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domingo, 25 de outubro de 2026

Passagem de Flávio Bolsonaro pelo Senado é marcada por pautas antiambientais

Flávio Bolsonaro em outubro de 2026. Foto: Marina Uezima / Brazil Photo Press via AFP

Agora candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro atuou contra o meio ambiente e o clima em ao menos 17 ocasiões no Senado

por Roberto Kaz

Ao longo dos sete anos e oito meses em que Flávio Bolsonaro passou no Senado, o agora candidato da extrema direita à Presidência da República acumulou um vasto histórico de votações nocivas ao meio ambiente. Foram ao menos 17 iniciativas com conteúdos antiambientais, de acordo com um levantamento inédito do Observatório do Clima. Na lista, estão propostas para extinguir reservas legais, reduzir áreas protegidas, flexibilizar o licenciamento ambiental, restringir demarcações de terras indígenas e permitir que projetos com gás fóssil acessem o Fundo Clima.

Como é amplo o cardápio de retrocessos ambientais endossados por Flávio Bolsonaro, convém analisá-los em ordem cronológica. Em abril de 2019, por exemplo, Flávio aproveitou seus primeiros meses no Senado para apresentar um projeto de lei que eximia os produtores rurais da obrigação de manter uma reserva legal em suas propriedades. Sim, Flávio tentou mudar a lei que garante que em ao menos 20% das fazendas – ou 80% no caso da Amazônia Legal – a vegetação nativa seja mantida em pé pelo bem do clima, da biodiversidade e do próprio agronegócio.

Uma análise feita à época pelo pesquisador Gerd Sparovek, professor titular da Universidade de São Paulo (USP-Esalq), calculou que tal lei, se aprovada, resultaria em um desmatamento de 167 milhões de hectares – cerca de três vezes o tamanho do estado de Minas Gerais. Talvez por isso uma consulta pública no site do Senado tenha resultado em 129 mil votos contrários ao projeto, ante 3 mil votos a favor. No fim das contas, o próprio Flávio pediu o arquivamento da proposta, quatro meses depois que ele foi apresentado (o PL tinha co-autoria do senador Márcio Bittar, do MDB do Acre).

Ainda naquele ano de 2019, Flávio Bolsonaro apresentou outro projeto de lei, este para acabar com uma estação ecológica, a dos Tamoios, localizada entre Angra dos Reis e Paraty (a ideia era entregar a área, na costa fluminense, de mão beijada à indústria do turismo). Além disso, Flávio protocolou uma Proposta de Emenda à Constituição para enfraquecer as regras do cumprimento da função social das propriedades, incluindo a proteção ambiental, exigidas dos donos de áreas rurais. Ambos os projetos foram amplamente rejeitados em consultas públicas online e não tiveram andamento.

Flávio Bolsonaro passou o ano de 2020 sem protocolar nenhuma proposta no Senado. Em 2021, voltou ao tema da Estação Ecológica dos Tamoios, apresentando um projeto de lei complementar para a criação da “Região Administrativa Integrada de Desenvolvimento Sustentável da Costa Verde” – nome pomposo para a velha ideia de entregar a costa de Paraty, Angra (e nesse PLP, também a de Mangaratiba) à exploração da iniciativa privada.


O projeto, que teve andamento lento, só foi avaliado pela Comissão do Meio Ambiente do Senado em 2025. Em seu parecer, a relatora Eliziane Gama explicou que o texto padecia de “vícios insanáveis”, desrespeitando “o pacto federativo”, já que se propunha a avançar sobre responsabilidades estaduais e municipais. Além disso, a relatora questionou a proposta de retirar da Estação Ecológica dos Tamoios cinco de 29 ilhas que estão sob sua guarda: “Tal ato configura um ataque ao sistema de unidades de conservação brasileiro, em especial por se tratar de uma unidade de conservação de proteção integral.” Votou pela rejeição do projeto.

O ano de 2025, aliás, foi intenso para o senador. Flávio Bolsonaro votou a favor do projeto de lei 2159/2021 – o famoso PL da Devastação -, contribuindo para o enfraquecimento da política do licenciamento ambiental. Também votou a favor de: (1) tornar projetos que incluem gás natural fóssil elegíveis ao financiamento do Fundo Clima; (2) inserir o marco temporal na Constituição, restringindo o reconhecimento de terras indígenas; e (3) reduzir deveres de fiscalização ambiental, derrubando assim um veto do presidente Lula ao próprio PL da Devastação. Além disso, no mesmo ano, Flávio foi coautor de um projeto de lei para subordinar a demarcação de terras indígenas à aprovação legislativa.

A atuação antiambiental de Flávio Bolsonaro no Senado também foi detalhada pela ferramenta Farol Verde, do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), que mede o alinhamento de parlamentares com as agendas de clima e meio ambiente. A ferramenta dá uma “nota” de 0 a 100, sendo 100 o mais alto índice de convergência ambiental. Flávio Bolsonaro tirou nota 7.

Não bastasse essa atuação no Congresso, o candidato da extrema direita agora quer trazer algumas de suas propostas como senador para o Executivo: projetos apresentados sem sucesso voltaram a aparecer, de forma direta ou indireta, em seu plano de governo.

Esse é o caso da proposta de “eliminar superposições entre Ibama, Funai e ICMBio”, vista pelos próprios servidores de tais autarquias como um risco para a continuidade dos trabalhos de fiscalização ambiental. Ou a promessa de “acelerar o licenciamento”, abrindo brechas para que obras sejam realizadas sem as devidas salvaguardas socioambientais.

O exemplo mais gritante, no entanto, talvez seja a promessa de “zerar o desmatamento ilegal até 2029”. Olhando isoladamente, a proposta de seu plano de governo é até bonita. Mas juntando todas as peças – e considerando as sutilezas do discurso –, dá pra ver que não é: se a proposta de acabar com a Reserva Legal (aquela porcentagem de 20% a 80% que precisa ser preservada e que ele tentou derrubar) for levada para o Executivo, muito desmatamento ganhará o carimbo de “legalizado”. E por muito, estamos falando de 167 milhões de hectares de mata nativa, ou três Minas Gerais, seis estados de São Paulo ou todo o estado do Amazonas.

Fonte: Observatório do Clima





segunda-feira, 19 de outubro de 2026

DIREITA VENCE ONDE HÁ MAIS DESMATAMENTO. COINCIDÊNCIA? SÓ A ELEIÇÃO DE LULA EVITA O RETROCESSO.

Foto: Ricardo Stuckert/Lula oficial

NÃO PODEMOS ADMITIR RETROCESSOS DEMOCRÁTICOS, SOCIAIS, AMBIENTAIS E NA POLÍTICA CLIMÁTICA. É PRECISO DERROTAR A EXTREMA DIREITA!

Não há dúvidas sobre o risco que estamos correndo: poderemos voltar a sofrer as consequências de um governo negacionista e predatório, que causará graves retrocessos ambientais e civilizatórios.

Leia a matéria do G1 abaixo, onde o candidato da extrema direita afaga os grileiros e desmatadores da Amazônia. Acesse aqui para assistir ao vídeo.

Assim como o seu pai, Flávio Bolsonaro nunca escondeu as suas CONVICÇÕES ECOCIDAS. Mais uma vez, declarou de forma explícita as suas intenções de "passar a boiada" e estimular o avanço da destruição da Amazônia. Em evento de campanha, em Marabá (PA), município que faz parte do chamado "Arco do Desmatamento" (região de maior ocorrência de desmatamento e queimadas na Amazônia), prometeu acabar com o que chama de 'entraves ambientais' e disse que o produtor poderá fazer 'o que quiser' em sua terra:

"Eu vou fazer a maior regularização fundiária que o Pará já viu. A sua terra vai ser sua no papel. Vamos respeitar a propriedade privada. Você vai poder plantar, criar gado, vai fazer o que quiser na sua terra e o que você explorar da terra é seu".

Disse ainda que as medidas de proteção florestal existem "principalmente por causa de razões ideológicas". 

A fala soa como música aos ouvidos de latifundiários e grileiros, grandes responsáveis pelo desmatamento da região. Com esse discurso, o candidato estimula a criminalidade ambiental e cria a expectativa de um "liberou geral", de um salvo conduto para o avanço do crime. 

Importante lembrar que o Pará lidera o desmatamento e as queimadas na Amazônia, embora a taxa de desmatamento no estado também tenha se reduzido em função dos programas de controle desenvolvidos pelas autoridades ambientais.

BIODIVERSIDADE

A lógica da destruição da floresta é a mais antiga prova de ignorância e de desperdício de oportunidade. Representa a reprodução dos erros repetidos por séculos, com as consequências que todos conhecemos. 

Sou engenheiro florestal e já trabalhei com inventários de biodiversidade e projetos de restauração florestal na Amazônia. O Brasil é o país mais biodiverso do mundo e um hectare de Floresta Amazônica pode abrigar entre 200 e 300 espécies de árvores e até 500 espécies, caso considerem-se também arbustos, espécies de menor porte e herbáceas. Essa é uma riqueza que pode sustentar uma economia potente, com dezenas de cadeias produtivas que podem gerar muitas oportunidades para o presente e para o futuro. 

