sábado, 7 de março de 2026
Brasil bate recorde de intoxicações por agrotóxicos em 2025
Em 2025, 27 pessoas se intoxicaram diariamente por agrotóxicos no país, mostra um levantamento da Repórter Brasil com base em dados do Ministério da Saúde. Foram 9.729 casos registrados, com alta de 84% sobre 2015, ano de início da série histórica, e um recorde.
As principais vítimas das intoxicações não intencionais – o que exclui episódios em que a contaminação foi deliberada – são homens de 20 a 39 anos (70%). Nesse grupo, 54% dos acidentes aconteceram no trabalho, e 80% estão relacionados ao uso de agrotóxico no meio agrícola. Desde 2015, o país soma 73.391 intoxicações por agrotóxicos, mostra o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).
O estado campeão em intoxicação por agrotóxicos foi o Espírito Santo, com 10% dos casos registrados em 2025. Em seguida vem Tocantins, Rondônia, Acre e Roraima, todos da região Norte, mostrando os resultados nefastos da expansão do agronegócio na região.
Para especialistas, o aumento das intoxicações está diretamente ligado à ampliação da oferta e do consumo de pesticidas. O Brasil bateu recordes de aprovação e comercialização desses produtos. Apenas em 2025, foram 914 novos registros, um aumento de 38% sobre 2024. Já as vendas chegaram a 826 mil toneladas em 2024, crescimento de 9,3% em comparação a 2023, mostra o IBAMA.
“Com mais agrotóxicos disponíveis, há uma tendência de que o preço caia, fazendo com que o consumo aumente. Se o consumo aumentar, a população vai estar mais exposta”, afirma Loredany Rodrigues, professora de economia aplicada da Universidade Federal de Viçosa (UFV).
A nova Lei de Agrotóxicos, sancionada em 2024, agrava o cenário e representa um retrocesso regulatório, reforçam os especialistas. “Já faz tempo que as intoxicações por agrotóxicos não deveriam ser mais vistas como casos isolados, mas como um problema de saúde pública”, afirma Fernanda Savicki, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
A geógrafa e especialista em agrotóxicos Larissa Bombardi lembra que enquanto muitos químicos estão proibidos ou com uso restrito na União Europeia, eles ainda são largamente usados – por empresas europeias – no Brasil. É o que Larissa chama de “colonialismo químico”, explica o Outras Palavras.
“A população rural no Brasil está cronicamente exposta a substâncias que são cancerígenas ou que provocam desregulação hormonal”, ressalta a geógrafa no Brasil de Fato. “Por estudos que temos, já sabemos que as áreas em que mais se utiliza agrotóxico são aquelas em que há maior prevalência de câncer.”
Em nota enviada à Repórter Brasil, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) relaciona o avanço das intoxicações ao peso econômico e político do agronegócio. Fato que, segundo a pasta, tem favorecido a adoção de medidas de interesse do setor.
ICL Notícias e Racismo Ambiental também repercutiram o assunto.
Em tempo: A gigante química alemã Bayer chegou a um acordo de US$ 7,25 bilhões (R$ 37 bilhões) com autores de ações judiciais para encerrar dezenas de milhares de processos que alegam que o herbicida Roundup causou linfoma não Hodgkin. As alegações são de que a Bayer falhou ao não alertar nos rótulos do produto sobre os supostos riscos carcinogênicos representados pelo glifosato. Segundo O Globo e UOL, o acordo foi submetido a um tribunal do Missouri, nos Estados Unidos, e visa resolver reivindicações atuais e futuras, criando um fundo financiado ao longo de até 21 anos.
Fonte: ClimaInfo
sexta-feira, 12 de dezembro de 2025
Ministério da Agricultura tenta remover menção a agrotóxicos do Plano Clima
Ruralistas alegam que questões ligadas à produção de commodities, como uso de agrotóxicos e desmatamento, geram impacto reputacional.O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) pediu a retirada da menção de problemas ligados à produção de commodities do Plano Clima, mostra uma investigação da Repórter Brasil. O MAPA afirma que a agropecuária é retratada no plano como “atividade próxima a práticas ilícitas”.
Os ruralistas pedem a supressão ou reescrita de ao menos oito trechos. Entre eles estão a menção ao uso extensivo de agrotóxicos; o impacto do desmatamento e conflitos com comunidades tradicionais; a crítica a sistemas alimentares hegemônicos; e a produção de ultraprocessados.
Além do ministério, a solicitação é feita pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e pelo Instituto Pensar Agro (IPA). Este último, em especial, é financiado por entidades como a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) e a CropLife, organização que representa multinacionais fabricantes de agrotóxicos, informa o Instituto Humanitas Unisinos.
Para o MAPA, o texto do Plano Clima é “impreciso, não agrega” e leva a “conclusões de grave impacto reputacional”. No entanto, estudos científicos mostram o papel ímpar dos sistemas alimentares na crise climática. Segundo o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima, a agropecuária respondeu por 70% das emissões brasileiras em 2024.
Dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) também mostram que o Brasil foi o maior consumidor de agrotóxicos em 2023. Foram 801 mil toneladas aplicadas na agricultura – 86% mais do que os Estados Unidos, o 2º colocado.
O governo não informou se as sugestões do MAPA foram incorporadas. Porém, reforçou que a elaboração dos 16 eixos temáticos do capítulo de adaptação do Plano Clima está sob responsabilidade dos ministérios “pertinentes a cada tema, cabendo a cada um deles acolher, total ou parcialmente, as sugestões advindas da sociedade e de colaborações interministeriais”.
Não é a primeira vez que a pasta comandada por Carlos Fávaro interfere no Plano Clima – que, vale lembrar, ajudou a elaborar. Por causa do MAPA, o governo não conseguiu anunciar o plano na COP30, como pretendia.
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) chegou a acomodar a demanda do setor para retirar da conta emissões de desmatamento de propriedades rurais. Ainda sim, integrantes do MAPA afirmaram haver uma orientação para que o tema fosse tratado apenas depois da conferência do clima de Belém.
“Um plano mais recuado significa não efetividade. A gente não tem tempo para respostas frágeis diante do colapso climático”, avalia Inês Rugani, coordenadora do Observatório Brasileiro de Conflitos de Interesse em Alimentação e Nutrição (ObservaCOI).
Fonte: ClimaInfo
domingo, 7 de dezembro de 2025
FORÇAS DO ATRASO AGORA DEFENDEM ESPÉCIES INVASORAS: mais um ataque à política ambiental
Já dizia o Barão de Itararé: "De onde menos se espera, daí que não sai nada". É o que estamos vendo mais uma vez.
Mais um ataque das forças do atraso contra o meio ambiente e o bom senso. Após o desmonte do Licenciamento Ambiental, o ataque ao sistema de rastreabilidade do uso de agrotóxicos, agora os negacionistas ambientais atacam uma iniciativa do Ministério do Meio Ambiente de controlar os danos causados pelas espécies invasoras na nossa biodiversidade.
A Comissão de Agricultura, por solicitação do senador bolsonarista Jorge Leif (PL-SC), que compõe a Bancada Ruralista no Congresso Nacional, convocou a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, para explicar a resolução da Comissão Nacional da Biodiversidade para a instituição de listas nacionais de Espécies Exóticas Invasoras (EEIs). O senador argumenta que a iniciativa pode trazer prejuízos ao setor do agronegócio.
A reação vem exatamente quando o Brasil aprova a nova Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade. Ora, o que se pretende é evitar a extinção de espécies, o que pode acontecer com a competição de espécies que disputam os nichos ecológicos com as espécies nativas, sem ter predadores e inimigos naturais. Portanto, pretende-se evitar a introdução de espécies exóticas que possam representar riscos de se tornar pragas. Quem é de fato da agricultura sabe o que isso representa no país.
Será que o parlamentar e seus pares pensaram sobre os prejuízos à biodiversidade nacional (a maior e mais importante do mundo), à saúde humana, ao próprio setor agropecuário e à economia da entrada dessas espécies?
Veja aqui alguns exemplos:
LEUCENA: A invasão da espécie Leucena leucocephala que causa graves danos aos ecossistemas e à arborização urbana. Saiba mais em: LEUCENA: UMA ALIADA QUE SE TORNOU VILÃ
CAPIM-COLONIÃO: uma das maiores dores de cabeça para os projetos de reflorestamento na região do Rio de Janeiro e outras partes do país. A espécies faz jus ao próprio nome científico: Panicum maximum. Saiba mais em ICMBio combate o capim-colonião no Monumento Natural das Ilhas Cagarras e também QUEIMADAS: MITOS E VERDADES
CORAIS: Os corais brasileiros têm sido ameaçados por espécies invasoras. Veja em ICMBio preocupa-se com a invasão do coral-sol, espécie que ameaça o litoral brasileiro, também Corais brasileiros são ameaçados por espécie invasora originária do Oceano Pacífico e Cientistas encontram nova espécie invasora de coral na Baía da Ilha Grande
FAUNA: Também merece destaque a situação de espécies exóticas da fauna que causam grandes preocupações. É o caso do javali, no sul do país, de várias situações de peixes introduzidos em bacias hidrográficas e do caramujo-africano que ameaça a saúde das pessoas em várias partes do Brasil. Também cabe destaque o problema do mexilhão-zebra, originário da Ásia, que tornou-se uma praga em várias partes do mundo, inclusive no Brasil. A espécie prolifera-se trazida principalmente no casco de navios e na "água-de-lastro". Há um esforço mundial para o seu controle. Para saber mais, acesse a publicação "Espécies Exóticas Invasoras de Águas Continentais no Brasil", do Ministério do Meio Ambiente.
