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sábado, 14 de março de 2026

Aquecimento global está avançando mais rápido nos últimos dez anos

Pessoas se protegem do sol em mais um dia de calor no Rio de Janeiro (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Estudo demonstra com alto grau de precisão estatística que a taxa de aumento na temperatura da Terra quase dobrou na última década.

A Terra está aquecendo em ritmo mais acelerado nos últimos dez anos. Desde 1970, ao longo de mais de 40 anos, o índice de elevação da temperatura era constante por década, cerca de 0,2°C. De 2014 em diante, porém, a taxa passou para 0,35°C por década – quase o dobro do registrado até então.

A aceleração do aquecimento global é apontada por um estudo de cientistas do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático (PIK), da Alemanha, publicado na revista Geophysical Research Letters. É a primeira vez que uma pesquisa demonstra com alto grau de precisão estatística que o aumento da temperatura está avançando mais rápido, segundo a Folha.

O estudo alerta que, se o ritmo atual de aquecimento persistir, o limite de 1,5°C de aumento da temperatura sobre os níveis pré-industriais, estabelecido pelo Acordo de Paris, será ultrapassado nos próximos anos, destaca o Carbon Brief. Isso intensificará os eventos climáticos extremos e causará mais perdas catastróficas, com impactos humanos, sociais e econômicos crescentes.

O calor extremo dos últimos anos – 2023, 2024 e 2025 foram os anos mais quentes da história recente – foi intensificado por flutuações naturais, como ciclos solares, erupções vulcânicas e o fenômeno climático El Niño. Isso levou os cientistas a questionarem se as leituras de temperatura alarmantes são casos isolados ou resultado de um aumento no aquecimento global.

Assim, os pesquisadores do PIK aplicaram um método de redução de ruído para filtrar o efeito estimado de fatores não humanos em cinco grandes conjuntos de dados compilados por cientistas para avaliar a temperatura da Terra. Em cada um deles, constataram uma aceleração no aquecimento global provocada por ações humanas em 2013 ou 2014, explica o Guardian.

Os cinco prestigiados conjuntos de dados da temperatura global foram: NASA (agência espacial dos Estados Unidos), NOAA (agência dos EUA de ciência climática), HadCRUT (sistema do instituto nacional de meteorologia britânico), Berkeley Earth (instituto climático sem fins lucrativos) e ERA5 (do observatório climático europeu Copernicus). Os cientistas constataram um aumento da taxa na última década que vai de 70% (HadCRUT) a 110% (ERA5).

Os autores ressaltam que os ajustes que retiram os efeitos do El Niño e do máximo solar reduzem a temperatura global em 2023 e 2024. Ainda assim, demonstram que a aceleração do aquecimento não se deve a anos atípicos, mas sim a uma tendência que vem desde 2015.

CNN, Time, Ecodebate, Bloomberg e Business Green também repercutiram o estudo.

Fonte: ClimaInfo


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

RETROCESSOS: projeto de lei do governo ameaça áreas indígenas



Mais um retrocesso absurdo do atual governo: Bolsonaro anunciou o projeto de lei liberando mineração, exploração de petróleo e hidrelétricas em terras indígenas. No mesmo dia, nomeou um evangelizador para a área mais sensível da Funai: a dos índios isolados. Como se não bastasse, em seu discurso disse que se um dia puder ele confinará os ambientalistas na Amazônia.

As afirmações e iniciativas causam indignação. Uma das minhas mais marcantes experiências de vida e profissionais foi o trabalho que desenvolvi na Área Indígena Nhamunda-Mapuera, no Pará, na década de 1980. 
Na ocasião, aprendi a respeitar e a valorizar a cultura e a sabedoria sustentável destes povos. A ameaça e o tom preconceituoso do presidente com as comunidades indígenas são de envergonhar e estarrecer, mostrando que em tempos de "terraplanismos" e outros obscurantismos, não há limites para os danos que essa gente pode causar.


Axel Grael, Mirian Nuti e Cláudio Delorenci, na Aldeia Mapuera. Foto acervo Mirian Nuti.

Crianças indígenas da Aldeia Wai-Wai, Rio Mapuera (PA), preparadas para exercício de pontaria com arcos e flechas. A brincadeira consistia em acertar um disco cortado do tronco de uma bananeira. Foto do acervo Axel Grael/ENGE-RIO.

A análise desenvolvida pela jornalista Míriam Leitão, no artigo abaixo, é precisa em denunciar o absurdo do intenção do capitão. Damos destaque ao seguinte trecho:

Em várias ocasiões Bolsonaro já demonstrou preconceito em relação aos índios, ou visão ultrapassada sobre o assunto. É por isso que a ideia assusta ainda mais. A Constituição prevê atividade econômica em terra indígena, dependendo apenas de regulamentação. O projeto, portanto, poderia até ser considerado se não fosse o presidente quem ele é, se não tivesse as declaradas intenções que tem.

É preciso resistir no campo das ideias e das ações, impedindo que essas maluquices prosperem. Que o Congresso Nacional reverta esses retrocessos.

Axel Grael



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Riscos que pesam sobre os indígenas

No mesmo dia em que anunciou o projeto de lei prevendo mineração, exploração de petróleo e hidrelétricas em terras indígenas, o presidente Bolsonaro nomeou um evangelizador para a área mais sensível da Funai: a dos índios isolados. Em seguida, disse que se um dia puder ele confinará os ambientalistas na Amazônia. Em várias ocasiões Bolsonaro já demonstrou preconceito em relação aos índios, ou visão ultrapassada sobre o assunto. É por isso que a ideia assusta ainda mais. A Constituição prevê atividade econômica em terra indígena, dependendo apenas de regulamentação. O projeto, portanto, poderia até ser considerado se não fosse o presidente quem ele é, se não tivesse as declaradas intenções que tem.

O projeto vem após uma série de ataques à Funai feitos sob o olhar condescendente do ministro da Justiça, Sergio Moro. Não se conhece uma palavra de Moro contra os excessos e abusos cometidos contra a Funai, o aparelhamento político, a ocupação de cargos por pessoas sem a qualificação técnica, a escolha de coordenadores estranhos à área. A tentativa é de fazer da Funai uma instituição oca. Se ela ainda resiste é pelos seus servidores de carreira.

A escolha de Ricardo Lopes Dias para coordenador de índios isolados é um perigo não por ser pastor. O temor é que ele ponha em prática a convicção de que os índios precisam ser convertidos por missionários. Isso é a morte cultural. Os isolados são os mais frágeis sob todos os pontos de vista e há uma política consagrada de sequer forçar contato. A nomeação veio após a mudança de critérios para ocupar o cargo, em decisão do presidente da Funai, Marcelo Xavier. Antes, o cargo era exclusivo de servidores públicos efetivos. No dia 30 o critério foi alterado para que pudesse haver nomeação política.

