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sábado, 10 de fevereiro de 2024

LARS GRAEL, 60 ANOS: Mar Brasil relembrou ótima entrevista de 10 anos atrás.

Meu irmão Lars Grael completou, no último dia 9 de fevereiro, 60 anos! Para comemorar, Alexandre Haddad, da Sana Produções, reapresentou matéria do Canal Mar Brasil que celebrou os 50 anos do Lars, há 10 anos atrás.

Na entrevista, Lars fala da sua trajetória esportiva, dos momentos difíceis do seu triste acidente, fala da família e do prazer de poder "viver do vento".

Vale a pena conferir clicando aqui no vídeo abaixo:

Acesse o vídeo no YouTube também por aqui.

Lars, mais uma vez, parabéns pelos 60 anos de muitas conquistas e que venham mais belos capítulos para a sua história.

Haddad, parabéns por mais esse belo registro.


 

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

MEDALHISTAS DA VELA VISITAM O PARQUE ESPORTIVO DO CARAMUJO

 













Orgulho duplo no Parque Esportivo do Caramujo

Foi com uma satisfação imensa que, na última quinta-feira, levei meu irmão Torben e meus sobrinhos Martine e Marco para conhecer o Parque Esportivo do Caramujo, na Zona Norte. Acompanhado da minha esposa, a Christa, mostrei a eles este espaço que cumpre papel tão importante no desenvolvimento social de nossa cidade. A visita, que contou com a ilustre presença da também velejadora Isabel Swan, foi marcada por muita alegria e emoção.

Nossos heróis olímpicos foram recebidos com muito entusiasmo por dezenas de crianças que ali praticam esportes como atletismo, Badminton, tiro com arco, skate e levantamento de peso (as modalidades coletivas não foram iniciadas devido à pandemia). O brilho nos olhos dos alunos se refletia nos olhos dos visitantes, encantados com o projeto e com a alegria da garotada.


Telejornal destacou que a bicampeã olímpica Martine Grael visitou o Parque Esportivo e Social do Caramujo - PESC, aberto em 2020 pela Prefeitura de Niterói. Reportagem informou que Martine, Torben Grael, Marco Grael e a medalhista olímpica em Pequim Isabel Swan participaram, nesta manhã, da premiação da Semana de Competições Internas do projeto, que atende 400 crianças da comunidade que fica ao redor. Acesse a matéria do RJTV2 aqui.

Era difícil dizer quem estava mais feliz. E me incluo nessa lista. Para este tio coruja, foi muito especial ver o Marco dando autógrafos e ouvir a Martine transmitir mensagens tão positivas, de determinação, autoestima e disciplina.

Por outro lado, foi com muito orgulho que mostrei ao Torben o parque esportivo, as contenções de encostas e obras de urbanização que deram dignidade aos moradores do bairro com o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da cidade.

Foram obras que acompanhei bem de perto, desde a concepção, ainda como secretário de Planejamento durante a gestão do então prefeito Rodrigo Neves. Lembro como se fosse ontem do dia que fui até lá escolher o local para a implantação do campo de futebol, da quadra poliesportiva e da pista de atletismo.

O esporte tem um efeito transformador e se traduz em importante instrumento de combate a desigualdades. Exemplos de sucesso motivam a nova geração a ter sonhos e a lutar para realizá-los. Orgulho duplo em ver minha família contribuindo tanto neste sentido e saber que o Parque Esportivo e Social do Caramujo abre caminhos de oportunidade!

Axel Grael
Prefeito de Niterói




sábado, 31 de julho de 2021

Torça por mim: Como uma volta ao mundo ajudou Martine Grael na preparação para Tóquio



Velejadora campeã olímpica Martine Grael. Foto Guito Moreto / Agência O Globo Foto: Guito Moreto / Agência O Globo


Campeã olímpica nas Olimpíadas do Rio, em 2016, a velejadora conta como tentou se desafiar como pessoa e profissional até chegar nos Jogos Olímpicos

Martine Grael, em depoimento a Carol Knoploch

Eu precisei dar uma volta ao mundo para estar aqui em Tóquio. Não me refiro apenas à longa viagem de avião até aqui. Estou falando de experiência, vivência e desafios. Corri a Volvo Ocean Race, maior competição de vela oceânica do mundo, no meio do ciclo olímpico de Tóquio e a bordo do barco holandês AkzoNobel. Terminamos em quarto lugar e a equipe chinesa Dongfeng Race se sagrou campeã. Mesmo com as diferenças óbvias entre os barcos e as propostas de cada categoria, a regata de volta ao mundo me desenvolveu esportivamente mas também contribuiu para meu crescimento pessoal. Aprendi a aceitar maneiras diferentes de lidar com as situações adversas e amoleci o coração — e olha que sou muito cabeça dura. Considero esta regata um dos aprendizados mais importantes da minha vida. Pelo menos até aqui... Se não tivesse aceitado esse desafio, não sei se estaria tão focada e ao mesmo tempo tão tranquila. Vou defender o ouro conquistado no meu país.

Em 2017/2018, a Volvo abriu de vez as portas para nós mulheres. Os homens velejam há anos juntos e a gente está entrando nesse mundo agora, aos poucos. Eles têm menos confiança na gente. Desta vez, porém, a regra para a composição dos barcos beneficiou aqueles que escalaram atletas do sexo feminino. Para ter nove a bordo, era preciso escalar, no mínimo, duas mulheres. No total, 17 mulheres disputaram esta edição, três no nosso barco e eu fui a primeira brasileira a entrar nessa. Carolijin Brouwer, uma holandesa que morou por uma década no Rio de Janeiro e Belo Horizonte, estava no barco campeão.

Já havia recusado um convite para a Volvo em 2014 porque priorizei a preparação para o ciclo Rio-2016. Vivi somente para aquilo. Desta vez, senti que precisava dar um tempo da rotina. Mas, diferentemente do vôlei de praia, que tem frequentes trocas de dupla, na vela olímpica é preciso ter um biotipo ideal para cada classe. É muito difícil ter intercâmbio entre as classes. Eu e a Kahena Kunze procurávamos oportunidades profissionais dentro da nossa modalidade e que fossem um respiro da vela olímpica. Temos uma amizade muito grande, mas o trabalho obviamente desgasta a relação.

A vela oceânica é uma aventura e uma regata muito interessante porque somos desafiados a conviver em equipe, a buscar resultado, além da boa passagem em pontos extremos do planeta. Por isso, o convite foi perfeito, no timing certo. Me deu fôlego para depois me entregar novamente ao 49erFX.

Superação e reinvenção

Falo assim, mas a decisão de entrar naquele barco não foi fácil. Duvidei se tinha as competências necessárias. Nunca tinha feito regatas de um continente ao outro. Conversei com colegas, treinadores e com meu pai, o Torben, que venceu a Volvo em 2008/2009 comandando o barco sueco Ericsson 4. Ele me perguntou se era isso que eu queria umas três vezes. Eu sou assim, antes de mergulhar de cabeça, pesquiso, questiono. Até em relacionamentos. Não gosto de me frustrar... E acabou que nesta viagem eu me frustrei, me superei, me reinventei.

Quando resolvi embarcar, duas pessoas de extrema confiança, experientes em regata oceânica e que estariam no time holandês, se desligaram da competição. Com eles, eu sei que me sentiria à vontade até para fazer perguntas estúpidas. Coisa de principiante. E essas desistências aconteceram horas antes do embarque. Balancei... Como passaríamos pelos mares do Sul, os mais perigosos?

Resolvi experimentar mesmo assim. Ao menos a primeira perna. Se não me sentisse confiante ou se tivesse alguma questão, parava. Resolvi encarar a segunda perna. O australiano Chris Nicholson, com seis voltas ao mundo no bolso, mas que havia levado seu barco para pedras no ano anterior, foi convidado a entrar no time. Na hora pensei que a coisa ia afundar. Topei a terceira perna e virei fã dele. Um verdadeiro líder. Quando fui ver, já estava na metade da regata. E veio a certeza: “Se cheguei à metade, aguento o resto”.

