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quarta-feira, 8 de julho de 2026

PREFEITURA DE NITERÓI RETIRA CERCA DE 20 T DE RESÍDUOS DO PARQUE ORLA DE PIRATININGA TODA SEMANA


Prefeitura reforça ações de monitoramento e preservação ambiental na Lagoa de Piratininga

A Prefeitura de Niterói realizou, nesta quarta-feira (8), mais uma operação de ordenamento e limpeza na Lagoa de Piratininga. Coordenada pelo Grupo Executivo para o Crescimento Ordenado de Preservação das Áreas Verdes (Gecopav), com o objetivo de garantir a ocupação adequada do espaço público e a preservação ambiental naquela área, a ação foi executada pela Companhia de Limpeza de Niterói (Clin), que retirou entulhos e resíduos descartados incorretamente. O serviço contou com apoio de um caminhão para a remoção de materiais como ferro, madeira, plástico e outros detritos.

O coordenador do Gecopav, major Antônio Luiz Pereira Lima, ressaltou a importância da atuação integrada dos órgãos municipais para garantir a proteção das áreas verdes da cidade.

“Nosso principal objetivo é impedir o avanço de construções irregulares sobre áreas de proteção ambiental. Para isso, atuamos com planejamento, uso de tecnologia e integração entre diversos órgãos municipais, garantindo uma fiscalização eficiente e contribuindo para a preservação do patrimônio ambiental de Niterói”, afirmou.

O trabalho desenvolvido na região tem como foco a preservação da restinga, a fiscalização de construções irregulares e descartes incorretos de resíduos, além do monitoramento de possíveis áreas afetadas por desmatamento. As equipes realizam vistorias frequentes, com acompanhamento por terra e apoio de aeronaves tripuladas, ampliando a capacidade de identificação de ocorrências e garantindo uma atuação mais eficiente na proteção ambiental. Sempre que são constatados problemas, como o descarte inadequado de lixo ou o acúmulo de entulho, são promovidas ações de limpeza e conservação, contribuindo para a preservação da Lagoa de Piratininga e para a manutenção de um ambiente mais saudável para a população.

Wellington Silva, funcionário da Companhia de Limpeza de Niterói (Clin) há 11 anos, destacou a importância do trabalho que tem feito semanalmente na Lagoa de Piratininga, ressaltando que a ação vai além da limpeza do espaço.

“Todas as quartas-feiras realizamos uma ação de limpeza na orla da Lagoa de Piratininga, em parceria com a Secretaria de Ordem Pública, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância do descarte correto de resíduos. Durante essas operações, recolhemos, em média, cerca de 20 toneladas de resíduos descartados de forma irregular na região. Esse trabalho é fundamental não apenas para manter a cidade limpa, mas também para preservar o meio ambiente e a qualidade da lagoa”, destacou.

O Gecopav atua em três frentes principais: monitoramento das áreas de preservação para evitar invasões e desmatamentos; combate a construções irregulares com medidas judiciais e embargos; e implantação de marcos delimitadores em áreas protegidas.

A operação seguiu o que está previsto na Lei nº 2624/2008, que integra o Código de Posturas do município e estabelece diretrizes sobre convivência, ocupação do espaço público e preservação ambiental.

Fonte: Prefeitura de Niterói




sexta-feira, 3 de julho de 2026

Árvores gigantes de florestas tropicais superam limites físicos para transportar água até o topo

 

O pesquisador Arne Scheire, um dos autores do artigo, escala um dipterocarpo de 67 metros na Malásia (imagem: Arne Scheire/University Exeter)

Estudo publicado na Science mostra que espécies com altura equivalente à de prédios de 30 andares desenvolveram adaptações internas e – ao contrário do que se pensava – não são mais vulneráveis a secas do que a vegetação mais baixa.

Luciana Constantino | Agência FAPESP – Contrariando um paradigma da botânica, uma pesquisa divulgada hoje (02/07) na revista Science revelou que as árvores gigantes das florestas tropicais – com altura equivalente à de prédios de 20 ou 30 andares – não têm dificuldade em transportar água da raiz até o topo e tampouco são mais vulneráveis à seca do que as menores. O trabalho detalha o mecanismo de sobrevivência dessas espécies ainda pouco compreendidas pela ciência, embora essenciais para a regulação do clima por sua capacidade de armazenar carbono.

Pesquisas anteriores sugeriam que, conforme as árvores ganham altura, a capacidade de mover água até o alto poderia ser prejudicada pela maior distância entre raízes e folhas e pelos efeitos da gravidade. Isso reduziria a fotossíntese, limitaria o crescimento e aumentaria a vulnerabilidade à seca.

Mas, de acordo com o novo artigo, as árvores gigantes desenvolveram adaptações internas que compensam os desafios de transportar água até os galhos mais altos. Além disso, testes realizados durante secas severas mostraram que elas não tiveram declínio acentuado de crescimento em comparação com árvores menores, contrariando a hipótese de que espécimes muito altos seriam mais suscetíveis ao estresse hídrico.

Os pesquisadores descobriram que ajustes dos conduítes do xilema (“tubos” microscópicos que a planta usa para conduzir água e nutrientes até as folhas), com diâmetros maiores conforme fica mais alta, compensaram o aumento da resistência ao fluxo de água durante o trajeto. Na prática, é como se a árvore precisasse de uma mangueira maior para levar água mais longe. Essas adaptações complexas são capazes de reduzir a chance de falhas no transporte hídrico quando a planta está em situações de seca.

No caso das folhas, o efeito da gravidade as obriga a funcionar com menor hidratação (potencial hídrico mais negativo), levando-as a ficar murchas e ter que fechar o estômato (estrutura microscópica que funciona como “poros”) mais cedo, reduzindo sua fotossíntese. O estudo mostra, porém, que as árvores gigantes aumentam a tolerância a essas condições, sem prejuízo ao seu funcionamento.

Esses achados avançam na biologia das árvores gigantes, ajudando a explicar como conseguem superar limitações físicas e fisiológicas para conduzir água e continuar crescendo; aprimoram olhares sobre o papel das florestas nas mudanças climáticas e geram evidências para orientar ações de conservação, visando manter o equilíbrio do ciclo de carbono, de chuvas e da biodiversidade.

“Existem poucos dados sobre como as funções hidráulicas de uma planta mudam conforme ela cresce. É aceito que árvores maiores têm dificuldade em transportar água e, por isso, podem morrer mais em função de secas. Ficamos muito surpresos com o resultado do nosso estudo, verificando que elas têm um mecanismo interno de ajuste”, diz à Agência FAPESP o autor correspondente do artigo, Paulo Bittencourt, professor da Escola de Ciências da Terra e Ambiente da Universidade Cardiff (Reino Unido) e pesquisador colaborador do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp).

Segundo o ecólogo, 1% das maiores árvores do planeta armazena mais da metade do carbono em ecossistemas florestais tropicais, além de contribuir com o ciclo de chuvas pela evapotranspiração.

O trabalho teve apoio da FAPESP por meio de um projeto Jovem Pesquisador concedido ao biólogo Peter Groenendijk, que assina o artigo com Rafael Oliveira, ambos do Centro de Ecologia Integrativa do IB-Unicamp.

(Esquerda) Palasiah Jotan, pesquisadora, usa câmara de pressão para medir o potencial hídrico de folhas de dipterocarpo antes do nascer do sol, quando as árvores estão bem hidratadas; (centro) vista de um dipterocarpo de grande porte; (direita) autores do artigo diante de um dipterocarpo: da esquerda para a direita Arne Scheire, Palasiah Jotan, Martin Svátek, David Burslem e Paulo Bittencourt (créditos: Palasiah Jotan/Czech University of Life Sciences Prague e Lindsay Banin /UK Centre for Ecology & Hydrology))

‘Escalando a floresta’

Para realizar o estudo, que levou mais de dois anos, o grupo utilizou uma amostra de 38 árvores da família Dipterocarpaceae, de cinco espécies, localizadas na Reserva Florestal Kabili-Sepilok (Malásia), na ilha asiática de Bornéu. A reserva é mundialmente conhecida por abrigar centros de conservação, inclusive o primeiro criado no mundo para reabilitação de orangotangos.

Essas árvores, variando de 7,1 a 71 metros, são consideradas as mais altas com flores dos trópicos.

O trabalho de campo foi possível com a contribuição de escaladores treinados por Jamiludding Jami, arborista ligado à Parceria de Pesquisa da Floresta Tropical do Sudeste Asiático (SEARPP, na sigla em inglês). Jami foi responsável, em 2018, por escalar e medir um dipterocarpo (meranti amarelo, Shorea faguetiana) de 100,8 metros, considerado a árvore tropical mais alta encontrada até agora.

Escalar uma árvore de mais de 70 metros é um trabalho muito especial, que pouquíssimos fazem no mundo. São pessoas que conseguem, no meio da floresta, passar uma corda em uma árvore da altura de um prédio de 20 a 30 andares, subir e coletar galhos, por exemplo. Algumas coletas tiveram de ser sem sol, à noite. Não é só saber passar a corda e ter condicionamento físico. Precisa ver se tem vespeiro, saber se aquele galho é bom, se a madeira é forte, não é uma coisa trivial”, relata Bittencourt.

Essa expertise foi levada a escaladores no Amapá, pertencentes a comunidades ribeirinhas no Estado, que, após o treinamento, contribuíram com a coleta de material para pesquisa semelhante na floresta amazônica. Parte desses resultados deve ser divulgada até o final de 2026.

Há alguns anos, esse grupo de cientistas vem estudando gigantes da Amazônia na região do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque e da Floresta Nacional do Amapá, para onde já foram realizadas algumas expedições. O projeto busca entender reações fisiológicas da floresta amazônica às mudanças climáticas. É liderado pela ecóloga britânica Lucy Rowland, da Universidade de Exeter, com quem Bittencourt trabalhou diretamente quando estava na instituição e que também é autora da pesquisa publicada na Science.

Estimativa apresentada em outro estudo liderado por Robson Borges de Lima, da Universidade do Estado do Amapá, e do qual Bittencourt e Groenendijk fizeram parte, indica que a Amazônia brasileira tem cerca de 55,5 milhões de árvores gigantes, mas a distribuição geográfica é desigual. Apenas 1% da área de floresta concentra 14% delas e metade está localizada em aproximadamente 11% do bioma. Ficam principalmente em Roraima e no Escudo das Guianas (formação geológica que inclui parte do Amapá), onde a disponibilidade de água é alta.