CASOS EM OUTROS PAÍSES: A história de uma bela árvore exótica que se tornou um pesadelo nos EUA.
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Marina Silva presta esclarecimentos sobre espécies invasoras no Senado
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, participará de audiência pública na Comissão de Agricultura (CRA) do Senado nesta quarta-feira (10). O objetivo é que a ministra explique a resolução da Comissão Nacional da Biodiversidade (Conabio) que propõe listas nacionais de Espécies Exóticas Invasoras (EEIs).
A convocação foi solicitada pelo senador Jorge Seif (PL-SC). Para o parlamentar, a classificação indiscriminada de espécies como invasoras traz consequências à agropecuária, o que pode afetar empregos e comprometer a segurança jurídica do setor produtivo.
"A minuta submetida à Conabio tem gerado ampla controvérsia técnica, institucional e econômica. A Nota Técnica 46/2025 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apontou fragilidades metodológicas, ausência de base científica robusta e falta de articulação entre os órgãos governamentais envolvidos."
| Oitiva está marcada para início às 14h.Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil |
Segundo Seif, os critérios de inclusão na lista devem ser esclarecidos por Marina Silva. Em requerimento anterior, a ministra havia sido convidada e faltou à oitiva, por isso foi convocada.
Espécies invasoras
A lista, divulgada em fevereiro, reúne 60 espécies de peixes, 36 de invertebrados, 19 de mamíferos e cinco de aves. O documento reúne animais que foram trazidas ao Brasil e se espalharam em degradação à biodiversidade local.
A principal preocupação dos parlamentares, como afirmou Seif, é a inclusão das espécies de tilápia, Oreochromis niloticus e Coptodon rendalli, utilizadas em aquicultura.
Também se destacam entre as espécies:
Mamíferos: roedores camundongo, Mus musculus, e a ratazana preta, Rattus rattus;
Aves: pardal, Passer domesticus.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2025
MAIS UMA DOS Srs DEPUTADOS: Câmara avança para derrubar rastreabilidade de agrotóxicos
| O deputado Pedro Lupion autor do PDL que pretende barrar a rastreabilidade de agrotóxicos. Foto: Renato Araújo / Câmara dos Deputados |
Karina Pinheiro
A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados aprovou na última semana, o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 312/25, que suspende a Portaria nº 805/2025, do Ministério da Agricultura e Pecuária. O texto, de autoria do deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), pretende barrar a política que exigiria o monitoramento completo do percurso dos pesticidas no Brasil, da produção e importação até o uso final. Segundo o relatório oficial, o objetivo é sustar “os efeitos da Portaria MAPA nº 805, de 9 de junho de 2025”, ato considerado irregular pelo colegiado.Ao justificar sua posição, o relator Rodolfo Nogueira (PL-MS) incorporou ao parecer trechos contundentes do voto apresentado à Comissão. Para ele, a portaria “extrapolou os limites do poder regulamentar, contrariando frontalmente os princípios da legalidade, razoabilidade, economicidade e participação social”.
Segundo o documento, a norma impõe “obrigações desmedidas, como o rastreamento em tempo real de caminhões e a identificação individualizada de embalagens de defensivos agrícolas”, além de determinar o uso compulsório do Sistema Brasil-ID, tecnologia baseada em radiofrequência (RFID) e considerada obsoleta desde 2018. “A imposição de tal sistema, sem base técnica ou normativa válida, torna-se manifestamente arbitrária e impraticável”, escreveu o relator.
A discussão evidencia um embate recorrente entre o avanço de políticas de controle e a resistência da bancada ruralista, que historicamente se opõe a regulamentações consideradas onerosas ao agronegócio.
Especialistas em saúde ambiental apontam que a ausência de rastreabilidade dificulta a investigação de surtos de intoxicação, o monitoramento de resíduos em alimentos e a fiscalização de produtos ilegais, que circulam com facilidade em regiões de fronteira.
O PDL segue agora para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Caso aprovado, será levado ao Plenário, onde poderá ser votado por todos os deputados.
Fonte: ((O))Eco
segunda-feira, 13 de janeiro de 2020
Estudo IBM: Consumidores pagarão em média 35% a mais por produtos sustentáveis e de procedência transparente em 2020
Recebi o comunicado da IBM (leia abaixo) com um interessante release sobre um estudo realizado pela empresa e que entrevistou 19.000 pessoas em 28 países, inclusive no Brasil. O objetivo foi avaliar o comportamento de consumidores que se mostraram preocupados com a confiabilidade ambiental e a rastreabilidade da origem sustentável de produtos que adquirem.
Os dados mostram a consolidação do comportamento do consumidor que dá preferência a estes produtos, mesmo admitindo pagar 35% a mais no valor da compra. Segundo os resultados do estudo "a disposição de pagar esse diferencial por marcas confiáveis é mais alta para os compradores da Geração Z", ou seja, os consumidores mais jovens. Portanto, seria uma tendência.
Enquanto o mundo caminha para a sustentabilidade, vemos os retrocessos ambientais nas políticas públicas do atual governo brasileiro, atribuindo uma reputação negativa ao produto nacional, diminuindo a competitividade das nossas exportações de commodities.
Ao estimular o desmatamento, as queimadas da Amazônia, ceder às pressões de setores atrasados do agronegócio e assumir o vexaminoso papel de vilão climático mundial, mercados se fecham para o Brasil, prejudicando a nossa economia.
Axel Grael
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Estudo IBM: Consumidores pagarão em média 35% a mais por produtos sustentáveis e de procedência transparente em 2020
Pesquisa feita em parceria com NRF revela que propósito e procedência vão gerar maiores lucros para bens de consumo este ano
NOVA YORK, NY, 10 de janeiro de 2020 - A IBM (NYSE: IBM) divulgou um novo estudo sobre tendências globais de consumo que revela que o propósito da marca supera o custo e a conveniência para os compradores de hoje. A pesquisa, desenvolvida em parceria com a National Retail Federation (NRF), entrevistou cerca de 19 mil consumidores de 28 países (incluindo o Brasil) em todos os grupos demográficos e gerações, com idades entre 18 e 73 anos, para entender melhor como as decisões de compra individuais estão evoluindo e ajudar as empresas de bens de consumo embalados (CPG, na sigla em inglês) a navegar em um cenário competitivo e de mudança no comércio.
Hoje, um terço de todos os consumidores deixará de comprar seus produtos preferidos se perderem a confiança e um terço já parou de comprar suas marcas favoritas de longa data em 2019. Os pesquisados estão priorizando empresas que são sustentáveis, transparentes e alinhadas com seus principais valores ao tomar decisões de compra. Eles estão dispostos a pagar mais e até mudar seus hábitos de consumo, pelas marcas que acertam nisso.
Ao mesmo tempo, os comportamentos mudaram drasticamente e os consumidores agora compram quando e onde for mais conveniente - geralmente enquanto fazem outra coisa. 7 em cada 10 pessoas compram em "micro-momentos" ou ao mesmo tempo que realizam suas tarefas diárias. Enquanto a compra por impulso eventualmente acontecia em um passado recente, agora é a norma atual, incluindo compras feitas em um dispositivo móvel enquanto está em uma loja física.
Com a proliferação de marcas e produtos à disposição dos compradores em qualquer lugar e a qualquer momento, os valores corporativos superam os custos e a conveniência dos produtos. Consumidores de todas as idades e rendas estão dispostos a pagar preços mais altos por produtos alinhados com seus valores pessoais.
- Em média, 70% desses compradores que valorizam o propósito pagam um valor adicional de 35% do custo inicial para compras sustentáveis, como produtos reciclados ou ecológicos.
- 57% deles estão dispostos a mudar seus hábitos de compra para ajudar a reduzir o impacto ambiental negativo.
- Além disso, hoje, 79% de todos os consumidores afirmam ser importante que as marcas forneçam autenticidade garantida, como certificações, ao comprar produtos. Dentro deste grupo, 71% estão dispostos a pagar um valor adicional - 37% a mais em média - para empresas que ofereçam total transparência ao produto.
O mercado moderno criou uma nova geração de clientes que trazem maiores demandas e desafios que os varejistas devem enfrentar em 2020. Os resultados do estudo revelam grandes mudanças nos comportamentos de compra dos consumidores, que exigem uma mudança fundamental na forma como os varejistas e as marcas de produtos de consumo criam afinidade com a marca.
