domingo, 15 de fevereiro de 2026

Cinco cidades do RJ tiveram a emergência climática reconhecida em 2026. No Brasil, são cerca de 200 cidades

Defesa Civil Nacional libera R$ 324 mil para assistência às vítimas das chuvas em Itaperuna (Foto: Reprodução). Fonte: MIDR.

Passados 45 dias do início do ano de 2026, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil - SEDEC, vinculada ao Ministério da Integração Regional e do Desenvolvimento Regional - MIDR e a Defesa Civil do RJ, divulgaram uma situação muito preocupante com relação à segurança climática das cidades brasileiras e do estado do Rio de Janeiro, no ano em curso.

Segundo a defesa civil estadual, conforme dados atualizados na sexta-feira, 35 cidades fluminenses foram afetadas pelas chuvas desde o dia 1º de fevereiro, resultando em quatro mortes, 1.668 pessoas desalojadas e 118 desabrigadas.

O MIDR divulgou uma lista inicial de municípios em situação de emergência climática no Brasil, em 2026. Dentre estes municípios, três são do estado do Rio de Janeiro: 

  • Piraí e Rio Claro foram reconhecidas pelos resultados de chuvas intensas, 
  • Itaperuna foi incluída em função dos danos dos alagamentos. 

Outros atos do ministério, publicados entre os dias 10 e 12 de fevereiro, estenderam as medidas para outras cerca de 20 cidades no país. Em 13/02, conforme também divulgado pelo MIDR, foi reconhecida a situação de emergência das cidades fluminenses de Cantagalo e São Sebastião do Alto, decisão esta que será publicada no Diário Oficial da União, na quarta-feira, dia 18 de fevereiro. 

Segundo o MIDR, nesta quinta (12/02), a Defesa Civil Nacional aprovou o primeiro plano de trabalho para assistência humanitária para Itaperuna, no valor de R$ 324,7 mil. 

No início de janeiro (07/01), o governo federal já havia aprovado a liberação de R$ 250 milhões em créditos extraordinários, recursos autorizados pelo presidente Lula após edição da Medida Provisória (MP) 1.333 de 7 de janeiro de 2026. O valor de R$ 220 milhões teve destinação para ações de proteção e defesa civil, enquanto o restante foi previsto para o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), para a implementação infraestruturas de segurança hídrica. 

A MP incluiu as seguintes medidas:
  • Atendimento às populações afetadas por desastres naturais, como tornados e secas, em várias regiões do País;
  • Melhoria na segurança hídrica, especialmente no semiárido e em Minas Gerais, por meio de obras de barragens e adutoras;
  • Contribuição para a saúde pública e segurança alimentar, garantindo acesso à água em áreas impactadas por escassez hídrica;
  • Redução de desigualdades e promoção do desenvolvimento sustentável em regiões vulneráveis.
A SEDEC orienta as prefeituras em dificuldades a fazer a solicitação de ajuda federal por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD). O recurso liberado poderá ser usado na compra de cestas básicas, água mineral, refeições, kits de limpeza residencial e higiene pessoal, entre outros itens.

SEGURANÇA HÍDRICA

MIDR e ANA seguem monitorando o Sistema Cantareira (Foto: Sabesp)

Apesar das chuvas, nos últimos meses houve também uma grande preocupação com a segurança hídrica, uma vez que observou-se níveis muito reduzidos de estocagem de água nos principais mananciais que abastecem São Paulo (Cantareira) e Rio de Janeiro (Rio Paraíba do Sul).

CANTAREIRA:  Segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico - ANA, o Sistema Cantareira encerrou o mês de janeiro de 2026 com aproximadamente 23% do seu volume útil total, permanecendo, à época, na “Faixa 4 – Restrição”, conforme a Resolução Conjunta nº 925, de 29 de maio de 2017. Entretanto, em fevereiro de 2026, o sistema apresentou recuperação nos níveis de armazenamento, impulsionada pelas chuvas registradas no período. Na atualização mais recente, o Cantareira alcançou 32,01% do volume útil, percentual que retira o sistema da Faixa 4 e o reposiciona em uma condição operacional menos crítica, conforme os critérios estabelecidos pela norma vigente.

PARAÍBA DO SUL: No Reservatório Equivalente do Paraíba do Sul, que integra os reservatórios de Paraibuna, Santa Branca, Jaguari e Funil, os dados técnicos divulgados pela ANA indicam que o sistema encerrou o mês de janeiro de 2026 com níveis de armazenamento abaixo da média histórica, refletindo um quadro de atenção para a gestão dos recursos hídricos da bacia.

No entanto, assim como observado no Cantareira, o Paraíba do Sul também apresentou elevação dos volumes armazenados ao longo de fevereiro. De acordo com a atualização mais recente da ANA, o reservatório equivalente da bacia passou a operar com aproximadamente 40% do volume útil, evidenciando melhora nas condições hidrológicas e redução do risco imediato para o atendimento aos usos múltiplos da água, incluindo o abastecimento da população fluminense.

Axel Grael
Engenheiro Florestal
Doutorando em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU/UFF)

(com informações do MIDR, SEDEC e ANA)


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MAIS INFORMAÇÕES

Baseando-se em dados  da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil - SEDEC, atualizados com as informações acima, a coluna de Lauro Jardim, no O Globo, deste domingo, divulgou dados sobre a situação de desastres e emergências climáticas nas primeiras semanas de 2026:

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Governo federal já reconheceu situação de emergência por desastres em 171 cidades só em 2026; veja lista

Por Gustavo Maia — Brasília

Tornado deixa rastro de destruição em São José dos Pinhais (PR) — Foto: Reprodução

Fenômenos climáticos já causaram bastante estrago no país em 2026. Nas primeiras semanas do ano, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil já reconheceu situação de emergência em 171 cidades brasileiras, em decorrência de 12 tipos de desastres.

Chuvas intensas foram as causas do maior número de ocorrências (64), seguidas de estiagem (60), seca (18), inundações (9), enxurradas (5) e vendavais (5).

Completam a lista: granizo (3), alagamentos (3), deslizamento (1), erosão da margem fluvial (1), incêndio florestal (1) e... tornado — o que atingiu em São José dos Pinhais (PR) em janeiro.

Os municípios que tiveram a emergência reconhecida pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional neste ano ficam em 20 estados das cinco regiões do Brasil. Minas Gerais lidera o ranking, com 36 cidades afetadas por seis tipos de desastres.

Rio Grande do Sul (19), Bahia (18), Paraíba (18), Ceará (16), Pernambuco (11), Rio Grande do Norte (11), Santa Catarina (11), Acre (8), Pará (5), Alagoas (5), Rio de Janeiro (3), São Paulo (2), Goiás (2), Mato Grosso (1), Maranhão (1), Paraná (1), Piauí (1), Sergipe (1) e Tocantins (1) foram os outros estados atingidos.

