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quinta-feira, 9 de julho de 2026

PARQUE SOLAR É MAIS UM LEGADO DE SUSTENTABILIDADE E INOVAÇÃO QUE DEIXAMOS PARA NITERÓI

Quem chega em Niterói pela Ponte, ao se aproximar da Praça do Pedágio e olhar para o Morro da Boa Vista localizado bem à sua frente, já deve ter notado que há uma novidade na encosta: é o PARQUE SOLAR, um projeto inovador e um novo conceito de geração de energia de forma limpa, sustentável e que beneficia a comunidade.

Parque Solar implantado em encosta de Niterói é mais um legado de inovação iniciado na nossa gestão como prefeito da cidade. Projeto é uma referência para outras comunidades de Niterói e para outras cidades. Foto Leonardo Simplicio (Divulgação). 

O projeto de implantação do Parque Solar na Encosta do Morro da Boa Vista, no Centro de Niterói, era uma antiga ideia que acalentei por anos e consegui desenvolver quando fui secretário da Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão - SEPLAG, da Prefeitura de Niterói. O projeto avançou e saiu do papel graças principalmente ao empenho da engenheira florestal Valéria Braga e do secretário de Defesa Civil Walace Medeiros. 

Na sua concepção inicial, a iniciativa teve como objetivo aproveitar as condições favoráveis da encosta para a produção de energia fotovoltaica, proteger a maior área de reflorestamento da mantido pela Prefeitura e beneficiar a comunidade. A água da chuva acumulada nas próprios painéis solares é captada e estocada em reservatórios com capacidade para 30 mil litros, para ser utilizada na manutenção e limpeza do Parque Solar, permitir a irrigação das mudas e proteger a área dos constantes incêndios que prejudicam as áreas de reflorestamento.

Em 2018, o conceito inovador do projeto foi reconhecido com a conquista do Prêmio Lidera Rio, vencendo na categoria principal - "Prêmio de Melhor Projeto" - e na categoria "Sustentabilidade e Resiliência". A premiação foi promovida pelo SEBRAE-RJ, em parceria com o Instituto República, CLP e Cidadis e contou com a participação de várias prefeituras fluminenses.

Na minha gestão como prefeito de Niterói (2021-2024) contratamos um serviço especializado para o desenvolvimento do projeto executivo, licitamos e demos início às obras de sua implantação, que foram concluídas na atual gestão do prefeito Rodrigo Neves. A obra foi concluída e entregue no dia último dia 04 de julho. 

Fotos Leonardo Simplicio (Divulgação)

O Parque Solar, que contou com um investimento de R$ 7,7 milhões, possui 2 mil módulos fotovoltaicos e ocupa uma área de 36 mil metros quadrados. A usina tem capacidade para produzir cerca de 150 mil quilowatts-hora (kWh) de energia por mês energia, reduzindo as despesas do consumo de energia dos prédios públicos. Para se ter uma ideia, a energia produzida é suficiente para suprir o consumo de 19 creches públicas. Com isso, o retorno do investimento virá em dois anos. 

O Parque Solar é parte do esforço que iniciamos na nossa gestão para a transição energética da cidade, que incluiu a captação de recursos junto ao PAC, do Governo Federal, para a implantação de ônibus elétricos, do VLT de Niterói e a aquisição de veículos elétricos para a descarbonização da frota da Prefeitura e mitigar emissões de Gases de Efeito Estufa na cidade.

A energia solar é uma das formas mais sustentáveis de geração de energia, é a fonte que mais cresceu no Brasil entre 2024 e 2025, com o excepcional avanço de 24,%.

Axel Grael
Prefeito de Niterói (2021-2024)



sábado, 4 de julho de 2026

RJ anuncia nova etapa de programa de restauração florestal com investimento de R$ 39,5 milhões


Edital prevê a recuperação de 482 hectares de Mata Atlântica em dez municípios fluminenses e de 18,7 hectares de manguezais na Baía de Guanabara e na Baía de Sepetiba.

A Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (Seas), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Aegea Saneamento apresentaram, nesta quarta-feira (24/6), o resultado do edital Florestas do Rio, vinculado ao Programa Estadual Florestas do Amanhã. Com investimento previsto de R$ 39,5 milhões, a iniciativa vai viabilizar a restauração de 482 hectares de vegetação nativa em dez municípios fluminenses. Ao todo, sete instituições serão responsáveis pela execução dos projetos.

A nova etapa do programa, anunciada em cerimônia na sede da Seas, no Centro do Rio, reforça a estratégia estadual de ampliação da cobertura florestal em áreas prioritárias para a produção de água e conservação da biodiversidade. Os municípios que integram a nova fase são Cachoeiras de Macacu, Itaboraí, Magé, Silva Jardim, Paracambi, Miguel Pereira, Rio de Janeiro, Engenheiro Paulo de Frontin, Maricá e Rio Bonito.

O edital também amplia o escopo das ações do programa ao incluir a recuperação de 18,7 hectares de manguezais em áreas estratégicas para a conservação ambiental do estado. As intervenções ocorrerão no fundo da Baía de Guanabara, em Magé, e na Reserva Biológica Estadual de Guaratiba, localizada na Baía de Sepetiba, na capital fluminense.

Além da recuperação da vegetação nativa, os projetos preveem ações de mobilização social, capacitação de produtores rurais e fortalecimento das cadeias produtivas da restauração florestal, ampliando os benefícios ambientais, econômicos e sociais nos territórios atendidos.

A nova etapa reforça uma parceria que vem impulsionando a restauração ecológica no Rio de Janeiro. Desde sua criação, o Florestas do Amanhã já lançou cinco editais — dois deles em parceria com o BNDES — e se consolidou como o maior programa estadual de restauração florestal do país.

Com o edital Florestas do Rio, os números do programa chegam a mais de R$ 100 milhões investidos, o plantio de mais de 2,15 milhões de mudas e a recuperação de mais de 1.294 hectares de Mata Atlântica em 18 municípios fluminenses. As ações já geraram mais de 3 mil empregos e vêm contribuindo para a proteção de mananciais estratégicos para o abastecimento de água da população.

Além da recuperação de áreas degradadas, as ações promovidas pelo programa fortalecem a conectividade entre fragmentos florestais, favorecem a proteção de recursos hídricos e ampliam as condições para o retorno da fauna silvestre. Registros recentes realizados em áreas restauradas identificaram espécies como anta, onça-parda e jaguatirica, evidenciando os impactos positivos da restauração ambiental.

Os sete projetos selecionados atuarão em diferentes realidades ambientais do estado. As iniciativas incluem a restauração de áreas de Mata Atlântica em unidades de conservação, propriedades rurais e áreas públicas municipais, além da recuperação de manguezais, implantação de polos de restauração florestal e fortalecimento da assistência técnica a produtores rurais.

A meta do Governo do Estado é reflorestar 440 mil hectares de Mata Atlântica até 2050, elevando a cobertura vegetal fluminense dos atuais 30% para 40%. A expectativa é que os investimentos em restauração ecológica ultrapassem R$ 500 milhões nos próximos anos, ampliando o alcance das ações em diferentes regiões do estado.

Fonte: SEAS



sexta-feira, 3 de julho de 2026

Árvores gigantes de florestas tropicais superam limites físicos para transportar água até o topo

 

O pesquisador Arne Scheire, um dos autores do artigo, escala um dipterocarpo de 67 metros na Malásia (imagem: Arne Scheire/University Exeter)

Estudo publicado na Science mostra que espécies com altura equivalente à de prédios de 30 andares desenvolveram adaptações internas e – ao contrário do que se pensava – não são mais vulneráveis a secas do que a vegetação mais baixa.

Luciana Constantino | Agência FAPESP – Contrariando um paradigma da botânica, uma pesquisa divulgada hoje (02/07) na revista Science revelou que as árvores gigantes das florestas tropicais – com altura equivalente à de prédios de 20 ou 30 andares – não têm dificuldade em transportar água da raiz até o topo e tampouco são mais vulneráveis à seca do que as menores. O trabalho detalha o mecanismo de sobrevivência dessas espécies ainda pouco compreendidas pela ciência, embora essenciais para a regulação do clima por sua capacidade de armazenar carbono.

Pesquisas anteriores sugeriam que, conforme as árvores ganham altura, a capacidade de mover água até o alto poderia ser prejudicada pela maior distância entre raízes e folhas e pelos efeitos da gravidade. Isso reduziria a fotossíntese, limitaria o crescimento e aumentaria a vulnerabilidade à seca.

