sexta-feira, 15 de julho de 2016

RIO 2016: Polícia Ambiental amplia o foco no patrulhamento da Baía de Guanabara



Num bote, agente da Polícia Ambiental patrulha a Enseada de Jurujuba enquanto velejadores da delegação italiana treinam: rondas na Baía de Guanabara começaram na terça-feira - Guilherme Leporace / Agência O Globo.


Leonardo Sodré

Objetivo é coibir crimes na área da raia olímpica e nos clubes náuticos de Niterói

NITERÓI - A orla de Niterói está na rota do novo esquema de patrulhamento intensivo na Baía de Guanabara a cargo do Comando de Polícia Ambiental (CPAm). Além de coibir crimes ambientais, os agentes ampliaram o foco para todo tipo de embarcação, com o objetivo de impedir que outros tipos de delitos sejam praticados no litoral da cidade. Em lanchas e jet skis, os policiais fazem, desde terça-feira, cerca de três rondas diárias, em horários estratégicos, incluindo a madrugada, para garantir a segurança no entorno da raia olímpica das competições de vela, no Rio, e dos clubes náuticos de Niterói, que receberão velejadores de dez delegações estrangeiras.

O objetivo das rondas é surpreender os bandidos, portanto não ocorrem em horários regulares. A exemplo das blitzes em estradas, em que há interceptação de veículos suspeitos, os policiais que atuam no mar param embarcações, revistam o seu interior e cobram a identificação dos tripulantes. No primeiro semestre deste ano, o CPAm registrou 189 ocorrências e prendeu 203 pessoas na Baía de Guanabara. A maior parte dos crimes flagrados é ligada ao meio ambiente, como pesca de espécies em período de defeso e contrabando de animais silvestres. Mas, agora, com o foco também em roubos e crimes ligados ao tráfico de drogas e armas nas vias marítimas, o número de ocorrências tende a crescer, como avalia o tenente Fernando Alves, que comanda as operações.

— Eventualmente, realizamos operações de apoio, quando há incursões policiais em alguma comunidade ribeirinha. No Salgueiro, em São Gonçalo, é comum os bandidos tentarem fugir pelo mar. Mas agora estamos com foco em toda e qualquer embarcação que navegue na Baía de Guanabara. Quem estiver pensando em usar o mar para cometer algum crime será pego — avisa o oficial, que também alerta para o início da operação nas lagoas da Barra, onde está instalada a maioria dos equipamentos de competição e a vila olímpica.


Patrulha com um bote, acompanhado de jet ski, faz varredura nas águas da Boa Viagem a procura de barcos usados para ações criminosas. - Guilherme Leporace / Agência O Globo



À CAÇA DE FORAGIDOS DA JUSTIÇA

O GLOBO-Niterói acompanhou, na terça-feira passada, a primeira operação pente-fino na Baía de Guanabara. A equipe da polícia ambiental partiu por volta das 10h30m da sede da corporação, em Ramos, na Zona Norte do Rio, e seguiu em direção à Ponte Rio-Niterói. No trajeto, cinco embarcações de pesca e de passeio foram paradas. Próximo à Ponte, um barco com cerca de 12 pescadores foi revistado. Estava tudo em ordem. Os policiais fizeram questão de conferir os documentos de cada um dos tripulantes com o objetivo de identificar algum possível foragido da Justiça. O comandante da operação explica:

— (Há casos de) Bandidos que estão cumprindo pena conseguem algum tipo de liberação do presídio e não voltam mais. Muitos passam a atuar em barcos de pesca como forma de ficar longe das ruas e não serem pegos. É fundamental identificarmos todos em cada abordagem.

A patrulha do CPAm não faz distinção ao tamanho das embarcações. Até uma dupla de pescadores num pequeno barco a remo foi parada na terça-feira próximo à orla do Gragoatá. Nada de errado foi encontrado com ela. Mais à frente, os agentes fizeram incursões no entorno dos píeres de clubes náuticos instalados na Estrada Fróes, que liga Icaraí a São Francisco; em Charitas; e em Jurujuba. Na ocasião, velejadores italianos treinavam na enseada.

