Mostrando postagens com marcador Consumo consciente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Consumo consciente. Mostrar todas as postagens

sábado, 21 de fevereiro de 2026

"O NOVO TABACO" - Cidades estão banindo propaganda de combustíveis fósseis

A BBC publicou um artigo assinado por Isabella Kaminski (leia abaixo), apontando a iniciativa de um número crescente de cidades pelo mundo que estão aprovando leis para banir publicidades em lugares públicos que exponham a utilização de combustíveis fósseis. 

O tema ganhou força com uma declaração enfática e indignada do secretário-geral da ONU, o português António Guterres, no Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho de 2024, em evento realizado no Museu de História Natural de Nova York, António Guterres declarou que "Os combustíveis fósseis são os padrinhos do caos climático e a indústria do petróleo está obtendo lucros recordes". Considerou inaceitável que continuem fazendo publicidade com a destruição do planeta!

Assista o discurso do secretário-geral da ONU, António Guterres, no Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho de 2024), no Museu de História Natural de Nova York.

O secretário-geral se insurgia contra o lobby do petróleo que age fortemente contra a agenda de avanços climáticos, colocando-se contra a formalização de compromissos para o "phase-out" do petróleo, ou seja, para a transição energética, e o fim da dependência do petróleo. Na ocasião, vivia-se a preparação para a COP29, realizada em Baku, Azerbaijão, que teve como tema o financiamento climático. O dirigente denunciava a conspiração das empresas para o esvaziamento daquela agenda tão estratégica para o enfrentamento da crise climática.

Referindo-se ao grande desastre que causou a extinção da megafauna no Cretáceo, Guterres alertou: "Na questão climática, não somos os dinossauros. Nós somos o meteorito. Não estamos apenas em perigo. Nós somos o perigo". Também disse que "estamos fazendo roleta-russa com o planeta" e ainda, referindo-se às empresas que fazem "green washing", publicando pomposos relatórios de responsabilidade climática, enquanto nos bastidores promovem lobbies anticlima, advertiu as empresas que "os combustíveis fósseis não estão apenas envenenando o planeta, mas são tóxicos para as suas marcas". 

Reforçou a necessidade de se alcançar um caminho consensual que nos tire do fracasso humano no planeta: "Precisamos de uma rampa de saída da rodovia que leva ao inferno climático"

NOVO TABACO

Guterres, exortou os países a proibirem a publicidade do uso de combustíveis fósseis e disse que os "combustíveis fósseis seriam o NOVO TABACO", comparando com o banimento da propaganda de cigarros ocorrido mundo afora. 

Muitos governos restringem ou proíbem a publicidade de produtos que prejudicam a saúde humana, como o tabaco. Alguns estão fazendo o mesmo agora com os combustíveis fósseis. Peço a todos os países que proíbam a publicidade dessas empresas, e apelo aos meios de comunicação social e às empresas tecnológicas que parem de aceitar publicidade de combustíveis fósseis”, disse Guterres.

A diretora de Saúde Pública e Clima da Organização Mundial da Saúde - OMS, Maria Neira, também reforçou a visão de que os combustíveis fósseis são o "novo tabaco". 

Poucos dias após o discurso de Nova York, participei do Diálogo de Bonn Sobre Mudanças Climáticas - chamada na diplomacia climática de SB60, evento da ONU realizado em Bonn, na Alemanha. Representei o ICLEI - Local Governments for Sustainabilitydebatemos a crescente liderança das cidades na agenda climática e pude perceber a força da repercussão da manifestação de Guterres.

CIDADES SE MOBILIZAM

Após o chamado da ONU para a ação, mais uma vez, foram as cidades que responderam e passaram a liderar. A primeira cidade do mundo a aprovar uma lei nesse sentido foi Haia, na Holanda, que adotou a medida em 2024, com validade a partir de janeiro de 2025. Edimburg, na Escócia; Saint-Gilles, na Bélgica; Estocolmo, na Suécia, Sheffield e Portsmouth, na Inglaterra; Sydney e outras 19 cidades na Austrália; Wellington, são outros exemplos de cidades que adotaram a mesma medida. Nem todas tiveram sucesso. Toronto, no Canadá, tentou, mas o parlamento não aprovou a legislação.

Diferente das cidades, pressionados pelos lobbies, os governos nacionais estão atuando de forma mais discreta e com dificuldades, agindo sobre o conteúdo das publicidades, embora alguns países estejam trabalhando pela proibição da publicidade na escala nacional. A França foi o primeiro país a aprovar uma lei nacional, mas segundo informações, desde a sua formalização, a implementação está paralisada. Na Espanha, um projeto com o mesmo objetivo está tramitando e acredita-se que haverá muita dificuldade de aprovação no parlamento.

BANIR PROPAGANDA RESOLVE?

É tudo muito recente e, segundo o artigo, é cedo para afirmar positivamente ou não. No entanto, como exemplo, vale lembrar que no passado, marcas de cigarro, bebidas alcoólicas e outras consideradas não saudáveis eram as principais patrocinadores de eventos esportivos e culturais. Campanhas de restrição publicitárias motivadas por políticas antitabagismo e antiálcool, afastaram essas práticas. O mesmo aconteceu com campanhas "anti-junk food", que afastaram alimentos de baixa qualidade e não saudáveis das crianças, adolescentes e jovens. 

Campanhas de controle dos excessos publicitários que promovem o consumismo entre jovens e adolescentes, assim como controles de jogos de azar e ações afirmativas de inclusão e democracia racial tem sido muito debatidas. 

O declínio tabaco por controle de publicidade e campanhas de conscientização no Brasil é um dos melhores exemplos de assertividade da estratégia. 

Segundo o artigo, restrições de publicidade tiveram alguns bons resultados em outros casos citados. Londres baniu a propaganda de alimentos não saudáveis, alcançando a redução de consumo de uma média de 1.000 calorias/semana para as famílias londrinas, reduzindo também as taxas de obesidade. O Chile alcançou uma queda de 24% de consumo de bebidas açucaradas.

O artigo também destaca desafios de implementação. Mas, assim como aconteceu em outras políticas de restrição de publicidade, até o debate produz um processo educativo e de conscientização. É uma parte importante do que precisamos para produzir uma transição para uma economia de baixo carbono e seguir avançando para a sustentabilidade.

Axel Grael
Engenheiro florestal, ambientalista.
Doutorando em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU/UFF)


--------------------------------------------------


Some cities have introduced bans for petrol cars in a bid to encourage more sustainable behaviour (Credit: Serenity Strull / BBC). Serenity Strull / BBC

'The new tobacco': The cities banning fossil fuel adverts

Isabella Kaminski

Cities across the world are clearing their billboards of flight ads, SUVs, cruise ships and petrol cars in an attempt to cut emissions.

When it comes to billboards, the centre of The Hague isn't exactly Times Square. Still, the cosmopolitan Dutch political capital has its share of looming displays and brightly lit bus shelters.

When I visited in late 2024, these were merrily advertising an array of colourful products and services in the run-up to Christmas, with one promoting trips to sunny beaches thousands of miles away in the Dutch Caribbean.

I was in the city to report on the International Court of Justice's landmark hearings on whether countries can sue each other over climate change. But when I returned seven months later to hear the court's final ruling there was a subtle difference in these adverts: there were no posters for petrol or diesel cars, or for cruises or flights to far-flung holiday destinations.

The change was the result of The Hague's 2024 decision to ban advertising for high-carbon products. The city was the first place in the world to do so through a local law, but is just one of dozens of municipalities across the world that have now agreed to ban fossil fuel adverts, including the district of Saint-Gilles in Belgium, the Swedish capital of Stockholm and most recently the Italian city of Florence. In January 2026, the Netherlands' Amsterdam became the world's first capital to put a ban into law.

"As the International City of Peace and Justice and an important UN city, we find it important to show that we're serious about tackling [the climate crisis]," says Robert Barker, deputy mayor of The Hague. "So it's really a bit weird if in a public space we have a lot of fossil ads, while at the same time you say to people, 'We should reduce them.'"

The advertising sector is increasingly coming under the spotlight for its role in promoting and normalising polluting activities and for misrepresenting their environmental and health impacts, according to a report by the Grantham Research Institute on Climate Change and the Environment. (Read more about the adverts banned for misleading climate claims).

In a scathing speech in New York in 2024, UN Secretary General António Guterres said climate misinformation by the fossil fuel industry in particular had been "aided and abetted by advertising and PR companies".

Guterres urged every country in the world to ban the fossil fuel industry from advertising altogether, a call later echoed by Maria Neira, director for public health and climate at the World Health Organization, who described fossil fuels as "the new tobacco".

"We know that advertising is a really major driver of unsustainable consumption," says Cassie Sutherland, managing director of climate solutions and networks at C40 Cities, a US-based climate think tank. "Advertisers wouldn't be spending billions upon billions of dollars every year if it wasn't affecting people's behaviour."

Indeed, a 2023 scientific advice paper for Dutch policymakers concluded that fossil advertising "normalises and promotes unsustainable behaviour". It also "discourages sustainable behaviour, actively undermining climate policy", it added.

In recent years, several campaigns have emerged calling on public authorities to ban such advertising, including Adfree Cities, World Without Fossil Fuel Ads and Reclame Fossielvrij ("Fossilfree advertising" in Dutch).

