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quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Produção orgânica está em expansão no país





Em 2017, o setor faturou R$ 3,5 bilhões no mercado nacional

Há várias gerações a agricultura orgânica está presente na rotina da família da paraibana Maria Alves, de 65 anos, uma das coordenadoras de um movimento de produção regional na Grande São Paulo. O exemplo veio da avó que viveu mais de 100 anos e dedicou-se à agricultura.

“Eu vivi sempre na agricultura. Com 7 anos, eu já ajudava meu pai. Em família de agricultores, os filhos já começam muito cedo a trabalhar. Minha avó viveu 101 anos, sempre na agricultura, foi uma mulher que enfrentou muitas coisas, mas ela criou os filhos dela e era uma mulher feliz”, disse Maria Alves.

No ano passado, o setor de orgânicos, incluindo alimentos – in natura e industrializados –, cosméticos e têxtil, faturou R$ 3,5 bilhões apenas no mercado nacional, de acordo com dados do Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis). Em 2016, o faturamento foi R$ 3 bilhões. No primeiro ano do levantamento, em 2010, o setor havia faturado R$ 500 milhões.

Dados

Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, atualmente são 17.075 registros de entidades produtoras de orgânicos no país, das quais cerca de 70% dos produtores são de agricultura familiar.

Em 2013, eram apenas 6.700 registros. O último censo do setor, de 2006, mostra ainda que a agricultura familiar participava com 30% do valor bruto da produção agrícola e agropecuária no Brasil, o que representava em torno de R$ 12 bilhões, segundo dados do ministério.

Existem dois tipos de certificação para produtores orgânicos. O ministério tem, atualmente, oito certificadoras credenciadas que fazem a fiscalização das propriedades e assumem a responsabilidade pelo uso do selo brasileiro.

Acesse a publicação da pesquisa da Organis aqui.

Há também os Sistemas Participativos de Garantia (SPG), em que grupos formados por produtores, consumidores, técnicos e pesquisadores se certificam, ou seja, estabelecem procedimentos de verificação das normas de produção orgânica daqueles produtores que compõem o sistema. Tanto as certificadoras quanto os SPG precisam ser credenciados no Ministério da Agricultura.

Qualidade

Para a agricultora Maria Alves, a importância da produção orgânica está em preservar a terra, oferecer alimentação de qualidade à sociedade e cuidar da própria saúde ao não utilizar agrotóxicos e ainda produzir no modelo chamado agroecológico com respeito à biodiversidade e aos ciclos biológicos.

“Isso é segurança alimentar, mas ainda não temos soberania porque a pequena agricultura também precisa de incentivos, de ciência, de técnicas de apoio para podermos ampliar. É bom que todo mundo coma bem, por que não?”, reagiu.


Armazém do Campo vende produtos orgânicos, em Campos Elísios, região central de São Paulo - Rovena Rosa/Agência Brasil


Integrante de uma ação coletiva de produção regional com membros do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Maria Alves defende que o princípio econômico que rege a produção agrícola é o do “lucro ótimo” e, não do “lucro máximo”.

“A pequena agricultura [familiar] tem a diversidade, é normal você ter um pedacinho de terra e ali você ter um galinheiro, uma criação de pequenos animais, uma horta, um pomar, é diversidade. Você já ouviu falar que pequeno produtor ficou rico plantando? A ideia não é o lucro máximo, a gente tem que pensar no lucro ótimo: eu tiro meu sustento, eu consumo aquilo que eu planto com segurança e o excedente eu comercializo com segurança também porque você vem adquirindo consciência”, disse.

Preço

Maria Alves discorda da supervalorização dos produtos orgânicos em relação ao preço que é comercializado nos supermercados. “O certo não é ter um produto para ganhar muito dinheiro, esse produto vai para as mesas, vamos fazer um preço que as pessoas tenham acesso. Produzir com qualidade, talvez não com quantidade, porque quando você pensa em quantidade você vai explorar ou o homem ou a terra. Não pode ser um projeto de exploração e recursos", disse.

Edição: Carolina Pimentel

Fonte: Agência Brasil









segunda-feira, 23 de abril de 2018

TRANSGÊNICOS: Comissão de Meio Ambiente do Senado aprova fim de selo de identificação de produtos com transgênicos



OPINIÃO DE AXEL GRAEL:

Mais um retrocesso patrocinado por ruralistas e seus aliados no Congresso Nacional. Pasmem! A Comissão de Meio Ambiente do Senado aprovou o fim da rotulagem obrigatória nas embalagens de produtos que contenham transgênicos.

