quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Calor extremo avança e reforça papel da ciência na proteção dos brasileiros

 

Vendedor de flores do Cerrado, Vidal Ramos de Oliveira, de 65 anos. Foto: Luara Baggi (Ascom/MCTI)

Com recordes de temperatura, produção científica coordenada pelo MCTI é essencial para subsidiar políticas públicas e reduzir riscos à saúde da população

Perigosas e cada vez mais recorrentes, as elevadas temperaturas médias globais e a maior frequência de ondas de calor extremo são um problema que vai além do desconforto cotidiano: são um risco crescente à saúde pública e à segurança da população. A Organização Meteorológica Mundial (ONM) confirmou que 2025 foi um dos três anos mais quentes já registrados. O dado expõe a necessidade e o papel da ciência no monitoramento e na antecipação desses eventos.

No Brasil, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) atua de forma estratégica, com foco em duas frentes principais: a antecipação de eventos extremos, por meio de monitoramento e previsão; e a adaptação, com produção de conhecimento científico que subsidia políticas públicas e ações de proteção à população.

Na prática, as projeções climáticas e meteorológicas elaboradas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), unidade de pesquisa do MCTI, permitem identificar, com antecedência, regiões que devem enfrentar picos de temperatura acima do normal por vários dias consecutivos, condição que caracteriza uma onda de calor. Esses dados são incorporados a sistemas de monitoramento e de alerta utilizados por órgãos de defesa civil e de gestão de riscos, orientando ações preventivas e a comunicação com a população.

Para o médico e 2º Secretário do Conselho Federal de Medicina (CFM), Estevam Rivello, a antecipação de ondas de calor e as orientações necessárias são indispensáveis para a segurança da população. “A exposição prolongada ao calor pode levar rapidamente à desidratação, tontura, desmaios, alterações cardíacas e, nos casos mais graves, à hipertermia, que é uma emergência médica.”

Ciência para antecipar ondas de calor

O monitoramento das condições climáticas e das temperaturas é feito a partir de uma ampla base científica e tecnológica. O MCTI, por meio do Inpe, acompanha a evolução das temperaturas, produz séries históricas e desenvolve modelos climáticos que permitem identificar tendências de aquecimento e a ocorrência de eventos extremos.

Esses dados são incorporados a sistemas de monitoramento utilizados por órgãos de Defesa Civil e de gestão de riscos. Ter essas informações com antecedência permite que as autoridades enviem alertas e que gestores públicos se preparem para os impactos associados, como aumento do risco à saúde da população, as estiagens prolongadas e a maior probabilidade de incêndios florestais.

O vendedor Vidal Ramos de Oliveira, de 65 anos, acumula mais de 30 anos de trabalho diário na Esplanada dos Ministérios, onde mantém uma barraca para vender flores do Cerrado e pequenos objetos turísticos de Brasília (DF). “Eu já me acostumei, porque eu trabalho aqui há quase 40 anos, mas agora até as chuvas estão poucas, antes chovia dias sem parar”, diagnosticou.

Vidal está certo, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Em 2024 e 2025, as chuvas diminuíram na capital federal. As temperaturas também acompanharam a seca e ficaram 0,6°C acima do esperado no verão e 0,9°C na média de temperatura mínima. Para lidar com o calor extremo, o comerciante aposta nas proteções básicas, mas imprescindíveis. “Eu estou com muita água aqui”, afirma.

Alertas e redução de riscos à população

No campo da gestão de riscos, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), também vinculado ao MCTI, atua no acompanhamento contínuo de eventos extremos — como secas, incêndios florestais e impactos à saúde da população — que podem ser agravados pelas ondas de calor.

O vendedor de picolés Julio Cesar Siqueira, de 55 anos, conta que o calor interfere em toda a dinâmica de trabalho. “Ele deixa a gente lento, tonto, fraco. É um risco para a saúde de todos”, inicia. Segundo ele, os alertas ajudam na orientação. “Ajuda a saber o que vai acontecer, mas tem que usar protetor solar, se manter em locais mais cobertos. Eu tento ficar sempre no guarda-sol, usar proteção e beber muita água.”

As análises indicam a persistência de temperaturas elevadas por vários dias consecutivos em determinada região, associadas à baixa umidade do ar. Nesses casos, os alertas permitem que gestores locais reforcem ações preventivas, como a orientação à população sobre hidratação, redução da exposição ao sol e atenção especial a grupos mais vulneráveis, além do preparo das redes de saúde e de resposta a emergências.

Impacto Social: quem sente o calor no dia a dia?

Trabalhadores braçais e expostos ao ar livre, crianças e idosos estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos do aumento das temperaturas e da recorrência das ondas de calor. “Quando o organismo perde a capacidade de regular a própria temperatura por causa do calor excessivo, os efeitos podem ser rápidos e graves, principalmente em crianças, idosos e trabalhadores expostos ao Sol”, afirma Rivello, do CFM.

Na avaliação do cardiologista Murilo Lustosa, a desidratação é o principal problema de saúde associado às ondas de calor. “Em situações de temperatura extrema, o corpo tenta compensar o calor por meio do suor, o que leva à perda de líquidos e de eletrólitos essenciais”, explica. Segundo o médico, esse processo pode provocar câimbras musculares, tontura, fraqueza e exaustão física, além de precipitar e agravar doenças cardíacas pré-existentes.

Lustosa destaca ainda que o calor excessivo impacta diretamente a segurança no trabalho. “Pessoas expostas ao calor intenso ficam mais suscetíveis a cometerem erros durante a atividade, aumentando o risco de acidentes”, afirma. Por isso, medidas preventivas, baseadas em evidências científicas, são fundamentais. “Informação é conhecimento, e conhecimento salva vidas”, conclui o especialista.

Adaptação: conhecimento para reduzir impactos

Além do monitoramento, a ciência produzida no âmbito do MCTI contribui para estratégias de adaptação às altas temperaturas. Estudos sobre ilhas de calor urbanas, planejamento das cidades e desenvolvimento de tecnologias de proteção ajudam a compreender como o ambiente construído intensifica o problema e quais soluções podem reduzir seus efeitos.

Essas pesquisas subsidiam políticas públicas nas áreas de saúde, urbanismo, defesa civil e meio ambiente, reforçando o papel da ciência como base para decisões que impactam diretamente a vida da população. Ao produzir dados, monitorar tendências, emitir alertas e gerar conhecimento para adaptação, o MCTI contribui para que o Brasil esteja mais preparado para lidar com os impactos do aquecimento global, protegendo a saúde da população e apoiando políticas públicas baseadas em evidências.

Fonte: MCTI



Aves marinhas ingerem quantidades consideráveis de poluentes, alguns proibidos há décadas

 

Mesmo em arquipélago isolado, atobás residentes apresentaram contaminação por DDT (foto: Janeide Padilha/Universidade do Minho)

Análises realizadas em material biológico de seis espécies migratórias e uma residente do Brasil indicam concentrações similares de alguns dos chamados poluentes orgânicos persistentes (POPs), incluindo o DDT e o formicida Mirex

André Julião | Agência FAPESP – No livro Primavera Silenciosa, de 1962, a bióloga norte-americana Rachel Carson relata como o DDT, um pesticida até então largamente utilizado para conter pragas agrícolas, era responsável pela morte massiva de aves, incluindo a emblemática águia-americana.

