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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

IBGE divulga a 4º edição da série Áreas Urbanizadas do Brasil


Nota: Para favorecimento da visualização na escala de representação apresentada, as subcategorias Áreas Urbanizadas, Outros Equipamentos Urbanos e Vazios Intraurbanos estão agregadas na legenda como Feições Urbanizadas, e os contornos dos polígonos estão realçados com maior espessura. A base de dados geoespacial com tal desagregação pode ser acessada no Portal do IBGE na Internet.

Publicação faz referência ao ano de 2022.

O IBGE disponibilizou ao público, nesta terça-feira (18), a quarta edição da série Áreas Urbanizadas do Brasil, com ano de referência de 2022. A publicação apresenta a representação espacial do fenômeno urbano no País, fundamentada nas relações do espaço vivido que caracterizam as interações de vizinhança e o modo de vida urbano, evidenciadas pela presença de edificações, pela circulação de pessoas, pela rede viária e pela distribuição e proximidade entre residências, entre outros aspectos.
O processo de urbanização, marcado por sua complexidade e dinamismo, está entre os principais responsáveis pelas transformações socioespaciais observadas no território brasileiro. Nesse contexto, o mapeamento foi elaborado a partir da interpretação visual de imagens de satélite, cuja metodologia permite identificar e analisar processos de expansão, estabilidade, densificação e retração das morfologias urbanas em todo o País.

As Feições Urbanizadas se referem à agregação das subcategorias Áreas Urbanizadas, Vazios Intraurbanos e Outros Equipamentos Urbanos.

Entre os principais destaques estão as morfologias urbanas que ocupavam, em 2022, 50 981,91 km² do País, o equivalente a 0,60% da sua área territorial. Das Unidades da Federação, cinco concentraram 50,35% do total de Feições Urbanizadas: São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Bahia. Por outro lado, 13 Unidades da Federação tiveram participação inferior a 2% das Feições Urbanizadas no total do País.

O Nordeste apresentou maior incremento de área absoluta (1 961,44 km²) e de área relativa no período (16,52%) de Feições Urbanizadas e Loteamentos Vazios em relação as demais Grandes Regiões entre 2019 e 2022.

O monitoramento das Áreas Urbanizadas do Brasil é fundamental para compreender a ocupação do território e as dinâmicas da sociedade brasileira. A atualização periódica deste levantamento permite acompanhar a expansão das cidades e as transformações da paisagem, além de subsidiar o planejamento territorial, a implementação de políticas públicas e análises relacionadas à mobilidade urbana, habitação, meio ambiente e sustentabilidade.


Distribuição Geral das Feições Urbanizadas e Loteamentos Vazios

A distribuição geral destaca a concentração do fenômeno urbano no seu litoral: os 443 Municípios Costeiros, ocupam apenas 5,02% do território brasileiro, mas reuniram 9 941,50 km² de Feições Urbanizadas, equivalentes a 19,50% do total do País. Enquanto os 772 Municípios da Amazônia Legal representam 59,11% da área do território nacional, estes apresentaram apenas 14,27% das Feições Urbanizadas do País em 2022.

Na maior parte das Unidades da Federação, a distribuição das Feições Urbanizadas situou-se entre 65% e 80% de áreas Densas, frente a 20% a 35% de áreas Pouco Densas. As exceções foram o Distrito Federal e os Estados do Rio de Janeiro e de Rondônia, onde as áreas Densas se aproximaram de 85%, assim como os Estados do Acre e de Roraima, nos quais as áreas Pouco Densas ultrapassaram 40% do total.


O Sudeste destacou-se acentuadamente pela predominância de Feições Urbanizadas Densas em relação as demais Grandes Regiões, tanto absoluta com 14 529,63 km², quanto relativa, com 38,13% de todas as áreas Densas do País.

O Nordeste teve a maior extensão de Feições Urbanizadas Pouco Densas em relação as demais Grandes Regiões com 3 936,79 km² (30,56% do total nacional).

São Paulo foi a Unidade da Federação com a maior extensão de Feições identificadas no ano de 2022, com 9 622,68 km², incluindo áreas Densas e Pouco Densas (9 343,66 km², o equivalente a 18,33% do total brasileiro), bem como Loteamentos Vazios (279,0 km²). Por outro lado, o Amapá foi a Unidade da Federação com a menor extensão de morfologias urbanas, somando 184,64 km² de Feições Urbanizadas, apenas 0,36% do total do País e 70,03 km² de Loteamentos Vazios.

O Nordeste representou 30,22% da expansão horizontal de Feições Urbanizadas do País (1 448,18 km²), seguido pelo Sudeste com 27,77% (1 330,54 km²) e Sul, com 25,86% (1 239,17 km²) no período entre 2019-2022.

Em relação ao acréscimo de Loteamentos Vazios, observou-se 44,08% do total no Nordeste, 23,7% no Sudeste, 13,83% no Centro-Oeste, 9,69% no Norte e 8,70% no Sul do país.

Mudanças nas características urbanas entre 2019 e 2022

As Áreas Urbanizadas são identificadas principalmente pela presença de moradias e a proximidade entre elas. Podem conter escolas, igrejas, cemitérios, estabelecimentos comerciais, de serviços, indústrias, dentre outros, em seu meio. Em 2022, a Grande Região com maior extensão de Áreas Urbanizadas foi a Sudeste, com 17 454,11 km², seguida da Nordeste com 12 031,46 km². Porém, essa ordem se inverteu quando se analisa a expansão horizontal detectada entre os mapeamentos de 2019 e 2022, de modo que o Nordeste lidera a expansão com 1 362,26 km² e no Sudeste sobressaem 1 190,22 km².

Treze Unidades da Federação apresentaram menos de 1 000 km² de Áreas Urbanizadas: os Estados do Norte, a exceção do Pará, os Estados de pequena extensão territorial do Nordeste (Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas e Sergipe), duas Unidades da Federação do Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal) e, no Sudeste, apenas o Espírito Santo. Essas mesmas Unidades da Federação, acrescidas do Mato Grosso e do Rio de Janeiro também tiveram a expansão horizontal entre 2019 e 2022 inferior ao valor de 100 km².

Outros Equipamentos Urbanos englobam estabelecimentos não residenciais no entorno ou com distâncias inferiores a 3 km de manchas urbanizadas, como universidades, aeroportos, portos, shopping centers, estruturas industriais, estações de energia, dentre outros. No âmbito estadual, São Paulo apresentou a maior extensão de Outros Equipamentos Urbanos em 2022, alcançando 326,30 km², e a segunda maior expansão da subcategoria no País, com aumento de 51,86 km². Minas Gerais apareceu em seguida, com 217,81 km², e liderou o crescimento no período, com expansão de 62,24 km². O Paraná ocupou a terceira posição em área total no ano mais recente, com 159,92 km², enquanto Mato Grosso apresentou a terceira maior expansão entre 2019 e 2022, com incremento de 23,28 km².

Em contraponto, 17 Unidades da Federação - Estados do Norte e Nordeste (exceto Pernambuco e Bahia), Espírito Santo, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul - apresentaram extensão de Outros Equipamentos Urbanos menor que 50 km² e, somadas ao Rio de Janeiro, tiveram expansão horizontal dessa subcategoria inferior a 10 km².

Os Vazios Intraurbanos podem indicar diferentes áreas não ocupadas por construções (desde que com área entre 0,25 km² e 2,5 km²) que estão circunscritas às Áreas Urbanizadas, como por exemplo áreas verdes, parques, corpos d’água, áreas não ocupadas por condicionamento de relevo, áreas de preservação determinadas por lei, dentre outros. Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina apresentaram incrementos significativos nessa classe, somando expansões horizontais respectivas de 15,65 km², 10,52 km² e 12,73 km².

Capitais se destacam dentre as maiores extensões absolutas

Entre os 20 Municípios com maiores extensões absolutas de Feições Urbanizadas em 2022, 15 são capitais, além de três cidades do Estado de São Paulo (Campinas, Guarulhos e Ribeirão Preto) e dois relevantes centros regionais: Feira de Santana (BA) e Uberlândia (MG).

Ocorreram mudanças de posição neste mesmo ranking em relação à 2019: Brasília (DF) passou a ter maior extensão absoluta de feições urbanizadas em relação ao Rio de Janeiro (RJ), São Luís (MA) e Teresina (PI) também ganharam posições em relação à Salvador (BA) e Uberlândia (MG), assim como Belém (PA) e Feira de Santana (BA) superaram Guarulhos (SP) e Ribeirão Preto (SP).

Municípios com maiores expansões de Feições Urbanizadas

No que se refere às 20 maiores expansões de Feições Urbanizadas Densas e Pouco Densas por Municípios, Brasília (DF) ocupou a primeira posição com expansão de 72,08 km² entre 2019 e 2022, mais que o dobro, em termos absolutos, do que o Município com o segundo maior crescimento, São Luís (MA) com 35,76 km².