Some have already had success, and the Netherlands in particular has become a hotspot for bans. In 2020, in response to a letter from campaigners and political groups, Amsterdam passed a world-first motion seeking to end the "excesses" of unsustainable advertising, such as "flying vacations at rock-bottom prices". And the city's newly passed ban, which comes into effect on 1 May 2026, goes even further than The Hague by restricting advertising for meat as well as fossil fuel products.
"Climate campaigners have now turned their attention to the UK capital, where transport operator Transport for London (TfL) has one of the largest advertising estates in the world".
More than a dozen municipalities across the country have now tried to put in place some form of restriction either through local laws or public contracts.

The road has not always been easy. The Netherlands' travel trade organisation ANVR and three travel operators went to court in 2024, claiming The Hague's law breached their right to freedom of speech and would not actually reduce fossil fuel use. But a judge ruled that the ban could help combat climate change and improve people's health, and said the city had properly substantiated its reasons for putting it in place. It has been in force since April 2025. The ANVR did not respond to a request for comment. The Netherlands Board of Tourism and Conventions was also asked for comment but did not respond.

Several UK cities have also introduced bans. In 2024, the city of Edinburgh banned advertising for fossil fuel companies, airlines, airports, fossil fuel-powered cars, SUVs and cruise ships on council-owned advertising spaces, including bus stops and digital media. Sheffield introduced a similar policy the same year, also including any content "which might reasonably be deemed to promote more flying". In February 2026, Portsmouth also introduced a ban.

Climate campaigners have now turned their attention to the UK capital, where transport operator Transport for London (TfL) has one of the largest advertising estates in the world. In November, London mayor Sadiq Khan agreed to review the body's advertising policy to see if it could be greener.

In Australia, 19 jurisdictions have already voted for or implemented some level of restriction on fossil fuel advertising, including Sydney, its largest city. And the regional council in Greater Wellington, New Zealand, agreed in 2023 to stop fossil fuel adverts on public transport and council assets.

Belinda Noble, founder and chief executive of Comms Declare, an advocacy group working to ban fossil fuel advertising in Oceania, argues local authorities have "enormous" influence over what their constituents see every day and are a powerful force for change. "They are more responsive to community needs and are usually less beholden to the interests of industry or big coal and gas donors," she adds.

Sutherland says there is often a much stronger focus on shifting consumption at city level than a national one. "Cities are often very ambitious on climate," she says. They also have a strong track record of making changes that are being replicated nationally such as clean transport and waste reduction, she adds.

Still, not all attempts to pass bans in cities have worked. A campaign in Toronto, Canada, for example, was voted down in July 2025, with some councillors raising concerns about the complexity of deciding whether advertising is false or misleading.

Introducing bans in the US, meanwhile, is difficult because advertising is protected under the Constitution's First Amendment, says Ellen Goodman, professor of law at Rutgers Law School in New Jersey. That means any restrictions would be subject to "fairly stringent" judicial review, she says. Instead, US climate activists have focused on legal action trying to hold fossil fuel companies accountable for their impact on climate change.

To date, most national governments have focused more on the messages contained within corporate advertising, often through their regulator, rather than the adverts themselves. (Read more about the adverts banned for misleading climate claims).

Still, some countries are already exploring national bans.

In 2022, France became the first European country to ban adverts for fossil fuels through a climate law, although advocates say implementation has since stalled.

The Spanish government voted in June 2025 in favour of a draft bill that would ban advertising of fossil fuels and vehicles exclusively powered by fossil fuels, as well as short flights if there are more sustainable alternatives. However, it still has to pass parliament, which experts say will be difficult.

More widely in Europe, there is more support than opposition for advertising restrictions, according to one study.

DO BANS WORK?

It is too early to know the full impact of the bans in place so far, but the evidence of previous advertising restrictions shows they may well create changes.

After TfL introduced a junk food advertising ban in London in 2019, for example, families put an average of 1,000 less calories in their weekly shops, with a particularly big drop in chocolate and sweets and a likely knock-on reduction in obesity and public healthcare costs. And it did not result in a drop in advertising revenue as some had feared – in fact, this increased.

Likewise, fast food advertising restrictions in Chile aimed at improving children's health led to a 24% drop in purchases of sugary drinks and a rise in healthier options.

Tobacco consumption around the world has also dropped following advertising restrictions, which began in the 1960s and became progressively tougher. And a 2022 review of the research on gambling adverts suggests that cracking down on them could "reduce overall harm and mitigate the impact of advertising on gambling-related inequalities".

Trying to draw lessons from bans motivated by public health concerns, a group of sustainability researchers concluded in 2025 that restricting advertising of a harmful product could encourage the development of "benign" alternatives with a lower environmental footprint. Norway's alcohol advertising restrictions, for example, led companies to brew new ranges of low or alcohol-free beer.

"There's clear evidence that advertising bans do have an impact," says Sutherland. "We don't have that data yet on fossil fuel ad bans... but we expect to see a similar thing."

THE DRAWBACKS OF BANS

However, the sustainability researchers also noted concerns that the development of cleaner and healthier products can help to greenwash a company's corporate image and support sales of the more harmful original. A way forward here could be only allowing companies to advertise benign alternatives if they already sell a significant quantity of them, they said.

And advertising bans could have other limitations. For example, when the gambling industry agreed to voluntarily stop advertising in the UK during live sports programmes, it appeared to increase its levels at other times. Towns and cities can also do little about what people see and hear on the internet – even national governments have struggled with regulating advertising online.

"Why would we stimulate something that has a devastating impact on the planet?" – Robert Barker

Restrictions targeting products are much easier to define and enforce than those banning an industry from advertising altogether, notes Sutherland, and probably less likely to face legal challenge. There are also "grey" areas, adds The Hague's Barker. "If you were to have an advertisement about a certain country that you can only reach by plane, then is that allowed?"

A more extreme option is to scrap outdoor advertising altogether, as Brazilian city São Paulo did in 2006.

What is clear is that bans do not work in a vacuum. The Dutch government has been advised to combine bans with other policies in order to truly shift consumer behaviour. Alongside its ban, for example, The Hague is encouraging people to drive electric cars by offering more charging points around the city and giving householders interest-free loans to install insulation and heat pumps, says Barker.

Barker says public communication in The Hague was pretty straightforward because news about the ban was so widespread. "We focused on explaining why it is important to tackle the climate crisis and that ads in the public space stimulate the opposite," Barker says.

In a 2025 report, special rapporteur on human rights and climate change Elisa Morgera criticised how fossil fuel adverts have shaped public perceptions for decades "by downplaying human rights impacts and emphasising the role of fossil fuel products in economic growth and modern life". Bans on these adverts, she argued, would help to challenge the "taken-for-granted presence of fossil fuel products in our lives" and "underlying patterns of systemic inequalities, overproduction and overconsumption".

In the study on Dutch bans, the policy officials interviewed felt that while the impact of bans on consumer behaviour was still unclear, they have given important signals on unsustainable consumption and encouraging other places to follow suit.

"I think the comparison with tobacco is very accurate," says Barker. "Smoking ruins our lungs while fossil fuel ruins the lungs of the planet. Why would we stimulate something that has a devastating impact on the planet?"

Fonte: BBC




sábado, 4 de outubro de 2025

Inside the Plastics Industry Playbook: Delay, Deny, and Distract


Plastic bottles at the Carola mineral water factory in Ribeauvillé, France. Sebastien Bozon / AFP via Getty Images

In an interview with e360, Saabira Chaudhuri, author of a new book on the history of the plastics industry, discusses how petrochemical companies worldwide have molded consumers to embrace convenience and disposability — no matter the environmental and public health costs.

Over the decades, scientific studies have highlighted the environmental and human toll of making, using, and discarding disposable plastics, and yet activist campaigns, international treaty negotiations, and government regulations have done very little to curb its use. The Organization for Economic Cooperation and Development expects plastic production and waste to triple by 2060.

In Saabira Chaudhuri’s recently published Consumed: How Big Brands Got Us Hooked on Plastic, the London-based journalist explains how consumer goods companies have for decades dodged regulation in their efforts to maintain the status quo. In an interview with Yale Environment 360, Chaudhuri talks about the plastics industry playbook, which she says stokes fears that a curb on disposables will raise consumer prices and presents false solutions that shift responsibility for plastic litter from producers onto municipalities. She explores the history of manufacturing demand for disposables and offers hope that a critical mass of concerned individuals can turn the plastics tide.

“I do think people are starting to worry about the health impacts from plastics, which could motivate a shift back towards more durable materials,” she says. “Nobody likes the idea of microplastics in our brains and in our lungs. People want to get [this] under control.”

Saabira Chaudhuri. Gokull Rao Kadam

Yale Environment 360: Last month, negotiations on an international agreement to reduce plastic pollution failed, once again, after oil-producing nations refused to cut their plastics production. Will the oil states ever come around?

Saabira Chaudhuri: In 2024, the IEA said 70 percent of the growth from oil had actually come from plastics. And if you look at the future, [those nations] seem to be betting everything on the fact that plastics will continue to grow. So I think any agreement that tried to get the whole world on board was always doomed to fail. But the consensus seems to be that a smaller group of countries can still come together and commit to making big changes, phasing out dangerous chemicals, mandating minimum recycled content, designing for recycling and reuse, things that will naturally cut back on demand for virgin plastic.

e360: Do individuals have a role to play?