Mas, de acordo com o novo artigo, as árvores gigantes desenvolveram adaptações internas que compensam os desafios de transportar água até os galhos mais altos. Além disso, testes realizados durante secas severas mostraram que elas não tiveram declínio acentuado de crescimento em comparação com árvores menores, contrariando a hipótese de que espécimes muito altos seriam mais suscetíveis ao estresse hídrico.

Os pesquisadores descobriram que ajustes dos conduítes do xilema (“tubos” microscópicos que a planta usa para conduzir água e nutrientes até as folhas), com diâmetros maiores conforme fica mais alta, compensaram o aumento da resistência ao fluxo de água durante o trajeto. Na prática, é como se a árvore precisasse de uma mangueira maior para levar água mais longe. Essas adaptações complexas são capazes de reduzir a chance de falhas no transporte hídrico quando a planta está em situações de seca.

No caso das folhas, o efeito da gravidade as obriga a funcionar com menor hidratação (potencial hídrico mais negativo), levando-as a ficar murchas e ter que fechar o estômato (estrutura microscópica que funciona como “poros”) mais cedo, reduzindo sua fotossíntese. O estudo mostra, porém, que as árvores gigantes aumentam a tolerância a essas condições, sem prejuízo ao seu funcionamento.

Esses achados avançam na biologia das árvores gigantes, ajudando a explicar como conseguem superar limitações físicas e fisiológicas para conduzir água e continuar crescendo; aprimoram olhares sobre o papel das florestas nas mudanças climáticas e geram evidências para orientar ações de conservação, visando manter o equilíbrio do ciclo de carbono, de chuvas e da biodiversidade.

“Existem poucos dados sobre como as funções hidráulicas de uma planta mudam conforme ela cresce. É aceito que árvores maiores têm dificuldade em transportar água e, por isso, podem morrer mais em função de secas. Ficamos muito surpresos com o resultado do nosso estudo, verificando que elas têm um mecanismo interno de ajuste”, diz à Agência FAPESP o autor correspondente do artigo, Paulo Bittencourt, professor da Escola de Ciências da Terra e Ambiente da Universidade Cardiff (Reino Unido) e pesquisador colaborador do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp).

Segundo o ecólogo, 1% das maiores árvores do planeta armazena mais da metade do carbono em ecossistemas florestais tropicais, além de contribuir com o ciclo de chuvas pela evapotranspiração.

O trabalho teve apoio da FAPESP por meio de um projeto Jovem Pesquisador concedido ao biólogo Peter Groenendijk, que assina o artigo com Rafael Oliveira, ambos do Centro de Ecologia Integrativa do IB-Unicamp.

(Esquerda) Palasiah Jotan, pesquisadora, usa câmara de pressão para medir o potencial hídrico de folhas de dipterocarpo antes do nascer do sol, quando as árvores estão bem hidratadas; (centro) vista de um dipterocarpo de grande porte; (direita) autores do artigo diante de um dipterocarpo: da esquerda para a direita Arne Scheire, Palasiah Jotan, Martin Svátek, David Burslem e Paulo Bittencourt (créditos: Palasiah Jotan/Czech University of Life Sciences Prague e Lindsay Banin /UK Centre for Ecology & Hydrology))

‘Escalando a floresta’

Para realizar o estudo, que levou mais de dois anos, o grupo utilizou uma amostra de 38 árvores da família Dipterocarpaceae, de cinco espécies, localizadas na Reserva Florestal Kabili-Sepilok (Malásia), na ilha asiática de Bornéu. A reserva é mundialmente conhecida por abrigar centros de conservação, inclusive o primeiro criado no mundo para reabilitação de orangotangos.

Essas árvores, variando de 7,1 a 71 metros, são consideradas as mais altas com flores dos trópicos.

O trabalho de campo foi possível com a contribuição de escaladores treinados por Jamiludding Jami, arborista ligado à Parceria de Pesquisa da Floresta Tropical do Sudeste Asiático (SEARPP, na sigla em inglês). Jami foi responsável, em 2018, por escalar e medir um dipterocarpo (meranti amarelo, Shorea faguetiana) de 100,8 metros, considerado a árvore tropical mais alta encontrada até agora.

Escalar uma árvore de mais de 70 metros é um trabalho muito especial, que pouquíssimos fazem no mundo. São pessoas que conseguem, no meio da floresta, passar uma corda em uma árvore da altura de um prédio de 20 a 30 andares, subir e coletar galhos, por exemplo. Algumas coletas tiveram de ser sem sol, à noite. Não é só saber passar a corda e ter condicionamento físico. Precisa ver se tem vespeiro, saber se aquele galho é bom, se a madeira é forte, não é uma coisa trivial”, relata Bittencourt.

Essa expertise foi levada a escaladores no Amapá, pertencentes a comunidades ribeirinhas no Estado, que, após o treinamento, contribuíram com a coleta de material para pesquisa semelhante na floresta amazônica. Parte desses resultados deve ser divulgada até o final de 2026.

Há alguns anos, esse grupo de cientistas vem estudando gigantes da Amazônia na região do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque e da Floresta Nacional do Amapá, para onde já foram realizadas algumas expedições. O projeto busca entender reações fisiológicas da floresta amazônica às mudanças climáticas. É liderado pela ecóloga britânica Lucy Rowland, da Universidade de Exeter, com quem Bittencourt trabalhou diretamente quando estava na instituição e que também é autora da pesquisa publicada na Science.

Estimativa apresentada em outro estudo liderado por Robson Borges de Lima, da Universidade do Estado do Amapá, e do qual Bittencourt e Groenendijk fizeram parte, indica que a Amazônia brasileira tem cerca de 55,5 milhões de árvores gigantes, mas a distribuição geográfica é desigual. Apenas 1% da área de floresta concentra 14% delas e metade está localizada em aproximadamente 11% do bioma. Ficam principalmente em Roraima e no Escudo das Guianas (formação geológica que inclui parte do Amapá), onde a disponibilidade de água é alta.



Impactos das mudanças climáticas

Para analisar como os dipterocarpos reagem ao estresse hídrico, os pesquisadores mediram as taxas de crescimento dos troncos antes, durante e depois do forte período de seca associado ao El Niño em 2023-2024. Fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do oceano Pacífico Equatorial, o El Niño de 2023-2024 foi considerado um dos cinco mais intensos já medidos. Classificado no limite da categoria “muito forte”, elevou as temperaturas em cerca de 2°C acima da média, com diferentes impactos no clima de vários países.

No estudo, os resultados da comparação entre os períodos não mostraram declínios na taxa de crescimento associada à altura das árvores durante a seca severa. Ou seja, as maiores foram tão afetadas quanto as menores, sofrendo impactos semelhantes das mudanças climáticas.

Nossos achados demonstram que os sistemas hidráulicos de dipterocarpos muito altos evoluíram de forma a se adequar perfeitamente à sua altura, não devendo sofrer mais do que os de menor porte expostos às mesmas condições de seca”, afirma Rowland, por meio de comunicado à imprensa.

Nesse sentido, a pesquisa sugere que diferenças na capacidade das árvores de evitar bolhas de ar (embolia) que interrompem a circulação interna de água durante a seca podem estar mais relacionadas ao microclima da copa e ao sombreamento do que à altura.

Para Oliveira, os resultados sinalizam a necessidade de entender melhor os mecanismos que determinam a mortalidade das árvores gigantes durante secas extremas. “Em vez de assumir que a altura por si só aumenta a vulnerabilidade hidráulica, os achados apontam que existem outros mecanismos fisiológicos e anatômicos que podem ser igualmente ou mais importantes para explicar a sobrevivência dessas árvores às mudanças climáticas. Essa nova perspectiva pode ajudar o desenvolvimento de modelos mais realistas sobre o funcionamento das florestas e suas respostas a climas cada vez mais secos”, afirma Oliveira à Agência FAPESP.

Groenendijk reforça a importância de compreender as taxas de crescimento dessas espécies. “Entender quais idades as gigantes atingem, como crescem e como se comportam frente à variabilidade climática são questões cruciais que estamos tentando responder usando sensores automatizados e a análise de anéis de crescimento”, completa.

