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domingo, 19 de outubro de 2025

VOTE EM MARTINE GRAEL E NO PROJETO GRAEL PARA O PRÊMIO MÁXIMO DA VELA MUNDIAL

A WORLD SAILING, órgão máximo do esporte da Vela mundial, está recebendo votos para escolher o Velejador do Ano 2025 (Rolex World Sailor of the Year 2025), o maior reconhecimento que um velejador pode receber pela sua atuação e pela sua contribuição ao esporte da Vela. 

O Brasil concorre ao prêmio com dois nomes entre os finalistas: Martine Grael (Velejadora do Ano, 2025) e Projeto Grael (Prêmio de Sustentabilidade e Impacto Social)

A ESCOLHA ESTÁ NAS SUAS MÃOS. VOCÊ PODE AJUDAR VOTANDO

Saiba mais, a seguir:

MARTINE GRAEL: candidata a Melhor Velejadora do Ano 

Martine Grael

Em 2025, Martine Grael ganhou grande destaque mais uma vez pelo seu pioneirismo, por ser a primeira mulher a comandar uma equipe no SailGP, uma das mais sofisticadas e tecnológicas categorias da vela mundial. Martine lidera a equipe Mubadala Brazil, a primeira participação de um país latino-americano na competição, que mesmo sendo a temporada de estreia, já venceu duas regatas. Dentre outros tripulantes, Martine conta com o irmão Marco Grael, que também faz parte da tripulação brasileira.

Um dos grandes nomes da vela mundial, Martine mantém a tradição da família Grael (filha de Torben Grael, 5 medalhas olímpicas) e já conquistou duas medalhas de ouro olímpico para o Brasil (Rio, 2016 e Tóquio, 2020) e um campeonato mundial na Classe 49erFX, ao lado de Kahena Kunze. Martine também foi a primeira brasileira a participar da Regata de Volta ao Mundo (Volvo Ocean Race), em 2018.

Martine já venceu o Prêmio, em 2014, honraria também conquistada por Torben Grael, em 2009, ano que venceu a Regata de Volta ao Mundo. 


Velejadores do Projeto Grael.

PROJETO GRAEL: candidato ao Prêmio de Sustentabilidade e Impacto Social

O Projeto Grael concorre ao prêmio na categoria World Sailing 11th Hour Racing Impact Award, que reconhece iniciativas de sustentabilidade e de impacto social, que tenham a vela como base de atuação. 

Fundado pela família Grael, em 1998, o Projeto Grael tem por objetivo dar acesso a estudantes da rede pública de educação aos esportes náuticos, atendendo participantes entre 9 e 29 anos. O Projeto Grael oferece oportunidades nas seguintes áreas:

  • Esportes náuticos: vela, remo e canoagem; 
  • Cursos profissionalizantes, com oficinas de: Fibra de Vidro, Carpintaria, Mecânica de Motor de Popa, Mecânica de Motor Diesel, Instalações Elétricas Náuticas, Instalações Elétricas com ênfase em Energia Fotovoltaica, Capotaria Náutica. O foco do trabalho é preparar para o primeiro emprego e o pilar profissionalizante já inseriu no mercado de trabalho cerca de 4.200 jovens.
  • Programa Ambiental: através da prática esportiva náutica surge o interesse e a sensibilidade para os temas ambientais. Por isso, promovemos atividades com o foco prioritário na Baía de Guanabara, sua biodiversidade, sua qualidade ambiental e questões relacionadas à realidade socioambiental.

O Projeto Grael tem a sua sede em Jurujuba, Niterói, e mantém atividades também em Mangaratiba (RJ). Desde a sua fundação o Projeto Grael já beneficiou em suas atividades mais de 20.000 crianças e jovens. As atividades são mantidas com patrocínios privados, beneficiado pela legislação de incentivos fiscais ou por doações diretas. O Projeto Grael não recebe recursos públicos diretos.

Caso seja vencedor da World Sailing 11th Hour Racing Impact Award, além do reconhecimento e do troféu, o Projeto Grael receberá 10.000 dólares para avançar no desenvolvimento das suas atividades.


O SEU VOTO É FUNDAMENTAL

Para votar, acesse o link e escolha as candidaturas de Martine Grael e do Projeto Grael. Na página, clique no botão "CAST YOUR VOTE NOW", depois vá descendo clicando na seta na parte de baixo e à direita da página e, enfim, escolha dentre os finalistas de cada categoria.
O VOTO É MUITO IMPORTANTE. Já somos finalistas. Falta a sua ajuda. O voto do público tem peso de 50% na definição e os outros 50% serão definidos por critérios da World Sailing. A votação estará aberta até o dia 26 de outubro.

MUITO OBRIGADO E BONS VENTOS A TODOS!!!!!

Axel Grael




segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

NITERÓI RECEBERÁ VELASHOW COM O APOIO DO PROJETO GRAEL



Palestrantes e produtos da modalidade impulsionam VelaShow 2020

Feira voltada ao mundo da vela será em Niterói (RJ) entre os dias 3 e 5 de abril de 2020.

A organização do VelaShow 2020 abriu o segundo lote de inscrições do evento, que será realizado entre os dias 3 e 5 de abril, no Clube Naval Charitas, localizado na Enseada de Jurujuba, em Niterói (RJ).

Autor: Flávio Perez





A venda dos ingressos é feito exclusivamente pelo site www.velashow.com. O VelaShow é uma plataforma de comunicação e negócios exclusivamente voltada para a vela no Brasil, incluindo exposições e workshops.

Na exposição estão confirmados estaleiros, empresas de tintas industriais e marítimas, âncoras, dessalinizadores de água, fabricante de produtos náuticos à base de EVA, escolas de vela, produtos de comunicação via satélite, empresas de charter, pisos e tapetes náuticos e etc.

“Os resultados das inscrições já são muito positivos. Pois o número de pessoas empolgadas com o evento cresceu consideravelmente e pelo fato de acontecer no Rio de Janeiro, trouxe uma facilidade muito grande para receber visitantes de todo o país”, comentou Edilberto Almeida, organizador do evento.

Diversos palestrantes também estão confirmados, como Aleixo Belov, Beto Pandiani, Beto Toledo, Família Grilo, Marcelo Bonilla, Tio Spinelli, entre outros. Para assistir as palestras, basta adquirir o ingresso no site do evento.

“O primeiro lote já foi todo vendido e estamos trabalhando com o segundo lote de ingressos. Estamos trabalhando bastante para que esse evento tenha muitas atividades. O crescimento do nível das palestras certamente tem contribuído muito para a antecipação das inscrições”, disse Edilberto Almeida.

Os palestrantes foram escolhidos pelos organizadores por abordarem todo o segmento de vela no País, incluindo competições, travessias entre oceanos e vida a bordo.

Uma das novidades desse ano é a participação do Projeto Grael como apoiador do evento. O VelaShow terá também regatas nas classes RGS, ORC, IRC e Bico de Proa abrindo o calendário, depois uma competição para os monotipos Laser e Dingue, sem contar a categoria de introdução à vela, o Optimist.

A Regata Velashow também está confirmada na edição 2020 e as informações sobre as classes convidadas e os detalhes do percurso serão informados em breve. O certo é que as provas serão disputadas na Baía de Guanabara, um dos locais mais tradicionais de regatas no País.

“O Vela Show acontecendo no Rio consagra essa cidade como um destino que pode sediar eventos de vela, com potencial para se tornar um local internacional. Estamos satisfeitos com o resultado e aguardando com ansiedade a chegada da feira”, finalizou.

A feira deve receber mais de 50 representantes de marcas relacionadas ao mundo náutico, como estaleiros, veleria, empresas de charter, embarcações expostas e outros.

Sobre o VelaShow

Será a segunda edição da feira, que teve sua estreia em 2019 no Centreventos de Itajaí (SC), no mês de abril. A feira reuniu mais de 40 expositores, e ainda fez três regatas e uma expedição nos três dias do feriado de Páscoa.

