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terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Bolsonaro sanciona lei que permite criação de fundos patrimoniais






Fundos poderão captar recursos e gerir doações de cidadãos e empresas a fim de apoiar projetos de interesse público, como a reconstrução do Museu Nacional. Presidente vetou sete trechos.

Por Guilherme Mazui e Luiz Felipe Barbiéri, G1 — Brasília

O presidente Jair Bolsonaro sancionou com vetos a lei que prevê a criação dos chamados fundos patrimoniais, usados para arrecadar e gerir doações de pessoas físicas e jurídicas para programas e projetos em diferentes áreas, entre as quais, cultura e educação.

A sanção foi publicada na edição desta segunda-feira (7) do "Diário Oficial da União". A nova legislação surgiu a partir de uma medida provisória editada no ano passado, no governo de Michel Temer. O Congresso Nacional aprovou a MP no final de 2018, e coube a Bolsonaro sancionar com sete vetos a lei (leia mais abaixo).

A MP foi assinada em setembro, após o incêndio no Museu Nacional, no Rio de Janeiro. A instituição completou 200 anos em 2018 e teve parte do acervo, de cerca de 20 milhões de itens, totalmente destruída.

Na ocasião, o governo federal também editou a medida provisória que autorizou a criação da Agência Brasileira de Museus (Abram), instituição que cuidará da reconstrução do Museu. A MP ainda não foi aprovada pelo Congresso.

"A criação dos fundos patrimoniais tem como objetivo estimular as doações privadas para projetos, desenvolvidos por instituições públicas ou privadas sem fins lucrativos, em áreas como: educação, cultura, saúde, meio ambiente, ciência e tecnologia e assistência social".


Fundos patrimoniais

A criação dos fundos patrimoniais tem como objetivo estimular as doações privadas para projetos, desenvolvidos por instituições públicas ou privadas sem fins lucrativos, em áreas como: educação, cultura, saúde, meio ambiente, ciência e tecnologia e assistência social.

Por meio dos fundos, será possível garantir o repasse de recursos de empresas estatais e privadas, além das doações de cidadãos interessados em ajudar, por exemplo, na recuperação do Museu Nacional, ou em outros projetos.

Vetos

Um dos trechos vetados por Bolsonaro possibilitava que as fundações de apoio de universidades e demais centros de ensino e pesquisa fossem equiparadas às organizações gestoras de fundo patrimonial.

O presidente barrou a medida, argumentando que a norma poderia provocar interesses conflitantes.

Segundo mensagem de veto publicada no "DOU", o dispositivo poderia comprometer “a segregação de funções entre as diferentes organizações que podem gerir ou se beneficiar dos fundos patrimoniais e trazer prejuízos à credibilidade da política, uma vez que poderia comprometer instrumentos importantes para a fiscalização, prestação de contas e transparência da gestão de doações.”

Outro veto barrou possibilidade de as associações e fundações, inclusive a públicas, enquadrarem seus fundos como patrimoniais.

A justificativa para o veto foi a de que o texto pode resultar em geração de déficit nas contas públicas, porque há a possibilidade de transformação dos fundos públicos em fundos privados.

Fonte: G1




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LEIA TAMBÉM:

DEBATE SOBRE FUNDOS PATRIMONIAIS GANHA FORÇA NO BRASIL 

Gestão e captação de recursos

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

FILANTROPIA E VOLUNTARIADO: Brasil despenca no Ranking Mundial de Solidariedade



O Brasil teve o pior desempenho já registrado no World Giving Index. O país saiu da posição de número 75 e foi para o 122º lugar no ranking geral, que apresenta 146 países.

Conhecido como ranking global de solidariedade, o levantamento é medido pela CAF – Charities Aid Foundation – instituição com sede no Reino Unido, e que no Brasil é representada pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, o IDIS. Este ano, foram entrevistadas mais de 150 mil pessoas em 146 países.

O levantamento registra o número de pessoas que, no mês anterior à consulta, doaram dinheiro para uma organização da sociedade civil, ajudaram um estranho ou fizeram trabalho voluntário.

No Brasil, houve queda nos três comportamentos.





Para a diretora presidente do IDIS, Paula Fabiani, a recessão econômica dos últimos anos fortaleceu o individualismo na sociedade, fazendo com que as pessoas se preocupem mais em se proteger, deixando um pouco de lado os comportamentos solidários.

“O relatório mostra que voltamos a níveis muito baixos de solidariedade, ao contrário dos últimos dois anos, quando cresceu a proporção de pessoas que ajudaram um estranho, fizeram trabalho voluntário ou doaram dinheiro. Isso indica que ainda não temos uma cultura de doação madura e estabelecida”, explica Paula.

Acesse o relatório World Giving Index 2018


Na América Latina o Brasil foi o país pior colocado no WGI, perdendo até para a Venezuela.

“Esse cenário revela que a criação dos fundos patrimoniais e a campanha por uma cultura de doação são mais importantes do que nunca no ambiente de recuo que vemos neste ano”, afirma a presidente do IDIS.

MUNDO

Em 2018, o World Giving Index trouxe mudanças significativas da solidariedade no mundo. Myanmar que nos últimos anos se mantinha em primeiro lugar, caiu para 9º. O país líder do ranking, pela primeira vez, foi a Indonésia.





A cultura de doação vem se solidificando na África. Os países em desenvolvimento tiveram uma boa performance. O Haiti, por exemplo, ficou, pela primeira vez, entre os 20 primeiros colocados. A Líbia foi o país que mais ajudou um estranho segundo os dados da pesquisa.

Cresceu significativamente o número de pessoas ao redor do mundo que ajudaram um estranho e doaram seu tempo, mas diminuiu a proporção daqueles que doaram dinheiro, segundo o WGI – World Giving Index

John Low, executivo chefe da CAF, lamenta: “Pelo segundo ano consecutivos, vimos um declínio na proporção de pessoas que doaram dinheiro por uma boa causa. Isso deve ser um alerta para toda a sociedade civil de que a solidariedade deve ser uma ação contínua e que o jogo não está ganho”.

Fonte: IDIS










terça-feira, 27 de março de 2018

Niterói terá Telecentro de Inclusão Sociodigital



Telecentro será inaugurado na Pestalozzi Niterói. Foto: Divulgação


Laboratório é voltado para pessoas com deficiência intelectual. Inauguração acontecerá na sede da Pestalozzi

A Prefeitura de Niterói fará a entrega nesta quarta-feira (28), às 10 horas, do primeiro telecentro de inclusão sociodigital voltado para pessoas com deficiência intelectual na sede da Pestalozzi de Niterói. O Telecentro que já atende a cerca de 150 crianças e jovens da escola especializada da instituição, funcionará também, de segunda a sexta-feira de 9h às 17 horas, para funcionários da Pestalozzi, pais de alunos e moradores do bairro do Badu, onde a ong está localizada.

“É um grande desafio a criação desse telecentro voltado especialmente para pessoas com deficiência intelectual. Estamos aprendendo junto com a Pestalozzi e o objetivo é replicar a experiência em outros pontos da cidade”, acredita Adriana Neves, diretora da Secretaria de Ciência e Tecnologia do município e responsável pelo programa.