Impactos das mudanças climáticas

Para analisar como os dipterocarpos reagem ao estresse hídrico, os pesquisadores mediram as taxas de crescimento dos troncos antes, durante e depois do forte período de seca associado ao El Niño em 2023-2024. Fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do oceano Pacífico Equatorial, o El Niño de 2023-2024 foi considerado um dos cinco mais intensos já medidos. Classificado no limite da categoria “muito forte”, elevou as temperaturas em cerca de 2°C acima da média, com diferentes impactos no clima de vários países.

No estudo, os resultados da comparação entre os períodos não mostraram declínios na taxa de crescimento associada à altura das árvores durante a seca severa. Ou seja, as maiores foram tão afetadas quanto as menores, sofrendo impactos semelhantes das mudanças climáticas.

Nossos achados demonstram que os sistemas hidráulicos de dipterocarpos muito altos evoluíram de forma a se adequar perfeitamente à sua altura, não devendo sofrer mais do que os de menor porte expostos às mesmas condições de seca”, afirma Rowland, por meio de comunicado à imprensa.

Nesse sentido, a pesquisa sugere que diferenças na capacidade das árvores de evitar bolhas de ar (embolia) que interrompem a circulação interna de água durante a seca podem estar mais relacionadas ao microclima da copa e ao sombreamento do que à altura.

Para Oliveira, os resultados sinalizam a necessidade de entender melhor os mecanismos que determinam a mortalidade das árvores gigantes durante secas extremas. “Em vez de assumir que a altura por si só aumenta a vulnerabilidade hidráulica, os achados apontam que existem outros mecanismos fisiológicos e anatômicos que podem ser igualmente ou mais importantes para explicar a sobrevivência dessas árvores às mudanças climáticas. Essa nova perspectiva pode ajudar o desenvolvimento de modelos mais realistas sobre o funcionamento das florestas e suas respostas a climas cada vez mais secos”, afirma Oliveira à Agência FAPESP.

Groenendijk reforça a importância de compreender as taxas de crescimento dessas espécies. “Entender quais idades as gigantes atingem, como crescem e como se comportam frente à variabilidade climática são questões cruciais que estamos tentando responder usando sensores automatizados e a análise de anéis de crescimento”, completa.

No Brasil, um grupo internacional de cientistas está coletando dados na Reserva Florestal Adolfo Ducke, em Manaus (AM), para quantificar e mapear as causas e os fatores de morte de árvores tropicais altas. O “Projeto Gigante” vem sendo desenvolvido por integrantes do Cary Institute of Ecosystem Studies Millbrook (Estados Unidos) em cooperação com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Oliveira destaca que, provavelmente, um mecanismo que compensa a resistência a secas está ligado à capacidade das folhas mais altas de absorver orvalho e neblina. “Pesquisas anteriores que fizemos mostraram que fontes atmosféricas podem ser importantes para manter a hidratação de plantas em geral, mesmo as de folhas muito grandes”, conclui.

O artigo Height does not impair the hydraulic system of the tallest tropical Dipterocarp trees pode ser lido em: science.org/doi/10.1126/science.aea9013.

Fonte: Agência FAPESP



quarta-feira, 1 de julho de 2026

Grandes mamíferos alteram a química do solo e aumentam a fertilidade da Mata Atlântica

 


Estudo revela que antas, queixadas, catetos e veados atuam como verdadeiros engenheiros do ecossistema ao diminuir a acidez da terra, aumentar a diversidade e acelerar a decomposição de matéria orgânica na floresta

André Julião | Agência FAPESP – Um estudo publicado na revista Ecological Monographs aponta que grandes mamíferos, como antas, queixadas, catetos e veados, alteram a composição química da serrapilheira e do solo em florestas tropicais da Mata Atlântica brasileira. Como consequência, proporcionam maior disponibilidade de nutrientes e, possivelmente, uma maior fertilidade do solo.

O trabalho foi realizado por integrantes do Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima (CBioClima), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP e sediado no Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (IB-Unesp), em Rio Claro. Os resultados enfatizam a importância que esses animais – muito visados pela caça ilegal e com populações em declínio – têm para a sobrevivência a longo prazo do bioma, mesmo dentro de áreas onde a cobertura florestal permanece intacta.

“A maior parte da biomassa de mamíferos em áreas contínuas de Mata Atlântica é composta pela queixada, um porco selvagem nativo que vive em bandos que podem passar de cem indivíduos”, conta Letícia Gonçalves Ribeiro, primeira autora do trabalho, realizado como parte de seu doutorado no IB-Unesp com bolsa da FAPESP.

“Eles chegam numa área e passam muito tempo pisoteando e fuçando a terra, à procura de frutos caídos e sementes, além de defecar e urinar. Com isso, acabam influenciando a ciclagem de nutrientes, alterando a química do solo e a diversidade da serrapilheira – a camada de folhas, galhos e frutos que fica na superfície do solo”, explica a cientista. Outros exemplos de mamíferos herbívoros de grande porte que povoam o bioma incluem as antas, os veados e os catetos, que são uma outra espécie de porco selvagem.

Para entender melhor a relevância desses animais no funcionamento da Mata Atlântica, os pesquisadores compararam amostras do solo e da serrapilheira de áreas onde esses mamíferos circulam livremente com as de outras áreas, que foram cercadas para eliminar temporariamente a presença deles. Os resultados apontaram diferenças substanciais na acidez (pH) – menos ácido com animais, mais ácido sem – e na disponibilidade de nutrientes como cálcio e alumínio.

“O alumínio, que em altos níveis é prejudicial às plantas, foi reduzido onde havia maior presença de animais. Esse nutriente tem uma relação especial com o pH e o cálcio. O equilíbrio entre eles é necessário para uma maior fertilidade do solo”, afirma Ribeiro. Isso significa, na prática, que a presença de grandes mamíferos aumenta a fertilidade do solo da floresta.

Na serrapilheira das áreas com mamíferos, foi observada uma redução de lignina, uma molécula complexa que recobre as células das plantas e dificulta sua decomposição. Ao ser remexida e pisoteada pelos animais, a serrapilheira é mais bem distribuída no espaço e se fragmenta em pedaços menores, o que aumenta o contato com o solo e facilita a quebra da lignina e o processo de decomposição.

Foi constatada ainda uma maior diversidade na serrapilheira que era fuçada e pisoteada pelos grandes animais. As amostras coletadas na parte com presença de grandes mamíferos tinham uma proporção mais equilibrada de folhas, galhos, frutos e sementes, outro fator que contribui para a decomposição desses materiais no solo da floresta.

“Nossa pesquisa tem demonstrado, de forma cada vez mais robusta, como os grandes herbívoros têm uma importância primordial para as florestas. São justamente esses animais, mais visados pela caça, que atuam como engenheiros de ecossistemas, influenciando desde a composição das plantas na paisagem até mesmo a química do solo”, afirma Mauro Galetti, professor do IB-Unesp que coordenou o estudo e é um dos pesquisadores principais do CBioClima.

Fezes de anta no Parque Estadual Carlos Botelho: presença de grandes mamíferos aumenta disponibilidade de nutrientes para a manutenção da floresta (foto: Letícia Gonçalves Ribeiro/IB-Unesp)

Estudo de longo prazo

A investigação se baseou em dados obtidos por meio do projeto “DEFAU-BIOTA: efeitos da defaunação no carbono do solo e na diversidade funcional de plantas da Mata Atlântica”, apoiado pela FAPESP no âmbito do Programa BIOTA.

No experimento, conduzido desde 2009 na Serra do Mar, são comparadas áreas (parcelas) de 15 metros quadrados abertas para a livre passagem dos animais com outras onde o acesso é restrito por cercas, que são instaladas pelos pesquisadores para impedir a entrada de mamíferos de grande porte.

No trabalho atual, foram analisadas dez parcelas abertas e dez fechadas no Parque Estadual Carlos Botelho, no município de São Miguel Arcanjo, parte de um grande mosaico de áreas protegidas de Mata Atlântica na região do Vale do Ribeira, no sudeste do Estado de São Paulo. A biomassa de mamíferos foi estimada a partir de imagens de câmeras conhecidas como “armadilhas fotográficas", que são acionadas automaticamente quando algum animal passa na frente delas.

Em estudos anteriores, os pesquisadores já haviam demonstrado que a ausência de grandes mamíferos herbívoros reduz a quantidade de nitrogênio no solo, diminui a diversidade de plantas e altera as relações entre plantas e seus inimigos naturais — modificando, assim, a dinâmica ecológica da floresta (leia mais em: agencia.fapesp.br/34879, agencia.fapesp.br/31388 e agencia.fapesp.br/50818).

Em março deste ano, outro estudo do grupo indicou que a falta de grandes mamíferos leva a uma homogeneização da floresta, ou seja, a dominância de algumas poucas espécies de plantas que prosperam na ausência desses herbívoros.

No alto, veado-mateiro (Mazama rufa) e anta (Tapirus terrestris) flagrados por câmeras trap instaladas nas áreas do estudo, que flagraram ainda a queixada (Tayasu pecari), à direita (fotos: câmeras trap e Letícia Gonçalves Ribeiro/IB-Unesp).

Vida no solo

Numa etapa mais recente da pesquisa, ainda em desenvolvimento, Ribeiro está analisando o efeito dos grandes mamíferos sobre os nematoides, animais microscópicos, parecidos com vermes, que vivem no solo e são indicadores de qualidade do ecossistema.

“Os nematoides são um dos grupos mais abundantes da fauna do solo, ocupando diferentes níveis tróficos: alguns são especializados em comer bactérias, outros se alimentam apenas de fungos e há ainda os predadores, que se alimentam de outros nematoides e organismos da fauna do solo”, explica Ribeiro, que atualmente realiza estágio de doutorado na Universidade de Aarhus, na Dinamarca, com bolsa da FAPESP.

As análises preliminares realizadas até agora em amostras de solo coletadas das áreas de pesquisa apontam que a presença dos grandes mamíferos contribui para uma presença maior de nematoides predadores. “É preciso ter todos os outros níveis tróficos presentes para que haja esse tipo de nematoide. Portanto, sua abundância indica um ecossistema mais saudável”, diz.

Os resultados dessa nova fase do estudo, no entanto, ainda não têm data para serem publicados.

O trabalho agora publicado teve apoio da FAPESP também por meio de bolsa de doutorado concedida a Mateus de Melo Dias, coautor do texto.

O artigo Mammals' zoogeochemical effects change litter and soil biogeochemistry in a tropical rainforest pode ser lido em: esajournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/ecm.70070.

Veja vídeo sobre a pesquisa em: youtu.be/nUNav9OPhcU.