O evento deu mais destaque no cenário náutico à cidade, sede de três edições da Volvo Ocean Race (hoje Ocean Race) e duas da Transat Jacques Vabre.

Para saber mais sobre o evento, acesse o site: www.velashow.com.


Fonte: Diarinho







sábado, 15 de fevereiro de 2020

CULTURA DE PAZ: Projeto Grael representado em evento da ONU na Áustria





Projeto Grael na Áustria

Nos dias 22 e 23 de janeiro, nosso Coordenador de Desenvolvimento Esportivo André Alcantara Martins esteve em Viena, Áustria, para participar de um evento da United Nations Office Office on Drugs and Crime (UNODC), que tratou dos esportes como caminhos para que jovens possam evitar as drogas e o crime. 

Aqui no Projeto Grael, temos certeza que o esporte educacional muda vidas e, por isso, há 21 anos trabalhamos pela emancipação de crianças e jovens que possam estar em situação de vulnerabilidade. A UNODC é uma das agências especializadas da ONU, criada em 1997, para pensar e agir na prevenção de drogas e crimes.

André foi falar um pouco sobre nossa experiência com a capacitação de profissionais do Esporte, no seminário "Barcos como instrumentos de Educação", que aconteceu em 2018 e atendeu a mais de 100 profissionais interessados em aprender como os valores do esporte podem incentivar valores positivos e uma cultura da paz.

Fonte: Boletim Informativo do Projeto Grael




domingo, 8 de dezembro de 2019

DIA DA FAMÍLIA: muitos motivos para celebrar



Hoje, celebra-se o Dia da Família. Não sei de quem e de onde surgiu a ideia desta comemoração, mas acho uma ótima ideia. A família é o primeiro abrigo e proteção que encontramos ao nascer, é nela que encontramos os primeiros ensinamentos e onde buscamos as primeiras referências e modelos de ética e comportamento.

Na família, encontramos incentivo para o crescimento pessoal, profissional e cidadão. Chega uma hora, que acrescentamos à nossa família original, uma nova família, que escolhemos constituir quando casamos.

Assista a um vídeo com o depoimento da minha esposa Christa e meu sobre como nos conhecemos. 😀 

Mesmo com o avanço dos anos, quando familiares muito queridos passam desta vida, a presença deles segue na lembrança, no exemplo, na inspiração, nas coisas e principalmente no legado: hábitos, tradições e na identidade familiar que persistem.

Ter orgulho da família é uma bênção, uma bem-aventurança. É assim que eu me sinto com a minha família. Orgulho redobrado pois sei que compartilho o sentimento com muitas outras pessoas - de outras famílias - devido à tradição que a família Schmidt Grael conquistou no esporte da Vela, mas também em outras atividades da vida de Niterói e do país.

Recentemente e nos próximos dias, tivemos e teremos muitos bons motivos para compartilhar a nossas comemorações familiares com o país, com a cidade de Niterói, com no nosso Rio Yacht Club (Sailing) e com nossos amigos e colegas de trajetória, pelos motivos que expomos, a seguir:



Martine e Kahena sagraram-se ontem vice-campeãs mundiais no Campeonato Mundial da Classe 49erFX, realizado na Baía de Hauraki, em Auckland, Nova Zelândia.

Martine Soffiatti Grael e Kahena Kunze

Ontem, 07 de dezembro, minha sobrinha Martine (filha de Torben e Andrea) e sua proeira Kahena conquistaram o VICE-CAMPEONATO MUNDIAL DA CLASSE 49erFX, em competição realizada em Auckland, Nova Zelândia, mostrando que seguem firmes demonstrando ótima performance rumo à Olimpíada de Tóquio, no próximo ano. Em 2019, Martine e Kahena já conquistaram a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima e também venceram o evento preparatório para Tóquio 2020, realizado na própria raia olímpica dos próximos jogos.

Marco Grael e Gabriel Borges (assista ao vídeo deles) terminaram na 19° lugar e seguem firme na busca da vaga olímpica para Tóquio.


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XXIV Regata Preben Schmidt

No próximo sábado, será realizada a tradicional Regata Preben Schmidt, promovida pelo Rio Yacht Club (Sailing) em homenagem ao meu avô, o dinamarquês Preben Schmidt, um dos precursores da vela no Brasil, patriarca da tradição e um dos grandes inspiradores da família Schmidt Grael na vela.

Veja como foi a Regata Preben Schmidt em 2018.


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Documentário "Gerações da Vela", no SporTV

O SporTV apresentará no dia 10 de dezembro, o filme completo preparado pelo canal sobre a família Schmidt Grael. Trata-se de um documentário sobre a história e as conquistas da família que foi apresentado em quatro episódios entre junho e julho de 2019, e agora será apresentada na forma de um filme. Curta conosco esse momento!


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O mesmo filme será apresentado para convidados no Reserva Cultural, no dia 12 de dezembro, com a presença da família Schmidt Grael.


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Formatura do Projeto Grael

No dia 12 de dezembro, teremos mais uma formatura dos alunos do Projeto Grael, inciativa que foi iniciada pelos irmãos Grael há mais de 21 anos. Desde a sua fundação, o Projeto Grael já beneficiou mais de 17 mil estudantes da rede pública de educação e já foi premiado no país e no exterior pela qualidade e pelo ineditismo do trabalho realizado.


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Um bom Dia da Família para todos.

Axel Schmidt Grael





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LEIA TAMBÉM:

Postagens sobre a família Schmidt Grael
Site do Torben Grael
Site do Lars Grael 
Site do Projeto Grael

Preben Schmidt

Preben Schmidt: a inspiração de gerações de velejadores da família Schmidt Grael

Helene Schmidt

Helene Schmidt e os Imigrantes na Ilha das Flores, na Baía de Guanabara

Dickson Grael


Centenário do AILEEN (1912-2012): um barco de várias gerações
Os primeiros passos da construção de um sonho: o Projeto Grael
Exposição "GRAEL - AMOR PELO MAR": sábado é o último dia. Não perca!!!!
MATÉRIA PUBLICADA NA ESPANHA: "Familia Grael, una estela nacida hace más de un siglo"
GLOBO ESPORTE: Axel Grael, irmão de Torben e Lars, se divide entre lixo da Baía e torcida pela família
Órgão máximo da vela mundial destaca a tradição da família Grael: "Grael Family Sailing Dynasty"
UFF - TORBEN GRAEL: um campeão da vela focado na inclusão social
REPORTAGEM DA BBC SOBRE LARS GRAEL E O PROJETO GRAEL
BOM DIA BRASIL: Tocha Olímpica deixa Niterói e segue em direção ao Rio pelo mar
JORNAL NACIONAL: Para levar a tocha em Niterói, Lars Grael decide usar prótese
Pela primeira vez desde o acidente, em 1998, Lars Grael aparecerá usando uma prótese conduzindo a tocha olímpica em Niterói


ASSISTA À MATÉRIA DO ESPORTE ESPETACULAR, DA GLOBO, SOBRE A EXPOSIÇÃO: GRAEL OU SCHMIDT: descubra a origem da família brasileira mais vitoriosa da vela








quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Fui homenageado em evento de lançamento da Associação Niteroiense de Va'a



Com Hélio Valente, artesão que fez a miniatura da embarcação polinésia que me foi presenteada, e com Luiz Perin, que assumiu a presidência da associação.

Feliz!

Com Luiza Perin e diretores da associação.

Com Christa Grael, saudando os presentes.


Estive hoje à noite no evento de lançamento da Associação Niteroiense de Va'a e abertura da exposição fotográfica “Niterói de Todos os Ângulos”, no Parque da Cidade (Parque Natural Municipal de Niterói - PARNIT).

Em reconhecimento à minha participação no convite do primeiro clube de canoa havaiana para Niterói, fui homenageado com uma linda réplica de uma embarcação polinésia (ADOREI!), feito pelo remador Hélio Valente. 