Me perguntam sobre as principais dificuldades de uma regata como esta, com duração de cerca de nove meses, 45 mil milhas náuticas percorridas, cruzando quatro oceanos, tocando seis continentes e 12 cidades mundiais, entre elas Itajaí (SC). As coisas ruins, esquecemos rapidinho. Só ficam as boas lembranças. Por isso que as pessoas voltam para fazer essas loucuras.

E para mim a parte mais incrível, além da chegada no litoral do Brasil, com recepção na água dos meus pais, foi quando tive a oportunidade de timonear em parte dos mares do sul, da Nova Zelândia ao Brasil, chegando perto do Estreito de Magalhães, entre o continente da América do Sul, a Terra do Fogo e o Cabo Horn.

Frio na barriga

A descida da onda era muito longa e a aceleração era tão forte que dava frio na barriga. Uma tensão constante com a aproximação das ondas seguintes e o limite para a escolher entre um lado e o outro. Foi muito emocionante apesar da notícia do falecimento de um colega de outra equipe, na perna anterior. Ele se perdeu no mar. A tristeza era inevitável mas veio acompanhada de solidariedade. Foi a primeira vez que senti a preocupação mútua na nossa tripulação. Foi nosso ponto de virada.

Os mares do sul são espetaculares. Dá uma mistura de medo e amor. Você se sente insignificante em relação à força da natureza, a grandiosidade das ondas e a beleza dos albatrozes. Me achava super veloz a 30 nós, mas eles têm eficiência de voo. Davam três voltas na gente, sem bater a asa... Precisamos aprender muito com a natureza.

Claro que o convívio não é fácil. E na segunda semana todo mundo fica um pouco louco por causa do confinamento. Os perrengues com o frio (cheguei a congelar um dedo do pé) e o calor extremo também fizeram parte do roteiro. Tinha sempre uma barra de chocolate para me aquecer no frio e spray de água para amenizar o calor. Listo ainda a comida desidratada e a roupa encharcada constantemente. A sensação que tenho é que vivi muitos anos em meses.

Mas era o que eu precisava após um ouro olímpico. Buscar melhorar como pessoa e velejadora. Quero que eu e a Kahena consigamos render tudo o que podemos nas águas de Enoshima. O resultado será correspondente. Já velejamos no Japão e sabemos que pode ter calmaria ou mar mexido. O ouro da Rio-2016 parece tão distante após um ciclo agitado como esse. Mas é inevitável relembrar aqui em Tóquio daquela chegada na Baía de Guanabara, com ultrapassagem na última boia e o frio na barriga. Tenho a esperança de sentir algo parecido de novo.

Fonte: O Globo  



domingo, 13 de outubro de 2019

NITERÓI CIDADE CAMPEÃ DA VELA: nova lei faz justiça ao pioneirismo e protagonismo da cidade no esporte



Capa de O Globo Niterói deste sábado, 12 de outubro, dando destaque ao reconhecimento de Niterói como  "Cidade Campeã da Vela".


A cidade de Niterói foi reconhecida legalmente como a "Cidade Campeã da Vela" através da Lei Estadual 8.534, de 26 de setembro de 2019, de autoria do deputado Waldeck Carneiro e que foi sancionada pelo governador Wilson Witzel.




A nova lei reflete a importância e o protagonismo de Niterói para o esporte no Brasil, em particular nos esportes náuticos. Aqui foi instalado o primeiro iate clube, aconteceu a primeira regata. Niterói é a cidade com o maior número de medalhas olímpicas na vela e deve ser uma das cidades com a maior frequência de eventos náuticos. Ainda mais se considerarmos outras modalidades de esportes náuticos, como a Canoa Havaiana, em que Niterói é hoje uma referência nacional. Cabe destaque também o esporte do remo, que remonta às origens do esporte moderno no país (o remo deu origem a muitos dos atuais clubes famosos pelo futebol, como o Clube de Regatas do Flamengo, Club de Regatas Vasco da Gama, Botafogo de Futebol e Regatas. Em todos estes clubes e outros país a fora, foram fundados para o esporte do remo). Registros históricos mostram que remadores de Niterói participaram de competições pioneiras no país, ainda no século 19, contra atletas do Rio de Janeiro.

Saiba mais sobre a importância da atividade náutica para Niterói em:
NITEROI SERÁ RECONHECIDA LEGALMENTE COMO A "CIDADE CAMPEÃ DA VELA"

A tradição de Niterói com esportes e barcos inspirou atletas da nossa tribo a alcançar vitórias em escala planetária. Velejadores de Niterói conquistaram títulos mundiais e medalhas olímpicas. Com 9 medalhas olímpicas, oito atletas de Niterói (Torben Grael, Marcelo Ferreira, Lars Grael, Clínio de Freitas, Nelson Falcão, Martine Grael, Ronnie Senfft e Isabel Swan), se Niterói fosse um país, estaria em 74° lugar num imaginário quadro de medalhas de todas as olimpíadas (não existe oficialmente), estaria na frente de países como o Chile, Venezuela, Uruguai, Peru... Cabe ressaltar que esse ranking informal considera dados históricos, contabilizando inclusive países que não existem mais, como a URSS, Alemanha Oriental etc. Outra observação é que o quadro também inclui as medalhas das olimpíadas de inverno.

Na América Latina e no Caribe, Niterói estaria em 9° lugar, só perderia para Cuba, Brasil, Jamaica, Argentina, México, Bahamas, Colômbia e República Dominicana.

Como um orgulhoso torcedor e organizador de torcida pela família, lembro das medalhas olímpicas já conquistadas pelos meus irmãos, Torben e Lars, e a mais recente, conquistada pela minha sobrinha Martine na Rio 2016, somam 8 dentre as nove medalhas, tendo como exceção apenas a medalha conquistada, em Pequim, por Isabel Swan, também velejadora do Rio Yacht Club. A medalha de bronze de Isabel foi a primeira conquistada por uma tripulação feminina brasileira.

Leia também:
FAMÍLIA SCHMIDT-GRAEL SERÁ HOMENAGEADA PELA "BEM AMADO" NO CARNAVAL 2018

Também cabe destaque que Niterói inovou ao promover o Projeto Grael, que de forma pioneira, utilizou barcos para educar e incluir socialmente. Iniciado em 1998, pelos irmãos Grael, com o apoio da Prefeitura de Niterói, a iniciativa influenciou políticas públicas no âmbito nacional e regional e recebeu prêmios e reconhecimentos no Brasil e no exterior. Portanto, o Projeto Grael reforça a percepção nacional e internacional que a cidade de Niterói é um polo irradiador da náutica como uma oportunidade para o desenvolvimento local.

O título de "Cidade Campeã da Vela" dá prosseguimento a uma das prioridades estabelecidas no programa "Niterói que Queremos", que estabeleceu metas para a cidade com o horizonte de 2033, incluindo a vela e a náutica como um dos indutores de desenvolvimento econômico e social, estabelecendo que a atividade deverá ser uma das formas de geração de empregos na cidade.

Com este objetivo, em 2017, participamos do Annapolis Boat Show, onde tivemos um stand de Niterói e desenvolvemos parcerias para atrair investimentos de empresas do setor náutico em Niterói.

Saiba mais sobre a parceria de Niterói com a cidade de Annapolis acessando:
Parcerias entre Niterói e Annapolis nos Estados Unidos
Em 2007, Niterói e Annapolis - Capital da Vela nos EUA - tornaram-se cidades-irmãs.
Parcerias entre Niterói e Annapolis nos Estados Unidos

Niterói seguirá de vento em popa buscando aproveitar todo o seu potencial, vocação, história e conquistas no setor náutico para fazer dos barcos uma oportunidade para o desenvolvimento esportivo, turístico, econômico e social da cidade.

Sigamos avante nesse rumo!

Axel Grael






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Velas ao mar: regata no último fim de semana reuniu 140 barcos na enseada. Foto: Bruno Oliveira / Divulgação


Reconhecimento atrairá investimentos e eventos, aposta Axel Grael

Lívia Neder

NITERÓI - Já reconhecida pelos desportistas e torcedores como terra de iatistas campeões, Niterói agora ostenta o título de Cidade Campeã da Vela. A homenagem em forma de lei foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Rio ( Alerj ) e sancionada no fim do mês passado pelo governador Wilson Witzel.

