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quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Na homenagem a Alfredo Sirkis, o reencontro com ambientalistas e a lembrança de uma trajetória de lutas

Da esquerda para a direita, Axel Grael, Aspásia Camargo, Fernando Gabeira, Gilberto Gil, Guilherme Sirkis, Carlos Minc, Ana Borelli, Anna Sirkis e Lucélia Santos. 

No dia 14 de agosto, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro - ALERJ entregou a Medalha Tiradentes in memoriam ao grande ambientalista Alfredo Sirkis, falecido em 2020, uma justa homenagem de iniciativa do deputado Carlos Minc.

Além da entrega da medalha aos seus familiares, a ocasião foi uma grande oportunidade de rever amigos e militantes da longa caminhada ambientalista. Estiveram lá o cantor, compositor e ambientalista Gilberto Gil, o jornalista e ex-deputado federal Fernando Gabeira, o também ex-deputado federal e ambientalista advogado Fábio Feldman e nomes como Paulo Bidegain, Alba Simon, Rogério Zouein, Lucélia Santos, Guido Gelli, Aspásia Camargo, Samyra Crespo, Wilson Madeira, Roberto Ainbinder, Chico e Emanuel Alencar  André Trigueiro e tantos outros nomes. Muitos vieram de outras cidades para participar da homenagem.

Nas falas, muitas recordações de lutas, momentos relevantes da história ambientalista e até mesmo episódios engraçados com o Sirkis. 

Sirkis foi uma personalidade marcante da luta pela democracia, da ideologia Verde, da busca da construção de cidades sustentáveis e deixou também o seu legado na literatura, com livros como "Os Carbonários", "Megalópolis", "Descarbonários" e tantos outros. Trabalhei muito junto com Sirkis. Numa articulação dele junto a Leonel Brizola, tive a minha primeira experiência na administração pública, assumindo a presidência do Instituto Estadual de Florestas - IEF-RJ. Depois, trabalhei com ele na Secretaria de Meio Ambiente da Cidade do Rio de Janeiro - SMAC e fui nomeado por ele diretor executivo da Fundação Parques e Jardins. 

Em Niterói, o homenageamos com a criação do Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis, iniciativa da Prefeitura de Niterói que inclui o maior investimento no país em Soluções Baseadas na Natureza - SBN, com a implantação de técnicas de drenagem sustentável como jardins filtrantes, jardins de chuva etc.

O nosso último encontro foi numa reunião on-line quando ele celebrou com amigos a edição do seu último livro "Descarbonário", dedicado à causa climática, à qual dedicou-se com grande destaque internacional, quando aproximou-se de lideranças globais no tema como Al Gore. Na ocasião, disse a todos: "agora que lancei o livro, vou atravessar a Baía até Niterói e fazer a campanha para a eleição do prefeito Axel Grael". Infelizmente, não deu tempo... Mas, ele teve papel fundamental inspirando os nossos compromissos e projetos para a cidade e na condução da nossa gestão que se notabilizou pelas políticas para a sustentabilidade de Niterói.

Mais uma vez, Sirkis nos uniu e fez luz no caminho de todos nós, reafirmando a necessidade de perseverar e trabalhar cada vez mais na busca da sustentabilidade e do enfrentamento da emergência climática.

Axel Grael


terça-feira, 28 de julho de 2020

PARQUE ORLA DE PIRATININGA RECEBERÁ O NOME DO AMBIENTALISTA ALFREDO SIRKIS





Parque de Piratininga terá o nome do ambientalista Alfredo Sirkis

Obras começam em agosto e vão recuperar o manguezal, criar passeios e ciclovias


O Parque da Orla de Piratininga vai se chamar Parque Alfredo Sirkis, uma homenagem da cidade ao ambientalista Alfredo Sirkis, morto este mês num acidente de trânsito. O Prefeito Rodrigo Neves revelou a decisão em conversa com o A Seguir: Niterói, ao anunciar a aprovação do projeto e o sinal verde o para início das obras, o que deve acontecer ainda em agosto. Sirkis foi um dos fundadores do Partido Verde, ao qual o Prefeito e o ex-secretário e pré-candidato Axel Grael foram filiados. E acompanhava projetos de preservação desenvolvidos na cidade, em especial o uso de ciclovias.

- O Sirkis foi muito importante para o meio ambiente. Como o Chico Mendes foi para a preservação da floresta. Ele era um ambientalista urbano, que defendia o uso racional dos recursos - comentou o Prefeito. Rodrigo Neves fala com entusiasmo do projeto, “que já foi premiado antes mesmo de sair do papel.”

