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terça-feira, 30 de junho de 2026

Expansão de ciclovias e parques estimula paulistano a pedalar mais


Vários estudos demonstram benefícios da prática de exercícios para a saúde mental, com reduções nas taxas de depressão e ansiedade, acompanhadas de ganhos em bem-estar psicológico e qualidade de vida (imagem: Phelipe Janning/Agência FAPESP).

Estudo acompanhou 1,5 mil moradores por uma década e constatou que infraestrutura a até 500 metros de casa é decisiva para a adoção do transporte ativo. Desigualdade na distribuição da malha cicloviária, porém, ainda é desafio na capital

Elton Alisson | Agência FAPESP – A implantação de novas ciclovias, parques e outros equipamentos de uso público na cidade de São Paulo estimulou a prática de atividades físicas relacionadas ao transporte e promoveu ganhos à saúde coletiva, segundo um estudo que analisou o comportamento de 1,5 mil moradores da metrópole entre os anos de 2014 e 2024. Os pesquisadores constataram que a presença de ciclovias a menos de 500 metros de distância de casa, por exemplo, foi um fator determinante para manter os paulistanos em movimento, estimulando o ciclismo.

“Estamos observando um experimento natural em São Paulo: o aumento da oferta de espaços públicos evidencia como as mudanças urbanas estimulam o deslocamento ativo, a exemplo do ciclismo”, diz à Agência FAPESP Alex Florindo, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP) e coordenador da pesquisa.

Os resultados do trabalho, apoiado pela FAPESP, foram descritos em artigo publicado em abril no Journal of Transport & Health.

O período analisado na pesquisa foi marcado por uma expansão expressiva da oferta de ciclovias na cidade. De acordo com dados da prefeitura, entre 2014 e 2024, a malha cicloviária de São Paulo saltou de 242 para 743 quilômetros (km) e a cidade ganhou 15 novos parques municipais.

Na avaliação dos pesquisadores, a ampliação desses espaços públicos abertos na cidade não apenas estimulou o deslocamento ativo, mas gerou impactos na saúde coletiva. Para fundamentar essa inferência, eles argumentam que a atividade física é um determinante central de saúde, cuja prática regular está comprovadamente associada à redução dos riscos de doenças cardiovasculares e câncer, por exemplo. Também há vários estudos que demonstram benefícios da prática de exercícios para a saúde mental, com reduções nas taxas de depressão e ansiedade, acompanhadas de ganhos em bem-estar psicológico e qualidade de vida.

Sob essa ótica, os autores sustentam que a integração de ciclovias, por exemplo, no planejamento urbano não é apenas uma escolha logística, mas uma estratégia de saúde pública. Segundo o estudo, essas intervenções contribuem para o desenvolvimento de cidades mais saudáveis ao reduzir a dependência de automóveis, a poluição do ar e os sinistros de trânsito, servindo, consequentemente, como um importante mecanismo de mitigação das mudanças climáticas.


Aumento das ciclovias

Entre 2014 e 2024, um estudo longitudinal utilizou entrevistas presenciais e telefônicas para monitorar os níveis de atividade física relacionada ao ciclismo (pedalar ao menos dez minutos por dia) e as condições de saúde relatadas por paulistanos residentes em todas as regiões da cidade.

Os dados foram cruzados com indicadores de acesso dos participantes a espaços públicos abertos existentes no entorno de suas residências em um raio de 500 metros – distância média que um adulto pode caminhar em dez a 15 minutos. Essas informações foram obtidas a partir de um conjunto de dados georreferenciados de ruas de São Paulo, disponibilizados pela plataforma Geosampa.

Gerida pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, essa plataforma disponibiliza dados atualizados anualmente de parques, praças, ciclovias, estações de trem e metrô, entre outros equipamentos públicos instalados na cidade.

“Com base no cruzamento dessas informações, foi possível estabelecer relações para verificar se o acesso das pessoas a esses espaços públicos abertos ao longo dos anos está contribuindo ou não para mudar determinados comportamentos ou desfechos em saúde”, explica Florindo.

Os resultados das análises indicaram que as ciclovias tiveram o maior crescimento em São Paulo entre 2014 e 2024, com a proporção de domicílios acompanhados na pesquisa próximos a esses novos equipamentos saltando de 22% para 33,2%. Já os parques registraram um aumento moderado no mesmo período, de 9,4% para 12,7%, enquanto as praças apresentaram estabilidade, variando de 68,4% para 69,3%.

Embora o uso da bicicleta para o deslocamento tenha apresentado queda na população participante do estudo como um todo ao longo da década, o grupo com acesso a dois ou três espaços públicos abertos próximos de casa permaneceu estável.

“Esses espaços passaram a atuar como um fator de proteção contra a diminuição do uso da bicicleta ao longo do tempo", avalia Danilo Dias Santana, pós-doutorando no Grupo de Estudos e Pesquisas Epidemiológicas em Atividade Física e Saúde da EACH-USP e primeiro autor do artigo.

Distribuição desigual

Segundo Santana, o biênio 2014-2015 foi estabelecido como o marco inicial do estudo longitudinal porque em julho de 2014 foi aprovado o novo Plano Diretor de São Paulo.

Algumas das metas do plano foram aumentar a oferta de equipamentos urbanos em áreas com altos déficits de infraestrutura e ampliar a lista de parques públicos, beneficiando regiões menos arborizadas.

A despeito do aumento dos espaços públicos abertos promovido pelo plano, a expansão de ciclovias, por exemplo, ficou mais concentrada nas regiões mais ricas da cidade, ponderam os pesquisadores.

“Estamos apresentando os dados para secretarias da prefeitura e para a Câmara Municipal de São Paulo e estabelecendo diálogos além do meio acadêmico com o objetivo de reorientar algumas políticas. É preciso implantar mais ciclovias não só na região central, como também na centro-oeste e nas zonas leste e sul, onde há menor presença dessas infraestruturas”, diz Florindo.

As ciclovias, contudo, não são a única solução para estimular o uso de bicicleta em São Paulo e em outras capitais do país. São necessárias outras intervenções, como abrir ruas de lazer, ampliar o sistema de compartilhamento de bicicletas, implantar estacionamentos de bicicletas em grandes estações de transporte, além de realizar intervenções com famílias e disponibilizar locais para banho em rotas de trabalho e de estudo. Além disso, são necessárias mudanças não relacionadas diretamente ao planejamento urbanístico, pondera o pesquisador.

“Identificamos que, mesmo com a implantação de mais ciclovias, o ciclismo na cidade de São Paulo não está aumentando muito por uma série de razões. A bicicleta ainda é cara no Brasil e o ciclismo é uma atividade física praticada principalmente por homens.”

Estudos anteriores conduzidos por Florindo indicaram que as ciclovias têm sido usadas em São Paulo não somente para o tráfego de bicicletas, mas também para práticas de exercícios físicos como caminhadas e corridas, dada a escassez de espaços públicos abertos na cidade. “As ciclovias são estratégicas para promover essas atividades”, afirma.

Da moto para a bicicleta

O caso do fotógrafo Marcelo Heim de Andrada e Silva, de 40 anos, ilustra com exatidão os achados do estudo da EACH-USP. Há dois anos, após sofrer um acidente de moto e quebrar o ombro, ele decidiu mudar drasticamente sua rotina de transporte. Largou o veículo motorizado e adotou a bicicleta convencional ("analógica", em oposição à elétrica, como define com bom humor) para fazer o trajeto diário de 10 km entre a sua casa, no Butantã, e a avenida Paulista, onde trabalha.

Para ele, a decisão de consolidar a bicicleta como meio de transporte definitivo dependeu diretamente da chegada de nova infraestrutura urbana na sua região.

“Fizeram uma ciclopassarela do lado da ponte do Jockey para o shopping Eldorado [na zona oeste de São Paulo]. Isso foi determinante. Antes, eu teria de fazer um desvio enorme, entrar na USP [na Cidade Universitária], ir lá para o outro lado para conseguir atravessar a ponte e voltar pela Faria Lima. Quando fizeram essa ponte, eu fiquei só esperando ficar pronta para começar a vir direto de bicicleta. Achei uma linha reta”, conta o fotógrafo.

Além do deslocamento diário, o morador da zona oeste também passou a utilizar a bicicleta para o lazer nos fins de semana, frequentando espaços como as unidades do Sesc.

