segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Por bons ventos na grande rede


Principal competição da Laser Radial acontece entre 20 e 26 de novembro em Omã e prazo para ajuda expira no próximo dia 20 de outubro
Foto: Marcelo Feitosa


Daniel Alves

Com passaporte garantido na Rio 2016, Fernanda Decnop recorre ao financiamento coletivo para participar do Mundial e seguir em alto nível

 
Engana-se quem pensa que a luta diária de um atleta olímpico termina com a conquista da vaga. Ela segue, uma vez que o ciclo só acaba no último ato do desportista no maior evento do planeta: as Olimpíadas. Garantida na Rio 2016 e postulante à honraria pela Laser Radial, a niteroiense Fernanda Decnop, de 28 anos, treina de segunda a sexta no Iate Clube Brasileiro, sem a certeza se estará na principal competição da sua classe em 2015, o Mundial que acontece entre os dias 20 e 26 de novembro em Omã.

Entre o vento e a calmaria, a atleta não mede esforços para estar em pé de igualdade com suas rivais e resolveu recorrer a um método que vem caindo nas graças dos atletas brasileiros, o financiamento coletivo (crowdfunding), que consiste na obtenção de capital através da internet. “O financiamento coletivo acontece através de um site que se coloca o orçamento e a meta. Caso a meta seja alcançada, eu recebo o valor com um percentual para o site, mas se o valor não for atingido, o dinheiro retorna para os colaboradores e eu não recebo nada”, comenta a atleta que até o momento atingiu cerca de 10% do seu orçamento.

Com prazo até o dia 20 de outubro para obter o capital via internet, a atleta destaca a importância de sua participação em um evento deste porte. “É importante para qualquer atleta para se manter em nível alto, estar competindo em campeonatos de nível mundial, e esse ano ainda há o campeonato mundial que é em Omã e antes dele tem o Sul-Americano que será em Porto Alegre. Esse em Omã é caríssimo e até agora consegui com a Confederação as passagens, mas ainda busco recursos para outros gastos como hospedagem, alimentação, aluguel de barco e bote. Isso tudo é um custo muito grande e se torna meio inviável ir sem o meu técnico, Rodrigo Amado, pois ele me dá toda a base e suporte para estar lá, entender a raia, etc. Desta forma os custos acabam sendo dobrados e é o campeonato mais importante do ano e o mundial da classe”, alerta Fernanda que lembra que a contribuição mínima pode fazer a diferença. “O vídeo que compartilhei no Facebook já tem mais de 8 mil visualizações, se cada uma dessas pessoas contribuísse com o valor mínimo de R$ 10 reais, eu já teria ultrapassado a meta”, ressalta a niteroiense.

Pressão – Atleta profissional desde 2009, quando ingressou na Marinha do Brasil, Fernanda Decnop, que desbancou duas fortes concorrentes pela vaga em 2016, afirma que essa Olimpíada tem um significado especial para ela. “Claro que não deixa de ser uma pressão extra de ter uma Olimpíada em casa e todo mundo quer participar, ainda mais onde eu nasci, onde eu velejo todos os dias, e então significa muito poder participar desta olimpíada e na verdade isso foi um motivo de incentivo para eu me dedicar mais”, afirmou.

Sobre os treinos, Fernanda Decnop busca a melhor performance ao lado de velejadoras de outras nacionalidades (Estados Unidos, Irlanda, Holanda, França e Nova Zelândia) que já desfilam talento pela Cidade Sorriso. “Elas sempre entram em contato para marcar treino, pois velejar sozinho não ajuda muito, pois é bom trabalhar com parâmetros e quanto mais barcos, melhor para observar a raia, e para elas é muito interessante esse treinamento, ainda mais que eu conheço mais a raia do que elas”, explicou.

Já sobre a qualidade da água da Baía de Guanabara, a niteroiense relata evolução, mas lembra que ainda há muito a ser feito com relação à poluição. “Tenho visto evolução sim, mas ainda tem muito trabalho para ser feito. Tenho visto muito trabalho com os ecobarcos que coletam o lixo flutuante e a qualidade em termos de cor e sujeira já foi pior, mas ainda tem muito a melhorar”, finalizou a velejadora niteroiense.
Fonte: O Fluminense






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