortes de verbas para a educação. Na verdade, a indignação vem no bojo contra várias medidas antipopulares que o governo de Jair Bolsonaro tem submetido à população.

Na pasta do Meio Ambiente, a última ação foi abrir mão de sediar em Salvador a edição latino-americana e caribenha da Semana do Clima (que ocorreria entre 19 e 23 de agosto), evento totalmente custeado pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), uma reunião importante para o debate climático. Como bem lembrou meu colega Andre Trigueiro em seu blog, a atitude do ministro Ricardo Salles criou um imbróglio diplomático, político. Acrescento: a justificativa de que não quer estrangeiros aqui "para fazer turismo e comer acarajé" é populista. Com todos as letras.

Protestos são parte da democracia e, quando não há violência, é o meio mais direto e saudável de a população demonstrar indignação contra atos do Executivo. Eu, aqui do meu posto, me inscrevo como pessoa que faz circular informações para ampliar pensamentos. Assim, vamos falar sobre plásticos e seu impacto nos oceanos, contra a vida marinha.

Foi em 1907 que o químico belga, naturalizado americano, Leo Baekeland (1863-1944) criou o primeiro plástico totalmente sintético e comercialmente viável, o Bakelite. Como não podia deixar de ser, a invenção foi muito bem vinda e trouxe vários benefícios à humanidade, até então em busca de um material flexível e duradouro para embalar suas coisas.

Aqui, vale um paralelo: a descoberta do fogo, que começou a ser usado diariamente há 300 mil anos*, ajudou os humanos a alçarem rapidamente ao topo da cadeia alimentar, trazendo enormes consequências (negativas) para a biodiversidade. Já com o plástico, que começou a ser usado freneticamente sobretudo depois da Revolução Industrial, não está sendo nada diferente. É um dos materiais mais onipresentes da economia e "um dos poluentes mais difusos e persistentes do planeta", segundo uma pesquisa publicada em fevereiro deste ano e realizada por oito instituições mundiais que o "The Guardian" publicou nesta quarta-feira (15).

Intitulado "Plastic & Health", o estudo apresenta um panorama completo dos impactos do plástico na saúde humana e aconselha que qualquer solução para a crise do plástico deve abordar todo o ciclo de vida do produto. Como se vê, não contente em causar mal a outras espécies, a humanidade também consegue fazer mal a si própria.

"Em todas as fases do seu ciclo de vida, o plástico representa riscos distintos para a saúde humana, decorrentes tanto da exposição às próprias partículas de plástico como às substâncias químicas associadas. Pessoas em todo o mundo estão expostas em vários estágios deste ciclo de vida", conclui o relatório.

A compulsão ao plástico também ameaça as tentativas de cumprir o Acordo do Clima conseguido em Paris durante a COP-15, quando os líderes de países bateram o martelo no sentido de reconhecer que a humanidade precisa agir para conter o aquecimento global e mantê-lo a 1,5ºC até o fim do século. "A pesquisa mostra que até 2050 o plástico será responsável por cerca de 13% do total do 'orçamento de carbono' – o equivalente a 615 usinas a carvão", diz a reportagem do "The Guardian".

Os autores afirmam que o plástico descartável encontrado em embalagens e bens de consumo de alta velocidade constitui o maior segmento da economia do plástico. E pedem uma ação urgente para conter, não só a produção, como também o consumo do plástico descartável.

"As embalagens plásticas descartáveis respondem por 40% da demanda por plástico, impulsionando um boom na produção de dois milhões de toneladas na década de 1950 para 380 milhões de toneladas em 2015. Até o final de 2015, 8,3 bilhões de toneladas de plástico foram produzidas - dois terços lançados no meio ambiente, que permanecem por lá", aponta o relatório.

Trazendo a informação para a nossa rotina, pode-se entender melhor. É mais ou menos assim: na lanchonete onde se pede um salgado e um refresco, por exemplo, certamente o lanche será servido num prato de plástico descartável. O cidadão leva cerca de cinco a dez minutos para comer, paga e vai embora, deixando o prato de plástico sobre o balcão. A vendedora segue seu trabalho, que será recolher aquele prato e jogá-lo no lixo. Dali, os profissionais da limpeza urbana vão levá-lo para o depósito, de lá para o aterro sanitário... e o prato de plástico, que nos serviu por cinco minutos, ainda sobreviverá por muitos e muitos anos, poluindo o nosso meio ambiente.