Com este lançamento, a série de mapeamentos das Áreas Urbanizadas do Brasil consolida-se como instrumento fundamental para compreender a dinâmica de expansão e organização do território brasileiro, ao oferecer uma representação padronizada e comparável da urbanização em escala nacional. Os resultados revelam um padrão complexo, no qual coexistem áreas de crescimento acelerado – frequentemente associadas à expansão horizontal e à ocupação de novas frentes urbanas – e outras caracterizadas por menor dinamismo ou maior consolidação do tecido urbano.

A partir disto, verifica-se que as Áreas Urbanizadas do Brasil apresentam dinâmicas heterogêneas e que demandam respostas integradas para sua ampla compreensão, seja por meio do monitoramento geoespacial, que aqui se apresenta, seja por indicadores socioeconômicos e ambientais, no sentido de prover informações a políticas públicas de ordenamento territorial. Nesse sentido, o IBGE está comprometido com o avanço da integração de fontes não convencionais, como o sensoriamento remoto, para a produção de estatísticas oficiais de qualidade, para melhor subsidiar decisões baseadas em evidências.

Fonte: IBGE 


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Teresina, no Piauí, está entre as cidades com expansão da área urbana — Foto: Alexandro Dias/winkipédia

Embora o Sudeste concentre a maior extensão urbanizada, foi o Nordeste que teve maior expansão proporcional

Por Lívia Nani e Lucas Altino

O Brasil ganhou quase 6 mil quilômetros quadrados de área urbanizada em três anos, avanço de 12,27%, segundo o IBGE. A expansão equivale a cerca de 770 campos de futebol por dia. O Sudeste concentra a maior extensão urbanizada, mas foi o Nordeste que mais avançou proporcionalmente. Entre os municípios, Brasília liderou, com 72 km² incorporados à área urbanizada — mais que o dobro de São Luís, segunda colocada.

Os dados fazem parte do “Mapeamento das Áreas Urbanizadas do Brasil”, divulgado ontem pelo IBGE. Produzido por imagens de satélite, o levantamento identifica a expansão horizontal das cidades de 2019 a 2022, números mais recentes, e não a verticalização. O crescimento corresponde a áreas antes desocupadas que passaram a ter edificações, equipamentos urbanos ou outro tipo de ocupação, inclusive lotes vazios.

O IBGE considera “área urbanizada” o conjunto de formas e estruturas que materializam o fenômeno urbano nos territórios. Loteamentos vazios passaram a ser considerados um novo tipo de ocupação.

Para especialistas em planejamento urbano, porém, a expansão da área ocupada não significa, necessariamente, cidades mais urbanizadas. Arquiteto e urbanista e professor titular da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Zeca Brandão lembra que o Brasil está entre os países mais urbanizados do mundo pela concentração da população nas cidades, mas o processo ocorreu rapidamente e sem o planejamento necessário.

— O Brasil já é um dos países mais urbanos do mundo, o que não quer dizer mais urbanizado — explica. — Urbanizado requer bom saneamento básico, bom sistema de mobilidade urbana, espaços públicos, não ter déficit habitacional e ter infraestrutura para a dimensão do território urbano. Isso não ocorre no Brasil.

Distribuição das feições urbanizadas no Brasil — Foto: Arte O Globo

Benny Schvarsberg, professor de Planejamento Urbano da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB, também afirma que a expansão não é sinônimo de territórios mais urbanizados em planejamento e serviços. A migração, em parte das classes média e alta, para novos territórios pode gerar ocupação de baixa densidade e “ambientalmente insustentável”, com alto custo para expandir redes de infraestrutura viária, de drenagem, água, esgoto e energia, afirma.

— É preciso qualificar esse processo de expansão urbana e entender as lógicas desse modelo dispersivo de espalhamento territorial com as consequências que ela tem, do ponto de vista dos custos de infraestruturas — observa.

O especialista chama atenção para a migração de moradores de metrópoles para cidades pequenas e médias, fenômeno também observado em países como os Estados Unidos. A expansão dos chamados subúrbios, diz, pode fazer áreas perderem características rurais sem, necessariamente, ganhar condições urbana:

— Mais do que um crescimento da urbanização, seria um processo de crescimento da suburbanização no Brasil.

Schvarsberg aponta ainda o aumento dos perímetros urbanos nos planos diretores. Segundo ele, uma das possíveis razões seria elevar a arrecadação de IPTU, que gera mais dinheiro do que o ITR, imposto territorial rural.

— É uma tendência expressiva. Mais de 1.500 municípios realizaram planos diretores, e a maioria deles ampliou os seus perímetros urbanos.

O país tem 53.925 km² de “morfologia urbana”, 0,6% de seu território. Florestas, grandes parques, campos e rios não entram no cálculo. Do total, 70,6% são ocupações densas, com edificações próximas e poucos espaços livres; 23,9% são pouco densas, com moradias mais afastadas; e 5,4% correspondem a loteamentos vazios, áreas alteradas pela ação humana e delimitadas, ainda que sem construções, indicando intenção de ocupação.

Embora o Sudeste concentre a maior extensão urbanizada, foi o Nordeste que teve maior expansão proporcional: cresceu 1.961 km², ou 16,5%. No Sudeste, foram 1.606 km², aumento de 9,09%.

O IBGE não analisa as causas. Para Brandão, algumas hipóteses podem ser consideradas a partir do Censo 2022, que apontou reduções populacionais inéditas em grandes capitais nordestinas, como Fortaleza, Natal, Salvador e Recife. Uma possibilidade é que esse êxodo, em parte motivado por custo e qualidade de vida, tenha contribuído para o crescimento de cidades médias e pequenas, numa espécie de “interiorização da urbanização”, observa.

— A urbanização brasileira pode estar passando de um modelo centrado no crescimento das grandes metrópoles para um processo em que cidades médias, pequenas cidades, corredores urbanos e áreas periurbanas passam a ter um papel cada vez mais importante — diz.

Outra hipótese é a influência do turismo e da segunda residência em áreas litorâneas do Nordeste antes menos exploradas. Condomínios, loteamentos, hotéis, resorts e casas de veraneio podem estar ampliando a mancha urbana.

Brandão chama atenção para o período analisado. Entre 2019 e 2022, a pandemia produziu mudanças nos padrões de localização residencial, valorizou espaços mais amplos e estimulou a procura por cidades médias, condomínios horizontais e áreas de lazer.

Schvarsberg cita uma recente pesquisa de mestrado da UnB sobre a mudança na ocupação do Nordeste. O estudo identificou crescimento das chamadas “franjas urbanas” das principais capitais, com criação de loteamentos, como condomínios destinados às classes média e alta.

— É um crescimento que compromete reservas ambientais ou áreas antigas de produção agrícola, inclusive, com unidades imobiliárias urbanas, basicamente residenciais, especialmente de média e alta renda. Um mercado imobiliário de “amenidades verdes”. É muito comum serem chamados de condomínios sustentáveis, com anúncios para “viver na natureza” — explica.

Expansão no litoral

O mapeamento retrata um padrão de ocupação presente desde a colonização, com concentração do fenômeno nos municípios costeiros. As 443 cidades do litoral concentram 9.941,5 km² de feições urbanizadas, equivalentes a 19,5% do total do país, embora ocupem apenas 5% do território.

Na chamada faixa de fronteira, os 590 municípios ocupam 26,61% da área brasileira, mas concentram 4.223,81 km² de feições urbanizadas, ou 8,28% do total de 2022.

Entre as unidades federativas, o Distrito Federal teve a maior expansão proporcional, de 1,25%. Brasília também liderou entre os municípios, com acréscimo de 72 km², mais que o dobro dos 35 km² de São Luís, no Maranhão.

— O resultado é justificável pela sua extensão diminuta e pelo planejamento coordenado de urbanização (do Distrito Federal e de Brasília) — explicou Andressa Rosas de Menezes, técnica do IBGE.

Schvarsberg observa que o Distrito Federal tem 35 regiões administrativas, consideradas, na prática, cidades-satélites. Para ele, a expansão ocorreu com a criação de novos condomínios e lotes nas franjas desses territórios.

Fonte: O Globo


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domingo, 24 de maio de 2026

DESPAVIMENTAÇÃO: cidades estão quebrando o asfalto para dar espaço ao verde e ter mais resiliência climática

As cidades têm assumido uma crescente responsabilidade no enfrentamento às mudanças climáticas, com ações práticas locais de adaptação e mitigação, diante da dificuldade de avanços no âmbito da governança global estabelecida pela ONU, exercida através da diplomacia dos estados nacionais.

As cidades sabem que não há tempo a perder e que é nelas que as consequências são mais sentidas e a ação é mais cobrada pela população. Cada cidade sabe da "sua dor" e estabelece a sua prioridade de acordo com as suas características e realidades climáticas, geomorfológicas, urbanas e sociais. 