Chaudhuri: We have an immense amount of power to influence what consumer goods companies do by either buying or not buying their products, by speaking to them, whether it’s their customer service people or calling them out on social media. If you start to change the culture of what’s acceptable, and it starts to show up in the profit lines of these companies, they will be motivated to make changes that [will] trickle back to this whole very murky world of chemical companies, oil companies, and resin producers.

e360: What is the industry’s playbook? How do companies manage to keep selling plastic, despite all that we know about its threats to our health?

Chaudhuri: The first tactic is to say [that abandoning plastic] will drive up prices for consumers. It’s going to make everything more expensive. You also see them funding lifecycle analyses and studies that generally seem to be drawing conclusions, cherry-picking assumptions, that confirm that disposability is the best option, that plastic is the best option. And if you did anything differently, it would be really terrible for both consumers and the environment.

“Companies spent a lot of money pushing the message that plastic was necessary for hygiene, that unwrapped products were prone to germs.”

And then the third thing is the long-running “plastics make it possible” campaign. And the whole idea is to showcase the many positives of plastics: how helmets protect children, and plastics make cars and planes lighter, and plastics are necessary for medical devices. Again, all things that are very true. But none of them are the areas that people are concerned about. People are most concerned about unnecessary single-use plastics — the straws, the bottles, the lids, the bags, all the food containers — that are rampantly overused.

And the fourth one is obviously putting forward solutions that sound very promising. Like, “We’re going to make our bottles from recycled plastic. We’re going to invest in collection infrastructure to raise recycling rates. We’re going to make containers from compostable plastic.” For a variety of reasons, all of these things have failed for decades and decades, but that hasn’t stopped companies from offering up exactly the same solutions with a slightly different wrapper on them a few years later.

e360: How did the idea of disposability take hold?

Chaudhuri: The plastics industry made this very concerted shift in the 1950s when Lloyd Stouffer, the editor of Modern Plastics, said it is much better to sell a product 1,000 times over than to sell it once. The idea is that with disposability you have a consistent large market.

A 1990s print ad from the American Plastics Council.

Disposability also allows you to expand your supply chains in a way that you couldn’t otherwise do if you had to return a container to be washed and reused. With disposables, companies don’t have to worry about the reverse logistics of how do I get something back. They cut out a hell of a lot of cost and complexity for themselves.

The flip side, of course, is they just offload this [cost] onto taxpayers, because it’s usually municipal governments, paid for by us, that have to deal with the waste. [For industry,] it’s immensely profitable.

e360: Disposable plastic is ubiquitous today, but the industry had to build demand for it and teach people how to throw things away.

Chaudhuri: When plastics first came about, they were actually extremely expensive. People stored cellophane in a safe because it was used just for upscale chocolate and perfume, and then later cigarettes. As prices came down, that is when you started seeing plastics appearing absolutely everywhere. And companies spent a lot of money pushing the message that plastic was necessary for hygiene, that unwrapped products were dirty and prone to germs. And I think that is not something that came naturally to people.

Companies pushed the idea that the way you are doing it is wrong, and here is a much better way of doing things. A lot of money was spent on ideas about convenience. A lot of money was spent on the idea that repairing things was unfashionable. Why repair something when you could just buy something new for cheap? Reuse was fusty, something your grandparents did, or your parents did. It wasn’t something that the modern post-war generation should have to do.

“Disposability existed before plastics, but plastics brought a level of affordability and functionality that other materials couldn’t.”

e360: And why did plastics eventually supplant other packaging materials, like glass or paper?


Chaudhuri: Its raw material, for the most part, was plentiful and pretty cheap. [Plastic feedstock] was a byproduct of [oil refining] that would otherwise just be thrown away. Disposability existed before plastics, but plastics brought about a level of portability, a level of affordability, a level of functionality that I think these other materials just couldn’t.

One of my favorite examples is the paper coffee cup. Paper coffee cups had existed since the turn of the century, and they had been developed to curb diseases at shared water fountains. But they were never really used for hot drinks because their wax liner would make the coffee taste of wax.

Then in the 1940s, a company called Lily-Tulip added a plastic liner to the paper coffee cup. And all of a sudden, you could put hot coffee in a disposable container. And that was a game-changer. Hot coffee became the largest-selling beverage in the U.S. in the 1950s, bigger than every other beverage combined. And that was all down to the addition of the plastic liner.

DuPont chemist Hale Charch shows off a new kind of cellophane that is impermeable to water vapor, circa 1927. Keystone / Getty Images

e360: Companies like to promise that plastic goods are recyclable, but a lot of them aren’t. Why is it so hard to recycle plastic?

Chaudhuri: Even though we use the word “plastic,” there is no such thing as just plastic. There are many different types and subtypes. There is also the inclusion of color, which can’t then be taken out.

It’s too expensive to separate your orange plastics from your pinks, from your greens, from your blues. So anything that is a colored plastic, by and large, just gets downcycled into this gray mass of resin that can then be turned into pipes or construction material.

One of the big reasons why plastics recycling rates are so low is this panoply of materials on the market, and the expense of sorting them all, cleaning them, reprocessing them. Why would you pay for this entire process and turn it into something new if you could get a higher quality version made from virgin plastic, which is cheap because of subsidies on oil? So without the demand, you don’t have the markets.

“I think as consumers, we need to have a complete rethink of why we are consuming.”

e360: Would the world be better off if plastic had never been invented?

Chaudhuri: If we took plastic away, what would our world look like today? It’s unimaginable. We probably wouldn’t have computers. We wouldn’t have phones. You and I wouldn’t be having this conversation. We wouldn’t have blood bags and IV tubes and all of these things.

If we all somehow switched from plastic to paper, there would be mass deforestation. Paper still uses chemicals. It’s still very water intensive. As for compostable plastics, the whole point is that somehow, they will break down at the end of their life and turn into compost that we can then use to make our soil better. But for the most part, there is no infrastructure for these compostable plastics to actually compost.

Plastics have brought us these immensely good things, undeniably good things. They’ve also brought us these undeniably bad things. I think it’s probably more useful to say, “Where do we go from here now that we are in this mess?”

People collect plastic waste from the Citarum River in Indonesia. Timur Matahari / AFP via Getty Images

e360: So where do we go from here?

Chaudhuri: Going back to that 1950s pivot that the industry made where it went from reusables to disposables, that triggered a complete rewiring of supply chains. Everything was built around disposability. I think the shift that we could conceivably make is to start to unwind some of that so that we are going back to that moment in time.

I think that recycling has a role. I think reuse has a role. I think alternative materials have a role. And I think as consumers, we need to have a complete rethink of why we are consuming. There’s a psychological dimension to this, which is this need to consume endlessly.

We’ll probably always need some sort of plastic. It’s just that the plastic we do use should ideally be highly recyclable and recycled many times over. It should be very standardized so that we’re not using 100 colors. We might be using only two or three types of plastic.

I do think people are starting to worry about the health impacts from plastics, which could motivate a shift back towards more durable materials. Nobody likes the idea of microplastics in our brains and in our lungs. So I feel like in some ways everybody’s on the same side. People worry about this, and they want to get it under control.


This interview was edited for length and clarity.

Fonte: Yale 360





sábado, 31 de maio de 2025

Minha geração cometeu um erro ingênuo

O ex-presidente do Uruguai, José Mujica, discursa durante um comício de campanha em 6 de abril de 2024, em Montevidéu, Uruguai. (Ernesto Ryan / Getty Images)

Por José Mujica
Tradução: Cauê S. Ameni

O falecido militante histórico uruguaio José “Pepe” Mujica argumenta que o capitalismo não se resume apenas as relações de propriedade, mas um conjunto de valores culturais que a esquerda deve confrontar com uma cultura de solidariedade.

Minha geração cometeu um erro ingênuo. Acreditávamos que a mudança social era apenas uma questão: desafiar os modos de produção e distribuição na sociedade. Não entendíamos o imenso papel da cultura. O capitalismo é uma cultura e devemos responder e resistir a ele com uma cultura diferente. Em outras palavras: estamos em uma luta entre uma cultura de solidariedade e uma cultura de egoísmo.

Não estou falando sobre a cultura que é vendida, como música ou dança profissional. Tudo isso é importante, claro, mas quando falo de cultura, estou me referindo às relações humanas, ao conjunto de ideias que regem nossos relacionamentos sem que percebamos. É um conjunto de valores tácitos que determinam a maneira como milhões de pessoas anônimas ao redor do mundo se relacionam.

O consumismo faz parte dessa cultura. É uma ética necessária ao capitalismo em sua luta pela acumulação infinita. O pior problema para o capitalismo seria pararmos de comprar ou comprarmos muito pouco ou apenas o necessário. Isso gerou a cultura consumista que nos envolve. Um sistema social capitalista não se resume apenas a relações de propriedade; é também um conjunto de valores comuns à sociedade. Esses valores são mais fortes do que qualquer exército e são a principal força que mantém o capitalismo vivo hoje.