Veja a lista de municípios a seguir:

Chuvas intensas (64):

Açucena (MG); Almenara (MG); Angelina (SC); Bom Jesus (PI); Campina das Missões (RS); Campos Borges (RS); Caparaó (MG); Capinópolis (MG); Carvalhópolis (MG); Cândido Godói (RS); Cerro Grande (RS); Cerro Grande do Sul (RS); Chapada (RS); Cotriguaçu (MT); Cumaru do Norte (PA); Dom Feliciano (RS); Dona Francisca (RS); Dores do Turvo (MG); Durandé (MG); Elói Mendes (MG); Encruzilhada (BA); Faxinal do Soturno (RS); Formiga (MG); Gaspar (SC); Ibicaré (SC); Ibirataia (BA); Irecê (BA); Itabira (MG); Jaborá (SC); Jacareacanga (PA); José Gonçalves de Minas (MG); Massaranduba (SC); Matipó (MG); Mongaguá (SP); Nova Palma (RS); Nova Trento (SC); Novo Barreiro (RS); Óbidos (PA); Ouro Verde de Minas (MG); Passos (MG); Pelotas (RS); Pescador (MG); Piraí (RJ); Porto Lucena (RS); Prata (MG); Presidente Prudente (SP); Resplendor (MG); Riachinho (MG); Rio Claro (RJ); Rio Novo (MG); Santa Maria (RS); Santo Cristo (RS); São João Batista (SC); São João da Urtiga (RS); São João do Itaperiú (SC); São Lourenço do Sul (RS); Sobrália (MG); Teófilo Otoni (MG); Três Marias (MG); Uirapuru (GO); Unaí (MG); Varjão de Minas (MG); Várzea da Palma (MG); Viçosa (MG)

Estiagem (60)

Afogados da Ingazeira (PE); Afrânio (PE); Agrestina (PE); Águas Belas (PE); Alagoinha (PE); Algodão de Jandaíra (PB); Altinho (PE); Arara (PB); Araripe (CE); Araripina (PE); Arcoverde (PE); Belém do São Francisco (PE); Bernardino Batista (PB); Boa Nova (BA); Boa Vista do Tupim (BA); Belém do Brejo do Cruz (PB); Camalaú (PB); Canapi (AL); Canhotinho (PE); Canudos (BA); Caraúbas (PB); Caririaçu (CE); Catolé do Rocha (PB); Deputado Irapuan Pinheiro (CE); Girau do Ponciano (AL); Guimarães (MA); Ichu (BA); Irajuba (BA); Itapajé (CE); Itatira (CE); Jaguaribara (CE); Lagoa Real (BA); Lastro (PB); Livramento de Nossa Senhora (BA); Malhada de Pedras (BA); Mansidão (BA); Marcionílio Souza (BA); Mãe D'Àgua (PB); Monsenhor Tabosa (CE); Monte Santo (BA); Olho D`Água do Casado (AL); Ouro Branco (AL); Paramoti (CE); Pereiro (CE); Piripá (BA); Pombal (PB); Potengi (CE); Quixabá (PB); Salitre (CE); Santa Cecília (PB); São Francisco (PB); São João do Cariri (PB); São José do Egito (PE); São José do Sabugi (PB); São Mamede (PB); Senador José Porfírio (PA); Senador Rui Palmeira (AL); Solânea (PB); Tanhaçu (BA); Várzea (PB)

Seca (18)

Acopiara (CE); Barro Alto (BA); Caiçara do Norte (RN); Caicó (RN); Campo Grande (RN); Carira (SE); Jaçanã (RN); Jaguaribe (CE); Jardim do Seridó (RN); Parelhas (RN); Pau dos Ferros (RN); Quixeramobim (CE); Riacho de Santana (RN); São Fernando (RN); Senador Pompeu (CE); Serra Negra do Norte (RN); Solonópole (CE); Várzea (RN)

Inundações (9)

Cruzeiro do Sul (AC); Feijó (AC); Plácido de Castro (AC); Porto Acre (AC); Rio Branco (AC); Santa Rosa do Purus (AC); São Sebastião da Bela Vista (MG); Sena Madureira (AC); Tarauacá (AC)

Enxurradas (5)

Albertina (MG); Chuvisca (RS); Cristina (MG); Itaberaba (BA); Virgínia (MG)

Vendavais (5)

Farroupilha (RS); Laguna (SC); Palmas (TO); Pintópolis (MG); São Gonçalo do Abaeté (MG)

Granizo (3)

Dom Bosco (MG); Lontras (SC); Rio das Antas (SC)

Alagamentos (3)

Itaperuna (RJ); Mário Campos (MG); Santo Antônio do Descoberto (GO)

Deslizamento (1)

Joanésia (MG)

Erosão de margem fluvial (1)

Novo Santo Antônio (MG)

Incêndio florestal (1)

Garrafão do Norte (PA)

Tornado (1)

São José dos Pinhais (PR)

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Calor nas cidades pode ser até o dobro do previsto com o aquecimento global, aponta estudo

 

Vale qualquer sombra: em Madureira, pessoas esperam o ônibus na sombra do poste — Foto: Marcos Serra

Análise de 104 cidades mostra que 8 em cada 10 devem aquecer mais rápido que áreas rurais ao redor, mesmo se o aquecimento global for limitado a 2 °C. Trabalho inclui cidades brasileiras e indica que o efeito varia conforme vegetação, urbanização e clima local.

Por Roberto Peixoto, g1

Um novo estudo científico recém-publicado indica que o aquecimento global pode ter um efeito ainda mais intenso dentro das cidades do que o previsto por modelos climáticos tradicionais.

A pesquisa, publicada na prestigiada revista científica "Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)", analisou 104 cidades de porte médio em regiões tropicais e subtropicais e concluiu que, em cerca de 81% delas, a temperatura urbana tende a subir mais rapidamente do que nas áreas rurais ao redor.

O trabalho utilizou projeções climáticas combinadas com modelos estatísticos e técnicas de aprendizado de máquina para estimar como fatores como a chuva, a umidade e a vegetação influenciam o aquecimento urbano.


COP30 - Por que limitar o aquecimento a 1,5°C é a meta perseguida?

Em parte das cidades avaliadas, o aumento de temperatura pode chegar a ser até o dobro do registrado no entorno rural.

Entre as cidades analisadas estão municípios de vários países da América Latina, incluindo o Brasil.

O estudo cita, por exemplo, Campo Grande, além de outras cidades brasileiras avaliadas nas projeções.

Nos resultados, os pesquisadores observaram que o comportamento das cidades brasileiras tende a ser diferente do registrado em regiões mais áridas ou densamente urbanizadas da Ásia e do Oriente Médio.

Em partes do Brasil, porém, a diferença entre o aquecimento urbano e o regional pode ser menor, em parte por causa da presença de vegetação e da maior disponibilidade de umidade, fatores que ajudam a reduzir a intensidade da chamada ilha de calor urbana.

Ainda assim, o estudo mostra que essas cidades continuam aquecendo junto com o clima regional, o que pode aumentar a frequência de dias muito quentes e de noites abafadas.

Os resultados mostram, contudo, que o comportamento de cidades pelo mundo não é uniforme: em alguns casos, a diferença entre o aquecimento urbano e o regional é pequena, enquanto em outros há um aumento mais expressivo.

Ainda assim, os pesquisadores destacam que mesmo variações aparentemente pequenas podem ter impacto relevante na vida cotidiana.

➡️ Em cidades já quentes, um aumento adicional de alguns décimos de grau pode elevar a frequência de dias muito quentes e noites abafadas, com efeitos sobre saúde, consumo de energia e qualidade de vida.

O fenômeno por trás desse resultado é conhecido como ilha de calor urbana. Cidades tendem a reter mais calor do que áreas rurais por causa da presença de concreto, asfalto e edifícios, além da menor quantidade de vegetação.

Esses materiais absorvem energia durante o dia e liberam calor lentamente à noite, mantendo as temperaturas elevadas.

São Paulo registrou 39 °C em 25 de dezembro, em pleno dia de Natal, durante uma onda de calor. — Foto: RENATO S. CERQUEIRA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Segundo os autores, os modelos climáticos globais são essenciais para prever o aquecimento do planeta, mas não conseguem representar com precisão o microclima das cidades, especialmente as de porte médio.

