Mostrando postagens com marcador Desfesa animais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Desfesa animais. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Lei que proíbe uso de animais em testes cosméticos é sancionada pelo presidente Lula

Presidente afirmou que a lei “defende a soberania animal” - Foto: Rogério Cassimiro/MMA

Medida representa um marco para o país, que avança no fortalecimento de uma convivência mais justa e equilibrada entre humanos, animais e meio ambiente

O Brasil deu mais um passo importante para consolidar a proteção dos direitos animais. Nesta quarta-feira (30/7), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que proíbe o uso de animais vivos em testes laboratoriais para o desenvolvimento de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes. A aprovação ocorreu em cerimônia no Palácio do Planalto com a presença da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.

O presidente classificou a norma como uma lei que “defende a soberania animal”. “As criaturas que têm como habitat natural o planeta Terra não vão ser mais cobaias de experiências nesse país”, afirmou.

A instituição da norma, explicou a ministra, representa um marco para o país, que avança no fortalecimento de uma convivência mais justa e equilibrada entre humanos, animais e meio ambiente, a exemplo do que já é realidade em outros países. Para Marina, a medida não representa um custeio para a sociedade, mas, sim, "investimento em vida, civilidade e respeito". "Quando nós aprendemos a proteger outras formas de vida e outras formas de existência, estamos demonstrando uma elevação em termos de humanidade", enfatizou.

Marina Silva destacou ainda a participação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) na fundamentação técnica que resultou na aprovação do substitutivo do Projeto de Lei 3062/22 do Senado Federal na Câmara dos Deputados. A atuação incluiu o diálogo permanente com lideranças do Senado e da Câmara dos Deputados, e líderes do governo.

Além disso, o MMA promoveu escuta ativa e interlocução com entidades da sociedade civil de direitos animais e foi responsável por encaminhar às autoridades o abaixo-assinado com 1,68 milhão de assinaturas, reunidas na plataforma Change.org, em apoio ao PL.

A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffmann; a ministra Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos; a secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA, Rita Mesquita; a diretora do Departamento de Proteção, Defesa e Direitos Animais da pasta, Vanessa Negrini; e a primeira-dama Janja Lula da Silva acompanharam a cerimônia, além de parlamentares e representantes de instituições que atuam pelos direitos dos animais.

"Tivemos a oportunidade de contribuir para a construção dos consensos técnicos e institucionais que viabilizaram a aprovação final desse importante marco regulatório. Foi um processo que envolveu diálogo contínuo com órgãos de governo, representantes da sociedade civil, da indústria e lideranças partidárias no Congresso Nacional", ponderou Vanessa Negrini. "Além de fortalecer o respeito aos animais, a lei deve impulsionar a competitividade das empresas brasileiras no mercado interno e em países internacionais que já exigem a proibição de testes em animais", completou.

De autoria do ex-deputado Ricardo Izar, a pauta já havia sido debatida pela Câmara em 2014 (PL 6602/13). Em 2022, foi aprovado pelo Senado na forma do substitutivo do senador Alessandro Vieira. Já a aprovação final do PL na Câmara dos Deputados ocorreu no dia 9 de julho e contou com a relatório final do deputado Ruy Carneiro.

A sanção altera as Leis 11.794/08 e 6.360/76, que regulamentavam os procedimentos com uso científico de animais para testes.

A partir da publicação da lei, as autoridades sanitárias terão um prazo de dois anos para implementar medidas que, entre outros pontos, assegurem o reconhecimento dos métodos alternativos e adotem um plano estratégico para garantir a disseminação desses métodos no território nacional, além de estabelecerem medidas de fiscalização do uso de informações oriundas de testes.

A norma estabelece também que os produtos e ingredientes que tenham sido fabricados antes da vigência da lei poderão ser comercializados. Novos produtos obrigatoriamente não poderão mais testar em animais.

Fonte: MMA



sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Hospital veterinário da UFF recebe apoio financeiro da Prefeitura para atender animais domésticos




Na quinta-feira (22), visitei o Hospital Universitário Veterinário da UFF, onde assinei com o reitor Antonio Claudio Lucas da Nóbrega um convênio para a execução de atendimentos clínico de cães e gatos tutelados por moradores de Niterói de baixa renda. O prazo de vigência do CONVÊNIO será de 12 (doze) meses, contados a partir da data de publicação do seu extrato no Diário Oficial do Município de Niterói.

Os recursos financeiros necessários para a execução do objeto deste CONVÊNIO totalizam R$ 250.000,00 (duzentos e cinquenta mil reais). São estimados a execução de cerca de 1 mil atendimentos durante a vigência do convênio.

Plano de trabalho:

1. Justificativa:

A saúde humana está diretamente relacionada à saúde animal e o aumento da população de animais domésticos associado a pandemia tem impactado negativamente na saúde coletiva de todas as cidades brasileiras. Desta forma projetos que visam minimizar este problema por meio diagnóstico de doenças e tratamento de cães e gatos da população que passa por dificuldades socioeconômicas é fundamental para reduzir o sofrimento de milhares de animais e confortar a população carente de assistência médica veterinária e promover o bem-estar animal e a saúde coletiva. Importante salientar que esta iniciativa ajudará a saúde única que visa a integração da saúde humana, saúde animal e saúde ambiental.

2. Objetivo geral:

Proporcionar o acesso aos serviços veterinários básicos, como avaliação clínica e exames complementares para permitir diagnósticos de doenças e, consequentemente, tratamento de cães e gatos tutelados por pessoas de baixa renda moradores da cidade de Niterói.

Objetivos específicos:
  • Realizar avaliação clínica, hematológica e bioquímica de cães e gatos encaminhados pela prefeitura de Niterói;
  • Realizar exame de imagens nos casos que tiverem indicação após a avaliação clínica ;
  • Diagnóstico de agentes causadores de doenças infecciosas e parasitárias (Leishmania spp., Dirofilariaimmitis, Borrelia spp., Babesia spp., Ehrlichia spp., Anaplasmaspp., Bartonella spp., Mycoplasma spp., Hepatozoonspp.,Sporothrixshenckii, Demodex spp., Sarcoptesscabiei, FIV e FeLV) em cães e gatos;
  • Tratamentos das doenças indentificadas por meio da avaliação clínica e exames complementares.
3. Resultados esperados
  • Proporcionar aos moradores de baixa renda de Niterói e à própria administração pública estrutura adequada para atendimentos de cães e gatos de tutores com vulnerabilidade socioeconômico, por meio do convênio realizado com a Universidade.
  • Adequação da estrutura física já existente para atendimento, visando maior efetividade e com isso permitir maior número de beneficiários do projeto.
  • Criação de um banco de DNA e soroteca obtidos a partir do sangue total de cães e gatos, para utilização em trabalhos futuros, de pesquisa de ocorrência de infecções causadas por outros agentes e que sejam de interesse da secretaria de Meio Ambiente de Niterói.
  • Possibilitar a inserção de diversos alunos de graduação e pós-graduação em Medicina Veterinária no estudo e em trabalhos vindouros, formando novos agentes multiplicadores da ciência, ou seja, futuros pesquisadores.
  • Realizar ações educacionais voltadas para a prevenção dessas zoonoses e guarda responsável de animais encaminhados pela prefeitura de Niterói e para visitas escolares agendadas ao local, podendo se estender para escolas municipais e outros centros comunitários, valorizando a saúde humana, animal e do meio ambiente.
  • Divulgar resultados epidemiológicos e das ações realizadas regularmente para prefeitura de Niterói.
4. Descrição dos serviços