Minha geração acreditava que mudaria o mundo tentando estatizar a mídia e a distribuição, mas não compreendemos que no centro dessa batalha deve estar a construção de uma cultura diferente. Não se pode construir um prédio socialista com pedreiros capitalistas. Por quê? Porque eles vão roubar a armadura, vão roubar o cimento, porque só querem resolver seus próprios problemas, porque é assim que somos formados. Minha geração, racionalista com uma visão programática da história, não compreendeu que os humanos muitas vezes decidem com a intuição e então sua consciência constrói argumentos para justificar as suas decisões. Escolhemos com o coração, e aqui a cultura se torna uma questão vital porque tempera nossa irracionalidade.

“Significa viver como se pensa. Caso contrário, acabamos pensando como vivemos. A luta é por uma sociedade autogerida, para aprendermos a ser nossos próprios chefes e a liderar nossos projetos comuns.”

Por exemplo, o que aconteceu com nossos líderes de esquerda? Líderes de esquerda estão doentes e imersos nessa mesma cultura e é por isso que, muitas vezes, seu modo de vida não é uma mensagem coerente com sua luta. Veja, eles disseram que eu era pobre quando era presidente, mas não entenderam nada! Eu não sou pobre. Pobre é aquele que precisa de muito. Meu objetivo é ser estoico. E o fato é que se o mundo não aprender a viver com uma certa sobriedade, a não esbanjar e não desperdiçar, se não aprender isso logo, nosso próprio mundo não sobreviverá.

A ânsia por dinheiro nos incita a continuar comprando coisas novas, mas sustentar a vida do planeta significa que precisamos aprender a viver com o necessário e não desperdiçar nossos recursos. Agora, como você pode ver, essa luta é uma epopeia cultural. Nós, da esquerda, precisamos construir uma linha de pensamento diferente da que temos.

Isso significa abandonar nossa conexão com o capitalismo. Acabamos ficando sem criatividade em termos de ideias. Queríamos fazer o mesmo que o capitalismo, mas com mais igualdade. E, no fim das contas, tudo isso tem a ver com o que consideramos ser uma vida boa, os valores que podemos valorizar na vida, as coisas às quais podemos aspirar. Significa ter noção de limites. Nada demais, como diziam os gregos.

A esquerda deve ser fiel a outro conjunto de valores e é por isso que insisto no problema da cultura, no problema do comprometimento e no problema de valorizar certas áreas da vida que o capitalismo não valoriza. Há muita tristeza em nossas sociedades, mesmo que sejam ricas em riqueza. Somos um povo superalimentado, mas sufocados pela quantidade de lixo que criamos. Infestamos tudo, compramos coisas que não precisamos e depois vivemos em desespero pagando contas. Precisamos propor outra forma de vida! Para mim, a esquerda precisa ser mais revolucionária do que nunca.

“A esquerda terá que ser diferente porque o tempo muda. A única coisa permanente é a mudança.”

Significa viver como se pensa. Caso contrário, acabamos pensando como vivemos. A luta é por uma sociedade autogerida, para aprendermos a ser nossos próprios chefes e a liderar nossos projetos comuns. Essas coisas terão que ser discutidas por uma nova esquerda. Acredito na existência permanente da esquerda, mas ela não será a esquerda que era. O que era se foi, passou! A esquerda terá que ser diferente porque o tempo muda. A única coisa permanente é a mudança.

Não vou sugerir obstáculos à criação de novos programas revolucionários. Pelo contrário! Mas também não tenho uma fórmula mágica. Parece-me que a criatividade deve ser incentivada, porque vivemos num mundo com uma esquerda velha que vive só de nostalgia, uma esquerda que tem dificuldade em perceber por que falhou e tem grande dificuldade em imaginar novos caminhos a seguir. Acredito que este é um momento de muito ensaio, muita experimentação e criatividade. E para isso existem alguns parâmetros que podemos seguir, porque, como eu disse, a minha geração não deu importância suficiente à cultura. Refiro-me à cultura inerente às relações comuns e ordinárias que as pessoas têm, que, sob o capitalismo, os usa na vida cotidiana apenas para garantir maior acumulação.

A cultura na qual estamos inseridos – e praticamente cercados – serve apenas para a multiplicação do lucro individual. E essa cultura é muito mais forte do que exércitos, poder militar e tudo o mais, porque essa cultura determina os relacionamentos permanentes de milhões de pessoas comuns no mundo todo.

E isso é muito mais forte que a bomba atômica! Portanto, mudar um sistema sem enfrentar o problema da mudança cultural é inútil. Precisamos construir um novo sistema e, paralelamente, uma nova cultura, uma nova ética, porque, caso contrário, o que vimos com a União Soviética acontecerá novamente, onde um movimento revolucionário deu uma volta de 360 ​​graus para estar no mesmo lugar — só que hoje isso seria muito pior! Temos que aprender com essa derrota, certo?


Adaptado do livro Sobrevivendo ao século XXI, de Noam Chomsky e José Mujica, lançado pela editora Civilização Brasileira em 2024.

José Mujica foi um revolucionário e estadista uruguaio que serviu como presidente de 2010 a 2015.

Fonte: Revista Jacobin



segunda-feira, 25 de abril de 2022

Produção de bicicletas supera 183 mil unidades no primeiro trimestre

 


A indústria de bicicletas instalada no Polo Industrial de Manaus – PIM produziu 183.019 unidades no primeiro trimestre, alta de 7,1% na comparação com o mesmo período do ano passado (170.902 bicicletas).

Segundo levantamento da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares – Abraciclo, a produção retorna ao patamar de 2019, período pré-pandemia, quando foram fabricadas 183.742 unidades.

Ainda de acordo com dados da associação, em março, 57.870 bicicletas saíram das linhas de montagem, queda de 9,2% em relação a fevereiro (63.712 unidades). O volume foi muito próximo ao registrado no mesmo mês do ano passado (57.843 bicicletas).

Ao analisar o desempenho do setor, o vice-presidente do Segmento de Bicicletas da Abraciclo, Cyro Gazola, afirma que os números estão dentro da expectativa das associadas de produzir 880 mil unidades em 2022. “O ritmo de produção vem em uma curva ascendente. O pequeno recuo que tivemos em março está dentro da normalidade e foi provocado por um desequilíbrio que ainda existe na cadeia de suprimentos”, explica. “É um problema mundial que ainda vai persistir por mais alguns meses, mas acreditamos que em uma intensidade menor”, complementa.

Para minimizar esse problema, o executivo explica que as associadas elaboraram um plano de ação que envolve toda a cadeia logística para garantir o suprimento das linhas de produção. “Graças a isso, gradativamente estamos atendendo a demanda do mercado”, diz Gazola.

Na avaliação do vice-presidente, a procura por bicicletas deve continuar alta. “A bicicleta é um meio de transporte econômico e com menor custo de manutenção. Há, ainda, o ganho ambiental: é um meio de transporte sustentável, que não polui e só traz vantagens para as pessoas, para a mobilidade e para o planeta”, destaca.

Gazola afirma que o aumento dos combustíveis também pode contribuir para o aumento da demanda, uma vez que as pessoas têm buscado novas formas de mobilidade. O executivo destaca ainda que, desde o início da pandemia do coronavírus, quando a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomendou o uso do modal por garantir o distanciamento social e ainda proporcionar o mínimo de atividade física necessária, o mundo todo passa por um “boom” de vendas de bicicletas.

Produção por categoria

Com 112.629 unidades e 61,5% do volume total produzido, a Mountain Bike (MTB), foi a categoria mais produzida no primeiro trimestre. Em segundo lugar, ficou a Urbana/Lazer (52.014 bicicletas e 28,4% da produção), seguida pela infanto juvenil (12.582 unidades e 6,9%).

Em termos porcentuais, a categoria que registrou maior crescimento foi a Estrada. Foram fabricadas 3.161 unidades, alta de 31,4% na comparação com os três primeiros meses do ano passado (2.405 bicicletas). Na sequência aparece a elétrica, com 2.633 unidades produzidas, volume 18,3% maior ao registrado no mesmo período do ano passado (2.225 bicicletas).

Gazola ressalta que a procura pela bicicleta elétrica cresce ano a ano. “A bicicleta elétrica permite que você vá a qualquer lugar com agilidade e conforto. Os brasileiros também seguem uma tendência mundial de optar por produtos em sintonia com o meio ambiente e adotar um estilo de vida mais saudável”, explica.

Para este ano, a expectativa da Abraciclo é que sejam fabricadas 15 mil unidades de bicicletas elétricas, o que representa um aumento de 45,7% na comparação com 2021 (10.294 mil unidades).

No ranking de produção mensal, as posições do primeiro trimestre foram mantidas: MTB (35.343 unidades e 61,1% do volume total produzido), Urbana/Lazer (13.923 unidades e 24,1%) e infanto juvenil (7.574 e 13,1%).

Fonte: A Tribuna




quinta-feira, 11 de junho de 2020

Pesquisa mostra o impacto ambiental dos nossos hábitos online



Tudo o que fazemos na vida gera impactos ambientais e, às vezes, nem percebemos ou temos consciência disso. O texto abaixo, da BBC, mostra o resultado de estudos sobre o impacto ambiental e os impactos sobre o clima de várias práticas cotidianas de Tecnologia da Informação ou de mídias tecnológicas para assistir filmes, ouvir música etc.