Bolsonaro não tem o poder de confinar ninguém, mas seu pensamento antidemocrático é revelado na palavra que usou para definir o que quer fazer com pessoas que pensam diferente dele. Ele trata como natural uma atitude totalitária. Há uma fadiga no país em reagir aos absurdos diários que o presidente expõe em suas falas. E muita gente, com razão, quer simplesmente ignorar as “bolsonarices”. Seria um alívio. O problema é que ele, por ser presidente, tem visibilidade ampliada. Esses valores deletérios estão sendo apresentados diariamente como sendo naturais. Há uma geração de brasileiros sendo formada diante da exposição de que o presidente acha normal confinar pessoas porque pensam de forma diferente da do governo, definir indígenas como sub-humanos, afirmar que portadores de HIV custam caro ao país.

Essas foram apenas as últimas agressões verbais aos direitos humanos. Neste contexto é que foi apresentado o projeto de exploração de terra indígena. São terras públicas, da União, e serão ocupadas por grupos privados. Os indígenas serão ouvidos mas sem poder de veto, o que transforma o ato de ouvir como mera formalidade. O que o presidente está propondo é a morte cultural e étnica. Quer que eles sejam “como nós”. Como se os 300 povos não estivessem resistindo há 500 anos para manter suas culturas, seus idiomas, seu modo de viver. Se quisessem ter a vida de não indígenas já teriam feito essa escolha. Esse projeto pode ser o começo de uma nova onda de violência física e cultural contra os índios.

Tudo isso bate na economia, claro. No meio empresarial é possível ouvir empresários reclamando da estratégia do presidente Jair Bolsonaro de “governar por atrito”, na expressão de um deles que dirige uma grande associação. Se por um lado há os que apoiam incondicionalmente o presidente, por outro, há os que lamentam e se sentem inseguros com as crises constantes que não saem da primeira página dos jornais: “Passamos por uma forte recessão e estamos há três anos sem crescer muito. Este é o momento em que todos deveriam estar remando na mesma direção. Mas temos um presidente que estimula a divisão. Tem o empresário que não liga, mas tem o empresário que fica incomodado e inseguro. E aí continuamos nesse clima de morosidade, que não engrena nunca”, desabafou.

A economia nem é o maior problema. O perigo é o que o presidente pretende com esse projeto de permitir atividades econômicas nas terras indígenas, que hoje são unidades de conservação.

Com Alvaro Gribel (de São Paulo)

Fonte: Coluna Miriam Leitão, O Globo




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terça-feira, 5 de março de 2019

Projeto de 'bairro ideal' redesenha região de SP em busca de melhor relação com o meio ambiente



O antes e depois da implementação do projeto de arborização do bairro Cidade São Francisco — Foto: Labverde/USP


Grupo da USP projetou um novo bairro Cidade São Francisco, localizado na subprefeitura do Butantã, em São Paulo. Ao sair do papel, mais espécies de animais devem circular na região e temperaturas devem cair.

Por Carolina Dantas, G1

Como seria o "bairro ideal" para aproveitamento e preservação do meio ambiente? Um pedido dos moradores do Cidade São Francisco, em São Paulo, chegou até um grupo de pós-graduação da Universidade de São Paulo (USP), e eles criaram um projeto.

Como atrair a vida selvagem de volta para as grandes cidades

"O bairro tem áreas de praças, de nascentes e córregos que estão sendo contestadas para serem regiões públicas, e isso foi parar no Ministério Público. E foi pedido para o laboratório [grupo da USP] para ser feita uma avaliação desses espaços e dos serviços ecossistêmicos que poderiam prestar para o bairro e para a cidade", disse o professor responsável, Paulo Renato Mesquita Pellegrino.

Do ponto de vista ambiental, a criação acabou sendo desmembrada em duas partes importantes:

- A cobertura arbórea;
- A manutenção das nascentes e uso da água;

Atualmente, o Cidade São Francisco, localizado na subprefeitura do Butantã, tem 26% do espaço com edificações. Ou seja: 74% é "livre" para redesenhar.

Mais espécies

O novo projeto de arborização do bairro Cidade São Francisco superaria a média das melhores cidades do mundo no quesito. De acordo com estudo publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT), uma das cidades com maior índice de cobertura vegetal é Tampa, nos Estados Unidos, com 36,1%. Após as mudanças, o bairro paulistano ficaria com 37,37%.

Ranking de cobertura vegetal feito pelo MIT:

Tampa: 36,1%
Cingapura: 29,3%
Cambridge: 25,6%
Sacramento: 23,6%
Frankfurt: 21,5%
Geneva: 21,4%
Amsterdã: 20,6%
Seattle: 20%
Toronto: 19,5%
São Paulo: 11,7%

OBSERVAÇÃO: Niterói já ultrapassou a marca de 50% do seu território protegido por unidades de conservação.

Além de uma cobertura arbórea e verde ocupando mais de 30% do território, os pesquisadores envolvidos escolheram as espécies que seriam plantadas. São 14 tipos de árvores pensadas para diminuir a temperatura do local e também aumentar a fauna.

Plantar um louro-pardo, uma paineira, ou um sacambu, entre outras, ajudaria a atrair aves, mamíferos, abelhas, borboletas, besouros e outros insetos. 


Laíssa Karzmierczak, Priscilla Perini e Cleandho Marcos de Souza são autores do projeto de arborização — Foto: Carolina Dantas/G1


"Usamos espécies pioneiras, que geralmente têm uma maior sobrevivência e gostam de estar expostas ao Sol direto. Então, nesse momento inicial, elas teriam características para lidar com o calor, com alta taxa de insolação, já que não existe uma vegetação coadjuvante para auxiliar o desenvolvimento da espécie. E elas têm um crescimento mais rápido", explicou o biólogo Cleandho de Souza, um dos autores do projeto. Trabalharam com ele Laíssa Karzmierczak, Priscilla Perrini e Laís Leite.

Mais água e menos calor

Mais árvores ajudariam a melhorar a qualidade do ar e, junto com um projeto para proteger as nascentes e córregos, diminuiriam o calor da região. Hoje, o bairro tem 18% de cobertura arbórea. Veja abaixo como ficariam as temperaturas antes e depois do projeto:


Antes e depois da temperaturas (com simulação) no bairro Cidade São Francisco — Foto: Labverde/USP


As áreas em vermelho e laranja têm temperaturas médias de 25,6ºC a 27ºC; as partes verdes e azuis ficam entre 23.94ºC a 24,17ºC. Em São Paulo, segundo os pesquisadores, existem várias ilhas de calor – uma variação térmica mais quente em determinadas regiões devido à baixa cobertura verde.

"Usamos modelos de captação, de drenagem, para uso das águas. São modelos para uso da água de chuva, de valetas, é uma forma de desenho que você trabalha sempre de forma que as águas escorram pela superfície de calçadas e ruas e sejam encaminhadas para esses dispositivos", disse Pellegrino.