Uma das razões era que a contaminação torna as cascas dos ovos mais finas, a ponto de as mães os quebrarem quando se sentam para chocá-los. O livro é tido como fundador do movimento ambientalista moderno.

Nos anos 1970, a maior parte dos países ricos havia banido o DDT. No Brasil, a proibição agrícola só ocorreu em 1985, mas o veneno continuou liberado para controle de vetores de doenças como o Aedes aegypti. Apenas em 2009 uma lei proibiu o uso, a fabricação e estocagem do diclorodifeniltricloretano no país, seguindo a Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes.

No entanto, um trabalho publicado na revista Environmental Monitoring and Assessment, com apoio da FAPESP, traz novas evidências sobre a presença do DDT e de outros chamados poluentes orgânicos persistentes (POPs) no organismo das aves.

“Ainda que não tenham sido usados numa determinada área, os poluentes orgânicos sofrem o efeito gafanhoto. Nesse fenômeno, eles se evaporam no calor e se condensam novamente no frio. Com isso, migram pelo ar, das baixas latitudes dos trópicos em direção às áreas polares”, explica Janeide de Assis Guilherme Padilha, pesquisadora da Universidade do Minho, em Portugal, e primeira autora do estudo.

Numa parceria com a pesquisadora Maria Virginia Petry, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Padilha e pesquisadoras do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP) analisaram os fígados de carcaças de aves marinhas de seis espécies encontradas na costa do Rio Grande do Sul durante sua migração anual para o Atlântico Sul.

As pesquisadoras analisaram ainda o sangue de uma população residente de atobá-pardo (Sula leucogaster) no Arquipélago de São Pedro e São Paulo, conjunto de ilhas rochosas distante cerca de mil quilômetros da cidade de Natal (RN).

Mesmo tão longe da costa e de atividades humanas, os atobás-pardos do arquipélago apresentaram contaminação por DDT e por PCBs (bifenilas policloradas), compostos industriais antes usados em transformadores e reatores elétricos.

As seis espécies analisadas da costa gaúcha, ainda que com diferentes hábitos alimentares, apresentaram níveis parecidos de POPs entre si, embora os dois indivíduos de pardela-de-bico-preto (Ardenna gravis) analisados tenham tido uma média maior de PCBs e Mirex, um formicida também banido, mas que persiste no ambiente.

O trabalho teve apoio da FAPESP por meio de equipamento multiusuário, instalado no IO-USP.

Novas perguntas

Nas aves, os POPs podem ser transferidos de mãe para filho e causam o afinamento da casca dos ovos, entre outros problemas, enquanto em humanos estão relacionados a alguns tipos de câncer, desregulação do sistema endócrino e problemas reprodutivos e de desenvolvimento.

Os resultados surpreenderam as pesquisadoras por conta das semelhanças entre os níveis encontrados mesmo em espécies com diferentes dietas e tamanhos. A água e os alimentos são os principais vetores da contaminação de aves marinhas.

“Esperávamos que espécies de maior porte, como os albatrozes, apresentassem as maiores concentrações de POPs, já que ocupam níveis tróficos mais altos e costumam consumir presas maiores e mais longevas, que acumulam mais contaminantes ao longo da vida. Contudo, a pardela-de-bico-preto exibiu os valores mais elevados de PCBs e Mirex”, conta a pesquisadora, que realizou parte do estudo durante pós-doutorado no IO-USP.

A pardela-de-bico-preto (Ardenna gravis) percorre rotas migratórias extensas, utiliza áreas associadas à pesca e pode se alimentar de presas capturadas em regiões mais contaminadas do Atlântico Sul, o que ajuda a explicar por que apresentou uma carga de poluentes tão alta.

Outro exemplo faz parte de um trabalho publicado anteriormente pelo grupo de Padilha. Populações de uma mesma espécie, o atobá-pardo, de três diferentes locais, possuíam diferentes perfis de contaminação.

Uma hipótese para a maior concentração de poluentes tóxicos, como estanho, nas aves das Ilhas Cagarras, no Rio de Janeiro, em relação às de Abrolhos e do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, por exemplo, é que as ilhas cariocas recebem mais desse contaminante, por conta da proximidade com a área urbana.

Atobá-pardo tem medidas tomadas durante monitoramento nas Ilhas Cagarras, no Rio de Janeiro (foto: Janeide Padilha/acervo pessoal)

Além disso, aquela população de aves se alimenta predominantemente de lulas, que acumulam mais o metal tóxico do que as espécies que são alimentos mais abundantes nas outras áreas estudadas.

“É preciso levar em conta que, no trabalho atual, analisamos materiais biológicos distintos: no Rio Grande do Sul os fígados de animais já mortos e , no arquipélago, o sangue dos atobás-pardos vivos. Outros tipos de análise ou tecidos podem apontar poluentes que não encontramos com os métodos usados agora”, ressalta Padilha.

Os fígados representam acúmulos prolongados, porque muitos POPs têm baixa taxa de metabolização e acabam permanecendo no órgão por longos períodos. O sangue, por sua vez, dá uma ideia do que está circulando no organismo.

Padilha agora investiga o papel da poluição plástica para as aves marinhas. Alguns POPs, como os retardantes de chamas, por exemplo, estão presentes em plásticos facilmente acessíveis para aves no oceano.

“Suspeitamos que algumas cores são associadas a certos alimentos, o que estaria fazendo essas aves ingerirem pedaços de plástico”, diz. Em trabalhos de campo nas Ilhas Cagarras, a pesquisadora já presenciou escovas de dentes e isqueiros sendo usados como parte dos ninhos.

O artigo Bioaccumulation of legacy POPs in seabirds: A multi-species comparison between Procellariiformes and Suliformes in the South Atlantic pode ser lido em: link.springer.com/article/10.1007/s10661-025-14703-1.

Fonte: Agência FAPESP




Conheça a explicação da NASA para o inverno rigoroso no Hemisfério Norte.



Extreme January Cold

In the wake of a winter storm that blanketed numerous U.S. states with snow and ice, unusually low temperatures continued to grip a large swath of the nation east of the Rockies in late January 2026. The cold spell was notable for severity, longevity, and geographic scope.

This animation depicts surface air temperatures across part of the Northern Hemisphere, including North America, from January 21 to 29. It combines satellite observations with temperatures calculated by a version of the Goddard Earth Observing System (GEOS) global model, which uses mathematical equations to simulate physical processes in the atmosphere.

Dark blue areas indicate the lowest surface air temperatures. The brief pulses show daily warming and cooling, while the broader pattern reveals cold air spreading south and east and lingering through much of the week.

Assista ao vídeo da evolução da tempestade de inverno. 
Following a significant winter storm, frigid temperatures lingered in late January 2026 across a vast swath of the U.S.

According to the National Weather Service (NWS), the surge of Arctic air pushed deep into the United States on January 22, ushering in a period of low temperatures and harsh wind chills. The cold coincided with a jet of moisture to produce significant accumulations of snow and ice spanning from the U.S. Southwest to New England.