Quantos medicamentos e outros produtos que hoje são consumidos no mundo todo surgiram de estudos sobre a biodiversidade? Quantas alternativas de produção ou de aproveitamento econômico da floresta em pé existem em substituição à mera queima da cobertura florestal? Como pode uma candidatura falar em prosperidade e destruir as bases naturais da sua economia?

Cada hectare desmatado, que transforma a rica floresta em monocultura ou normalmente em pasto, pode representar a perda de um tesouro em biodiversidade e até mesmo a perda de espécies antes que sejam conhecidas. Mas, para políticos irresponsáveis, de formação tacanha e referenciados no atraso e não no futuro, proteger a floresta e a biodiversidade é "apenas ideologia". Aliás, como se isso fosse pouco! Enfrentar o ecocídio é uma responsabilidade ideológica, ética e moral, sim!

ENFRENTANDO O DESMATAMENTO

Há poucos dias, soubemos aliviados que o Brasil atingiu o recorde de redução de desmatamento na Amazônia e no Cerrado. O desmatamento da Amazônia foi de 3.335 km2 entre agosto de 2025 e julho de 2026, uma redução de 41,8% em relação ao período anterior. No Cerrado, a queda foi de 23,8%. O desmatamento diminuiu também no Pará. Em quatro anos, o governo Lula entregou a redução de 71% do desmatamento na Amazônia e de 48% no Cerrado. Os números representam a menor taxa de perda de florestas da série histórica, iniciada em 1988. O programa desenvolvido pelo Governo Lula é considerado o maior programa de redução de desmatamento já desenvolvido no mundo e os seus resultados já são considerados uma referência global.

Trata-se de uma grande conquista que mostra que o compromisso assumido pelo Governo Lula de zerar o desmatamento até 2030 é exequível. A meta foi apresentada na NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada, sigla em inglês) apresentada pelo Brasil perante o Acordo de Paris. Basta compromisso e vontade política que chegaremos lá.

Também na agenda climática, as conquistas são animadoras. Relatório recentemente publicado pelo Observatório do Clima, mostra que as emissões de gases de efeito estufa do Brasil caíram 6% em 2025 e chegaram ao menor nível em oito anos. O país lançou na atmosfera 2,06 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente, medida que reúne os diferentes gases responsáveis pelo aquecimento global. Em 2024, esse volume havia sido de 2,19 bilhões de toneladas. Os números fazem parte da 14ª edição do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa) e mostram que a redução foi puxada principalmente pela queda do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. 

No governo Bolsonaro, as emissões chegaram a 2,716 bilhões de toneladas e o recorde de emissões mais baixas foi de 1,789 bilhões de toneladas e aconteceu em 2009, no Governo Lula, quando o ministro do Meio Ambiente era Carlos Minc. 

No entanto, a notícia chega quando estamos enfrentando as consequências do super El Niño. Dados oficiais do portal AdataBrasil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - MCTI, mostram que 1699 municípios brasileiros (30%) vivem situação de escassez e de risco de abastecimento de água. Municípios que correspondem cerca de 10% do território do país já estão formalmente na condição de Alerta de Seca. A Amazônia, outrora a terra das águas, está entre as regiões mais afetadas (saiba mais aqui). A seca aumenta a vulnerabilidade aos incêndios florestais e à ação criminosa contra a floresta. Diante disso, vemos cidades amazônicas envoltas em fumaça e equipes do governo federal e dos estados enfrentando um grande número de queimadas nas proximidades. Segundo o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, os incêndios na vegetação podem ter origem criminosa. A ação estaria sendo orquestrada por inimigos da Amazônia, que provocam intencionalmente os incêndios, incentivados pela expectativa de impunidade que viria com a eleição da extrema direita.

EXTREMA DIREITA = MAIS DESMATAMENTO

No "Arco do Desmatamento", crimes ambientais mantém uma economia excludente, imediatista, insustentável e predatória, baseada na eliminação da floresta e no uso perdulário dos recursos naturais. 

Motivados pela conjuntura fora-da-lei, eleitores da região votam sistematicamente em candidatos alinhados com o ideário bolsonarista, contrário ao meio ambiente, e que ignora o potencial das florestas e da biodiversidade para o futuro da região. Com isso, hoje, temos um contingente de políticos na região que respaldam a grilagem e que insuflam a população contra a legislação e os órgãos ambientais. Quem mais sofre as consequências são as populações tradicionais e os povos indígenas. Quem perde é cada um dos brasileiros das atuais e futuras gerações!

A correlação entre desmatamento e políticos de direita é comprovada por números. Dos 70 municípios monitorados pelo Ministério do Meio Ambiente devido ao desmatamento (Municípios Prioritários, de acordo com a Portaria GM/MMA Nº 834, de 9 de novembro de 2023), 68 tiveram prefeitos de direita eleitos no pleito de 2024. 

Segundo O Globo, Flávio Bolsonaro no pleito de 2026 e Jair Bolsonaro em 2022, obtiveram suas maiores votações proporcionais justamente em municípios-símbolo da fronteira agropecuária e do desmate, a exemplo de Novo Progresso (PA) e São Félix do Xingu (PA). Veja os números referentes ao primeiro turno de 2026:

O Globo mostra ainda que "apesar do baixo desempenho especificamente em locais marcados pela alta atividade exploratória da floresta e fiscalização insuficiente, Lula obteve mais votos que Flávio na maioria dos municípios da Amazônia Legal: o presidente venceu em 425 cidades, contra 351 do candidato do PL". Apesar dos inimigos da floresta, Lula venceu no primeiro turno no Pará com 49,91% dos votos no estado, contra 44,5% do candidato da extrema direita.

CLIMA

O Brasil é um dos países mais vulneráveis às mudanças climáticas e as consequências estão acontecendo agora com desastres climáticos em todas as regiões do país. Estamos enfrentando, de forma recorrente e cada vez mais intensa, chuvas extremas e secas severas em todas as regiões do país. A ciência tem comprovado e procura alertar a população que grande parte dos problemas decorrentes das mudanças climáticas no país (chuva demais e chuva de menos) tem ligação com a Amazônia e os seus problemas de desmatamento. Até mesmo, no Rio Grande do Sul, que tem sido assolado por chuvas intensas, tem os seus problemas relacionados com o fenômeno dos rios voadores, que traz umidade da Amazônia para outras regiões da América do Sul. 

A ciência tem alertado também que o desmatamento da Amazônia está levando o bioma perigosamente à situação chamada pelos pesquisadores de "Ponto de Não-Retorno", a partir do qual o ecossistema não suporta mais as condições vigentes e se degrada ou passa pelo processo conhecido como "savanização". Com isso, a floresta diminuirá a sua capacidade de emitir umidade para a atmosfera, com sérias consequências para áreas atuais de produção de alimentos e de mananciais de abastecimento de água para as cidades. 

Em entrevista recente, ao ser perguntado sobre as mudanças climáticas, Flávio disse que era apenas um problema cíclico e que "resolveria o problema com investimentos em saneamento". Comprovou o seu negacionismo e que não entende nada de mudanças climáticas e nem de saneamento. Caso eleito, Bolsonaro formará uma aliança devastadora com seus correligionários, avançando na política de desmonte da legislação e inviabilizando o trabalho dos órgãos ambientais. 

Caso tenhamos mais um Bolsonaro na presidência, assim como já vimos acontecer antes, o Brasil recuará na política climática e abandonaremos o papel de liderança no cenário climático global, reconquistada com grande esforço. Esse protagonismo foi consolidado com a recente realização da COP30, em Belém, quando assumimos a presidência global sobre o tema, que exerceremos até a realização da COP31, que acontecerá nas próximas semanas. Sabemos que as maiores vítimas desse recuo será a população mais vulnerável nas cidades, mas também a produtividade do próprio agro, cujos segmentos mais retrógrados estão entre os principais apoiadores dos desvarios do extremismo bolsonarista. 

O QUE ESTÁ EM JOGO

Jair Bolsonaro, então presidente do Brasil, bate continência para a bandeira americana em evento em Dallas, no Texas. Foto do Google.

Estamos diante de duas opções diametralmente opostas no segundo turno da eleição. DE UM LADO, a continuidade do governo Lula, que mesmo com as suas contradições, mostra compromissos com a causa socioambiental nos seus atos, suas entregas e sua liderança global em temas da sustentabilidade e clima. No atual pleito, Lula tem o apoio amplamente majoritário das principais lideranças ambientais, dos movimentos populares e iniciativas sociais, das organizações acadêmicas, das artes e da intelectualidade em geral. DO OUTRO LADO, há uma opção pela extrema direita, alinhada ao negacionismo trumpista, com a sua prática de sabotagem ao multilateralismo, à agenda da sustentabilidade e das mudanças climáticas. Uma candidatura que não esconde a sua atitude entreguista com relação aos nossos recursos naturais e que coloca em risco a nossa soberania. Um grupo político que já tentou um golpe contra a democracia e que ostenta uma prática política autoritária, que causará grande dificuldade na defesa das teses ambientais na próxima legislatura federal, uma vez que teremos um congresso amplamente reativo e hostil à causa da sustentabilidade. 