Isso acontece porque esses modelos trabalham com áreas muito grandes, nas quais diferenças locais acabam diluídas.

Para contornar essa limitação, o estudo combinou dados climáticos com informações de satélite e modelos capazes de estimar com mais detalhe a temperatura da superfície nas áreas urbanas.

Os resultados indicam que, ao considerar esses fatores locais, o aquecimento nas cidades pode ser maior do que o estimado apenas com base nas médias regionais.

Em algumas regiões do mundo, como norte da Índia e partes da China, as projeções apontam aumentos urbanos significativamente superiores aos das áreas vizinhas.

Já em cidades brasileiras analisadas, a diferença tende a ser menor em média, embora o aumento geral de temperatura ainda seja significativo.

Os pesquisadores também ressaltam que o estudo não considerou a expansão futura das cidades.

E caso áreas urbanizadas continuem crescendo nas próximas décadas, o aquecimento local pode ser ainda maior do que o estimado.

Silhueta de uma mulher contra o sol poente. — Foto: AP Photo/Charlie Riedel

Por que limitar o aquecimento a 1,5°C é a meta perseguida?

A meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais surgiu como um consenso científico e diplomático em 2015, com o Acordo de Paris.

Ela foi definida após uma série de estudos mostrarem que esse valor representava um “limite seguro” para evitar os efeitos mais devastadores das mudanças climáticas – como secas intensas, colapso de ecossistemas, aumento extremo do nível do mar e impactos graves à saúde humana.

A lógica por trás desse número era clara: quanto menor o aquecimento, menores os riscos. Relatórios do IPCC (painel da ONU sobre clima) mostraram que, mesmo com 1,5°C, o planeta já enfrentaria perdas consideráveis, mas que esses impactos seriam muito piores com 2°C ou mais.

Estabelecer esse teto era uma forma de preservar o futuro de bilhões de pessoas, especialmente nas regiões mais vulneráveis.

No entanto, os dados mais recentes apontam que esse limite já está sendo superado. Em 2024, o planeta atingiu a marca de 1,6°C de aquecimento: a questão que os cientistas avaliam é se isso foi um novo padrão ou apenas o registro pontual em um ano.

E, pior: estudos publicados nas revistas "Nature Climate Change e Nature Communications" indicam que manter o aquecimento em 1,5°C talvez não seja mais suficiente para impedir o colapso de geleiras na Groenlândia e na Antártida – regiões que armazenam gelo capaz de elevar o nível do mar em até 65 metros nos próximos séculos.

Além disso, um relatório da ONU afirma que, mesmo no cenário mais otimista, a chance de limitar o aquecimento global a 1,5°C é de apenas 14%.

Fonte: G1



Mudanças climáticas intensificam ciclones e tempestades no Brasil

 

Créditos: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Em menos de uma semana, dois ciclones extratropicais se formaram na costa brasileira, na altura dos litorais do Sul e do Sudeste. Esses sistemas intensificaram as chuvas em estados dessas regiões, como São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina

Coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), José Marengo explica, nesta entrevista exclusiva ao ClimaInfo, que a formação desses fenômenos meteorológicos são comuns nesta época do ano. Entretanto, as mudanças climáticas, causadas principalmente pela queima de petróleo, gás fóssil e carvão, estão aumentando tanto a frequência como a intensidade de ciclones e também das tradicionais chuvas de verão.

Como a ciência tem interpretado o aumento das chuvas extremas no Brasil durante o verão, especialmente no Sul e Sudeste?

Já existe uma tendência observada há décadas de aumento das chuvas na região Sul. Na verdade, em toda a Bacia do Prata, que engloba o Sul e o Sudeste do Brasil, o norte da Argentina e o Uruguai, vemos um aumento no volume total de chuvas, e, dentro desse total, um crescimento claro dos eventos extremos.

Como a estação chuvosa no Sudeste ocorre no verão, esse aumento aparece com mais força nesse período. No Sul, porém, a intensificação das chuvas já é percebida também nas estações intermediárias.

Esse padrão está associado ao aumento da temperatura global. O aquecimento altera o ciclo hidrológico e, com isso, modifica a distribuição e a intensidade das chuvas.

Em algumas áreas onde já chovia, agora chove mais e com maior intensidade. Em outras, onde chovia regularmente, a chuva deixou de ocorrer. Há ainda regiões em que as precipitações se concentram em poucos dias. Estamos observando áreas em que chove uma hora o equivalente ao esperado para todo o mês, como aconteceu em Goiás em dezembro de 2025.

Esses extremos mais frequentes aumentam diretamente a ocorrência de desastres climáticos, como enxurradas, deslizamentos e inundações.

Eventos como estes ciclones extratropicais ou tempestades severas associadas a frentes frias têm relação com a mudança do clima?

Ciclones são centros de baixa pressão e sempre ocorreram no [Oceano] Atlântico. Quando um centro de baixa pressão se intensifica, pode dar origem a um furacão ou a ciclones tropicais, como os que ocorrem na Índia e na Austrália. Na nossa região, algumas tempestades severas estão, de fato, associadas a ciclones; em outros casos, a frentes frias ou ao aporte de umidade da Amazônia pelos chamados “rios voadores”. As chuvas de maio de 2024, por exemplo, resultaram da combinação entre frentes frias e forte transporte de umidade amazônica.

Outros episódios de chuva intensa e rajadas de vento também têm relação com ciclones. São fenômenos naturais que sempre ocorreram, assim como as frentes frias e tempestades.

Mas o que se observa agora é um aumento na frequência de chuvas extremas, o que pode indicar maior frequência de sistemas frontais, especialmente frentes frias vindas do Sul que avançam no verão. E os ciclones muito intensos, como os chamados “ciclones-bomba”, parecem estar ficando mais fortes.

A existência de ciclones subtropicais ou tempestades não é, por si só, sinal das mudanças climáticas: eles sempre ocorreram. O que pode ser associado à crise climática é a intensificação desses sistemas e a possível maior frequência de tempestades severas.

O que a comunidade científica considera hoje como consenso sobre o papel das mudanças climáticas na alteração dos padrões de chuva, tempestades e extremos meteorológicos no Brasil?

Já existe um consenso sólido na comunidade científica de que as mudanças climáticas estão tornando os eventos extremos mais intensos e mais frequentes, tanto no regime de chuvas quanto nas tempestades. Isso inclui tempestades associadas a frentes frias, ciclones, tempestades tropicais e furacões.

Quando falamos de extremos meteorológicos, estamos nos referindo a chuvas intensas capazes de causar desastres. A chuva em si não é o desastre: ela aciona processos que resultam em mortes e danos, como inundações, enxurradas e deslizamentos.

Outro extremo climático de grande relevância são as ondas de calor, que estão aumentando gradualmente no Sul e em todo o Brasil. Ondas de calor associadas à seca podem ampliar o risco de incêndios na Amazônia, no Centro-Oeste e no Sudeste, além de agravar crises hídricas e impactar diretamente a saúde da população.

Há vasta literatura científica sobre esses temas, com destaque para os relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Estudos recentes também analisaram episódios específicos, como as chuvas de maio de 2024 no Rio Grande do Sul, que já renderam diversas publicações nacionais e internacionais sobre extremos e desastres associados.

Um ponto adicional importante é o aumento da frequência das ondas de calor no Brasil e no mundo. Elas são consideradas um “assassino silencioso”: enquanto um deslizamento pode matar dezenas ou centenas de pessoas de uma só vez, uma onda de calor pode causar milhares de mortes de forma difusa, por agravar problemas de saúde existentes.