Se não há risco nos transgênicos como defende o relator do projeto-de-lei e seus aliados, por que esconder a informação dos consumidores? Se a denúncia contra transgênicos é um exagero dos ambientalistas, como gostam de dizer os seus defensores, por que não fazer o debate com a sociedade com argumentos com base científica e ser transparente, deixando que o consumidor escolha o que pretende consumir?

Os defensores do projeto alegam que a lei não permitirá a omissão da informação. No caso dos produtos com quantidade superior a 1% de transgênicos a informação deverá vir de forma legível no rótulo por meio de expressões como “(nome do produto) transgênico” ou “contém (nome do ingrediente) transgênico”.

No sistema de rotulagem vigente, os produtos com transgênicos são facilmente identificados com um triângulo amarelo com a letra "T" impresso de forma legível na embalagem. Na forma proposta, a informação será oferecida juntamente com outras informações sobre a composição do produto, que normalmente vem naquelas letras minúsculas num canto qualquer da embalagem.

Como a matéria da comunicação do Senado informa que: "o relator Cidinho Santos entende que a simbologia utilizada no Brasil pode ser mal interpretada, tanto por consumidores quanto por setores importadores".

O que Vossa Excelência quer dizer com "mal interpretada"? Dificultar a visualização da informação ajuda na interpretação? O ilustre senador considera que a ausência da simbologia abrirá mercado para o produto brasileiro no exterior? Exportaremos mais escamoteando a informação?

É bom lembrar que grande parte dos mercados que importam produtos brasileiros não admitem enganar seus consumidores como pretendem fazer aqui e caso nossos produtos não sejam rotulados no Brasil, serão no mercado externo.

Portanto, caso aprovada, a "eficácia" a ser alcançada pela medida será ludibriar principalmente o consumidor brasileiro.

Axel Grael





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O relator Cidinho Santos entende que a simbologia utilizada no Brasil pode ser mal interpretada, tanto por consumidores quanto por setores importadores. Edilson Rodrigues/Agência Senado


O fim da obrigatoriedade do rótulo com a informação sobre a presença de transgênicos em produtos alimentícios foi aprovado nesta terça-feira (17) na Comissão de Meio Ambiente (CMA). O texto (PLC 34/2015) determina a retirada do triângulo amarelo com a letra "T", que hoje deve ser colocado nas embalagens dos alimentos transgênicos.

O relator na CMA foi o senador Cidinho Santos (PR-MT), que entende que a simbologia utilizada no Brasil pode ser mal interpretada, tanto por consumidores quanto por setores importadores. Ele argumentou que uma análise científica rigorosa sobre os transgênicos é o melhor caminho para que se afaste o medo em torno deles.

— A despeito dos alimentos transgênicos serem uma realidade há mais de 15 anos no mundo, ainda não há registros de que sua ingestão cause danos diretos à saúde humana. Não existe um registro sequer — afirmou o relator na CMA.

O senador lembrou que, à despeito da eliminação do triângulo amarelo com a letra "T", os produtos com quantidade superior a 1% de transgênicos ainda deverão ser identificados por meio de expressões como “(nome do produto) transgênico” ou “contém (nome do ingrediente) transgênico”, de forma legível no rótulo. Com isso, fica preservado o direito de informação ao consumidor, segundo entendimento do senador.

A análise do projeto será feita agora pela Comissão de Transparência, Fiscalização e Controle (CTFC).

Fonte: Agência Senado









segunda-feira, 19 de setembro de 2016

HORTA EM CASA: cada vez mais gente se dedica a cultivar em pequenos espaços na sua residência



As hortas caseiras estão cada vez mais presentes nos lares urbanos, provando que, mesmo dentro de uma grande metrópole, não é preciso abrir mão do contato com a terra. Foto: Lucas Benevides


Ulisses Dávila

Cada vez mais as pessoas procuram alternativas para ter uma área verde nos lares

Cada vez mais as pessoas estão atentas para uma alimentação saudável e livre de agrotóxicos, ao mesmo tempo em que moradores de grandes cidades, principalmente os que vivem em apartamentos, procuram alternativas para ter uma área verde em casa. Para essas e várias outras finalidades, as hortas caseiras estão cada vez mais presentes nos lares urbanos, provando que, mesmo dentro de uma grande metrópole, não é preciso abrir mão do contato com a terra.

“Em casas, quase sempre é mais fácil ter uma horta, pois muitas vezes costumam ter mais espaços. No entanto, a demanda mais frequente para esse tipo de trabalho é em apartamentos, o que requer avaliar de forma ainda mais criteriosa o projeto. Também tenho tido pedidos de hortas simples e pequenas para salas. Para esses casos, a preocupação maior é sempre com o sol e com a drenagem”, explica a arquiteta e urbanista Cyntia Sabat.

