quarta-feira, 19 de agosto de 2026

IBGE divulga a 4º edição da série Áreas Urbanizadas do Brasil


Nota: Para favorecimento da visualização na escala de representação apresentada, as subcategorias Áreas Urbanizadas, Outros Equipamentos Urbanos e Vazios Intraurbanos estão agregadas na legenda como Feições Urbanizadas, e os contornos dos polígonos estão realçados com maior espessura. A base de dados geoespacial com tal desagregação pode ser acessada no Portal do IBGE na Internet.

Publicação faz referência ao ano de 2022.

O IBGE disponibilizou ao público, nesta terça-feira (18), a quarta edição da série Áreas Urbanizadas do Brasil, com ano de referência de 2022. A publicação apresenta a representação espacial do fenômeno urbano no País, fundamentada nas relações do espaço vivido que caracterizam as interações de vizinhança e o modo de vida urbano, evidenciadas pela presença de edificações, pela circulação de pessoas, pela rede viária e pela distribuição e proximidade entre residências, entre outros aspectos.
O processo de urbanização, marcado por sua complexidade e dinamismo, está entre os principais responsáveis pelas transformações socioespaciais observadas no território brasileiro. Nesse contexto, o mapeamento foi elaborado a partir da interpretação visual de imagens de satélite, cuja metodologia permite identificar e analisar processos de expansão, estabilidade, densificação e retração das morfologias urbanas em todo o País.

As Feições Urbanizadas se referem à agregação das subcategorias Áreas Urbanizadas, Vazios Intraurbanos e Outros Equipamentos Urbanos.

Entre os principais destaques estão as morfologias urbanas que ocupavam, em 2022, 50 981,91 km² do País, o equivalente a 0,60% da sua área territorial. Das Unidades da Federação, cinco concentraram 50,35% do total de Feições Urbanizadas: São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Bahia. Por outro lado, 13 Unidades da Federação tiveram participação inferior a 2% das Feições Urbanizadas no total do País.

O Nordeste apresentou maior incremento de área absoluta (1 961,44 km²) e de área relativa no período (16,52%) de Feições Urbanizadas e Loteamentos Vazios em relação as demais Grandes Regiões entre 2019 e 2022.

O monitoramento das Áreas Urbanizadas do Brasil é fundamental para compreender a ocupação do território e as dinâmicas da sociedade brasileira. A atualização periódica deste levantamento permite acompanhar a expansão das cidades e as transformações da paisagem, além de subsidiar o planejamento territorial, a implementação de políticas públicas e análises relacionadas à mobilidade urbana, habitação, meio ambiente e sustentabilidade.


Distribuição Geral das Feições Urbanizadas e Loteamentos Vazios

A distribuição geral destaca a concentração do fenômeno urbano no seu litoral: os 443 Municípios Costeiros, ocupam apenas 5,02% do território brasileiro, mas reuniram 9 941,50 km² de Feições Urbanizadas, equivalentes a 19,50% do total do País. Enquanto os 772 Municípios da Amazônia Legal representam 59,11% da área do território nacional, estes apresentaram apenas 14,27% das Feições Urbanizadas do País em 2022.

Na maior parte das Unidades da Federação, a distribuição das Feições Urbanizadas situou-se entre 65% e 80% de áreas Densas, frente a 20% a 35% de áreas Pouco Densas. As exceções foram o Distrito Federal e os Estados do Rio de Janeiro e de Rondônia, onde as áreas Densas se aproximaram de 85%, assim como os Estados do Acre e de Roraima, nos quais as áreas Pouco Densas ultrapassaram 40% do total.


O Sudeste destacou-se acentuadamente pela predominância de Feições Urbanizadas Densas em relação as demais Grandes Regiões, tanto absoluta com 14 529,63 km², quanto relativa, com 38,13% de todas as áreas Densas do País.

O Nordeste teve a maior extensão de Feições Urbanizadas Pouco Densas em relação as demais Grandes Regiões com 3 936,79 km² (30,56% do total nacional).

São Paulo foi a Unidade da Federação com a maior extensão de Feições identificadas no ano de 2022, com 9 622,68 km², incluindo áreas Densas e Pouco Densas (9 343,66 km², o equivalente a 18,33% do total brasileiro), bem como Loteamentos Vazios (279,0 km²). Por outro lado, o Amapá foi a Unidade da Federação com a menor extensão de morfologias urbanas, somando 184,64 km² de Feições Urbanizadas, apenas 0,36% do total do País e 70,03 km² de Loteamentos Vazios.

