segunda-feira, 10 de outubro de 2016

GESTÃO PÚBLICA EM NITERÓI GANHA MAIS UM DESTAQUE: presença feminina em cargos gerenciais

 
 
COMENTÁRIO DE AXEL GRAEL:
 
A matéria do Estadão dá destaque à importância das mulheres em cargos estratégicos na gestão pública da Prefeitura de Niterói. O exemplo citado é o da secretária municipal de Planejamento e Gestão, Giovanna Victer, que também atua nos conselhos de administração da Companhia de Limpeza Urbana e da Companhia de Turismo.
 
Além de Giovanna, merece destaque outras profissionais que estão em cargos estratégicos: Maria Célia Vasconcellos (secretária de Saúde), Prof. Flávia Monteiro de Barros (secretária de Educação, Ciência e Tecnologia), Dayse Monassa (secretária de Conservação e Serviços Públicos), dentre outras.
 
Com este time de mulheres-gestoras, a Prefeitura de Niterói conta com a liderança feminina sobre mais da metade do orçamento municipal.
 
Pode estar aí o segredo do sucesso da administração Rodrigo Neves, que vem sendo reconhecida como um caso de sucesso na administração pública, mesmo em momento de crise.
 
Axel Grael
Vice-Prefeito
Niterói
 
 
 
 
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Presença feminina em conselho administrativo ainda é pequena



 
Giovana Victer, secretária de planejamento e conselheira das companhias de Limpeza Urbana e de Turismo.


No Brasil, a participação de mulheres representa 6,3%, enquanto a média mundial é de 17,8%; projeto de lei prevê cota de 40% até 2022

Levantamento da Corporate Women Directors Internaticonal, que levou em conta o período compreendido entre 2005 e 2015, identificou que a presença de mulheres nos conselhos das 100 maiores empresas latino-americanas se manteve praticamente igual, com avanço de 1,3 pontos porcentuais, passando de 5,1% em 2005 para 6,4% em 2015. A América Latina fica atrás da América do Norte (19,2%), Europa (20%), e Ásia – Pacífico (9,4%).

No Brasil, a participação feminina representa 6,3%, enquanto a média mundial é de 17,8%. Dentre as 100 empresas pesquisadas, em 47 delas não há nenhuma mulher no conselho. Entre as 53 que possuem, em 43 há apenas uma conselheira.

Formada em políticas sociais e planejamento, Giovanna Victer construiu carreira na administração pública. “Sou gestora pública do Ministério do Planejamento, cedida à prefeitura de Niterói, onde exerço o cargo de secretária de Planejamento e atuo nos conselhos de administração da Companhia de Limpeza Urbana e da Companhia de Turismo”, conta.

Segundo ela, o desejo feminino de atuar nos conselhos tem como objetivo contribuir para uma mudança na atuação desses órgãos. “Hoje, os conselhos são homogêneos, formados por homens com perfil parecido, que atuam em vários conselhos ao mesmo tempo.”

Giovanna afirma que muitas vezes essa configuração torna as decisões conservadoras e pouco eficientes no que se refere à visão estratégica e direcionamentos com visão de futuro.

“Essa visão deve incorporar componentes de diversidade, inovação e interação com acionistas, competências para as quais as mulheres têm muito a contribuir. Acionistas estão pensando melhor a respeito do perfil dos conselheiros que indicam e começam a buscar pessoas que estejam de fato atentas à sustentabilidade, à atuação da empresa e à defesa de seus interesses.”

Ela considera que para atuar em um conselho a pessoa deve estar embasada em dados, números e estatísticas. “Precisa estar subsidiada com informações relevantes para que tenha fundamentação técnica em suas colocações.”

Giovanna afirma que as mulheres que estão abrindo esse caminho no Brasil enfrentam um pouco de resistência ou estranhamento quanto a sua atuação. “Somos muito mais julgadas ao fazer uma colocação do que um homem. O policiamento é redobrado. Por esse motivo, a postura deve ser ainda mais profissional. Como ocorre nos demais segmentos, para a mulher se estabelecer ela precisa ser muito melhor do que o homem.”

A engenheira elétrica Adriana Silva há dez anos exerce cargos de CEO, mas só em 2014, quando entrou na Balluf Brasil, é que passou a compor um conselho, no caso, o consultivo. “Essa atividade me chamou a atenção e procurei entender qual é o papel de uma CEO no conselho, bem como as diferenças entre conselho administrativo (tem caráter deliberativo e está diretamente vinculado à tomada de decisões) e consultivo (fornece pareceres e recomendações).”


Adriana Belmiro da Silva CEO e conselheira da Balluf Brasil.