O único caminho para literalmente evitar a "terra arrasada" será o voto em Lula (13), no segundo turno das eleições que acontecerá no dia 25 de outubro. Diante de um Congresso que acaba de ser eleito ainda mais hostil ao meio ambiente, vemos tempos difíceis pela frente, mas sem Lula na presidência, o Brasil "descerá a ladeira sem freios", com graves consequências para as atuais e futuras gerações.

Reflita sobre isso e vamos trabalhar para evitar o pior!

Axel Grael
Engenheiro florestal e ambientalista
Prefeito de Niterói (2021-2024)
Doutorando em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU-UFF), com pesquisa sobre "cidades e mudanças climáticas"


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Flávio promete acabar com 'entraves ambientais' e diz que produtor poderá fazer 'o que quiser' em sua terra no Pará

Flávio Bolsonaro (PL) participa de motocarreata com Daniel Santos em Marabá, no Pará. — Foto: Dione Freires/TV Liberal

Candidato do PL à Presidência da República cumpriu agenda de campanha com apoiadores em uma motocarreata em Marabá, no sudeste do Pará, nesta segunda-feira, 19.

Por Taymã Carneiro, g1 Pará — Belém

O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, disse nesta segunda-feira (19) que pretende realizar um programa de regularização fundiária no Pará e eliminar o que classificou como "entraves ambientais por razões ideológicas", assegurando que os produtores rurais teriam autonomia sobre propriedades.

"Eu vou fazer a maior regularização fundiária que o Pará já viu. A sua terra vai ser sua no papel. Vamos respeitar a propriedade privada. Você vai poder plantar, criar gado, vai fazer o que quiser na sua terra e o que você explorar da terra é seu. Esses entraves que existem ambientais por causa de razões ideológicas a gente vai acabar", afirmou.

O candidato não explicou detalhes das medidas, caso eleito, mas sugeriu flexibilização de regras ambientais e fundiárias no estado que tem forte presença de terras indígenas, unidades de conservação, áreas federais e marcadas por conflitos fundiários.

Flávio Bolsonaro participou de uma motocarreata com apoiadores na cidade de Marabá, no sudeste paraense, incluindo o governador eleito em 1º turno Dr Daniel (Podemos) e o prefeito da cidade Toni Cunha (PL).

O candidato desembarcou no aeroporto da cidade por volta de 10h20 e seguiu em cortejo pelas ruas do município.

O ato político em Marabá reuniu apoiadores por ruas da cidade e em uma ponte, onde candidato discursou sobre as demandas locais de trabalho e infraestrutura.

O candidato também discursou sobre segurança pública e o combate à criminalidade, defendendo o aumento do tempo de prisão para roubos e a aplicação de castração química.

"Eu vou devolver a soberania sobre o seu celular. Eu vou devolver a sua soberania sobre a sua bolsa, sobre a sua moto, sobre o seu carro, sobre a sua propriedade. Eu vou resgatar cada metro, eu vou resgatar cada rua, cada bairro, cada cidade, cada território que esses vagabundos tomaram do povo brasileiro e vou devolver pro povo brasileiro", disse.

O embarque para deixar a cidade ocorreu por volta de 12h40. A próxima agenda do candidato foi prevista para 20h, em Manaus (AM).

Fonte: G1



domingo, 13 de setembro de 2026

Niterói proíbe publicidade de bets em espaços públicos e publicidade exterior na cidade

 


A Prefeitura de Niterói proibiu a publicidade de plataformas de apostas esportivas e jogos de quota fixa, as chamadas bets, em espaços públicos e na publicidade exterior em todo o município. A medida foi oficializada pelo prefeito Rodrigo Neves por meio de decreto publicado nesta quarta-feira (9) e estabelece prazo máximo de dez dias para a retirada de anúncios que estejam em desacordo com as novas regras.

“A expansão das apostas on-line é uma realidade que exige responsabilidade do poder público. Não podemos naturalizar uma publicidade que chega diariamente às nossas crianças e aos nossos jovens e que pode estimular comportamentos capazes de gerar dependência, endividamento e sofrimento para muitas famílias. Niterói está usando os instrumentos que o município tem para proteger a população e, principalmente, nossas crianças e adolescentes”, afirma o prefeito Rodrigo Neves.

A proibição alcança diferentes formas de divulgação das empresas de apostas, incluindo marcas, nomes empresariais, plataformas digitais, sites, aplicativos, promoções, campanhas, bônus e premiações. Também ficam vedados logomarcas, símbolos, mascotes, slogans e outros elementos que permitam identificar direta ou indiretamente as empresas ou plataformas de apostas.

A decisão tem como um dos principais objetivos reduzir a exposição da população, especialmente de crianças e adolescentes, à publicidade de jogos de apostas. O decreto considera os riscos associados ao jogo compulsivo e seus impactos sobre a saúde mental e o bem-estar social, além da necessidade de garantir proteção integral ao público infantojuvenil.

A medida é restrita às competências municipais sobre publicidade exterior e utilização dos espaços públicos. O decreto não interfere na autorização ou no funcionamento das empresas de apostas, atividade regulamentada pela União.

A fiscalização ficará a cargo da Secretaria de Ordem Pública (Seop), em articulação com a Secretaria Municipal de Urbanismo e Mobilidade (SMU). Em caso de descumprimento, empresas anunciantes e responsáveis pela exibição da publicidade poderão sofrer as sanções previstas no Código de Posturas do Município, além da cassação ou anulação da autorização e da determinação de retirada imediata da peça publicitária irregular.

Os anúncios que já estão instalados terão prazo máximo e improrrogável de dez dias, contado a partir da publicação do decreto, para serem retirados ou adequados. Durante esse período, fica suspensa a aplicação das multas previstas para a infração.

A proibição também vale para campanhas publicitárias e eventos contratados, patrocinados ou realizados pela administração municipal, inclusive quando a propaganda de bets estiver visível a partir da área externa do evento. Órgãos e entidades da Prefeitura também deverão observar as novas regras em contratos, concessões, permissões, autorizações e licenças que envolvam exploração publicitária em bens e espaços públicos.

Fonte: Prefeitura de Niterói


sexta-feira, 14 de agosto de 2026

TURISMO DE OBSERVAÇÃO DE BALEIAS: programa iniciado na minha gestão como prefeito de Niterói segue avançando

Jubarte em frente a Niterói. Foto de Luciana Carneiro.

Em 2022, como prefeito de Niterói, assinei uma parceria com o projeto Amigos da Jubarte e o Instituto O Canal, e demos início a um programa pioneiro e devidamente estruturado para o desenvolvimento do Turismo de Observação de Baleias no litoral de Niterói. 

A iniciativa teve por objetivo planejar atividades que possam mapear, capacitar, desenvolver e monitorar atores e iniciativas locais que atuam nas áreas de Meio Ambiente, Turismo e Educação, bem como promover o ecoturismo e a educação ambiental. Foi desenvolvido um estudo para comprovar a viabilidade da implementação do Turismo de Observação Natural da Vida Marinha em Niterói e previu, inicialmente, a realização de quatro expedições em janelas diferenciadas com elaboração de diagnóstico da costa e fluxo de evolução migratória das jubartes.

Em Niterói, a atividade é promovida pela NELTUR Empresa de Turismo e Lazer, da Prefeitura de Niterói, presidida com competência pelo turismólogo André Bento.

Com dirigentes do Amigos da Jubarte, especialistas no estudo dos cetáceos, celebrando a parceria firmada em 2022.

O programa foi aberto ao público em 2024 e passou a contar com uma grande procura. Com o sucesso da iniciativa, aumentou muito a procura pela atividade e a necessidade de capacitar profissionais e certificar operadores. Por isso, a NELTUR uniu-se à Prefeitura do Rio de Janeiro e à Capitania dos Portos do Rio de Janeiro para promover o ordenamento e a garantia da segurança das atividades para o público e para as jubartes.

É animador ver nossa cidade integrada nas ações de fortalecimento do ecoturismo ordenado para a observação natural da vida marinha, que inclui baleias, golfinhos, tartarugas e aves pelágicas. Passadas as primeiras temporadas da atividade, vimos o interesse pelas jubartes crescer muito na imprensa e na opinião pública, com uma disponibilidade cada vez maior de fotos sensacionais da presença dos animais em adição à sensacional paisagem da Baía de Guanabara e do seu entorno. 

Niterói tem uma forte relação com o mar. Além do potencial nos esportes náuticos e da tradição na pesca, a cidade tem forte vocação na indústria naval e sedia a esquadra brasileira. Nossa biodiversidade é rica e através da pesquisa científica, fomento ao turismo e trabalhos de educação ambiental, Niterói pode contribuir de forma substancial para o desenvolvimento econômico sustentável do Estado do Rio de Janeiro, sobretudo neste período de retomada da economia. 

Em 2024, trouxemos para Niterói a primeira edição do Tomorrow Blue Economy, um grande evento anual para promover o potencial de Niterói para a economia do mar.

A ONU declarou que o período de 2021 a 2030 é a Década do Oceano. Mais do que nunca, é fundamental refletirmos sobre a nossa relação com o mar e nos comprometermos com uma mudança de comportamento que gere benefícios para o ambiente marinho.