Por sua vez, as ondas de frio têm se tornado menos frequentes, mas quando ocorrem podem ser muito intensas e também causar mortes [como ocorreu há alguns dias nos Estados Unidos]. Contudo, globalmente, as ondas de calor são responsáveis pelo maior número de vítimas entre todos os extremos climáticos.

Fonte: ClimaInfo





sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Subsídio a empresas que destroem biodiversidade é 32 vezes maior que para aquelas que a protegem

Foto: James Martins / Creative Commons

Relatório do IPBES mostra fluxo global de financiamento público e privado com impacto negativo direto sobre natureza foram da ordem de US$ 7,3 trilhões em 2023

Cristiane Prizibisczki

Relatório divulgado esta semana pela Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) mostra a profunda dependência e impacto das empresas na diversidade de espécies da Terra e a necessidade urgente de mudar o status quo para deter e reverter a perda desta riqueza natural.

De acordo com o relatório, em 2023, os fluxos globais de financiamento público e privado com impactos negativos diretos sobre a natureza foram estimados em US$ 7,3 trilhões, sendo US$ 4,9 trilhões da iniciativa privada e US$ 2,4 trilhões referentes a gastos públicos em subsídios prejudiciais ao meio ambiente.

Em contrapartida, apenas US$ 220 bilhões em fluxos de financiamento público e privado foram direcionados em 2023 para atividades que contribuem para a conservação e restauração. A cifra é 32 vezes menor do que os subsídios feitos a atividades destrutivas à biodiversidade.

O documento em questão é intitulado Relatório de Avaliação Metodológica do IPBES sobre o Impacto e a Dependência das Empresas na Biodiversidade e nas Contribuições da Natureza para as Pessoas – ou Relatório Empresas e Biodiversidade.

Ele foi aprovado na última segunda-feira (9) por representantes dos mais de 150 governos membros do IPBES, durante a 12ª Sessão plenária do órgão. O IPBES é o órgão científico da ONU para a biodiversidade.

Sua conclusão principal é que as empresas são fundamentais para deter e reverter a perda de biodiversidade, mas que muitas vezes carecem de informações para abordar seus impactos e dependências, bem como os riscos e oportunidades relacionados à biodiversidade e às contribuições da natureza para as pessoas.

As condições atuais perpetuam o status quo e não apoiam a mudança transformadora necessária para deter e reverter a perda de biodiversidade, revela o documento.

“O Relatório mostra que a manutenção do status quo não é inevitável – com as políticas certas, bem como mudanças financeiras e culturais, o que é bom para a natureza também é o melhor para a lucratividade. Para chegar lá, o Relatório oferece ferramentas para a escolha de métricas e análises mais eficazes. A perda de biodiversidade está entre as ameaças mais sérias para os negócios”, diz o Prof. Stephen Polasky (EUA), copresidente da Avaliação. O resumo para formuladores de políticas pode ser conferido aqui.

Fonte: ((O)) Eco




Brasil perdeu 1,4 bilhão de toneladas de carbono do solo por conversão de áreas naturais à agricultura

Pesquisador retira amostras de solo para análise em diferentes camadas. Estudo quantificou perdas de diferentes conversões em cada bioma brasileiro (fotos: Júnior Melo Damian/Embrapa Agricultura Digital)

Quantidade equivale à emissão de 5,2 bilhões de toneladas de CO2 equivalente, segundo cálculo feito por pesquisadores da Esalq-USP e da Embrapa; autores apontam potencial para atingir metas brasileiras de mitigação “recarbonizando” solos com práticas sustentáveis de agricultura

André Julião | Agência FAPESP – A conversão dos biomas nativos brasileiros em áreas de agricultura resultou na perda estimada de 1,4 bilhão de toneladas de carbono do solo. Essa quantidade, calculada com base em dados coletados por estudos realizados nos últimos 30 anos, equivale à emissão de 5,2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) equivalente, unidade de medida usada para padronizar a emissão de diferentes gases de efeito estufa.

A conclusão é de um estudo publicado na revista Nature Communications por pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), da Embrapa Agricultura Digital e da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

O trabalho foi realizado no âmbito do Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCARBON), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP sediado na Esalq-USP e coordenado por Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, que também assina o artigo.

A boa notícia é a estimativa dos pesquisadores de que “recarbonizar” cerca de um terço da área agrícola do país já seria suficiente para alcançar a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês) do Brasil no Acordo de Paris, que tem como meta a redução de 59% a 67% das emissões de gases de efeito estufa (em relação a 2005) até 2035.

A meta, em teoria, poderia ser alcançada utilizando técnicas sustentáveis, como rotação de cultura, plantio direto e sistemas integrados como ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta). Outro potencial se dá na reforma de pastos degradados, que somam 20 milhões de hectares apenas na Mata Atlântica.

“O objetivo principal desse trabalho era estimar a dívida de carbono dos solos do Brasil. Além de chegar a esse número geral, calculamos quanto cada bioma acumula e quanto perde de carbono quando uma área natural é convertida em agricultura, além de quais práticas agrícolas conservam mais e menos carbono no solo”, resume João Marcos Villela, primeiro autor do estudo e pesquisador na Esalq-USP apoiado pela FAPESP.

As estimativas foram realizadas a partir da análise do maior banco de dados sobre carbono dos solos do Brasil, agrupado pelos pesquisadores e que reuniu 4.290 registros provenientes de 372 estudos publicados nos últimos 30 anos. Foram contemplados todos os biomas brasileiros e tanto áreas de vegetação natural quanto de agricultura.

A expectativa dos pesquisadores é que os resultados do estudo ajudem a guiar políticas públicas e ações da iniciativa privada, tanto para direcionar práticas sustentáveis nas lavouras quanto para subsidiar o mercado de créditos de carbono com dados sobre os estoques brasileiros.

Melhores práticas

Para realizar cálculos de emissões de gases de efeito estufa, usa-se a métrica CO2 equivalente, a fim de padronizar diferentes gases em uma só unidade de medida. Neste caso, a quantidade aferida de carbono é multiplicada por 3,66, daí a diferença entre o 1,4 bilhão de toneladas de carbono e os 5,2 bilhões de dióxido de carbono equivalente. No estudo, a Mata Atlântica apresentou o maior acúmulo de carbono no solo em sua vegetação natural e em áreas de agricultura. Caatinga e Pantanal foram os que tiveram os menores estoques entre as medições realizadas. Os pesquisadores consideraram o carbono presente em quatro camadas de solo normalmente analisadas nesse tipo de estudo, 0 a 10 centímetros (cm), 0 a 20 cm, 0 a 30 cm e 0 a 100 cm.

Na camada mais superficial, os estoques das áreas de vegetação nativa da Mata Atlântica foram 86% maiores do que na Caatinga e 36% maiores do que no Cerrado. Em áreas de agricultura, a Mata Atlântica superou Pantanal e Caatinga em 154% e 62%, respectivamente.

A grande quantidade de dados permitiu ainda estimar os tipos de conversão que mais retiram carbono do solo em cada bioma e quanto a transição da monocultura para outras práticas agrícolas pode aumentar o carbono estocado nos seis biomas analisados.

Enquanto transformar vegetação nativa em monocultura na Mata Atlântica gera uma perda de 33% do carbono do solo, a mesma conversão no Cerrado causa um déficit de 15,8%. Por sua vez, converter uma área de monocultura em um sistema integrado no Cerrado gera um ganho de 15,3% de carbono no solo.