A percepção dele sobre o espaço urbano também dialoga diretamente com os alertas dos pesquisadores sobre os desafios futuros do planejamento em São Paulo. Embora note um aumento expressivo no fluxo de ciclistas – chegando a pegar "trânsito de bicicletas" na região do largo da Batata e da avenida Faria Lima –, ele ressalta os novos conflitos gerados pelo crescimento do modal e pela falta de espaço nas vias.

“Há muita gente usando, mas a rua continua sendo pensada para o carro; 90% da via é para o automóvel e não sobra quase nada para o resto", aponta Silva, que também destaca a vulnerabilidade dos ciclistas tradicionais diante do aumento de bicicletas elétricas que andam acima do limite de velocidade ou na contramão. O desafio da segurança na capital, contudo, vai além do trânsito: recentemente, o fotógrafo teve sua bicicleta roubada dentro do campus da USP, um reflexo de que a experiência do ciclista na cidade ainda demanda melhorias em segurança pública e infraestrutura de estacionamento.

O artigo A decade-long study on public open spaces and transport-related cycling in the largest Brazilian city pode ser lido em: sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S2214140526000721.





quinta-feira, 28 de maio de 2026

Bora de Bike é sucesso e lota ruas de Niterói em prol da mobilidade ativa

 

Onde está Wally? Foto de Luciana Carceiro.

Participei no último domingo do evento "Bora de Bike", iniciativa da Record Rio, em parceria com a Associação de Ciclistas do Rio de Janeiro (ACERJ). A pedalada contou com patrocínio da Prefeitura de Niterói, por meio do Niterói de Bicicleta, além do apoio de diversos órgãos municipais. Ao todo, foram aproximadamente 10 mil pessoas, entre famílias, grupos de amigos e amantes do ciclismo de diferentes cidades da região metropolitana, como São Gonçalo, Maricá e diversos bairros do Rio de Janeiro.

A iniciativa reforça o crescimento da cultura da bicicleta em Niterói, cidade que se consolidou como referência em mobilidade urbana sustentável. O município possui uma das maiores malhas cicloviárias do estado do Rio de Janeiro, com mais de 90 quilômetros de infraestrutura cicloviária implantada, entre ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas.


domingo, 22 de março de 2026

NITERÓI LIDERA NA AMÉRICA LATINA O RANKING DAS CIDADES MAIS AMIGAS DA BICICLETA

Desde a década de 1980, como parte da minha militância ambientalista, defendi a implantação de ciclovias em Niterói. Só consegui êxito décadas depois. Em 2012, na campanha eleitoral para a Prefeitura de Niterói, quando fui candidato a vice-prefeito, na chapa que tinha Rodrigo Neves como candidato a prefeito, defendi mais uma vez que a cidade deveria ter ciclovias, como uma das suas principais iniciativas pela sustentabilidade e para o enfrentamento dos seus problemas no trânsito.

Em janeiro de 2013, nos primeiros dias de gestão, já anunciávamos a criação do programa Niterói de Bicicleta, que passei a liderar desde então. Passados 13 anos do início da iniciativa, Niterói agora possui 100 km de ciclovias, conta com as três ciclovias mais movimentadas do Brasil (nas avenidas Marquês do Paraná, Roberto Silveira e Amaral Peixoto), além de ter a maior proporção de mulheres e de idosos pedalando. Niterói é hoje uma referência nacional para a política cicloviária. Na minha gestão como prefeito de Niterói, mais do que dobramos a malha cicloviária da cidade, fizemos com que chegasse à Zona Norte da cidade e à Região Oceânica, onde implantamos mais de 60 km de ciclovias. Também criei a Coordenadoria do Niterói de Bicicleta - que deu ao programa independência administrativa, e implantamos as Roxinhas (NitBike) - o sistema de bicicletas compartilhadas de Niterói. 

Agora, esse esforço é reconhecido também pelo Índice Copenhagenize, que mostra Niterói como uma das melhores cidades do mundo na implementação de políticas para o transporte ativo por bicicleta.  



RANKING MUNDIAL DAS CIDADES AMIGAS DA BICICLETA

A Prefeitura de Niterói divulgou o resultado do Ranking das Cidades Amigas da Bicicleta, divulgado pelo empresa Copenhagenize Design Company, com o apoio do Instituto de Tecnologia e Inovação (EIT), da União Europeia. 

De acordo com o Índice Copenhagenize 2025, Niterói ficou "bem na fita", liderando todas as cidades da América Latina. Veja, a seguir, as cidades que lideram em cada região do mundo:


Conforme os dados da avaliação, Niterói (43° do ranking, logo após Barcelona, que ocupa o 42° lugar) posiciona-se à frente de cidades como: Minneapolis, EUA (44° lugar), Tampere, Finlândia (45°), Glasgow, Escócia (46°), Wellington, Nova Zelândia (47°), Fukuoka, Japão (48°), Bogotá, Colômbia (51°), São Francisco, California, EUA (54°), Seul, Coreia do Sul (58°), Fortaleza, Brasil (69°), Tóquio, Japão (72°), Guadalajara, México (73°), Buenos Aires (74°), Dubai, EAU (85°), Curitiba, Brasil (92°) e Rio de Janeiro (93°).


Axel Grael
Prefeito de Niterói 2021-2024
Vice-prefeito de Niterói 2013-2016
Criador do programa Niterói de Bicicleta
 

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Niterói lidera ranking internacional e é apontada como a cidade mais amiga da bicicleta da América Latina

Niterói conquistou o primeiro lugar na América Latina no ranking das cidades mais amigas da bicicleta do mundo, elaborado pela consultoria internacional Copenhagenize Design Company, em conjunto com o Instituto de Tecnologia e Inovação da União Europeia (EIT). O órgão é considerado o mais prestigiado levantamento mundial sobre políticas públicas de ciclomobilidade.

O prefeito Rodrigo Neves comemorou o reconhecimento nesta quarta-feira (18), acompanhado do coordenador do Niterói de Bicicleta, Filipe Simões, e do consultor ambiental e climático da Prefeitura de Niterói, Axel Grael. Desde 2013, a cidade saiu de 20 quilômetros de infraestrutura cicloviária para cerca de 100 quilômetros distribuídos por diferentes regiões da cidade — um aumento de 4,55 vezes em relação à malha cicloviária original. O levantamento avalia cidades de todo o mundo com base em critérios como infraestrutura cicloviária, segurança viária, políticas públicas e integração com o transporte público.

“A conquista internacional é resultado de um processo que iniciamos já em 2013, com a criação do programa Niterói de Bicicleta, que estruturou políticas públicas voltadas para a mobilidade ativa e para a transformação urbana. Hoje temos uma Niterói cada vez mais saudável e sustentável, amiga da bicicleta”, afirmou Rodrigo Neves.

Um dos marcos dessa política foi justamente a implantação do bicicletário na Praça Arariboia, ao lado da estação das barcas, onde antes funcionava um estacionamento para cerca de 25 carros. No local, a Prefeitura construiu o Bicicletário Arariboia, o primeiro equipamento desse tipo na Região Metropolitana do Rio, que hoje atende mais de 20 mil usuários cadastrados e se tornou referência nacional na integração entre transporte público e bicicleta.

O coordenador do Niterói de Bicicleta, Felipe Simões, ressaltou que o reconhecimento internacional demonstra que políticas públicas bem planejadas podem transformar as cidades.

“Esses investimentos dos últimos anos foram fundamentais para posicionar Niterói nesse que é o principal ranking de cidades amigas da bicicleta do mundo. Essa conquista mostra que é possível, com boa gestão, planejamento e diálogo com a população, transformar a cidade em um lugar mais saudável, sustentável e melhor para se viver”, destacou.

Além da expansão da malha cicloviária, a cidade investe continuamente na manutenção da infraestrutura, na educação para o trânsito e na ampliação do sistema de bicicletas compartilhadas. O serviço de bikes públicas já ultrapassa 150 mil usuários cadastrados e está presente em diferentes regiões do município.

“Há alguns anos, muita gente não acreditava no potencial da bicicleta como meio de transporte na cidade, mas hoje vemos cada vez mais pessoas ocupando as ciclovias e utilizando espaços como esse bicicletário, sempre cheio. É por isso que a gente recebe prêmios como esse e segue incentivando cada vez mais gente a escolher a bicicleta em Niterói”, analisou o consultor ambiental e climático da Prefeitura de Niterói, Axel Grael.

Outro diferencial apontado por especialistas é a governança da política cicloviária em Niterói, que conta com equipe técnica dedicada exclusivamente ao tema e planejamento integrado entre mobilidade, urbanismo e sustentabilidade. O modelo tem atraído gestores de diversas cidades brasileiras interessados em conhecer a experiência da cidade.