• Consultas

Atendimento de média e alta complexidade composto de histórico, anamnese e avaliação clínica (ausculta, inspeção, palpação, coloração de mucosas, tempo de preenchimento capilar e temperatura);

• Hemograma

Compreende da contagem de hemácias, leucócitos e plaquetas, além de avaliar índices de hemoglobina e hematócrito, e serve para confirmar ou auxiliar um diagnóstico.

• Bioquímica

Os exames realizados no setor de bioquímica são relacionados à investigação do funcionamento dos processos metabólicos do organismo. O objetivo é mensurar níveis de glicose, colesterol, triglicerídeos, proteínas, enzimas, função hepática e função renal.

• Citologia

Tem como objetivo realizar a avaliação das células de determinada região do corpo ou fluido, sendo capaz de identificar a presença de sinais de inflamação, infecção, sangramentos ou de câncer por meio da observação da amostra no microscópio.

• Exames de imagem (raio-x e ultrassonografia)

O raio-x compreende em um exame não-invasivo, que funciona usando radiação em baixas doses para identificar rapidamente alterações na estrutura de ossos e de órgãos.

A ultrassonografia consiste em um exame não-invasivo gerado através de ondas ultrassônicas de alta frequência para visualizar, em tempo real, as estruturas internas do organismo.

Exames a serem realizados:
  • Consultas
  • Consulta Clínica Geral Canino
  • Consulta Clínica Geral Felino
  • Procedimentos
  • Aplicação Endovenosa (com material e medicação)
  • Aplicação Intramuscular (com material e medicação)
  • Aplicação Subcutânea (com material e medicação)
  • Administração de Medicamento Oral
  • Aplicação Cerenia (valor por mL)
  • Desobstrução Uretral Cão
  • Desobstrução Uretral Gato
  • Abdominocentese
  • Toracocentese
  • Cistocentese Ambulatorial
  • Drenagem de Abscesso
  • Curativo de Orelha
  • Curativo Simples (sem Bandagem)
  • Curativo Complexo (com Bandagem)
  • Dosagem de Glicose (fita / glicosímetro)
  • Fluidoterapia Subcuntânea
  • Fluidoterapia até 04 horas
  • Fluidoterapia até 08 horas
  • Limpeza de Miíase P
  • Limpeza de Miíase M
  • Limpeza de Miíase G
  • Exames laboratoriais
  • Check up canino simples
  • Check up felino simples
  • Perfil Renal 1
  • Perfil renal 2
  • Perfil hepático 1
  • Perfil hepático 2
  • Exames de imagem
  • Radiografia (1 área)
  • Ultrassonografia abdominal


sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Prefeitura de Niterói promove XVIII Congresso Mundial de Bioética e Direito Animal




A Prefeitura de Niterói está promovendo o XVIII Congresso Mundial de Bioética e Direito Animal com o tema “Curar a Terra e Libertar Todos os Seres: A Expansão da Consciência para Além do Humano”. A abertura aconteceu nesta quarta-feira (17) e reúne ativistas e especialistas da Bolívia e do Paraguai, além de diversas cidades e estados brasileiros. A iniciativa é uma parceria com o Instituto Abolicionista Animal (IAA), a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Universidade Católica do Salvador (UCSAL).

O prefeito de Niterói, Axel Grael, destacou os resultados conseguidos nos últimos anos e que o trabalho não pode ser passageiro.

“Em 2015, Niterói teve sancionada a primeira Lei Municipal de Proteção e Bem Estar de Animais Domésticos, que introduziu novas diretrizes e conceitos jurídicos inovadores à causa. A gente vem desbravando esse caminho, com diversos serviços, um importante trabalho educativo feito nas escolas e a ação de controle populacional, incluindo o Castramóvel. Estamos construindo um caminho que torne essas políticas permanentes”.

O secretário de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade, Rafael Robertson, falou sobre o amor aos animais.

“O animal, seja qual for, é amor, e Niterói se torna uma referência porque consegue conciliar a sensibilidade que a causa pede com a gestão pública que a causa requer “.

O congresso vai abordar temas de atualidade sobre o direito animal e a bioética, que gerarão discussões acadêmicas sobre as novas perspectivas das áreas. Serão realizados painéis sobre os desafios na defesa dos animais no pós-pandemia, desastres ambientais envolvendo animais, novas tecnologias, genética e o cuidado com o planeta, entre outros, além da apresentação de trabalhos e lançamento de livros animalistas.

Leandro Portugal, presidente da Comissão de Meio Ambiente na Câmara Municipal de Vereadores de Niterói, contou sobre o reconhecimento que a causa tem na cidade.

“Nosso objetivo é salvaguardar o interesse dos animais e sua proteção. Podemos destacar grandes feitos realizados em Niterói como a criação do Centro de Controle de Controle Populacional de Animais Domésticos (CCPAD), um marco na cidade, o castramóvel, campanhas de adoção, projetos nas escolas, microchipagem, lei dos fogos de baixo estampido, entre outros. Queremos ser exemplo, mas também tenho certeza que vamos aprender com o que é feito em outras cidades e juntos vamos avançar na pauta de proteção dos animais”.

O evento contou ainda, na mesa de abertura, com a presença de Vânia Maria Tuglio, vice-presidente do IAA e do Ministério Público de São Paulo, Cláudia Adorno Jacquet, presidente da Associação Latino Americana dos Direitos dos Animais (Alda), Francini Chaves, presidente da Comissão de Proteção e Direito da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB Niterói).

Marcelo Pereira, coordenador do CCPAD, desabafou após apresentação do vídeo que mostra os serviços e trabalhos que são realizados em Niterói voltado aos animais.