O Telecentro funciona no laboratório de informática que a instituição abriga desde 2001 quando foi iniciado pelo Ministério da Educação um programa de inclusão digital no país. “O que estamos fazendo e abrindo essa nossa unidade, com o apoio da Prefeitura para uma nova experiência com nossos alunos e ampliando isso para a comunidade”, explica o professor José Raymundo Martins Romeo, atual presidente da Pestalozzi de Niterói, lembrando que os 12 computadores foram doados pela Dataprev, empresa federal, à Pestalozzi.

Secretário de Ciência e Tecnologia do município, o médico José Seba comemora a parceria e afirma que o principal legado da tecnologia é oferecer bem-estar e qualidade de vida às pessoas. “É esse o objetivo principal do projeto que estamos desenvolvendo na Pestalozzi”, conclui.

Fonte: O Fluminense









domingo, 25 de fevereiro de 2018

DOAÇÕES NO BRASIL: Relatório mostra como, quanto e para quem o brasileiro doa





Esta publicação traz alguns resultados selecionados da Pesquisa Doação Brasil, uma iniciativa coordenada pelo IDIS em parceria com um grupo de especialistas e atores relevantes para o campo da cultura de doação no Brasil.

É a primeira pesquisa de abrangência nacional a mapear os hábitos de doação dos indivíduos no Brasil.

Fonte: IDIS

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IDIS lança pesquisa sobre o cenário da doação no Brasil

Em novembro do ano passado, o Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) convidou representantes do campo social e demais interessados para o lançamento dos resultados da pesquisa sobre a doação individual no país realizada pela Charities Aid Foundation (CAF), instituição sediada no Reino Unido e representada no Brasil pelo IDIS. O FICAS participou do evento realizado no Centro Ruth Cardoso, em São Paulo.

A pesquisa foi realizada com 1.313 pessoas acima dos 18 anos e com acesso a internet. Os resultados revelam um "cidadão generoso", que é motivado principalmente por: satisfação pessoal (51%), identificação com a causa (41%) e crença de que todos devem ajudar a resolver problemas sociais (40%). Entre as causas mais populares, se destacaram as organizações religiosas, que receberam o apoio de 49% das pessoas (o dízimo foi considerado doação), seguida do "apoio a crianças" (42%) e da "ajuda aos pobres" (20%).

"Os resultados mostram que as pessoas estão engajadas, sim, em mudar a sociedade para melhor. Um ponto de destaque para mim é perceber que não é a camada mais rica da população que tem disposto mais recursos do seu rendimento para colaborar com uma causa", afirma João Vitor Machado, da área da Mobilização de Recursos do FICAS.

A pesquisa revelou que o valor da doação média é de R$ 250 por ano. Esta média é mais alta entre a população de maior renda, porém as famílias de menor renda doam uma porcentagem maior: 1,2% da sua receita, enquanto famílias com rendimentos anuais acima de R$ 100 mil doam 0,4%.

A publicação "Giving Report 2017 Brasil" está disponível neste link.

Fonte: Ficas



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Principais Conclusões




As principais conclusões geradas por nossa análise sobre doações individuais no Brasil são as seguintes:

  • Mais de dois terços das pessoas pesquisadas doou dinheiro nos últimos 12 meses* (68%), seja doando a uma organização social, a uma igreja ou organização religiosa, ou patrocinando alguém (sem fins comerciais).
  • O apoio às organizações religiosas é a causa mais popular, com cerca de metade das pessoas pesquisadas fazendo doações dessa forma (49%).
  • A quantia típica (mediana) doada pelos que fizeram doações nos últimos 12 meses é de R$250.
  • Doar dinheiro diretamente na sede/escritório de uma organização social é a forma de doação mais popular (37%).
  • Mais da metade dos pesquisados (52%) fez trabalho voluntário nos últimos 12 meses, e o apoio a organizações religiosas também se mostrou a causa mais popular (40%).
  • Os brasileiros jovens, com idade entre 18 e 24 anos, apresentaram maior propensão fazer trabalho voluntário nas últimas quatro** semanas do que as pessoas mais velhas, com 41% tendo feito isso.
  • “Ter mais dinheiro” é o fator mais citado pelos pesquisados como incentivo a doar mais nos próximos 12 meses, com cerca de seis em dez (59%) dizendo que isso os encorajaria.

(*) O período de 12 meses cobre agosto/2016 a julho/2017
(**) O período de 4 semanas refere-se a semanas de junho e julho de 2017, variando de acordo com a data da entrevista.


Fonte: IDIS








quinta-feira, 24 de março de 2016

PROJETO GRAEL: O Mar como Caminho para a Inclusão






Por Joana Coccarelli

O mar não apenas como cenário para práticas esportivas como também para a educação profissionalizante e a criação de uma cultura ambientalmente responsável: isso resume a ideia por trás do Instituto Rumo Náutico, mais conhecido como Projeto Grael, com sede em Niterói, Rio de Janeiro.

A iniciativa foi idealizada em 1996 pelos velejadores medalhistas olímpicos Torben e Lars Grael, Marcelo Ferreira, além de Axel Grael, irmão de Torben e Lars. Em 1998, o projeto tornou-se realidade, e começou a promover entre os jovens a “Cultura da Maritimidade”, ou seja, a interação da sociedade com o mar. Desde então, por lá se passaram nada menos do que 16 mil alunos – todos em caráter gratuito.



Esporte, Educação e Meio Ambiente

Christa Grael, coordenadora geral do projeto, informa que o ensino da vela promovido no Instituto Rumo Náutico está ancorado nos quatro pilares educacionais da Unesco: autoconfiança, disciplina, o desenvolvimento da liderança e o sentido de equipe; mas utilizando o barco como instrumento de educação. “Aprender a velejar desenvolve a percepção de fenômenos e atributos da natureza”, diz ela. “O velejador adquire a sensibilidade para compreender as correntes e as marés, as rajadas de vento e suas variações, conhece outros fenômenos meteorológicos como formação de nuvens. Essa capacidade constitui em um importante passo para uma consistente educação ambiental”, completa.

Um dos melhores exemplos do alcance do projeto Grael é o velejador Samuel Gonçalves. Samuca, como é conhecido, foi aluno de 2001 a 2004 e, na sequência, representou o Instituto em competições de barco à vela, e chegou a ministrar um curso de Marinharia para os pais dos alunos durante um semestre inteiro. Hoje, Samuca é o proeiro de Lars Grael, e foram, juntos, campeões mundiais de Vela na classe star em 2015. Para Lars Grael ser campeão mundial ao lado de um aluno oriundo do projeto Grael é "uma realização, um orgulho", ressaltou. Já Samuel mostra que é além de um grande velejador, um multiplicador dos ideais do projeto: “Nosso país não tem cultura esportiva, principalmente na área náutica. O Projeto Grael está ajudando a propagar conhecimento náutico dentro do nosso país”, diz ele.