Para quem pensa na qualidade do próprio alimento, uma horta em casa permite que as pessoas vejam o passo a passo da produção e saibam exatamente o que estão comendo, explica Sabat, que também lembra a comodidade de colher o alimento na hora que se precisa.

“Para ter uma horta em casa, as pessoas precisam estar dispostas a cuidar dela, pois, apesar de simples de ser feita, requer cuidados diários e um pouco de estudo sobre o assunto, tais como: que tipo de adubo usar, frequência da irrigação, entre outras coisa”, lembra Cyntia.

Comemorando três anos de existência, o grupo de Niterói “Quintais Produtivos” reúne pessoas das mais variadas regiões da cidade interessadas no cultivo de hortas em residências.

“Sempre digo que é uma realização pessoal muito grande comer o alimento que se produz. Qualquer caixote ou vaso pode se transformar em uma pequena hortinha, basta querer. Temos mais ou menos 20 membros, em todos os bairros da cidade. Nosso trabalho é basicamente trocar informações através de reuniões e redes sociais, além de encontros mensais para promover um plantio coletivo, com trocas de mudas, sementes e conhecimentos. Agora, até uma escola já faz parte do grupo, da qual vários pais de alunos, que são membros do nosso grupo, resolveram promover um mutirão de plantio junto às crianças. Vamos fazer uma horta lá”, afirma o advogado Renato Viana, de 53 anos.

“Cuidando de uma horta, estamos em contato com a natureza, retomando a nossa origem e criando um estilo de vida”, afirma a musicoterapeuta Vera Hees, de 56 anos, que além do grupo “Quintaes” também é membro da Igreja Messiânica, que estimula a agricultura caseira e promove capacitação através do Fundação Mokiti Okada.


Mariana do Vale, Vera Hees e Renato Viana fazem parte do projeto “Quintais Produtivos”, que reúne pessoas das mais variadas regiões da cidade interessadas no cultivo de hortas em residências. Foto: Lucas Benevides


“Alimentando o solo de forma correta, estamos contribuindo com o meio ambiente, porque estamos mudando nossos hábitos e, em alguma escala, essa contribuição chega ao planeta. Acredito também que hortas urbanas comunitárias podem ajudar na vida de quem é economicamente desfavorecido, através da troca de produto em uma espécie de escambo. Uma boa ideia é começar com o que gostamos de comer. Nessa prática também aprendemos sobre o espiritual, pois entramos em contato com o invisível da natureza, o mistério da semente brotando”, filosofa Hees.

O espaço para se ter um pequeno cultivo pode, inclusive, ser mínimo, tanto vertical quanto horizontal. O principal é que bata sol e que seja resguardado dos ventos fortes, ensina Ana Paula Souza, idealizadora do projeto “Hortinha”, que cria peças e espaços de cultivo nas residências. Segundo ela, uma parede de 2m de altura por 60cm de largura já permite que se faça uma hortinha, assim como varandas pequenas ou guarda-corpos.

“Hoje em dia, o número de pessoas que me procura para fazer uma horta em casa é infinitamente maior do que há 10 anos, quando iniciei o projeto. É um tipo de cliente que busca mais saúde e qualidade de vida, pois a horta proporciona tanto a certeza de se alimentar com vegetais sem venenos, quanto uma atividade de relaxamento e meditação, de contato com a natureza e de aprendizado de valores como paciência, cuidado, amor e respeito”, explica a arquiteta Ana Paula.

No Rio de Janeiro, excluindo as áreas muito próximas ao mar, é possível cultivar tudo que se quiser. Segundo Ana, ervas, hortaliças, leguminosas, frutas, entre outros, rendem boas colheitas em região.
“O que vai influenciar mais no custo são os recipientes. Os insumos são a parte menos custosa (mudas, sementes, terra e adubo). Em média, gasta-se R$ 200 com tudo, dependendo dos produtos.

Os vasos e jardineiras devem ter no mínimo 20cm de profundidade, mas podem ser feitos até com recipientes que se tem em casa, desde que tenham esta medida”, explica Souza.

Para entrar no mundo das hortas residenciais é preciso estar disposto a colocar a mão na terra e a fazer amigos, como explica a chef Mariana do Valle, de 30 anos.

“Para conseguir as sementes livres de qualquer química, chamadas ‘sementes crioulas’, que não são vendidas, a gente precisa se conectar com as pessoas inseridas nesse contexto, criar uma espécie de rede. O mais legal de ter horta em casa, como acontece no movimento dos Quintais Produtivos, é a gente contar sempre com produtos frescos nas receitas. A gente sabe o tempo que cada alimento levou para ficar daquele jeito até chegar à nossa mesa. É outro tipo de relação com os vegetais, muito mais prazerosa. É o ciclo do alimento se fechando”, conclui Mariana.