Para mais informações e saber como participar, acesse: www.queroverbaleia.com

Axel Grael

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Exemplar da espécie observada na Baía de Guanabara — Foto: Ricardo Gomes/Instituto Urbano

Observação de baleias no Rio e em Niterói terá selo em embarcações para disciplinar atividade

Parceria entre a Secretaria municipal de Turismo do Rio e a Neltur tem objetivo de garantir ao mesmo tempo a proteção do animal e a segurança de tripulantes e passageiros

Por Madson Gama — Rio de Janeiro

Vindas da gélida Antártica, as baleias jubarte são uma presença marcante nas águas quentes do Brasil entre junho e novembro, período de reprodução, nascimento e amamentação dos filhotes. Com o turismo de observação da espécie cada vez mais em alta, as prefeituras do Rio e de Niterói criaram um selo para certificar as embarcações que realizam expedições desse tipo nas duas cidades. O objetivo é garantir ao mesmo tempo a proteção do animal e a segurança de tripulantes e passageiros.

Fruto de uma parceria entre a Secretaria municipal de Turismo do Rio (SMTUR) e a Niterói Empresa de Lazer e Turismo (Neltur), o projeto inclui a capacitação de mestres de embarcação e de seus proprietários, além de outros personagens da cadeia produtiva do turismo, como guias, agências e hotéis, num esforço para garantir o ordenamento e a sustentabilidade da observação da vida marinha. O treinamento é oferecido pela ONG Amigos da Jubarte. Ao final, os profissionais também são certificados.

— Há uma capacitação teórica, com foco na biologia e ecologia desses animais, conscientizando sobre a sua importância para o ecossistema marinho, para o planeta como um todo e para nós enquanto sociedade. Falamos do histórico da caça e como as baleias são impactadas negativamente pelas atividades humanas. Todo esse conteúdo é repassado durante um dia inteiro de treinamento. Posteriormente, fazemos a parte prática, com a aula de ecologia a bordo de uma embarcação — detalha o ambientalista Thiago Ferrari, diretor da ONG.

Projeto Baleia Jubarte acompanha a passagem pelo Rio — Foto: Custodio Coimbra

Cartilha informativa

Uma das capacitações em campo vai acontecer amanhã, pela manhã. O roteiro abrange as ilhas Pai e Mãe, em Niterói; e Rasa, Redonda e Cagarras, no Rio, onde há grande ocorrência dessa espécie. O projeto de conservação da jubarte elaborou uma cartilha informativa destacando as boas práticas de navegação na observação do mamífero.

— É preciso manter a distância de cem metros da baleia, ou de duzentos metros, se ela estiver com seu filhote. Não se pode observar por mais de 30 minutos o mesmo grupo, para não estressar o animal. Recomendados que no máximo duas embarcações observem um mesmo grupo ao mesmo tempo. Se você estiver numa terceira embarcação, aguarde os 30 minutos, para que uma delas se afaste e você se aproxime. Jamais pratique natação ou mergulhe em área de baleia. Apesar de ser um animal muito dócil, é muito grande, pesado e pode machucar. As baleias são curiosas, então, às vezes vêm investigar o barco. A orientação é manter o motor em neutro ligado, porque ela se orienta pelo ruído, e vai se aproximar sabendo que há um objeto ali, evitando colisão. Depois que ela se afasta cinquenta metros, você segue pelo lado oposto — orienta Thiago.

Treze embarcações de Rio e Niterói já receberam o selo, que tem validade de um ano, e um adesivo com a inscrição “Certificado turismo de observação de cetáceos”. Algumas expedições feitas por esses barcos já certificados contam com um pesquisador da Amigos da Jubarte, que transmite aos turistas conceitos de educação ambiental.

Para conquistar a chancela, a embarcação deve estar homologada para transporte de passageiro pela Capitania dos Portos e dispor de itens de segurança, como botes salva-vidas, sinalizadores e radiocomunicadores. A tripulação deve estar com a documentação em dia.

— O turismo de observação de baleia é uma importante e potente ferramenta de conservação da espécie, se feito de forma sustentável e ordenada. É o momento em que conseguimos aproximar a sociedade desse verdadeiro tesouro natural que está na nossa costa. E as pessoas só preservam aquilo que elas conhecem — observa o Thiago Ferrari.

Além de Amigos da Jubarte, SMTUR e Neltur, o grupo de trabalho para a criação do selo, que fez um mapeamento da incidência da espécie, incluiu Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Capitania dos Portos.

— A Capitania, ao ver esse selo, entende que aquela embarcação foi certificada para boas práticas de navegação — explica André Bento, presidente da Neltur. — Há um esforço muito grande para um ordenamento e conscientização das pessoas, a fim de que possamos desenvolver um turismo sustentável, perene, que gere emprego e renda e, mais do que isso, preservação para esses animais.

Canoa havaiana

Além das embarcações motorizadas, recentemente a observação passou a ser promovida por clubes de canoa havaiana. Um próximo passo do projeto é elaborar um protocolo de segurança adaptando as boas práticas para essa modalidade. Dona do clube Dihva'a, na Praia de Botafogo, Diana Tavares, de 40 anos, passou por treinamento recente com a Amigos da Jubarte. Ela liderava um grupo a bordo de uma canoa que avistou um espécime na Baía de Guanabara, na semana passada.

— Junto com a gente havia mais umas 30 canoas. Ela nos rodeava e passava por debaixo. Como nós não temos motor, precisamos fazer barulho com o remo para ela notar nossa presença e não se chocar com a gente. Isso eu aprendi depois da capacitação. Não tinha noção do perigo. A única sensação foi de encantamento. Vamos trabalhar para uma interação mais consciente, evitando estressar o animal e nos colocar em risco — conta Diana.

Fonte: O Globo




sábado, 30 de maio de 2026

RETROCESSO: Empresas não são mais obrigadas a fazer relatório de sustentabilidade

 

Foto Agência Nacional de Mineração

Mais um retrocesso no arcabouço da legislação ambiental brasileira que foi construído ao longo das últimas décadas. 

A Comissão de Valores Mobiliários - CVM, uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, que tem o objetivo de fiscalizar, normatizar, disciplinar e desenvolver o mercado de valores, anunciou na noite de ontem (29 de maio), a aprovação de uma alteração da Resolução 193/2023, revogando a obrigação das empresas de capital aberto a publicarem e divulgarem os seus Relatórios de Sustentabilidade. Com o documento, as empresas tinham a obrigatoriedade de reportar as informações financeiras relacionadas à ação de sustentabilidade praticadas pela companhia. 

A Resolução 193/2023 (com as suas alterações posteriores) estabelecia que:
ART.2° Fica estabelecida, para as companhias abertas, a obrigatoriedade de elaboração e divulgação do relatório de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade, com base nas normas emitidas pelo CBPS, e aprovadas pela CVM, a partir dos exercícios sociais iniciados em, ou após, 1º de janeiro de 2026.
De acordo com a Resolução CVM 193, as empresas precisavam elaborar relatórios estruturados de acordo com as normas internacionais do ISSB (International Sustainability Standards Board), conhecidas como IFRS S1 e S2. Os relatórios seguiam a mesma periodicidade estabelecida para as respectivas demonstrações financeiras.

A aprovação da exigência pela CVM foi considerada uma inovação mesmo no âmbito internacional e tinha por finalidade enfrentar o chamado "greenwashing", maquiagem ambiental, ou o marketing enganoso de um pretenso compromisso socioambiental e ecológico corporativo, sem comprovação ou respaldo nas práticas efetivas das empresas. Com a nova Resolução CVM 244, que "reforma a CVM 193", as empresas não têm mais a obrigatoriedade de apresentar esse compromisso.

A CVM ofereceu as seguintes explicações na sua página no GOV.BR:
As alterações visam a aperfeiçoar o modelo de adoção voluntária, preservando a transparência e a comparabilidade trazidas pela necessidade de observância dos padrões contábeis, mas resgatando o necessário respeito à liberdade das entidades para estimar os custos e benefícios esperados de suas decisões sobre como usar os recursos dos investidores. 

A principal mudança é a remoção da obrigatoriedade que a versão original da norma impusera às companhias abertas, após período de adoção voluntária. Com isso, o regime aproxima-se daquele que a própria redação anterior já previa para fundos de investimento e sociedades securitizadoras, pois para tais entidades não havia previsão de adoção forçada do reporte de informações de sustentabilidade nos padrões contábeis. 

O padrão contábil internacional é mantido: as companhias que optarem por publicar informações financeiras de sustentabilidade só poderão fazê-lo se observarem as normas do CBPS e ISSB, com isso preservando a confiabilidade e aumentando a comparabilidade dessas publicações. Por outro lado, as companhias que entenderem que essa adoção não é adequada para seus negócios não terão tal obrigação, devendo apenas publicar sua opção por meio de comunicado ao mercado, em modelo de "pratique ou explique".
"Pratique ou explique"? Fui procurar saber o que era isso e, segundo o IA do Google, significa: 
O "Pratique ou Explique" é um mecanismo de autorregulação (muito utilizado pela B3 e pela CVM) onde empresas listadas na bolsa devem adotar boas práticas de governança e sustentabilidade, ou explicar publicamente o motivo de não o fazerem.
LOBBY OU TIRO NO PÉ?

Segundo o portal RESET, a CVM cedeu às pressões da Associação Brasileira das Companhias Abertas - ABRASCA, que no final de 2025, às vésperas de entrada em vigor (2026) da obrigação de contabilização os dados para divulgação em 2027, protocolou um documento pedindo a derrubada das regras ou o seu adiamento por três anos. A CVM surpreendeu o mercado, recuou na obrigação e sequer estabeleceu um prazo para retomar a obrigatoriedade.