Aspecto Social É Chave

A importância do aspecto social do projeto é, para Samuel, outro ponto forte. O atleta vê na cultura da Maritimidade um grande suporte moral e educacional para jovens de origens mais carentes: “Alguns conceitos importantes são transmitido aos alunos, como respeito à natureza, cuidar de algo que não é seu mas você pode usar, tomar decisões sozinho, assumir seu próprio erro e tentar corrigi-lo, saber ganhar, perder e saber apenas competir...”




Christa Grael completa: “A vela impõe senso de oportunidade e risco, de desafio, de limite e de respeito às adversidades. É um esporte que estimula o interesse pela tecnologia, pela física, pela matemática e essa potencialidade auxilia a compreensão e o aprendizado na escola regular”.

O alcance social não seria tão grande se aulas de vela e cursos profissionalizantes não fossem oferecidos gratuitamente. Para que isso seja possível, o Instituto Rumo Náutico recebe recursos de patrocinadores privados (por meio de incentivos fiscais), doações individuais e repasses públicos, por intermédio deconvênios. Entre os principais apoiadores do exercício 2015/ 2016 estão Volvo, CCR, BG Brasil, Instituto Lojas Renner, Akzo Nobel e Aelatory.

Outra aliança que beneficia os alunos é a parceria com instituições públicas e privadas que oferecem outras vivências. É o caso, por exemplo, do curso de Marinheiro Auxiliar de Convés, ministrado pela Marinha do Brasil nas dependências do Instituto Rumo Náutico.

Projeto visa estreitar a relação do brasileiro com o mar

Em 2016 o Projeto Grael abriu inscrições para os cursos de Desenvolvimento Esportivo e de Iniciação Profissionalizante, que inclui mecânica de motor de popa, marcenaria, carpintaria, fibra de vidro, capotaria (costura náutica) e eletroeletrônica para alunos de 9 a 29 anos, desde que estejam matriculados ou tenham concluído o Ensino Médio em escola pública.



Para Samuel, o grande ganho transcende a programação oficial do Projeto: “O principal é o carinho e o respeito que os alunos recebem – e aprendem a dar de volta para as pessoas ao seu redor.”

Para Lars Grael é muito importante que o país melhore sua relação com o mar, tanto na questão ambiental como na questão do acesso a ele: "Temos uma costa enorme mas o brasileiro conhece apenas a praia, não o mar. Perdemos incríveis oportunidades de desenvolver a cultura náutica e ao mesmo tempo acabamos por descuidar ambientalmente do mar - por não haver essa relação mais íntima. O projeto Grael explora essas duas frentes e o desenvolvimento de cidadãos conscientes. Ser um campeão na vela é um detalhe: queremos dar oportunidade as pessoas a desenvolverem boas atitudes na vida e com o mar”, conclui Grael.

Para patrocinar o Projeto Grael entre em contato com soudoesporte@soudoesporte.com.br

Fonte: Esporte Essencial









terça-feira, 11 de agosto de 2015

Studio Cocoon lança linha de pulseiras masculinas. 30% da renda será revertida para o Projeto Grael




No último dia 6 de agosto, meus irmãos Torben Grael e Lars Grael estiveram no lançamento das primeiras joias masculinas do @Estúdio Cocoon!

Inspiradas no universo náutico, elas terão 30% da renda revertida para o Projeto Grael!

Confira algumas das matérias que saíram na internet:

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Studio Cocoon lança coleção masculina com Lars Grael e outros

Lars e Torbel Grael com Guilherme Almeida. Créditos: Marcos Mesquita / Divulgação.

O Studio Cocoon, do trio Andrea Filgueiras, Karina Almeida e Viviane Ferreira, e que responde por coleções de joias delicadas e disputadas entre as glamurettes, lançou nessa quinta-feira seu primeiro projeto voltado ao universo masculino: uma linha de pulseiras náuticas criada em parceria com grandes velejadores, que terá 30% do lucro revertidos para o Projeto Grael.

O evento aconteceu no restaurante Rufino’s, no Itaim, em São Paulo, seguido de uma palestra com o velejador Lars Grael, fundador da instituto. Lembrando que os modelos são feitos de prata com banho de ouro e diamante negro, mais materiais do universo navy como cabos de aço. O detalhe mais especial fica por conta do fecho das pulseiras, onde poderão ser gravadas à mão informações pessoais como nome, telefone e tipo sanguíneo.

Fonte: http://bit.ly/1hw5Xlm

Acesse outras matérias em:
http://bit.ly/1TqtU9x
http://bit.ly/1DGKFLX





sábado, 14 de março de 2015

PAÍS PRECISA DE MAIS INVESTIDORES SOCIAIS


Projeto Grael. Foto Mariza Formaginni.


Dizer que as ONGs não são sustentáveis por depender de doações é como dizer que as empresas não são sustentáveis por depender de vendas
 
por

Se no Brasil 24% das empresas fecham antes de dois anos de funcionamento (de acordo com o Censo Sebrae de 2013) e nos EUA metade não resiste a mais de quatro anos (segundo média de diversos estudos), por que insistimos em dizer que as ONGs não são sustentáveis, mesmo sabendo que há algumas com mais de cem anos de existência?
 
Se no Brasil 24% das empresas fecham antes de dois anos de funcionamento e nos EUA metade não resiste a mais de quatro anos, por que insistimos em dizer que as ONGs não são sustentáveis, mesmo sabendo que há algumas com mais de cem anos de existência?

A definição de sustentabilidade financeira não é tão complicada assim: uma empresa, uma organização social ou mesmo um governo é sustentável se recebe mais do que gasta. Quando isso não acontece, a consequência é clara: empresas quebram e organizações sociais fecham.

A entrada de recursos para uma ONG se dá por meio de doações; para uma empresa, por meio da venda de um produto ou serviço. Ambas são receitas “válidas” — a única diferença está no fato de que as doações são feitas para beneficiar terceiros, e as compras, o próprio comprador. Dizer que as ONGs não são sustentáveis por depender de doações é como dizer que as empresas não são sustentáveis por depender de vendas.

O desafio de sustentabilidade não se deve a escolha do modelo ONG. A maioria delas é ou deveria ser sustentável, considerando que doação é uma fonte de receita “legítima”. Em vez de insistir na lógica de receita comercial e propor soluções inadequadas para os desafios do terceiro setor, deveríamos investir no crescimento de uma cultura de filantropia e doação. Cada um de nós pode se engajar destinando uma pequena parcela de sua renda ou patrimônio para desafios sociais.
 
Em vez de insistir na lógica de receita comercial e propor soluções inadequadas para os desafios do terceiro setor, deveríamos investir no crescimento de uma cultura de filantropia e doação.


É importante frisar que o ponto aqui não é defender que as organizações sociais são todas financeiramente sustentáveis — nem as empresas o são. Mas sim confrontar a ideia que ONGs tenham que ser sustentáveis somente por meio da geração de receita comercial.

O real desafio para qualquer organização é o de ter fonte de renda que seja previsível, diversificada e maior do que os custos. Para uma ONG, ter um único doador é tão ruim quanto para uma empresa ter um único comprador. Seguindo a lógica, ter uma base de pequenos, médios e grandes doadores, nacionais e internacionais, pessoas físicas e jurídicas, é tão bom quanto uma empresa ter uma base diversificada de compradores.

