quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

COP 26 - CONFERÊNCIA DO CLIMA EM GLASGOW: o mundo diante da escolha entre a sustentabilidade ou o caos climático



A sustentabilidade não é uma opção, mas o caminho para a garantia de sobrevivência das futuras gerações. As mudanças climáticas são o maior desafio e a maior urgência na transição para o novo paradigma.

De todos os desafios para a transição para a sustentabilidade, reverter as mudanças climáticas é a maior delas e talvez a mais dramática e urgente. A consciência de que já estamos sofrendo as consequências de graves desequilíbrios no planeta e das mudanças climáticas e que, conforme alertam os cientistas, podemos estar próximos a um limite de criticidade, faz crescer a pressão sobre as instâncias diplomáticas para que se parta para a implementação de medidas efetivas para prevenir o pior. O sinais da gravidade da situação estão por todas as partes e nós, no Brasil, estamos presenciando evidências claras. O Pantanal secou diante de uma seca sem precedentes, as queimadas assolam a Amazônia e outras regiões do país e até cenas assustadoras de tempestades de poeira invadindo cidades do interior causando inclusive mortes.

Avançar para a sustentabilidade requer uma nova pactuação mundial, um grande esforço tecnológico, a construção de uma nova economia e o reconhecimento que daqui para frente teremos uma eterna responsabilidade gerencial com o planeta, já que o estamos demandando nos limites da sua capacidade de suporte. É o chamado antropoceno, ou seja, o planeta hoje é quase integralmente impactado pela presença humana e, portanto, cabe a nós gerenciar a nossa presença para garantir a viabilidade da nossa própria permanência. 
  • Quais as consequências do fim da Amazônia para o clima do Brasil e do mundo? 
  • O que acontecerá com o fim das geleiras e a elevação do nível do mar? 
  • A acidificação dos oceanos causados por uma atmosfera mais saturada de carbono vem causando sérios danos aos corais do mundo: como isso nos afeta? 
  • A extinção em massa e rápida de espécies não é um problema para nós? 
  • Poderemos viver com um planeta só para nós? 
  • Isso não trará impacto para a nossa alimentação e para o equilíbrio das condições de vida para nós mesmos?
Essas perguntas não são novas e desde a década de 1950 e 1960, cientistas e ambientalistas intensificaram o alerta que o caminho do desenvolvimento era perdulário em recursos naturais e predatório com relação aos ecossistemas e nos levaria a uma grave crise ambiental. Foi com este alerta que, sob os auspícios da ONU, os países do mundo reuniram-se pela primeira vez para debater os rumos do desenvolvimento na Conferência de Estocolmo (acesso aqui os documentos históricos que precederam a Conferência de Estocolmo), realizada em 1972. 

Vinte anos depois e com o agravamento dos problemas ambientais, 185 chefes de estado se reuniram no Rio de Janeiro na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a chamada Rio-92. Do processo de preparação para a Rio-92 surgiu o termo "desenvolvimento sustentável" (leia também: Reflexão sobre o que é sustentabilidade) e da conferência saíram muitos desdobramentos importantes como a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (também chamada de "Conferência do Clima"), a Convenção para a Diversidade Biológica, a Declaração de Princípios Sobre Florestas, além do embrião da Convenção de Combate à Desertificação e a Carta da Terra, produzida pela sociedade civil. Também surgiu na ocasião a Agenda 21, um importante movimento de mobilização da sociedade mundial para promover estas transformações. Hoje, o instrumento mais adotado mundialmente é a Agenda 2030, que instituiu os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, as ODS´s.

O mais expressivo desdobramento foi a Conferência do Clima, que teve como próximo passo importante o Protocolo de Kyoto, aprovado na 3ª Conferência das Partes, realizado no Japão em 1997. As conferências das Partes passaram a acontecer para dar sequência às determinação da Conferência do Clima e promover a sua implementação.

Passos lentos

Estamos às vésperas do início da 26ª Conferência das Partes da Convenção Quadro da ONU (COP-26), a ser realizada em Glasgow, Escócia, em novembro de 2021. Portanto, é a 26ª vez que líderes mundiais se encontrarão para definir estratégias mundiais para o clima, desde que a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (também chamada de "Conferência do Clima") foi aprovada na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a chamada Rio-92

No próximo ano, terão se passado 30 anos da Rio-92. Após tantos anos, a percepção geral é de frustração com os avanços da agenda climática, os problemas vão se agravando e os alertas são de que o tempo está se esgotando. A ênfase até agora foi na produção de conhecimento científico sobre as mudanças climáticas, representada principalmente pelos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) além da busca de entendimentos diplomáticos quanto às responsabilidade e formas de implementação. Foram propostos diversos mecanismos, como a criação de um mercado de carbono e outras formas para viabilizar a redução das emissões. No entanto, diante da força dos lobbies e da falta de compromisso da grande maioria dos países, avançou-se muito pouco na prática e estamos longe das metas indicadas pelos cientistas.

Recentemente, o processo sofreu ainda sérios retrocessos, quando o presidente americano Donald Trump retirou os EUA da Conferência do Clima praticamente paralisando as negociações. Outras lideranças populistas e negacionistas quanto ao clima, como o presidente brasileiro Bolsonaro, também passaram a jogar contra os avanços.

COP-26

Temos agora um outro cenário, bem mais favorável. Trump, com as suas ideias ecocidas, e seus aliados lobistas da velha indústria poluente foram derrotados nas urnas. Seu sucessor, Joe Biden, trouxe os EUA de volta ao debate climático, dando inclusive sinais de que quer assumir uma postura protagonista. Com o objetivo de acelerar os compromissos climáticos, a estratégia da COP-26 é trazer para a cena política as chamadas instâncias subnacionais, como governos regionais (estados, no caso brasileiro) e cidades, além de organizações da sociedade civil, novas lideranças empresariais e outros atores. A estratégia é correta e podemos estar às vésperas de um salto histórico rumo à sustentabilidade.

COVID e retomada econômica: Nova conjuntura

O mundo foi assolado de surpresa pela pandemia do novo coronavírus, a Covid-19. Com o sofrimento das perdas de muitas vidas, a economia do mundo parou. Andou para trás por quase dois anos. Com a vacinação da população está permitindo que se supere a pandemia e o foco já se desloca para o pós-Covid, o "novo normal", a retomada da economia e do cotidiano das pessoas. Após toda a dor causada pela crise sanitária, precisamos trabalhar para que o que virá pela frente seja muito melhor do que havia antes da pandemia, ou perderemos uma oportunidade histórica. E a sinalização que estamos tendo em várias partes do mundo são muito promissoras.


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quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

CONCLUSÃO DO PRODUIS: projeto beneficiou 6 mil pessoas e modernizou a gestão de Niterói

 

Parque Esportivo e Social do Caramujo

Urbanização de comunidades

Macrodrenagem de São José

Drenagem

Em 2013, eu começava a minha trajetória como vice-prefeito de Niterói, ao lado do prefeito Rodrigo Neves. Numa das minhas primeiras iniciativas, sugeri ao prefeito a criação de um Escritório de Gestão de Projetos - EGP, com a atribuição de captar recursos para Niterói e promover a gestão mais eficiente de projetos, além de zelar pela prestação de contas. Estas eram três grandes deficiências da cidade.

Uma das minhas primeiras tarefas repassadas pelo prefeito foi resgatar uma negociação da cidade com o Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID, iniciada anos antes e abandonada pela administração municipal. Literalmente, ressuscitamos um projeto que havia sido arquivado pelo banco. Com uma especial ajuda do BID, reestruturamos o escopo do projeto, fizemos a tramitação interna no banco, no governo federal e internamente na Prefeitura, viabilizando, assim, o primeiro projeto com financiamento externo do ciclo de gestão iniciado por Rodrigo Neves. Assim nasceu o Programa de Desenvolvimento Urbano e Inclusão Social de Niterói - PRODUIS.

