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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Desmatamento na Mata Atlântica atinge menor nível histórico e confirma trajetória de desaceleração

 

Supressão total registrou queda de 28%, chegando a 40% em florestas maduras

Dois dos principais sistemas de monitoramento da Mata Atlântica apresentaram, em 2025, os melhores resultados de suas respectivas séries históricas.

O Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica, desenvolvido pela Fundação SOS Mata Atlântica, MapBiomas e Arcplan desde 2022, registrou queda de 28% no desmatamento em relação ao período anterior – de 53.303 para 38.385 hectares. Trata-se do menor índice dos quatro anos de acompanhamento.

Já o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, parceria entre a SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que desde 1985 monitora os grandes fragmentos de florestas maduras do bioma, confirma a mesma tendência com um dado ainda mais expressivo: redução de 40% na supressão, que passou de 14.366 para 8.668 hectares. Em quatro décadas de monitoramento, pela primeira vez o desmatamento anual ficou abaixo da marca de 10 mil hectares.

Taxa de desmatamento e tendência para a série histórica

O resultado se dá num ano especialmente simbólico: em 2026, a Mata Atlântica registra seu menor desflorestamento ao mesmo tempo em que a Fundação SOS Mata Atlântica completa 40 anos e a Lei da Mata Atlântica (primeira legislação específica para a proteção de um bioma brasileiro e referência internacional em conservação de florestas tropicais) chega aos 20 anos.

A redução é reflexo de pressão pública, mobilização da sociedade, políticas ambientais e ações de fiscalização – entre elas medidas como a Operação Mata Atlântica em Pé, a aplicação de embargos remotos e a restrição de crédito a áreas desmatadas ilegalmente, além da afirmação da Lei da Mata Atlântica como principal instrumento de proteção da vegetação nativa do bioma.

De acordo com o SAD, houve redução das derrubadas em 11 dos 17 estados do bioma, com destaque para Bahia e Piauí. Apesar do recuo, ambos ainda aparecem entre os maiores responsáveis pela perda florestal: Bahia (17.635 ha), Minas Gerais (10.228 ha), Piauí (4.389 ha) e Mato Grosso do Sul (1.962 ha) concentraram, juntos, 89% da área total desmatada. Nos demais estados, as perdas ficaram abaixo de 1.000 hectares. Quase toda a destruição registrada pelo sistema, 96%, foi convertida para uso agropecuário – grande parte com indício de ilegalidade.

Para Luís Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da SOS Mata Atlântica, os números de 2025 confirmam uma trajetória. “Políticas públicas e instrumentos de controle ambiental funcionam quando são aplicados com seriedade. A celebração, no entanto, precisa vir acompanhada de vigilância. O desmatamento continua acontecendo e, na Mata Atlântica, cada fragmento perdido faz diferença. O desafio é manter essa trajetória até zerarmos o desmatamento”, ressalta.

O desafio daqui em diante

A Mata Atlântica abriga cerca de 70% da população brasileira e sustenta mais de 80% do PIB nacional. Protegê-la é garantir segurança hídrica, estabilidade climática e produtividade agrícola para a maior parte do país.

O bioma tem condições de se tornar o primeiro no país a alcançar o desmatamento zero e avançar em uma agenda de restauração florestal em grande escala – e os dados de 2025, embora não encerrem o problema, mostram que essa direção é possível.

Esse cenário positivo, porém, convive com um risco concreto no plano legislativo. Em 2025, o Congresso Nacional aprovou a Lei Geral do Licenciamento Ambiental e a Lei da Licença Ambiental Especial, que enfraquecem mecanismos de controle do desmatamento justamente quando eles mostram resultados.

Uma das mudanças mais graves afeta diretamente a Mata Atlântica: o novo marco dispensa a anuência do Ibama para órgãos estaduais atuarem nas autorizações de desmatamento de vegetação primária e secundária em estágio avançado de regeneração. A supressão de vegetação nativa nesses casos é vedada pela Lei e só é permitida em casos de utilidade pública e fim social. A alteração na Lei da Mata Atlântica passa a permitir que a autorização para desmatamento seja realizada por um único órgão licenciador – incluindo municípios que, na maioria dos casos, não têm estrutura técnica para a análise dos estágios sucessionais da Mata Atlântica.

“É uma distorção que leva o Brasil na contramão do Acordo de Paris e potencializa tragédias climáticas. Os números apontam que o desmatamento cai quando a lei é aplicada com rigor e critérios técnicos. Enfraquecer os instrumentos de proteção agora é arriscar o que levamos anos construindo”, afirma Malu Ribeiro, diretora de políticas públicas da SOS Mata Atlântica.


Monitoramentos complementares

O SAD Mata Atlântica detecta desmatamentos em fragmentos a partir de 0,3 hectare, com o objetivo de gerar documentação ágil e completa para cada evento de supressão. “O SAD foi desenvolvido para fechar a lacuna entre o monitoramento anual e a realidade do desmatamento no dia a dia. Quanto mais rápido um alerta chega aos órgãos responsáveis, maior a chance de interromper a destruição antes que ela se consolide”, explica Marcos Rosa, diretor da Arcplan e coordenador técnico do MapBiomas.

Em 2025, o sistema passou a contabilizar somente o desmatamento dentro do mapa de aplicação da Lei da Mata Atlântica, desconsiderando as partes de áreas suprimidas que, na fronteira com outros biomas, ultrapassem esse limite. O ajuste metodológico garante maior precisão na atribuição das perdas.

O Atlas da Mata Atlântica, por sua vez, monitora áreas a partir de três hectares e oferece uma fotografia anual da situação dos grandes fragmentos florestais do bioma – especialmente as matas maduras, que são os de maior importância para a biodiversidade e o estoque de carbono. Da cobertura original total da Mata Atlântica restam hoje cerca de 24%, sendo pouco mais da metade (12,4%) correspondente às florestas maduras.

Coordenadora técnica do Atlas pelo INPE, Silvana Amaral ressalta que 40 anos de monitoramento contínuo construíram a base que permite avaliar com precisão o que está acontecendo com os remanescentes mais valiosos da Mata Atlântica. “É essa série histórica que dá o real significado ao resultado de 2025 e comprova que estamos diante de uma mudança consistente”, avalia.

Os dados completos estão disponíveis aqui no site, nas páginas do Atlas da Mata Atlântica 2024-2025 e no painel do SAD Mata Atlântica. O Atlas pode ser baixado como PDF na página de Relatório e Balanços.

Tanto o Atlas quanto o SAD têm execução técnica da Arcplan.

Fonte: SOS Mata Atlântica




segunda-feira, 11 de maio de 2026

Santa Marta é marcada por avanço político e pressão por um tratado pelo fim dos combustíveis fósseis

Divulgação: Ministério do Meio Ambiente da Colômbia

Proposta de Povos Indígenas e entidades de criar zonas livres de combustíveis fósseis é incluída nos encaminhamentos da conferência.

Há três décadas, países se reúnem anualmente em conferências da ONU para tentar frear as mudanças climáticas. Mas nunca os principais responsáveis pela crise do clima – o petróleo, o gás fóssil e o carvão – foram tratados de modo tão direto, honesto, pragmático e em todas as suas dimensões, como na 1ª Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis realizada em Santa Marta, Colômbia, na semana passada, destaca Giovana Girardi na Agência Pública.