“É com muito orgulho que a gente vem desenvolvendo esse projeto há muitos anos e transformando Niterói em referência. Estou nesse trabalho há muitos anos e me perguntavam se eu não tinha nada melhor para fazer. Em 2011, o trabalho de proteção animal era pouco divulgado. Em 2022, estou aqui coordenando um congresso mundial. O vídeo que passamos mostra tudo que veio sendo desenvolvido, um trabalho de anos que nos trouxe até aqui, pesquisando o que havia de melhor nas cidades em proteção animal dentro do país”.

Durante o congresso, haverá formação de grupos de trabalho nos quais serão apresentados artigos para publicação nos anais do evento ou na Revista Latino-americana de Direitos da Natureza e dos Animais para os casos dos artigos de reconhecida relevância científica e que atendam aos critérios editoriais pertinentes. Os melhores trabalhos concorrerão ao Prêmio Tobias Barreto de Direito Animal, ao Prêmio Juiz Edmundo Cruz de Bioética e ao Prêmio Alfredo Gonzalez Prada de Bioética y Derecho Animal (para artigos em espanhol).

Fonte: Prefeitura de Niterói




sábado, 9 de maio de 2020

PARNIT: cachorro do mato é reintegrado à natureza após tratamento veterinário





Soltura no ambiente natural.


Hoje, numa pausa na luta contra o coronavírus em Niterói, tive um momento de alegria no Parque Natural Municipal de Niterói - PARNIT (Parque da Cidade).

Christa e eu acompanhamos o chefe do parque, o geógrafo Alex Figueiredo, e membros da sua equipe, no trabalho de reintrodução à natureza de um cachorro-do-mato, que foi resgatado na Estrada Velha de Itaipu há cerca de uma semana. O animal estava ferido - provavelmente foi atropelado - e recebeu tratamento do médico veterinário Gabriel Munay Kindlovitz, que ajuda o parque como voluntário.

Segundo o veterinário, era uma fêmea jovem, que estava com lesões sem muita seriedade, mas encontrava-se bem debilitado, com bastante piolhos e parasitas que, segundo ele, indica baixa imunidade. O animal recebeu tratamento, exames clínicos (sangue, fezes) e estava pronto para voltar ao seu habitat.



Tratamento veterinário.

O cachorro-do-mato (Cerdocyon thous - Linneaeus, 1766), um canídeo de médio porte e de hábitos noturnos, foi escolhido como animal símbolo do Parque Natural Municipal de Niterói (PARNIT) e a sua presença nas matas da cidade tem uma importância ecológica e simbólica. Vários registros bibliográficos destacam a função de dispersão de sementes devido ao seu hábito alimentar onívoro: alimenta-se de frutos e de pequenos animais.

Pelo aspecto simbólico, a presença do animal em nossos parques, remanescentes da Mata Atlântica encrustados no espaço urbano de Niterói, mostra a presença da biodiversidade e a boa qualidade dessas florestas, reiterando o acerto da prioridade que a Prefeitura de Niterói tem dado à proteção de suas áreas verdes. Em 2014, o prefeito Rodrigo Neves assinou o decreto 11.744 que instituiu o Programa Niterói Mais Verde, elevando as áreas protegidas (parques e outras áreas legalmente protegidas) a mais de 50% do território municipal. Considerando que Niterói localiza-se no coração da segunda maior região metropolitana do país, é uma proporção muito privilegiada.






A sobrevivência destas áreas verdes em Niterói é o legado de uma tradição do ativismo ambientalista na cidade, pioneiro no estado do Rio de Janeiro e no país. A influência ambientalista permitiu o desenvolvimento urbano com a proteção do patrimônio paisagístico e ambiental, mesmo que ainda tenhamos um longo trabalho de controle do crescimento desordenado e predatório e a recuperação de áreas degradadas.

Também estiveram presentes hoje na ocasião da soltura do cachorro-do-mato, a veterinária especializada em animais silvestres Andrea Soffiatti Grael (minha cunhada, esposa do Torben), a subsecretária da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade (SMARHS), a geógrafa Amanda Jevaux, Dayane Andrade (engenheira ambiental da SMARHS), além de voluntários do parque.

O nosso agradecimento ao Dr. Gabriel Munay Kindlovitz pelo trabalho eficiente de socorro ao animal e a todos os profissionais e voluntários que consolidam cada vez mais o PARNIT como uma de parque urbano.

Boa sorte para a nossa mascote. Fique longe dos carros!

Axel Grael
Engenheiro florestal e ambientalista

Secretário
Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão - SEPLAG
Prefeitura de Niterói






terça-feira, 17 de março de 2020

Ninho de tartaruga marinha na Praia de Itacoatiara ganha proteção com telas



Parte da areia onde estão enterrados os ovos está cercada. Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo


Após animal ser visto depositando ovos na areia, local foi cercado e é monitorado por biólogos do projeto Aruanã, da UFF

Leonardo Sodré

NITERÓI - Um ninho de tartaruga marinha recebeu proteção com telas nas areias da Praia de Itacoatiara. O local onde o animal da espécie Chelonia mydas (tartaruga-verde) depositou 119 ovos está sendo monitorado diariamente por biólogos do projeto Aruanã. A previsão é que os filhotes nasçam em abril.

O ninho foi localizado há duas semanas por uma equipe da Companhia de Limpeza de Niterói (Clin) que atuava na praia e viu a tartaruga pondo os ovos. Este é o primeiro registro da desova de animal desta espécie em Itacoatiara. Os funcionários da Clin acionaram o projeto Aruanã, da UFF, que faz o monitoramento de espécies marinhas na região e passou a cuidar do local para que os filhotes não corram riscos. A mãe, uma tartaruga de 1,15 metro, foi avaliada pelos biólogos e retornou ao mar.


Uma tartaruga gigante, essa madrugada, foi encontrada na Praia de Itacoatiara, em Niterói, colocando ovos. Acesse o vídeo aqui


Biólogos da prefeitura e do projeto que acompanharam as primeiras horas do animal na restinga de Itacoatiara confirmaram que as tartarugas desta espécie não costumam desovar na região. Os locais mais comuns para tanto são ilhas oceânicas, como as de Fernando de Noronha, Atol das Rocas e Trindade.

— Não temos qualquer registro de desova dessa espécie na região. Normalmente, as tartarugas-verdes ficam por aqui até atingirem a maturidade sexual, quando vão para as ilhas oceânicas. Esse é um acontecimento inédito, e estamos fazendo um apelo para a população ajudar no monitoramento desse ninho. As tartarugas levam cerca de 45 a 60 dias para nascer. Nós, do projeto Aruanã, vamos fazer o monitoramento com o apoio da prefeitura. Mas é muito importante que a população nos ajude e preserve o local — pede a bióloga marinha Larissa Araújo, coordenadora do Aruanã.