Como custo e conveniência não são mais a principal força motriz dos varejistas, a IBM recomenda os seguintes métodos para recuperar a participação de mercado de maneiras novas e competitivas:
Ganhar a confiança dos consumidores por meio da transparência e rastreabilidade: com os "micro-momentos" em ascensão, as empresas precisam ir além da simples oferta de serviços convenientes ou mais rápidos para ganhar a confiança dos clientes. As marcas voltadas aos consumidores agora precisam se diferenciar, oferecendo acesso a informações detalhadas que anteriormente eram desnecessárias, como a forma como seus produtos são fabricados, a qualidade dos ingredientes, se eles são sustentáveis ou de origem ética, e em que condições.
A Terra Delyssa, produtora de azeite da Tunísia, é uma dessas marcas que já está incorporando rastreabilidade em seus dados e produtos. Na NRF, revelaremos que a Terra Delyssa está usando blockchain para criar um registro de proveniência que permite aos consumidores rastrear o azeite do varejista de volta à fazenda usando um código QR ou número de lote.
Avaliar a sustentabilidade por meio do impacto econômico: a redução do impacto ambiental agora vai além da embalagem reciclável ou da pegada de carbono. As marcas que atuam com um propósito também devem ajudar a construir uma economia circular e sustentável para as gerações futuras. Para preservar recursos e eliminar o desperdício no cenário atual do comércio, a sustentabilidade deve ser integrada e medida de ponta a ponta e em toda a cadeia de suprimentos para os fabricantes de bens de consumo embalados.
A IBM Sterling continua a expandir seu ecossistema de parceiros de negócios e desenvolvedores para fornecer aos varejistas inovação e experimentação direcionadas. Por meio das parcerias da IBM Sterling com Salesforce, Sapient e Project 44, a IBM está ajudando os clientes a resolver desafios complexos da cadeia de suprimentos, resultando em envolvimento contínuo do cliente e visibilidade total em toda a jornada do varejo - desde a criação e entrega do pedido, gerenciamento do ciclo de vida da remessa e otimização de retornos.
Agregar mais flexibilidade, e não mais produtos: à medida que as interações digitais continuam a influenciar a maneira como os consumidores compram, os varejistas precisam inovar na loja física para fornecer uma experiência consistente da marca em todos os canais. No entanto, o desafio para muitos varejistas é a capacidade de implementar e integrar rapidamente novos recursos com seus ambientes de tecnologias de lojas existentes para permitir que eles atendam continuamente às expectativas dos consumidores.
"Os compradores são cada vez menos incentivados por serviços como entrega no mesmo dia ou coleta gratuita na loja - ou influenciados por promoções e benefícios direcionados -, mas pagam preços mais alto por produtos alinhados com seus valores. Os resultados do estudo mostram que a disposição de pagar esse diferencial por marcas confiáveis é mais alta para os compradores da Geração Z. Portanto, os varejistas precisam ser proativos na avaliação e compreensão do que impulsiona os principais compradores atuais e futuros, além de aumentar as margens de seus negócios ", disse Mark Mathews, vice-presidente de desenvolvimento de pesquisa e análise da indústria da NRF.
Para ajudar os varejistas a gerenciar esses problemas e acelerar a inovação das lojas, a IBM anunciará durante a NRF 2020 o 'Store in the Cloud', um conjunto de recursos pré-integrados da IBM em colaboração com seu ecossistema de desenvolvedores que inclui Flooid (anteriormente PCMS), Opterus, RelevanC, Trax, entre outros.
Projetado para varejo e desenvolvido com as tecnologias híbridas abertas da IBM e da Red Hat, o Store in the Cloud é uma plataforma personalizável e econômica que utiliza os recursos de Inteligência Artificial e IoT. Isso permite que os varejistas estendam rapidamente experiências digitais para lojas físicas, forneçam interações personalizadas consistentes, melhorem a satisfação do cliente, capacitem os associados com aplicativos intuitivos, permitam que os consumidores comprem de qualquer maneira que escolherem e gerenciem melhor os custos da loja.
No evento NRF Big Show, que ocorrerá de 12 a 14 de janeiro de 2020, em Nova Iorque, a IBM demonstrará os novos recursos no estande (# 3521).
Mais informações sobre a IBM na NRF 2020 estão disponíveis no link: www.ibm.com/industries/retail-consumer-products
Sobre o IBM Institute for Business Value
O IBM Institute for Business Value (IBV) faz parte da unidade de Serviços IBM e desenvolve conhecimento estratégico factual para executivos de negócios seniores em questões críticas nos setores público e privado. Siga @IBMIBV no Twitter. Para ver um catálogo completo de nossa pesquisa ou se registrar para receber nosso newsletter, visite www.ibm.com/ibv
IBM
Vanessa Garcia Xavier
Telefone: 11 3027-0289/0280
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quarta-feira, 3 de julho de 2019
Lançado na Europa mapa do envenenamento de alimentos no Brasil
Em exposição crônica aos agrotóxicos, brasileiro corre mais risco de morte e desenvolvimento de doenças
Um ousado trabalho de geografia que mapeou o nível de envenenamento dos alimentos produzidos no Brasil foi lançado em maio, em Berlim, na Alemanha, país que contraditoriamente sedia as maiores empresas agroquímicas do mundo. Quem estava presente no lançamento do atlas Geografia do uso de agrotóxicos no Brasil e conexões com a União Europeia ficou perplexo com a informação sobre o elevado índice de resíduos agrotóxicos permitidos em alimentos, na água potável, e que, potencialmente, contamina o solo, provoca doenças e mata pessoas. A obra, que já foi publicada no Brasil, é de autoria da geógrafa Larissa Mies Bombardi, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.
O Brasil é campeão mundial no uso de pesticidas na agricultura, alternando a posição dependendo da ocasião apenas com os Estados Unidos. O feijão, a base da alimentação brasileira, tem um nível permitido de resíduo de malationa (inseticida) que é 400 vezes maior do que aquele permitido pela União Europeia; na água potável brasileira permite-se 5 mil vezes mais resíduo de glifosato (herbicida); na soja, 200 vezes mais resíduos de glifosato, de acordo com o estudo, que é rico em imagens, gráficos e infográficos. “E como se não bastasse o Brasil liderar este perverso ranking, tramita no Congresso nacional leis que flexibilizam as atuais regras para registro, produção, comercialização e utilização de agrotóxicos”, relata Larissa.
A pesquisadora explica que o lançamento do atlas na Europa se deu pelo fato de a Alemanha sediar a Bayer/Monsanto e a Basf, indústrias agroquímicas que respondem por cerca de 34% do mercado mundial de agrotóxicos. A Monsanto, recentemente incorporada ao grupo Bayer, é a líder mundial de vendas do glifosato, cujos subprodutos têm sido associados a inúmeras doenças, incluindo o câncer e o Alzheimer. “Queríamos promover discussão sobre a contradição de sediarem indústrias que controlam toda a cadeia alimentar agrícola – das sementes, agrotóxicos e fertilizantes – e serem rigorosos quanto ao uso de mais de um terço dos pesticidas que são permitidos no Brasil. Eles são corresponsáveis pelos problemas gerados à população porque vendem e exportam substâncias sabidamente perigosas, porém, proibidas em seu território”, diz.
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| Geógrafa Larissa Bombardi, autora da pesquisa que deu origem ao atlas da Geografia do uso de agrotóxicos no Brasil – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens |
Intoxicação e suicídios
Segundo a geógrafa, as perdas não se limitam à contaminação de alimentos e dos cursos d’água. O atlas traz informações de que, depois de extensa exposição aos agrotóxicos, ocorrem também casos de mortes e suicídios associados ao contato ou à ingestão dessas substâncias.
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| Atlas: Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia, de Larissa Mies Bombardi – Laboratório de Geografia Agrária da FFLCH – USP, São Paulo, 2017 |
Entre 2007 e 2014, o Ministério da Saúde teve cerca de 25 mil ocorrências de intoxicações por agrotóxicos. O atlas mapeia as regiões mais afetadas: dos Estados brasileiros, durante o período da pesquisa, o Paraná ficou em primeiro lugar, com mais de 3.700 casos de intoxicação. São Paulo e Minas Gerais ficaram na segunda colocação, com 2 mil. Das 3.723 intoxicações registradas no Paraná, 1.631 casos eram de tentativas de suicídio, ou seja, 40% do total. Em São Paulo e Minas gerais o porcentual foi o mesmo. No Ceará, houve 1.086 casos notificados, dos quais 861 correspondiam a tentativas de suicídio, cerca de 79,2%. Os mapas de faixa etária mostram que 20% da população afetada era composta de crianças e jovens com idade até 19 anos. Segundo Larissa, no Brasil, há relação direta entre o uso de agrotóxicos e o agronegócio. Em 2015, soja, milho e cana de açúcar consumiram 72% dos pesticidas comercializados no País.
O atlas Geografia do uso de agrotóxicos no Brasil e conexões com a União Europeia, em português, foi lançado no Brasil em 2017 e traz um conjunto de mais de 150 imagens entre mapas, gráficos e infográficos que abordam a realidade do uso de agrotóxicos no Brasil e os impactos diretos deste uso no País. A pesquisa que deu origem à publicação teve o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Em Berlim, o lançamento aconteceu na sede do ENSSER (European Network of Scientists for Social and Environmental Responsability), rede europeia sem fins lucrativos que reúne cientistas ativistas responsáveis ambiental e socialmente, em Glasgow, Escócia. O suporte financeiro para o lançamento do atlas na Europa foi da FFLCH e da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP.
