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quarta-feira, 25 de março de 2026

Guerra no Irã gerou 5 milhões de toneladas de CO₂ em apenas 14 dias


Especialistas detectaram um aumento na queima de gás em instalações petrolíferas, evidenciando o crescimento das emissões decorrentes da guerra.

O ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã é uma tragédia social, com milhares de mortos e desabrigados pelos bombardeios. É um choque energético, ao provocar a disparada dos preços do petróleo e do gás fóssil e ao restringir o abastecimento, jogando por terra a suposta segurança dos combustíveis fósseis. Além disso, o conflito é um desastre para o clima.

Uma análise do Climate and Community Institute mostra que a guerra está consumindo o orçamento global de carbono mais rapidamente do que 84 países reunidos. Enquanto aviões, drones e mísseis matam milhares, destroem infraestrutura e transformam o Oriente Médio em uma gigantesca zona de sacrifício, o conflito gerou 5 milhões de toneladas de CO₂ equivalente (tCO2e) em seus primeiros 14 dias.

A análise, compartilhada com o Guardian, acrescenta uma nova dimensão às reportagens sobre os danos ambientais catastróficos causados por ataques a infraestruturas de combustíveis fósseis, bases militares, áreas civis e navios no mar. “Cada ataque com mísseis é mais uma parcela paga por um planeta mais quente e instável, e nada disso torna ninguém mais seguro”, disse Patrick Bigger, diretor de pesquisa do instituto e coautor do levantamento.

Os edifícios destruídos são o principal componente do custo estimado de carbono. Com base em relatos da organização humanitária Crescente Vermelho Iraniano de que cerca de 20 mil edifícios civis foram danificados pelo conflito, a análise estima que as emissões totais desse setor sejam de 2,4 milhões de tCO₂e.

O combustível é o segundo maior fator, com bombardeiros pesados dos EUA voando de locais tão distantes quanto o oeste da Inglaterra para atacar o Irã. A análise estima que entre 150 milhões e 270 milhões de litros de combustível foram consumidos por aeronaves, embarcações de apoio e veículos nos primeiros 14 dias, gerando emissões totais de 529 mil tCO₂e.

Uma das imagens mais chocantes da guerra foi a de nuvens escuras e a “chuva negra” sobre Teerã após Israel bombardear quatro grandes depósitos ao redor da cidade, incendiando milhões de litros de combustível. A análise estima que entre 2,5 milhões e 5,9 milhões de barris de petróleo foram queimados nesse ataque e em ações semelhantes – incluindo retaliações iranianas contra vizinhos do Golfo – emitindo cerca de 1,88 milhão de tCO₂e.

A Bloomberg traz uma observação particular: a guerra levou as petrolíferas a queimar mais gás fóssil do que o habitual, uma vez que suas instalações foram atacadas ou as exportações foram bloqueadas.

De 28 de fevereiro a 22 de março, a usina de gás liquefeito (GNL) da Ilha de Das, nos Emirados Árabes Unidos, queimou combustível suficiente para emitir 74.100 tCO₂e. Enquanto isso, a instalação de Ras Laffan, no Catar, o maior centro de exportação de GNL do mundo, adicionou cerca de 101.300 tCO₂e – o mesmo que as emissões anuais de mais de 20.000 carros.

Quanto aos equipamentos de guerra, nos primeiros 14 dias, sua destruição gerou emissões incorporadas de carbono de 172 mil tCO₂e. Há também bombas, mísseis e drones: a análise estima que as munições contribuíram com cerca de 55 mil tCO₂e em emissões.

“Esperamos que as emissões aumentem rapidamente à medida que o conflito avança, principalmente devido à velocidade com que instalações de petróleo estão sendo atacadas em ritmo alarmante”, frisa Fred Otu-Larbi, da University of Energy and Natural Resources em Gana, principal autor do estudo detalhado pelo Guardian. “Todos nós teremos de conviver com as consequências climáticas. Ninguém sabe exatamente quais serão os custos. Queimar, em duas semanas, o equivalente às emissões anuais da Islândia é algo que realmente não podemos nos dar ao luxo.”

Fonte: ClimaInfo


sábado, 14 de março de 2026

Quase 50 países já têm planos para eliminar os combustíveis fósseis


Estudo mapeou 46 países com planos de descarbonização do setor elétrico; outros 11 estudam limitar ou reduzir oferta de petróleo, gás e carvão.

Um estudo publicado na 3ª feira (10/3) indica que quase 50 países têm algum tipo de planejamento para eliminar os combustíveis fósseis no setor energético. O levantamento chega em um momento em que o debate sobre o afastamento de petróleo, gás fóssil e carvão ganha urgência após os ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã, que levaram o preço do petróleo às alturas.

Liderado pelo centro de pesquisa IISD (Canadá), com participação de E3G (Reino Unido), Ecco (Itália), Sefia (Turquia) e Observatório do Clima (Brasil), o estudo centra-se na questão prática de como conceber roteiros eficazes para a transição, tanto em nível global como nacional, explica o IISD. Especialistas enxergam o cenário atual como “um copo meio cheio, meio vazio”.

O estudo mapeou 46 países com algum tipo de plano de descarbonização do setor elétrico. Outras 11 nações, como Brasil e Colômbia, estudam limitar ou reduzir a oferta de petróleo, gás e carvão, detalha O Globo.

O documento inclui estudos de caso que abrangem as Parcerias de Transição Energética Justa (JETPs) na África do Sul, Indonésia, Vietnã e Senegal; processos nacionais de eliminação gradual do carvão na Alemanha, Chile, Canadá e Dinamarca; e esforços emergentes de elaboração de mapas do caminho domésticos na Colômbia, Turquia e Brasil. Logo, elementos para a construção dos mapas do caminho já vêm sendo testados na prática em vários países, mas a governança estruturada e a previsibilidade de financiamento são decisivos, destaca o relatório.

Quanto aos desafios, o documento lista que a transformação econômica gerada pela redução da dependência dos combustíveis fósseis demanda aumento da eletrificação dos transportes, expansão de fontes renováveis como eólica e solar e reforma dos subsídios aos combustíveis fósseis. Este último ponto, em especial, mostra-se complexo por ser uma indústria ligada ao funcionamento político de muitos países, explica o Observatório do Clima.

“A dependência dos combustíveis fósseis não é apenas uma vulnerabilidade econômica, mas um motor de instabilidade global, expondo produtores e consumidores igualmente à crescente volatilidade, aos riscos de segurança e aos riscos climáticos”, afirma Katrine Petersen, assessora sênior de políticas da E3G. “O forte apoio na COP30 a um mapa do caminho global reflete um reconhecimento crescente de que a transição já está em curso.”

O Canal Solar lembra que em pouco mais de um mês acontecerá em Santa Marta, na Colômbia, a primeira conferência internacional voltada a discutir a transição para longe dos combustíveis fósseis. O encontro deverá reunir cerca de 80 países que já declararam ter interesse no mapa do caminho na COP30.

Fonte: ClimaInfo

 

sábado, 7 de março de 2026

Brasil bate recorde de intoxicações por agrotóxicos em 2025

Marcelo Camargo/Agência Brasil.

Aumento de intoxicações está diretamente ligado à ampliação da oferta e do consumo; Brasil bateu recorde de aprovação de pesticidas em 2025.

Em 2025, 27 pessoas se intoxicaram diariamente por agrotóxicos no país, mostra um levantamento da Repórter Brasil com base em dados do Ministério da Saúde. Foram 9.729 casos registrados, com alta de 84% sobre 2015, ano de início da série histórica, e um recorde.

As principais vítimas das intoxicações não intencionais – o que exclui episódios em que a contaminação foi deliberada – são homens de 20 a 39 anos (70%). Nesse grupo, 54% dos acidentes aconteceram no trabalho, e 80% estão relacionados ao uso de agrotóxico no meio agrícola. Desde 2015, o país soma 73.391 intoxicações por agrotóxicos, mostra o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).

O estado campeão em intoxicação por agrotóxicos foi o Espírito Santo, com 10% dos casos registrados em 2025. Em seguida vem Tocantins, Rondônia, Acre e Roraima, todos da região Norte, mostrando os resultados nefastos da expansão do agronegócio na região.

Para especialistas, o aumento das intoxicações está diretamente ligado à ampliação da oferta e do consumo de pesticidas. O Brasil bateu recordes de aprovação e comercialização desses produtos. Apenas em 2025, foram 914 novos registros, um aumento de 38% sobre 2024. Já as vendas chegaram a 826 mil toneladas em 2024, crescimento de 9,3% em comparação a 2023, mostra o IBAMA.