Na Amazônia, estima-se que fazer a transição da monocultura para a rotação de culturas, ou para o cultivo de mais de uma cultura em consórcio, gera um incremento potencial de carbono de 14,1%.

“Estes são potenciais teóricos, que ainda dependem de mais estudos para sabermos se podem se concretizar ou não. No entanto, agora temos uma base que nos dá boas perspectivas para a aplicação em novos estudos e mesmo em políticas públicas e no mercado de créditos de carbono no Brasil, ainda incipiente”, conclui Villela.

Em dezembro de 2025, a Shell, a Petrobras e o CCARBON lançaram o Carbon Countdown, que será o maior banco de dados de estoques de carbono do Brasil. Com metodologia padronizada, o projeto vai coletar e medir amostras em todo o país, a fim de refinar os resultados obtidos no estudo publicado agora.

Outro centro que apoiou o estudo foi o Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), um Centro de Pesquisa Aplicada (CPA) sediado na USP e financiado pela FAPESP e pela Shell.

O trabalho teve apoio da Fundação ainda por meio de Bolsa de Pós-Doutorado para Júnior Melo Damian na Embrapa Agricultura Digital, em Campinas.

O artigo Soil carbon debt from land use change in Brazil pode ser lido em: nature.com/articles/s41467-026-68340-4.

Fonte: Agência FAPESP 



domingo, 8 de fevereiro de 2026

HÁ SETE ANOS, CRIAMOS O PREMIADO PROGRAMA NITERÓI JOVEM ECOSOCIAL

Plantando mudas no Horto do Fonseca, com participantes do EcoSocial. Dezembro de 2019.

Atividade do EcoSocial no Lago Azul, do Horto do Fonseca. Dezembro de 2019. 

Em 2018, apresentei ao então prefeito Rodrigo Neves, o projeto de criação do programa Niterói Jovem EcoSocial, uma iniciativa inovadora e que, posteriormente, daria origem ao Pacto Niterói Contra a Violência, do qual faria parte. Na concepção e detalhamento do projeto, contei com a ajuda fundamental e decisiva da minha colega, engenheira florestal Valéria Braga, que avançou na concepção e detalhamento. 

A ideia era inspirada na experiência que tive com meus irmãos Torben e Lars, com a criação do Projeto Grael, em 1988. O Projeto Grael, que já formou mais de 25 mil alunos, utiliza os esportes náuticos como motivação e oportunidade para jovens estudantes da rede pública de educação para o desenvolvimento de habilidades profissionais e para atuação ambiental, além de, obviamente, terem a possibilidade de iniciação esportiva. 

No caso do Niterói Jovem EcoSocial, a ideia era oferecer uma oportunidade de educação complementar combinando atividades ambientais e formação profissionalizante. O programa era focado em beneficiar jovens em situação de vulnerabilidade social, ou potencial vulnerabilidade social. 

O programa iniciou-se em 2019, com a assinatura do contrato de parceria com a FIRJAN/SESI/SENAI, que assumiu o gerenciamento do programa e forneceu o programa profissionalizante através do SENAI. Os alunos recebem uma bolsa e auxílio-transporte para participar do programa. 

Abrimos 400 vagas na primeira turma. As inscrições dos primeiros participantes acontecerem a partir de setembro. A aula inaugural ocorreu em outubro de 2019. 

segunda turma, lançada em 2022, contou com 500 participantes e um investimento de R$ 25 milhões. Em dezembro de 2021, formávamos a primeira turma do Niterói Jovem EcoSocial.

A terceira turma foi iniciada no final de 2024 e tem 750 alunos.

Formatura da primeira turma do Niterói Jovem EcoSocial, em dezembro de 2021.

Formatura de mais 450 alunos do EcoSocial, em junho de 2024.

O EcoSocial é desenvolvido com a liderança do secretário Octávio Ribeiro, da Secretaria Municipal de Participação Social - SEMPAS e atualmente conta com a parceria com o SENAC e o Instituto Três Romãs. Em suas 3 edições, o Programa já atendeu mais de 1500 adolescentes e jovens entre 16 e 24 anos, em situação de vulnerabilidade social, residentes em mais de 30 comunidades da nossa cidade, oferecendo qualificação profissional com acompanhamento social e pedagógico.


Vídeos no YouTube do EcoSocial

Como contrapartida, os adolescentes e jovens participam de ações e atividades de educação ambiental em seus territórios, onde desenvolvem técnicas baseadas nos eixos temáticos do programa, dentre estes:

Áreas Verdes – implantação de áreas verdes em encostas, com ênfase em reflorestamento e recuperação de florestas, bem como a restauração ecológica; produção de mudas, formação de jardins e hortas, plantio em praças e outros espaços públicos;

Corpos hídricos/água –apoio à conservação de rios e córregos; às Lagunas da Cidade e ao Oceano; apoio à redução de perdas de água potável; apoio às ações de educação ambiental relacionadas ao saneamento dos territórios; conscientização do desperdício e preservação da água.

Resíduos Sólidos – participação na orientação quanto ao descarte de resíduos sólidos e execução de projetos relacionados a gestão de resíduos sólidos, bem como outros eventos relacionados com a educação ambiental.

Defesa Civil – palestras e rodas de conversa sobre como participar no apoio ao monitoramento e planejamento de ações relacionadas à minimização de riscos em áreas sujeitas a queimadas.

Parques – apoio à manutenção de unidades de conservação e áreas protegidas ambientalmente, com destaque para o incentivo do uso público por meio do manejo de trilhas e outras atividades previstas no Plano de Manejo ou orientação emitida por órgão ambiental responsável e orientação e conscientização do ecoturismo e do turismo de natureza na cidade.

MAPEAMENTO PARTICIPATIVO

Mapa geral de todos os pontos coletados no Projeto Niterói Jovem EcoSocial

O mapeamento participativo é um desdobramento inovador do EcoSocial, que foi idealizado já no inicio do programa e tem como objetivo principal, construir a história de cada território a partir do mapeamento de pontos ambientais e afetivos pela perspectiva dos alunos/moradores dos territórios. Oferecemos a oportunidade para que o aluno desenvolvesse um olhar crítico sobre o seu território, além do senso de pertencimento e identidade a partir da realidade dos territórios onde residem, transformando-o em agente de mudança e ação. 

A coleta de dados foi realizada através de formulários dentro do Survey123 for ArcGIS de maneira rápida e interativa, a partir do georreferenciamento dos pontos de interesse, contendo as informações do local, fotos e/ou comentários.

As atividades ocorreram na forma de treinamento em sala de aula e trabalho de campo. Foram criados dois formulários pelas equipes de campo/mapeamento participativo a serem preenchidos em campo.
 
O formulário "Ambiental" contou com 4 eixos: 
  • Águas, 
  • Defesa Civil, 
  • Parques e 
  • Reflorestamento/ Resíduos Sólidos
O formulário "Afetivo" trouxe o olhar dos jovens aos lugares que representam memórias e informações que possam contribuir para melhores perspectivas em políticas públicas nos territórios. Os eixos foram: 
  • Análise de Urbanização, 
  • Transporte, 
  • Abastecimento de Água, 
  • Iluminação Pública, 
  • Educação, 
  • Saúde, 
  • Políticas Públicas, 
  • Ações Culturais, 
  • Esporte/Lazer e 
  • Afetividade.
REPERCUSSÃO E DESDOBRAMENTOS

Em novembro de 2022,  retornando do Egito onde participamos da COP27, estivemos na sede da ONU em Genebra, Suíça, onde fomos convidados para apresentar a experiência de Niterói com o Niterói Jovem EcoSocial e a Moeda Social Arariboia, no evento “Mayors, Human Rights and the United Nations Universal Periodic Review”, organizado pela Coalizão para a Participação de Governos Locais e Regionais na Revisão Periódica Universal, promovido pelo Genebra City Hub. O evento foi realizado na véspera da sabatina do governo brasileiro perante o Plenário da ONU, como parte da Revisão Periódica Universal das Nações Unidas (RPU), ocasião em que os estados nacionais prestam contas da situação dos direitos humanos no país. 