Lembro como se fosse ontem quando fui pela primeira vez ao São José e à Igrejinha com objetivo de identificar as necessidades daquelas comunidades para a implementação de um amplo projeto de urbanização. Tinha a certeza de que era preciso trabalhar muito para melhorar a qualidade de vida dos moradores da região com o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da cidade. Foram muitos anos de trabalho: planejamento, enfrentamento das dificuldades burocráticas, elaboração e gestão dos projetos e vê-los tomar forma, sair do papel e se incorporarem à vida das pessoas, solucionando problemas e gerando os benefícios que sonhamos anos antes. 


Conclusão do PRODUIS



Esta semana, durante uma reunião que marcou o encerramento da parceria como Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) na região, pude olhar para trás e ver quantos desafios foram superados, quantas vitórias foram conquistadas por uma equipe aguerrida, que se dedicou muito para transformar aqueles bairros e dar mais dignidade àqueles cidadãos. As intervenções de urbanização, drenagem, pavimentação e contenção de encostas, além de regularização fundiária, contaram com investimentos na ordem de R$ 85 milhões, beneficiando mais de 6 mil pessoas. Além desses projetos, o PRODUIS proporcionou avanços decisivos em tecnologia, como o SIGEO e o CCO da Mobilidade.

Em São José, as intervenções para urbanização e infraestrutura da comunidade começaram em 2017. As obras beneficiam cerca de 1.500 famílias e são financiadas pela Prefeitura de Niterói em parceria com o BID, através do PRODUIS, com um investimento total de 44 milhões de dólares. O projeto incluiu contenção de encostas, drenagem e pavimentação de vias, melhoria em escadas de acesso à comunidade, além de praça com academia da terceira idade e brinquedos. Foi a maior obra já realizada na Zona Norte.

Plantio do capim-vetiver para proteger encostas da erosão.

 A comunidade São José foi a primeira área da cidade a receber uma nova técnica que vem sendo aplicada em obras de contenção de encostas realizadas pela Prefeitura de Niterói. O procedimento foi estudado por diversas instituições nacionais e internacionais, que o reconhecem como uma das melhores ferramentas naturais de controle de erosão. O Sistema Vetiver consiste em uma gramínea indiana que conserva solos e águas em áreas de poucos recursos.

Na Igrejinha do Caramujo, foram feitas intervenções de urbanização, com obras de contenção de encostas, drenagem, adequação de escadas de acesso à comunidade e implantação de praças, como a da Rua Nilo Peçanha. Somente em contenção de encostas, o investimento passa dos R$ 6,4 milhões.

O apoio do BID para o Programa de Desenvolvimento Urbano e Inclusão Social de Niterói (PRODUIS) também viabilizou a implantação do Parque Esportivo do Caramujo, onde hoje cerca de 400 jovens crianças, jovens e adultos têm acesso a treinamento gratuito de várias modalidades olímpicas como atletismo, levantamento de peso olímpico (LPO), lutas, badminton, tiro com arco e skate.

A parceria também viabilizou o Centro de Controle Operacional (CCO) Mobilidade, com 190 câmeras semafóricas com laço virtual; 10 controladores de tráfego; cerca de 100 km fibra ótica; 14 painéis de mensagens variáveis (PMV’S) para orientar os motoristas; 20 câmeras de observação do trânsito compartilhadas com o CISP. Trata-se de uma importante ferramenta para a mobilidade de Niterói que, até então, não contava com qualquer recurso tecnológico para orientar as ações/intervenções da Nittrans.

Outra conquista importante da parceria com o BID foi o Sistema de Gestão da Geoinformação de Niterói - Sigeo, uma plataforma gratuita de dados georreferenciados que cruza informações sobre Niterói. O Sigeo facilita o acesso e o uso da base de dados para planejamento e estruturação de políticas públicas conduzidas pelos diversos órgãos da administração municipal. Além dos profissionais da Prefeitura, o Sigeo NITERÓI também é um importante recurso para viabilizar o avanço de Niterói rumo a uma Cidade Inteligente, subsidiar pesquisas acadêmicas, estudos comerciais e o desenvolvimento de aplicativos para o uso do cidadão.

O Sigeo é alicerce para várias iniciativas, como o projeto Arboribus, que reúne dados sobre a arborização pública, e a plataforma Niterói Novos Negócios, desenvolvida e lançada em maio para incentivar empreendedores a investir em Niterói.

Em 2017, o SIGEO NITERÓI recebeu o prêmio de melhor iniciativa municipal de gestão da geoinformação no país (Prêmio MundoGEO#Connect 2017, categoria "Gestão Municipal"), anunciado durante evento MundoGeo Connect, evento que reúne as principais empresas e profissionais em geotecnologias.

Vale lembrar que mesmo com o encerramento do contrato do BID com a Prefeitura, o PRODUIS continua executando as ações de Reassentamento e Regularização Fundiária na Região Norte, já que as reuniões com as famílias foram prejudicadas pela Pandemia.

Axel Grael




terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Moeda Arariboia impulsiona negócios, gera emprego e apoia famílias em vulnerabilidade





Programa vai injetar R$ 70 milhões por ano na economia da cidade

A última segunda-feira (13/12) foi um daqueles dias em que sentimos ainda mais orgulho de ser servidor público. Foi com muita expectativa que lançamos a Moeda Social Arariboia, um programa de transferência de renda permanente que vai injetar aproximadamente R$ 70 milhões por ano na economia da cidade. A iniciativa da Prefeitura de Niterói, que beneficiará diretamente 27 mil famílias em vulnerabilidade social, busca ampliar a geração de novos empregos e renda dos comerciantes, empreendedores e prestadores de serviços cadastrados. Os cartões serão entregues em janeiro, com previsão do primeiro pagamento para o mesmo mês.

Em 2020, com a pandemia, ainda no governo do prefeito Rodrigo Neves, criamos uma solução provisória e emergencial. O Renda Básica Temporária foi de extrema importância para garantir o sustento de milhares de famílias niteroienses em um momento de angústia e necessidade, em que o isolamento social era imprescindível. Agora, com a Retomada Econômica, mudamos a estratégia e entregamos a Niterói uma política pública com a importância e eficiência que uma moeda social pode ter. Este novo projeto vai beneficiar a rede local, trazendo um benefício mais consistente para toda comunidade. Trata-se de uma retomada inclusiva. Ninguém pode ficar para trás. Estamos trabalhando com o sonho de transformação, de justiça social, de sustentabilidade e de fazer, na nossa cidade, cada vez mais, um lugar de gente feliz.

A Moeda Social Arariboia faz parte do Programa Municipal de Economia Solidária, Combate à Pobreza e Desenvolvimento Econômico e Social de Niterói, instituído pela Lei Nº 3621, que tem como objetivos principais combater as desigualdades sociais, fomentar o desenvolvimento econômico e social das comunidades e estabelecer meios para atingir a erradicação da pobreza e a geração de emprego e renda para as camadas mais carentes do município, complementando a Política Municipal de Economia Popular Solidária. Até o momento, o programa integra 80 pessoas empregadas na viabilização e no credenciamento de comerciantes.



Foi com muita honra que, durante o lançamento da Moeda Social, recebemos na Sala Nelson Pereira dos Santos, o criador da Lei 10.835/04, que institui no país a Renda Básica de Cidadania. O economista, vereador de São Paulo e ex-senador Eduardo Suplicy destacou que a cidade de Niterói está caminhando na direção certa que coloca em prática o direito à renda para todas as pessoas.