O ato de produzir um simples "like" nas redes sociais pode representar um custo energético desprezível, mas quando se multiplica pelo número de pessoas que utilizam diariamente estes recursos tecnológicos, chega-se a números surpreendentemente altos.

Para que se tenha ideia da dimensão, o texto informa que "cientista-chefe do projeto Eureca, financiado pela Comissão Europeia, calculou que o clipe da música Despacito (2017), que atingiu 5 bilhões de visualizações, consumiu tanta eletricidade quanto o Chade, Guiné-Bissau, Somália, Serra Leoa e República Centro-Africana juntos em um único ano".

A divulgação de informações como estas aqui repassadas nos ajudam na tomada de decisão sobre produtos ou tecnologias a consumir e a percepção dos custos ambientais tem levado as empresas a reconhecer a sua responsabilidade ambiental, reduzir o consumo de energia de seus produtos (por exemplo), a se engajar em iniciativas compensatórias e participar de campanhas climáticas etc.

Cabe uma boa reflexão...

Axel Grael


------------------------------------------------



Como nossos hábitos online podem ser nocivos para o planeta

A internet nos permite enviar mensagens, compartilhar fotos, baixar músicas, assistir a vídeos... Mas cada uma destas atividades vem acompanhada de um pequeno custo para o meio ambiente.


A pegada de carbono dos nossos dispositivos, da internet e dos respectivos sistemas de suporte representa cerca de 3,7% das emissões globais de gases do efeito estufa.


Sarah Griffiths
Por BBC

É provável que você já tenha respondido alguns e-mails hoje, enviado mensagens pelo WhatsApp e feito uma pesquisa rápida no Google. À medida que o dia passa, você sem dúvida ficará ainda mais tempo conectado, baixando fotos, ouvindo música e vendo vídeos.

Cada uma dessas atividades que você realiza online vem acompanhada de um pequeno custo para o meio ambiente – alguns gramas de dióxido de carbono são emitidos devido à energia necessária para rodar seus dispositivos e alimentar as redes sem fio que você acessa.

Sem contar com os datacenters e os servidores, necessários para armazenar, processar e distribuir todo conteúdo que consumimos na internet, que talvez sejam os maiores consumidores de energia.

Embora a energia necessária para fazer uma simples busca na internet ou enviar um e-mail seja pequena, aproximadamente 4,1 bilhões de pessoas (53,6% da população global) estão conectadas hoje. Ou seja, esses pequenos fragmentos de energia, e os gases de efeito estufa associados a cada atividade online, são multiplicados.

A pegada de carbono dos nossos dispositivos, da internet e dos respectivos sistemas de suporte representa cerca de 3,7% das emissões globais de gases do efeito estufa, de acordo com algumas estimativas.

É similar à quantidade produzida pela indústria de aviação a nível mundial, explica Mike Hazas, pesquisador da Universidade de Lancaster, no Reino Unido. E a previsão é que essas emissões dobrem até 2025.

Se dividirmos a grosso modo as 1,7 bilhão de toneladas de emissões de gases de efeito estufa que se estima serem geradas na produção e operação de tecnologias digitais entre todos os usuários de internet no mundo, isso significa que cada um de nós é responsável pela emissão de 400g de dióxido de carbono por ano.

Mas essa conta não é tão simples – esse número pode variar dependendo de onde você está. Os usuários da internet em algumas partes do planeta terão uma pegada de carbono desproporcionalmente grande.

Um estudo estimou que, há 10 anos, os usuários médios de internet na Austrália eram responsáveis pela emissão equivalente a 81 kg de dióxido de carbono (CO2e) na atmosfera. As melhorias na eficiência energética, a economia de escala e o uso de energia renovável, sem dúvida, reduziram esse volume, mas é claro que as pessoas nos países desenvolvidos ainda são responsáveis pela maior parte da pegada de carbono da internet. (CO2e é uma unidade usada para expressar a pegada de carbono de todos os gases de efeito estufa juntos, como se todos fossem emitidos como dióxido de carbono)

A constatação de que as atividades que executamos online estão prejudicando o planeta levou algumas pessoas a agir.

"Tudo o que pudermos fazer para reduzir as emissões de carbono é importante, não importa quão pequeno seja, e isso inclui a maneira como nos comportamos na internet", diz Philippa Gaut, professora de Surrey, no Reino Unido.

Ela faz parte de um grupo cada vez maior de consumidores preocupados com o meio ambiente, que estão tentando reduzir seu impacto no planeta gerado pela internet.

"Se todo mundo mudasse os hábitos, teria mais impacto", acrescenta.

Uma das dificuldades em descobrir a pegada de carbono de nossos hábitos online é que não há um amplo consenso sobre o que deve ou não ser incluído. Devemos incluir, por exemplo, as emissões provenientes da fabricação dos hardwares de computação? E as emissões das equipes e dos edifícios de empresas de tecnologia?

Até os dados sobre o funcionamento dos datacenters são contestáveis – muitos operam com energia renovável, enquanto algumas empresas compram "créditos de carbono" para compensar seu uso de energia.

Nos EUA, os datacenters são responsáveis por 2% do uso de eletricidade no país, enquanto globalmente representam pouco menos de 200 terawatt-hora (TWh). Mas, de acordo com a União Internacional de Telecomunicações (UIT), da Organização das Nações Unidas (ONU), esse número se manteve estável nos últimos anos, apesar do aumento do tráfego na internet.

Isso se deve principalmente à melhoria da eficiência energética e ao movimento para centralizar os datacenters em instalações gigantes.

Mas enquanto muitas empresas afirmam alimentar seus datacenters usando energia renovável, em algumas partes do mundo eles ainda são amplamente dependentes da queima de combustíveis fósseis. E pode ser difícil para os consumidores escolherem que datacenters querem usar.

Vários dos principais provedores de nuvem, no entanto, se comprometeram a reduzir suas emissões de carbono – então armazenar fotos, documentos e executar serviços em seus servidores sempre que possível é uma abordagem que pode ser adotada.


Enquanto os e-mails de spam apresentam uma pegada de carbono relativamente pequena, o envio de imagens ou anexos pesados pode tornar o impacto muito maior.


Do ponto de vista individual, o simples fato de trocar de aparelho com menos frequência é uma maneira de reduzir a pegada de carbono da tecnologia digital. Os gases de efeito estufa emitidos na fabricação e transporte desses dispositivos podem representar uma parcela considerável das emissões ao longo da vida útil de um equipamento eletrônico.

Um estudo da Universidade de Edimburgo, na Escócia, mostrou que estender de quatro para seis anos o tempo que você usa um computador e monitor pode evitar o equivalente a 190 kg de emissões de carbono na atmosfera.

Mensagens ecológicas

Também podemos mudar a maneira como usamos os gadgets para reduzir nossas pegadas digitais de carbono. Uma das formas mais fáceis de começar é alterando o modo como enviamos mensagens.

Talvez não seja surpresa, mas a pegada de carbono de um e-mail também varia significativamente – dependendo se é um e-mail de spam (0,3g de CO2e), um e-mail comum (4g de CO2e) ou um e-mail com foto ou anexo pesado (50g de CO2e), de acordo com o pesquisador Mike Berners-Lee, da Universidade de Lancaster.

Todavia, esses dados foram formulados por Berners-Lee há 10 anos. E de acordo com Charlotte Freitag, especialista em pegada de carbono da Small World Consulting, empresa fundada por Berners-Lee, o impacto dos e-mails pode ter aumentado.

"Achamos que a pegada por mensagem pode ser maior hoje, uma vez que as pessoas estão usando telefones maiores", diz ela.

Com base nos dados antigos, algumas pessoas estimaram que seus e-mails podem gerar 1,6 kg de CO2e em um único dia. O próprio Berners-Lee também calculou que um usuário corporativo padrão produz 135 kg de CO2e enviando e-mails a cada ano, o que equivale a dirigir 321km de carro.

Mas pode ser fácil reduzir esse impacto. Se simplesmente pararmos com sutilezas desnecessárias, como e-mails só para dizer “obrigada”, podemos economizar coletivamente muitas emissões de carbono.

Se cada adulto no Reino Unido enviasse um e-mail a menos de “obrigada”, isso poderia evitar a emissão de 16.433 toneladas de carbono por ano – o equivalente a tirar 3.334 carros a diesel das ruas, de acordo com a empresa de energia OVO.

"Embora a pegada de carbono de um e-mail não seja grande, é um ótimo exemplo do princípio mais amplo de que cortar o desperdício de nossas vidas é bom para o nosso bem-estar e para o meio ambiente", acrescenta Berners-Lee.

Trocar os anexos do e-mail por links para documentos e não enviar mensagens para vários destinatários ao mesmo tempo é outra maneira fácil de reduzir nossa pegada de carbono digital, além de cancelar o recebimento de e-mails que não lemos mais.

"Cancelei o recebimento de newsletters geradas automaticamente. Quando fiquei sabendo da pegada de carbono dos e-mails, fiquei horrorizada", diz Gaut.

"Agora, tomo cuidado para não cadastrar meu e-mail em novos sites… isso me fez mais consciente do impacto."

