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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Torben Grael e Marcelo Ferreira desistem da campanha para Londres 2012 por falta de patrocínio

Marcelo Feereira e Torben Grael recebem a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004. Arquivo O Globo.

Sanny Bertoldo

RIO - Não teve festa, nem mesmo algum tipo de despedida oficial. Maior medalhista olímpico do Brasil, o velejador Torben Grael - dono de dois ouros e dois bronzes na classe Star, e uma prata na Soling - desistiu da disputa por uma vaga nas Olimpíadas de Londres-2012 sem fazer alarde, e encerrou um dos capítulos mais vitorioso do esporte nacional.

"Tínhamos um apoio da Confederação, mas estávamos disputando recursos inclusive com meus filhos (Marco, na classe 49er, e Martine, na 470). Aí, não dá". Torben Grael

A decisão, que começou a tomar forma após a etapa da Holanda da Copa do Mundo de Iatismo, em maio, ocorreu em comum acordo com o parceiro Marcelo Ferreira, com quem foi bicampeão olímpico, em Atlanta-1996 e Atenas-2004, e ficou com a prata nos Jogos de Sydney-2000. Sem patrocínio e com a forte concorrência de Robert Scheidt e Bruno Prada, líderes do ranking mundial de Star, a dupla achou melhor interromper a campanha olímpica - apenas um representante de cada classe se classificará para os Jogos. Em 11 no ranking, Torben e Marcelo conquistaram o terceiro lugar no Mundial do ano passado, disputado no Rio, e, este ano, ficaram em terceiro na etapa da Espanha da Copa do Mundo e em sétimo na Holanda.

- Tínhamos um apoio da Confederação, mas estávamos disputando recursos inclusive com meus filhos (Marco, na classe 49er, e Martine, na 470). Aí, não dá. Uma campanha olímpica de alto nível é cara e não tem como ficarmos tirando do nosso bolso. Se é para fazer, tem que ser direito, com dedicação. No fim, eram tan$adversidades que achamos melhor desistir - explica Torben. - É triste porque, depois de ter contribuído o tanto que contribuímos, não conseguimos mais por falta de incentivo. Mas íamos ter que parar em algum momento. Melhor ser agora.

- Não tinha muito mais o que fazer. Teríamos que estar em condição de igualdade com os outros para poder brigar. Não queremos só velejar, queremos ganhar. E, desse jeito, não dava. O COB comprou um barco para nós, mas só. As passagens, hospedagens, era tudo por nossa conta. Isso foi desanimando - completa Marcelo. - Sinceramente, não faz sentido, por tudo que fizemos, ainda termos que correr atrás de patrocínio. Atleta de alto nível tem que receber esse suporte.

Desde a primeira Regata de Volta ao Mundo com o Brasil 1, em 2005/2006, no qual o barco brasileiro terminou em terceiro, a dupla já não se dedicava 100% à classe Star. Torben, inclusive, abriu mão da campanha olímpica de Pequim-2008 para disputar sua segunda Volta ao Mundo, dessa vez como comandante do barco sueco Ericsson, com o qual foi campeão, em 2008/2009. Um dos mais respeitados velejadores do mundo, ele também é reconhecido por sua atuação na America's Cup, a mais tradicional competição oceânica, da qual foi campeão em 2000 e ficou em segundo em 2007.

Segundo ele, terem ficado um tempo afastados da Star e estarem no fim da carreira olímpica dificultaram a busca por patrocínio. No entanto, afirma, a situação é sintomática.

- Eu fico chateado nem é por nós. Claro, gostaríamos de fazer mais uma campanha olímpica. O problema maior é que, a um pouco menos de cinco anos para as Olimpíadas no Brasil, a gente ouve falar sobre obras de infraestrutura, mas pouca coisa mudou no esporte - alerta Torben. - A palavra legado já ficou banalizada, mas a principal vantagem de se realizar uma Olimpíada aqui seria mudar a prática esportiva no país, mas isso parece muito longe de acontecer.

Aos 51 anos, Torben não tem planos de se afastar do esporte. Embora já não veja mais tempo hábil para disputar uma terceira Volta ao Mundo - a próxima edição começará dia 29 de outubro, na Espanha -, ele não descarta participar da seguinte. Por enquanto, entre seus compromissos está a Mitsubishi Sailing Cup, que reúne veleiros oceânicos de 40 pés (12,3 metros de comprimento), e terá sua terceira etapa no Rio, entre 1 e 4 de setembro.


"A palavra legado já ficou banalizada, mas a principal vantagem de se realizar uma Olimpíada aqui seria mudar a prática esportiva no país, mas isso parece muito longe de acontecer". Torben Grael.

Scheidt é aposta em Londres

Para Marcelo, que começou a velejar por acaso, aos 12 anos, o encerramento da carreira olímpica fecha um ciclo. Hoje, aos 45 anos, ele trocou o desafio do mar pelas turbulências em terra firme, e se tornou sócio de uma importadora de vinhos e de uma construtora. Com seu bom humor característico, garante que não está triste e que segue em frente:

- Tirei um peso das costas e virei a página. A vela faz parte de um passado que me deu muitas alegrias e, antes que se transformasse em um presente de tristezas, eu saí.

Sem os bicampeões olímpicos no caminho e em ótima fase, a dupla Scheidt e Prada se torna uma das grandes apostas para as Olimpíadas de Londres. Dona de uma medalha de prata na Star, em Pequim, os Jogos-2012 podem ser a última chance para a dupla subir ao lugar mais alto do pódio já que, pelo menos por enquanto, a classe está fora das Olimpíadas do Rio-2016.

Fonte: O Globo, 17 de agosto de 2011.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Classe Star repercute a possibilidade de Lars Grael ser o comandante do Argo Challenge na America's Cup


Lars Grael treina com a tripulação do Argo Challenge. Divulgação.