O Parque da Orla tem a marca do ex-secretário Axel Grael, um engenheiro florestal que tem atuado pela preservação das áreas verdes da cidade e limpeza das praias e lagoas. O projeto prevê a recuperação do entorno, com saneamento e melhoria da qualidade da água, construção de passeios e ciclovias. No seu blog, Axel lamentou a morte de Alfredo Sirkis no dia 10 de junho. Atribuiu a ele sua vinculação ao Partido Verde.

Jornalista, escritor, deputado, Sirkis teve uma trajetória singular na política brasileira. Depois de participar de movimentos estudantis, participou da luta armada contra a ditadura militar e viveu no exílio por sete anos. Em 80, de volta ao Brasil, com a abertura, contou sua história no livro Os carbonários, que mereceu o Prêmio Jabuti. Foi vereador e deputado no Rio de Janeiro, atuou no governo Brizola e foi secretário do Meio Ambiente. Ativista ambiental, ajudou a criar o PV e foi seu presidente durante alguns anos.

O que é

O Parque Orla Piratininga (POP) é o projeto da prefeitura para revitalizar a Lagoa de Piratininga, na Região Oceânica de Niterói. Ponto de despejo irregular de esgoto há anos, a lagoa vem sofrendo com a poluição, mortandade de peixes, fauna e flora da região. Na semana passada, a prefeitura lançou edital de licitação para a obra de Urbanização e de Edificações do parque. O valor máximo estimado é de aproximadamente R$ 47 milhões.

A iniciativa contempla, ainda, a recomposição vegetal da orla da Lagoa, abrangendo uma área de mais de 150 mil metros quadrados. O grande diferencial será a implantação de um sistema de gestão de águas pluviais composto por bacias de sedimentação, jardins filtrantes, jardins de chuva e biovaletas para a captação e tratamento das águas provenientes dos rios e da rede de drenagem das principais bacias contribuintes à Lagoa de Piratininga.

Com a criação do parque serão implantados cerca de 10 quilômetros de sistema cicloviário ao longo de toda a orla da Lagoa, píeres de contemplação e de pesca, mirantes e áreas de lazer, três delas com quadra de esporte, além de brinquedos e academia de ginástica.

Fonte: A Seguir: Niterói




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Alfredo Sirkis: a despedida de um campeão da sustentabilidade

PARQUE ORLA DE PIRATININGA (POP) citado como exemplo de drenagem sustentável em publicação da Comunidade Europeia

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Alfredo Sirkis: a despedida de um campeão da sustentabilidade




O movimento ambientalista, a sustentabilidade urbana, a luta contra as mudanças climáticas e a política brasileira perderam um de seus maiores nomes e um lutador aguerrido, Alfredo Sirkis, falecido tragicamente num acidente de automóvel na última sexta-feira, dia 10 de julho. 

Meu último encontro com ele foi há poucos dias, infelizmente de forma remota, quando Sirkis lançou o seu livro "Descarbonarios" numa live que reuniu seus amigos, admiradores e companheiros de caminhada, que eram muitos. No meio da minha correria diária, entrei na reunião, deixei uma mensagem e saí. Ele viu que passei rapidamente, pediu que a nossa amiga, a ambientalista Alba Simon, me ligasse para voltar. Me saudou como o "próximo prefeito de Niterói", disse que viria fazer a nossa campanha e que queria ajudar a fazer de Niterói uma referencia em políticas climáticas. Também se referiu ao prefeito Rodrigo Neves e fez uma defesa enfática com relação à injustiça cometida contra ele em 2018. Era um apaixonado pela cidade do Rio e também por Niterói. Ele sempre acompanhava nossos passos por aqui e me ligava para comentar.

Sirkis tinha personalidade forte, era uma figura firme e imponente. Brizola o chamava de "general prussiano"! Tinha aquele jeito durão e aparência enérgica, mas ao falar de seus projetos e sonhos, mostrava-se um aguerrido perseguidor dos seus ideais. Muito culto, falava vários idiomas e se correspondia com personalidades mundiais da primeira linha. Eu sempre admirei a sua capacidade de leitura e interpretação do cenário político e a sua estreita conexão com o que havia de vanguarda nas políticas para a sustentabilidade no mundo.

Ajudou a fundar três partidos: foi um dos signatários da Carta de Lisboa, de 1979, que deu origem ao Partido Democrático Trabalhista - PDT, foi um dos fundadores de Partido Verde (1986) e da Rede Sustentabilidade (2013). 