Fonte: Agência FAPESP




sábado, 23 de maio de 2026

Prioridade para o turismo: Niterói recebeu 1,5 milhão de visitantes em 2025

Niterói tem vocação para o turismo, atividade que tem potencial para ser uma das alavancas da economia da cidade, mas nunca havia sido dada a devida prioridade.

No que se refere ao turismo, ao contrário do que alguns pensam, ter a cidade do Rio de Janeiro como vizinho é uma grande oportunidade para Niterói e não um problema. O Rio de Janeiro continua a ser líder em turismo no país e bateu o recorde de visitantes em 2025. A cidade recebeu 12,5 milhões de turistas, sendo 10,5 milhões (83,1%), de visitantes nacionais e 2,1 milhões (16,9%) de estrangeiros. Apesar de representarem a menor parcela, os turistas internacionais cresceram 44,8% no ano passado. O impacto do turismo na economia da cidade do Rio foi de R$ 27,2 bilhões (saiba mais aqui), gerando R$ 10,6 bilhões em gastos diretos, 198 mil empregos e R$ 6 bilhões em remuneração.

Como podemos ver na matéria abaixo, o turismo em Niterói está crescendo, mas ainda representa 12%) do contingente de visitantes que chega à cidade vizinha. Não é pouco - é proporcional à diferença de porte entre as cidades - mas pode ser muito mais. Isso mostra o grande potencial de crescimento da atividade em Niterói, caso a cidade adote as políticas corretas.

Na minha gestão como prefeito de Niterói (2021-2024), orientei a Niterói Empresa de Lazer e Turismo - Neltur a continuar fazendo o seu bom trabalho na promoção de grandes eventos (Carnaval, Reveillon etc.), mas priorizar a vocação de Niterói e colocar a cidade como um destino turístico rentável e promotor do desenvolvimento local.

Para permitir isso, investimos na infraestrutura e em estratégias para promover o turismo, com as seguintes iniciativas:

Infraestrutura verde:
  • Desapropriação dos imóveis e criação do Parque Natural Municipal do Morro do Morcego Dora Negreiros, com o objetivo de proteger os recursos naturais e paisagísticos do locais, além de permitir a maior qualificação do produto turístico de visitação dos fortes de Jurujuba.
  • Criação, em 2014, do Programa Niterói Mais Verde, com a criação do Parque Natural Municipal de Niterói - PARNIT, que elevou a área protegida da cidade a 57% do território da cidade. Com o PARNIT foi criado também a APA dos Morros da Guanabara, com mais de 500 hectares de áreas verdes protegidas na Região Norte da cidade.
  • Implantação de trilhas e apoio ao turismo ecológico. 
  • Implantação do Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis - POP, que conta com o sistema de jardins filtrantes, o maior investimento na America Latina em Soluções Baseadas na Natureza. O POP conta também com o Centro Ecocultural Sueli Pontes. 
  • Reforma da infraestrutura do Parque da Cidade, o segundo lugar mais visitado na cidade após o MAC.
  • Criação dos parques de Pendotiba, da Floresta do Baldeador, Águas Escondidas, alem do Morro do Morcego já citado
  • Ampliação e requalificação da arborização urbana
  • Reflorestamento de encostas
  • Duplicação das areas ajardinadas da cidade.
Infraestrutura urbana:
  • Requalificação do Centro de Niterói, com a reurbanização da Avenida Visconde do Rio Branco, da Praça Arariboia e da Avenida Amaral Peixoto.
  • Melhoria na infraestrutura viária da Região Oceânica
  • Obras de melhoria dos acessos à Fortaleza de Santa Cruz e revitalização do Canto de Itaipu, ambos investimentos de grande importância para o turismo
  • Quase 100 km de ciclovias, bicicletários e bicicletas compartilhadas gratuitas (Nit Bike)
  • Requalificação urbana da região de São Domingos e Gragoatá
  • Solução dos principais problemas de drenagem da cidade.
  • A cidade se aproxima da universalização do saneamento e é considerada uma das cidades mais limpas do país (2° lugar no índice ISLU).
Infraestrutura para eventos:
  • Construção da Arena Niterói, no Centro de Niterói 
  • Reforma do Complexo de Atletismo Aída dos Santos (UFF) e a implantação da infraestrutura esportiva na Concha Acústica. 
  • Niterói trabalha para viabilizar o seu Centro de Convenções 
  • Implantação da pista de Downhill no Parque da Cidade
  • Apoio a eventos nacionais e internacionais para esportes de praia, vela, canoagem Va'a, surf etc.
Patrimônio histórico e cultural:
  • Restauração e abertura da Ilha da Boa Viagem, 
  • Restauração do Cinema Icaraí que será entregue à população como centro cultural Cine Concerto Sérgio Mendes.
  • Restauração da Casa Norival de Freitas.
  • Desapropriação e reforma do prédio da Cantareira, que seráum Distrito de Inovação, 
  • Reabertura do Mercado Municipal após décadas fechado.
  • Reforma de casarão histórico na Alameda São Boaventura e abertura do Centro Cultural Cauby Peixoto, primeiro da Zona Norte. 
Além da infraestrutura, a NELTUR tem feito um grande esforço de divulgação da cidade em eventos nacionais e internacionais do trade turístico e tem estruturado programas de turismo de avistagem de cetáceos, cicloturismo, turismo náutico e outros.

Há uma crescente atração de grandes eventos culturais e esportivos na cidade, além de congressos cientificos e acadêmicos. Em 2024, firmamos acordo com a Fira Barcelona, para trazer para Niterói a Tomorrow Blue Economy, a maior feira da economia azul no mundo. O evento já irá para a sua terceira edição.

Juntamente com o turismo de negócios - ligado à indústria naval, ao setor de saúde, comércio etc. - essas atividades têm feito crescer muito a demanda por mais hotelaria. Como prefeito, abrimos diálogos importantes com o setor, no Brasil e exterior, para atrair investimentos para a cidade.

Que Niterói siga avançando, potencializando as suas vocações para o desenvolvimento econômico e social, criando oportunidades para mais empregos qualificados e melhoria da qualidade de vida.

Axel Grael
Prefeito de Niterói (2021-2024)


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Turismo em alta: Niterói recebeu 1,5 milhão de visitantes em 2025; veja locais mais procurados

Demildes Freitas veio do Piauí e ficou hospedada na casa da irmã, em São Gonçalo — Foto: Divulgação/Luciana Carneiro

Viagens de lazer representam maior parte do crescimento de 20%, e um em cada quatro turistas é estrangeiro, diz prefeitura

Por Felipe Gelani

Niterói recebeu cerca de 1,5 milhão de turistas em 2025, segundo dados do Observatório de Turismo da prefeitura. O crescimento de 20% em relação ao ano anterior foi puxado principalmente pelo turismo de lazer, responsável por 79,13% dos atendimentos realizados nos Centros de Atendimento ao Turista (CATs), e pela presença cada vez maior de estrangeiros, que já representam 28,20% do público atendido na cidade.

O perfil dos visitantes mostra predominância de moradores do próprio estado, principalmente da capital, de São Gonçalo, de Maricá e de Itaboraí. Entre os nacionais, São Paulo lidera o ranking (34,59%), seguido por Minas (11,66%) e Rio Grande do Sul (7,56%). Bahia e Paraná vêm atrás. Já no turismo internacional, Argentina (25,63%), França (11,67%) e Estados Unidos (8%) lideram.

A percepção positiva da cidade aparece também nos relatos de quem inclui Niterói no roteiro, mesmo estando hospedado no Rio. A advogada colombiana Natalia Bueno afirmou ter se surpreendido.

— Vim conhecer Niterói hoje, antes de seguir para Paraty. Achei uma cidade amigável e agradável. Antes da viagem, eu não tinha muitas informações sobre ela. Falta um pouco mais de divulgação, porque Niterói é linda. Quero voltar da próxima vez — comentou.

Mais tranquilidade

Os estudantes belgas Lalo Istat e Henri Mouligneaux conheceram Niterói depois de encontrar um roteiro de passeio no TikTok enquanto viajavam pelo Rio de Janeiro. Durante uma visita ao MAC, Istat destacou a tranquilidade no município.

— Chegamos ao Rio há três dias. Aqui tenho uma sensação maior de segurança — acrescentou.

Já a aposentada Demildes Freitas, piauiense de Teresina que se hospedou na casa da irmã, Edenilze, em São Gonçalo, achou a paisagem de Niterói “deslumbrante”.

A colombiana Natalia Bueno visitou Niterói pela primeira vez — Foto: Felipe Gelani

—Como diz a música, “no Rio tudo é lindo por natureza” — brincou.

Segundo a Niterói Empresa de Lazer e Turismo (Neltur), o bom momento do turismo na cidade está ligado a uma combinação de investimentos públicos, calendário de eventos e valorização de espaços urbanos e culturais. O eixo formado por Caminho Niemeyer, Mercado Municipal e MAC concentra mais de 70% dos atendimentos turísticos, com destaque para o primeiro, responsável sozinho por 36,67% do total.

Nos últimos anos, a cidade também passou a apostar em eventos esportivos e culturais para ampliar o fluxo de visitantes ao longo do ano. Entre os destaques estão competições internacionais, como Itacoatiara Big Wave e campeonatos de canoa havaiana, e eventos como Mercocidades, que reuniu delegações de vários países latino-americanos.

O presidente da Neltur, André Bento, afirma que Niterói deixou de ser apenas um passeio complementar para quem visita o Rio de Janeiro.

— A cidade passou a ser uma escolha no roteiro. Existe uma política estruturada para impulsionar o turismo como vetor econômico, com promoção do destino, calendário de eventos e qualificação dos espaços — diz.

O prefeito Rodrigo Neves destaca que o município vem investindo na revitalização de áreas turísticas, na preservação ambiental e na criação de novos equipamentos:

— Niterói vem se consolidando como destino turístico a partir de investimentos e planejamento. Avançamos na revitalização do Centro e na valorização do patrimônio histórico e seguimos ampliando a infraestrutura cultural e de eventos da cidade.

Mercado de casamentos

Especialista no mercado de casamentos e convicta de que o segmento tem potencial para movimentar uma ampla cadeia produtiva na cidade, a advogada Dilma Resende foi uma das organizadoras do congresso Destination Wedding Niterói 2026, realizado em abril. Segundo ela, noivos de fora impulsionam setores como hotelaria, gastronomia, fotografia, moda e turismo, e Niterói reúne cenários capazes de atraí-los, como a Igrejinha da Boa Viagem, o entorno do MAC e espaços históricos:

— O Rio é fortíssimo em se apresentar como destino de casamento. Quando percebi esse cenário, olhei para Niterói e pensei: “Estamos em um lugar mágico. Falta divulgação”. Mas isso está mudando.