O encontro terminou na 4ª feira (29/4) com um saldo político relevante, frisa ((o))eco, ainda que sem resultados vinculantes – aliás, este não era o objetivo. Ao operar fora do modelo tradicional das COPs do clima, a conferência funcionou como uma coalizão de países dispostos a avançar na implementação da transição energética sem depender do consenso global. Uma estratégia que busca contornar o bloqueio diplomático imposto pelos grandes produtores de combustíveis fósseis e deslocar o debate para o campo da ação.

Por isso, nos próximos meses, os 57 países reunidos em Santa Marta focarão em destravar o financiamento da transição energética – tema que também costuma travar as negociações climáticas. Os países também concordaram em coordenar a elaboração de planos nacionais e regionais para substituir os combustíveis fósseis e alinhar políticas comerciais entre as nações para fortalecer os setores verdes, detalha o Projeto Colabora.

“Por mais difícil que seja, sabemos que esta conversa não pode terminar aqui. Devemos manter o ímpeto, liderar com coragem, enfrentar o desafio e construir uma coligação de voluntários”, afirmou Irene Vélez Torres, ministra de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia, que copresidiu a conferência junto com os Países Baixos. “Esta será uma ampla plataforma intergovernamental e multissetorial, complementar à UNFCCC [a Convenção do Clima da ONU], projetada para identificar os caminhos legais, econômicos e sociais necessários à eliminação gradual dos combustíveis fósseis”, reforçou.

A ampliação da coalizão para além dos países em Santa Marta também foi enfatizada pela ministra do Clima dos Países Baixos, Stientje van Veldhoven, na plenária final. “Esta é a coalizão dos dispostos; esta é a coalizão dos que fazem e queremos que ela cresça”, destacou. Ela lembrou que há uma clara tendência para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis – reforçada pela guerra no Oriente Médio, que inflou os preços do petróleo e do gás e restringiu a oferta – e é preciso aproveitar a oportunidade. “É hora de traçar um roteiro concreto que nos permita incorporar o novo e deixar o antigo para trás”, adicionou.

Colômbia e Países Baixos produziram um documento com conclusões sobre a conferência. Entre os encaminhamentos listados, está a criação de zonas livres de combustíveis fósseis – uma proposta capitaneada pelos Povos Indígenas e por várias organizações da sociedade civil. “Para limitar a expansão da extração, os países poderiam implementar planos de fechamento, zonas livres de combustíveis fósseis quando pertinente, interromper a emissão de novas licenças, gerenciar ativos encalhados, distribuir de forma justa os custos de encerramento ou leiloar, ao longo do tempo, o fechamento de instalações de produção de combustíveis fósseis”, diz um trecho do documento.

O anfitrião da próxima conferência para além dos combustíveis fósseis, já está definido: Tuvalu, país insular do Pacífico e um dos mais ameaçados pela elevação dos oceanos provocada pelas mudanças climáticas. O encontro será copresidido pela Irlanda.

Até lá, o Observatório do Clima reitera que o encontro em Santa Marta, embora tenha terminado com forte alinhamento entre países, terá como prova final de êxito o desenho de mapas do caminho nacionais. “Países que compareceram ao encontro precisam demonstrar compromisso ao entregar seus roteiros. O Brasil, lembrado em Santa Marta como iniciador da discussão sobre roadmaps, tem pecado nesse sentido, com o atraso de quase três meses na entrega das diretrizes para o próprio mapa.”

A conferência de Santa Marta e seus desdobramentos foram noticiados também por g1, Valor, Amazônia Vox, O Globo, UOL e Folha.

Em tempo: No dia seguinte ao fim da conferência de Santa Marta, o presidente designado da COP31 pela Turquia afirmou que a transição energética será um tema central na cúpula do clima, em novembro, mas que simplesmente dizer às nações para eliminarem os combustíveis fósseis "não é realista", destaca a Folha. Ao ser pressionado sobre se as palavras "combustíveis fósseis" poderiam constar de uma decisão final da COP31, Kurum disse: "Não se trata de colocar algumas palavras em um texto."

Fonte: ClimaInfo




quinta-feira, 23 de abril de 2026

ICLEI: A reforma da ONU e a salvação do multilateralismo


Faltam apenas quatro anos para o final do prazo da Agenda 2030, instituída pela ONU, em 2015, com a assinatura de 193 países que compartilhavam muita esperança em promover a transição global para a sustentabilidade. O fim do prazo chega diante de uma das maiores crises já vividas pela ONU, que se vê diante dos ataques retóricos e pela retirada de apoio financeiro por parte do atual governo dos EUA e pela cobrança crescente de muitos dos seus membros por uma reforma institucional que reforce a sua democracia interna e capacidade de mediação de conflitos e sua liderança mundial. Na verdade, trata-se de uma crise do multilateralismo, que reflete na dificuldade de avanços da agenda global e na paz mundial, com sanções econômicas, agressões armadas, guerras unilaterais, com sérias consequências humanitárias e econômicas.

É nesse contexto, que o texto abaixo, assinado por Yunus Arikan, diretor de Advocacy do ICLEI - Governos Locais pela Sustentabilidade, analisa o momento de crise, mas também as iniciativas reformistas em curso e as perspectivas para uma nova ONU e para uma governança mais multinível e com uma participação mais ativa das instâncias subnacionais e, portanto, das cidades. 

O ICLEI  foi fundado em setembro de 1990, durante o Congresso Mundial de Governos Locais por um Futuro Sustentável na sede da ONU em Nova York. Atualmente, a sua sede está em Bonn, na Alemanha, reunindo mais de 2.500 cidades e governos regionais, em mais de 125 países, abrangendo todos os continentes. O ICLEI possui mais de 25 escritórios pelo mundo. Para mais informações, acesse www.iclei.org  

Como ressalta o nosso amigo Yunus, "o que falta não é ambição, mas alinhamento". Ou seja, é preciso avançar em direção a consensos que permitam os necessários acordos em torno de uma nova ONU.

Axel Grael
Membro do Comitê Executivo Global, com o Portfolio de Mudanças Climáticas.
ICLEI - Governos Locais pela Sustentabilidade

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UN beyond 80: An opportunity to position multilevel collaboration and urbanization to save multilateralism and sustainability

By Yunus Arikan

The United Nations marked its 80th anniversary in 2025. Over time, numerous UN Secretaries-General have sought reforms of the UN system, but were unable to achieve more than incremental progress due to limited buy-in from Member States.

This year is different.

The question is no longer whether the system needs reform, but whether it can deliver significant enough reform in time. With just four years until the review of the 2030 Agenda, the negotiations on what comes next will shape not only the future of sustainability, but also the credibility of the multilateral system itself. In a world shaped by overlapping crises – armed conflict, climate, biodiversity, inequality, and technological disruption – the gap between global commitments and real-world delivery is becoming almost impossible to ignore.

But this is not due to a lack of ambition – it is due to a lack of alignment.

The UN80 Initiative – an ambitious, system-wide reform effort – as well as the reform of the United Nations Economic and Social Council (ECOSOC) and the High-Level Political Forum, the review of the New Urban Agenda and SDG 11, the push for stronger synergies across the Rio Conventions, and the transition toward new UN leadership are all unfolding at once. The challenge is whether they can be composed into a coherent system for action, or remain fragmented efforts in an increasingly complex global landscape.

UN-wide reforms process: A portfolio of notes waiting for a composer to turn into a symphony

The Secretary-General of the United Nations, António Guterres – who will leave the position in December 2026 –, launched the UN80 Initiative to make the UN system more agile, integrated, and fit for today’s overlapping crises. The process also built on the outcomes of the Summit of the Future in 2024.

