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quarta-feira, 9 de julho de 2025

PROJETO INOVADOR DE NITERÓI IMPLANTA USINA SOLAR EM ENCOSTA


Matéria de capa do O Globo Niterói, de 06/07/2025.


Foto Leonardo Simplicio. ION, Prefeitura de Niterói.

Em 2018, a Prefeitura de Niterói foi a grande vencedora do Prêmio Lidera Rio, promovido pelo SEBRAE, em parceria com o Instituto República, CLP e Cidadis. Vencemos três das quatro categorias do Prêmio e ainda o prêmio principal. Ao todo, concorreram 28 projetos de oito municípios do estado do Rio de Janeiro.

O projeto vencedor da categoria "Sustentabilidade e Resiliência" e que venceu também a categoria principal como "Melhor Projeto", foi: 

"IMPLANTAÇÃO DE PARQUE SOLAR EM ÁREA DE ENCOSTA"


Os outros projetos de Niterói vencedores no Lidera Rio foram: 

  • Categoria "Derivações da Matriz Econômica": Projeto "Criação do maior polo cultural do país", apresentado por Danielle Nigromonte (Secretaria Municipal de Cultura) e Marília Ortiz (SEPLAG).
  • Categoria "Urbanismo para o Desenvolvimento": Projeto "Intervenção urbanística na Avenida Visconde do Rio Branco", apresentado por Rogério Gama (SMU) e Gláucia Macedo (ex-coordenadora do Núcleo de Gestão Estratégica)



Cerimônia de premiação do Prêmio Lidera Rio, em 2018, com grande reconhecimento à capacidade de planejamento e formulação de projetos inovadores da equipe da Prefeitura de Niterói.

Este último projeto dentre os premiados ("Intervenção Urbanística na Avenida Visconde do Rio Branco") também foi implantado pela nossa administração e deu uma nova conformação à orla do Centro de Niterói, proporcionando mais qualidade paisagística da Praça Arariboia e dando mais funcionalidade para o transporte tanto na parte norte (desde o Mercado São Pedro até a Praça Arariboia), bem como no Terminal Sul, melhorando o acesso aos ônibus. Também foram requalificadas ou implantadas novas ciclovias desde o Mercado São Pedro até o Forte Gragoatá. O projeto foi desenvolvido pela SMU, com concepção urbanística baseada no conceito de "Ruas Completas".

GERAÇÃO DE ENERGIA SOLAR EM ENCOSTAS

A possibilidade de gerar energia nas encostas sempre foi uma ideia que carrego desde os tempos de ambientalista em Niterói. 

Sempre acreditamos que todo território precisa ter uma finalidade definida e uma gestão atribuída. A falta de destino e gestão gerou ao longo dos anos a ocupação desordenada e a exposição de famílias à situação de risco geotécnico (p. ex. deslizamento de encostas). Por isso, em 2014, desenvolvemos o projeto Niterói Mais Verde, que elevou as áreas protegidas da cidade a mais de 56% do seu território. Sempre acreditamos que a geração de energia solar pudesse der uma boa alternativa de uso público desses espaços.

Já havíamos tentado desenvolver anteriormente a ideia no Morro da Penha, na Ponta D'Areia, e em outras localidades, mas lá encontramos dificuldades técnicas, principalmente relacionado à elevada declividade do terreno. Identificamos o Morro da Boa Vista como a melhor opção. 

PROJETO ENCOSTA VERDE

Após a premiação, continuamos avançando com o projeto, fazendo o seu detalhamento e orçamento, até que foi licitado em 2024. Ao passar para a fase de implantação, o projeto do Parque Solar passou a ser chamado de Encosta Verde. 

O desenvolvimento do projeto conceitual ficou por conta da engenheira florestal Valéria Braga, subsecretária do Escritório de Gestão de Projetos - EGP (vinculado na época à Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão - SEPLAG) e pelo coronel bombeiro Walace Medeiros, secretário municipal de Defesa Civil. 

O parque solar foi idealizado, além da geração de energia, também como uma ferramenta de ordenamento da encosta, evitando a ocupação das áreas de maior risco, aos mesmo tempo que evita a continuidade da degradação ambiental da área, protegendo as áreas que estão recebendo os investimentos de reflorestamento por parte da Prefeitura de Niterói. Resultados são esperados na produção de energia para atender demandas do município, na redução de queimadas e na prevenção de ocupação desordenada

Concepção do projeto Encosta Verde.

O projeto está sendo implantado pela empresa Multicom, após licitação realizada na nossa gestão. São 450 painéis solares, compostos por 2.700 módulos fotovoltaicos, que serão distribuídos ao longo da encosta para a geração de energia limpa. A iniciativa inclui ainda um sistema de captação de água da chuva, reflorestamento e ações de prevenção a deslizamentos e queimadas. A expectativa é que o parque solar gere aproximadamente 150 mil kWh de energia, que será utilizada no abastecimento de equipamentos públicos, resultando em economia nos gastos com eletricidade e reforçando o compromisso da cidade com a transição energética. O investimento é de R$ 7,7 milhões.

Informação de contratação da empresa executora:
(08/05/24) DO: Homologação da licitação publicada
(09/05/24) DO: Contrato com a empresa vencedora Multicon Construções e Serviços Ltda assinado.
(10/05/24) DO: Ordem de Início das obras publicada.

Na sua concepção, o Encosta Verde não se resume apenas à implantação dos equipamento de geração de energia solar, mas um modelo de gerenciamento da encosta. Foram previstas originalmente uma séria de medidas de integração com a comunidade, como a criação de um Conselho Gestor integrando lideranças das cinco comunidades, a Defesa Civil, a ION (antiga EMUSA), secretarias afins como Participação Social (SEMPAS), Meio Ambiente (SMARHS) e outros órgãos. O trabalho de reflorestamento no entorno das áreas do Encosta Verde terá como prioridade a utilização de espécies frutíferas para atrair o interesse da comunidade e oferecer alimentação saudável.

Segundo a Prefeitura de Niterói, cerca de 20% da força de trabalho na obra é composta por moradores da própria comunidade. Victor Barcellos, presidente da Associação de Moradores do Morro do Boa Vista, celebra a iniciativa.

“Nós estamos entusiasmados e acreditamos que o projeto vai trazer diversas melhorias para a comunidade. Os moradores estão ansiosos. A gente fica muito feliz em saber que a comunidade vai ser uma referência e terá um olhar diferenciado”, afirma Barcellos.

O sistema de drenagem prevê a implantação de cisternas para estocagem de água que poderá ser aproveitada também para a rega da área de reflorestamento e combate a incêndios.

Importante destacar que por ocasião da realização da consulta pública para o Plano Plurianual - PPA de 2022-2025, o Encosta Verde foi o terceiro projeto mais votado pela população, mostrando o grande interesse público na sua realização.