O Argo Challenge é um projeto mantido por uma organização sem fins lucrativos e que se prepara para disputar a Copa America (America's Cup), a mais tradicional e sofisticada regata da vela mundial. O projeto é ambicioso e pretende preparar uma tripulação mista, composta por velejadores deficientes e não deficientes. O objetivo é chamar a atenção da causa dos deficientes físicos.

"We can you can"
"Nós podemos, você pode", é o slogan do projeto Argo Challenge.
A iniciativa, que é capitaneada pelo empresário italiano Antonio Spinelli, dono de vários negócios na área de alimentação e um dos fundadores do Iate Clube de Turim, está ganhando o apoio de um grande número de velejadores renomados, de lideranças dos deficientes físicos e de empresários nos EUA.

Aos poucos, o sonho vai tomando corpo.

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Lars Grael no pódio. Foto do site da Argo Challenge.

Lars Grael to Skipper Argo Challenge for the America's Cup

By Fried Elliott

Mar 14, 2011, 22:38

As the Star Class enters it's Centennial Year, it is difficult to count all of the America's Cup skippers, crews, coaches, designers and boat builders who have contributed to the America's Cup. Bill Ficker, Dennis Conner, Paul Cayard, Tom Blackaller, Iain Murray, Buddy Melges are just a few of the Star skippers who have made America's Cup history.

It should come as no surprise then, that another Star sailor, Lars Grael will be joining their ranks as skipper of the Argo Challenge for the America's Cup. In addition, many of the top Star sailors in the world, including Christian Giannini, have expressed interest in joining the Argo Challenge as sailors on the America's Cup team. We even have Class member, Iain Murray, managing the field of play involving America's Cup Operations.

While we will be rooting for all of the Star sailors on all of the America's Cup teams, the effort by Lars and Argo Challenge deserves special notice.

From Bill Allen, President of the International Star Class Yacht Racing Association:
"Lars Grael has demonstrated time and again all of the qualities of a legendary and exemplary athlete, ambassador and family member. Despite his physical disability, Lars has had the best overall record of any skipper in the 2009 and 2010 Star World Championships. His thoughtfulness has contributed to guiding the Class in many matters. There are few men with his tenacity. Lars is admired by all and commands respect where ever he goes."
The International Star Class has over 3,000 active members in 38 countries. Fried Elliott, ISCYRA Director of Marketing & Media, encourages all Star sailors and fans to go to the Argo Challenge Facebook page and leave a comment in support of Lars and the Argo Challenge. "Expanding the use of social media is a priority for the Star Class, and both the America's Cup and ISAF share that objective. Lets bring a greater awareness to these organizations and the rest of the world of the contribution Star sailors make to sailing at all levels."

So go right now to The Argo Challenge Facebook Wall and leave a comment!

http://www.facebook.com/ARGOChallenge

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Background on Argo Challenge & How You Can Get Involved

The Argo Challenge for the America's Cup is a team of sailors and athletes with disabilities as well as able-bodied sailors competing for the oldest trophy in international sport. The America's Cup is ranked third behind the Olympics and the FIFA World Cup in terms of recognizable international sporting events and the economic impact that it generates to the host cities. There will be several lead-up regattas starting in June of this year. The events will be held at various US and international venues giving the team and its sponsors global outreach opportunities.

Our volunteer team continues to grow as some of the most exceptional people in the world discover us and offer to contribute their expertise. Each of us could contribute to this humanitarian and sporting effort by placing the Argo banner on the websites of their companies, signing up for Argo's newsletters, joining Argo on Facebook, and donating to Argo Challenge. Argo is a non-profit corporation with an educational and social mission. Argo will accept cash, securities, boats, real estate and expertise. As the team travels to World Series and America's Cup events over the next couple of years, Argo will provide us with networking and hospitality opportunities while we champion Argo's cause and our friends"

Argo's goal is to raise $6-10 million by March 31st so that we can register for the America's Cup, pay the bond, purchase equipment and take care of countless team, training and logistics issues. We realize that it will take time to apply for foundation grants and sponsorship from public companies. That will follow. The important thing is getting to the starting line. The worldwide disabled community will benefit tremendously if we do.

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Mais informações: Site do Argo Challenge

Fonte: Site da ISCYRA, a associação internacional da Classe Star.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Na Califórnia, a Argo Challenge recomenda o Projeto Grael como modelo

Com Lars Grael no comando, tripulação do Argo Challenge treina para a Copa América de 2013. 

Lars Grael (segundo à esquerda dentre os sentados) com a equipe da Argo Challenge.

Velejador americano Paul Cayard (direita) com Herb Meyer e Lynn Fitzpatrick, os dois últimos da organização BAADS - Bay Area Association of Sailors with Disabilities, que apóia o Argo Challenge.

UM PROJETO QUE UNE RENDIMENTO ESPORTIVO E CAUSAS SOCIAIS LEVARÁ LARS GRAEL PARA A AMERICA'S CUP.

O artigo abaixo, publicado no site Sail World, refere-se ao projeto italiano Argo Challenge, que disputará a próxima America's Cup, em 2013, na Califórnia, com uma proposta alternativa. 

Sob o lema "We can you can", além de apoiar várias causas sociais, o Argo Challenge terá uma equipe mista, contando com velejadores com e sem deficiências físicas. O comandante do barco será LARS GRAEL.

Na matéria, o PROJETO GRAEL é recomendado como um modelo de iniciativa educativa construída em torno da náutica.

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Argo Challenge has Legs

The Argo Challenge has been working 24/7 in Europe and from the West Coast of the United States to transform Idea Argo into a reality. We have one vision, one value and one dream. We want to compete in the 34th edition of the America's Cup on under the same terms as the other challengers.