O Nordeste representou 30,22% da expansão horizontal de Feições Urbanizadas do País (1 448,18 km²), seguido pelo Sudeste com 27,77% (1 330,54 km²) e Sul, com 25,86% (1 239,17 km²) no período entre 2019-2022.

Em relação ao acréscimo de Loteamentos Vazios, observou-se 44,08% do total no Nordeste, 23,7% no Sudeste, 13,83% no Centro-Oeste, 9,69% no Norte e 8,70% no Sul do país.

Mudanças nas características urbanas entre 2019 e 2022

As Áreas Urbanizadas são identificadas principalmente pela presença de moradias e a proximidade entre elas. Podem conter escolas, igrejas, cemitérios, estabelecimentos comerciais, de serviços, indústrias, dentre outros, em seu meio. Em 2022, a Grande Região com maior extensão de Áreas Urbanizadas foi a Sudeste, com 17 454,11 km², seguida da Nordeste com 12 031,46 km². Porém, essa ordem se inverteu quando se analisa a expansão horizontal detectada entre os mapeamentos de 2019 e 2022, de modo que o Nordeste lidera a expansão com 1 362,26 km² e no Sudeste sobressaem 1 190,22 km².

Treze Unidades da Federação apresentaram menos de 1 000 km² de Áreas Urbanizadas: os Estados do Norte, a exceção do Pará, os Estados de pequena extensão territorial do Nordeste (Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas e Sergipe), duas Unidades da Federação do Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal) e, no Sudeste, apenas o Espírito Santo. Essas mesmas Unidades da Federação, acrescidas do Mato Grosso e do Rio de Janeiro também tiveram a expansão horizontal entre 2019 e 2022 inferior ao valor de 100 km².

Outros Equipamentos Urbanos englobam estabelecimentos não residenciais no entorno ou com distâncias inferiores a 3 km de manchas urbanizadas, como universidades, aeroportos, portos, shopping centers, estruturas industriais, estações de energia, dentre outros. No âmbito estadual, São Paulo apresentou a maior extensão de Outros Equipamentos Urbanos em 2022, alcançando 326,30 km², e a segunda maior expansão da subcategoria no País, com aumento de 51,86 km². Minas Gerais apareceu em seguida, com 217,81 km², e liderou o crescimento no período, com expansão de 62,24 km². O Paraná ocupou a terceira posição em área total no ano mais recente, com 159,92 km², enquanto Mato Grosso apresentou a terceira maior expansão entre 2019 e 2022, com incremento de 23,28 km².

Em contraponto, 17 Unidades da Federação - Estados do Norte e Nordeste (exceto Pernambuco e Bahia), Espírito Santo, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul - apresentaram extensão de Outros Equipamentos Urbanos menor que 50 km² e, somadas ao Rio de Janeiro, tiveram expansão horizontal dessa subcategoria inferior a 10 km².

Os Vazios Intraurbanos podem indicar diferentes áreas não ocupadas por construções (desde que com área entre 0,25 km² e 2,5 km²) que estão circunscritas às Áreas Urbanizadas, como por exemplo áreas verdes, parques, corpos d’água, áreas não ocupadas por condicionamento de relevo, áreas de preservação determinadas por lei, dentre outros. Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina apresentaram incrementos significativos nessa classe, somando expansões horizontais respectivas de 15,65 km², 10,52 km² e 12,73 km².

Capitais se destacam dentre as maiores extensões absolutas

Entre os 20 Municípios com maiores extensões absolutas de Feições Urbanizadas em 2022, 15 são capitais, além de três cidades do Estado de São Paulo (Campinas, Guarulhos e Ribeirão Preto) e dois relevantes centros regionais: Feira de Santana (BA) e Uberlândia (MG).

Ocorreram mudanças de posição neste mesmo ranking em relação à 2019: Brasília (DF) passou a ter maior extensão absoluta de feições urbanizadas em relação ao Rio de Janeiro (RJ), São Luís (MA) e Teresina (PI) também ganharam posições em relação à Salvador (BA) e Uberlândia (MG), assim como Belém (PA) e Feira de Santana (BA) superaram Guarulhos (SP) e Ribeirão Preto (SP).