No Brasil, um grupo internacional de cientistas está coletando dados na Reserva Florestal Adolfo Ducke, em Manaus (AM), para quantificar e mapear as causas e os fatores de morte de árvores tropicais altas. O “Projeto Gigante” vem sendo desenvolvido por integrantes do Cary Institute of Ecosystem Studies Millbrook (Estados Unidos) em cooperação com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Oliveira destaca que, provavelmente, um mecanismo que compensa a resistência a secas está ligado à capacidade das folhas mais altas de absorver orvalho e neblina. “Pesquisas anteriores que fizemos mostraram que fontes atmosféricas podem ser importantes para manter a hidratação de plantas em geral, mesmo as de folhas muito grandes”, conclui.

O artigo Height does not impair the hydraulic system of the tallest tropical Dipterocarp trees pode ser lido em: science.org/doi/10.1126/science.aea9013.

Fonte: Agência FAPESP



quarta-feira, 1 de julho de 2026

Grandes mamíferos alteram a química do solo e aumentam a fertilidade da Mata Atlântica

 


Estudo revela que antas, queixadas, catetos e veados atuam como verdadeiros engenheiros do ecossistema ao diminuir a acidez da terra, aumentar a diversidade e acelerar a decomposição de matéria orgânica na floresta

André Julião | Agência FAPESP – Um estudo publicado na revista Ecological Monographs aponta que grandes mamíferos, como antas, queixadas, catetos e veados, alteram a composição química da serrapilheira e do solo em florestas tropicais da Mata Atlântica brasileira. Como consequência, proporcionam maior disponibilidade de nutrientes e, possivelmente, uma maior fertilidade do solo.

O trabalho foi realizado por integrantes do Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima (CBioClima), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP e sediado no Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (IB-Unesp), em Rio Claro. Os resultados enfatizam a importância que esses animais – muito visados pela caça ilegal e com populações em declínio – têm para a sobrevivência a longo prazo do bioma, mesmo dentro de áreas onde a cobertura florestal permanece intacta.

“A maior parte da biomassa de mamíferos em áreas contínuas de Mata Atlântica é composta pela queixada, um porco selvagem nativo que vive em bandos que podem passar de cem indivíduos”, conta Letícia Gonçalves Ribeiro, primeira autora do trabalho, realizado como parte de seu doutorado no IB-Unesp com bolsa da FAPESP.

“Eles chegam numa área e passam muito tempo pisoteando e fuçando a terra, à procura de frutos caídos e sementes, além de defecar e urinar. Com isso, acabam influenciando a ciclagem de nutrientes, alterando a química do solo e a diversidade da serrapilheira – a camada de folhas, galhos e frutos que fica na superfície do solo”, explica a cientista. Outros exemplos de mamíferos herbívoros de grande porte que povoam o bioma incluem as antas, os veados e os catetos, que são uma outra espécie de porco selvagem.

Para entender melhor a relevância desses animais no funcionamento da Mata Atlântica, os pesquisadores compararam amostras do solo e da serrapilheira de áreas onde esses mamíferos circulam livremente com as de outras áreas, que foram cercadas para eliminar temporariamente a presença deles. Os resultados apontaram diferenças substanciais na acidez (pH) – menos ácido com animais, mais ácido sem – e na disponibilidade de nutrientes como cálcio e alumínio.

“O alumínio, que em altos níveis é prejudicial às plantas, foi reduzido onde havia maior presença de animais. Esse nutriente tem uma relação especial com o pH e o cálcio. O equilíbrio entre eles é necessário para uma maior fertilidade do solo”, afirma Ribeiro. Isso significa, na prática, que a presença de grandes mamíferos aumenta a fertilidade do solo da floresta.

Na serrapilheira das áreas com mamíferos, foi observada uma redução de lignina, uma molécula complexa que recobre as células das plantas e dificulta sua decomposição. Ao ser remexida e pisoteada pelos animais, a serrapilheira é mais bem distribuída no espaço e se fragmenta em pedaços menores, o que aumenta o contato com o solo e facilita a quebra da lignina e o processo de decomposição.

Foi constatada ainda uma maior diversidade na serrapilheira que era fuçada e pisoteada pelos grandes animais. As amostras coletadas na parte com presença de grandes mamíferos tinham uma proporção mais equilibrada de folhas, galhos, frutos e sementes, outro fator que contribui para a decomposição desses materiais no solo da floresta.

“Nossa pesquisa tem demonstrado, de forma cada vez mais robusta, como os grandes herbívoros têm uma importância primordial para as florestas. São justamente esses animais, mais visados pela caça, que atuam como engenheiros de ecossistemas, influenciando desde a composição das plantas na paisagem até mesmo a química do solo”, afirma Mauro Galetti, professor do IB-Unesp que coordenou o estudo e é um dos pesquisadores principais do CBioClima.

Fezes de anta no Parque Estadual Carlos Botelho: presença de grandes mamíferos aumenta disponibilidade de nutrientes para a manutenção da floresta (foto: Letícia Gonçalves Ribeiro/IB-Unesp)

Estudo de longo prazo

A investigação se baseou em dados obtidos por meio do projeto “DEFAU-BIOTA: efeitos da defaunação no carbono do solo e na diversidade funcional de plantas da Mata Atlântica”, apoiado pela FAPESP no âmbito do Programa BIOTA.

No experimento, conduzido desde 2009 na Serra do Mar, são comparadas áreas (parcelas) de 15 metros quadrados abertas para a livre passagem dos animais com outras onde o acesso é restrito por cercas, que são instaladas pelos pesquisadores para impedir a entrada de mamíferos de grande porte.

No trabalho atual, foram analisadas dez parcelas abertas e dez fechadas no Parque Estadual Carlos Botelho, no município de São Miguel Arcanjo, parte de um grande mosaico de áreas protegidas de Mata Atlântica na região do Vale do Ribeira, no sudeste do Estado de São Paulo. A biomassa de mamíferos foi estimada a partir de imagens de câmeras conhecidas como “armadilhas fotográficas", que são acionadas automaticamente quando algum animal passa na frente delas.

Em estudos anteriores, os pesquisadores já haviam demonstrado que a ausência de grandes mamíferos herbívoros reduz a quantidade de nitrogênio no solo, diminui a diversidade de plantas e altera as relações entre plantas e seus inimigos naturais — modificando, assim, a dinâmica ecológica da floresta (leia mais em: agencia.fapesp.br/34879, agencia.fapesp.br/31388 e agencia.fapesp.br/50818).

Em março deste ano, outro estudo do grupo indicou que a falta de grandes mamíferos leva a uma homogeneização da floresta, ou seja, a dominância de algumas poucas espécies de plantas que prosperam na ausência desses herbívoros.

No alto, veado-mateiro (Mazama rufa) e anta (Tapirus terrestris) flagrados por câmeras trap instaladas nas áreas do estudo, que flagraram ainda a queixada (Tayasu pecari), à direita (fotos: câmeras trap e Letícia Gonçalves Ribeiro/IB-Unesp).

Vida no solo

Numa etapa mais recente da pesquisa, ainda em desenvolvimento, Ribeiro está analisando o efeito dos grandes mamíferos sobre os nematoides, animais microscópicos, parecidos com vermes, que vivem no solo e são indicadores de qualidade do ecossistema.

“Os nematoides são um dos grupos mais abundantes da fauna do solo, ocupando diferentes níveis tróficos: alguns são especializados em comer bactérias, outros se alimentam apenas de fungos e há ainda os predadores, que se alimentam de outros nematoides e organismos da fauna do solo”, explica Ribeiro, que atualmente realiza estágio de doutorado na Universidade de Aarhus, na Dinamarca, com bolsa da FAPESP.

As análises preliminares realizadas até agora em amostras de solo coletadas das áreas de pesquisa apontam que a presença dos grandes mamíferos contribui para uma presença maior de nematoides predadores. “É preciso ter todos os outros níveis tróficos presentes para que haja esse tipo de nematoide. Portanto, sua abundância indica um ecossistema mais saudável”, diz.

Os resultados dessa nova fase do estudo, no entanto, ainda não têm data para serem publicados.

O trabalho agora publicado teve apoio da FAPESP também por meio de bolsa de doutorado concedida a Mateus de Melo Dias, coautor do texto.

O artigo Mammals' zoogeochemical effects change litter and soil biogeochemistry in a tropical rainforest pode ser lido em: esajournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/ecm.70070.

Veja vídeo sobre a pesquisa em: youtu.be/nUNav9OPhcU.