Argo's many activities since the December 31st announcement that the America's Cup will be held in San Francisco in 2013 include:

Introducing the Argo Challenge to the City and County of San Francisco through the Mayor's Office of Economic and Workforce Development. The office showed its willingness to embrace our effort with the hope that the America's Cup has a diversity of challengers and and as many challengers as possible. The Argo Challenge, in particular, is a compelling effort that resonates with San Francisco's values.

The distribution of Argo Challenge materials was facilitated to the City's department heads directly involved with the America's Cup and further introductions were made to departments such as the Mayor's Office on Disabilities whose mission is ensure that every program, service, benefit, activity and facility operated or funded by the City of San Francisco is fully accessible to, and useable by, people with disabilities.

The Argo Challenge met with representatives the Bay Area Association of Sailors with Disabilities (BAADS) and other outstanding organizations that work with people with disabilities, including a ballet company whose troupe includes disabled dancers and dancers who perform ballet in wheelchairs. We also met with organizations involved in travel and other athletic activities. All of these organizations embraced the Argo Challenge and agreed to work with the challenge to develop a San Francisco Bay Area collaborative effort to reach out to other organizations, funding sources, partners and benefactors locally, regionally, statewide, nationally and internationally to garner more support for the Argo Challenge and participants individual needs. Collectively, we identified a Bay Area athlete to be considered for the team and to assist in our meetings and be a spokesman in the Bay Area and elsewhere.

Argo toured the waterfront and identified prospective base locations and other training resources and alliance partners.

The proximity of the UCSF campus to the Argo Challenge base with its hub of bio-tech and stem research initiatives and the nucleus of private ventures in the immediate area, Argo is confident that synergistic arrangements can be made with our future San Francisco neighbors.

We met with the San Francisco academics who have voiced their support the creation and construction of a Marine Science Career Academy as an integral, comprehensive component of the event and as a permanent model educational resource. For starters, we recommended that they look to The Greal Project, started by Lars, Torben and Axel Grael and Marcello Ferreira, which has touched thousands of underprivileged Brazilians, has been recommended as a model. We acknowledged that our team is civic minded and our members speak, teach and volunteer regularly.

Argo will be as cooperative as it can with the Bay Area organizations and the educational system to be a showcase for education, science, technology, healing, recovery and overcoming setbacks. The Argo Challenge welcomes a dialogue with ACEA about housing an interactive learning facility on its base.

Argo Challenge met with other organizations and service providers who were interested in working with Argo over other challengers and the ACEA because they want to be affiliated with an organization that sends a universal message and will have sustained visibility throughout the 2.5-year build up to the finals of the America's Cup.

Argo Challenge provided content to international sailing periodicals and has placed articles, which will be published eminently.

Argo Challenge had discussions with a major news network and provided information on the team to editors. Argo will work with the media to generate interest in the Argo Challenge team during US Sailing's Rolex Miami Olympic Classes Regatta, the only ISAF World Cup event to take place in North America.

Many of our team members will be competing at the event, including Lars Grael, who will be sailing the Men's Olympic Class keelboat, the Star. Lars has the best record of any skipper in the combined 2009 and 2010 Star World Championships. He was third in 2009 and fourth in 2010. Only the Olympic gold medalists, the ISAF 1 ranked team and the ISAF World Sailor of the Year and two-time Olympic gold medalist and older brother to Lars, beat our distinguished skipper.

Argo Challenge has had preliminary meetings with significant sponsors who have direct ties to the disabled community and whose decision makers are avid sailors.

Argo Challenge has had preliminary discussions with a Hollywood publicist about a reality TV series on the team.

Argo Challenge has a copyright number on a screenplay about the team.

Argo Challenge has the endorsement of the foremost inclusive sailing program in the United States, if not the world, Shake a Leg Miami ('SALM'). It has agreed to work with us in any way we ask to facilitate our efforts, including introducing us to prospective sponsors and programs at various centers of excellence in neuro-spinal injury and rehabilitation, particularly in the Miami, FL area.

Team Paradise, a world-renowned program based at Shake a Leg Miami and run by Olympic Gold Medalist and World Sailor of the Year, Magnus Liljedahl, has agreed to work with us. Team Paradise provides coaching and equipment to Paralympic sailing teams from all over the world.

Shake a Leg Miami, Team Paradise, the Wounded Warrior program and Argo Challenge will be having a party on Sunday, January 23rd and the Argo Challenge will be presented to all attending. We will have an announcement and expect media attention. We plan on having collaborative meetings and meetings with prospective sponsors while in Miami.

Argo Challenge will be visible at the MOCR because Lars Grael's Star will have the Argo graphics on it as will a TRIAK that Lynn Fitzpatrick will be demonstrating throughout the regatta and using to access the water.

The MOCR represents an opportunity for the Argo Challenge to complete its athlete profile packages, take photos and video and scout for team members and coaches. It will also give us the opportunity to inform all of the sailing federations attending the event of our seriousness in fielding an America's Cup team.

Many more meetings, introductions and inquiries have been made since January 5th. Suffice it to say, Argo Challenge has been embraced by virtually everyone in the San Francisco Bay Area and an America's Cup campaign that represents one of the pillars of this America's Cup that is being staged in San Francisco Bay's amphitheater in the area of the United States that has set precedent in addressing the needs of those with disabilities. Including the Argo Challenge in the America's Cup represents wise political sensibility and business acumen.

Argo contacted Lt. Governor and Ambassador to the America's Cup, Gavin Newsom's office and forwarded preliminary information about the Argo Challenge. The Lt. Governor's office replied that the he has a scheduling conflict with the Miami events, but would like to be included in future events.

The Argo Challenge has the talent and ambition to become not only the greatest asset of the 34th America's Cup, but a leader in demonstrating cooperation, technology, accomplishment and all of the good that can be achieved when a team strives to test its limits.

The Argo Challenge wants to win the America's Cup and it wants to spread its message that we can compete on par with the best sailors in the world on the fastest boats in the world.