“Com mais agrotóxicos disponíveis, há uma tendência de que o preço caia, fazendo com que o consumo aumente. Se o consumo aumentar, a população vai estar mais exposta”, afirma Loredany Rodrigues, professora de economia aplicada da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

A nova Lei de Agrotóxicos, sancionada em 2024, agrava o cenário e representa um retrocesso regulatório, reforçam os especialistas. “Já faz tempo que as intoxicações por agrotóxicos não deveriam ser mais vistas como casos isolados, mas como um problema de saúde pública”, afirma Fernanda Savicki, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A geógrafa e especialista em agrotóxicos Larissa Bombardi lembra que enquanto muitos químicos estão proibidos ou com uso restrito na União Europeia, eles ainda são largamente usados – por empresas europeias – no Brasil. É o que Larissa chama de “colonialismo químico”, explica o Outras Palavras.

“A população rural no Brasil está cronicamente exposta a substâncias que são cancerígenas ou que provocam desregulação hormonal”, ressalta a geógrafa no Brasil de Fato. “Por estudos que temos, já sabemos que as áreas em que mais se utiliza agrotóxico são aquelas em que há maior prevalência de câncer.”

Em nota enviada à Repórter Brasil, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) relaciona o avanço das intoxicações ao peso econômico e político do agronegócio. Fato que, segundo a pasta, tem favorecido a adoção de medidas de interesse do setor.

ICL Notícias e Racismo Ambiental também repercutiram o assunto.

Em tempo: A gigante química alemã Bayer chegou a um acordo de US$ 7,25 bilhões (R$ 37 bilhões) com autores de ações judiciais para encerrar dezenas de milhares de processos que alegam que o herbicida Roundup causou linfoma não Hodgkin. As alegações são de que a Bayer falhou ao não alertar nos rótulos do produto sobre os supostos riscos carcinogênicos representados pelo glifosato. Segundo O Globo e UOL, o acordo foi submetido a um tribunal do Missouri, nos Estados Unidos, e visa resolver reivindicações atuais e futuras, criando um fundo financiado ao longo de até 21 anos.

Fonte: ClimaInfo





Brasil tem queda de 39% nas áreas queimadas no Brasil em 2025



As medidas dão continuidade à construção de uma nova governança do fogo, conduzida pelo Governo do Brasil desde 2023, para enfrentar os desafios da mudança do clima - Foto: João Stangherlin/ICMBio.

MMA apresenta queda de 39% nas áreas queimadas no Brasil em 2025 e conjunto de ações para prevenção e controle de incêndios florestais em 2026

Redução no ano passado ocorreu em comparação à média dos últimos oito anos; medidas anunciadas dão continuidade à execução de nova governança que amplia a resiliência do país ao fogo

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) detalhou, nesta quarta-feira (4/3), as ações de prevenção e controle dos incêndios florestais no país em 2026. O conjunto de medidas dá continuidade ao processo conduzido pelo Governo do Brasil desde 2023 para construção e implementação de uma nova governança do fogo à altura dos desafios impostos pela mudança do clima.

Em entrevista coletiva realizada na sede do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Prevfogo/Ibama), em Brasília (DF), o ministério também apresentou dados que indicam 39% de redução da área queimada no território nacional em 2025 na comparação à média dos oito anos anteriores (2017 a 2024), de acordo com informações do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LASA/UFRJ). No Pantanal, a queda foi de 91%; na Amazônia, de 75%; na Mata Atlântica, de 58%; e no Pampa, de 45% (veja quadro ao final).

Os resultados, segundo a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, decorrem da execução dessa nova governança, que vem sendo desenvolvida desde 2023 com base na ciência e tem como eixo central a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF), criada pela Lei nº 14.944/2024, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em julho de 2024. Gerida pelo MMA, a PNMIF estabelece a coordenação entre governo federal, estados, municípios, setor privado, povos indígenas e comunidades tradicionais e sociedade civil para fortalecer e ampliar medidas de prevenção, preparação e controle de incêndios.

Entre as medidas anunciadas na coletiva de imprensa para enfrentar os incêndios em 2026, está a portaria que declara emergência ambiental por risco de incêndios florestais em áreas vulneráveis, assinada no fim de fevereiro pela ministra. A norma identifica áreas em risco de incêndios em todo o país e os períodos de maior vulnerabilidade para viabilizar a contratação emergencial de brigadistas federais. A medida orienta ações preventivas e amplia a capacidade de resposta e mobilização dos órgãos ambientais.

Marina Silva enfatizou que a portaria estabelece as bases legais necessárias para que o poder público atue de forma preventiva e antecipada. “Confere a base não apenas para a atuação do governo federal, mas também para que os estados possam se organizar e agir de acordo com as dinâmicas e especificidades dos incêndios em suas regiões”, afirmou. "É planejar, prevenir e combater e, sobretudo, assegurar que essas iniciativas não sejam apenas reativas, acionadas quando a crise já está instalada, mas políticas permanentes, estruturadas e contínuas."

O instrumento foi elaborado a partir de um estudo técnico que analisou o déficit de precipitação em todo o país, o histórico de focos de calor, as projeções climáticas e as características das mesorregiões afetadas.

A ministra também pontuou que a redução do desmatamento nos últimos três anos foi decisiva para a queda da área queimada no país no ano passado. Em 2025 na comparação a 2022, o declínio foi de 50% na Amazônia e 32% no Cerrado, segundo o sistema Prodes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

“A ação integrada entre os diferentes níveis de governo, o setor privado e a sociedade civil são fundamentais. A eficiência da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo depende da identificação e da ação imediata”, afirmou o secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco. Ele salientou ainda que essa visão integrada foi essencial na elaboração da portaria, que orienta as áreas e os períodos ao longo do ano em situação de maior risco. Ele acrescentou que é necessário que a “sociedade esteja informada e preparada”, pois a medida oferece orientações para uma atuação preventiva.

Estrutura para operações

As medidas adotadas para o enfrentamento aos incêndios em 2026 envolvem, ainda, o emprego de 246 brigadas florestais federais – 131 do Ibama e 115 do ICMBio. Está prevista a contratação de 4.410 brigadistas florestais federais, aos quais se somarão 250 servidores efetivos dos dois órgãos, totalizando 4.660 profissionais mobilizados. O patamar se manterá em relação a 2025, quando foram contratados 4.358 brigadistas – um aumento de 25% em relação a 2024.

Serão utilizados nas operações prevenção e combate ao fogo 18 helicópteros, 2 aviões de transporte e 12 para lançamento de água, além de 89 embarcações. A estrutura operacional também conta com 973 caminhonetes, 408 veículos especializados, três bases logísticas e duas vilas operacionais. O planejamento inclui ainda 340 barracas de campanha, 3.100 equipamentos individuais motorizados e 4.358 conjuntos de equipamentos individuais de combate.

A ampliação da capacidade de monitoramento foi destacada pelo presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho. "Antes, contávamos basicamente com dados de focos de calor. Agora, passamos a ter monitoramento diário das áreas queimadas em todo o Brasil. Isso representa um ganho expressivo de qualidade e na capacidade de resposta", pontuou.

Perspectivas climáticas

O conjunto de ações integra a estratégia do Governo do Brasil, em parceria com estados, municípios, setor privado e sociedade civil, na preparação para a temporada de seca que se inicia em grande parte do país nos próximos meses. Em janeiro, o MMA promoveu reunião sobre as perspectivas climáticas e riscos de incêndios florestais com representantes do INPE, Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) e LASA/UFRJ. No encontro, os especialistas apontaram para o final do fenômeno La Niña entre fevereiro e abril, com maior probabilidade de predominância e intensificação, a partir de julho, do fenômeno El Niño, que impacta o padrão de precipitação, com tendência de redução das chuvas nas regiões Norte e Nordeste e irregularidade na porção central do Brasil.

“Estamos trabalhando com a tendência de que, a partir do segundo semestre deste ano, o país enfrente uma situação mais crítica e intensa de seca e de ondas de calor, o que, consequentemente, eleva o risco e o perigo de incêndios florestais", alertou o secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do MMA, André Lima.

O presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Mauro Pires, defendeu a criação e a ampliação de áreas protegidas como estratégia para o enfrentamento aos incêndios. De acordo com ele, o órgão realiza queimas prescritas no entorno das Unidades de Conservação como medida preventiva, reduzindo a carga de material combustível e diminuindo o risco de grandes incêndios. Essa lógica, explicou, também fundamenta o trabalho de ampliação das unidades de conservação no país. “Faz sentido, sim, trabalhar para a expansão dessas áreas. É por isso que temos realizado consultas públicas e atuado para ampliar o número de áreas protegidas no Brasil”, afirmou.