Os oito locais mais visitados

Museu de Arte Contemporânea de Niterói
Parque da Cidade
Caminho Niemeyer
Fortaleza de Santa Cruz da Barra
Ilha da Boa Viagem
Parque Histórico Monte Bastione
Museu Popular Janete Costa
Solar do Jambeiro


Fonte: Globo Niterói




domingo, 10 de maio de 2026

PARQUES BRASILEIROS TEM RECORDE DE VISITAÇÃO, MOVIMENTAM A ECONOMIA E GERAM EMPREGOS

Os dados monumentais de 2025 revelam uma realidade surpreendente: florestas, praias, rios e montanhas são, na verdade, ativos de alta performance na economia brasileira. Na imagem, o Parque Nacional da Tijuca (RJ), o mais visitado no ano - Foto: Vitor Marigo

Visitação recorde em unidades de conservação injeta R$ 20 bilhões no PIB e gera mais de 332 mil empregos

Estudo mostra que cada R$ 1 investido gera R$ 16 para o PIB e R$ 9,8 bilhões em renda para as famílias. Visitas em unidades de conservação movimentaram mais de R$ 40 bilhões em vendas totais em 2025, ano em que os parques nacionais bateram recorde de visitação

O turismo em Unidades de Conservação (UCs) federais atingiu, em 2025, um novo patamar de impacto econômico no Brasil. É o que aponta o estudo “Contribuições do Turismo em Unidades de Conservação para a Economia Brasileira”, elaborado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que destaca o papel estratégico dessas áreas protegidas para o desenvolvimento econômico do país e confirma a visitação em UCs como política pública de Estado (Lei nº 15.180, de 25 de julho de 2025 e Portaria nº 3.689, de 11 de setembro de 2025).

O estudo mostra que as UCs geraram R$ 40,7 bilhões em vendas, R$ 20,3 bilhões de contribuição ao Produto Interno Bruto (PIB) e R$ 9,8 bilhões em renda para as famílias. O levantamento do ICMBio mostra ainda que 175 Unidades de Conservação federais somaram 28,5 milhões de visitas — recorde histórico desde que os dados começaram a ser monitorados, no ano 2000.

Os parques nacionais concentram a maior parte do fluxo de visitantes e lideram o turismo nas UCs. Em 2025, essas unidades somaram 13,6 milhões de visitas — recorde histórico, acima dos 12,5 milhões registrados no ano anterior. O resultado reflete melhorias no monitoramento da visitação, nos investimentos em infraestrutura e serviços, na inclusão de novas áreas no sistema e na valorização dos ambientes naturais no período pós-pandemia.

O ranking mantém no topo o Parque Nacional da Tijuca (RJ), com mais de 4,9 milhões de visitas, seguido pelo Parque Nacional do Iguaçu (PR), com 2,2 milhões, e pelo Parque Nacional de Jericoacoara (CE), com 1,3 milhão de visitantes.

O crescimento da visitação tem efeitos diretos na economia, com geração de emprego e renda nas regiões do entorno, fortalecimento do turismo sustentável e aumento da arrecadação local.

João Paulo Capobianco, ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), destaca que o Governo do Brasil tem se dedicado a esse tema, por meio de políticas públicas e investimentos em infraestrutura, serviços e pessoal, além de incentivos à visitação, a exemplo do programa Natureza com as Pessoas, lançado pelo ICMBio no ano passado.

“Esse estudo comprova que as Unidades de Conservação não são fundamentais apenas para a regulação dos ciclos hidrológicos e do clima, proteção da biodiversidade e do controle do desmatamento, mas contribuem expressivamente para o desenvolvimento da nossa economia em bases sustentáveis. O cuidado com essas áreas protegidas, portanto, é essencial", coloca Capobianco.

“Desde 2023, o presidente Lula criou e ampliou 20 Unidades de Conservação, que totalizam mais de 1,7 milhão de hectares – cerca de três vezes a área do Distrito Federal. Também ampliamos significativamente o orçamento e o quadro de servidores do ICMBio”, também frisou.

O levantamento também evidencia a eficiência do investimento público no setor. Para cada R$ 1 investido no Instituto Chico Mendes, são gerados R$ 16 em valor agregado ao Produto Interno Bruto (PIB) e R$ 2,30 em arrecadação tributária. Além disso, o turismo nas UCs federais sustenta mais de 332,5 mil postos de trabalho em todo o país.

Outro destaque é o impacto fiscal: a atividade gerou quase R$ 3 bilhões em arrecadação tributária, valor que supera o dobro do orçamento total do órgão gestor, considerando apenas os impostos sobre consumo e remuneração.

“Os resultados mostram que as unidades de conservação, como parques nacionais, por exemplo, são estratégicas para o desenvolvimento do Brasil. Tivemos recorde de visitação e dados robustos de geração de emprego, renda e arrecadação, o que só reforça que investir em conservação da natureza e na vivência das pessoas nas áreas naturais gera benefícios econômicos, saúde e qualidade de vida", explica o presidente do ICMBio, Mauro Pires.

"Cada real aplicado retorna de forma concreta para o desenvolvimento de nosso país, fortalecendo o turismo sustentável, valorizando os territórios e ampliando a conexão das pessoas com a natureza”, esclarece.

O estudo “Contribuições do Turismo em Unidades de Conservação para a Economia Brasileira” utiliza o Tourism Economic Model for Protected Areas (TEMPA), uma adaptação do modelo americano MGM2 para a realidade de países em desenvolvimento. O modelo é reconhecido internacionalmente pela Unesco e pelo Banco Mundial como referência científica.

Entre as categorias de manejo, os parques nacionais são os principais motores econômicos, gerando R$ 21,6 bilhões em vendas e 219,6 mil empregos. Já as reservas extrativistas se destacam pelo turismo de base comunitária, apresentando a maior arrecadação tributária por visita, de R$ 116,60, causando impacto direto nas arrecadações municipais.

Fonte: ICMBio




sábado, 2 de maio de 2026

Informações sobre a revolução de adaptação climática de Paris

Paris is adding color, with boulevards, parks and multiple climate plans 

The City of Paris is famous for its boulevards, bistros and unmistakable character. But behind the historic façades, a nature revolution is taking place that increasingly attracting international attention. Streets, squares and parks are being redesigned and new green spaces are being created, gradually - but significantly - reintegrating nature into the urban landscape.

The capital is becoming greener – and for good reason. With its Climate Plan 2024–2030, the city has developed a master plan to make Paris more resilient, vibrant, and in tune with nature. But what does that mean in practice? It's not just about new parks; it's about an interconnected concept. Trees, schoolyards, measures to promote biodiversity, rainwater management and climate adaptation strategies will work together to prepare the city for future challenges. The goal is to create a city that is more resilient, healthier and equitable.

More nature despite the many paving stones

Paris is a densely populated city. Space is scarce. The city is exercising creativity to solve this problem:
  • A mini urban forest in the middle of the city? Yes, on Place de Catalogne. Can you imagine a small forest in the middle of your city?
  • School Streets: By 2026, 100 streets outside schools are set to become car-free and greener. Children can play safely, and the neighbourhood benefits from new recreational areas that serve as real meeting places in the middle of the city.
  • A three-hectare green space is being created in the east of the city. It will offer recreation and leisure opportunities, as well as providing a habitat for plants and animals.
Paris was an early adopter of environmental protection. Pesticides were banned in parks and gardens as early as the 1990s, long before this became a nationwide requirement. Since 2015, the ban has also applied to cemeteries. What has been the result? Foxes and other wild animals are returning. Who would have thought that you could encounter wild animals in the middle of Paris?

Of course, more greenery also brings challenges. Trees need water, meadows need maintenance, and people must accept spontaneous vegetation. Not everyone immediately realises that unmown meadows and wildflowers are beneficial for the city and its residents. Fostering nature in a city is thus not only a planning challenge, it is an acceptance challenge.

People are getting involved – and that's crucial!

Participation plays a central role in Paris. In addition to experts and the city administration, NGOs, scientists and citizens were also involved in the Biodiversity Strategy 2030. Online consultations, public discussions and workshops ensured that as many voices as possible were heard. But what does this look like in everyday life?

Through the 'Embellir votre quartier' initiative, residents can actively participate in deciding which streets or neighbourhoods should be greened next. They can contribute their own ideas. Which tree species should be planted? Which places would be suitable for green retreats? This commitment is particularly evident in the School Streets initiative. Parents, teachers and children collaborate to design car-free zones outside schools. They also take over the maintenance later.

The initiative has a positive impact that goes beyond mere renaturing: it fosters a sense of responsibility, strengthens social bonds and creates a stronger sense of community. Those who get involved can see how urban planning can directly change their neighbourhood. And let's be honest – who wouldn't want to see their ideas suddenly brought to life in the heart of the city?

Paris as a laboratory for the city of the future

Paris is focusing on more than just individual parks and street trees. Instead, the city aims to become a laboratory for urban sustainability, striving to be dense, vibrant and socially just, as well as green and climate-resilient. To achieve this, it is relying on several interlinked comprehensive plans:
  • The Bioclimatic Urban Master Plan: This plan sets out rules for increasing greenery in public and private spaces.
  • The Biodiversity Strategy 2030 protects species and habitats, and includes specific actions for flora and fauna.
  • The Tree Plan 2021–2026 involves planting 170,000 new trees on streets, in squares and forests, and along ring roads. These measures will improve the urban climate and create habitats for animals.
  • The Paris Rain Plan aims to implement smart rainwater management to increase the city's resilience to climate change and protect it from flooding.
  • Resilience Strategy: The city is to be made crisis-proof against heatwaves, flooding and social inequalities.
What Paris is currently building is therefore more than just an environmental programme. It is a laboratory for the city of the future: dense, vibrant and socially just, as well as green and climate-resilient. Once the plans have been implemented by 2030, Paris will not only be known for its culture and history, but also for a new kind of urban life in which trees, boulevards, parks, squares and people coexist with nature as a matter of course.

Fonte: Urban Nature Plans+ 


New Report: Paris Tomorrow

Paris was the birthplace of the 2015 Paris Agreement, which laid the foundations for a global commitment to climate protection. Since then, the City of Paris has prioritised the fight against climate change. By transforming public spaces to reduce motorised traffic, carrying out a large-scale renovation of buildings and committing to an ambitious energy transition to promote renewable energies and move away from fossil fuels, Paris has reduced greenhouse gas emissions by 26%. Paris has published a retrospective report, “Paris of Tomorrow” (“Paris Demain”), which reflects on sustainability actions implemented in 2024 - a landmark year for the ecological transition in Paris.