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| Entre 2000 e 2010, o Brasil aumentou em 200% o consumo de agrotóxicos. A soja foi a cultura que mais consumiu pesticidas |
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| Mapa de intoxicação por agrotóxicos de uso agrícola (2007-2014) |
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| Uso de malationa (inseticida) na cultura do feijão – Limite máximo de resíduos permitido no Brasil e nos países da comunidade europeia |
LEIA TAMBÉM:
Pesquisadora da USP monta mapa da contaminação por agrotóxico no Brasil
Outras postagens
EDITORIAL DE O GLOBO: Bolsonaro trata questões ambientais com nacionalismo e bravatas
1º Relatório Temático de Polinizadores, Polinização e Produção de Alimentos
Antas contaminadas alertam para uso de agrotóxicos proibidos no Brasil
sábado, 29 de junho de 2019
EDITORIAL DE O GLOBO: Bolsonaro trata questões ambientais com nacionalismo e bravatas
Viagem do presidente para reunião do G-20 mostra sua dificuldade de entender o problema
Editorial
Em no mínimo uma falha diplomática, o desembarque do presidente Jair Bolsonaro em Osaka, no Japão, para sua primeira reunião de cúpula do G-20, não será lembrado por algum aspecto positivo do Brasil. Pelo contrário.
Queiram ou não, o país tem sua imagem ligada ao meio ambiente, para o bem ou o mal. Com Bolsonaro no Planalto, para o mal, dado o discurso anticonservacionista adotado pelo presidente já na campanha eleitoral. O novo governo tentou atenuar esta postura, até porque Bolsonaro, depois da vitória, foi alertado: desdenhar cuidados com os diversos biomas se traduzirá em prejuízos às exportações brasileiras de alimentos, devido a boicotes que sofrerão, principalmente na Europa, onde a conscientização ambientalista evoluiu muito.
Provam isso referências feitas sobre a relação do Brasil com o meio ambiente, antes do desembarque de Bolsonaro, por dois participantes de peso do G-20 — a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Emmanuel Macron.
Bolsonaro respondeu de forma arrogante, inapropriada, à intenção expressa de Merkel de ter uma “conversa clara” com o presidente brasileiro sobre o tema, e ao alerta de Macron de que a França não assinaria o tratado comercial longamente negociado entre o Mercosul e a União Europeia, fechado ontem, caso o Brasil saia do Acordo do Clima, firmado em Paris. Consta que o Brasil aceitou o pré-requisito francês, para que o tratado não naufragasse no final dos entendimentos.
É nesses encontros de cúpula que governantes estabelecem relações pessoais entre si, de grande relevância para a diplomacia, e tomam contato direto com fatos a que nem sempre dão o devido valor quando vistos de seus países de origem.
A resposta de Bolsonaro mostra que esta viagem poderá fazer bem a ele e a seu governo. O presidente, num arroubo nacionalista infantil, disse que o Brasil tem exemplos para dar a Alemanha sobre meio ambiente. Faltaram ao presidente informações sobre o crescimento alemão no uso de fontes limpas de energia, a eólica e a solar.
Ainda tomado pela inspiração de forte sentimento nacionalista, Bolsonaro soltou a conhecida bravata: “o presidente que está aqui não é como alguns anteriores, que vieram para ser advertidos por outros países”. Repetiu Lula e ministros petistas. Os extremos se encontram.
Se a comitiva presidencial voltar do Japão ao menos com dúvidas sobre a ideia de um liberou geral no meio ambiente, já terá valido a longa viagem.
Fonte: O Globo
segunda-feira, 24 de junho de 2019
Ritmo de liberação de agrotóxicos em 2019 é o maior já registrado
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| Brasil já liberou 169 agrotóxicos em 2019 — Foto: Divulgação |
Por Luísa Melo, G1*
Nunca foi tão rápido registar um agrotóxico no Brasil: o ritmo de liberação atual é o maior já documentado pelo Ministério da Agricultura, que divulga números desde 2005. A quantidade de pesticidas registrados vem aumentando significativamente nos últimos 4 anos. Mas, em 2019, o salto é ainda mais significativo – até 14 maio, foram aprovados 169 produtos, número que supera o total de 2015, marco da recente disparada.
Ativistas do meio ambiente e da saúde manifestam preocupação, dizendo que mais veneno está sendo "empurrado" à revelia para a população.
Por outro lado, governo e indústria argumentam que o número de registros aumentou porque o sistema ficou mais eficiente, sem perder o rigor de avaliação, que a quantidade de substâncias novas aprovadas é mínima e que os químicos são seguros se forem usados corretamente.
"São produtos 'genéricos', cujas moléculas principais já estão à venda, que vão trazer diminuição de preço, para que os produtores possam ter viabilidade nos seus plantios", disse ao G1 a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, no fim de abril.
"Não se tem nenhuma insegurança na liberação desses produtos, que estavam lá numa fila enorme e que eram represados por problemas ideológicos", completou a ministra, na abertura de uma feira em Uberaba, Minas Gerais.
Brasil usa 500 mil toneladas de agrotóxicos por ano, mas quantidade pode ser reduzida, dizem especialistas
No último dia 21, foi anunciada a liberação de mais 31 agrotóxicos, totalizando 169. Na conta não entram 28 registros publicados no "Diário Oficial da União" em janeiro, mas que tinham sido concedidos no fim de 2018.
Mesmo assim, a quantidade aprovada neste ano, até 14 de maio, é 14% superior à do mesmo período no ano passado. E é maior do que a registrada em todo o ano de 2015, quando o crescimento começou a disparar. Ativistas estão preocupados.
"A população já deixou bem claro que não quer agrotóxicos e isso está sendo empurrado goela abaixo. Neste governo, o agrotóxico tem espaço garantido. É uma escolha política que gera mudanças nas instituições", diz Marina Lacôrte, especialista em agricultura e alimentação do Greenpeace.
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| Quantidade de agrotóxicos liberados no Brasil desde 2005 — Foto: Diana Yukari/Arte G1 |
Pouca novidade, alta toxicidade
Dos 169 agrotóxicos registrados neste ano, nenhum é inédito. Mais da metade (52%) são cópias de princípios ativos aprovados anteriormente.
Outros 15% são produtos finais e 28% são seus "genéricos". A minoria (5%) são produtos biológicos, à base de organismos vivos, como fungos e bactérias – alguns deles podem ser usados até em orgânicos.
Desse total, no entanto, 48% são classificados como alta ou extremamente tóxicos, conforme levantamento do Greenpeace.
Ainda segundo o Greenpeace, 25% dos produtos aprovados pelo governo neste ano não são permitidos na União Europeia. "O que a gente está vendo é que o Brasil acabou virando um depósito de agrotóxicos que são proibidos lá fora", diz Marina Lacôrte.
Renato Alencar Porto, diretor da Anvisa, rebate a afirmação. "É verdade que tem produtos que estão proibidos em outros lugares do mundo e que não estão aqui? É verdade. Mas existem critérios que não têm nada a ver com risco toxicológico. Qual é a dificuldade de você proibir um agrotóxico em um país onde você não usa ele, por exemplo? Nenhuma."
De todos os aprovados no ano, 8 são moléculas ou misturas de glifosato, herbicida associado a um tipo de câncer em processos milionários nos Estados Unidos e alvo de polêmica também no Brasil.
Entenda o que é o glifosato, o agrotóxico mais vendido do mundo
A última molécula inédita registrada no país foi o sulfoxaflor, em 2018. Mas ainda não foram permitidos produtos formulados à base dessa substância – o G1 apurou que já há pedidos em andamento, mas eles aguardam sinal verde do Ibama. O sulfoxaflor é relacionado à redução de enxames de abelhas em estudos no exterior.
Por que o registro está mais rápido?
A maior velocidade na liberação de pesticidas nos últimos 3 anos, segundo o Ministério da Agricultura, se deve a "medidas desburocratizantes" adotadas nos órgãos que avaliam os produtos, em especial na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), considerada o principal gargalo.
Como é feito:
É preciso o aval de 3 órgãos:
- Anvisa, que avalia os riscos à saúde;
- Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), que analisa os perigos ambientais;
- Ministério da Agricultura, que vê se ele é eficaz para matar pragas e doenças no campo. É a pasta que formaliza o registro, desde que o produto tenha sido aprovado por todos os órgãos.
Tipos de registros de agrotóxicos:
- Produto técnico: princípio ativo novo; não comercializado, vai na composição de produtos que serão vendidos.
- Produto técnico equivalente: "cópias" de princípios ativos inéditos, que podem ser feitas quando caem as patentes e vão ser usadas na formulação de produtos comerciais. É comum as empresas registrarem um mesmo princípio ativo várias vezes, para poder fabricar venenos específicos para plantações diferentes, por exemplo;
- Produto formulado: é o produto final, aquilo que chega para o agricultor;
- Produto formulado equivalente: produto final "genérico".