Além disso, medidas do Governo do Brasil para prevenção e enfrentamento aos incêndios desde 2023 incluem:
  • Sala de Situação para prevenção e controle dos incêndios e secas: colegiado que reúne 10 ministérios e órgãos vinculados, sob coordenação da Casa Civil, para monitoramento, resposta e liberação de recursos extraordinários;
  • Cinco resoluções do Comitê Nacional de Manejo de Fogo (COMIF) publicadas;
  • Cinco reuniões técnicas com meteorologistas (INPE, INMET, ANA, CEMADEN e Lasa/UFRJ) para prever e planejar ações para temporada de incêndios em 2025;
  • Decreto nº 12.189, de 20 de setembro de 2024, que aumentou as punições por incêndios florestais no país;
  • R$ 405 milhões do Fundo Amazônia para apoiar os Corpos de Bombeiros dos nove estados da Amazônia Legal na prevenção e combate a incêndios florestais (2024 e 2025);
  • R$ 150 milhões do Fundo Amazônia para os Corpos de Bombeiros dos estados do Cerrado e Pantanal – pela primeira vez, o Fundo financia ações de capacitação e compra de veículos e equipamentos fora da Amazônia (2025 e 2026);
  • Publicação de edital que prevê recursos no valor de R$ 32 milhões do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) em conjunto com o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD) para apoio a municípios prioritários na Amazônia e Pantanal na implementação de Planos Operativos de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (2025);
  • Anúncio dos Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas (PPCDs), pela primeira vez, para todos biomas brasileiros, com estratégias específicas para a preservação ambiental em diferentes eixos até 2027 (acesse aqui).
Acesse aqui a apresentação feita antes da entrevista coletiva.

Fonte: MMA



sábado, 7 de fevereiro de 2026

Governo do Brasil divulga sumário executivo do Plano Clima: saiba mais



Documento sintetiza as Estratégias Nacionais de Adaptação e Mitigação e os planos setoriais e temáticos

O Governo do Brasil divulgou, nesta quinta-feira (5/2), o sumário executivo do Plano Clima, o guia de implementação da meta climática nacional sob o Acordo de Paris (a NDC, na sigla em inglês), pela qual o Brasil se comprometeu a reduzir entre 59% e 67% de suas emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2035 em relação a 2005.

Acesse aqui o sumário executivo do Plano Clima.

A publicação sintetiza o conjunto de documentos que compõem o Plano Clima e apresenta os principais elementos das Estratégias Nacionais de Adaptação e de Mitigação, bem como de seus respectivos Planos Setoriais e Temáticos.

As diretrizes reunidas no sumário executivo foram aprovadas pelos ministérios que integram o Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM), principal instância de governança climática do país, durante a 4ª reunião ordinária do colegiado, em dezembro de 2025.

A elaboração do plano é resultado de amplo processo colaborativo, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) em conjunto com a Casa Civil da Presidência da República e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), no âmbito dos Grupos Técnicos de Adaptação e Mitigação do CIM.

O Plano Clima está estruturado em dois eixos principais. O de Adaptação que objetiva aumentar a resiliência de cidades, ecossistemas e populações diante dos impactos climáticos já em curso, com prioridade para grupos em situação de maior vulnerabilidade, à luz do princípio da justiça climática. É composto pela Estratégia Nacional de Adaptação e por 16 Planos Setoriais e Temáticos.

O eixo de Mitigação é voltado à redução das emissões de gases de efeito estufa e reúne a Estratégia Nacional de Mitigação e oito Planos Setoriais. Contém um guia para a execução dos compromissos da NDC brasileira e define metas de redução de emissões em oito áreas estratégicas: agricultura e pecuária; uso da terra em áreas públicas e territórios coletivos, como Unidades de Conservação, Terras Indígenas, assentamentos, áreas quilombolas e vazios fundiários; uso da terra em propriedades rurais privadas; energia; indústria; transportes; cidades; e resíduos sólidos e efluentes domésticos.

A meta é reduzir as emissões de gases de efeito estufa de 2,04 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente, registradas em 2022, para 1,2 bilhão de toneladas até 2030. Em 2035, o volume deverá ficar entre 850 milhões e 1,05 bilhão de toneladas, o que representa queda de 58% a 49% em relação aos níveis de 2022.

O Plano Clima conta ainda com as Estratégias Transversais para a Ação Climática, que reúnem os instrumentos que dão sustentação à implementação do Plano Clima, ao definir prioridades para os meios de execução, investimentos em educação, pesquisa, desenvolvimento e inovação, além de garantir transparência no acompanhamento e na avaliação das ações, sob as perspectivas da transição justa, da justiça climática e da igualdade de gênero. Atualmente, estão sendo consolidadas as contribuições recebidas durante a consulta pública das Estratégias Transversais, cuja finalização está prevista para o primeiro semestre de 2026.

A versão completa do Plano Clima está na fase final de diagramação, catalogação e registro para identificação internacional. Concluídos esses trâmites, os documentos serão disponibilizados à sociedade.

Processo participativo

O Plano Clima foi elaborado a partir de um amplo processo participativo, que incluiu dezenas de oficinas e reuniões técnicas, além de nove plenárias territoriais realizadas em todas as regiões do país. Ao todo, mais de 24 mil pessoas participaram das discussões, que resultaram em 1.292 propostas voltadas às Estratégias Nacionais de Adaptação e Mitigação e aos planos setoriais.

Outra contribuição veio da 5ª Conferência Nacional de Meio Ambiente, cujo foco na Emergência Climática deu origem a 104 propostas incorporadas ao debate.

Além disso, durante a consulta pública, o Plano Clima recebeu quase 3 mil contribuições da sociedade.

Fonte: MMA


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Sumário executivo do Plano Clima: o que dizem as metas

O Sumário Executivo do Plano Clima foi finalmente publicado, trazendo um panorama geral dos 16 Planos Setoriais de Adaptação e agora 8 (eram 7) Planos Setoriais de Mitigação e suas respectivas Estratégias Nacionais. As metas distribuídas confirmaram os números informados em nossa análise em dezembro: os maiores esforços para redução das emissões até 2035 se concentrarão no setor Uso da Terra, dividido em dois planos. Um contemplará as áreas públicas e territórios coletivos; outro, as áreas rurais privadas.

O Plano Setorial de Mudanças do Uso da Terra em Áreas Rurais Privadas, criado para tirar do Plano da Agropecuária as emissões relacionadas ao desmatamento nas propriedades rurais, não menciona, ao menos no Sumário, o termo “desmatamento”. Sua meta número um é “Eliminar a supressão de vegetação nativa não autorizada e reduzir a extração ilegal de madeira e incêndios em áreas rurais privadas”. No detalhamento dos tetos de emissões do plano, desmatamento legal e ilegal nesses imóveis têm uma meta conjunta de redução de um pouco mais da metade do que foi emitido em 2022, o ano base. E a outra meta quantitativa junta os resultados por manutenção da vegetação primária, recuperação da vegetação secundária, recuperação de pastagens, florestas comerciais e produtos florestais madeireiros: mais do que dobrar as remoções de CO2e em relação a 2022.


A questão persiste: quais serão os mecanismos financeiros capazes de incentivar o alcance dessas metas que dependem da implementação de um setor avesso a até mesmo nominar o problema do desmatamento?

Mais esclarecimentos devem ser possíveis com a publicação integral dos Planos Setoriais e Estratégia Nacionais e, posteriormente, as Estratégias Transversais. Ainda não foi divulgado cronograma sobre isso.

Entrando na etapa de implementação e de se construir uma governança sólida para seu monitoramento, avaliação e revisão, será necessário olhar para a transição para uma sociedade de baixo carbono para além do corte de emissão, incluindo os avanços em adaptação e as lacunas para financiar a construção de resiliência. Do ponto de vista da mitigação, se os cortes de gases do efeito estufa estão concentrados sobretudo no uso da terra, setores como Energia e Indústria deverão fazer sua parte avaliados não apenas pelos seus resultados em emissões, já que os números lhes dão espaço para emitir do que em 2022.

Fonte: Política por Inteiro



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Aves marinhas ingerem quantidades consideráveis de poluentes, alguns proibidos há décadas

 

Mesmo em arquipélago isolado, atobás residentes apresentaram contaminação por DDT (foto: Janeide Padilha/Universidade do Minho)

Análises realizadas em material biológico de seis espécies migratórias e uma residente do Brasil indicam concentrações similares de alguns dos chamados poluentes orgânicos persistentes (POPs), incluindo o DDT e o formicida Mirex

André Julião | Agência FAPESP – No livro Primavera Silenciosa, de 1962, a bióloga norte-americana Rachel Carson relata como o DDT, um pesticida até então largamente utilizado para conter pragas agrícolas, era responsável pela morte massiva de aves, incluindo a emblemática águia-americana.

Uma das razões era que a contaminação torna as cascas dos ovos mais finas, a ponto de as mães os quebrarem quando se sentam para chocá-los. O livro é tido como fundador do movimento ambientalista moderno.

Nos anos 1970, a maior parte dos países ricos havia banido o DDT. No Brasil, a proibição agrícola só ocorreu em 1985, mas o veneno continuou liberado para controle de vetores de doenças como o Aedes aegypti. Apenas em 2009 uma lei proibiu o uso, a fabricação e estocagem do diclorodifeniltricloretano no país, seguindo a Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes.