Sirkis e a minha carreira na gestão pública

Foi ele que, como presidente do PV, me indicou para o meu primeiro cargo público: presidente do Instituto Estadual de Florestas - IEF-RJ, no segundo governo Brizola. Era 1990/1991, eu tinha por volta de 32 anos, já militava como ambientalista em Niterói desde 1980, e fui pinçado por ele do movimento ambientalista para esse importante desafio. Naquela ocasião eu era um dos líderes do Movimento Cidadania Ecológica - MCE, e tínhamos como principal bandeira a criação do Parque Estadual da Serra da Tiririca, para o qual produzimos os estudos técnicos para embasar a sua criação, redigimos a minuta de projeto de lei e fazíamos a mobilização para pressionar para a sua efetivação.

Agitávamos muito, tínhamos uma grande capacidade de mobilização e chegamos a ter uma grande repercussão na imprensa. Certa ocasião, num domingo, fomos foto de destaque da primeira página do Jornal do Brasil, caminhando pela trilha do Alto Mourão e reivindicando o parque. Dias depois, Sirkis me telefonou, perguntou se eu aceitaria presidir o IEF, justamente o órgão que teria a atribuição de implantar e gerir o nosso parque, além de todas as demais do estado. Apesar da total falta de experiência, aceitei o convite e aguardei a resposta dos entendimentos dele com o governador eleito, Leonel Brizola. 

Eu trabalhava com consultoria ambiental, como responsável pela área ambiental do escritório do Rio de Janeiro da Jaakko Pöyry Engenharia, uma empresa de origem finlandesa e que era na ocasião uma das maiores do país. Quando eu voltava de uma visita a uma indústria no Sul do estado, Sirkis me ligou e disse, preciso que você me acompanhe em uma solenidade. Segui da estrada direto para o local, uma recepção de engravatados e eu me sentindo um mulambo. Lá, encontrei o jornalista Roberto D'Ávila, que já havia sido anunciado como o futuro secretário estadual de Meio Ambiente e este me apresentou aos presentes como o novo presidente do IEF-RJ.

Com Sirkis na cidade do Rio de Janeiro

Depois dos quatro anos no IEF-RJ, já encantado com a administração pública, fui ajudar o Sirkis a implantar a Secretaria de Meio Ambiente da Cidade (Prefeitura do Rio). Na época, ele estava no meio de uma grande polêmica, divergindo publicamente do prefeito Cesar Maia e com o então secretário de Urbanismo, Luiz Paulo Conde, sobre a supressão de umas árvores e a destruição de um bosque de umas árvores ameaçadas de extinção, as tabebuias, na Barra. Para reforçar a sua posição, fui nomeado por ele diretor executivo da Fundação Parques e Jardins do Rio, com a missão de implantar uma política para a arborização pública da cidade.

Na época, eu também o ajudei a iniciar a implantação da malha cicloviária do Rio, uma iniciativa pioneira no país. Juntamente com a arquiteta Estela Neves, eu atuava na estruturação de um programa de educação cicloviária, com a finalidade de superar os muitos conflitos que surgiram com a chegada das ciclovias do Rio.

Ironicamente, Alfredo que era um amante da bicicleta e crítico do automóvel, nos deixou num acidente de carro e batendo num poste com energia solar. Certamente, isso há de nos ensinar algo, assim que formos capazes de compreender tristes momentos como este. 

Sirkis fará muita falta, mas certamente o céu está mais verde e emanando ventos de sustentabilidade para nós. Ele deixou a sua marca por aqui e continuará sempre nos inspirando. 

Axel Grael



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Ex-deputado federal Alfredo Sirkis morre em acidente de carro

O ex-deputado federal Alfredo Sirkis, de 69 anos, morreu num acidente de carro nesta sexta-feira, dia 10, no Arco Metropolitano. Segundo informações O veículo, um Volkswagen Polo, cinza, saiu da pista, bateu num poste e capotou.

O acidente ocorreu por volta das 14h20 no km74, na altura de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, no pista sentido Caxias-Dutra.

