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terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Dia de integração e compartilhamento com vereadores da Câmara Municipal de Niterói


Nesta terça-feira, dia 23 de fevereiro, acompanhado pelo vice-prefeito Paulo Bagueira, tive dois eventos importantes com os vereadores da cidade de Niterói.


Reunião com a Base Parlamentar do Governo na Câmara.


De manhã, recebi os vereadores da Base Parlamentar do Governo na Câmara Municipal, ocasião que apresentamos projetos, os desafios da gestão e as principais medidas gerenciais para garantir o equilíbrio fiscal da Prefeitura.

Nosso objetivo é manter uma rotina de encontros com os vereadores da nossa Base Parlamentar para compartilhar informações e colher propostas, críticas e sugestões sobre as políticas públicas para o desenvolvimento econômico, social da cidade de Niterói, para promovê-la como referência de sustentabilidade urbana e justiça social.


Pronunciamento na Câmara Municipal de Niterói na cerimônia de Abertura do Ano Legislativo.

Plenário da Câmara Municipal de Niterói

Prefeito Axel Grael com o vice-prefeito de Niterói, Paulo Bagueira

Abertura da cerimônia de Abertura do Ano Legislativo, com o presidente da Câmara, vereador Cal, com o vice-prefeito Paulo Bagueira e o vereador Binho Guimarães.

Posando com o vice-prefeito e os vereadores de Niterói.


No segundo evento, na tarde de hoje, participei a convite da Câmara Municipal de Niterói da Cerimônia de Abertura do Ano Legislativo, evento tradicional do calendário político oficial da cidade. Da mesma forma, apresentei aos vereadores e aos demais presentes os planos e ações como prefeito de Niterói para cumprir os compromissos assumidos durante a campanha eleitoral e os esforços para superar os grandes desafios atuais, principalmente a superação da pandemia da COVID-19, a retomada da economia e a continuidade dos investimentos que têm resultado na melhoria da infraestrutura e da qualidade de vida em Niterói.

"Precisamos honrar a confiança dos niteroienses e cumprir nosso papel na defesa dos instrumentos constitucionais, conceitos éticos e valores morais imprescindíveis para o desenvolvimento de uma sociedade cada vez mais livre, justa e igualitária".
"Tenho certeza de que Niterói continuará avançando contando com a parceria entre o Executivo e o Legislativo, cada um com sua função institucional, mas ambos trabalhando em torno de um projeto de cidade claro, que já mostra resultados e tem a aprovação dos niteroienses".
"A agenda climática já está recebendo a atenção que merece da administração municipal, considerando a sua complexidade e a escala da sua abordagem, que é iminentemente planetária, embora se desdobre em ações locais. A recente criação da Secretaria Municipal do Clima foi um passo fundamental para que Niterói se destaque no novo cenário, se proteja e influencie os novos tempos".
"Se sairmos desta pandemia da mesma forma como entramos, teremos perdido uma oportunidade histórica".
"Com a união de toda a sociedade e a republicana relação entre os poderes, Niterói vai seguir à frente, cada vez mais orgulhosa, igualitária, inovadora, próspera, integrada, solidária, sustentável, inclusiva, participativa e transparente".

Leia, a seguir, a íntegra do conteúdo do meu pronunciamento no Plenário da Câmara Municipal de Niterói.


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DISCURSO DE ABERTURA DO ANO LEGISLATIVO

Câmara Municipal de Niterói
23 de fevereiro de 2021



Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal, Milton Cal,
Exmo. Sr. Paulo Bagueira, vice-prefeito de Niterói,
Exmos. Srs. Vereadores e Sras. Vereadoras,
Demais autoridades aqui presentes,


Senhoras e senhores,

Faço questão de iniciar este pronunciamento ratificando que sempre nutri profundo respeito por esta Casa e demais instituições que alicerçam a democracia brasileira. É com enorme satisfação e com as melhores expectativas que participo da abertura deste ano legislativo, que se anuncia repleto de desafios diante da conjuntura política, econômica e sanitária instalada em nosso País.

É inegável que vivemos um momento delicado, talvez um dos mais decisivos da República. Precisamos honrar a confiança dos niteroienses e cumprir nosso papel na defesa dos instrumentos constitucionais, conceitos éticos e valores morais imprescindíveis para o desenvolvimento de uma sociedade cada vez mais livre, justa e igualitária.

Durante todo meu mandato, senhores vereadores e senhoras vereadoras, tenham certeza de que as portas da Prefeitura de Niterói estarão abertas a todos que tenham sugestões com foco no benefício de nossa cidade. Minha trajetória sempre foi pautada pelo diálogo. No entanto, se faz necessário aqui ressaltar que não me intimidarei diante de ameaças e injúrias, práticas criminosas que não passam de demonstrações de desequilíbrio emocional daqueles que não têm argumentos para defender suas ideias.

Aqui não há espaço para retrocesso. Nossa cidade tem vocação para o avanço. Mais do que nunca é preciso unir forças para que possamos suplantar os obstáculos colocados, sobretudo, pela pandemia do novo Coronavírus. A diminuição da atividade econômica, a queda da arrecadação e o aumento do desemprego são apenas alguns dos indicadores de que este ano será especialmente desafiador. De acordo com o Banco Mundial, até o fim de 2021, a pandemia pode levar mais 150 milhões de pessoas à pobreza extrema em todo o mundo.

Muito diferentes devido a suas características demográficas, geográficas e históricas, os mais de 5 mil municípios brasileiros terão em comum a missão de detectar suas potencialidades, definir políticas públicas e buscar recursos com objetivo de minimizar os efeitos da pandemia. A luta será por impedir que a Covid19, além de provocar tantas perdas e angústias, acentue as desigualdades sociais.

Em Niterói, a expectativa é de que a retomada tenha contornos menos traumáticos. Nos últimos anos, durante a gestão do prefeito Rodrigo Neves, o município apostou no planejamento estratégico e gestão fiscal responsável para garantir a racionalização dos gastos, transparência e assertividade dos investimentos.

No coração de uma complexa Região Metropolitana, Niterói tem oportunidades e desafios a serem suplantados. No entanto, não restam dúvidas de que todas as iniciativas para manter os cofres públicos, além das obras estruturantes em diferentes setores, dão hoje a Niterói condições de sair à frente.

Entre as iniciativas implementadas está o Fundo de Equalização da Receita, aprovado por esta Casa. A chamada “poupança dos royalties” foi fundamental na luta de Niterói contra a Covid 19. Trata-se de um claro exemplo da importância do entendimento republicano entre os poderes. Foram justamente os recursos do FER que viabilizaram a ampliação da retaguarda de saúde e redução dos impactos da economia, fazendo de Niterói referência na atuação durante a pandemia.

Precisamos manter esta produtiva e respeitosa relação entre o Executivo e o Legislativo. Nos próximos dias, vamos apresentar o Pacto Fiscal, com medidas administrativas que serão implementadas através de decretos e uma gama de mensagens que enviarei a esta Casa para a apreciação dos senhores e das senhoras parlamentares. Mais uma vez, será de extrema importância o foco no desenvolvimento de nossa cidade para a elaboração de leis que aumentarão a capacidade de gestão, controle e eficiência da administração pública municipal.

As medidas já surtem resultados e deixam a cidade em vantagem competitiva em relação a outros municípios fluminenses, inclusive, na atração de investimentos privados. Segundo dados da RAIS/CAGED do Ministério da Economia, de agosto a dezembro, o número de contratações com carteira assinada superou o de demissões.

Apesar de emblemático, o combate à pandemia não foi o único destaque no passado recente de nossa cidade. Nos últimos oito anos, apesar do conturbado contexto nacional e estadual, Niterói viveu um momento histórico de desenvolvimento e de avanços sociais, urbanísticos e sustentáveis, reconhecidos no país e no exterior.