No entanto, um trabalho publicado na revista Environmental Monitoring and Assessment, com apoio da FAPESP, traz novas evidências sobre a presença do DDT e de outros chamados poluentes orgânicos persistentes (POPs) no organismo das aves.

“Ainda que não tenham sido usados numa determinada área, os poluentes orgânicos sofrem o efeito gafanhoto. Nesse fenômeno, eles se evaporam no calor e se condensam novamente no frio. Com isso, migram pelo ar, das baixas latitudes dos trópicos em direção às áreas polares”, explica Janeide de Assis Guilherme Padilha, pesquisadora da Universidade do Minho, em Portugal, e primeira autora do estudo.

Numa parceria com a pesquisadora Maria Virginia Petry, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Padilha e pesquisadoras do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP) analisaram os fígados de carcaças de aves marinhas de seis espécies encontradas na costa do Rio Grande do Sul durante sua migração anual para o Atlântico Sul.

As pesquisadoras analisaram ainda o sangue de uma população residente de atobá-pardo (Sula leucogaster) no Arquipélago de São Pedro e São Paulo, conjunto de ilhas rochosas distante cerca de mil quilômetros da cidade de Natal (RN).

Mesmo tão longe da costa e de atividades humanas, os atobás-pardos do arquipélago apresentaram contaminação por DDT e por PCBs (bifenilas policloradas), compostos industriais antes usados em transformadores e reatores elétricos.

As seis espécies analisadas da costa gaúcha, ainda que com diferentes hábitos alimentares, apresentaram níveis parecidos de POPs entre si, embora os dois indivíduos de pardela-de-bico-preto (Ardenna gravis) analisados tenham tido uma média maior de PCBs e Mirex, um formicida também banido, mas que persiste no ambiente.

O trabalho teve apoio da FAPESP por meio de equipamento multiusuário, instalado no IO-USP.

Novas perguntas

Nas aves, os POPs podem ser transferidos de mãe para filho e causam o afinamento da casca dos ovos, entre outros problemas, enquanto em humanos estão relacionados a alguns tipos de câncer, desregulação do sistema endócrino e problemas reprodutivos e de desenvolvimento.

Os resultados surpreenderam as pesquisadoras por conta das semelhanças entre os níveis encontrados mesmo em espécies com diferentes dietas e tamanhos. A água e os alimentos são os principais vetores da contaminação de aves marinhas.

“Esperávamos que espécies de maior porte, como os albatrozes, apresentassem as maiores concentrações de POPs, já que ocupam níveis tróficos mais altos e costumam consumir presas maiores e mais longevas, que acumulam mais contaminantes ao longo da vida. Contudo, a pardela-de-bico-preto exibiu os valores mais elevados de PCBs e Mirex”, conta a pesquisadora, que realizou parte do estudo durante pós-doutorado no IO-USP.

A pardela-de-bico-preto (Ardenna gravis) percorre rotas migratórias extensas, utiliza áreas associadas à pesca e pode se alimentar de presas capturadas em regiões mais contaminadas do Atlântico Sul, o que ajuda a explicar por que apresentou uma carga de poluentes tão alta.

Outro exemplo faz parte de um trabalho publicado anteriormente pelo grupo de Padilha. Populações de uma mesma espécie, o atobá-pardo, de três diferentes locais, possuíam diferentes perfis de contaminação.

Uma hipótese para a maior concentração de poluentes tóxicos, como estanho, nas aves das Ilhas Cagarras, no Rio de Janeiro, em relação às de Abrolhos e do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, por exemplo, é que as ilhas cariocas recebem mais desse contaminante, por conta da proximidade com a área urbana.

Atobá-pardo tem medidas tomadas durante monitoramento nas Ilhas Cagarras, no Rio de Janeiro (foto: Janeide Padilha/acervo pessoal)

Além disso, aquela população de aves se alimenta predominantemente de lulas, que acumulam mais o metal tóxico do que as espécies que são alimentos mais abundantes nas outras áreas estudadas.

“É preciso levar em conta que, no trabalho atual, analisamos materiais biológicos distintos: no Rio Grande do Sul os fígados de animais já mortos e , no arquipélago, o sangue dos atobás-pardos vivos. Outros tipos de análise ou tecidos podem apontar poluentes que não encontramos com os métodos usados agora”, ressalta Padilha.

Os fígados representam acúmulos prolongados, porque muitos POPs têm baixa taxa de metabolização e acabam permanecendo no órgão por longos períodos. O sangue, por sua vez, dá uma ideia do que está circulando no organismo.

Padilha agora investiga o papel da poluição plástica para as aves marinhas. Alguns POPs, como os retardantes de chamas, por exemplo, estão presentes em plásticos facilmente acessíveis para aves no oceano.

“Suspeitamos que algumas cores são associadas a certos alimentos, o que estaria fazendo essas aves ingerirem pedaços de plástico”, diz. Em trabalhos de campo nas Ilhas Cagarras, a pesquisadora já presenciou escovas de dentes e isqueiros sendo usados como parte dos ninhos.

O artigo Bioaccumulation of legacy POPs in seabirds: A multi-species comparison between Procellariiformes and Suliformes in the South Atlantic pode ser lido em: link.springer.com/article/10.1007/s10661-025-14703-1.

Fonte: Agência FAPESP




domingo, 25 de janeiro de 2026

Queda histórica do carvão na China e na Índia sinaliza avanço da transição energética

 

Uma usina de energia solar fotovoltaica de 50 MW construída na província de Shanxi, em 2017. Crédito: Planet Labs/Wikipédia

Expansão recorde de solar e eólica permitiu redução inédita do combustível fóssil nos dois maiores consumidores de carvão do mundo, segundo análise do Carbon Brief

Karina Pinheiro

Pela primeira vez em 52 anos, a geração de eletricidade a partir do carvão caiu simultaneamente na China e na Índia, segundo análise publicada pelo site especializado Carbon Brief. O recuo foi registrado em 2025 e ocorre após um ano de expansão recorde das fontes renováveis nos dois países, hoje os maiores consumidores de carvão do mundo.

De acordo com o levantamento, baseado em dados do Centre for Research on Energy and Clean Air (CREA), a produção de energia a carvão diminuiu 1,6% na China e 3% na Índia em relação a 2024. Em termos absolutos, a redução combinada supera 110 terawatts-hora (TWh), volume equivalente ao consumo anual de eletricidade de países de médio porte.

A queda interrompe uma tendência contínua de crescimento observada desde 1973, período em que a expansão econômica dessas nações esteve historicamente associada ao aumento do uso de combustíveis fósseis, especialmente do carvão.

Renováveis crescem acima da demanda

O recuo ocorreu apesar do aumento da demanda por eletricidade nos dois países. Em 2025, tanto China quanto Índia registraram crescimento no consumo de energia, impulsionado pela indústria, pela urbanização e pela digitalização da economia. Ainda assim, a expansão acelerada de fontes renováveis (como solar e eólica) foi suficiente para atender essa demanda adicional sem ampliar a geração a carvão.

Na China, a produção total de eletricidade aumentou, mas a geração térmica caiu pela primeira vez em uma década. O país instalou volumes recordes de capacidade solar e eólica ao longo do ano, reduzindo a participação do carvão na matriz elétrica. Na Índia, a expansão das renováveis também superou o crescimento do consumo, levando à retração da geração fóssil.

Segundo o Carbon Brief, esse movimento indica que as fontes limpas começaram a substituir, na prática, parte da eletricidade antes produzida por usinas a carvão, e não apenas a complementar o sistema.

A inflexão é considerada relevante para o enfrentamento da crise climática. China e Índia respondem por uma parcela significativa das emissões globais de dióxido de carbono do setor elétrico e foram responsáveis por cerca de 93% do aumento dessas emissões entre 2015 e 2024.

O carvão é o combustível fóssil mais intensivo em emissões de gases de efeito estufa. Qualquer redução sustentada em seu uso, especialmente em países de grande escala, tem impacto direto sobre o ritmo de crescimento das emissões globais.

Transição sob disputa

O cenário descrito pelos dados revela uma transição energética em curso, mas ainda marcada por contradições. De um lado, a rápida expansão das fontes limpas demonstra que é possível reduzir o uso do carvão mesmo em economias de grande porte e crescimento acelerado. De outro, interesses econômicos, limitações de infraestrutura e preocupações com segurança energética mantêm o combustível fóssil como peça central das matrizes nacionais.

Um relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA) divulgado em outubro de 2025 afirma que, além de expandir a capacidade de energias renováveis, é urgente investir estrategicamente na modernização e expansão das redes de eletricidade para integrar novas capacidades e fortalecer a segurança energética, bem como ampliar soluções de armazenamento de energia para facilitar a integração das renováveis e proteger a estabilidade da rede. O documento estima que cerca de US$ 670 bilhões por ano precisarão ser direcionados às redes até 2030, além de recursos adicionais para armazenamento e integração ao sistema.