Fonte: Agência FAPESP




domingo, 31 de maio de 2026

Niterói é uma das poucas cidades a contar com uma política para evitar e controlar incêndios em vegetação

 

Agentes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros combatem foco de incêndio no Vital Brazil, em janeiro: este ano, antes mesmo do início do período de estiagem, autoridades já registraram cem chamados — Foto: Divulgação / Claudio Fernandes

Em 2012, fui eleito vice-prefeito de Niterói na chapa com o prefeito Rodrigo Neves. Fui designado por Rodrigo para coordenar a transição entre a nova gestão e a gestão que saía. Dentre as minhas muitas preocupações naquela ocasião, estavam em evitar fatos que pudessem nos surpreender no início da gestão, por exemplo, o risco de um desastre climático naquele primeiro verão. Isso seria muito relevante pelo risco em si, mas também por que Niterói ainda se recuperava do trauma da chamada "Tragédia do Morro do Bumba", ocorrida em 2010.

Iniciado o governo, a Defesa Civil ficou sob a minha responsabilidade, como parte das atribuições da Vice-Prefeitura. Iniciamos a gestão, em janeiro de 2013, tendo a primeira  versão do Plano Chuvas de Verão já preparado. Mas, tínhamos uma Defesa Civil precária e praticamente sem qualquer recurso tecnológico. O que prevíamos aconteceu: a cidade sofreu com chuvas intensas mas estávamos preparados, apesar do pouco tempo de organização e a falta de estrutura. A cidade resistiu, mas longe ainda do estágio de preparação que queríamos. 

Passado o momento de sufoco daquele verão, dedicamos o restante do ano a nos preparar para o verão seguinte (2013-2014). Desenvolvemos o Plano de Contingência e treinamos equipes de diversos órgãos da Prefeitura para cada um ter o domínio do procedimento a tomar em caso de emergência climática. 

E o que aconteceu naquele verão? Justamente o contrário do que era esperado: nada de chuva! Enfrentamos uma longa estiagem e o período de maior ocorrência de incêndios em vegetação já registrado na cidade.

Números dos incêndios em vegetação no verão 2013/2014, segundo monitoramento contratado pela Prefeitura.

Com ajuda do helicóptero e efetivos dos Bombeiros, superamos aquele desafio. Como um engenheiro florestal que já havia lidado com problemas de queimadas antes, vi naquele momento a oportunidade de inovar a criar uma política de prevenção e enfrentamento às queimadas.

Helicóptero combate incêndio em área de mata no Morro do Cavalão, em São Francisco. Foto Axel Grael.

Lançamos o programa Niterói Contra Queimadas com a liderança da Defesa Civil, da Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade (SMARHS) e do Corpo de Bombeiros. Formamos o NUDEC Queimadas, que hoje já soma mais de 700 voluntários treinados.

Fizemos uma parceria com o Corpo de Bombeiros e criamos um sistema de pagamento aos bombeiros em momento de folga, para reforçar o enfrentamento às queimadas e ação preventiva nas comunidades em situação de normalidade.

Também criamos uma rotina de Rondas Preventivas com ação educativa nos locais de maior ocorrencia de focos de incêndio. Cartilhas são distribuídas alertando que causar incêndio em vegetação é crime,  queimar lixo também é contra a legislação e altamente prejudial à saúde humana e ao meio ambiente. Outro alerta importante é contra a inaceitável prática de soltura de balões, ato criminoso e altamente perigoso para as matas, para a infraestrutura urbana e industrial e para o patrimônio das famílias.

Essas medidas, poderão ser decisivas nos meses que virão, uma vez que espera-se uma longa estiagem devido ao super El Niño que está se formando. O risco de incêndios em vegetação aumentam muito nessas condições.

Os esforços de Niterói para combater queimadas rendeu um prêmio para a cidade.

Hoje, temos reconhecidamente uma das melhores, mais preparadas e mais bem equipadas defesas civis do Brasil. Ainda há muito por fazer, mas Niterói mostra o caminho do controle e prevenção às queimadas e zelo pelas nossas florestas e vidas nas encostas.

Axel Grael
Prefeito de Niterói (2021-2024)
Vice-prefeito de Niterói (2013-2016)


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Bombeiro combate incêndio no Vital Brazil, em Niterói, janeiro deste ano — Foto: Divulgação/Claudio Fernandes

Niterói reforça ações para enfrentar Super El Niño após registrar quase cem focos de incêndio em 2026

Defesa Civil amplia monitoramento e abre nova turma de voluntários; previsão aponta redução de chuvas e temperaturas acima da média nos próximos meses

Com a previsão de um “super El Niño” nos próximos meses e a expectativa de redução das chuvas no Sudeste, a Prefeitura de Niterói intensificou as ações de prevenção contra queimadas, um dos principais problemas ambientais enfrentados pela cidade durante o período mais seco do ano. Em 2026, de acordo com o Corpo de Bombeiros, o município já registrou quase cem focos de incêndio em vegetação, sendo 20 apenas neste mês de maio.

O alerta ocorre em meio a projeções climáticas que apontam para temperaturas acima da média e estiagem mais intensa entre maio e julho. Segundo análise do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), as condições associadas ao estabelecimento do El Niño devem favorecer a ocorrência de queimadas no Estado do Rio.

O fenômeno climático, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, preocupa autoridades em todo o país. Governos estaduais e o governo federal vêm adotando medidas preventivas diante da possibilidade de um “super El Niño”, que pode provocar temporais no Sul e intensificar secas e ondas de calor em outras regiões do Brasil. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) já alertou para o aumento do risco de incêndios no Sudeste.

Em Niterói, a preocupação se concentra principalmente no período entre maio e setembro, que historicamente concentra a maior parte dos incêndios em vegetação. Dados da Defesa Civil municipal mostram que, entre 2021 e 2025, foram registradas 832 ocorrências nesse intervalo.

Ao longo dos últimos anos, a preocupação é crescente. O Corpo de Bombeiros foi acionado 66 vezes para combate às chamas em Niterói entre os dias 1º de janeiro e 28 de maio de 2023. Foram 194 vezes no mesmo período em 2024, e 379 vezes em 2025.

Mais prevenção

Para enfrentar o problema, a prefeitura ampliou a chamada Operação Queimadas, baseada em monitoramento tecnológico e mobilização comunitária. São usados drones, sensores, imagens de satélite e mapas georreferenciados para identificar áreas vulneráveis e acelerar a resposta contra os focos de incêndio.

Um dos pilares da estratégia é o trabalho do Núcleo de Defesa Civil (Nudec) Queimadas, formado atualmente por cerca de 700 voluntários distribuídos em 15 grupos pela cidade. Eles atuam em parceria com o Corpo de Bombeiros em ações de orientação, prevenção e identificação rápida de focos de fogo.

O secretário municipal de Proteção e Defesa Civil, coronel Walace Medeiros, explica que o principal objetivo é evitar que incêndios aconteçam.

— O combate às queimadas começa muito antes do incêndio. Trabalhamos fortemente na prevenção, no monitoramento e na conscientização da população — diz.

Moradora da Comunidade da Salina, em Jurujuba, Conceição Jeremias da Silva Neta, de 47 anos, afirma que as queimadas já colocaram residências da região em risco.

— Já presenciei diversas queimadas por causa da vegetação extensa que temos no bairro. Em algumas situações, o fogo se espalhou muito rápido e chegou perto das casas. Muitas pessoas achavam normal queimar lixo no quintal ou até viam a queda de balão como algo bonito, mas hoje sabemos o quanto isso pode ser destruidor — relatou.

Como parte das ações preventivas, a Defesa Civil abrirá uma nova turma de formação do Nudec Queimadas nos dias 4, 11, 18 e 25 de julho. As inscrições serão divulgadas nas redes sociais do órgão. O treinamento inclui aulas de primeiros socorros, prevenção e combate a incêndios, meteorologia, orientação cartográfica e cuidados com animais em áreas atingidas pelo fogo.

Segundo a prefeitura, a Defesa Civil de Niterói conta com mais de três mil voluntários distribuídos em 153 núcleos comunitários especializados em diferentes áreas de atuação. Nos últimos 13 anos, o município afirma ter investido mais de R$ 1,7 bilhão em ações de prevenção e mitigação de desastres naturais.

A Defesa Civil orienta a população a evitar práticas que podem provocar incêndios, como colocar fogo em lixo, folhas secas ou restos de poda, jogar guimbas de cigarro em áreas de vegetação e descartar carvão ainda aceso em terrenos ou matas. Soltar balões, além de crime ambiental, também representa risco.

Em caso de fumaça ou princípio de incêndio, a recomendação é acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193, sem tentar combater incêndios de grandes proporções sozinho.