The new edition of Paris Tomorrow aims to monitor and analyze ecological and social transition in the city. Structured around 30 strategic indicators, it highlights the progress achieved so far.

For example:
  • One-third reduction in CO₂ emissions since 2004 (start of GHG monitoring)
  • From 35 to 45% decrease concerning the main air pollutants over the past 10 years
  • 1,500 km of cycling routes developed across the city
  • 1,500 cooling islands accessible to residents by 2025
  • More than 130,000 trees planted since 2020
  • 45% organic products served in municipal collective catering in 2024
The report also showcases concrete actions implemented in Paris in 2024, with a special focus on the Olympic Games.

Together with an online open data platform providing an update on the main indicators (in French), these two tools are designed to support decision-making, enhance transparency, and foster collective action toward carbon neutrality and resilience in Paris.

Read the report to learn more about Paris’s ecologic transition.





Paris shows how citizen-driven greening can make cities cooler and fairer

As European cities prepare Urban Nature Plans, one insight from ICLEI Member Paris (France) stands out: urban greening only succeeds when residents help shape it.

Over the past decade, Paris has expanded tree planting, opened green and blue corridors – connecting parks, waterways and former railway lines, allowing flora and fauna to move freely across the metropolis – and has restored water quality in the Seine. As a result, species diversity has grown tenfold since the 1970s – and Parisians can now swim in the river once again.

The city’s reimagining of its urban landscape was made possible through an ambitious biodiversity agenda, beginning with its 2011 Biodiversity Plan and continuing through today’s 2025 Biodiversity Strategy. Milestones include greening schoolyards, transforming 10% of city streets into pedestrian-friendly spaces and planting 150,000 trees by 2025.

But the city says the biggest gains come from working directly with communities, especially in areas most affected by heat and pollution. Through participatory budgeting, social housing safeguards and community-led design, Paris ensures greening efforts enhance – rather than displace – local communities.

UNP+ supports this shift by helping cities develop Urban Nature Plans that combine data, equity and public participation. Paris’s experience shows how mapping heat risks, identifying biodiversity gaps and involving citizens early can guide smarter investment.

The city’s advice for others is simple: start with a shared vision, engage people from the beginning and treat nature as a common good. Urban nature plans work best when cities and citizens act together.

Hear more about Paris’ successes in the most recent episode of Local Voices for Sustainability: How Paris is growing into a garden city, in which host Laura Schubert (ICLEI Europe) speaks with Céleste Roberol, International Projects and Outreach Manager at the Agency for Urban Ecology for the City of Paris, about how the French capital is redefining its relationship with nature.

Fonte: Urban Nature Plans 


OUTRAS CIDADES EM DESTAQUE

Barcelona, Espanha
Burgas, Bulgária
Belgrado, Sérvia
Mannheim, Alemanha




domingo, 5 de abril de 2026

GRAVE: No apagar das luzes, Cláudio Castro revoga plano de manejo de cinco áreas protegidas prejudicando nove municípios

Fonte: O Globo.

O ex-governador do estado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ), renunciou ao seu cargo no dia 23 de março de 2026, às vésperas do julgamento pelo Tribunal Superior Eleitoral que cassaria o seu mandato por crime eleitoral. De fato, a decisão do colegiado do TSE o condenou, tornando-o inelegível por oito anos.

Dias antes da sua renúncia, uma surpresa: o Diário Oficial do Estado de 20 de março publicou o Decreto 50.236, de 19 de março de 2026, com a revogação dos planos de manejo das seguintes Áreas de Proteção Ambiental (APAs) estaduais: 

Importante ressaltar que o Art 1°, do Decreto 50.236, estabelece a revogação dos planos de manejo, mas no seu Parágrafo Único faz a seguinte ressalva: 

"Parágrafo Único - a eficácia deste decreto fica condicionada à aprovação prévia dos novos planos de manejo das unidades de conservação citadas no caput deste artigo cuja metodologia está regulada na Resolução INEA 180, de 10 de junho de 2019, que aprovou os procedimentos para a elaboração e revisão dos planos de manejo das unidades de conservação estaduais".

Relevância das APAs

Presidi a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente - FEEMA por duas vezes (1999 e 2000 e 2007 e 2008), órgão que foi posteriormente incorporado ao atual Instituto Estadual do Ambiente - INEA. A FEEMA tinha como uma das suas atribuições, implantar e gerenciar as Áreas de Proteção Ambiental estaduais, que atualmente são 13 unidades, administradas pelo INEA. 

Durante a segunda gestão à frente da FEEMA, redigimos o texto do Decreto Estadual 41.048/2007, que instituiu o Plano de Manejo da APA Maricá, preparamos também o Plano de Manejo da APA da Serra de Sapiatiba e trabalhamos no planejamento, na regulamentação e execução das demais.

Muitas destas áreas surgiram na década de 1980, quando houve um boom de criação de APAs, seja, por iniciativa do governo federal (exemplo: APA de Guapimirim - 1984), do estado do RJ, assim como de outros estados, além de muitos municípios. Isso foi motivado pela necessidade de proteção dos atributos naturais (ecossistemas, paisagem, culturas, usos tradicionais etc.), conciliando com as pressões urbanas e a cobiça imobiliária. 

É fato que, muitas vezes, a escolha da categoria de unidade de conservação (APA) se deu de forma inadequada e, talvez, outras categorias se aplicassem melhor, principalmente quando o objetivo era proteger áreas com características mais naturais (florestas etc). A opção pela APA poderia parecer atraente para o gestor público ou legislador por não exigir a desapropriação - fato comum nas unidades de proteção integral (parques etc.), mas a falta de solução da situação fundiária é a causa de muitos conflitos na gestão das APAs. Em alguns casos, as APAs tornaram-se áreas de transição (ou amortecimento) para os parques e outras áreas de proteção integral, com a recategorização das Zonas de Preservação da Vida Silvestre - ZPVS para parques ou outras categorias.

Cada APA foi criada com objetivos específicos diante de ameaças diversas, mas talvez a APA Tamoios seja a mais emblemática. Foi criada pelo governo estadual, em 1986 (Decreto - 9.452 - 05/12/1986), com o objetivo de "assegurar a proteção do ambiente natural, das paisagens de grande beleza cênica e dos sistemas geo-hidrológicos da região, que abrigam espécies biológicas raras e ameaçadas de extinção, bem como comunidades caiçaras integradas naqueles ecossistemas". 

Junto com a APA Cairuçu (de iniciativa federal), o Parque Nacional da Serra da Bocaina, o Parque Estadual da Ilha Grande e Reserva Biológica da Praia do Sul, assim como outras unidades de conservação criadas posteriormente, como os Parque Estadual Cunhambebe, garantiram ao longo das últimas décadas a Costa Verde com as características atuais de conservação. A Costa Verde ainda faz jus ao nome e seu patrimônio natural, com florestas, praias e paisagens, ainda são o principal ativo econômico da região, atraindo o turismo, a atividade náutica etc.

Na região litorânea e das ilhas, principalmente graças às APAs Tamoios e Cairuçu, foi possivel frear minimamente a especulação imobiliária e o crescimento desordenado da Costa Verde. 

Outro caso que causa profunda estranheza é o da APA de Maricá. Criada em 1984 (dois anos antes da Tamoios), teve como objetivo proteger uma área de importante ecossistema de praia e restinga. A APA de Maricá tem uma particularidade: abrange praticamente uma única propriedade, onde há um projeto de implantação de um polêmico resort chamado Maraey. A queda do plano de manejo justamente no momento em que o empreendimento alterará o estado atual da região causa muita preocupação.

Claro que não vencemos todas as batalhas nem deixamos de ter que administrar muitos conflitos, mas sem as APAs teria sido impossível. O mesmo aconteceu nas demais APAs, que ao cumprir o seu papel, contrariaram interesses e produziram desafetos.

As APAs são perfeitas? Não, precisam ser aperfeiçoadas sempre que necessário e, para isso, existem os seus Conselhos Gestores para mediar conflitos e melhorar o instrumento. 

Qual motivo levaria o ex-governador a tomar essa medida no apagar das luzes atropelando os conselhos gestores das APAs, que foram pegos de surpresa? 

O que diz a legislação sobre as APAs

As Áreas de proteção ambiental foram previstas inicialmente pela Lei 6902/1981, por proposição do secretário Paulo Nogueira Netto, da Secretaria Especial do Meio Ambiente, que era vinculada ao Ministério do Interior. A sanção da lei foi assinada pelo presidente João Figueiredo e pelo ministro Mário Andreazza e estabeleceu:

Art . 9º - Em cada Área de Proteção Ambiental, dentro dos princípios constitucionais que regem o exercício do direito de propriedade, o Poder Executivo estabelecerá normas, limitando ou proibindo:

a) a implantação e o funcionamento de indústrias potencialmente poluidoras, capazes de afetar mananciais de água;

b) a realização de obras de terraplenagem e a abertura de canais, quando essas iniciativas importarem em sensível alteração das condições ecológicas locais;

c) o exercício de atividades capazes de provocar uma acelerada erosão das terras e/ou um acentuado assoreamento das coleções hídricas;

d) o exercício de atividades que ameacem extinguir na área protegida as espécies raras da biota regional.

De acordo com a Lei 9.985/2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação - SNUC, as APAs são consideradas uma categoria de unidades de conservação do grupo "Uso Sustentável" (Art. 14°). O artigo seguinte (Art. 15°), define APA como: 

"... uma área em geral extensa, com um certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem-estar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais".(Regulamento)

Observar também o disposto nos seguintes parágrafos:

§ 1° A Área de Proteção Ambiental é constituída por terras públicas ou privadas.

§ 2° Respeitados os limites constitucionais, podem ser estabelecidas normas e restrições para a utilização de uma propriedade privada localizada em uma Área de Proteção Ambiental.

Portanto, a APA é um instrumento de planejamento e ordenamento regional, bem como de conciliação do objetivo de prevenção da degradação ambiental, de conservação do patrimônio natural, além de estabelecer regras sobre os interesses e propriedades privadas, onde sejam conflitantes com o interesse coletivo "e o bem-estar das populações humanas".

Surpresa, justificativas e reações

Segundo O Globo, o INEA informou em nota que as regras fixadas pelos planos de manejo eram muito antigas e que precisavam ser atualizadas conforme uma resolução do instituto de 2019, que segue as diretrizes previstas pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação. ‘‘Esse modelo está em sintonia com outras esferas. No âmbito federal, o ICMBio aprova planos de manejo por portaria do próprio órgão gestor e não do chefe do Executivo’’, diz a nota.