A TransOceânica, com o Túnel Charitas-Cafubá, foi marcante, mas não foi a única a encurtar distâncias. A construção de 26 escolas deixou os niteroienses mais próximos de oportunidades, enquanto a reabertura do Getulinho e a expansão do Programa Médico de Família permitiram que milhares de pessoas tivessem acesso à atenção básica de Saúde. Mais de 100 obras de contenção de encostas e urbanização de comunidades deram segurança e dignidade a milhares de famílias niteroienses.

Foram muitas as conquistas em todas as áreas da administração municipal, incluindo a Segurança Pública, atribuição constitucional do Governo do Estado. Poderia destacar aqui muitos outros casos de sucesso nas políticas públicas nas áreas de Cultura, Esporte, Meio Ambiente, Gestão Fiscal, Transparência...

Nós temos um projeto de cidade, que a população reconheceu de forma incontestável nas urnas, me escolhendo para dar continuidade ao trabalho do prefeito Rodrigo Neves. Durante o processo eleitoral, reunimos sugestões que embasarão o plano "Niterói na Próxima Década". Trata-se de uma atualização do "Plano Estratégico Niterói Que Queremos", lançado em 2013. O documento, em sintonia com valores democráticos e de cidadania, foi elaborado com ampla participação popular, norteou as ações da administração municipal nos últimos anos e servirá como base para os próximos anos.

Não mediremos esforços para manter obras e políticas públicas estruturantes, garantindo a geração de empregos e melhoria na qualidade de vida dos cidadãos. Mais do que nunca, precisamos ter um olhar voltado à população em vulnerabilidade social. A defesa da saúde e da economia devem ser prioridades.

No entanto, o cenário adverso também deve ser encarado como oportunidade para avanços históricos, sobretudo, no que diz respeito à sustentabilidade e combate a desigualdades. Neste cenário, a cultura e o esporte, por exemplo, aparecem como importantes instrumentos de inclusão e promoção da cidadania.

Manteremos a gestão da cidade com um olhar integrador, mas com prioridade para os que mais precisam; com transparência; participação, legalidade, integridade e correção; com planejamento e com base na ciência, na boa técnica e nas melhores práticas.

Neste momento, é fundamental unir esforços em torno da retomada da economia. Entre as ações previstas pela Prefeitura de Niterói está o desenvolvimento de um ecossistema de inovação, em parceria com a Universidade Federal Fluminense. Desenvolveremos o Polo Logístico do Mar e a Dragagem do Canal de São Lourenço, além do Novo Mercado Municipal, Nova Orla e apoio ao Turismo.

Também colocaremos em prática um programa de melhorias habitacionais, com medidas para a geração de emprego e renda nas comunidades, além das obras que levarão mais segurança e dignidade para os niteroienses em maior situação de vulnerabilidade social.

A Zona Norte será foco de um novo ciclo de investimentos, que inclui a implantação da Nova Alameda e do Terminal de Integração do Caramujo. Toda a Região Oceânica será alcançada pelas obras de drenagem e infraestrutura que já beneficiaram mais de 200 ruas. A despoluição do nosso sistema lagunar já começou a sair do papel, com a implantação do Parque Orla Piratininga, projeto premiado que vai solucionar um problema histórico.

Vamos impulsionar a revitalização do Centro, com o incentivo à ocupação habitacional, cujo Projeto de Lei já se encontra nesta Câmara para a apreciação dos parlamentares; com a nova Praça Arariboia, Amaral Peixoto e Rio Branco, além da implantação do Parque Esportivo na Concha Acústica.

Prioridade para os niteroienses, a Segurança Pública se manterá como prioridade para a Prefeitura de Niterói. Levaremos o Niterói Presente para todas as regiões da cidade e ampliaremos ações do Pacto Niterói contra a Violência, que inclui iniciativas de inclusão e prevenção. Fortaleceremos programas como o Niterói Jovem EcoSocial e o Aprendiz – Música na Escola.

Promoveremos a modernização do sistema de saúde, com a implantação do prontuário eletrônico. Vamos expandir o programa Remédio em Casa e alcançar 100% do público alvo do Médico de Família. Alcançaremos a universalização do saneamento básico, imprescindível não apenas para as questões relacionadas ao Meio Ambiente, mas para a saúde e dignidade dos niteroienses.

Na educação, nos comprometemos a ampliar o horário integral. No entanto, neste momento, nossas prioridades são combater a evasão escolar e garantir a retomada das aulas presenciais com segurança para alunos, professores e demais profissionais envolvidos. Estamos investindo na infraestrutura das escolas, permitindo o acesso a ferramentas tecnológicas que hoje se fazem importantes para o ensino. O cenário é um convite a uma ampla reflexão acerca de modelos pedagógicos mais atraentes para nossas crianças, que precisam ser conquistadas pelo conhecimento e incentivadas a explorar suas potencialidades.

A agenda climática já está recebendo a atenção que merece da administração municipal, considerando a sua complexidade e a escala da sua abordagem, que é iminentemente planetária, embora se desdobre em ações locais. A recente criação da Secretaria Municipal do Clima foi um passo fundamental para que Niterói se destaque no novo cenário, se proteja e influencie os novos tempos.

Importante lembrar também que os relatórios do Painel Intergovernamental para a Mudança de Clima - IPCC, criado pela Organização Meteorológica Mundial (da ONU), e outras fontes internacionais, sempre alertam que uma das maiores preocupações com os problemas climáticos devem estar no fato que ela afeta a todos, mas principalmente a população mais pobre, normalmente mais vulnerável, devido à precariedade da infraestrutura e dos serviços na maioria das cidades. Portanto, trata-se também de uma agenda social e de justiça ambiental.

Fortaleceremos Niterói como referência de Cidade Inteligente, com promoção da conectividade em áreas de vulnerabilidade social e uma gama de projetos que coloquem, cada vez mais, o poder público municipal como um agente facilitador para os cidadãos.

Ações intersetoriais farão com que Niterói seja, mais do que nunca, reconhecida como uma Cidade Eficiente, onde os serviços públicos são marcados pela excelência, os gastos públicos são controlados e os investimentos são planejados e assertivos. Já estamos elaborando uma Carta de Serviços, que se traduzirá em importante ferramenta para definirmos prioridades, traçarmos estratégias e implantarmos ações no sentido de otimizar, modernizar e agilizar o que hoje oferecemos aos niteroienses.

Também é preciso ressaltar o potencial de nossa cidade. Niterói tem o 7° melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do País, belezas naturais exuberantes, economia pujante, importante patrimônio histórico e arquitetônico, além de uma população extremamente agregadora, com expressivos índices de escolaridade.

A cidade sedia importantes centros universitários, incluindo a Universidade Federal Fluminense (UFF), que deverão cumprir papel fundamental neste processo de retomada econômica e combate a desigualdades. É um capital humano de valor inestimável a ser utilizado em benefício da nossa cidade, sobretudo neste momento em que a inovação e uso de novas tecnologias se tornam imprescindíveis para o desenvolvimento e a inclusão social.

Em todo o mundo, lideranças procuram gerenciar essa transição, mitigar os danos e potencializar transformações positivas, principalmente no que diz respeito ao meio ambiente. Está longe de ser uma tarefa fácil, mas é possível superar esta que é a maior crise da nossa geração.

Se sairmos desta pandemia da mesma forma como entramos, teremos perdido uma oportunidade histórica.

Não vamos perder tudo que conquistamos. Desejo que a Câmara de Vereadores de Niterói tenha um ano marcado por conquistas. Estamos prontos para mais um ciclo de desenvolvimento, com inovação, sustentabilidade e justiça social. Com a união de toda a sociedade e a republicana relação entre os poderes, Niterói vai seguir à frente, cada vez mais orgulhosa, igualitária, inovadora, próspera, integrada, solidária, sustentável, inclusiva, participativa e transparente.

Tenho certeza de que Niterói continuará avançando contando com a parceria entre o Executivo e o Legislativo, cada um com sua função institucional, mas ambos trabalhando em torno de um projeto de cidade claro, que já mostra resultados e tem a aprovação dos niteroienses.

Bom trabalho aos senhores e senhoras parlamentares. Que tenhamos uma jornada produtiva e promissora rumo à “Niterói que Queremos”!