The start of the process happened to coincide with the beginning of the second Trump Administration in early 2025. The plan for the UN80 Initiative included budgetary implications amongst others, and it gradually transformed into a three-track process, focusing on administrative changes, options for redesigning existing institutions and opening the space for a more holistic system-wide approach.

The process reached a new momentum with the historic resolution of the UN General Assembly in March 2026, which introduced a strong support from UN Member States to the effort of the UN Secretary-General and extended the process until April 2027.

The ongoing reviews of the UN Economic and Social Council (ECOSOC) and the UN High-level Political Forum on Sustainable Development (HLPF) point in that same direction but through slightly different mandates and processes. While ECOSOC is the main UN body since 1945 covering all issues related to development, HLPF was created in 2015 to lead the 2030 Agenda for Sustainable Development. It merged the Commission for Sustainable Development under Agenda 21 – led by the environmental community since 1992 – and the Millenium Development Goals – dominated by economic and social actors since 2000. Joint review of ECOSOC and HLPF is especially important as the global community has to decide on the modalities for sustainable development beyond 2030, which is the target year for Sustainable Development Goals.

This July will herald the review of SDG 11 on Sustainable Cities and Communities by the HLPF and the midterm review of the New Urban Agenda by the UN General Assembly – two particularly important moments for the urban community. Until the inclusion of a dedicated goal for cities among 17 Sustainable Development Goals in 2015, urbanization was not considered part of sustainable development by the national governments and the UN system under Agenda 21.

Similarly, the HABITAT II community evolving since 1996 did not relate itself to sustainability until the New Urban Agenda in 2016. It would be desirable that with these two separate, consecutive and parallel reviews in July, a more systematic approach to converge urbanization and sustainable development can be established as one of the concrete inputs in the UN reforms package.

The UN reforms agenda is an opportunity for the environment community as well. For decades, global environmental governance was scattered around the Conference of Parties (COPs) of numerous multilateral environmental agreements, in particular of the three Rio Conventions on climate (UNFCCC), biodiversity/nature (CBD) and desertification/land (UNCCD), the UN Environment Assembly and the overall sustainable development community under the HLPF.

The Work Package 27 on Environment under UN80 Initiative to be led by UNEP and the UNFCCC could conclude this long overdue synergy process, building on ongoing efforts such as the CBD’s Bern Process, the UNCCD’s efforts and the Riyadh Action Agenda, as well as UNFCCC´s Action Agenda and COP30 Global Implementation Accelerator and reach to renewed modalities that are embedded into the overall UN reforms package.

Progress and, more importantly, the implementation and follow-up from 2026 onward of all these processes, will be shaped by the selection of the next UN Secretary-General, expected to take office in January 2027. Efforts are evolving from a diversity of Member States, the Presidency of the UN General Assembly, the UN SG Office and civil society that ensure transparency and accountability in the selection process which heavily depends on the veto power of the five Permanent Members of the UN Security Council, as well as high expectations for a female leader to take this helm for the first time in the history of the United Nations.

Non-UN processes: For good or for worse

If the formal multilateral system is under pressure, it is no surprise that alternative processes are emerging around it.

Some examples are positive – such as the The Fossil Fuel Non-Proliferation Treaty Initiative and the upcoming First Conference on the Transition Away from Fossil Fuels – a coalition of willing nations coming together outside of the climate negotiations process to drive forward the transition, which was a part of the outcomes of COP28.

But other examples seek to undermine the UN. The Board of Peace was organized outside the UN system and endorsed only in limited terms by the UN Security Council to coordinate reconstruction efforts in Gaza, and is an example of exclusive processes, which has yet to prove its effectiveness, taking into account consequences of escalation of military conflicts in the Gulf came after the launch of the initiative in early 2026.

At the same time, initiatives such as the Article 109 Coalition move in a slightly different style and direction. Rather than bypassing the UN system, they call for its review, operate on the provisions of its Charter, and update reflecting on the changing realities of the world. They argue that the current institutional architecture can no longer absorb the pressures placed upon it.

Seizing the time for multilevel collaboration and urbanization

This is precisely where local and regional governments matter, not as symbolic participants, but as institutional connectors.

Since 2012, the Global Taskforce of Local and Regional Governments, where ICLEI is a founding member and leads actively as its focal point to the Rio Conventions related processes, has shown what coordinated self-organization can achieve. It has unified a constituency, created common advocacy positions, and enabled more structured engagement across UN processes. The good practice in engaging with the UN Secretary-General’s Advisory Group on Local and Regional Governments built on that momentum and produced a strategy for more permanent and structured engagement of local and regional governments in intergovernmental processes and UN political bodies, which is actively presented at the ECOSOC/HLPF review process.

Another practical entry point into the UN system is the Forum of Mayors under the UN Economic Commission for Europe, format and impact of which have significantly evolved since its inception in 2020. Innovative practices like Forum of Mayor and proactive proposals of Global Task Force for constituency-based engagements should be seen as complementary efforts that can be discussed with Members States and partners within the UN system partners to ensure multilevel collaboration is appropriately reflected into the UN reforms packages.

The Local Governments and Municipal Authorities (LGMA) Constituency to the UNFCCC has been one of the good practices in constituency-based engagement in the UN system and shape the evolution of global climate governance by demonstrating that multilevel collaboration and urbanization as two-sides of the same coin to advance climate emergency action. Its COP30 Position – endorsed by more than 50 networks of local and regional governments from around the world – already made clear the relevance and importance of this, with a call to connect the COP30 outcomes to the UN80 reforms, for a new era for multilevel cooperation in the global climate and sustainability agenda. The LGMA has also wholeheartedly supported the Coalition for High Ambition Multilevel Partnership (CHAMP) launched at COP28 in Dubai in 2023 and since then, actively supported its implementation as well as advancing its governance and implementation. The CHAMP experience – where national governments commit to collaborate with their local and other subnational governments in design and implementation of national plans – can be considered as a good practice in evolving the UN system towards enhanced multilevel collaboration.

As part of UN75 consultations in 2020, ICLEI released a blueprint with four concrete proposals for UN reforms to enhance collaboration with local and regional governments and advanced it further in 2022. In 2025, ICLEI’s first Annual Review of Local and Subnational Action on the Rio Conventions confirmed how urgent this is. Climate, biodiversity, and land are converging. Governance is becoming more complex. Innovation is increasingly happening below and beyond formal structures. And local and regional governments are where this convergence is already being managed in practice, through land use, infrastructure, food systems, ecosystems, risk management, and public services.

Fonte: ICLEI/City Talk





quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

90% das medidas de adaptação climática na Europa são de iniciativa local ou regional

Membros do Comitê Global do ICLEI.

Faço parte do Comitê Executivo Global (GexCom) da organização ICLEI - Local Govenments for Sustainability, com sede em Bonn, na Alemanha, e que reúne mais de 2.500 cidades e regiões. Trata-se de uma das maiores, mais importantes e influentes redes de cidades e governos locais no mundo, atuando ativamente em diversos foruns internacionais, levando a contribuição, os interesses e os pontos de vista das cidades aos debates climáticos e outros temas prioritários. 

Na GexCom do ICLEI, sou responsável pelo Portfolio de Suporte à Ação Climática. Também participo da governança da América do Sul (RexCom) da organização. 

Assista ao vídeo no YouTube.