Fonte: Sail-World
Mais informações: Argo Challenge

Torben Grael se une novamente a Marcelo Ferreira para buscar a vaga da classe Star em Londres-2012

Torben Grael

Sanny Bertoldo

RIO - Torben Grael está definitivamente de volta à vela olímpica. Após abrir mão de disputar uma vaga nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008 para fazer sua segunda Regata Volta ao Mundo, dessa vez como comandante do barco sueco com o qual foi campeão, ele e seu parceiro de sempre, Marcelo Ferreira, iniciam 2011 com os olhos fixos em Londres-2012. Se conseguir se classificar para os Jogos, esta será a sétima Olimpíada do maior velejador da história brasileira, hoje com 50 anos, e dono de cinco medalhas olímpicas, duas delas de ouro.

No caminho até Londres, a dupla terá que enfrentar Robert Scheidt e Bruno Prada, campeões mundiais em 2007, medalhas de prata em Pequim e atuais líderes do ranking mundial de Star. O embate entre as principais duplas de Star do país, tantas vezes adiado, mas agora inevitável, vai definir o representante brasileiro da classe nas Olimpíadas do ano que vem. A caminhada começa na Semana de Vela de Miami, de 23 a 29 deste mês.

Campanha olímpica

"A gente vai ter menos de um ano porque o Mundial, no fim do ano, na Austrália, é classificatório, assim como a Pré-Olímpica, no início de 2012. Esse tempo não é o ideal. No princípio, eu estava meio cético, mas o Marcelo colocou uma pilha bem forte. E no ano passado fomos muito bem, com o terceiro lugar no Mundial e no Sul-Americano, oitavo no europeu, sexto na pré-olímpica. Isso me motivou."

Rivalidade com Scheidt

"Existe uma rivalidade, lógico, porque ele também está na Star. Não somos amigos, mas também não existe uma inimizade. A gente correu junto na Prada (equipe italiana que disputa a America's Cup). Com certeza, ele é o adversário no Brasil mais preparado. E agora está morando na Itália. Esportivamente é o ideal porque a Europa é o maior centro de vela no mundo, com muita gente de alto nível, muitas competições importantes. Robert é focado. Ele se concentra em uma coisa só e vai. Então, se não treinarmos o suficiente, não vai ter como ganhar dele. Ele está na posição que a gente estava antes. Está treinando, competindo, enquanto nós estávamos fazendo outras coisas. Vai ser complicado."

Classificação polêmica

"São duas etapas. No Mundial, classifica a classe. E aí, na Pré-Olímpica, classifica o velejador. Isso é uma coisa excludente porque não é todo mundo que pode correr o Mundial, que é caríssimo. Assim, acaba favorecendo alguns. Se o cara que vencer o Mundial não for o campeão da Pré-Olímpica, haverá uma terceira vaga no exterior para decidir. Tem umas coisas que não ficaram bem resolvidas. Não existe sistema perfeito, mas o que a gente tinha (a Pré-Olímpica definia os classificados para os Jogos) era o mais simples possível e vinha dando certo, o Brasil sempre ganhou medalha assim."

Saída da Star dos Jogos

"Antigamente, as classes eram definidas tecnicamente. Agora, a escolha não tem critério. O asiático acha que não consegue competir na classe, outro acha que é caro, outro diz que é muito técnico, aí, votam para tirar a Star das Olimpíadas. É um absurdo. Não faz sentido ter Laser e Finn. São barcos tecnicamente idênticos. Assim como o 49er e o 470. De Londres, por exemplo, tiraram o Tornado, que é um barco rápido, moderno. Mas nós conversamos com o COB, acho que é interesse deles ter o Star nas Olimpíadas em 2016, no Brasil, já que é a classe que mais trouxe medalha para o país. Eles devem fazer pressão na próxima reunião da Isaf (Federação Internacional de Iatismo), em maio."

Regata Volta ao Mundo

"Tive alguns contatos (a próxima edição será 2011/2012), mas não senti nenhuma firmeza em ter um projeto do nível que foi o do Ericsson (o sueco, da edição 2008/2009). Depois de fazer duas Voltas, ter ganho uma e ter ficado em terceiro em outra (com o Brasil 1, em 2005/2006), não faz sentido fazer só por fazer. É um negócio sacrificante. É bacana pra caramba, mas é duro, e acho que se você atinge um padrão, descer é difícil. Não existe garantia de que se vai ganhar, mas tem que começar com as condições ideais para brigar."

Patrocínio

"Só temos ajuda da Confederação Brasileira. O meu patrocinador olímpico a partir de Sydney sempre foi a Prada, que não é brasileira. Mas patrocínio nunca foi fácil. Hoje eu diria que é melhor porque quando eu comecei não era nem permitido. Mas é um negócio complicado. Normalmente, quem está começando precisa igualmente de patrocínio e é mais difícil para eles. Não só na vela como na maioria dos esportes. Por isso, acho que não é porque vamos ter Olimpíadas aqui é que vai mudar alguma coisa. Falta uma política de esporte. Temos casos esporádicos de sucesso, mas não tem uma estrutura. Só o vôlei."

Confederação Brasileira

"Está insolvente. Ela tem uma dívida que é impagável, feita por uma má administração. E está sob intervenção do COB há quatro anos. E aí, não pode receber patrocínio nem fazer muita coisa. A Confederação teve uma pessoa 17 anos no poder. É um absurdo. No esporte, as pessoas se perpetuam. Quando é para o bem, pode até ser bom. Mas quando é para o mal, como foi na Confederação, pode até acabar com o esporte. Não sei porque nas Confederações e até no COB o dirigente pode ser reeleito indefinidamente se o presidente do Brasil só pode ser reeleito uma vez."