Para representantes dos esportes náuticos, o título pode inspirar novos atletas e garantir maior apoio aos que disputam um lugar no pódio, além de atrair investimentos e eventos do setor para o município, como a 47ª Regata a Vela do Centro de Instrução Almirante Graça Aranha (Ciaga) da Marinha do Brasil, realizada sábado passado, próximo ao Clube Naval de Charitas . A competição reuniu cerca de 400 atletas em 140 barcos.

A lei, de autoria do deputado estadual Waldeck Carneiro , teve a colaboração do secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão (SEPLAG), Axel Grael , um dos fundadores do Projeto Grael. Ontem, o instituto, que capacita jovens para a prática da vela e os prepara para o mercado de trabalho, realizou um evento para ressaltar a importância do novo título aos representantes dos clubes de vela da cidade.

— Apesar de a lei ser simples, dando apenas o título, estimula e traz outros desdobramentos que são importantes para a cidade. Ilha Bela, em São Paulo, por exemplo, criou toda uma identidade em torno da vela. Isso é uma marca, um selo que estamos atribuindo a Niterói. Não existe uma organização que credencie um lugar dessa forma; só é possível através de uma lei como essa — explicou Axel, irmão e tio dos medalhistas olímpicos Torben e Martine Grael.

Convênios e ações

De acordo com a nova lei, o Poder Executivo poderá celebrar convênios e promover ações, programas e eventos que contribuam para a divulgação do título, além de estimular a prática da vela no estado entre estudantes das redes públicas e particular de educação básica.

— Há dois anos participamos de um evento nos Estados Unidos para atrair investimentos para a cidade na área náutica e agora estamos tendo desdobramentos desses contatos. Um das possibilidades é trazer investimentos para a implantação de marinas de vagas secas. Esse título impulsiona ainda mais essa captação — completou o secretário.

Comodoro do Clube Naval de Charitas, Bruno Paim destaca a união dos iates clubes da cidade e acredita que o título reforça a imagem que Niterói tem em tradição na vela.

— Niterói é um lugar ímpar pelas suas condições geográficas, o que exige muito do velejador. E eles acabaram se diferenciando devido aos ventos desafiadores da nossa enseada — avalia Paim. — Em abril do ano que vem, vamos realizar pela primeira vez o evento Vela Show, e quando saiu esse título de Cidade da Vela, os organizadores destacaram que foi uma constatação do potencial da cidade.


Fonte: O Globo Niterói









domingo, 6 de outubro de 2019

Torben Grael e Marcelo Ferreira: triunfo em Atlanta, glória em Atenas



Torben Grael e Marcelo Ferreira são recebidos em Niterói com a medalha de ouro em Atlanta (1996), mediante uma grande festa e reconhecimentos público. No alto do carro de bombeiros, já estava a nova geração dos Grael: Marco e Martine.


Campeões em 1996, nos Estados Unidos, e em 2004, na Grécia, velejadores viajam no tempo para relembrar as conquistas que fizeram com que os dois ganhassem lugar em um dos grupos mais seletos do país: o dos bicampeões olímpicos

A última regata da classe Star dos Jogos olímpicos de 1996, disputada em 29 de julho, em Savannah – cidade a 400 quilômetros de Atlanta e que sediava as provas de vela daquela Olimpíada –, já estava em curso havia quase meia hora quando o carioca Marcelo Ferreira, ao contornar a primeira boia do percurso, notou uma placa de sinalização que mudaria totalmente a sua vida e a de seu parceiro, o paulista Torben Grael, ambos a bordo do barco Vida Bandida.

O que a placa mostrava era que a embarcação dos australianos Colin Beashel e David Giles havia queimado a largada e que por isso a dupla rival tinha sido desclassificada. Ao perceber isso, foi impossível para Marcelo e Torben não serem tomados por uma sensação de júbilo. Afinal, com aquela informação, os dois – antes mesmo de cruzarem a linha de chegada, longe dos olhos do público e sem qualquer festa ou aplausos – tinham se tornado campeões olímpicos.


Marcelo Ferreira e Torben Grael, com as medalhas de ouro das Olimpíadas de Atlanta 1996: Sonho realizado em Savannah. Foto: Jorge Peter/Agência O Globo

“Não caiu a ficha na hora não”, lembra Marcelo. “Esse troço só quem passa é que entende como funciona. Essa é a realidade. Até quando a gente cruzou a linha, a gente estava comemorando, mas é uma sensação tão indescritível que você não realiza. Você está lá no meio do oceano. É diferente de quando você está dentro de uma arena fechada ou em uma pista de atletismo, com o público em volta. Não tinha nem spectator boat (barco que é usado para levar o público para acompanhar a regata de perto). Foi diferente de outros eventos. É o ouro que ninguém viu, vamos dizer assim”, resume Marcelo.

As lembranças daquela tarde, passados 20 anos, também seguem frescas na memória de Torben. “Na realidade, a gente começou a fazer uma marcação forte nele (Colin Beashel ) na largada dessa última regata, porque a gente queria ficar sempre junto dele. Como a gente tinha vantagem e ele tinha que ganhar, ele, pressionado, acabou queimando a largada”, recorda o velejador. “A gente já vinha na frente do Colin e quando chegamos lá perto da boia, quando o Marcelo viu a placa, realmente foi aquela comemoração. A gente estava bem ciente de que tinha dado certo”, prossegue Torben.

A medalha de ouro nos Jogos de Atlanta 1996 representou uma espécie de redenção para Torben e Marcelo em relação à experiência que a dupla vivera nas Olimpíadas de Barcelona, 1992. Na Espanha, eles competiram juntos pela primeira vez nos Jogos e terminaram na 11ª posição.

Para Torben, em especial, o significado da conquista em Savannah ia além. Quando desembarcou na Geórgia para os Jogos de 1996, ele já tinha no currículo dois pódios olímpicos. A primeira medalha, de prata, foi arrebatada em Los Angeles 1984, na classe Soling (ao lado de Daniel Adler e Ronaldo Senfft). Quatro anos depois, em 1988, em Seul, veio o bronze na classe Star, ao lado de Nelson Falcão.

Assim, aos 36 anos – seis a mais do que Marcelo –, o experiente Torben Grael finalmente havia chegado ao sonhado título olímpico. “Foi uma sensação maravilhosa, aquela sensação de dever cumprindo, de você ter chegado ao topo da pirâmide. Realmente foi uma curtição o restante da regata”, descreve Torben.

Campanha favorável

Ao contrário da campanha de Barcelona, quando os dois terminaram a primeira regata dos Jogos Olímpicos de 1992 em nono lugar, em Savannah os ventos sopraram a favor desde o início. A estreia nos Jogos de 1996 se deu em 22 de julho e a dupla começou vencendo a primeira regata. No dia seguinte, quando foram disputadas duas provas, eles conquistaram um sexto e um segundo lugares. Em 24 de julho, Torben e Marcelo terminaram em sétimo, mas se recuperaram um dia depois, quando cruzaram a linha de chegada em primeiro. No dia 26, quando novamente duas disputas, e os brasileiros chegaram em quarto e em nono. Depois disso, um segundo lugar no dia 27 e um sexto no dia 28 deixaram os dois em posição confortável para a última prova, no dia 29.


Grael e Ferreira em ação: sintonia do time assegurou dois ouros e um bronze em Jogos Olímpicos à dupla. Fotos: Marcelo Ferreira/arquivo pessoal

“Atlanta foi um lugar bom para a gente porque as condições eram parecidas com o que a gente estava acostumado no Rio de Janeiro”, lembra Torben. “Era vento térmico, calor, umidade, sem vento de manhã, vento só à tarde, com aqueles temporais de verão de final de tarde... Enfim, era uma série de coisas com as quais a gente ficou super à vontade. Muita gente ficou achando ruim aquelas condições, mas para nós era como a gente velejava sempre, então nos adaptamos bem lá”, continua.