A chegada do primeiro clube ocorreu em 2005, quando eu convidei o Marcelo Depardo, construtor de canoas e entusiasta do esporte, para implantar o primeiro clube aqui, aproveitando um dos containers que o Projeto Grael utilizava na praia, que estaria ocioso com a nossa transferência para a atual sede do Projeto Grael, onde funcionou no passado o restaurante Samanguaiá. 

Hoje, são 25 clubes e 3.400 praticantes de Va'a em Niterói. A cidade é considerada a referência nacional no esporte.




O crescimento do número de praticantes de esportes náuticos em Niterói é uma grande oportunidade e reforça a vocação histórica da cidade que é o berço no Brasil de esportes como a vela e o remo. Niterói construiu uma sólida e vitoriosa trajetória na vela, com mais de 100 anos de história de iate clubes pioneiros e tradicionais, como o Rio Yacht Club (Sailing) e o Iate Clube Brasileiro.

Em comparação à vela, a canoagem Va'a teve um crescimento impressionante. Em quase 15 anos, o esporte chega a um número de praticantes equivalente ao número de velejadores na cidade.

Quanto mais praticantes de esportes náuticos, mais se estimula a cultura da maritimidade, mais aumenta o número de pessoas sensibilizadas e uma massa crítica em defesa da Baía de Guanabara e mais se promove a cidade de Niterói como uma referência de uma cidade saudável e sustentável.

Da esquerda para a direita, Robert Voss (Subsecretário da SMEL), Paulo Novaes (presidente da NELTUR), Christa Vogel Grael (gerente do Projeto Grael), Axel Grael (secretário da SEPLAG) e Salete Paes (da SMEL).

Os esportes náuticos já fazem parte da história, da tradição, da paisagem e da reputação de Niterói como uma cidade vencedora e inspiradora.

Viva Niterói. Viva os esportes náuticos. Viva a cultura e a prática da canoa Va'a.

Boa singradura para todos.

Axel Grael



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Canoa havaiana ganha exposição de fotos no Parque da Cidade

Niterói vem se tornando, nos últimos anos, um dos principais centros para a prática da canoa havaiana ou polinésia do país, atraindo cada vez mais olhares e praticantes para essa modalidade. Agora, o esporte, tendo a cidade como cenário, será alvo da exposição fotográfica “Niterói de Todos os Ângulos”, com fotos tiradas pelos vários clubes de canoa havaiana niteroienses. A abertura da exposição acontece no próximo dia 4, às 19h, no Parque da Cidade, em São Francisco. A mostra poderá ser visitada até 21 de dezembro, das 7h às 18h.

A “Niterói de Todos os Ângulos” conta com o apoio da Niterói Empresa de Lazer e Turismo (Neltur) e da  Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (SMEL) e acontece no Parque da Cidade por estar ali uma das vistas mais bonitas do Brasil, com as mais belas praias da cidade a seus pés.

O secretário de Esporte e Lazer de Niterói, Luiz Carlos Gallo, falou sobre o esporte que já faz parte da paisagem da cidade. “Niterói se consolida como polo de canoa havaiana, revelando talentos e campeões em diversas categorias e campeonatos pelo Brasil afora”.

A Exposição “Niterói de Todos os Ângulos” tem como objetivo mostrar, através de lentes profissionais e amadoras, a prática do esporte no seu dia a dia, mostrando todo o prazer que proporciona a seu praticante, que está o tempo todo em contado com a bela natureza da cidade.

As 60 fotos que compõem a mostra foram selecionadas a partir de material encaminhado por  clubes de canoa havaiana de Niterói, mostrando a prática do esporte durante o ano de 2019. Os melhores registros foram selecionado e enviados para o fotógrafo Aldo Barranco, que assumiu a curadoria da exposição, .

Serviço

Exposição “Niterói de Todos os Ângulos”
Data: de 4 a 21 de dezembro
Local: Parque da Cidade
Horário: 7h às 18h (sujeito ao horário de funcionamento do parque)

Fonte: Prefeitura de Niterói







domingo, 13 de outubro de 2019

NITERÓI CIDADE CAMPEÃ DA VELA: nova lei faz justiça ao pioneirismo e protagonismo da cidade no esporte



Capa de O Globo Niterói deste sábado, 12 de outubro, dando destaque ao reconhecimento de Niterói como  "Cidade Campeã da Vela".


A cidade de Niterói foi reconhecida legalmente como a "Cidade Campeã da Vela" através da Lei Estadual 8.534, de 26 de setembro de 2019, de autoria do deputado Waldeck Carneiro e que foi sancionada pelo governador Wilson Witzel.




A nova lei reflete a importância e o protagonismo de Niterói para o esporte no Brasil, em particular nos esportes náuticos. Aqui foi instalado o primeiro iate clube, aconteceu a primeira regata. Niterói é a cidade com o maior número de medalhas olímpicas na vela e deve ser uma das cidades com a maior frequência de eventos náuticos. Ainda mais se considerarmos outras modalidades de esportes náuticos, como a Canoa Havaiana, em que Niterói é hoje uma referência nacional. Cabe destaque também o esporte do remo, que remonta às origens do esporte moderno no país (o remo deu origem a muitos dos atuais clubes famosos pelo futebol, como o Clube de Regatas do Flamengo, Club de Regatas Vasco da Gama, Botafogo de Futebol e Regatas. Em todos estes clubes e outros país a fora, foram fundados para o esporte do remo). Registros históricos mostram que remadores de Niterói participaram de competições pioneiras no país, ainda no século 19, contra atletas do Rio de Janeiro.

Saiba mais sobre a importância da atividade náutica para Niterói em:
NITEROI SERÁ RECONHECIDA LEGALMENTE COMO A "CIDADE CAMPEÃ DA VELA"

A tradição de Niterói com esportes e barcos inspirou atletas da nossa tribo a alcançar vitórias em escala planetária. Velejadores de Niterói conquistaram títulos mundiais e medalhas olímpicas. Com 9 medalhas olímpicas, oito atletas de Niterói (Torben Grael, Marcelo Ferreira, Lars Grael, Clínio de Freitas, Nelson Falcão, Martine Grael, Ronnie Senfft e Isabel Swan), se Niterói fosse um país, estaria em 74° lugar num imaginário quadro de medalhas de todas as olimpíadas (não existe oficialmente), estaria na frente de países como o Chile, Venezuela, Uruguai, Peru... Cabe ressaltar que esse ranking informal considera dados históricos, contabilizando inclusive países que não existem mais, como a URSS, Alemanha Oriental etc. Outra observação é que o quadro também inclui as medalhas das olimpíadas de inverno.

Na América Latina e no Caribe, Niterói estaria em 9° lugar, só perderia para Cuba, Brasil, Jamaica, Argentina, México, Bahamas, Colômbia e República Dominicana.

Como um orgulhoso torcedor e organizador de torcida pela família, lembro das medalhas olímpicas já conquistadas pelos meus irmãos, Torben e Lars, e a mais recente, conquistada pela minha sobrinha Martine na Rio 2016, somam 8 dentre as nove medalhas, tendo como exceção apenas a medalha conquistada, em Pequim, por Isabel Swan, também velejadora do Rio Yacht Club. A medalha de bronze de Isabel foi a primeira conquistada por uma tripulação feminina brasileira.

Leia também:
FAMÍLIA SCHMIDT-GRAEL SERÁ HOMENAGEADA PELA "BEM AMADO" NO CARNAVAL 2018

Também cabe destaque que Niterói inovou ao promover o Projeto Grael, que de forma pioneira, utilizou barcos para educar e incluir socialmente. Iniciado em 1998, pelos irmãos Grael, com o apoio da Prefeitura de Niterói, a iniciativa influenciou políticas públicas no âmbito nacional e regional e recebeu prêmios e reconhecimentos no Brasil e no exterior. Portanto, o Projeto Grael reforça a percepção nacional e internacional que a cidade de Niterói é um polo irradiador da náutica como uma oportunidade para o desenvolvimento local.