A retração simultânea do carvão na China e na Índia é considerada um marco simbólico da transição energética global. O dado sugere que o crescimento econômico não precisa estar necessariamente vinculado ao aumento do uso de combustíveis fósseis.

No entanto, diante da aceleração das mudanças climáticas e da necessidade de cortes rápidos nas emissões, o avanço ainda é visto como insuficiente. A consolidação dessa tendência dependerá de decisões políticas capazes de transformar recordes pontuais de energia limpa em mudanças estruturais duradouras.

Fonte: ((O)) Eco




sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

A cada dólar investido na proteção da Natureza, US$ 30 são aplicados em sua devastação

Wirestock

Segundo o PNUMA, a maior parte das finanças para o bem-estar ambiental é estatal; o organismo propõe cortar subsídios e investimentos destrutivos.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) lançou na 5ª feira (22/1) o relatório “Estado das Finanças para a Natureza 2026”, com dados de 2023. O documento comprova que, quando se trata de investimentos em meio ambiente, estamos (muito) no vermelho. Afinal, para cada dólar investido na proteção da Natureza, o mundo gasta mais de US$ 30 na sua destruição.

O relatório revela que o financiamento diretamente prejudicial à Natureza atingiu US$ 7,3 trilhões (R$ 38,8 trilhões) em 2023, ante apenas US$ 220 bilhões (R$ 1,1 trilhão) de investimentos em soluções baseadas na natureza (SbN), destaca o Down to Earth. A proporção de 33:1 em favor de atividades negativas para a Natureza alimenta a tripla crise planetária das mudanças climáticas, da perda de biodiversidade e da poluição, alerta o documento.

O levantamento considera as finanças públicas e privadas globais, explica a Folha. Dos fluxos de financiamento prejudiciais à Natureza, US$ 4,9 trilhões (R$ 26 trilhões) foram provenientes de fontes privadas e US$ 2,4 trilhões (R$ 12,7 trilhões) de subsídios públicos. Já dos investimentos em SbN, 90% – US$ 197 bilhões (R$ 1 trilhão) – são provenientes de fontes públicas.

“Se você seguir o fluxo do dinheiro, verá a dimensão do desafio que temos pela frente. Podemos investir na destruição da Natureza ou impulsionar sua recuperação – não há meio-termo”, diz Inger Andersen, diretora executiva do PNUMA. “Enquanto o financiamento de soluções baseadas na natureza avança a passos de tartaruga, investimentos e subsídios prejudiciais disparam. Este relatório oferece aos líderes um roteiro claro para reverter essa tendência e trabalhar com a Natureza, em vez de contra ela.”

O PNUMA reforça que os investimentos em iniciativas focadas no meio ambiente deveriam crescer 2,5 vezes, chegando a US$ 571 bilhões (R$ 3 trilhões) por ano até 2030, para que sejam cumpridas as metas do mais recente tratado da ONU para a biodiversidade. Pode parecer muito, mas o valor representa apenas 0,5% do PIB global em 2024. A projeção do órgão é que esse valor precise atingir US$ 771 bilhões (R$ 4,1 trilhões) anuais até 2050.

Ainda que a escala desse tipo de mudança seja desafiadora, o relatório apresenta exemplos de países que estão adotando medidas concretas para implementá-la.

Na Costa Rica, o reflorestamento de terras degradadas em nível nacional foi viabilizado por meio de incentivos financeiros provenientes de uma taxa sobre combustíveis fósseis. Já na Dinamarca, a transição dos combustíveis fósseis foi acelerada pelo direcionamento de verba arrecadada com impostos sobre energia para pesquisas científicas voltadas à energia eólica. Também foram utilizados mecanismos, como a taxação das emissões de carbono e contratos mais longos e estáveis para produtores de energia renovável. Outlook Business, ECO e SustainableViews também repercutiram o relatório do PNUMA.

Fonte: ClimaInfo




sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

UNIVERSALIZAÇÃO DO SANEAMENTO: Niterói é uma das poucas cidades brasileiras (menos de 3%) perto desta meta

Vistoria em obras de Águas de Niterói para a construção da Estação Elevatória de Esgoto Cantagalo. 2023.

Niterói é destaque em mais um ranking de saneamento, desta vez divulgado pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental - ABES. 

Segundo a instituição, Niterói é uma das poucas cidades no Brasil a se aproximar da universalização do saneamento, ou seja, alcançar 100% de esgoto coletado e tratado. Menos de 3% das cidades brasileiras estão nessa situação tão positiva.

Além da coleta e tratamento de esgoto, o Ranking ABES da Universalização do Saneamento também considera a gestão de resíduos sólidos urbanos - RSU,  onde Niterói também tem se destacado e liderado no país. . 

A metodologia da ABES para comparar a performance das cidades utiliza as informações oficiais do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento - SNIS. Os dados presentemente disponíveis são referentes a 2023. O SNIS está agora em fase de coleta dos dados para 2024.

Dentre os municípios de "grande porte" (acima de 100.000 habitantes), Niterói figura em 5° lugar, sendo o único do RJ dentre as 20 mais avançadas e incluídas na categoria "Rumo à Universalização". Apenas 63 municípios estão nesta categoria e o "número representa apenas 2,54% das cidades analisadas e 1,13% dos municípios brasileiros. Destas, apenas 4 não estão no Sudeste e nenhuma está na região Norte".

Em outro ranking, desta vez divulgado pelo Instituto Trata Brasil, Niterói aparece como a terceira melhor cidade do país, também espelhando dados referentes a 2023.

Avanços de Niterói

A qualidade do saneamento em Niterói é o resultado do modelo de gestão adotado desde 5 de novembro de 1999, quando foi feita a concessão pelo município para a Concessionária Águas de Niterói. Também decorre de um grande volume de investimentos que nos tirou de uma situação muito desfavorável, na época da concessão: tínhamos 72% da população atendida com o abastecimento de água e somente 35% com esgoto coletado. Após um investimento de R$ 1,4 bilhão, em 25 anos, chegamos a uma realidade de 95,6% de esgoto coletado e 100% do que é coletado é tratado. (Fonte: Águas de Niterói). Desde 2003, temos 100% de abastecimento de água em toda cidade, fato que só se verifica em 11 cidades brasileiras.


Conforme vemos nos dados acima (*), os investimentos realizados entre 2021 e 2024 correspondem a 46% dos investimentos de toda a última década e 13,43% de todo investimento desde o início da concessão, ou seja, nos últimos 25 anos.
Veja a performance de Niterói nas últimas edições do Ranking do Instituto Trata Brasil:

2025 (ano base 2023): 03° lugar
2024 (ano base 2022): 06° lugar
2023 (ano base 2021): 04° lugar
2022 (ano base 2020): 23° lugar
2021 (ano base 2019): 24° lugar
2020 (ano base 2017): 18° lugar

E seguiremos avançando. De acordo com repactuação feita pela atual gestão da Prefeitura com a Concessionária Águas de Niterói, a cidade chegará a 100% de esgoto coletado e tratado (universalização), em 2028

Axel Grael
Prefeito de Niterói (2021-2024)


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Menos de 3% das cidades brasileiras estão perto da universalização do saneamento

Cidades mais avançadas no tratamento de água e esgoto estão concentradas no Sudeste.

Por Matheus Meirelles, GloboNews

A universalização do saneamento básico ainda é exceção no Brasil, onde apenas 63 municípios estão "rumo" à meta, segundo o ranking ABES da Universalização do Saneamento 2025, obtido com exclusividade pela Globonews.

O número representa apenas 2,54% das cidades analisadas e 1,13% dos municípios brasileiros. Destas, apenas 4 não estão no Sudeste e nenhuma está na região Norte. Já 270 cidades estão dando os "primeiros passos para a universalização".

A pesquisa, criada pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, investigou os dados completos sobre saneamento de 2.483 cidades espalhadas por todas as regiões do país. O ranking avalia o avanço das administrações municipais com base em 5 indicadores do SINISA, Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico:
  • abastecimento de água;
  • coleta de esgoto;
  • tratamento de esgoto;
  • coleta de resíduos sólidos domiciliares;
  • disposição final adequada de resíduos sólidos urbanos.
Investimentos em saneamento ajudaram Manaus a reduzir quase 90% dos casos de hepatite A em sete anos. — Foto: Rede Amazônica

Cada um dos indicadores tem peso igual, somando uma nota final de 0 a 500 pontos. Os municípios são classificados em quatro faixas:
  • Rumo ao saneamento - acima dos 489 pontos;
  • Compromisso pelo saneamento - entre 450 e 488,99 pontos;
  • Empenho pelo saneamento - entre 200 a 449,99 pontos;
  • Primeiros passos pelo saneamento - abaixo de 200 pontos.
Também é considerado o porte da população, com divisão entre as cidades com até 100 mil habitantes e acima de 100 mil.