A prioridade das cidades tem sido na adaptação e resiliência aos eventos climáticos extremos, mas também atuam na mitigação. A ação de mitigação ocorre, principalmente controlando as emissões locais de Gases do Efeito Estufa - GEE, provenientes da geração e consumo de energia, do transporte e da indústria. Cidades como Paris priorizam o enfrentamento das ondas de calor extremos e se dedicam a um ambicioso programa de retirada de automóveis das suas áreas centrais, praticam a despavimentação (retirada da cobertura asfáltica e do concreto das ruas e praças), implantam jardins de chuva (para infiltração da água pluvial) e plantam árvores para prevenir o calor e garantir o conforto térmico das ruas. Outras cidades como Copenhague investem em drenagem sustentável para prevenir inundações. 

Niterói, por suas vez, é um destaque no cenário nacional, tendo criado a primeira secretaria do Clima e contando com uma das melhores defesas civis do país. Diante do seu relevo e ocupação de áreas de encostas, investiu mais de 1 bilhão de reais na última década em contenção de encostas e cerca de R$ 500 milhões na solução dos seus problemas históricos de macrodrenagem. Também priorizou a implantação de parques, reflorestamento de áreas degradadas e arborização das ruas. Niterói construiu uma das mais avançadas políticas climáticas do país e éreconhecido nacionalmente por isso.

O artigo abaixo, publicado pela BBC, mostra o esforço de várias cidades do mundo em praticar a chamada "despavimentação" ("depaving") ou "desimpermebealização" ("desealing") das superfícies urbanas, restaurando a capacidade física e biológica do solo, principalmente a sua fertilidade e permeabilidade.

A tendência atual das cidades é investir em: mais parques com capacidade de reter água e ajudar a drenagem; mais áreas verdes; menos carro; mais transporte público, coletivo e sem emissão de carbono; mais bicicletas e mais pedestres. É assim que avançamos no caminho da sustentabilidade.

Axel Grael
Prefeito de Niterói (2021-2024)
Doutorando em Arquitetura e Urbanismo (PPAGAU/UFF)


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Lifting up the paving slabs reveals the potential of the earth beneath (Credit: City of Leuven)

The cities stripping out concrete for earth and plants

Chris Baraniuk

From Australia to Ontario, cities are taking up unnecessary stretches of concrete and asphalt, allowing nature to take hold in their place.

On a hot July day, Katherine Rose picked up a sturdy metal pole and jammed it under the tempting lip of a pre-cut concrete slab. Rose, communications and engagement director at Depave, a non-profit in Portland, Oregon, was sweating in the heat – but she was going to win this fight.

The grubby, rectangular section of urban crust in front of her was about to move. Pushing down on her metal bar, applying it like a lever, she eased the concrete covering up and away. Now sunlight could fall once again on the ground below. A mess of gravel and dirt that was, to Rose, just bursting with potential.

"It feels like you're liberating soil," she says, recalling the summer gathering where she and around 50 volunteers removed roughly 1,670 sq m (18,000 sq ft) of concrete from the grounds of a local church. "It's envisioning and fully realising a dream that I think we all have," says Rose. The dream, that is, of bringing nature back into our midst.

The idea of depaving, sometimes known as desealing, is a simple one – replace as much concrete, asphalt and other forms of hard landscaping as possible with plants and soil. It's been around since at least 2008, when the Depave group in Portland was founded. Proponents say depaving allows water to soak into the ground, which reduces flooding in times of heavy rain – aiding the "sponginess" of cities. Native plants help wildlife cling on in urban spaces, and by planting trees you can increase shade, protecting residents from heatwaves. Injecting city streets with greenery may even improve people's mental health, too.

But if depaving is ever going to really take off, it will have to expand beyond a handful of eager environmentalists and volunteers. With the climate crisis deepening, some cities and even entire regions are beginning to adopt depaving as part of their climate adaptation strategies. It's time, some say, to start smashing up our concrete streets in a big way – to create spaces better for nature.

Exposing more of the ground in urban spaces can help absorb rainfall and reduce flooding, as well as boost biodiversity (Credit: City of Leuven)

Whenever Rose walks through a city these days, she can't help but notice places where you could strike out a section of asphalt and put in some plants. "I'm constantly just wanting to do more," she confesses. "It's hard not to see it everywhere."

Her group says it has depaved more than 33,000 sq m (360,000 sq ft) of asphalt in Portland alone since 2008 – an area equivalent to nearly four and a half football pitches. The work is "joyous", says Rose, because it unites enthusiastic local volunteers. They get a safety briefing and then muck in together.

Green Venture, an environmental non-profit in Ontario, Canada, has been inspired in part by the depaving projects in Portland. Giuliana Casimirri, executive director, explains how she, her colleagues, and volunteers have begun inserting miniature gardens replete with native trees in a run-down district in the city of Hamilton.

"Before, it was somewhere you would quickly try to walk through," she says. "Now there are places you might stop or have a chat. Sit and read the paper."

In Hamilton, flooding can cause sewage to get mixed into runoff that flows into Lake Ontario, the source of the city's drinking water. Green Venture and other local organisations are keen to reduce the chances of that happening, says Casimirri. They view depaving as a key tactic. Certainly, studies have demonstrated that impermeable surfaces in gardens such as concrete increase flood risk in urban areas.

Rose says her group's efforts in Portland mean that approximately 24.5 million gallons of rainwater is diverted from entering storm drains each year. In Leuven, Belgium, in 2023 alone, Baptist Vlaeminck, who leads Leuven's Life Pact climate adaptation project, calculates that the removal of 6,800 sq metres (73,000 sq ft) of hard surfacing allowed for the infiltration of an additional 377,000 gallons (1.7 million litres) of water into the ground.

"With climate change, extreme weather rainfall events are going to increase and so [depaving is] not a nice-to-have – it's a necessity," Casimirri adds.

The question is whether the authorities responsible for cities, and planning, realise this. In most parts of the world, depaving can still be described as a fringe activity. "We're going to need a scale of investment that has a lot more zeroes on it," says Thami Croeser at RMIT University, Melbourne's Centre for Urban Research.

Community-led and DIY efforts on driveways and on local streets with permission are fantastic, he adds, but it's even better to think of depaving and greening as the introduction of a new kind of infrastructure in a city. It requires the same level of planning and investment as, say, a new railway.

The depave movement in Portland, Oregon has inspired a wave of cities to pull up their asphalt and concrete (Credit: Elle Hygge)

In Europe, at least, some municipalities have begun to treat depaving seriously. Residents of London in the UK are encouraged to depave their gardens, for example.

The city of Leuven in Belgium says it is embracing depaving – or "ontharden" – in a big way. The suburban district of Spaanse Kroon, home to around 550 people, is one of the latest targets of a depaving and renaturing initiative spearheaded by the city. The plans involve removing significant volumes of asphalt from the residential area and forcing cars to share the same part of the road as pedestrians and cyclists.

"We are scaling up now, we are setting up a team dedicated to depaving," says Vlaeminck.

Such projects have to meet the needs of everyone in the city. Vlaeminck says that, to support people with impaired vision or mobility issues, unused areas of road or pavement are prioritised for depaving and sufficient space – more than a metre – is safeguarded on pavements to allow people plenty of room. Existing paving left in place is also renewed or repaired to ensure there are no bumps or unevenness. In situations where pavements are removed completely, for shared use of a roadway in low traffic neighbourhoods, Vlaeminck says depaving teams introduce measures to reduce the speed of cars.

Both Depave in Portland and Green Venture in Ontario say they work with communities to ensure accessibility requirements are met. Casimirri refers to a recent project that replaced broken, uneven concrete with shrubbery and level walkways between.

Among the initiatives instigated by Leuven is a "tile taxi" – a small truck that officials will happily send to your home so you can throw in concrete tiles or cobblestones you have removed from your garden. The material is later reused rather than thrown away, says Vlaeminck, who adds that several million euros have been set aside by Leuven to fund depaving and renaturing projects such as this.

And there's more. Since January 2024, developers in Leuven have had to demonstrate that any rain that falls on new or significantly renovated homes can either be capture and re-used on-site or filtrate into the property's garden rather than pool up and cause a flood. If developers can't prove their designs are extreme rainfall-ready, they won't be approved, says Vlaeminck.

France, too, is making depaving official, says Gwendoline Grandin, an ecologist with the Île-de-France Regional Agency for Biodiversity. Nationally, the French government has made €500m ($540m/£430m) available for urban greening – this includes depaving but also installing green walls and roofs, for example. Part of the motivation is to make towns and cities more resilient to summer heatwaves, which have badly affected parts of France in recent years.

Some of the projects now underway are significant in size, such as a former parking area near a forest in the Paris region. An area of 45,000 sq m (480,000 sq ft) has been depaved – formerly a hodgepodge of asphalt, pathways and concrete interlaced with grass. With the hard landscaping now gone, level ground is being reshaped to introduce dips and gullies that catch water, and the whole area will soon be planted over, too.