O título de "Cidade Campeã da Vela" dá prosseguimento a uma das prioridades estabelecidas no programa "Niterói que Queremos", que estabeleceu metas para a cidade com o horizonte de 2033, incluindo a vela e a náutica como um dos indutores de desenvolvimento econômico e social, estabelecendo que a atividade deverá ser uma das formas de geração de empregos na cidade.

Com este objetivo, em 2017, participamos do Annapolis Boat Show, onde tivemos um stand de Niterói e desenvolvemos parcerias para atrair investimentos de empresas do setor náutico em Niterói.

Saiba mais sobre a parceria de Niterói com a cidade de Annapolis acessando:
Parcerias entre Niterói e Annapolis nos Estados Unidos
Em 2007, Niterói e Annapolis - Capital da Vela nos EUA - tornaram-se cidades-irmãs.
Parcerias entre Niterói e Annapolis nos Estados Unidos

Niterói seguirá de vento em popa buscando aproveitar todo o seu potencial, vocação, história e conquistas no setor náutico para fazer dos barcos uma oportunidade para o desenvolvimento esportivo, turístico, econômico e social da cidade.

Sigamos avante nesse rumo!

Axel Grael






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Velas ao mar: regata no último fim de semana reuniu 140 barcos na enseada. Foto: Bruno Oliveira / Divulgação


Reconhecimento atrairá investimentos e eventos, aposta Axel Grael

Lívia Neder

NITERÓI - Já reconhecida pelos desportistas e torcedores como terra de iatistas campeões, Niterói agora ostenta o título de Cidade Campeã da Vela. A homenagem em forma de lei foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Rio ( Alerj ) e sancionada no fim do mês passado pelo governador Wilson Witzel.

Para representantes dos esportes náuticos, o título pode inspirar novos atletas e garantir maior apoio aos que disputam um lugar no pódio, além de atrair investimentos e eventos do setor para o município, como a 47ª Regata a Vela do Centro de Instrução Almirante Graça Aranha (Ciaga) da Marinha do Brasil, realizada sábado passado, próximo ao Clube Naval de Charitas . A competição reuniu cerca de 400 atletas em 140 barcos.

A lei, de autoria do deputado estadual Waldeck Carneiro , teve a colaboração do secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão (SEPLAG), Axel Grael , um dos fundadores do Projeto Grael. Ontem, o instituto, que capacita jovens para a prática da vela e os prepara para o mercado de trabalho, realizou um evento para ressaltar a importância do novo título aos representantes dos clubes de vela da cidade.

— Apesar de a lei ser simples, dando apenas o título, estimula e traz outros desdobramentos que são importantes para a cidade. Ilha Bela, em São Paulo, por exemplo, criou toda uma identidade em torno da vela. Isso é uma marca, um selo que estamos atribuindo a Niterói. Não existe uma organização que credencie um lugar dessa forma; só é possível através de uma lei como essa — explicou Axel, irmão e tio dos medalhistas olímpicos Torben e Martine Grael.

Convênios e ações

De acordo com a nova lei, o Poder Executivo poderá celebrar convênios e promover ações, programas e eventos que contribuam para a divulgação do título, além de estimular a prática da vela no estado entre estudantes das redes públicas e particular de educação básica.

— Há dois anos participamos de um evento nos Estados Unidos para atrair investimentos para a cidade na área náutica e agora estamos tendo desdobramentos desses contatos. Um das possibilidades é trazer investimentos para a implantação de marinas de vagas secas. Esse título impulsiona ainda mais essa captação — completou o secretário.

Comodoro do Clube Naval de Charitas, Bruno Paim destaca a união dos iates clubes da cidade e acredita que o título reforça a imagem que Niterói tem em tradição na vela.

— Niterói é um lugar ímpar pelas suas condições geográficas, o que exige muito do velejador. E eles acabaram se diferenciando devido aos ventos desafiadores da nossa enseada — avalia Paim. — Em abril do ano que vem, vamos realizar pela primeira vez o evento Vela Show, e quando saiu esse título de Cidade da Vela, os organizadores destacaram que foi uma constatação do potencial da cidade.


Fonte: O Globo Niterói









domingo, 6 de outubro de 2019

Torben Grael e Marcelo Ferreira: triunfo em Atlanta, glória em Atenas



Torben Grael e Marcelo Ferreira são recebidos em Niterói com a medalha de ouro em Atlanta (1996), mediante uma grande festa e reconhecimentos público. No alto do carro de bombeiros, já estava a nova geração dos Grael: Marco e Martine.


Campeões em 1996, nos Estados Unidos, e em 2004, na Grécia, velejadores viajam no tempo para relembrar as conquistas que fizeram com que os dois ganhassem lugar em um dos grupos mais seletos do país: o dos bicampeões olímpicos

A última regata da classe Star dos Jogos olímpicos de 1996, disputada em 29 de julho, em Savannah – cidade a 400 quilômetros de Atlanta e que sediava as provas de vela daquela Olimpíada –, já estava em curso havia quase meia hora quando o carioca Marcelo Ferreira, ao contornar a primeira boia do percurso, notou uma placa de sinalização que mudaria totalmente a sua vida e a de seu parceiro, o paulista Torben Grael, ambos a bordo do barco Vida Bandida.

O que a placa mostrava era que a embarcação dos australianos Colin Beashel e David Giles havia queimado a largada e que por isso a dupla rival tinha sido desclassificada. Ao perceber isso, foi impossível para Marcelo e Torben não serem tomados por uma sensação de júbilo. Afinal, com aquela informação, os dois – antes mesmo de cruzarem a linha de chegada, longe dos olhos do público e sem qualquer festa ou aplausos – tinham se tornado campeões olímpicos.


Marcelo Ferreira e Torben Grael, com as medalhas de ouro das Olimpíadas de Atlanta 1996: Sonho realizado em Savannah. Foto: Jorge Peter/Agência O Globo

“Não caiu a ficha na hora não”, lembra Marcelo. “Esse troço só quem passa é que entende como funciona. Essa é a realidade. Até quando a gente cruzou a linha, a gente estava comemorando, mas é uma sensação tão indescritível que você não realiza. Você está lá no meio do oceano. É diferente de quando você está dentro de uma arena fechada ou em uma pista de atletismo, com o público em volta. Não tinha nem spectator boat (barco que é usado para levar o público para acompanhar a regata de perto). Foi diferente de outros eventos. É o ouro que ninguém viu, vamos dizer assim”, resume Marcelo.

As lembranças daquela tarde, passados 20 anos, também seguem frescas na memória de Torben. “Na realidade, a gente começou a fazer uma marcação forte nele (Colin Beashel ) na largada dessa última regata, porque a gente queria ficar sempre junto dele. Como a gente tinha vantagem e ele tinha que ganhar, ele, pressionado, acabou queimando a largada”, recorda o velejador. “A gente já vinha na frente do Colin e quando chegamos lá perto da boia, quando o Marcelo viu a placa, realmente foi aquela comemoração. A gente estava bem ciente de que tinha dado certo”, prossegue Torben.

A medalha de ouro nos Jogos de Atlanta 1996 representou uma espécie de redenção para Torben e Marcelo em relação à experiência que a dupla vivera nas Olimpíadas de Barcelona, 1992. Na Espanha, eles competiram juntos pela primeira vez nos Jogos e terminaram na 11ª posição.

Para Torben, em especial, o significado da conquista em Savannah ia além. Quando desembarcou na Geórgia para os Jogos de 1996, ele já tinha no currículo dois pódios olímpicos. A primeira medalha, de prata, foi arrebatada em Los Angeles 1984, na classe Soling (ao lado de Daniel Adler e Ronaldo Senfft). Quatro anos depois, em 1988, em Seul, veio o bronze na classe Star, ao lado de Nelson Falcão.

Assim, aos 36 anos – seis a mais do que Marcelo –, o experiente Torben Grael finalmente havia chegado ao sonhado título olímpico. “Foi uma sensação maravilhosa, aquela sensação de dever cumprindo, de você ter chegado ao topo da pirâmide. Realmente foi uma curtição o restante da regata”, descreve Torben.