Há ainda outros dois fatores que desequilibram o campo de comparações entre essas duas formas de organização.

O primeiro é o de que há muito mais dinheiro para investir no mundo “comercial” do que no mundo “social”. A diferença na ordem de magnitude fica evidente ao comparar os valores mencionados nos mercados de ações e crédito (trilhões de reais) a qualquer estimativa do setor social (na SITAWI utilizamos R$ 30 bilhões).

O segundo, sobre o qual temos ingerência, é o de que a sociedade — isto é, nós e você — aceita pagar mais do que o “custo” por uma lata de água carbonatada com açúcar e químicos cancerígenos ou qualquer outro produto. É com essa diferença entre receita e custo que as empresas atraem bons profissionais com salários adequados, investem em marketing, inovação e atendem mais consumidores, o que gera mais recursos para fazer a roda girar, além de gerar condições de inovação e produção de conhecimento, necessários para qualquer setor avançar.

No entanto, de maneira geral, quando financiamos uma intervenção social, não aceitamos pagar mais do que seu custo direto, a sopa ou o abrigo para um sem-teto. A consequência óbvia disso é que as organizações sociais têm profissionais menos qualificados do que o ideal, investem pouco, têm dificuldade para inovar e não ganham escala.
 
"... a sociedade — isto é, nós e você — aceita pagar mais do que o “custo” por uma lata de água carbonatada com açúcar e químicos cancerígenos ou qualquer outro produto. É com essa diferença entre receita e custo que as empresas atraem bons profissionais com salários adequados, investem em marketing, inovação e atendem mais consumidores, o que gera mais recursos para fazer a roda girar, além de gerar condições de inovação e produção de conhecimento, necessários para qualquer setor avançar.

No entanto, de maneira geral, quando financiamos uma intervenção social, não aceitamos pagar mais do que seu custo direto, a sopa ou o abrigo para um sem-teto. A consequência óbvia disso é que as organizações sociais têm profissionais menos qualificados do que o ideal, investem pouco, têm dificuldade para inovar e não ganham escala".

Se acreditamos que nem o mercado nem o governo resolverão todos os problemas, precisamos de uma sociedade civil engajada e com organizações fortes e soluções criativas.

Caso queira ajudar a criar uma cultura de doação mais sólida e viabilizar a transformação social, faça a sua parte: quando for dar mesada ao seu filho(a), divida-a em três envelopes: um para ele(a) poupar, outro para gastar e um terceiro para doar. Caso queira fazer algo você mesmo, doe, doe mais e doe melhor. Sinceramente, esperamos que faça ambas.

Leonardo Letelier é diretor-executivo da SITAWI Finanças do Bem (instituição de financialmento social) e Beatriz Cardoso é diretora executiva do Laboratório de Educação

Fonte: O Globo


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O lado conservacionista das empresas brasileiras

EXEMPLOS DE AÇÕES E CONTRIBUIÇÕES DE ONGs PARA POLÍTICAS PÚBLICAS

Projeto Grael
Especialistas em esporte educacional visitam o Projeto Grael 
Fotos de uma velejada dos alunos do Projeto Grael na Baía de Guanabara
Projeto Grael é destaque em evento de excelência em gestão
Iniciativas do Projeto Grael na prevenção do lixo flutuante da Baía de Guanabara

Outras ONGs
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domingo, 21 de dezembro de 2014

Corrida Social movimenta 800 pessoas em Niterói


Cerca de 800 pessoas participaram do evento na Zona Sul de Niterói. Foto: Divulgação


Vanessa Lima

Primeira edição do projeto realizado neste domingo levou centenas de pessoas para caminhar e correr pela orla da zona sul da cidade e deve ganhar novas edições

Os bairros de Boa Viagem e São Domingos, em Niterói, receberam manhã deste domingo a edição do projeto ‘Corrida Social’. Praticantes de caminhadas e adeptos de uma boa corrida participaram da iniciativa que mobilizou cerca de 800 pessoas, segundo organizadores.

O evento que contou com o apoio da Prefeitura Municipal de Niterói, que teve como principal objetivo, além de incentivar a pratica de exercícios, arrecadar valores para a instituição beneficente Quinta de Ana. Agentes da NitTrans ofereceram apoio durante o percurso no controle de trafego de veículos na região.

Os participantes se reuniram por volta de 08h na Praça Benjamin Sodré, no bairro Boa Viagem, próximo do Museu de Arte Contemporânea (MAC) e percorreram dez quilômetros pela orla da região terminando na Concha Acústica, em São Domingos.

O evento classificou candidatos nas categorias: Masculino, Feminino e equipe. De acordo com o organizador da ação, Bruno Coelho, a iniciativa saudável visa beneficiar instituições de caridade por meio do incentivo à prática de atividades físicas. Ele ressalta que a estratégia é promover mais quatro eventos no próximo ano com foco na educação, saúde e meio ambiente. Nessa edição, 20% do valor arrecadado com as inscrições foi destinado Quintal de Ana, que trata de adoções.

“Observando pela perspectiva de que estamos vivendo em uma das cidades com o maior índice de desenvolvimento humano do país podemos afirmar que essa ação influencia diretamente no progresso do município. Enxergar as necessidades e carências da sociedade é de fundamental importância, uma vez que através dessa iniciativa novos projetos sociais podem ser desenvolvidos e a qualidade de vida será um bem de todos”, assegura o organizador.

Durante a entrega dos troféus, o secretário municipal de Esportes, Bruno Souza, avaliou a atividade como uma causa nobre que deixa clara a intenção do governo em apoiar ações que favorecem a população. No fim da premiação, ele fez um balanço positivo sobre o trabalho realizado ao longo do ano e certificou que órgão possui inúmeros projetos para pôr em prática no próximo semestre.

“Neste ano realizamos 80 eventos em apenas oito meses e a corrida social é um exemplo disso. Hoje podemos mostrar para a população que o esporte e o lazer vai muito além das atividades físicas. Nosso trabalho também alcança as ações sociais e tem preocupação com o bem-estar do cidadão. Por isso, tudo o que diz respeito a solidariedade e generosidade interessa o poder público”, disse o secretário.

Para a presidente do Quintal de Ana, Barbara Toledo, os benefícios da iniciativa são maiores que o valor arrecadado. Segundo ela, ter a oportunidade de mostrar o trabalho da instituição e conscientizar as pessoas sobre a importância do gesto de caridade é mais gratificante que a renda.

“O sucesso da corrida mostra o caráter da população fluminense. Quem esteve presente neste evento estava disposto a ajudar e provou isso durante o trajeto que contou com a participação de jovens, adultos e idosos. Esse ambiente familiar é o que nos alegra e permite que a ação faça parte do nosso calendário anual, assim outras organizações serão beneficiadas”, conclui.

Fonte: O Fluminense


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domingo, 30 de novembro de 2014

Campanha para um Natal mais humano em Niterói


Fernanda Sixel, presidente da ONG Niterói Mais Humana. Foto: arquivo


Vinicius Rodrigues

Restaurantes e lanchonetes participam de campanha em benefício de seis instituições da cidade. Clientes poderão colaborar com R$ 1 ao pagar a conta.