Fonte: Revista O Fluminense












quinta-feira, 17 de maio de 2012

Espanha, Uruguai e México proibidos de exportar mel devido à presença de transgênicos

La miel española no se puede exportar por culpa de los transgénicos



Desde que en septiembre de 2011 el Tribunal de Justicia de la Unión Europea se pronunció contra la comercialización de la miel con trazas de organismos genéticamente modificados (OGM), mientras se comercializa en nuestro país, la UE la prohíbe porque contiene trazas de organismos genéticamente modificados.

La miel española está en cuarentena. Y los apicultores permanecen en estado de alerta. Es lo que afirma el diario francés Le Monde y que nos alerta la Sociedad Española de Agricultura Ecológica (SEAE) en una carta de la que nos hacemos eco y que a su vez recoge la opinión publicada en Ecodiari y en otros medios de comunicación.

Desde que en septiembre de 2011 el Tribunal de Justicia de la Unión Europea se pronunció contra la comercialización de la miel con trazas de organismos genéticamente modificados (OGM), la exportación de la miel producida en el Estado español está "prácticamente paralizada", tal como afirma José L. González, portavoz de los apicultores de la Coordinadora de agricultores y ganaderos (COAG). Y los apicultores se encuentran ahora con "la mitad del stock de la temporada 2011 sin colocar".

España es a la vez el principal productor europeo de miel, con casi 2,5 millones de colmenas que producen unas 30.000 toneladas de miel al año, y es el único productor de maíz transgénico de la Unión Europea. Un mal negocio, ya que las abejas no reconocen fronteras y "difícilmente se puede detener el viento con una espiga", como le gusta decir a Luis Ferreirim, responsable de la campaña sobre los transgénicos en la agricultura de Greenpeace España. Es imposible controlar el lugar donde las abejas hacen su tan preciado trabajo y, por tanto, es imposible garantizar que el polen no será portador de OGM.

"En 2011, la superficie de maíz MON810 aumentó un 27% y representa 97.300 hectáreas, es decir una cuarta parte de maíz que se cultiva en el Estado español", afirma Ferreirim. Cataluña tiene más del 40% de los campos experimentales de OGM que aún no han sido autorizados.

Aunque los agricultores tratan de controlar el camino de sus abejas, se enfrentan a un problema adicional. "El gobierno no ha cumplido su compromiso de cartografiar con precisión los campos de cultivos transgénicos, denuncia González. "Ni siquiera sabemos si nuestros vecinos producen OGM".

EL PAPEL DE LA POLINIZACIÓN

Alejar las colmenas de los campos contaminados podría ser una solución, aunque a priori los apicultores se muestran reticentes a trasladarse. "Esto equivaldría a ceder ante los OGM, ya que nosotros no somos culpables, sino víctimas de la contaminación. Y además se pondría en cuestión el papel fundamental de la polinización del medio natural y sería perjudicial para los agricultores que no cultivan OGM ", sostiene el responsable de la COAG.

El único punto positivo es que las principales zonas productoras de maíz transgénico no se corresponden con las grandes áreas de la apicultura. Si el Aragón cultiva 41.000 hectáreas de maíz y 30.000 Cataluña, en Andalucía, primera región apícola, "sólo" hay 5.000 hectáreas. Extremadura, la segunda región de producción de miel, posee 10.000 hectáreas de cultivos transgénicos.

Hasta que la Unión Europea y el Gobierno español no lo resuelvan, los apicultores siguen la comercialización en España sin obstáculos, pero exigirán que la empresa estadounidense Monsanto asuma las consecuencias de la paralización de sus exportaciones.

"Algunos apicultores han decidido pagar los costes de los análisis que certifican la pureza de la miel para la exportación, cuando la Administración o, mejor dicho, Monsanto es quien debería pagar", señala González, que es apicultor en Extremadura . Más allá de las indemnizaciones esperadas, los apicultores desean sobre todo que España, que siempre ha sido favorable a los transgénicos, reconsidere su postura.

Se reunirán en breve con el nuevo ministro de Agricultura. También a cargo del medio ambiente, Miguel Ángel Arias Cañete, pero tienen pocas esperanzas. Arias Cañete es conocido por su postura a favor del uso de la biotecnología en la agricultura cuando era ministro de Agricultura durante el gobierno de José María Aznar, entre 2000 y 2004.

Una situación similar se está viviendo en México después de que se autorizara la masiva plantación de soja transgénica, tal como revela Greenpeace México.