“A cidade está dando exemplo para outras que precisam implantar e aplicar a lei. A maior vantagem de um programa como esse é dar dignidade e liberdade ao ser humano. O dia que as pessoas tiverem o direito a uma renda que satisfaça suas necessidades mínimas, elas não precisarão aceitar outras opções que lhes tirem a dignidade”, afirmou Suplicy.


Faço questão de parabenizar o secretário Elton Teixeira e toda a equipe da Secretaria Municipal de Assistência Social e Economia Solidária por todo o trabalho a serviço da inclusão social, dignidade e cidadania dos niteroienses.

“Desde 2013, Niterói entrou em outro ciclo, olhando pelos que mais precisam e se tornando uma cidade mais inclusiva. Sabemos que a pobreza, no Brasil, triplicou em seis meses e esse programa vai ajudar e muito no desenvolvimento econômico e social do município. Serão 27 mil famílias beneficiadas, com alcance de mais de 63 mil pessoas que vivem na pobreza ou extrema pobreza. O programa, além de ser um auxílio às pessoas mais simples, também vai aquecer o comércio local, gerando emprego e renda. A moeda social é um programa permanente, que integra uma série de ações da prefeitura de combate à pobreza extrema”, explicou o secretário Elton Teixeira.

Com esse investimento feito pela Prefeitura de Niterói no programa, ganham as famílias que precisam de ajuda financeira e também os quase 2 mil comerciantes cadastrados em segmentos de alimentação, beleza, vestuário, mercearia, obras, transporte e outros. Uma das possibilidades na ampliação da renda dessas famílias que vão receber o benefício é, caso elas tenham algum serviço para oferecer, esse valor pago seja agregado à renda dela através do cartão que vai movimentar uma conta digital que dá direito à pessoa receber por seu trabalho na moeda também. Por exemplo, as vendas de bolos, doces, serviços de manicure e cabeleireiro poderão ser pagos e recebidos em Arariboia.


O prefeito de Maricá, Fabiano Horta, foi um dos convidados para o lançamento da Moeda Social Arariboia. Na cidade vizinha, o Mumbuca já é uma experiência que deu certo.

“Hoje vocês estão construindo um marco que coloca a transferência de renda como um farol. O programa traz a saciedade da fome e uma esperança de futuro. Não podemos ver milhões de brasileiros desempregados e isso ser um número. Niterói está sendo disruptiva, como tem sempre sido, sempre dando um passo que dialoga para a transformação. A transferência de renda que o cartão Arariboia dá hoje à cidade de Niterói significa alimento, remédio, emprego, renda, vida social, pertencimento com o olhar de humanidade”, analisou o prefeito de Maricá.

Na tarde de segunda-feira, cinco pessoas receberam o cartão de forma simbólica. Kenny Arruda de Paula é uma das beneficiárias. Ela é moradora do Fonseca e referenciada no Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) do Cubango.

“Receber esse cartão é muito gratificante. É uma grande ajuda para quem não tem uma renda fixa como eu. Sou mãe, solteira e tenho dois filhos. Trabalho com cabelo, mas nem sempre tem serviço. Essa renda contribui com os gastos da casa porque eu sei que vai ser um dinheiro certo no final do mês para suprir as necessidades das crianças”.

A Moeda Social Arariboia também pretende gerar porta de saída para os beneficiários dos programas sociais. Com o avanço da vacinação e a reabertura dos setores produtivos da cidade, o programa de transferência de renda vai contemplar apenas os usuários do CadÚnico que estão na faixa de renda que caracteriza a vulnerabilidade social. O benefício vai oferecer um valor mensal médio de R$ 360,00 e pode chegar a R$ 540,00 para famílias compostas por seis integrantes.

Axel Grael
Prefeito de Niterói




sábado, 11 de dezembro de 2021

BiodiverCidades: Parque Orla Piratininga ganha destaque em evento internacional na Colômbia



Apresentação do Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis no evento BiodiverCidades, em Barranquilla, na Colômbia.

Foi com muito orgulho que, na última semana, apresentei o Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis durante o Fórum Latino-Americano de BiodiverCidades, realizado na cidade de Barranquilla, na Colômbia. Durante a viagem (a convite do Banco de Desenvolvimento da América Latina – CAF), tive a oportunidade de mostrar a gestores de diferentes países as soluções baseadas na natureza que estamos utilizando na Região Oceânica para salvar nossas lagoas.

Participei do painel “BiodiverCidades e Inclusão Social” com os prefeitos das cidades argentinas de Luján e Córdoba, Leonardo Botto e Martín Llaryora, respectivamente. Ressaltei que os municípios precisam ter, cada vez mais, protagonismo nas tomadas de decisão relacionadas às mudanças climáticas e que hoje nós temos a sustentabilidade e a melhoria da infraestrutura no eixo principal de desenvolvimento de Niterói.

Ao final do evento, com representantes de municípios da Colômbia, Argentina, Uruguai e Peru, assinei a Declaração de Barranquilla pelas Cidades Sustentáveis e a Biodiversidade: BiodiverCidades (vide texto abaixo). O acordo visa impulsionar um modelo de desenvolvimento urbano que respeite a biodiversidade. O objetivo do termo assinado é criar uma rede de cidades que protegem as suas áreas verdes e adotam Soluções Baseadas na Natureza. As cidades que assinaram a declaração, representadas por seus prefeitos, se comprometem a agir através de um conjunto de ações a serem promovidas de agora em diante de acordo com a agenda da BiodiverCidade.


WORLD LAW CONGRESS


Compartilhando uma mesa no World Law Congress com prefeitos de Barranquilla, Lima e Caracas e o ex-prefeito de Los Angeles.

Defesa da democracia – Ainda na visita à Colômbia, participei do congresso bianual da World Law Congress, uma organização com status consultivo especial junto à Organização das Nações Unidas (ONU). O evento reuniu mais de 200 palestrantes de todo o mundo para discutir temas como proteção dos Direitos Humanos, liberdade de expressão e desenvolvimento com justiça social.

Fiz parte de uma mesa redonda com Antonio Ramón Villaraigosa, ex-prefeito de Los Angeles (2005-2013), nos Estados Unidos, o prefeito de Lima (Peru), Jorge Muñoz Wells, a guatemalteca vencedora de um Nobel da Paz, Rigoberta Menchú, e Antonio Ledezma, ex-prefeito de Caracas (Venezuela). Falamos sobre os desafios enfrentados pelas grandes cidades internacionais no que diz respeito à defesa da democracia. O moderador foi o prefeito de Barranquilla, Jaime Pumarejo Heins.

Esse debate com os prefeitos de cidades latino-americanas é um bom exemplo de como podemos construir uma sociedade cada vez mais aberta ao diálogo e unidas pela democracia. É importante fortalecer o processo de democracia, lutar contra a exclusão social e dar voz e oportunidade para os cidadãos. Niterói tem vocação para o avanço e sempre busca ações afirmativas através de políticas públicas que reforçam a luta por justiça social e o desenvolvimento sustentável. Não há outro caminho para a mudança que não passe pela democracia.


MALECÓN

O prefeito de Barranquilla, Jaime Pumarejo Heins, apresenta o Malecón aos prefeitos visitantes.


Nas duas fotos acima, conversando com Ricardo Vives Guerra, arquiteto líder do projeto do Malecón.

Malecón de Barranquilla – Aproveitei a estada em Barranquilla para conhecer a experiência da cidade na implantação, há dois anos, do Malecón, uma área de lazer de 5 km ao longo do Rio Madalena. O projeto, que teve investimento de 300 bilhões em pesos colombianos (cerca de R$ 432 milhões de reais) e foi premiado, visa controlar enchentes, oferecer áreas de lazer para a população e promover a reforma urbana das regiões limítrofes.