De acordo com estimativas do serviço antispam Cleanfox, o usuário médio recebe 2.850 e-mails indesejados por ano, responsáveis pela emissão de 28,5 kg de CO2e.

Optar por enviar uma mensagem de texto (SMS) talvez seja a alternativa mais ecológica como forma de manter contato, uma vez que cada mensagem gera apenas 0,014g de CO2e.


"Embora a pegada de carbono de um e-mail não seja grande, é um ótimo exemplo do princípio mais amplo de que cortar o desperdício de nossas vidas é bom para o nosso bem-estar e para o meio ambiente"


Estima-se que um tuíte tenha uma pegada de 0,2g de CO2e (embora o Twitter não tenha respondido às solicitações para confirmar esse número), enquanto o envio de mensagem por meio de aplicativos como WhatsApp ou Facebook Messenger tenha uma intensidade de carbono apenas um pouco menor do que enviar um e-mail, de acordo com cálculos de Freitag.

Agora, mais uma vez, isso pode depender de o que você está enviando – gifs, emojis e imagens têm uma pegada maior do que um texto simples.

A pegada de carbono de fazer uma ligação de um minuto pelo celular é um pouco maior do que enviar uma mensagem de texto, segundo Freitag, mas o impacto de fazer chamadas de vídeo pela internet é infinitamente maior.

Um estudo de 2012 estimou que uma reunião por videoconferência de cinco horas com participantes de diferentes países produziria entre 4 kg e 215 kg de CO2e.

Mas é importante lembrar que se a videoconferência substitui deslocamentos (como viagens de carro ou avião) para chegar à reunião, pode ser muito melhor para o meio ambiente.

O mesmo estudo constatou que uma videoconferência produz apenas 7% das emissões de reuniões presenciais.

Pesquisa limpa

A pesquisa na internet é outra área complicada. Há uma década, cada busca tinha uma pegada de 0,2 g de CO2e, segundo dados divulgados pelo Google.

Hoje, o Google usa uma combinação de energia renovável e compensação de carbono para reduzir a pegada de suas operações, enquanto a Microsoft, dona do mecanismo de busca Bing, prometeu remover mais carbono da atmosfera do que emite até 2030.

Em paralelo, há iniciativas em andamento para investigar se essa pegada é agora mais alta ou mais baixa.


Perder menos tempo com mensagens muitas vezes desnecessárias de ‘obrigada’ também pode reduzir a pegada de carbono do seu e-mail.


De acordo com os dados do próprio Google, no entanto, um usuário médio dos seus serviços – alguém que realiza 25 buscas por dia, assiste a 60 minutos de YouTube, tem uma conta do Gmail e acessa outros serviços da empresa – produz menos de 8g de CO2e por dia.

Ferramentas de busca mais novas, no entanto, estão tentando se destacar como opções mais ecológicas desde o início. A Ecosia, por exemplo, diz que plantará uma árvore para cada 45 buscas realizadas.

Esse tipo de compensação pode ajudar a remover o carbono da atmosfera, mas o sucesso de iniciativas como essa geralmente depende de quanto tempo leva para as árvores crescerem e o que acontece quando são cortadas.

Independentemente do mecanismo de busca que você escolher, o uso da web para encontrar informações é mais sustentável do que pesquisar nos livros.

Na verdade, a pegada de carbono de um livro é de cerca de 1 kg de CO2e, enquanto a de um jornal publicado no fim de semana é de 0,3 kg a 4,1 kg de CO2e, o que torna a leitura das notícias na internet mais ecológica do que no papel.

Mas você pode ler livros pelo resto da vida – 2,3 mil para ser mais preciso – até alcançar a mesma pegada de carbono de um voo de Londres para Hong Kong. Portanto, não se sinta culpado ao comprar o próximo best-seller.

Aqueles que se sentiram tentados a investir em criptomoedas também podem querer pensar cuidadosamente a respeito do impacto ambiental dessas transações.

O algoritmo de "prova de trabalho", usado para validar transações no blockchain (espécie de banco de dados descentralizado que usa criptografia para registrar as transações) requer uma capacidade de processamento enorme.

Um estudo recente estimou que o BitCoin sozinho é responsável por cerca de 22 milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono por ano – maior do que toda a pegada de carbono da Jordânia.

Vencendo o tédio

Assistir a vídeos online representa a maior parte do tráfego da internet no mundo (60%) e gera 300 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano, o que equivale a aproximadamente 1% das emissões globais, de acordo com o centro de estudos francês The Shift Project.

Isto porque, além da eletricidade usada pelos dispositivos, há a energia consumida pelos servidores e redes que distribuem o conteúdo.

"Se você liga a televisão para assistir ao Netflix, aproximadamente metade da energia é usada para alimentar a TV, e a outra metade é usada para alimentar a Netflix", diz Hazas.

Alguns especialistas insistem, no entanto, que a energia necessária para armazenar e transmitir vídeos é menor do que atividades de processamento mais intensas realizadas pelos datacenters.

Parte da poluição ambiental resultante do uso da internet também é proveniente de um tipo de navegação controversa. A pornografia é responsável por um terço do tráfego de streaming de vídeo, gerando tanto dióxido de carbono quanto a Bélgica em um ano.

As plataformas de streaming, como Amazon Prime e Netflix, representam mais um terço, enquanto o terço final da pegada de carbono do streaming de vídeo se refere a assistir a conteúdos no YouTube e nas redes sociais.

A Netflix afirma que seu consumo de energia global chega a 451.000 megawatts-hora por ano, o suficiente para abastecer 37 mil residências, mas insiste que compra certificados de energia renovável e crédito de carbono para compensar qualquer energia proveniente de fontes de combustíveis fósseis.

O streaming e o download de músicas também têm impacto no meio ambiente.

Rabih Bashroush, pesquisador da Universidade de East London (UEL) e cientista-chefe do projeto Eureca, financiado pela Comissão Europeia, calculou que o clipe da música Despacito (2017), que atingiu 5 bilhões de visualizações, consumiu tanta eletricidade quanto o Chade, Guiné-Bissau, Somália, Serra Leoa e República Centro-Africana juntos em um único ano.

"O total de emissões do streaming dessa música pode ser superior a 250 mil toneladas de dióxido de carbono", diz ele.

No entanto, Hazas ressalta que algumas visualizações do YouTube são involuntárias. Um estudo liderado por sua colega Kelly Widdicks analisou os hábitos de streaming e descobriu que alguns espectadores usam o YouTube como barulho de fundo e, às vezes, até pegam no sono, gerando carbono a troco de nada.

Reduzir esse tipo de uso ou evitar que o vídeo seja reproduzido acidentalmente em um navegador aberto quando você não está assistindo, pode ajudar a reduzir sua pegada de carbono.

Alterar as configurações de reprodução automática e assistir ao vídeo com uma resolução mais baixa, quando a alta definição não é necessária, também pode fazer a diferença.

Mas, segundo Hazas, a maneira mais eficiente de ver seu programa favorito é esperar até que ele esteja disponível na televisão ou optar por fazer o streaming via Wi-Fi, em vez de usar uma rede móvel.

"Usar o telefone com rede móvel consome pelo menos duas vezes mais energia do que o Wi-Fi. Portanto, se você puder esperar até chegar em casa para assistir ao YouTube, melhor", explica. E uma das maneiras mais agradáveis de ser ambientalmente correto é assistir a filmes e programas de televisão acompanhado.

“No geral, o áudio é menos problemático”, acrescenta Hazas, uma vez que o streaming de áudio consome menos energia e carbono do que o streaming de vídeos.

Mas pesquisadores da Universidade de Oslo, na Noruega, descobriram que o impacto ambiental de ouvir música nunca foi tão alto – com uma pegada de 200 mil a 350 mil toneladas de CO2e somente nos EUA, proveniente de músicas baixadas em MP3 players.

Acredita-se que as emissões associadas aos serviços de streaming de música possam ser ainda maiores.

No entanto, o número de vezes que você ouve uma música pode fazer a diferença. Comprar um disco ou CD físico pode ser mais indicado se você ouvir o mesmo álbum repetidamente. Mas, se você ouvir determinada música menos de 27 vezes ao longo da sua vida, o streaming pode ser melhor.

Da mesma forma, estima-se que o custo ambiental de baixar jogos de videogame seja maior do que a produção e distribuição de discos Blu-Ray. A primeira tentativa de mapear o uso de energia dos games nos EUA mostrou que os mesmos produzem 24 megatoneladas de dióxido de carbono por ano.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, que conduziram o estudo, descobriram que os jogadores de games americanos utilizam 2,4% da eletricidade doméstica – 32 terawatts-hora de energia por ano – mais do que um freezer ou máquina de lavar.

Eles também constataram que o streaming de games consome mais energia; portanto, as emissões de carbono podem piorar à medida que mais gente joga games em que o trabalho computacional está sendo realizado remotamente, e não em consoles individuais, como em dispositivos como o Google Stadia.

Mas Hazas é mais otimista.

"A pegada de carbono de jogos multiplayer, como Fortnite, não é tão ruim", diz ele.