Para acelerar as avaliações, a Anvisa deslocou servidores de outras áreas para o setor de agrotóxicos e passou a setorizar os pedidos, o que, segundo a própria agência, trouxe mais eficiência. O diretor Renato Porto, no entanto, afirma que os critérios de avaliação continuam os mesmos desde 1999 e que a segurança sanitária está "absolutamente garantida".
Recentemente, o Ministério da Agricultura passou usar uma ferramenta de trabalho remoto pela qual os funcionários são dispensados de bater ponto, mas têm que cumprir metas 20% maiores.
Mas a principal mudança ocorreu nos últimos anos: o reforço de 4 químicos originalmente lotados na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), justamente para fazer a análise de equivalência das cópias de substâncias.
Mais do mesmo?
O predomínio desses agrotóxicos "genéricos" entre os que foram registrados nos últimos anos não aumenta o risco toxicológico, dizem governo e indústria.
"Estamos falando de produtos que nós já avaliamos a molécula e estamos colocando mais dele no mercado. Numa comparação com medicamentos, seriam os genéricos e similares", diz Porto, da Anvisa."Claro que não é tão igual assim, porque pode haver algumas misturas (...) Muda a fórmula final, não muda o ingrediente ativo."
Mas profissionais da saúde e ativistas do meio ambiente entendem que mesmo as misturas de substâncias já usadas, na prática, podem ser consideradas novos produtos porque reagem de forma diferente.
Para Leticia Lotufo, professora de farmacologia da Universidade de São Paulo (USP), é preciso avaliar caso a caso. "A toxicidade da mistura não necessariamente pode ser prevista pela dos componentes individuais", afirma.
Além disso, segundo ela, a formulação muda o comportamento do princípio ativo no ambiente. "O composto pode se tornar mais recalcitrante [permanece por mais tempo no meio ambiente], por exemplo", explica Leticia. A Anvisa afirma que as análises respeitam um teto de toxicidade.
A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), que junto com o Greenpeace e outras instituições forma o coletivo Chega de Agrotóxicos, faz um outro alerta. Segundo a médica da entidade, Ada Aguiar, as pesquisas no país só avaliam os efeitos de cada veneno isolado na saúde humana, mas o que acontece na vida real é o contato simultâneo com vários produtos.
"Desconheço no Brasil estudos que avaliam a exposição múltipla, e estamos consumindo produtos que vêm banhados em uma calda tóxica", afirma.
De acordo com Ada, um estudo feito pela Universidade do Ceará entre 2007 e 2011 com mais de 500 trabalhadores rurais comprovou que 97% deles estavam expostos a de 4 a 30 agrotóxicos. "Isso é muito preocupante porque estamos tendo um 'boom' de doenças crônicas", pondera.
Ambientalistas x Embrapa e indústria
Entidades em defesa do meio ambiente temem ainda que a liberação de produtos, mesmo que de substâncias previamente autorizadas, resulte em um uso mais intenso pelos agricultores, já que os preços tendem a cair, como citou a ministra Tereza Cristina.
O Brasil consumiu em 2017 (dados mais recentes) 539,9 mil toneladas de agrotóxicos, à base de 329 princípios ativos, de acordo com o Ibama.
Isso representou US$ 8,8 bilhões (cerca de R$ 35 bilhões no câmbio atual), segundo a associação das fabricantes, a Andef.
"O produtor não vai usar mais porque está mais barato. Os insumos, entre eles os agrotóxicos, estão entre os maiores custos para o produtor, todo mundo quer é reduzir o uso", afirma Marcelo Morandi, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente.
"O que vai acontecer, eventualmente, é a substituição de produtos. A competição é salutar, tem que existir, mas agrega valor até um determinado ponto. Em produtos que já têm grande disposição no mercado, 4 novas marcas não vão alterar muito a competição de preços", diz Mario Von Zuben, diretor executivo da Andef.
'Pacote do veneno'
Apesar de comemorar a celeridade nas liberações, a indústria reclama que as reproduções de produtos já permitidos estão sendo priorizadas em detrimento de novos, que podem ser menos tóxicos que os antigos.
A lista de agrotóxicos aguardando liberação no Brasil tem hoje cerca de 1.000 pedidos. Entre eles, 33 são moléculas inéditas.
"Isso [o aumento da velocidade] é louvável, existia um represamento de registros que ficaram parados por muito tempo e foi dada vazão pelas administrações atuais. Mas o ponto que nos incomoda com essas aprovações de genéricos é o fato de que as novas moléculas estão ficando para trás", diz Von Zuben, da Andef.
Segundo a Anvisa, 97% das petições para produtos formulados equivalentes (genéricos de misturas já aprovadas) são atendidas sem nenhuma exigência técnica. "A indústria não erra para pedir esse produto, porque ele é simplesmente uma cópia", diz Renato Porto, diretor da agência.
Desenvolver um princípio ativo inédito para agrotóxico leva de 10 a 11 anos e custa em torno de US$ 286 milhões, segundo a Andef.
Liberar o uso dessas substâncias novas demora de 6 a 8 anos no Brasil, tempo que a indústria e representantes do agronegócio querem reduzir para 2, com garantia legal. Essa é uma das demandas do projeto de lei 6.299/02, que ficou conhecido como "pacote do veneno".
A ministra Tereza Cristina, então deputada pelo DEM-MS, foi a presidente da comissão especial que aprovou o projeto na Câmara dos Deputados, antes de ele seguir para a votação no plenário da casa, que ainda não tem data definida.
Para o Greenpeace, a aceleração do ritmo de aprovações é, de certa forma, uma maneira colocar o PL em prática sem mudar a lei.
"O que a gente vê é exatamente o pacote do veneno que saiu da pauta legislativa e está sendo colocado em prática pelo novo governo. A estratégia é a mesma: colocar mais veneno no dia a dia das pessoas. A diferença é que antes havia uma discussão, agora está sendo empurrado à revelia mesmo", diz Marina Lacôrte.
De 2002 a 2019, a Anvisa barrou o registro de 15% dos princípios ativos novos enviados para análise e de 11% dos produtos finais inéditos.
Periodicamente, o órgão revisa a segurança de substâncias que já estão no mercado. Desde 2006, 16 foram reavaliadas, das quais 12 foram proibidas e 4 mantidas, sendo 3 com restrições.
Apesar de a ministra Tereza Cristina ter citado problemas ideológicos que atrasaram a liberação de agrotóxicos no passado, Renato Porto, da Anvisa, nega pressão por parte do governo para acelerar os trabalhos.
"Nunca tive nenhuma pressão para tratar de nenhum agrotóxico. O que eu vi é: a Anvisa precisa ser mais eficiente, e é verdade", afirma. "Parece que ninguém nunca cobrou essa eficiência do agrotóxico e agora está sendo cobrado também. Existe uma percepção pública hoje de que o agrotóxico precisa estar à disposição do agricultor, só que ele precisa ser controlado."
"A gente não está surpresa. Nem Bolsonaro nem Tereza Cristina estão lá à toa, eles tiveram forte apoio da bancada ruralista", diz Marina Lacôrte, do Greenpeace.
* Colaborou G1 Triângulo Mineiro.
Fonte: G1
domingo, 31 de março de 2019
Brasil registra 40 mil casos de intoxicação por agrotóxicos em uma década
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| Acesse o vídeo aqui. |
No Paraná, estado com maior número de casos relatados, comunidades se organizam para tentar se livrar dos efeitos dos venenos. Uma das opções é 'cortina verde'.
O agrotóxico é uma ferramenta de trabalho comum na agricultura, mas esses produtos podem ser perigosos e muitas vezes são usados de maneira errada. De 2007 a 2017, data do último levantamento oficial, foram notificados cerca de 40 mil casos de intoxicação aguda por causa deles. Quase 1.900 pessoas morreram.
Segundo maior produtor de grãos do país, o Paraná é o estado com o maior número de casos relatados – e também o que tem o sistema mais eficiente de notificações.
“A gente sente o cheiro do veneno entrando pela janela”, conta Mauritânia Guedes, que mora em Luiziana. Na cidade cercada por lavouras, apenas a rua separa as casas da plantação em alguns bairros.
A regra entrou em vigor no final de 2017 e determina que os agricultores que quiserem produzir perto de núcleos habitacionais têm que implantar "cortinas verdes".
"Cortinas verdes"são duas fileiras de árvores, uma arbórea e uma arbustiva, para o controle do agrotóxico. Elas têm que ser implantadas há 50 metros da divisa da propriedade com o núcleo urbano.
O agricultor até pode produzir nesta área, desde que não use veneno.
Fazer a barreira é opcional, mas, sem ela, é proibido usar agrotóxico numa faixa de 100 metros da cidade.
Na frente do hospital
Campo Mourão tem um caso semelhante. A Santa Casa, que abriga também um centro de tratamento de câncer e uma maternidade, fica em frente a uma imensa lavoura que também usa agrotóxico.
O Ministério Público está notificando os agricultores sobre uma lei que a cidade tem desde 1997, que proíbe a aplicação de veneno a 100 metros de qualquer núcleo habitacional.
A fazenda perto da Santa Casa pertence a José Luiz Gurgel e ao filho dele, Luiz Gustavo, ambos advogados. Segundo eles, a área onde está a o hospital pertencia à propriedade e foi doada pela família.