Legado da Volta ao Mundo

"Eu aprendi muito durante a primeira regata, com o Brasil 1. A ideia de competição na vela olímpica e em uma regata oceânica é diferente. Você não pode ter o mesmo nível de cobrança. A competição da vela olímpica dura duas horas. Aí você volta, esfria a cabeça, no dia seguinte vai de novo, e acaba em uma semana. Na Volta ao Mundo, uma etapa dura 20 dias, e você está 24 horas por dia na porrada. Se o negócio começa a degringolar, e você passa a cobrar, a dar bronca, as coisas fogem ao controle."

Depois das Olimpíadas

"Uma Volta ao Mundo bem feita, eu faria de novo. Mas com uma estrutura do tipo da última vez. É uma experiência fantástica. Ali você passa seus piores e melhores momentos. Quando você está lá no meio do nada e a coisa fica estranha, você pensa: 'o que eu estou fazendo aqui? Podia estar em casa, pegando uma piscininha... mas não, estou aqui igual a um pinguim'. Mas tem as compensações também. E é uma coisa grandiosa, uma cachaça. Tem muita gente que, quando acaba, fala: 'nunca mais eu subo num barco desse' e, na próxima, está lá de novo. A gente esquece os maus momentos e só lembrar dos bons."

Fonte: O Globo/Esporte, 18/01/2011

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Notícias da equipe do Projeto Grael na África do Sul


Largada de uma das regatas Cape Town - Rio no passado. 

Temos divulgado aqui no Bog as notícias que nos são encaminhadas plos velejadores do Projeto Grael que estão em Cape Town (Cidade do Cabo, África do Sul), preparando-se para disputar a regata Cape Town - Rio. Na mensagem abaixo, Samuel Gonçalves, que lidera a equipe de velejadores, faz um relato da rotina de preparação para a regata, que terá a sua largada no dia 15 de janeiro:

DIA 3

Ontem o dia começou as 8:30 onde fomos a praia correr, fazer flexões e abdominais... e pela primeira vez depois dos exercícios mergulhamos, mas só foi um mergulho mesmo, pois a agua estava a 9 graus (rsrsrs), estava calor então o frio foi só dentro da agua.

Voltamos ao Clube tomamos o café da manhã, testamos os nossos blazers junto com a esposa do comodoro... nunca estive e nem vi os rapazes tão elegantes (rsrsrs).

Depois fomos para o barco chegamos o mastro fizemos muitas pequenas coisas que são importantes, com fixar melhor os balaustres, a linha da vida, trocamos as buchas da retranca, etc..

Quando os outros tripulantes chegaram do trabalho, separamos as comidas desidratadas que o Gerry já tinha a bordo, fizemos o calculo de quanto mais precisaríamos e comemos duas de sabores diferentes para testar. Uma de salada que era muito muito ruim (kkkkk) e outra de arroz com uma outra coisa que esqueci, que era boa (comestível) com tempero semelhante ao do miojo com SAZON.

Saímos para velejar as 17:00 com o objetivo de dar a volta em uma ilha que fica a 30 milhas do Clube, testar os peelings de balão e a regulagem do barco.

No caminho por volta das 19:30 algumas focas apareceram para falar um oi!! (rsrs) muito legal..

O vento estava na media de 15Knots, chegou a 25Knots e depois a 0knots por volta das 21:00. Ligamos o motor e andamos alguns minutos na direcao que tinha ventos e subimos um balão assimétrico A4, continuamos em direcao a ilha...

Não chegamos a contornar a ilha pois o vento estava em torno de 10Knots e tínhamos compromisso as 9:00 da manha de hoje. Então começamos a voltar de contra vento...

Por volta de 1:00 da manha alguns golfinhos começaram a seguir o barco e se alimentar no nosso lado de alguns cardumes que brilhavam como luzes de natal.

Ficamos maravilhados pois o céu esta muito estrelado e os golfinhos simplesmente estavam iluminados, como se tivessem energia própria e sua calda parecia um relâmpago na agua... muito lindo.

A água era tão clara que podíamos ver a linha da esteira da quilha e do leme. Até o pessoal daqui ficou impressionado.

Retornamos ao Clube às 3:30 da manhã, quando tomamos banho e fomos dormir


DIA 4

Depois de algumas horas de sono, acordamos, mas não fomos fazer exercícios pois o comodoro organizou um passei com os garotos da escolinha de vela, semelhante ao Projeto Grael, que chama-se Izivungovungo (vide comentário abaixo).

Tomamos o café da manha e por volta das 9:30 saímos com uma van da Marinha Sulafricana e um carro com um Oficial. Ele nos levou para ver o encontro dos Oceanos Indico e Atlântico, no extremo Sul da África do Sul... foi simplesmente maravilhoso, muito bonito ver o encontro das águas... tiramos muitas fotos que vamos tentar mandar mais tarde e o pessoal da Marinha também fez alguns vídeos...

Na volta paramos no Projeto deles para vermos os barcos que eles usam e a estrutura, e bem legal. Eles usam Optmist, Laser, 420, um barco semelhante ao Pingum e outro ao escaler e um barco de 25 pés que eles correm regatas o L25.

Depois da visita fomos almoçar perto dali e voltamos por outro caminho, onde passamos por prais e outros lugares interessantes.

Eles estão organizando um outro passeio para esse sábado, para conhecermos outras partes de Cape Town...

O dia ainda não acabou.... mas fico por aqui...

Grande abraço,

Samuel FM Goncalves
Alex, Hallan e Allan

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Sobre a Fundação MSC Izivunguvungu para a Juventude

Trata-se de uma organização muito semelhante ao Projeto Grael, embora mais recente. Também foi criado por iniciativa do renomado velejador, Ian Ainslie, juntamente com Matthew Mentz, um experiente velejador de Oceano.

A Izivunguvungu, cujo nome em isizulu significa "uma rajada repentina", tem o apoio institucional da Marinha da África do Sul e é patrocinada pela MSC - Mediterranean Shipping Company.