In the days after the storm, dangerously cold weather persisted. In the Midwest, for example, the temperature in Alliance, Nebraska, dropped to minus 26 degrees Fahrenheit (minus 32 degrees Celsius) on January 24, the lowest daily minimum temperature for that date on record, according to preliminary NWS reports. In the South, an extreme cold warning was in effect in south-central Texas overnight on January 26, with temperatures dipping into the single digits. By January 27, parts of the South had started to see slight warming, but wind chills down to -20°F (-29°C) continued across the Midwest and Northeast.

According to meteorologists, the cold snap was caused by frigid air from the Canadian and Siberian Arctic funneling into eastern North America, then being driven south as high-pressure systems forced the jet stream to dip. Forecasts called for another blast of Arctic air late in the week, with below-normal temperatures persisting into early February.

The lingering cold has posed extra challenges to those who remained without power or heat after the storm and for those working to clean up, clear streets, and restore power and transportation services.

NASA’s Disasters Response Coordination System has been activated to support agencies responding to the winter storm. The team will be posting maps and data products on its open-access mapping portal as new information becomes available.

NASA Earth Observatory images and animation by Lauren Dauphin, using GEOS data from the Global Modeling and Assimilation Office at NASA GSFC. Story by Kathryn Hansen.


References & Resources
Fonte: NASA


domingo, 1 de fevereiro de 2026

MMA realiza reunião sobre perspectivas climáticas para 2026 e risco de incêndios no país

Dados apoiarão o planejamento e a execução de ações de prevenção e combate aos incêndios pelo MMA e suas unidades vinculadas. - Foto: Rogério Cassimiro/MMA

Encontro marcou a primeira etapa do trabalho de prevenção e combate aos incêndios em 2026; dados apresentados serão utilizados para basear a atuação da pasta

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) promoveu, na quinta-feira (29/01), a primeira reunião com meteorologistas e órgãos ambientais federais para debater as perspectivas climáticas para 2026 e o risco de incêndios florestais em todos os biomas do país. O encontro, que reuniu mais de 120 técnicos e autoridades públicas, marcou a primeira etapa dos trabalhos de prevenção aos incêndios florestais conduzidos pelo Governo do Brasil este ano.

Os indicadores apresentados subsidiarão a atuação do ministério e suas unidades vinculadas no planejamento e implementação de ações de prevenção e combate aos incêndios, em conjunto com estados, municípios e sociedade civil.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou que os avanços são frutos de uma atuação com foco na prevenção. “Graças a esses esforços contínuos, foi possível reduzir as áreas atingidas por incêndios em 2025 no Brasil, com queda de 32% em relação à média dos últimos dez anos”, afirmou.

Marina Silva enfatizou, ainda, que resultados consistentes dependem de políticas públicas bem desenhadas e de parcerias bem articuladas. “Isso é fruto de um trabalho conjunto e de uma política transversal, que envolve ações de controle, a participação da sociedade e o esforço da ciência, que nos oferece subsídios para atuar de forma mais eficiente”, completou.

Ao destacar as ações do Governo do Brasil no combate aos incêndios florestais, Marina Silva lembrou os avanços alcançados com a implementação da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF). A legislação estabelece diretrizes para disciplinar e aprimorar o uso do fogo, com foco na prevenção e no combate a incêndios florestais, na conservação dos ecossistemas e no respeito às práticas tradicionais, envolvendo todos os entes federativos e setores da sociedade.

A avaliação foi compartilhada pelo secretário-executivo da pasta, João Paulo Capobianco, que ressaltou a atuação conjunta entre os governos federal, estadual e municipal. “Estamos aqui, de fato, realizando uma ação da mais alta relevância. A partir das contribuições e das previsões meteorológicas, podemos obter informações com base na ciência e propor ações integradas de forma eficiente”, enfatizou.

O levantamento apresentado indica um cenário de altas temperaturas em todo o país, com chuvas abaixo da média e temperaturas acima dos níveis históricos, especialmente nas regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste.

As informações também alertaram para um histórico de déficit hídrico, em especial na Amazônia e no Pantanal, que torna a vegetação mais suscetível à ocorrência de incêndios.

Os especialistas apontaram também que o quadro pode ser agravado pela estiagem prolongada e pelo acúmulo de material combustível, o que favorece a ocorrência de incêndios a partir dos meses de março e abril. Embora a situação climática atual seja de neutralidade, há um cenário favorável à ocorrência do fenômeno El Niño nos próximos meses.

As análises serão monitoradas e reavaliadas, e novas reuniões ocorrerão a cada 45 dias para atualização das projeções de risco climático para incêndios florestais, conforme explicou o secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do MMA, André Lima.

“A partir dessas reuniões periódicas, podemos calibrar as projeções ao longo do ano, considerando que, para além de três ou seis meses, é sempre mais difícil construir cenários e identificar perspectivas. Esse processo também nos ajuda a dimensionar os esforços necessários e as ações preparatórias para o enfrentamento dos períodos mais desafiadores”, concluiu o secretário.

Em função das projeções que indicam um quadro mais crítico em 2026 em relação a 2025, está prevista a realização da primeira reunião da Sala de Situação. O encontro deverá ocorrer antes do período de Carnaval, com foco na discussão e articulação de ações preventivas.

O cenário meteorológico e hídrico e os riscos de incêndios nos biomas brasileiros para os próximos meses foram apresentados pelos representantes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ).

Também participaram do encontro a secretaria adjunta V da Secretaria de Articulação e Monitoramento da Casa Civil, Micheline Gomes, o presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho, a procuradora da República, Analúcia Hartmann, a secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso, Mauren Lazzaretti, além de representantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e entre outros órgãos federais e estaduais, pesquisadores e sociedade civil.