“A gente também foi fazer o evento-teste, fomos treinar duas vezes antes dos Jogos, e isso tudo ajudou muito. A gente conhecia bem o lugar. Estávamos com um barco que desenvolvemos para competir lá. Testamos bastante os equipamentos antes e isso tudo ajudou. Nós estávamos rápidos para a competição. Desenvolvemos um cockpit bem fechado para correr lá e em Savannah tinha bastante onda. Então o barco drenava mais rápido, ficava com menos água dentro, e isso ajudou. Mas a realidade foi que a gente velejou super bem”, prossegue Torben. Ele ressalta ainda que, além de ele e Marcelo terem ido bem em Savannah, outro fator contribuiu para a conquista do ouro em 1996.

“Nós disputamos muito com o Colin desde o começo a ponteira da competição. A gente alternava bastante os resultados com ele, mas quando ele ia bem a gente nunca ia mal. E quando a gente ia bem, às vezes ele dava uma escorregadinha. Aí, quando foi chegando o fim do campeonato, o que aconteceu foi que como a gente conseguiu abrir uma distanciazinha de pontos e no final ele tinha que ganhar a regata para ficar com o ouro”, detalha.

Superstição e camisa furada

Nas lembranças de Torben Grael, talvez por ser mais experiente, talvez por ter se sentido tranquilo por tudo o que haviam feito nas nove regatas anteriores, a noite do dia 28 de julho, véspera da decisão da classe Star nos Jogos de 1996, não foi angustiante.

“Nós não ficamos muito nervosos porque a gente vinha dos Jogos em Barcelona, onde nós tivemos um péssimo resultado, e (em Savannah) nós já estávamos matematicamente com a medalha de prata garantida. A gente já estava com aquela sensação de que já tinha conquistado um excelente resultado”, afirma.

Para Marcelo Ferreira, entretanto, aquela noite foi tudo menos calma. “Passava pela minha cabeça que a gente poderia ser campeão olímpico, sim. Mas não foi muito fácil tentar dormir nessa noite não. Na verdade, eu até saí como tio do Torben, o Erik, nosso técnico, para tomar uma cervejinha com ele. Porque não adiantava ficar deitado fritando na cama, né? Eu dormi mal na noite anterior à competição. É aquela situação de estar indo para a última prova sabendo que tem chances reais (de conquistar o ouro)”, recorda Marcelo.

Em seguida, Marcelo narra como foram as horas antes do início da regata que renderia a ele e a Torben a consagração nos Jogos de Atlanta:


Marcelo Ferreira, com a blusa furada abaixo da axila direita: superstição o fez usar a mesma camisa em todas as regatas dos Jogos de Atlanta 1996. Foto: Ivo Gonzalez/Agência O Globo

“A regata era tipo uma hora da tarde. Você acorda como sempre naquele horário do café da manhã, umas 8 horas, para depois sair no ônibus e ir para o canal onde a gente pegava o ferry para ir para a marina”, conta. E cabe aqui uma observação em relação ao local de competição da vela em Savannah: ao contrário de muitas regatas onde o público em terra ainda consegue ver os barcos, mesmo que à distância, a marina olímpica de 1996 era flutuante, ficava a mais de uma hora de distância de barco mar adentro, muito longe dos olhares de qualquer torcedor.

“Aí chega lá e tem aquele velho ritual, porque a gente não muda nada, a superstição impera”, prossegue Marcelo. “Nem roupa a gente trocava. A camisa, se você olhar uma foto que eu tenho que saiu no jornal, tem um buraco embaixo da axila que continua até hoje. Foi uma camisa que eu usei durante todo o evento. A minha roupa de velejar, que era de feltro, foi feita aqui na confecção da minha esposa por uma costureira. Todos esses detalhes foram ficando mais fortes durante todos os dias do evento. Você não troca nada. Eu acho que isso é com todo mundo. E o Torben é pior do que eu. Ele não vai falar, mas é bem pior. Aquele cara com superstição é brincadeira...”, entrega.

O resto é história. Torben e Marcelo trataram de colocar em prática a estratégia de pressionar o australiano Colin Beashel e seu parceiro desde o início e a pressão surtiu o efeito desejado.

“Não estava nada ganho, mas a coisa estava muito na mão para a gente. E a tática de pressioná-lo na largada acabou funcionando”, lembra Torben. “Acho que foram três largadas. As duas primeiras foram invalidadas por muitos barcos partindo fora da linha. Mas nessas duas a gente saiu bem melhor do que ele, pressionando. Nessa terceira, ele viu que se continuasse daquele jeito não ia ter chances de ganhar a regata e acabou acelerando cedo. Ele saiu melhor do que nas outras duas, mas acabou queimando a largada. Mesmo assim a gente saiu bem também. Chegamos à bóia de contravento à frente dele. E foi lá na bóia de contravento que a gente viu pela primeira vez a placa com a sinalização da Austrália como barco escapado. Aí o resto da regata foi uma curtição só, porque a gente já sabia que tinha conquistado aquele sonho grande”, detalha Torben.

Enfim a celebração em terra

O que se seguiu ao fim da regata naquele 29 de julho de 1996, na qual Torben e Marcelo terminaram em terceiro lugar, foi uma sequência de eventos que marcaram profundamente os dois.

A comemoração para valer só se deu em solo firme em Savannah. Mas, antes, ainda houve tempo para uma breve celebração em alto mar. “Demorou mais de uma hora e meia até voltar para a terra. Já atendemos a imprensa lá no próprio flutuante e já teve a famosa champanhe lá mesmo no flutuante”, conta Marcelo.

“Quando chegamos, todo mundo estava dando os parabéns”, lembra Torben. “Obviamente, a gente tem sempre que chegar em terra e ver o resultado, ver se não tem nenhum protesto, aquela coisa toda de regata. A gente sabia que tinha feito uma regata bem limpa, que o Colin tinha queimado e que ele automaticamente precisava ganhar a regata e então estava bem decidida a coisa”, continua.

O premiação da classe Star dos Jogos Olímpicos de Atlanta só foi realizada no dia seguinte. E até a hora de subir ao pódio Torben e Marcelo comemoram em grande estilo. “Foi um barato porque tinha um bar/restaurante que a gente ia, chamado Spunks. A gente ia para tomar uma cervejinha e dar aquela relaxada e o dono do bar estava lá ensandecido e gritando (após saber que os brasileiros eram campeões olímpicos) e foi muito legal nesse aspecto. Era um lugar pequeno e foi bacana porque tudo acontecia naquela beirada de rio, naquelas arquibancadas para fazer a premiação. Foi um momento único, né? Eu nem lembro que horas a gente voltou pra casa. Nós fomos lá para esse tal de Spunks, botamos o cartão de crédito e fomos embora (celebrar)...”, conta Marcelo.

“Nesse aspecto foi melhor do que Atenas, pois em Atenas me pegaram para o antidoping e tive que fazer o teste de urina e de sangue. Mas aí o pessoal do sangue não estava lá e eu só podia fazer no dia seguinte. E aí o pessoal do COB não me deixou comemorar, porque eu tinha que fazer o antidoping no dia seguinte. Aí eu fiquei chupando dedo. Mas em Atlanta comemoramos com uma cervejinha, né?”, emenda Torben Grael, já se referindo ao que viveu na Grécia, oito anos depois da conquista em Savannah.


Torben, Marcelo e familiares desfilam em carro aberto no Rio de Janeiro no retorno das Olimpíadas de Atlanta 1996: reconhecimento do público não se converteu em apoio para o ciclo seguinte. Foto: Jorge Peter Agência O Globo


Emoção no pódio

No dia 30 de julho de 1996, Torben Grael e Marcelo Ferreira receberam a terceira medalha olímpica de ouro do Brasil na vela, repetindo os feitos que Lars Bjorkstrom e Alex Welter, na classe Tornado; e que Marcos Soares e Eduardo Penido, na classe 470, haviam protagonizado nos Jogos Olímpicos de Moscou 1980.