A ABRASCA argumentou que o cumprimento da norma, ou seja, a preparação do relatório, "poderia chegar a representar 70% dos gastos de auditoria".

ORA, SE AS EMPRESAS NÃO QUEREM TER GASTOS COM UM RELATÓRIO, QUAL DEVE SER O NÍVEL DE COMPROMISSO E MOTIVAÇÃO DAS MESMAS NO CUMPRIMENTO DAS SUAS RESPONSABILIDADES AMBIENTAIS E CLIMÁTICAS? 

QUAL A COMPARAÇÃO ENTRE OS GASTOS QUE PRATICAM COM "PUBLICIDADE VERDE" E RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL E O QUE EFETIVAMENTE INVESTEM EM SUSTENTABILIDADE?

Obviamente, as despesas que as empresas da ABRASCA estão reclamando não são as referentes a preparação do relatório em si, mas a obrigação de fazer as suas obrigações ambientais estabelecidas na legislação ou no licenciamento ambiental, ou ainda aquelas ações de responsabilidade socioambiental que os seus acionistas, o mercado e a sua clientela exigem.

O RESET também informou que durante os debates houve reação de outros setores como o Instituto de Auditoria Independente do Brasil (IBRACON), do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) a AMEC, APIMEC e a FIPECAFI. Alertaram que seria um "retrocesso relevante para a eficiência do mercado". O grupo de organizações alertou que tornar as normas opcionais abriria brechas estruturais para o "greenwashing involuntário ou estratégico" sem capacidade de influenciar de modo disciplinador o comportamento corporativo e o custo do capital.

Em fevereiro de 2026, a CVM havia rejeitado o pleito da ABRASCA alegando que seria injusto com empresas que já testavam o modelo, como Vale, Renner, C&A e Natura. Importante lembrar que a CVM ganhou um prêmio internacional por ser o primeiro regulador do mundo a adotar as exigências do ISSB.

Lembro-me que quando presidi (1999-2001 e 2007-2008) a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente - FEEMA (órgão ambiental licenciador pioneiro no país e que foi incorporado ao INEA), assinei um Termo de Ajuste de Conduta - TAC com uma empresa de capital aberto que tinha sérias pendências ambientais e recebi a visita de um estrangeiro que representava um grupo de acionistas. Estava preocupado com a performance ambiental da referida empresa. Sim, os acionistas também cobram das empresas, pois isso pode representar a qualidade da gestão ou o risco do investimento.

INTERFERÊNCIA POLÍTICA: MAIS UMA BOIADA

Mais uma vez, é o mesmo grupo da "terra arrasada" no Congresso que atua criminosamente para "passar outra boiada". A mudança de posição da CVM parece ter nome.

A mudança de direção da CVM coincide com a mudança de gestão na autarquia. Como informou o site G1, no dia 20 de maio, o Senado aprovou o nome do advogado Otto Lobo (Comissão de Assuntos Econômicos CAE, após muita polêmica, aprovou 31 votos favoráveis a 13 contrários. Posteriormente, o Plenário do Senado aprovou por 19 a 4) para assumir o cargo de novo presidente da CVM. A nomeação foi alvo de críticas devido a votos dados por Lobo em decisões envolvendo a Ambipar e o Banco Master, quando era diretor e presidente interino da autarquia, em 2025. Um dos beneficiados foi o investidor Nelson Tanure. O Tribunal de Contas da União questiona as decisões de Lobo.

Otto Lobo terá um mandato-tampão até julho de 2027, concluindo a gestão do ex-dirigente João Pedro Nas, que deixou o cargo em julho do ano passado. A indicação de Lobo foi encaminhada pelo governo e contrariou o então ministro da Fazenda Fernando Haddad e o atual ministro Dario Durigan e foi mal recebido também no mercado financeiro. Apesar da indicação do presidente Lula, o nome de Lobo teria sido apadrinhado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que pressionou o governo pela sua indicação. Alcolumbre nega a responsabilidade.

SUSTENTABILIDADE NAS EMPRESAS: ESG

A sustentabilidade no ambiente corporativo é uma realidade consolidada nas melhores empresas, com exemplos expressivos de boas práticas socioambientais e existem profissionais altamente qualificados trabalhando nos setores de ESG (Environment, Social and Governance). Como dirigente de órgãos ambientais, sempre tive nesses profissionais importantes aliados para o cumprimento da legislação e das licenças ambientais. Sempre acreditamos ser muito estratégico fortalecer o papel destes profissionais na governança das empresas, pois são eles que mais conhecem os desafios de sustentabilidade dessas instituições. 

Nem sempre estes profissionais são devidamente valorizados. A cobrança dos órgãos ambientais e normas como as que exigem os Relatórios de Sustentabilidade fortalecem a importância do setor de ESG na empresa, tirando-a de uma importância apenas periférica. 

A QUEM INTERESSA...?

A quem interessa o retrocesso promovido pela decisão nefasta da CVM? Interessa a aquelas empresas mais atrasadas e reativas, que não estão alinhadas com a tendência mundial de responsabilidade corporativa. Interessa a certas empresas como as que encontramos pelas COPs do clima, promovendo seus pretensos resultados ambientais, enquanto sabotam os avanços da agenda climática.

Importante lembrar que a atitude extemporânea e retrógrada acontece no momento em que se consolida o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, que tem tido reações de segmentos da economia europeia usando como um dos mais fortes argumentos o afrouxamento da legislação ambiental no Brasil e países do Mercosul, o que causaria um "dumping ambiental", ou seja, concorrência desleal pois o custo ambiental do produto brasileiro seria distorcido de forma desleal com a concorrência europeia.

CHEGA DE RETROCESSOS

Em outubro, tem eleição e é a chance de depurar a representação política no Congresso Nacional. É preciso mudar a correlação de forças que temos atualmente no Congresso e evitar a influência nefasta de grupos políticos que atual criminosamente contra a política ambiental, para garantir a continuidade dos avanços e não o triunfo do atraso. A sustentabilidade só será alcançada com a participação da sociedade como um todo e as empresas têm um papel decisivo no processo.

Axel Grael
Pré-candidato a Deputado Federal (PDT-RJ)
Prefeito de Niterói (2021-2024)
Presidente da FEEMA (1999-2001 e 2007-2008)




domingo, 5 de abril de 2026

GRAVE: No apagar das luzes, Cláudio Castro revoga plano de manejo de cinco áreas protegidas prejudicando nove municípios

Fonte: O Globo.

O ex-governador do estado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ), renunciou ao seu cargo no dia 23 de março de 2026, às vésperas do julgamento pelo Tribunal Superior Eleitoral que cassaria o seu mandato por crime eleitoral. De fato, a decisão do colegiado do TSE o condenou, tornando-o inelegível por oito anos.

Dias antes da sua renúncia, uma surpresa: o Diário Oficial do Estado de 20 de março publicou o Decreto 50.236, de 19 de março de 2026, com a revogação dos planos de manejo das seguintes Áreas de Proteção Ambiental (APAs) estaduais: 

Importante ressaltar que o Art 1°, do Decreto 50.236, estabelece a revogação dos planos de manejo, mas no seu Parágrafo Único faz a seguinte ressalva: 

"Parágrafo Único - a eficácia deste decreto fica condicionada à aprovação prévia dos novos planos de manejo das unidades de conservação citadas no caput deste artigo cuja metodologia está regulada na Resolução INEA 180, de 10 de junho de 2019, que aprovou os procedimentos para a elaboração e revisão dos planos de manejo das unidades de conservação estaduais".

Relevância das APAs

Presidi a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente - FEEMA por duas vezes (1999 e 2000 e 2007 e 2008), órgão que foi posteriormente incorporado ao atual Instituto Estadual do Ambiente - INEA. A FEEMA tinha como uma das suas atribuições, implantar e gerenciar as Áreas de Proteção Ambiental estaduais, que atualmente são 13 unidades, administradas pelo INEA. 

Durante a segunda gestão à frente da FEEMA, redigimos o texto do Decreto Estadual 41.048/2007, que instituiu o Plano de Manejo da APA Maricá, preparamos também o Plano de Manejo da APA da Serra de Sapiatiba e trabalhamos no planejamento, na regulamentação e execução das demais.

Muitas destas áreas surgiram na década de 1980, quando houve um boom de criação de APAs, seja, por iniciativa do governo federal (exemplo: APA de Guapimirim - 1984), do estado do RJ, assim como de outros estados, além de muitos municípios. Isso foi motivado pela necessidade de proteção dos atributos naturais (ecossistemas, paisagem, culturas, usos tradicionais etc.), conciliando com as pressões urbanas e a cobiça imobiliária. 

É fato que, muitas vezes, a escolha da categoria de unidade de conservação (APA) se deu de forma inadequada e, talvez, outras categorias se aplicassem melhor, principalmente quando o objetivo era proteger áreas com características mais naturais (florestas etc). A opção pela APA poderia parecer atraente para o gestor público ou legislador por não exigir a desapropriação - fato comum nas unidades de proteção integral (parques etc.), mas a falta de solução da situação fundiária é a causa de muitos conflitos na gestão das APAs. Em alguns casos, as APAs tornaram-se áreas de transição (ou amortecimento) para os parques e outras áreas de proteção integral, com a recategorização das Zonas de Preservação da Vida Silvestre - ZPVS para parques ou outras categorias.