Ações de prevenção e combate aos incêndios florestais

Desde 2023, o Governo do Brasil conduz uma série de medidas para prevenir e combater os incêndios florestais. Confira:
  • contratação do maior contingente de brigadistas federais da história, formado por 4385 profissionais – 2600 do Ibama e 1.785 do ICMBio, um aumento de 26% em relação ao ano de 2024.
  • a infraestrutura para 2025 incluiu sete novos helicópteros para uso do Ibama em ações de enfrentamento aos incêndios e desmatamento. A renovação da frota aumenta em 75% a capacidade de transporte de agentes e brigadistas, em 40% a quantidade de horas de voo por ano e em 133% a capacidade de lançamento de água.
  • desde 2023, o Fundo Amazônia aprovou R$ 405 milhões para apoiar os Corpos de Bombeiros dos nove estados da Amazônia Legal na prevenção e combate a incêndios florestais. Destes, já foram contratados 370 milhões. São projetos no valor de R$ 45 milhões cada para Roraima, Amapá, Pará, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso e Tocantins e de aproximadamente R$ 21 milhões e R$ 34 milhões para Acre e Rondônia, respectivamente.
  • pela primeira vez, o Fundo Amazônia apoiará também ações de prevenção e combate a incêndios em estados fora da Amazônia, como no Cerrado e Pantanal. Em julho, foram aprovados R$ 150 milhões para os Corpos de Bombeiros Militares e brigadas florestais de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Piauí e Distrito Federal. O projeto, de autoria do Ministério da Justiça e Segurança Pública, foi apresentado por meio de um trabalho interministerial.
  • sanção da Lei 15.143/2025, que amplia a capacidade de respostas aos incêndios florestais, permite a transferência de recursos diretamente do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) para estados e municípios e garante mais agilidade na contratação de brigadistas, reduzindo o intervalo da sua recontratação para três meses. A lei permite ainda o uso de aeronaves estrangeiras em emergências ambientais.
  • anúncio dos Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas (PPCDs), pela primeira vez, para todos os biomas brasileiros, com estratégias específicas para a preservação ambiental em diferentes eixos até 2027 (acesse aqui);
  • desde janeiro de 2025, o MMA realizou quatro reuniões com especialistas de órgãos públicos e universidades para avaliar a situação climática e previsões futuras, além de seu impacto sobre a ocorrência de grandes incêndios florestais de comportamento extremo;
  • publicação de edital que prevê recursos no valor de R$ 32 milhões do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) em conjunto com o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD) para apoio a municípios prioritários na Amazônia e Pantanal na implementação de Planos Operativos de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (junho de 2025);
  • retomada da Sala de Situação Interministerial sobre Incêndios do Governo do Brasil, integrada por 10 ministérios e outros seis órgãos federais (maio e junho de 2025). O grupo se reúne de forma periódica para monitorar a evolução do quadro climático e sua repercussão sobre o risco de incêndios, bem como para apoios mútuos em ações de prevenção e combate;
  • conclusão dos Planos de Prevenção e Combate a Incêndios dos Biomas Pantanal e Amazônia para a temporada deste ano, elaborado conjuntamente entre o Governo do Brasileiro e os estados que abrigam o bioma (maio de 2025).
  • veiculação de campanha de prevenção e combate aos incêndios florestais criminosos na Amazônia Legal voltada ao Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará e Roraima, estados que mais sofreram com os incêndios no último ano (abril de maio de 2025);
  • publicação de portaria pelo MMA (nº1.327/2025) declarando emergência por risco de incêndios (março de 2025): aponta áreas vulneráveis a incêndios em todo o país e os períodos de maior risco para viabilizar a contratação emergencial de brigadistas federais e a atuação de estados e municípios.
  • Decreto n° 12.189, assinado pelo presidente Lula, que aumenta as punições por incêndios florestais no país.
Fonte: MMA




Governo do Brasil anuncia presidente da COP15 sobre Espécies Migratórias

João Paulo Capobianco é o presidente da COP15 sobre Espécies Migratórias. - Foto: Ricardo Stuckert / PR

Secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, vai liderar o processo; realizada no Pantanal, conferência será promovida pela primeira vez no Brasil

O Governo do Brasil anuncia, nesta sexta-feira (23/1), o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco, como presidente da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS, na sigla em inglês).

A próxima edição da conferência acontecerá em Campo Grande (MS) de 23 a 29 de março de 2026. O evento reunirá governos, cientistas, povos indígenas e comunidades tradicionais e sociedade civil de todo o mundo para enfrentar os desafios urgentes de conservação que acometem milhares de espécies de animais silvestres que cruzam fronteiras internacionais terrestres, marinhas e aéreas. Esta será a primeira vez que o Brasil sediará a reunião – a última promovida na América Latina ocorreu em 2014, no Equador.

O presidente da COP15 será responsável por articular as negociações entre os países para impulsionar a conectividade ecológica e a conservação de ecossistemas. Nesse contexto, a escolha de Mato Grosso do Sul, estado que abriga três quartos do bioma Pantanal, é considerada estratégica, uma vez que é um dos principais eixos de rotas migratórias das Américas.

Segundo João Paulo Capobianco, “as espécies migratórias de animais silvestres desempenham um papel fundamental na conservação da biodiversidade, gerando benefícios ambientais e econômicos, como o fortalecimento do turismo sustentável e do setor de serviços". “Sediar a COP 15 da Convenção sobre Espécies Migratórias significa uma grande responsabilidade para o Brasil e reforça a liderança do país na agenda ambiental global, com impactos positivos para todos os biomas brasileiros e para o sistema costeiro-marinho", complementou.

“Agradeço ao presidente Lula por acolher a indicação do MMA à nomeação de João Paulo Capobianco como presidente da COP15”, pontuou a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva. “Capobianco é amplamente reconhecido por sua atuação de longa data pela conservação do meio ambiente e possui consistente experiência na gestão pública: ocupou a presidência do ICMBio e está à frente, pela segunda vez, da secretaria-executiva do MMA, onde foi também secretário nacional de Biodiversidade e Florestas. Ao ocupar o cargo, participou da coordenação da COP8 sobre Diversidade Biológica presidida pelo Brasil, ocorrida em Curitiba no ano de 2006.”

Parte da CMS desde 2015, o Brasil é o país mais biodiverso do mundo. Inúmeras espécies de animais migratórios dependem de seus habitats para sobreviver, o que inclui reprodução, alimentação e locais de parada em seus trajetos. Os seis biomas brasileiros abrigam biodiversidade extraordinária, que incluem animais migratórios como a onça-pintada, o morcego-de-cauda-livre-mexicano e o falcão-peregrino.

Além disso, o Brasil apresenta notável diversidade de espécies migratórias, incluindo tubarões, arraias, peixes migratórios de água doce, tartarugas, inúmeras famílias de espécies de pássaros, morcegos, bem como pequenos cetáceos, baleias e outros mamíferos marinhos.

Até a abertura da COP15, a presidência formal da COP permanece sob a responsabilidade do Uzbequistão, onde ocorreu a 14ª edição da conferência em fevereiro de 2024. Mas caberá desde já ao Brasil, como presidência designada, liderar os esforços para o êxito das negociações, promovendo o diálogo entre países e demais partes interessadas.

Biografia

Biólogo e ambientalista, Capobianco é especialista em Educação Ambiental pela Universidade de Brasília (UnB) e doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP).

Foi secretário nacional de Biodiversidade e Florestas e secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente de 2003 a 2008, além de presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Nesse período, exerceu, entre outras, as funções de coordenador do Grupo de Trabalho Interministerial de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia, presidente do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético e da Comissão Brasileira de Florestas e vice-presidente do Conselho Nacional do Meio Ambiente.

Atuou como professor visitante da Universidade de Columbia entre 2008 e 2009, onde integrou o CEES – Centro de Meio Ambiente, Economia e Sociedade, período em que também trabalhou como pesquisador associado do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).

É autor de diversas publicações sobre questões ambientais, entre elas o livro “Biodiversidade na Amazônia Brasileira”, que recebeu o Prêmio Jabuti de Não-Ficção em 2003, e o livro “Amazônia - uma década de esperança” (Estação Liberdade), lançado em 2021.

Convenção

A CMS é um tratado ambiental das Nações Unidas que fornece uma plataforma global para a conservação das espécies migratórias, seus habitats e rotas de migração em toda sua área de distribuição.

Reúne governos, povos indígenas e comunidades tradicionais, e sociedade civil e especialistas em vida silvestre para abordar as necessidades de conservação de espécies migratórias e seus habitats ao redor do mundo.