Luiz Gustavo não concorda com a proibição: “O agrotóxico que se passava aqui em hipótese alguma causou prejuízo para qualquer criança que nasça aqui. Os meus filhos nasceram aqui na Santa Casa”.
Apesar disso, ele afirma que cumprirá a lei. “Nós vamos trabalhar 100% com produtos orgânicos, sem agrotóxicos”, afirma. “Se, infelizmente, nós tivermos alguma praga que não se mate sem agrotóxicos, nós vamos ter que tombar a terra, acabar com a produção e depois cobrar, logicamente, de quem for necessário”, diz.
É possível produzir sem agrotóxico?
“O Brasil é um grande usuário de agrotóxicos, sim, porque, de fato, nós temos uma agricultura que é uma das maiores do mundo. Então, nesse sentido, é compatível”, diz o agrônomo Marcelo Morandi, chefe da Embrapa Meio Ambiente.
Ele explica que o modelo de agricultura intensiva, praticado no mundo todo desde o final da Segunda Guerra mundial, fez crescer a produção global de alimentos. E trouxe junto com ele a necessidade de combater pragas e doenças que atacam as lavouras.
Ranking
Para a Andef – entidade formada pelas indústrias que desenvolvem e fabricam agrotóxicos –, o uso desses produtos no país é eficiente.
“(O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo?) Não. Quando a gente olha utilização por área, o Brasil já cai para sétimo”, afirma Mário von Zuben, diretor-executivo da associação.
“Se a gente olha por tonelada de produto extraída da área onde foi aplicado, o Brasil é o 13º. A gente deixa para trás países como os Estados Unidos, Canadá, países europeus como a Inglaterra, Alemanha, a própria França. Isso mostra eficiência na utilização dessa tecnologia aqui.”
Os dados da Andef mostram que, em média, o Brasil gasta menos de R$ 35 para produzir uma tonelada de alimentos. Os EUA gastam R$ 44. E no Japão, primeiro colocado neste ranking, o valor é de R$ 372.
Segundo Zuben, atualmente não seria possível eliminar o agrotóxico do processo de produção. “Nós traríamos uma crise mundial de alimentos. De fome”, avalia.
Em 2017, o mercado de agrotóxicos movimentou mais de R$ 33 bilhões no Brasil. Os campeões de venda são os herbicidas, usados principalmente na cultura da soja. Em seguida, vêm fungicidas e inseticidas.
Veja a reportagem completa no vídeo acima. No próximo domingo (7), o Globo Rural continua abordando o assunto, falando sobre os cuidados para preservação da água e as técnicas que podem reduzir o uso dos agrotóxicos
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019
1º Relatório Temático de Polinizadores, Polinização e Produção de Alimen...
Elton Alisson | Agência FAPESP
Das 191 plantas cultivadas ou silvestres utilizadas para a produção de alimentos no Brasil, com processo de polinização conhecido, 114 (60%) dependem da visita de polinizadores, como as abelhas, para se reproduzir. Entre esses cultivos estão alguns de grande importância para a agricultura brasileira, como a soja (Glycine max), o café (Coffea), o feijão (Phaseolus vulgaris L.) e a laranja (Citrus sinensis).
Esse serviço ambiental (ecossistêmico), estimado em R$ 43 bilhões anuais, fundamental para garantir a segurança alimentar da população e a renda dos agricultores brasileiros, tem sido ameaçado por fatores como o desmatamento, as mudanças climáticas e o uso de agrotóxicos. A fim de combater essas ameaças, que colocam em risco a produção de alimentos e a conservação da biodiversidade brasileira, são necessárias políticas públicas que integrem ações em diversas áreas, como a do meio ambiente, da agricultura e da ciência e tecnologia.
O alerta foi feito por um grupo de pesquisadores autores do 1º Relatório Temático de Polinização, Polinizadores e Produção de Alimentos no Brasil e de seu respectivo “Sumário para Tomadores de Decisão”, lançados quarta-feira (06/02), durante evento na FAPESP.
Resultado de uma parceria entre a Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES, da sigla em inglês), apoiada pelo Programa BIOTA-FAPESP, e a Rede Brasileira de Interações Planta-Polinizador (REBIPP), o relatório foi elaborado nos últimos dois anos por um grupo de 12 pesquisadores e revisado por 11 especialistas.
O grupo de pesquisadores fez uma revisão sistemática de mais de 400 publicações de modo a sintetizar o conhecimento atual e os fatores de risco que afetam a polinização, os polinizadores e a produção de alimentos no Brasil, e apontar medidas para preservá-los.
“O relatório aponta que o serviço ecossistêmico de polinização tem uma importância não só do ponto de vista biológico, da conservação das espécies em si, como também econômica. É essa mensagem que pretendemos fazer chegar a quem toma decisões no agronegócio, no que se refere ao uso de substâncias de controle de pragas ou de uso da terra no país”, disse Carlos Joly, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), coordenador do programa BIOTA-FAPESP e membro da coordenação da BPBES, durante o evento.
O relatório indica que a lista de “visitantes” das culturas agrícolas supera 600 animais, dos quais, no mínimo, 250 têm potencial de polinizador. Entre eles estão borboletas, vespas, morcegos, percevejos e lagartos.
As abelhas predominam, participando da polinização de 91 (80%) das 114 culturas agrícolas que dependem da visita de polinizadores e são responsáveis pela polinização exclusiva de 74 (65%) delas.
Algumas plantas cultivadas ou silvestres dependem, contudo, exclusivamente ou primordialmente de outros animais para a realização desse serviço, como é o caso da polinização de flores de bacuri (Platonia insignis) por aves. Outros exemplos são da polinização de flores de pinha (Annona squamosa) e araticum (Annona montana) por besouros, de flores de mangaba (Hancornia speciosa) por mariposas e de flores de cacau (Theobroma cacao) por moscas.
“As plantas cultivadas ou silvestres visitadas por esses animais polinizadores enriquecem a nossa dieta ao prover frutas e vegetais que fornecem uma série de nutrientes importantes”, disse Marina Wolowski, professora da Universidade Federal de Alfenas (Unifal) e coordenadora do relatório. “Outras plantas cultivadas pelo vento, como o trigo e o arroz, por exemplo, estão mais na base da dieta”, comparou.
Os pesquisadores avaliaram o grau de dependência da polinização por animais de 91 plantas para a produção de frutas, hortaliças, legumes, grãos, oleaginosas e de outras partes dos cultivos usadas para consumo humano, como o palmito (Euterpe edulis) e a erva-mate (Ilex paraguariensis)
As análises revelaram que, para 76% delas (69), a ação desses polinizadores aumenta a quantidade ou a qualidade da produção agrícola. Nesse grupo de plantas, a dependência da polinização é essencial para 35% (32), alta para 24% (22), modesta para 10% (9) e pouca para 7% (6).
A partir das taxas de dependência de polinização dessas 69 plantas, os pesquisadores estimaram o valor econômico do serviço ecossistêmico de polinização para a produção de alimentos no Brasil. O cálculo foi feito por meio da multiplicação da taxa de dependência de polinização por animais pela produção anual do cultivo.
Os resultados indicaram que o valor do serviço ecossistêmico de polinização para a produção de alimentos no país girou em torno de R$ 43 bilhões em 2018. Cerca de 80% desse valor está relacionado a quatro cultivos de grande importância agrícola: a soja, o café, a laranja e a maçã (Malus domestica).
“Esse valor ainda está subestimado, uma vez que esses 69 cultivos representam apenas 30% das plantas cultivadas ou silvestres usadas para produção de alimentos no Brasil”, ressaltou Wolowski.
Fatores de risco
O relatório também destaca que o serviço ecossistêmico de polinização no Brasil tem sido ameaçado por diversos fatores, tais como desmatamento, mudanças climáticas, poluição ambiental, agrotóxicos, espécies invasoras, doenças e patógenos.
O desmatamento leva à perda e à substituição de hábitats naturais por áreas urbanas. Essas alterações diminuem a oferta de locais para a construção de ninhos e reduzem os recursos alimentares utilizados por polinizadores.
Já as mudanças climáticas podem modificar o padrão de distribuição das espécies, a época de floração e o comportamento dos polinizadores. Também são capazes de ocasionar alterações nas interações, invasões biológicas, declínio e extinção de espécies de plantas das quais os polinizadores dependem como fonte alimentar e para construção de ninhos, e o surgimento de doenças e patógenos.
Por sua vez, a aplicação de agrotóxicos para controle de pragas e patógenos, com alta toxicidade para polinizadores e sem observar seus padrões e horários de visitas, pode provocar a morte, atuar como repelente e também causar efeitos tóxicos subletais, como desorientação do voo e redução na produção de prole. Além disso, o uso de pesticidas tende a suprimir ou encolher a produção de néctar e pólen em algumas plantas, restringindo a oferta de alimentos para polinizadores, ressaltam os autores do relatório.
“Como esses fatores de risco que ameaçam os polinizadores não ocorrem de maneira isolada é difícil atribuir o peso de cada um deles separadamente na questão da redução das populações de polinizadores que tem sido observada no mundo”, disse Wolowski.