VISITA TÉCNICA 



Visitando o local onde será implantado o projeto da Ciénagas de Mallorquín, iniciativa que guarda muitas similaridades com o POP Alfredo Sirkis.

Ciénaga de Mallorquín - Na visita à Colômbia, tive a oportunidade de conhecer Ciénaga de Mallorquín, um ecossistema que se encontra no extremo norte de Barranquilla, sobre a margem esquerda de desembocadura do Rio Madalena (Bocas de Ceniza) no Mar do Caribe. No local, serão investidos 300 mil pesos colombianos (cerca de 76 milhões de dólares) em sete grandes intervenções que incluem a construção de mirantes, decks e píeres de contemplação sobre pilotis na área do manguezal. O projeto, que também privilegiará soluções baseadas na natureza, é muito parecido com o que nós estamos fazendo em Niterói, no Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis.




Ciénagas do litoral da Colômbia, vistos do avião, durante o voo entre Barranquilla e Bogotá.

O que é uma "ciénaga"? - Trata-se de um corpo hídrico bastante comum no litoral norte da Colômbia. Trata-se de um ambiente pantanoso ("cieno" em português é lodo), com águas salobras de variada concentração de salinidade, com a presença de manguezais nas suas margens. 


PARQUE ORLA DE PIRATININGA ALFREDO SIRKIS


Perspectivas de como ficará o POP Alfredo Sirkis

Jardins filtrantes em implantação.

Visitando as obras do Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis, em novembro de 2021.

Assista ao vídeo com explicações sobre o POP Alfredo Sirkis.

Sobre o POP Alfredo Sirkis - As obras do POP integram o Programa Região Oceânica Sustentável (PRO Sustentável) e preveem a utilização de uma técnica inovadora na linha de soluções baseadas na natureza, adotadas em países que vêm privilegiando a proteção do meio ambiente. Estão sendo implantados 35 mil metros quadrados de jardins filtrantes. Essas estruturas, além de comporem paisagisticamente o ambiente, tratam as águas dos rios e de escoamento superficial antes de aportarem à Lagoa de Piratininga.

O projeto da Prefeitura de Niterói contempla a recomposição vegetal da orla da Lagoa de Piratininga, abrangendo uma área de mais de 150 mil metros quadrados e a implantação de cerca de 10 quilômetros de sistema cicloviário ao longo de toda a orla. O POP Alfredo Sirkis também terá ecomuseu, trilhas, áreas de lazer, píeres de contemplação e para pesca, além de quadras esportivas e mirantes.

Axel Grael
Prefeito de Niterói



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DECLARACIÓN DE BARRANQUILLA POR LAS CIUDADES SOSTENIBLES Y LA BIODIVERSIDAD: 

BIODIVERCIUDADES



ANTECEDENTES

Los alcaldes y alcaldesas aquí firmantes, reunidos en la ciudad de Barranquilla el día 1 de diciembre de 2021 para divulgar experiencias, intercambiar ideas y proponer acciones en torno a la protección de la biodiversidad y el desarrollo urbano sostenible, suscriben la siguiente declaración que refleja un enfoque compartido sobre esta temática y el consenso sobre un conjunto de acciones a ser promovidas de aquí en adelante, y que se resumen en la idea de BiodiverCiudad. CAF, con el reconocimiento de los alcaldes y alcaldesas aquí firmantes, y en el marco de su misión de convertirse en el Banco Verde de América Latina y el Caribe, y respaldada por sus antecedentes en la promoción y financiamiento de una agenda de desarrollo sostenible para toda la región, así como de su impulso a la constitución de ciudades más inclusivas, productivas y sustentables en el marco de su iniciativa Ciudades con Futuro, adhiere a esta declaración en calidad de testigo de honor.

El concepto de BiodiverCiudad, promovido en el marco del Foro Económico Mundial, nace de la necesidad de promover la conservación y uso sostenible de la biodiversidad y los servicios ecosistémicos e incorporarlos en la planificación y el ordenamiento del territorio, impulsando la bioeconomía, la ciencia, la tecnología, la innovación y la economía circular con el fin de lograr un mayor bienestar de los ciudadanos y un enfoque de cumplimiento integrado y sinérgico de los Objetivos de Desarrollo Sostenible (ODS), los compromisos de la Nueva Agenda Urbana, las metas del Acuerdo de Paris y el Convenio Marco Mundial de la Biodiversidad Post - 2020. Una BiodiverCiudad es aquella ciudad que incorpora, de forma efectiva e integradora, la biodiversidad local y regional en la planificación, implementación y gestión de sus políticas urbanas, como eje e instrumento esencial de su desarrollo socioeconómico y del bienestar de la población. Aunque con denominaciones diversas, la propuesta de BiodiverCiudad que es promovida por el Gobierno Colombiano, es adoptada en los procesos de planificación de ciudades latinoamericanas que también se encuentran dando pasos significativos en favor de un desarrollo sostenible urbano.

Con alrededor del 80% de los latinoamericanos viviendo en ciudades, América Latina se ha convertido en la segunda región más urbanizada del mundo, por lo que la definición de políticas públicas y programas que promuevan un desarrollo urbano sostenible, productivo e inclusivo, resultan primordiales para el futuro de la región. En ese sentido, los alcaldes y alcaldesas de la región y líderes de diferentes ámbitos y organizaciones, comprometidos con este objetivo, manifiestan el interés de compartir experiencias, intercambiar ideas y diseñar y promover estrategias para impulsar y consolidar la conformación de ciudades respetuosas de la biodiversidad y su posterior articulación en red.


DECLARACIÓN DE BARRANQUILLA POR LAS CIUDADES SOSTENIBLES Y LA BIODIVERSIDAD: BIODIVERCIUDADES

Frente a la necesidad de impulsar un modelo de desarrollo urbano respetuoso de la biodiversidad, las ciudades firmantes, representadas por sus respectivos alcaldes, se comprometen a:

  1. Promover la acción coordinada para la valoración, conservación y uso sostenible de la biodiversidad en las ciudades de América Latina y el Caribe, en armonía con las políticas nacionales, sus respectivos marcos regulatorios y los procesos de planificación local.
  2. Establecer mecanismos de intercambio de información que permitan revertir la tendencia negativa del relacionamiento con la naturaleza, abordando desde las competencias urbanas y locales los factores directos e indirectos de pérdida de biodiversidad.
  3. Promover la creación de la Red de BiodiverCiudades de América Latina y el Caribe entre las ciudades de la región para coordinar y articular las acciones de conservación de la biodiversidad gestión del conocimiento y creación de espacios y áreas verdes urbanas protegidas.
  4. Promover e intercambiar experiencias en la estructuración e implementación de planes municipales de arborización e infraestructura verde, fomentando el desarrollo de políticas, instrumentos y acciones técnicas basadas en la conservación de la biodiversidad urbana y el fortalecimiento de capacidades técnicas, científicas e institucionales.
  5. Incrementar los esfuerzos asociados al monitoreo de la cobertura boscosa, biodiversidad y ecosistemas estratégicos presentes en las ciudades de la región con el fin de contar con bases de datos compartidas para intercambiar e implementar experiencias para su gestión efectiva y en beneficio de las poblaciones locales.
  6. Promover la creación de corredores biológicos urbanos, que permitan preservar la biodiversidad, prevenir la fragmentación de los hábitats, y favorecer la migración, dispersión, vinculación e interrelación de poblaciones de flora y fauna silvestres dentro de las áreas urbanas.
  7. Alentar los mecanismos que apoyen y promocionen la distribución equitativa de beneficios por el uso sostenible de la biodiversidad en ciudades y que promuevan las cadenas de valor y otros enfoques de producción sustentable basadas en biodiversidad.
  8. Promover los planes y programas de investigación, desarrollo tecnológico, transferencia de tecnología y gestión del conocimiento como instrumento de toma de decisiones para la conservación de la biodiversidad urbana.
  9. Impulsar un modelo institucional de gobernanza que, de forma transversal, favorezca la participación de los diferentes sectores en la planificación, diseño e implementación de políticas de conservación de la biodiversidad.
  10. Promover iniciativas de trabajo conjunto con CAF, reconociendo el liderazgo que dicha institución está asumiendo para convertirse en el Banco Verde de América Latina y el Caribe, en favor de ciudades más inclusivas, productivas y sustentables.