Ao todo, 1.843 cidades estão na faixa de "empenho para universalização", enquanto 307 aparecem em "compromisso com a universalização".

Entre as capitais, Curitiba (PR) é a única que aparece na categoria máxima, enquanto Porto Velho (RO) aparece na outra ponta do estudo. Salvador (BA), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF) e João Pessoa (PB) estão na categoria "Compromisso".

Já entre as cidades que têm melhor desempenho, a maior parte está em território paulista. Presidente Prudente teve a pontuação máxima (500) entre os municípios com mais de 100 mil habitantes. Entre os de pequeno e médio porte, Paranapuã e Leme também gabaritaram as categorias.

Municípios no Ranking por região (composição por categoria):
  • Sudeste: 1.326 municípios (59 Rumo; 261 Compromisso; 919 Empenho; 87 Primeiros passos).
  • Sul: 400 municípios (4 Rumo; 35 Compromisso; 358 Empenho; 3 Primeiros passos).
  • Centro-Oeste: 180 municípios (6 Compromisso; 162 Empenho; 12 Primeiros passos).
  • Nordeste: 515 municípios (5 Compromisso; 360 Empenho; 150 Primeiros passos).
  • Norte: 62 municípios (44 Empenho; 18 Primeiros passos).
Capitais: Curitiba lidera e é a única na categoria máxima

Entre as capitais, Curitiba (PR) é a única em “Rumo à universalização”, enquanto a maior parte está em “Empenho”(74,07%).

Top 10 capitais (pontuação total)
  • Curitiba (PR) – 496,15
  • Salvador (BA) – 486,71
  • São Paulo (SP) – 469,77
  • Belo Horizonte (MG) – 463,38
  • Brasília (DF) – 459,55
  • João Pessoa (PB) – 451,51
  • Vitória (ES) – 447,22
  • Campo Grande (MS) – 444,97
  • Aracaju (SE) – 443,98
  • Palmas (TO) – 443,02

Investimento em saneamento básico amplia saúde pública, valoriza imóveis e protege o meio ambiente. — Foto: Assessoria.

O presidente Nacional da ABES, Marcel Sanches, destacou as desigualdades regionais evidenciadas pelo avanço do saneamento básico no Brasil.

"A região Norte, por exemplo, tem uma baixíssima representatividade no ranking, reflexo direto das dificuldades históricas de infraestrutura, logística e capacidade institucional daquela região. Nenhum município da região Norte, infelizmente, aparece nas faixas mais elevadas de desempenho do nosso ranking, o que evidencia a urgência de políticas públicas mais diferenciadas e sensíveis às realidades regionais".

O tratamento do esgoto é o principal gargalo para o desempenho das cidades. Entre os que ficaram na faixa de "Empenho", a maior parte enfrenta problemas com o tratamento.

"O Brasil precisa avançar e atingir índices melhores na cobertura e no tratamento do esgoto sanitário e também na destinação adequada do lixo doméstico, não se admitindo lixões, disposição inadequada e contaminação do solo e das águas, com as quais a gente ainda convive, infelizmente", ressaltou Sanches.

Municípios acima de 100 mil habitantes (Grande porte)

Top 10 em “Rumo à universalização”:
  • Presidente Prudente (SP) – 500,00
  • Santa Bárbara d’Oeste (SP) – 498,01
  • Curitiba (PR) – 496,15
  • Catanduva (SP) – 495,67
  • Niterói (RJ) – 495,60
  • Piracicaba (SP) – 495,48
  • Assis (SP) – 495,07
  • Pinhais (PR) – 494,81
  • Araçatuba (SP) – 494,72
  • Rio Claro (SP) – 494,37
Municípios até 100 mil habitantes (Pequeno e médio porte)

Top 10 em “Rumo à universalização”:
  • Leme (SP) – 500,00
  • Paranapuã (SP) – 500,00
  • Jales (SP) – 499,80
  • Gastão Vidigal (SP) – 499,08
  • Embaúba (SP) – 499,02
  • Santópolis do Aguapeí (SP) – 499,01
  • São Joaquim da Barra (SP) – 498,21
  • Cardoso (SP) – 497,70
  • Alvinlândia (SP) – 496,74
  • Guariba (SP) – 496,66
Fonte: G1


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terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Após 17 anos, Governo do Brasil aprova novo Plano Clima e fixa caminho para cumprir meta do Acordo de Paris


Roteiro para a implementação do compromisso climático internacional do Brasil, plano foi validado pelos ministérios após dois anos de articulação intersetorial

Plano Clima foi aprovado nesta segunda-feira (15/12) pelos ministérios que compõem o Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM), a principal instância de governança climática do país. O instrumento é o guia de implementação da meta climática nacional sob o Acordo de Paris (a NDC, na sigla em inglês), pela qual o Brasil se comprometeu a reduzir entre 59% e 67% de suas emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2035 em relação a 2005.

O novo Plano Clima preenche uma lacuna de 10 anos desde a adoção do Acordo de Paris e de 17 anos desde a sua primeira versão, em 2008.

Resultado de mais de dois anos de intensa articulação intersetorial, numa demonstração da transversalidade da agenda climática, o Plano Clima teve validados hoje suas Estratégias Nacionais de Mitigação (ENM) e Adaptação (ENA) e os planos setoriais e temáticos para cada um desses eixos: são 8 para mitigação (que significa redução de emissões) e 16 para adaptação.

A resolução com a decisão do CIM será publicada no Diário Oficial da União nos próximos dias. Pela primeira vez, o Brasil encaminhará o Plano Nacional de Adaptação à Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), na forma do Sumário Executivo do Plano Clima Adaptação e da Estratégia Nacional de Adaptação (ENA).

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, enfatizou que a medida “é um plano com a cara do Brasil”. “O país contará com um roteiro orientador para que Governo do Brasil, governos estaduais e municipais, setor privado, sociedade civil e academia trabalhem juntos para o desenvolvimento sustentável inclusivo, resiliente, que insere o Brasil de forma competitiva na nova economia, com oportunidades para todos e todas”, enumerou.

A construção foi conduzida no âmbito do CIM, que contou com a participação de 25 ministérios, sob a coordenação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Como roteiro de implementação, o Plano Clima consolida os objetivos da NDC brasileira e estabelece metas de redução de emissões para oito setores: agricultura e pecuária; mudanças do uso da terra em áreas públicas e territórios coletivos (que abrangem unidades de conservação, territórios indígenas, assentamentos e áreas quilombolas, além de vazios fundiários); mudanças do uso da terra em áreas rurais privadas; energia; indústria; transportes; cidades; e resíduos sólidos e efluentes domésticos.

O objetivo é reduzir as emissões de gases do efeito estufa (GEE) de 2,04 bilhões de toneladas de CO2 equivalente (volume de 2022) para 1,2 bilhão de toneladas em 2030 e para uma banda que varia de 850 milhões de toneladas (menos 58% em relação a 2022) a 1,05 bilhão de tonelada (menos 49% sobre 2022) em 2035.

Caminho para um país resiliente, sustentável, seguro e justo

Construído com a contribuição de diversos setores dentro e fora do governo e com amplos mecanismos de participação social, o Plano Clima coloca o Brasil na trajetória de ser um país resiliente, sustentável, seguro, justo e desenvolvido, com os governos, sociedade civil e comunidade científica engajados diante da emergência climática.

Seu objetivo geral é orientar, promover e catalisar ações coordenadas que visem a transição para uma economia com emissões líquidas zero de gases de efeito estufa até 2050, além da adaptação dos sistemas humanos e naturais à luz do desenvolvimento sustentável e da justiça climática.

Um dos principais saldos do Plano Clima é seu caráter democrático: ao estabelecer soluções eficazes à emergência climática, distribui responsabilidades ambientais harmônicas rumo às emissões líquidas zero em 2050 ao mesmo tempo em que projeta um cenário de crescimento sustentável para todos os setores econômicos do país.

O Plano Clima também reconhece os impactos desiguais que a mudança do clima provoca, atingindo de forma mais contundente as populações socialmente mais vulnerabilizadas. Por isso, busca garantir que as soluções propostas sejam justas e equitativas, protegendo os direitos humanos e promovendo a inclusão social.

É nesse propósito que o plano está estruturado: um compromisso coletivo com a transição para uma economia de baixo carbono no curto prazo e de emissões líquidas zero em pouco mais de duas décadas, conduzido pelo conceito de justiça climática. Esse esforço envolve, necessariamente, a contribuição de toda a sociedade.

Dividido em dois eixos principais de mitigação e adaptação e apoiado por um conjunto de estratégias transversais, o Plano Clima começou a ser elaborado em setembro de 2023.

As metas dos oito planos setoriais da Estratégia Nacional de Mitigação foram definidas em coordenação com os ministérios responsáveis, de forma a construir um caminho que viabilize atingir os objetivos de redução de emissões de carbono sem interromper o ritmo de desenvolvimento econômico necessário ao bem-estar do povo brasileiro.