CARACTERÍSTICAS DA ÁREA

O Morro da Boa Vista tem importância histórica, pois nele se localizava a Aldeia São Lourenço, ponto de origem da cidade de Niterói. Considerando a relevância da área, sua importância social e a sua vulnerabilidade ambiental, a Prefeitura priorizou o reflorestamento das suas encostas e criou o Parque Natural Municipal Águas Escondidas.

A implantação do projeto numa área de encosta urbana é uma inovação e um grande desafio, que exigiu um planejamento mais complexo e maiores cuidados de engenharia. A escolha do Morro da Boa Vista ocorreu devido a sua posição geográfica, e definimos o projeto na vertente norte, que recebe maior insolação, permitindo mais eficiência de captação da energia solar. A declividade da encosta é por volta de 30%, que é considerado aceitável para a implantação da estrutura solar.

A área possui um elevado nível de erosão superficial e a região é uma das que mais gera demandas para vistorias geotécnicas da Defesa Civil. A vegetação na área de implantação é apenas herbácea mas é limítrofe à mais importante área de reflorestamento de encostas na cidade


A área de implantação do Encosta Verde no Morro da Boa Vista interage com diferentes comunidades do entorno, como São Lourenço, Boa Vista, Juca Branco, Nossa Senhora de Lourdes e Serrão.  

Mapa de Risco Geotécnico do Morro da Boa Vista

As características de vulnerabilidade social da área também são um desafio, mas este motivo justifica ainda mais o investimento. Há uma recorrente ocorrência de queimadas na encosta, que tem causado prejuízos aos trabalhos de reflorestamento. A maior presença do poder público no local, além das contrapartidas oferecidas pela Prefeitura à comunidade, permitirão uma relação de valorização e apoio às iniciativas do Encosta Verde.

Na foto de 2014, a devastação causada pelo fogo no Morro da Boa Vista, afetando áreas em início de reflorestamento.

Há mais de 12 anos, Niterói tem dado exemplos de políticas inovadoras de sustentabilidade e resiliência e o Encosta Verde será uma das iniciativas mais inovadoras e emblemáticas.

Axel Grael
Prefeito de Niterói (2021-2024)
Secretário de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão (2017-2020)
Vice-Prefeito de Niterói (2013-2016)


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LEIA TAMBÉM:

Loureiro, Thais Belloti; Barbosa, Walace Medeiros; Braga, Valéria Augusta; de Oliveira, Eric Almeida & dos Santos, Marina Magalhães Reis. GESTÃO DE ENCOSTAS SOB PERSPECTIVAS INOVADORAS: O PROJETO ENCOSTA VERDE E SUA CONCEPÇÃO INICIAL. III Encontro Nacional de Desastres: eventos extremos e sociedade sob a perspectiva das mudanças climáticas. Associação Brasileira de Recursos Hídricos - ABRHidro. Niterói, março de 2023.


PRÊMIO LIDERA RIO: Niterói conquista prêmio principal e 3 das quatro categorias 



domingo, 13 de fevereiro de 2022

DESPOLUIÇÃO DA LAGOA DE PIRATININGA: experimentos indicarão a melhor tecnologia para reduzir o lodo

 



Implantação dos experimentos que resultarão na solução tecnológica para a redução do lodo depositado no fundo da Lagoa de Piratininga, como uma das estratégias de despoluição e recuperação do ecossistema do Sistema Lagunar de Piratininga e Itaipu. 


O longo caminho para estruturação do PRO-Sustentável

Uma das principais prioridades desde o começo do atual ciclo de gestão na Prefeitura de Niterói, iniciado pelo prefeito Rodrigo Neves em 2013, é a despoluição do sistema lagunar de Piratininga e Itaipu. Trata-se de um sonho que eu persigo desde a década de 1980, quando eu iniciava a minha atuação como ambientalista na cidade, tendo entre as principais bandeiras: salvar as lagoas de Piratininga e Itaipu, criar e implantar o Parque Estadual da Serra da Tiririca e proteger outras áreas verdes da cidade, despoluir a Baía de Guanabara (campanha contra a poluição das fábricas de sardinha), saneamento e ciclovias em Niterói.

Como vice-prefeito, recebi a atribuição de Rodrigo Neves de formatar a estratégia de captação de recursos para Niterói, que há anos convivia com uma baixíssima capacidade de investimento e acumulava expectativas e demandas da população por melhor infraestrutura, melhores serviços públicos e uma atuação mais efetiva para a sustentabilidade. Essas prioridades estavam bem expressas nas pesquisas de opinião que fizemos e também nos debates eleitorais de 2012. 

Com esta atribuição, a minha primeira iniciativa foi propor ao prefeito uma inovação na gestão pública de Niterói: a criação do Escritório de Gestão de Projetos - EGP. Já nas primeiras semanas de governo, encaminhamos ao legislativo municipal uma mensagem que resultou na criação do EGP, através da Lei 3023/2013, publicada em 23 de março de 2013. Logo após a criação, priorizamos a captação de recursos para o Túnel Charitas-Cafubá e a TransOceânica e recuperar para Niterói um empréstimo junto ao BID que a Prefeitura havia desistido anos antes, que resultou no Programa de Desenvolvimento Urbano e Inclusão Social - PRODUIS, cuja execução está em fase final. 

Concepção

O passo seguinte foi estruturar a minha grande prioridade, que era desenvolver uma iniciativa transformadora da cidade numa das suas grandes vocações: a sustentabilidade. A partir de 2015, com a participação fundamental da geógrafa Dionê Marinho Castro, uma parceira profissional de longa data, profissional aguerrida e das mais experientes e dinâmicas gestoras públicas que eu já tive a oportunidade de trabalhar, começamos a estruturar o Programa Região Oceânica Sustentável - PRO Sustentável, cujo financiamento negociamos com o Banco de Desenvolvimento da América Latina - CAF. Após longo percurso de superação dos entraves burocráticos junto ao governo federal, conseguimos concluir a negociação no final de 2016 e demos início aos trabalhos em 2017. 