Uma parceria que deu certo. É assim que pode ser definida a campanha “Natal Mais Humano”, que consiste na união da Ong Niterói Mais Humana, com restaurantes e lanchonetes da cidade, a fim de angariar recursos financeiros que serão repassados a seis instituições de Niterói. Ao levar a conta para o cliente é sugerida a colaboração no valor de R$ 1 para a campanha. A cada real doado, o cliente recebe um ticket confirmando sua participação no Natal Mais Humano.

A primeira-dama da cidade, Fernanda Sixel, presidente da ONG Niterói Mais Humana, ressaltou a importância da cooperação da Câmara de Dirigentes e Lojistas de Niterói (CDL). Na conta Natal Mais Humana, o valor arrecadado será dividido igualmente para as instituições.

“O objetivo da campanha vai além de angariar recursos financeiros para as instituições. O que se pretende é chamar atenção para as causas abraçadas e também dizer a todos que se alguma vez sentiram o desejo de ajudar, de se voluntariar em alguma causa nobre, a hora é agora. O convite é para que Niterói realmente faça acontecer um Natal Mais Humano para todos.”, disse Fernanda Sixel.

Já o presidente da CDL e secretário de Desenvolvimento Econômico, Fabiano Gonçalves, disse que o momento é de potencializar o espírito de solidariedade e fraternidade do Natal.

“Quero parabenizar a Fernanda Sixel e toda a sua equipe da Niterói Mais Humana, que é enxuta, mas muito eficiente nas ações. O melhor de tudo é que as instituições que receberão a arrecadação serão muito beneficiadas e eu fico muito feliz de poder participar dessa iniciativa”, disse Fabiano Gonçalves.

A campanha irá até 31 de dezembro e já conta com a adesão de 35 restaurantes de nove polos gastronômicos de Niterói. Quem quiser, pode doar através da Caixa Econômica, agência 2180, operação 003, conta 145-7.

Mais informações no site www.natalmaishumano.com.br

Fonte: O Fluminense




sexta-feira, 9 de maio de 2014

Irmãos Grael apoiam campanha humanitária de velejador francês recordista da Travessia do Atlântico


Foto: Gustavo Pacheco

Lars e seu irmão Torben Grael, prestigiaram na noite de ontem no Iate Clube do Rio de Janeiro, o célebre velejador solitário francês Francis Joyon.

A bordo do seu trimarã IDEC, Joyon conquistou o recorde da travessia em solitário do Atlântico Norte em impressionantes 5 dias (média de velocidade de aprox.. 26kts / hora)

Navegou de Bordeaux (França) ao Rio de Janeiro em 13 dias. No Rio, divulga campanha de apoio ao tratamento do câncer infantil.

Na ocasião, os irmãos Grael assinaram uma Vela de Joyon que será leiloada em favor da causa.

Dentre os signatários, vários ídolos do esporte global, dentre eles, dos integrantes da seleção francesa de futebol que estarão na Copa no Brasil.

Fonte: Lars Grael




quarta-feira, 16 de abril de 2014

Especialistas questionam alinhamento do investimento social corporativo ao negócio da empresa




A ideia de que o investimento social corporativo deve estar alinhado aos negócios da empresa tem predominado de tal maneira na sociedade civil que chega a parecer inquestionável. Mas não é.

O 8º Congresso do Gife, realizado em São Paulo entre 19 e 21 de março, organizou uma mesa para discutir justamente “Investimento social e negócio: dilemas do alinhamento“.

O secretário geral do Gife, André Degenszajn, apresentou dados segundo os quais 50% das empresas associadas à organização têm suas ações sociais total ou parcialmente alinhadas. Ele próprio, porém, comentou que esse movimento pode gerar uma indesejável “indeterminação entre interesses privado e público”. “O alinhamento é tendência nova, mas há resistências a ele pelo medo de que interesses privados se sobreponham à ação social”, reforçou Anna Peliano, coordenadora da pesquisa Benchmark do Investimento Social Corporativo (Bisc), da Comunitas.

O risco é a lógica empresarial invadir o campo social, apontou Francisco Azevedo, diretor do Instituto Camargo Corrêa. Há uma “dificuldade de alinhar a lógica de resultados”, típica das empresas, “e a de valores”, das fundações e institutos empresariais.

O ideal, de qualquer forma, é que o alinhamento seja mútuo, defendeu o pesquisador mexicano Rodrigo Villar, do Centro de Investigação e Estudos sobre Sociedade Civil (Ciesc). “É problemático se for unilateral, a empresa também tem de estar alinhada à experiência social de sua fundação”. Azevedo fez coro: “Há a oportunidade de incorporar a cultura do investimento social no negócio, ajudando a humanizá-lo”.




O professor Ricardo Abramovay, da Faculdade de Economia e Administração da USP, mostrou certo ceticismo sobre essa possibilidade. “Não encontrei na literatura sobre o assunto nenhum caso desse tipo”. Para Anna Peliano, é “uma atribuição forte demais aos institutos pensar que eles podem mudar a lógica das empresas; são estas que têm de querer mudar”. Ela lembrou, no entanto, que empresas que fazem investimento social já demonstram alguma preocupação com o tema. “Os institutos e fundações são a inteligência social das empresas, os receptores e transmissores de demandas para dentro das corporações.”

Villar apontou uma das maneiras de mitigar a excessiva influência das empresas sobre seu braço social: “Quando fundações e institutos não têm pessoas de fora, da sociedade, na governança, há problemas”. Na mesma linha, Azevedo acrescentou: “É preciso oxigenar os conselhos de fundações e instituições”.

O diretor do Instituto Camargo Corrêa argumentou também que mudanças no financiamento das organizações sociais corporativas poderiam diminuir os riscos de problemas. “Entidades com patrimônio próprio têm maior independência de ação e, no Brasil, em geral, não é assim, todo ano é uma briga para aprovar orçamento”, testemunhou Azevedo.

Fonte: IDIS


quarta-feira, 5 de março de 2014

PESQUISA: BRASILEIROS AJUDAM MAIS PESSOAS PEDINTES DE RUA E IGREJAS QUE ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL


Pesquisa IDIS/Ipsos Public Affairs: Retrato da Doação no Brasil

Estudo revela novos aspectos do comportamento do brasileiro em relação à doação:
 
a) Brasileiros não se sentem estimulados para doação e voluntariado;
b) Brasileiros doam mais para pedintes de rua e igrejas do que para organizações da sociedade civil.
c) 84% da população desconhece que pode fazer doações utilizando parte do Imposto de Renda.
d) Crianças e idosos são grupos populacionais que mais sensibilizam a população para doações em dinheiro.
 
São Paulo, fevereiro de 2014 – O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e a Ipsos Public Affairs divulgam os resultados da pesquisa Retrato da Doação no Brasil, em um estudo que traça o perfil do brasileiro em relação às doações e causas sociais.