APOIO DA GUARDA MUNICIPAL

Na semana passada, a prefeitura fez o cercamento do local com telas e instalou placas para informar aos frequentadores da praia sobre o ninho. Alexandre Moraes, biólogo da Secretaria municipal de Conservação e Serviços Públicos (Seconser), também salienta a importância da contribuição da população para a sobrevivência dos filhotes.

— A prefeitura tem um olhar muito atento para essas questões ambientais. Em situações especiais como essa, vários órgãos se unem, cada um na sua área, para dar apoio. Os primeiros momentos foram muito importantes para a identificação e a preservação do ninho. Agora, cercamos o local e vamos aguardar para que, em abril, as tartarugas possam ir para o mar e seguir o seu destino — diz.

Agentes da Coordenadoria Ambiental da Guarda Municipal de Niterói ajudam os técnicos do projeto Aruanã a fazerem o monitoramento do ninho em Itacoatiara.

Fonte: O Globo Niterói





domingo, 5 de janeiro de 2020

INFERNO CLIMÁTICO NA AUSTRÁLIA: semelhanças nos retrocessos e nas suas consequências



Durante o Reveillon, um canguru corre em desespero diante de um prédio em chamas na Austrália, foto BBC.


Tenho acompanhado nos últimos dias, com muita tristeza e preocupação, a catástrofe climática que vem assolando a Austrália, que já vitimou 23 pessoas, já queimou seis milhões de hectares de florestas e parques. Mais de 1.300 residências já foram destruídas e este já é considerado o maior desastre climático da história da Austrália.

Segundo estimativas, "os incêndios florestais na Austrália são 3 vezes maiores que em 2018 e 6 vezes mais extensos que os recentes na Amazônia", como destacou o ambientalista e representante brasileiro em eventos internacionais sobre a emergência climática, Alfredo Sirkis. É esta a dimensão do problema.

Reúno aqui algumas informações que pude obter na mídia especializada ou fontes jornalísticas, para um olhar preliminar sobre a tragédia que está acontecendo naquele país.

Desastre humanitário, para florestas e animais

As imagens são comoventes: sofrimento, destruição e incapacidade de resposta. No meio da destruição cenas desesperadas de solidariedade: pessoas arriscando a vida para salvar animais das chamas. Estudos recém divulgados, estimam que meio milhão de animais já devem ter morrido nos incêndios, inclusive dizimando a população dos carismáticos e carinhosos coalas. Esta é provavelmente a imagem que mais correu o mundo e chocou a opinião pública mundial.

É ainda mais triste quando lembramos que a Austrália é caracterizada pelos endemismos, ou seja, abriga espécies que só existem lá, como os famosos cangurus, símbolo do país. O que acaba lá, acaba em todo o planeta.




Coala parou ciclista para pedir água. Vimos uma cena parecida em Mato Grosso no ano passado. Imagem: Reprodução/Instagram. Fonte: UOL

Mais de 12 milhões de acres queimaram até agora, uma área maior que a Suíça ou a Bélgica. Os incêndios começaram em setembro e especialistas dizem que o pior ainda está por vir.

Em várias partes do país, cidades estão sendo destruídas e a população está sendo obrigada a fugir para as praias e aguardar resgate, como aconteceu em Mallacootta, no estado de Vitória. Os refugiados referem-se ao cenário de destruição e chamas com a expressão: o céu ficou vermelho-sangue!

Vale lembrar que em 2019, no auge das queimadas na Amazônia, também vivemos aqui no Brasil um fenômeno urbano causado por incêndios florestais em áreas distantes, como ocorreu com a fumaça que encobriu a cidade de São Paulo e, num fenômeno meteorológico raro, deu a impressão de anoitecer em pleno dia.


Fonte: Tweet de Fiona Bateman, em BBC

Navio da Marinha resgata centenas de moradores e turistas. Fonte: BBC

Congestionamento para sair de área da Austrália onde há incêndios, em 2 de janeiro de 2020 — Foto: Peter Parks/AFP. Fonte: G1

Diante da tragédia, a população tem sido orientada a deixar as suas casas e providenciar o resgate para lugares mais seguros tem sido um drama paras famílias e um desafio logístico para as autoridades e militares envolvidos.

Nos últimos dias, cenas de milhares de pessoas socorridas e transportadas para lugares mais seguros tomaram as páginas da mídia internacional. As autoridades afirmam que essa era provavelmente a maior operação de resgate marítimo em tempos de paz da história da Austrália.

Há relatos de desabastecimento nas cidades mais afetadas, com escassez de alimentos, de combustível e outros insumos básicos.

Entendendo os motivos meteorológicos dos incêndios

Na Austrália, o fogo tem sido atribuído a fatores climáticos que causaram um longo período atípico de seca em várias partes do país, deixando a vegetação mais vulnerável, além de ventos fortes e temperaturas muito altas. Diferente do que acontece na Amazônia, onde as chuvas em 2019 estiveram dentro da normalidade, num ano neutro em termos do efeito do fenômeno El Niño. Os incêndios têm origens criminosas, causadas pela grilagem e apropriação de terras públicas, ou ainda a expansão da fronteira agrícola (liderada pela pecuária). O problema foi seriamente agravado por uma política do atual governo federal de estímulo à destruição da floresta.

A Austrália já vinha enfrentando rigores climáticos há algum tempo. O mês de janeiro de 2019 já havia sido considerado mais quente da história (Veja). Não foi por falta de sinais da natureza, mas interesses e políticas públicas baseadas em convicções ideológicas anti-ambientais paralisaram as medidas de prevenção.

Os mapas abaixo demonstram que a distribuição dos focos de incêndio e a forte onda de calor abrange toda a extensão do país.


Como pode ser visto no mapa acima, os incêndios estão por todo o território australiano.

Fonte: BBC

Temperatura Média Máxima no dia 29 de dezembro. Fonte: BBC


Muitas cidades ainda estão ameaçadas pela violência das chamas que assolavam o campo no início da semana e que se aproximam cada vez mais. Os relatos são de agravamento do problema, uma vez que o calor está intenso e o vento tem dificultado o combate às chamas.

Cientistas têm atribuído a propagação descontrolada das chamas também a um fenômeno chamado pirocumulonimbus (vide figura abaixo), no qual a própria fumaça das queimadas gera nuvens de tempestade que produzem descargas elétricas que podem causar a ignição de novos focos de incêndio.