“Para quem faz qualquer esporte olímpico, você ir para os Jogos é uma coisa fantástica, é uma coisa que poucas pessoas têm a oportunidade. Você ir bem, fazer medalha, é uma coisa que menos pessoas no mundo conseguem, pouquíssimas pessoas conseguem. Você já foi mais longe. E quando você ganha a medalha de ouro realmente a satisfação é enorme. Você ir ao pódio, ver sua bandeira subindo, ouvir o Hino Nacional tocando... É uma sensação muito difícil de descrever, mas é maravilhosa. Mas eu não me lembro de ter chorado”, diz Torben Grael.

“Passa um filme, né? Primeiro porque a gente foi para essa Olimpíada com aquele gosto amargo de Barcelona, que foi o maior aprendizado que eu tive dentro do esporte”, ressalta Marcelo. Para ele, apesar de toda a emoção vivida no pódio nos Estados Unidos, foi somente no retorno ao Brasil que ambos finalmente perceberam a dimensão do que eles haviam conquistado em Savannah.

“A verdade é que demora muito até você realizar o que foi feito. Quando cheguei ao aeroporto (no Rio de Janeiro) foi que eu achei que uma coisa fenomenal. Tinha uma galera no aeroporto. Era uma coisa que a gente da vela nunca tinha visto. A gente nunca teve contato com o publico e com essas coisas. Ali eu falei: ‘Pô, a coisa foi grande mesmo’. Porque a gente fora do Brasil não sabia exatamente o que estava se passando aqui. Aí, quando eu vi o carro de bombeiro esperando e nós viemos lá do Rio até aqui (em Niterói) em cima do carro de bombeiro, isso foi um troço que me marcou muito”, lembra Marcelo.

Perda do patrocínio e ganho na America’s Cup

Em geral, uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos costuma ser um divisor de águas na carreira de qualquer atleta. As portas, após uma conquista dessa magnitude, tendem a se abrir e o caminho a partir dali normalmente é mais tranqüilo em termos de apoio para a preparação visando ao ciclo olímpico seguinte. Mas, para a surpresa de Marcelo Ferreira e de Torben Grael, não foi isso que aconteceu depois que toda a celebração em torno do triunfo nos Jogos de Atlanta 1996 se foi.

“Como atleta, depois que passou essa festa pela medalha, foi uma frustração muito grande e isso eu não posso deixar de falar”, desabafa Marcelo Ferreira. “O que aconteceu, por incrível que pareça, foi que quando acabou a Olimpíada a gente perdeu o patrocínio. O ano de 1997 foi um terror em termos de apoio ao esporte e de incentivo, seja da Confederação, do Comitê Olímpico, de tudo. O nosso prêmio por ter tirado a medalha de ouro foi um ano seguinte muito ruim em termos de apoio. Eu acabei que em 1997 corri o Campeonato Mundial de Star com um alemão nos Estados Unidos e fui campeão mundial com ele”, prossegue.


Torben, com os companheiros da Equipe Prada, da Itália. Foto: Getty Images

Já para Torben Grael, em particular, se a conquista do ouro em 1996 não rendeu apoio em seu país, ela serviu para lhe abrir as portas para uma nova fase de sua carreira. “Em termos de Brasil, você se tornar campeão olímpico é um degrau a mais, mas não houve grandes mudanças. Eu acho que uma mudança grande foi que essa vitória em Atlanta foi logo antes da Prada decidir fazer a America's Cup”, conta o velejador, referindo-se à mais prestigiada competição de vela do iatismo mundial e que detém a honra de ser o troféu mais antigo em disputa no planeta entre todas as modalidades do esporte. A primeira taça foi disputada em 1851, 45 anos antes da primeira edição dos Jogos Olímpicos modernos, realizada em Atenas, em 1896.

“A pessoa que foi convidada para ser o comandante da equipe Prada foi o De Angelis (o italiano Francesco de Angelis), que foi com quem eu comecei a correr de Oceano na Itália. Obviamente, como a gente tinha uma parceria muito forte, quando o chamaram, me chamaram também, inclusive pelo resultado de Atlanta com a medalha de ouro. Então acho que a conquista da medalha de ouro foi um diferencial grande”, prossegue Torben.

Os compromissos de Torben Grael com a America’s Cup e seu envolvimento com a equipe Prada renderam, anos depois, um patrocínio para ele e Marcelo na preparação da dupla na classe Star visando aos Jogos de Sydney 2000.

“Nós fizemos uma excelente campanha na America’s Cup. Ganhamos a Louis Vuitton Cup, que é uma coisa muito importante, e aí fizemos a final. Acabamos perdendo a final para o defensor, o neozelandês (o barco que derrotou a equipe de Torben era comandado pelo lendário velejador Peter Blake)”.


Torben Grael (à esquerda) e o italiano Francesco de Angelis comemoram a conquista da Regata Louis Vuitton em 2000: campeão olímpico teve sucesso também na vela oceânica. Foto: Getty Images

“Ficamos na luta para retomar a nossa campanha para Sydney, procurando apoio, até que veio a Prada, que chegou em 1998. E aí ficamos com a Prada e a Petrobras. Mas a Prada foi graças ao Torben, que estava velejando na equipe”, destaca Marcelo. “Aí mudou o panorama financeiro para a gente para poder fazer tudo com calma. Só que aí a gente tinha mais recurso para fazer as coisas e menos tempo para a Star, porque tinha o envolvimento do Torben com a America’s Cup. Realmente tínhamos pouquíssimo tempo para treinar como dupla. A gente fez um ano de 1998 horroroso, com vontade de desistir, porque os resultados não vinham. A gente praticamente não tinha treinamento. A gente se encontrava e falava: ‘E aí? Qual é o campeonato?’ E ia lá para o campeonato e corria”, prossegue Marcelo.

“Então foi um ano terrível, desanimador, e em 1999 também não foi muito diferente. Em 1998, para ser sincero, que foi o ano do acidente do Lars, a gente até teve um Mundial fantástico na Eslovênia. A gente acabou o Mundial em segundo, o que valeu a classificação para Sydney (Jogos Olímpicos de 2000) para o país. Acabamos ganhando a eliminatória no Brasil também e fomos para Sydney com um barco novo e diferente. Para nossa surpresa, quando nós chegamos a Sydney nós acabamos conseguindo nos dedicar aos treinos e a gente estava voando baixo”, continua Marcelo.

Sydney 2000: o ouro caiu na água

Os Jogos Olímpicos de 2000, para o Brasil, ficará para sempre marcado como as Olimpíadas do “quase”. Várias de nossas estrelas consideradas favoritas sofreram reveses na hora H e, com isso, a delegação retornou para casa sem nenhuma medalha de ouro na bagagem pela primeira vez desde os Jogos de Montreal 1976.

Com Torben Grael e Marcelo Ferreira não foi diferente. Apesar de eles não terem feito uma preparação considerada ideal, a dupla por muito pouco não conquistou a segunda medalha dourada da parceria.

“A gente estava complemente fora de ritmo e de tempo para os Jogos e fizemos vários erros que a gente normalmente não teria feito se estivéssemos mais bem treinados”, lembra Torben Grael. “Mas ainda assim nós fomos para a última regata liderando, mas não demos muita sorte. A gente estava cinco pontos à frente do Mark Reynolds (norte-americano) e do barco dos ingleses. A gente acabou botando o americano fora da linha e ficamos com o lado bom da raia, só que nesse processo a gente acabou queimando a largada também e não conseguiu se dar conta disso. Normalmente, só do americano ter ido para o lado ruim da raia, a gente já teria ganho dele. Mas acabou que naquela regata em particular vagou o outro lado e então saiu tudo errado. A gente queimou e ele acabou ganhando a regata”, prossegue Torben. Torben e Marcelo acabaram no pódio, mas para receber a medalha de bronze, algo que eles não esperavam. “Nunca seria tão fácil (conquistar o ouro)”, resume Marcelo. “Mas só que mesmo com a largada escapada, e isso eu tenho que falar porque é a verdade, a gente velejou tão mal essa última regata que mesmo assim a gente não ganharia pela matemática. A gente cruzou a linha. Ninguém retirou a gente da regata. Nós cruzamos a linha e só depois soubemos que a gente tinha escapado. Mas com esse resultado de qualquer jeito a gente ficaria com o bronze, que era o pior que a gente poderia fazer no último dia. Antes de largar a gente já tinha o bronze. A gente fez o pior que a gente podia fazer”, reconhece.