Em 2024, a FIRJAN lançou um livro sobre o EcoSocial, registrando o período de contribuição da instituição com o programa, apresentando muitos casos de sucesso que nos orgulham muito.

Em 2025, o EcoSocial e a Estratégia de Governo Digital permitiram que Niterói alcançasse a Certificação "What Works Cities", oferecida pela Bloomberg Philanthropies. A certificação foi possível após a seleção de Niterói para participar do programa em 2023. Niterói foi certificada no Padrão 'Ouro". Das 21 cidades certificadas - no Canadá, EUA, Brasil, Argentina e Chile - apenas Niterói, Rio de Janeiro e Calgary (Canadá) chegaram ao nível Ouro. Todas as demais cidades ficaram com a certificação "Prata".

Axel Grael
Prefeito de Niterói (2021-2024)



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Participantes do Niterói Jovem EcoSocial mais perto do mercado de trabalho



Com foco na empregabilidade e na geração de renda para jovens, o Programa Niterói Jovem EcoSocial realiza, nesta sexta-feira (6), a Feira de Empregabilidade – Ecoando Oportunidades: Conectando o jovem ao primeiro passo. O evento aconteceu das 8h30 às 17h, exclusivamente para os alunos do Programa, no Centro de Formação Darcy Ribeiro, no Barreto, e tem como principal objetivo promover a conexão direta entre os alunos do programa e o mercado de trabalho.

Durante a feira, empresas convidadas estarão presentes para divulgar vagas, receber currículos e tirar dúvidas dos jovens participantes. Ao todo, 17 empresas confirmaram presença, entre elas Rede D’Or, Mundial Supermercados, Drogaria Venâncio, Grupo DPSP, Coco Bambu, ABRASEL Leste Fluminense, CIEDS, Padaria Atlântica, Onodera Estética, Supermercado Maravista, La France RH, In Búzios Turismo, Gi Group Consultoria e Global Service.

Para a Secretaria Municipal de Participação Social, a Feira representa um momento estratégico de encerramento do ciclo formativo do programa.

“Essa ação é a concretização de um compromisso da Prefeitura de Niterói com o Niterói Jovem EcoSocial, que, ao promover a qualificação profissional, proporciona aos jovens a oportunidade de ingressar no mercado de trabalho”, pontua o secretário de Participação Social, Octávio Ribeiro.

A Feira de Empregabilidade é organizada pelo Senac RJ, por meio do Interliga, um serviço que aproxima os estudantes da realidade do mundo do trabalho, com o apoio de profissionais de empresas parceiras, apresentando o dia a dia de suas áreas de atuação aliado à qualificação profissional de qualidade. Como preparação para o evento, todos os alunos passaram previamente por oficinas de currículo, LinkedIn e técnicas de entrevista, garantindo mais segurança e competitividade nesse primeiro contato com o mercado de trabalho.

“Mais do que apresentar vagas, a Feira de Empregabilidade promove a inclusão social, oferece orientação e amplia a visão dos jovens sobre as possibilidades de carreira. O papel do Senac RJ é apoiar esses estudantes e contribuir para escolhas profissionais mais conscientes e alinhadas às demandas do mercado”, resume o diretor regional do Senac RJ, Sérgio Ribeiro.

O Niterói Jovem EcoSocial é um programa municipal, gerenciado pela Secretaria de Participação Social, que une qualificação profissional, por meio do Senac RJ, e educação ambiental, em parceria com o Instituto Três Romãs, tendo alcançado 1.500 jovens em suas três edições.

Fonte: Prefeitura de Niterói


3º Leilão do Eco Invest mobiliza R$ 52,8 bilhões em investimentos em participação societária para transformação ecológica

Iniciativa orienta a transição da economia brasileira com foco em bioeconomia, indústria verde e finanças sustentáveis. - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Resultado viabilizará investimentos de longo prazo em projetos de bioeconomia, transição energética e economia circular

terceiro leilão do Programa Eco Invest Brasil mobilizou R$ 52,8 bilhões em investimentos em participação societária (equity). O resultado foi divulgado nesta quarta-feira (28/1) pelo Tesouro Nacional. Coordenada pelos ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e da Fazenda, a iniciativa tem como objetivo atrair investimentos externos em equity para projetos voltados à transição ecológica, com recursos do Fundo Clima.

Acesse o Relatório Consolidado do 3º Leilão do Programa Eco Invest Brasil aqui.

Do volume total demandado, foram homologados R$ 15 bilhões em capital público catalítico, montante com potencial para destravar os aportes em equity. Nesta etapa, os recursos do Eco Invest serão repassados a instituições financeiras para a estruturação de instrumentos de mitigação de riscos cambial e de desempenho dos projetos, sem aplicação direta nos empreendimentos beneficiados.

Para a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, o resultado evidencia a convergência entre política ambiental, inovação e desenvolvimento econômico e reforça a relevância de instrumentos econômicos para acelerar a transição ecológica no país.

“O Eco Invest Brasil exemplifica a atuação integrada do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima com o Ministério da Fazenda, o Tesouro Nacional, o BNDES e parceiros internacionais para alavancar investimentos privados a partir de recursos públicos. A iniciativa tem como base o Fundo Clima, que saiu do patamar de cerca de R$ 400 milhões por ano para R$ 51 bilhões, já considerando o orçamento de 2026, com recursos do Governo do Brasil, ampliando de forma expressiva a capacidade de indução do Estado. Na mesma direção, o Eco Invest já ultrapassa R$ 127 bilhões em potencial de mobilização de recursos para a transição ecológica, evidenciando o apetite do setor privado por projetos sustentáveis e inovadores”, afirmou.

Os recursos viabilizados pelo leilão devem apoiar investimentos de longo prazo no Brasil, voltados a empresas de base tecnológica, startups e negócios em expansão, por meio de estratégias de private equity e venture capital. Os aportes serão direcionados a projetos nas áreas de bioeconomia, transição energética e economia circular, incluindo iniciativas como superalimentos, biofertilizantes, hidrogênio verde, biogás, bioplásticos, gestão de resíduos sólidos e reciclagem de baterias.

Para o ministro Fernando Haddad, da Fazenda, o resultado representa uma mudança de patamar para o mercado brasileiro de investimentos em participação societária. O desempenho, segundo Haddad, também foi impulsionado pelo mecanismo inédito incorporado na edição, o hedge cambial, que ofereceu ao investidor um instrumento de proteção parcial contra as variações do real.

“Estamos falando de um montante inédito até então e não apenas no âmbito do Programa, mas no mercado como um todo. Esse resultado muda o ponteiro dos mercados de private equity e venture capital no Brasil. Com esse nível de capital, aliado à proteção cambial e a um desenho de risco bem calibrado, a tese do hedge cambial se concretiza e o mercado ganha previsibilidade para operar valores maiores e ampliar o apetite por projetos de inovação alinhados à transformação ecológica”, afirmou.