Municípios com maiores expansões de Feições Urbanizadas

No que se refere às 20 maiores expansões de Feições Urbanizadas Densas e Pouco Densas por Municípios, Brasília (DF) ocupou a primeira posição com expansão de 72,08 km² entre 2019 e 2022, mais que o dobro, em termos absolutos, do que o Município com o segundo maior crescimento, São Luís (MA) com 35,76 km².


Com este lançamento, a série de mapeamentos das Áreas Urbanizadas do Brasil consolida-se como instrumento fundamental para compreender a dinâmica de expansão e organização do território brasileiro, ao oferecer uma representação padronizada e comparável da urbanização em escala nacional. Os resultados revelam um padrão complexo, no qual coexistem áreas de crescimento acelerado – frequentemente associadas à expansão horizontal e à ocupação de novas frentes urbanas – e outras caracterizadas por menor dinamismo ou maior consolidação do tecido urbano.

A partir disto, verifica-se que as Áreas Urbanizadas do Brasil apresentam dinâmicas heterogêneas e que demandam respostas integradas para sua ampla compreensão, seja por meio do monitoramento geoespacial, que aqui se apresenta, seja por indicadores socioeconômicos e ambientais, no sentido de prover informações a políticas públicas de ordenamento territorial. Nesse sentido, o IBGE está comprometido com o avanço da integração de fontes não convencionais, como o sensoriamento remoto, para a produção de estatísticas oficiais de qualidade, para melhor subsidiar decisões baseadas em evidências.

Fonte: IBGE 


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Teresina, no Piauí, está entre as cidades com expansão da área urbana — Foto: Alexandro Dias/winkipédia

Embora o Sudeste concentre a maior extensão urbanizada, foi o Nordeste que teve maior expansão proporcional

Por Lívia Nani e Lucas Altino

O Brasil ganhou quase 6 mil quilômetros quadrados de área urbanizada em três anos, avanço de 12,27%, segundo o IBGE. A expansão equivale a cerca de 770 campos de futebol por dia. O Sudeste concentra a maior extensão urbanizada, mas foi o Nordeste que mais avançou proporcionalmente. Entre os municípios, Brasília liderou, com 72 km² incorporados à área urbanizada — mais que o dobro de São Luís, segunda colocada.

Os dados fazem parte do “Mapeamento das Áreas Urbanizadas do Brasil”, divulgado ontem pelo IBGE. Produzido por imagens de satélite, o levantamento identifica a expansão horizontal das cidades de 2019 a 2022, números mais recentes, e não a verticalização. O crescimento corresponde a áreas antes desocupadas que passaram a ter edificações, equipamentos urbanos ou outro tipo de ocupação, inclusive lotes vazios.

O IBGE considera “área urbanizada” o conjunto de formas e estruturas que materializam o fenômeno urbano nos territórios. Loteamentos vazios passaram a ser considerados um novo tipo de ocupação.

Para especialistas em planejamento urbano, porém, a expansão da área ocupada não significa, necessariamente, cidades mais urbanizadas. Arquiteto e urbanista e professor titular da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Zeca Brandão lembra que o Brasil está entre os países mais urbanizados do mundo pela concentração da população nas cidades, mas o processo ocorreu rapidamente e sem o planejamento necessário.

— O Brasil já é um dos países mais urbanos do mundo, o que não quer dizer mais urbanizado — explica. — Urbanizado requer bom saneamento básico, bom sistema de mobilidade urbana, espaços públicos, não ter déficit habitacional e ter infraestrutura para a dimensão do território urbano. Isso não ocorre no Brasil.

Distribuição das feições urbanizadas no Brasil — Foto: Arte O Globo

Benny Schvarsberg, professor de Planejamento Urbano da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB, também afirma que a expansão não é sinônimo de territórios mais urbanizados em planejamento e serviços. A migração, em parte das classes média e alta, para novos territórios pode gerar ocupação de baixa densidade e “ambientalmente insustentável”, com alto custo para expandir redes de infraestrutura viária, de drenagem, água, esgoto e energia, afirma.

— É preciso qualificar esse processo de expansão urbana e entender as lógicas desse modelo dispersivo de espalhamento territorial com as consequências que ela tem, do ponto de vista dos custos de infraestruturas — observa.