— Temos uma atenção grande nessa região de Niterói. São clubes que concentram embarcações de alto padrão, muito bem mobiliadas e com equipamentos caros. Em razão da Olimpíada, muitos atletas ficarão aqui e precisamos garantir a segurança de todos — diz Alves.


Os policiais revistam todas as embarcações e fazem a identificação da tripulação - Guilherme Leporace / Agência O Globo


ATAQUES E FURTOS A EMBARCAÇÕES

A preocupação do tenente não é à toa: Niterói receberá um total de 235 velejadores. Nos próximos dias, o Iate Clube Brasileiro, na Estrada Fróes, em São Francisco, receberá 25 pessoas da delegação inglesa, incluindo atletas e equipe técnica. No Rio Yacht Club (Sailing), também na Fróes, ficarão as equipes de Nova Zelândia, Dinamarca, Irlanda, México e Canadá, totalizando 75 integrantes. No Praia Clube São Francisco são 50, de delegações de Áustria, Portugal e Grécia. As equipes dos Estados Unidos, da Alemanha e da Suíça serão instaladas no Clube Naval, em Charitas, que receberá 60 atletas. Cerca de 25 integrantes da equipe italiana usarão o espaço do Projeto Grael, em Jurujuba.

A ação de bandidos nessas áreas está longe de ser atípica. Em abril, O GLOBO-Niterói mostrou que bandidos vestidos com roupas escuras e toucas ninja saquearam embarcações na orla da cidade, deixando a segurança nos clubes em xeque. Os alvos dos “piratas” são motores, geradores de energia, botes, acessórios e equipamentos de sonar e GPS. Em alguns casos, são levados também objetos de pouco valor, como boias de proteção lateral das embarcações e até coolers com bebida e comida. Embora não existam estatísticas oficiais, a comunidade de navegadores estima que, somente este ano, já houve mais de uma dezena de ataques e furtos a embarcações atracadas ou fundeadas junto às marinas e aos clubes náuticos nas orlas de Jurujuba e Charitas, a maioria nos meses de março e abril.


Durante a ação do CPAm, o foco também é nos clubes náuticos de Niterói que receberão delegações de velejadores de dez países. - Guilherme Leporace / Agência O Globo


VÍTIMA DE ROUBO: ‘ÁGUAS SEM LEI’

O trader Guilherme Fuchs, que teve o motor de popa do seu veleiro — estimado em R$ 10 mil — roubado numa marina particular de Jurujuba, em abril, está esperançoso com o reforço na segurança, mas pondera que o aparato para o patrulhamento deveria ser ainda maior.

— A maioria dos velejadores reclama de insegurança. Aqui são águas sem lei, porque nunca teve patrulhamento. É muito bom saber que agora estão começando a fazê-lo. Mas é uma enseada grande, e para patrulhar tudo é necessário bem mais do que uso eventual de um barco e jet skis. Os roubos que são praticados aqui são profissionais, muito bem executados — avalia Fuchs.

Sócio do Iate Clube Brasileiro, o empresário André Victor do Espírito Santo teve o bote de apoio de sua lancha furtado também em abril. O crime ocorreu de madrugada, enquanto dormia dentro da lancha atracada no píer do clube. O CPAm diz que o patrulhamento marítimo não tem prazo para acabar, mas o empresário teme que seja descontinuado com o fim da Olimpíada.

— Acho lamentável que só agora deem atenção a isso, porque esses tipos de crime estão acontecendo há muito tempo. (O policiamento) Deveria se tornar rotineiro, para não ficar uma coisa de só tapar o sol com a peneira. Tinha que ser constante, sem prazo para acabar — avalia Espírito Santo.

Fonte: O Globo Niiterói




 






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