A demanda inicial dos moradores estava relacionada com o cuidado de três praças com nascentes que estariam aterradas. O novo projeto deve aflorar a margem do rio próximo ao bairro e desenterrar as nascentes para criar novas áreas com vegetação no bairro.

"Um dos grupos pensou toda a parte de como a água seria tratada, captada, regulada no local e outro também pensou o uso dos espaços públicos", disse Souza.

Fonte: G1




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quinta-feira, 13 de setembro de 2018

ILHAS DE CALOR: Uma Introdução às ‘Ilhas de Calor’ Urbanas do Rio



Ipanema em dia de sol e muito calor.


O verão está chegando e com ele vem temperaturas acima de 40 graus Celsius. No entanto, nem todas as áreas da região metropolitana do Rio de Janeiro irão experimentar este calor com a mesma intensidade. Estudos mostram que algumas partes do Rio são mais suscetíveis a altas temperaturas do que outras, e com o Rio sendo a cidade da América do Sul a ser mais afetada por mudanças climáticas, é fundamental que conhecemos e respondemos à essa realidade.

Vários fatores de escala local influenciam as temperaturas da superfície, incluindo a cobertura vegetal, topografia, tipo de solo, a proximidade de corpos d’água e as propriedades térmicas de materiais de construção na área. Pesquisadores da UFRJ correlacionaram uma mudança no uso do solo, de rural para urbano, entre 1980 e 2000, com um aumento das temperaturas superficiais extremas–temperaturas de superfície acima de 60 graus Celsius–nestas áreas recém-urbanizadas. Este fenômeno de aumento da temperatura devido à urbanização é chamado de Ilha de Calor Urbana.

O que é o Efeito de Ilha de Calor Urbana (ICU)?

O Efeito ICU ocorre em cidades do mundo todo e é um resultado das diferentes propriedades térmicas da cobertura da superfície nas áreas urbanas. Em média, uma cidade com um milhão de pessoas ou mais vivencia temperaturas de 1 a 3 graus Celsius superior aos seus arredores. Na região metropolitana do Rio de Janeiro, especialmente na primavera e no verão, pode-se observar diferenças de temperatura de até 25 graus Celsius quando comparando áreas com diferentes níveis de urbanização.

Algumas camadas de calor ocorrem na superfície, enquanto outras ocorrerem a poucos metros acima da superfície. A maioria das pesquisas realizadas sobre ilhas de calor urbanas no Rio de Janeiro concentram-se em temperaturas da superfície, ao contrário de temperaturas do ar (geralmente dois metros acima da superfície). Durante o dia, as temperaturas de superfície tendem a ser mais elevadas do que as temperaturas do ar.

Existem vários tipos de ilha de calor que podem ocorrer, dependendo do clima e da topografia. Por exemplo, cidades em latitudes superiores experimentam o efeito ICU à noite, quando o calor armazenado dentro dos tijolos dos edifícios e do asfalto das ruas é libertado. Em comparação, cidades em latitudes tropicais, como o Rio de Janeiro, enfrentam esse efeito durante o dia. Um estudo da UFRJ explorou como a temperatura da superfície muda ao longo de horas, e uma série de três imagens mostra que as divergências profundas de temperatura de diferentes áreas surgem durante o dia, particularmente em torno de 13h. O tempo nas imagens abaixo estão listados no Tempo Universal Coordenado, três horas de antecedência do tempo no Rio.


Média da Temperatura Superficial Continental no verão em 13:00 UTC (10:00, horário do Rio)

Média da Temperatura Superficial Continental no verão em 16:00 UTC (13:00, horário do Rio).

Média da Temperatura Superficial Continental no verão em 02:00 UTC (23:00, horário do Rio).


Fenômenos que podem aumentar as ilhas de calor urbanas incluem a absorção de calor por materiais de construção, o efeito albedo, a falta de vegetação, e o efeito cânion urbano. Nas áreas urbanas, materiais de construção, como tijolos, metal e asfalto aumentam as temperaturas por absorver e gerar calor. O efeito albedo descreve como cores diferentes podem influenciar a reflexão e absorção da radiação recebida. As cores escuras em uma cidade, como ruas pavimentadas, absorvem calor e aumentam a temperatura da superfície. A falta de vegetação em áreas urbanas reduz o efeito de arrefecimento que as plantas fornecem, através da sombra e da evapotranspiração, um processo em que as plantas liberam vapor d’água para a atmosfera. O efeito cânion é uma consequência de edifícios altos que armazenam e refletem o calor entre os muros das construções em áreas urbanas verticais. Isso permite que o calor permaneça nas cidades por mais tempo em comparação com paisagens planas, onde o calor consegue se dissipar. Todos esses fatores contribuem para intensificar as ilhas de calor no Rio de Janeiro.

Padrões incomuns de ilha de calor que se fazem presentes no Rio de Janeiro

O Rio difere da maioria das cidades na distribuição de suas ilhas de calor. A maioria das cidades experimenta o efeito ICU em centros urbanos da cidade, mas os pesquisadores no Rio descobriram que a periferia da classe trabalhadora da cidade experimenta os efeitos mais intensos de ilhas de calor urbanas. De acordo com um estudo realizado em 2000, as áreas que experimentam o calor mais intenso (entre 54 e 60 graus Celsius na temperatura da superfície) incluem partes do Centro, da Zona Norte, Zona Oeste, Jacarepaguá e o eixo entre Niterói e São Gonçalo. As zonas afetadas para cima de 60 graus Celsius, em 2000, incluíram Bangu, Caju, Vasco da Gama, Inhaúma, Vicente de Carvalho, BR-116, Nova Iguaçu, Porto Velho e São Gonçalo. Bangu, em particular, detém o recorde de maior temperatura registrada no Rio.

“No Rio, as ilhas de calor urbanas têm um efeito significativamente mais intenso sobre aqueles que têm menos recursos para combatê-las.”

As temperaturas mais frescas foram observadas em toda a Zona Sul, na Barra da Tijuca, em áreas da Zona Oeste, como Guaratiba, e nos bairros à beira-mar de Icaraí e Boa Viagem em Niterói. Temperaturas relativamente altas em Botafogo e Copacabana tornaram os bairros exceção na Zona Sul, provavelmente devido à urbanização relativamente concentrada e a baixa cobertura vegetal nestes bairros em comparação a outros bairros da Zona Sul.