O levantamento realizado em três etapas e que ouviu mil pessoas em cada fase, em 70 cidades do Brasil, sendo nove regiões metropolitanas, concluiu que o hábito de doar, seja tempo ou recursos, não faz parte da cultura do brasileiro. Um exemplo disso é que 73% não se sentem estimulados pelo seu círculo de convivência (família, comunidade, escola e trabalho) a realizar doações ou trabalho voluntário. “A Copa do Mundo Fifa, que se aproxima, bem como os Jogos Olímpicos, em 2016, são eventos que poderão contribuir para incentivar o voluntariado no País e o governo pode aproveitar este momento para fomentar a cultura de doação junto à sociedade”, analisa Paula Jancso Fabiani, diretora executiva do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social.

Em relação à doação em dinheiro, poucos brasileiros tiram a mão do bolso, mas quando o fazem destinam as doações para pedintes (30%), para igrejas (30%) e, em terceiro lugar, para organizações da sociedade civil (14%). “O aumento da renda média da população não parece estar refletida no percentual da população que doa. Um dos motivos que pode explicar essa tendência é a percepção do brasileiro de que o governo está preenchendo essa lacuna, com políticas de transferência de renda, como o Bolsa Família”, pondera Paula Jancso Fabiani, diretora executiva do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social.

1 – Brasileiros ajudam mais pessoas pedintes de rua e igrejas que organizações da sociedade civil:
Ipsos 2014 Grafico 1

2 - Os brasileiros da região Nordeste são os mais sensíveis a doar para pedintes, enquanto os da região Norte e Centro-Oeste doam mais para organizações da sociedade civil e igrejas quando comparados com os das outras regiões.
Ipsos 2014 Grafico 2

3 - Do total de doações, as classes C, D e E doaram mais para pedintes de rua e para igreja em comparação as classes A e B, que doam em proporção maior para organizações:
Ipsos 2014 Grafico 3

4 - Em relação às causas que inspiram os brasileiros a doar, crianças estão em primeiro lugar (33%), seguidas de idosos (18%), saúde (17%) e educação (7%).

5 - Outro ponto que merece atenção é o motivo para poucos brasileiros doarem. Do total de entrevistados, 58% informaram que não têm dinheiro, enquanto 18% afirmaram que não doaram porque ninguém solicitou e 12% porque não confiam nas organizações. A pesquisa também descobriu que 85% dos entrevistados não recebeu nenhum pedido de doação provenientes de organizações nos últimos 12 meses.

“Números indicam que também falta a ‘cultura de pedir’ por parte de quem precisa dos recursos. Esse resultado reforça a percepção de que há muito espaço para o crescimento das doações, a partir de um trabalho de captação estruturado e persistente”, define Paula Jancso Fabiani, diretora executiva do IDIS.

6 – Brasileiros não doam por falta de recursos e por não receberem pedido de doação:
Ipsos 2014 Grafico 4

Em relação aos mecanismos de doações dedutíveis do Imposto de Renda, o desconhecimento dos brasileiros é grande: 84% disseram não conhecê-los. Esse percentual é significativo e indica o potencial de crescimento para doações realizadas via incentivos fiscais. “Atualmente a dedução praticamente só pode ser realizada quando a doação é para projetos via leis de incentivos ou Fumcad – Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. O ideal é que haja a ampliação do incentivo fiscal para dar liberdade para o doador beneficiar diretamente as organizações da sociedade civil”, explica Paula Jancso Fabiani, diretora executiva do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social. 

Ipsos 2014 Grafico 5

Metodologia da pesquisa Public Affairs - A pesquisa Ipsos Public Affairs foi realizada em três etapas: julho, outubro e dezembro de 2013, a partir de entrevistas quantitativas com mil pessoas em cada rodada. A primeira etapa foi probabilística para a seleção dos municípios: 70 municípios do Brasil, sendo nove regiões metropolitanas. Na segunda etapa foram selecionados aleatoriamente setores censitários para compor a amostra e as entrevistas foram realizadas nos domicílios a partir de cotas das variáveis  sexo, idade, ocupação, nível sócio econômico e nível de escolaridade. A margem de erro da pesquisa Ipsos Public Affairs é de 3 pontos porcentuais, com coeficiente de confiança de 95%.

** Percentuais baseados nos entrevistados que utilizaram pelo menos um canal de comunicação para entrar em contato com alguma empresa nos últimos 12 meses.

Informações à imprensa – G4 Solutions
Tamer Comunicação Empresarial
Geyse Alencar – geyse@tamer.com.br
(11) 3031-2388// 9-9940-0128

Fonte: IDIS

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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Pesquisa aponta forte retomada de grandes doações de pessoas físicas nos EUA




17/02/2014 Um levantamento da The Chronicle of Philantropy, publicação voltada para o setor filantrópico, indica uma forte retomada de grandes doações de pessoas físicas nos Estados Unidos em 2013. Tomando como base apenas valores acima de U$ 100 milhões e doações feitas de maneira pública, a pesquisa mostra que o montante chegou a U$ 3,4 bilhões.

Apenas o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, e sua esposa, Priscilla Chan, repassaram quase um terço do valor total. Eles destinaram 18 milhões de ações da empresa de tecnologia, o equivalente a cerca de U$ 990 milhões, para a Silicon Valley Community Foundation. Foi a primeira vez que pessoas com menos de 30 anos lideraram o ranking, segundo o levantamento. No ano passado, o casal já havia ficado em segundo lugar no ranking, doando a mesma quantidade de ações, mas que na época valiam U$ 500 milhões.

Além disso, em 2012, apenas 11 pessoas doaram mais de U$ 100 milhões. No ano passado, foram 16. Isso, segundo a publicação, marcaria uma retomada das grandes doações de pessoas físicas.

No ano retrasado, na verdade, o valor absoluto doado foi maior do que no ano passado: total de U$ 5 bilhões. No entanto, o megainvestidor Warren Buffet ajudou a desequilibrar os números de 2012: sozinho, fez três doações de U$ 1 bilhão para as fundações de seus filhos. Sem a parte de Buffet, os recursos doados por indivíduos (nos parâmetros considerados pela The Chronicle of Philantropy) somaram U$ 2 bilhões. Mesmo com o bom desempenho em 2013, as doações acima de U$ 100 milhões ainda não atingiram as marcas de antes da crise econômica. Em 2007, foi doado um total de U$ 4,1 bilhões.

Ainda assim, a perspectiva é de que o crescimento continue. A editora da The Chronicle of Philantropy, Stacy Palmer, afirmou ao Huffington Post que “as pessoas parecem mais otimistas com a economia, e, certamente, o mercado de ações forte incentivou muitas doações”. Por isso, ela conclui que “parece que teremos um ano melhor”.

Beneficiários

Segundo o estudo, o ensino superior foi quem mais se beneficiou das grandes doações. Das 15 iniciativas que constam da lista, 12 foram para instituições desse setor.

Se Zuckerberg e Priscilla Chan destinaram recursos a uma entidade comunitária, os segundos colocados no ranking investiram forte em pesquisas universitárias. Philip Knight, cofundador da Nike, e sua esposa, Penelope, deram U$ 500 milhões para a Oregon Health and Science University Foundation, voltada a pesquisas sobre câncer.