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NOVAS REGRAS NAS CICLOVIAS ENTRAM EM VIGOR HOJE: veja o que muda

sábado, 14 de março de 2026

Como Paris escolheu o caminho da adaptação climática?

Paris tem o mais ambicioso programa de adaptação climática no mundo. Saiba como a iniciativa está sendo implementada. 

Paris tem o mais arrojados e interessante exemplo de transformação de uma cidade para a resiliência climática. A cidade decidiu adotar uma estratégia de adaptação às mudanças climáticas, tendo o foco principal no enfrentamento das ondas de calor, trocando o asfalto pelo verde e enfrentando os engarrafamentos para reduzir a poluição.

Guerra ao automóvel 

Mediante consultas públicas, a Prefeitura vem aprovando seus planos climáticos desde 2007. O mais recente foi aprovado em 2025, através de um plebiscito que referendou a ampliação da política climática. A decisão foi retirar os automóveis de 500 ruas, além das 300 que a cidade já vinha fazendo desde 2020. A prioridade é implantar as ruas "car-free" nas proximidades das escolas. Os parisienses também decidiram abolir 10% das vagas para carros e triplicaram a taxa de estacionamento nas vagas que sobraram nas regiões centrais e mais movimentadas.

Com as obras, as áreas verdes e ciclovias estão tomando a cidade. Para garantir a permeabilidade e facilitar a drenagem e para prevenir o excesso de calor urbano, nas ruas em que o tráfego foi retirado, a pavimentação das ruas é substituído por canteiros, praças e mais arborização. Cada rua custa €500 mil. A decisão foi referendada por 66% dos votantes no processo de consulta. Com a limitação da circulação dos carros, a poluição do ar já reduziu 40% na última década.

Claro que uma guinada dessas não acontece sem polêmicas e insatisfações. A maior resistência veio do 'Bairro 18', que apesar da reação de uma parcela dos moradores, teve 73% dos votos a favor, bem acima do resultado geral da votação (66%). 

O texto traz informações sobre o processo de transformação do maior programa de adaptação climática em curso no mundo, através de uma entrevista com Christophe Najdovski, vice-prefeito e responsável pelas áreas verdes, parques, biodiversidade e bem-estar animal. 

As mudanças só estão sendo possíveis graças à liderança inovadora da prefeita socialista Anne Hidalgo, que está fazendo uma mudança urbana histórica em Paris e inspirando o mundo.

Como diz o texto abaixo, "Paris mostra que é possível fazer".

Axel Grael


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Credit: Christophe Belin/Ville de Paris

Credit: Lola Suarez?Ville de Paris

There is ‘a will and a way’ to green Paris

28 April 2025

Eurocities speaks with Christophe Najdovski, Paris Deputy Mayor for public space greening, parks, biodiversity and animal welfare, about the city’s recent vote to close 500 streets to cars and reallocate them to pedestrians, cyclists and green space.

Parisians vote for a greener city

Parisians voted 66% in favour of creating 500 more car-free streets and removing 10% of the city’s current parking spaces. In consultation with local residents this spring, five to eight streets in each neighbourhood will be chosen for transformation with a dedicated budget of €500,000 per street.

The plan expands on a green push led by the city’s mayor, Anne Hidalgo. Since 2020, Paris has already seen 300 streets planted and cleared of cars primarily around schools.

“For decades, cities were redesigned to accommodate cars,” says Christophe Najdovski. “Cars have dominated public space, leaving little room for the most vulnerable road users like children and the elderly. Now, there is a strong public demand to share public space more equitably.”

Najdovski is committed to reimagining public space as more than a transit corridor. He is driven by a vision of public space as a place where citizens can thrive and connect. “Over the years, children have disappeared from the streets,” he notes. “They were pushed out by dangerous traffic. It raises an important question: what place do we, as a society and as decision makers, give to children in our cities?”

Cars have dominated public space... Now, there is a strong public demand to share public space more equitably.— Christophe Najdovski, Paris Deputy Mayor

With the average car growing in size, children are even more vulnerable, often invisible behind high bumpers. Paris is taking their safety seriously, particularly near schools. The city is systematically introducing school streets: car-free areas outside schools where roads are closed to vehicles to create safer, more welcoming environments for families.

“This is also about giving power back to citizens,” adds Najdovski. “Our vision is that streets are more than a way to get from point A to point B in the fastest way possible.” Instead, he sees the school run as an opportunity to foster stronger communities. “When we speak to parents, many say they’ve started walking their children to school not out of necessity but for the simple pleasure of it.”

Growing a ‘garden city’

As the impacts of climate change intensify, Najdovski underscores the urgent need to boost urban resilience and how nature-based solutions are central to this transformation.

“There is both a will and a need to build a more resilient city. We must adapt to the consequences of climate change, and we know that greening the city is one of the main responses to that need.”

Paris is putting this into practice by removing concrete to allow rainwater to replenish groundwater, creating green spaces that support biodiversity and filter air pollution, and tackling the urban heat island effect to keep neighbourhoods cooler during summer. Largely driven by the city’s shift away from car-centric planning, the city has seen a 40% reduction in air pollution over the past decade. Biodiversity is thriving too, with over 600 new species (among a total 3400 recorded) recently recorded in the city compared to a few years ago.

This vision is part of the city’s broader strategy for climate resilience, biodiversity and liveability. “We’re working towards a garden city,” says Najdovski—“a city where nature is present even in unexpected places. Not just confined to parks and gardens, but integrated throughout the streetscape.”

Citizens want to be more involved in the decisions that affect their neighbourhoods and quality of life.— Christophe Najdovski, Paris Deputy Mayor

Local decisions made by locals

While this is the most recent, it is far from the only referendum Paris has held on the future of public space. The strategy reflects Mayor Anne Hidalgo’s commitment to involving citizens in decisions that shape their daily lives.

“There is a real social demand for more participation,” says Najdovski. “Whatever people may say, these votes are not insignificant.”

Paris has already seen several high-profile examples of this participatory approach. In 2023, over 100,000 people voted in a referendum on the city’s shared e-scooter services. Nearly 90% voted against renewing the contracts with private operators, leading to the removal of 15,000 free-floating scooters from city streets.

More recently, another 80,000 residents voted in favour of tripling parking taxes on “heavy, bulky and polluting” vehicles, primarily SUVs. The measure passed with 54% support.

Understanding low voter turnout

The most recent referendum saw just 4% of the population (around 56,000 people) go to the polls. While media and online speculation offer various explanations, Najdovski has his own perspective.

“One reason could be that many people in favour assumed the outcome was certain,” he suggests. “There may have been a kind of silent consensus.”

He also points to the practical challenges of organising local votes: “There are always issues like capacity, timing, communication. Not everyone hears about the vote in time, and some people struggle to get to polling stations.” While electronic voting might improve accessibility, he notes that it presents its own set of complications.

Broader political dynamics also play a role. When there are global crises like wars, inflation, social unrest, local issues can tend to take a backseat in the minds of voters.

Still, he urges perspective on the criticism. “Some of the politicians challenging the low turnout were themselves elected with less than 10% of eligible voters. Yes, 4% is low, but we must recognise that turnout is often low in local elections too. That doesn’t mean citizens don’t care about these issues. It means we need to improve how we engage them.”

“Hear the resistance and adapt”

Although the referendum passed with a strong 66% majority, concerns have emerged particularly from tradespeople and local residents who feel the changes could complicate daily life. The loudest opposition has come from the 18th arrondissement, yet, as Najdovski points out, that very neighbourhood voted in favour at 73%, well above the city-wide average.

Much of the resistance has been voiced by business owners worried about the potential impact on footfall and trade. However, research consistently shows that most customers do not travel to these shops by car and that pedestrianisation typically boosts business.

“These voices are a minority,” says Najdovski, “but we still need to hear them. You must listen to the concerns, adapt the project where needed, but at the same time, you have to listen to the majority. And the majority has spoken clearly in favour.”

Paris shows what’s possible

The Paris of today looks dramatically different from twenty years ago. “Where there’s a will, there’s a way,” says Najdovski. “What’s been done in Paris can be done in any city. Ten years ago, Paris wasn’t bike-friendly. Now, it is. It wasn’t a green city. Now, it is.”

He stresses that reclaiming space from cars doesn’t have to be slow. When there is strong social demand and political will, transformation can happen quickly. “We were elected for this. It’s what we promised, and now we’re delivering. It’s that simple.”