O órgão também orienta que folhas, galhos e restos de poda sejam ensacados e destinados à coleta regular de lixo. Em grandes volumes, o descarte deve ser solicitado à Clin. A prefeitura destaca ainda que podas dependem de autorização prévia da Secretaria de Meio Ambiente e que resíduos vegetais podem ser reaproveitados em compostagem, jardinagem e artesanato.

Fonte: O Globo Niterói


sexta-feira, 22 de maio de 2026

Desmatamento na Mata Atlântica atinge menor nível histórico e confirma trajetória de desaceleração

 

Supressão total registrou queda de 28%, chegando a 40% em florestas maduras

Dois dos principais sistemas de monitoramento da Mata Atlântica apresentaram, em 2025, os melhores resultados de suas respectivas séries históricas.

O Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica, desenvolvido pela Fundação SOS Mata Atlântica, MapBiomas e Arcplan desde 2022, registrou queda de 28% no desmatamento em relação ao período anterior – de 53.303 para 38.385 hectares. Trata-se do menor índice dos quatro anos de acompanhamento.

Já o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, parceria entre a SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que desde 1985 monitora os grandes fragmentos de florestas maduras do bioma, confirma a mesma tendência com um dado ainda mais expressivo: redução de 40% na supressão, que passou de 14.366 para 8.668 hectares. Em quatro décadas de monitoramento, pela primeira vez o desmatamento anual ficou abaixo da marca de 10 mil hectares.

Taxa de desmatamento e tendência para a série histórica

O resultado se dá num ano especialmente simbólico: em 2026, a Mata Atlântica registra seu menor desflorestamento ao mesmo tempo em que a Fundação SOS Mata Atlântica completa 40 anos e a Lei da Mata Atlântica (primeira legislação específica para a proteção de um bioma brasileiro e referência internacional em conservação de florestas tropicais) chega aos 20 anos.

A redução é reflexo de pressão pública, mobilização da sociedade, políticas ambientais e ações de fiscalização – entre elas medidas como a Operação Mata Atlântica em Pé, a aplicação de embargos remotos e a restrição de crédito a áreas desmatadas ilegalmente, além da afirmação da Lei da Mata Atlântica como principal instrumento de proteção da vegetação nativa do bioma.

De acordo com o SAD, houve redução das derrubadas em 11 dos 17 estados do bioma, com destaque para Bahia e Piauí. Apesar do recuo, ambos ainda aparecem entre os maiores responsáveis pela perda florestal: Bahia (17.635 ha), Minas Gerais (10.228 ha), Piauí (4.389 ha) e Mato Grosso do Sul (1.962 ha) concentraram, juntos, 89% da área total desmatada. Nos demais estados, as perdas ficaram abaixo de 1.000 hectares. Quase toda a destruição registrada pelo sistema, 96%, foi convertida para uso agropecuário – grande parte com indício de ilegalidade.

Para Luís Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da SOS Mata Atlântica, os números de 2025 confirmam uma trajetória. “Políticas públicas e instrumentos de controle ambiental funcionam quando são aplicados com seriedade. A celebração, no entanto, precisa vir acompanhada de vigilância. O desmatamento continua acontecendo e, na Mata Atlântica, cada fragmento perdido faz diferença. O desafio é manter essa trajetória até zerarmos o desmatamento”, ressalta.

O desafio daqui em diante

A Mata Atlântica abriga cerca de 70% da população brasileira e sustenta mais de 80% do PIB nacional. Protegê-la é garantir segurança hídrica, estabilidade climática e produtividade agrícola para a maior parte do país.

O bioma tem condições de se tornar o primeiro no país a alcançar o desmatamento zero e avançar em uma agenda de restauração florestal em grande escala – e os dados de 2025, embora não encerrem o problema, mostram que essa direção é possível.

Esse cenário positivo, porém, convive com um risco concreto no plano legislativo. Em 2025, o Congresso Nacional aprovou a Lei Geral do Licenciamento Ambiental e a Lei da Licença Ambiental Especial, que enfraquecem mecanismos de controle do desmatamento justamente quando eles mostram resultados.

Uma das mudanças mais graves afeta diretamente a Mata Atlântica: o novo marco dispensa a anuência do Ibama para órgãos estaduais atuarem nas autorizações de desmatamento de vegetação primária e secundária em estágio avançado de regeneração. A supressão de vegetação nativa nesses casos é vedada pela Lei e só é permitida em casos de utilidade pública e fim social. A alteração na Lei da Mata Atlântica passa a permitir que a autorização para desmatamento seja realizada por um único órgão licenciador – incluindo municípios que, na maioria dos casos, não têm estrutura técnica para a análise dos estágios sucessionais da Mata Atlântica.

“É uma distorção que leva o Brasil na contramão do Acordo de Paris e potencializa tragédias climáticas. Os números apontam que o desmatamento cai quando a lei é aplicada com rigor e critérios técnicos. Enfraquecer os instrumentos de proteção agora é arriscar o que levamos anos construindo”, afirma Malu Ribeiro, diretora de políticas públicas da SOS Mata Atlântica.


Monitoramentos complementares

O SAD Mata Atlântica detecta desmatamentos em fragmentos a partir de 0,3 hectare, com o objetivo de gerar documentação ágil e completa para cada evento de supressão. “O SAD foi desenvolvido para fechar a lacuna entre o monitoramento anual e a realidade do desmatamento no dia a dia. Quanto mais rápido um alerta chega aos órgãos responsáveis, maior a chance de interromper a destruição antes que ela se consolide”, explica Marcos Rosa, diretor da Arcplan e coordenador técnico do MapBiomas.

Em 2025, o sistema passou a contabilizar somente o desmatamento dentro do mapa de aplicação da Lei da Mata Atlântica, desconsiderando as partes de áreas suprimidas que, na fronteira com outros biomas, ultrapassem esse limite. O ajuste metodológico garante maior precisão na atribuição das perdas.

O Atlas da Mata Atlântica, por sua vez, monitora áreas a partir de três hectares e oferece uma fotografia anual da situação dos grandes fragmentos florestais do bioma – especialmente as matas maduras, que são os de maior importância para a biodiversidade e o estoque de carbono. Da cobertura original total da Mata Atlântica restam hoje cerca de 24%, sendo pouco mais da metade (12,4%) correspondente às florestas maduras.

Coordenadora técnica do Atlas pelo INPE, Silvana Amaral ressalta que 40 anos de monitoramento contínuo construíram a base que permite avaliar com precisão o que está acontecendo com os remanescentes mais valiosos da Mata Atlântica. “É essa série histórica que dá o real significado ao resultado de 2025 e comprova que estamos diante de uma mudança consistente”, avalia.

Os dados completos estão disponíveis aqui no site, nas páginas do Atlas da Mata Atlântica 2024-2025 e no painel do SAD Mata Atlântica. O Atlas pode ser baixado como PDF na página de Relatório e Balanços.

Tanto o Atlas quanto o SAD têm execução técnica da Arcplan.

Fonte: SOS Mata Atlântica




segunda-feira, 11 de maio de 2026

Amazônia e Cerrado registram queda no desmatamento em abril, indica INPE


Valor acumulado nos quatro primeiros meses do ano foi o segundo mais baixo da série histórica na Amazônia e o quarto menor para o Cerrado.

Dados do DETER, do INPE, apontam para queda nos alertas de desmatamento para Amazônia e Cerrado em abril. No caso da floresta amazônica, a área desmatada foi de 228 km² – queda de 15% em comparação a abril de 2025. Já no Cerrado, a diminuição foi de 40%, de 691 km² para 418 km², informa a Folha.

O primeiro semestre é caracterizado por taxas mais baixas devido à estação chuvosa – que dificulta a entrada de homens e máquinas na floresta-, além de maior presença de nuvens, que pode prejudicar a precisão das informações obtidas via satélite. No acumulado do ano, de janeiro a abril, a queda do desmatamento na Amazônia foi de 6%, em comparação ao mesmo período do ano passado.

É o segundo mais baixo da série histórica, que começou em 2016. Já no Cerrado, a taxa foi de 1.884 km² neste ano, com queda de 4% em comparação a 2025. É o quarto menor valor na série histórica do Cerrado, que começou em 2019.

Em contrapartida, Mato Grosso (255 km²), Roraima (117 km²) e Pará (144 km²) lideram o desmatamento na Amazônia em 2026, e Tocantins (568 km²), Maranhão (370 km²) e Bahia (225 km²) o desmate no Cerrado no mesmo período.