Alfredo Hélio Syrkis nasceu no dia 8 de dezembro de 1950 no Rio de Janeiro. Era jornalista, escritor e roteirista de TV e cinema, gestor ambiental e urbanístico e ex-parlamentar. Atualmente, era diretor executivo do think tank Centro Brasil no Clima (CBC). Entre outubro de 2016 e maio de 2019 foi o coordenador executivo do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima (FBMC), tendo organizado a campanha Ratifica Já! que propiciou a ratificação, pelo Brasil, em tempo recorde, do Acordo de Paris; do processo para a elaboração da Proposta Inicial para Implementação da NDC brasileira e da avaliação Brasil Carbono Neutro 2060. Quando deputado federal (2011-2015) presidiu a Comissão Mista de Mudança do Clima do Congresso Nacional (CMMC) e foi um dos vice-presidentes da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados. Decidiu não se candidatar à reeleição, em 2014.

Foi vereador em quatro mandatos, secretário municipal de urbanismo e presidente do Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos (IPP), entre 2001 e 2006 e secretário municipal de meio ambiente, entre 1993 e 1996, na cidade do Rio de Janeiro. Membro da delegação brasileira às conferências do Clima de Montreal, Bali, Copenhagen, Durban, Varsóvia, Lima, Paris, Marrakech e Bonn. Integrou as comissões executivas do ICLEI (International Council for Local Environmental Initiatives) e do Metrópolis. Foi um dos fundadores do Partido Verde brasileiro e um dos expoentes da ideologia verde no Brasil.

Autor de nove livros, dos quais o mais conhecido é Os Carbonários (1980), Prêmio Jabuti de 1981, ele iniciou seu trabalho como jornalista, em Paris, em 1973, no recém fundado jornal Liberation, dirigido por Jean Paul Sartre, foi seu correspondente freelancer em Santiago (1973, durante o golpe de estado) e Buenos Aires (1974). Em Portugal colaborou com os semanários Expresso e Gazeta da Semana e os diários República, Diário Popular, Diário de Lisboa, foi redator do Jornal Novo, editor internacional de Página Um e redator chefe da edição em português de Cadernos do Terceiro Mundo. Nessa época também colaborou com Le Monde Diplomatique. Nesse período utilizava o pseudônimo “Marcelo Dias”.

Nos anos 70 passou oito anos e meio no exílio na França, Chile, Argentina e Portugal. Foi líder estudantil secundarista, em 1967 e 1968. Entre 1969 e 1971 participou da resistência armada contra a ditadura militar brasileira (1964–1985) (os Anos de Chumbo), participando de operações armadas, inclusive dois sequestros de diplomatas que levaram à libertação de presos políticos.

Na imprensa brasileira trabalhou como repórter das revistas Veja (1982) e Istoé (1983) e colaborou com os semanários Pasquim, Playboy, Jornal de Domingo e Shalom. Elaborou diversos roteiros para a série Teletema da TV Globo (1986-7) como Maria Testemunha, Estrela do Mar, O russo desaparecido e a Mulata Esmeralda, O grande prêmio e A árvore mágica.

Foi colaborador dos jornais O Globo, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Valor Econômico e Correio Brasiliense.

POLÍTICA

Ao voltar do exílio, dedicou-se à carreira de escritor. Lançou, em 1980, o livro de memórias Os carbonários, que se tornou um best-seller. e ganhou o Prêmio Jabuti de 1981. No ano seguinte, lançou mais um livro de memórias, desta vez abordando seus dois primeiros anos no exílio: Roleta chilena. Em 1983, lançou Corredor polonês, romance baseado na trajetória de seus pais poloneses. Em 1985, fez uma incursão no gênero da ficção científica com Silicone XXI, onde descreve uma Rio de Janeiro futurista.

Abandonando a ideologia marxista de seus tempos de guerrilheiro, Sirkis não entrou para os tradicionais partidos de esquerda e tornou-se um dos expoentes da ideologia verde no Brasil. Em 1986, foi um dos fundadores do Partido Verde brasileiro, seu primeiro secretário-geral e presidente nacional entre 1991 e 1999.

Elegeu-se vereador do município do Rio de Janeiro em 1988, sendo o mais votado, com 43 000 votos.

Em 1989, obteve a aprovação do tombamento do Bosque da Freguesia, em Jacarepaguá e a Lei de Sinalização Ecológica.

Em 1990, obteve a aprovação para a criação da Área de Proteção Ambiental da Prainha, impedindo a construção de doze edifícios no local. Elaborou o capítulo de meio ambiente da Lei Orgânica do Município do Rio de Janeiro.

Em 1991, liderou a luta em defesa da Lagoa de Marapendi, ameaçada por um projetos imobiliários; elaborou o capítulo de meio ambiente do Plano Diretor Decenal e obteve o compromisso do prefeito Marcello Alencar para a construção das ciclovias da orla marítima.

