terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

CICLOTURISMO EM NITERÓI: Projeto da UFF estuda o potencial cicloturístico de Niterói




Projeto da UFF aposta no cicloturismo em Niterói e já preparou inúmeros roteiros para os visitantes

O aumento do uso de bicicletas tem gerado consequências em diversos setores da sociedade, entre eles, o turístico. O cicloturismo já é uma modalidade bem difundida entre os amantes do ciclismo. E, nos últimos anos, vem ganhando espaço um novo tipo: o urbano. Embarcando nessa vertente, a professora Fátima Priscila Morela Edra criou o PedalUFF-tur. O projeto começou em sala de aula pela disciplina Turismo e Transportes, lecionada pela professora. Seu objetivo na época era incentivar seus alunos a refletirem sobre transporte e seus efeitos no turismo, contemplando Niterói. “Desafiei os alunos a se dividirem em equipes e apresentarem uma proposta sobre a mobilidade de turistas e residentes para o lazer na cidade, usando para isso o plano da prefeitura”.

Embora o projeto cicloturístico não esteja ligado diretamente a órgão público municipal, a Faculdade de Turismo e Hotelaria da UFF estabeleceu um termo de cooperação com o Programa de Mobilidade da Prefeitura através da Coordenação do Niterói de Bicicleta. O acordo foi solicitado por ambos os lados, e prevê que o município conceda a infraestrutura enquanto que o projeto indicará o que na cidade deverá ser aperfeiçoado e adaptado para o ciclista.

Desde a criação do projeto de requalificação urbana, em 2013, a prefeitura procura incentivar moradores a usar a bicicleta como meio de transporte urbano. Para isso, estão sendo construídas ciclovias, bicicletários e outras estruturas que também podem ser utilizados pelo cicloturista. Essa estrutura urbana implantada pela prefeitura foi o primeiro passo para realização do PedalUFF-Tur. O plano abrange rotas cicloviárias nas regiões central e sul da cidade, “exatamente onde estão os pontos turísticos de maior relevância”, enfatiza Edra.

A motivação inicial para o projeto, segundo a professora, foi “levar a teoria para fora da sala de aula, dando liberdade aos alunos de colocarem em prática o que há de mais atual no cenário ciclístico”. Assim, Edra começou a fazer contato com representantes da Bike Anjo, Transporte Ativo, Neltur e Via Pedal, que se interessaram pela ideia do projeto e vieram até a UFF conversar com a turma. Os encontros resultaram no interesse dos alunos por artigos, matérias online, vídeos e outros materiais relacionados ao assunto. E, em 2014, na Mostra de Inovação de Metodologias da UFF, a professora apresentou a proposta sobre sua disciplina Turismo e Transportes e se surpreendeu com o retorno positivo do público. A aceitação ocasionou a transformação da matéria em um projeto de desenvolvimento acadêmico.

De acordo com a coordenadora do projeto, as pesquisas identificaram um grande potencial cicloturístico em Niterói. Por aqui circula, diariamente, cerca de 1 mil ciclos (skates, bicicletas e triciclos), sendo 90% de bicicletas. Por meio desse transporte, os visitantes e moradores conseguem fazer seus passeios turísticos sem necessidade da presença de um guia.

Ao constatarem que o maior número de visitantes vem do Rio de Janeiro – moradores da cidade e turistas – os participantes do projeto foram até lá para pesquisarem o perfil do seu público alvo. Durante a pesquisa, além de conhecerem muitos ciclistas que já pedalaram por aqui, descobriram que muitos ainda não sabiam da gratuidade das barcas.

A etapa seguinte foi realizar a montagem dos roteiros e a verificação dos níveis de dificuldade – tipo de estrada, sinalização, estrutura para o ciclista estacionar, inclinações das vias e segurança. Quatro tipos de roteiros cicloturísticos foram traçados, incluindo o Centro Histórico (Espaço cultural dos Correios, Teatro Municipal e outros), o Caminho Niemeyer, a Orla Marítima e Museus (MAC, Janete Costa, Solar do Jabeiro e do Ingá). Os roteiros estão disponíveis no site http://pedalufftur.blogspot.com.br/, onde também são encontrados o mapa da cidade e todos os pontos turísticos da cidade.

Bicicletas também podem ser veículos de inclusão social

O projeto, que integra os editais de extensão da UFF, possui também uma proposta na área de tecnologia social. A equipe realizará oficinas no Morro do Estado, em Niterói, com o objetivo de identificar moradores que não saibam andar de bicicleta ou que interromperam a prática por algum trauma e desejam recomeçar. Os interessados contarão ainda com aulas, com início já marcado para o final de janeiro, que abordarão o uso desse meio de transporte no mercado de trabalho.

Para auxiliá-los nesta iniciativa, o grupo do PedalUFF-Tur contatou o Bike Anjo. A parceira, autoproclamada “comunidade de ciclistas voluntários”, criou a Escola Bike Anjo (EBA), na qual uma pessoa (o “anjo”) acompanha por algum tempo aqueles que possuem dificuldades na adaptação ao uso diário da bicicleta. “Iremos ensinar os moradores do local utilizando a metodologia da EBA, ou seja, faremos com que percam o receio de andar de bicicleta, e informaremos sobre a importância e respeito às leis de trânsito. Além disso, a oficina apresentará formas de empreendimentos com a bicicleta, por exemplo, o food-bike (utilização da bicicleta para comercialização de produtos alimentícios), uma bicicletaria (espaço para conserto e fabricação), ou prestando serviços a lojas”, concluiu a coordenadora.

Fonte: O Fluminense







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