Axel Grael




sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

TOMEI POSSE COMO PREFEITO DE NITERÓI: Leia o meu pronunciamento no ato de posse na Câmara Municipal

 





Foi com muito orgulho e senso de responsabilidade que tomei posse hoje como prefeito de Niterói, em solenidade na Câmara Municipal de Niterói.

Sinto-me muito motivado para fazer a nossa cidade seguir avançando, com políticas públicas que melhorem cada vez mais a vida do cidadão e aproxime Niterói de um modelo de sustentabilidade urbana com justiça social.

O meu agradecimento ao prefeito Rodrigo Neves, à minha família - em particular à minha esposa Christa Grael, e cada membro da equipe que vem me acompanhando ao longo dos anos, por permitir que eu chegasse até aqui.

Viva Niterói...!!!

Axel Grael


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DISCURSO DE POSSE COMO PREFEITO DE NITERÓI


Câmara Municipal de Niterói
01 de janeiro de 2021

Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal Milton Cal
Exmo. Sr. Prefeito de Niterói (2013-2020), Rodrigo Neves Barreto.
Exmo. Sr. Paulo Bagueira, vice prefeito de Niterói
Exmos. Srs. Vereadores
Minha querida esposa, Christa Vogel Grael

Demais autoridades aqui presentes

Quero inicialmente expressar o meu orgulho de ter o privilégio de estar aqui, nesse púlpito, vivendo a emoção de estar diante de cada um de vocês, na Cerimônia de Posse como prefeito da minha amada Cidade de Niterói.

Agradeço este privilégio aos mais de 150 mil eleitores de Niterói que me honraram com a confiança para exercer este papel.

Agradeço ao prefeito Rodrigo Neves, líder do nosso projeto político, e de quem tenho o orgulho de ter sido vice prefeito e feito parte da sua equipe de trabalho nos últimos oito anos, período este que a cidade viveu um momento histórico de desenvolvimento e de avanços sociais, urbanísticos e sustentáveis, reconhecidos no país e no exterior.

Agradeço a cada um da minha equipe, atual e passadas, que me ajudaram a construir um legado pessoal que me permitiu chegar até aqui. Se eu tive sucessos, não os alcancei sozinho, mas sempre de forma coletiva, contando com uma equipe, ... uma tripulação..., que me ajudou a colocar tijolinho sobre tijolinho, construindo uma trajetória já de tantas décadas.

"Se eu tive sucessos, não os alcancei sozinho, mas sempre de forma coletiva, contando com uma equipe, ... uma tripulação..., que me ajudou a colocar tijolinho sobre tijolinho, construindo uma trajetória já de tantas décadas".

Sou descendente de um migrante dinamarquês - o engenheiro Preben Schmidt, meu avô materno, que veio para o Brasil em 1924, para ficar 15 dias. Encantou-se por Niterói e decidiu ficar por aqui, instalando-se em uma casa na Estrada (Leopoldo) Fróes, na época, uma localidade erma, de difícil acesso, fora dos limites da cidade. Quando chegou, Niterói passava por profundas obras de urbanização, lideradas por Feliciano Sodré, que dava continuidade à reforma urbana iniciada por Pereira Ferraz, desenvolvidas na década de 1910, com destaque para o aterro do Saco de São Lourenço e a construção do porto de Niterói, que seria inaugurado em 1927.

Lá na Dinamarca, Preben havia sido campeão europeu de hipismo, mas quando aqui chegou e deslumbrou-se com a nossa Baía de Guanabara e decidiu dedicar-se à vela, sendo um dos fundadores do Rio Yacht Club (Sailing) e iniciando a tradição da família no esporte. Quase um século depois, já são oito medalhas olímpicas conquistadas em nome do Brasil e de Niterói pelos netos Torben, Lars e a bisneta Martine. Oito medalhas olímpicas e um prefeito da cidade que ele tanto amou. 

"Sou descendente de um migrante dinamarquês - o engenheiro Preben Schmidt, meu avô materno, que veio para o Brasil em 1924, para ficar 15 dias. (...) Quase um século depois, já são oito medalhas olímpicas conquistadas em nome do Brasil e de Niterói pelos netos Torben, Lars e a bisneta Martine. Oito medalhas olímpicas e um prefeito da cidade que ele tanto amou".

Com Preben aprendi o amor pela ciência. Lembro das aulas que me oferecia enquanto velejávamos sobre geomorfologia (o estudo do relevo) do nosso entorno na Baía de Guanabara. Me mostrava como cada uma das montanhas, enseadas e praias haviam se formado ao longo de muitos milênios.

Por influência do meu avô, por ser velejador e, também por influência do meu pai, Dickson Grael, comecei a atuar como ambientalista em Niterói, no final da Década de 1970. Em uma época em que pouca gente falava sobre meio ambiente e que o termo “sustentabilidade” nem existia (surgiu 20 anos depois), lutei pelo saneamento de Niterói, contra a poluição da Baía de Guanabara, pela proteção das Lagoas de Piratininga e Itaipu, pela criação do Parque Estadual da Serra da Tiririca e tantas outras lutas...

Tornei-me engenheiro florestal, formado em 1983, trabalhei em várias regiões do país (interior da Amazônia, Cerrado, Caatinga etc.). Dentre estas experiências, destaco a oportunidade de ter trabalhado na Área Indígena Nhamundá-Mapuera, no Pará, aprendendo com várias etnias, principalmente com a cultura Wai-wai, sobre os segredos da vida na floresta. Em 1991, a convite do governador Leonel Brizola, assumi o meu primeiro desafio na administração pública: ser presidente do Instituto Estadual de Florestas. Curiosamente, exatamente 30 anos depois, assumo aqui hoje como prefeito de Niterói: janeiro de 1991 / janeiro de 2021. Depois do IEF, fui presidente da FEEMA por duas vezes, fui subsecretário estadual de Meio Ambiente e tantos outros cargos de direção na administração pública.

Falo com orgulho de cada um destes passos da minha trajetória, mas foi em 2012, que a minha vida teve a mudança mais importante. Foi quando aceitei o convite para me candidatar a vice prefeito na chapa do prefeito Rodrigo Neves. Foi um grande desafio. Enfrentamos uma campanha, que por mais confiantes que estivéssemos, considerava-se que era um desafio de êxito improvável. Mas vencemos. Fomos eleitos e começamos a trabalhar na administração municipal em 2013.

Eu digo para vocês, que eu sempre trabalhei muito, mas com o Rodrigo, nunca trabalhei tanto. Pegamos a Prefeitura endividada e saneamos as contas. Recebi a incumbência de Rodrigo para captar recursos para a cidade e trouxemos mais de R$ 1,2 bilhão, quase o orçamento total do primeiro ano da nossa gestão.

"...eu sempre trabalhei muito, mas com o Rodrigo, nunca trabalhei tanto".


Uma cidade que tinha uma média de investimentos nos anos anteriores a 2013, de cerca de R$ 40 milhões/ano, passou a contar com uma média R$ 160 milhões/ano para investimentos em infraestrutura nos anos da gestão do Rodrigo. Foram mais de 550 obras realizadas em oito anos, fora as pequenas intervenções. Para 2020, a previsão de investimentos era de R$ 500 milhões, mas infelizmente fomos surpreendidos pela pandemia o que nos levou a reduzir o ritmo de obras.

Fizemos obras históricas, esperadas há gerações, como é o caso da TransOceânica, que incluiu o Túnel Charitas-Cafubá, e mudou a mobilidade da cidade e até, pode-se dizer, mudou a geografia da cidade aproximando bairros antes distantes. Além da TransOceânica, foram investidos mais de R$ 350 milhões em obras de pavimentação e drenagem na Região Oceânica desde 2013, perfazendo mais de 150 ruas. Em 2020, foram iniciadas obras da segunda etapa de investimentos em pavimentação e drenagem na Região Oceânica, com mais 200 ruas e investimentos também de cerca de R$ 210 milhões.