Uso da terra na região metropolitana do Rio na década de 2000. Vermelho = urbano; azul = corpos hídricos; verde = vegetação; amarelo = rural ou urbano de baixa densidade


Porque as ilhas de calor são importantes

Estudar ilhas de calor é importante para a saúde e qualidade de vida dos moradores da cidade. Estudos têm demonstrado que o calor extremo pode ser particularmente perigoso para a saúde das populações vulneráveis. Um estudo recente em Nova York vinculou o calor extremo ao aumento da incidência de mortalidade em populações idosas. As ilhas de calor não são apenas uma questão de saúde, elas são também uma questão de desigualdade. O mesmo estudo em Nova York descobriu que doenças e mortalidade relacionadas com o calor em populações de idosos são mais elevadas nas áreas mais pobres. Enquanto um estudo como este ainda não tenha ocorrido no Rio de Janeiro, é visível que há uma distribuição desigual de temperaturas agradáveis ​​dentro da cidade. Em geral, as áreas mais ricas da Zona Sul e Barra da Tijuca experimentam as temperaturas menos intensas, enquanto bairros e favelas mais pobres e periféricas da cidade lidam com o calor intenso. Doenças comuns relacionadas com ilhas de calor incluem golpe de calor, exaustão pelo calor, síncope por calor e cãibras. A exposição a temperaturas elevadas pode ter implicações sérias para as pessoas com diabetes, doenças cardiovasculares e problemas de saúde cognitivas como depressão, doença de Parkinson ou demência. Estes problemas de saúde relacionados com as ilhas de calor podem ser agravados pelo acesso desigual por essas mesmas regiões aos serviços de saúde. Isto significa que ilhas de calor urbanas têm um efeito significativamente mais intenso sobre aqueles que têm menos recursos para combatê-las.

Soluções

Embora o calor intenso seja uma experiência regular para todos os cariocas no verão, há pouca discussão sobre as ilhas de calor urbanas e projetos que trabalham explicitamente para as combater. Em 2012, as autoridades da cidade prometeram plantar 34 milhões de árvores, a fim de mitigar as emissões de gases de efeito estufa dos Jogos Olímpicos. Essas árvores também poderiam fornecer um benefício adicional de mitigar ilhas de calor urbanas. Infelizmente, a promessa de plantar 34 milhões de árvores até dezembro de 2015 não foi cumprida. Uma pesquisa sugere que apenas 8,1 milhões destas árvores serão plantadas até os Jogos Olímpicos do próximo ano. Pesquisadores no Rio pediram um aumento na cobertura vegetal, bem como uma melhoria em materiais de construção, a fim de mitigar o calor extremo.

Além de aumentar a cobertura vegetal, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos recomenda três outras estratégias para as comunidades que procuram reduzir os efeitos ICU: pavimento frio solar reflexivo, que utiliza agregados reflexivos, aglutinantes refletores ou uma superfície de revestimento reflexivo; telhados frios que utilizam o branco ou revestimentos brancos para refletir a radiação solar; além de telhados verdes totalmente ou parcialmente cobertos com vegetação. Dada a heterogeneidade da paisagem urbana do Rio de Janeiro e a inovação que é característica dos cariocas, especialmente nas favelas, o potencial para a implementação dessas estratégias apresenta uma área interessante para a ação.


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Este artigo foi escrito por Lovinia Reynolds, e publicado em 01/12/2015.
Tradução por Mayã Furtado. em *Destaque, Entendendo o Rio, Pesquisa e Análise, por Observadores Internacionais, Soluções, Sustentabilidade

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Fonte: Rio OnWatch



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sábado, 19 de maio de 2018

FLORESTAS E AR CONDICIONADO? Florestas e sustentabilidade urbana para reduzir o crescimento de consumo de energia



COMENTÁRIO DE AXEL GRAEL:

A publicação alerta para uma dimensão interessante do problema da sustentabilidade no cotidiano e as projeções de aumento de demanda de energia em função do aquecimento global e a expectativa de aumento do acesso da população ao uso do ar condicionado para o seu conforto.

Cabem aqui algumas considerações para reduzir este aumento de demanda e para associar aspectos que as pessoas nem sempre associam devidamente - necessidade de refrigeração e clima urbano, ou seja, a necessidade de ar condicionado tem ligação com a presença de florestas urbanas e com um urbanismo mais sustentável. Vejamos:

TECNOLOGIA MAIS EFICIENTE: Como a publicação afirma, já contamos com tecnologia para melhorar muito a eficiência dos equipamentos de refrigeração:

A eficiência energética dos aparelhos de ar condicionado varia muito no mercado, de modo que os modelos vendidos no Japão e na União Europeia consomem cerca de 25% menos energia do que os vendidos nos Estados Unidos e na China, o que revela o potencial de torna-los mais eficientes.

Portanto, é preciso aumentar a exigência por tecnologias mais avançadas nos mercados defasados como é o caso do Brasil. Sugerimos aqui acessar o relatório recente da ONU sobre as emissões de carbono da construção civil.

GERAÇÃO DESCENTRALIZADA: é necessário adotar políticas mais atraentes para estimular a produção energética predial ou condominial, como é o caso da produção fotovoltaica (energia solar), que ainda avança lentamente no Brasil, em comparação a outros países. Equipamentos fotovoltaicos tem se tornado mais baratos e são ainda mais atraentes economicamente, quando o consumo é maior, pois isso favorece a taxa de retorno do investimento. A geração descentralizada tem mais uma grande vantagem, que é prescindir de extensas linhas de transmissão.

ARQUITETURA SUSTENTÁVEL: existem soluções de eficiência energética nas construções, com mais ventilação e iluminação natural, materiais mais eficientes etc. Há que se estimular telhados verdes e outras soluções que reduzem a necessidade de refrigeração dos prédios.

A Prefeitura de Niterói prepara-se para encaminhar uma legislação à Câmara Municipal com o objetivo de atender aos itens acima.

ILHAS DE CALOR: o planejamento urbano deve priorizar soluções de prevenção e reversão de Ilhas de Calor. Neste sentido, o Plano Diretor de Niterói, que está sendo ora revisado e encontra-se em fase de votação do Legislativo Municipal, trás um segmento para privilegiar soluções urbanísticas com este objetivo.

NITERÓI MAIS VERDE: as áreas verdes e a arborização urbana cumprem um papel fundamental de amenização climática. Em 2014, o prefeito Rodrigo Neves assinou o Decreto 11.744 instituindo o programa Niterói Mais Verde, aumentando o número de áreas protegidas na cidade que passaram a ultrapassar 50% do território do município. Os trabalhos de ampliação da arborização urbana e reflorestamento das encostas em Niterói ganhou destaque internacional em publicação da FAO.

Axel Grael
Secretário Executivo
Prefeitura de Niterói



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Ar condicionado deve triplicar a demanda por energia até 2050




Melhorar a eficiência dos aparelhos é a única forma de controlar o consumo de energia e, de quebra, reduzir a emissão de gases de efeito estufa

À medida que as cidades se tornam mais populosas e a renda aumenta, especialmente em cidades mais quentes de países emergentes, o consumo de aparelhos de ar condicionado, e consequentemente de energia, evolui a uma velocidade assustadora – podendo elevar perigosamente a concentração de gases de efeito estufa, revelou uma nova análise da Agência Internacional de Energia (IEA) publicada nesta terça-feira (15). Até 2050, o consumo de energia a partir de modelos de ar condicionado deve triplicar, assim como a quantidade de aparelhos, que deve passar de 1,6 bilhões para 5,6 bilhões, ou 10 novos aparelhos vendidos a cada segundo pelos próximos 30 anos, revelou o estudo intitulado “O futuro do resfriamento”.