Em 1992, obteve a aprovação da Lei de Incentivos Fiscais para projetos eco-culturais (desde então, chamada Lei Sirkis), que viabilizou o Fórum Global 92 durante a Conferência das Nações Unidas Sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento; criou a Área de Proteção Ambiental das Brisas, na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro e presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito de atividades irregulares de segurança. Foi reeleito vereador, embora tenha se afastado para ser o primeiro secretário municipal de meio ambiente do Rio de Janeiro de 1993 a abril de 1996.

Em 1993, foi convidado pelo prefeito César Maia para criar a secretaria de meio ambiente da cidade, assumindo o cargo de secretário extraordinário. A lei de criação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente encontrou forte resistência na Câmara de Vereadores, sendo rejeitada duas vezes antes de ser aprovada em 1994.

Em 1994, desenvolveu mutirões de reflorestamento, iniciou o projeto das Ciclovias Cariocas e criou o Conselho das Águas da Baixada de Jacarepaguá.

Em 1995, começou a construção das ciclovias; realizou obras de recuperação da rede da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro no entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas; iniciou o saneamento do Recreio dos Bandeirantes; implantou o Parque do Bosque da Freguesia e o Parque Marcelo de Ipanema; iniciou a dragagem da Lagoa do Camorim e ampliou o mutirão de reflorestamento em 47 favelas.

Deixou o cargo de secretário municipal em abril de 1996 com uma aprovação de 87%, segundo pesquisa do IBOPE. Lançou a coletânea Verde Carioca. Concorreu novamente à Câmara de Vereadores. Perdeu as eleições por insuficiência de votos da coligação, mas obteve uma votação pessoal maior do que a grande maioria dos vereadores eleitos e ficou como primeiro-suplente do Partido Verde.

Em 1997, assumiu a secretaria executiva da Fundação Ondazul e seu processo de reorganização. Elaborou o projeto do Parque Ecoturístico do Cânion do São Francisco, na Bahia.

Foi candidato à presidência da república pelo Partido Verde em 1998, com o objetivo de divulgar as propostas do partido.

Ao deixar a presidência nacional do partido em 1999, assumiu a vice-presidência executiva da Fundação Ondazul. Tendo sido votado o primeiro-suplente de vereador do Rio de Janeiro pelo Partido Verde nas eleições municipais de 1996, Alfredo Sirkis conseguiu assumir o mandato em 1999. Cuidou da aprovação das áreas de proteção ambiental da Capoeira Grande e do Morro do Silvério, na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro. Lançou Ecologia urbana e poder local, um ensaio sobre gestão ecológica.

Em 2000, conseguiu a criação dos projetos Reciclagem e Cultura e Manguezais da Baía da Guanabara.

Em 2000, foi candidato a prefeito do Rio de Janeiro. Não conseguiu ser eleito, mas sua votação expressiva fez com que o prefeito eleito César Maia o escolhesse para ser secretário municipal de urbanismo e presidente do Instituto Pereira Passos.[13]

Em 2001, lançou o Programa de Revitalização da Área Portuária e os concursos para o novo Circo Voador e o novo Centro de Convenções; apresentou o Congresso da unificação IULA-FMCU no RioCentro e foi eleito secretário do Metrópolis para América do Sul e Caribe.

Em 2002, iniciou a elaboração de treze projetos para a área portuária; obteve a aquisição do Pátio da Estação Marítima para a construção da Vila Olímpica da Gamboa e da Cidade do Samba; iniciou a elaboração do projeto de ciclovia Bangu-Campo Grande e das novas ciclo-faixas da Zona Sul; negociou as Áreas de Proteção ao Ambiente Cultural do Jardim Botânico, Botafogo e a ampliação da Área de Proteção Ambiental da Lagoa.

Em 2003, criou, na Secretaria Municipal de Urbanismo, a Gerência de Operações Especiais e a Coordenadoria de Regularização Urbanística que dinamizaram, em 61 favelas, o trabalho dos Postos de Orientação Urbanística e Social e coordenou a operação Recreio em Ordem que derrubou quatro prédios erguidos sem licença.

Em 2004, concluiu com sucesso as negociações para a desapropriação do Cassino da Urca para abrigar o Museu do Rio, com um projeto de restauração do prédio original e lançou a rede Autonomia Carioca, que defende a desfusão e a recuperação, pela cidade do Rio de Janeiro, de sua condição de estado brasileiro. Apoiou a reeleição de César Maia em 2004 e continuou como secretário municipal no exercício de governo seguinte.