Fonte: BBC

Segundo explicações dos meteorologistas, o motivo da longa seca que já assola a Austrália há pelo menos três anos, seria o fenômeno chamado "Indian Ocean Dipole Positivo", que concentra temperaturas mais elevadas junto à costa da África e mais frias junto à Austrália, provocando um aumento de intensidade de chuvas na África e seca na Austrália, como pode ser visto na imagem abaixo:


Fonte: BBC

Além dos danos à população e para a biodiversidade, os impactos dos incêndios têm alcance muito maior do que apenas ao território australiano e já são verificados inclusive na Nova Zelândia, ilha vizinha embora afastada da Austrália.

A foto abaixo mostra o tom caramelo da neve no Parque Nacional Tai Poutini Oriental.


Marcas da fuligem do fogo na Austrália na neve da Nova Zelândia. Fonte: BBC


EMERGÊNCIA CLIMÁTICA, NEGACIONISMO E RETROCESSOS POLÍTICOS

Comecei o texto aqui falando em tristeza e preocupação com as notícias que chegam da Austrália, mas ao analisar os fatos sob o olhar político devo acrescentar os sentimentos de indignação e contrariedade. O primeiro-ministro da Austrália, o direitista Scott Morrison, do Partido Liberal, elegeu-se com um discurso anti-meio ambiente e com argumentos anti-crise climática, revertendo os compromissos assumidos anteriormente pelo país diante da comunidade internacional. Elegeu-se com o apoio do eleitorado carvoeiro e ruralista.

Morrison ficou conhecido por ter levado um pedaço de carvão para o Parlamento, quando era Tesoureiro do país, em fevereiro de 2017, e ter pedido aos membros da oposição que “não tivessem medo” (Veja).

Morrison e Bolsonaro

Você está achando alguma semelhança com o quadro brasileiro e com o nosso presidente? De fato, os dois são da mesma linha ideológica. Assim como aqui, Morrison também usou um discurso negacionista, teses que não encontram sustentação científica e fake news e foi eleito como mandatário do regime parlamentarista local.

Na condução da crise climática australiana e amazônica, mais semelhanças: num primeiro momento, Morrison minimizou o problema e no melhor estilo verborrágico bolsonariano, afirmou inicialmente que os brigadistas (na Austrália são quase todos voluntários) "estão trabalhando por que querem". Em plena crise, com pessoas morrendo, florestas em chamas e propriedades sendo destruídas, o premier foi tirar umas férias no Havaí. Somente após o crescimento do sentimento de revolta da população e da repercussão internacional, decidiu mobilizar maiores contingentes das forças armadas para ajudar a população.

Assim como aqui, onde o presidente contestou e demitiu o presidente do INPE, o renomado cientista Ricardo Galvão, por ter divulgado verdades sobre os incêndios na Amazônia, o primeiro-ministro de lá também desafiou a ciência e reagiu contra as previsões do Serviço de Meteorologia da Austrália que relacionou a vulnerabilidade aos incêndios às questões climáticas.

Aqui, a motivação era o compromisso do presidente com os segmentos mais atrasados do agronegócio e do empresariado nacional. Lá na Austrália, segundo os críticos, a resistência de Morrison deve-se à dependência da matriz energética do país ao carvão e o lobby do setor.

Na Austrália, analistas políticos avaliam que Morrison poderá ser o primeiro chefe de estado a cair em função do clima, aqui...

Vilão climático

O Brasil de Bolsonaro juntou-se ao que há de mais retrógrado e reativo aos necessários acordos climáticos, que como já afirmamos aqui é do maior interesse do Brasil até por motivos econômicos, só não interessam a algumas das grandes corporações que defendem o "business as usual". O papel procrastinatório da diplomacia brasileira nos mais recentes encontros sobre o clima foi duramente criticado.

Em 2013, a Austrália foi um dos países agraciados com o prêmio ao contrário "Fóssil Colossal", oferecido pela Climate Action Network (CAN) ao país que mais dificultou os processos de negociação internacional em clima no ano. No mês passado (dezembro), a mesma "honraria" foi oferecida ao anti-ministro do meio ambiente brasileiro Ricardo Salles, pela performance da diplomacia brasileira na COP 25.

O nosso constrangimento como brasileiros e do próprio governo tem sido tão grande que, em setembro, a inscrição do discurso do representante brasileiro na Cúpula do Clima, em Nova York, foi vetado sob o argumento que o "Brasil não apresentou nenhum plano para aumentar o compromisso com o clima". O mesmo aconteceu com a Austrália! (Folha de São Paulo). Paradoxalmente, no mesmo evento em que representantes oficiais do Brasil e Austrália não tiveram lugar no palco, a ativista sueca de 16 anos, Greta Thunberg, xingada de "pirralha" por Bolsonaro, teve voz e brilhou.

Recentemente (10/12), durante a COP 25, foi divulgado o Índice de Desempenho perante as Mudanças Climáticas (CCPI, na sigla em inglês) pelo Instituto NewClimate, pela ONG Germanwatch e pela rede Climate Action Network, destacando as economias com a maior intensidade de emissões de gases poluentes do mundo e indicando quem está trabalhando mais em termos de proteção climática (DW Brasil).




Apesar da atitude negligente do governo brasileiro perante os incêndios na Amazônia, os "micos" planetários protagonizados pelo nosso presidente na Assembleia da ONU e do nosso anti-ministro do meio ambiente na COP de Madri, ainda somos medianamente salvos no ranking pela nossa matriz energética, embora estejamos na pior classificação no critério de política climática.

Além do Brasil e Estados Unidos, aparecem nas piores colocações em termos de política climática: Malta, República Tcheca, Hungria, Romênia, Polônia, Japão, Argélia, Bulgária, Turquia e Austrália.
Tanto em alguns destes países como aqui, diante dos retrocessos da política ambiental nacional, é na atuação estadual ou municipal que estão se verificando avanços.

Amazônia

Em 2019, vivemos na Amazônia e em outras partes do país uma situação semelhante à da Austrália, com um grande agravante: aliado ao negacionismo do atual governo, presenciamos uma política premeditada (prometida na campanha eleitoral) de desmonte da política ambiental e de incentivo aos mecanismos de destruição da floresta, ou seja: desmobilização da fiscalização ambiental e retórica oficial de apoio à grilagem e à expansão da fronteira agrícola.

No Brasil, vivemos o constrangimento do desmonte do instrumento de apoio internacional ao financiamento das iniciativas de gestão sustentável da Amazônia e o anti-ministro bradar em instâncias decisórias mundiais por compromissos ambientais da comunidade internacional.