As prioridades gerais do PRO Sustentável são:

  • Recuperação ambiental do Sistema Lagunar de Piratininga e Itaipu
  • Implantação do Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis (POP)
  • Renaturalização do Rio Jacaré
  • Gestão das praias da Região Oceânica
  • Fortalecimento das Unidades de Conservação
  • Implantação de um Sistema Cicloviário com 60 km de infraestrutura para a bicicleta
  • Drenagem, pavimentação e melhorias urbanas 

Portanto, uma das principais prioridades passou a ser a recuperação do Sistema Lagunar de Piratininga e Itaipu, com uma prioridade inicial para a Lagoa de Piratininga, que é a mais degradada. O primeiro passo foi superar a falta de informação voltada para a recuperação do ecossistema. Para isso, contratamos um conjunto de levantamentos e estudos da dinâmica hídrica/ambiental das lagoas de Itaipu-Piratininga para diagnosticar o nível de degradação e orientar os nossos trabalhos. A partir dos estudos, foram estabelecidas as seguintes ações:
As prioridades do PRO Sustentável contribuem e estão relacionadas direta ou indiretamente com o grande objetivo que é despoluir as lagoas, como exemplificamos e buscamos esclarecer na tabela abaixo:


A lagoa de Itaipu também recebe uma atenção especial da equipe da UGP-PRO Sustentável. Estamos desenvolvendo o projeto de estabilização do Canal de Itaipu e desenvolvendo as obras de urbanização dos bairros da bacia da lagoa de Itaipu. É o caso dos bairros como Boavista, Maravista, Serra Grande e agora, Engenho do Mato. E estamos preparando o passo à frente que é o PRO Sustentável II, com ênfase na lagoa de Itaipu.
 
Implementação

Em 2017, a nossa super-Dionê assumiu a coordenação da Unidade de Gestão de Projetos / UGP-PRO Sustentável e juntos tomamos a frente das negociações com a CAF. Eu assumi a responsabilidade da coordenação geral do PRO Sustentável. Nossa equipe mergulhou na elaboração de cada um dos projetos, deu início a um longo processo de escutas à população através de audiências públicas oficiais e a participação de reuniões demandadas pela população, providenciou as medidas administrativas para a sua viabilização, licitou as obras e passou a gerenciar a implantação de cada projeto.

Muitas obras já foram entregues, como o próprio túnel Charitas-Cafubá e a TransOceânica, o prédio sustentável do Médico de Família do Jacaré, as obras de drenagem e pavimentação de bairros como o Santo Antônio, Fazendinha, Boa Vista e outros. Estão em andamento as obras do Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis, implantação do Sistema Cicloviário, a obra do calçadão de Piratininga, melhorias urbanas, de saneamento e regularização fundiária em comunidades no entorno da Lagoa de Piratininga e na bacia do Rio Jacaré e muitos outros projetos.

Tecnologias Experimentais na Lagoa de Piratininga

A Lagoa de Piratininga vem sofrendo há décadas com problemas decorrentes das atividades antrópicas, aliadas aquelas de caráter próprias das ações da natureza.

Estudos realizados pela Prefeitura, por órgãos ambientais e Universidades com destaque para a Universidade Federal Fluminense- UFF indicam que as profundidades da lagoa são muito baixas o que ocasiona diversos problemas para esse corpo hídrico com destaque para a mortandade de peixes.

Um dos Programas ambientais que a Prefeitura vem perseguindo com muito esforço é o Estudo do para aplicação de tecnologias inovadoras para a redução da camada do lodo da Lagoa de Piratininga.

Para a seleção das tecnologias mais apropriadas apresentadas e acompanhamento do trabalho, foi nomeada uma Comissão de Apoio Técnico. Fazem parte da Comissão, três técnicos da Prefeitura e três Técnicos Voluntários não pertencentes aos quadros da PMN.

Foram selecionadas três tecnologias, sendo duas executadas pelo consórcio UFF / Biotecan, onde aplicarão as tecnologias de mudballs, e mudballs associada a aeração a tecnologia SISNATE, que consiste na biorremediação/bioestimulação e será aplicada pela empresa SI Construções e Consultoria Eireli.

Objetivo reduzir a camada de lodo da lagoa de Piratininga utilizando tecnologias inovadoras através dos processos de biodragagem, utilizando mudballs EM® E pulmão™ e aplicação de tratamento biológico por biorremediação estimulada.

Equipes participantes:
  • FEC UFF e Biotecam
  • Sisnate
  • FEC UFF


A Prefeitura, através da UGP PRO Sustentável está acompanhando o desenvolvimento dos estudos e vai avaliar os resultados, para selecionar a alternativa tecnológica que será utilizada para reduzir a quantidade de lodo.

Vamos em frente!

Axel Grael
Prefeito de Niterói


* Agradeço a contribuição do Luiz Heckmaier no texto acima sobre os experimentos.


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LEIA TAMBÉM:

DESPOLUIÇÃO DAS LAGOAS DE PIRATININGA E ITAIPU: Sistema lagunar terá testes de tecnologias para recuperação
SISTEMA LAGUNAR DE PIRATININGA E ITAIPU: Prefeitura licita estudos para definir ações para a recuperação  

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

CONCLUSÃO DO PRODUIS: projeto beneficiou 6 mil pessoas e modernizou a gestão de Niterói

 

Parque Esportivo e Social do Caramujo

Urbanização de comunidades

Macrodrenagem de São José

Drenagem

Em 2013, eu começava a minha trajetória como vice-prefeito de Niterói, ao lado do prefeito Rodrigo Neves. Numa das minhas primeiras iniciativas, sugeri ao prefeito a criação de um Escritório de Gestão de Projetos - EGP, com a atribuição de captar recursos para Niterói e promover a gestão mais eficiente de projetos, além de zelar pela prestação de contas. Estas eram três grandes deficiências da cidade.

Uma das minhas primeiras tarefas repassadas pelo prefeito foi resgatar uma negociação da cidade com o Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID, iniciada anos antes e abandonada pela administração municipal. Literalmente, ressuscitamos um projeto que havia sido arquivado pelo banco. Com uma especial ajuda do BID, reestruturamos o escopo do projeto, fizemos a tramitação interna no banco, no governo federal e internamente na Prefeitura, viabilizando, assim, o primeiro projeto com financiamento externo do ciclo de gestão iniciado por Rodrigo Neves. Assim nasceu o Programa de Desenvolvimento Urbano e Inclusão Social de Niterói - PRODUIS.

Lembro como se fosse ontem quando fui pela primeira vez ao São José e à Igrejinha com objetivo de identificar as necessidades daquelas comunidades para a implementação de um amplo projeto de urbanização. Tinha a certeza de que era preciso trabalhar muito para melhorar a qualidade de vida dos moradores da região com o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da cidade. Foram muitos anos de trabalho: planejamento, enfrentamento das dificuldades burocráticas, elaboração e gestão dos projetos e vê-los tomar forma, sair do papel e se incorporarem à vida das pessoas, solucionando problemas e gerando os benefícios que sonhamos anos antes. 


Conclusão do PRODUIS



Esta semana, durante uma reunião que marcou o encerramento da parceria como Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) na região, pude olhar para trás e ver quantos desafios foram superados, quantas vitórias foram conquistadas por uma equipe aguerrida, que se dedicou muito para transformar aqueles bairros e dar mais dignidade àqueles cidadãos. As intervenções de urbanização, drenagem, pavimentação e contenção de encostas, além de regularização fundiária, contaram com investimentos na ordem de R$ 85 milhões, beneficiando mais de 6 mil pessoas. Além desses projetos, o PRODUIS proporcionou avanços decisivos em tecnologia, como o SIGEO e o CCO da Mobilidade.