What we’ve done here, other cities can do too. You can manage big transformations if you do it with the citizens, and if you have the political will.— Christophe Najdovski, Paris Deputy Mayor

Over the past two decades, Paris has cut traffic and air pollution by half. In newly pedestrianised streets near schools, air pollution dropped by 25%, according to a recent survey. “That means cleaner air, less noise, and a better quality of life,” says Najdovski. “And it’s good for local shops too.”

His message is clear: these changes aren’t unique to Paris. “What we’ve done here, other cities can do too. You can manage big transformations if you do it with the citizens, and if you have the political will.”

Fonte: EuroCities

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quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

NOVAS REGRAS NAS CICLOVIAS ENTRAM EM VIGOR HOJE: veja o que muda

Inauguração (2024) da NitBike: Sistema de Bicicletas Compartilhadas de Niterói.

Hoje, 01 de janeiro de 2026, entra em vigor a Resolução CONTRAN 996/2023, aprovada pelo Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN), que estabeleceu regras de segurança considerando as diferenças entre uma série de equipamentos de mobilidade que estão surgindo nos últimos tempos, como: ciclomotores, veículos autopropelidos, bicicletas elétricas, além de motocicletas e motonetas. A Resolução também, estabeleceu os limites de uso dos referidos equipamentos nas ciclovias e regras para o emplacamento e utilização.

Niterói tem as três ciclovias mais movimentadas do Brasil (Avenidas Marquês do Paraná, Roberto Silveira e Amaral Peixoto), portanto a regulação do uso é uma prioridade para a cidade. 

Por isso, de forma pioneira, assinei o Decreto 15.044, 08 de agosto de 2023, estabelecendo Diretrizes para a Regulamentação e Fiscalização da Circulação de Ciclomotores, Bicicletas Elétricas e Equipamentos de Mobilidade Individual autopropelidos nas Vias e Ciclovias do Município

Desde então, cumprindo o prazo estabelecido na Resolução CONTRAN e o artigo 5° do Decreto 15.044:

"O município realizará ações e campanhas de comunicação, educação e interlocução voltadas para o público geral, usuários de bicicleta e comerciantes de equipamentos afetos com a finalidade de divulgar e promover a adaptação às normas", 

... a Coordenação do Programa Niterói de Bicicleta vem desenvolvendo ações de esclarecimento sobre a nova regra (veja aqui uma das recentes postagens nas redes sociais). 

Como ciclista, criador do Niterói de Bicicleta e usuário frequente das ciclovias da cidade, sei da importância do estabelecimento das regras que entram em vigor no dia de hoje. Será uma grande contribuição para a segurança e ordenamento do uso da Malha Cicloviária de Niterói.

Cidades que mais pedalam são aquelas mais conscientes e vocacionadas para a sustentabilidade. 

Axel Grael
Prefeito de Niterói (2021-2024)
Criador do Programa Niterói de Bicicleta (2013)


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Registro, placa e CNH: novas regras para ciclomotores entram em vigor; veja o que mudou

Resolução do Contran passa a exigir carteira nas categorias A (motos) ou ACC (Autorização para Conduzir Ciclomotor), além de uso de capacete e emplacamento. Bicicletas elétricas e veículos autopropelidos também ganharam novas regras.

Por André Fogaça

A partir desta quinta-feira (1º), passam a valer as novas regras de registro para ciclomotores. Rodar sem documentação é infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e retenção do veículo. (veja as infrações abaixo)

As normas fazem parte de uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), aprovada em junho de 2023, que estabelece o regras para os ciclomotores e equipamentos de segurança.

A exigência de registro vale para todo o Brasil, mas o procedimento é realizado pelos Detrans estaduais e o processo pode variar conforme o local.

É considerado um ciclomotor o veículo de duas ou três rodas que tenha:
  • Motor a combustão interna de até 50 cilindradas (as chamadas “cinquentinhas”);
  • Ou motor elétrico com potência máxima de 4 kW;
  • Velocidade final limitada a 50 km/h.
Se o veículo excede esses limites, passa automaticamente a ser classificado como motocicleta ou motoneta, categorias que possuem outras regras.

Entre as mudanças, as novas regras passam a exigir:
  • CNH nas categorias A (motos) ou ACC (Autorização para Conduzir Ciclomotor);
  • Uso de capacete; e
  • Emplacamento.
Cada estado pode regular de acordo com suas necessidades. Em alguns estados, como o Mato Grosso, existe até mesmo a previsão de pagamento do IPVA para estes veículos — com alíquota de 1% para os ciclomotores.

Bicicletas elétricas e veículos autopropelidos também ganharam novas regras a partir deste ano. (veja no infográfico abaixo):

Novas regras para ciclomotores entram em vigor em 2026 — Foto: arte/g1


O que são bicicleta, bicicleta elétrica, ciclomotor e autopropelido?

BICICLETA: Segundo as novas regras, estes são os aspectos que definem uma bicicleta:
  • Veículo de propulsão humana;
  • Dotado de duas rodas.
AUTOPROPELIDO: Estas são as definições para um veículo autopropelido:
  • Equipamento com uma ou mais rodas;
  • Pode ter, ou não, sistema automático de equilíbrio;
  • Tem motor de, no máximo, 1 kW (1.000 watts);
  • Velocidade máxima de fabricação em 32 km/h;
  • Largura não superior a 70 cm;
  • Distância entre eixos de até 130 cm.
BICICLETA ELÉTRICA: Já para bicicleta elétrica, estas são as definições que caracterizam o veículo:
  • Veículos de propulsão humana;
  • Com duas rodas;
  • Motor auxiliar de propulsão de, no máximo, 1 kW (1.000 watts);
  • Motor só pode funcionar quando o usuário pedala;
  • Não pode ter acelerador;
  • Velocidade máxima de propulsão em 32 km/h.
EXCEÇÕES: Existem exceções às novas regras? Sim, segundo a resolução do Contran, estão isentos das novas regras os veículos:
  • Veículos de uso exclusivo fora de estrada;
  • Veículos de competição;
  • Equipamentos destinados à locomoção de pessoas com deficiência ou com comprometimento de mobilidade;
PENALIDADE: Ciclomotor pode levar multa?

A resolução prevê que o ciclomotor pode ser multado se:
  • Transitar em local não permitido: infração média, multa de R$ 130,16 e 4 pontos na CNH;
  • Transitar em calçadas, passeios, ciclovias, exceto nos casos autorizados pela autoridade de trânsito: infração gravíssima, multa de R$ 880,41 e 7 pontos na CNH;
  • Veículo for conduzido sem placa de identificação: infração gravíssima, multa de R$ 293,47 e 7 pontos na CNH;
  • Conduzir veículo que não esteja registrado e licenciado: infração gravíssima, multa de R$ 293,47 e 7 pontos na CNH;
  • Quando conduzir ciclomotor sem o uso de capacete ou transportar passageiro sem o uso do capacete: infração gravíssima, multa de R$ 293,47, 7 pontos na CNH e suspensão da CNH;
  • Quando transitar com ciclomotores nas vias de trânsito rápido ou rodovias, salvo onde houver acostamento ou faixas de rolamento próprias: infração gravíssima, multa de R$ 293,47, 7 pontos na CNH.
Como funciona o registro dos ciclomotores?

Na maior parte do país, o processo de registro dos ciclomotores inicia de forma online pelo site do Detran. Porém, a etapa final é presencial e o proprietário deve apresentar:
  • Nota fiscal do veículo ou declaração de procedência, constando a informação sobre a potência do motor;
  • Documento de identificação do proprietário com Cadastro de Pessoa Física (CPF) ou Cadastro Nacional de Pessoa Física (CNPJ) e documentos do representante legal;
  • Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito (CAT);
  • Código específico de marca, modelo e versão;
  • Laudo de vistoria, com número de motor.
⚠️ IMPORTANTE: Para veículos fabricados ou importados após 3 de julho de 2023, o fabricante é o responsável pela emissão do CAT e pelo código específico de marca, modelo e versão. Nos modelos fabricados ou importados antes, pode haver ausência desse código.

Caso o código não esteja disponível, é preciso consultar o Detran do seu estado para regularizar o veículo.

Fonte: G1


segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Como um novo olhar para estacionamentos está ajudando a transformar cidades dos EUA

 

Public space created on former parking spaces in Los Angeles. Jim Simmons / Alamy Stock Photo

How Parking Reform Is Helping Transform American Cities

In cities across the U.S., planners are pushing to eliminate mandates requiring parking spaces in new buildings. The reforms — along with banning street parking or adding meters — help to reduce car dependency, create public and green spaces, and lower housing costs.

