terça-feira, 25 de outubro de 2016

REGIÃO METROPOLITANA: Jaime Lerner propõe Rio sem 'periferia' em 2042





Urbanista defende desenvolvimento de grandes centros para reduzir fluxo no horário do rush

RIO - Como será a Região Metropolitana do Rio de Janeiro em 2042? O urbanista Jaime Lerner sugere uma cidade sem periferia. A ideia foi defendida nesta segunda-feira (24), na Sala Cecília Meireles, na Lapa, durante a apresentação dos primeiros resultados da fase de diagnóstico do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano Integrado da Região Metropolitana do Rio de Janeiro (PDUI-RMRJ).

— O Rio pode ser um exemplo de cidade sem periferia. Não dá para ficar falando em mobilidade só pensando no veículo, no automóvel, em coisas isoladas. A melhor solução de mobilidade é a vida e o trabalho, lazer, tudo junto. Isto é possível — observa Lerner, que participa da elaboração do estudo e desenvolveu estratégia similar para Curitiba, onde foi prefeito por três vezes.

Para Lerner, os pontos centrais dos bairros devem oferecer emprego, lazer e moradia, reduzindo a necessidade de grandes fluxos de deslocamento como o ocorrido no horário do rush. Atualmente, 75% da população economicamente ativa da Região Metropolitana se desloca para trabalhar na capital.

O plano é desenvolvido pelo consórcio Quanta-Lerner e coordenado pela Câmara Metropolitana de Integração Governamental. O objetivo é desenvolver estratégias de ações integradas entre sete eixos estruturantes: expansão econômica; patrimônio natural e cultural; mobilidade; habitação e equipamentos sociais; saneamento e meio ambiente; gestão pública e centralidades e reconfiguração espacial. A previsão é que o estudo — que servirá de base para decisões de governo nos próximos 25 anos — esteja concluído em julho do ano que vem.

Novo modelo de transporte

Jaime Lerner sugeriu ainda que o Rio possa adotar o Veículo Leve sobre Pneus (VLP). O modelo é elétrico, carregável nas estações.

— Hoje estamos trabalhando numa solução de transporte que vai ser fabricado aqui no Brasil, o Veículo Leve sobre Pneus elétrico (VLP). Talvez, a coisa comece em Curitiba. Posso dizer que a qualidade é melhor do que a do metrô, ou tão boa. É agradável, amigo do pedestre. Não tem aquelas separações tão rígidas. Isto pode ser implantado no Rio. Nos lugares onde já tem BRT, então, será super rápido e tem um custo mais baixo que o do metrô e o do VLT — afirma Lerner.

Inúmeras propostas estão sendo debatidas por gestores públicos e representantes das concessionárias, de ONGs e da iniciativa privada. Uma delas, o projeto de desenvolvimento urbano integrado para o eixo Pavuna-Arco Metropolitano, será discutida nesta terça-feira (25) em encontro promovido pela Câmara Metropolitana. Um escritório francês elaborou propostas para revitalizar o corredor de 18 quilômetros que cruza Pavuna, São João de Meriti, Belford Roxo, Mesquita e Nova Iguaçu (Santa Rita). No local, a linha férrea é utilizada apenas para o transporte de carga, mas se debate o uso das margens para adoção do BRT ou outro transporte de passageiros.

Fonte: O Globo






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