Os piores números ainda estão por vir. O período mais seco, de maio a setembro, deve ser intensificado pela chegada do El Niño, lembra o ICL Notícias. O fenômeno, que deve ser de moderado a forte, tende a acentuar a estiagem nas regiões Norte e Nordeste e potencializar as ondas de calor, criando o cenário propício à propagação de incêndios florestais.

Em 2024, o desmatamento foi responsável por 42% das emissões de gases do efeito estufa do Brasil, segundo dados do Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima. O governo Lula tem como uma das promessas chegar ao desmatamento zero até 2030.

Fonte: ClimaInfo




segunda-feira, 4 de maio de 2026

Nova York lança Plano de Floresta Urbana com meta de alcançar 30% de cobertura verde em 2040

Nova York acaba de anunciar o seu primeiro Plano de Floresta Urbana (Urban Forest Plan - UFP).

Uma das métricas para se avaliar a arborização das cidades e florestas urbanas é a mensuração do chamado "dossel", que é a cobertura verde composta pela copa das árvores da cidade. Isso pode ser medido através de sensoriamento remoto e permite avaliar a expansão da arborização, áreas mais deficitárias de vegetação e planejar a ação da administração pública. Quanto mais árvores e quanto mais qualidade da copa das árvores - volume e densidade - mais eficiência na proteção da cidade para os extremos de calor e mais fixação de carbono.

O plano tem por objetivo expandir o dossel dos atuais 23,4% para 30%, em 2040. Para atingir o objetivo, o plano prevê conservar o dossel florestal atual, ampliar para ruas e espaços públicos e promover plantios em propriedades privadas. Também está no planejamento a mobilização dos nova-iorquinos a cuidar e proteger a floresta urbana. 

Isso é parte do objetivo do Plano de Floresta Urbana que a cidade de Nova York acaba de lançar, como parte de uma política de resiliência climática que começou a ser estruturado após a tragédia causada pelo furacão Katrina, em agosto de 2005, que assolou os EUA, causando milhares de mortes no país e foi devastador também em Nova York.

Com o UFP, a municipalidade pretende também atuar sobre o aspecto da Justiça Ambiental, corrigindo o déficit de arborização nas comunidades menos atendidas por infraestrutura verde. Segundo o plano, as comunidades objeto da ação prioritária de Justiça Ambiental contam com a cobertura de 19% de dossel, enquanto as demais comunidades possuem 26% de dossel. 

Axel Grael
Engenheiro florestal
Prefeito de Niterói (2021-2024)
Vice-Prefeito de Niterói (2013-2016)
Presidente da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente - FEEMA (1999-2001 e 2007-2008)
Presidente do Instituto Estadual de Florestas - IEF (1991-1994)


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New York City Announces Release of First-Ever Urban Forest Plan

Plan lays out NYC’s strategy to achieve 30% tree canopy by 2040 through protection, preservation, and planting of more trees


Read the full plan here.

New York City Chief Climate Officer Louise Yeung (middle) waters a new tree at NYCHA's Red Hook House East during the release of the City's first-ever Urban Forest Plan.

BROOKLYN, NY – Today at NYCHA’s Red Hook Houses in southern Brooklyn, Chief Climate Officer Louise Yeung announced the release of New York City’s first-ever Urban Forest Plan (UFP): a comprehensive roadmap to preserve tree canopy, plant more trees, and cultivate an ecosystem of stewardship. Climate Officer Yeung, the head of the Mayor’s Office of Climate & Environmental Justice (MOCEJ), was joined by Deputy Mayor for Operations Julia Kerson, Department of Parks & Recreation Commissioner Tricia Shimamura, NYCHA Vice President of Sustainability Siobhan Watson, and the Executive Director of Trees New York for the announcement and subsequent stewardship activity on the NYCHA campus.

The UFP lays out the City’s goal of achieving 30 percent tree canopy by 2040. Today, the urban forest canopy shades 23.4% of New York City, covering roughly 45,000 acres — an area about the size of Brooklyn. Reaching this expanded canopy will help the City achieve broader goals of advancing environmental justice, mitigating the effects of heat, and improving quality of life.

“New York has always been defined by the dreams we dare to build together. Today, we’re planting those dreams in the soil itself,” said Mayor Zohran Kwame Mamdani. “The Urban Forest Plan is a commitment that no matter your neighborhood, you deserve clean air, shade in the heat of summer, and streets that reflect the possibility of our great city. Together, we’re going to grow a New York that is greener, healthier, and more beautiful for everyone who calls it home.”

“No matter where you live, work, or spend time outside, all New Yorkers know the immediate relief that comes from standing under the shade of a tree on a hot day. What may be less obvious is that trees are one of the most affordable and accessible ways to help adapt to a changing climate,” said New York City Chief Climate Officer Louise Yeung. “Yet for too long, New Yorkers of color in environmental justice communities have been left behind, lacking critical access to trees and all the benefits they provide. Expanding and caring for our urban forest is a matter of racial and environmental justice, and I look forward to bringing our first-ever Urban Forest Plan to life.”

“Our urban forest serves as essential living infrastructure to keep our city cool and resilient, and every New Yorker deserves equal access to its benefits. The Urban Forest Plan marks a turning point for how New York City grows, protects, and cares for its more than seven million trees, and NYC Parks is proud to help lead this effort alongside our partners and communities,” said NYC Parks Commissioner Tricia Shimamura. “Year over year we have planted a record number of trees, adding canopy where it is needed most, and investing in our forestry workforce to ensure our trees are protected. Now the Urban Forest Plan will help ensure a unified strategy for lessening the effects of climate change and ensuring that New Yorkers in every neighborhood can benefit from a healthier, greener, and more resilient city.”

"At City Parks Foundation, we are incredibly proud to have played a role in the development and release of New York City's first Urban Forest Plan," said Heather Lubov, Executive Director of City Parks Foundation. "Planting and preserving the canopy will, of course, be critical to the success of the city's efforts to cool and clean our communities, but we're thrilled that the newly released plan also puts stewardship front and center to ensure that both trees and communities thrive. We look forward to working with the city and the many dedicated individuals and grassroots and nonprofit partners to achieve the goals of the plan."

"We are thrilled that New York City's first Urban Forest Plan acknowledges the vital role of NYCHA campuses' tree canopy," said NYCHA Chief Executive Officer Lisa Bova-Hiatt. "Preserving and expanding the tree canopy not only provides physical comfort but also empowers residents through hands-on workforce opportunities. We are proud to work with our partners across the city toward greener NYCHA campuses and a more resilient New York City."

NYC Parks manages and cares for millions of street and park trees across all five boroughs, helping to grow and sustain the city’s urban forest.

Expanding Tree Canopy as an Environmental Justice Priority

An equitably distributed and ecologically diverse urban forest in New York City will cool neighborhoods, help manage stormwater, improve air quality, reduce greenhouse gas emissions, increase habitat for wildlife, and enhance the health of, and quality of life for, all New Yorkers. At the core of the UFP is the City’s commitment to addressing unequal distribution of tree canopy as a critical matter of racial and environmental justice. Environmental Justice communities have approximately 19% canopy cover, compared to 26% in non-Environmental Justice areas.

In the Bronx, for example, neighborhoods like Pelham Bay live under a dense, connected tree canopy that cools the air, filters pollution, and absorbs stormwater. Just a few miles away in Hunts Point, one of the hottest, most pollution-burdened neighborhoods in the city, the tree canopy covers only six percent of the neighborhood, among the lowest in the entire city and a fraction of the borough-wide canopy level of 27%.

Cross-Agency Coordination and Partnership

The Urban Forest Plan outlines strategies to close these gaps and expand canopy where it is needed most.

“Reaching 30 percent canopy will be a true whole-of-city effort, bringing together agencies across city government to work in lockstep with communities, nonprofits, and property owners, who will be the true stewards of these forests,” said Deputy Mayor for Operations Julia Kerson. “New York’s urban forest is living infrastructure, and like every system that keeps this city running, it deserves investment, care, and measurable goals. We look forward to delivering all three.”

To reach 30% canopy coverage by 2040, the UFP outlines measures to protect existing canopy, expand planting in streets and public spaces, promote tree planting on private property, and strengthen workforce and stewardship programs that engage New Yorkers in caring for the urban forest.

City agencies will coordinate implementation of the plan in partnership with community organizations, nonprofit and institutional partners, and private property owners. Progress toward the city’s 30% canopy goal will be tracked over time, with updates and continued public engagement helping guide the plan’s implementation and future iterations. The plan fulfills requirements under Local Law 148 of 2023, which mandated that the city develop and regularly update a long-term urban forest strategy informed by public engagement.