Denise Pena, integrante da sociedade civil do Conselho Consultivo da APA de Massambaba. Ela disse que o decreto foi inesperado e que foi publicado semanas após a troca de técnicos do Inea, que eram responsáveis por elaborar a revisão das APAs. O trabalho que vinha sendo realizado seria apenas para atualizar as diretrizes, de modo a deixá-las de acordo com a legislação ambiental federal.

— Há três meses não recebemos qualquer minuta dos estudos para análise. A maior preocupação aqui é com a flexibilização das regras em Arraial do Cabo — disse ao O Globo.

— Se em uma revisão dessas for determinado que a APA deve seguir as regras mais liberais do Plano Diretor da cidade, áreas ambientalmente frágeis vão perder a proteção que tinham — acrescentou Denise Pena.

Militantes que atuam junto à APA do Pau-Brasil também mostraram preocupação na matéria de O Globo:

Carol Mazieri, do movimento Cidadania Buziana, que acompanha a polêmica, acrescentou que o decreto de Castro coincidiu com uma pressão do mercado para liberar a construção de um resort na RJ-102, rodovia que liga as cidades de Búzios e Cabo Frio.

— Não esperava essa decisão do ex-governador, que pode acabar descaracterizando a APA. Há alguns anos, por exemplo, tem havido uma pressão para permitir construções nas proximidades da Praia de José Gonçalves, em Búzios — disse o ambientalista Ernesto Galiotto, que, em sobrevoos pela região, ajudou o Inea a demarcar os limites atuais da APA.

O Instituto dos Advogados do Brasil - IAB emitiu o seguinte posicionamento oficial repudiando o decreto:

Nota do IAB sobre o Decreto Estadual 50.236 de 19/3/2026

O Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), por meio de sua presidente e com apoio de membros da Comissão de Direito Ambiental, vem a público manifestar seu repúdio à publicação do Decreto Estadual 50.236 de 19/3/2026.

Referido decreto instaurou um cenário de incerteza jurídica e vulnerabilidade ecológica para cinco Áreas de Proteção Ambiental (APAs) estratégicas do Rio de Janeiro. Embora o texto oficial justifique a medida como uma “adequação metodológica”, o ato traz consigo um sinalizador de possíveis retrocessos nas salvaguardas ambientais.

Um dos pontos mais críticos do decreto reside na substituição de planos de manejo robustos por um modelo “simplificado” regido pela Resolução Inea 180/2019. A busca por “eficiência e redução de custos” pode resultar na omissão de dados bióticos fundamentais, como o mapeamento de espécies endêmicas e em perigo de extinção, transformando as unidades de conservação em áreas apenas formalmente protegidas, mas sem gestão efetiva em campo.

Ademais, ao transferir a decisão de flexibilização de um órgão técnico (Inea) para uma arena política (Alerj) o decreto abre caminho para que interesses econômicos de curto prazo se sobreponham a critérios científicos de conservação, já que o grau de proteção ambiental pode ser reduzido caso haja aprovação por lei. Sob a perspectiva ambiental, o decreto implica afronta ao Princípio da Vedação ao Retrocesso Ecológico (ADPF 910).

Nesse contexto, o IAB cobra transparência e consulta prévia adequada às comunidades tradicionais e ao Ministério Público, e defende a manutenção das proteções ambientais já alcançadas.

Rio de Janeiro, 30 de março de 2026.

Rita Cortez
Presidente nacional do IAB

Leandro Mello Frota
Presidente da Comissão de Direito Ambiental do IAB

Marina Motta Benevides Gadelha
Consultora da Comissão de Direito Ambiental do IAB

O Estado do Rio de Janeiro vive uma situação inusitada: o governador Cláudo Castro renunciou e tornou-se inelegível, o vice-governador Thiago Pampolha renunciou para assumir uma cadeira como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. O seguinte na linha sucessória seria o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro - ALERJ, Rodrigo Bacellar, que teve o seu mandato cassado pela justiça eleitoral e está preso. Diante do vácuo de poder, o desembargador Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) assumiu como governador interino até que o problema se equacione.

Como mostramos acima, o Parágrafo Único, do Art. 1° do Decreto 50.236 dá uma certa garantia, mas como bem alerta a nota do IAB, caso haja a intensão de "transferir a decisão de flexibilização de um órgão técnico (Inea) para uma arena política (Alerj) o decreto abre caminho para que interesses econômicos de curto prazo se sobreponham a critérios científicos de conservação" estaremos em grave situação.

O fato é que o assunto é relevante, o potencial de risco é elevado e, no mínimo, falta transparência sobre a motivação para a revogação das regras vigentes nas APAs e sobre os desdobramentos da medida.

Portanto, é mais do que justificada a apreensão sobre o destino das APAs e a revisão dos seus planos de manejo, justamente diante de tal situação de incerteza. Que a sociedade siga vigilante e cobrando transparência quanto aos próximos passos para a revisão dos Planos de Manejo e, que estes venham para o fortalecimento do instrumento das APAs e não para a flexibilização a ponto de comprometer a gestão sustentável e colocar em risco o patrimônio natural que protegem.

Axel Grael
Engenheiro florestal
Ex-presidente do Instituto Estadual de Florestas - IEF-RJ (1991-19994) e ex-presidente da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente - FEEMA (1999-2000 e 2007 e 2008)


quinta-feira, 12 de março de 2026

PLANAVEG: MMA e BNDES anunciam aporte de R$ 69,5 milhões para restaurar áreas protegidas em seis estados da Amazônia

Anúncio foi feito durante o workshop na CNI, em Brasília. - Foto: Augusto Coelho/CNI

Quarto ciclo da iniciativa seleciona 11 propostas para restaurar áreas prioritárias da Amazônia Legal; projetos apoiados vão recuperar 2.877 hectares em Unidades de Conservação e fortalecer cadeias produtivas da restauração florestal

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciaram, nesta quarta-feira (11), em Brasília (DF), o resultado do 4º ciclo de editais da iniciativa Restaura Amazônia, que selecionou 11 projetos voltados à restauração ecológica e ao fortalecimento da cadeia produtiva da recuperação florestal na Amazônia Legal.

A iniciativa integra a estratégia do Governo do Brasil para ampliar a escala da restauração no país e fortalecer a implementação do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), que estabelece a meta de restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030.

Ao todo, foram selecionados 11 projetos que somam R$ 69,5 milhões destinados à restauração ecológica e ao fortalecimento da cadeia produtiva da recuperação florestal, com previsão de restaurar 2.877 hectares em Unidades de Conservação prioritárias da Amazônia Legal. As ações serão implementadas nos estados do Acre, Rondônia, Tocantins, Mato Grosso, Pará e Maranhão. O edital contou ainda com recursos adicionais da Petrobras.

A Petrobras vem apoiando iniciativas como o Restaura Amazônia, programa que estimula a utilização de soluções baseadas na natureza. São soluções que promovem a conservação da biodiversidade ao mesmo tempo que impulsionam transformações sociais positivas nas comunidades envolvidas, com geração de renda e oportunidades de mitigação das mudanças do clima, adaptação e aumento da resiliência climática. Ao lado de ações como a descarbonização da produção e o desenvolvimento de novas fontes de energia, esses investimentos socioambientais fazem parte da estratégia da Petrobras no processo de transição energética justa, em linha com os desafios globais de sustentabilidade.

O anúncio foi feito durante o workshop Restauração em Escala – Integração Federativa para a Recuperação da Vegetação Nativa, realizado no auditório da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília. O evento reuniu representantes do Governo do Brasil, do setor produtivo e de organizações da sociedade civil para debater estratégias de ampliação da restauração florestal no país.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou a importância de mecanismos como o Fundo Amazônia para a criação de um novo ciclo de prosperidade baseado em uma dinâmica econômica que preserve a floresta.

“Meio ambiente e desenvolvimento fazem parte da mesma equação. Quando temos políticas públicas bem desenhadas e com continuidade, conseguimos resultados como transformar o antigo arco do desmatamento no arco da restauração. Municípios que param de desmatar precisam de meios para restaurar e manter suas florestas em pé, gerando emprego e renda. Mas nada disso é possível sem combater o ilegal, porque tudo que queremos é que o desenvolvimento sustentável aconteça em todas as suas dimensões: econômica, social, ambiental, cultural, política, ética e estética. Um mundo mais preservado é também um mundo mais bonito", afirmou.

Na avaliação do secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, a restauração florestal, alvo da iniciativa do Fundo Amazônia, se tornou um compromisso estratégico do país no cenário internacional e uma agenda transversal dentro do Governo do Brasil.

“O Brasil assumiu, no âmbito do Acordo de Paris e da sua primeira Contribuição Nacionalmente Determinada, o compromisso de restaurar 12 milhões de hectares até 2030. Essa agenda deixou de ser apenas uma política ambiental e passou a perpassar diversos programas de governo, e estamos avançando muito rapidamente. Temos enorme potencial de regeneração por sermos um país tropical, com elementos vitais para acelerar a restauração. Já contamos com cerca de 3,4 milhões de hectares em processo de restauração, principalmente natural, que precisamos apoiar e garantir que continuem seu processo de recuperação”, disse.

A secretária de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA, Rita Mesquita, destacou que as iniciativas de restauração florestal precisam estar conectadas a objetivos de longo prazo e à construção de cadeias produtivas sustentáveis. Segundo ela, os projetos apoiados pelo governo, como os editais voltados à restauração em Unidades de Conservação e em terras indígenas, buscam não apenas recuperar áreas degradadas, mas também preparar as florestas que serão manejadas no futuro.

“As escolhas que fazemos agora terão repercussão em diversas cadeias produtivas. A restauração não é um fim em si mesma; ela é uma etapa, um meio para impulsionar outras cadeias e fortalecer a conservação em territórios como Unidades de Conservação e terras indígenas", reforçou.

“O Brasil tem uma oportunidade histórica de liderar o mercado global de restauração florestal. Ao apoiar iniciativas como o Restaura Amazônia, o governo do Brasil, por meio do BNDES, contribui para transformar áreas degradadas em novas florestas produtivas, gerando renda, empregos e soluções climáticas baseadas na natureza”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

O quarto ciclo de editais teve como foco Unidades de Conservação prioritárias e contou com três chamadas públicas organizadas pelo IBAM, pela FBDS e pela CI-Brasil em três macrorregiões da Amazônia Legal.