No pódio dos Jogos Olímpicos de Sydney 2000: o ouro que quase se veio e que se transformou em bronze determinou a continuação da dupla para as Olimpíadas de Atenas 2004. Foto: Getty Images


“Sydney ficou entalado na gente. Primeiro, ficou entalado porque quando eu cheguei em terra, me lembro como se fosse hoje, teve algum cara lá de imprensa, um brasileiro, que fez uma pergunta tão ridícula que eu dei um coice. Eu falei: ‘Ô babaca, filma lá a festa do norueguês que tirou terceiro no Soling’. Os caras estavam comemorando pra caramba o bronze”. Nós fomos lá, lideramos a Olimpíada quase toda, tiramos um bronze e aí o cara vem dizer que foi um fracasso. É brincadeira isso!. O brasileiro tem essa mania. Se não for o primeiro não serve. Só que no Brasil eu falo o seguinte: ‘Só em ser atleta o cara já é campeão, porque só a gente sabe das dificuldades’’, continua Marcelo.

Seja como for, o bronze em Sydney, por mais que não tenha sido o que os dois esperavam diante das circunstâncias do último dia de prova na Oceania, foi determinante para algo incrível que viria quatro anos depois. E hoje, ao olhar para trás, Marcelo consegue curtir em paz tudo o que ele e Torben viveram nos Jogos de 2000.

“A Olimpíada de Sydney, como Olimpíada, para mim foi maravilhosa. Era uma baía linda, um transporte maravilhoso, tudo funcionando, muito aprazível, um negócio muito bacana de você estar ali velejando naquele evento. Velejar naquela baía foi fantástico para a gente. Nós ganhamos duas regatas em um dia, e o resultado, para gente, estava acima das expectativas para as Olimpíadas. Foi o que o Torben falou: ‘Essa (medalha de ouro) bateu no convés e caiu na água’. Barcelona não existiu, deu tudo errado, então tudo bem. Ali não... A gente não contava que fosse chegar lá e arrebentar. Mas quando a gente viu que estava andando muito, que estava tudo bonito, ali realmente a medalha bateu no convés e caiu na água. E aí a gente fez um combinado de que teríamos que fazer mais uma campanha. Ali a gente já combinou. Aquela foi a que culminou em Atenas”, prossegue Marcelo.

Um lugar no Olimpo

No ciclo para os Jogos de Atenas 2004, Torben Grael mais uma vez se viu diante do desafio da America’s Cup. Mas, dessa vez, as coisas saíram diferente do caminho percorrido para os Jogos de Sydney.

“Novamente eu fiz America’s Cup. A diferença é que a Copa (a decisão do título) foi em 2003. Então, como a gente não foi para a final em 2003, a minha participação acabou no final de 2002. E a Olimpíada foi em 2004. Então deu bastante tempo para a gente se preparar bem para os Jogos. Se por um lado a America’s Cup, com a Prada, teve esse impacto, dificultando os treinamentos para a gente, por outro lado eles foram nossos grandes patrocinadores, tanto para Sydney quanto para Atenas, possibilitando fazer uma preparação, principalmente para Atenas, da melhor forma possível. Então são os dois lados da moeda”, pondera Torben.

Vieram os Jogos na Grécia. E no dia 26 de agosto de 2004, após um quarto lugar na décima e penúltima regata da classe Star das Olimpíadas de Atenas, Torben Grael e Marcelo Ferreira conquistaram, por antecipação, a segunda medalha de ouro olímpica de suas vidas.


Torben Grael e Marcelo Ferreira, com as medalhas de ouro dos Jogos de Atenas 2004: passaporte carimbado para o clube dos bicampeões olímpicos do Brasil. Foto: Getty Images

A campanha dourada teve início no dia 21 de agosto, com um quinto lugar e um quarto lugares. No dia seguinte, vieram duas vitórias, que foram seguidas por um segundo lugar no dia 23. Um dia depois, a dupla cruzou a linha de chegada em quinto e voltou a ficar em segundo no dia 25, quando ainda disputou outra prova e terminou em sétimo. Então, no dia 26, após um 11º lugar, veio o histórico quarto lugar na segunda regata, o que selou a conquista do ouro. Eles nem precisaram velejar a 11ª e última prova das Olimpíadas.

“Para Atenas a gente não queria saber de Campeonato Mundial, de Campeonato Europeu, nada disso... A gente queria trabalhar para desenvolver só para Atenas. E esse foi um grande trabalho mesmo. A gente contou com a ajuda do Alan Adler (experiente velejador brasileiro que disputou as Olimpíadas de 1984, em Los Angeles; de 1988, em Seul; e de 1992, em Barcelona), junto com o Roni (Ronald Seifert), que foi proeiro do Pascolato, que é um cara muito bacana. O Alan e o Roni foram com a gente para a Itália, para o Lago de Como, testamos vela, testamos mastro, e fizemos um trabalho de excelência junto com uma tripulação espanhola, que tinha o Roberto Bermudez (velejador espanhol), que fez a volta ao mundo com a gente no Brasil 1 (nome do barco em que Torben, Marcelo, Bermudez e outros sete tripulantes competiram na edição 2005/2006 da Volvo Ocean Race) depois”, recorda Marcelo.

“A gente ficou rápido demais em vento fraco, ficamos rápidos em vento forte, tivemos um barco novo, e nós levamos dois barcos para a Olimpíada de Atenas. O Alan estava lá velejando com a gente de sparring. E o desgraçado era o mais rápido da Olimpíada. O nosso sparring era o cara!”, diz Marcelo às gargalhadas. “Foi muito divertido porque logo no segundo dia de treino a nossa equipe foi protestada para tirar o barco do Alan do evento. Tivemos que tirar o barco de dentro da marina, porque só podia ficar um barco, e acabou que quando a gente ficava do lado dos caras e a gente estava muito rápido. Estava dando tudo certo. Realmente Atenas para a gente foi tudo perfeito. Não tinha uma coisa que você podia falar que não estava funcionando para a gente”, prossegue o bicampeão, que ainda hoje se diverte com uma história que ele presenciou logo no início da competição.

“No primeiro dia de regata da Olimpíada, saímos da água e a gente estava em segundo no geral, se não me engano, ou terceiro, e o americano Paul Cayard estava liderando a Olimpíada. Mas o cara sempre foi meio metidão, né? Nós saímos da marina e a gente descobriu um posto de gasolina que tinha bem pertinho da marina e que tinha uma cervejinha Heineken, aquela pra relaxar depois de um dia longo, e aí nós fomos para lá para tomar uma cervejinha. Aí estava o Alexandre Haddad (jornalista da ESPN) lá fumando o charuto dele e passou o americano vendo a gente tomando uma cervejinha. O cara olhou pra gente e nem cumprimentou, com uma cara de desprezo danada. A brasileirada estava toda nesse posto de gasolina e começou a zuar. E o Alexandre me pega aquele charuto e me enterra o charuto, fazendo lá as mandingas dele. Depois desse dia o cara (Paul Cayard) sumiu da Olimpíada”, recorda Marcelo.


Torben e a felicidade de ter a honra de carregar a bandeira brasileira na cerimônia de abertura das Olimpíadas de Atenas: momento inesquecível seria coroado com o ouro na classe Star. Foto: Getty Images


No clube dos bicampeões

Em 26 de agosto de 2004, Torben Grael e Marcelo Ferreira entraram para um dos grupos mais seletos que o Brasil possui: o dos bicampeões olímpicos, uma façanha que apenas 12 atletas até hoje conseguiram no país.

Um dia antes, no dia 25, Robert Scheidt havia conquistado sua segunda medalha de ouro nos Jogos Olímpicos na classe Laser e, com isso, tinha se juntado a Adhemar Ferreira da Silva, até então o único bicampeão olímpico do Brasil. Agora, com os feitos de Torben e Marcelo, eram quatro bicampeões. E em Atenas os jogadores de vôlei Maurício e Giovane ampliariam esse número para seis. Esses são, até hoje, os únicos homens com duas medalhas douradas olímpicas no currículo. Seis mulheres, todas do vôlei, completam o clube dos bicampeões olímpicos do Brasil: Paula Pequeno, Sheilla, Jaqueline, Fabiana Oliveira (Fabi), Fabiana Claudino e Thaisa.