By Henry Grabar

In 2015, Chris Meyer was working the night shift at a Minneapolis apartment building when he decided to assign some light reading to the city council. He bought each of its members a copy of an 800-page textbook he had read — unassigned — in college. The High Cost of Free Parking, by UCLA planning professor Donald Shoup, lays out how America’s expectation of abundant and cheap parking has distorted our architecture, housing costs, transportation patterns, and environment.

Minneapolis stopped requiring parking spaces in most new buildings that year, and eliminated the requirements entirely just a few years later. Those laws, also referred to as parking minimums or mandates, blanket municipal codes in the United States, forcing builders to include a substantial quantity of parking with every new home, office, shop, or school. Those parking spaces cost a lot of money to build, and they sit empty most of the time.

“The reforms made housing more affordable and reduced dependence on cars,” said Meyer, now a Minneapolis planning commissioner and legislative assistant to Minnesota state senator Omar Fateh. “They helped us move towards the goal of getting more people and fewer cars in the city, which is what we need to do.”

Bad parking policy inhibits affordable housing, neighborhood walkability, and the prospect of having a greener, cleaner city.

Earlier this month, Fateh announced the People Over Parking Act, a bill to eliminate parking requirements across the whole state. He explained how a church in his Minneapolis district was able to be converted to affordable housing after the city’s policy change. This time around, Meyer bought 130 parking policy textbooks for members of the state legislature; a plastic table in the State Capitol building buckled under their weight.

It has felt, lately, like cities across the U.S. are living in one of Don Shoup’s favorite New Yorker cartoons, by Edward Koren, which shows a group of adults gesticulating wildly over canapés: “The conversation has turned to parking.”

The premise of parking reform is only partly about parking. More broadly, reformers argue, bad parking policy inhibits many of the things we say we want from our cities: Things like affordable housing, a walkable neighborhood, attractive architecture, a greener, cleaner city. Parking is a central component of the transportation-land use mess that has left so many Americans dependent on two or more cars per household. Parking lots are an environmental disaster twice over, consuming vast quantities of materials and land while they subsidize endless driving. That’s the bad news.

A mostly empty parking lot in New Jersey. JG Photography / Alamy Stock Photo

The good news is that parking is changeable. Focus more on the place, and less on the place to park, and the barriers to a better urban environment begin to fall away. Says Tony Jordan, who in 2019 cofounded the Parking Reform Network, which aims to correct the country’s wayward parking policies, “What we’ve been doing is so clearly bonkers that when you point it out, a good number of people are like, ‘This is bonkers!’”

Minneapolis, San Francisco, Buffalo, Hartford, Austin, San Jose, and Portland, Oregon have all stopped requiring parking in the last decade. So have college towns like Champaign, Illinois, Berkeley, California, and Cambridge, Massachusetts. California and Oregon have each chipped away at parking minimums in urban areas. There is even a federal bill, introduced in Congress last spring, that allows property owners to decide how many parking spots to provide for new developments.

These changes have been accompanied in many cities by a new approach to managing street parking at the curb, a long-neglected component of urban infrastructure. The common problem with curb parking is that it is too cheap. All-day parkers (often, local employees) arrive first thing in the morning and take the best spots, leaving visitors to cruise in frustration — a phenomenon that appears to account for a sizable share of traffic in congested places.

Parking occupies a double-digit share of the land in most metro areas, and more than a third of some downtowns.

In San Francisco, meter rates now rise and fall once a month according to how hard it is to find a parking space, with the goal of a free spot on every block. To sweeten the deal for local merchants who fear losing clientele to suburban shopping centers, some cities have re-invested meter money in local improvements.

These trends have been underway for a decade, but they received a jolt in 2020 when the Covid-19 pandemic forced communities to reckon with their paucity of outdoor public space. Restaurant tables bloomed in thousands of parking spaces, and streets that had once been lined with silent machines were transformed into festival scenes.

The masks have faded away, but the lesson — that this space can be used for something besides parking — has lingered. Cincinnati has spent millions to help restaurants establish permanent “streateries”; New York has decided to “daylight” thousands of intersections, removing parking spots near crosswalks so drivers can more easily see pedestrians and bicyclists. Other cities have used curbside parking for green space, EV charging, bus lanes, bike lanes, and bike parking.

A "streatery" built on a street parking lane in Cincinnati. 3CDC

Parking is a promising target for visionaries because the bullseye is so large: We have at least three spaces per car, nationally, and more in some cities. We ended up with this parking surplus in part because of our failure to properly manage the shared, public parking supply. Instead, we required each element of the city to supply its own private parking, a recipe for excess that spurs customers to drive from destination to destination, even when those places are right next to each other.

Environmentalists are newly focused on parking’s many ills, including vanished natural areas, heat island effects, stormwater flooding, light pollution, and the use of massive quantities of asphalt and concrete. Parking occupies a double-digit share of the land in most metro areas, and more than a third of some downtowns. But the most serious environmental impact of free parking may be how it encourages driving. One recent federal study projected that if employees who get free parking at work received an equivalent bonus for not using that parking, traffic in major cities would fall by 10 percent, with equivalent drops in fuel consumption, pollution, and emissions. Free parking is also a strong predictor of car ownership; paid parking is a strong predictor of transit use. If you want less traffic, parking policy is the place to start.

While paying for parking can be seen as a hardship, underpriced parking creates traffic and pollution and wastes time.

For younger generations concerned about the high cost of housing, parking is also under attack. Study after study shows that parking minimums add tens of thousands of dollars onto the cost of new housing units while suppressing low-rise, multifamily, and affordable housing. As the requirements fall away, architects and developers have responded by building more housing and less parking than they used to in cities like Seattle and Buffalo. New types of housing, such as accessory dwelling units (ADUs), have flourished in the absence of parking mandates — in California, ADUs now account for one in five new housing units.

Lori Droste, who sits on the city council in Berkeley, tried to capture parking’s power in her first legislative proposal to change the zoning code, in 2015. “It was all parking reform,” she said, laughing. “But I called it the Green Affordable Housing Package.” The city ended parking mandates in 2021. Statewide, a bill signed in 2022 prohibits parking minimums for buildings within a half mile of major transit stops.

In Oregon, new rules compel the state’s jurisdictions to change their zoning to allow developments without parking. In response, some developers have replaced parking with housing. “People think this is a big-city reform,” said Catie Gould, senior transportation researcher with Sightline, a think tank based in Seattle. “But it’s really neat, we have smaller cities and more rural areas affected by this reform.” Even in a place where everyone drives, she says, it turns out that street parking can often handle the demand just fine.

Manhattan's 6th Avenue before (left) and after (right) street parking was converted to a pedestrian plaza and bike lane. New York City Department of Transportation

That parking reformers — a loose coalition of environmentalists, affordable housing activists, architects, developers, business owners, cyclists, pedestrians, and straphangers — have succeeded in changing so many parking policies over the last decade is all the more surprising given Americans’ fierce attachment to their parking spots.

Simply put, we’ve built a world where we have to drive everywhere, which means that parking is very important to us. And while paying for parking can be seen as a hardship, the chaos of underpriced parking has imposed greater costs (traffic, pollution, lost time, lack of access to parking) and led to parking requirements that inhibit the creation of affordable housing. Walking even a few minutes from a parking spot feels like an affront, even if we’d do the same without a second thought at a shopping mall.

Municipal officials supporting parking reform do their best to assuage fears of a parking shortage, reminding wary constituents that changing the parking code won’t take away existing parking. “The big thing we wanted to make clear was: This won’t eliminate a single parking space,” said Zo Qadri, an Austin councilor who authored the repeal in the Texas capital, the largest U.S. city to do so. Adding parking meters and increasing rates are a slightly tougher sell, but those tactics have also been deployed with success in Austin, with local businesses coming around to the idea that it is the lack of parking, rather than its price, that keeps clients away.

Leaders in Amsterdam and Paris, with their lower rates of car ownership, have boasted about making it harder to park.

The core tenet of parking reform, which is rarely highlighted at city council meetings, is that ultimately our communities might be better off if it were a little bit more difficult or more expensive to park in the heart of town. But it may need to be so if we hope to build a safer and more convenient environment for nondrivers.