Cada APA foi criada com objetivos específicos diante de ameaças diversas, mas talvez a APA Tamoios seja a mais emblemática. Foi criada pelo governo estadual, em 1986 (Decreto - 9.452 - 05/12/1986), com o objetivo de "assegurar a proteção do ambiente natural, das paisagens de grande beleza cênica e dos sistemas geo-hidrológicos da região, que abrigam espécies biológicas raras e ameaçadas de extinção, bem como comunidades caiçaras integradas naqueles ecossistemas". 

Junto com a APA Cairuçu (de iniciativa federal), o Parque Nacional da Serra da Bocaina, o Parque Estadual da Ilha Grande e Reserva Biológica da Praia do Sul, assim como outras unidades de conservação criadas posteriormente, como os Parque Estadual Cunhambebe, garantiram ao longo das últimas décadas a Costa Verde com as características atuais de conservação. A Costa Verde ainda faz jus ao nome e seu patrimônio natural, com florestas, praias e paisagens, ainda são o principal ativo econômico da região, atraindo o turismo, a atividade náutica etc.

Na região litorânea e das ilhas, principalmente graças às APAs Tamoios e Cairuçu, foi possivel frear minimamente a especulação imobiliária e o crescimento desordenado da Costa Verde. 

Outro caso que causa profunda estranheza é o da APA de Maricá. Criada em 1984 (dois anos antes da Tamoios), teve como objetivo proteger uma área de importante ecossistema de praia e restinga. A APA de Maricá tem uma particularidade: abrange praticamente uma única propriedade, onde há um projeto de implantação de um polêmico resort chamado Maraey. A queda do plano de manejo justamente no momento em que o empreendimento alterará o estado atual da região causa muita preocupação.

Claro que não vencemos todas as batalhas nem deixamos de ter que administrar muitos conflitos, mas sem as APAs teria sido impossível. O mesmo aconteceu nas demais APAs, que ao cumprir o seu papel, contrariaram interesses e produziram desafetos.

As APAs são perfeitas? Não, precisam ser aperfeiçoadas sempre que necessário e, para isso, existem os seus Conselhos Gestores para mediar conflitos e melhorar o instrumento. 

Qual motivo levaria o ex-governador a tomar essa medida no apagar das luzes atropelando os conselhos gestores das APAs, que foram pegos de surpresa? 

O que diz a legislação sobre as APAs

As Áreas de proteção ambiental foram previstas inicialmente pela Lei 6902/1981, por proposição do secretário Paulo Nogueira Netto, da Secretaria Especial do Meio Ambiente, que era vinculada ao Ministério do Interior. A sanção da lei foi assinada pelo presidente João Figueiredo e pelo ministro Mário Andreazza e estabeleceu:

Art . 9º - Em cada Área de Proteção Ambiental, dentro dos princípios constitucionais que regem o exercício do direito de propriedade, o Poder Executivo estabelecerá normas, limitando ou proibindo:

a) a implantação e o funcionamento de indústrias potencialmente poluidoras, capazes de afetar mananciais de água;

b) a realização de obras de terraplenagem e a abertura de canais, quando essas iniciativas importarem em sensível alteração das condições ecológicas locais;

c) o exercício de atividades capazes de provocar uma acelerada erosão das terras e/ou um acentuado assoreamento das coleções hídricas;

d) o exercício de atividades que ameacem extinguir na área protegida as espécies raras da biota regional.

De acordo com a Lei 9.985/2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação - SNUC, as APAs são consideradas uma categoria de unidades de conservação do grupo "Uso Sustentável" (Art. 14°). O artigo seguinte (Art. 15°), define APA como: 

"... uma área em geral extensa, com um certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem-estar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais".(Regulamento). 

Observar também o disposto nos seguintes parágrafos:

§ 1° A Área de Proteção Ambiental é constituída por terras públicas ou privadas.

§ 2° Respeitados os limites constitucionais, podem ser estabelecidas normas e restrições para a utilização de uma propriedade privada localizada em uma Área de Proteção Ambiental.

Portanto, a APA é um instrumento de planejamento e ordenamento regional, bem como de conciliação do objetivo de prevenção da degradação ambiental, de conservação do patrimônio natural, além de estabelecer regras sobre os interesses e propriedades privadas, onde sejam conflitantes com o interesse coletivo "e o bem-estar das populações humanas".

Surpresa, justificativas e reações

Segundo O Globo, o INEA informou em nota que as regras fixadas pelos planos de manejo eram muito antigas e que precisavam ser atualizadas conforme uma resolução do instituto de 2019, que segue as diretrizes previstas pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação. ‘‘Esse modelo está em sintonia com outras esferas. No âmbito federal, o ICMBio aprova planos de manejo por portaria do próprio órgão gestor e não do chefe do Executivo’’, diz a nota.

Denise Pena, integrante da sociedade civil do Conselho Consultivo da APA de Massambaba. Ela disse que o decreto foi inesperado e que foi publicado semanas após a troca de técnicos do Inea, que eram responsáveis por elaborar a revisão das APAs. O trabalho que vinha sendo realizado seria apenas para atualizar as diretrizes, de modo a deixá-las de acordo com a legislação ambiental federal.

— Há três meses não recebemos qualquer minuta dos estudos para análise. A maior preocupação aqui é com a flexibilização das regras em Arraial do Cabo — disse ao O Globo.

— Se em uma revisão dessas for determinado que a APA deve seguir as regras mais liberais do Plano Diretor da cidade, áreas ambientalmente frágeis vão perder a proteção que tinham — acrescentou Denise Pena.

Militantes que atuam junto à APA do Pau-Brasil também mostraram preocupação na matéria de O Globo:

Carol Mazieri, do movimento Cidadania Buziana, que acompanha a polêmica, acrescentou que o decreto de Castro coincidiu com uma pressão do mercado para liberar a construção de um resort na RJ-102, rodovia que liga as cidades de Búzios e Cabo Frio.

— Não esperava essa decisão do ex-governador, que pode acabar descaracterizando a APA. Há alguns anos, por exemplo, tem havido uma pressão para permitir construções nas proximidades da Praia de José Gonçalves, em Búzios — disse o ambientalista Ernesto Galiotto, que, em sobrevoos pela região, ajudou o Inea a demarcar os limites atuais da APA.

O Instituto dos Advogados do Brasil - IAB emitiu o seguinte posicionamento oficial repudiando o decreto:

Nota do IAB sobre o Decreto Estadual 50.236 de 19/3/2026

O Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), por meio de sua presidente e com apoio de membros da Comissão de Direito Ambiental, vem a público manifestar seu repúdio à publicação do Decreto Estadual 50.236 de 19/3/2026.

Referido decreto instaurou um cenário de incerteza jurídica e vulnerabilidade ecológica para cinco Áreas de Proteção Ambiental (APAs) estratégicas do Rio de Janeiro. Embora o texto oficial justifique a medida como uma “adequação metodológica”, o ato traz consigo um sinalizador de possíveis retrocessos nas salvaguardas ambientais.

Um dos pontos mais críticos do decreto reside na substituição de planos de manejo robustos por um modelo “simplificado” regido pela Resolução Inea 180/2019. A busca por “eficiência e redução de custos” pode resultar na omissão de dados bióticos fundamentais, como o mapeamento de espécies endêmicas e em perigo de extinção, transformando as unidades de conservação em áreas apenas formalmente protegidas, mas sem gestão efetiva em campo.

Ademais, ao transferir a decisão de flexibilização de um órgão técnico (Inea) para uma arena política (Alerj) o decreto abre caminho para que interesses econômicos de curto prazo se sobreponham a critérios científicos de conservação, já que o grau de proteção ambiental pode ser reduzido caso haja aprovação por lei. Sob a perspectiva ambiental, o decreto implica afronta ao Princípio da Vedação ao Retrocesso Ecológico (ADPF 910).

Nesse contexto, o IAB cobra transparência e consulta prévia adequada às comunidades tradicionais e ao Ministério Público, e defende a manutenção das proteções ambientais já alcançadas.

Rio de Janeiro, 30 de março de 2026.

Rita Cortez
Presidente nacional do IAB

Leandro Mello Frota
Presidente da Comissão de Direito Ambiental do IAB

Marina Motta Benevides Gadelha
Consultora da Comissão de Direito Ambiental do IAB

O Estado do Rio de Janeiro vive uma situação inusitada: o governador Cláudo Castro renunciou e tornou-se inelegível, o vice-governador Thiago Pampolha renunciou para assumir uma cadeira como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. O seguinte na linha sucessória seria o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro - ALERJ, Rodrigo Bacellar, que teve o seu mandato cassado pela justiça eleitoral e está preso. Diante do vácuo de poder, o desembargador Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) assumiu como governador interino até que o problema se equacione.

Como mostramos acima, o Parágrafo Único, do Art. 1° do Decreto 50.236 dá uma certa garantia, mas como bem alerta a nota do IAB, caso haja a intensão de "transferir a decisão de flexibilização de um órgão técnico (Inea) para uma arena política (Alerj) o decreto abre caminho para que interesses econômicos de curto prazo se sobreponham a critérios científicos de conservação" estaremos em grave situação.

