sexta-feira, 21 de abril de 2017

WOLBACHIA: Fiocruz estende plano de controle da dengue à Região Oceânica, Niterói



Agentes da Fiocruz fazem a soltura dos insetos em Charitas - Agência O Globo / Antonio Scorza


Leonardo Sodré

O alerta foi intensificado na região depois da morte de um morador de Maricá

NITERÓI — O controle da proliferação do Aedes aegypti, transmissor de dengue, zika e chicungunha, está no centro dos esforços para conter a chegada da febre amarela à cidade. O alerta foi intensificado na região depois da morte de um morador de Maricá com suspeita da doença na madrugada da última quarta-feira. Até agora, os dez casos confirmados no estado são do tipo silvestre, transmitido por insetos que vivem na mata. Mas a esperança para impedir a entrada da doença no meio urbano pode estar no método desenvolvido por cientistas australianos de soltar no ambiente mosquitos contaminados com bactéria Wolbachia, que lhes tira a capacidade de agir como vetores de vírus, inclusive o da febre amarela. Essa técnica, que vem sendo usada por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) há cerca de dois anos em Jurujuba, terminou mais um ciclo em Niterói na última quarta-feira, na região de São Francisco, Preventório, Cachoeira e Charitas, quando houve a soltura, neste último bairro, dos insetos contaminados. No mês que vem, o projeto chegará à Região Oceânica.

As ações fazem parte do projeto Eliminar a Dengue: Desafio Brasil e utilizam duas formas de liberação de Aedes aegypti com Wolbachia: a primeira é a soltura de mosquitos adultos em vias públicas e a segunda é através de Dispositivos de Liberação de Ovos (DLO), um recipiente fechado (semelhante a um balde com tampa) onde os insetos se desenvolvem. Esses reservatórios foram colocados em áreas públicas, em casas e estabelecimentos comerciais de Charitas, Preventório, São Francisco e Cachoeira. Em Jurujuba, onde as solturas foram feitas há mais de um ano, os pesquisadores da Fiocruz estimam que cerca de 90% dos mosquitos do ambiente já têm a bactéria. Pesquisas garantem que o método é seguro e sem qualquer risco para a população, os animais e o meio ambiente. Além do Brasil, o programa Eliminar a Dengue ocorre em Austrália, Indonésia, Colômbia e Vietnã.

— A liberação de Aedes aegypti com Wolbachia foi feita há 14 meses em Jurujuba, e a bactéria se disseminou, naturalmente, entre os mosquitos no ambiente, através do cruzamento e da transmissão da fêmea para os filhotes, que já nascem com a Wolbachia. Esse processo garante a autossustentabilidade do método. Fazemos coletas periódicas em Jurujuba para avaliarmos o avanço da Wolbachia, e a presença da bactéria tem variado entre 80% e 90% da população de mosquitos da região — conta o coordenador-geral do projeto no Brasil, Luciano Moreira, que acrescenta: — Há publicações científicas na Austrália que também relacionam a bactéria Wolbachia à impossibilidade de os mosquitos transmitirem a febre amarela. Mas aqui ainda não há como confirmarmos essa teoria porque requer uma estrutura laboratorial de que não dispomos por ser muito cara.


Recipiente com os mosquitos infectados antes da soltura - Antonio Scorza / Agência O Globo


Como os insetos circulam por uma área de cerca de 50 metros, mesmo que alguns cheguem a outros bairros, não haveria número suficiente para se perpetuarem no ambiente. Por isso, a Fiocruz vem ampliando a soltura de Aedes aegypti modificado para outros bairros de Niterói. As ações iniciadas em Jurujuba há cerca de dois anos deram a base necessária ao desenvolvimento do plano de expansão, desde a implementação de um modelo de aceitação pública, o aperfeiçoamento da logística, de materiais, até a otimização dos processos de criação dos mosquitos e a integração de novos dados informatizados. Em maio, os mosquitos começarão a ser soltos no Cafubá e em Piratininga.

— Estamos otimistas, pois teremos a oportunidade de trazer mais um método à população para reduzir a incidência dessas doenças transmitidas pelos mosquitos, agora em maior escala — diz Moreira.

Voluntariado é fundamental para expansão do projeto

Os pesquisadores da Fiocruz consideraram fundamental o engajamento da população para a expansão do projeto. O trabalho começou com a captação individual de voluntários, mas tem encontrado boa adesão. Quem decide colaborar com o projeto recebe treinamento dos pesquisadores para se tornar quase um especialistas na criação de mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia.

— Continuamos o trabalho de identificação das pessoas, porta a porta, mas como agora mais gente conhece o projeto, já facilita muito o nosso trabalho. O contato, que antes era individual, agora é em maior escala. Trabalhamos com foco em áreas maiores, com o auxílio de mapas, e tem pessoas que nos procuram querendo ajudar. Como a Região Oceânica tem características urbanas diferentes do restante da cidade, com mais casas e áreas verdes, estamos em contato com as associações de bairros e condomínios para captar novos voluntários — conta Moreira.

Os moradores da área de abrangência do projeto que quiserem se tornar parceiros e colaborar com a disseminação de mosquitos e conhecer mais sobre a iniciativa devem entrar em contato para agendar um encontro com a equipe de Relacionamento com a Comunidade ou com os pesquisadores do projeto através do e-mail eliminaradengue@fiocruz.br ou pelos telefones 3882-9265 e 99643-4805 (segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h às 17h).

Ainda não há informações oficiais sobre o impacto do projeto na redução do número de casos de dengue em Jurujuba, segundo os pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz. Essa avaliação está prevista para as fases futuras do projeto, quando a população de Aedes aegypti com Wolbachia for consolidada dentro de uma área mais ampla do território da cidade.

Segundo a prefeitura, em 2016 foram registrados 2.546 casos de suspeita de dengue na cidade, um crescimento de 229% em relação ao ano anterior, quando houve 774 notificações. Os casos confirmados de zika também cresceram no período, indo de 11 para 190. Já as confirmações de chicungunha subiram de duas para 37. Até o fechamento desta edição, a prefeitura não havia informado os dados de registros destas doenças em Niterói no primeiro trimestre deste ano.

Há um mês, o município reforçou a vacinação contra febre amarela na cidade. A Secretaria Municipal de Saúde abriu novas salas de imunização nas policlínicas regionais e dois novos pontos de atendimento, em Jurujuba e no Engenho do Mato. Solicitou também ao governo do estado reforço no envio de vacinas contra a febre amarela, e a Secretaria de Estado de Saúde se comprometeu a ampliar a remessa para Niterói ainda este mês. De acordo com a prefeitura, a medida permitirá o reforço da vacinação, “principalmente, em áreas próximas a matas e remanescentes de florestas”.

A imunização está ocorrendo de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h, em todas as policlínicas regionais do município, incluindo a de Jurujuba e o Médico de Família do Engenho do Mato.


Fonte: O Globo Niterói




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