Read the full Urban Forest Plan: https://on.nyc.gov/ufp

Fonte: NYC



Grande Muralha Verde da China: erros e acertos do plantio de 1 bilhão de árvores para conter o deserto


China’s Billion-Tree Experiment: Can Planting Forests Really Stop the Desert?



China’s Billion-Tree Experiment: Can Planting Forests Really Stop the Desert?

Across northern China, the wind still blows hard — but it no longer carries quite as much sand.

On the edge of the Tengger Desert, in Inner Mongolia and neighbouring regions, villages once braced themselves each spring for choking sandstorms. Fields vanished overnight, windows were sealed with tape, and children walked to school with scarves over their faces. Today, many of those same horizons are lined with rows of young trees, shrubs and grasses — a living barrier known as China’s “Great Green Wall”.

This vast reforestation effort, launched in the late 20th century, is one of the largest environmental engineering projects in human history. Its aim: to slow, halt, and ultimately reverse desertification.

So has it worked? The answer is complicated — and instructive for dryland restoration efforts worldwide.

What Is China’s Great Green Wall?

Often compared to the Great Wall of China, this “green wall” is not a single forest but a mosaic of shelterbelts, grasslands and restored soils stretching thousands of kilometres across northern China. Since the 1990s, government programmes have coordinated:
  • Large-scale tree planting
  • Sand dune stabilisation
  • Grazing restrictions in vulnerable areas
  • Financial incentives for local households to restore land
Chinese researchers estimate that more than one billion trees have been planted in key desertification zones over three decades.

The goal was not cosmetic greening, but climate resilience: slowing wind, anchoring soil, retaining moisture and giving ecosystems a chance to recover.

How Trees Help Slow Desertification

The science behind desert restoration is straightforward, if hard to implement at scale.
  • Trees and shrubs reduce wind speed, limiting how much sand is lifted and carried
  • Roots stabilise loose soil, preventing dunes from migrating
  • Vegetation traps sand, turning shifting surfaces into rough, stable ground
  • Moisture lasts longer, allowing grasses and native plants to establish
In practice, workers often begin by laying straw grids across dunes to break surface winds. Only then are saplings planted in careful patterns designed to interlock root systems. Water is trucked in and rationed meticulously — every tree planted by hand.

It is slow, repetitive, physically demanding work. Desert-scale change, built one hole at a time.

Measurable Successes of the Billion-Tree Programme

From satellite imagery to lived experience, there is clear evidence that parts of northern China look very different today than they did in the 1990s.

Reduced Desert Expansion

In several monitored regions, desertification has slowed, stabilised, or even reversed. Areas once dominated by bare sand now support patchy but persistent vegetation.

Fewer and Weaker Sandstorms

Major cities downwind, including Beijing, now experience fewer severe sandstorms than in previous decades. For residents, this means clearer skies, cleaner air and fewer days of disruption.

Improved Local Livelihoods

Some communities that once watched pastureland disappear now graze animals under sparse tree cover. For many families, the benefits are practical rather than symbolic: reduced crop loss, less soil erosion and greater stability.

The Limits and Failures of Mass Tree Planting

Despite these gains, China’s experience also highlights the risks of oversimplified solutions.

Water Stress and Groundwater Depletion

Early phases prioritised fast-growing tree species, such as poplars, that consumed large amounts of groundwater. In some areas, this lowered water tables, leaving ecosystems vulnerable once again.

Low Survival Rates

In harsh desert conditions, many plantations failed. Entire sections of trees died after just a few years, exposing the land beneath and wasting scarce resources.

Monocultures and Ecological Fragility

Planting single species over large areas reduced biodiversity and resilience. Uniform forests are more susceptible to disease, drought and climate stress.

Tensions with Local Communities

Grazing bans and top-down land-use plans sometimes disrupted traditional livelihoods. In places, communities felt excluded from decisions that directly affected their survival.

These shortcomings were not minor details — they forced major policy changes.



What Changed: From Tree Numbers to Ecosystem Thinking

Over time, China adapted its approach. Later programmes placed greater emphasis on:
  • Native and drought-tolerant species
  • Mixed vegetation, including shrubs and grasses
  • Natural regeneration, rather than planting everywhere
  • Monitoring groundwater, alongside tree cover
  • Local knowledge, recognising where wind, sand and water actually move

The result is not a picture-perfect forest, but a scruffy, uneven, living landscape — one that functions better than rows of identical trees ever could.

One forestry engineer in Ningxia described the turning point this way:

“First we planted trees to fight the sand. Then we realized we had to plant communities, not just trees. Different species, different heights, different roots — that’s when the land started to hold.”

Lessons for Global Desert Restoration

From the Sahel to Central Asia, governments and NGOs now look to China’s experience for guidance. The key lesson is not “plant a billion trees”, but something more nuanced:
  • Plant what belongs in that ecosystem
  • Measure success over decades, not election cycles
  • Combine trees with grasslands and human livelihoods
  • Treat water as the limiting factor it is
  • Be willing to admit mistakes and change course
There is no universal blueprint for stopping desertification. What transfers are principles, not numbers.

A Long Game with No Quick Fix

Three decades on, northern China’s landscape tells a mixed but meaningful story. The desert has not vanished — but in many places, it has paused. That alone is significant.

China’s billion-tree experiment shows what sustained political will, labour and funding can achieve — and what they cannot. It warns against chasing easy headlines about “greening deserts” while inviting us to rethink how we live with drylands rather than surrendering to them.

For organisations like Natural World Fund, the message is clear: lasting environmental change is slow, local, adaptive and deeply human. As climate change expands drylands across the globe, the real question is not whether we can plant trees — but whether we can build lasting ecosystems by adapting to help the bespoke landscapes recover for good.

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At Natural World Fund, we recognise that land degradation and desertification are not problems that can be solved by planting trees alone. Fragile dryland ecosystems depend on a careful balance of soil, water, vegetation and human use. When that balance is disrupted — through overgrazing, water mismanagement or poorly planned interventions — landscapes become vulnerable to erosion, biodiversity loss and long-term decline. Protecting and restoring these environments requires a whole-ecosystem approach: using native plants, safeguarding water resources, supporting local communities and allowing nature to recover in ways that suit each place. Only by working with the land, rather than imposing one-size-fits-all solutions, can we build resilient landscapes that sustain both people and wildlife for generations to come.

Image sourcesgreat-green-wall (1): Wikipedia Commons
en_nw_pkg_focus_xxxx_fr2_china_desertification (1): Wikipedia Commons

Fonte: Natural World Fund


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A CHINA FAZ PENSAR: reflexões sobre uma viagem a Changsha
Uma China de contrastes: por um lado o tamanho dos problemas; por outro, a surpresa com a capacidade de respostas...





domingo, 3 de maio de 2026

Tomografia é usada para avaliar saúde das árvores em Niterói


Funcionários da Seconser realizam tomografia de árvore no Campo de São Bento — Foto: Divulgação/Cláudio Fernandes

Técnica permite analisar estrutura interna e orienta poda ou remoção

Por Rafael Timileyi Lopes

A prefeitura passou a utilizar tecnologia de ponta para avaliar sinais de fragilidade nas árvores, através do uso de tomografia. A medida permite identificar o estado interno dos troncos e estimar com maior precisão o risco de queda. De acordo com o município, a ferramenta vem sendo aplicada de forma direcionada em casos que exigem diagnóstico mais aprofundado e integra o protocolo de segurança arbórea adotado pela prefeitura.

A ação faz parte de um conjunto de normas coordenadas pela Secretaria municipal de Conservação e Serviços Públicos (Seconser), que inclui o monitoramento contínuo da vegetação urbana e iniciativas como o Arboribus e o Verdes Notáveis. De acordo com a pasta, atualmente a cidade conta com 64.601 árvores catalogadas em um sistema que reúne informações detalhadas sobre cada exemplar.



Fotos cedidas pelo biólogo Alexandre Moraes, responsável pela arborização pública de Niterói, mostrando o uso do Tomógrafo. 

Na prática, a espécie de “raio X” usa sensores instalados ao redor do tronco que emitem sinais capazes de atravessar a madeira e retornar com dados sobre sua integridade. Processados em tempo real, os resultados são apresentados em gráficos, nos quais áreas em vermelho indicam regiões comprometidas, como cavidades, sinais de apodrecimento interno ou presença de cupins.