Nesta rodada, seis instituições financeiras tiveram propostas homologadas. O Itaú concentrou a maior parcela dos recursos, com previsão de responder por cerca de 50% do volume total aprovado, equivalente a uma carteira próxima de R$ 30 bilhões. Em seguida aparece a Caixa Econômica Federal, com investimentos estimados em R$ 9 bilhões. Bradesco, HSBC, BNDES e Banco do Brasil também foram selecionados, indicando a participação do sistema financeiro no financiamento de iniciativas voltadas à transição ecológica.

“Programas como o Eco Invest Brasil refletem a maturidade do Brasil em se posicionar na economia verde global. O Reino Unido apoia esse esforço por reconhecer seu potencial de integração internacional e de atração de investimentos sustentáveis”, afirmou a embaixadora do Reino Unido no Brasil, Stephanie Al-Qaq.

"O grande sucesso do terceiro leilão do Eco Invest é motivo de orgulho para o Grupo BID, parceiro da iniciativa desde sua concepção, e indica que este é um modelo de incentivo a projetos de desenvolvimento que pode ser escalável", avalia o presidente do Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento, Ilan Goldfajn.

Além de apoiar projetos inovadores, o programa busca ampliar a escala das tecnologias desenvolvidas e fortalecer a competitividade das empresas brasileiras. A iniciativa também favorece a inserção do país nas cadeias globais de valor, ao ampliar o acesso de empresas nacionais a mercados internacionais e potencializar seus impactos econômico e ambiental.

4º Leilão em curso: bioeconomia e turismo sustentável

Lançado durante a COP30, em 2025, o 4º Leilão do Programa Eco Invest Brasil mira no desenvolvimento de projetos de bioeconomia, turismo sustentável e infraestrutura habilitante com foco na Amazônia. O prazo para submissão segue até 25 de fevereiro de 2026, e a publicação do resultado final será até 40 dias após essa data.

A construção dessas cadeias constitui o eixo central desta rodada em andamento. O desenho do leilão busca desenvolver mercados regionais e integrar comunidades, empreendedores, cooperativas, empresas-âncora e instituições financeiras, criando ambientes econômicos capazes de competir com atividades historicamente associadas à pressão ambiental.

O Eco Invest Brasil

O Programa Eco Invest Brasil é conduzido de forma conjunta pelos ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e da Fazenda, com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Embaixada do Reino Unido no Brasil.

A iniciativa está inserida no Novo Brasil, Plano de Transformação Ecológica do Ministério da Fazenda, que orienta a transição da economia brasileira com foco em bioeconomia, indústria verde e finanças sustentáveis.

Após a homologação do leilão, as instituições financeiras terão prazo de até 24 meses para captar recursos externos e de até 60 meses para efetivar os aportes nas empresas investidas, em conformidade com as práticas do mercado de investimentos em participação societária. Com a realização de três leilões, o Eco Invest Brasil soma R$ 127 bilhões mobilizados para a agenda de transição ecológica no país.

Fonte: MMA



sábado, 7 de fevereiro de 2026

Governo do Brasil divulga sumário executivo do Plano Clima: saiba mais



Documento sintetiza as Estratégias Nacionais de Adaptação e Mitigação e os planos setoriais e temáticos

O Governo do Brasil divulgou, nesta quinta-feira (5/2), o sumário executivo do Plano Clima, o guia de implementação da meta climática nacional sob o Acordo de Paris (a NDC, na sigla em inglês), pela qual o Brasil se comprometeu a reduzir entre 59% e 67% de suas emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2035 em relação a 2005.

Acesse aqui o sumário executivo do Plano Clima.

A publicação sintetiza o conjunto de documentos que compõem o Plano Clima e apresenta os principais elementos das Estratégias Nacionais de Adaptação e de Mitigação, bem como de seus respectivos Planos Setoriais e Temáticos.

As diretrizes reunidas no sumário executivo foram aprovadas pelos ministérios que integram o Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM), principal instância de governança climática do país, durante a 4ª reunião ordinária do colegiado, em dezembro de 2025.

A elaboração do plano é resultado de amplo processo colaborativo, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) em conjunto com a Casa Civil da Presidência da República e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), no âmbito dos Grupos Técnicos de Adaptação e Mitigação do CIM.

O Plano Clima está estruturado em dois eixos principais. O de Adaptação que objetiva aumentar a resiliência de cidades, ecossistemas e populações diante dos impactos climáticos já em curso, com prioridade para grupos em situação de maior vulnerabilidade, à luz do princípio da justiça climática. É composto pela Estratégia Nacional de Adaptação e por 16 Planos Setoriais e Temáticos.

O eixo de Mitigação é voltado à redução das emissões de gases de efeito estufa e reúne a Estratégia Nacional de Mitigação e oito Planos Setoriais. Contém um guia para a execução dos compromissos da NDC brasileira e define metas de redução de emissões em oito áreas estratégicas: agricultura e pecuária; uso da terra em áreas públicas e territórios coletivos, como Unidades de Conservação, Terras Indígenas, assentamentos, áreas quilombolas e vazios fundiários; uso da terra em propriedades rurais privadas; energia; indústria; transportes; cidades; e resíduos sólidos e efluentes domésticos.

A meta é reduzir as emissões de gases de efeito estufa de 2,04 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente, registradas em 2022, para 1,2 bilhão de toneladas até 2030. Em 2035, o volume deverá ficar entre 850 milhões e 1,05 bilhão de toneladas, o que representa queda de 58% a 49% em relação aos níveis de 2022.

O Plano Clima conta ainda com as Estratégias Transversais para a Ação Climática, que reúnem os instrumentos que dão sustentação à implementação do Plano Clima, ao definir prioridades para os meios de execução, investimentos em educação, pesquisa, desenvolvimento e inovação, além de garantir transparência no acompanhamento e na avaliação das ações, sob as perspectivas da transição justa, da justiça climática e da igualdade de gênero. Atualmente, estão sendo consolidadas as contribuições recebidas durante a consulta pública das Estratégias Transversais, cuja finalização está prevista para o primeiro semestre de 2026.

A versão completa do Plano Clima está na fase final de diagramação, catalogação e registro para identificação internacional. Concluídos esses trâmites, os documentos serão disponibilizados à sociedade.

Processo participativo

O Plano Clima foi elaborado a partir de um amplo processo participativo, que incluiu dezenas de oficinas e reuniões técnicas, além de nove plenárias territoriais realizadas em todas as regiões do país. Ao todo, mais de 24 mil pessoas participaram das discussões, que resultaram em 1.292 propostas voltadas às Estratégias Nacionais de Adaptação e Mitigação e aos planos setoriais.

Outra contribuição veio da 5ª Conferência Nacional de Meio Ambiente, cujo foco na Emergência Climática deu origem a 104 propostas incorporadas ao debate.

Além disso, durante a consulta pública, o Plano Clima recebeu quase 3 mil contribuições da sociedade.

Fonte: MMA


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Sumário executivo do Plano Clima: o que dizem as metas

O Sumário Executivo do Plano Clima foi finalmente publicado, trazendo um panorama geral dos 16 Planos Setoriais de Adaptação e agora 8 (eram 7) Planos Setoriais de Mitigação e suas respectivas Estratégias Nacionais. As metas distribuídas confirmaram os números informados em nossa análise em dezembro: os maiores esforços para redução das emissões até 2035 se concentrarão no setor Uso da Terra, dividido em dois planos. Um contemplará as áreas públicas e territórios coletivos; outro, as áreas rurais privadas.