Many global cities are operating with those ideas as axioms. London and Mexico City have scrapped their parking requirements. Japan mostly prohibits overnight car storage at the curb. If you buy a car, you need your own parking space. Leaders in Amsterdam and Paris, with their excellent transit service and lower rates of car ownership, have boasted about making it harder to park — something that would be nearly unimaginable even in walkable U.S. cities like Boston or Chicago. Our international peers have also been more ambitious in repurposing that parking. In Amsterdam, some street parking has become urban forest; in Paris, entire blocks outside schools have been repurposed as social spaces for kids.

All that is possible in U.S. cities too. But first leaders must legalize the type of parking-lite, high-density housing that makes it possible for a neighborhood to be vibrant, walkable, and economically served by mass transit. That’s the beautiful thing about taking away parking: The less of it you build, the less you need. And the places where the parking fight is the most intense — South Philadelphia, Koreatown in Los Angeles, Boston’s North End — are precisely the ones where it’s easiest to live without a car in the first place.

Fonte: Yale Environment 360





quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Praia de São Francisco ganha estação de NitBike

 

O NitBike, sistema de bicicletas compartilhadas e gratuito da Prefeitura de Niterói, acaba de ganhar mais uma estação, desta vez no bairro de São Francisco. O novo ponto fica na Avenida Quintino Bocaiúva, esquina com a Presidente Roosevelt, em frente ao McDonald’s, e contará com 21 vagas para bicicletas. A iniciativa marca o início da nova fase de expansão do programa, que busca ampliar o acesso a modais sustentáveis e facilitar a mobilidade urbana na cidade.

Com o novo ponto, Niterói chega a 51 estações de NitBike em operação. Com a ampliação em andamento, o município prevê a instalação de mais 11 estações, totalizando 62 nos próximos meses. A previsão é de que o sistema chegue a novos bairros e consolide ainda mais a cobertura nas áreas já atendidas.

Essa expansão vai contemplar os bairros de Charitas, Pé Pequeno, Engenhoca, Barreto, Ilha da Conceição, Icaraí e São Domingos, fortalecendo a integração entre as regiões e incentivando ainda mais o uso da bicicleta como meio de transporte.

A iniciativa é realizada pela Coordenadoria Niterói de Bicicleta, que atua na expansão da infraestrutura cicloviária, na promoção da educação para o trânsito e no estímulo a alternativas mais acessíveis e sustentáveis de deslocamento.

O coordenador do Niterói de Bicicleta, Filipe Simões, destaca como a ampliação do serviço vai beneficiar quem se desloca pela cidade.

“Com essa nova estação, damos mais um passo para aproximar a bicicleta do dia a dia de quem vive e trabalha em Niterói. A expansão do NitBike segue uma lógica de inclusão e valorização da mobilidade sustentável. Pretendemos criar conexões úteis entre os bairros e facilitar deslocamentos curtos com segurança, conforto e a custo zero”, explicou Filipe Simões.

Fonte: Prefeitura de Niterói


terça-feira, 25 de novembro de 2025

NITERÓI É UMA DAS CIDADES MAIS AMIGAS DA BICICLETA NO MUNDO

 



Mais um grande reconhecimento para Niterói. A organização dinamarquesa Copenhagenize publicou há poucos dias (novembro de 2025) o relatório The Copenhagenize Index 2025 - EIT Urban Mobility Edition, com uma análise e um ranking das 100 cidades com a melhor política de incentivo à mobilidade por bicicleta no mundo. Analisaram dados sobre mais de 100 cidades no mundo e apresentaram um balanço do uso das bikes em cidades de todos os continentes. O relatório apresenta Niterói como a melhor cidade da América Latina e a 43ª melhor do mundo na política cicloviária e adesão da população ao uso da bicicleta.

Niterói lidera na implementação de políticas para a bicicleta na América Latina.

A prioridade para o transporte ativo tem sido uma prioridade em muitas cidades do mundo e é considerado uma das alavancas para a transição para a sustentabilidade urbana. O esforço de algumas cidades tem sido emblemático. É o caso de Paris, citada com o 5° lugar no ranking, que é a cidade com um dos maiores investimentos em adaptação climática no mundo, como já detalhamos aqui no Blog

Em novembro de 2024, o Conselho de Paris aprovou o Plano Climático 2024-2030, com a preocupação com as previsões de um aumento da temperatura da cidade nos próximos anos, com o trânsito e a poluição. Com a inspiradora palavra de ordem: "Mais rápido, mais justo e mais local", o plano declara guerra aos automóveis principalmente na área central da cidade, substituirá 60 mil vagas de estacionamento por espaços verdes, para pedestres e ciclovias, e também anunciou a implantação de 300 hectares de florestas urbanas até 2030, sendo que 10% já estará implantado até 2026. O objetivo é reduzir a poluição e enfrentar as ilhas de calor e os efeitos das ondas de calor que tem afetado a cidade de uma forma crescente. Também será possível evitar alagamentos, por permitir melhores soluções de drenagem e a infiltração no solo dos canteiros e áreas verdes. 

No dia 23 de março de 2025, os parisienses aprovaram, num referendo, um salto a frente ainda maior: com 66% dos votos, os eleitores decidiram retirar o acesso dos carros em mais 500 ruas. O objetivo é fazer de 5 a 8 ruas por bairros para pedestres e áreas verdes e a população local dos bairros será consultada novamente para definir quais ruas. A prioridade é para as ruas onde existem escolas para incentivas o deslocamento dos alunos a pé ou de bike. A ideia geral é que a requalificação do espaço público aconteça numa proporção de 2/3 de áreas de calçadas e pavimentadas para 1/3 de áreas plantadas. Cada rua terá um orçamento médio de 500 mil euros. Saiba mais aqui.

De acordo com o plano, serão implantados mais 180 km de ciclovias na capital francesa até 2030. Essa expansão inclui: 130 km de novas faixas exclusivas para bicicletas e 52 km de restauração e conversão de vias já existentes em ciclovias permanentes (algumas eram temporárias, criadas durante a pandemia). Hoje, a bicicleta já supera os automóveis no transporte de Paris.

Bicicletas e sustentabilidade

Avaliar o uso da bicicleta é uma forma de medir o esforço de uma cidade pela sustentabilidade, conforme expresso no documento da Copenhagenize: 

"o Índice existe por que a bicicleta é mais do que uma forma de transporte, mas uma lente através da qual se pode perceber como uma cidade funciona. Avaliar a performance cicloviária revela como cidades gerenciam o espaço, priorizam o as pessoas e como equilibram mobilidade e qualidade de vida. Ao mirar no uso da bicicleta, o Índice Copenhagenize captura o microcosmo do planejamento urbano em plena implementação: cidades que permitem o deslocamento por bicicleta seguro e confortável normalmente são aquelas que funcionam melhor para todos os seus cidadãos, independentemente de como cada um decide se deslocar".

Metodologia

A metodologia conta com 13 indicadores, distribuídos em 3 pilares, e as notas são atribuídas de 0 a 100, de acordo com as informações obtidas de cada cidade. Os pilares e indicadores adotados podem ser traduzidos da seguinte forma:

Pilar I: Segurança e Conectividade da Infraestrutura (Nota de Niterói no pilar: 44,9)

1- Infraestrutura cicloviária
2- Bicicletários
3- "Traffic calming"
4- Segurança

Pilar II: Uso e Acesso (Nota de Niterói no pilar: 38,8)

5- Participação do modal da bicicleta na mobilidade da cidade
6- Crescimento do modal da bicicleta
7- Percentual das mulheres nos deslocamentos por bicicleta
8- Sistema de bicicletas compartilhadas
9- Bicicletas de carga

Pilar III: Política e Apoio (Nota de Niterói no pilar: 62,7)

10- Compromisso político
11- "Advocacy"
12- Imagem da bicicleta
13- Planejamento Urbano

A nota geral de Niterói foi de 45,3.

O relatório publicado apresenta o resultado para as 100 melhores cidades analisadas. Na listagem geral, Niterói está em 43° lugar, sendo que Fortaleza ficou em 69° lugar, Curitiba ficou em 92° e Rio de Janeiro em 93°. Veja, no quadro abaixo, o comparativo das notas que Niterói obteve em cada um dos pilares em comparação com outras cidades:

Quadro produzido pelo autor com base nos dados do relatório do Copenhagenize Index.

O relatório dá destaque a Niterói também por outro motivo importante: 

O relatório aponta que Niterói é uma das cinco cidades, dentre as 100 monitoradas, que não teve acidente fatal entre 2020 e 2024.