O especialista chama atenção para a migração de moradores de metrópoles para cidades pequenas e médias, fenômeno também observado em países como os Estados Unidos. A expansão dos chamados subúrbios, diz, pode fazer áreas perderem características rurais sem, necessariamente, ganhar condições urbana:

— Mais do que um crescimento da urbanização, seria um processo de crescimento da suburbanização no Brasil.

Schvarsberg aponta ainda o aumento dos perímetros urbanos nos planos diretores. Segundo ele, uma das possíveis razões seria elevar a arrecadação de IPTU, que gera mais dinheiro do que o ITR, imposto territorial rural.

— É uma tendência expressiva. Mais de 1.500 municípios realizaram planos diretores, e a maioria deles ampliou os seus perímetros urbanos.

O país tem 53.925 km² de “morfologia urbana”, 0,6% de seu território. Florestas, grandes parques, campos e rios não entram no cálculo. Do total, 70,6% são ocupações densas, com edificações próximas e poucos espaços livres; 23,9% são pouco densas, com moradias mais afastadas; e 5,4% correspondem a loteamentos vazios, áreas alteradas pela ação humana e delimitadas, ainda que sem construções, indicando intenção de ocupação.

Embora o Sudeste concentre a maior extensão urbanizada, foi o Nordeste que teve maior expansão proporcional: cresceu 1.961 km², ou 16,5%. No Sudeste, foram 1.606 km², aumento de 9,09%.

O IBGE não analisa as causas. Para Brandão, algumas hipóteses podem ser consideradas a partir do Censo 2022, que apontou reduções populacionais inéditas em grandes capitais nordestinas, como Fortaleza, Natal, Salvador e Recife. Uma possibilidade é que esse êxodo, em parte motivado por custo e qualidade de vida, tenha contribuído para o crescimento de cidades médias e pequenas, numa espécie de “interiorização da urbanização”, observa.

— A urbanização brasileira pode estar passando de um modelo centrado no crescimento das grandes metrópoles para um processo em que cidades médias, pequenas cidades, corredores urbanos e áreas periurbanas passam a ter um papel cada vez mais importante — diz.

Outra hipótese é a influência do turismo e da segunda residência em áreas litorâneas do Nordeste antes menos exploradas. Condomínios, loteamentos, hotéis, resorts e casas de veraneio podem estar ampliando a mancha urbana.

Brandão chama atenção para o período analisado. Entre 2019 e 2022, a pandemia produziu mudanças nos padrões de localização residencial, valorizou espaços mais amplos e estimulou a procura por cidades médias, condomínios horizontais e áreas de lazer.

Schvarsberg cita uma recente pesquisa de mestrado da UnB sobre a mudança na ocupação do Nordeste. O estudo identificou crescimento das chamadas “franjas urbanas” das principais capitais, com criação de loteamentos, como condomínios destinados às classes média e alta.

— É um crescimento que compromete reservas ambientais ou áreas antigas de produção agrícola, inclusive, com unidades imobiliárias urbanas, basicamente residenciais, especialmente de média e alta renda. Um mercado imobiliário de “amenidades verdes”. É muito comum serem chamados de condomínios sustentáveis, com anúncios para “viver na natureza” — explica.

Expansão no litoral

O mapeamento retrata um padrão de ocupação presente desde a colonização, com concentração do fenômeno nos municípios costeiros. As 443 cidades do litoral concentram 9.941,5 km² de feições urbanizadas, equivalentes a 19,5% do total do país, embora ocupem apenas 5% do território.

Na chamada faixa de fronteira, os 590 municípios ocupam 26,61% da área brasileira, mas concentram 4.223,81 km² de feições urbanizadas, ou 8,28% do total de 2022.

Entre as unidades federativas, o Distrito Federal teve a maior expansão proporcional, de 1,25%. Brasília também liderou entre os municípios, com acréscimo de 72 km², mais que o dobro dos 35 km² de São Luís, no Maranhão.

— O resultado é justificável pela sua extensão diminuta e pelo planejamento coordenado de urbanização (do Distrito Federal e de Brasília) — explicou Andressa Rosas de Menezes, técnica do IBGE.