Em São José, as intervenções para urbanização e infraestrutura da comunidade começaram em 2017. As obras beneficiam cerca de 1.500 famílias e são financiadas pela Prefeitura de Niterói em parceria com o BID, através do PRODUIS, com um investimento total de 44 milhões de dólares. O projeto incluiu contenção de encostas, drenagem e pavimentação de vias, melhoria em escadas de acesso à comunidade, além de praça com academia da terceira idade e brinquedos. Foi a maior obra já realizada na Zona Norte.

Plantio do capim-vetiver para proteger encostas da erosão.

 A comunidade São José foi a primeira área da cidade a receber uma nova técnica que vem sendo aplicada em obras de contenção de encostas realizadas pela Prefeitura de Niterói. O procedimento foi estudado por diversas instituições nacionais e internacionais, que o reconhecem como uma das melhores ferramentas naturais de controle de erosão. O Sistema Vetiver consiste em uma gramínea indiana que conserva solos e águas em áreas de poucos recursos.

Na Igrejinha do Caramujo, foram feitas intervenções de urbanização, com obras de contenção de encostas, drenagem, adequação de escadas de acesso à comunidade e implantação de praças, como a da Rua Nilo Peçanha. Somente em contenção de encostas, o investimento passa dos R$ 6,4 milhões.

O apoio do BID para o Programa de Desenvolvimento Urbano e Inclusão Social de Niterói (PRODUIS) também viabilizou a implantação do Parque Esportivo do Caramujo, onde hoje cerca de 400 jovens crianças, jovens e adultos têm acesso a treinamento gratuito de várias modalidades olímpicas como atletismo, levantamento de peso olímpico (LPO), lutas, badminton, tiro com arco e skate.

A parceria também viabilizou o Centro de Controle Operacional (CCO) Mobilidade, com 190 câmeras semafóricas com laço virtual; 10 controladores de tráfego; cerca de 100 km fibra ótica; 14 painéis de mensagens variáveis (PMV’S) para orientar os motoristas; 20 câmeras de observação do trânsito compartilhadas com o CISP. Trata-se de uma importante ferramenta para a mobilidade de Niterói que, até então, não contava com qualquer recurso tecnológico para orientar as ações/intervenções da Nittrans.

Outra conquista importante da parceria com o BID foi o Sistema de Gestão da Geoinformação de Niterói - Sigeo, uma plataforma gratuita de dados georreferenciados que cruza informações sobre Niterói. O Sigeo facilita o acesso e o uso da base de dados para planejamento e estruturação de políticas públicas conduzidas pelos diversos órgãos da administração municipal. Além dos profissionais da Prefeitura, o Sigeo NITERÓI também é um importante recurso para viabilizar o avanço de Niterói rumo a uma Cidade Inteligente, subsidiar pesquisas acadêmicas, estudos comerciais e o desenvolvimento de aplicativos para o uso do cidadão.

O Sigeo é alicerce para várias iniciativas, como o projeto Arboribus, que reúne dados sobre a arborização pública, e a plataforma Niterói Novos Negócios, desenvolvida e lançada em maio para incentivar empreendedores a investir em Niterói.

Em 2017, o SIGEO NITERÓI recebeu o prêmio de melhor iniciativa municipal de gestão da geoinformação no país (Prêmio MundoGEO#Connect 2017, categoria "Gestão Municipal"), anunciado durante evento MundoGeo Connect, evento que reúne as principais empresas e profissionais em geotecnologias.

Vale lembrar que mesmo com o encerramento do contrato do BID com a Prefeitura, o PRODUIS continua executando as ações de Reassentamento e Regularização Fundiária na Região Norte, já que as reuniões com as famílias foram prejudicadas pela Pandemia.

Axel Grael




sexta-feira, 4 de junho de 2021

PARQUE ESPORTIVO E SOCIAL DO CARAMUJO: Aulas inaugurais de badminton e tiro com arco

 

Matando a saudades de um jogo de badminton.

Garotada da comunidade na primeira aula de badminton

Amigo animado com o badminton

Primeiras lições

Uma infraestrutura para esporte, lazer e construção de futuros para as comunidades da Região Norte. 

Com atletas e dirigentes do badminton, com a equipe do Parque Esportivo e Social do Caramujo e a garotada, para quem tudo isso é dedicado.

Com atletas de ponta do badminton que prestigiaram o nosso evento.

Atletas do Tiro com Arco fazem demonstração a uma distância de 30 metros. Nas competições, a distância é de 70 metros!

Acho que me deram uma "colher de chá". Testando o esporte com o alvo pertinho. Acreditem, acertei na mosca depois de 4 tentativas. Os caras são bons. É difícil. 

Primeira aula de Tiro com Arco

Christa sempre presente e participante: conversando com a garotada.


Mais segurança e dignidade para moradores do São José e Igrejinha


A Prefeitura de Niterói começou esta semana o reassentamento de 44 famílias das comunidades São José e Igrejinha. Este é mais um importante passo do trabalho que, nos últimos anos, promoveu uma transformação em toda a região do Caramujo, uma das áreas de Niterói com maior vulnerabilidade social. O projeto piloto da “Compra assistida” prevê que as residências tenham infraestrutura e estejam em locais urbanizados, evitando que, posteriormente, essas famílias precisem ser realocadas novamente.

A ação é um esforço conjunto entre as Secretarias Municipais de Habitação e Regularização Fundiária e Obras e Infraestrutura, a Empresa Municipal de Moradia Urbanização e Saneamento (Emusa) e a Procuradoria Geral do Município e faz parte do Programa de Desenvolvimento Urbano e Inclusão Social de Niterói (Produis), com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

A compra assistida é uma modalidade compensatória que consiste na complementação de recursos para compra de um imóvel para o morador que precisa ser realocado. O valor é uma espécie de indenização pela necessidade de retirada da pessoa do imóvel, porém ele não é pago em dinheiro, para garantir que a pessoa tenha uma casa em boas condições e não esteja em uma área de risco. O projeto, desenvolvido em conjunto pelas equipes das secretarias de Habitação e Obras, foi concebido para acompanhar a família que será reassentada desde o início, com a escolha da casa, passando pela mudança até o assentamento dessas famílias.

Nesta sexta-feira (04/06), visitei o Parque Esportivo do Caramujo, onde foram iniciados os cursos de Badminton e Tiro com Arco.  No local, as crianças já estão praticando skate, atletismo, dança, entre outras modalidades individuais. Assim que a pandemia permitir, começarão as aulas de esportes coletivos.

Atividades esportivas para a comunidade.

A comunidade toda recebeu melhorias de infraestrutura.

Christa e eu no dia da inauguração, novembro de 2019.

Campo de futebol.