Muito me orgulha ter reivindicado como ambientalista, desde 1980, a implantação de ciclovias na cidade. Posteriormente, como vice-prefeito, demos início ao Programa Niterói de Bicicleta em 2013, uma política pública que lideramos ao longo do tempo que estivemos na Prefeitura de Niterói. Saímos praticamente do zero e chegamos a mais de 90 km de ciclovias. Temos as duas ciclovias mais movimentadas do Brasil e a maior proporção de mulheres e idosos pedalando no país. A bicicleta já representa cerca de 4,5% de todos os deslocamentos na cidade de Niterói, de acordo com dados do IBGE. Enfrentamos resistências no início, mas soubemos fazer o debate com a cidade e mostrar os benefícios de uma cidade que pedala.

Saiba mais sobre o trabalho de Niterói e de outras cidades no mundo pela sustentabilidade urbana, acessando: CIDADES NA TRANSIÇÃO PARA A SUSTENTABILIDADE E RESILIÊNCIA CLIMÁTICA: conheça a experiência de Niterói e de outras cidades

Hoje, Niterói é uma referência nacional e internacional de uma Cidade Amiga da Bicicleta e que caminha cada vez mais adiante em busca da sustentabilidade urbana.

Axel Grael
Prefeito de Niterói (2021-2024)


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Niterói é considerada a cidade mais amiga da bicicleta na América Latina

Niterói ficou em primeiro lugar na América Latina em um dos índices globais mais importantes da atualidade, o Copenhagenize, que avalia as cidades mais amigas da bicicleta. O município ficou na frente de Bogotá, Fortaleza, Guadalajara e Buenos Aires e alcançou o sétimo lugar entre as cidades não europeias. Já no ranking geral, Niterói ficou na 43° posição.

O Índice Copenhagenize é divulgado a cada dois anos. Em 2025, analisou 100 cidades de 44 países, por meio de uma metodologia baseada em diversos dados. Ao todo são três pilares: infraestrutura segura e conectada; uso e alcance; e políticas de apoio.

“É muito importante o reconhecimento do Índice Copenhagenize 2025. Isso reafirma a escolha de Niterói por um futuro mais sustentável e inclusivo, reconhecendo a bicicleta como elemento central da mobilidade urbana. Vamos seguir avançando, com investimentos que melhorem a vida de quem pedala na cidade”, destacou o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves.

Nos últimos 12 anos, Niterói se consolidou como referência em mobilidade sustentável. A Prefeitura expandiu a malha cicloviária que hoje alcança 90 quilômetros, incluindo ciclovias, ciclofaixas, ciclorrotas e calçadas compartilhadas. A Avenida Marquês do Paraná tem a ciclovia mais movimentada do Brasil. Na quarta-feira passada (12), a ciclovia bateu mais um recorde diário de passagens: quase 7.500 ciclistas.

O NitBike, sistema gratuito de bicicletas compartilhadas, já ultrapassou 1,7 milhão de viagens, possui cerca de 150 mil usuários cadastrados e é um dos sistemas mais movimentados do país. O município também conta com o Bicicletário Arariboia, primeiro bicicletário público gratuito do Brasil, com 815 vagas, que também sedia o Polo Cicloviário Arariboia, focado na educação e cultura da bicicleta.

“Esse reconhecimento internacional confirma a consistência das políticas cicloviárias de Niterói ao longo dos últimos anos. Investimos em infraestrutura conectada, cultura da bicicleta, serviços públicos a quem usa a bicicleta, lazer e esporte. O resultado mostra que a cidade avançou de forma estruturada e segue sendo referência para o Brasil e para a América Latina na pauta”, afirmou o coordenador do Niterói de Bicicleta, Filipe Simões.

Fonte: Prefeitura de Niterói 


terça-feira, 7 de outubro de 2025

Ciclofaixa na orla da Boa Viagem, em Niterói, é inaugurada

 

Ciclofaixa inaugurada na Boa Viagem, em Niterói — Foto: Divulgação/Luciana Carneiro

Conexão de 750 metros liga infraestrutura cicloviária existente ao lado do Forte Gragoatá à que fica na Ilha da Boa Viagem

Por Sophia Lirio

Inaugurada semana passada, a ciclofaixa na orla de Boa Viagem já está a todo vapor. As obras, que duraram pouco mais de um mês, fazem uma conexão de 750 metros entre a infraestrutura cicloviária existente ao lado do Forte Gragoatá (contornando a Universidade Federal Fluminense) e a que fica na altura da Ilha da Boa Viagem, próxima à orla.

Segundo a gestão municipal, para viabilizar a faixa, o estacionamento foi transferido para o lado oposto da via. O número de vagas continuou o mesmo, e a vista ainda ficou livre para o mar e para o MAC. Rampas de acessibilidade e paraciclos, para estacionamento de bicicletas, também foram instalados. A inauguração faz parte de uma série de investimentos do município em prol do ciclismo e marca os 90 quilômetros de malha cicloviária da cidade, ainda segundo a prefeitura.

Débora Craveiro, moradora de Boa Viagem, relata que a vida ficou mais fácil com a ciclovia. Como vai à faculdade e à academia de bicicleta, conta que o novo trecho é um facilitador:

— A ciclofaixa facilitou muito a minha locomoção diária com praticidade e segurança, especialmente nesses trajetos. Além de delimitar com clareza o espaço destinado aos ciclistas, ela também acaba sendo um chamariz. Agora temos até a possibilidade de locação de bicicletas pela cidade, o que amplia ainda mais o acesso e o incentivo ao uso.

Para ela, esse meio de locomoção representa múltiplas vantagens: economia, praticidade, conexão com o entorno e uma sensação de liberdade.

—Gostaria de ver toda a cidade conectada — diz.

Fonte: O Globo Niterói


quinta-feira, 25 de setembro de 2025

NITERÓI DE BICICLETA REPERCUTE NA ARGENTINA: "Niterói de Bicicleta: una política sostenida que transformó la ciudad"


Con alianzas, datos en tiempo real y eventos culturales, el programa Niterói de Bicicleta tiene más de 10 años de trayectoria y permitió consolidar una política pública de largo plazo que transformó la movilidad urbana y promovió una nueva cultura ciudadana.

Cuando alguien recorre las ciclovías de Niterói (Río de Janeiro, Brasil), difícilmente imagine que hace apenas una década esta ciudad lucía una movilidad urbana dominada casi por completo por automóviles, buses y caminos pensados para los vehículos motorizados.

Pero ese escenario cambió profundamente. Lo que hoy parece una apuesta evidente —incentivar la bicicleta como medio de transporte— fue construida con persistencia, ajustes, alianzas y una estrategia integral.

Dos datos resumen esta transformación: la ciclovía de la Avenida Marquês do Paraná, hoy considerada la más concurrida de Brasil, registra picos de 7.000 ciclistas por día hábil, con alta participación femenina. En términos comparativos, ese volumen representa un crecimiento de casi 800 % entre 2014 y 2025.

Estas cifras no son un logro repentino. Se trata de una transición que, desde 2013 en adelante, redefinió prioridades en la gestión urbana. La creación de la Coordinación Niterói de Bicicleta marcó un hito al institucionalizar una gobernanza que integra actores públicos, privados, académicos y la sociedad civil. A su vez, se apoya en un sistema de monitoreo en tiempo real: Contabike.

Desde el Ayuntamiento de Niterói insisten en que es ese entramado técnico, político y ciudadano el que permitió transformar las calles y las prácticas de desplazamiento. +COMUNIDAD dialogó con João Pedro Boechat, director de Infraestructura Cicloviaria, y Filipe Simões, coordinador del programa Niterói de Bicicleta, para entender cómo fue ese camino y qué aprendizajes deja para otras ciudades.

Visualización de Contabike en Niterói.

Una bicicleta en el corazón de la estrategia urbana

La apuesta de Niterói ha sido clara: la bicicleta no es un accesorio, sino parte integrante del urbanismo y la movilidad. Como explican Boechat y Simões: “Desde 2013, Niterói viene implementando un cambio estructural al integrar la bicicleta como eje estratégico de la política pública de movilidad urbana. La ciudad adoptó un enfoque transversal que articula planificación urbana, infraestructura ciclista, educación para la movilidad activa y participación ciudadana”.

Eso implicó desplegar un enfoque multidimensional: infraestructura física, formación en movilidad activa y apertura al diálogo ciudadano. En 2021, ese esfuerzo se institucionalizó con la creación de la Coordinación Niterói de Bicicleta, vinculada a la Secretaría de Movilidad e Infraestructura. La meta: consolidar una política de largo aliento con estructura, presupuesto y dirección definida.