Mesmo durante a crise política brasileira (governos Dilma e Temer), o Brasil avançou nos seus compromissos ambientais. Com os atuais retrocessos, estamos desperdiçando oportunidades de ajudar o mundo e ainda nos beneficiar das vantagens que temos.

A ONU lançou a Década da Restauração dos Ecossistemas (2021-2030), baseado em estudos que demonstram ser necessário o plantio de 1,3 trilhão de árvores, para ajudar a reverter as mudanças climáticas. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - PNUMA sugeriu investir 2% do PIB mundial para a formação de uma economia verde, que significaria US$ 1,3 trilhão/ano.

E o Brasil é o país com maior potencial para ajudar o mundo nessa tarefa e, no como disse o ex-economista ambiental e meu colega de faculdade, Gunars Platais, "o Brasil está numa posição de ouro" para contribuir e até se beneficiar. O Brasil se comprometeu, no Acordo de Paris, a restaurar 12 milhões de hectares de florestas até 2030 e até se organizou para isso, ao lançar o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), que dá as diretrizes para a recuperação de 12 milhões de hectares.

Portanto, assim como estamos vendo na Austrália, no Brasil os desastres ambientais punem a população e o patrimônio natural pela irresponsabilidade e a imprevidência dos governos nacionais.

Vergonhosamente, saímos da posição de protagonistas para o de vilões ambientais. E, ao se olhar para trás para os últimos meses e para o triste presente, o que se vê são apenas cinzas. Que se faça luz às trevas!

Axel Grael




-------------------------------------------------


LEIA TAMBÉM:

Textos próprios

Engenharia Florestal: minha profissão e um pouco da minha trajetória  
COBIÇA EXTERNA SOBRE A AMAZÔNIA: Fato ou Fake News?
QUEIMADAS: MITOS E VERDADES

Outros textos sobre o assunto

RETROCESSOS: Mundo avança para a sustentabilidade e o Brasil segue na contramão 
AMAZÔNIA: O que acontece quando a floresta desaparece?
Bombeiro dá água em copo para filhote de tatu em área devastada por incêndio em MT
NASA: Fogo na Amazônia (2010) gerou mais CO2 para a atmosfera que as emissões anuais da India

domingo, 6 de outubro de 2019

PROTEÇÃO ANIMAL: Niterói agendou mais 660 castrações de animais domésticos



A grande presença de interessados no agendamento de castração de animais domésticos. 

Com o vereador Leandro Portugal (PV), incentivador da CEDA e combativo defensor das prioridades para a política de proteção animal, e o biólogo Marcelo Pereira da Costa, coordenador de Proteção Animal da Prefeitura de Niterói.

Técnicos da CCPAD/CEDA e voluntários atendendo a população para a formalização dos agendamentos.

Nova edição da Cartilha de Proteção Animal.


Na sexta-feira, 04 outubro - Dia Mundial dos Animais (!!!), a Prefeitura de Niterói promoveu mais um dia de agendamento para castração de animais domésticos. A iniciativa é do Centro De Controle Populacional De Animais Domésticos - CCPAD, localizado na Travessa Luiz de Matos, 118, Fonseca, Niterói-RJ. O CCPAD é gerenciado pela Coordenadoria de Defesa Animal - CEDA, hoje é subordinado à Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade - SMARHS.

Eu participei da criação do CCPAD e da construção da sua sede, que passou a ficar vinculado à Secretaria Executiva da Prefeitura, quando eu era o secretário (janeiro 2017 a abril de 2019). 

Cabe destaque ao trabalho realizado pelo biólogo Marcelo Pereira da Costa e sua equipe, na estruturação e criação das rotinas que hoje oferecem serviços de castração que é muito procurado por responsáveis por animais domésticos em Niterói.


Assista ao vídeo clicando aqui.

Castrações

As castrações são realizadas por profissionais de medicina veterinária, atendendo os padrões éticos e os protocolos técnicos para esta atividade.

É importante destacar que a política de castração é importante para evitar o crescimento da população de animais de rua, que os expõe a riscos, a fome, a maus-tratos e a doenças. Por isso, a castração é considerada uma medida de proteção animal.
 
Inscrição 

No evento, foram oferecidos 660 vagas de castração e mais de 1000 pessoas estiveram na quadra esportiva do Horto do Fonseca para o agendamento das castrações.Também foi feito o lançamento da nova cartilha educacional de Proteção Animal. 

O CCPAD tem oferecido agendamentos para castração em média a cada três meses. O próximo evento deverá ser no início de 2020. 

Legislação específica

A Política Municipal de Proteção Animal de Niterói tem sido considerada uma referência nacional e a CEDA tem sido convidada para expor a experiência da cidade em vários fóruns técnicos. Além do CCPAD, a pioneira LEI MUNICIPAL DE PROTEÇÃO E BEM ESTAR DE ANIMAIS DOMÉSTICOS (Lei Nº 3153 de 21 de julho de 2015), que introduziu várias novas diretrizes e conceitos jurídicos inovadores.

A legislação estabelece normas para proteção animal contra condutas lesivas à sua integridade física e mental, e tem como objetivos promover a melhoria da qualidade do meio ambiente, garantindo condições de saúde, segurança e bem-estar público; assegurar e promover a prevenção, a redução e a eliminação da morbidade e da mortalidade decorrentes de zoonoses e dos agravos causados pelos animais; e assegurar e promover a participação, o acesso à informação e a conscientização da sociedade nas atividades envolvendo animais e que possam redundar em comprometimento da saúde pública e do meio ambiente.

Os animais passaram a ser um sujeito de direitos e não só tratado como produto de venda. A lei permitirá autuar, multar o abandono e maus tratos aos animais, regulamentar os pet shops, definição dos deveres dos proprietários, regulamentação da exposição dos animais domésticos em pets, bem como critérios para as clínicas veterinárias.

Castramóvel

Um próximo passo na estruturação da política de proteção animal é a aquisição de um castramóvel, um veículo equipado para manter uma estratégia itinerante de atendimento às demandas de castração e de controle de colônias de animais.

Com o castramóvel, o CCPAD aumentará em quase 50% sua capacidade de castração. Portugal estima que, uma vez em funcionamento, a capacidade de animais castrados por mês passará de 300 para 500.