“Em Atenas foi muito especial. Primeiro porque é um lugar com muito simbolismo. É o berço do olimpismo moderno e tem aquela coisa toda... A gente teve, eu e Marcelo, a oportunidade de levar a tocha de Atenas, porque a tocha passou aqui no Rio de Janeiro antes. E depois eu levei bandeira no desfile de abertura e acabamos conseguindo o bicampeonato. Então foi uma Olimpíada muito marcante. Até Atenas só tinha o Adhemar (bicampeão olímpico). Isso foi uma coisa muito bacana, porque o Adhemar era aquele farol, aquela luz para a gente, dizendo que era possível. Então foi fantástico a gente conseguir chegar lá. E teve uma coisa curiosa em Atenas. As casas lá não tinham número na Vila. E a gente ficou em uma casa que o nome era Centauros. E dessa casa vieram quatro medalhas de ouro. Foram nós, o Robert Scheidt, o vôlei de quadra e o vôlei de praia (com Emanuel e Ricardo). Todo mundo ficou lá. Era um lugar especial”, conta Torben.

Marcelo Ferreira vai na mesma linha: “Você encerrar seu ciclo olímpico em Atenas, onde tudo começou, eu não precisava mais de nada. Para mim foi a melhor Olimpíada da minha vida. Foi o meu melhor resultado, foi a que mais me tocou, foi a que eu mais curti. Se você me perguntar de Savannah (Jogos de Atlanta 1996), Savannah foi fantástica. Mas Atenas para mim é o ápice, é a glória, não tem mais o que falar. A gente passeou naquilo tudo antes da regata eu e o Torben. Fomos visitar aqueles monumentos... Foi uma harmonia com Atenas”, emenda Marcelo. A tocha dos Jogos de 2004 até hoje decora a sala do velejador, junto com outros troféus, como mais uma lembrança especial de sua carreira.


Em Atenas, o ouro veio com uma regata de antecedência: Tudo a favor no berço dos Jogos Olímpicos. Fotos: Getty Images


Os Jogos no quintal de casa

A entrevista que serviu de base para essa matéria estava perto de terminar quando Marcelo Ferreira respondeu o que é ser um bicampeão olímpico.

“É aquela história da realização. Você dedica uma vida a um trabalho, que é o meu caso e o do Torben, que passamos a vida toda dentro de um esporte. Em todo o esporte o sofrimento é o mesmo. É sair de casa, tem as viagens, tem aquela coisa de abdicar das festas familiares e eu sou um cara muito família e então isso tudo soma no final. Você se dedicar tanto e conseguir algo assim é uma coisa muito forte. Ser campeão olímpico é ter seu trabalho reconhecido, sua recompensa, é chegar ao topo em um evento de uma magnitude que você não consegue mensurar. É o que todo atleta procura. A maioria procura ir para uma Olimpíada. Então você imagina eu, que tive a oportunidade e a chance e a alegria de poder ter ganho duas e ainda ter tido um bronze. É muito difícil descrever em palavras o que é você ser um bicampeão olímpico”, diz Marcelo.

A Torben Grael foi feita a mesma pergunta. E após refletir por vários segundos, ele encontrou uma explicação que vai além das medalhas.

“Cara, acho que primeiro é um orgulho enorme. A gente que optou por dedicar a vida da gente ao esporte, conseguir chegar aonde nós chegamos eu acho que é fantástico. Eu tenho uma amizade enorme com todos os meus tripulantes e ex-tripulantes e isso também é muito bacana, porque não foi só uma coisa do momento. Foi uma coisa muito além do treinamento, da participação, da competição. Eu tenho uma amizade enorme com todos eles e é difícil expressar o que isso significa. Acho que significa tudo pra gente”.


Torben e Marcelo: Alegria por acompanhar os Jogos Olímpicos do Brasil em casa e torcida para que a competição seja um sucesso. Foto: Getty Images

A partir do dia 5 de agosto, Torben Grael e Marcelo Ferreira viverão mais uma emoção ligada aos Jogos Olímpicos. Ambos moradores de Niterói, eles poderão acompanhar os Jogos no quintal de suas casas, algo impensável para qualquer um deles quando ambos, na Grécia, tornaram-se bicampeões olímpicos, em 2004.

Para Marcelo, a crise pela qual passa o país torna ainda mais importante que as Olimpíadas no Brasil sejam bem-sucedidas. “Eu acho fantástico uma Olimpíada no Brasil, mas só que temos tudo isso aí que todos estão acompanhando (na política e na economia). Eu espero de coração que essa Olimpíada seja um grande sucesso e que dê tudo certo. Porque a nossa realidade está muito ruim”, pondera.

“Eu acho que é uma oportunidade fantástica para quem está tendo o privilégio de poder disputar os Jogos Olímpicos em casa”, ressalta Torben. “E é muito bacana eu ter ambos os filhos entre essas pessoas que vão ter esse privilégio”, continua, referindo-se a Martina Grael (que competirá na classe 49erFX, ao lado de Kahena Kunze) e a Marco Grael (que velejará na clase 49er, ao lado de Gabriel Borges).

“A gente ainda tem bastante coisa para fazer para estar tudo pronto para os Jogos, mas eu espero que no final vai dar tudo certo. A gente atravessa momentos difíceis na política e na economia e eu espero que isso também se aprume deixando uma boa mensagem para o futuro. Então, acho que os Jogos vão chegar em um momento legal para o Brasil para botar o esporte mais em evidência, para o país ver coisas boas. Vai ser um período muito bacana da vida da gente”, encerra o velejador.

Luiz Roberto Magalhães – brasil2016.gov.br













domingo, 29 de setembro de 2019

Canoagem carimba o passaporte para Tóquio no Mundial





Ana Sátila disputará tanto na canoa quanto no caiaque. Pedro Gonçalves garantiu a vaga do K1 Masculino para o Brasil, o atleta precisa passar pela Seletiva Nacional para garantir sua ida para a terra do sol nascente

O Brasil volta pra casa do Mundial de Canoagem Slalom realizado em La Seu d’Urgell com vagas para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Depois de quatro dias de provas, o saldo do evento foi garantido com duas finais conquistadas por Ana Sátila, 10º lugar na canoa e 9º no caiaque, além da disputa de dois barcos na semifinal do K1 Masculino.

No início da manhã deste domingo (29), Ana Sátila disputou a final do C1 Feminino, ela não fez uma boa descida e teve toques em cinco balizas o que a deixou com o tempo de 115.16s, com isso ficou na 10ª posição. Quem ficou com a medalha dourada na disputa foi a alemã Andrea Herzog, Jessica Fox da Austrália com a prata e Nadine Weratschinig da Austria com a de bronze.

Nesta madrugada também teve as provas do K1 Masculino, Pedro Gonçalves foi o barco brasileiro mais rápido na semifinal o seu tempo no percurso foi de 90.37s e ficou na 24º posição, Guilherme Rodrigues em 34º lugar com 102.13s. Os atletas não conseguiram passar para a final da categoria que teve no pódio o checo Jiri Prskavec em primeiro lugar, e os espanhóis David Llorente e Joan Crespo com o bronze.

Brasil conquista vagas olímpicas na Espanha

Ana Sátila obteve índice tanto na disputa do C1 quanto do K1 Feminino, ela precisava ficar pela canoa neste domingo (29) no ranking dos 11 países mais bem colocados ela ficou em 8º lugar. No último sábado (28) pelo caiaque garantiu a quarta posição entre as 18 primeiras nações que buscavam a vaga olímpica.

De acordo com as regras da Federação Internacional de Canoagem (sigla ICF em inglês), o mesmo atleta não pode ficar com duas cotas, ou seja, ele tem que passar uma das cotas para outra nação subsequente, no Mundial essa mesma situação de Ana aconteceu com mais quatro países, Austrália, Estados Unidos, Andorra é Nova Zelândia, que tiveram que optar por qual cota ficaria. No caso do Brasil, optou-se pela vaga da canoa e liberou a vaga do caiaque.