Firma de los alcaldes y alcaldesas

Testigo de honor: Sergio Díaz-Granados, Presidente Ejecutivo de CAF, banco de desarrollo de América Latina


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terça-feira, 30 de novembro de 2021

NITERÓI ASSUME A GESTÃO DA ILHA DA BOA VIAGEM: obras de restauração iniciarão em breve

 











Foi com alívio e emoção que recebi a excelente notícia de que foi concluído o processo que permitirá a nossa obra de restauração da Ilha da Boa Viagem que, depois de concluído o trabalho, será reaberta à visitação.

Lembro de conversar com o Rodrigo Neves sobre isso como uma prioridade ainda em 2012. Foi uma das tarefas que assumi como vice-prefeito.

Acho que só a Mariane Thamsten, que hoje é minha chefe de Gabinete, sabe o quanto isso deu trabalho ao longo de todo esse tempo. Na nossa gestão agora, pedi ao secretário André Diniz para estar à frente dessa luta e ele conseguiu que concluíssemos todas essas etapas e chegássemos a esse momento.

A responsabilidade pela restauração da ilha seria do Governo Federal, já que o local é Patrimônio da União e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No entanto, devido a importância para a nossa cidade, a Prefeitura de Niterói lutou (e muito!) para assumir a obra, com recursos próprios. Isso só foi possível devido a um Termo de Ajustamento de Conduta assinado pelo Município com o Ministério Público Federal, o Iphan e a União.

Vale ressaltar que os escoteiros continuarão como parceiros da Prefeitura de Niterói na Ilha da Boa Viagem, que será devolvida aos niteroienses e visitantes, que poderão desfrutar de seus encantos e preservá-la.

Profissionais da Prefeitura de Niterói estão debruçados em um projeto que pretende aproveitar o potencial turístico, preservar as riquezas naturais e realçar o valor histórico e cultural da ilha.

Conectada ao continente por uma ponte, já restaurada pela Prefeitura de Niterói, a Ilha da Boa Viagem foi um centro de peregrinação de navegantes.

A capela de Nossa Senhora da Boa Viagem, do século XVIII, o castelo e o forte erguido no século XVII formam um precioso patrimônio arquitetônico e histórico. Tudo isto cercado por paisagens exuberantes da Baia de Guanabara, das enseadas de Niterói e do Rio de Janeiro.

A intervenção terá investimento de R$ 5,5 milhões e contemplará as estruturas sem que percam as características originais. O Castelo receberá uma área administrativa para a equipe de gestão e um novo ambiente cultural com espaços de exposição. Já a Capela ganhará um novo banheiro com acessibilidade.

Que maravilha poder realizar esta obra. Na Prefeitura de Niterói, estamos todos muito felizes e determinados a alcançar mais esta conquista.

Vamos em frente!

Viva Niterói!!!
Viva a Cultura e a história da nossa cidade!!!
Viva a Ilha da Boa Viagem!!!



COP 26: registros da participação na conferência e caminhos a seguir

 



A sustentabilidade não é uma opção, mas o caminho para a sobrevivência das futuras gerações. As mudanças climáticas são o maior desafio e a maior urgência na transição para o novo paradigma.

Quando me preparei para participar da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 26), que aconteceu em Glasgow (Escócia), em novembro de 2021, eu já sabia que este encontro seria marcante por sua representatividade, repercussão e, sobretudo, pela crescente convicção de que o planeta não pode mais esperar. 

Fui a Glasgow como prefeito de Niterói e como vice-presidente da Frente Nacional de Prefeitos, representando também outros 426 municípios brasileiros. Fui acompanhado do secretário municipal do Clima, Luciano Paez, e do coordenador do Programa Niterói de Bicicleta, Felipe Simões, dois destaques das políticas de sustentabilidade na nossa cidade que, cada vez mais, se define como referência nacional na pauta ambiental urbana. Em nossa cidade, desde 2013, com o início da gestão do prefeito Rodrigo Neves, o Meio Ambiente deixou de ser uma política periférica para se tornar prioridade de governo e avanços históricos na pauta ambiental passaram a acontecer. Desde a criação do programa Niterói Mais Verde, criado em 2014, passamos a ter 56% do nosso território como áreas de proteção ambiental, investimos pesado em reflorestamento de encostas e recuperação de ecossistemas e o saneamento básico chega a 100% de abastecimento de água enquanto o tratamento de esgoto beira a universalização. Na gestão de resíduos urbanos, a cidade tem se mantido em posição de liderança nos rankings nacionais do setor.

Com a nova gestão iniciada em 2021, na qual assumi a responsabilidade de dar seguimento ao trabalho iniciado pelo prefeito Rodrigo Neves, avançamos ainda mais, com a criação da primeira secretaria municipal do Clima do Brasil, reforçando o compromisso da cidade de liderar as políticas públicas das cidades brasileiras no tema. 

SUSTENTABILIDADE E O DESAFIO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS 

De todos os desafios para a transição para a sustentabilidade, reverter as mudanças climáticas é o maior deles e, talvez, o mais dramático e urgente. A consciência de que já estamos sofrendo as consequências de graves desequilíbrios no planeta e das mudanças climáticas e que, conforme alertam os cientistas, podemos estar próximos a um limite de criticidade, faz crescer a pressão por soluções efetivas para prevenir o pior. Os sinais da gravidade da situação estão por todas as partes e nós, no Brasil, estamos presenciando evidências claras: o Pantanal, uma das maiores e mais ricas áreas úmidas do mundo secou, as queimadas assolam a Amazônia e outras regiões do país e temos visto até cenas assustadoras de tempestades de poeira invadindo cidades do interior do país. 

A sustentabilidade só ocorrerá se for na escala do planeta. A degradação pode ocorrer na escala local e até alcançar dimensões maiores, mas não existirão "ilhas de sustentabilidade" cercadas por degradação, portanto, nenhuma cidade ou país será sustentável sozinho. Avançar para a sustentabilidade requer uma nova pactuação mundial, um grande esforço tecnológico, a construção de uma nova economia e o reconhecimento que, daqui para frente, teremos uma eterna responsabilidade gerencial com o planeta, já que o estamos demandando nos limites da sua capacidade de suporte. É o chamado antropoceno, ou seja, o planeta hoje é quase integralmente impactado pela presença humana e, portanto, cabe a nós gerenciar a nossa presença para garantir a viabilidade da nossa própria permanência.

  • Quais as consequências do fim da Amazônia para o clima do Brasil e do mundo?
  • Como a mudança no regime de chuvas nos afeta? (agricultura e produção de alimentos, transporte, geração de energia, resiliência das cidades...)
  • O que acontecerá com o fim das geleiras e a elevação do nível do mar?
  • A acidificação dos oceanos causado por uma atmosfera mais saturada de carbono vem provocando sérios danos aos corais do mundo: como isso nos afeta?
  • A extinção em massa e rápida de espécies não é um problema para nós?
  • Poderemos viver com um planeta só para nós, sem outras espécies?
  • Isso não trará impacto para a nossa alimentação e para o equilíbrio das condições de vida para nós mesmos?