Inauguração com jogo entre os veteranos de Flamengo e Botafogo. Nov 2019.

Aproveitei a visita e percorri alguns trechos do São José. É com muito orgulho que vejo tudo que foi realizado na comunidade, as obras de urbanização e contenção de encostas que, além de segurança, dão mais qualidade de vida e dignidade a milhares de cidadãos niteroienses.

COMPRA ASSISTIDA – A compra assistida é uma forma mais humanizada de reassentamento, pois a própria família escolhe a casa em que vai morar. A Prefeitura assessora as famílias na compra para garantir segurança e infraestrutura na nova moradia. Para a compra da casa, alguns critérios são exigidos. Um dos mais importantes é que a casa seja em local seguro e, para isso, a Secretaria Municipal de Defesa Civil e Geotecnia faz uma vistoria para atestar a condição do local. Outra necessidade é que o novo lar seja dotado de infraestrutura básica como fornecimento de água e coleta de esgoto.

Maria do Socorro e sua irmã Célia foram as primeiras a assinar o documento da compra da nova casa, na última quarta-feira, e afirmaram estarem realizando um sonho. “Estou muito feliz. Isso significa muito para a gente. Morei 39 anos na comunidade e a antiga casa tinha um valão que passava ao lado onde está caindo esgoto sem saneamento. É uma mudança de vida, uma melhoria na qualidade de vida da nossa família”, contou Maria do Socorro.


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Campo de Futebol do Parque Esportivo do Caramujo é inaugurado com partida entre ex-jogadores do Flamengo e Botafogo 
Prefeito de Niterói visita obras do Parque Esportivo do Caramujo  



quarta-feira, 12 de maio de 2021

Novos Negócios: plataforma digital auxilia empreendedores em Niterói


Empreender em Niterói ficou ainda mais fácil e menos arriscado. A plataforma Novos Negócios, lançada nesta quarta-feira (12-05) disponibiliza uma série de dados relativos a abertura e viabilidade de futuros negócios, contribuindo para a tomada de decisões com mais segurança.

Os interessados em iniciar um negócio na cidade podem consultar as informações sem precisar se deslocar até a Prefeitura. Os dados disponíveis contemplam zoneamentos, legislações, localização de empresas e equipamentos públicos e privados. A ferramenta possibilita ao empreendedor potencial o apoio necessário ao seu estudo de viabilidade para abertura de uma empresa na área escolhida através de uma consulta avançada à legislação municipal vigente e aos seus dados geográficos.

A plataforma Novos Negócios é um instrumento importante do Plano de Retomada Econômica na cidade, já que facilita a pesquisa do mercado local, através de informações georeferenciadas. 

Além disso, através do SIGeo, é possível ter acesso a mais de cem camadas de informações quanto à infraestrutura de Niterói. A ferramenta tem como finalidade a consulta e cruzamento de dados espaciais georreferenciados do banco de dados do SIGeo, e conta com informações atualizadas das Secretarias de Urbanismo, Fazenda, Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, entre outras.

“Novos Negócios” traz também um site contendo o story map da cidade, que tem a apresentação de informações mais dinâmicas para usuários que não conhecem Niterói, fazendo com que tenham acesso a estatísticas da cidade, principalmente nos setores motores de desenvolvimento. Para facilitar o uso da ferramenta, estão disponíveis também tutoriais sobre o manuseio das buscas, aplicação de filtros e extração das análises.

Niterói, cada vez mais, se mostra pioneira em processos inovadores de gestão. Juntos, vamos seguir em frente, construindo uma Niterói cada vez mais próspera, sustentável e solidária.

A plataforma pode ser acessada pelo https://arcg.is/iH8Wj


✓ A plataforma não substitui a extração de um documento oficial de viabilidade na implementação dos processos para a abertura de um empreendimento.


Foto: Berg Silva



domingo, 28 de fevereiro de 2021

SISTEMAS LAGUNARES DE PIRATININGA/ITAIPU E BARRA/JACAREPAGUÁ: recuperação das lagoas da Região Metropolitana do Rio


Capa de O GLOBO NTERÓI de 28 de fevereiro de 2021, com destaque para o Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis.

A matéria acima (acesse aqui) se refere à segunda etapa da implantação do Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis, que abrange as edificações e a infraestrutura física. A primeira etapa, da Infraestrutura Verde (jardins filtrantes e outras soluções de drenagem sustentável), já se encontra em implantação avançada.


Recuperação das lagoas em Niterói e no Rio em destaque

Hoje, 28 de fevereiro de 2021, duas matérias publicadas pelo jornal O GLOBO me trouxeram à reflexão dois momentos importantes da minha trajetória pessoal, com 24 anos de diferença entre uma e outra. Uma das matérias é intitulada "Solução no Horizonte das Lagoas da Barra e Jacarepaguá", da jornalista Selma Schmidt, publicada no Caderno Rio. A outra, foi destaque na capa do suplemento "O GLOBO NITERÓI", intitulada "Obras em março: Parque Orla de Piratininga terá 17 praças e 10 km de ciclovia", assinada pelo jornalista Leonardo Sodré. 

A Região Metropolitana do Rio de Janeiro possui dois sistemas lagunares, localizados nos municípios de Niterói (Piratininga e Itaipu) e Rio de Janeiro (Barra da Tijuca e Jacarepaguá), além da Lagoa Rodrigo de Freitas. Estes são os principais ecossistemas lagunares originais e ainda sobreviventes, tendo sofrido um intenso processo de degradação ao longo do crescimento urbano nas respectivas bacias hidrográficas. Ao longo de muitas décadas, obras de drenagem, aberturas de barras permanentes e a ocupação das suas áreas várzeas, alteraram o ciclo hídrico original, fazendo que deixassem de ser lagunas e passassem à condição de lagoas urbanas. Com a modificação dos seus ciclos sazonais de cheias, impediu-se o extravasamento natural das lagunas para o oceano, que permitia o intercâmbio da fauna com o mar, que garantia a riqueza dos seus ecossistemas e a piscosidade de suas águas. A abertura de barras permanentes mudaram a salinização, os ecossistemas e a biodiversidade local foram alterados.

A recuperação das lagoas passa por três grandes desafios: 

  • entender que elas não têm condição de voltar a ser o que eram e que é preciso estabelecer uma outra referência de estabilidade ambiental compatível com a realidade de uma lagoa urbana. Portanto, estas terão que ser sempre geridas pelas cidades que as envolvem. 
  • reverter os fatores de estresse ambiental que levam à degradação, principalmente o aporte de nutrientes que chegam até as lagoas principalmente representados pelo esgoto e drenagens urbanos
  • implantar um planejamento de gestão de longo prazo para as lagoas, estabelecendo processos participativos e que garantam os seus usos múltiplos. Quanto mais as lagoas fizerem parte da vida das pessoas e quanto mais a população interagir (contemplação, esportes, pesca etc.), mais massa crítica será criada a favor da proteção das mesmas.