Liderança europeia e protagonismo das cidades

O ICLEI acaba de divulgar o artigo abaixo, que comprova que a Europa ainda lidera a agenda climática e que o protagonismo está com as cidades e regiões. Segundo o artigo, 62 regiões europeias, abrangendo 55 milhões de habitantes - mais de 12% da população da União Europeia, estão desenvolvendo os seus planos de adaptação climática. Também aponta que 90% das iniciativas de adaptação são locais e regionais e que a Europa precisará de investimentos de cerca de €70 bilhões/ano até 2050 para adaptação climática, para proteger vidas, infraestrutura, patrimônio e meios de subsistência contra danos climáticos. As três prioridades das regiões e cidades são: inundação costeira e de rios (43%), estresse térmico - ondas de calor e ilhas de calor (36%) e secas (21%).

É muito significativo o esforço dos governos locais e regionais na liderança pela adaptação, demonstrando que precisamos de uma nova correlação de forças, focando a política de enfrentamento às mudanças climáticas não apenas (ou quase totalmente) nos estados nacionais. É que se fez nas últimas 30 COPs (ou seja, nos ultimos 30 anos!) e o resultado é frustrante, como vimos recentemente na COP30. 

O futuro climático depende do fortalecimento da ação multinível e "multi-stakeholders" (planetário, nacional, regional e local/cidades), além de dar mais espaço para a sociedade civil, para a academia e para organizações técnicas. Não estamos falando do enfraquecimento da ONU e dos estados nacionais, mas do reconhecimento do papel dos demais níveis de ação climática, hoje muito mais protagonistas do que os estados nacionais. É o que temos defendido.

Axel Grael
Membro do Comitê Global do ICLEI
Responsável pelo Portfolio de Mudanças Climáticas.


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European Union, 2025

62 regions in Europe, including 5 ICLEI Members, to develop climate adaptation plans for 55 million residents

A new study has found that Europe needs to invest about €70 billion per year until 2050 in climate adaptation to fully protect lives and livelihoods and improve resilience against climate hazards.

At the same time, ninety percent of climate change adaptation measures in Europe are led at the local and regional level, according to the European Committee of the Regions.

How can we connect future investments to ensure that these cities and regions have the capacity to adapt at the scale needed?

Climate adaptation planning is the first step in the journey towards local resilience. ICLEI Europe is a proud partner in the multi-year Pathways2Resilience program that is empowering European regions to build capacity and improve planning to respond to climate hazards.

Sixty-two among the most vulnerable European regions have been selected to increase their climate adaptation plans under Pathways2Resilience, a flagship project of the EU Mission on Adaptation to Climate Change.

Five of the newly selected entities are ICLEI Members, including the municipalities of Aalborg (Denmark), Belfast (United Kingdom), Braga (Portugal), Pescara (Italy), and Tirana (Albania). A total of 100 regions and communities have been engaged over two cohorts, including eight ICLEI Members in total, with Bremen (Germany), Budapest (Hungary), and Arnhem–Nijmegen (Netherlands) participating in the first cohort.

Lessons learned from this multi-year journey were a key part of the Pathways2Resilience Summit, hosted by the City of Budapest, an ICLEI Member, from 10 to 12 February 2026. The Summit convened European regional and local governments, EU leaders, and climate adaptation experts to reflect on what worked, what proved challenging, and what support is still needed to scale climate adaptation across the region.

Orsolya Barsi, Head of the Department of Climate and Environmental Affairs at the City of Budapest, opened the event with some inspirational words: “We meet at a time when cities and regions stand at the forefront of climate action, and our urban areas, like Budapest, are not only highly exposed to climate risks such as heatwaves, flooding, and water scarcity, but they also serve as laboratories for innovation.”

Looking ahead, Barsi emphasized the shift from planning to action across Europe: “Climate resilience strategies are moving from planning to implementation, and the Pathways2Resilience project provides a valuable framework for translating adaptation challenges into step-by-step actions.”

On another panel focusing on the region’s achievements in Pathways2Resilience, Harriet Tiemens, Director, spoke on behalf of the Green Metropolitan Region Arnhem Nijmegen, as an ICLEI Member and ICLEI European Regional Executive Committee (RexCom) representative. Tiemens discussed the value of Pathways2Resilience in prioritizing areas for improved urban development versus flood protection in line with the Dutch Make Room for the River approach. Her words of advice for the second cohort were: “Focus, focus, focus; otherwise it’s too complicated,” especially coming from a region with complex governance arrangements, many stakeholders, and a dense population.

Launched in 2023, Pathways2Resilience now engages a total of 100 local and regional authorities – representing over 100 million residents, or 22% of the EU – in a range of training sessions designed to enhance their preparedness for climate change impacts through proven resilience-planning approaches.

The newly selected regions – home to around 55 million people, more than 12% of the population of the European Union – identified their top climate hazards affecting infrastructure, public safety, and the cultural sector, including coastal and river flooding (43%), heat stress (36%), and droughts (21%).

“I warmly congratulate all regions selected in the second Pathways2Resilience cohort,” said Elina Bardram, Mission Adaptation Manager at the European Commission. “As a flagship initiative, Pathways2Resilience helps the EU Mission on Adaptation deliver on its objectives and advance regional climate resilience together, through tailored support and peer learning.”

Vasileios Latinos, Head of Resilience and Climate Adaptation at ICLEI Europe, said, “Adaptation planning isn’t just about alignment, it’s about acceleration: Breaking silos, scaling what works, and giving cities and regions the shared language and leverage to turn ambition into action. Finding opportunities, through initiatives like Pathways2Resilience, to support local governments is essential to putting theory into practice.”

The newly selected regions join the 38 regions that have started the program in October 2024, gaining valuable peer support and experience. Each region will receive €210,000 in grant funding alongside access to tailored tools and guidance, interactive peer learning, mentoring, and expert guidance.

The cohort will have 18 months to develop a robust climate resilience strategy, as well as an action and investment plan. This second round represents the final allocation of the EU-funded project’s €21 million funding.

Learn more about ICLEI Europe’s work on resilience and climate adaptation across the continent: https://iclei-europe.org/topics/resilience-and-climate-adaptation/.

Fonte: ICLEI





quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Cidade paranaense destruída por tornado liderou desmatamento da Mata Atlântica no Brasil por três décadas, indica levantamento

De um lado, em 1985, a região de Rio Bonito do Iguaçu mantinha uma área grande de floresta. Do outro, em 2020, é possível notar que praticamente toda a área vende foi desmatada. — Foto: Google Earth

Segundo o MapBiomas, Rio Bonito do Iguaçu perdeu quase 60% de sua vegetação natural entre 1985 e 2000. Cidade que ficou 90% destruída após tornado F4. Sete pessoas morreram.

Por Mayala Fernandes, g1 PR e RPC

A cidade de Rio Bonito do Iguaçu, no Centro do Paraná, vem perdendo floresta há anos e liderou o desmatamento da Mata Atlântica no Brasil entre 1985 e 2000, segundo o MapBiomas, sistema de validação e refinamento de alertas de desmatamento.

Nesse período, foram removidos 24,9 mil hectares de mata – área maior que a metade de Curitiba – e, entre 2000 e 2024, outros 497 hectares desapareceram, o equivalente a quase 800 campos de futebol. Assista aqui.

Rio Bonito do Iguaçu ficou 90% destruída após ser atingida por um tornado F4 em há pouco mais de um mês, em 7 de novembro. Sete pessoas morreram e centenas ficaram feridas. À época, um especialista ouvido pelo g1 alertou que, sem florestas, as cidades ficam mais vulneráveis a eventos climáticos extremos, como tornados.

Imagens de satélite mostram a rápida transformação da paisagem na cidade paranaense.