Perguntas como essas poderiam ter sido determinantes no passado. Civilizações já foram extintas por desastres ambientais e climáticos de origem antrópica. Desde a década de 1950 e 1960, cientistas e ambientalistas intensificaram o alerta que o caminho do desenvolvimento era perdulário em recursos naturais e predatório com relação aos ecossistemas e nos levaria a uma grave crise ambiental. 

Foi com este alerta que, sob os auspícios da ONU, os países do mundo reuniram-se pela primeira vez - um momento histórico - para debater os rumos do desenvolvimento na Conferência de Estocolmo, realizada em 1972 (acesse aqui os documentos históricos que precederam ou foram produzidos na Conferência de Estocolmo).

Vinte anos depois e com o agravamento dos problemas ambientais, 185 chefes de estado se reuniram no Rio de Janeiro na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a chamada Rio-92. Do processo de preparação para a Rio-92 surgiu o termo "desenvolvimento sustentável" (leia também: Reflexão sobre o que é sustentabilidade) e da conferência saíram muitos desdobramentos importantes como a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (também chamada de "Conferência do Clima"), a Convenção para a Diversidade Biológica, a Declaração de Princípios Sobre Florestas, além do embrião da Convenção de Combate à Desertificação e a Carta da Terra, produzida pela sociedade civil. Também surgiu na ocasião a Agenda 21, um importante movimento de mobilização da sociedade mundial para promover estas transformações. Hoje, o instrumento mais adotado mundialmente é a Agenda 2030, que instituiu os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, as ODS´s.

Dentre os legados da Rio 92, o mais expressivo desdobramento foi a Conferência do Clima, que teve como próximo passo importante o Protocolo de Kyoto, aprovado na 3ª Conferência das Partes, realizado no Japão em 1997. As conferências das Partes passaram a acontecer para dar sequência às determinação da Conferência do Clima e promover a sua implementação.

PASSOS LENTOS

O descompasso entre a emergência climática e a velocidade com que a tomada de posição tem ocorrido é muito decepcionante. A 26ª Conferência das Partes da Convenção Quadro da ONU (COP-26), realizada em Glasgow, foi a 26ª vez que líderes mundiais se encontraram em instância decisória oficial da ONU para definir estratégias mundiais para o clima, desde que a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (também chamada de "Conferência do Clima") foi aprovada na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a chamada Rio-92

No próximo ano, terão se passado 30 anos da Rio-92! Após tantos anos, a percepção geral é de grande preocupação e de frustração com os avanços da agenda climática, pois os problemas vão nitidamente se agravando e os alertas dos cientistas são de que o tempo está se esgotando. A ênfase até agora foi na produção de conhecimento científico sobre as mudanças climáticas, representada principalmente pelos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) além da busca de entendimentos diplomáticos quanto às responsabilidade e formas de implementação. Foram propostos diversos mecanismos, como a criação de um mercado de carbono e outras formas para viabilizar a redução das emissões. No entanto, diante da força dos lobbies e da falta de compromisso da grande maioria dos países, avançou-se muito pouco na prática e estamos longe das metas indicadas pelos cientistas. A diplomacia climática não foi capaz sequer de estabilizar as emissões, que continuaram aumentando ano a ano desde a Rio 92. Em 2006, a China ultrapassou os EUA como a maior emissora de CO2 e seguiu avançando, a ponto de emitir em 2019 2,5 vezes mais do que os EUA.

Recentemente, o processo sofreu ainda sérios retrocessos, quando o presidente americano Donald Trump retirou os EUA da Conferência do Clima praticamente paralisando as negociações. Outras lideranças populistas e negacionistas quanto ao clima, como o presidente brasileiro Bolsonaro, também passaram a jogar contra os avanços.

A BUSCA POR ACORDOS QUE MINIMIZEM OS DANOS

Segundo estimativa do IPCC, as atividades humanas causaram um aquecimento global de aproximadamente 1,0 °C, com respeito aos níveis pré-industriais, admitindo-se um erro provável de 0,8 °C a 1,2 °C. É provável que o aquecimento global chegue a 1,5 °C entre 2030 e 2052 se continuarmos aumentando ao ritmo atual.

O dióxido de carbono (CO2) é o principal gás do efeito estufa e de acordo com o IPCC (1995), as emissões globais de CO2 hoje são da ordem de 7,6Gt (gigatoneladas) por ano, proveniente da queima de combustíveis fósseis (carvão mineral, petróleo, gás natural, turfa), queimadas e desmatamentos. É muito persistente na atmosfera, podendo permanecer por mais de um século (120 anos) até ser processado de forma natural ou mobilizado, por exemplo, na forma de biomassa. Uma vez que a natureza não tem capacidade de absorção de todo esse volume, há um aumento da concentração atmosférica mundial do gás. O CO2 é responsável por 60% do efeito estufa.

O metano (CH4), por sua vez, é naturalmente menos presente na atmosfera, mas é responsável por 15 a 20% do efeito estufa. É componente primário do gás natural, também produzido por bactérias no aparelho digestivo do gado, aterros sanitários, plantações de arroz inundadas, mineração e queima de biomassa. É muito menos persistente do que o CO2, ficando na atmosfera por apenas cerca de 12 anos, mas absorve 25 vezes mais calor. Portanto, mesmo quantidades muito menores de metano causam forte efeito estufa. Desde 1750, a concentração de metano aumentou 151%. Existe uma longa lista de outros gases de efeito estufa, como o N2O (óxido nitroso), O3 (ozônio) e halogenados (HFC, PFC, SF6).

Todo este conhecimento tem sido avalizado aos tomadores de decisão pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas - IPCC (sigla em inglês), que reúne os principais cientistas mundiais em vários temas relacionados ao clima e que produzem relatórios que avaliam os níveis de riscos atuais e projetar as consequências para o futuro. O IPCC tem alertado que, independente das medidas que possam ser tomadas agora, o planeta passará por graves consequências com o aumento da temperatura média, mas os problemas serão muito maiores, se não conseguirmos evitar que o aquecimento ultrapasse o limite de 1,5°C, marca esta que poderá ser alcançada nas próximas duas décadas. Para cumprir este objetivo, será preciso cortar as emissões de gases do efeito estufa em 45%.

Segundo os cientistas do IPCC, em um cenário de altas emissões, o mundo pode aquecer até 5,7°C até 2100 – com resultados catastróficos. Como exemplo dos alertas do IPCC, reiterados e reforçados em argumentos em cada novo relatório, está a elevação do nível do mar causada pelo aquecimento global, que coloca em risco 100 milhões de pessoas que vivem a menos de um metro acima do nível do mar. Cidades costeiras sofrerão com o aumento de problemas de drenagem, inundações e moradores poderão perder as suas casas para a transgressão marinha e erosão costeira.

Estamos numa corrida contra o relógio e a medida que o tempo passa agravam-se os problemas. No último mês de maio, segundo cientistas, os níveis atmosféricos de CO2 ultrapassaram as 415 partes por milhão (ppm) pela primeira vez em toda a história da humanidade. A medição de 415,16 ppm foi feita por uma das principais estações de monitoramento do aquecimento global no mundo, o observatório de Mauna Loa, no Havaí, que pertence ao Instituto Scripps de Oceanografia dos Estados Unidos (BBC).

O IPCC tem anunciado insistentemente que o mundo ultrapassará o limite da prudência, caso o aquecimento global ultrapasse 1,5°C, o que poderá acontecer até 2030, e caso não haja uma mudança nos níveis atuais de emissão, poderemos chegar a 2,0°C em 2040. As consequências podem ser catastróficas.