A minha trajetória profissional e de militância ambientalista tem íntima relação com a história e a experiência de recuperação de cada um desses valiosos patrimônios naturais e elementos marcantes na paisagem urbana. É o que apresentamos a seguir: 

Piratininga e Itaipu

Minha atuação ambientalista começou em 1980, quando criei o Movimento de Resistência Ecológica - MORE e a proteção e recuperação das lagoas de Piratininga e Itaipu foi uma das minhas primeiras campanhas. Apesar de muitas lutas, os avanços só começaram efetivamente a partir de 2013, quando me tornei vice-prefeito de Niterói, junto com o prefeito Rodrigo Neves. Foi quando demos início ao Programa Região Oceânica Sustentável - PRO Sustentável, cujo principal objetivo é a recuperação daquele sistema lagunar. O programa é financiado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina - CAF e tem um orçamento de US$ 100 milhões (R$ 564 milhões). Além da recuperação das lagoas, o programa investe em infraestrutura urbana (drenagem e pavimentação de bairros: mais de 200 ruas já beneficiadas) e outros projetos sustentáveis como a renaturalização do Rio Jacaré, a implantação de 60 km de ciclovias e infraestrutura do Parque Natural Municipal de Niterói, o PARNIT.



Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis: Obras em andamento para a implantação dos alagados e jardins filtrantes.


Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis: Concepção dos resultados finais.

A principal iniciativa do programa é a implantação do Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis, projeto inovador que conta com técnicas conhecidas como Soluções Baseadas na Natureza (alagados construídos, bacias de sedimentação, jardins filtrantes, biovaletas, jardins de chuva e outras soluções de drenagem sustentável), cujas obras estão em andamento e reduzirão o aporte de sedimentos e nutrientes à lagoa de Piratininga, contribuindo assim para a redução da sua condição eutrófica. Além de investir em soluções de drenagem sustentável, a Prefeitura tem avançado no saneamento ambiental de toda a bacia. Niterói se aproxima da universalização da coleta e tratamento do esgoto, sendo considerada uma das melhores cidades do país em saneamento. Através do programa "Ligado na Rede", a Prefeitura fiscaliza lote a lote a conexão à rede de esgoto. O resultado é uma diminuição gradual do esgoto que chega às lagoas.

E agora como prefeito, assumimos o compromisso de continuar avançando de forma decisiva para a despoluição do sistema lagunar. Além do Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis, com seus equipamentos de drenagem sustentável que reduzem a poluição, faremos a estabilização e a dragagem do Canal de Itaipu, tratamento do lodo no fundo das lagoas, dragagem do Canal de Camboatá, a estabilização do Túnel do Tibau e outras medidas que elevarão a qualidade ambiental das lagoas.

Lagoa Rodrigo de Freitas

Nos dois períodos que fui presidente da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente - FEEMA (1999-2000 e 2017-2018), me dediquei muito a resolver o recorrente problema de mortandade de peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas, causados principalmente pelo grande aporte de esgoto que chegava à lagoa pelo sistema de drenagem dos bairros ao seu redor. Na época, atuamos junto à CEDAE para que a infraestrutura de saneamento e a operação das comportas existentes no sistema de drenagem local fossem conduzidos de forma correta. A FEEMA era responsável pelo monitoramento da qualidade ambiental da lagoa, pelo licenciamento das atividades na sua Bacia Hidrográfica e pela balneabilidade das praias. Me lembro bem das inúmeras ocasiões em que estive mobilizado em função da mortandade de peixes, dando entrevistas para a imprensa e coordenando equipes de restauração da lagoa. Nossas ações culminaram na assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta - TAC com a CEDAE, que comprometeu a empresa estadual concessionária do saneamento no Rio a equacionar o problema.

Anos depois, por coincidência, quando trabalhei como consultor ambiental da empresa Haztec (2010-2011), me coube coordenar o contrato da empresa, conquistado por licitação, para fazer a Auditoria Ambiental do Sistema Zona Sul da CEDAE, ação esta decorrente daquele TAC. O objetivo era identificar as fragilidades da infraestrutura e as vulnerabilidades operacionais da rede de esgoto que tinham como principais consequências a poluição da Lagoa Rodrigo de Freitas, a balneabilidade das praias da Zona Sul (Copacabana até Leblon) e a poluição da Baía de Guanabara (do Centro da cidade até a Enseada de Botafogo).

Justamente, por estar mais inserida no cotidiano das pessoas e na vida da cidade, os problemas de poluição da Lagoa Rodrigo de Freitas são os que mais repercutem. Mas, ainda assim, a lagoa ainda sofre com a degradação. 

Sistema Lagunar da Barra e Jacarepaguá

Magalhães Corrêa chamou a região de "O Sertão Carioca" na sua fascinante e quase centenária publicação. Com gravuras belíssimas, descreve as riquezas e os costumes das pessoas da baixada de Jacarepaguá e Barra da Tijuca e suas lagoas. Já naquela época, Magalhães Corrêa alertava sobre o desmatamento, a urbanização predatória e clamava pela criação de parques. Em um século, muito de toda essa riqueza se perdeu para sempre, mas muito ainda pode ser protegido e recuperado. Não podemos abdicar da esperança e temos que perseverar.


Foto da época da minha segunda gestão como presidente da Feema (2007-2008). Fui obrigado a interditar trecho da Praia da Barra da Tijuca devido à contaminação por microcistina, toxina liberada por algas tóxicas. A proliferação destas algas é causada pela poluição do Sistema Lagunar da Barra da Tijuca e Jacarepaguá. Janeiro de 2007. Foto arquivo Feema.


Degradação da Lagoa da Tijuca, uma das que compõem o Sistema Lagunar de Jacarepaguá. Axel Grael coordenou um amplo projeto para a recuperação deste precioso patrimônio do Rio de Janeiro. Foto site O Globo.


O Sistema Lagunar da Barra da Tijuca e Jacarepaguá é o mais complexo, o mais degradado, aquele que mais precisa de atenção, mas contraditoriamente é o mais atrasado em termos de respostas do poder público. Há 24 anos atrás, estruturei um plano e estive muito perto de conseguir os recursos para salvar aquelas lagoas.

Sou servidor de carreira da Secretaria de Meio Ambiente da Cidade - SMAC, da Prefeitura do Rio de Janeiro, aprovado em Concurso Público realizado em 1996. Entre 1997 e 1999, na gestão do prefeito Luiz Paulo Conde, idealizei, estruturei e fui o coordenador geral do Projeto de Recuperação Ambiental da Macrobacia de Jacarepaguá, orçado à época em US$ 330 milhões. Liderei o processo de negociação do financiamento junto ao Overseas Economic Cooperation Fund - OECF (depois passou a se chamar Japan International Cooperation Fund - JBIC e hoje é a Japan International Cooperation Agency - JICA). Devido às dificuldades com o fuso horário, virei muitas noites na Prefeitura do Rio de Janeiro para trabalhar com os especialistas japoneses.