Local schemes are often backed by residents keen to see more green in their local area (Credit: City of Leuven)

In Croeser's own city of Melbourne, he and colleagues have studied the potential space available for renaturing, if thousands of parking spaces were depaved and converted into miniature gardens. In a 2022 study, they simulated the impact based on a series of scenarios – the most ambitious of which involved removing half of the open-air parking spaces in the city, about 11,000. Croeser argues that there is sufficient off-street parking available, for example on the ground floor of buildings, in Melbourne to ensure that people wouldn't be left without somewhere to leave their vehicle – but those interior parking spaces would need to be made publicly accessible.

"The basic principle was no net loss of access to parking," he says. "And we get 50-60 hectares [120-150 acres] of green space that keeps the city cool, prevents flooding."

It might seem unlikely that small pockets of nature dotted here and there throughout a large city like Melbourne could benefit wildlife significantly, but Croeser says these fragments of habitat are crucial. They allow species to move around and cope in an environment that is, ultimately, very different to the one in which they evolved.

In their 2022 study on depaving in Melbourne, Croeser and his colleagues included modelling that suggested a modest increase in greenery could allow species such as the blue-banded bee to roam across a far greater area of urban habitat than before.

Rose agrees with Croeser that, for depaving to change the world, entire cities and even whole countries will have to embrace it fully. But she emphasises that, in order to reach that point, communities must express that this is something they want.

"It starts with people pushing their government and starting these conversations on a small, local level," she says. "That's how it takes hold."

Fonte: BBC


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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Niterói lança novo plano estratégico para a cidade até 2050, tendo ouvido mais de 15 mil pessoas

 


A Prefeitura de Niterói lançou nesta quinta-feira, dia 7 de maio, o Planejamento Estratégico Niterói que Queremos 2050 (NQQ 2050), com metas a serem alcançadas pela cidade até 2050. 

Trata-se do segundo ciclo de planejamento de longo prazo realizado pela administração municipal, produzido com a participação ativa de lideranças comunitárias, ambientalistas, empresariais, acadêmicas, dirigentes governamentais e representantes de diversos outros segmentos da sociedade niteroiense. Também participaram cidadãos que se propuseram a pensar coletivamente o futuro da cidade. No total, cerca de 15 mil pessoas contribuíram para produzir coletivamente um cenário futuro para a cidade a ser alcançado com as politicas públicas e investimentos da prefeitura.


Este foi o mesmo processo realizado em 2013, quando produziu-se o primeiro plano, o Niterói que Queremos 2013-2033, que norteou as políticas e os investimento públicos desde a sua formulação. Na ocasião, 10 mil pessoas colaboraram com a elaboração do plano. Hoje, sete anos antes do previsto para a conclusão do NQQ 2033, mais de 90% das metas já foram alcançadas e a cidade se transformou muito. 

Segundo expresso no texto do relatório do NQQ 2050, as políticas públicas de Niterói no período permitiram alcançar as seguintes conquistas:
Em uma década, o município mais que dobrou seu PIB, consolidando-se entre as cidades médias e grandes com maior PIB per capita do Brasil. Na segurança pública, apresentou avanços notáveis, com redução expressiva e histórica das taxas de homicídio e de roubos; no campo fiscal, aumentou a arrecadação própria, elevou o investimento público per capita e reduziu o endividamento, fortalecendo sua autonomia e capacidade de investimento. Na saúde, houve expansão robusta da atenção primária, cuja cobertura alcançou 95% da população, com projeção de universalização até 2033. Na educação, o município também alcançou resultados expressivos, com a construção recorde de escolas, a ampliação da rede municipal e a garantia de matrícula em creche para todas as crianças, reforçando o compromisso de Niterói com a inclusão, a equidade e a formação das novas gerações. (NQQ 2050, pág. 17).
O texto da publicação também contextualizou os avanços de Niterói diante dos muitos desafios da atualidade:
Nos últimos anos, o mundo experimentou um ritmo de mudança sem precedentes. O avanço das tecnologias digitais e da inteligência artificial vem transformando o trabalho, os sistemas produtivos, o consumo e até as relações humanas. A transição energética e a agenda climática remodelam as economias e a geopolítica global, enquanto novas formas de mobilidade, produção e conectividade alteram o modo de vida nas cidades. Paralelamente, crises recentes — como a pandemia de Covid-19, os conflitos armados em diferentes regiões do planeta, a emergência climática e o aumento da polarização social e política — revelaram a vulnerabilidade das sociedades e reforçaram a importância da cooperação e a busca de soluções inovadoras para problemas cada vez mais complexos
(...)

Niterói chega a 2025 como uma cidade que amadureceu institucionalmente e construiu uma base sólida de políticas públicas. Ao longo da última década, a cidade avançou em planejamento, gestão fiscal, saúde, sustentabilidade, segurança e expansão da rede municipal de educação. No entanto, o novo cenário global impõe desafios inéditos: reduzir desigualdades territoriais; adaptar-se a eventos climáticos extremos; enfrentar a transição demográfica e as novas demandas de saúde; promover a transição econômica, aumentando a diversificação, o valor agregado da economia local e a melhoria da massa salarial; e preparar-se para as novas formas de trabalho e de convivência digital. A capacidade de antecipar e responder a essas transformações definirá o futuro de Niterói. 

As tendências que se projetam até 2050 apontam para um mundo mais tecnológico, interconectado e consciente de suas limitações ambientais. A transição digital e a inteligência artificial remodelarão a economia e os serviços públicos, exigindo segurança, capacitação e ética no uso de dados. A transição ecológica e a agenda climática impulsionarão uma reconfiguração das matrizes energéticas e produtivas, valorizando cidades que investem em eficiência, mobilidade limpa e infraestrutura resiliente. A economia do cuidado ganhará centralidade em função do envelhecimento populacional e das novas demandas sociais, enquanto o fortalecimento da economia criativa e cultural trará oportunidades de inovação, pertencimento e identidade. A transformação do consumo e o avanço das redes colaborativas tendem a gerar novas formas de sociabilidade e participação cidadã, reforçando o papel das comunidades na construção do bem-estar coletivo. 

Nesse contexto, as cidades passam por um processo de reinvenção. Ganha força um novo paradigma urbano, que valoriza a escala humana, o adensamento equilibrado e a convivência nos espaços públicos. A reconversão de áreas degradadas, o controle do espraiamento, o fortalecimento das identidades locais e a priorização da mobilidade ativa e sustentável apontam para territórios mais criativos, saudáveis e acolhedores. As cidades do futuro são chamadas a ser não apenas motores econômicos, mas também espaços de bem-estar, pertencimento e inovação social — uma referência que orienta também o caminho de Niterói em direção a 2050. (NQQ 2050, pág 23 e 24)
Os valores do NQQ 2050 são:
  • Humanidade
  • Equidade
  • Sustentabilidade
  • Responsabilidade
  • Efetividade

NITERÓI JOVEM ECOSOCIAL. Exemplo de programa desenvolvido pela Prefeitura de Niterói, em conformidade com os Valores definidos. O programa foi idealizado por mim e pela também engenheira florestal Valéria Braga em 2018 e já atendeu a mais de 1.000 jovens de Niterói.

DESAFIO: TRANSIÇÃO ECONÔMICA
"Niterói vivencia um momento decisivo em sua trajetória econômica. Após uma década de expansão expressiva em que o PIB municipal mais que dobrou, a cidade consolidou-se como referência nacional em qualidade de vida, políticas públicas de qualidade e solidez fiscal. Nos últimos dez anos, o município experimentou um ciclo de crescimento econômico impulsionado pela indústria extrativa, que possibilitou investimentos e melhorias em infraestrutura, serviços públicos e aumento do bem-estar social. O investimento público per capita saltou de R$ 452 em 2015 para R$ 1.612 em 2024, um crescimento de mais de três vezes no período. Com gestão fiscal sólida e elevada capacidade de arrecadação própria, a gestão municipal está bem posicionada para apoiar essa transição. A receita tributária própria cresceu 47% entre 2014 e 2025, demonstrando melhora das condições econômicas locais e o endividamento caiu 72% no período. 

POR QUE A AGENDA DE TRANSIÇÃO ECONÔMICA É IMPORTANTE E OPORTUNA 

1. CONSOLIDAÇÃO DE UM CICLO SUSTENTÁVEL DE PROSPERIDADE: Niterói reúne as condições para inaugurar uma nova fase de crescimento, com redução gradual da dependência das receitas do petróleo e fortalecimento de fontes diversificadas e duradouras de desenvolvimento econômico. 
2. GERAÇÃO DE RENDA E AMPLIAÇÃO DAS OPORTUNIDADES DE TRABALHO: A transformação do dinamismo do PIB em empregos de qualidade e valorização da renda do trabalho é fundamental para fortalecer o metabolismo econômico local, promover inclusão produtiva e reter talentos na cidade. 
3. FORTALECIMENTO DO ECOSSISTEMA EMPRESARIAL: A ampliação da inovação, da competitividade e da diversificação dos pequenos negócios — que têm papel estratégico na economia local — é essencial para impulsionar o empreendedorismo e inserir mais empresas em cadeias de valor de maior intensidade tecnológica e criativa. 
4. APROVEITAMENTO PLENO DAS VOCAÇÕES E POTENCIALIDADES DA CIDADE: A consolidação de eixos estratégicos como a Economia Azul, a Economia Urbana, a Economia Criativa, o Turismo e a Economia Digital e de Inovação pode reposicionar Niterói no cenário nacional e internacional, promovendo prosperidade com sustentabilidade e identidade própria".