Schvarsberg observa que o Distrito Federal tem 35 regiões administrativas, consideradas, na prática, cidades-satélites. Para ele, a expansão ocorreu com a criação de novos condomínios e lotes nas franjas desses territórios.

Fonte: O Globo


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Desastres climáticos causaram perdas de R$ 6,6 bilhões no Brasil neste ano e El Niño pode intensificar danos, diz relatório

Deslizamentos assolaram diversos bairros em Juiz de Fora, em fevereiro de 2026 — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo

Levantamento da AON, empresa de seguros, mostra que os impactos financeiros foram de R$ 565 bilhões no mundo inteiro nesse primeiro semestre por causa de secas, enchentes e deslizamentos

Por Lucas Altino

No primeiro semestre de 2026, secas, deslizamentos e enchentes no Brasil causaram um prejuízo financeiro de R$ 6,6 bilhões, aponta um relatório da AON, empresa de seguros, que alerta para os riscos do El Niño ampliar esses danos. Os eventos brasileiros foram os mais impactantes no continente, ao lado de casos semelhantes na Colômbia e dos terremotos na Venezuela. No mundo, foram estimadas perdas de R$ 565 bilhões no primeiro semestre.

O Brasil foi destacado no relatório como um dos principais exemplos de impactos do El Niño, principalmente nas perdas agrícolas, eventos de clima extremos e no mercado de seguros. A AON cita um estudo do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que identificou 220 eventos em 16 estados brasileiros entre 2000 e 2021 associados ao El Niño, que, no Brasil, gera fortes chuvas no Sul e seca no Norte.

Há previsão de que um forte El Niño atue nos próximos meses. Nas últimas semanas, intensas ventanias registradas no Sul e Sudeste podem ter acontecido por influência do aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o que configura o El Niño e altera a circulação dos ventos e da atmosfera.

Principais desastres no ano

O Global Catastrophe Recap (retrospectiva global de catástrofes), nome do relatório da Aon, identificou quatro eventos extremos no Brasil no primeiro semestre: um de seca, um de tempestade, e dois de enchentes e deslizamentos. Esses episódios somaram 127 mortes e perdas econômicas estimadas em R$ 6,6 bilhões.

O caso mais grave aconteceu em Minas, em fevereiro, onde chuvas, enchentes e deslizamentos resultaram em 72 mortes em Juiz de Fora e Ubá.

O principal desastre climático da América Latina em 2026 foi a sequência de terremotos que atingiu a Venezuela em 24 de junho, com cerca de 5 mil mortes e perdas preliminares estimadas entre 20 bilhões e 30 bilhões de dólares. Foi o terremoto mais severo no continente desde o ocorrido no Chile em 2010.

Na Colômbia, os principais problemas foram inundações. Chile e Argentina sofreram com incêndios florestais, enquanto enquanto Peru e Equador registraram enchentes e deslizamentos de terra. Já o México foi afetado pela tempestade tropical Boris.

O relatório considerou que houve menos eventos que a média, porém com intensidade acima do normal, o que gerou "impacto humano e financeiro significativo".

Panorama global

Globalmente, as perdas econômicas provocadas por desastres climáticos totalizaram 111 bilhões de dólares, ou R$ 565 bilhões, no primeiro semestre de 2026, cerca de 25% abaixo da média do século. Ainda assim, o patamar é muito alto, reforça o relatório, com 23 eventos com perdas superiores a 1 bilhão de dólares.

Houve, por exemplo, a tempestade de vento mais impactante já registrada em Portugal e uma intensa temporada de tempestades marítimas nos Estados Unidos.

O relatório destaca que a frequência de eventos extremos e o crescimento das perdas seguradas reforçam a necessidade de ampliar a resiliência da infraestrutura, fortalecer estratégias de prevenção e aperfeiçoar a gestão integrada de riscos diante de um cenário climático cada vez mais volátil.

Fonte: O Globo




sexta-feira, 14 de agosto de 2026

TURISMO DE OBSERVAÇÃO DE BALEIAS: programa iniciado na minha gestão como prefeito de Niterói segue avançando

Jubarte em frente a Niterói. Foto de Luciana Carneiro.

Em 2022, como prefeito de Niterói, assinei uma parceria com o projeto Amigos da Jubarte e o Instituto O Canal, e demos início a um programa pioneiro e devidamente estruturado para o desenvolvimento do Turismo de Observação de Baleias no litoral de Niterói. 