Demandei e compatibilizei projetos das secretarias municipais de Obras, Meio Ambiente, Habitação, Assistência Social, Rio Águas, Urbanismo, além de envolver órgãos federais como o IBAMA, estaduais como a FEEMA e as universidades e seus pesquisadores.


DESPOLUIÇÃO DAS LAGOAS COM OLHAR SISTÊMICO PARA TODA A MACROBACIA: Localização da Macrobacia de Jacarepaguá no município do Rio de Janeiro. Fonte: EIA/RIMA do Projeto de Recuperação Ambiental da Macrobacia de Jacarepaguá.


Inovador para a sua época, tinha a concepção baseada em conceitos de sustentabilidade ainda pouco comuns nos grandes projetos municipais e no próprio país. Abordava a recuperação do sistema composto pelas lagoas de Marapendi, da Tijuca, do Camorim, Lagoinha das Taxas (no Parque Municipal Chico Mendes) e de Jacarepaguá, com um olhar que abrangia toda a bacia hidrográfica - ou a macrobacia, como chamávamos. O projeto envolvia desde o apoio às unidades de conservação que protegiam o alto curso dos rios (Parque Nacional da Tijuca e Parque Estadual da Pedra Branca, além do Parque Municipal de Marapendi, que contorna a Lagoa de Marapendi), o reflorestamento das áreas degradadas, bem como as obras de contenção de encostas. Incluía projetos habitacionais para abrigar famílias em áreas de risco geotécnico e de inundação. Também haviam os projetos de macrodrenagem, dragagem de rios e das lagoas (o material dragado seria disposto no chamado Centro Metropolitano), educação ambiental e um modelo de gestão da macrobacia, baseado no fortalecimento de uma boa experiência representado na época pelo Conselho das Águas, idealizado pelo ex-secretário da SMAC, o saudoso ambientalista Alfredo Sirkis

Na época havia um grande impasse entre a CEDAE e o município do Rio com relação aos investimentos no saneamento da macrobacia. Apesar da sua obrigação como concessionária dos serviços, a CEDAE alegava não ter perspectivas de investir na região do Recreio dos Bandeirantes, Várzea Grande e Várzea Pequena. Na época negociamos com a empresa estadual uma "Linha de Tordesilhas sanitária", que dividia a região em duas e a Prefeitura assumiu os investimentos naquelas áreas fora da prioridade estadual e este passou a fazer parte do projeto em negociação com o banco japonês.

A estruturação de um projeto destas dimensões requer muito esforço e dedicação. Foram cerca de dois anos de planejamento e de elaboração de projetos ambientais, sociais e de engenharia complexos e detalhados e uma longa tramitação em busca de um empréstimo externo, com a aprovação de todas as instâncias, incluindo:
  • a negociação com o exigente banco japonês, de forma a cumprir as exigências do banco e de toda a intrincada legislação brasileira, 
  • a articulação com os órgãos municipais e a garantia da capacidade de endividamento, 
  • o licenciamento ambiental no estado, através da FEEMA (EIA-RIMA), 
  • e a superação de todas as etapas no governo federal 
  • aprovação do endividamento no Senado,... 
Chegamos até esta etapa, quando nos deparamos com uma dificuldade que não foi possível superar. Havíamos chegado ao final da gestão do prefeito Conde, que foi derrotado na tentativa de reeleição. O nosso projeto, que havia chegado até o passo decisivo, acabou "morrendo na praia". Não teve continuidade e acabou esquecido ao longo dos anos. Os dois lados da tal "Linha de Tordesilhas" acabaram tendo investimentos adiados e não aconteceram. 

Esta foi uma das maiores frustrações da minha vida profissional e um grande desperdício de oportunidade para a cidade do Rio de Janeiro. Mas, para mim, foi um grande aprendizado de gestão de um grande projeto, complexo, intersetorial, integrando muitas instituições e com financiamento internacional. A experiência me ajudou muito em trabalhos posteriores.

A matéria "Solução no Horizonte das Lagoas da Barra e Jacarepaguá", assinada pela jornalista Selma Schmidt, informa que o processo de concessão da CEDAE levado à frente pelo governo estadual, reserva "R$ 250 milhões para despoluir o complexo lagunar e R$ 2 bilhões para o saneamento da região". Vale observar que o escopo do projeto e o valor agora previsto são bem menores do aqueles que previmos na época (corrigindo-se os valores para os tempos atuais).

Lagoas de Piratininga/Itaipu x Barra/Jacarepaguá 

O aprendizado com as lagoas da Barra e Jacarepaguá inspiraram a experiência em Niterói. Quando concebi, junto com a geógrafa Dionê Marinho Castro, o Programa Região Oceânica Sustentável - PRO Sustentável, que inclui dentre os seus objetivos a despoluição das lagoas de Piratininga e Itaipu, aproveitamos os erros e acertos da experiência com o programa das lagoas da Barra e Jacarepaguá. Ousamos muito mais, mantendo a abordagem do olhar para toda a bacia hidrográfica, adotando os conceitos mais modernos das Soluções Baseadas na Natureza e conseguimos o que não foi possível naquela tentativa em águas cariocas. Em Niterói, com o apoio do prefeito Rodrigo Neves, o projeto superou todas as etapas burocráticas, as consultas públicas, o licenciamento ambiental, como já havíamos enfrentado antes no projeto carioca, mas a iniciativa niteroiense encontrou melhor respaldo institucional, saiu do papel e está se tornando realidade.

Um outro elo que une as iniciativas em Niterói e no Rio é o nome do ambientalista Alfredo Sirkis. Ele que criou o Conselho das Águas da Barra da Tijuca e Jacarepaguá, dando os primeiros passos para a construção do que viria a ser o Projeto de Recuperação Ambiental da Macrobacia de Jacarepaguá, hoje empresta o seu nome para o Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis, principal iniciativa para a recuperação do sistema lagunar de Piratininga e Itaipu.

Lagoas da Barra e Jacarepaguá: Agora vai?

Tantos anos e várias promessas depois, temos agora mais uma perspectiva de avanços para as lagoas da Barra e Jacarepaguá. Torcemos que a controversa concessão da CEDAE possa trazer os avanços que sonhamos há 24 anos atrás para as lagoas do Rio de Janeiro, como estamos obtendo em Niterói. Que finalmente o processo de degradação das principais lagoas do nosso estado seja revertido, abrindo um virtuoso precedente para o restante do país. 