Como instrumentos de adaptação, estabelece parâmetros e ações para tornar a sociedade mais resiliente aos efeitos da mudança climática. São 16 planos setoriais e temáticos em áreas que vão da saúde pública ao turismo, da agricultura familiar à gestão de riscos e desastres, passando pelo combate ao racismo e à valorização das culturas tradicionais:
  • Agricultura e pecuária
  • Biodiversidade
  • Cidades
  • Redução e gestão de riscos e desastres
  • Indústria e mineração
  • Energia
  • Transportes
  • Igualdade racial e combate ao racismo
  • Povos e comunidades tradicionais
  • Povos indígenas
  • Recursos hídricos
  • Saúde
  • Segurança alimentar e nutricional
  • Oceano e zona costeira
  • Turismo
  • Agricultura familiar
As medidas de adaptação são baseadas nos princípios da justiça climática, visando minimizar os impactos dos eventos extremos sobre as populações mais vulneráveis. Foram definidas 312 metas setoriais, aplicáveis por meio de mais de 800 ações de redução dos impactos climáticos.

As Estratégias Transversais para Ação Climática, por sua vez, formam o terceiro e último eixo do Plano Clima. Ainda em fase de consulta pública, incorporam, de forma abrangente, questões transversais aos temas da mitigação e da adaptação: transição justa e justiça climática; meios de implementação; educação, capacitação, pesquisa, desenvolvimento e inovação; monitoramento, gestão, avaliação e transparência; e mulheres e clima.

Com base nas contribuições recebidas nos diálogos e consultas públicas, seminários, workshops, oficinas, reuniões com a academia, setores produtivos e sociedade, fartamente documentadas, o Governo do Brasil seguirá aprimorando o Plano Clima a partir de avaliações bianuais e de revisões sistemáticas a cada quatro anos, inclusive nos critérios de alocação das emissões e remoções de carbono e em suas formas de monitoramento.

Construção coletiva

A elaboração do Plano Clima abrangeu a realização de dezenas de oficinas e reuniões técnicas, além de nove plenárias territoriais que mobilizaram a população de Norte a Sul do país. O processo participativo reuniu mais de 24 mil pessoas e resultou em 1.292 propostas para as Estratégias Nacionais de Adaptação e Mitigação e seus respectivos planos setoriais.

Em outra frente, a 5ª Conferência Nacional de Meio Ambiente (5ª CNMA) teve como tema a Emergência Climática, que elencou 104 propostas para o plano.

Além disso, durante a consulta pública, o Plano Clima recebeu quase 3 mil contribuições da sociedade. “Tudo isso demonstra o compromisso coletivo do povo brasileiro em construir um futuro mais seguro, resiliente e sustentável”, ressaltou Marina Silva.

Fonte: GOV.BR




segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Estudo mostra que crescimento econômico com redução de emissões de CO2 é possível e está acontecendo

O "Decoupling", ou a desvinculação entre o crescimento econômico e as emissões de Gases do Efeito Estufa - GEE, não é mais uma possibilidade teórica, mas está acontecendo em grande escala. Ou seja, muitos países não dependem mais de emissões para crescer economicamente.

O artigo Dozens of Countries See Their Economy Grow as Emissions Fall), publicado pela Yale Environment 360, da Universidade de Yale, traz a análise de especialistas da Energy and Climate Inteligence Unit, uma think tank sediada em Londres, que demonstram que a economia mundial já vive uma transição em direção à sustentabilidade, havendo uma tendência mundial de desvinculação do crescimento econômico das emissões de Gases do Efeito Estufa - GEE, desmistificando a percepção que a poluição é uma consequência inexorável do "desenvolvimento". Para desenvolver as suas análises, os autores utilizaram dados do Global Carbon Budget e outras fontes. Analisaram dados de 113 países, que representam 97% do PIB Global e 93% das emissões. Compararam dados referentes a uma década anterior ao Acordo de Paris (celebrado em 2015) e a década posterior, que se concluiu em 2025.

Segundo o estudo, na década anterior ao Acordo de Paris, 32 países haviam desvinculado as suas economias das emissões, enquanto 35 tinham alcançado uma desvinculação relativa. Hoje, passados 10 anos do Acordo de Paris, o número já é de 43 e 40. 

Passado uma década do Acordo de Paris, os países responsáveis por 46,3% do PIB Global e 36,1% das emissões globais já praticam economias desvinculadas da necessidade de emissões. 

Alcançar a Neutralidade Líquida (Net Zero) depende da reversão das curvas de emissão de forma sustentável e estruturalmente declinante. O estudo conclui que muitas economias já estão vergando as suas curvas e que as bases para uma redução absoluta de emissões estão dadas.

Saiba mais em 10 Years Post-Paris: How emissions decoupling has progressed



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Dozens of Countries See Their Economy Grow as Emissions Fall


Solar arrays in Slovakia, where the economy is growing while emissions are falling. Pexels

A growing number of countries are showing that it is possible to achieve growth while also cutting emissions.

Historically, more industry meant burning more fossil fuels. But renewable energy has made it possible to generate more wealth without producing more emissions. In the decade since the Paris Agreement, a growing number of countries have “decoupled” growth from emissions, according to a new analysis from the Energy & Climate Intelligence Unit, a think tank based in London.

We’re sometimes told the world can’t cut emissions without cutting growth. The opposite is happening,” said coauthor John Lang. “Decoupling is now the norm, not the exception.”

The analysis finds that 43 countries, including the U.S. and most of Europe, have completely decoupled growth from emissions over the last decade. Fortunes rose, while emissions fell. Together, these countries account for 46 percent of the global economy.

For another 40 countries, including China and India, emissions are still on the upswing, but the economy is growing faster. These countries account for another 46 percent of the world economy.

In the remaining 30 countries studied, emissions outpaced growth, but these countries amount to a tiny share of the global economy, the analysis showed.

Overall, the shift is toward decoupling, authors said. So while global emissions are continuing to rise, they are growing more slowly than they were a decade ago. “Under the hood, the structural shift is unmistakable,” Lang said. “More countries are bending their curves.”

Fonte: Yale Environment 360




quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Projeto Ciência&Clima lança publicação com dados que embasaram Plano Clima Adaptação


Informações técnico-científicas foram utilizadas na elaboração da estratégia nacional e dos planos setoriais que terão vigência até 2035

As informações técnico-científicas que embasaram o diagnóstico sobre as principais questões de adaptação à mudança do clima no Brasil estão consolidadas na publicação ‘Caderno de sínteses técnico-científicas sobre impactos, vulnerabilidade e adaptação no Brasil para o Plano Clima Adaptação’. O documento foi publicado nesta sexta-feira (21/11) e apresentado na COP30, em Belém (PA).

A publicação é resultado do trabalho desenvolvido pela equipe técnica do projeto Ciência&Clima, projeto de cooperação técnica internacional executado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD Brasil), em colaboração com a agência de cooperação alemã GIZ Brasil e da Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima).

“Ao reunir as referências mais atuais e baseadas na ciência, este Caderno visa disseminar as evidências que subsidiaram a formulação do Plano Clima Adaptação, de forma que estes conhecimentos possam ser mobilizados também por governos subnacionais e pela sociedade civil. Espera-se que as informações aqui contidas sejam apropriadas por gestores e cidadãos, auxiliando-os a compreender os impactos, vulnerabilidades e adaptação nos territórios. Cada um dos temas abordados na publicação oferece um repertório conceitual e de evidências que subsidia o planejamento da adaptação e a promoção do desenvolvimento resiliente ao clima”, Sávio Raeder, supervisor da componente de Impactos, Vulnerabilidade e Adaptação do projeto Ciência&Clima.

Considerando a complexidade e diversidade da produção científica, a construção de sínteses do conhecimento se coloca como uma estratégia relevante para apoiar os gestores públicos engajados nos processos de formulação de políticas. Neste sentido, o projeto Ciência&Clima tem avançado na elaboração de documentos de síntese sobre os temas relacionados com o aquecimento global e suas repercussões sobre os territórios. Baseadas nos princípios da coprodução de evidências, estas sínteses mobilizam tanto saberes técnicos de gestores públicos e da sociedade civil, como evidências científicas de pesquisadores em favor da formulação de políticas mais informadas.

O Plano Nacional sobre Mudança do Clima (Plano Clima) é o principal instrumento que consolida as estratégias, planos e metas do Brasil para alcançar os objetivos da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) e cumprir as metas da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil.

A atualização do plano nacional de adaptação, que se iniciou em 2023, é considerada um marco na agenda climática do país. A construção do plano foi pautada pela mobilização de evidências científicas e pelo envolvimento de instituições governamentais, acadêmicas, da sociedade civil organizada, entidades empresariais, além de povos e comunidades tradicionais.