Foram selecionadas iniciativas apresentadas por organizações da sociedade civil, institutos de pesquisa e cooperativas. Os projetos atuarão em áreas estratégicas da Amazônia Legal, incluindo a Reserva Extrativista Chico Mendes (AC), o Parque Nacional Campos Amazônicos e as Florestas Nacionais do Jamari e do Jacundá (RO), a APA Ilha do Bananal/Cantão (TO), a APA Cabeceiras do Rio Cuiabá e a Estação Ecológica do Rio Roosevelt (MT), além da Reserva Biológica do Gurupi, da Reserva Extrativista do Ciriaco e da Terra Indígena Awá (MA), bem como da Reserva Extrativista do Rio Iriri (PA).

Esses territórios são considerados prioritários tanto para a restauração da vegetação nativa quanto para o fortalecimento de cadeias produtivas da bioeconomia associadas à recuperação florestal na Amazônia.

A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, destacou que a iniciativa articula conservação ambiental e desenvolvimento econômico local. “A restauração da vegetação nativa também significa geração de renda, fortalecimento de cadeias produtivas e oportunidades para comunidades que vivem na floresta. O Restaura Amazônia apoia projetos que unem recuperação ambiental e inclusão produtiva”, afirmou.

Restaura Amazônia

O Restaura Amazônia dialoga com o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), principal instrumento da Política Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Proveg), que estabelece a meta de recuperar 12 milhões de hectares de florestas em todo o país até 2030.

O programa integra a estratégia do Arco da Restauração, iniciativa do Governo do Brasil voltada à recuperação de áreas degradadas na região conhecida como Arco do Desmatamento. O projeto prevê aporte total de R$ 1 bilhão, sendo R$ 450 milhões não reembolsáveis do Fundo Amazônia destinados ao Restaura Amazônia.

A iniciativa é financiada com recursos do Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES, e conta com a parceria do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, responsável pela coordenação do Fundo.

Criado em 2023, o programa apoia projetos de restauração ecológica e produtiva com espécies nativas na Amazônia Legal, especialmente no chamado Arco do Desmatamento, buscando promover sua transformação no chamado Arco da Restauração.

Com o anúncio do quarto ciclo, o Restaura Amazônia consolida um conjunto de 12 chamadas públicas voltadas a diferentes territórios prioritários da região.

Os três primeiros ciclos contemplaram projetos em Unidades de Conservação, assentamentos da reforma agrária e terras indígenas, fortalecendo estratégias de restauração florestal com participação de comunidades locais e organizações socioambientais.

Nesta etapa, o programa passa a alcançar 17 Unidades de Conservação, 77 assentamentos e 35 Terras Indígenas, por meio do apoio a 58 projetos de restauração ecológica e produtiva no Arco do Desmatamento. Ao todo, quase 15 mil hectares serão recuperados pela iniciativa.

As chamadas integram uma estratégia mais ampla de mobilização de investimentos para restaurar áreas degradadas na Amazônia e desenvolver uma cadeia produtiva estruturada para a recuperação da vegetação nativa.

Fonte: MMA


domingo, 1 de fevereiro de 2026

Brasil apresenta para Unesco candidatura do Parque Nacional Marinho de Abrolhos, na Bahia, à Lista do Patrimônio Mundial Natural

 

Criado em 1983, Abrolhos foi o primeiro parque nacional marinho do país e faz parte do maior complexo recifal do Atlântico Sul. - Foto: Arquivo/Enrico Marcavaldi

A partir da entrega, dossiê entra no processo formal de análise da Convenção do Patrimônio Mundial, com avaliação técnica dos órgãos consultivos da Unesco e decisão prevista para julho de 2027

O Governo do Brasil entregou, nesta quarta-feira (29/1), à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) o dossiê de candidatura do Parque Nacional Marinho de Abrolhos, na Bahia, à Lista do Patrimônio Mundial Natural. O título é dado a lugares cuja relevância natural ou cultural, segundo a Unesco, ultrapassa fronteiras nacionais e tem importância para toda a humanidade.

Criado em 1983, Abrolhos é o primeiro parque nacional marinho do Brasil e integra o maior complexo recifal do Atlântico Sul. A candidatura baseia-se na representatividade do ecossistema, nas formações recifais características da região, na biodiversidade associada e na função da área como local de reprodução e de cuidado parental da baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) durante o período reprodutivo da espécie.

O documento de candidatura foi elaborado de forma coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão responsável pela gestão da unidade, e Ministério das Relações Exteriores (MRE), com apoio do WWF-Brasil e do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), no âmbito do Projeto Áreas Marinhas e Costeiras Protegidas (GEF Mar).

Segundo a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, o processo reforça a estratégia de fortalecimento da gestão das unidades de conservação marinhas e de ampliação da presença de ecossistemas brasileiros na Lista do Patrimônio Mundial.

“Esse reconhecimento fortalece a governança ambiental, valoriza a ciência e contribui para que os ecossistemas marinhos brasileiros tenham o destaque compatível com sua relevância global”, disse a ministra.

Referência global para a conservação marinha, o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos desempenha papel estratégico na proteção de espécies migratórias, sobretudo da baleia-jubarte, que utiliza a região como área de reprodução e cuidado dos filhotes.

Para o secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, e presidente da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS, na sigla em inglês), a candidatura do sítio reforça a convergência entre a agenda de biodiversidade brasileira e os compromissos assumidos no âmbito da convenção a ser presidida e sediada pelo país em março de 2026.

"Abrolhos simboliza de forma concreta o que a Convenção sobre Espécies Migratórias busca proteger: ecossistemas essenciais para o ciclo de vida de animais que circulam pelo Planeta, ultrapassando fronteiras nacionais. A baleia-jubarte depende de áreas como Abrolhos para se reproduzir e garantir a perpetuação da espécie. Ao avançar com a candidatura do Parque como Patrimônio Mundial Natural, o Brasil reafirma seus compromissos com a proteção dessa área de grande importância ambiental e com a cooperação internacional, conservando regiões vitais para proteção das espécies migratórias”, afirmou.

A entrega do documento contou com a participação do secretário de Meio Ambiente do Estado da Bahia, Eduardo Sodré, e de representantes do Itamaraty, em articulação com entes federais e estaduais envolvidos no processo.

Com a submissão, a candidatura passa agora pelas etapas de admissão e avaliação técnica pelos órgãos consultivos da Convenção do Patrimônio Mundial, conforme as Diretrizes Operacionais da Unesco. A previsão é que a análise final pelo Comitê do Patrimônio Mundial ocorra em julho de 2027.

A candidatura de Abrolhos é a terceira apresentada pelo Governo do Brasil desde 2023, após as inscrições do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses e do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, encerrando um período superior a duas décadas sem novas candidaturas de sítios naturais pelo Brasil.

Fonte: MMA



quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

LANÇAREI A MINHA PRÉ-CANDIDATURA A DEPUTADO FEDERAL NA SEGUNDA FEIRA, 02 DE FEVEREIRO


Prezados amigos, companheiros trabalhistas, ambientalistas, colegas de trajetória, eleitores do RJ e leitores do Blog do Axel Grael.

Na segunda-feira, dia 02/02, às 18:30, faremos o anúncio oficial da minha pré-candidatura a deputado federal em atividade na sede do PDT de Niterói, com as presenças do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, e do prefeito Rodrigo Neves, além de outras lideranças importantes.

Minha candidatura busca apresentar uma opção de representação política alinhada aos princípios inafastáveis da: 

  • Democracia, 
  • Justiça social, 
  • Soberania e interesses nacionais
  • Paz e cultura da paz
  • Responsabilidade planetária, do avanço no caminho para a sustentabilidade e resiliência climática
Para a instrumentalização destes grandes princípios, defendemos a primeira versão de uma lista preliminar de ações para o mandato de deputado federal: 

RIO DE JANEIRO

Atuar para viabilizar as seguintes necessidades do RJ:
  • LINHA TRÊS DO METRO: obter recursos federais para a Linha 3 do Metro, ligando a Estação da Carioca (Rio), Niterói, São Gonçalo e Itaboraí.
  • HIDROVIÁRIO: apoiar o planejamento da implantação de novas linhas de transporte hidroviário.
  • SEGURANÇA: modernizar tecnologicamente as polícias do RJ, apoiar a estruturação das Guardas Municipais, estabelecer protocolos de planejamento e execução de operações policiais, reduzindo a letalidade da ação da polícia
  • RMRJ: fortalecer a Gestão Metropolitana no Rio de Janeiro, dando mais eficácia e transparência ao Instituto Rio Metrópole, despartidarizando a sua atuação
  • CLIMA: avançar na política climática estadual, muito defasada com relação a outros estados.
  • TRANSIÇÃO ENERGÉTICA: preparar a economia do Rio de Janeiro para o futuro de baixo carbono que se aproxima.
  • MERCADO DE TRABALHO: numa economia em transição, o Rio de Janeiro precisa preparar a força de trabalho para os novos cenários que se aproximam
  • REGULAÇÃO: repensar a regulação dos serviços públicos concedidos e promover um modelo eficiente e viável para os municípios.
  • ÁGUA: proteger mananciais, avaliar e garantir a segurança hídrica do RJ
BRASIL