Por falar em TransOceânica, na agenda da mobilidade, Niterói investiu também no transporte ativo, implantando através do programa Niterói de Bicicleta, mais de 40 km de ciclovias e agora iniciará a implantação de mais 60 km de novas ciclovias na Região Oceânica. Hoje, a bicicleta está definitivamente incorporada no cotidiano da cidade, com um número de ciclistas que já quadruplicou desde 2015. Também cabe destaque algumas obras viárias que resolveram antigos gargalos do trânsito de Niterói, como a Marques do Paraná e agora a Paulo Alves.

Na agenda da resiliência, Niterói tem provavelmente a maior carteira de investimentos em obras de contenção de encostas no país, com cerca de R$ 500 milhões investidos. A isso, somam-se todos os esforços para a modernização da Defesa Civil de Niterói, que já é considerada uma das melhores do país.

Na agenda ambiental, tão vinculada à minha trajetória pessoal, só posso me orgulhar do que estamos fazendo. Nos últimos anos, levamos a cidade a uma posição de destaque em políticas públicas para a sustentabilidade. Em 2014, criamos o programa Niterói Mais Verde, através do Decreto 11.744, e ampliamos a área protegida para mais da metade do território municipal. Quantas cidades podem ostentar isso, ainda mais num contexto metropolitano? E, diferente do que acontece no nosso país afora, onde infelizmente ainda não temos um olhar empreendedor para os parques, que na maioria das vezes existem apenas no papel, aqui as áreas protegidas estão incluídas nas estratégias de desenvolvimento da cidade, seguindo a experiência de outros países, como dos EUA, onde os parques representam 3% do PIB daquele país. Aqui, por exemplo, estamos implantando o Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis, que conta com as mais avançadas tecnologias sustentáveis, como as chamadas Soluções Baseadas na Natureza, que ajudarão a despoluir a Lagoa de Piratininga. O trabalho aqui realizado ganhou reconhecimento numa publicação da FAO, órgão da ONU, que listou numa publicação as melhores experiências mundiais em gestão de florestas urbanas e Niterói está lá.

Com o programa Niterói Jovem EcoSocial desenvolvemos uma política pública que integra a sustentabilidade à inclusão social de jovens de comunidades. Estes participam de esforços de reflorestamento de encostas, gestão de resíduos e ações de defesa civil nas comunidades. Além de tudo isso, participam de cursos profissionalizantes oferecidos pelo SENAI e financiados pela Prefeitura.

Na agenda do saneamento, estamos entre as melhores cidades do país em coleta e tratamento de esgoto e na gestão de resíduos sólidos urbanos.

Na Educação, construímos 26 novas escolas e aumentamos a oferta de matrículas em mais de 3.000 vagas. Avançamos muito na implantação do tempo integral na escola, que já é praticada na metade das escolas municipais. Avançamos também na valorização dos profissionais de educação, com a implantação do Plano de Cargos e Carreiras. Na Saúde, Niterói deu respostas no momento que a população mais precisou, estruturando o Programa de Renda Básica, o programa de Busca Ativa, o Empresa Cidadã e o Supera Mais. Um conjunto de atividades que permitiu que mais da metade da população da cidade fosse atendida e que as iniciativas alcançassem o reconhecimento internacional, como verifica-se em prêmios, reportagens em alguns dos principais jornais do mundo e referências em trabalhos técnicos.

Na segurança pública, uma das maiores preocupações de quem vive na Região Metropolitana do Rio, Niterói é um exemplo. O prefeito Rodrigo Neves abandonou o discurso tradicional de eximir a responsabilidade municipal e fez a opção por assumir o protagonismo sobre as ações, adotando uma abordagem mais inovadora para o problema. Estruturou o Pacto Niterói Contra a Violência, com um investimento previsto de cerca de R$ 304 milhões, incluindo ações de Prevenção, Policiamento e Justiça, Convivência e Engajamento e Ação Territorial Integrada. Investimos em ações sociais, tecnologia e muito planejamento. Ampliamos o efetivo da Guarda Municipal e criamos o Niterói Presente. Os resultados alcançados na área de segurança são muito expressivos: na letalidade violenta, tivemos uma queda de 31,38% na comparação entre os meses de janeiro a outubro de 2019 e 2020. Ou seja, 124 vidas foram poupadas em Niterói. Outros indicadores, como Roubo de Rua, tivemos uma queda no mesmo período de 51,94%, Roubo de Veículos: redução de 65,67%, etc.

Podemos destacar aqui muitos outros casos de sucesso nas políticas públicas da cidade: na cultura, no esporte, na gestão fiscal, na transparência etc.

O fato é que a gestão do prefeito Rodrigo Neves, oito anos que se encerram agora, foi exercida nesta que pode ter sido a pior década da história da República. Enfrentamos graves crises políticas e econômicas, tanto no país como no estado do Rio de Janeiro. No último ano, acrescentou-se a crise sanitária da COVID-19, o maior desafio da nossa geração. Mesmo com condições tão adversas, a gestão de Rodrigo alcançou 85% de aprovação da população de Niterói: um reconhecimento consagrador.

Bagueira e eu, fomos candidatos e dialogamos com a sociedade de Niterói assumindo o compromisso de dar continuidade ao modelo de gestão e seguir o planejamento estabelecido para a cidade através do Plano “Niterói que Queremos”, que estabeleceu um projeto de cidade com um horizonte para o ano de 2033. Durante a campanha eleitoral, fizemos um longo debate e acrescentamos alguns ajustes de rumo para que a cidade siga em frente em condições de superar novos desafios, como a retomada da economia e do cotidiano das pessoas no período Pós-COVID.

O resultado das urnas, que nos deu 62,56% dos votos, ou 151.846 votos, mostrou que a população quer a continuidade da gestão e do projeto de cidade. Manteremos a gestão da cidade com um olhar integrador mas com prioridade para os que mais precisam; com transparência; participação, com legalidade, integridade e correção; com planejamento e com base na ciência, na boa técnica e nas melhores práticas.

Reafirmo aqui os compromissos que assumimos durante a campanha:

1- Manter o programa de Renda Básica até a chegada da vacina. A prorrogação do programa foi aprovada por este parlamento nos últimos dias e o pagamento dos auxílios será uma das minhas primeiras medidas.

2- Apoio à retomada da economia, com as seguintes atividades: desenvolvimento de um ecossistema de inovação (para isso vamos estreitar ainda mais a nossa relação de parceria com a UFF), desenvolvimento do Polo Logístico do Mar e Dragagem do Canal de São Lourenço, Novo Mercado Municipal, Nova Orla e apoio ao Turismo.

3- Melhorias Habitacionais, com medidas para a geração de oportunidades de emprego e renda nas comunidades

4- Novo Ciclo de Investimentos para a Zona Norte, incluindo a implantação da Nova Alameda e do Terminal de Integração e ampliação de ciclovias e bicicletários.

5- Conclusão das obras de Drenagem e Infraestrutura da Região Oceânica

6- Revitalização do Centro, com o incentivo à ocupação habitacional, com a nova Praça Arariboia, Amaral Peixoto e Rio Branco, além da implantação do Parque Esportivo na Concha Acústica

7- Expansão do Niterói Presente para Todas as Regiões da Cidade

8- Melhoria e modernização do sistema de saúde da cidade, com a implantação do prontuário eletrônico, expansão do programa Remédio em Casa, Alcançar 100% do Médico de Família

9- Fortalecimento de Niterói como referência de Cidade Inteligente e promoção da conectividade em áreas de comunidades

10- Ampliação do horário integral nas escolas municipais

11- Fortalecimento de programas como o EcoSocial, Espaços Nova Geração e o Jovem Aprendiz

12- Despoluição das Lagoas de Piratininga e Itaipu, implantação do Parque Orla de Piratininga e a universalização do saneamento

Além dos compromissos aqui listados, daremos uma especial atenção à superação da COVID-19, a salvar vidas e a proteger a economia e empregos, buscando que a vacinação da população aconteça em Niterói o mais rápido possível. Também já estamos elaborando uma Carta de Serviços que levará à melhoria do atendimento que fazemos em cada um dos órgãos municipais, de forma a melhorar cada vez mais a vida da população de Niterói.