A iniciativa teve por objetivo planejar atividades que possam mapear, capacitar, desenvolver e monitorar atores e iniciativas locais que atuam nas áreas de Meio Ambiente, Turismo e Educação, bem como promover o ecoturismo e a educação ambiental. Foi desenvolvido um estudo para comprovar a viabilidade da implementação do Turismo de Observação Natural da Vida Marinha em Niterói e previu, inicialmente, a realização de quatro expedições em janelas diferenciadas com elaboração de diagnóstico da costa e fluxo de evolução migratória das jubartes.

Em Niterói, a atividade é promovida pela NELTUR Empresa de Turismo e Lazer, da Prefeitura de Niterói, presidida com competência pelo turismólogo André Bento.

Com dirigentes do Amigos da Jubarte, especialistas no estudo dos cetáceos, celebrando a parceria firmada em 2022.

O programa foi aberto ao público em 2024 e passou a contar com uma grande procura. Com o sucesso da iniciativa, aumentou muito a procura pela atividade e a necessidade de capacitar profissionais e certificar operadores. Por isso, a NELTUR uniu-se à Prefeitura do Rio de Janeiro e à Capitania dos Portos do Rio de Janeiro para promover o ordenamento e a garantia da segurança das atividades para o público e para as jubartes.

É animador ver nossa cidade integrada nas ações de fortalecimento do ecoturismo ordenado para a observação natural da vida marinha, que inclui baleias, golfinhos, tartarugas e aves pelágicas. Passadas as primeiras temporadas da atividade, vimos o interesse pelas jubartes crescer muito na imprensa e na opinião pública, com uma disponibilidade cada vez maior de fotos sensacionais da presença dos animais em adição à sensacional paisagem da Baía de Guanabara e do seu entorno. 

Niterói tem uma forte relação com o mar. Além do potencial nos esportes náuticos e da tradição na pesca, a cidade tem forte vocação na indústria naval e sedia a esquadra brasileira. Nossa biodiversidade é rica e através da pesquisa científica, fomento ao turismo e trabalhos de educação ambiental, Niterói pode contribuir de forma substancial para o desenvolvimento econômico sustentável do Estado do Rio de Janeiro, sobretudo neste período de retomada da economia. 

Em 2024, trouxemos para Niterói a primeira edição do Tomorrow Blue Economy, um grande evento anual para promover o potencial de Niterói para a economia do mar.

A ONU declarou que o período de 2021 a 2030 é a Década do Oceano. Mais do que nunca, é fundamental refletirmos sobre a nossa relação com o mar e nos comprometermos com uma mudança de comportamento que gere benefícios para o ambiente marinho.

Para mais informações e saber como participar, acesse: www.queroverbaleia.com

Axel Grael

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Exemplar da espécie observada na Baía de Guanabara — Foto: Ricardo Gomes/Instituto Urbano

Observação de baleias no Rio e em Niterói terá selo em embarcações para disciplinar atividade

Parceria entre a Secretaria municipal de Turismo do Rio e a Neltur tem objetivo de garantir ao mesmo tempo a proteção do animal e a segurança de tripulantes e passageiros

Por Madson Gama — Rio de Janeiro

Vindas da gélida Antártica, as baleias jubarte são uma presença marcante nas águas quentes do Brasil entre junho e novembro, período de reprodução, nascimento e amamentação dos filhotes. Com o turismo de observação da espécie cada vez mais em alta, as prefeituras do Rio e de Niterói criaram um selo para certificar as embarcações que realizam expedições desse tipo nas duas cidades. O objetivo é garantir ao mesmo tempo a proteção do animal e a segurança de tripulantes e passageiros.

Fruto de uma parceria entre a Secretaria municipal de Turismo do Rio (SMTUR) e a Niterói Empresa de Lazer e Turismo (Neltur), o projeto inclui a capacitação de mestres de embarcação e de seus proprietários, além de outros personagens da cadeia produtiva do turismo, como guias, agências e hotéis, num esforço para garantir o ordenamento e a sustentabilidade da observação da vida marinha. O treinamento é oferecido pela ONG Amigos da Jubarte. Ao final, os profissionais também são certificados.