A eficiência energética dos aparelhos de ar condicionado varia muito no mercado, de modo que os modelos vendidos no Japão e na União Europeia consomem cerca de 25% menos energia do que os vendidos nos Estados Unidos e na China, o que revela o potencial de torna-los mais eficientes. O relatório da IEA destaca não só a necessidade de estabelecer padrões mínimos globais de desempenho energético para ar condicionado bem abaixo dos modelos de boa parte da indústria, como os benefícios financeiros desses ajustes: uma economia de US$ 2,9 trilhões em investimentos, combustíveis e custos operacionais.

“É o mesmo que dizer que o ar condicionado tende a se tornar um dos principais itens da demanda global por eletricidade”, disse o diretor-executivo da IEA, Fatih Birol, reforçando que os sistemas de refrigeração podem se colocar como mais uma força poderosa e contrária às metas que estabelecemos com o acordo climático de Paris. “Teremos de construir novas usinas e aumentar as emissões de gases de efeito estufa, caso a eficiência energética de resfriamento fique aquém do que planejamos, o que será um grave problema para o planeta”, afirmou. Atualmente, cerca de um quinto do consumo de eletricidade em edifícios está ligada ao uso do ar condicionado e ventiladores, revela o relatório. Em 2050, porém, os aparelhos de resfriamento estarão no topo do ranking de consumo de energia, à frente de chuveiros, eletrodomésticos e demais eletrônicos.

Mesmo que os gases utilizados atualmente em refrigeração, como os hidrofluorcarbonos (HFCs), substitutos dos CFCs, tenham se mostrado inofensivos para a camada de ozônio, eles contribuem bastante para o aquecimento global. O HFC-23, por exemplo, é 11.700 vezes mais potente que o gás carbônico para aquecer o planeta, embora seu tempo de vida seja mais curto e sua presença na atmosfera bem menor.

Um dos maiores estudos sobre o tema publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences no ano passado revela que, em 2040, o aumento do uso de ar-condicionado em regiões de clima quente resultará em uma elevação de 64% no consumo de energia elétrica e um acréscimo anual de 23,1 milhões de toneladas de dióxido de carbono.

Em países como os Estados Unidos e o Japão, mais de 90% dos domicílios têm ar condicionado atualmente, ao passo que apenas 8% dos 2,8 bilhões de pessoas que vivem nas partes mais quentes do mundo o possui. Na Índia, um país quente com alta taxa de crescimento, o consumo de aparelhos de ar condicionado pode exigir grandes investimentos em usinas poluentes. “É preciso ajustar a indústria antes que que o consumo exploda”, diz Birol. (OC)

Saiba mais sobre o tema no artigo “Por que o seu ar condicionado resfria o ar – mas esquenta a atmosfera“, de Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima, e Ricardo Baitelo, coordenador de Clima e Energia do Greenpeace.





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Ilhas de Calor Urbano



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FAO: Niterói é destaque em publicação sobre ambiente
No dia das florestas, ONU celebra criação e proteção de áreas verdes em Niterói
NITERÓI MAIS VERDE: FAO lança publicação que inclui Niterói como um exemplo de política para florestas urbanas

Reflorestamento

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segunda-feira, 14 de maio de 2018

Madri calcula o retorno dos seus parques urbanos para a economia





Madrid ahorra millones gracias a su bosque urbano

Los beneficios se cuantifican por la absorción de la contaminación, la emisión de oxígeno, la reducción del gasto sanitario, la disminución de la erosión y el menor consumo energético. El ecosistema natural de las ciudades está compuesto por los árboles, arbustos, el suelo, el aire, el agua y la fauna que interactúan con los habitantes y visitantes.

El Ayuntamiento realiza una gestión del Bosque Urbano que pretende mejorar la salud humana y la calidad ambiental. Madrid, con sus 5,7 millones de árboles, es la cuarta ciudad más arbolada del mundo, según el modelo I-Tree Eco y después de Toronto, Atlanta y Londres. Respecto a la cobertura arbórea, Madrid es la tercera con el 26 por ciento. El primer puesto corresponde a Atlanta con el 36,8 por ciento y el segundo a Washington con el 28,6 por ciento.




Los árboles de las infraestructuras verdes gestionadas por el Ayuntamiento de Madrid aportan un beneficio ambiental y económico que asciende a 7,9 millones de euros al año, según un estudio realizado por el Área de Gobierno de Medio Ambiente y Movilidad para conocer los efectos del bosque urbano sobre la calidad del aire, la reducción de la contaminación y la salud ciudadana.

Esta cifra aumenta hasta los 25,7 millones de euros si se añaden las infraestructuras privadas o gestionadas por otras administraciones públicas como los parques botánicos, zoológicos, instalaciones deportivas, viveros, huertos urbanos, parques forestales, edificios verdes, embajadas, universidades, cementerios y la vegetación espontánea que crece en solares no urbanizados.

En la ciudad de Madrid existe un bosque formado por millones de árboles, arbustos y herbáceas que forman un ecosistema que interacciona con sus habitantes y que incluye a los animales, el suelo, el aire o el río Manzanares y otras láminas de agua. Este nuevo concepto denominado Bosque Urbano cambia la idea que se tenía del parque tradicional centrada sólo en sus funciones estéticas o lúdicas.

"En la ciudad de Madrid existe un bosque formado por millones de árboles, arbustos y herbáceas que forman un ecosistema que interacciona con sus habitantes y que incluye a los animales, el suelo, el aire o el río Manzanares y otras láminas de agua".

El Ayuntamiento cuenta con un inventario detallado de todas las zonas verdes, los árboles, arbustos y praderas de titularidad municipal. Este listado, recogido en un Sistema de Información Geográfica (SIG) que se actualiza permanentemente, ha sido tratado con la herramienta i-Tree Eco para conocer el valor del Bosque Urbano. Se trata de un programa informático desarrollado por el Servicio Forestal de Estados Unidos que está siendo ampliamente utilizado en las principales ciudades de todo el mundo.

El estudio ha analizado diferentes valores como la cantidad de contaminación captada por los árboles; su efecto como sumidero de carbono; el ahorro en infraestructuras de canalización y evacuación de aguas pluviales gracias a la retención de la lluvia por parte de la vegetación; el consumo eficiente de energía en edificios; la producción de oxígeno que mejora la calidad del aire que respiramos y el ahorro en gasto sanitario por las incidencias médicas evitadas.