Em 1984, uma extensa área de floresta cobria a margem direita do Rio Iguaçu no município. Hoje, restam apenas fragmentos em topos de morro e faixas estreitas ao longo de rios.

Outro dado chama a atenção na cidade, que tem pouco mais de 13 mil habitantes. Segundo a ONG brasileira SOS Mata Atlântica, Rio Bonito do Iguaçu perdeu cerca de 60% da vegetação nativa nas últimas três décadas.

Segundo Luís Fernando Guedes, representante da ONG, a região concentra, a perda da cobertura florestal reduz a capacidade de absorver a energia dos ventos.
“Historicamente, o estado aparece entre os líderes do desmatamento do bioma. Uma região com menos floresta fica mais sujeito ao impacto de eventos extremos. Se houvesse mais cobertura florestal, a energia do tornado poderia ser dissipada e os impactos seriam menores”, afirma.
Rio Bonito do Iguaçu (PR), após o tornado de 7 de novembro — Foto: Henrique Cabral

Florestas como barreiras contra desastres climáticos

O climatologista Francisco Mendonça, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), afirma que o tornado na região foi resultado de fenômenos climáticos que têm se tornado mais frequentes e intensos no estado.

Para ele, o avanço do desmatamento e o aquecimento das águas do oceano eliminam o anteparo natural contra os ventos fortes, o que deixa as cidades mais vulneráveis.
"As matas são o anteparo natural contra a força dos ventos. Sem elas, os fenômenos se formam mais rápido, mais fortes e chegam às cidades [...] Os ventos se formam naturalmente, mas ganham força em uma paisagem cada vez mais desprotegida", afirma.
O climatologista explica que eventos como o tornado do último mês ocorreram em outras épocas, mas estão se tornando mais comuns e intensos com o aquecimento do planeta.

Entenda: Aumento de eventos climáticos extremos no PR exige novo modelo de construções

"Esses fenômenos sempre aconteceram em regiões tropicais e subtropicais, mas agora ocorrem com muito mais frequência. O ano passado foi um dos mais quentes da história da Terra, e este também está sendo. As águas do oceano se aquecem e injetam mais vapor no ar, o que torna a atmosfera mais turbulenta", diz.

Segundo estudos da pesquisadora Maria Cristina Pietrovski, de 2018 a 2023, a região Sul registrou 92 tornados – a maior ocorrência em comparação com as outras regiões do país. No período, 17 deles foram no Paraná.

Paraná já registrou a passagem de outros tornados antes de Rio Bonito do Iguaçu. — Foto: RPC

Anos antes do período analisado, outros eventos similares também causaram grandes problemas no estado, entre eles, um evento registrado em 1997, em Nova Laranjeiras, provocou quatro mortes e 72 feridos.

Um dos episódios mais recentes foi em Marechal Cândido Rondon, no oeste, em novembro de 2015. Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), os ventos ultrapassaram 115 quilômetros por hora.

Cidades precisam se tornar resilientes

Além da reflexão sobre o desmatamento na região, a destruição em Rio Bonito do Iguaçu provoca o debate sobre o conceito de cidades resilientes, que são municípios preparados para enfrentar e se recuperar de desastres climáticos.

Para Eduardo Gomes Pinheiro, pesquisador da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), o planejamento urbano ainda ignora essa necessidade.
“A resiliência atravessa todas as etapas do ciclo de desastres, a prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação, e deve orientar o planejamento urbano como um todo”, diz ele.
Pinheiro diz que obras públicas, por exemplo, devem considerar se reduzem ou ampliam vulnerabilidades.
"Como esse tipo de raciocínio costuma ficar fora das práticas administrativas, cidades seguem sendo construídas sem infraestrutura adequada, o que intensifica perdas humanas, destruição de patrimônio, impactos na economia local e até interrupções no calendário escolar", afirma.
Segundo a Defesa Civil, mais de mil moradores ficaram desabrigados após o tornado. O Governo do Paraná iniciou a construção emergencial de 320 casas pré-fabricadas. Destas, 200 serão erguidas nos terrenos atingidos e 120 em um novo bairro. As obras começaram em 17 de novembro e devem levar cerca de dois meses.

Projeto mostra divisão das casas pré-fabricadas de Rio Bonito do Iguaçu — Foto: Eduardo Andrade/RPC


Fonte: G1 Paraná





segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Clima em crise: humanidade não pode perder mais um ano e mais uma COP

Seca e outros extremos climáticos ganham força à medida que a humanidade adia ações reais contra a crise do clima. Foto: Diego Rego Monteiro / Creative Commons

Presidência da conferência recebeu prioridades da sociedade civil para qualificar negociações e decisões de novembro

Aldem Bourscheit 

Organizações da sociedade civil listaram à presidência da COP30 – sob a batuta do Brasil – seis eixos para destravar as negociações em Belém (PA), mês que vem. A mensagem central é acelerar ações nesta década para conter a emergência climática e recuperar a confiança em processos das Nações Unidas.

Esse senso de urgência, contudo, desponta num contexto global especialmente adverso.

Lembrando os conflitos políticos, econômicos e bélicos mundiais, Claudio Angelo, coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima, ressalta que a conferência será diferente de outras porque ocorre no pior momento possível da cooperação internacional. “Mas o fracasso não é uma opção”, disse.

Para tanto, o primeiro eixo pede metas e ações nacionais mais fortes para cortar emissões. Afinal, hoje as NDCs (do Inglês Nationally Determined Contribution), que cada país apresenta junto ao Acordo de Paris, de 2015, não devem manter o aumento médio da temperatura abaixo de 1,5ºC.

Atenta à principal fonte de emissões no Brasil, a especialista em Política Climática do Greenpeace, Anna Cárcamo, afirmou que a COP pode acelerar ações para zerar o desmate e a degradação florestais. “Mas, é preciso ampliar o financiamento para que países em desenvolvimento cumpram metas de corte de emissões”, agregou.

O segundo eixo propõe um cronograma com monitoramento para acelerar a transição energética e afastar a economia dos combustíveis fósseis. O terceiro defende um mecanismo global de financiamento, assistência técnica e transferência de tecnologias para que essa mudança não piore desigualdades sociais.

Nessa rota, a coordenadora de pesquisa da Plataforma Cipó, Beatriz Mattos, espera que o entendimento sobre justiça climática esteja no centro das discussões da COP30. “A conferência precisa garantir que as ações climáticas contribuam para reduzir – e não reproduzir – desigualdades”, ressaltou.

Organizações e movimentos civis se reuniram por dois dias, em Brasília (DF), para qualificar eixos de negociações para a COP30. Foto: Claudio Angelo / Observatório do Clima

Já na quarta linha de ação, a sociedade civil cobra a implantação de acordos da COP28 (nos Emirados Árabes) para reforçar a resiliência à crise climática. Isso inclui aprovar indicadores e triplicar, em relação a 2022, o financiamento para adaptação.

“Não há resiliência possível, sem previsibilidade no financiamento da adaptação à mudança climática”, avaliou Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa. “Sem uma meta de financiamento para adaptação na COP 30, vamos cair num abismo [de recursos] já no próximo ano”.

O quinto eixo propõe um programa de trabalho e um espaço permanente de diálogo para alinhar as três Convenções do Rio (Clima, Biodiversidade e Desertificação), não esquecendo de tratar de dinheiro, de causas de desmate e dos direitos de povos indígenas, quilombolas e comunidades locais.