Na avaliação dos pesquisadores, apesar do cenário adverso, há diversas oportunidades disponíveis para melhorar o serviço ecossistêmico de polinização, diminuir as ameaças aos polinizadores e aumentar o valor agregado dos produtos agrícolas associados a eles no Brasil.
Entre as ações voltadas à conservação e ao manejo do serviço ecossistêmico de polinização estão a intensificação ecológica da paisagem agrícola, formas alternativas de controle e manejo integrado de pragas e doenças, redução do deslocamento de agrotóxicos para fora das plantações, produção orgânica e certificação ambiental.
Uma política pública destinada aos polinizadores, à polinização e à produção de alimentos beneficiaria a conservação desse serviço ecossistêmico e promoveria a agricultura sustentável no país, estimam os pesquisadores.
“Esperamos que o relatório ajude a estabelecer planos estratégicos e políticas públicas voltadas à polinização, polinizadores e produção de alimentos em diferentes regiões do país”, afirmou Kayna Agostini, professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e também coordenadora do estudo.
Na avaliação de Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP, o relatório incorpora várias atividades que o programa BIOTA tem feito ao longo dos seus 20 anos de existência. Entre elas, a de fornecer subsídios para políticas públicas.
“O BIOTA-FAPESP participa ativamente da vida do Estado de São Paulo e do país ao fornecer subsídios científicos para as decisões governamentais e, ao mesmo tempo, realizar atividade de pesquisa da maior qualidade em uma área vital”, disse Zago na abertura do evento.
Também esteve presente na abertura do evento Fernando Dias Menezes de Almeida, diretor administrativo da FAPESP.
Fonte: Agência FAPESP
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019
Polinização é ameaçada por desmatamento e agrotóxicos no Brasil
Elton Alisson | Agência FAPESP – Das 191 plantas cultivadas ou silvestres utilizadas para a produção de alimentos no Brasil, com processo de polinização conhecido, 114 (60%) dependem da visita de polinizadores, como as abelhas, para se reproduzir. Entre esses cultivos estão alguns de grande importância para a agricultura brasileira, como a soja (Glycine max), o café (Coffea), o feijão (Phaseolus vulgaris L.) e a laranja (Citrus sinensis).
Esse serviço ambiental (ecossistêmico), estimado em R$ 43 bilhões anuais, fundamental para garantir a segurança alimentar da população e a renda dos agricultores brasileiros, tem sido ameaçado por fatores como o desmatamento, as mudanças climáticas e o uso de agrotóxicos. A fim de combater essas ameaças, que colocam em risco a produção de alimentos e a conservação da biodiversidade brasileira, são necessárias políticas públicas que integrem ações em diversas áreas, como a do meio ambiente, da agricultura e da ciência e tecnologia.
O alerta foi feito por um grupo de pesquisadores autores do 1º Relatório Temático de Polinização, Polinizadores e Produção de Alimentos no Brasil e de seu respectivo “Sumário para Tomadores de Decisão”, lançados quarta-feira (06/02), durante evento na FAPESP.
Resultado de uma parceria entre a Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES, da sigla em inglês), apoiada pelo Programa BIOTA-FAPESP, e a Rede Brasileira de Interações Planta-Polinizador (REBIPP), o relatório foi elaborado nos últimos dois anos por um grupo de 12 pesquisadores e revisado por 11 especialistas.
O grupo de pesquisadores fez uma revisão sistemática de mais de 400 publicações de modo a sintetizar o conhecimento atual e os fatores de risco que afetam a polinização, os polinizadores e a produção de alimentos no Brasil, e apontar medidas para preservá-los.
“O relatório aponta que o serviço ecossistêmico de polinização tem uma importância não só do ponto de vista biológico, da conservação das espécies em si, como também econômica. É essa mensagem que pretendemos fazer chegar a quem toma decisões no agronegócio, no que se refere ao uso de substâncias de controle de pragas ou de uso da terra no país”, disse Carlos Joly, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), coordenador do programa BIOTA-FAPESP e membro da coordenação da BPBES, durante o evento.
O relatório indica que a lista de “visitantes” das culturas agrícolas supera 600 animais, dos quais, no mínimo, 250 têm potencial de polinizador. Entre eles estão borboletas, vespas, morcegos, percevejos e lagartos.
As abelhas predominam, participando da polinização de 91 (80%) das 114 culturas agrícolas que dependem da visita de polinizadores e são responsáveis pela polinização exclusiva de 74 (65%) delas.
Algumas plantas cultivadas ou silvestres dependem, contudo, exclusivamente ou primordialmente de outros animais para a realização desse serviço, como é o caso da polinização de flores de bacuri (Platonia insignis) por aves. Outros exemplos são da polinização de flores de pinha (Annona squamosa) e araticum (Annona montana) por besouros, de flores de mangaba (Hancornia speciosa) por mariposas e de flores de cacau (Theobroma cacao) por moscas.
“As plantas cultivadas ou silvestres visitadas por esses animais polinizadores enriquecem a nossa dieta ao prover frutas e vegetais que fornecem uma série de nutrientes importantes”, disse Marina Wolowski, professora da Universidade Federal de Alfenas (Unifal) e coordenadora do relatório. “Outras plantas cultivadas pelo vento, como o trigo e o arroz, por exemplo, estão mais na base da dieta”, comparou.
Os pesquisadores avaliaram o grau de dependência da polinização por animais de 91 plantas para a produção de frutas, hortaliças, legumes, grãos, oleaginosas e de outras partes dos cultivos usadas para consumo humano, como o palmito (Euterpe edulis) e a erva-mate (Ilex paraguariensis)
As análises revelaram que, para 76% delas (69), a ação desses polinizadores aumenta a quantidade ou a qualidade da produção agrícola. Nesse grupo de plantas, a dependência da polinização é essencial para 35% (32), alta para 24% (22), modesta para 10% (9) e pouca para 7% (6).
A partir das taxas de dependência de polinização dessas 69 plantas, os pesquisadores estimaram o valor econômico do serviço ecossistêmico de polinização para a produção de alimentos no Brasil. O cálculo foi feito por meio da multiplicação da taxa de dependência de polinização por animais pela produção anual do cultivo.
Os resultados indicaram que o valor do serviço ecossistêmico de polinização para a produção de alimentos no país girou em torno de R$ 43 bilhões em 2018. Cerca de 80% desse valor está relacionado a quatro cultivos de grande importância agrícola: a soja, o café, a laranja e a maçã (Malus domestica).
“Esse valor ainda está subestimado, uma vez que esses 69 cultivos representam apenas 30% das plantas cultivadas ou silvestres usadas para produção de alimentos no Brasil”, ressaltou Wolowski.
Fatores de risco
O relatório também destaca que o serviço ecossistêmico de polinização no Brasil tem sido ameaçado por diversos fatores, tais como desmatamento, mudanças climáticas, poluição ambiental, agrotóxicos, espécies invasoras, doenças e patógenos.
O desmatamento leva à perda e à substituição de hábitats naturais por áreas urbanas. Essas alterações diminuem a oferta de locais para a construção de ninhos e reduzem os recursos alimentares utilizados por polinizadores.
Já as mudanças climáticas podem modificar o padrão de distribuição das espécies, a época de floração e o comportamento dos polinizadores. Também são capazes de ocasionar alterações nas interações, invasões biológicas, declínio e extinção de espécies de plantas das quais os polinizadores dependem como fonte alimentar e para construção de ninhos, e o surgimento de doenças e patógenos.
Por sua vez, a aplicação de agrotóxicos para controle de pragas e patógenos, com alta toxicidade para polinizadores e sem observar seus padrões e horários de visitas, pode provocar a morte, atuar como repelente e também causar efeitos tóxicos subletais, como desorientação do voo e redução na produção de prole. Além disso, o uso de pesticidas tende a suprimir ou encolher a produção de néctar e pólen em algumas plantas, restringindo a oferta de alimentos para polinizadores, ressaltam os autores do relatório.
“Como esses fatores de risco que ameaçam os polinizadores não ocorrem de maneira isolada é difícil atribuir o peso de cada um deles separadamente na questão da redução das populações de polinizadores que tem sido observada no mundo”, disse Wolowski.
Na avaliação dos pesquisadores, apesar do cenário adverso, há diversas oportunidades disponíveis para melhorar o serviço ecossistêmico de polinização, diminuir as ameaças aos polinizadores e aumentar o valor agregado dos produtos agrícolas associados a eles no Brasil.
Entre as ações voltadas à conservação e ao manejo do serviço ecossistêmico de polinização estão a intensificação ecológica da paisagem agrícola, formas alternativas de controle e manejo integrado de pragas e doenças, redução do deslocamento de agrotóxicos para fora das plantações, produção orgânica e certificação ambiental.
Uma política pública destinada aos polinizadores, à polinização e à produção de alimentos beneficiaria a conservação desse serviço ecossistêmico e promoveria a agricultura sustentável no país, estimam os pesquisadores.
“Esperamos que o relatório ajude a estabelecer planos estratégicos e políticas públicas voltadas à polinização, polinizadores e produção de alimentos em diferentes regiões do país”, afirmou Kayna Agostini, professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e também coordenadora do estudo.
