domingo, 31 de julho de 2016

Patrimônio arqueológico de Niterói recebe cerca de proteção e terá a vegetação recuperada


 
Funcionário da prefeitura trabalha no entorno da Duna Grande - Alexandre Vieira / Divulgação
 



Fotos divulgação SMARHS


Duna Grande será demarcada, e ilhas são protegidas por lei aprovada na Alerj

NITERÓI - Um dos mais importantes sítios arqueológicos do Brasil, a Duna Grande de Itaipu estará cercada e protegida até o fim desta semana. O trabalho, iniciado na quarta-feira, é o primeiro passo para que a área passe a ser um ponto turístico na cidade. Os 778 metros de cerca estão sendo instalados através de uma compensação ambiental.

De acordo com Pedro Heringer, arqueólogo e museólogo do Museu Histórico Nacional, que acompanha os trabalhos, o cercamento é essencial para a preservação do sítio.

— Por ser numa duna, o sítio é muito vulnerável. Pessoas com quadriciclos e picapes costumavam passar na área. Toda vez que uma movimentação dessa acontece, nós corremos o risco de perder achados importantes — explica o arqueólogo.

Ainda segundo Heringer, a área foi ocupada há pelo menos cinco mil anos por um povo sambaquieiro. Na duna, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), já foram encontrados artefatos de pedra usados pelos antigos habitantes e túmulos com ossadas.

Além do cercamento, serão instaladas placas com informações sobre a importância da área. A ideia é que num futuro próximo a duna seja parte de um roteiro turístico na Praia de Itaipu, sendo incluída entre as trilhas do Parque Estadual da Serra da Tiririca (Peset), do qual o sítio arqueológico faz parte.

Secretário municipal de Meio Ambiente, Eurico Toledo lembra que o local era usado para fazer queimadas e como estacionamento durante o verão:

— Estamos fazendo o cercamento em função da necessidade de preservação desta área.

ILHAS SÃO INCLUÍDAS NO PESET

As ilhas Pai, Mãe e Filha: com lei aprovada na Alerj, agora elas integram o Parque da Serra da Tiririca - Eduardo Naddar/05-06-2013 / Agência O Globo


Outra ação que visa à preservação do meio ambiente teve aval em âmbito estadual. Foi aprovado na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) o projeto de lei, de autoria dos deputados Marcelo Freixo (PSOL) e Comte Bittencourt (PPS), que inclui as ilhas do Pai, da Mãe e da Filha ao Parque Estadual da Serra da Tiririca. Apesar de a área já ser anexada ao Peset por decreto, Freixo destaca que a medida é necessária para dar segurança jurídica ao espaço, que tem vegetação remanescente da Mata Atlântica e é usado por aves marinhas como área de reprodução.

— A criação do parque foi uma grande luta, e essa norma é decisiva para evitar qualquer tipo de exploração ou dano do local, já que um decreto pode ser derrubado por decisão jurídica — explica o parlamentar.

Jhonatan Ferrarez, gestor do Parque Estadual da Serra da Tiririca, comemorou a aprovação do projeto, que agora precisa ser sancionado pelo governador em exercício Francisco Dornelles. Segundo Ferrarez, as ilhas sofrem constantes ameaças:

— As ilhas são um ecossistema bem frágil, devido a fatores como o seu solo. Elas sofrem pressão em razão da queda de balões, que já provocaram uma queimada em 2012. Outra ameaça é a presença de pescadores de fora da colônia de Itaipu, que resolvem acampar no local e, por não conhecerem aquele ecossistema, acabam fazendo fogueiras. Essas ilhas, inclusive, já constam no plano de manejo do parque como área de ampliação.

Fonte: O Globo






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