Para encerrar, gostaria de parabenizar cada um dos vereadores reeleitos, os novos vereadores que chegam a essa Casa e desejar a todos um ótimo trabalho. No Executivo Municipal, estaremos abertos e procurando o diálogo permanente com o Legislativo e trabalhando juntos, para o bem da cidade, como aconteceu na gestão do prefeito Rodrigo Neves. Esta integração foi certamente um dos segredos para a boa performance das políticas públicas em Niterói.

Que em 2021 o mundo supere a pandemia, reencontre o caminho da prosperidade e avance na busca de um futuro mais sustentável e de justiça social.

Paz e muita SAÚDE para todos em 2021!!!

Axel Grael

Prefeito de Niterói


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LEIA TAMBÉM:

‘A população pode esperar um prefeito que trabalha muito’: entrevista para A Tribuna, em 19-11-2020





domingo, 27 de dezembro de 2020

‘A população pode esperar um prefeito que trabalha muito’: entrevista para A Tribuna, em 19-11-2020


Reproduzimos aqui no Blog a entrevista que concedi ao jornal A Tribuna e que foi publicada no dia 19 de novembro de 2020, dias após o resultado das eleições do dia 15 de novembro, quando conquistamos o mandato de prefeito de Niterói.

Publico aqui com atraso, mas não gostaria de deixar de fazê-lo, para que fique o registro deste momento importante.

O nosso agradecimento ao jornal pelo destaque que me foi concedido.

Axel Grael



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‘A população pode esperar um prefeito que trabalha muito’




Alan Bittencourt e Camilla Galeano

O prefeito eleito com 62,56% dos votos em Niterói, Axel Grael (PDT), falou com A TRIBUNA sobre suas prioridades ao assumir o comando do município em janeiro de 2021. Ele garante que vai manter o programa Renda Básica até que haja uma vacina contra a Covid-19. Ao assumir o mandato, Axel contará com a maioria dos votos da bancada do governo da Câmara. Na última legislatura, o PDT tinha apenas um vereador, e agora elegeu quatro, a maior representação partidária no Legislativo. Axel também falou sobre a ligação que pretende fazer entre esporte, educação e cultura. Um dos maiores problemas de Niterói, o trânsito, o prefeito eleito pretende resolver com a implantação do VLT que já está em fase de estudos.


Capa de A Tribuna



A Tribuna – O senhor foi eleito com 62,56% dos votos, uma votação bastante expressiva. Sinal de que a população de Niterói deseja a continuidade das políticas públicas atuais. Qual será o primeiro ato do teu governo?

Axel Grael
– Fiquei muito feliz e orgulhoso com os números da eleição. Isso é coerente com o nível de aprovação que o governo do Rodrigo Neves tem, que é acima de 80%. Se as pessoas aprovam esse governo é porque eles reconhecem que o governo fez as entregas que elas esperavam. E vamos continuar avançando com os projetos que fizemos para Niterói. O primeiro ato do meu governo será prorrogar o Renda Básica até que haja uma vacina contra o coronavírus.

AT – O seu partido se coligou com 15 siglas, de diferentes correntes ideológicas. Na Câmara, o senhor terá maioria. Como será a relação com esses partidos? Já há conversas sobre cargos?

Axel Grael
– A conversa sobre cargos ainda não aconteceu, mas não condicionamos esses apoios a cargos. O nosso objetivo é construir uma união em torno da cidade. A gente olha para o país e vê muita confusão na política, muita polarização. Com esse objetivo nós construímos esse conjunto de partidos em torno de um projeto para a cidade. Vamos manter o mesmo clima de diálogo com o parlamento.

AT – O senhor já escolheu algum nome para o primeiro escalão do governo? Qual será o critério para a escolha do secretariado?

Axel Grael
– Ainda estamos definindo isso. Mas vai ser um secretariado com um perfil mais técnico.




AT – A Educação é sempre uma preocupação, principalmente nas camadas mais pobres da sociedade. Hoje ainda há um déficit de vagas em creches. É possível solucionar este problema?

Axel Grael
– É possível e nós avançamos muito nessa agenda. Foram 25 escolas entregues na gestão do Rodrigo Neves, cinco mil vagas de matrículas oferecidas. Nós vamos continuar fazendo escolas em lugares que tem necessidade. Nossa prioridade é a qualidade. Já subimos 40% na nota do IDEB e vamos continuar avançando na qualidade da educação em Niterói.

AT – Em relação à pandemia, como será a questão das aulas presenciais? O senhor é a favor de um retorno imediato?

Axel Grael
– Eu sou a favor de um retorno seguro das aulas. Tem que estar respaldado pelas autoridades sanitárias. Não podemos fazer isso de uma forma irresponsável. Outras cidades que retornaram estão com dificuldade de ter até a confiança das famílias dos alunos. Vamos continuar seguindo as orientações das autoridades de saúde.

AT – Uma educação de qualidade passa pela valorização dos professores e demais profissionais da educação. O que o senhor pretende fazer em relação a estes profissionais?

Axel Grael
– Na gestão do prefeito Rodrigo Neves nós criamos a gestão de cargos e carreiras, que hoje tem um dos maiores reconhecimentos e um dos melhores planos de salário do Estado. Vamos continuar buscando reconhecer e proteger o trabalho dos profissionais e educação. E investir nos recursos didáticos e tecnológicos nas escolas.

AT – A combinação de educação e esporte sempre traz bons resultados. Na tua gestão, essa junção será colocada em prática?

Axel Grael
– Nós vamos trabalhar de uma forma integrada: educação, esporte, cultura e assistência social. Queremos avançar na infraestrutura esportiva nas escolas. Caso não seja possível, por exemplo, a construção de uma quadra na escola, vamos identificar nas proximidades um local onde essas atividades possam ser desenvolvidas. Na cultura, vamos possibilitar o acesso desses alunos aos museus, teatros. Na área da assistência social, nosso objetivo é que a escola seja um local com mais identidade em relação à comunidade.

AT – A atual gestão foi reconhecida internacionalmente pelo combate à pandemia. Teme-se uma possível segunda onda de Covid. Niterói está preparada?

Axel Grael
– Niterói, hoje, tem indicadores muito positivos. Diferente de outras cidades. Temos leitos com baixa ocupação, temos uma capacidade de resposta no atendimento dos pacientes, muito rápida. Outras cidades adotaram o Hospital de Campanha, nós tivemos o Hospital Oceânico, que salvou cerca de 500 vidas. Não temos como adivinhar o futuro, mas hoje, isso não é motivo de preocupação para o município, pois contamos com uma ótima estrutura de atendimento.




AT – Um dos grandes acertos foi o arrendamento do Hospital Oceânico. Quais os planos para este hospital?

Axel Grael
– A prioridade do hospital nesse momento é atender a demanda da Covid. A equipe da Secretaria de Saúde vai avaliar o caso de continuarmos com o Hospital Oceânico. Se você comparar Niterói com outras cidades do mesmo porte, nenhuma outra tem cinco hospitais como nós temos. Para você incluir o Hospital Oceânico na nossa estrutura, precisamos redesenhar a nossa estrutura hospitalar. E é isso que estamos avaliando no momento.

AT – Tanto na Saúde como na Educação, o senhor pretende realizar concursos públicos?

Axel Grael
– Nós fizemos vários concursos no governo do Rodrigo Neves. Fizemos para a área de educação, fizemos para o meio ambiente, que nunca teve. Fizemos concurso também na área da Guarda Municipal, que quase dobrou o efetivo.

AT – A segurança pública foi um dos temas mais discutidos durante a campanha. Como prefeito, como o senhor pretende lidar com esta questão? O Programa Niterói Presente será ampliado?