Que as lagoas sejam salvas, que cumpram na plenitude a sua função ecológica e social, que estejam cada vez mais no nosso cotidiano e que a gente daqui e aqueles que nos visitam não deixem nunca de contempla-las, de se deslumbrar e trata-las com amor, sentido de pertencimento e admiração.

Que venham tempos de avanços rumo à sustentabilidade urbana. Que o exemplo de Niterói motive outras cidades.

Axel Grael
Prefeito de Niterói


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Concessão da Cedae prevê R$ 250 milhões para despoluir lagoas da Barra e Jacarepaguá

Complexo também deverá ser beneficiado com quase R$ 2 bilhões em obras de ampliação das redes de esgoto da região

Selma Schmidt

RIO — Entra ano, sai ano, promessas são anunciadas e desfeitas enquanto imagens retratam o assoreamento sem controle das lagoas da Barra e de Jacarepaguá (Tijuca, Marapendi, Jacarepaguá, Camorim e Lagoinha das Taxas). Para esses cursos d’água que agonizam, a solução pode estar na concessão de serviços da Cedae. Entre os compromissos fixados para o futuro operador, está investir R$ 250 milhões na dragagem e em outras medidas para auxiliar na despoluição desse sistema lagunar. Indiretamente, o complexo também deverá ser beneficiado com quase R$ 2 bilhões em obras de ampliação das redes de esgoto da região.

Depósitos de lixo, as lagoas da Baixada de Jacarepaguá acumulam sofás, geladeiras e pneus velhos, entre outros objetos. Esses detritos descartados, além do esgoto de áreas formais ainda não interligadas à estação de tratamento da Barra e de comunidades sem saneamento e em expansão desenfreada, chegam a formar ilhas no miolo dos espelhos d’água. Vez por outra, o tom esverdeado cobre essas lagoas, colocando à mostra a contaminação por cianobactérias tóxicas que se alimentam de esgoto. Tamanha poluição desemboca na praia, através do Canal da Joatinga. E é crescente.

— Antes, na maré alta, a mancha de poluição parava na Praia do Pepê. Agora, avança três quilômetros na orla da Barra, até a altura do condomínio Barramares — constata o advogado e ambientalista Rogério Zouein, diretor do Grupo de Ação Ecológica.


Lagoa do Camorim com a água verde, resultado da proliferação de cianobactérias. A lagoa fica junto a Vila do Pan Foto: Márcia Foletto / O Globo


Apesar de constar do caderno de encargos do Rio para a Olimpíada de 2016, a recuperação do complexo lagunar da região não passou da promessa. Segundo o Instituto estadual do Ambiente (Inea), as obras de dragagem tiveram o contrato suspenso em 2018, por causa da crise financeira do estado.

Agora, o edital de concessão da Cedae, que estabelece compromissos com as lagoas para quem assumir o Bloco 2 (Barra, Jacarepaguá, Miguel Pereira e Paty do Alferes), dá um sopro de esperança ao biólogo Mário Moscatelli. Ele lembra que, em 2007, só a Lagoa da Tijuca já acumulava 7,5 milhões de metros cúbicos de detritos.

— A situação terminal das lagoas da região vai cobrar um preço altíssimo no caso de chuvas intensas. Dos maciços da Tijuca e da Pedra Branca, descem 95% das águas que vão para o mar através da Lagoa da Tijuca, que está com 90% de seu espelho d’água assoreado. A atual administração já foi alertada da iminência de um gravíssimo problema de inundação por conta do assoreamento generalizado de canais, rios, da Lagoa da Tijuca e, principalmente, do Rio das Pedras —adverte Moscatelli, que acompanha a situação de perto, in loco e do alto, através do projeto Olho Verde, e enviou à Secretaria estadual do Ambiente proposta de ações de curto, médio e longo prazos.


Na foto, Lagoa de Marapendi Foto: Márcia Foletto / O Globo


Um ano para elaborar projeto

O Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), que elaborou o edital da Cedae, explica que o futuro concessionário terá 12 meses, após o início da operação, para elaborar projeto e aprovar licenciamento ambiental no Inea. As obras voltadas para despoluir as lagoas devem ser executadas em três anos, a contar da autorização do instituto.

Além da dragagem das lagoas e de seus canais, diz Moscatelli, a saúde desses cursos d’água depende da ampliação do saneamento e de dar um freio à expansão das comunidades da região. Rogério Zouein concorda, e acrescenta:

— A prefeitura precisa assumir o controle do solo urbano. Se a expansão não foi contida, em pouco tempo, lagoas e canais estarão assoreados de novo. O controle deve ser rígido.

O BNDES informa que, além da dragagem e da ampliação do saneamento, o operador do Bloco 2 terá ainda um programa permanente de monitoramento da qualidade da água dos rios que compõem a bacia hidrográfica do complexo lagunar, contemplando, no mínimo, 50 pontos.

Mas o saneamento não precisa chegar só às comunidades, ressalta Eduardo Figueira, presidente da associação de moradores de casas do condomínio Santa Mônica, na Barra. Ele lembra que uma fatia da área formal ainda não está interligada à estação de tratamento de esgoto da Barra. No Santa Mônica, desde que a Cedae instalou uma elevatória dentro do condomínio, no fim de 2008, parte do esgoto extravasa, às vezes durante dias, dentro do canal da Rua Jean Paul Sartre, que desemboca na Lagoa de Jacarepaguá.

— Isso é um crime ambiental — conclui Figueira.


A água preta do rio Itanhangá na foz da Lagoa da Tijuca Foto: Márcia Foletto / O Globo


Descontinuidade da rede

Levantamento de 2020 da Fundação Rio-Águas, da prefeitura, tendo por base dados da Cedae fornecidos à agência reguladora Agenersa, revela que apenas 46% da população da região têm o esgoto coletado e tratado. E que há mais de 400 pontos de descontinuidade na rede coletora. A Cedae, por sua vez, afirma que sua rede coletora tem 110 quilômetros e que a estação da Barra, trata, em média, 1,14 metro cúbico de esgoto por segundo, tendo uma capacidade para 1,93 metro cúbico. Diz ainda que o esgoto das favelas, desde 2017, passou a ser responsabilidade da prefeitura.

Como medida paliativa para reduzir o assoreamento do complexo lagunar da região, em novembro de 2020 o Inea instalou cinco ecobarreiras na foz de rios que deságuam nas lagoas. Até 20 de janeiro, elas retiveram 220 toneladas de resíduos (não inclui esgoto).

Já a Fundação Rio-Águas não tem previsão de instalação de novas unidades de tratamento de rios (UTRs) na região, prometidas para os Jogos de 2016. A única que ficou pronta é a do Arroio Fundo. Mas o órgão diz que tem atuado no controle de enchentes, com serviços de limpeza de rios. E dá como concluído um quilômetro de canalização nos rios Pechincha e Covanca. As próximas frentes de obras serão nos rios Grande e Tindiba.

Fonte: O Globo



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