ÁREAS DE RESULTADO
"Toda estratégia envolve escolhas. No Niterói que Queremos 2050, essas escolhas se traduzem nas Áreas de Resultado, que reúnem objetivos estratégicos e estratégias voltadas a concretizar o futuro desejado para a cidade. Elas organizam prioridades e concentram esforços naquilo que é mais estruturante e tem maior impacto sobre o desenvolvimento da cidade. Ajudam a dar foco a ideias mais aspiracionais, orientando a ação para o futuro desejado".
 As Áreas de Resultado do NQQ 2050 são:


PLANEJAR PARA AVANÇAR

A meu ver, um dos graves problemas do Brasil é não contar com um projeto de nação, que reúna consensos e permita a união de esforços em torno das suas prioridades. O mesmo acontece com estados no país. Niterói é uma das poucas cidades no Brasil a contar com um planejamento de longo prazo e, menos ainda,  são as cidades que guiam o seu desenvolvimento por planos construidos de forma participativa. O NQQ não é uma peça de planejamento de um governo, mas da cidade, já que expressa o sonho de muitas pessoas da sociedade que expressaram as suas expectativas para o futuro.

Planejar é fundamental, mas não é tudo! É preciso tirar os planos do papel e isso só se alcança com muita disciplina na gestão e fazendo o imprescindível para que um plano sobreviva: cumpri-lo! Os avanços listados acima não teriam acontecido sem a escolha das prioridades políticas e as metas adequadas.

Conheça o Portal do Planejamento https://www.portalplanejamento.niteroi.rj.gov.br/

Em Niterói, implementamos uma cultura de gestão balizada em planejamento. Todos os gestores são cobrados sistematicamente de acordo com os planos de metas da cidade. A administração municipal promove trimestralmente Encontros de Gestores, liderados diretamente pelo prefeito e os gerentes de cada meta apresentam o cumprimento de seus respectivos cronogramas. As metas são referenciadas em cada entrega e prazos previstos no NQQ e seus resultados são divulgados ao público, como no exemplo do Plano de Metas Anual 2024, divulgado na minha gestão como prefeito.

O NQQ 2050 é a nova "carta de navegação" que nos levará para um futuro cada vez mais próspero, inclusivo, seguro, resiliente e sustentável.

Parabéns Niterói! Sigamos em frente!

Axel Grael
Prefeito de Niterói (2021-2024)
Vice-Prefeito de Niterói (2013-2016)
Secretário de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão - SEPLAG, de Niterói (2019-2020)


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Foto: Evelen Gouvea

Niterói lança plano estratégico até 2050 com foco em inovação, inclusão social e qualidade de vida

A Prefeitura de Niterói lançou, nesta quinta-feira (07), o novo planejamento estratégico da cidade para os próximos 25 anos. Batizado de Niterói Que Queremos 2025-2050, o documento estabelece diretrizes e metas para o desenvolvimento econômico, social e urbano do município, com foco em inovação, redução das desigualdades e melhoria da qualidade de vida da população.

Durante a solenidade, realizada na Sala Nelson Pereira dos Santos, no Reserva Cultural, o prefeito Rodrigo Neves destacou que Niterói possui o único planejamento estratégico de longo prazo entre as cidades brasileiras de médio porte.

“Estamos construindo uma agenda de futuro para preparar Niterói para os próximos 25 anos, com prioridades muito claras: reduzir desigualdades, avançar na mobilidade sustentável, revitalizar o Centro, ampliar a qualidade de vida nas comunidades e fortalecer uma economia baseada no conhecimento, na tecnologia e na sustentabilidade. O nosso compromisso é transformar planejamento em ações concretas que melhorem a vida das pessoas”, afirmou o prefeito.

Segundo Rodrigo Neves, o novo plano mantém a tradição da cidade em gestão pública eficiente e visão estratégica.

“Esse plano olha para os próximos 25 anos e foi construído com metas muito objetivas de curto, médio e longo prazo. As ações previstas até 2028 já estão definidas e envolvem projetos estruturantes em áreas como mobilidade, inovação, sustentabilidade, urbanização das comunidades e qualidade de vida. Niterói mudou muito nos últimos dez anos, inclusive por causa do planejamento estratégico anterior e de tudo o que conseguimos realizar nesse período. Agora, estamos preparando a cidade para os desafios das próximas décadas, transformando esse planejamento em ações concretas que melhorem a vida das pessoas”, ressaltou.

Construído com ampla participação popular, o plano contou com a colaboração de cerca de 15 mil pessoas e sucede a estratégia iniciada em 2013, reconhecida pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como uma das melhores experiências de gestão pública e planejamento da América Latina. O Niterói Que Queremos 2013-2033 já está com 90% das metas concluídas. Entre as principais entregas estão o túnel Charitas-Cafubá, a TransOceânica, o Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) e o Parque Orla Piratininga Alfredo Sirkis.

“É isso que a gente quer ver: uma cidade que ofereça o melhor serviço para toda a população. Um governo que escuta, olha para as pessoas e responde às prioridades, construindo um plano a partir dessa consulta popular. É por meio desse trabalho de longo prazo, com visão e compromisso, que a gente chega lá. Queremos mitigar os efeitos das mudanças climáticas, ser referência como cidade inteligente, com soluções baseadas na natureza, e usar a tecnologia e a inteligência artificial com balizadores brasileiros e base na nossa cultura, avançando com firmeza e compromisso”, afirmou a vice-prefeita e secretária do Clima e Sustentabilidade, Isabel Swan.

A secretária de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão, Elissa Rasma, lembrou que a elaboração do plano envolveu mais de 20 secretarias municipais, consultas a especialistas e dezenas de encontros de escuta e participação social.

“Foram 10 meses de trabalho intenso, liderado pelo prefeito Rodrigo Neves e desenvolvido a muitas mãos. Buscamos referências internacionais e as melhores práticas de gestão pública no Brasil e no mundo. Esse plano foi, sobretudo, construído com a cidade e para a cidade. Ouvimos mais de 60 especialistas e realizamos mais de 100 horas de diálogo para transformar isso em metas, planos e projetos estratégicos, olhando sempre para o futuro das próximas gerações”, explicou a secretária.

Caminhos para 2050 – Um dos principais desafios previstos no plano é a transição econômica do município. Embora Niterói tenha dobrado o Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos anos, a meta agora é consolidar uma economia baseada no conhecimento, na inovação e na tecnologia. A estratégia prevê o fortalecimento do Distrito de Inovação da Cantareira, o incentivo à economia digital, o apoio a startups e a expansão da chamada economia do mar — setor ligado às atividades náuticas, à pesca, aos serviços e à tecnologia marítima.

A transição demográfica também aparece entre as prioridades do planejamento. Niterói já apresenta uma população com idade média mais elevada do que a brasileira, o que exigirá novos investimentos em saúde, acessibilidade e serviços voltados à terceira idade. O objetivo é preparar a cidade para uma realidade em que a longevidade terá peso crescente nas políticas públicas, fortalecendo ações de cuidado, prevenção, acessibilidade e acolhimento em todas as fases da vida.

As ações previstas incluem iniciativas voltadas para a saúde pública e a qualidade de vida das famílias. Entre os objetivos estão a ampliação do acesso ao saneamento básico e o avanço na universalização dos serviços de água e esgoto tratado no município.

A redução da desigualdade territorial aparece entre as prioridades do Niterói Que Queremos 2050, com a implantação do programa Vida Nova no Morro. A iniciativa prevê atuação nas 83 comunidades da cidade, beneficiando mais de 150 mil pessoas com obras de infraestrutura, contenção de encostas, saneamento, melhorias habitacionais — como reboco e pintura nas residências — e políticas integradas nas áreas de cultura, educação, saúde e segurança pública.

Para viabilizar o programa, a Prefeitura sancionou a Lei nº 4.048/2025, que autoriza o acordo de cooperação e financiamento com o BID. O investimento total será de cerca de R$ 800 milhões, sendo R$ 620 milhões financiados pelo banco e o restante como contrapartida municipal. Além da parceria com o BID, a Prefeitura busca novas alianças estratégicas, como com a ONU-Habitat.

Reviver Centro – Na região central, a Prefeitura aposta em um amplo processo de revitalização urbana. O Centro de Niterói deverá receber novos investimentos imobiliários, retrofit de prédios antigos, estímulo à moradia estudantil e fortalecimento de equipamentos culturais e públicos. A expectativa é transformar a área em um novo polo de desenvolvimento econômico e residencial. As obras já estão em andamento, e o novo calçamento já pode ser visto em ruas no entorno da Avenida Amaral Peixoto.