O esforço para disponibilizar a melhor ciência disponível para os ministérios setoriais foi quantificado em números. A contribuição envolveu a análise da literatura científica mais recente disponível durante o período de sua elaboração, entre 2023 e o início de 2024. Foram identificadas mais de 700 referências bibliográficas, das quais 220 foram selecionadas como as mais relevantes, considerando o contexto nacional.

O trabalho resultou em 12 sínteses do conhecimento organizadas por temas e setores estratégicos para a agenda nacional de adaptação à mudança do clima que foram reunidas neste caderno. Cada capítulo contempla um tema ou setor: Agricultura e Pecuária, Biodiversidade, Cidades, Energia, Igualdade Racial e Combate ao Racismo, Povos Indígenas e Povos e Comunidades Tradicionais, Recursos Hídricos, Redução e Gestão de Riscos de Desastres, Saúde, Segurança Alimentar e Nutricional, Transportes, Zona Costeira e Oceano.

Os capítulos estão estruturados em seções que abordam os impactos observados, os riscos e vulnerabilidades, e adaptação. A lógica fortalece a agenda de adaptação a partir da perspectiva que abrange as dimensões de ameaças climáticas, exposição e vulnerabilidade, uma metodologia internacionalmente aceita e aplicada.

Acesse a publicação aqui.

Sobre o projeto Ciência&Clima:

Ciência&Clima é o projeto de cooperação técnica internacional executado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) na sua implementação e recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). Ao longo de três décadas de execução das edições do projeto, apoiou o Brasil na elaboração e submissão de quatro Comunicações Nacionais, cinco Relatórios de Atualização Bienal e o Primeiro Relatório Bienais de Transparência do Brasil à Convenção do Clima. O projeto trabalha para fortalecer as capacidades nacionais na implementação da Convenção do Clima e promover a conscientização sobre os impactos da mudança do clima no país.

Acesse: MCTI



MCTI publica desagregação do Inventário Nacional de GEE para todas as unidades federativas



Exercício de desagregação de dados do Inventário Nacional visa otimizar esforços e fortalecer ações estadualizadas de mitigação

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) publicou nesta terça-feira (30/09/2025) os resultados das estimativas de emissões e remoções de gases de efeito estufa para todas as unidades federativas do país. Os números estão disponíveis para consulta em painel específico no Sistema de Registro Nacional de Emissões (SIRENE).

As estimativas de emissões e remoções foram desagregadas a partir do Inventário Nacional de GEE do Primeiro Relatório Bienal de Transparência do Brasil, submetido à Convenção do Clima em dezembro de 2024. O trabalho técnico foi conduzido pela equipe do projeto Ciência&Clima, observando os princípios orientadores do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC).

Esta é a segunda ocasião que a pasta disponibiliza dados estadualizados. O primeiro exercício foi divulgado em 2021. O objetivo é otimizar esforços na identificação do perfil de emissões regionais de modo que os estados possam direcionar esforços em ações de redução de emissões. A medida atende demanda dos entes subnacionais efetuada no âmbito do Núcleo de Articulação Federativa sobre mudança do clima, do antigo grupo executivo do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM).

O ministério reafirma o compromisso de disponibilizar informações consistentes e comparáveis, capazes de subsidiar tanto o cumprimento dos compromissos internacionais do Brasil quanto a formulação de estratégias nacionais e subnacionais de enfrentamento à mudança do clima”, explica a secretária de Políticas e Programas Estratégicos do MCTI, Andrea Latgé.

A partir de 2024 com a plena implementação do Artigo 13 do Acordo de Paris, que estabelece a Estrutura de Transparência Aprimorada e prevê que o Inventário Nacional de GEE seja elaborado e submetido a cada dois anos, a perspectiva é que o exercício da desagregação para as unidades federativas também se torne periódico.

O supervisor do Inventário Nacional de GEE da equipe do projeto Ciência&Clima, Régis Rathmann, destaca que a relevância da regionalização dos dados do Inventário Nacional está em subsidiar a tomada de decisão das ações subnacionais de mitigação de emissões de GEE. “Por conseguinte, fortalecer políticas públicas relacionadas ao enfrentamento dos desafios impostos pela mudança do clima em nível local”, afirma.

Como consultar - A consulta aos dados pode ser feita para cada estado da federação e Distrito Federal. O usuário pode selecionar o setor inventariado, o tipo de gás e o ano. A série histórica disponibilizada abrange o período de 1990 a 2022. Os dados também podem ser baixados em planilhas Excel.

Os dados estão organizados segundo as atividades contempladas nos setores: Energia; Processos Industriais e Uso de Produtos (IPPU, sigla em inglês); Agropecuária; Uso da Terra, Mudança do Uso da Terra e Florestas (LULUCF, sigla em inglês); e Resíduos. As remoções são contabilizadas no setor LULUCF, como resultado do aumento do estoque de carbono, por meio, por exemplo, do crescimento de vegetação.

Os gases estimados são dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), óxido nitroso (N2O), hidrofluorcarbonos (HFCs), perfluorcarbonos (PFCs) e hexafluoreto de enxofre (SF6). Os resultados estão publicados em dióxido de carbono equivalente e foram convertidos utilizando a métrica GWP-AR5, a mesma utilizada para as metas da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC).

Nota metodológica - A disponibilização dos novos resultados por unidade federativa está acompanhada de nota que detalha as bases de dados e os procedimentos metodológicos empregados para a realização do exercício. Um dos aspectos abordados no material envolve fatores limitadores na elaboração do exercício de desagregação. “A principal limitação é a ausência de informações regionais para atividades relevantes dos setores Energia e Processos Industriais e Usos de Produtos”, informa o supervisor.

Alguns relatórios, como os balanços energéticos estaduais de energia e anuários de produção deixaram de ser divulgados e/ou produzidos. A falta desses dados impacta no grau de acurácia e na representação de alguns aspectos sobre o uso de energia, que sofrem modificação ao longo do tempo de acordo com as transformações econômicas. “Os estados podem contribuir com a geração destes dados em âmbito local, por meio da mobilização de secretarias de governo visando a sistematização e divulgação ampla de estatísticas regionais”, afirma.

Acesse o painel e a nota metodológica aqui.

Fonte: MCTI



sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Ministério da Agricultura tenta remover menção a agrotóxicos do Plano Clima


Ruralistas alegam que questões ligadas à produção de commodities, como uso de agrotóxicos e desmatamento, geram impacto reputacional.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) pediu a retirada da menção de problemas ligados à produção de commodities do Plano Clima, mostra uma investigação da Repórter Brasil. O MAPA afirma que a agropecuária é retratada no plano como “atividade próxima a práticas ilícitas”.

Os ruralistas pedem a supressão ou reescrita de ao menos oito trechos. Entre eles estão a menção ao uso extensivo de agrotóxicos; o impacto do desmatamento e conflitos com comunidades tradicionais; a crítica a sistemas alimentares hegemônicos; e a produção de ultraprocessados.

Além do ministério, a solicitação é feita pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e pelo Instituto Pensar Agro (IPA). Este último, em especial, é financiado por entidades como a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) e a CropLife, organização que representa multinacionais fabricantes de agrotóxicos, informa o Instituto Humanitas Unisinos.

Para o MAPA, o texto do Plano Clima é “impreciso, não agrega” e leva a “conclusões de grave impacto reputacional”. No entanto, estudos científicos mostram o papel ímpar dos sistemas alimentares na crise climática. Segundo o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima, a agropecuária respondeu por 70% das emissões brasileiras em 2024.

Dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) também mostram que o Brasil foi o maior consumidor de agrotóxicos em 2023. Foram 801 mil toneladas aplicadas na agricultura – 86% mais do que os Estados Unidos, o 2º colocado.

O governo não informou se as sugestões do MAPA foram incorporadas. Porém, reforçou que a elaboração dos 16 eixos temáticos do capítulo de adaptação do Plano Clima está sob responsabilidade dos ministérios “pertinentes a cada tema, cabendo a cada um deles acolher, total ou parcialmente, as sugestões advindas da sociedade e de colaborações interministeriais”.

Não é a primeira vez que a pasta comandada por Carlos Fávaro interfere no Plano Clima – que, vale lembrar, ajudou a elaborar. Por causa do MAPA, o governo não conseguiu anunciar o plano na COP30, como pretendia.

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) chegou a acomodar a demanda do setor para retirar da conta emissões de desmatamento de propriedades rurais. Ainda sim, integrantes do MAPA afirmaram haver uma orientação para que o tema fosse tratado apenas depois da conferência do clima de Belém.

“Um plano mais recuado significa não efetividade. A gente não tem tempo para respostas frágeis diante do colapso climático”, avalia Inês Rugani, coordenadora do Observatório Brasileiro de Conflitos de Interesse em Alimentação e Nutrição (ObservaCOI).

Fonte: ClimaInfo