Mesmo estando satisfeita com o fato de a Balluf ter implementado essa cultura na empresa a partir de 2013, a CEO afirma que 2014 foi um ano bem difícil. “Primeiro, porque me vi em uma sala só com homens, outro dia até sugeri ao presidente da empresa a possibilidade de trazermos uma mulher como conselheira independente para nos ajudar nas discussões. Além disso, foi um mundo novo porque, como CEO, estava acostumada a reportar resultados para o presidente. Estranhei muito ser questionada por pessoas que não fazem parte da companhia (conselheiros independentes) durante as reuniões”, recorda.

Para se sentir mais preparada, Adriana procurou capacitação e desde fevereiro deste ano faz parte da primeira turma do curso da Saint Paul Escola de Negócios para formar conselheiras. “Para mim está sendo muito interessante, estou enxergando coisas que antes não via. Agora, minhas reuniões de conselho têm sido extremamente produtivas.”

Outro benefício, segundo ela, foi ter melhorado a sua postura nas reuniões. “Percebi que este ainda é um mundo muito masculino, não apenas em minha empresa. Hoje, sei que meu papel ali como CEO é reportar e também receber críticas e refletir sobre os assuntos, mas de maneira muito profissional. Está sendo um grande amadurecimento profissional.”

Adriana diz que ser conselheira demanda grande responsabilidade e tempo para se aprofundar nos temas que serão discutidos. “No futuro, espero participar de outros conselhos”, afirma.

“Desenvolvemos o curso para contribuir com a mudança de cenário. Neste primeiro ano, estamos formando 35 executivas”, afirma a coordenadora do programa internacional de pós-MBA ADvanced Boardroom Program for Women – ABPW, Anna Maria Guimarães.


Anna Guimarães, coordenadora acadêmica da Saint Paul Escola de Negócios


Ela firma que o objetivo do curso é preparar executivas C-LEVEL (que ocupam ou já tenham ocupado funções como CEO, CIO, CFO, COO) para que tenham assento nos conselhos de administração de empresas no Brasil e no exterior. “A formação é internacional. As alunas passam uma semana em Nova York, na Universidade Columbia e na agência de classificação de risco da Moody’s.”

Educadora defende a extinção da indicação entre pares

Diretora-geral da Scania no Brasil, Suzana Soncin diz que entre as unidades na América Latina, ela é a primeira mulher a ocupar assento no conselho administrativo. “Como a empresa vem de uma cultura escandinava, está à frente em relação ao Brasil. Aqui é novidade. Aqui na companhia existe um apoio em relação a questão de gênero.”

Segundo ela, o mais interessante no fato de mulheres participarem de conselhos é o mix de competências. “Pela natureza feminina, temos muita capacidade de cuidar e pensar em longo prazo. Mulheres têm inteligência emocional mais aguçada, enquanto o homem é mais racional. Por comentários de colegas, a reunião flui melhor quando existe esse mix.”


Suzana Soncin, conselheira da Scania



Suzana é uma das 35 alunas da primeira turma do Advanced Boardroom Program for Women – ABP-W, oferecido pela Saint Paul Escola de Negócios.

“Os módulos são baseados em casos reais e sempre contamos com a participação de executivos importantes. É um ambiente muito fértil para a troca de experiências e novas ideias. O curso explora bastante a questão comportamental e técnica, com foco em questões atuais como inovação, segurança cibernética, governança, gestão de risco etc. Trazer essas experiências para o dia a dia de trabalho tem feito grande diferença.”

A coordenadora do curso, Anna Maria Guimarães, afirma que é preciso promover uma mudança urgente nas empresas privadas, estatais e de capital misto no processo de seleção de conselheiros.

“Temos de extinguir a prática de indicação entre pares, que recebem para indicar alguém, bem como a falta do dever fiduciário por parte de acionistas e dirigentes. Tais métodos mergulharam o País numa recessão econômica, política e social que não será revertida no curto prazo, infelizmente.”

Segundo ela, o Projeto de Lei 112/2010 estabelece cota de 40% para mulheres nos conselhos de administração de empresas públicas e de economia mista, que está ocorrendo de forma gradual: 10% (2016), 20% até 2018, 30% até 2020 e 40% até 2022.

“Nesse sentido, o aumento da presença feminina no curto prazo é salutar. Conselheiras são menos propensas a desvio de conduta e são multifunção. Além disso, diversidade sempre enriquece o debate. Na Saint Paul, além de trabalharmos na formação de conselheiras, participamos de iniciativas que visam comunicar o mercado que temos executivas preparadas para ocupar assentos nos conselhos de administração.”

Anna ressalta casos recentes nos quais os conselheiros foram ineficazes: Samarco, responsável pelo maior acidente mundial com barragens. A empresa de telefonia Oi, que acumula dívida de R$ 70 bilhões, sendo este montante equivalente ao déficit dos Fundos de Pensão das estatais brasileiras.

Fonte: Estadão







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