Campanha favorável

Ao contrário da campanha de Barcelona, quando os dois terminaram a primeira regata dos Jogos Olímpicos de 1992 em nono lugar, em Savannah os ventos sopraram a favor desde o início. A estreia nos Jogos de 1996 se deu em 22 de julho e a dupla começou vencendo a primeira regata. No dia seguinte, quando foram disputadas duas provas, eles conquistaram um sexto e um segundo lugares. Em 24 de julho, Torben e Marcelo terminaram em sétimo, mas se recuperaram um dia depois, quando cruzaram a linha de chegada em primeiro. No dia 26, quando novamente duas disputas, e os brasileiros chegaram em quarto e em nono. Depois disso, um segundo lugar no dia 27 e um sexto no dia 28 deixaram os dois em posição confortável para a última prova, no dia 29.


Grael e Ferreira em ação: sintonia do time assegurou dois ouros e um bronze em Jogos Olímpicos à dupla. Fotos: Marcelo Ferreira/arquivo pessoal

“Atlanta foi um lugar bom para a gente porque as condições eram parecidas com o que a gente estava acostumado no Rio de Janeiro”, lembra Torben. “Era vento térmico, calor, umidade, sem vento de manhã, vento só à tarde, com aqueles temporais de verão de final de tarde... Enfim, era uma série de coisas com as quais a gente ficou super à vontade. Muita gente ficou achando ruim aquelas condições, mas para nós era como a gente velejava sempre, então nos adaptamos bem lá”, continua.

“A gente também foi fazer o evento-teste, fomos treinar duas vezes antes dos Jogos, e isso tudo ajudou muito. A gente conhecia bem o lugar. Estávamos com um barco que desenvolvemos para competir lá. Testamos bastante os equipamentos antes e isso tudo ajudou. Nós estávamos rápidos para a competição. Desenvolvemos um cockpit bem fechado para correr lá e em Savannah tinha bastante onda. Então o barco drenava mais rápido, ficava com menos água dentro, e isso ajudou. Mas a realidade foi que a gente velejou super bem”, prossegue Torben. Ele ressalta ainda que, além de ele e Marcelo terem ido bem em Savannah, outro fator contribuiu para a conquista do ouro em 1996.

“Nós disputamos muito com o Colin desde o começo a ponteira da competição. A gente alternava bastante os resultados com ele, mas quando ele ia bem a gente nunca ia mal. E quando a gente ia bem, às vezes ele dava uma escorregadinha. Aí, quando foi chegando o fim do campeonato, o que aconteceu foi que como a gente conseguiu abrir uma distanciazinha de pontos e no final ele tinha que ganhar a regata para ficar com o ouro”, detalha.

Superstição e camisa furada

Nas lembranças de Torben Grael, talvez por ser mais experiente, talvez por ter se sentido tranquilo por tudo o que haviam feito nas nove regatas anteriores, a noite do dia 28 de julho, véspera da decisão da classe Star nos Jogos de 1996, não foi angustiante.

“Nós não ficamos muito nervosos porque a gente vinha dos Jogos em Barcelona, onde nós tivemos um péssimo resultado, e (em Savannah) nós já estávamos matematicamente com a medalha de prata garantida. A gente já estava com aquela sensação de que já tinha conquistado um excelente resultado”, afirma.

Para Marcelo Ferreira, entretanto, aquela noite foi tudo menos calma. “Passava pela minha cabeça que a gente poderia ser campeão olímpico, sim. Mas não foi muito fácil tentar dormir nessa noite não. Na verdade, eu até saí como tio do Torben, o Erik, nosso técnico, para tomar uma cervejinha com ele. Porque não adiantava ficar deitado fritando na cama, né? Eu dormi mal na noite anterior à competição. É aquela situação de estar indo para a última prova sabendo que tem chances reais (de conquistar o ouro)”, recorda Marcelo.

Em seguida, Marcelo narra como foram as horas antes do início da regata que renderia a ele e a Torben a consagração nos Jogos de Atlanta:


Marcelo Ferreira, com a blusa furada abaixo da axila direita: superstição o fez usar a mesma camisa em todas as regatas dos Jogos de Atlanta 1996. Foto: Ivo Gonzalez/Agência O Globo

“A regata era tipo uma hora da tarde. Você acorda como sempre naquele horário do café da manhã, umas 8 horas, para depois sair no ônibus e ir para o canal onde a gente pegava o ferry para ir para a marina”, conta. E cabe aqui uma observação em relação ao local de competição da vela em Savannah: ao contrário de muitas regatas onde o público em terra ainda consegue ver os barcos, mesmo que à distância, a marina olímpica de 1996 era flutuante, ficava a mais de uma hora de distância de barco mar adentro, muito longe dos olhares de qualquer torcedor.

“Aí chega lá e tem aquele velho ritual, porque a gente não muda nada, a superstição impera”, prossegue Marcelo. “Nem roupa a gente trocava. A camisa, se você olhar uma foto que eu tenho que saiu no jornal, tem um buraco embaixo da axila que continua até hoje. Foi uma camisa que eu usei durante todo o evento. A minha roupa de velejar, que era de feltro, foi feita aqui na confecção da minha esposa por uma costureira. Todos esses detalhes foram ficando mais fortes durante todos os dias do evento. Você não troca nada. Eu acho que isso é com todo mundo. E o Torben é pior do que eu. Ele não vai falar, mas é bem pior. Aquele cara com superstição é brincadeira...”, entrega.

O resto é história. Torben e Marcelo trataram de colocar em prática a estratégia de pressionar o australiano Colin Beashel e seu parceiro desde o início e a pressão surtiu o efeito desejado.

“Não estava nada ganho, mas a coisa estava muito na mão para a gente. E a tática de pressioná-lo na largada acabou funcionando”, lembra Torben. “Acho que foram três largadas. As duas primeiras foram invalidadas por muitos barcos partindo fora da linha. Mas nessas duas a gente saiu bem melhor do que ele, pressionando. Nessa terceira, ele viu que se continuasse daquele jeito não ia ter chances de ganhar a regata e acabou acelerando cedo. Ele saiu melhor do que nas outras duas, mas acabou queimando a largada. Mesmo assim a gente saiu bem também. Chegamos à bóia de contravento à frente dele. E foi lá na bóia de contravento que a gente viu pela primeira vez a placa com a sinalização da Austrália como barco escapado. Aí o resto da regata foi uma curtição só, porque a gente já sabia que tinha conquistado aquele sonho grande”, detalha Torben.

Enfim a celebração em terra

O que se seguiu ao fim da regata naquele 29 de julho de 1996, na qual Torben e Marcelo terminaram em terceiro lugar, foi uma sequência de eventos que marcaram profundamente os dois.

A comemoração para valer só se deu em solo firme em Savannah. Mas, antes, ainda houve tempo para uma breve celebração em alto mar. “Demorou mais de uma hora e meia até voltar para a terra. Já atendemos a imprensa lá no próprio flutuante e já teve a famosa champanhe lá mesmo no flutuante”, conta Marcelo.

“Quando chegamos, todo mundo estava dando os parabéns”, lembra Torben. “Obviamente, a gente tem sempre que chegar em terra e ver o resultado, ver se não tem nenhum protesto, aquela coisa toda de regata. A gente sabia que tinha feito uma regata bem limpa, que o Colin tinha queimado e que ele automaticamente precisava ganhar a regata e então estava bem decidida a coisa”, continua.

O premiação da classe Star dos Jogos Olímpicos de Atlanta só foi realizada no dia seguinte. E até a hora de subir ao pódio Torben e Marcelo comemoram em grande estilo. “Foi um barato porque tinha um bar/restaurante que a gente ia, chamado Spunks. A gente ia para tomar uma cervejinha e dar aquela relaxada e o dono do bar estava lá ensandecido e gritando (após saber que os brasileiros eram campeões olímpicos) e foi muito legal nesse aspecto. Era um lugar pequeno e foi bacana porque tudo acontecia naquela beirada de rio, naquelas arquibancadas para fazer a premiação. Foi um momento único, né? Eu nem lembro que horas a gente voltou pra casa. Nós fomos lá para esse tal de Spunks, botamos o cartão de crédito e fomos embora (celebrar)...”, conta Marcelo.