Em 2005, reassumiu a presidência do Partido Verde no estado do Rio de Janeiro.

Em 2006, por divergências políticas com o prefeito César Maia, exonerou-se do cargo de secretário municipal de urbanismo e passou para a oposição. Concorreu ao Senado Federal do Brasil pelo Partido Verde, obtendo o terceiro lugar, com 500 000 votos, correspondentes a sete por cento dos votos no estado.

Em 2007, coordenou nacionalmente a campanha Brasil no Clima.

Em 2008, candidatou-se novamente a vereador da cidade do Rio de Janeiro, sendo eleito como o quarto mais votado.

Nas eleições de 2010, coordenou a pré-candidatura de Marina Silva à presidência da república e foi eleito deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro com 73.185 votos (0,91% dos votos válidos), o 26º mais votado.

Em 2011, lançou o livro O efeito Marina, sobre a campanha presidencial de Marina no ano anterior. Entrou em conflito com o grupo dominante do PV que provocou a saída de Marina Silva do partido ao negar-se a promover um processo democrático de convenção. Sirkis permaneceu no partido em situação de isolamento.

Em 2012, participa da mobilização de resistência na Câmara e nas ruas contra o enfraquecimento do Código Florestal brasileiro e organiza como evento paralelo à Conferência Rio + 20 o Rio/Clima – The Rio Climate Challenge com a participação de lideranças ambientais e climáticas de 14 países.

Em 2013, foi um dos articuladores da Rede Sustentabilidade, porém quando o TSE negou o registro do partido Sirkis acompanha Marina Silva e filia-se ao PSB

Em 2014, assume a presidência da Comissão Mista de Mudanças Climáticas do Congresso Nacional. Ao se aproximar o processo eleitoral, em protesto pela coligação do PSB com o PT, no Rio de Janeiro, abre mão de sua candidatura à reeleição para deputado federal e afirma: “depois de ter feito oposição, ainda que moderada, ao governo durante quatro anos, no Congresso, não posso agora aparecer como candidato em uma coligação com o PT”. Também se afasta discretamente da Rede Sustentabilidade.

Em 2015, volta ao terceiro setor, dedica-se a cursos de formação de gestores de governança local e a criação do “think tank” Centro Brasil no Clima (CBC). No momento não exerce atividade político partidária.

Em 2016 assume o encargo não-remunerado de secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas que é presidido pelos presidentes da República e constituído de Ministros outros membros do poder público e representantes da sociedade civil no setor acadêmico, empresarial e terceiro setor.

Fonte: A Tribuna









quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Estou na Rede de Ação Política pela Sustentabilidade – RAPS






Recebi uma ótima notícia, que me deixou muito feliz: fui aprovado como membro da Rede de Ação Política pela Sustentabilidade – RAPS, uma "organização pioneira na formação, apoio, conexão e desenvolvimento de lideranças políticas", fundada em 2012.

Até a nova seleção, da qual faço parte, a RAPS reunia 576 lideranças localizadas por todo o Brasil, pertencentes a 29 partidos políticos diferentes. Dentre estes, 134 têm mandatos eletivos, como governadores, prefeitos e vice-prefeitos, senadores, deputados federais, deputados estaduais, deputados distritais, vereadores.


Processo seletivo RAPS 2020


Novos selecionados

Conforme expresso na correspondência abaixo, na qual fui comunicado da minha aprovação no processo seletivo, o RAPS conquistou um número recorde de inscrições:

"Neste ano, alcançamos o patamar histórico de 7030 inscrições para o processo seletivo Líderes RAPS 2020, o triplo de interessados de 2018 e o dobro de 2019. Os interessados foram pessoas de todos os estados brasileiros e de 31 partidos políticos diferentes. Este é um sinal de que há cada vez mais brasileiros e brasileiras dispostos a participar da política institucional e também de que a RAPS tem conquistado um espaço relevante da construção de diálogo e de ações conjuntas por um Brasil mais sustentável.
Para o grupo deste ano, selecionamos 99 lideranças, de 21 partidos políticos e 25 unidades da federação, com distintas trajetórias e experiências, mas que estão ligadas pelo desejo comum de construir um país mais justo, com mais oportunidades, melhor qualidade de vida para todos e com respeito aos recursos naturais. Essas são pessoas que pretendem ser candidatar às eleições de 2020 ou que já possuem atualmente mandatos eletivos nas esferas municipal, estadual ou federal".