Axel Grael
Secretário
Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão - SEPLAG
Prefeitura de Niterói



-------------------------------------------------



LEIA TAMBÉM:

DEFESA ANIMAL: Niterói ganha Centro de Controle Populacional de Animais
CCPAD: Mais de dois mil animais castrados em Niterói
CCPAD: Controle populacional de gatos em Niterói adapta mais de cem colônias
Niterói está preparando licitação para adquirir um ‘castramóvel’
PROTEÇÃO ANIMAL EM NITERÓI: Chegou a hora dos animais domésticos
Niterói publica a LEI MUNICIPAL DE PROTEÇÃO E BEM ESTAR DE ANIMAIS DOMÉSTICOS (Lei Nº 3153 de 21 de julho de 2015)
DEFESA DOS ANIMAIS: Nova Coordenadoria dos Direitos dos Animais vai ampliar a política de proteção em Niterói








domingo, 22 de setembro de 2019

Resgate de animais registra aumento de 43% em Niterói



Entre as espécies estão corujas, gambás, tartarugas, cobras e até gavião. Divulgação


Mais de mil exemplares silvestres foram encontrados de janeiro a agosto

A Coordenadoria de Meio Ambiente da Guarda Municipal de Niterói registrou, entre janeiro e agosto deste ano, o resgate de mais de mil animais silvestres em diversas áreas da cidade, contabilizando um aumento de 43% nessas ocorrências em relação ao mesmo período do ano passado. Entre as espécies resgatadas estão corujas, gambás, tartarugas, cobras e até gavião.

Segundo o subinspetor Edson Jorge Martins, responsável pela Coordenadoria, esse número vem crescendo porque a população vem acionando mais o serviço, pelo telefone 153, que atende no Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp). Durante todo o ano de 2018, a Guarda Municipal de Niterói resgatou um total de 1.287 animais silvestres, número já maior do que em 2017. Esses animais, depois de contidos e capturados, passam por uma avaliação e, caso estejam bem, são reintegrados à Unidade de Conservação mais próxima. Em caso de ferimentos ou estado geral debilitado, são encaminhados para instituições parceiras como o Centro de Atendimento de Animais Marinhos, Centro de Triagens de Animais Silvestres (Cetas) de Seropédica, Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras) de Campo Grande e Instituto Vital Brazil.

"A Coordenadoria Ambiental conta com profissionais preparados para o atendimento desse tipo de demanda e a população já conhece nosso trabalho. As pessoas também estão mais conscientes de que não devem maltratar os animais. Esses fatores contribuíram para o aumento no número de resgates. Todas as espécies têm importância para o equilíbrio da natureza e são fundamentais para a sustentabilidade dos ecossistemas. Em muitos casos, os moradores se afeiçoam aos animais, mas todos devem estar conscientes de que o melhor para eles é retornar ao seu habitat", alerta Edson Martins.

Para quem localizar um animal fora de seu habitat ou em condição de risco, o melhor procedimento é acionar o serviço de emergência 153. A partir daí, a Guarda Municipal recebe a solicitação de captura ou resgate dos animais, tanto silvestres como domésticos, e adota os procedimentos necessários para sua segurança, como também, das pessoas que, porventura, possam estar ameaçadas pela presença dos mesmos.

Fonte: O Fluminense








terça-feira, 20 de agosto de 2019

Ameaça 'invisível' mata mais de 1 bilhão de aves pelo mundo




Bico-de-lacre colidiu em um painel de vidro da varanda de uma casa em Maricá (RJ): obstáculo muitas vezes fatal — Foto: Sávio Freire Bruno/Arquivo Pessoal


Colisões em vidraças de prédios e residências são armadilhas para diversas espécies.

Por Fábio Gallacci, Terra da Gente

Um perigo quase invisível ameaça a vida das aves que circulam pelos centros urbanos. Comuns nos prédios comerciais e condomínios residenciais, as vidraças são obstáculos inesperados para os animais e têm provocado um impacto ecológico considerável. O choque contra elas mata, anualmente, cerca de 1 bilhão de pássaros apenas nos Estados Unidos e Canadá. Na Europa são 250 mil registros de mortes por dia. Isso torna as proteções de vidro a segunda maior ameaça à sobrevivência das espécies, uma armadilha fatal que desafia a conservação ambiental.

"Ainda que os dados aqui apresentados sejam preliminares e insipientes para avaliar a amplitude do impacto ambiental, eles determinam a existência de uma severa problemática que a não ser equacionada implicará em danos irreversíveis para o ecossistema amazônico".
— Odette de Araújo, veterinária

Como não poderia deixar de ser, o problema também existe no Brasil, apesar de não haver ainda um estudo mais amplo em relação a isso. Foi exatamente para contribuir com o debate que a veterinária e pesquisadora Odette Gonçalves de Araújo, do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), apresentou recentemente uma pesquisa sobre o tema.


Tucano ferido em prédio no Rio de Janeiro: bico danificado, desorientação e, por fim, morte — Foto: Eduarda Melo/Arquivo Pessoal


No levantamento - feito em seis regiões da capital amazonense, Manaus - foram selecionados onze prédios de alturas que variavam entre 1 e 17 andares. Nos locais foram obtidas autorizações para as visitas e coletas quinzenais in loco de possíveis vestígios de aves próximas às vidraças. O monitoramento ocorreu entre os meses de outubro de 2015 e abril de 2016. Nesse período foi registrado um total de 13 colisões, sendo que as aves coletadas foram identificadas e acondicionadas para análise posterior.

É um problema negligenciado (as mortes nas vidraças), que está muito longe do conhecimento da população. É preciso ter consciência da importância das aves.”— Odette de Araújo, veterinária

Das aves que colidiram, alguns foram identificadas como espécies endêmicas da Amazônia. Três pariris (Geotrygon montana), um pombo doméstico (Columba livia), seis rolinhas-roxas (Columbina talpacoti), uma limpa-folha-do-buriti (Berlepscia rikeri), um araçari-de bico-branco (Pteroglossus aracari) e uma espécie não identificável.


Após choque em prédio, o tucano não resistiu: situação que precisa ser discutida com mais profundidade no Brasil — Foto: Eduarda Melo/Arquivo Pessoal


A vulnerabilidade destas aves na área urbana da cidade de Manaus também foi evidenciada na constatação da presença de bandos de Pteroglossus aracari – araçari-do-bico-brando, de Thraupis palmarum – sanhaçu-do-coqueiro, de Brotogeris versicolorus – periquito-de-asa-branca, Geotyrigon montana – pariri, sempre voando muito próximos as edificações alvos do trabalho da professora Odette. Outro fato relevante observado durante a coleta de vestígios de aves foi a presença de sementes encontradas nas fezes dos animais e aderidas aos vidros dessas construções, o que constata a aproximação periódica dos animais dessas estruturas.