Entre los beneficios que se pueden cuantificar económicamente destaca la captación por parte del Bosque Urbano de 673 toneladas de contaminación con un ahorro de 5,5 millones de euros al año; el almacenaje de 470.789 toneladas de carbono y la producción de 77.802 toneladas de oxígeno. La vegetación evita anualmente la escorrentía de 814.791 metros cúbicos de aguas pluviales y un gasto de 1,7 millones de euros en obras de mantenimiento. Respecto a la salud, la disminución de incidencias médicas economiza anualmente 14,8 millones de euros a las arcas públicas.


Gestión del bosque



El conocimiento del valor del Bosque Urbano servirá para promover una gestión que mejore la salud humana y la calidad ambiental, así como la reducción del consumo energético o en infraestructuras de saneamiento de aguas pluviales. En este sentido, el Ayuntamiento de Madrid acaba de redactar el Plan de Calidad del Aire y Cambio Climático y está elaborando el Plan Estratégico de Zonas Verdes, Arbolado y Biodiversidad.

El Área de Medio Ambiente y Movilidad gestionará el Bosque Urbano para utilizar aquellas especies que absorben más contaminación. El tratamiento de los árboles está enfocado a conseguir ejemplares de mayor tamaño con un incremento del volumen de su copa.
Censo de zonas verdes

El estudio ha calculado la existencia de 5,7 millones de árboles, con 506 especies diferentes, de los cuales 3,7 millones están situados dentro del casco urbano y pertenecen tanto al arbolado viario como a zonas verdes municipales y privadas. Los dos millones restantes forman parte de espacios forestales incluidos en el término municipal. Entre ellos destacan el Monte del Pardo, con 16.000 hectáreas gestionadas por Patrimonio Nacional, y la finca privada Soto de Viñuelas con 3.000 hectáreas.

De los ejemplares ubicados en la ciudad, el Ayuntamiento de Madrid se encarga directamente del mantenimiento de 1.740.000 árboles repartidos en calles y zonas verdes. La mitad de las calles, unas 5.000, están arboladas con unos 230.000 ejemplares mientras que el resto de árboles está plantado en 6.000 hectáreas de parques y jardines, de las que 1.600 hectáreas son de céspedes y praderas naturales.

El número de árboles que componen el bosque urbano es un dato importante pero la diversidad de especies, la calidad de los ejemplares y la cobertura arbórea que aportan son datos más relevantes para determinar la calidad del bosque urbano. Los mayores beneficios los aportan el pino piñonero y la encina, dado que representan entre el 43,8 % de la población y el 46,9 % del área foliar de los árboles estudiados. Hay que destacar que ambas especies son de hoja perenne, aportando un alto rendimiento durante todo el año, tanto en captación de contaminantes como en la retención de agua de lluvia.

Respecto a la captación de contaminación, el pino piñonero se encuentra en primer lugar con 53 toneladas/año seguido del plátano de sombra con 27 toneladas/año, que supera a la tercera especie en importancia (la encina con 20 toneladas) aun teniendo un menor número de árboles.

Salud

La contaminación del aire incide directamente en la salud de los residentes y visitantes de las grandes ciudades. Está comprobado que niveles altos de contaminación atmosférica generan la aparición de distintas patologías y enfermedades, especialmente de tipo cardiovascular y pulmonar.

El asma y los problemas respiratorios agudos son las patologías médicas más numerosas de las evitadas por la captación de contaminantes debidas al Bosque Urbano madrileño. Tiene especial relevancia, en términos de beneficio económico para el Sistema de Salud, la captación de partículas menores de 2,5 micras por los árboles de la ciudad y la captación de ozono. Se ha estimado que anualmente se han evitado 3.676 casos de asma y 4.089 síntomas respiratorios agudos en la ciudad de Madrid.


Fauna



El valor de la biodiversidad de Madrid también está garantizada por la variedad de fauna que vive en la ciudad y alrededores. A escasos 10 kilómetros a vuelo de pájaro de la Puerta del Sol viven y anidan varias parejas de especies en peligro de extinción, como el águila imperial ibérica, y vulnerables como la cigüeña negra o el buitre negro.

El paso de migraciones frecuentes de aves, en su ruta del norte de Europa – África, hace que se hayan identificado en el interior de la zona urbana de Madrid más de 200 especies distintas de aves y mamíferos. A estos animales hay que sumar los peces, reptiles, anfibios e insectos, entre los que hay catalogadas más de 44 especies de mariposas, que conforman la fauna del Bosque Urbano de Madrid.

Madrid, con sus 5,7 millones de árboles, es la cuarta ciudad más arbolada del mundo, según el modelo I-Tree Eco. Esta clasificación la encabeza Toronto (Canadá) con 10,2 millones de árboles, seguida de Atlanta (Estados Unidos) con 9,4 millones y Londres (Reino Unido) con 8,4 millones. Nueva York se encuentra un puesto por debajo de Madrid con 5,2 millones de árboles.

Respecto a la cobertura arbórea, el primer puesto corresponde a Atlanta con el 36,8 por ciento y el segundo a Washington (Estados Unidos) con el 28,6 por ciento. Madrid es la tercera con el 26 por ciento, mientras que Nueva York baja al séptimo lugar con un 20,9 por ciento./

Encuentra la noticia completa en el siguiente enlace: https://bit.ly/2FObKP0

Por: ECOticias.com / Red / Agencias
Fonte: ECOticias











quarta-feira, 28 de março de 2018

No dia das florestas, ONU celebra criação e proteção de áreas verdes em Niterói



Morro da Boa Vista em Niterói, antes de iniciativa de reflorestamento. Foto: Companhia de Limpeza Urbana

Morro da Boa Vista em Niterói, depois de iniciativa de reflorestamento. Foto: Companhia de Limpeza Urbana


Em publicação lançada para celebrar o Dia Internacional das Florestas e da Árvore, observado em 21 de março, a FAO lembra que, em 2014, a cidade criou 2.657 hectares de áreas protegidas. Zonas públicas de vegetação já ocupam 7.495 hectares. Atualmente, 45,9% do território municipal está sob proteção legal.

Em publicação lançada para celebrar o Dia Internacional das Florestas e da Árvore, observado em 21 de março, a FAO elogia os esforços de conservação do município de Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Agência das Nações Unidas lembra que, em 2014, a cidade criou 2.657 hectares de áreas protegidas. Zonas públicas de vegetação já ocupam 7.495 hectares. Atualmente, 45,9% do território municipal está sob proteção legal.

A FAO estima que em média, para cada niteroiense, existem 123,2 metros quadrados de florestas. A cidade tem cerca de 500 mil habitantes. De acordo com o organismo da ONU, trata-se provavelmente da maior proporção de zonas protegidas per capita em todas as regiões metropolitanas do Brasil.