Além do aumento dos interessados, as inscrições para esse processo tiveram representantes de mais cidades. De 537 municípios em 2018, o número agora chegou a 1.421. A representatividade de candidatos negros e pardos também mais que dobrou, de 1.417 para 3.244, e agora é 46% do total.

Veja aqui a relação de lideranças que fazem parte da RAPS. A lista completa dos novos selecionados pode ser conhecida aqui.

Acesse aqui a lista dos novos selecionados


Motivação

Diante do quadro caótico no país, quando somos surpreendidos a cada dia por novos retrocessos na política ambiental, é muito estimulante perceber que há um crescente número de políticos no país - já reconhecidos ou em formação - comprometidos e interessados em se aprofundar mais nos temas da sustentabilidade.

Ainda mais animador é verificar que esse crescimento é tão abrangente territorialmente, tão rico no que se refere às formações profissionais e tão diverso ideologicamente, colocando o tema onde ele deve estar: numa abordagem holística e suprapartidária.

Vamos em frente na construção de um Brasil sustentável e socialmente justo.

Axel Grael









quarta-feira, 19 de junho de 2019

Como o crescimento do Partido Verde poderá fazer a Europa liderar a agenda climática novamente



A volunteer hangs a European Union flag at a Green Party campaign office in London last month. TOLGA AKMEN/AFP/GETTY IMAGES



How Green Party Gains Could Make Europe a Leader Again on Climate

In recent years, Europe’s role as a global environmental leader has been jeopardized by rising nationalism and populism. But spurred by young climate activists, the Green Party fared well in the latest European Union elections and is now well-positioned to advance bold climate initiatives.

BY CHRISTIAN SCHWÄGERL

Traditionally, the European Union – the federation of 28 nations with 512 million inhabitants – has prided itself on being the global front runner in progressive policies on the environment and climate change. It has championed binding CO2 reduction targets in international negotiations, led the world in adopting renewable energy technologies, imposed strict rules that protect consumers from dangerous chemicals and pollutants, and created an extensive network of protected areas in densely populated Europe.

In recent years, however, a wave of nationalism and populism — which have included exhausting negotiations over Britain’s exit from the EU and a rise of right-wing governments from Hungary, to Italy, to Estonia — has consumed all political energy and brought the EU’s environmental agenda nearly to a stop. The major political parties in the European Union have deemed the environment to be of lower concern to their voters, far behind migration and economic growth.

That retreat may now have been halted. Inspired, or perhaps shamed, by continent-wide youth strikes protesting the lack of action on climate change, European Union voters turned the Green Party into one of the biggest winners in the recent elections to the European Parliament. The Greens increased the number of seats they hold in the 751-seat European Parliament, the EU’s joint legislative body, from 52 to 69. That green bloc is now the fourth-largest in the European Parliament, and with the share of center-right Conservatives and center-left Social Democrats down, analysts say the Greens are in a position to tip the scales in the parliament’s decision-making over the next five years. Experts say they could even play a role as kingmakers for the EU’s top job, the president of the hugely powerful administrative European Commission, with its 32,000 employees.

“Many people now hope that European climate policy will be revitalized, and that we will head toward carbon neutrality in 2050 and a minimum price for CO2 emissions,” says Maja Göpel, a political economist and head of the German Advisory Council on Global Change, the government’s leading expert group on environmental affairs.


One in five German voters supported the Green Party in the recent elections, a record.


The European Parliament results in Germany, the EU’s most populous nation, show how public sentiment — and electoral clout — have shifted in favor of the Greens. In recent years, instead of living up to its former role as an environmental pioneer, Germany has blocked EU environmental progress, Göpel argues. But after months of weekly protests by tens of thousands of striking school students in the so-called “Fridays for the Future” movement, one in five German voters supported the Green Party in the May 26 elections, a record level of support. To the amazement of the media and the shock of the ruling parties, the Greens came in second place, ahead of the greatly diminished Social Democrats.

Now, the strong result for German Greens will put pressure on the ruling coalition of Conservatives and Social Democrats to adopt a more environmentally progressive strategy, Göpel and other analysts say. In one poll, 48 percent of German voters cited climate change as their top concern. “Many parents have undoubtedly been more influenced by their own children’s calls for action than by those of politicians, scientists, or civil society,” says Anika Hedberg, senior policy analyst at the European Policy Center, a Brussels-based think-tank.