Desde que a Convenção entrou em vigor, em 1979, 133 países da África, América Central e do Sul, Ásia, Europa e Oceania aderiram. Saiba mais aqui.

Fonte: MMA



Brasil apresenta para Unesco candidatura do Parque Nacional Marinho de Abrolhos, na Bahia, à Lista do Patrimônio Mundial Natural

 

Criado em 1983, Abrolhos foi o primeiro parque nacional marinho do país e faz parte do maior complexo recifal do Atlântico Sul. - Foto: Arquivo/Enrico Marcavaldi

A partir da entrega, dossiê entra no processo formal de análise da Convenção do Patrimônio Mundial, com avaliação técnica dos órgãos consultivos da Unesco e decisão prevista para julho de 2027

O Governo do Brasil entregou, nesta quarta-feira (29/1), à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) o dossiê de candidatura do Parque Nacional Marinho de Abrolhos, na Bahia, à Lista do Patrimônio Mundial Natural. O título é dado a lugares cuja relevância natural ou cultural, segundo a Unesco, ultrapassa fronteiras nacionais e tem importância para toda a humanidade.

Criado em 1983, Abrolhos é o primeiro parque nacional marinho do Brasil e integra o maior complexo recifal do Atlântico Sul. A candidatura baseia-se na representatividade do ecossistema, nas formações recifais características da região, na biodiversidade associada e na função da área como local de reprodução e de cuidado parental da baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) durante o período reprodutivo da espécie.

O documento de candidatura foi elaborado de forma coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão responsável pela gestão da unidade, e Ministério das Relações Exteriores (MRE), com apoio do WWF-Brasil e do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), no âmbito do Projeto Áreas Marinhas e Costeiras Protegidas (GEF Mar).

Segundo a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, o processo reforça a estratégia de fortalecimento da gestão das unidades de conservação marinhas e de ampliação da presença de ecossistemas brasileiros na Lista do Patrimônio Mundial.

“Esse reconhecimento fortalece a governança ambiental, valoriza a ciência e contribui para que os ecossistemas marinhos brasileiros tenham o destaque compatível com sua relevância global”, disse a ministra.

Referência global para a conservação marinha, o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos desempenha papel estratégico na proteção de espécies migratórias, sobretudo da baleia-jubarte, que utiliza a região como área de reprodução e cuidado dos filhotes.

Para o secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, e presidente da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS, na sigla em inglês), a candidatura do sítio reforça a convergência entre a agenda de biodiversidade brasileira e os compromissos assumidos no âmbito da convenção a ser presidida e sediada pelo país em março de 2026.

"Abrolhos simboliza de forma concreta o que a Convenção sobre Espécies Migratórias busca proteger: ecossistemas essenciais para o ciclo de vida de animais que circulam pelo Planeta, ultrapassando fronteiras nacionais. A baleia-jubarte depende de áreas como Abrolhos para se reproduzir e garantir a perpetuação da espécie. Ao avançar com a candidatura do Parque como Patrimônio Mundial Natural, o Brasil reafirma seus compromissos com a proteção dessa área de grande importância ambiental e com a cooperação internacional, conservando regiões vitais para proteção das espécies migratórias”, afirmou.

A entrega do documento contou com a participação do secretário de Meio Ambiente do Estado da Bahia, Eduardo Sodré, e de representantes do Itamaraty, em articulação com entes federais e estaduais envolvidos no processo.

Com a submissão, a candidatura passa agora pelas etapas de admissão e avaliação técnica pelos órgãos consultivos da Convenção do Patrimônio Mundial, conforme as Diretrizes Operacionais da Unesco. A previsão é que a análise final pelo Comitê do Patrimônio Mundial ocorra em julho de 2027.

A candidatura de Abrolhos é a terceira apresentada pelo Governo do Brasil desde 2023, após as inscrições do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses e do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, encerrando um período superior a duas décadas sem novas candidaturas de sítios naturais pelo Brasil.

Fonte: MMA



quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

LANÇAREI A MINHA PRÉ-CANDIDATURA A DEPUTADO FEDERAL NA SEGUNDA FEIRA, 02 DE FEVEREIRO


Prezados amigos, companheiros trabalhistas, ambientalistas, colegas de trajetória, eleitores do RJ e leitores do Blog do Axel Grael.

Na segunda-feira, dia 02/02, às 18:30, faremos o anúncio oficial da minha pré-candidatura a deputado federal em atividade na sede do PDT de Niterói, com as presenças do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, e do prefeito Rodrigo Neves, além de outras lideranças importantes.

Minha candidatura busca apresentar uma opção de representação política alinhada aos princípios inafastáveis da: 

  • Democracia, 
  • Justiça social, 
  • Soberania e interesses nacionais
  • Paz e cultura da paz
  • Responsabilidade planetária, do avanço no caminho para a sustentabilidade e resiliência climática
Para a instrumentalização destes grandes princípios, defendemos a primeira versão de uma lista preliminar de ações para o mandato de deputado federal: 

RIO DE JANEIRO
  • LINHA TRÊS DO METRO: obter recursos federais para a Linha 3 do Metro, ligando a Estação da Carioca (Rio), Niterói, São Gonçalo e Itaboraí.
  • HIDROVIÁRIO: apoiar o planejamento da implantação de novas linhas de transporte hidroviário.
  • SEGURANÇA: modernizar tecnologicamente as polícias do RJ, apoiar a estruturação das Guardas Municipais, estabelecer protocolos de planejamento e execução de operações policiais, reduzindo a letalidade da ação da polícia
  • RMRJ: fortalecer a Gestão Metropolitana no Rio de Janeiro, dando mais eficácia e transparência ao Instituto Rio Metrópole, despartidarizando a sua atuação
  • CLIMA: avançar na política climática estadual, muito defasada com relação a outros estados.
  • TRANSIÇÃO ENERGÉTICA: preparar a economia do Rio de Janeiro para o futuro de baixo carbono que se aproxima.
  • MERCADO DE TRABALHO: numa economia em transição, o Rio de Janeiro precisa preparar a força de trabalho para os novos cenários que se aproximam
  • REGULAÇÃO: repensar a regulação dos serviços públicos concedidos e promover um modelo eficiente e viável para os municípios.
  • ÁGUA: proteger mananciais, avaliar e garantir a segurança hídrica do RJ
BRASIL