O fato é que o assunto é relevante, o potencial de risco é elevado e, no mínimo, falta transparência sobre a motivação para a revogação das regras vigentes nas APAs e sobre os desdobramentos da medida.

Portanto, é mais do que justificada a apreensão sobre o destino das APAs e a revisão dos seus planos de manejo, justamente diante de tal situação de incerteza. Que a sociedade siga vigilante e cobrando transparência quanto aos próximos passos para a revisão dos Planos de Manejo e, que estes venham para o fortalecimento do instrumento das APAs e não para a flexibilização a ponto de comprometer a gestão sustentável e colocar em risco o patrimônio natural que protegem.

Axel Grael
Engenheiro florestal
Ex-presidente do Instituto Estadual de Florestas - IEF-RJ (1991-19994) e ex-presidente da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente - FEEMA (1999-2000 e 2007 e 2008)


sexta-feira, 3 de abril de 2026

Nova regra do crédito rural obriga bancos a serem “fiscais” do desmatamento

 


Uma nova regra que entrou em vigor na 4ª feira (1º/4) exige que bancos verifiquem se os solicitantes de crédito rural tiveram áreas desmatadas em suas propriedades após 31 de julho de 2019 na Amazônia ou em áreas de vegetação nativa de forma irregular. A busca deve ser feita com ferramentas do sistema PRODES, do INPE. Caso a instituição financeira confirme o desmate, o agricultor deverá apresentar provas de autorização da supressão da vegetação para que seu empréstimo seja aprovado.

A nova regra abrange cerca de US$ 53 bilhões (R$ 273 bilhões) em empréstimos a agricultores com subsídios federais – cerca de um terço do crédito rural no Brasil, explica a CNN Brasil. Também afeta as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), um tipo de financiamento privado popular entre investidores individuais por ser isento de imposto de renda. Em 2025, os investimentos via LCAs chegaram a US$ 114 bilhões (R$ 587 bilhões). Segundo a Dinheiro Rural, os agricultores usam o recurso para investir em suas propriedades e cobrir custos operacionais, como o plantio de novas culturas.

Cerca de 17% de todo o crédito rural concedido entre 2020 e 2024 foi destinado a propriedades em terras desmatadas entre 2020 e 2023.

A nova política ainda inclui uma cláusula que bloqueia crédito subsidiado para propriedades caso os recursos sejam usados para desmatar vegetação nativa, mesmo que o proprietário tenha autorização. “Você ainda pode fazer isso, mas com seu próprio dinheiro, não com dinheiro público”, disse André Lima, secretário Extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental no Ministério do Meio Ambiente (MMA).

As entidades do setor financeiro não criticaram a nova regra, relata a Reuters. Um executivo sênior de um grande banco chegou a dizer que a medida pode, inclusive, reduzir riscos para os bancos.

Já o agro não recebeu bem a nova política. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) afirmou que trabalhará para mudar a regra no Congresso, onde a bancada ruralista manda. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) não perdeu tempo: mandou um pedido aos membros do Conselho Monetário Nacional (CMN) para adiar a regra, informa o Globo Rural.

Cerca de 17% de todo o crédito rural concedido entre 2020 e 2024 foi destinado a propriedades em terras desmatadas entre 2020 e 2023, segundo uma análise de dados públicos e imagens de satélite feita pela Climate Policy Initiative, da PUC-Rio.

Fonte: ClimaInfo


domingo, 22 de março de 2026

Serviço Florestal Brasileiro avança na implementação da agenda da Cota de Reserva Ambiental (CRA)


Oficina sobre o Registro e Negociação das CRAs reúne representantes de instituições públicas e do sistema financeiro em Brasília

O Serviço Florestal Brasileiro (SFB) realizou, nos dias 26 e 27 de fevereiro, em Brasília, uma oficina técnica sobre o registro e a negociação da Cota de Reserva Ambiental (CRA). O encontro foi coordenado pelo SFB, por meio da Diretoria de Regularização Ambiental Rural (DRA), em parceria com a Dataprev, e reuniu cerca de 30 participantes entre representantes de instituições públicas e do sistema financeiro.

A oficina teve como foco discutir a arquitetura tecnológica, os requisitos técnicos e o cronograma de implantação da comunicação bidirecional entre o módulo de CRA do Sistema de Cadastro Ambiental Rural (SICAR) e instituições financeiras. Essa conexão permitirá operacionalizar o registro inicial das cotas, sua transferência e, futuramente, a negociação em ambiente regulado.

Durante as atividades, foram analisados os fluxos de comunicação entre os sistemas, a estrutura preliminar de troca de dados, a priorização das funcionalidades essenciais e o modelo operacional para registro e comunicação das transações. As discussões também abordaram aspectos de segurança da informação e conformidade com o marco legal e regulatório vigente.

A estruturação dessa conexão com o sistema financeiro é considerada etapa estratégica para garantir rastreabilidade das operações e maior confiabilidade ao mercado regulado de CRAs, fortalecendo a relação entre produtores rurais, instituições financeiras, investidores e o poder público.

De acordo com o Código Florestal (Lei nº 12.651/2012), a CRA é um título nominativo representativo de área com vegetação nativa existente ou em processo de recuperação. Cada título corresponde a um hectare e permite gerar retorno financeiro para proprietários que preservam ou restauram a vegetação nativa, contribuindo para a conservação ambiental e para o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono.

Nos termos do Decreto nº 9.640/2018, o SFB é o órgão gestor da CRA. A instituição trabalha em parceria com a Dataprev e o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) no desenvolvimento de um novo módulo integrado ao SICAR para gerir o registro inicial das cotas e suas transferências. Paralelamente, também avança na elaboração de normas e procedimentos voltados à operação desse mercado, com foco em segurança jurídica, transparência e previsibilidade.

Com esses avanços, o SFB busca consolidar as bases para o desenvolvimento do mercado de CRA, contribuindo para a valorização da vegetação nativa e para o fortalecimento da política florestal brasileira.

Fonte: Serviço Florestal Brasileiro 


terça-feira, 17 de março de 2026

Projeto de Lei que proíbe fiscalização do desmatamento por satélite tramita em regime de urgência na Câmara de Deputados

Fiscais do IBAMA foram atacados em emboscada de criminosos na Terra Indígena Tenharim-Marmelos, no município de Manicoré, quando fiscalizavam a extração ilegal de madeira. Foto: Divulgação IBAMA.

A tentativa de "passar mais uma boiada". O competente jornalista André Trigueiro, dedicado à temática ambiental, fez um importante alerta sobre o que pode ser mais um atentado contra a política ambiental do país e um duro golpe contra a ação de fiscalização do IBAMA no combate ao desmatamento. 

A Câmara de Deputados aprovou, ontem (16/03), 10 projetos de lei (PL) para tramitar em Regime de Urgência. Um deles, o PL 2.564/2025, de autoria do deputado federal bolsonarista Lúcio Mosquini (PL-RO), "que regulamenta a aplicação de medidas administrativas cautelares na fiscalização ambiental e veda a imposição de embargo baseado exclusivamente em detecção remota de supressão de vegetação". 

O PL altera a Lei de Crimes Ambientais (Lei n° 9.605/1998) e propõe:

Art. 2º A Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 72-A:

“Art. 72-A Constatada a ocorrência de dano ambiental, o agente de fiscalização, no uso do seu poder de polícia, poderá adotar medidas administrativas cautelares para afastar risco iminente de agravamento do dano, para interromper a sua ocorrência e para resguardar a recuperação ambiental.

§ 1º As medidas administrativas cautelares não poderão ser utilizadas como instrumento de antecipação das sanções previstas no art. 72 desta Lei, sob pena de nulidade do processo.

§ 2º Fica vedada a imposição de embargo baseado exclusivamente em detecção remota de infração decorrente de supressão de vegetação, sendo garantida a notificação prévia do autuado para prestar esclarecimentos em prazo razoável antes da imposição da medida.”

O projeto de lei quer impedir exatamente o que está dando certo e fazendo os números do desmatamento caírem. O IBAMA, com a ajuda de outros órgãos, vem modernizando a sua capacidade de fiscalização ambiental através da adoção de tecnologias para enfrentar o desmatamento, as queimadas, o saque de madeira e a grilagem de terras públicas. Com isso, melhora-se a capacidade de controle sobre crimes ambientais, seja na Amazônia, no Cerrado, na Mata Atlântica e outros biomas, detectando as irregularidades de forma remota, com satélites, e até drones etc. Desta forma, é possível acompanhar a conservação de áreas protegidas e de reservas legais, o correto cumprimento dos casos de desmatamento legal e devidamente autorizado e, sobretudo, punir os criminosos. 

Relatórios mostram que o avanço da criminalidade na Amazônia é uma das principais preocupações atuais e que o desmatamento, a grilagem, o tráfico de drogas e outros crimes se intercruzam e se fortalecem mutuamente. 

É importante lembrar que controlar o desmatamento é uma obrigação perante as atuais e futuras gerações e que o Brasil tem metas a cumprir perante o mundo, nos seus compromissos climáticos (NDC) assumidos diante do Acordo de Paris.