"Eles são desenvolvidos para serem responsivos, para não exigir muito tráfego de dados. Por exemplo, você pode checar a posição de um personagem no mapa ou ver que alguém está atirando, mas não são necessários muitos dados para comunicar isso."

No entanto, a atualização dos jogos consome mais carbono.

"Grandes games como Fortnite ou Call of Duty exigem muitas atualizações, então você se depara com gigabytes para downloads a cada duas semanas, que adicionam novos recursos ao jogo."

Para quem gosta de explorar as redes sociais, a notícia é boa. É, sem dúvida, a forma de entretenimento digital menos intensiva em carbono.

De acordo com o relatório de sustentabilidade do Facebook, a pegada de carbono anual de um usuário é de 299g de CO2e – o que representa menos do que ferver água para um bule de chá. Mas se você considerar que a plataforma tem mais de um bilhão de usuários, são muitos bules de chá.

É possível reduzir as emissões de carbono desativando alguns recursos das redes sociais e de outros aplicativos.

"Descobrimos que as atualizações de aplicativos e os backups automáticos na nuvem representam cerca de 10% do tráfego de telefones celulares", diz Hazas.

"Portanto, desabilitar backups desnecessários na nuvem e desabilitar downloads automáticos para atualizações de aplicativos são boas coisas a fazer".

Mas, como a mudança dos nossos hábitos pessoais na internet só surte efeito até certo ponto, também é preciso haver mudanças na indústria para garantir que as emissões de carbono possam ser de fato reduzidas, diz Elizabeth Jardim, ativista do Greenpeace.

A previsão é de que as emissões de gases de efeito estufa do setor de TI sejam responsáveis por 14% das emissões globais até 2040. Mas, ao mesmo tempo, a União Internacional de Telecomunicações da ONU estabeleceu uma meta para o setor reduzir suas emissões em 45% na próxima década.

"É mais importante garantir que as empresas que desenvolvem a internet migrem para fontes renováveis de energia e eliminem gradualmente os combustíveis fósseis", avalia Jardim. "Aí, sim, poderemos fazer buscas na internet sem culpa."

Fonte: BBC








segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Estudo IBM: Consumidores pagarão em média 35% a mais por produtos sustentáveis e de procedência transparente em 2020





Recebi o comunicado da IBM (leia abaixo) com um interessante release sobre um estudo realizado pela empresa e que entrevistou 19.000 pessoas em 28 países, inclusive no Brasil. O objetivo foi avaliar o comportamento de consumidores que se mostraram preocupados com a confiabilidade ambiental e a rastreabilidade da origem sustentável de produtos que adquirem.

Os dados mostram a consolidação do comportamento do consumidor que dá preferência a estes produtos, mesmo admitindo pagar 35% a mais no valor da compra. Segundo os resultados do estudo "a disposição de pagar esse diferencial por marcas confiáveis​​ é mais alta para os compradores da Geração Z", ou seja, os consumidores mais jovens. Portanto, seria uma tendência.

Enquanto o mundo caminha para a sustentabilidade, vemos os retrocessos ambientais nas políticas públicas do atual governo brasileiro, atribuindo uma reputação negativa ao produto nacional, diminuindo a competitividade das nossas exportações de commodities.

Ao estimular o desmatamento, as queimadas da Amazônia, ceder às pressões de setores atrasados do agronegócio e assumir o vexaminoso papel de vilão climático mundial, mercados se fecham para o Brasil, prejudicando a nossa economia.

Axel Grael



-------------------------------------------



Estudo IBM: Consumidores pagarão em média 35% a mais por produtos sustentáveis e de procedência transparente em 2020

Pesquisa feita em parceria com NRF revela que propósito e procedência vão gerar maiores lucros para bens de consumo este ano

NOVA YORK, NY, 10 de janeiro de 2020 - A IBM (NYSE: IBM) divulgou um novo estudo sobre tendências globais de consumo que revela que o propósito da marca supera o custo e a conveniência para os compradores de hoje. A pesquisa, desenvolvida em parceria com a National Retail Federation (NRF), entrevistou cerca de 19 mil consumidores de 28 países (incluindo o Brasil) em todos os grupos demográficos e gerações, com idades entre 18 e 73 anos, para entender melhor como as decisões de compra individuais estão evoluindo e ajudar as empresas de bens de consumo embalados (CPG, na sigla em inglês) a navegar em um cenário competitivo e de mudança no comércio.

Hoje, um terço de todos os consumidores deixará de comprar seus produtos preferidos se perderem a confiança e um terço já parou de comprar suas marcas favoritas de longa data em 2019. Os pesquisados estão priorizando empresas que são sustentáveis, transparentes e alinhadas com seus principais valores ao tomar decisões de compra. Eles estão dispostos a pagar mais e até mudar seus hábitos de consumo, pelas marcas que acertam nisso.

Ao mesmo tempo, os comportamentos mudaram drasticamente e os consumidores agora compram quando e onde for mais conveniente - geralmente enquanto fazem outra coisa. 7 em cada 10 pessoas compram em "micro-momentos" ou ao mesmo tempo que realizam suas tarefas diárias. Enquanto a compra por impulso eventualmente acontecia em um passado recente, agora é a norma atual, incluindo compras feitas em um dispositivo móvel enquanto está em uma loja física.

Com a proliferação de marcas e produtos à disposição dos compradores em qualquer lugar e a qualquer momento, os valores corporativos superam os custos e a conveniência dos produtos. Consumidores de todas as idades e rendas estão dispostos a pagar preços mais altos por produtos alinhados com seus valores pessoais.

  • Em média, 70% desses compradores que valorizam o propósito pagam um valor adicional de 35% do custo inicial para compras sustentáveis, como produtos reciclados ou ecológicos.
  • 57% deles estão dispostos a mudar seus hábitos de compra para ajudar a reduzir o impacto ambiental negativo.
  • Além disso, hoje, 79% de todos os consumidores afirmam ser importante que as marcas forneçam autenticidade garantida, como certificações, ao comprar produtos. Dentro deste grupo, 71% estão dispostos a pagar um valor adicional - 37% a mais em média - para empresas que ofereçam total transparência ao produto.

"A transparência é prova de que uma organização e suas ofertas são o que a empresa afirma ser. As marcas podem alavancar dados e integrar tecnologia blockchain como diferenciais de marca que efetivamente fornecem transparência e rastreabilidade - o que também aumentará os lucros, pois o estudo mostra que os compradores pagam mais se um varejista puder demonstrar sua procedência ", disse Luq Niazi, diretor global da IBM Consumer Industries.

O mercado moderno criou uma nova geração de clientes que trazem maiores demandas e desafios que os varejistas devem enfrentar em 2020. Os resultados do estudo revelam grandes mudanças nos comportamentos de compra dos consumidores, que exigem uma mudança fundamental na forma como os varejistas e as marcas de produtos de consumo criam afinidade com a marca.

Como custo e conveniência não são mais a principal força motriz dos varejistas, a IBM recomenda os seguintes métodos para recuperar a participação de mercado de maneiras novas e competitivas:

Ganhar a confiança dos consumidores por meio da transparência e rastreabilidade: com os "micro-momentos" em ascensão, as empresas precisam ir além da simples oferta de serviços convenientes ou mais rápidos para ganhar a confiança dos clientes. As marcas voltadas aos consumidores agora precisam se diferenciar, oferecendo acesso a informações detalhadas que anteriormente eram desnecessárias, como a forma como seus produtos são fabricados, a qualidade dos ingredientes, se eles são sustentáveis ​​ou de origem ética, e em que condições.

A Terra Delyssa, produtora de azeite da Tunísia, é uma dessas marcas que já está incorporando rastreabilidade em seus dados e produtos. Na NRF, revelaremos que a Terra Delyssa está usando blockchain para criar um registro de proveniência que permite aos consumidores rastrear o azeite do varejista de volta à fazenda usando um código QR ou número de lote.

Avaliar a sustentabilidade por meio do impacto econômico: a redução do impacto ambiental agora vai além da embalagem reciclável ou da pegada de carbono. As marcas que atuam com um propósito também devem ajudar a construir uma economia circular e sustentável para as gerações futuras. Para preservar recursos e eliminar o desperdício no cenário atual do comércio, a sustentabilidade deve ser integrada e medida de ponta a ponta e em toda a cadeia de suprimentos para os fabricantes de bens de consumo embalados.

A IBM Sterling continua a expandir seu ecossistema de parceiros de negócios e desenvolvedores para fornecer aos varejistas inovação e experimentação direcionadas. Por meio das parcerias da IBM Sterling com Salesforce, Sapient e Project 44, a IBM está ajudando os clientes a resolver desafios complexos da cadeia de suprimentos, resultando em envolvimento contínuo do cliente e visibilidade total em toda a jornada do varejo - desde a criação e entrega do pedido, gerenciamento do ciclo de vida da remessa e otimização de retornos.

Agregar mais flexibilidade, e não mais produtos: à medida que as interações digitais continuam a influenciar a maneira como os consumidores compram, os varejistas precisam inovar na loja física para fornecer uma experiência consistente da marca em todos os canais. No entanto, o desafio para muitos varejistas é a capacidade de implementar e integrar rapidamente novos recursos com seus ambientes de tecnologias de lojas existentes para permitir que eles atendam continuamente às expectativas dos consumidores.