Na avaliação de Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP, o relatório incorpora várias atividades que o programa BIOTA tem feito ao longo dos seus 20 anos de existência. Entre elas, a de fornecer subsídios para políticas públicas.
“O BIOTA-FAPESP participa ativamente da vida do Estado de São Paulo e do país ao fornecer subsídios científicos para as decisões governamentais e, ao mesmo tempo, realizar atividade de pesquisa da maior qualidade em uma área vital”, disse Zago na abertura do evento.
Também esteve presente na abertura do evento Fernando Dias Menezes de Almeida, diretor administrativo da FAPESP.
Fonte: Agência FAPESP
terça-feira, 6 de novembro de 2018
Antas contaminadas alertam para uso de agrotóxicos proibidos no Brasil
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| Sentinelas: saúde comprometida das antas evidencia contaminação — Foto: Divulgação IPÊ |
Análise de 116 indivíduos no Mato Grosso do Sul comprova a presença de produto altamente tóxico, banido há 30 anos em alguns países.
Por Fábio Gallacci, Terra da Gente
O Brasil tem usado em suas áreas agrícolas agentes químicos e agrotóxicos que foram banidos em outros países há três décadas. São materiais que oferecem riscos à saúde humana e também aos animais que circulam por essas regiões.
A comprovação veio de uma pesquisa inédita realizada pela Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (Incab), grupo ligado ao Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ). De acordo com um levantamento feito entre 2015 e 2017, no Mato Grosso do Sul, as antas do Cerrado, bioma que fica no epicentro do desenvolvimento agrícola do país, estão com a saúde altamente comprometida pela exposição a esses produtos.
A espécie pode ser considerada uma “sentinela”, que utiliza áreas de monocultura como passagem e tem contato com esses materiais com frequência. Isso mostra que o cenário de contaminação também afeta, consequentemente, as pessoas ao redor.
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| Os inseticidas foram os produtos mais constatados no organismo das antas — Foto: Divulgação IPÊ |
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| 13 agentes químicos foram encontrados em 116 indivíduos — Foto: Divulgação IPÊ |
“O problema é que a questão dos agrotóxicos é muito difusa. Nós jamais saberemos exatamente quem são os responsáveis pela aplicação dos produtos já que, no ponto onde fizemos o levantamento, são quase 3 mil quilômetros quadrados de área com um mosaico de diferentes usos da terra. O que temos é que foram 13 diferentes agentes químicos encontrados em 116 indivíduos, fato que serve de alerta para que a situação seja enfrentada", diz.
"Temos que encarar essa problemática de uma forma diferente, oferecer as nossas informações e mostrar que a anta é uma sentinela que acusa o problema."
AGENTE QUÍMICO
O Aldicarb é um agrotóxico de alta toxicidade, praguicida, também usado ilegalmente para a produção de raticida – conhecido como chumbinho. Ele é responsável por milhares de envenenamentos e mortes de pessoas, especialmente crianças, e de animais domésticos e silvestres, além da contaminação do solo, de alimentos, rios e lençóis freáticos.
Esse agente químico já é proibido em diversos países, como Alemanha e Suécia, desde 1990. Outros países europeus como Portugal, França, Itália, Reino Unido, Espanha, Grécia e Holanda deixaram de utilizar o produto em 2007. No Brasil, o Aldicarb é proibido desde 2012. Estimativas do governo, na época, apontavam que o produto seria responsável por quase 60% dos 8 mil casos de intoxicação relacionados a chumbinho no país, todos os anos.
Um único grama do veneno pode matar uma pessoa de até 60 quilos em meia hora. Se inalado, o produto percorre a corrente sanguínea e também pode levar rapidamente à morte. Nos animais, o efeito é bem semelhante, atingindo principalmente pulmões, fígado e rins.
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| Os indivíduos apresentaram lesões de fígado e rins — Foto: Divulgação IPÊ |
“Verificamos que os 116 indivíduos amostrados estavam contaminados, a maioria deles por mais de um agente químico. Muitas lesões de fígado e rins. Isso pode levar os animais à morte, redução da longevidade e até mesmo influência em sua capacidade reprodutiva”, aponta Patrícia.
A pesquisa mostra ainda que as antas estão expostas a essas substâncias no ambiente que habitam por contato direto com as plantas, solo e água contaminados. A análise estomacal demonstrou exposição pela ingestão de plantas nativas contaminadas e de itens das culturas agrícolas eventualmente utilizados como recurso alimentar.
PULVERIZAÇÃO
Segundo dados do Sistema Nacional de Informações Toxicológicas (Sinitox), ocorre no Brasil uma média de 3.125 casos de intoxicação por agrotóxico de uso agrícola ao ano, ou oito intoxicações diárias. O Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) acreditam que, para cada caso notificado, existem outros 50 não notificados, o que aumentaria significativamente essa estatística, reforça a pesquisa.
Patrícia ressalta que o país tem um histórico de pulverização indiscriminada, sendo que em alguns estados não há nem protocolos estabelecidos para essa atividade. “Mesmo nas regiões onde há critérios, de maneira geral , eles não são respeitados”, diz a pesquisadora.
"No caso dos agrotóxicos, aqui no Brasil, não é mais uma questão de exposição, mas imposição. Isso está no nosso ambiente, na nossa água, na comida fresca, nos grãos, no leite materno, enfim, está em tudo."
No mesmo período da coleta de amostras com as antas, a equipe da Incab realizou um levantamento de dados sobre o uso de agrotóxicos no estado do Mato Grosso do Sul, buscando dados e informações de inserções de imprensa, registros junto à Polícia Militar Ambiental e Tribunal de Justiça do MS.
Segundo as informações encontradas, a pulverização aérea é a forma de aplicação de agrotóxicos mais utilizada no estado, sendo ainda o método mais relacionado à ocorrência de contaminação do meio ambiente, especialmente por influência do vento e deriva do produto para áreas indesejadas.
No Mato Grosso do Sul, os inseticidas - principal grupo de agrotóxicos constatado no organismo das antas - são as substâncias responsáveis por mais de 70% dos casos de intoxicação aguda em humanos.
Mas se engana quem pensa que esse é um problema restrito ao Centro-Oeste. “Certamente, esse cenário de contaminação está sendo repetido em todas as outras regiões do país onde agrotóxicos são utilizados em larga escala. É um problema amplo, que afeta o meio ambiente e as pessoas. O Brasil, de maneira geral, pega muito leve em relação às restrições”, comenta Patrícia, dando um exemplo alarmante em relação à água.
“A grande maioria dos países da União Europeia aceita, no máximo, 0,5 micrograma de quaisquer agrotóxico ou metal pesado na água que é consumida pela população. Aqui, em alguma regiões, aceitamos até 5 mil microgramas desses produtos. É bastante chocante a leveza com a qual o nosso país leva essa problemática e a leveza com que deixam passar diversas oportunidades de criar critérios mais fortes para proteger a população”, lamenta.
"Não tem nenhum ser humano que não esteja contaminado por agrotóxicos e, quando se fala em Brasil, as áreas do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul são onde existem as condições mais sérias."
Muitas das substâncias autorizadas para uso nestas culturas no Brasil estão proibidas para uso e comercialização em outros países. Existem 504 ingredientes ativos com registro autorizado e uso permitido no Brasil. Destes, 149 (30%) são proibidos na União Europeia.
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| Em casos de intoxicação crônica os efeitos podem incluir malformações congênitas e câncer — Foto: Arte/TG |
A dimensão atual do uso de agrotóxicos no Brasil tem gerado um indiscutível impacto sobre a saúde da população humana, sobretudo de trabalhadores rurais. Entretanto, o problema não atinge somente áreas rurais e pequenas cidades, tendo relevância também em grandes centros urbanos, especialmente por conta da potência e do uso indiscriminado de agrotóxicos pelo país.
Além disso, o aumento na incidência de câncer entre trabalhadores rurais e pessoas envolvidas nas campanhas sanitárias, no final da década de 80, levou ao estudo mais detalhado sobre a interação dos agrotóxicos com o organismo no surgimento desses tumores, entre outras disfunções de base celular.
Uma série de pesquisas atuais correlaciona a maior incidência de câncer em determinadas regiões do país com a exposição prolongada à agrotóxicos. Entre 1980 e 2011, houve aumento das taxas de mortalidade por câncer de próstata em todas as regiões brasileiras, sendo que a região Centro-Oeste apresentou tendência crescente, assim como a expansão da atividade agropecuária.
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| Dados sugerem períodos de maiores níveis de contaminação ambiental — Foto: Arte/TG |
Poucos estudos avaliaram as consequências da contaminação ambiental por agrotóxicos em espécies da fauna. Todavia, efeitos adversos já são comprovados em populações de anfíbios e peixes de várias espécies.
Uma preocupação inerente à contaminação de recursos naturais é a dispersão de contaminantes para fora das áreas consideradas fonte, atingindo não somente comunidades do entorno das áreas de uso e aplicação de agrotóxicos, como também comunidades afastadas.




