Pois bem, o projeto de lei que tramita em regime de urgência pretende proibir a "detecção remota", justamente o que tem dado mais efetividade e resultados no trabalho de fiscalização e contribuído para a queda no desmatamento no Brasil. 

Segundo a justificativa do projeto de lei, o fiscal terá que ir in-loco para impedir o desmatamento e autuar os responsáveis, ou seja, uma aposta na impraticabilidade. Seria a volta da velha fórmula que permitiu o desmatamento desenfreado no passado.

Por exemplo, de agosto de 2024 a agosto de 2025, a Amazônia teve uma área desmatada de 5.796 km², o que representou uma redução de 11,08% em relação ao período anterior (de agosto de 2023 a julho de 2024), segundo estimativa do sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE (vide, MMA). 

Mesmo com as sucessivas reduções do desmatamento no atual governo - ao contrário do que aconteceu no governo anterior, ainda é um desmatamento ANUAL correspondente a uma área superior a toda a Região Metropolitana do Rio de Janeiro, espalhada pela imensidão de mais de 5,2 milhões de km² da Amazônia Legal. Além disso, o trabalho de fiscalização no terreno tem se mostrado um risco à vida dos fiscais, que têm sido vítimas de ataques e emboscadas praticadas pelos criminosos. Foi o que acabou de acontecer no último sábado (15/03), quando um grupo de fiscais do IBAMA foi atacado quando fiscalizavam a extração ilegal de madeira na Terra Indígena Tenharim-Marmelos e sofreram uma emboscada. Ou seja, voltar à fiscalização exclusivamente in-loco, como quer o Sr. deputado, é impraticável e só serve para facilitar a ação dos criminosos!

Assista à matéria do Jornal Nacional, da Rede Globo, em 17/03/2026.

Hoje, à noite, no Jornal Nacional, o presidente da Câmara de Deputados, Hugo Motta, afirmou que o PL só irá a votação após ampla discussão. Então, como justificar o Regime de Urgência? Entenda-se: "O Regime de Urgência na Câmara Federal é um rito processual que acelera a tramitação de projetos de lei, permitindo que sejam votados diretamente no Plenário, dispensando o parecer de comissões temáticas. Ele reduz prazos, prioriza a matéria na pauta e pode ser solicitado por líderes, bancadas ou pelo Presidente da República" (Portal da Câmara dos Deputados).

Alguém tem dúvidas sobre qual é o interesse por trás da inviabilização da fiscalização do desmatamento? A continuidade do desmatamento dos biomas brasileiros é inaceitável. Que se restabeleça o bom-senso. 

Axel Grael


sexta-feira, 13 de março de 2026

Governo do Brasil publica documentos do Plano Clima Adaptação

 


Medidas definem diretrizes, metas e ações para reduzir vulnerabilidades e ampliar a capacidade de adaptação do país aos impactos da mudança do clima

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) publicou, nesta sexta-feira (13/2), a Estratégia Nacional de Adaptação e seus 16 Planos Setoriais e Temáticos que integram o Plano Clima, consolidando as diretrizes e as estratégias de adaptação.

O Plano Clima é o guia de implementação da meta climática nacional sob o Acordo de Paris (a NDC, na sigla em inglês), pela qual o Brasil se comprometeu a reduzir entre 59% e 67% de suas emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2035 em relação a 2005.

Acesse aqui os documentos do Plano Clima Adaptação

Os documentos estabelecem diretrizes, objetivos, metas e ações voltadas à redução de vulnerabilidades e ao fortalecimento da capacidade adaptativa do país, em articulação com diferentes setores e entes federativos. Também reconhecem que os efeitos da mudança do clima atingem de forma desigual a população brasileira, com maior impacto sobre grupos socialmente mais vulneráveis.

Com 84,5% do total de municípios brasileiros e 324,6 milhões de pessoas afetados por desastres na última década, a adaptação é orientada pelos princípios da justiça climática, da proteção dos direitos humanos, da inclusão social e da redução das desigualdades, buscando apresentar uma resposta abrangente e sensível às particularidades de cada comunidade, setor e região, observando a intersetorialidade do problema.

Coordenada pelos ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a elaboração do Plano Clima Adaptação foi construída por meio de processo participativo e interinstitucional, no âmbito do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM), sob a presidência da Casa Civil da Presidência da República (CC/PR).

O processo contou com envolvimento de órgãos e entidades da administração pública federal, representantes de governos estaduais e municipais, comunidade científica, sociedade civil, setor produtivo e demais atores estratégicos.

Cerca de 6 mil pessoas e 700 instituições foram mobilizadas presencialmente. Além de consultas públicas, oficinas técnicas, reuniões setoriais e temáticas, webinários e plenárias nas cinco regiões do país, a participação social foi impulsionada pela Plataforma Brasil Participativo, garantindo transparência, pluralidade de contribuições e alinhamento às realidades territoriais do país. A plataforma registrou cerca de 300 mil acessos e, na fase de consulta pública, somou mais de 3.600 contribuições aos documentos.

O que o Plano Clima Adaptação estabelece

A partir de um diagnóstico sobre os principais impactos da mudança do clima para os próximos dez anos, a Estratégia Nacional de Adaptação (ENA) contextualiza a agenda climática no Brasil e no mundo, indicando as diretrizes, os objetivos e as metas nacionais a serem seguidos pelo Governo do Brasil, bem como por estados e municípios em seus planos de adaptação, conforme estabelecido no artigo 6º da Lei nº 14.904, de 27 de junho de 2024, fortalecendo a articulação entre os diferentes níveis de governo.

O documento apresenta conceitos técnicos e a base metodológica que orientaram sua construção e a dos Planos Setoriais e Temáticos, com ênfase na abordagem de risco climático e no ciclo iterativo da adaptação, além dos normativos, compromissos internacionais e marcos legais relevantes.

Os 16 Planos Setoriais e Temáticos de Adaptação abrangem áreas fundamentais para a proteção da população, dos territórios e das atividades econômicas:

  • Agricultura e Pecuária
  • Agricultura Familiar
  • Biodiversidade
  • Cidades
  • Energia
  • Igualdade Racial e Combate ao Racismo
  • Indústria e Mineração
  • Oceano e Zona Costeira
  • Povos e Comunidades Tradicionais
  • Povos Indígenas
  • Recursos Hídricos
  • Redução e Gestão de Riscos e de Desastres
  • Saúde
  • Segurança Alimentar e Nutricional
  • Transportes
  • Turismo
Além disso, o Plano está estruturado em:
  • 13 diretrizes nacionais;
  • 9 objetivos nacionais;
  • 12 metas nacionais;
  • 51 objetivos setoriais e temáticos;
  • 312 metas setoriais e temáticas;
  • 810 ações voltadas à redução dos impactos climáticos.

O Plano Clima Adaptação traz a meta de atendimento com obras de prevenção de riscos de desastres, a ampliação em 180 mil hectares da cobertura vegetal em áreas urbanas,100% da carteira de investimentos em infraestrutura contratada pelo Governo do Brasil considerando os riscos climáticos, redução em pelo menos 30% as interrupções operacionais causadas por eventos climáticos em infraestruturas federais de transportes e a redução para 7,5% o total de municípios com nível de segurança hídrica mínimo. De acordo com as metas estabelecidas, o Brasil pretende erradicar a insegurança alimentar e nutricional grave até 2035.

Justiça Climática

O Plano Clima Adaptação prioriza a adaptação centrada nas pessoas, focando na redução de vulnerabilidades e na erradicação de desigualdades que perpetuam a pobreza e agravam os riscos associados à mudança do clima. Para tanto, a busca pela adaptação transformativa é essencial, não apenas para responder à mudança climática, mas também para reconfigurar os atributos fundamentais dos sistemas naturais e humanos.

Considerando a diversidade do Brasil e a realidade desigual que permeia a sociedade, vê-se a justiça climática como eixo norteador desse Plano em todo o ciclo iterativo da adaptação, buscando a identificação de como os riscos climáticos afetam diferentes populações e territórios.

Esta abordagem envolve a integração de temas transversais, como igualdade de gênero, mobilidade humana, racismo ambiental, Adaptação baseada em Ecossistemas (AbE) e cobenefícios com a mitigação de gases do efeito estufa.

Reconhece também a necessidade do fortalecimento do Federalismo Climático como chave para a implementação multissetorial e multinível do Plano Clima, considerando o território como a base das demandas sociais e onde, de fato, as políticas públicas se materializam. Sendo assim, tem como meta nacional garantir que todos os estados e ao menos 35% dos municípios brasileiros tenham Planos de Adaptação até 2035.

Para orientar a implementação das ações de adaptação no âmbito federal, o Plano levou em conta as possibilidades reais de financiamento e os recursos oriundos do orçamento público e fundos especialmente constituídos, em consonância com o planejamento governamental do Plano Plurianual, já destinados aos ministérios responsáveis pela execução dessas políticas.

Para as ações que ainda não contam com fontes de financiamento, espera-se que o Plano de Adaptação se traduza numa carteira de projetos em potencial e venha a subsidiar outros instrumentos fiscais e orçamentários para assegurar a execução e o monitoramento de iniciativas que promovam a resiliência climática no país.

Fonte: MMA

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