"Os compradores são cada vez menos incentivados por serviços como entrega no mesmo dia ou coleta gratuita na loja - ou influenciados por promoções e benefícios direcionados -, mas pagam preços mais alto por produtos alinhados com seus valores. Os resultados do estudo mostram que a disposição de pagar esse diferencial por marcas confiáveis​​ é mais alta para os compradores da Geração Z. Portanto, os varejistas precisam ser proativos na avaliação e compreensão do que impulsiona os principais compradores atuais e futuros, além de aumentar as margens de seus negócios ", disse Mark Mathews, vice-presidente de desenvolvimento de pesquisa e análise da indústria da NRF.

Para ajudar os varejistas a gerenciar esses problemas e acelerar a inovação das lojas, a IBM anunciará durante a NRF 2020 o 'Store in the Cloud', um conjunto de recursos pré-integrados da IBM em colaboração com seu ecossistema de desenvolvedores que inclui Flooid (anteriormente PCMS), Opterus, RelevanC, Trax, entre outros.

Projetado para varejo e desenvolvido com as tecnologias híbridas abertas da IBM e da Red Hat, o Store in the Cloud é uma plataforma personalizável e econômica que utiliza os recursos de Inteligência Artificial e IoT. Isso permite que os varejistas estendam rapidamente experiências digitais para lojas físicas, forneçam interações personalizadas consistentes, melhorem a satisfação do cliente, capacitem os associados com aplicativos intuitivos, permitam que os consumidores comprem de qualquer maneira que escolherem e gerenciem melhor os custos da loja.

No evento NRF Big Show, que ocorrerá de 12 a 14 de janeiro de 2020, em Nova Iorque, a IBM demonstrará os novos recursos no estande (# 3521).

Mais informações sobre a IBM na NRF 2020 estão disponíveis no link: www.ibm.com/industries/retail-consumer-products

Sobre o IBM Institute for Business Value
O IBM Institute for Business Value (IBV) faz parte da unidade de Serviços IBM e desenvolve conhecimento estratégico factual para executivos de negócios seniores em questões críticas nos setores público e privado. Siga @IBMIBV no Twitter. Para ver um catálogo completo de nossa pesquisa ou se registrar para receber nosso newsletter, visite www.ibm.com/ibv

IBM
Vanessa Garcia Xavier
Telefone: 11 3027-0289/0280
E-mail: vaneg@br.ibm.com e ibmbrasil@webershandwick.com









terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Aneel inicia debate sobre regra que subsidia a energia solar



Anne Warth, O Estado de S.Paulo

Hoje, consumidor que instala painéis solares tem redução de 80% a 90% nas contas de luz

BRASÍLIA - Uma regra que concede um subsídio para consumidores que instalam painéis solares (fotovoltaicos) em suas casas, começa a ser revista nesta terça-feira, 22, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Criada em 2012 para incentivar a geração distribuída, ela confere redução de 80% a 90% nas contas de luz desses usuários.

Para isso, basta ter espaço e dinheiro - um sistema residencial custa de R$ 15 mil a R$ 25 mil. Parte dessa economia é repassada para as tarifas de energia dos demais usuários que não fazem esse investimento. Para especialistas, o benefício pode ser considerado perverso.


A maior parte do subsídio é dada na taxa de uso da rede. Esses consumidores, também chamados de "prosumidores", têm acesso a um sistema de compensação: a energia que geram cria créditos, que são descontados do consumo efetivo. Nos sistemas remotos, é possível gerar energia em uma fazenda e usar os créditos no local e em um apartamento a quilômetros de distância, por exemplo.


Placas fotovoltaicas instaladas em residência em Alphaville, Barueri, região da Grande São Paulo. Foto: Daniel Teixerira/Estadão


Por mais que gerem toda a energia que consomem, os prosumidores dependem das distribuidoras, cujas redes funcionam, na prática, como armazenadoras do volume gerado e não consumido. Para injetar a energia gerada pelos painéis de dia, é preciso utilizar a rede de postes e a fiação das empresas, assim como para receber eletricidade à noite.

O valor pago por esses consumidores às distribuidoras corresponde ao consumo líquido - ou seja, a diferença entre o que foi gerado e o que foi consumido. Quem gera mais do que consome paga às empresas apenas uma taxa de disponibilidade da rede, de cerca de R$ 50 mensais, valor menor do que a remuneração que deveria ser paga pelo uso das redes.

Esses usuários, caso gerem no mínimo o que consomem, também não pagam os subsídios do setor elétrico, conta de R$ 20 bilhões embutida nas tarifas de usuários de todo o País. Em ambos os casos, os demais clientes pagam a parte dos que aderiram à energia solar.


Escola Estadual Oswaldo Aranha, que instalou telhado solar em parceria com o Greenpeace. Foto: Gabriela Biló/Estadão


A redução do custo dos painéis solares, aliada à política de financiamento de geração distribuída de bancos públicos e aos reajustes da conta de luz acima da inflação, provocou uma corrida de clientes à nova tecnologia. Empresas que fazem a instalação dessas placas em residências afirmam que o retorno do investimento se dá em um prazo médio de cinco anos - cerca de 20% ao ano, mais que o dobro do rendimento dos títulos do Tesouro Direto. O BNDES, por exemplo, financia até 100% do investimento, com prazo de pagamento de 120 meses, carência de dois anos e juros a TLP ou Selic.

Atualmente, o País conta com 53 mil sistemas conectados, com potência instalada de 661,3 megawatts, o suficiente para abastecer uma cidade como Curitiba (PR), com cerca de dois milhões de habitantes. Há apenas um mês, eram 48 mil conexões e 592 MW, um crescimento de mais de 10%. Quanto maior o número de usuários com painéis solares, maior a conta dos demais consumidores.

Assunto é polêmico

O presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores de Energia (Abrace), Edvaldo Alves de Santana, classifica o subsídio aos painéis solares como perverso. "Todo subsídio é perverso, só que uns são mais que outros. É o caso do subsídio para instalação de placas fotovoltaicas. O pobre, que não pode tê-las, paga para o rico", disse. "É um contrassenso a Aneel manter um subsídio desse tipo enquanto o governo defende a redução desses custos", disse, em referência ao decreto publicado no fim do ano passado, que cortou os benefícios de irrigantes, elaborado pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

O presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia, defende o modelo atual. Na avaliação dele, o sistema tem custos, mas gera mais benefícios para a sociedade e contribui para manter a matriz energética limpa. "As distribuidoras são contra porque elas estão perdendo receitas privadas."

A Absolar afirma que os usuários de geração distribuída investiram R$ 2,5 bilhões em sistemas desde 2012. Cerca de sete mil empresas atuam na área, com cerca de 20 mil empregos gerados. "Isso é só o começo. Seria prematuro e negativo rever esse modelo agora. Isso vai contra o interesse da sociedade", disse Sauaia.

Energia Solar

Número de usuários que utilizam painéis fotovoltaicos e que recebem subsídios na conta de luz cresce exponencialmente



Fonte: Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)



O diretor da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Marco Delgado, calcula que o subsídio aos painéis solares custe R$ 270 milhões por ano aos demais consumidores. Se as regras atuais forem mantidas, o valor pode chegar a R$ 1 bilhão já em 2020, diz o executivo.

"O subsídio é injustificado. Pelo ganho de escala, tecnologia e competição, a geração distribuída já pode pagar adequadamente pelos serviços prestados pelas redes elétricas", afirmou Delgado. "Não é questão de pagar mais, e sim pagar o que é o adequado." Na avaliação dele, a revisão do modelo vai continuar a dar retorno aos usuários, com taxas de retorno superiores à da poupança, por exemplo.
Há divergência até mesmo na Aneel

O tema gerou polêmica até mesmo dentro da agência reguladora. Uma nota técnica preparada sobre o assunto sugere a manutenção da política atual e estende o subsídio para consolidação da tecnologia, até que as placas solares atinjam um determinado marco, de pouco mais de 3 mil MW para sistemas locais e de 1,25 mil MW para sistemas remotos. 


Painéis solares na cobertura do prédio do Ministério de Minas e Energia. Foto: José Cruz/Agência Brasil


Outra nota técnica da Aneel avalia que a questão deve ser tratada de imediato por causa dos impactos dos subsídios aos demais consumidores. "Num primeiro momento a redução de consumo só compromete o faturamento das distribuidoras, e num segundo momento são os demais consumidores que arcam com os custos não recuperados", diz o documento.

Relator do processo na Aneel, o diretor Rodrigo Limp disse que a agência vai apresentar uma proposta de revisão da norma. "Sabemos que o modelo atual não é sustentável no longo prazo. A questão é encontrar um equilíbrio para não retirar a competitividade da geração distribuída", disse. Ele avalia, no entanto, que a geração distribuída ainda tem potencial para se desenvolver mais no País.

Para o presidente da consultoria de energia PSR, Luiz Barroso, este é o momento para rever a norma e implantar a tarifa binômia - modelo que separa o custo da energia do gasto com o transporte. "O ideal é resolver o problema enquanto o montante de painéis solares ainda é pequeno. Botar a pasta de dente de volta ao tubo depois que apertou é sempre mais difícil", comparou.


Fonte: Estadão