Em 2007, a África do Sul inscreveu uma equipe na America's Cup, o TEAM Shosholoza. A Izivunguvungu foi uma ativa colaboradora na preparação da tripulação sualfricana.

Quando Torben Grael esteve em Cape Town, por ocasião da última Volvo Ocean Race (regata de volta ao mundo), fez contato com os dirigentes da Izivunguvungu. O desdobramento é a parceria atual, que juntamente com o Royal Cape Yacht Club, o Consulado Geral do Brasil em Cape Town e o apoio das empresas Wellstream e G-Comex está ermitindo que o PROJETO GRAEL possa ter a sua equipe participando da Regata Cape Town - Rio. A Izivunguvungu também terá uma tripulação na regata.

No momento, como Samuel relata, a Izivunguvungu está fazendo as honras da casa para a nossa equipe na África do Sul. Quando os barcos chegarem ao Rio de Janeiro (início de fevereiro), será a vez do Projeto Grael ser o anfitrião dos velejadores da Izivunguvungu.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Entrevista de Lars Grael para o site do VIRADÃO ESPORTIVO


Viradão Esportivo entrevista Lars Schmidt Grael, velejador brasileiro, veleja na classe Star com o proeiro Marcelo Jordão, classificando-se em terceiro lugar no campeonato brasileiro de 2006. Comandou também o barco Agripina/Asa Aluminio, campeão do Campeonato Brasileiro da Classe Oceano 2006 e continua ativo na vela .

- Como surgiu o interesse por esse esporte?


Desde que meu avô materno, que era dinamarquês, chegou ao Brasil e se encantou com a Baía de Guanabara, a vela virou uma tradição de família. Eu velejo desde que me entendo por gente e é no mar onde realmente me sinto em casa. Nossos tios Axel e Erik Schmidt foram campeões na Vela e serviram como grande inspiração para mim e meus irmãos.

- Título mais importante conquistado?

Sem dúvida, as duas medalhas olímpicas que conquistei na classe Tornado. Mas há outras conquistas que também me orgulham, como o bi-campeonato sul americano e o bronze no Mundial de 2009 da classe Star, a mais técnica e mais difícil da vela olímpica. Para mim, poder voltar a competir em alto nível depois do acidente contra os ditos "normais" é sempre uma vitória.

- Seu maior recorde?

Não sou muito ligado em recordes, mas tive o recorde do tempo corrigido da regata Santos-Rio no meu antigo barco H3+ . Dezessete títulos nacionais em classes olímpicas e panamericanas pode não ser um recorde, mas é motivo de orgulho!

- Quem é seu maior rival na modalidade?

Não tenho um rival. Somos todos amigos. Mas há sempre aqueles velejadores que, vencer, é mais difícil e, por isso mesmo, mais gratificante. Entre estes eu colocaria meu irmão Torben e o Robert Scheidt.

- Um dos momentos mais difícies da sua vida foi o acidente de 1998. Como você conseguiu superar este obstáculo?

Com muita vontade de viver, de voltar a velejar e de voltar ao convívio dos meus amigos. Superei também com o apoio e o amor da minha mulher Renata e de toda a minha família.

- Após o acidente, já pensava em voltar para o mundo dos esportes? Sentiu algum tipo de preconceito?

Na verdade, tudo que eu mais queria era voltar a navegar. Depois, naturalmente, voltei a competir. A partir daí fui progredindo e retomando a vida esportiva. Eu, talvez por ser uma pessoa pública, não sinto muito o preconceito, mas sei que ele existe contra todos os deficientes. Aliás, sempre digo que temos que mostrar que nós podemos tirar esse 'd' da palavra deficiente e mostrar para nós mesmos e mostrar para a sociedade o quanto podemos ser eficientes. Em qualquer atividade.

- Como foi ocupar cargos tão importantes no governo tais como: Secretário Nacional de Esportes no Ministério do Esporte e Turismo ? E sobre a experiência de assumir a Secretaria de Juventude, Esporte e Lazer?

Para mim, foi um desafio inteiramente diferente. Embora eu sempre tivesse um envolvimento e uma posição política, que aprendi com meu pai, nunca imaginei ocupar nenhum cargo público. Quando o presidente Fernando Henrique me convidou para fazer parte do Indesp, órgão do antigo Ministério do Esporte Turismo, já extinto, eu tinha o preconceito, como a maioria das pessoas tem, de que o serviço público era algo muito ruim. Imaginava que as pessoas que ali estavam ficavam sempre entre o descaso e a má intenção. Mas fui surpreendido por uma turma muita boa, gente muito desprendida e competente que, apesar de tudo, procura fazer o melhor. Pude ver que há um outro lado e junto com estes verdadeiros abnegados conseguimos realizar coisas boas e importantes para o esporte que estão aí até hoje.

Claro que o governo tem uma gestão muito diferente da iniciativa privada. Por vezes, é muito desgastante e frustrante ver que boas ideias se perdem no meio do caminho por questões políticas. Mas, de forma geral, foi uma experiência muito boa que pude repetir no Estado de São Paulo com o governador Geraldo Alckmin. Mas, sinceramente, não tenho a ambição hoje de voltar a nenhum governo. A política no Brasil está de um jeito que qualquer cidadão de bem fica enojado e com verdadeiro repúdio. É uma pena, pois, como falei, existem sim pessoas com espírito público e ideais elevados. Torço para que o Brasil reencontre o caminho da democracia verdadeira, com liberdade e respeito a todos os cidadãos, e que o governo possa servir mais ao coletivo e não a interesses corporativos e alheios.

- Sua filha caçula Sofia mencionou querer se tornar uma grande velejadora aos 7anos de idade, assim como alguns da família incluindo você, ela optou por esse esporte por acompanhar suas competições? Como você vê o interesse dela por essa modalidade?