Já Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova Iorque e fundador de uma empresa de comunicação que leva seu nome, destinou U$ 350 milhões para a Johns Hopkins University, com o objetivo de promover estudos interdisciplinares e dar ajuda financeira para estudantes de graduação.

Fonte: IDIS

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Por que os investidores sociais brasileiros não divulgam o quanto doam?



 
17/02/2014 - O jornal quinzenal “The Chronicle of Philantropy” faz, todo ano, uma lista das maiores doações feitas publicamente por norte-americanos. Considerando apenas as maiores de 1 milhão de dólares, foram doados U$ 9,6 bilhões em 2013. No Brasil esses números são desconhecidos - aqui, não se sabe quanto, ou mesmo se, os detentores de grande fortuna doam a causas sociais. Para entender essa realidade, o IDIS convidou quatro especialistas para comentar. Entre os pontos em comum observados, eles indicam a necessidade de criar uma cultura de doação (ainda incipiente no Brasil, ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos) e a importância de falar publicamente sobre doações para inspirar outras pessoas.
 
Alguns apontaram, no silêncio dos milionários brasileiros, razões de segurança; outros veem um problema mais de fundo, a desigualdade social, que faria a elite viver em uma redoma e, por isso, não ter senso coletivo.
 
Veja abaixo os principais trechos das respostas:
 
 
Joana Mortari, diretora da Associação Acorde:
 
“Nos Estados Unidos, declarar a doação é algo positivo e valorizado. As pessoas doam para inspirar e também para serem reconhecidas e admiradas. No Brasil, a admiração está apenas no ganhar, e não no doar. Os valores são diferentes.”
 
“Muitos aqui dizem que o problema é a falta de incentivo fiscal para doação. Mas, se doar fosse um valor e gerasse reconhecimento social (status), as pessoas tirariam do caixa e não ficariam esperando um dinheiro de renúncia fiscal para doar – dinheiro que, aliás, é considerado para muitos como do governo, já que o poder público está abrindo mão de um recolhimento. Incentivo ajuda, mas a falta dele não é o centro do problema.”
 
“O norte-americano tem um sentimento de construção coletiva da nação, de corresponsabilidade com o governo na construção do país. Já no Brasil nós delegamos ao governo e ponto. Assim, há uma sensação coletiva de que se pagamos os impostos, fizemos nossa parte. Nesse contexto, declarar grandes doações inspira mais críticas do que seguidores. Acrescente a isso que existe um problema de segurança, e pronto: não há nenhum bom motivo mesmo para declarar doações.”
 
“Precisamos mudar esse sistema de valores ao fomentar a cultura de doação. Quando doar for motivo de orgulho e reconhecimento social, fazer o ranking será o mais fácil.”
 
 
Paula Fabiani, diretora-executiva do IDIS:
 
“Temos poucos dados nessa área. Estudos como o Censo e a Pesquisa de Orçamento Familiar, ambos do IBGE, não abordam de forma direta a questão da doação no país. Os bancos tampouco mapeiam os valores relativos à doação de seus clientes de alto poder aquisitivo. E as informações das declarações de Imposto de Renda também não nos fornecem um bom panorama, pois há poucas possibilidades de utilização de incentivo fiscal (o que não estimula o doador a declarar a doação), a declaração de Imposto de Renda simplificada não permite informar a doação, e o universo de declarações completa se restringe a algo em torno de 10 milhões de brasileiros.”
 
“Faltam motivadores para a declaração da doação, pois o governo não realiza campanhas nem dá suporte para incentivar esse tipo de atitude.”
 
“Existem evidências para se pensar que o investidor social privado é relutante em expor os valores de doação. Uma razão importante é o fato de as doações ocorrerem via empresa, para a qual há incentivos fiscais mais abrangentes. Outro motivo reportado por alguns é a questão da segurança. Além disso, a exposição gera um aumento no volume de solicitações de doações.”
 
“Não existem estudos que demonstram um panorama das grandes doações individuais, como ocorre nos Estados Unidos e em alguns países da Europa. A inexistência dessa informação dificulta a identificação do tamanho do setor filantrópico e sua evolução ao longo dos anos, assim como a própria ação das organizações da sociedade civil na captação de recursos.”
 
“Em 2013, assistimos à maior doação individual do ano nos Estados Unidos, e de um indivíduo com menos de 30 anos: Mark Zuckerberg, cofundador do Facebook doou US$ 1 bilhão para a Silicon Valley Community Foundation. Não temos informações dessa natureza para inspirar nossos investidores sociais no Brasil.”
 
“Os filantropos brasileiros precisam se sentir parte de uma comunidade e, para isso, precisam de informações sobre essa comunidade. É imperativo realizar um mapeamento periódico que permita ao setor e ao governo buscar políticas públicas mais favoráveis e acompanhar o impacto destas no desenvolvimento do setor filantrópico no país.”
 
 
Marcos Flávio Azzi, fundador do Instituto Azzi
 
“O topo de tudo é a falta de senso coletivo, a vida ‘guetizada’ que as pessoas vivem. Pode-se tranquilamente viver num oásis de primeiro mundo, completamente isolado do Brasil como um todo. Disso, derivam todos os problemas.”
 
“O senso coletivo da classe baixa é maior. Ela vive a realidade, usa os instrumentos públicos, o hospital, a escola, o transporte coletivo, o parque.”
 
“Aqui, a pessoa não é elogiada por fazer doação nem recriminada por não fazer, e isso já abre um abismo entre a gente e os norte-americanos”
 
“Ter comportamento altruísta é doar uma parcela relevante do patrimônio, de forma recorrente, com um objetivo específico e impessoal, sem esperar algum tipo de benefício. Aqui, as pessoas de alto poder aquisitivo fazem exatamente o oposto: a doação é esporádica, não é recorrente, é irrelevante em relação ao patrimônio e, geralmente, visando algum benefício – porque um amigo pediu ou tem algum incentivo fiscal”.
 
“Mais importante do que ter incentivos fiscais é ter desincentivos para não doar. Nos Estados Unidos, as heranças são taxadas em 50%, enquanto em São Paulo são só 4%. Os norte-americanos não doam porque há incentivos, mas sim porque ser filantropo vem de berço – isso é que forçou a criação dos incentivos”.
 
“Para melhorar a situação do investimento social privado no Brasil, é preciso aproximar cada vez mais a classe alta do coletivo, usando instrumentos que tornem o coletivo mais presente; o incentivo fiscal é importante, claro, mas tem de fazer umas 20 coisas para reverter a situação atual”.
 
 
Anna Maria Peliano, pesquisadora do Ipea, coordenadora do estudo “Benchmark do investimento social corporativo”
 
“Há pesquisas sobre empresas, mas não para doações individuais, ainda que o investimento social privado de negócios familiares tenha a ver com as opiniões dos donos. A situação lembra a da filantropia corporativa de duas décadas atrás. O investimento social corporativo na década de 90 também não era divulgado, não se valorizava falar sobre isso”.
 