“A revitalização do Centro começou com entregas importantes, como o Mercado Municipal, a Casa Norival de Freitas, a nova Arena Niterói, a Concha Acústica e a nova Praça Arariboia. Agora vamos avançar ainda mais com a requalificação da Amaral Peixoto, da Rua da Conceição e de todo o entorno, resgatando o coração da cidade e valorizando nosso patrimônio histórico”, afirmou Rodrigo Neves.

A mobilidade urbana sustentável é um dos eixos estratégicos do plano. Entre os projetos previstos estão a implantação do VLT de Niterói, começando pelo trecho entre Barreto e Centro; a expansão da malha cicloviária, conectando a Avenida Amaral Peixoto à Alameda São Boaventura; e novos terminais integrados, como o Terminal do Caramujo, que ajudará a reduzir a circulação de ônibus de outros municípios no Centro. A meta é diminuir em até 50% o número de ônibus que entram diariamente na cidade, reduzindo congestionamentos e impactos ambientais.

Fonte: Prefeitura de Niterói


segunda-feira, 4 de maio de 2026

Nova York lança Plano de Floresta Urbana com meta de alcançar 30% de cobertura verde em 2040

Nova York acaba de anunciar o seu primeiro Plano de Floresta Urbana (Urban Forest Plan - UFP).

Uma das métricas para se avaliar a arborização das cidades e florestas urbanas é a mensuração do chamado "dossel", que é a cobertura verde composta pela copa das árvores da cidade. Isso pode ser medido através de sensoriamento remoto e permite avaliar a expansão da arborização, áreas mais deficitárias de vegetação e planejar a ação da administração pública. Quanto mais árvores e quanto mais qualidade da copa das árvores - volume e densidade - mais eficiência na proteção da cidade para os extremos de calor e mais fixação de carbono.

O plano tem por objetivo expandir o dossel dos atuais 23,4% para 30%, em 2040. Para atingir o objetivo, o plano prevê conservar o dossel florestal atual, ampliar para ruas e espaços públicos e promover plantios em propriedades privadas. Também está no planejamento a mobilização dos nova-iorquinos a cuidar e proteger a floresta urbana. 

Isso é parte do objetivo do Plano de Floresta Urbana que a cidade de Nova York acaba de lançar, como parte de uma política de resiliência climática que começou a ser estruturado após a tragédia causada pelo furacão Katrina, em agosto de 2005, que assolou os EUA, causando milhares de mortes no país e foi devastador também em Nova York.

Com o UFP, a municipalidade pretende também atuar sobre o aspecto da Justiça Ambiental, corrigindo o déficit de arborização nas comunidades menos atendidas por infraestrutura verde. Segundo o plano, as comunidades objeto da ação prioritária de Justiça Ambiental contam com a cobertura de 19% de dossel, enquanto as demais comunidades possuem 26% de dossel. 

Axel Grael
Engenheiro florestal
Prefeito de Niterói (2021-2024)
Vice-Prefeito de Niterói (2013-2016)
Presidente da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente - FEEMA (1999-2001 e 2007-2008)
Presidente do Instituto Estadual de Florestas - IEF (1991-1994)


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New York City Announces Release of First-Ever Urban Forest Plan

Plan lays out NYC’s strategy to achieve 30% tree canopy by 2040 through protection, preservation, and planting of more trees


Read the full plan here.

New York City Chief Climate Officer Louise Yeung (middle) waters a new tree at NYCHA's Red Hook House East during the release of the City's first-ever Urban Forest Plan.

BROOKLYN, NY – Today at NYCHA’s Red Hook Houses in southern Brooklyn, Chief Climate Officer Louise Yeung announced the release of New York City’s first-ever Urban Forest Plan (UFP): a comprehensive roadmap to preserve tree canopy, plant more trees, and cultivate an ecosystem of stewardship. Climate Officer Yeung, the head of the Mayor’s Office of Climate & Environmental Justice (MOCEJ), was joined by Deputy Mayor for Operations Julia Kerson, Department of Parks & Recreation Commissioner Tricia Shimamura, NYCHA Vice President of Sustainability Siobhan Watson, and the Executive Director of Trees New York for the announcement and subsequent stewardship activity on the NYCHA campus.

The UFP lays out the City’s goal of achieving 30 percent tree canopy by 2040. Today, the urban forest canopy shades 23.4% of New York City, covering roughly 45,000 acres — an area about the size of Brooklyn. Reaching this expanded canopy will help the City achieve broader goals of advancing environmental justice, mitigating the effects of heat, and improving quality of life.

“New York has always been defined by the dreams we dare to build together. Today, we’re planting those dreams in the soil itself,” said Mayor Zohran Kwame Mamdani. “The Urban Forest Plan is a commitment that no matter your neighborhood, you deserve clean air, shade in the heat of summer, and streets that reflect the possibility of our great city. Together, we’re going to grow a New York that is greener, healthier, and more beautiful for everyone who calls it home.”

“No matter where you live, work, or spend time outside, all New Yorkers know the immediate relief that comes from standing under the shade of a tree on a hot day. What may be less obvious is that trees are one of the most affordable and accessible ways to help adapt to a changing climate,” said New York City Chief Climate Officer Louise Yeung. “Yet for too long, New Yorkers of color in environmental justice communities have been left behind, lacking critical access to trees and all the benefits they provide. Expanding and caring for our urban forest is a matter of racial and environmental justice, and I look forward to bringing our first-ever Urban Forest Plan to life.”

“Our urban forest serves as essential living infrastructure to keep our city cool and resilient, and every New Yorker deserves equal access to its benefits. The Urban Forest Plan marks a turning point for how New York City grows, protects, and cares for its more than seven million trees, and NYC Parks is proud to help lead this effort alongside our partners and communities,” said NYC Parks Commissioner Tricia Shimamura. “Year over year we have planted a record number of trees, adding canopy where it is needed most, and investing in our forestry workforce to ensure our trees are protected. Now the Urban Forest Plan will help ensure a unified strategy for lessening the effects of climate change and ensuring that New Yorkers in every neighborhood can benefit from a healthier, greener, and more resilient city.”

"At City Parks Foundation, we are incredibly proud to have played a role in the development and release of New York City's first Urban Forest Plan," said Heather Lubov, Executive Director of City Parks Foundation. "Planting and preserving the canopy will, of course, be critical to the success of the city's efforts to cool and clean our communities, but we're thrilled that the newly released plan also puts stewardship front and center to ensure that both trees and communities thrive. We look forward to working with the city and the many dedicated individuals and grassroots and nonprofit partners to achieve the goals of the plan."

"We are thrilled that New York City's first Urban Forest Plan acknowledges the vital role of NYCHA campuses' tree canopy," said NYCHA Chief Executive Officer Lisa Bova-Hiatt. "Preserving and expanding the tree canopy not only provides physical comfort but also empowers residents through hands-on workforce opportunities. We are proud to work with our partners across the city toward greener NYCHA campuses and a more resilient New York City."

NYC Parks manages and cares for millions of street and park trees across all five boroughs, helping to grow and sustain the city’s urban forest.

Expanding Tree Canopy as an Environmental Justice Priority

An equitably distributed and ecologically diverse urban forest in New York City will cool neighborhoods, help manage stormwater, improve air quality, reduce greenhouse gas emissions, increase habitat for wildlife, and enhance the health of, and quality of life for, all New Yorkers. At the core of the UFP is the City’s commitment to addressing unequal distribution of tree canopy as a critical matter of racial and environmental justice. Environmental Justice communities have approximately 19% canopy cover, compared to 26% in non-Environmental Justice areas.

In the Bronx, for example, neighborhoods like Pelham Bay live under a dense, connected tree canopy that cools the air, filters pollution, and absorbs stormwater. Just a few miles away in Hunts Point, one of the hottest, most pollution-burdened neighborhoods in the city, the tree canopy covers only six percent of the neighborhood, among the lowest in the entire city and a fraction of the borough-wide canopy level of 27%.

Cross-Agency Coordination and Partnership

The Urban Forest Plan outlines strategies to close these gaps and expand canopy where it is needed most.

“Reaching 30 percent canopy will be a true whole-of-city effort, bringing together agencies across city government to work in lockstep with communities, nonprofits, and property owners, who will be the true stewards of these forests,” said Deputy Mayor for Operations Julia Kerson. “New York’s urban forest is living infrastructure, and like every system that keeps this city running, it deserves investment, care, and measurable goals. We look forward to delivering all three.”

To reach 30% canopy coverage by 2040, the UFP outlines measures to protect existing canopy, expand planting in streets and public spaces, promote tree planting on private property, and strengthen workforce and stewardship programs that engage New Yorkers in caring for the urban forest.

City agencies will coordinate implementation of the plan in partnership with community organizations, nonprofit and institutional partners, and private property owners. Progress toward the city’s 30% canopy goal will be tracked over time, with updates and continued public engagement helping guide the plan’s implementation and future iterations. The plan fulfills requirements under Local Law 148 of 2023, which mandated that the city develop and regularly update a long-term urban forest strategy informed by public engagement.