“Nesse aspecto foi melhor do que Atenas, pois em Atenas me pegaram para o antidoping e tive que fazer o teste de urina e de sangue. Mas aí o pessoal do sangue não estava lá e eu só podia fazer no dia seguinte. E aí o pessoal do COB não me deixou comemorar, porque eu tinha que fazer o antidoping no dia seguinte. Aí eu fiquei chupando dedo. Mas em Atlanta comemoramos com uma cervejinha, né?”, emenda Torben Grael, já se referindo ao que viveu na Grécia, oito anos depois da conquista em Savannah.


Torben, Marcelo e familiares desfilam em carro aberto no Rio de Janeiro no retorno das Olimpíadas de Atlanta 1996: reconhecimento do público não se converteu em apoio para o ciclo seguinte. Foto: Jorge Peter Agência O Globo


Emoção no pódio

No dia 30 de julho de 1996, Torben Grael e Marcelo Ferreira receberam a terceira medalha olímpica de ouro do Brasil na vela, repetindo os feitos que Lars Bjorkstrom e Alex Welter, na classe Tornado; e que Marcos Soares e Eduardo Penido, na classe 470, haviam protagonizado nos Jogos Olímpicos de Moscou 1980.

“Para quem faz qualquer esporte olímpico, você ir para os Jogos é uma coisa fantástica, é uma coisa que poucas pessoas têm a oportunidade. Você ir bem, fazer medalha, é uma coisa que menos pessoas no mundo conseguem, pouquíssimas pessoas conseguem. Você já foi mais longe. E quando você ganha a medalha de ouro realmente a satisfação é enorme. Você ir ao pódio, ver sua bandeira subindo, ouvir o Hino Nacional tocando... É uma sensação muito difícil de descrever, mas é maravilhosa. Mas eu não me lembro de ter chorado”, diz Torben Grael.

“Passa um filme, né? Primeiro porque a gente foi para essa Olimpíada com aquele gosto amargo de Barcelona, que foi o maior aprendizado que eu tive dentro do esporte”, ressalta Marcelo. Para ele, apesar de toda a emoção vivida no pódio nos Estados Unidos, foi somente no retorno ao Brasil que ambos finalmente perceberam a dimensão do que eles haviam conquistado em Savannah.

“A verdade é que demora muito até você realizar o que foi feito. Quando cheguei ao aeroporto (no Rio de Janeiro) foi que eu achei que uma coisa fenomenal. Tinha uma galera no aeroporto. Era uma coisa que a gente da vela nunca tinha visto. A gente nunca teve contato com o publico e com essas coisas. Ali eu falei: ‘Pô, a coisa foi grande mesmo’. Porque a gente fora do Brasil não sabia exatamente o que estava se passando aqui. Aí, quando eu vi o carro de bombeiro esperando e nós viemos lá do Rio até aqui (em Niterói) em cima do carro de bombeiro, isso foi um troço que me marcou muito”, lembra Marcelo.

Perda do patrocínio e ganho na America’s Cup

Em geral, uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos costuma ser um divisor de águas na carreira de qualquer atleta. As portas, após uma conquista dessa magnitude, tendem a se abrir e o caminho a partir dali normalmente é mais tranqüilo em termos de apoio para a preparação visando ao ciclo olímpico seguinte. Mas, para a surpresa de Marcelo Ferreira e de Torben Grael, não foi isso que aconteceu depois que toda a celebração em torno do triunfo nos Jogos de Atlanta 1996 se foi.

“Como atleta, depois que passou essa festa pela medalha, foi uma frustração muito grande e isso eu não posso deixar de falar”, desabafa Marcelo Ferreira. “O que aconteceu, por incrível que pareça, foi que quando acabou a Olimpíada a gente perdeu o patrocínio. O ano de 1997 foi um terror em termos de apoio ao esporte e de incentivo, seja da Confederação, do Comitê Olímpico, de tudo. O nosso prêmio por ter tirado a medalha de ouro foi um ano seguinte muito ruim em termos de apoio. Eu acabei que em 1997 corri o Campeonato Mundial de Star com um alemão nos Estados Unidos e fui campeão mundial com ele”, prossegue.


Torben, com os companheiros da Equipe Prada, da Itália. Foto: Getty Images

Já para Torben Grael, em particular, se a conquista do ouro em 1996 não rendeu apoio em seu país, ela serviu para lhe abrir as portas para uma nova fase de sua carreira. “Em termos de Brasil, você se tornar campeão olímpico é um degrau a mais, mas não houve grandes mudanças. Eu acho que uma mudança grande foi que essa vitória em Atlanta foi logo antes da Prada decidir fazer a America's Cup”, conta o velejador, referindo-se à mais prestigiada competição de vela do iatismo mundial e que detém a honra de ser o troféu mais antigo em disputa no planeta entre todas as modalidades do esporte. A primeira taça foi disputada em 1851, 45 anos antes da primeira edição dos Jogos Olímpicos modernos, realizada em Atenas, em 1896.

“A pessoa que foi convidada para ser o comandante da equipe Prada foi o De Angelis (o italiano Francesco de Angelis), que foi com quem eu comecei a correr de Oceano na Itália. Obviamente, como a gente tinha uma parceria muito forte, quando o chamaram, me chamaram também, inclusive pelo resultado de Atlanta com a medalha de ouro. Então acho que a conquista da medalha de ouro foi um diferencial grande”, prossegue Torben.

Os compromissos de Torben Grael com a America’s Cup e seu envolvimento com a equipe Prada renderam, anos depois, um patrocínio para ele e Marcelo na preparação da dupla na classe Star visando aos Jogos de Sydney 2000.

“Nós fizemos uma excelente campanha na America’s Cup. Ganhamos a Louis Vuitton Cup, que é uma coisa muito importante, e aí fizemos a final. Acabamos perdendo a final para o defensor, o neozelandês (o barco que derrotou a equipe de Torben era comandado pelo lendário velejador Peter Blake)”.


Torben Grael (à esquerda) e o italiano Francesco de Angelis comemoram a conquista da Regata Louis Vuitton em 2000: campeão olímpico teve sucesso também na vela oceânica. Foto: Getty Images

“Ficamos na luta para retomar a nossa campanha para Sydney, procurando apoio, até que veio a Prada, que chegou em 1998. E aí ficamos com a Prada e a Petrobras. Mas a Prada foi graças ao Torben, que estava velejando na equipe”, destaca Marcelo. “Aí mudou o panorama financeiro para a gente para poder fazer tudo com calma. Só que aí a gente tinha mais recurso para fazer as coisas e menos tempo para a Star, porque tinha o envolvimento do Torben com a America’s Cup. Realmente tínhamos pouquíssimo tempo para treinar como dupla. A gente fez um ano de 1998 horroroso, com vontade de desistir, porque os resultados não vinham. A gente praticamente não tinha treinamento. A gente se encontrava e falava: ‘E aí? Qual é o campeonato?’ E ia lá para o campeonato e corria”, prossegue Marcelo.

“Então foi um ano terrível, desanimador, e em 1999 também não foi muito diferente. Em 1998, para ser sincero, que foi o ano do acidente do Lars, a gente até teve um Mundial fantástico na Eslovênia. A gente acabou o Mundial em segundo, o que valeu a classificação para Sydney (Jogos Olímpicos de 2000) para o país. Acabamos ganhando a eliminatória no Brasil também e fomos para Sydney com um barco novo e diferente. Para nossa surpresa, quando nós chegamos a Sydney nós acabamos conseguindo nos dedicar aos treinos e a gente estava voando baixo”, continua Marcelo.