Por fim, o sexto eixo quer engrossar as finanças climáticas priorizando recursos públicos e de países ricos para os em desenvolvimento, focado em cumprir o Acordo de Paris e cortar subsídios aos fósseis. Na linguagem das conferências, é um plano de transição entre a COP29 (Azerbaijão) e a COP30 (Brasil).

As propostas acima resultaram do evento “O Caminho para Belém: contribuições da sociedade civil”, nos últimos dias 14 e 15. O mesmo foi organizado por Greenpeace Brasil, Instituto Clima e Sociedade, Laclima, Instituto Talanoa, Observatório do Clima, Plataforma Cipó, TNC Brasil, Transforma e WWF-Brasil.

*Com informações do Observatório do Clima.

Fonte: ((O)) Eco



quinta-feira, 17 de julho de 2025

PARQUES NO BRASIL: Celebrando os 25 anos do SNUC

Encontro com a ministra Marina Silva, nome histórico do ambientalismo e da gestão ambiental pública no Brasil.




Participei nessa quarta-feira do evento "25 ANOS DO SNUC: INTEGRAÇÃO E CONEXÃO", promovido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, realizado nas Paineiras/Corcovado, Parque Nacional da Tijuca.

Com importantes palestras de gestores de unidades de conservação terrestres e marinhas, técnicos governamentais, de organizações da sociedade civil e do setor empresarial, foi possível conhecer os avanços da experiência de 25 anos do SNUC, hoje uma das maiores redes de unidades de conservação do mundo. Também foram muito debatidas os desafios atuais e futuros da gestão de parques e outras áreas protegidas no Brasil.

No encerramento do evento, uma conversa entre a ministra Marina Silva e o jornalista Fernando Gabeira.

No encerramento do evento, tivemos uma interessante e inspiradora conversa entre a ministra Marina Silva e o jornalista e ex-deputado federal Fernando Gabeira, falando sobre a história do SNUC e refletindo sobre a proteção ao meio ambiente e a transição para a sustentabilidade. 

Acompanhei de perto e me lembro muito bem de toda mobilização e dos debates para a criação do SNUC, pois na época fui presidente do Instituto Estadual de Florestas - IEF-RJ e da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente- FEEMA e conselheiro do Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA, representando o estado do RJ.

O primeiro anteprojeto foi preparado na Funatura, organização que era na época liderada pela Maria Tereza Jorge Pádua, com a participação de Maurício Mercadante Coutinho (coordenação técnica) e dos consultores Ibsen de Gusmão Câmara, Miguel Serediuk Milano, Jesus Manoel Delgado, Angela Tresinari Bernardes, José Pedro de Oliveira Costa e Cesar Victor do Espírito Santo (fonte: Funatura).
O projeto de lei foi preparado no âmbito do Executivo, passou pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA e foi então encaminhado para o Legislativo. A proposta (PL 2892/92)  chegou à Câmara em 1992 (Fonte: Agência Câmara de Notícias), e lá o deputado Fábio Feldmann (PSDB-SP) foi designado relator do projeto e, depois, foi substituído pelo deputado Fernando Gabeira (PV-RJ). 

O projeto tramitou por 8 anos, em meio a muita disputa e controvérsias. Aliás, os debates foram intensos mesmo na fase de anteprojeto, com muitas divergências entre ambientalistas e outros grupos de interesses. No Congresso, a resistência ao projeto foi liderado pelos ruralistas. Apesar dos intensos conflitos, no Congresso o projeto foi recebeu emendas positivas, que incluíram novos conceitos, como os mosaicos de unidades de conservação, a reserva da biosfera, corredores ecológicos, reservas extrativistas e instrumentos econômicos de apoio.

Dizem que a pressão dos ruralistas e do Centrão (sempre eles!) foi tão grande contra o projeto que o presidente da República na época, Fernando Henrique Cardoso, decidiu não assinar a sanção da lei, que coube ao vice-presidente Marco Maciel sancioná-lo. 


Veja, a seguir, um balanço dos avanços alcançados com os 25 anos do SNUC.

Axel Grael
Engenheiro Florestal
Doutorando em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU/UFF)


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Com 25 anos de existência, SNUC se consolida como um dos principais instrumentos de proteção ambiental do País

Nesse período, área total protegida por UCs aumentou 244,8%; já o número de unidades mais que triplicou, saltou de 1.053 para 3.185


O Brasil possui uma área superior a 2,6 milhões de km² protegidos. A extensão corresponde a cerca de 20% do território terrestre e de 26% da área marinha do país. Para efeitos comparativos, o montante equivale a mais de 10 vezes o tamanho do estado de São Paulo, que compreende aproximadamente 248 mil de km².

Há 25 anos, celebrados nesta sexta-feira (18/7), a conservação desses locais é feita no âmbito do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

Instituído pela Lei 9.985/2000, o SNUC apresenta um conjunto de diretrizes e ferramentas integradas entre o poder público – nas esferas federal, estadual e municipal – e a iniciativa privada para criação e gestão de unidades de conservação (UCs), com garantia da conservação, restauração e uso sustentável da biodiversidade, alinhada às metas e compromissos assumidos pelo Brasil em acordos internacionais, como a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) e a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês).

Desde então, a área total de UCs aumentou 244,8% no país. Em 2000, a extensão correspondia a 754 mil km². Nesse mesmo período, o número de unidades mais que triplicou. Foi de 1.053 para 3.185.

A maior parte dos quilômetros protegidos está localizada em áreas federais. São aproximadamente 1,7 milhões de km², situados em 340 unidades mantidas pela União, com execução do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Somente nos dois últimos anos, 14 novas UCs foram criadas.

Os estados vêm em seguida, com 794 mil km² terras protegidas em 796 UCs. A seguir, estão os municípios. As gestões locais são responsáveis pela administração de 83 mil km² de áreas, distribuídas em 771 unidades.

Por fim, há as Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), geridas por proprietários de terras privadas que assumem, de forma espontânea, o compromisso de preservar áreas naturais. Hoje, elas estão em 6,4 mil km² de áreas, em 1.278 UCs.

A consolidação do sistema tem potencializado a conservação dos ecossistemas, apoiado o Brasil no enfrentamento das mudanças do clima e fomentando as atividades econômicas sustentáveis geradas pelas populações tradicionais residentes nessas regiões.

Segundo o Censo Demográfico de 2022, do IBGE, divulgado na última semana, quase 12 milhões de pessoas vivem em UCs. O dado equivale a cerca de 6% de toda a população. A grande maioria, 99%, é residente de áreas com uso sustentável, público-alvo do programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), que permite o apoio direto às comunidades de 60 UCs de uso sustentável. A iniciativa foi ampliada recentemente pelo governo federal para potencializar a geração de emprego e renda e o acesso a serviços essenciais, com assessoramento técnico para empreendimentos comunitários e apoio para expansão e implementação de UCs.

A reestruturação com foco nos territórios viabilizará ainda a implementação do chamado Arpa Comunidades. Em fase de elaboração, a estratégia deverá ser anunciada pelo MMA em setembro para impulsionar a conservação de 23 milhões de hectares de floresta amazônica.

Retorno social e econômico

Um estudo elaborado em 2016 sobre a participação na economia brasileira revelou que as UCs evitaram o desmatamento de 18,6 milhões de hectares no país e contribuíram com a conservação de 10,5 gigatoneladas de CO2. A quantia é cerca de 4,6 vezes o total das emissões brasileiras no mesmo ano ou 6 vezes as emissões líquidas do país no mesmo período.

O valor total desse estoque foi estimado em R$ 130,2 bilhões, podendo alcançar de R$ 3,98 bilhões a R$ 7,8 bilhões por ano. As conclusões estão na publicação “ Quanto vale o verde: a importância econômica das unidades de conservação brasileiras ”.