COP-26

Tivemos agora um outro cenário, bem mais favorável. Trump, com as suas ideias ecocidas, e seus aliados lobistas da velha indústria poluente foram derrotados nas urnas. Seu sucessor, Joe Biden, trouxe os EUA de volta ao debate climático, demonstrando inclusive sinais de que quer assumir uma postura protagonista. Com o objetivo de acelerar os compromissos climáticos, a estratégia da COP-26 foi trazer para a cena política os chamados governos subnacionais, como governos regionais (estados, no caso brasileiro) e cidades, além de organizações da sociedade civil, novas lideranças empresariais e outros atores. A estratégia é correta e podemos estar às vésperas de um salto histórico rumo à sustentabilidade.

Apesar de eventos preparatórios, de organização e, posteriormente, de acompanhamento, as conferências acontecem com três dimensões principais: 
  • Há uma instância oficial, que conta com os líderes e representantes das nações do mundo, mas onde os mais influentes lobbies mundiais também têm assento. Trata-se de uma instância fechada ao grande público, mas que define e redige os documentos com as conclusões da conferência. 
  • Um segundo nível de participação, que tem caráter oficial, reúne importantes formadores de opinião e especialistas credenciados pela ONU e pelo governo que sedia a conferência. É onde se encontram a maior parte das organizações da sociedade civil (ONG's), que conforme algumas informações, representam cerca de 2/3 do total dos participantes da conferência. Promove os chamados eventos paralelos, que são muito importantes e influenciam as tendências dos debates, mas não tem o peso diplomático e não definem acordos vinculantes para os governos. 
  • O terceiro nível de participação são as manifestações populares, que acontecem nas ruas e que a cada edição da COP atrai um maior número de participantes, que protestam e exigem dos formuladores dos acordos representantes oficiais os avanços que são tão necessários e urgentes. Em Glasgow, ao longo das duas semanas de conferência, as manifestações reuniram milhares de pessoas e alcançou muita repercussão na mídia internacional, impulsionada pelo trabalho da jovem ativista sueca Greta Thunberg. Ao voltar diariamente de trem para o meu hotel em Edimburgh, pude observar o grande número de pessoas que lotava o trem, voltando das manifestações com faixas e outros materiais de protestos. Reparamos muito jovens estudantes e moradores da região de Glasgow e seu entorno.

Os dias em Glasgow foram intensos, com uma sucessão de palestras, painéis e debates que mobilizaram representantes de 200 países. Fui palestrante em debates sobre florestas urbanas, mobilidade sustentável, políticas climáticas urbanas e outros temas. 

PROTAGONISMO DAS CIDADES

Por diversas ocasiões, para plateias diversificadas e de diferentes regiões do planeta, tive oportunidade de salientar a importância dos governos locais para a agenda climática. Me reuni, inclusive, com o secretário geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o português António Guterres, e oito prefeitos de diferentes países.

Não poupei esforços para mostrar às lideranças mundiais que a posição brasileira, infelizmente, é controversa em nível nacional, porém, na escala local existem importantes ações sendo realizadas. Ressaltei que estamos sim, nós brasileiros, muito preocupados e engajados. Na reunião com António Guterres, Sadiq Khan, prefeito de Londres, ao também afirmar que as cidades estão assumindo a liderança neste tema tão importante, disse uma frase interessante: "O século XIX foi dominado pelos impérios. O século XX foi marcado pela disputa entre as grandes nações. O século XXI será, sem dúvida dominado pelos municípios”.


Participei com representantes de outras sete cidades do mundo de uma reunião com o secretário-geral da ONU, António Guterres, quando reivindicamos uma maior participação das cidades na tomada de decisão sobre clima.


Nós prefeitos ressaltamos que este não pode ser um assunto exclusivo de uma determinada esfera de governo. Precisamos pensar, agir e cobrar ações locais, regionais, nacionais e planetárias para evitarmos uma catástrofe. Os problemas são globais, mas os cidadãos vivem nas cidades, que apresentam soluções e implementam ações efetivas em defesa da Agenda 2030. Ao fim do encontro com os nove prefeitos, o secretário geral da ONU se comprometeu a levar à próxima assembleia geral a discussão acerca de uma maior participação dos municípios nas discussões e decisões sobre as mudanças climáticas.

DESDOBRAMENTOS PÓS-COP 26

Em todo o mundo, o pós-Glasgow está sendo marcado por importantes avanços, alguns surpreendentes e que podem trazer resultados animadores. É o caso do diálogo bilateral, ocorrido dias após a COP 26, entre o presidente Joe Biden e o líder chinês Xi Jinping sobre uma agenda de abandono ("phase-out") do carvão como fonte de energia. Considerando que os dois países estão dentre os maiores consumidores de energia do mundo e tem grande dependência do carvão, uma fonte suja de energia, poderemos ter aí um grande avanço. 

Também merece especial registro o plano de investimento em infraestrutura encaminhado ao Congresso americano pelo presidente Joe Biden no valor de US$ 1,75 trilhão. O pacote foi aprovado uma semana após a COP 26 e representa o maior investimento da história dos EUA em transporte coletivo, apoio à popularização do carro elétrico. Denominado “Build Back Better”, o plano contempla “o maior esforço (financeiro) para lutar contra as mudanças climáticas da história americana”, ou seja, US$ 555 bilhões.

Segundo anunciado, o programa reduzirá significativamente a poluição causada pelos gases de efeito estufa, os custos de energia dos consumidores, criará centenas de milhares de empregos de alta qualidade e promoverá a justiça ambiental. É voltado para os setores de construção, transportes, indústria, energia, agricultura e saneamento.

Segundo o presidente Biden anunciou aos participantes da COP 26,  “O plano colocará os Estados Unidos no caminho certo para cumprir suas metas climáticas, alcançando até 2030 uma redução de 50 a 52% das emissões de gases de efeito estufa abaixo dos níveis de 2005.” Segundo a Casa Branca, os gastos podem ser financiados por "empresas grandes e lucrativas". O projeto de lei contém medidas para que essas empresas "não possam reduzir sua conta tributária a zero" e prevê disposições para que milionários e bilionários participem do financiamento.

Nos países europeus, ações em favor da economia verde e da sustentabilidade para a retomada da economia no pós-COVID continuam avançando e novas medidas tem sido anunciadas por lideranças, inclusive pelo líder alemão que assumirá o lugar de Angela Merkel como primeira ministra do país.

POSICIONAMENTO DO GOVERNO BRASILEIRO

O governo brasileiro manteve o seu papel de vilão mundial devido às suas posições inaceitáveis na agenda climática, reforçada pelo pronunciamento do presidente Bolsonaro na recente Assembleia Geral da ONU, quando manteve a sua posição ecocida. Em todos os debates, o Brasil era sempre citado como exemplo do que precisa ser combatido.


O governo brasileiro levou a Glasgow uma proposta que, ao contrário do discurso oficial que procurava convencer que seria um avanço, na verdade representou um retrocesso, como mostra o gráfico acima, publicado no site do Centro Brasil no Clima


Como pode ser visto no gráfico acima, do Centro Brasil no Clima, a proposta que o Brasil levou para Glasgow na verdade prevê um aumento de emissões e não o oposto, como tentaram convencer. 

O Governo Federal se pauta por uma lamentável postura marcada por descaso, escárnio e irresponsabilidade. A situação se mostra ainda mais grave quando um relatório que indica o desmatamento recorde na Amazônia em 15 anos é “guardado” para ser divulgado apenas depois da COP, numa clara tentativa de evitar um desgaste político ainda maior. Segundo o ministro responsável, a demora ocorreu porque ele “estava de férias”. 