A agência das Nações Unidas lembra que os esforços para ampliar e preservar a cobertura vegetal em Niterói aumentaram com a adoção do plano Niterói que Queremos, uma estratégia de desenvolvimento adotada em 2014 e com metas a serem cumpridas até 2033. Um dos objetivos era a criação de parques e outras áreas protegidas em 50% da área da cidade. O marco municipal foi fruto de um processo de consulta que teve a participação de 10 mil cidadãos em 2013.

Os avanços do município contrastam com o contexto estadual. Quando considerada a região metropolitana da capital, o Rio de Janeiro, da qual Niterói faz parte, a média de zonas verdes protegidas chega a apenas 16,5% do território.

Cidades precisam das florestas

Niterói é um dos exemplos analisados na publicação Florestas e cidades sustentáveis: histórias inspiradoras de todo o mundo, divulgada neste mês pela FAO. Para a agência da ONU, a criação de bosques e zonas verdes, bem como o plantio de árvores em regiões urbanas e no seu entorno trazem benefícios diversos — como o armazenamento de carbono, a redução da poluição do ar, a restauração de solos degradados e a prevenção de enchentes e secas.

Segundo estimativas do organismo internacional, em uma cidade de tamanho médio, árvores podem reduzir a perda de solo em cerca de 10 mil toneladas por ano.

A vegetação também pode conter elevações extremas de temperatura e mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Quando plantadas adequadamente em volta de edifícios, árvores podem reduzir o uso de ar condicionado em 30%. Em regiões com clima mais frio, elas protegem residências do vento, contribuindo para economias de energia de 20 a 50% com aquecimento.

Em Lima, no Peru, o reflorestamento foi usado como estratégia para prevenir deslizamentos de terra. Desde 2015, um projeto plantou 3,5 mil árvores nativas em 14 hectares da capital, transformados em um parque com mirantes, trilhas e espaços de lazer.

Até 2050, quase 70% da população mundial viverá em centros urbanos. Embora as cidades ocupem apenas 3% da superfície do planeta, elas consomem 78% de toda a energia produzida no mundo e emitem 60% de todo o gás carbônico liberado na atmosfera.

Acesse a publicação na íntegra clicando aqui.

Fonte: Nações Unidas no Brasil




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sexta-feira, 9 de março de 2018

ILHAS DE CALOR: Impacto de superfícies escuras no calor urbano



New York City has painted about 7 million square feet of tar rooftops white to lower temperatures. NASA


Urban Heat: Can White Roofs Help Cool World’s Warming Cities?

It has long been known that installing white roofs helps reduce heat buildup in cities. But new research indicates that making surfaces more light-reflecting can have a significant impact on lowering extreme temperatures – not just in cities, but in rural areas as well.

By Fred Pearce


Summers in the city can be extremely hot — several degrees hotter than in the surrounding countryside. But recent research indicates that it may not have to be that way. The systematic replacement of dark surfaces with white could lower heat wave maximum temperatures by 2 degrees Celsius or more. And with climate change and continued urbanization set to intensify “urban heat islands,” the case for such aggressive local geoengineering to maintain our cool grows.

The meteorological phenomenon of the urban heat island has been well known since giant cities began to emerge in the 19th century. The materials that comprise most city buildings and roads reflect much less solar radiation – and absorb more – than the vegetation they have replaced. They radiate some of that energy in the form of heat into the surrounding air.

The darker the surface, the more the heating. Fresh asphalt reflects only 4 percent of sunlight compared to as much as 25 percent for natural grassland and up to 90 percent for a white surface such as fresh snow.

Most of the roughly 2 percent of the earth’s land surface covered in urban development suffers from some level of urban heating. New York City averages 1-3 degrees C warmer than the surrounding countryside, according to the U.S. Environmental Protection Agency – and as much as 12 degrees warmer during some evenings. The effect is so pervasive that some climate skeptics have seriously claimed that global warming is merely an illusion created by thousands of once-rural meteorological stations becoming surrounded by urban development.

Climate change researchers adjust for such measurement bias, so that claim does not stand up. Nonetheless, the effect is real and pervasive. So, argues a recent study published in the journal Nature Geoscience, if dark heat-absorbing surfaces are warming our cities, why not negate the effect by installing white roofs and other light-colored surfaces to reflect back the sun’s rays?

"Lighter land surfaces “could help to lower extreme temperatures by up to 2 or 3 degrees Celsius,” says one researcher".


During summer heat waves, when the sun beats down from unclouded skies, the creation of lighter land surfaces “could help to lower extreme temperatures… by up to 2 or 3 degrees Celsius” in much of Europe, North America, and Asia, says Sonia Seneviratne, who studies land-climate dynamics at the Swiss Federal Institute of Technology (ETH) in Zurich, and is co-author of the new study. It could save lives, she argues, and the hotter it becomes, the stronger the effect.

Seneviratne is not alone in making the case for boosting reflectivity. There are many small-scale initiatives in cities to make roof surfaces more reflective. New York, for instance, introduced rules on white roofs into its building codes as long ago as 2012. Volunteers have taken white paint to nearly 7 million square feet of tar roofs in the city, though that is still only about 1 percent of the potential roof area.

Chicago is trying something similar, and last year Los Angeles began a program to paint asphalt road surfaces with light gray paint. Outside the United States, cool-roof initiatives in cities such as Melbourne, Australia are largely limited to encouraging owners to cool individual buildings for the benefit of their occupants, rather than trying to cool cities or neighborhoods.

The evidence of such small-scale programs remains anecdotal. But now studies around the world are accumulating evidence that the benefits of turning those 1 percents into 100 percents could be transformative and could save many lives every year.

Keith Oleson of the National Center for Atmospheric Research in Boulder, Colorado looked at what might happen if every roof in large cities around the world were painted white, raising their reflectivity — known to climate scientists as albedo — from a typical 32 percent today to 90 percent. He found that it would decrease the urban heat island effect by a third — enough to reduce the maximum daytime temperatures by an average of 0.6 degrees C, and more in hot sunny regions such as the Arabian Peninsula and Brazil.


White test plots on the roof of the Museum of Modern Art in Queens, New York, measured 40 degrees Fahrenheit cooler than those painted black throughout the summer of 2011. Gaffin et al.


Other studies suggest even greater benefits in the U.S. In a 2014 paper, Matei Georgescu of Arizona State University found that “cool roofs” could cut temperatures by up to 1.5 degrees C in California and 1.8 degrees in cities such as Washington, D.C.

But it may not just be urban areas that could benefit from a whitewashing. Seneviratne and her team proposed that farmers could cool rural areas, too, by altering farming methods. Different methods might work in different regions with different farming systems. And while the percentage changes in reflectivity that are possible might be less than in urban settings, if applied over large areas, she argues that they could have significant effects.