- Meio Ambiente e Clima
  • BIOMAS: a defesa da Amazônia, da Mata Atlântica e dos demais biomas brasileiros.
    • avançar na implementação dos Sistemas de Pagamento por Serviços Ambientais
  • RESTAURAÇÃO: cumprir as metas do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa - PLANAVEG., do Ministério do Meio Ambiente - MMA
  • REVERTER RETROCESSOS: a reconstrução da legislação ambiental brasileira
  • EMERGÊNCIA CLIMÁTICA: criação e regulamentação da legislação ambiental para estabelecer referências para as políticas de adaptação e mitigação climática, além de fortalecimento do federalismo climático.
    • Monitorar e apoiar o cumprimento da NDC brasileira
    • Promover o desenvolvimento de Planos de Ação Climática em todas as cidades do país com população acima de 100 mil habitantes até 2030
    • Fortalecer os planos nacionais de contingência climática
    • Regulamentar a adaptação das cidades costeiras à elevação do nível do mar.
  • DEFESA CIVIL: Fortalecimento das defesas civis em todos os níveis, estimulando a cooperação entre estados e municípios em situação de emergência climática
  • CONTROLE DA POLUIÇÃO: avanços para padrões de emissões atmosféricas e efluentes baseados em padrões de carga poluente e não apenas em diluição: a métrica da maioria dos nossos padrões são em mg/l, ou semelhantes, portanto critério de diluição. 
    • Avançar no princípio poluidor pagador.
  • AGROTÓXICOS: avançar na legislação de agrotóxicos
  • LIXO: avançar na Política Nacional de Resíduos Sólidos, com ênfase para a reciclagem, e atenção para o lixo marinho. Controlar a política de produção de embalagens e outros produtos plásticos
  • RESÍDUOS PERIGOSOS: buscar uma referência legal mais rígida e eficaz para a destinação de resíduos perigosos e contaminação de solos
  • ÁGUA: avançar na legislação sobre escassez hídrica
- Cidades Sustentáveis
  • TRANSPORTE SUSTENTÁVEL: o transporte é a principal fonte de emissões de poluentes atmosféricos e a transição. 
    • Fortalecer o transporte coletivo em detrimento do individual, 
    • Promover a descarbonização da frota de veículos, principalmente no transporte público
    • Apoiar a implantação de transporte público de alta eficiência, como metro, BRT, VLT e outros modais.
  • BICICLETA: apoiar e promover as opções de transporte ativo, como a bicicleta e a caminhabilidade das cidades
  • VERDE URBANO: promover a proteção efetiva pela criação de unidades de conservação das áreas de florestas e outros ecossistemas naturais nas áreas urbanas e seus entornos, promovendo a integração destas áreas de forma sustentável ao cotidiano da população.
  • SOLUÇÕES BASEADAS NA NATUREZA: adoção de SBN a exemplo do que foi adotado pela cidade de Niterói no Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis - POP.
  • REFORMA URBANA SUSTENTÁVEL: promover o planejamento da adaptação urbana às emergências climáticas, seguindo o exemplos como: 
    • Paris: das ações de enfrentamento das ondas de calor e redução do trânsito de veículos nas regiões centrais
    • Copenhague: implantação de sistemas de drenagem sustentável para o controle de inundações
    • Londres: soluções para o fortalecimento do transporte coletivo, controle do trânsito em áreas críticas de engarrafamento
- Transição energética
  • METAS: estabelecer metas legais de transição para uma economia de baixo carbono e garantias de cumprimento
  • ENERGIAS LIMPAS: fortalecer o parque energético eólico, solar, de bioenergia e outras fontes 

- Cidadania
  • PARTICIPAÇÃO: a regulamentação dos instrumentos de cidadania e participação popular: audiências públicas e acesso à informação
  • MOEDA SOCIAL: regulamentar a criação e operação de moedas sociais locais de forma a estimular a adoção dessa política de transferência de renda, utilizando a experiência da Niterói, com a Moeda Social Arariboia
  • ONGs: Fortalecimento das iniciativas da sociedade civil
    • Criação de um sistema de incentivo fiscal para iniciativas ambientais
  • POUPANÇA ESCOLA: promover a experiência de Niterói em outras cidades
- LEGISLAÇÃO TRABALHISTA
  • Somos a favor do fim da escala 6x1
Estas sempre foram as minhas causas ao longo de uma longa trajetória de atuação cidadã, de militância ambientalista, social, política e na política partidária. Estas causas também foram o foco principal da minha dedicação profissional, como engenheiro florestal, como servidor público de carreira e empreendedor social. Me sinto privilegiado de poder conciliar convicção, ideologia, militância e profissão.

Trajetória

Ao longo desta trajetória há uma longa caminhada: comecei a estudar engenharia florestal em 1977 (pouca gente conhecia essa profissão), fui militante ambientalista (fundei o Movimento de Resistência Ecológica - MORE, em 1980 - pouca gente falava de meio ambiente na época), fui consultor ambiental (trabalhei em todos os biomas do país, inclusive na Terra Indígena Nhamundá-Mapuera), fui empresário (dono da Grael Ambiental) e fui empreendedor social (presidente do Instituto Rumo Náutico - Projeto Grael - organização fundada com meus irmãos Torben e Lars Grael).  

Na carreira pública, levo um privilégio que carrego com orgulho no meu currículo: ter trabalhado com Leonel Brizola e Darcy Ribeiro, no Segundo Governo Brizola, como presidente do Instituto Estadual de Florestas - IEF-RJ (1991-1994). Na ocasião, criamos o Parque Estadual da Serra da Tiririca - PESET (entre Niterói e Maricá), a Reserva Ecológica da Juatinga (Parati), a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Com Darcy Ribeiro, desenvolvi o Projeto Floresta da Pedra Branca, com a implantação de infraestrutura e recuperação ambiental do Parque Estadual da Pedra Branca. Também naquele período, ao lado de Brizola, participei da Rio-92 (momento histórico da luta pela sustentabilidade) e demos início ao Programa de Despoluição da Baía de Guanabara - PDBG.

Depois, fui presidente da FEEMA (1999-2000 e 2007-2008), antigo órgão ambiental do estado, hoje substituído pelo INEA, e fui subsecretário de Meio Ambiente do RJ (2000-2001). Como engenheiro florestal concursado da Prefeitura do Rio, dentre outras responsabilidades destacadas, fui o coordenador geral do Programa de Recuperação Ambiental da Macrobacia de Jacarepaguá. 

Em 2013, fui eleito vice-prefeito de Niterói com Rodrigo Neves como prefeito. Em 2021, fui eleito prefeito, no primeiro turno, com 62% dos votos dos niteroienses. Nesse ciclo de gestão na cidade (2013 até o presente), reduzimos os índices de violência de Niterói a índices históricos, tornamos Niterói uma referência nacional e internacional de sustentabilidade e resiliência urbana. Como exemplo, temos o programa Niterói de Bicicleta, que implantou mais de 80 km de ciclovias e produziu as três ciclovias mais movimentadas do país. 

Como prefeito (2021-2024), criei a primeira secretaria municipal do clima do Brasil e Niterói tornou-se uma referência nacional. Inaugurei o Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis (POP), criei o Parque do Morro do Morcego, Parque Águas Escondidas, Parque do Baldeador (primeiro da Zona Norte) e o novo Parque Natural Municipal de Pendotiba. Na retomada da economia no período pós-COVID, criei a Moeda Social Arariboia (maior programa do país), criamos o maior programa de regularização fundiária, com a meta de 10.000 lotes regularizados a serem entregues. Fizemos o maior investimento em infraestrutura da história de Niterói, que incluiu o maior investimento em contenção de encostas e drenagem, em infraestrutura nas comunidades e na proteção do patrimônio histórico e cultural, com a entrega da restauração do Mercado Municipal, da reforma de toda a infraestrutura, a abertura à visitação da Ilha da Boa Viagem, a entrega do Solar Nôtre Reve (Casa de Norival de Freitas) e o inicio das obras do Cinema Icaraí, da Estação Cantareira e do Centro Cultural Cauby Peixoto. Também iniciamos a reforma urbana do Centro de Niterói, que inclui a Arena Poliesportiva, que deixamos com as obras avançadas. 