Segundo o artigo "CO2 Sem Freios: Brasil ruma para emissão de 69% acima da meta, com desmate e metano em alta" (publicada em O Globo de 29/11/2021), o compromisso assumido pelo Brasil perante a comunidade internacional de zerar o desmatamento até 2030 é uma mera palavra vazia. Os nossos representantes lá nunca esclareceram como atingiriam essa meta, mas os relatórios SEEG e PRODES/Inpe mostram que a tendência é justamente o contrário, como pode ser visto nos gráficos abaixo:






Na mesma edição do jornal, uma outra outra matéria mostra mais uma vez o tamanho da insensatez do governo brasileiro, informando que importadores de produtos agropecuários brasileiros estão impondo regras para a comprovação que o produto não é proveniente de áreas de desmatamento. Segundo a matéria, o prejuízo do agronegócio poderá estar em US$ 50 bilhões em exportações anuais, ou 20% das exportações brasileiras (O Globo). A grande preocupação do governo e do agronegócio é "Um projeto de lei apresentado pela União Europeia ao Parlamento Europeu que pune importadores de commodities extraídas de áreas desmatadas ilegalmente ou mesmo quando o desmatamento legal ocorrer após dezembro de 2020". 

O Brasil ameaça recorrer à OMS contra as medidas que considera protecionismo. Mas, estariam os consumidores errados ao boicotar produtos suspeitos de serem provenientes de áreas de desmatamento, queimadas, grilagem de terras e outras ações criminosas? Existem interesses comerciais em criar dificuldades para o produto brasileiro? Neste caso, de quem é a culpa, quem cria os elementos para isso?

O Globo entrevistou Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, que disse: "O que sempre aconteceu na história do comércio internacional é que boas causas sempre são bons motivos para boas barreiras. Na medida em que o tema ambiental se torna mais importante no cenário internacional, a tendência é os países criarem mais barreiras com fundamento em temas ambientais. E o Brasil, infelizmente, deve ser um dos mais afetados".


Guilherme Syrkis, diretor-executivo do Centro Brasil no Clima, com governadores e seus representantes: compromisso com o clima.


Ficou claro na COP 26 o isolamento do governo brasileiro inclusive diante de manifestações de lideranças políticas e da sociedade civil brasileira. Pelo menos nove governadores brasileiros compareceram à COP 26 e declararam posição divergente com o governo federal. Também verificou-se a presença de um grande número de ambientalistas e de organizações da sociedade civil que participaram de vários debates, em particular daqueles organizados no Brazil Hub, pavilhão da sociedade civil do Brasil. Também merece destaque a presença do setor empresarial que se fez presente em grande número, alguns defendendo posições mais reativas ao tema climático, mas a maioria dando conhecimento aos esforços que os diversos setores da economia brasileira está fazendo para avançar na agenda climática.

O que causa perplexidade e indignação com a escolha do governo brasileiro pela posição de vilão ambiental é que, diferente dos demais países, o Brasil tem como atingir as suas metas poupando florestas, biodiversidade, protegendo a saúde da população e se colocando como uma das economias que mais pode se beneficiar do esforço climático global. O que nos cabe fazer? Proteger a Amazônia, o Cerrado, controlar queimadas e promover o uso responsável da terra.

Outros países têm desafios muito maiores. Precisam mudar as suas matrizes energéticas, investir na mudança tecnológica do seu parque industrial, que muitas vezes já tem elevado padrão de modernização. 

O Brasil tem todos os motivos e as condições de deixar de ser o vilão e passar a ser uma liderança mundial na busca da sustentabilidade e da segurança climática! Mas, não teremos isso sob a égide do negacionismo e do descompromisso com o planeta e as novas gerações. Que o Brasil retome o caminho do bom-senso e se faça luz nas trevas da política do país.

NITERÓI AVANÇA NA CORRIDA PARA O CARBONO ZERO 

Niterói é pioneira na implementação de políticas para neutralizar a emissão de carbono e implantação de conceitos sustentáveis em prédios públicos. O Getulinho, unidade pediátrica de referência na região, será o primeiro hospital municipal neutro em carbono do Brasil. A escola Municipal Professor Marcos Waldemar de Freitas Reis, em Itaipu, será a primeira carbono zero da cidade. De acordo com o inventário de gases de efeito estufa (GEE’s) da cidade, de 2016 a 2018 Niterói teve queda de 18% na quantidade de emissões.

Estamos testando os ônibus elétricos e a Maternidade Municipal Alzira Reis, que está sendo reformada e ampliada, terá conceitos sustentáveis, como aquecimento solar, reuso de água, telhados e paredes verdes. A estimativa da Secretaria de Obras é que haja economia de cerca de 40% de energia elétrica e de 60% de água potável.

NITERÓI MAIS VERDE 

Com o Programa Niterói Mais Verde, criado através de decreto em 2014, a cidade tem mais da metade do seu território protegido por unidades de conservação. A cidade também desenvolve, há sete anos, o projeto Enseada Limpa para despoluição da Enseada de Jurujuba (parte da Baía de Guanabara). O índice de balneabilidade aumentou de 28% para 61% em quatro anos. Niterói tem 100% de abastecimento de água tratada e 95% da população tem acesso a rede de esgoto.

MOBILIDADE SUSTENTÁVEL 

Entre os maiores desafios de Niterói na questão do clima e da sustentabilidade está a qualidade do ar, devido à intensa circulação de veículos automotores. O número de carros aumentou 28% nos últimos 10 anos, o que significa que há um carro para cada três habitantes. Esse desafio está sendo enfrentado com as diretrizes do novo Plano Diretor e do Plano de Mobilidade, e com projetos estruturantes voltados para a mobilidade sustentável, a expansão do transporte público e o fortalecimento da mobilidade ativa.

Nos últimos sete anos, Niterói triplicou a sua rede cicloviária. Atualmente, a cidade conta com uma malha cicloviária de 45 quilômetros. Com a implantação do sistema cicloviário da Região Oceânica, que está em andamento, o município vai ultrapassar os 100 quilômetros de rede cicloviária. Em 2017, foi inaugurado o bicicletário Araribóia, ao lado da Estação das Barcas, que oferece 446 vagas e tem 11 mil usuários cadastrados. Nos últimos anos, segundo o programa Niterói de Bicicleta, o fluxo de ciclistas nas principais vias da cidade aumentou cerca de 300%. Niterói tem a maior proporção de mulheres pedalando no Brasil, dado que é importante indicador de quão ciclável é uma cidade.

SOLUÇÕES BASEADAS NA NATUREZA 

Um dos temas discutidos em Glasgow é a utilização das chamadas soluções baseadas na natureza. O que significa usar a natureza para resolver alguns dos desafios climáticos - como a absorção de carbono ou o plantio de arbustos e árvores como proteção contra eventos climáticos extremos como enchentes ou tempestades de areia.

Em Niterói, esta estratégia já vem sendo utilizada, por exemplo, na implantação do Parque Orla Piratininga. O projeto da Prefeitura de Niterói contempla a recomposição vegetal da orla da Lagoa de Piratininga, abrangendo uma área de mais de 150 mil metros quadrados. O POP será um passo fundamental para a despoluição da lagoa. Um dos diferenciais do parque é a implantação de um sistema de gestão de águas pluviais composto por bacias de sedimentação, jardins filtrantes, jardins de chuva e biovaletas para a captação e tratamento das águas provenientes dos rios e da rede de drenagem das principais bacias contribuintes à Lagoa de Piratininga.

Axel Grael
Prefeito de Niterói
Vice-presidente de ODS da Frente Nacional de Prefeitos



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