Read the full Urban Forest Plan: https://on.nyc.gov/ufp

Fonte: NYC



terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

CENTRO DE NITERÓI CONTINUA AVANÇANDO PARA A SUA REVITALIZAÇÃO, AGORA COM UM FUNDO IMOBILIÁRIO INOVADOR

Impactos positivos da Revitalização do Centro de Niterói. No caso da obra da nova Avenida Amaral Peixoto, a atual via - uma das mais importantes da cidade, receberá canteiros, segregação mais eficiente da ciclovia e arborização urbana, revertendo a atual aridez da avenida. Os incentivos ao retrofit permitirão que prédios com aspectos de degradação sejam restaurados.

Em evento realizado em 11/02, com a presença do presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, lançou o Fundo de Desenvolvimento Imobiliário do Centro de Niterói (FDICN), criado por Lei Municipal (Lei 4.009, de 14 de maio de 2025). O novo fundo, por sua vez, utilizará recursos do Fundo de Equalização de Receitas - FER, também conhecido como "Poupança dos Royalties do Petróleo". O objetivo é impulsionar o desenvolvimento econômico e urbano de uma ampla área que compreende o Centro Histórico e partes dos bairros de São Domingos e São Lourenço. O FDICN oferecerá taxas de juros subsidiadas para financiar projetos imobiliários residenciais e hoteleiros – novos ou de requalificação –, além de viabilizar desapropriações estratégicas. 

O FDICN será operado pela Caixa e movimentará recursos iniciais de R$ 400 milhões do Município para fomentar moradia, hotelaria e requalificação urbana

Considerado o primeiro fundo municipal do Brasil com foco na redução de juros para financiamento de empreendimentos, o FDICN tem um significativo poder de alavancagem de novos recursos, uma vez que serão complementados por investimentos de instituições financeiras credenciadas como Agentes Financeiros. Estas instituições serão selecionadas em chamamento público a ser aberto em breve, podendo multiplicar o valor disponível para operações em até R$ 800 milhões.

O prefeito Rodrigo Neves destacou que "o Centro de Niterói, que hoje tem 20 mil moradores, poderá chegar a 50 mil em 10 ou 15 anos. Após 50 anos de decadência desde a perda da capital em 1975, o Centro será o novo vetor de desenvolvimento da cidade". 

O programa também tem um forte componente de geração de emprego e renda, com a previsão de cerca de 8 mil novos postos de trabalho diretos e indiretos, majoritariamente no setor da construção civil.

INICIATIVAS DE REVITALIZAÇÃO DO CENTRO

Faremos aqui uma retrospectiva de ações desenvolvidas para a revitalização do Centro de Niterói, com ênfase no legado que deixamos na gestão como prefeito de Niterói (2021 a 2024). 

Desde 2013, quando tomei posse como vice-prefeito de Niterói (2013-2016), me dediquei a buscar soluções para a revitalização do Centro de Niterói. Na época, lideramos junto com a Secretaria Municipal de Urbanismo e Mobilidade - SMU, a iniciativa de criação da Operação Urbana Consorciada - OUC do Centro. A OUC acabou dando lugar a outros instrumentos de requalificação do Centro, mas já trazia toda uma concepção do que seria o novo Centro.

Posteriormente, quando fui prefeito, uma das minhas primeiras iniciativas foi encaminhar uma Mensagem Executiva ao legislativo municipal que resultou na chamada Lei do Retrofit (Lei Nº 3.608, de 09 de julho de 2021), para o estímulo à produção habitacional por meio da requalificação de imóveis (retrofit) na Área Central de Niterói. A lei serviu de base para a criação do FDICN e é agora operacionalizada e potencializada pelo lançamento do fundo.

Em 2022, lançamos o Plano Niterói 450 Anos, que contava com o Eixo Centro 450 Anos, com a previsão de investimentos de R$ 400 milhões somente na região central da cidade. E as obras avançaram, com mais de 20 intervenções estruturantes para o Centro. Vejam as principais obras iniciadas na nossa gestão, já entregues, ou em andamento atualmente:

Nova Praça Arariboia, inaugurada em 2024.

Novo Terminal Sul. Mais conforto, funcionalidade e ordenamento. Ampliação da arborização e paisagismo.
  • NOVA ORLA DO CENTRO: fizemos a requalificação da Avenida Visconde do Branco, projetada dentro dos princípios das "Ruas Completas", o que rendeu à Prefeitura de Niterói o Prêmio IAB 2025. A requalificação incluiu a nova Praça Arariboia, a expansão do Bicicletário Arariboia, o novo Terminal Sul e a reurbanização da regiãode São Domingos e Gragoatá. As obras foram entregues em 2024. 
Amaral Peixoto Mais Verde e sustentável.
  • NOVA AVENIDA AMARAL PEIXOTO, RUA DA CONCEIÇÃO E DR CELESTINO: as obras foram concebidas na nossa gestão e o edital das obras chegou a ser publicado. O início das obras foi anunciado pelo prefeito Rodrigo Neves em 2025. A avenida mais importante do Centro será requalificada, deixando o seu aspecto atual de aridez para uma nova via, arborizada, com ciclovia segregada, paisagismo e, em função do retrofit, com prédios com fachadas e usos renovados. A concepção e o projeto foram desenvolvidos na nossa gestão. Lançamos a licitação que foi concluída na atual gestão. No mesmo edital de licitação da Amaral Peixoto, foi prevista a obra de requalificação da Rua da Conceição e Rua Dr. Celestino, cujas obras já estão em andamento. A reforma completa da Rua da Conceição e Dr. Celestino incluirão a ampliação dos passeios com acessibilidade e implantação de infraestrutura subterrânea da rede de telecomunicações para desobstruir a poluição visual que prejudica o patrimônio de edificações preservadas da rua.
Parque Esportivo da Concha Acústica, entregue em 2024.
  • PARQUE ESPORTIVO DA CONCHA ACÚSTICA: obra desenvolvida num espaço até então ocioso do Centro de Niterói. A infraestrutura esportiva foi entregue em 2024 e hoje oferece atividades esportivas oferecidas pela Secretaria Municipal de Esporte e Lazer - SMEL, para cerca de 2.000 pessoas inscritas.