Para atender as necessidades da juventude, desenvolvemos iniciativas emblemáticas, como o Projeto Aprendiz, que elevamos de 2.000 participantes a mais de 10 mil, dando ao programa uma infraestrutura e projeção que não existia antes. Na área esportiva, que atende principalmente a juventude, criamos o programa Niterói Esporte nas Comunidades - NEC, que junto com o Parque Esportivo e Social do Caramujo - PESC, o Parque Esportivo do Viradouro, o parque esportivo da Concha Acústica e o Complexo de Atletismo Aida dos Santos - que reformamos em parceria com a UFF, oferecemos mais de 10 mil vagas para programas esportivos na cidade. O programa Niterói Joga em Rede, leva a prática esportiva à rede escolar da cidade.

Com o Niterói Jovem Ecosocial, programa inovador que já beneficiou mais de 2 mil jovens, combinamos atividades práticas de sustentabilidade, com formação profissionalizante e inclusão no mercado de trabalho.

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O parlamento brasileiro, já teve nomes de grande destaque do ambientalismo brasileiro, como Alfredo Sirkis, Fernando Gabeira, Marina Silva, Fábio Feldman e no passado mais longínquo, nomes como José Bonifácio de Andrada e Silva, Augusto de Lima e tantos outros. Mas, embora expressivos em qualidade, sempre foram poucos, mas ajudaram a construir uma legislação ambiental sólida e avançada. Em alguns aspectos, dentre as melhores do mundo. 

Nas últimas legislaturas, vimos o crescimento assustador de uma visão retrograda e irresponsável que desmontou a legislação ambiental brasileira. É preciso fazer esse debate no Congresso e recompor os danos causados à sustentabilidade do país. 

Vemos o Brasil também precisando avançar na legislação e políticas públicas de transição energética, resiliência climática, justiça climática, controle de agrotóxico, proteção aos biomas, à biodiversidade e ao nosso patrimônio genético, fortalecimento das nossas áreas protegidas e a máxima prioridade à politica de respeito à nossa diversidade cultural, com ênfase aos povos indígenas, quilombolas, caiçaras e outros igualmente importantes.

Como deputado federal, queremos defender a educação pública em todos os níveis - inclusive a universidade pública,  gratuita, com financiamento adequado e socialmente inclusiva, a organização da sociedade civil, a participação social nas politicas públicas e o esporte, assim como a cultura, como meio de motivação e inclusão social.

Também defenderemos no Congresso o princípio do federalismo, fortalecendo cada vez mais o protagonismo das cidades nas politicas publicas nacionais, com ênfase para as políticas sociais, ambientais e climáticas. 

Diferente da conotação equivocada que havia há alguns anos, hoje, compreende-se que o tema da sustentabilidade não é apartada do cotidiano do cidadão, muito menos é antagonista ao desenvolvimento social e econômico. Falar em sustentabilidade é falar em segurança alimentar, em disponibilidade hídrica, em qualidade de vida, em geração de empregos, em conforto térmico e, portanto, em enfrentamento às mudanças climáticas, que afeta a todos, mas principalmente aos mais desfavorecidos de infraestrutura e de atenção governamental.

É para defender estas causas que nos colocamos como pré-candidato a deputado federal, visando fortalecer o PDT e oferecendo a nossa experiência e energia para a defesa do povo do estado do Rio de Janeiro e do Brasil no Congresso Nacional a partir de janeiro de 2027.

Axel Grael


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domingo, 25 de janeiro de 2026

Eólica e solar superam geração a combustíveis fósseis na UE pela primeira vez

Ilustração de ClimaInfo por Ian Stiepcich

Para o Ember, o marco alcançado pelo bloco em 2025 é um ponto de virada crucial para as energias renováveis em uma era de instabilidade geopolítica.

Em 2025, pela primeira vez, a geração elétrica eólica e solar na União Europeia (UE) superou a produção de eletricidade a partir de combustíveis fósseis. É o que mostra o relatório “European Electricity Review 2026”, do think tank Ember, lançado na 4ª feira (21/1).

Turbinas eólicas e painéis fotovoltaicos geraram 30% da eletricidade da UE no ano passado, mostra o documento. Já as termelétricas a carvão, gás e outros combustíveis de origem fóssil responderam por 29% da demanda elétrica, relatam The Guardian e Al Jazeera.

Sozinha, a energia solar foi responsável por 13% da geração elétrica e cresceu mais de 20% pelo quarto ano consecutivo, superando tanto o carvão quanto a hidreletricidade, destaca a Reuters. A geração solar cresceu em todos os países da UE, com a ampla instalação de painéis solares, e forneceu mais de um quinto da eletricidade em Hungria, Chipre, Grécia, Espanha e Holanda em 2025.

Analista sênior de Energia da Ember e principal autora do relatório, Beatrice Petrovich, afirma que o marco é um “ponto de virada crucial” de importância estratégica para a UE, que tem demonstrado crescente preocupação com sua dependência energética de outros países. “A importância disso vai além do setor de energia”, disse ela. “O perigo de depender de combustíveis fósseis é iminente em um cenário geopolítico instável.”

Em dezembro passado, a UE aprovou uma legislação que proíbe as importações de gás fóssil da Rússia até ao final de 2027. No entanto, surgiram novas dependências com o aumento das importações de gás liquefeito (GNL) dos EUA. A forte dependência de um único fornecedor ameaça a segurança do bloco e enfraquece o poder de negociação em contextos geopolíticos e em disputas comerciais, reforça a Ember.

Por isso, a expansão de projetos de armazenamento, sobretudo de baterias, o reforço da rede e o aumento da flexibilidade do lado da demanda permitem uma maior participação solar e eólica no mix energético. O que não só melhorará a segurança energética, mas também é crucial para garantir preços previsíveis e estáveis, reforça o think tank.A virada renovável da UE foi repercutida também em ESG News, Renewables Now, ANSA, Business Green e SustainableViews.

Fonte: ClimaInfo


Queda histórica do carvão na China e na Índia sinaliza avanço da transição energética

 

Uma usina de energia solar fotovoltaica de 50 MW construída na província de Shanxi, em 2017. Crédito: Planet Labs/Wikipédia

Expansão recorde de solar e eólica permitiu redução inédita do combustível fóssil nos dois maiores consumidores de carvão do mundo, segundo análise do Carbon Brief

Karina Pinheiro

Pela primeira vez em 52 anos, a geração de eletricidade a partir do carvão caiu simultaneamente na China e na Índia, segundo análise publicada pelo site especializado Carbon Brief. O recuo foi registrado em 2025 e ocorre após um ano de expansão recorde das fontes renováveis nos dois países, hoje os maiores consumidores de carvão do mundo.