O mesmo levantamento apontou que as UCs influenciam a captação de aproximadamente 127,8 m³ de água por segundo ou 4,03 bilhões de m³ de água por ano para uso nas cidades e no campo.

Além da conscientização da sociedade sobre a agenda ambiental, o potencial econômico do turismo também chama a atenção. Em 2024, por exemplo, os parques federais registraram 12,5 milhões de visitas, um aumento de 3,85% em relação ao ano anterior. Quando considerado as demais categorias, o número ultrapassa os 25,5 milhões de visitantes. Saiba mais aqui .

“Os investimentos realizados nas unidades de conservação geram retornos ambientais, sociais e econômicos que superam amplamente os valores aplicados. Isso demonstra que investir em áreas protegidas é uma escolha estratégica, com resultados concretos para a sociedade brasileira”, destaca a secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA, Rita Mesquita.

Conselhos de gestores

Houve avanços também na gestão participativa. Estabelecido pela Lei 9.985/2000, os conselhos gestores das UCs, que apoiam com a definição de estratégias de proteção e uso sustentável dos recursos naturais, saíram de 15, em 2000, para 1.084, em 2024. O ano passado também foi marcado pela institucionalização do Fórum Permanente do SNUC, ferramenta fundamental para a coordenação e fortalecimento da política pública.

Classificação

As unidades de conservação são divididas em dois grupos. O primeiro diz respeito às áreas com proteção integral, em que o objetivo é a preservação da natureza, com permissão para apenas o uso indireto de recursos naturais.

Os parques se destacam nessa classificação. Oito deles, inclusive, já são – ou possuem atrativos – reconhecidos como Patrimônio Natural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O Cânion do Peruaçu, localizado no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu (MG), recebeu o título nesta semana. Saiba mais aqui .

Já o segundo grupo, é denominado como uso sustentável, e concilia o uso responsável dos recursos naturais com a conservação ambiental, com a presença de moradores nas áreas. Atualmente, cerca de 75% das UCs são de uso sustentável, sendo as Áreas de Proteção Ambiental (APAs) a categoria mais representativa.

Cadastro Nacional de UCs

Os dados sobre as UCs estão disponíveis no Cadastro Nacional de Unidades de Conservação (CNUC). Acesse a página www.cnuc.mma.gov.br e consulte as informações do SNUC.

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
imprensa@mma.gov.br 
(61) 2028-1227/1051
Acesse o Flickr do MMA

Fonte: Agência GOV




sexta-feira, 4 de julho de 2025

CLIMAINFO APONTA RESPONSABILIDADES PELAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS E CAMINHOS PARA A SOLUÇÃO


Quem são os responsáveis pelas mudanças climáticas?


Nas últimas décadas têm aumentado a frequência e também a intensidade de eventos climáticos extremos, como as tempestades e as inundações que acontecem no Rio Grande do Sul e a seca e as queimadas no Pantanal. Isto é consequência do aquecimento global e das mudanças climáticas por este geradas. Em sua raiz, estão as emissões de poluentes climáticos: os gases de efeito estufa.

As emissões acumuladas destes gases encaminham a temperatura média da Terra para perto de 1,5ºC acima das temperaturas pré-industriais, que é a meta de limitação do aquecimento global do Acordo de Paris. Se continuarmos a lançar gases estufa na atmosfera no ritmo atual, poderemos chegar aos 3ºC de aquecimento global até o final deste século, o que terá consequências catastróficas para a humanidade e para a natureza tal qual conhecemos.

Mas quem são os responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa? Podemos responder a esta pergunta separando em diferentes grupos: corporações empresariais, setores da atividade econômica ou países.

Por corporação empresarial: apenas 100 empresas responderam por 71% das emissões globais de gases de efeito estufa entre 1988 e 2015. As 10 corporações empresariais mais poluidoras do clima nesse período foram: China Coal, responsável por 14,3% das emissões, Saudi Aramco (4,5%), Gazprom (3,9%), National Iranian Oil Co (2,3%), ExxonMobil Corp (2,0%), Coal India (1,9%), Petróleos Mexicanos-Pemex (1,9%), Russia Coal (1,9%), Royal Dutch Shell (1,7%) e China National Petroleum Corp (1,6%). A brasileira Petrobras está na 22a posição do ranking das maiores poluidoras climáticas. Abaixo apresentamos as 22 maiores poluidoras. Note-se que todas elas, à exceção da mineradora BHP Billiton, são empresas envolvidas com produção de ou geração de eletricidade à base de combustíveis fósseis.” A lista completa das 100 maiores pode ser encontrada neste link.

Por setor econômico: os principais setores que emitem gases de efeito estufa no mundo são: (1) produção e consumo de energia (como a lista das empresas que mais emitem comprova), (2) agropecuária, silvicultura e uso da terra, (3) indústria e (4) manejo de resíduos sólidos e de efluentes líquidos. No mundo, a produção e o consumo de energia carregam a maior responsabilidade, com mais de 70% das emissões, enquanto a atividade agropecuária, silvicultura e mudança de uso da terra é responsável por cerca de 18% da poluição climática. No Brasil, essa ordem se inverte: aqui, a agropecuária e o desmatamento são responsáveis por aproximadamente 75% das emissões de gases estufa, enquanto a produção e o consumo de energia são responsáveis por 18%.

Por país: os 10 países que mais emitem gases de efeito estufa são, nesta ordem, China, EUA, Índia, Rússia, Brasil, Indonésia, Japão, Irã, Canadá e Alemanha. O Brasil é o 5º maior poluidor climático do mundo.


O que os responsáveis pela crise climática (não) estão fazendo: desde o início da era industrial, em meados do século 19, as emissões dos gases que estão mudando o clima têm aumentado progressivamente, junto com o crescimento no uso de combustíveis fósseis para geração de eletricidade, transporte etc. Porém esse crescimento é muito mais acentuado nas últimas décadas – coincidentemente, quando o mundo já tinha comprovado seu impacto sobre o clima e já negociava um acordo climático global. Mesmo depois da assinatura do Acordo de Paris, as emissões continuam crescendo.


As empresas, setores e países responsáveis pela crise climática não estão agindo com a urgência necessária para evitar as piores consequências da mudança do clima. Não custa lembrar: tudo que estamos vivendo é consequência de um aquecimento global perto de 1,5oC, que é a meta mais conservadora do Acordo de Paris. Ou seja, é este nível de eventos climáticos que teremos se tudo der certo. Por isso, a hora de agir é agora.