Hoy, esa gobernanza cuenta con equipos técnicos dedicados, alianzas con universidades, organizaciones sociales y el sector privado, y procesos participativos sistemáticos.

Los funcionarios de Niterói señalan que las prioridades inmediatas giran en torno a “la ampliación de la infraestructura existente (ciclovías, bicicletarios y sistema de bicicletas compartidas), la elaboración participativa de un nuevo plan de políticas cicloviarias y el fortalecimiento de acciones educativas y de estímulo a la cultura de la bicicleta”.

Esta arquitectura institucional ha permitido que la bicicleta deje de ser una “idea simpática” y se convierta en componente estructural de la movilidad local.

Niterói de Bicicleta. Imagen: Alex Ramos para Cidade de Niterói

Niterói de Bicicleta: datos, evidencia y retroalimentación

Para que una política no sea meramente declarativa es imprescindible que esté anclada en monitoreo, mediciones constantes y mecanismos de ajuste. Niterói de Bicicleta va en esa dirección. 
  • Monitoreo con CONTABIKE
Desde comienzos de 2024, la ciudad puso en marcha Contabike, un sistema de contadores automáticos en puntos estratégicos de la red urbana. Estos contadores miden el flujo de ciclistas en tiempo real, hora a hora, y permiten cruzar datos de uso, momentos pico y demanda geográfica. Antes, las mediciones eran ocasionales; ahora, el dispositivo posibilita una lectura continua de la ciudad.

Ese avance ha permitido tomar decisiones más precisas: dónde extender carriles, dónde reforzar infraestructura ya existente, y cómo distribuir los recursos en barrios con menor cobertura.
  • Evidencias visibles en el espacio público
El dato más contundente: la ciclovía de Marquês do Paraná lidera el ranking nacional en flujo. En un solo día, se registran más de 7.000 ciclistas que circulan por ese tramo. Además, informes del municipio señalan que la red cicloviaria ya supera los 85 km, con proyección para alcanzar los 120 km.

Otro indicador relevante: el contador de bicicletas en avenidas emblemáticas superó la marca de 2 millones de pasajes registrados cada una. Desde la Prefeitura subrayan cómo el uso de la bicicleta ya forma parte del cotidiano urbano.
  • Retroalimentación y escucha ciudadana
Pero Niterói no deposita toda su confianza en los aparatos. Boechat y Simões enfatizan la importancia de procesos participativos: talleres territoriales, consultas en línea y encuestas a ciclistas. Esa “escucha activa” permite que las demandas del día a día se prioricen e incorporen a los proyectos.

De esta manera, explican, lo que comienza como una métrica técnica —por ejemplo, menos flujo en un tramo a cierto horario— puede transformarse en ajuste de proyecto, cambio de señalización o reconfiguración de rutas si lo indiquen las voces locales.

Sistema Contabike. Imagen: Luciana Carneiro

Qué funcionó y recomendaciones para otras ciudades

El camino de Niterói permite ahora un balance con aciertos y desafíos que pueden orientar a otras ciudades. Respecto a lo que ha dado resultado, Boechat y Simões ofrecen el siguiente repaso: 
  • Coherencia institucional y técnica: mantener la bicicleta como política pública permanente, con equipo dedicado y presupuesto — no como “programa pasajero” de un mandato.
  • Sinergia entre dato y participación: los datos orientan, pero la legitimidad la aporta la participación ciudadana.
  • Integración urbana: vincular la bicicleta con otras agendas —transporte público, salud, ambiente, ordenamiento territorial— otorga robustez al proyecto.
  • Visibilidad simbólica: eventos como el Niterói Bike Fest / Bicicultura fortalecen redes, visibilizan esfuerzos y muestran resultados en acción.
  • Equidad en el acceso: políticas de gratuidad en bicicletarios y bicicletas compartidas reducen barreras económicas al uso.

“Con una gobernanza estructurada, el tema ha avanzado incluso frente a los desafíos heredados de décadas de ‘rodoviarismo’ (priorización del transporte automotor), como la resistencia a la redistribución del espacio vial y la necesidad de integrar esta cultura en todos los sectores de la administración pública”, reflexionan João Pedro Boechat y Filipe Simões.

Tres recomendaciones clave

Consultados sobre consejos para otras ciudades, los especialistas de Niterói recetan: 
  • Planificar con base en datos y participación social desde el inicio.
  • Tratar la bicicleta como una política pública permanente, con equipo técnico y presupuesto dedicado.
  • Valorar la cultura de la bicicleta como parte de la vida urbana y del ethos del municipio.

Paseo ciclístico en las calles de Niteroi. Imagen: Prefeitura de Niteroi.

Financiamiento: por qué es una inversión y no un gasto

La tensión presupuestaria es una pregunta inevitable para muchas ciudades: ¿cómo justificar asignar recursos a una política ciclista frente a múltiples demandas? La respuesta que ofrecen los gestores de Niterói invita a mirar la bicicleta como inversión con retorno social, urbano y económico.

“Invertir en bicicleta tiene un gran costo-beneficio, con un valor relativamente bajo de infraestructura y otras actividades importantes para la promoción de la movilidad activa y un ‘retorno’, con implicaciones directamente en la vida de las personas”, analizan Boechat y Filipe Simões.

A nivel individual, la bici “es el vehículo más barato de adquirir y mantener, sin costo de combustible” y con beneficios en salud y bienestar. El razonamiento continúa así: a nivel social, más gente que pedalea significa menos riesgo de enfermedades asociadas al sedentarismo, menos siniestros de tránsito y menores costos de mantenimiento urbano por menor desgaste de pavimentos. Cuando crece la participación modal de la bicicleta, bajan la congestión, la contaminación y los costos viales. Es, en suma, una inversión estratégica.

En síntesis: los costos de infraestructura ciclista y actividades de incentivo suelen ser menores comparados con la escala de las calles y redes motorizadas, Mientras, los beneficios —mejor salud, menor siniestralidad, ahorro energético, menor desgaste urbano— son acumulativos.

Además, una vez que la bicicleta gana participación modal, la presión sobre otros modos (automóviles, buses) se reduce. Menos congestión, menos contaminación, menor costo de mantenimiento vial. Por eso –dicen desde Niterói– explicarle a un gobernante que esto no es “un gasto extra” sino parte del capital urbano es estratégico.

En esa lógica, la financiación puede venir de partidas municipales, fondos estatales o federales, alianzas público-privadas —por ejemplo patrocinio de estaciones— y otros mecanismos innovadores. Niterói ya incorpora algunas de esas ideas en su hoja de ruta institucional.



Imágenes de la última edición de Niteroi Bike Fest. Imagen: Niteori Bike Fest.

La infraestructura y los datos son necesarios, pero la transformación se sostiene en la cultura. Por eso Niterói impulsa eventos masivos como el Niterói Bike Fest y Bicicultura, que en 2025 reunió a académicos, gestores y activistas de todo Brasil bajo el lema “Ruedas que cambian ciudades: movilidad y vida”.

Durante cuatro días hubo paseos colectivos, competencias, talleres y debates. “Cuando veo ustedes aquí, recuerdo el inicio de esta lucha. Niterói no tenía un kilómetro de ciclovía. Ahora nos enorgullece tener la ciclovía más concurrida de Brasil”, dijo en el evento de apertura el alcalde Rodrigo Neves.

Además de celebrar avances, el festival funciona como plataforma de intercambio técnico, visibilidad política y reforzamiento de redes entre ciudades. En la edición de 2025, estuvieron presentes gestores de más de una decena de municipios interesados en conocer el modelo de Niterói.

Última edición de Niteroi Bike Fest. Imagen: Niteroi Bike Fest.

Niterói no es una ciudad gigante (tiene casi 500.000 habitantes), pero su experiencia recibe atención internacional al demostrar que transformaciones serias en movilidad no exigen capitales monumentales, sino estrategia, constancia y compromiso político-técnico.

Algunas ideas clave que merecen atención:
  • La transformación urbana hacia modos activos requiere tiempo y etapas bien articuladas.
  • Lo técnico (datos, monitoreo, infraestructura) debe convivir con lo simbólico (cultura, visibilidad, comunidad).
  • La institucionalidad es esencial: sin estructura permanente y continuidad política no sobreviven las propuestas.
  • La gratuidad, cuando sea viable, es catalizadora de equidad.
  • Los eventos pueden ser palancas de aceleración, visibilidad y legitimidad.

Fonte: +Comunidad