Axel Grael
– Um dos meus compromissos é a ampliação do Niterói Presente para todas as regiões da cidade. É um programa de sucesso, reconhecido pela população. E isso também está expresso nas estatísticas de segurança da cidade. Os índices de criminalidade caíram muito. Nós vamos continuar investindo na guarda e em tecnologia, como o CISP, que monitora o cotidiano da cidade. Fizemos um investimento no cercamento eletrônico que permite, por exemplo, que um veículo suspeito seja monitorado através das características dele. Não é necessário nem a placa desse veículo. Tudo isso permitiu que melhorasse muito a elucidação dos casos em Niterói. A chance do bandido ser pego dentro da cidade é muito maior.

AT – O senhor falou em investir na Guarda Municipal. Esse investimento inclui armar a Guarda ou o senhor é contra isso?

Axel Grael
– Niterói teve a coragem de fazer um plebiscito e pedir a opinião a população. Eles decidiram por não armar a Guarda. Então isso está superado.

AT – Apesar dos avanços na área, a mobilidade urbana ainda é um problema que atormenta os niteroienses. Há solução para os engarrafamentos?

Axel Grael
– Esse é o problema de todas as cidades grandes. Hoje o nível de dependência dos automóveis é grande e a estrutura da cidade não foi programada pra isso. Nós fizemos alguns investimentos no governo do Rodrigo para desafogar isso. O túnel Charitas-Cafubá, a Transoceânica, toda a estratégia da implantação de ciclovias. Nós concluímos uma obra importante que foi a obra da Marques de Paraná. E agora estamos fazendo a obra da Paulo Alves, no Ingá, que vai ajudar também. Nós fizemos um plano de mobilidade urbana, que identifica os grandes gargalos no trânsito e estabelece estratégias para que possamos encontrar soluções. Eu coordenei os estudos para a implantação do VLT que vai ligar Charitas até o Terminal, no Centro, e depois até o Barreto. Também assumimos o compromisso de uma obra na Alameda para reestruturar o local em termos de urbanização. Vamos enterrar a fiação, tirar os postes, abrir mais espaço para o pedestre. Teremos também um terminal no Caramujo, que vai ser interligado ao Terminal no Centro.

AT – O que a população de Niterói pode esperar do prefeito Axel Grael?

Axel Grael
– A população pode esperar um prefeito que trabalha muito. Nesses oito anos que estive ao lado do Rodrigo (Neves) eu trabalhei muito, me dediquei, viajei para o exterior, vi experiências de outras cidades para implantar aqui. Ao longo da gestão ajudei muito a estruturar todas as ações na área da mobilidade e sustentabilidade. Na questão das políticas públicas eu também ajudei muito. Estou preparado para dar continuidade a esse trabalho, e fazer com que a cidade continue avançando cada vez mais para que Niterói seja a cidade do bem viver. Sabemos que não será fácil, mas temos a experiência e o conhecimento dos principais desafios.

Fonte: A Tribuna





sexta-feira, 19 de junho de 2015

Relembrando o dia que Lars Grael, sob forte emoção e alegria de todos, retornou a Niterói e ao Rio Yacht Club, após o seu acidente.


"NO MEXE E REMEXE DE MEUS MOMENTOS. A VOLTA DE LARS AO CONVÍVIO DOS AMIGOS. REVISTA CARAS DE 23/10/98, EU ESTOU A ESQUERDA DO LARS DE BLUSA PRETA. NESTA ÉPOCA ERA COORDENADOR ADMINISTRATIVO DO PROJETO GRAEL. PAULO PESSOA"


Meu amigo Paulo Pessoa Jr. me enviou hoje um ótimo presente: a matéria da revista Caras, de 23/10/1998, registrou o dia que o meu irmão Lars Grael voltou a Niterói e foi recebido com muita emoção por um numeroso grupo de amigos e fãs no Rio Yacht Club, logo que se recuperou do grave acidente que sofreu a bordo da sua embarcação.

Além do momento de alegria e emoção, a foto que ilustra a matéria, mostra a minha querida mãe Ingrid Grael (parece ser ela) no canto direito da foto e, lá no canto esquerdo, o amigo e velejador Ricardo Silveira. Ambos não estão mais entre nós e deixaram uma grande saudade.

Muito obrigado, Paulo.

Axel Grael









terça-feira, 18 de março de 2014

Seu Bichinho é o guardião do Morro das Andorinhas há 72 anos


Ele é o cara. No quintal de casa: seu Bichinho come uma couve-flor inteira e, nas trilhas, ganha de qualquer um Márcio Alves

Américo de Souza vive desde os 8 anos numa comunidade localizada no meio da Serra da Tiririca, em Niterói


Natasha Mazzacaro

NITERÓI — É provável que seu Bichinho nunca tenha ouvido falar em Jean-Jacques Rousseau, o filósofo francês que bolou a teoria do Bom Selvagem e defendia que o meio urbano corrompe o homem, enquanto a natureza o redime. Mesmo assim, graças a uma sabedoria instintiva — meio nata, meio aprendida —, ele optou por não viver em meio a fios, buzinas e prédios mais altos do que sua lógica poderia explicar. Em vez disso, seu Bichinho vive há 72 anos num casebre escondido no meio da mata, onde acorda todo dia com o canto assanhado dos sabiás que, faceiros, aparecem para roubar as frutas de seu quintal.

Américo Fernandes de Souza, como foi agraciado por sua mãe há exatas oito décadas, é o integrante mais antigo da comunidade tradicional do Morro das Andorinhas. Sua história começa assim: nos idos de 1870, um pescador chamado Leonel Siqueira da Silva estava no meio de uma de suas andanças por Itaipu quando decidiu fincar moradia no alto da montanha, a fim de explorar novos pontos de pesca na região. Teve filhos, que tiveram netos. Um deles, que se dividia entre os peixes e a profissão de barbeiro, foi um dia para Itaipuaçu para cortar os cabelos de uma dona de casa viúva: apaixonou-se e acabou voltando com ela e seus filhos para viver nas Andorinhas. Seu Bichinho tinha, na época, 8 anos de idade.

Isolado no meio da mata, Seu Bichinho se lembra bem daquele tempo. Sua avó postiça era índia e, como a região era desconhecida pela população da cidade, andava com os seios nus, executando os afazeres da casa. Metade dos filhos pescava e a outra parte lavrava a terra. Por lá, plantava-se de tudo, de modo que só era necessário comprar sal, fósforo e querosene. De vez em quando, acompanhava os tropeiros que levavam banana “para Niterói”, que é como ele se refere ao Centro da cidade, mesmo estando o Morro das Andorinhas no mesmo município.

— Tive uma infância de muito trabalho e só estudei até a 2ª série (atual 3º ano fundamental). Até a data de hoje, não sei fazer pipa nem andar de bicicleta. Minha única brincadeira era um piãozinho, que a gente fazia com a raiz da jaqueira. Todo amarelinho, uma beleza — diz ele, sempre sorridente.
No Morro das Andorinhas, Seu Bichinho também formou sua família. Conheceu dona Ida, que era filha de pescadores, e com ela teve oito herdeiros.

— Quem teve as crianças foi Dona Encrenca. Eu só criei — conta, às gargalhadas. — Naquele tempo não tinha luz elétrica nem muita coisa para fazer.

Seu Bichinho se dividiu a vida toda entre a pesca e o plantio e, quando as coisas começavam a apertar, arranjava um biscate como ajudante de pedreiro. Apesar de ter trabalhado muito a vida toda, seu maior ofício mesmo foi o de guardião do Morro das Andorinhas. Antes mesmo de a área ser integrada ao Parque Estadual da Serra da Tiririca, em 1992, ele já tomava conta do seu “quintal”. É ele quem ajuda a manter limpas as trilhas que dão acesso aos mirantes de Itaipu e Itacoatiara. Quando aparece algum foco de incêndio, Seu Bichinho é o primeiro a chegar. Às vezes, ensinando até uma coisa ou outra aos mais experientes:

— Um dia caiu um balão aqui, e o fogo começou a se espalhar. Corri para lá e comecei a separar o mato com a foice. E os bombeiros só tentando abafar o fogo, que chegou no ponto onde eu estava e parou. Aí, o capitão ficou todo espantado, né?