Sydney 2000: o ouro caiu na água

Os Jogos Olímpicos de 2000, para o Brasil, ficará para sempre marcado como as Olimpíadas do “quase”. Várias de nossas estrelas consideradas favoritas sofreram reveses na hora H e, com isso, a delegação retornou para casa sem nenhuma medalha de ouro na bagagem pela primeira vez desde os Jogos de Montreal 1976.

Com Torben Grael e Marcelo Ferreira não foi diferente. Apesar de eles não terem feito uma preparação considerada ideal, a dupla por muito pouco não conquistou a segunda medalha dourada da parceria.

“A gente estava complemente fora de ritmo e de tempo para os Jogos e fizemos vários erros que a gente normalmente não teria feito se estivéssemos mais bem treinados”, lembra Torben Grael. “Mas ainda assim nós fomos para a última regata liderando, mas não demos muita sorte. A gente estava cinco pontos à frente do Mark Reynolds (norte-americano) e do barco dos ingleses. A gente acabou botando o americano fora da linha e ficamos com o lado bom da raia, só que nesse processo a gente acabou queimando a largada também e não conseguiu se dar conta disso. Normalmente, só do americano ter ido para o lado ruim da raia, a gente já teria ganho dele. Mas acabou que naquela regata em particular vagou o outro lado e então saiu tudo errado. A gente queimou e ele acabou ganhando a regata”, prossegue Torben. Torben e Marcelo acabaram no pódio, mas para receber a medalha de bronze, algo que eles não esperavam. “Nunca seria tão fácil (conquistar o ouro)”, resume Marcelo. “Mas só que mesmo com a largada escapada, e isso eu tenho que falar porque é a verdade, a gente velejou tão mal essa última regata que mesmo assim a gente não ganharia pela matemática. A gente cruzou a linha. Ninguém retirou a gente da regata. Nós cruzamos a linha e só depois soubemos que a gente tinha escapado. Mas com esse resultado de qualquer jeito a gente ficaria com o bronze, que era o pior que a gente poderia fazer no último dia. Antes de largar a gente já tinha o bronze. A gente fez o pior que a gente podia fazer”, reconhece.


No pódio dos Jogos Olímpicos de Sydney 2000: o ouro que quase se veio e que se transformou em bronze determinou a continuação da dupla para as Olimpíadas de Atenas 2004. Foto: Getty Images


“Sydney ficou entalado na gente. Primeiro, ficou entalado porque quando eu cheguei em terra, me lembro como se fosse hoje, teve algum cara lá de imprensa, um brasileiro, que fez uma pergunta tão ridícula que eu dei um coice. Eu falei: ‘Ô babaca, filma lá a festa do norueguês que tirou terceiro no Soling’. Os caras estavam comemorando pra caramba o bronze”. Nós fomos lá, lideramos a Olimpíada quase toda, tiramos um bronze e aí o cara vem dizer que foi um fracasso. É brincadeira isso!. O brasileiro tem essa mania. Se não for o primeiro não serve. Só que no Brasil eu falo o seguinte: ‘Só em ser atleta o cara já é campeão, porque só a gente sabe das dificuldades’’, continua Marcelo.

Seja como for, o bronze em Sydney, por mais que não tenha sido o que os dois esperavam diante das circunstâncias do último dia de prova na Oceania, foi determinante para algo incrível que viria quatro anos depois. E hoje, ao olhar para trás, Marcelo consegue curtir em paz tudo o que ele e Torben viveram nos Jogos de 2000.

“A Olimpíada de Sydney, como Olimpíada, para mim foi maravilhosa. Era uma baía linda, um transporte maravilhoso, tudo funcionando, muito aprazível, um negócio muito bacana de você estar ali velejando naquele evento. Velejar naquela baía foi fantástico para a gente. Nós ganhamos duas regatas em um dia, e o resultado, para gente, estava acima das expectativas para as Olimpíadas. Foi o que o Torben falou: ‘Essa (medalha de ouro) bateu no convés e caiu na água’. Barcelona não existiu, deu tudo errado, então tudo bem. Ali não... A gente não contava que fosse chegar lá e arrebentar. Mas quando a gente viu que estava andando muito, que estava tudo bonito, ali realmente a medalha bateu no convés e caiu na água. E aí a gente fez um combinado de que teríamos que fazer mais uma campanha. Ali a gente já combinou. Aquela foi a que culminou em Atenas”, prossegue Marcelo.

Um lugar no Olimpo

No ciclo para os Jogos de Atenas 2004, Torben Grael mais uma vez se viu diante do desafio da America’s Cup. Mas, dessa vez, as coisas saíram diferente do caminho percorrido para os Jogos de Sydney.

“Novamente eu fiz America’s Cup. A diferença é que a Copa (a decisão do título) foi em 2003. Então, como a gente não foi para a final em 2003, a minha participação acabou no final de 2002. E a Olimpíada foi em 2004. Então deu bastante tempo para a gente se preparar bem para os Jogos. Se por um lado a America’s Cup, com a Prada, teve esse impacto, dificultando os treinamentos para a gente, por outro lado eles foram nossos grandes patrocinadores, tanto para Sydney quanto para Atenas, possibilitando fazer uma preparação, principalmente para Atenas, da melhor forma possível. Então são os dois lados da moeda”, pondera Torben.

Vieram os Jogos na Grécia. E no dia 26 de agosto de 2004, após um quarto lugar na décima e penúltima regata da classe Star das Olimpíadas de Atenas, Torben Grael e Marcelo Ferreira conquistaram, por antecipação, a segunda medalha de ouro olímpica de suas vidas.


Torben Grael e Marcelo Ferreira, com as medalhas de ouro dos Jogos de Atenas 2004: passaporte carimbado para o clube dos bicampeões olímpicos do Brasil. Foto: Getty Images

A campanha dourada teve início no dia 21 de agosto, com um quinto lugar e um quarto lugares. No dia seguinte, vieram duas vitórias, que foram seguidas por um segundo lugar no dia 23. Um dia depois, a dupla cruzou a linha de chegada em quinto e voltou a ficar em segundo no dia 25, quando ainda disputou outra prova e terminou em sétimo. Então, no dia 26, após um 11º lugar, veio o histórico quarto lugar na segunda regata, o que selou a conquista do ouro. Eles nem precisaram velejar a 11ª e última prova das Olimpíadas.

“Para Atenas a gente não queria saber de Campeonato Mundial, de Campeonato Europeu, nada disso... A gente queria trabalhar para desenvolver só para Atenas. E esse foi um grande trabalho mesmo. A gente contou com a ajuda do Alan Adler (experiente velejador brasileiro que disputou as Olimpíadas de 1984, em Los Angeles; de 1988, em Seul; e de 1992, em Barcelona), junto com o Roni (Ronald Seifert), que foi proeiro do Pascolato, que é um cara muito bacana. O Alan e o Roni foram com a gente para a Itália, para o Lago de Como, testamos vela, testamos mastro, e fizemos um trabalho de excelência junto com uma tripulação espanhola, que tinha o Roberto Bermudez (velejador espanhol), que fez a volta ao mundo com a gente no Brasil 1 (nome do barco em que Torben, Marcelo, Bermudez e outros sete tripulantes competiram na edição 2005/2006 da Volvo Ocean Race) depois”, recorda Marcelo.

“A gente ficou rápido demais em vento fraco, ficamos rápidos em vento forte, tivemos um barco novo, e nós levamos dois barcos para a Olimpíada de Atenas. O Alan estava lá velejando com a gente de sparring. E o desgraçado era o mais rápido da Olimpíada. O nosso sparring era o cara!”, diz Marcelo às gargalhadas. “Foi muito divertido porque logo no segundo dia de treino a nossa equipe foi protestada para tirar o barco do Alan do evento. Tivemos que tirar o barco de dentro da marina, porque só podia ficar um barco, e acabou que quando a gente ficava do lado dos caras e a gente estava muito rápido. Estava dando tudo certo. Realmente Atenas para a gente foi tudo perfeito. Não tinha uma coisa que você podia falar que não estava funcionando para a gente”, prossegue o bicampeão, que ainda hoje se diverte com uma história que ele presenciou logo no início da competição.