“O brasileiro não tem tradição de divulgar doações, diferentemente dos Estados Unidos. É importante falar sobre investimento social privado, principalmente os grandes doadores. Isso estimula os outros a fazerem o mesmo e cria uma cultura de doação”.
 
“Para melhorar o ambiente do investimento social privado no Brasil, é preciso estruturar, organizar, divulgar. A sociedade começa a valorizar, a ver que não é só promoção individual. Deve-se trazer exemplos, estruturas, práticas.”

Fonte: IDIS

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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Por um investimento social transformador


Andre Degenszajn*

O investimento social é definido pelo GIFE como o aporte voluntário de recursos privados para ações de interesse público. A questão fundamental, portanto, é estabelecida pela relação público-privado, que define tanto o investimento social, como o próprio GIFE. Fundado no início da década de 1990, o GIFE emerge no contexto de intenso crescimento da sociedade civil brasileira, que em 10 anos triplicou de tamanho (FASFIL 2010). Muitas organizações e associações foram estabelecidas nesses anos, após a abertura democrática e a promulgação da Constituição de 1988, contribuindo para o fortalecimento da infraestrutura da sociedade civil no país.

Ao mesmo tempo, nessa década também ganhava força o movimento pela responsabilidade social das empresas, em um contexto em que o setor privado refletia sobre o seu papel no desenvolvimento do país. A estruturação do campo do investimento social articulada à responsabilidade social das empresas é bastante característica da composição do GIFE, que tem cerca de 70% de seus associados de origem empresarial. Apesar de não representar a totalidade de investidores sociais brasileiros – o GIFE reúne atualmente cerca de 140 entidades – esse grupo é muito representativo do conjunto de investidores do país.

Apesar de ainda pequeno comparado ao percentual de organizações empresariais, vem crescendo a participação de investidores de origem familiar e independente. Os primeiros, impulsionados principalmente pela abertura de capital de algumas empresas e também pela tendência de institucionalização de investimentos familiares. Os investidores independentes têm se desenvolvido fundamentalmente pelo reconhecimento da necessidade de criação de instituições que tenham capacidade de investir na sustentabilidade financeira (e política) do campo de defesa de direitos.

Entre os principais elementos que caracterizam o setor, talvez o mais significativa seja a alta concentração de investimentos em educação. Mais de 80% dos associados do GIFE investem no tema, muitos deles como principal área de atuação. Esse é também o campo em que o investimento é mais consolidado, com experiências relevantes de articulação com políticas públicas no intuito de dar escala a tecnologias sociais desenvolvidas por investidores privados.

Há diversos fatores que podem explicar essa alta concentração do investimento social em educação. Há, de início, um amplo consenso na sociedade de que o investimento em educação seja provavelmente o principal fator para estimular o desenvolvimento do país. Ele tem operado como um gargalo que segura tanto o desenvolvimento econômico e social, quanto a manutenção de altos índices de desigualdade. Nesse sentido, é um campo em que há aceitação pública que prescinde de uma justificação de prioridade. Além disso, há ainda um argumento mais utilitário, talvez menos relevante, de que o investimento em educação pode representar uma economia para as próprias empresas, que, na medida em que há trabalhadores com melhor formação no mercado, elas não precisam investir seus próprios recursos na qualificação dos funcionários.

Outro aspecto marcante do investimento é o baixo percentual de recursos que são destinados a financiar organizações da sociedade civil – o que no contexto anglo-saxão define-se como grantmaking. Se nos Estados Unidos essa é a principal estratégia de atuação das fundações, no Brasil apenas 29% dos recursos, que em 2012 totalizaram R$ 2,35 bilhões, são investidos em doação (Censo GIFE 2012). Isso significa, na prática, que esse conjunto de organizações tem contribuído pouco para o fortalecimento das organizações da sociedade civil (OSC). Ao mesmo tempo, é verdade que há um montante significativo de recursos transferidos às OSC, mas boa parte no contexto de contratação como prestadoras de serviço, o que também não assegura seu fortalecimento.

Ainda na caracterização do campo, muito em função da concentração de investidores empresariais, cerca de 60% dos associados do GIFE investem, não de forma exclusiva, em ações vinculadas ao seu negócio (no caso das empresas) ou ao negócio de suas mantenedoras (institutos e fundações). Essa é uma tendência que tem ganhado força, tanto pelo reconhecimento do papel que o investimento social cumpre na construção da reputação da empresa, como, e principalmente, por sua relevância para o próprio negócio. Esse valor manifesta-se, por exemplo, na construção da licença social para operar, situação na qual a empresa necessita desenvolver um relacionamento sustentável com as comunidades impactadas pelo negócio. Nesse contexto, a empresa negocia com a comunidade as condições para a sua atuação, viabilizando o próprio negócio e buscando construir um legado social positivo.

Essa tendência confirma uma mudança relevante no paradigma que orientou a criação de institutos e fundações empresariais na década de 1990. A premissa então vigente era a de que as empresas deveriam distanciar sua ação social dos negócios, de tal forma que o interesse privado (levado adiante pela empresa) não “contaminasse” o sentido público da atuação dos institutos (seus “braços sociais”). As empresas se transformaram e, principalmente, a sociedade mudou a sua percepção e sua capacidade de controle social sobre a atuação das empresas. A noção de que os negócios poderiam ser conduzidos as usual, desde que houvesse alguma boa ação social, não se sustenta. A empresa passa a ser cobrada por uma maior coerência na sua atuação. Esse movimento abre espaço a uma ressignificação do papel do investimento social, seja conduzido por um instituto ou por uma área dentro da empresa.

Nesse novo contexto, o investimento social empresarial não apenas deve ser capaz de identificar áreas sociais em que pode gerar impactos relevantes, mas também potencializar a sua atuação contribuindo para a gestão dos investimentos sociais compulsórios da empresa e no próprio relacionamento com as comunidades impactadas pelo negócio.

Esse é um papel desafiador para as empresas, pois instaura-se uma relação complexa entre um ator forte, organizado, com recursos, e uma comunidade muitas vezes desarticulada e com demandas sociais básicas. Essa situação, se adotarmos um olhar precipitado, pode parecer favorável à empresa, que enfrentará menos controle social e poderá impor seus interesses com mais facilidade. No entanto, essa dinâmica de poder extremamente desigual favorece a construção de relações clientelistas e de favorecimento, o que no médio ou longo prazo poderá operar contra os interesses da empresa – e certamente contra os interesses na sociedade.

Se a empresa está disposta a construir uma relação de confiança e transparência com a sociedade, ela precisa de organizações forte e autônomas operando nos contextos em que atua. Organizações que sejam capazes de articular de maneira legitima os interesses da comunidade e dialogar abertamente com a empresa. O reconhecimento e a exposição das contradições inerentes à operação de uma empresa, seja diante do desafio da sustentabilidade ou de uma relação equilibrada com a sociedade, são fundamentais para a construção das bases de um relacionamento de confiança.

Uma atuação responsável da empresa e um investimento social transformador passam pelo investimento na construção de uma sociedade civil forte, autônoma e sustentável.

* Andre Degenszajn é secretário-geral do GIFE

Fonte: redeGIFE