Y hace unos meses veíamos en ecocosas.com el mismo problema con la miel de Uruguay.

Traducción libre del catalán por Raúl Mannise de una noticia sacada de Ecodiari.

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domingo, 12 de junho de 2011

Bacterias, transgénicos, crisis sanitarias y modelo alimentario


En las últimas horas portavoces del Instituto Robert Koch (RKI) y del Instituto Federal de Evaluación de Riesgos (BFR) han anunciado que la hipótesis más probable sobre el origen de la epidemia producida por una cepa patógena de Escherichia coli entero-hemorrágica finalmente son brotes germinados de una explotación de Baja Sajonia. Lo cierto es que son ya muchos días de acusaciones, hipótesis, alarmas y pistas falsas.

Curiosamente, estos portavoces afirman a renglón seguido que “todos los análisis realizados en esa empresa tras convertirse en sospechosa dieron resultados negativos, pero las autoridades no descartan que el foco infeccioso desapareciera tras su brote inicial sin dejar rastro”. Lo de siempre, más dudas que certezas. Y eso que se han puesto a ello el Gobierno de Alemania, los de varios Landers, la propia Comisión Europea...

La triste realidad es que el Síndrome Hemolítico Urémico hasta la fecha ha acabado oficialmente con la vida de 27 personas e infectado a 2.897, según el Centro Europeo de Control de Enfermedades (30 fallecimientos según otras fuentes del Gobierno Alemán). Sea cual sea el origen real del problema, los institutos en cuestión y las autoridades afirman que oficialmente se conoce la cepa causante y al parecer ha sido secuenciada.

Lo que es una certeza absoluta es la "guerra" política y comercial intra y extracomunitaria que se ha desatado; el último eslabón, Rusia, que ha entrado en la "batalla" cortando las importaciones de hortalizas desde la UE hasta que no se identifique el origen del problema. Delgada línea la que separa la excusa de la realidad.

Desde el respeto por las víctimas y por los damnificados productores de frutas y hortalizas de España y de la UE, en realidad todo ello es la evidenciación de un modelo agroalimentario y de comercio internacional en constante guerra larvada, un modelo basado en la "competencia" que lleva al enfrentamiento y desafío constante ... y este tipo de situaciones no hacen más que abrir las múltiples cajas de pandora de un sistema agroalimentario en constante crisis. Prueba de ello son las innumerables controversias y paneles de la Organización Mundial del Comercio.

Sobre las posibles bacterias transgénicas, Greenpeace no puede pronunciarse acerca de una hipótesis sobre la cual no tenemos más datos que los que nos llegan por correo, sin suficientes argumentaciones científicas. Estamos intentando recoger más datos, y si se confirmara o se supiera más, Greenpeace se posicionaría claramente y actuaría. Esto también confirmaría lo que llevamos años afirmando, a saber los riesgos de todos tipo de OMG, sean uni o pluricelulares, cuando éstos son liberados o "escapan" al medio ambiente.

Aunque Greenpeace no se opone al empleo confinado de microorganismos transgénicos con finalidades médicas (por ejemplo bacterias para producción de insulina), siempre hemos alertado sobre la posibilidad de que estas instalaciones pudieran no ser herméticas y de posibles pérdidas de material o de microorganismos, aunque solamente fuera a la hora de dehacerse de los residuos.

En todo caso, lo que parece claro es que esta "crisis" nos habla la debilidad de un sistema alimentario que prioriza el comercio internacional sobre la soberanía alimentaria (de los países y de sus pueblos). Es evidente que es una señal más para que nuestra sociedad cambie de modelo ... que los “líderes políticos” pueden escuchar o no. Pero otra certeza absoluta es que el actual modelo agroalimentario global produce injusticia, muerte, devastación de ecosistemas, enfermedad y cambio climático.

Esta “crisis” nos habla también de la debilidad de las agencias que supuestamente deben controlar la seguridad alimentaria y sanitaria, incluso en los lugares supuestamente más tecnológicos y ricos del mundo. Nos parece curioso, por ejemplo, que Alemania haya invocado el principio de precaución a la hora de lanzar alarmas e informaciones, frenando el consumo de determinadas hortalizas, por lo que pudiera ocurrir, mientras ecologistas, agricultores y sociedad civil llevamos años exigiendo que este principio se aplique, por ejemplo, a la producción y consumo de transgénicos... como si las grandes corporaciones del sistema agroalimentario se hubieran puesto de acuerdo con las instancias políticas.

Juan Felipe Carrasco, responsable de la campaña de Transgénicos de Greenpeace

Fonte: ECOticias