In an even stronger reflection of a changed public mood, 33 percent of voters between the ages of 18 and 24 supported the Greens. German media call it the “Greta Thunberg effect,” after the charismatic, 16-year-old Swedish climate activist who became the symbolic leader of the Fridays for the Future strikes. Already, the leaders of the governing parties in Germany have promised to listen more carefully to the demands of the Fridays for the Future movement and implement a far more ambitious climate strategy.

“We saw that many politicians across political parties reacted to people’s concerns on climate change in their campaigns,” says Hedberg. “Not just the Greens but also the center-left and liberals called for more ambitious climate action. This ‘green wave’ will surely influence the workings of the European Parliament.” Hedberg expects that the Greens will become important allies for EU policymaking and influence the program of the next European Commission.


German students at a Fridays for Future climate change protest in front of the Brandenburg Gate in Berlin on May 24. SEAN GALLUP/GETTY IMAGES


Other European analysts, however, caution that it would be naïve to underestimate the forces in Europe that remain aligned against highly ambitious policies to reduce carbon emissions and further strengthen the EU’s environmental regulations. Jouni Nissinen, president of the European Environmental Bureau — a network of 150 environmental organizations with 30 million members across Europe — said the recent elections also plainly demonstrated the continuing power of right-wing populists.

“Even if they did not get the landslide victory that was forecasted, they will do all they can to make forward-looking climate policy harder,” he says. “The axis of industrially minded Conservatives and Social Democrats is still bigger [than the Greens], so we are far from a ‘climate first’ kind of a revolutionary approach in political decision-making, even if that is precisely what we would need at the moment.”

Susanne Dröge, senior fellow at the German Institute for International and Security Affairs, struck a similar note of caution. “European decision-making is strongly influenced by national governments, and there we have seen a lot of successes for right-wing populists,” Dröge says.

Hedberg added, “We do not yet know how the nationalists will play the game – there is a risk the populists will exploit people’s fears as to what climate action could mean, as they have done with migration.”


Some experts say the EU must end large subsidies for agricultural practices that are harmful to the environment and climate.


Analysts also noted that, in the global fight to significantly slash CO2 emissions, right-wing leaders with an aggressive anti-environment agenda are in power in Brazil, Australia, and — above all — the United States, where the Trump administration is waging an aggressive fight against climate science and policies promoting reductions in CO2 emissions.

In addition to Germany, the Greens performed well in two other large European countries. In France, they received 13 percent of the vote. In the UK, 12 percent voted for the Green party, which is in favor of staying inside the EU – more people than voted for the ruling Conservative Party, which only received an abysmal 9 percent of the votes.

Whoever wins the powerful position of president of the EU commission will face many environmental challenges. Göpel thinks the most difficult battle will be redirecting the billions of Euros paid to farmers in subsidies, which has led to policies that promote industrial-scale farming at the expense of ecosystems and biodiversity.

“We need to change course in the EU’s Common Agricultural Policy,” says Göpel.

The first big test, says Hedberg, will be negotiations about the EU budget in the 2020s. “If the EU wants to put its money where its mouth is,” she says, “this would require, first, stopping subsidies for practices that are harmful to the environment and climate, and to the economy at large.” The EU’s Common Agricultural Policy, says Hedberg, “is largely used to support unsustainable practices such as livestock farming, so the European Parliament can and should put pressure on the member states to bring about a change.”


Leaders of the German Greens party celebrate on election night, May 26, in Berlin. TOBIAS SCHWARZ/AFP/GETTY IMAGES

To make that change happen is now the promise of the European Greens. Sven Giegold, the top politician for the German Green bloc in the EU parliament, wants to use the party’s newfound clout to make fundamental changes. “We will not accept steps that are only symbolic,” he says, adding that he wants every new EU law to be assessed for its effect on CO2 emissions and every Euro spent on agricultural subsidies to serve biodiversity and animal well-being.

One thing is clear, however. The Greens will face significant hurdles in bringing about the urgent changes in climate and environmental policy asked for by scientific bodies and agreed upon in international treaties like the Paris Climate Agreement and the Convention on Biological Diversity. The big question for EU politics now is whether the continent’s other parties – first and foremost the Conservatives and Social Democrats – have been sufficiently sobered by the recent EU elections to embrace more progressive environmental policies.

It will be hard to ignore the public’s decided shift toward the Greens. In Germany, the first national poll after the EU election showed the Greens ahead of the governing Conservative party of Angela Merkel — a first in the country’s post-war history. Some in the media have even started to speculate that the next German chancellor might come from the ranks of the eco party. Until recently, such speculation would have seemed completely unfounded. Now, it’s become part of the political debate.



Fonte: Yale E360