Lição, por sinal, é o que não falta. Toda semana, sobem e descem um sem-número de turistas, rumo ao mirante de Itacoatiara. Com corpo esguio, postura ereta e os músculos ainda rígidos, ele, não raro, passa todo mundo em disparada. A troça geralmente é garantia de risadas entre os visitantes. Um dos seus filhos acrescenta que ele vai até a Praia de Itaipu em 15 minutos, enquanto uma pessoa com preparo físico regular faz o mesmo percurso em, no mínimo, meia hora. Talvez por isso, ele tenha apenas uma dorzinha nas costas. “A cabeça vai muito bem”, obrigado!

Tirando um probleminha ou outro — na maioria das vezes relacionado à água, que só chega quando chove e enche a caixa de reserva —, a vida de Seu Bichinho é boa. Sua casa fica próxima às outras 13 que compõem a comunidade (todas as 39 pessoas que moram lá pertencem à mesma família, a única permitida pelo Parque da Tiririca), acorda às 3h para varrer o terreiro, comemora quando Dona Ida faz couve-flor (“como uma inteira sozinho”) e passa o dia cuidando de uma plantação, que mantém fora da área de preservação. Às 18h, nem experimente procurá-lo: Seu Bichinho é minhoca da terra e dorme com as galinhas. Nos sonhos, ele se imagina visitando o Pão de Açúcar, lugar que nunca conheceu.

— Sabe quantos anos tem essa árvore que eu plantei? Durmo de janela aberta, e a bicharada anda no meu quintal como se fosse cachorro. Só saio daqui depois de morto — diz ele, mais inteligente do que qualquer filósofo graduado.

Fonte: O Globo Niterói







sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Projeto Grael forma a sua 30 turma e faz balanço do ótimo semestre




Hoje é a formatura da 30 Turma do PROJETO GRAEL. Aproveite a chance para conhecer o PROJETO GRAEL.

A formatura coroa um belo ano para o Instituto, que comemorou 15 anos.

Veja, a seguir, um rápido balanço do que aconteceu no Projeto Grael no segundo semestre de 2013:

Governador de Maryland, Martin O'Malley, visitou o Projeto Grael. Veja mais em Governador de Maryland, Martin O'Malley, visita o Projeto Grael 
Velejadores do Projeto Grael vencem o Campeonato Brasileiro da Classe Ranger 22. Saiba mais em Alunos do Projeto Grael vencem o Brasileiro de vela, na classe Ranger 22 

Velejadores do Projeto Grael participam do Campeonato Estadual da Classe Optimist. Foto Fred Hoffmann.Velejadores do Projeto Grael no Campeonato Estadual de Optimist  

Projeto Grael debate o problema do lixo flutuante no MAC. Saiba mais em "Lixo flutuante - de onde vem?". Projeto Grael participa de programação do MAC 

Thiago Sanginetto é destaque na Classe Snipe e ganha reportagem da Folha de Niterói. Saiba mais em Iatista do Projeto Grael é revelação na vela

Annie Costner, filha do ator norte-americano Kevin Costner, visita o Projeto Grael. Saiba mais em Filha de Kevin Costner visita o Projeto Grael 
Angélica grava com Torben e Lars no Projeto Grael para o Programa Estrelas. Saiba mais em Projeto Grael no Programa Estrelas: assista ao vídeo gravado no Projeto Grael com Angelica e o ator Bruno Garcia   

Regata 15 Anos do Projeto Grael. Leia em Regata 15 anos do Projeto Grael: Canoas Havaianas - fotos de Fred Hoffmann e Regata 15 anos do Projeto Grael: Canoas Havaianas - fotos de Fred Hoffmann  , Regata comemorativa de 15 anos do Projeto Grael recebe 25 veleiros ,  Registros da Regata de Aniversário de 15 anos do Projeto Grael , 15 anos do Projeto Grael: uma regata para celebrar uma trajetória de sucesso
Projeto Grael recebe ambientalistas e especialistas para discutir o problema do lixo flutuante. CONFERÊNCIA LIVRE DO LIXO MARINHO NO PROJETO GRAEL. 
Projeto Grael vai às escolas, às comunidades e engaja-se na Despoluição da Enseada de Jurujuba. Saiba mais em ENSEADA LIMPA: mutirão de limpeza na Grota do Surucucu é mais uma ação pela despoluição da enseada de Jurujuba



Outros registros importantes:

Projeto Grael foi objeto de matéria no Bom Dia Brasil, da Globo
A empresa Rei do Mate oferece o primeiro emprego para alunos do Projeto Grael
Alunos do Projeto Grael competem na Lagoa Rodrigo de Freitas
Volta às aulas no Projeto Grael: uma nova tripulação para o II semestre de 2013
Programa Niterói de Bicicleta reuniu cerca de 50 interessados em ciclovias
Programa Niterói de Bicicleta: resultados do encontro de ciclistas
Associação Brasileira do Lixo Marinho realiza conferência na sede do Projeto Grael
REAMAR em Jurujuba: Projeto Grael, SEA e parceiros promovem educação ambiental no sábado



quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Parque da Serra da Tiririca na capa da National Geographic mundial (2009)


Registro...

NG mundial edição de fevereiro.

A espécie de anfíbio Scinax littoreus, que ocorre nas bromélias do Costão de Itacoatiara, entre outras poucas áreas de restingas e costões rochosos entre Macaé e Niterói, o que a torna endêmica desta região, foi fotografada em 2007 pela equipe da National Geographic e publicada na capa da edição mundial de fevereiro (no Brasil a capa foi outra).

A equipe da NG esteve no PESET por dois dias refazendo os caminhos por onde Darwin passou em sua viagem ao mundo. Darwin passou pela Serra da Tiririca em 1832 em direção a Cabo Frio. Segundo relatos foi no Rio de Janeiro que Darwin teve o seu primeiro contato com a imperiosa Mata Atlântica, de modo que provavelmente aqui ele começou a despertar para a teoria da "origem das espécies", nome do livro que o perpetua até os dias de hoje.

Mattias Klun, autor da foto, e seu assistente, no Costão de Itacoatiara.


O INEA irá revitalizar a estrada que corta 2,2Km do parque com a parceria da UFF, que irá elaborar um projeto conceitual (pórticos, placas, mirantes etc.) para a área através de um concurso entre os estudantes de arquitetura.

Diante da concorrência com todos os cenários ambientais percorridos por este fotógrafo (Bornéu, Patagônia, Galápagos...), que possuem belíssima e imperiosa biodiversidade e paisagens, é, sem dúvida, um motivo de comemoração ter uma espécie ocorrente no PESET na capa dessa que é uma revista das mais respeitadas e distribuídas do mundo.

A equipe do PESET acompanhou tudo e constatou que, para tirar uma foto dessas, são necessárias dezenas de fotos e muitas horas para tirá-las, além, é claro, de contar com a sorte de achar a espécie.

Fonte: PESET


domingo, 21 de abril de 2013

Uma surpresa inesquecível na festa de 100 anos da Shell no Brasil


Estive na semana passada com a minha esposa Christa na festa de comemoração dos 100 anos da Shell no Brasil, no Copacabana Palace, Rio de Janeiro.

Os anfitriões prometiam uma surpresa aos convidados. Foi quando surgiu no palco, como mestre de cerimônias, a atriz Fernanda Montenegro. Todos se deliciaram com o privilégio de ter a presença da diva no palco.




Mas, a festa guardava mais uma surpresa. Fernanda Montenegro anunciou uma dupla de ícones da cultura nacional. Nada mais, nada menos, que Caetano e Gil !!!!

Os dois preencheram o palco com toda a majestade. Eram apenas os dois e seus violões, cada um no seu banquinho, deixando fluir o seu repertório e toda o seu carisma, cativando a plateia. E nós, extasiados, curtimos uma hora de um show inesquecível.


Peço desculpas pela qualidade das fotos. Mas, garanto que a qualidade da cena era excelente.

Agradeço à Shell, principal patrocinadora do Projeto Grael, pelo privilégio do convite e parabenizo a todos os seus funcionários e dirigentes pelo centenário no país.


quarta-feira, 20 de março de 2013

Amazonas incentiva arquearia indígena visando Olimpíada de 2016

Talento indígena no esporte olímpico. Quem sabe?