“No primeiro dia de regata da Olimpíada, saímos da água e a gente estava em segundo no geral, se não me engano, ou terceiro, e o americano Paul Cayard estava liderando a Olimpíada. Mas o cara sempre foi meio metidão, né? Nós saímos da marina e a gente descobriu um posto de gasolina que tinha bem pertinho da marina e que tinha uma cervejinha Heineken, aquela pra relaxar depois de um dia longo, e aí nós fomos para lá para tomar uma cervejinha. Aí estava o Alexandre Haddad (jornalista da ESPN) lá fumando o charuto dele e passou o americano vendo a gente tomando uma cervejinha. O cara olhou pra gente e nem cumprimentou, com uma cara de desprezo danada. A brasileirada estava toda nesse posto de gasolina e começou a zuar. E o Alexandre me pega aquele charuto e me enterra o charuto, fazendo lá as mandingas dele. Depois desse dia o cara (Paul Cayard) sumiu da Olimpíada”, recorda Marcelo.


Torben e a felicidade de ter a honra de carregar a bandeira brasileira na cerimônia de abertura das Olimpíadas de Atenas: momento inesquecível seria coroado com o ouro na classe Star. Foto: Getty Images


No clube dos bicampeões

Em 26 de agosto de 2004, Torben Grael e Marcelo Ferreira entraram para um dos grupos mais seletos que o Brasil possui: o dos bicampeões olímpicos, uma façanha que apenas 12 atletas até hoje conseguiram no país.

Um dia antes, no dia 25, Robert Scheidt havia conquistado sua segunda medalha de ouro nos Jogos Olímpicos na classe Laser e, com isso, tinha se juntado a Adhemar Ferreira da Silva, até então o único bicampeão olímpico do Brasil. Agora, com os feitos de Torben e Marcelo, eram quatro bicampeões. E em Atenas os jogadores de vôlei Maurício e Giovane ampliariam esse número para seis. Esses são, até hoje, os únicos homens com duas medalhas douradas olímpicas no currículo. Seis mulheres, todas do vôlei, completam o clube dos bicampeões olímpicos do Brasil: Paula Pequeno, Sheilla, Jaqueline, Fabiana Oliveira (Fabi), Fabiana Claudino e Thaisa.

“Em Atenas foi muito especial. Primeiro porque é um lugar com muito simbolismo. É o berço do olimpismo moderno e tem aquela coisa toda... A gente teve, eu e Marcelo, a oportunidade de levar a tocha de Atenas, porque a tocha passou aqui no Rio de Janeiro antes. E depois eu levei bandeira no desfile de abertura e acabamos conseguindo o bicampeonato. Então foi uma Olimpíada muito marcante. Até Atenas só tinha o Adhemar (bicampeão olímpico). Isso foi uma coisa muito bacana, porque o Adhemar era aquele farol, aquela luz para a gente, dizendo que era possível. Então foi fantástico a gente conseguir chegar lá. E teve uma coisa curiosa em Atenas. As casas lá não tinham número na Vila. E a gente ficou em uma casa que o nome era Centauros. E dessa casa vieram quatro medalhas de ouro. Foram nós, o Robert Scheidt, o vôlei de quadra e o vôlei de praia (com Emanuel e Ricardo). Todo mundo ficou lá. Era um lugar especial”, conta Torben.

Marcelo Ferreira vai na mesma linha: “Você encerrar seu ciclo olímpico em Atenas, onde tudo começou, eu não precisava mais de nada. Para mim foi a melhor Olimpíada da minha vida. Foi o meu melhor resultado, foi a que mais me tocou, foi a que eu mais curti. Se você me perguntar de Savannah (Jogos de Atlanta 1996), Savannah foi fantástica. Mas Atenas para mim é o ápice, é a glória, não tem mais o que falar. A gente passeou naquilo tudo antes da regata eu e o Torben. Fomos visitar aqueles monumentos... Foi uma harmonia com Atenas”, emenda Marcelo. A tocha dos Jogos de 2004 até hoje decora a sala do velejador, junto com outros troféus, como mais uma lembrança especial de sua carreira.


Em Atenas, o ouro veio com uma regata de antecedência: Tudo a favor no berço dos Jogos Olímpicos. Fotos: Getty Images


Os Jogos no quintal de casa

A entrevista que serviu de base para essa matéria estava perto de terminar quando Marcelo Ferreira respondeu o que é ser um bicampeão olímpico.

“É aquela história da realização. Você dedica uma vida a um trabalho, que é o meu caso e o do Torben, que passamos a vida toda dentro de um esporte. Em todo o esporte o sofrimento é o mesmo. É sair de casa, tem as viagens, tem aquela coisa de abdicar das festas familiares e eu sou um cara muito família e então isso tudo soma no final. Você se dedicar tanto e conseguir algo assim é uma coisa muito forte. Ser campeão olímpico é ter seu trabalho reconhecido, sua recompensa, é chegar ao topo em um evento de uma magnitude que você não consegue mensurar. É o que todo atleta procura. A maioria procura ir para uma Olimpíada. Então você imagina eu, que tive a oportunidade e a chance e a alegria de poder ter ganho duas e ainda ter tido um bronze. É muito difícil descrever em palavras o que é você ser um bicampeão olímpico”, diz Marcelo.

A Torben Grael foi feita a mesma pergunta. E após refletir por vários segundos, ele encontrou uma explicação que vai além das medalhas.

“Cara, acho que primeiro é um orgulho enorme. A gente que optou por dedicar a vida da gente ao esporte, conseguir chegar aonde nós chegamos eu acho que é fantástico. Eu tenho uma amizade enorme com todos os meus tripulantes e ex-tripulantes e isso também é muito bacana, porque não foi só uma coisa do momento. Foi uma coisa muito além do treinamento, da participação, da competição. Eu tenho uma amizade enorme com todos eles e é difícil expressar o que isso significa. Acho que significa tudo pra gente”.


Torben e Marcelo: Alegria por acompanhar os Jogos Olímpicos do Brasil em casa e torcida para que a competição seja um sucesso. Foto: Getty Images

A partir do dia 5 de agosto, Torben Grael e Marcelo Ferreira viverão mais uma emoção ligada aos Jogos Olímpicos. Ambos moradores de Niterói, eles poderão acompanhar os Jogos no quintal de suas casas, algo impensável para qualquer um deles quando ambos, na Grécia, tornaram-se bicampeões olímpicos, em 2004.

Para Marcelo, a crise pela qual passa o país torna ainda mais importante que as Olimpíadas no Brasil sejam bem-sucedidas. “Eu acho fantástico uma Olimpíada no Brasil, mas só que temos tudo isso aí que todos estão acompanhando (na política e na economia). Eu espero de coração que essa Olimpíada seja um grande sucesso e que dê tudo certo. Porque a nossa realidade está muito ruim”, pondera.

“Eu acho que é uma oportunidade fantástica para quem está tendo o privilégio de poder disputar os Jogos Olímpicos em casa”, ressalta Torben. “E é muito bacana eu ter ambos os filhos entre essas pessoas que vão ter esse privilégio”, continua, referindo-se a Martina Grael (que competirá na classe 49erFX, ao lado de Kahena Kunze) e a Marco Grael (que velejará na clase 49er, ao lado de Gabriel Borges).

“A gente ainda tem bastante coisa para fazer para estar tudo pronto para os Jogos, mas eu espero que no final vai dar tudo certo. A gente atravessa momentos difíceis na política e na economia e eu espero que isso também se aprume deixando uma boa mensagem para o futuro. Então, acho que os Jogos vão chegar em um momento legal para o Brasil para botar o esporte mais em evidência, para o país ver coisas boas. Vai ser um período muito bacana da vida da gente”, encerra o velejador.

Luiz Roberto Magalhães – brasil2016.gov.br