- Meio Ambiente e Clima

As maiores prioridades são enfrentar as forças que promovem os retrocessos na legislação ambiental, recompor a política ambiental do país e garantir a continuidade dos avanços recentes na políticas climática, após anos de ação negacionista. De forma mais específica, faremos: 
  • BIOMAS: a defesa da Amazônia, da Mata Atlântica e dos demais biomas brasileiros.
    • avançar na implementação dos Sistemas de Pagamento por Serviços Ambientais
  • RESTAURAÇÃO: cumprir as metas do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa - PLANAVEG., do Ministério do Meio Ambiente - MMA
  • REVERTER RETROCESSOS: a reconstrução da legislação ambiental brasileira
  • EMERGÊNCIA CLIMÁTICA: avançar na consolidação da política climática, dando meios ao cumprimento da Contribuição Nacionalmente Determinada - NDC brasileira, do Plano Clima. Também priorizaremos a criação e regulamentação da legislação ambiental para estabelecer referências para as políticas de adaptação e mitigação climática, além de fortalecimento do federalismo climático.
    • Promover o desenvolvimento de Planos de Ação Climática em todas as cidades do país com população acima de 100 mil habitantes até 2030
    • Fortalecer os planos nacionais de contingência climática
    • Regulamentar a adaptação das cidades costeiras à elevação do nível do mar.
  • DEFESA CIVIL: Fortalecimento das defesas civis em todos os níveis, estimulando a cooperação entre estados e municípios em situação de emergência climática
  • CONTROLE DA POLUIÇÃO: avanços para padrões de emissões atmosféricas e efluentes baseados em padrões de carga poluente e não apenas em diluição: a métrica da maioria dos nossos padrões são em mg/l, ou semelhantes, portanto critério de diluição. 
    • Avançar no princípio poluidor pagador.
  • AGROTÓXICOS: avançar na legislação de agrotóxicos
  • RESÍDUOS SÓLIDOS (LIXO): avançar na Política Nacional de Resíduos Sólidos, com ênfase para a reciclagem, e atenção para o lixo marinho. Controlar a política de produção de embalagens e outros produtos plásticos
  • RESÍDUOS PERIGOSOS: buscar uma referência legal mais rígida e eficaz para a destinação de resíduos perigosos e contaminação de solos
  • ÁGUA: avançar na legislação sobre escassez hídrica
- Cidades Sustentáveis
  • FINANCIAMENTO: fortalecer as medidas do Novo PAC e outros canais de financiamento da transição das cidades brasileiras para a sustentabilidade.
  • TRANSPORTE SUSTENTÁVEL: o transporte é a principal fonte de emissões de poluentes atmosféricos e a transição. 
    • Fortalecer o transporte coletivo em detrimento do individual, 
    • Promover a descarbonização da frota de veículos, principalmente no transporte público
    • Apoiar a implantação de transporte público de alta eficiência, como metro, BRT, VLT e outros modais.
  • BICICLETA: apoiar e promover as opções de transporte ativo, como a bicicleta e a caminhabilidade das cidades
  • VERDE URBANO: promover a proteção efetiva pela criação de unidades de conservação das áreas de florestas e outros ecossistemas naturais nas áreas urbanas e seus entornos, promovendo a integração destas áreas de forma sustentável ao cotidiano da população.
  • SOLUÇÕES BASEADAS NA NATUREZA: adoção de SBN a exemplo do que foi adotado pela cidade de Niterói no Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis - POP.
  • REFORMA URBANA SUSTENTÁVEL: promover o planejamento da adaptação urbana às emergências climáticas, seguindo o exemplos como: 
    • Paris: das ações de enfrentamento das ondas de calor e redução do trânsito de veículos nas regiões centrais
    • Copenhague: implantação de sistemas de drenagem sustentável para o controle de inundações
    • Londres: soluções para o fortalecimento do transporte coletivo, controle do trânsito em áreas críticas de engarrafamento
- Transição energética
  • METAS: estabelecer metas legais de transição para uma economia de baixo carbono e garantias de cumprimento
  • ENERGIAS LIMPAS: fortalecer o parque energético eólico, solar, de bioenergia e outras fontes 

- Cidadania
  • PARTICIPAÇÃO: a regulamentação dos instrumentos de cidadania e participação popular: audiências públicas e acesso à informação
  • MOEDA SOCIAL: regulamentar a criação e operação de moedas sociais locais de forma a estimular a adoção dessa política de transferência de renda, utilizando a experiência da Niterói, com a Moeda Social Arariboia
  • ONGs: Fortalecimento das iniciativas da sociedade civil
    • Criação de um sistema de incentivo fiscal para iniciativas ambientais
  • POUPANÇA ESCOLA: promover a experiência de Niterói em outras cidades
- LEGISLAÇÃO TRABALHISTA

Estamos atentos aos vários projetos de lei de interesse da agenda trabalhista que estão em tramitação no Congresso e, desde já, podemos afirmar que:
  • Somos a favor do fim da escala 6x1

Estas sempre foram as minhas causas ao longo de uma longa trajetória de atuação cidadã, de militância ambientalista, social, política e na política partidária. Estas causas também foram o foco principal da minha dedicação profissional, como engenheiro florestal, como servidor público de carreira e empreendedor social. Me sinto privilegiado de poder conciliar convicção, ideologia, militância e profissão.

Trajetória

Ao longo desta trajetória há uma longa caminhada: comecei a estudar engenharia florestal em 1977 (pouca gente conhecia essa profissão), fui militante ambientalista (fundei o Movimento de Resistência Ecológica - MORE, em 1980 - pouca gente falava de meio ambiente na época), fui consultor ambiental (trabalhei em todos os biomas do país, inclusive na Terra Indígena Nhamundá-Mapuera), fui empresário (dono da Grael Ambiental) e fui empreendedor social (presidente do Instituto Rumo Náutico - Projeto Grael - organização fundada com meus irmãos Torben e Lars Grael).  

Na carreira pública, levo um privilégio que carrego com orgulho no meu currículo: ter trabalhado com Leonel Brizola e Darcy Ribeiro, no Segundo Governo Brizola, como presidente do Instituto Estadual de Florestas - IEF-RJ (1991-1994). Na ocasião, criamos o Parque Estadual da Serra da Tiririca - PESET (entre Niterói e Maricá), a Reserva Ecológica da Juatinga (Parati), a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Com Darcy Ribeiro, desenvolvi o Projeto Floresta da Pedra Branca, com a implantação de infraestrutura e recuperação ambiental do Parque Estadual da Pedra Branca. Também naquele período, ao lado de Brizola, participei da Rio-92 (momento histórico da luta pela sustentabilidade) e demos início ao Programa de Despoluição da Baía de Guanabara - PDBG.

Depois, fui presidente da FEEMA (1999-2000 e 2007-2008), antigo órgão ambiental do estado, hoje substituído pelo INEA, e fui subsecretário de Meio Ambiente do RJ (2000-2001). Como engenheiro florestal concursado da Prefeitura do Rio, dentre outras responsabilidades destacadas, fui o coordenador geral do Programa de Recuperação Ambiental da Macrobacia de Jacarepaguá. 

Em 2013, fui eleito vice-prefeito de Niterói com Rodrigo Neves como prefeito. Em 2021, fui eleito prefeito, no primeiro turno, com 62% dos votos dos niteroienses. Nesse ciclo de gestão na cidade (2013 até o presente), reduzimos os índices de violência de Niterói a índices históricos, tornamos Niterói uma referência nacional e internacional de sustentabilidade e resiliência urbana. Como exemplo, temos o programa Niterói de Bicicleta, que implantou mais de 80 km de ciclovias e produziu as três ciclovias mais movimentadas do país. 

Como prefeito (2021-2024), criei a primeira secretaria municipal do clima do Brasil e Niterói tornou-se uma referência nacional. Inaugurei o Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis (POP), criei o Parque do Morro do Morcego, Parque Águas Escondidas, Parque do Baldeador (primeiro da Zona Norte) e o novo Parque Natural Municipal de Pendotiba. Na retomada da economia no período pós-COVID, criei a Moeda Social Arariboia (maior programa do país), criamos o maior programa de regularização fundiária, com a meta de 10.000 lotes regularizados a serem entregues. Fizemos o maior investimento em infraestrutura da história de Niterói, que incluiu o maior investimento em contenção de encostas e drenagem, em infraestrutura nas comunidades e na proteção do patrimônio histórico e cultural, com a entrega da restauração do Mercado Municipal, da reforma de toda a infraestrutura, a abertura à visitação da Ilha da Boa Viagem, a entrega do Solar Nôtre Reve (Casa de Norival de Freitas) e o inicio das obras do Cinema Icaraí, da Estação Cantareira e do Centro Cultural Cauby Peixoto. Também iniciamos a reforma urbana do Centro de Niterói, que inclui a Arena Poliesportiva, que deixamos com as obras avançadas. 

Para atender as necessidades da juventude, desenvolvemos iniciativas emblemáticas, como o Projeto Aprendiz, que elevamos de 2.000 participantes a mais de 10 mil, dando ao programa uma infraestrutura e projeção que não existia antes. Na área esportiva, que atende principalmente a juventude, criamos o programa Niterói Esporte nas Comunidades - NEC, que junto com o Parque Esportivo e Social do Caramujo - PESC, o Parque Esportivo do Viradouro, o parque esportivo da Concha Acústica e o Complexo de Atletismo Aida dos Santos - que reformamos em parceria com a UFF, oferecemos mais de 10 mil vagas para programas esportivos na cidade. O programa Niterói Joga em Rede, leva a prática esportiva à rede escolar da cidade.

Com o Niterói Jovem Ecosocial, programa inovador que já beneficiou mais de 2 mil jovens, combinamos atividades práticas de sustentabilidade, com formação profissionalizante e inclusão no mercado de trabalho.

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O parlamento brasileiro, já teve nomes de grande destaque do ambientalismo brasileiro, como Alfredo Sirkis, Fernando Gabeira, Marina Silva, Fábio Feldman e no passado mais longínquo, nomes como José Bonifácio de Andrada e Silva, Augusto de Lima e tantos outros. Mas, embora expressivos em qualidade, sempre foram poucos, mas ajudaram a construir uma legislação ambiental sólida e avançada. Em alguns aspectos, dentre as melhores do mundo. 

Nas últimas legislaturas, vimos o crescimento assustador de uma visão retrograda e irresponsável que desmontou a legislação ambiental brasileira. É preciso fazer esse debate no Congresso e recompor os danos causados à sustentabilidade do país. 

Vemos o Brasil também precisando avançar na legislação e políticas públicas de transição energética, resiliência climática, justiça climática, controle de agrotóxico, proteção aos biomas, à biodiversidade e ao nosso patrimônio genético, fortalecimento das nossas áreas protegidas e a máxima prioridade à politica de respeito à nossa diversidade cultural, com ênfase aos povos indígenas, quilombolas, caiçaras e outros igualmente importantes.

Como deputado federal, queremos defender a educação pública em todos os níveis - inclusive a universidade pública,  gratuita, com financiamento adequado e socialmente inclusiva, a organização da sociedade civil, a participação social nas politicas públicas e o esporte, assim como a cultura, como meio de motivação e inclusão social.

Também defenderemos no Congresso o princípio do federalismo, fortalecendo cada vez mais o protagonismo das cidades nas politicas publicas nacionais, com ênfase para as políticas sociais, ambientais e climáticas. 

Diferente da conotação equivocada que havia há alguns anos, hoje, compreende-se que o tema da sustentabilidade não é apartada do cotidiano do cidadão, muito menos é antagonista ao desenvolvimento social e econômico. Falar em sustentabilidade é falar em segurança alimentar, em disponibilidade hídrica, em qualidade de vida, em geração de empregos, em conforto térmico e, portanto, em enfrentamento às mudanças climáticas, que afeta a todos, mas principalmente aos mais desfavorecidos de infraestrutura e de atenção governamental.

É para defender estas causas que nos colocamos como pré-candidato a deputado federal, visando fortalecer o PDT e oferecendo a nossa experiência e energia para a defesa do povo do estado do Rio de Janeiro e do Brasil no Congresso Nacional a partir de janeiro de 2027.

Axel Grael


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