Na nossa família, acredito que o interesse acaba sendo natural. Lógico que ninguém força ninguém a nada. Como nossa vida é no mar, nos clubes, nas regatas, todo nosso círculo familiar e de amizades giram em torno da Vela. Portanto, acho normal que qualquer criança que circule neste meio acabe se interessando pelo esporte. Além do mais, velejar é algo muito prazeroso, lúdico. Um esporte praticado na natureza e que não faz distinção de idade, tamanho, força ou qualquer outro pré-requisito. Basta saber nadar.

- Em sua juventude você queria ser parceiro de seu irmão a ponto de seu pai ameaçar um corte de mesada caso ele não quisesse. Seu irmão era referência pra você?

O primeiro campeonato mundial que conquistamos foi em dupla, em 1983. O Torben é mais velho que eu e sempre foi um bom exemplo para mim. Hoje ele é um dos velejadores mais completos do mundo, com medalhas olímpicas, participações em America's Cups e conquistou o último título da regata de volta ao mundo. Para mim, ele sempre será uma referência, claro.

- Você já teve diversos parceiros no esporte, já velejou com irmão, cunhado e outros. Pensa em velejar e até competir com seu filho Nicholas que já está no mundo dos esportes?

Como disse, a Vela é um esporte muito democrático. Em suas diversas categorias e modalidades há espaço para todos. Eu não só já velejei com o Nicholas, como já ganhamos algumas regatas juntos. Se um dia ele competir contra mim, e vencer, será motivo de muito orgulho, pois eu sei o quanto sou competitivo e dou trabalho aos adversários.

- Quais são seus projetos para o futuro?

Por enquanto, penso em continuar me dedicando a Vela, que é minha vida, e às palestras que sempre ajudam a levar uma mensagem legal para os diversos públicos que ouvem minha história e, de uma forma ou de outra, acabam usando algo desta minha experiência para suas vidas. Expandir as ações do Instituto Rumo Náutico (Projeto Grael) e atuar em outras ações do gênero: Instituto LiveWright e Atletas pela Cidadania, também mantém minha chama do espírito público acesa!

- Um atleta que seja referência?

Bem, como já falei, meu irmão Torben Grael. Tem também um atleta de tiro ao alvo que eu sempre relembro, o húngaro Károly Takács. Ele era sargento do exército do seu país e, mesmo sendo o melhor atirador de lá, em 1936 não pode competir na Alemanha porque naquela época só oficiais graduados podiam representar a Hungria em jogos olímpicos. Muito frustrado, ele estava treinando para os jogos de 1940, que acabaram não acontecendo por causa da 2ª Guerra Mundial, quando uma granada decepou seu braço direito. Mesmo assim, ele perseverou e aprendeu a atirar com a mão esquerda. Resultado: aos 38 anos de idade foi medalha de ouro e bateu o recorde mundial da Pistola Rápida de 25m em Londres 1948 e se tornou o primeiro deficiente a ser campeão olímpico. Em Helsinki, em 1952, ganhou outro ouro para se tornar um dos raros bicampeões olímpicos da história do tiro ao alvo. Quando o perguntaram como ele havia conseguido na mão esquerda a mesma precisão que tinha na mão direita, ele simplesmente respondeu: "eu sempre atirei com a mente e não com as mãos". Sou ainda um grande admirador de outros atletas como Zico, Adhemar Ferreira da Silva e a trina de campeões da F-1 (Fittipaldi, Piquet e Senna).

- Deixe um recado para a galera do viradão.

Que jamais esqueçam que o esporte é uma ferramenta de inclusão e de educação importantíssima. E que só o esporte consegue unir diversão garantida com competição saudável, ensinar o respeito às regras e ao adversário e a superação não do outro, mas de si mesmo.

Por: Rogerio Garcia e Daiany Dutra

Fonte: Viradão Esportivo

sábado, 22 de maio de 2010

Nova America's Cup

Torben Grael, à esquerda, na tripulação do Luna Rossa, em disputa da America's Cup.


Depois do fiasco da última edição da America’s Cup, quando as únicas duas equipes participantes passaram mais tempo disputando nos tribunais do que no mar, a mais antiga e tradicional competição da vela mundial tenta recuperar a credibilidade e o prestígio perdidos. No último dia 18, dezenove projetistas de dez nacionalidades diferentes se encontraram em Valência, na Espanha, para decidir sobre uma nova classe para a disputa da 34ª edição da regata. As alternativas apresentadas foram um desenho monocasco de cerca de 27 metros de comprimento e dois projetos de trimarãs, um de 20 e outro de 25 metros. “As equipes merecem um novo barco e os fãs também”, disse Russel Coutts, quatro vezes campeão da America’s Cup. O consenso é que o novo barco deve atender os seguintes critérios: velocidade e competitividade; exigência de capacidade atlética dos tripulantes; tecnologia avançada e eficiência de custos; facilidade de transporte; ser exclusivo da America´s Cup e, por último, ser versátil para garantir a qualidade da competição em condições de ventos fortes e fracos. Que assim seja, pois a competição que já foi a grande paixão dos amantes da vela andou próximo da extinção.
Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói, 22/05/2010.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Terminou a lamentável edição da 33 America's Cup. Que a competição volte a ser o que sempre foi: uma bela regata