Sátila teve um índice muito superior em relação às outras atletas do Brasil tanto no K1 quanto no C1. O seu percentual de diferença é maior do que o estipulado na circular para a seletiva nacional e também nas credenciais para que um atleta buscasse uma vaga continental, sendo assim ela será a única atleta feminina da Canoagem Brasileira em Tóquio.

Como Ana Sátila será a única representante, ela pode competir nas duas categorias dos Jogos Olímpicos, sendo assim, ela pode disputar tanto no C1 quanto no K1. Caso o país tivesse mais uma atleta apta para a disputa e conquistado a vaga olímpica ela disputaria só em uma categoria.

“Essa regra também pode ser no gênero masculino. Se só ficarmos com a vaga no K1 o atleta poderá competir no C1 se quiser, caso o Brasil não garanta a vaga da canoa também”, comenta André Behs supervisor da modalidade.

O K1 Masculino também tem vaga garantida. Pedro Gonçalves ficou em 16º lugar, ou seja, dentro do ranking dos 18 países classificados para Tóquio. Ele obteve a vaga para o Brasil e agora participará da seletiva nacional que acontecerá no ano que vem no Rio de Janeiro, por ter garantido a vaga para o País. Ele tem uma boa vantagem a frente dos outros postulantes para ir aos Jogos, dos outros 100 pontos que pode conquistar, ele já tem agora uma vantagem de 25. As regras gerais podem ser acessadas aqui.

C1 Masculino vai buscar a vaga continental

Com três vagas das quatro vagas já garantidas para Tóquio, agora o foco é garantir mais um barco nos Jogos Olímpicos em 2020 pelo C1 Masculino nas vagas destinadas para os continentes. Será uma única vaga que terá uma boa briga entre Brasil, Argentina e Estados Unidos, os favoritos na disputa, o Canadá garantiu no Mundial sua vaga. O evento de seletiva pan-americana está previsto entre os dias 03 a 05 de abril de 2020 no Parque Radical de Deodoro no Rio de Janeiro.

Equipe Brasileira na Europa

Ana Sátila
Felipe Borges
Kauã Silva
Pedro Gonçalves
Charles Corrêa
Guilherme Rodrigues
Fábio Rodrigues
Marina Souza
Omira Estácia
João Vitor Machado – Canoagem Descida

Equipe Técnica

André Luis Behs
Cassio Ramon Petry
Ricardo Taques
Mathieu Desnos
Denis Terezani


Fonte: Confederação de Canoagem









quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Martine Grael e Kahena Kunze ganham a medalha de ouro no Pré-Olímpico de Tóquio



OURO!!!!!!!


As velejadoras Martine Grael e Kahena Kunze, campeãs olímpicas na Rio 2016, campeãs mundiais e pan-americanas, conquistam mais uma importante vitória. Venceram o Pré-Olímpico de Tóquio, no Japão, regata preparatória para os Jogos Olímpicos de 2020.




PARABÉNS MENINAS!!!!









domingo, 18 de agosto de 2019

Marco Grael após ouro no Pan-Americano: ioga e meditação para chegar à Olimpíada de Tóquio



Foco em Tóquio. Atleta quer vaga na Olimpíada Foto: Bruno Kaiuca / Bruno Kaiuka


Ouro no Pan, velejador lembra sua trajetória no esporte, atribuindo os bons resultados ao amadurecimento que conquistou com a experiência, aliada à ioga e à meditação

Lívia Neder

NITERÓI — Desde pequeno, Marco Grael , o mais novo medalhista deouro da família Grael , fez das águas da Baía de Guanabara o quintal de casa. Base que contribuiu para a recente conquista da classe 49er , nos Jogos Pan-Americanos de Lima , ao lado do amigo Gabriel Borges . Assim, a família tem motivos em dobro para comemorar, já que a caçula e campeã olímpica e mundial Martine Grael também trouxe ouro do Peru, comKahena Kunze , na classe 49erFX ( a dupla ganhou medalha de ouro na mesma categoria nos Jogos Olímpicos do Rio ). Se no início velejar era diversão para Marco, passou a ser desafio e inspiração. Agora, o foco é garantir vaga nas Olimpíadas de Tóquio , no ano que vem. A ioga e a meditação são as novas aliadas a bordo.









Aos 30 anos, Marco conta que foi no Pan de Lima que, pela primeira vez, sentiu-se totalmente conectado com a meditação:

— Meu pai (Torben) sempre me transferiu muito conhecimento, mas no momento em que vem uma mudança do vento, diante de uma tática diferente dos seus adversários, você tem que estar o tempo inteiro tomando decisões. E nem sempre minha tomada de decisões foi a melhor para conseguir resultados. Nesse ponto, a experiência fala mais alto. Amadureci em relação a vários outros aspectos com ioga e meditação, trabalhando minha concentração para enxergar melhor variáveis importantes — diz o atleta, que mora sozinho em São Francisco.

Pan: Entenda qual é a importância dos Jogos de Lima

Ele credita parte da mudança à namorada, a surfista Camila, que mora no litoral paulista e o apresentou à meditação. Já os primeiros avanços na vela estão associados à mãe, a veterinária Andrea Soffiatti.

— Minha mãe me ensinou a velejar, me levava no barco dela, enquanto meu pai competia. Ela já competiu também e, quando eu e minha irmã Martine crescemos, abriu mão das velejadas e até da profissão para cuidar da gente. Ela nos mostrou esse esporte lindo. Sempre que acompanhamos meu pai em campeonatos, ela visitava os lugares, explorava com a gente as trilhas e aventuras.

Com a irmã, Marco conta que, nas competições, velejaram bastante, juntos e em barcos separados, participando dos eventos em que se reúnem todas as classes:

— Na maioria das vezes, ela conseguiu sair com resultado bom e eu com uma certa dificuldade de chegar entre os primeiros.

Mais novo, ele queria ser engenheiro naval, porque sempre gostou de barcos e de entender como eles funcionavam:

— Gostava de modelagens, fazia pequenos modelos. Acompanhava meu pai e tentava reproduzir aqueles barcos enormes em que ele velejava. Meus pais sempre me apoiaram, mas nunca me empurraram para competir. Se pudessem escolher, acho que não teriam escolhido. É uma vida difícil, instável. Você está o tempo inteiro viajando e correndo atrás de patrocínio. Eles sabiam quão difícil é e que poucos atletas conseguem viver do esporte, viver do vento — conclui o velejador.

Ele e Gabriel não têm patrocínio. Militares da Marinha, eles contam com suas próprias e economias e com o Bolsa Atleta dado pelo governo federal.

— Com o resultado no Pan, veio um alívio porque não nos preparamos nas condições que idealizamos. Pretendíamos ter participado de cinco campeonatos neste ano e só conseguimos participar de dois por questões financeiras. Eu e Gabriel estamos juntos há oito anos. Durante um período de um ano e meio, paramos de velejar juntos. Isso foi muito importante para o amadurecimento da nossa relação na água, que exige muita sincronia. Ele é um cara incrível e extremamente competente — enaltece o medalha de ouro.

Sobre se tornar ídolo, Marco é categórico:

— Temos que pensar em ser exemplo. Vejo na vida e no meio ambiente os impactos dessa civilização. Tento ser correto nesse sentido, mostrando atitudes corretas e incentivando pessoas ao meu redor.


Fonte: O Globo Niterói







sábado, 10 de agosto de 2019

Marco e Martine trazem mais duas medalhas de ouro para a família Grael



Agora é oficial. Marco Grael e Gabriel Borges, Martine Grael e Kahena Kunze conquistaram o ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima.

Ambas tripulações já tinham praticamente garantido o ouro por antecipação desde a quinta-feira. Marco e Gabriel receberam a medalha na sexta-feira e Martine e Kahena ainda competiram hoje, mas bastava terminar a regata que já seriam campeãs.


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Marco e Gabriel






Martine e Kahena 







Torben orientou e comemorou





A delegação brasileira 

A equipe brasileira de Vela mais uma vez fez bonito e liderou o quadro de medalhas na vela.




QUE VENHA TÓQUIO!!!!!