A matéria abaixo refere-se a uma interessante iniciativa no estado do Amazonas, que visa identificar talentos da arquearia indígena que possam se tornar competidores do Tiro com Arco nos Jogos Olímpicos de 2016. A iniciativa mobilizou a Fundação Amazonas Sustentável (FAS) - cujo superintendente geral é o meu amigo e combativo ambientalista Virgílio Viana, além da Federação Amazonense de Tiro com Arco (FATARCO), a Confederação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (COIPAM), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e a Secretaria de Estado da Juventude, Desporto e Lazer do Amazonas (SEJEL).

Entre 1986 e 1990, trabalhei numa empresa chamada Enge-Rio, já extinta, com forte atuação em projetos na Região Amazônica. Na empresa, tive a grande sorte de participar de uma equipe de profissionais que desenvolveu estudos ambientais na Aldeia Wai-Wai e seu entorno, na Área Indígena Nhamundá-Mapuera, Pará.

Permaneci na aldeia, à beira do Rio Mapuera, um afluente do Rio Trombetas, por cerca de um mês, experiência que considero uma das mais marcantes de toda a minha carreira profissional. Convivi e aprendi muito com os Wai-Wai (e outras etnias ali presentes), esses brasileiros que não falavam português, não conheciam a cidade, mas sabiam tudo sobre a floresta: um sonho para qualquer engenheiro florestal como eu.

As fotos abaixo foram registradas naquela ocasião:

Crianças indígenas da Aldeia Wai-Wai, Rio Mapuera (PA), preparadas para exercício de pontaria com arcos e flechas. A brincadeira consistia em acertar um disco cortado do tronco de uma bananeira. Foto Axel Grael.

Umaná, casa comunitária da Aldeia, onde eventos culturais aconteciam. Foto Axel Grael.

Vista para o alto no interior da Umaná. Neste local, bonecos de palha, representando animais eram amarrados. Durante um ritual, no início da temporada de caça, homens ad tribo dançavam e atiravam suas flechas para acertar os animais de palha. Foto Axel Grael.

" Búúúú...!!! "
Meu pequeno e simpático amigo na tribo praticando a sua brincadeira predileta: me dar sustos. Escondeu-se por baixo do tronco e tentou me assustar no momento em que eu passava.  Foto Axel Grael.

Durante o período que estive na aldeia Mapuera, onde desenvolvi mapeamentos florestais, estudos etnobotânicos e apoiei o trabalho de outros membros da equipe (antropólogo, arqueólogo, topógrafo e um representante da Funai), pude acompanhar o cotidiano local e fiquei fascinado com a destreza das crianças e dos adolescentes indígenas no uso do arco e flechas.

Sempre imaginei que se fossem treinados para as regras do tiro com arco esportivo, poderiam ter excelentes resultados. Por isso, louvo a iniciativa do Virgílio Viana e espero encontrar alguns desses atletas da floresta competindo aqui no Rio, em 2016.

Canoagem tradicional

Assim como procura-se valorizar os arqueiros indígenas, algumas boas iniciativas têm surgido com a canoagem. Evaldo Malato, presidente na Federação de Canoagem do Pará, obteve em 2012 o reconhecimento da canoagem tradicional como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado do Pará.

Algumas competições com canoas tradicionais também visam identificar talentos para o esporte da canoagem.

Que venham os atletas da floresta!

Axel Grael

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Saiba mais aqui sobre a Canoagem Tradicional.
Saiba mais sobre a experiência de Axel Grael
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Amazonas incentiva arquearia indígena visando Olimpíada de 2016


Levar o nome do Brasil o mais longe possível na Olimpíada de 2016: o objetivo do país mobilizou a Fundação Amazonas Sustentável (FAS), a Federação Amazonense de Tiro com Arco (FATARCO), em parceria com a Confederação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (COIPAM), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), e a Secretaria de Estado da Juventude, Desporto e Lazer do Amazonas (SEJEL), para uma iniciativa inédita.

O Projeto Arquearia Indígena na Rio 2016 será lançado na próxima quarta-feira, às 8h da manhã, na sede da FAS, por ocasião da inauguração da Escola de Arquearia Floresta Flecha, já filiada na Confederação Brasileira de Tiro com Arco (CBTARCO).

Além de valorizar a cultura brasileira por meio do índio da Amazônia, o projeto visa contribuir para o fortalecimento da equipe olímpica Brasileira de Arco e Flecha e popularizar a arquearia no país.

A expectativa é unir empresas privadas comprometidas com o esporte olímpico, governos e organizações da sociedade civil, com foco naquelas que patrocinam modalidades esportivas, atletas e a própria olimpíada Rio 2016. Essa união de esforços deve agregar os profissionais do mais alto nível na área do esporte e as organizações desportivas, comenta a secretária de esportes do Amazonas, Alessandra Campêlo.

Seletiva no Rio Negro

A primeira Seletiva Indígena de Arco e Flecha da Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Negro, sob gerência geral de Márcia Lot e apoio do indígena Fidelis Baniwa (coordenador da COIPAM) aconteceu no último sábado (02/03), na comunidade Três Unidos. A iniciativa reuniu 17 jovens, de ambos os sexos, na faixa-etária de 14 a 20 anos, que trouxeram arcos e flechas produzidos totalmente na reserva.

Drean, Deivide e Félix foram os destaques da competição. Eles acertaram no alvo, a uma distância de 30 metros. O arco de Drean, feito de um pequeno pedaço de paxiúba, uma árvore típica da região, chamou atenção: totalmente produzido com matéria prima das margens do Rio Cuieiras, afluente da margem esquerda do Rio Negro.

Drean conta que também montou sua flecha na própria comunidade: usou talas de buriti, uma ponta de muirapiranga e uma peninha. “A pena serve para estabilidade, para não variar”, atenta o jovem indígena.

Assim como no Rio Cuieiras, a seleção acontecerá em oito regiões do Estado do Amazonas que possuem aldeias e comunidades indígenas. Os melhores arqueiros receberão alojamento, alimentação, bem como treinamento intensivo, na Vila Olímpica de Manaus, sob os cuidados da SEJEL, com o mesmo técnico da Seleção Amazonense de Tiro com Arco, Roberval dos Santos.

Modalidade olímpica

O Tiro com arco é modalidade esportiva que faz parte do quadro olímpico desde 1900. Em comparação com outras modalidades, o Brasil não tem uma longa história na arquearia. Embora seja um país que cultive raízes indígenas, o esporte só foi difundido como competição na década de 50.

Mesmo assim, o país conta com medalhas internacionais importantes como a conquista do bronze, no Pan-Americano de 1972. Em 1983, o país subiu mais três vezes ao terceiro lugar do pódio. Nos jogos Olímpicos, a equipe de Arco e Flecha brasileira, estreou em 1980, mas não obteve nenhuma posição de destaque. Em Londres, em 2012, contou apenas com um representante.

Hoje no Brasil são 11 federações estaduais ligadas à Confederação Brasileira de Tiro com Arco (CBTARCO). No último Campeonato Brasileiro de Arco e Flecha, em Recife-PE, o Amazonas já subiu ao podium com Larissa Feitosa, Aníbal Forte, Francisco das Chagas, Carlos Galindo e Roberval dos Santos.

“Nenhuma outra modalidade se relaciona de forma tão clara e óbvia com a história do Brasil. As populações indígenas habitavam todo o território nacional à época da chegada dos europeus. Foram dizimadas por guerras, escravidão e doenças. Temos uma dívida histórica a ser resgatada”, explica o superintendente geral da FAS, Professor Virgílio Viana.

Fonte: Mercado Ético


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LEIA TAMBÉM:

Em reportagem do Instituto Socioambiental sobre o povo Wai-Wai, a lembrança de uma das melhores experiências da minha vida  RETROCESSOS: projeto de lei do governo ameaça áreas indígenas   Engenharia Florestal: minha profissão e um pouco da minha trajetória