Participação popular

Com base nesses dados, a prefeitura define as medidas de manejo. Árvores com risco inferior a 35% passam por intervenções como poda, desbaste ou redução de copa, para diminuir o peso e aliviar a pressão sobre a estrutura. Já exemplares com índices mais elevados entram na faixa considerada crítica e podem ser incluídos no protocolo de remoção. A população também participa desse processo, diz a prefeitura, por meio do aplicativo Colab, que permite informar onde há árvores com risco, solicitar podas e indicar locais para novos plantios.

O monitoramento é reforçado pelo Arboribus, considerado um dos censos arbóreos mais completos do país. Cada árvore catalogada tem registrados dados como nome popular, nome científico, origem, altura, dimensões da copa e circunferência do tronco, além de avaliação fitossanitária — classificada como boa, regular, ruim ou morta. As informações são atualizadas continuamente e integradas ao sistema SiGeo, que registra as intervenções realizadas pelas equipes da Seconser.

Segundo a secretária municipal de Conservação e Serviços Públicos, Dayse Monassa, o uso de tecnologia aliado ao acompanhamento sistemático permite orientar decisões mais seguras e eficientes.

— O objetivo é manter o equilíbrio entre o verde e o espaço urbano, garantindo conforto térmico, qualidade do ar e segurança para todos. Ao integrar tecnologia, monitoramento contínuo e planejamento ambiental, avançamos na construção de uma arborização mais segura e resiliente — afirma.

Fonte: O Globo Niterói



sexta-feira, 3 de abril de 2026

MMA atualiza previsões climáticas e risco de incêndios florestais para os próximos meses

Encontro reuniu representantes de órgãos federais, estaduais e municipais, além da sociedade civil e instituições de pesquisa - Foto: Joédson Alves/Arquivo Agência Brasil

Dados apresentados em reunião coordenada pela pasta apoiarão atuação na prevenção e combate aos incêndios em 2026

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) promoveu, na última terça-feira (24/3), a segunda reunião com especialistas para debater as perspectivas climáticas para 2026 e o risco de incêndios florestais em todos os biomas brasileiros. O encontro virtual reuniu mais de 80 técnicos e representantes de órgãos federais, estaduais e municipais, além da sociedade civil e instituições de pesquisa para alinhar diagnósticos e estratégias de atuação.

Os dados mais recentes confirmam as análises da última reunião e indicam que o cenário de altas temperaturas em todo o país se mantém, com chuvas abaixo da média e temperaturas acima dos níveis históricos, especialmente nas regiões Nordeste e Centro-Oeste.

As informações também indicam que, entre abril e junho, a previsão é de chuvas acima da média na Amazônia e abaixo da média nas demais regiões do país.

Os especialistas destacaram, no entanto, a presença de áreas de seca severa concentradas entre Pará e Mato Grosso, além da situação do Pantanal e Matopiba, que seguem como principais pontos de atenção. Essas regiões acumulam déficit hídrico de longo prazo e registram aumento significativo das temperaturas nos últimos anos, o que eleva o risco de incêndios.

Outro fator preocupante é a possível ocorrência de um El Niño no segundo semestre. O fenômeno tende a prolongar a estação seca e intensificar o risco de fogo, especialmente entre outubro e novembro, período historicamente mais crítico no Pantanal, Cerrado e no leste da Amazônia.

As informações apresentadas irão subsidiar a atuação do MMA e de suas unidades vinculadas no planejamento e na implementação de ações de prevenção e combate aos incêndios florestais em 2026, em articulação com estados, municípios e a sociedade civil.

O secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do MMA, André Lima, destacou o processo de implementação da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF). “Avançamos com instrumentos importantes, como a recente aprovação da Estratégia Nacional de Brigadas Voluntárias”, afirmou.

Segundo ele, o Governo do Brasil vem estruturando ações em diferentes níveis. “Estamos organizando uma base institucional mais robusta e, ao mesmo tempo, fortalecendo iniciativas nos territórios, com foco na preparação, organização e resiliência das comunidades, ampliando a capacidade de resposta aos incêndios”, completou.

As previsões climáticas e os indicadores de perigo de fogo foram apresentados por representantes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ).

Também participaram representantes da Casa Civil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além de órgãos estaduais, federais, pesquisadores, sociedade civil e membros do Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo (Comif).

Ações de prevenção e combate aos incêndios florestais

Desde 2023, o Governo do Brasil conduz uma série de medidas para prevenir e combater os incêndios florestais. Confira:
  • contratação do maior contingente de brigadistas federais da história, formado por 4385 profissionais – 2600 do Ibama e 1.785 do ICMBio, um aumento de 26% em relação ao ano de 2024.
  • a infraestrutura para 2025 incluiu sete novos helicópteros para uso do Ibama em ações de enfrentamento aos incêndios e desmatamento. A renovação da frota aumenta em 75% a capacidade de transporte de agentes e brigadistas, em 40% a quantidade de horas de voo por ano e em 133% a capacidade de lançamento de água.
  • desde 2023, o Fundo Amazônia aprovou R$ 405 milhões para apoiar os Corpos de Bombeiros dos nove estados da Amazônia Legal na prevenção e combate a incêndios florestais. Destes, já foram contratados 370 milhões. São projetos no valor de R$ 45 milhões cada para Roraima, Amapá, Pará, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso e Tocantins e de aproximadamente R$ 21 milhões e R$ 34 milhões para Acre e Rondônia, respectivamente.
  • pela primeira vez, o Fundo Amazônia apoiará também ações de prevenção e combate a incêndios em estados fora da Amazônia, como no Cerrado e Pantanal. Em julho, foram aprovados R$ 150 milhões para os Corpos de Bombeiros Militares e brigadas florestais de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Piauí e Distrito Federal. O projeto, de autoria do Ministério da Justiça e Segurança Pública, foi apresentado por meio de um trabalho interministerial.
  • sanção da Lei 15.143/2025, que amplia a capacidade de respostas aos incêndios florestais, permite a transferência de recursos diretamente do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) para estados e municípios e garante mais agilidade na contratação de brigadistas, reduzindo o intervalo da sua recontratação para três meses. A lei permite ainda o uso de aeronaves estrangeiras em emergências ambientais.
  • anúncio dos Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas (PPCDs), pela primeira vez, para todos os biomas brasileiros, com estratégias específicas para a preservação ambiental em diferentes eixos até 2027 (acesse aqui);
  • desde janeiro de 2025, o MMA realizou sete reuniões com especialistas de órgãos públicos e universidades para avaliar a situação climática e previsões futuras, além de seu impacto sobre a ocorrência de grandes incêndios florestais de comportamento extremo;
  • publicação de edital que prevê recursos no valor de R$ 32 milhões do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) em conjunto com o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD) para apoio a municípios prioritários na Amazônia e Pantanal na implementação de Planos Operativos de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (junho de 2025);
  • retomada da Sala de Situação Interministerial sobre Incêndios do Governo do Brasil, integrada por 10 ministérios e outros seis órgãos federais (maio e junho de 2025). O grupo se reúne de forma periódica para monitorar a evolução do quadro climático e sua repercussão sobre o risco de incêndios, bem como para apoios mútuos em ações de prevenção e combate;
  • conclusão dos Planos de Prevenção e Combate a Incêndios dos Biomas Pantanal e Amazônia para a temporada deste ano, elaborado conjuntamente entre o Governo do Brasil e os estados que abrigam o bioma (maio de 2025).
  • veiculação de campanha de prevenção e combate aos incêndios florestais criminosos na Amazônia Legal voltada ao Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará e Roraima, estados que mais sofreram com os incêndios no último ano (abril de maio de 2025);
  • publicação de portaria pelo MMA (nº1.623/2026) que declara emergência ambiental por risco de incêndios florestais em áreas vulneráveis. A norma identifica áreas em risco de incêndios em todo o país e os períodos de maior vulnerabilidade para viabilizar a contratação emergencial de brigadistas federais.
  • Decreto n° 12.189, assinado pelo presidente Lula, que aumenta as punições por incêndios florestais no país;
  • aprovação da resolução que institui a Estratégia Nacional do Voluntariado no Manejo Integrado do Fogo. A medida amplia participação da sociedade na prevenção e combate a incêndios florestais e estabelece diretrizes para brigadas voluntárias.
Acesse aqui as apresentações completas:

Inmet
Cemaden
Lasa/UFRJ
Inpe


Fonte: MMA