— Há uma capacitação teórica, com foco na biologia e ecologia desses animais, conscientizando sobre a sua importância para o ecossistema marinho, para o planeta como um todo e para nós enquanto sociedade. Falamos do histórico da caça e como as baleias são impactadas negativamente pelas atividades humanas. Todo esse conteúdo é repassado durante um dia inteiro de treinamento. Posteriormente, fazemos a parte prática, com a aula de ecologia a bordo de uma embarcação — detalha o ambientalista Thiago Ferrari, diretor da ONG.

Projeto Baleia Jubarte acompanha a passagem pelo Rio — Foto: Custodio Coimbra

Cartilha informativa

Uma das capacitações em campo vai acontecer amanhã, pela manhã. O roteiro abrange as ilhas Pai e Mãe, em Niterói; e Rasa, Redonda e Cagarras, no Rio, onde há grande ocorrência dessa espécie. O projeto de conservação da jubarte elaborou uma cartilha informativa destacando as boas práticas de navegação na observação do mamífero.

— É preciso manter a distância de cem metros da baleia, ou de duzentos metros, se ela estiver com seu filhote. Não se pode observar por mais de 30 minutos o mesmo grupo, para não estressar o animal. Recomendados que no máximo duas embarcações observem um mesmo grupo ao mesmo tempo. Se você estiver numa terceira embarcação, aguarde os 30 minutos, para que uma delas se afaste e você se aproxime. Jamais pratique natação ou mergulhe em área de baleia. Apesar de ser um animal muito dócil, é muito grande, pesado e pode machucar. As baleias são curiosas, então, às vezes vêm investigar o barco. A orientação é manter o motor em neutro ligado, porque ela se orienta pelo ruído, e vai se aproximar sabendo que há um objeto ali, evitando colisão. Depois que ela se afasta cinquenta metros, você segue pelo lado oposto — orienta Thiago.

Treze embarcações de Rio e Niterói já receberam o selo, que tem validade de um ano, e um adesivo com a inscrição “Certificado turismo de observação de cetáceos”. Algumas expedições feitas por esses barcos já certificados contam com um pesquisador da Amigos da Jubarte, que transmite aos turistas conceitos de educação ambiental.

Para conquistar a chancela, a embarcação deve estar homologada para transporte de passageiro pela Capitania dos Portos e dispor de itens de segurança, como botes salva-vidas, sinalizadores e radiocomunicadores. A tripulação deve estar com a documentação em dia.

— O turismo de observação de baleia é uma importante e potente ferramenta de conservação da espécie, se feito de forma sustentável e ordenada. É o momento em que conseguimos aproximar a sociedade desse verdadeiro tesouro natural que está na nossa costa. E as pessoas só preservam aquilo que elas conhecem — observa o Thiago Ferrari.

Além de Amigos da Jubarte, SMTUR e Neltur, o grupo de trabalho para a criação do selo, que fez um mapeamento da incidência da espécie, incluiu Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Capitania dos Portos.

— A Capitania, ao ver esse selo, entende que aquela embarcação foi certificada para boas práticas de navegação — explica André Bento, presidente da Neltur. — Há um esforço muito grande para um ordenamento e conscientização das pessoas, a fim de que possamos desenvolver um turismo sustentável, perene, que gere emprego e renda e, mais do que isso, preservação para esses animais.

Canoa havaiana

Além das embarcações motorizadas, recentemente a observação passou a ser promovida por clubes de canoa havaiana. Um próximo passo do projeto é elaborar um protocolo de segurança adaptando as boas práticas para essa modalidade. Dona do clube Dihva'a, na Praia de Botafogo, Diana Tavares, de 40 anos, passou por treinamento recente com a Amigos da Jubarte. Ela liderava um grupo a bordo de uma canoa que avistou um espécime na Baía de Guanabara, na semana passada.

— Junto com a gente havia mais umas 30 canoas. Ela nos rodeava e passava por debaixo. Como nós não temos motor, precisamos fazer barulho com o remo para ela notar nossa presença e não se chocar com a gente. Isso eu aprendi depois da capacitação. Não tinha noção do perigo. A única sensação foi de encantamento. Vamos trabalhar para uma interação mais consciente, evitando estressar o animal e nos colocar em risco — conta Diana.