No Brasil, apesar da colisão em vidraças ser frequente, os estudos sobre o assunto são escassos. As aves acidentadas apresentam fratura na coluna vertebral, traumatismo craniano e das asas, além de ficarem vulneráveis ao ataque de predadores."
— Sávio Freire Bruno, veterinário e professor da UFF

Visão

O sistema de visão das aves, o mais importante de seus sentidos por ser essencial para o voo, difere da humana pelo fato desses animais possuírem a percepção dos raios UV’s. As aves podem perceber o piscar da luz muito mais rapidamente que o olho humano. O movimento do Sol através do céu, que é imperceptível ao homem, é naturalmente percebido pelas aves e lhes permite uma orientação correta no espaço. Assim, as imagens naturais refletidas nas vidraças são percebidas como uma extensão do ambiente fazendo com que as aves comportem-se como se não houvesse uma barreira física, aponta o estudo de Odette. Daí a vasta possibilidade de impactos contra essas estruturas que, na maioria das vezes, causam lesões como o traumatismo cranioencefálico fatais a esses indivíduos.

Adesivo em vidraças da raia olímpica da Universidade de São Paulo: alternativa mais comum para evitar acidentes — Foto: Marcos Santos/USP Imagens


As consequências desses impactos variam desde nenhum dano visível até uma fratura de ossos com sangramento superficial ou interno. Além de ficarem desorientadas pela batida, as aves podem morrer com hemorragia intracranial. Os indivíduos sobreviventes também mostraram hemorragias e paralisias que progrediram com o passar do tempo. Mesmo quando não sofrem danos maiores, muitas aves permanecem imóveis por longos períodos após o choque até restituírem condições para voar novamente.


"Entre a vida e o vidro": mensagem em adesivo colocado em condomínio de Campinas (SP): precaução — Foto: Fábio Gallacci/TG

"Esse problema é mais um dos conflitos entre o desenvolvimento e a convivência com os animais silvestres. A utilização do vidro transparente está cada vez mais comum nas construções, em janelas e muros, por exemplo. Uma solução seria o de adesivar esses vidros com imagens, a fim de tornar o material mais visível, dando chance de vida a essas espécies", comenta a bióloga Giselda Person.


USP ainda analisa o impacto da instalação dos vidros sobre a rotina das aves locais: obstáculo invisível — Foto: Marcus Santos/USP Imagens


O que fazer?

Sávio Freire Bruno, médico veterinário e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) lembra que há formas acessíveis para tentar minimizar os registros de acidentes. Uma dessas alternativas é fixar figuras que contenham a silhueta de falcões ou gaviões nas janelas de vidro. Essas figuras tem a finalidade de inibir a aproximação dos outros pássaros.

Por outro lado, o professor Augusto Piratelli, do Departamento de Ciências Ambientais da Universidade Federal de São Carlos, campus Sorocaba, considera que esses adesivos não são a melhor alternativa. Para ele, o uso desse método acontece mais por um costumo do que necessariamente eficiência.


Adesivos de pequenos círculos se espalham pelas janelas da UFSCar: nenhum registro de colisões de aves até o momento — Foto: Augusto Piratelli/Acervo Pessoal


"Não é que não funciona, eles até diminuem um pouco a incidência (dos pássaros), mas não é eficiente. As aves não percebem essas silhuetas como uma ameaça. O objetivo é mostrar para elas que ali existe um anteparo e, para, isso existem coisas mais eficientes", afirma o professor.

Uma alternativa foi descoberta por um jovem canadense, que ao pesquisar a visão dos pássaros, observou que eles enxergam a luz ultravioleta. A partir dessa descoberta, ele fez um experimento confeccionando um adesivo à base de tinta ultravioleta contendo a figura de um falcão, que demonstrou eficácia na prevenção de acidentes. Existem outros produtos disponíveis no mercado visando o mesmo fim como, por exemplo, um equipamento que emite ondas de ultrassom em pequenos intervalos e que afasta as aves do local, lembra o professor Freire Bruno.


Fonte: G1











sábado, 17 de agosto de 2019

Bombeiro dá água em copo para filhote de tatu em área devastada por incêndio em MT



Filhote de tatu bebe água em copo oferecido por bombeiro que fazia perícia em pasto incendiado em Mato Grosso — Foto: Corpo de Bombeiros de Mato Grosso/Divulgação


A cena, para um dos bombeiros, demonstrou um sinal de sensibilidade e humanidade por parte dos militares. Animais eram um dos poucos sinais de vida em uma área de 766 hectares que foi devastada por um incêndio no dia 18 de julho.

Por Denise Soares, G1 MT

Em meio a uma cena de incêndio, um filhote de tatu chamou a atenção dos bombeiros de Mato Grosso ao aceitar beber água direto de um copo plástico. Os bombeiros periciavam uma fazenda atingida por um incêndio, entre os municípios de Nova Mutum e São José do Rio Claro, a 269 e 325 km de Cuiabá, quando viram filhotes de tatu vindo na direção deles.

A situação ocorreu na sexta-feira (16).

O G1 conversou com um dos bombeiros que estava no local. O capitão Eraldo Moura explicou que os militares faziam a perícia no local quando perceberam a aproximação de dois filhotes de tatu.

Os animais eram um dos poucos sinais de vida em uma área de 766 hectares que foi devastada por um incêndio no dia 18 de julho.

Um dos filhotes aceitou beber água. O outro não 'aceitou' o convite.

“Primeiro oferecemos água de uma mochila de hidratação e ele não tomou. Demos um banho nele e depois usamos um copo. Ele aceitou e começou a tomar água”, relatou o capitão ao G1.

Em um primeiro momento, o tatu, ainda com as quatro patas no chão, tentou beber água. O bombeiro que aparece na foto, sargento Pedro Ribas Alves, ajudou o animal e o segurou para que o filhote pudesse ficar em pé e tomasse água.

“Essa área foi devastada. Um fio de cabo de alta-tensão caiu no pasto e pegou fogo em toda a área. Agora, o gado está sem pasto e é alimentado por ração”, explicou o capitão.

A cena, para o bombeiro, demonstrou um sinal de sensibilidade por parte dos militares. Eles já tinham assistido vídeos de tatus bebendo água oferecida pelos humanos.
“Não fizemos isso para aparecer, foi uma questão de humanidade”, resumiu o militar.

Os bombeiros se 'despediram' e, quando iam embora, viram que outros filhotes de tatu também estavam perto do local onde os primeiros apareceram.

“A forma do tatu se esconder é se enfiar na terra. Dependendo do incêndio, ele acaba morrendo. Encontramos pássaros queimados e outros animais que não conseguiram fugir”, lembrou o capitão.

A equipe fará um laudo que ajudará a identificar as causas do incêndio onde os tatus foram vistos.


Fonte: G1