In Europe, grain fields are almost always plowed soon after harvesting, leaving a dark surface of soil to absorb the sun’s rays throughout the winter. But if the land remained unplowed, the lightly colored stubble left on the fields after harvesting would reflect about 30 percent of sunlight, compared to only 20 percent from a cleared field. It sounds like a relatively trivial difference, but over large areas of cropland could reduce temperatures in some rural areas on sunny days by as much as 2 degrees C, Seneviratne’s colleague Edouard Davin has calculated.

In North America, early plowing is much less common. But Peter Irvine, a climate and geoengineering researcher at Harvard University, has suggested that crops themselves could be chosen for their ability to reflect sunlight. For instance, in Europe, a grain like barley, which reflects 23 percent of sunlight, could be replaced by sugar beet, an economically comparable crop, which reflects 26 percent. Sometimes, farmers could simply choose more reflective varieties of their preferred crops.

Again, the difference sounds marginal. But since croplands cover more than 10 percent of the earth’s land surface, roughly five times more than urban areas, the potential may be considerable.

In North America, early plowing is much less common. But Peter Irvine, a climate and geoengineering researcher at Harvard University, has suggested that crops themselves could be chosen for their ability to reflect sunlight. For instance, in Europe, a grain like barley, which reflects 23 percent of sunlight, could be replaced by sugar beet, an economically comparable crop, which reflects 26 percent. Sometimes, farmers could simply choose more reflective varieties of their preferred crops.

Again, the difference sounds marginal. But since croplands cover more than 10 percent of the earth’s land surface, roughly five times more than urban areas, the potential may be considerable

Reducing local temperatures would limit evaporation, and so potentially could reduce rainfall downwind.

On the face of it, such initiatives make good sense as countries struggle to cope with the impacts of climate change. But there are concerns that if large parts of the world adopted such policies to relieve local heat waves, there could be noticeable and perhaps disagreeable impacts on temperature and rainfall in adjacent regions. Sometimes the engineers would only be returning reflectivity to the conditions before urbanization, but even so, it could end up looking like back-door geoengineering.

Proponents of local projects such as suppressing urban heat islands say they are only trying to reverse past impacts of inadvertent geoengineering through urbanization and the spread of croplands. Moreover, they argue that local engineering will have only local effects. “If all French farmers were to stop plowing up their fields in summer, the impact on temperatures in Germany would be negligible,” Seneviratne says.

“Local radiative management differs from global geoengineering in that it does not aim at effecting global temperatures [and] global effects would be negligible,” she says. It is “a measure of adaptation.”

But things might not always be quite so simple. Reducing local temperatures would, for instance, limit evaporation, and so potentially could reduce rainfall downwind. A modeling study by Irvine found that messing with the reflectivity of larger areas such as deserts could cause a “large reduction in the intensity of the Indian and African monsoons in particular.” But the same study concluded that changing albedo in cities or on farmland would be unlikely to have significant wider effects.


Los Angeles has coated several streets in a light gray paint to reduce road-top temperatures by as much as 10 degrees Fahrenheit. City of Los Angeles Bureau of Street Services

What is clear is that tackling urban heat islands by increasing reflectivity would not be enough to ward off climate change. Oleson found that even if every city building roof and stretch of urban pavement in the world were painted white, it would only delay global warming by 11 years. But its potential value in ameliorating the most severe consequences of excess heat in cities could be life-saving.

The urban heat island can be a killer. Counter-intuitively, the biggest effects are often at night. Vulnerable people such as the old who are stressed by heat during the day badly need the chance to cool down at night. Without that chance, they can succumb to heat stroke and dehydration. New research published this week underlines that temperature peaks can cause a spike in heart attacks. This appears to be what happened during the great European heat wave of 2003, during which some 70,000 people died, mostly in homes without air conditioning. Doctors said the killer was not so much the 40-degree C daytime temperatures (104 degrees F), but the fact that nights stayed at or above 30 degrees (86 degrees F).

Such urban nightmares are likely to happen ever more frequently in the future, both because of the expansion of urban areas and because of climate change.

Predicted urban expansion in the U.S. this century “can be expected to raise near-surface temperatures 1-2 degrees C… over large regional swathes of the country,” according to Georgescu’s 2014 paper. Similar threats face other fast-urbanizing parts of the world, including China, India, and Africa, which is expected to increase its urban land area six-fold from 1970 to 2030, “potentially exposing highly vulnerable populations to land use-driven climate change.”

Several studies suggest that climate change could itself crank up the urban heat island effect. Richard Betts at Britain’s Met Office Hadley Centre forecasts that it will increase the difference between urban and rural temperatures by up to 30 percent in some places, notable in the Middle East and South Asia, where deaths during heat waves are already widespread.

A combination of rising temperatures and high humidity is already predicted to make parts of the Persian Gulf region the first in the world to become uninhabitable due to climate change. And a study published in February predicted temperatures as much as 10 degrees C hotter in most European cities by century’s end.

No wonder the calls to cool cities are growing.

"A city-wide array of solar panels could reduce summer maximum temperatures in some cities by up to 1 degree C".

Another option is not to whitewash roofs, but to green them with foliage. This is already being adopted in many cities. In 2016, San Francisco became the first American city to make green roofs compulsory on some new buildings. New York last year announced a $100-million program for cooling neighborhoods with trees. So which is better, a white roof or a “green” roof?

Evidence here is fragmentary. But Georgescu found a bigger direct cooling effect from white roofs. Vincenzo Costanzo, now of the University of Reading in England, has reached a similar conclusion for Italian cities. But green roofs may have other benefits. A study in Adelaide, Australia, found that besides delivering cooling in summer, they also act as an insulating layer to keep buildings warmer in winter.

There is a third option competing for roof space to take the heat out of cities — covering them in photovoltaic cells. PV cells are dark, and so do not reflect much solar radiation into space. But that is because their business is to capture that energy and convert it into low-carbon electricity.

Solar panels “cool daytime temperatures in a way similar to increasing albedo via white roofs,” according to a study by scientists at the University of New South Wales. The research, published in the journal Scientific Reports last year, found that in a city like Sydney, Australia, a city-wide array of solar panels could reduce summer maximum temperatures by up to 1 degree C.

That is the theory, but there are concerns about whether it will always work in practice. Studies into the impact on local temperatures of large solar farms in deserts have produced some contradictory findings. For while they prevent solar rays from reaching the desert surface, they also act as an insulating blanket at night, preventing the desert sands from losing heat. The net warming effect has been dubbed a “solar heat island.”

The lesson then is that light, reflective surfaces can have a dramatic impact in cooling the surrounding air – in cities, but in the countryside too. Whitewashed walls, arrays of photovoltaic cells, and stubble-filled fields can all provide local relief during the sweltering decades ahead. But policymakers beware. It doesn’t always work like that. There can be unintended consequences, both on temperature and other aspects of climate, like rainfall. Even local geoengineering needs to be handled with care.