Propostas de ação contra a crise climática

Para a sobrevivência das sociedades humanas é essencial que façamos a transição energética para um mundo movido a energia renovável. A tarefa não é fácil, mas é urgente. Em novembro de 2023, 61 organizações da sociedade civil brasileira apresentaram para os negociadores da Convenção do Clima reunidos em Dubai, na COP28, um conjunto de propostas para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis. Transcrevemos abaixo as propostas: 
  • Criar um plano global para a eliminação gradual da exploração e queima de combustíveis fósseis, visando à redução de pelo menos 43% até 2030 e 60% até 2035 abaixo dos níveis de 2019, liderado pelos países desenvolvidos e petroestados. O plano deve prever o fim da prospecção e da exploração de novas reservas de combustíveis fósseis, a eliminação gradual da produção e a eliminação progressiva do financiamento público e dos subsídios ao setor de petróleo, gás fóssil e carvão.
  • Incluir neste plano um compromisso de não exploração de uma parcela significativa das reservas conhecidas. Reconhecendo seu papel histórico na crise climática, os países ricos e os petroestados devem ser os primeiros a abrir mão da exploração de petróleo, gás e carvão. 
  • Incluir também cronogramas de descarbonização por região/país que estabeleçam metas e ditem o ritmo de abandono dos fósseis.
  • Estabelecer zonas prioritárias de exclusão da proliferação dos combustíveis fósseis, protegendo ecossistemas críticos para a vida no planeta. A Amazônia deve ser uma destas zonas, tanto para a exploração onshore quanto para a offshore.
  • Criar mecanismos financeiros que ultrapassem significativamente os 100 bilhões de dólares prometidos pelos países ricos e que permitam aos países pobres e de renda média descarbonizar suas matrizes energéticas e se adaptarem aos impactos de um clima cada vez mais extremo.
  • Estabelecer um imposto global sobre os lucros inesperados do Big Oil e dos petroestados (países cuja economia é essencialmente centrada em combustíveis fósseis).
  • Implementar a meta de ao menos dobrar o financiamento para adaptação até 2025, aumentando significativamente a proporção, a quantidade, a qualidade e a acessibilidade do financiamento para adaptação e perdas e danos, considerando a aplicação mais eficaz de recursos financeiros no nível local.
  • Criar mecanismos de troca da dívida externa dos países pobres e em desenvolvimento por ações de mitigação e adaptação à crise climática.
  • Facilitar aos países pobres e em desenvolvimento o acesso às tecnologias de fontes renováveis de energia e de eficiência energética, liberando-as de patentes e outros entraves ao seu acesso.
Fonte: ClimaInfo



quinta-feira, 26 de junho de 2025

Editais do governo federal selecionam projetos de ação climática de ONGs que atuam em comunidades


O Governo Federal lançou dois editais para a seleção de propostas de ação nas "periferias urbanas" voltados à "estruturação de iniciativas para adaptação inclusiva das periferias urbanas às mudanças climáticas, com foco na aplicação de soluções baseadas na natureza (SBN)". As iniciativas são do Ministério do Meio Ambiente (edital) e do Ministério das Cidades (edital). No âmbito do MMA, serão selecionadas ao menos quatro propostas, com orçamento de R$ 10 milhões, a ser executado entre 2025 e 2026 (R$ 6,5 milhões em 2025; R$ 3,5 milhões em 2026). 

ATENÇÃO

Os editais são direcionados exclusivamente para organizações da sociedade civil e o prazo de inscrição dos projetos é 17 de julho de 2025.

Importante observar que os projetos devem estar destinados às 41 Macroáreas prioritárias do Programa Periferia Viva. No caso do estado do RJ, apenas as comunidades da Maré (Rio de Janeiro) e Ipuca (no Jardim Catarina, São Gonçalo) foram contempladas.

Axel Grael


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MMA lança edital Periferias Verdes Resilientes

Com orçamento de R$ 10 milhões, iniciativa selecionará ao menos quatro propostas para estruturação de ações inclusivas das periferias urbanas às mudanças climáticas

Objetivo é promover a melhoria da qualidade ambiental das cidades e a resiliência de territórios urbanos vulneráveis aos impactos climáticos - Foto: Mario Oliveira/Mtur

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) anunciou, nesta quinta-feira (5/6), o edital Periferias Verdes Resilientes para selecionar propostas voltadas à estruturação de iniciativas para adaptação inclusiva das periferias urbanas às mudanças climáticas, com foco na aplicação de soluções baseadas na natureza (SBN). A iniciativa é promovida por intermédio do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, em parceria com o Ministério das Cidades.

O objetivo é promover a melhoria da qualidade ambiental das cidades e a resiliência de territórios urbanos vulneráveis aos impactos climáticos. Na avaliação da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, a ação fortalece os territórios vulneráveis a partir do protagonismo das comunidades.

Ao todo, foram lançados dois editais — um pelo MMA e outro pelo Ministério das Cidades — no valor total de R$ 25 milhões. No âmbito do MMA, serão selecionadas ao menos quatro propostas, com orçamento de R$ 10 milhões, a ser executado entre 2025 e 2026 (R$ 6,5 milhões em 2025; R$ 3,5 milhões em 2026).

O edital utilizará o valor total de recursos disponíveis na modalidade não reembolsável do Fundo Clima, conforme aprovado pelo Comitê Gestor e consolidado no Plano Anual de Aplicação de Recursos (PAAR) 2025.

“Esse edital fortalece o elo entre a política ambiental, política climática e a política urbana. Queremos cidades mais verdes e resilientes, com o povo das periferias como protagonista dessa transformação”, afirma o secretário Nacional de Meio Ambiente Urbano Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental (SQA) do MMA, Adalberto Maluf, responsável pela coordenação da iniciativa na pasta.

Somente organizações da sociedade civil poderão participar do chamamento público. O prazo para envio das propostas na plataforma Transferegov é até 17 de julho. Cada proposta poderá ser contemplada com valores entre R$ 1 milhão e R$ 2,5 milhões.

“É uma ação inédita, com uma soma importante de recursos, para apoiar ação transformadora, em que a comunidade vai poder decidir, com todo apoio técnico, como a infraestrutura verde vai lhe proteger e trazer maior qualidade ambiental, aumentando sua resiliência às mudanças climáticas”, conclui o diretor do Departamento de Meio Ambiente Urbano da SQA/MMA, Maurício Guerra.

Já o edital do Ministério das Cidades, destinará R$ 15 milhões para a seleção de no mínimo seis propostas. Ambas as chamadas públicas têm abrangência nacional.

Áreas contempladas

As propostas deverão contemplar uma das 41 macroáreas prioritárias do programa Periferia Viva ou seu entorno imediato. Essas regiões foram definidas com base no processo de seleção do Novo PAC – modalidade Urbanização de Favelas – eixo Cidades Sustentáveis e Resilientes, e representam territórios com deficiências estruturais e serviços públicos precários, frequentemente expostos a riscos ambientais.

O mesmo proponente poderá apresentar propostas para os dois editais, desde que não se refiram à mesma macroárea prioritária. As ações deverão incluir, no mínimo, um dos três eixos temáticos vinculados às tipologias de soluções baseadas na natureza: hidrológico; geológico-geotécnico; altas temperaturas.

As SBN constituem uma abordagem estratégica e multifuncional, que articula infraestrutura urbana com ecossistemas naturais. Além de amenizar os efeitos das mudanças climáticas, essas soluções oferecem benefícios adicionais como a ampliação de áreas verdes, o controle de enchentes, a redução de ilhas de calor e a melhoria da qualidade do ar. Tais práticas contribuem diretamente para a implementação da Nova Agenda Urbana e o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU.

Parceria

A iniciativa é resultado da articulação entre o MMA e o Ministério das Cidades, em sinergia com os programas Cidades Verdes Resilientes e Periferia Viva. O Programa Cidades Verdes Resilientes, instituído pelo Decreto nº 12.041/2024, é coordenado pelos Ministérios do Meio Ambiente, das Cidades e da Ciência, Tecnologia e Inovação, e tem como foco a redução de desigualdades e riscos climáticos por meio de ações de adaptação urbana.

Já o Programa Periferia Viva, criado pelo Decreto nº 12.260/2024 e conduzido pelo Ministério das Cidades, atua na redução das desigualdades socioterritoriais em áreas periféricas, promovendo acesso a serviços públicos e oportunidades de inclusão social e econômica.

Fonte: MMA