Complexo de Atletismo Aída dos Santos. O equipamento esportivo é da UFF, foi restaurado pela Prefeitura e foi entregue em 2024. 
  • COMPLEXO DE ATLETISMO AÍDA DOS SANTOS: o equipamento esportivo pertence à UFF e foi integralmente reformado e é considerado pela Confederação Brasileira de Atletismo um dos melhores espaços para o atletismo no país. Em 2024, sediamos pela primeira vez o Grande Prêmio Brasil de Atletismo, em edição que valia como classificatória olímpica para os Jogos de Paris 2024. Saiba mais aqui.
Arena Niterói, projetada e obra iniciada na nossa gestão, será concluída e entregue à população em breve.
  • ARENA NITERÓI: a obra foi projetada, licitada e iniciada na nossa gestão e está em desenvolvimento, devendo ser concluída e entregue à população em 2026. Terá capacidade para 5.000 pessoas e será o mais importante equipamento para eventos esportivos e culturais da cidade. Com a Arena, o Centro de Niterói passa a contar com uma excelente infraestrutura esportiva, com o Parque Esportivo da Concha Acústica, o Complexo de Atletismo Aída dos Santos, da UFF e, finalmente, a Arena Niterói.
Prédio da Cantareira, imóvel histórico de Niterói, foi desapropriado em 2022. As obras foram iniciadas em 2024 e estão em andamento
  • ESTAÇÃO DA CANTAREIRA: há anos que o imóvel era reivindicado pelo setor cultural da cidade para uso público, em longa disputa judicial que terminou de forma desfavorável para a sociedade. O prédio foi desapropriado por mim em dezembro de 2022. O projeto de restauração foi desenvolvido e as obras começaram em 2024 para transformar o local em centro de inovação e formação tecnológica. 
Castelinho do Gragoatá foi restaurado e abriga a sede da Coordenadoria do Niterói de Bicicleta.
  • CASTELINHO DO GRAGOATÁ: o imóvel é tombado e estava há anos abandonado e muito deteriorado, com consequências para toda a sua ambiência urbana. O prédio foi desapropriado pela Prefeitura e foi totalmente restaurado. Hoje, sedia a Coordenadoria do Niterói de Bicicleta. A praça também foi revitalizada e hoje é conhecida como a Praça da Bicicleta.
Solar Notre Rêve (Casa Norival de Freitas: o imóvel tombado foi todo restaurado, entregue em 2024, e hoje abriga a sede do Projeto Aprendiz Musical.
  • SOLAR NOTRE RÊVE: conhecido também como Casa Norival de Freitas, o imóvel é tombado e reconhecido como um remanescente do que já foi o Centro de Niterói. O imóvel foi totalmente restaurado, recuperando as suas características históricas. O novo centro cultural foi entregue em 2024 e, agora, abriga a sede do Projeto Aprendiz Musical. Também demos início à restauração do Conservatório de Música de Niterói, localizado logo em frente ao Solar Notre Rêve.
Mercado Municipal de Niterói.
  • MERCADO MUNICIPAL: a concessão à iniciativa privada do Mercado Municipal foi realizada na gestão anterior do prefeito Rodrigo Neves e as obras aconteceram majoritariamente na nossa gestão, até que foi reinaugurado em julho de 2023. Inaugurado por Getúlio Vargas em 1938, o prédio, de arquitetura eclética com traços de art déco e neoclássica, faz parte de um conjunto arquitetônico da região portuária da cidade. O mercado foi desativado em 1977, ficando fechado por 46 anos. O Mercado tem 9.700 metros quadrados e mais de 170 lojas divididas entre: gastronomia, decoração, cervejaria, charcutaria, peixaria, artesanato, queijaria e hortifruti.
Edifício N. S. da Conceição (Prédio da Caixa, na Avenida Amaral Peixoto, foi desapropriado e será reformado e oferecido como alternativa habitacional.
  • EDIFÍCIO NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO: o chamado "Prédio da Caixa" era um grave problema social em plena Avenida Amaral Peixoto. O prédio foi desapropriado pela Prefeitura, em acordo com o Ministério Público e os seus moradores começaram a ser indenizados na nossa gestão. O objetivo é a recuperação do prédio (retrofit) em parceria com a iniciativa privada, fazendo a reconversão das unidades para uso misto a serem destinadas para habitação de interesse social e lojas com atendimento de serviços públicos. 
A área será transformada no Novo Centro de Niterói.
  • INTEGRAÇÃO DO CAMINHO NIEMEYER: entre a Avenida Visconde do Rio Branco e o Caminho Niemeyer, havia um vazio urbano, ocupado com estacionamentos irregulares que atraiam cerca de 2.000 automóveis diariamente para o Centro. A área foi totalmente urbanizada e recebe agora investimentos imobiliários que se constituirá na nova feição urbana do Centro de Niterói.
Bicicletário Arariboia.
  • DUPLICAÇÃO DO BICICLETÁRIO ARARIBOIA: com a remoção total do estacionamento que existia na Praça Arariboia, obteve-se espaço para uma nova praça aprazível com vistas para a Baia de Guanabara e a duplicação do bicicletário, que passou de 446 para 1.000 vagas. A obra foi idealizada e projetada na nossa gestão.
Estação da NitBike na nova Praça Arariboia, com o bicicletário ao fundo.
  • IMPLANTAÇÃO DAS BICICLETAS COMPARTILHADAS - NITBIKE: as chamadas 'Roxinhas" começaram a ser implantadas pelo Centro de Niterói em 2024 e hoje se expandem pela cidade. Já são mais de 50 estações (a maioria no Centro), com mais de 600 bicicletas circulando pela cidade. Desde que inauguramos o sistema em 2024, já foram realizadas mais de 2 milhões de viagens, evitando a emissão de mais de 805 toneladas de carbono. 
Em colaboração com a UFF, a Prefeitura concluiu a obra do novo IACS, nas margens da Baía de Guanabara.
  • IACS: em mais uma parceria com a UFF, o novo Instituto de Artes e Comunicação Social - IACS teve a sua obra concluída em 2024. O novo espaço acadêmico da UFF conta com um espaço cultural que, assim como a nova instalação do IACS, atenderá também a cidade. 
Traçado provisório do VLT de Niterói.
  • VLT: desde quando fui vice-prefeito de Niterói (2013-2016) coordenei o planejamento para a implantação do VLT de Niterói, que unirá a Estação Multimodal localizada no Terminal do Catamarã em Charitas, até o Terminal João Goulart no Centro, e de lá irá até o Barreto. Esta solução modal revolucionará a mobilidade da cidade e trará também muitos benefícios para o Centro de Niterói, melhorando de forma definitiva o trânsito na cidade. O Projeto Básico e o Estudo de Viabilidade Econômica foram concluído e deixamos para o governo seguinte o financiamento aprovado no Novo PAC, do Governo Federal, para a implantação da primeira etapa do projeto, ligando o Terminal João Goulart ao Barreto.
Ruínas do antigo reservatório de água de Niterói no Parque Águas Escondidas.
  • PARQUE NATURAL MUNICIPAL ÁGUAS ESCONDIDAS: O Parque Natural Municipal Águas Escondidas, foi criado em 2020 (Lei Municipal 3.560, 2020) através da recategorização da Área de Proteção Ambiental - APA com o mesmo nome, abrangendo o Morro da Boa Vista, onde desenvolve-se o maior projeto de reflorestamento desenvolvido pela Prefeitura de Niterói. O parque tem grande valor ambiental e histórico-cultural, pela sua proximidade com a Igreja de São Lourenço dos Índios, local de origem da cidade de Niterói. Também abriga as antigas ruínas da Chácara do Vintém, que foi o manancial que abasteceu a cidade de Niterói em seus primórdios.
Projeto Encosta Verde: projeto inovador e premiado, o parque solar teve a sua implantação iniciada em 2024 e está em fase de implantação. 
  • PROJETO ENCOSTA VERDE: o Encosta Verde é um projeto inovador, que inclui a implantação de um parque solar em área de encosta do Morro da Boa Vista, voltado para a produção de energia fotovoltaica. O projeto foi idealizado quando fui secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão, com a participação do Escritório de Gestão de Projetos - EGP e a Secretaria Municipal de Defesa Civil. O projeto recebeu o Prêmio Lidera Rio, promovido pelo SEBRAE em 2018. O projeto foi licitado e as obras foram iniciadas em 2024.
Urbanização da comunidade do Sabão.
  • COMUNIDADES: fizemos investimentos de melhorias da infraestrutura na Comunidade do Sabão, além de obras de contenção de encostas em várias comunidades, como o Morro do Estado, Morro da Boa Vista e Morro da Penha.
UMEI Leni dos Santos Oliveira, no Morro da Penha.
  • ESCOLA NO MORRO DA PENHA: Construção e entrega da UMEI Leni dos Santos Oliveira – Dona Helena, no Morro da Penha, bairro da Ponta d’Areia. A unidade é a 29ª inaugurada em Niterói nos últimos 12 anos e oferece 120 vagas, em tempo integral, para crianças de 1 e 2 anos. A Umei conta com seis salas de aula, sala de multimeios, sala dos professores, pátio, refeitório (equipado com cozinha e despensa), área verde, além de estar nos padrões de acessibilidade e sustentabilidade.
Novo deck de madeira no tradicional Portugal Pequeno, na Ponta D'Areia
  • DECK DOS PESCADORES NO PORTUGAL PEQUENO: obra de restauração da ambiência urbana da Ponta D'Areia e melhorias da infraestrutura. Obra entregue à cidade em 2024.
As referidas obras fazem parte do maior ciclo de investimentos em infraestrutura na história da cidade. No período de 2021 a 2024, foram investidos mais de R$ 3 bilhões na cidade, trazendo melhorias para a vida do cidadão niteroiense. Também cabe destacar a Lei do Retrofit, que encaminhamos ao Legislativo através de Mensagem Executiva e que foi aprovada como a Lei 3.608/2021. A lei estimula a iniciativa privada a investir na reforma e reaproveitamento dos imóveis no Centro de Niterói.

OUTRAS AÇÕES TRANSFORMADORAS DO CENTRO

Além das obras citadas, o Centro recebeu outros investimentos importantes como a requalificação da Avenida Marques do Paraná (entregue em 2020) e a implantação do Eixo Cicloviário das Avenidas Roberto Silveira - Marquês do Paraná e Amaral Peixoto, que inclui o Bicicletário Arariboia). Estas são as ciclovias mais movimentadas do país. Os seus números podem ser verificados no Sistema ContaBike.

O Caminho Niemeyer também faz parte da transformação em curso no Centro da cidade, com a construção da nova Catedral Católica e da Catedral Evangélica. Ambas as obras contam com projetos do arquiteto Oscar Niemeyer e complementarão o projeto idealizado pelo renomado brasileiro, mestre da arquitetura mundial. No caso da catedral evangélica, as cessão dos direitos à Igreja Assembleia de Deus ocorreu mediante Chamamento Público realizado na minha gestão. Ambas as obras são de responsabilidade e financiamento das respectivas igrejas.

Também cabe destacar outra ação determinante para o novo Centro de Niterói adotada pela atual administração municipal: Programa Aluguel Universitário, iniciativa que valoriza os imóveis, dinamiza o mercado imobiliário do Centro e oferece soluções de moradia para o grande contingente de estudantes universitários da cidade.

Para mais informações sobre a Requalificação do Centro de Niterói, acesse o Portal do Centro ou o Story Map do Niterói 450 Anos, ambos preparados pelo SIGEO. 

Axel Grael
Prefeito de Niterói (2021-2024)