De acordo com o levantamento, baseado em dados do Centre for Research on Energy and Clean Air (CREA), a produção de energia a carvão diminuiu 1,6% na China e 3% na Índia em relação a 2024. Em termos absolutos, a redução combinada supera 110 terawatts-hora (TWh), volume equivalente ao consumo anual de eletricidade de países de médio porte.

A queda interrompe uma tendência contínua de crescimento observada desde 1973, período em que a expansão econômica dessas nações esteve historicamente associada ao aumento do uso de combustíveis fósseis, especialmente do carvão.

Renováveis crescem acima da demanda

O recuo ocorreu apesar do aumento da demanda por eletricidade nos dois países. Em 2025, tanto China quanto Índia registraram crescimento no consumo de energia, impulsionado pela indústria, pela urbanização e pela digitalização da economia. Ainda assim, a expansão acelerada de fontes renováveis (como solar e eólica) foi suficiente para atender essa demanda adicional sem ampliar a geração a carvão.

Na China, a produção total de eletricidade aumentou, mas a geração térmica caiu pela primeira vez em uma década. O país instalou volumes recordes de capacidade solar e eólica ao longo do ano, reduzindo a participação do carvão na matriz elétrica. Na Índia, a expansão das renováveis também superou o crescimento do consumo, levando à retração da geração fóssil.

Segundo o Carbon Brief, esse movimento indica que as fontes limpas começaram a substituir, na prática, parte da eletricidade antes produzida por usinas a carvão, e não apenas a complementar o sistema.

A inflexão é considerada relevante para o enfrentamento da crise climática. China e Índia respondem por uma parcela significativa das emissões globais de dióxido de carbono do setor elétrico e foram responsáveis por cerca de 93% do aumento dessas emissões entre 2015 e 2024.

O carvão é o combustível fóssil mais intensivo em emissões de gases de efeito estufa. Qualquer redução sustentada em seu uso, especialmente em países de grande escala, tem impacto direto sobre o ritmo de crescimento das emissões globais.

Transição sob disputa

O cenário descrito pelos dados revela uma transição energética em curso, mas ainda marcada por contradições. De um lado, a rápida expansão das fontes limpas demonstra que é possível reduzir o uso do carvão mesmo em economias de grande porte e crescimento acelerado. De outro, interesses econômicos, limitações de infraestrutura e preocupações com segurança energética mantêm o combustível fóssil como peça central das matrizes nacionais.

Um relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA) divulgado em outubro de 2025 afirma que, além de expandir a capacidade de energias renováveis, é urgente investir estrategicamente na modernização e expansão das redes de eletricidade para integrar novas capacidades e fortalecer a segurança energética, bem como ampliar soluções de armazenamento de energia para facilitar a integração das renováveis e proteger a estabilidade da rede. O documento estima que cerca de US$ 670 bilhões por ano precisarão ser direcionados às redes até 2030, além de recursos adicionais para armazenamento e integração ao sistema.

A retração simultânea do carvão na China e na Índia é considerada um marco simbólico da transição energética global. O dado sugere que o crescimento econômico não precisa estar necessariamente vinculado ao aumento do uso de combustíveis fósseis.

No entanto, diante da aceleração das mudanças climáticas e da necessidade de cortes rápidos nas emissões, o avanço ainda é visto como insuficiente. A consolidação dessa tendência dependerá de decisões políticas capazes de transformar recordes pontuais de energia limpa em mudanças estruturais duradouras.

Fonte: ((O)) Eco




The Gardian: Rio de Janeiro é uma das cidades com maior vulnerabilidade hídrica no mundo

Half the world’s 100 largest cities are in high water stress areas, analysis finds

Los Angeles is one of the global cities facing extreme water stress, which is being made worse by climate breakdown. Photograph: Kirby Lee/Getty Images

Exclusive: Beijing, Delhi, Los Angeles and Rio de Janeiro among worst affected, with demand close to exceeding supply

Half the world’s 100 largest cities are experiencing high levels of water stress, with 38 of these sitting in regions of “extremely high water stress”, new analysis and mapping has shown.

Water stress means that water withdrawals for public water supply and industry are close to exceeding available supplies, often caused by poor management of water resources exacerbated by climate breakdown.

Watershed Investigations and the Guardian mapped cities on to stressed catchments revealing that Beijing, New York, Los Angeles, Rio de Janeiro and Delhi are among those facing extreme stress, while London, Bangkok and Jakarta are classed as being highly stressed.

Separate analysis of Nasa satellite data, compiled by scientists at University College London, shows which of the largest 100 cities have been drying or getting wetter over two decades with places such as Chennai, Tehran and Zhengzhou showing strong drying trends and Tokyo, Lagos and Kampala showing strong wetting trends. All 100 cities and their trends can be viewed on a new interactive water security atlas.

Guardian graphic. Source: Watershed Investigations

About 1.1 billion people live in major metropolitan areas located in regions experiencing strong long-term drying, compared with about 96 million in and around cities in regions showing strong wetting trends. However, the satellite data is too coarse to show details and context at the local scale.

Most of the city regions in notably wetting zones are in sub-Saharan Africa, with just Tokyo and Santo Domingo in the Dominican Republic sitting elsewhere. Most of the urban centres in areas with the strongest drying signals are concentrated across Asia, particularly northern India and Pakistan.

Now in its sixth year of drought, Tehran is perilously close to “day zero” when no water will be available for its citizens, and last year the country’s president, Masoud Pezeshkian, said the city may have to be evacuated if the drought continues. Cape Town and Chennai have both come close to day zero and many of the world’s fastest-growing cities are situated in drying zones where they could experience future water shortages.

Mohammad Shamsudduha, professor of water crisis and risk reduction at UCL, said: “By tracking changes in total water storage from space, [the Nasa project] Grace shows which cities are drying and which are getting wetter, offering an early warning of emerging water insecurity.”

On Tuesday the UN announced that the world had entered a state of water bankruptcy where deterioration of some water resources had become permanent and irreversible. Prof Kaveh Madani, director of the United Nations University Institute for Water Environment and Health, said poor management of water is frequently the main cause of bankruptcy and that climate breakdown is seldom the sole reason: “Climate change is like a recession on top of bad management of business.”

The World Bank Group has also been sounding the alarm. Global freshwater reserves have plunged sharply over the past 20 years, according to the group, which says the planet is losing about 324bn cubic metres of freshwater every year, enough to meet the annual needs of 280 million people, or roughly the population of Indonesia. The losses affect major river basins on every continent.

By 2055, England could need to find an additional 5bn litres of water a day to meet demand for public water supply – more than a third of the 14bn litres of water currently put into the public water supply, according to the Environment Agency. Other water sectors, such as agriculture and energy, may need an additional 1bn litres of water a day.

Shamsudduha said the “hidden resource of groundwater offers the UK a more climate-resilient water supply”, but added that “without sustained monitoring and better management we risk managing it blindly amid intensifying development and climate pressures”.

Parts of southern England have recently suffered water outages, which South East Water blamed on winter storms. However, regulators had already written to the company with “serious concerns” about its security of supply.

On Tuesday the government published a water white paper aimed at overhauling the water system, including establishing a new chief engineer role, “MOT checks” on water infrastructure and new powers for a new water regulator.

Fonte: The Gardian