O pior será se ele cair em mãos irresponsáveis que o descartarão em qualquer lugar. O caminho entre este "qualquer lugar" e o mar é ligeiro e curto. O plástico é, hoje, um dos grandes vilões da poluição nos oceanos e põe em risco vidas marinhas. Em março do ano passado, a revista "Scientific Reports" revelou a Ilha de Lixo do Pacífico, que naquela época á tinha um tamanho corresponde a 17 vezes o continente de Portugal. Uma mancha móvel, quase uma sopa, foi vista pelos cientistas, que ficaram impressionados:

"Se a virmos do céu, por exemplo, só vemos um oceano azul profundo, mas se a virmos mais de perto começamos a perceber que há muitos detritos espalhados à superfície", contaram à reportagem do jornal português "Público".

Acabar com isto, ou pelo menos diminuir o tamanho de tal ilha, depende muito de nós. É evidente que a indústria de alimentos se apoderou do plástico em benefício próprio, de espalhar alimentos embalados, e quanto a isto nos sentimos impotentes em parte, porque também é uma opção nossa comer alimentos processados. Mas, de qualquer forma, estamos num bom momento para refletir e perceber que o conforto que o plástico nos proporcionou é relativo e precisa ser revisto.

Basta que se abra mão de hábitos. Por que, por exemplo, é preciso embalar os produtos que se compra nas feiras livres? Por que precisamos sair da padaria com o embrulho do pão dentro de uma dessas indefectíveis sacolinhas brancas? Por que usar tais sacolinhas, se é possível carregar tudo em sacos de pano? Na lanchonete, por que não devolver o prato para a atendente, deixando claro que ele pode ser usado outras vezes?

Poderia preencher todo este espaço com sugestões para diminuir o uso de plástico. Há vários sites que se prestam a este propósito e estão disponíveis para quem tem acesso à internet. Já fico feliz se tiver lançado a semente da vontade de buscar conhecer mais a respeito.


Fonte: Blog da Amélia Gonzales - G1

Amélia Gonzales escreve sobre sustentabilidade e debate temas ligados a economia, meio ambiente e sociedade




------------------------------------------


LEIA TAMBÉM:

Governo Bolsonaro faz lobby contrário e não assina acordo internacional de limitação da exportação de resíduo plástico California discute acabar com plásticos descartáveis até 2030 







quarta-feira, 15 de maio de 2019

Governo Bolsonaro não comparece à conferência internacional sobre gestão florestal





Reafirmando sua intenção de boicotar tudo o que lembre o meio ambiente, o governo Bolsonaro não enviou representantes para a Conferência do Bom Crescimento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) onde se trataria, dentre outros temas, da gestão florestal e de agricultura.

Fabiano Maisonnave, da Folha, conversou com a presidente do Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF), Naoko Ishii. Ela disse estar preocupada com os rumos do governo. “Se Bolsonaro fizer o que diz, é um risco”.

O GEF distribui cerca de US$ 1 bilhão ao ano para projetos que lidam com problemas ambientais.

Fonte: ClimaInfo







Governo Bolsonaro faz lobby contrário e não assina acordo internacional de limitação da exportação de resíduo plástico






Os países que fazem parte da Convenção da Basileia da ONU sobre resíduos tóxicos aprovaram, na última sexta-feira (10/5), a inclusão das exportações de resíduos plásticos misturados, não recicláveis e contaminados no regime de controle da Convenção, o qual exige o consentimento dos países importadores antes das exportações de resíduos serem realizadas.

A grande maioria das 187 nações presentes à reunião das partes da Convenção da Basileia saudou a decisão como um avanço para a justiça ambiental e em direção a uma economia ética e circular.

Para o diretor da Basel Action Network, Jim Puckett, a decisão é “um importante primeiro passo para conter a maré de resíduos plásticos que flui dos países ricos para os países em desenvolvimento da África e da Ásia, tudo em nome da ‘reciclagem’, mas causando poluição massiva e prejudicial, tanto em terra como no mar”.

A nota amarga veio dos Estados Unidos. Apesar de não fazerem parte da Convenção, o país trabalhou em conjunto com a Argentina e o governo brasileiro para refutar a decisão, em apoio ao lobby do Institute of Scrap Recycling Industries, dos EUA, e às indústrias de plásticos e químicos presentes.

Cabe uma pergunta retórica: será que ninguém avisou à delegação brasileira da campanha de combate à poluição marinha por plásticos anunciada por Bolsonaro em seu Twitter?

A revista Galileu publicou uma matéria sobre o assunto.

Fonte: ClimaInfo