A mais tradicional competição da vela internacional - a America’s Cup - finalmente teve a sua 33a edição disputada em Valência, na Espanha. Após 3 anos de muitas disputas nos tribunais, americanos (da equipe BMW-Oracle) e suiços (da equipe Alinghe) quase conseguiram sepultar a mais tradicional e famosa disputa do mundo da vela.
Quando a disputa foi para onde sepre devia ter estado - no mar - conseguimos ver uma regata mas nenhuma emoção: os americanos venceram por 2 x 0.
Para quem teve a oportunidade de assistir a uma America's Cup, como eu tive o privilégio de assistir a disputa na Nova Zelândia (1999/2000), quando meu irmão Torben Grael era o tático do Luna Rossa (da equipe italiana Prada), e viu o que pode ser considerado o melhor da vela mundial, acompanhar o pífio espetáculo desses catamarãs da lamentável disputa atual, acaba por temer pelo futuro da competição.
Tudo bem! Os americanos fizeram de tudo (tudo mesmo) para vencer a atual edição da America's Cup, e reconquistar o troféu que não conseguiam vencer na água desde 1992.
Agora, que pelo menos, agora, tenham a responsabilidade de evitar que uma competição que existe desde 1851, tenha a sua credibilidade resgatada.
Veja, abaixo, o relato da disputa do último dia (14/02/10) nas palavras do sempre bem informado e entusiasmado Murillo Novaes:

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BMWOracle faz 2 a 0, vence a 33ª Copa América, e mundo da Vela espera que a era dos meninos mimados e brigões tenha chegado ao fim.

Apesar de cruzar com a bandeira vermelha de protesto em cima, Bertarelli desiste de mais briga e admite derrota.

Boa tarde!! Foi mais fácil do que parecia.... Hoje até que o Alinghi mostrou alguma força mas deu Larry Ellison, Russell Coutts, James Spithill e companhia. Copa América - Acabou!! Depois de 3 anos de brigas, de incontáveis ações, cargas, apelações, sentenças, audiências e outras palavras mais afeitas ao mundo jurídico do que à nossa vidinha eólica, a 33ª Copa da escuna América chegou a um termo. E na água!!

Assim como em 1988, quando o mundo, perplexo, assistiu a outro “dog fight” (ou DoG Match, Deed of Gift Match, a disputa segundo as regras da escritura de doação que o último tripulante vivo da América fez em 1887) a coisa foi feia. Uma regata em barcos muito diferentes, com pouca emoção, apesar do inegável (e incrível) desenvolvimento tecnológico destas bestas-feras de transformar ar em movimento!

Hoje até que Netuno se compadeceu das milhões de almas bondosas que assistiam à regata por todo o planeta e no primeiro contravento, a despeito da péssima largada dos suíços novamente (não entraram no Box e tomaram uma penalidade), os caras velejaram bonito e chegaram a estar na frente, na moral. Uma pequena vitória do homem sobre a tecnologia... Ou seja, na base do capricho de Loïck Peyron (que tirou o patrão Bertarelli do leme e se tornou o primeiro francês da história a timonear em um match da copa mais antiga do esporte planetário) e principalmente do tático Brad Butterworth que viu a direita pagando, foi para lá e fez o cat suíço velejar 12 das 13 milhas da perna à frente dos americanos. Mas, no final, outro pequeno vacilo no layline e o Oracle (que deu a sorte da última rondada ser para a esquerda) passou 28 segundos à frente. Daí em diante foi o costumeiro show da maior asa já produzida no planeta (68m e mais lift que a de um A380 carregado): mais de 2km de liderança e velocidades de até 34 nós em 8 nós de vento... É mole??

Com isso os americanos, que detiveram por 132 anos a copa, vencem novamente. Desde 1992 os ianques não tinha o privilégio!! E Ernesto Bertarelli, que disse que Larry Ellison não queria ir para a água, porque lá perderia, teve que engolir suas palavras. Foi na água e não nas cortes de NY que o barco americano mostrou uma superioridade incrível neste match de projetistas geniais, idéias ousadas e bolsos sem fundo.

Dois matchs, 2 a 0, 10m e 5s de diferença na primeira, 5m e 26s de delta na segunda. A copa da escuna que tinha o nome de um país em 1851, volta para casa: a América!!!

Estamos ligados!! Volto com mais infos depois..

Fui...
Murillo Novaes

sábado, 6 de fevereiro de 2010

America's Cup: será que agora vai?

Torben Grael (à esquerda, de óculos escuros), em meio a uma manobra no Luna Rossa, barco da equipe Prada, no tempo em que a America's Cup ainda era disputada no mar e não nos tribunais.


Parece inacreditável, mas a 33a America’s Cup vai finalmente acontecer, em Valência, Espanha. A mais tradicional competição da vela internacional começa nesta segunda-feira (8). As regatas seguintes serão na quarta e sexta-feira, todas com transmissão ao vivo pela BandNews (das 7h às 9h, pelo horário de Brasília) e com flashes no canal aberto da Band (das 9h às 11h).

Será uma disputa entre o barco suíço que defende o título, o Alinghi, do Société Nautique de Genève, que enfrentará o desafiante BMW Oracle Racing, do Golden Gate Yacht Club, nos EUA. Há poucas semanas, parecia que estávamos diante do fim da competição, que é disputada desde 1851, diante enfadonha e insana disputa judicial entre os suíços e os americanos, que acabou afastando os demais participantes. A baixaria foi tão grande que, em vez dos tradicionais barcos monocasco, o que se verá será a disputa entre dois catamarãs high tech, porém, irreconhecíveis como barcos da America’s Cup.

Mesmo levando finalmente a disputa para onde sempre deveria ter estado - na água – a briga nos tribunais continua. Após o término da competição, a decisão ainda estará sub judice, pois os americanos reclamam agora de irregularidades na vela dos suíços. Não vejo a hora da America’s Cup voltar a ser o que era: uma disputa entre os melhores velejadores do mundo e não entre obscuros cartolas e escritórios de advocacia.

Conversando com Torben Grael sobre o assunto, ele me disse que acredita que isso só acontecerá quando for criada uma instância independente para gerir a competição, como existe na Volvo Ocean Race e outras competições importantes. Hoje, quem manda é a equipe que defende o troféu (a quem cabe estabelecer as regras para a próxima etapa) e os tribunais.

Da Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói, 06/02/10. A Coluna Rumo Náutico é publicada todos os sábados.