Fonte: O Globo




segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Niterói abre edital de R$ 15 mil por agricultor e prioriza cotas para mulheres

A Secretaria de Assistência Social utilizará todo o hortifrúti arrecadado para abastecer a rede de segurança alimentar da cidade - Imagem ilustrativa


A Prefeitura de Niterói abriu, nesta sexta-feira (31), a Chamada Pública nº 003/2026 para comprar alimentos frescos da agricultura familiar. Por meio da medida, o município repassará até R$ 15 mil por ano para cada produtor rural credenciado.

Com essa iniciativa, a gestão municipal estimula a economia do campo e garante comida saudável para moradores em vulnerabilidade social.

Além disso, a Secretaria de Assistência Social utilizará todo o hortifrúti arrecadado para abastecer a rede de segurança alimentar da cidade nos próximos meses.

O que muda na seleção dos produtores?

Para garantir equidade de renda no campo, a prefeitura estabeleceu regras afirmativas inéditas no novo edital do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA Municipal).

  • Cota feminina obriga participação: O edital reserva pelo menos 50% de todas as vagas de fornecedores exclusivamente para mulheres agricultoras.
  • Foco na baixa renda: A gestão exige que no mínimo 60% dos produtores selecionados pertençam ao Cadastro Único (CadÚnico).
  • Pontuação prioritária: A comissão avaliadora priorizará trabalhadores negros, indígenas, quilombolas, assentados da reforma agrária, pescadores e jovens de 18 a 29 anos.

Regras oficiais e execução do programa

A contratação pública baseia-se nos critérios do artigo 4º da Lei Federal nº 14.628/2023 e do Termo de Adesão nº 02083/2024.

Paralelamente a isso, os agricultores entregarão os mantimentos no Banco Municipal de Alimentos Herbert de Souza, em São Domingos, onde os agentes públicos organizarão a distribuição das cestas.

O QUE VOCÊ PRECISA SABER: PAA e CAF:

PAA (Programa de Aquisição de Alimentos): Política pública que compra alimentos diretamente de pequenos produtores para abastecer redes de assistência social.

CAF / DAP: O Cadastro Nacional da Agricultura Familiar é o documento oficial que comprova que o trabalhador produz no campo de forma familiar.

Como se inscrever e garantir a vaga

Diante desse cenário, os interessados devem realizar a inscrição entre os dias 03 e 12 de agosto de 2026. Portanto, produtores individuais, cooperativas ou associações precisam apresentar cópias do CPF, documento com foto, extrato da CAF/DAP e a proposta de fornecimento.

Para isso, o trabalhador pode entregar a documentação presencialmente na sede da Secretaria Municipal de Assistência Social (Rua Coronel Gomes Machado, nº 281, Centro), das 10h às 16h.

Alternativamente, a equipe aceitará os arquivos pelo e-mail subsan@smases.niteroi.rj.gov.br. Por fim, a prefeitura divulgará o resultado definitivo no dia 31 de agosto.

Agricultura familiar: alimento, renda e desenvolvimento

Produção que nasce no campo e chega à mesa: Famílias agricultoras cultivam alimentos, preservam conhecimentos e movimentam a economia local.

A agricultura familiar reúne pequenos produtores que utilizam principalmente o trabalho da própria família na plantação, criação de animais e comercialização dos alimentos. Além de abastecer feiras, mercados e programas públicos, esse modelo produtivo fortalece as comunidades rurais e contribui para uma alimentação mais diversificada.

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Alimentos frescos

Primeiramente, a produção familiar amplia a oferta de frutas, verduras, legumes, ovos, leite e outros alimentos que fazem parte da rotina da população.

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Geração de renda

Além disso, a venda direta em feiras e mercados garante renda aos produtores e mantém uma parcela maior dos recursos circulando dentro da própria comunidade.

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Fortalecimento local

Do mesmo modo, cooperativas e associações ajudam as famílias a compartilhar equipamentos, reduzir custos e alcançar novos compradores.

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Preservação ambiental

Paralelamente, práticas sustentáveis podem proteger o solo, conservar a água e valorizar sementes, técnicas e conhecimentos transmitidos entre gerações.

Valorizar quem produz

Portanto, comprar de pequenos produtores, visitar feiras locais e incentivar políticas de crédito, capacitação e assistência técnica são atitudes que fortalecem a agricultura familiar e aproximam o campo da cidade.