O Plano Setorial de Mudanças do Uso da Terra em Áreas Rurais Privadas, criado para tirar do Plano da Agropecuária as emissões relacionadas ao desmatamento nas propriedades rurais, não menciona, ao menos no Sumário, o termo “desmatamento”. Sua meta número um é “Eliminar a supressão de vegetação nativa não autorizada e reduzir a extração ilegal de madeira e incêndios em áreas rurais privadas”. No detalhamento dos tetos de emissões do plano, desmatamento legal e ilegal nesses imóveis têm uma meta conjunta de redução de um pouco mais da metade do que foi emitido em 2022, o ano base. E a outra meta quantitativa junta os resultados por manutenção da vegetação primária, recuperação da vegetação secundária, recuperação de pastagens, florestas comerciais e produtos florestais madeireiros: mais do que dobrar as remoções de CO2e em relação a 2022.


A questão persiste: quais serão os mecanismos financeiros capazes de incentivar o alcance dessas metas que dependem da implementação de um setor avesso a até mesmo nominar o problema do desmatamento?

Mais esclarecimentos devem ser possíveis com a publicação integral dos Planos Setoriais e Estratégia Nacionais e, posteriormente, as Estratégias Transversais. Ainda não foi divulgado cronograma sobre isso.

Entrando na etapa de implementação e de se construir uma governança sólida para seu monitoramento, avaliação e revisão, será necessário olhar para a transição para uma sociedade de baixo carbono para além do corte de emissão, incluindo os avanços em adaptação e as lacunas para financiar a construção de resiliência. Do ponto de vista da mitigação, se os cortes de gases do efeito estufa estão concentrados sobretudo no uso da terra, setores como Energia e Indústria deverão fazer sua parte avaliados não apenas pelos seus resultados em emissões, já que os números lhes dão espaço para emitir do que em 2022.

Fonte: Política por Inteiro



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Relembrando a conquista da etapa nacional da XI Edição do Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor



Uma das maiores satisfações que tive como prefeito de Niterói foi a conquista da etapa nacional da XI Edição do Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor, na categoria Cidades Empreendedoras - a mais importante, por avaliar as políticas públicas como um todo. A premiação aconteceu em Brasília, no dia 28 de junho de 2022, em grande evento promovido pelo SEBRAE, reunindo prefeitos de todas as regiões do país. Trata-se de um programa de reconhecimento aos prefeitos que implantaram projetos com resultados comprovados para o desenvolvimento dos pequenos negócios do município. Niterói já tinha levado o prêmio da etapa regional, em abril do mesmo ano, quando venceu a disputa com outros 30 municípios do Rio de Janeiro com o projeto “Niterói Empreendedora – Uma Cidade de Oportunidades”. Foi a primeira vez que o município conquistou o prêmio nacional do Sebrae.

A premiação foi mais um reconhecimento pelo trabalho desenvolvido para a retomada econômica no período Pós-COVID. Na ocasião, declarei em entrevista para a imprensa:

“É um sentimento de muito orgulho e a prova de que todo esforço feito ao longo desse período valeu a pena. O prêmio é um reconhecimento do trabalho de uma equipe. Foi muito bom ver Niterói junto com os prefeitos destes municípios que apresentaram o que há de melhor nas políticas públicas municipais do país. Niterói vem estruturando diversas políticas públicas desde o início da pandemia, com ações voltadas, principalmente, à proteção da vida. Neste cenário pós-pandêmico, estamos trabalhando em diversas frentes que beneficiam todos os setores da cidade no desenvolvimento econômico. Nosso foco é a geração de emprego e renda, auxiliando o crescimento também de pequenos negócios. Vamos continuar trabalhando para criar oportunidades”.

O Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor premiou os administradores nas categorias Desburocratização, Sala do Empreendedor, Compras Governamentais, Empreendedorismo na Escola, Marketing Territorial e Setores Econômicos, Inovação e Sustentabilidade, Governança Regional e Cooperação Intermunicipal e Cidade Empreendedora.

“Este prêmio é um incentivo para que as prefeituras, através das Casas do Empreendedor, apoiem os micro e pequenos empreendedores viabilizando e facilitando a nobre e difícil missão de empreender. Niterói já vem se destacando, com o importantíssimo apoio do Sebrae regional leste Fluminense, com uma estrutura completa em todos os sentidos. Temos uma Casa do Empreendedor equipada com todos os recursos necessários, não apenas para formalizar os empresários, mas também para orientar e apoiar nas necessidades futuras”, observou Luiz Paulino Moreira Leite, secretário de Desenvolvimento Econômico de Niterói.

As políticas públicas implementadas por Niterói para promover o desenvolvimento econômico foram analisadas por uma comissão julgadora que avaliou as ações voltadas para a melhoria do ambiente de negócios das empresas instaladas no município e para as empresas que desejam se instalar.

“Ganhar o prêmio prefeito empreendedor, dentre os 5700 municípios no Brasil, extrapola o exemplo de comprometimento e gestão, reconhecido pelo Estado, e agora por todo País. Niterói elevou o seu patamar e nosso município passa a ser um paradigma nacional. Parabéns para todos os nossos munícipes”, disse Américo Diniz Neto, coordenador de projetos da Prefeitura de Niterói.

Em abril do mesmo ano, quando recebeu o Prêmio de Cidade Empreendedora na etapa regional, o projeto de Niterói foi apresentado para uma comissão avaliadora do Sebrae, detalhando os programas e iniciativas criadas durante a pandemia da Covid-19 para manter a atividade econômica no município, como o Empresa Cidadã, que auxiliou as empresas com recursos para o pagamento da folha de funcionários, além de programas de crédito a juro zero como o Niterói Supera, Supera Mais e Supera Mais Ágil.

Outra iniciativa apresentada foi a Plataforma Digital de Novos Negócios, disponibilizada de forma gratuita para desburocratizar e ajudar no desenvolvimento de novos empreendimentos na cidade. Foram avaliados ainda espaços como o Núcleo de Atendimento ao Empreendedor (NAE) e a Casa do Empreendedor. Conheça mais sobre os projetos de Niterói no link https://bityli.com/lmtaRq.

Iniciativas do projeto “Niterói Empreendedora – Uma Cidade de Oportunidades”:

Banco Comunitário Arariboia – Teve como objetivo organizar e cadastrar pequenos produtores, empreendimentos de economia solidária e comerciantes de dentro da própria comunidade para que a Moeda Social Arariboia seja usada como moeda local circulante, aquecendo e movimentando a economia na comunidade. O projeto de transferência de renda beneficia famílias em situação de maior vulnerabilidade, cadastradas no CadÚnico, para receber o benefício da moeda social (em forma de cartão) para ser usado no comércio, fazendo a economia girar dentro da própria comunidade e também dentro da cidade.

Empresa Cidadã – Criado durante a pandemia da Covid-19, ajudou micro e pequenas empresas, entidades religiosas, organizações sindicais, clubes e entidades filantrópicas no pagamento da folha de empregados. Pelo programa, o poder público municipal fez o depósito de um salário-mínimo, até julho de 2021, para até nove empregados de empresas, entidades religiosas e organizações sindicais com até 40 funcionários e alvará na cidade. Como contrapartida, as empresas se comprometeram a não reduzir seu número de funcionários até seis meses após a adesão ao programa, ação que resultou na proteção de mais de 15 mil empregos.

Concessão de microcrédito – A Prefeitura de Niterói também atuou para facilitar a oferta de crédito para os pequenos negócios do município. Através dos programas Niterói Supera, Supera Mais e Supera Mais Ágil, comerciantes puderam ter acesso a empréstimos com juros zero, carência de seis a dez meses para o início dos pagamentos e parcelamento em até 36 vezes.

Plataforma de Novos Negócios – Foi criada para desburocratizar e ajudar no desenvolvimento de novos empreendimentos na cidade. Chamada de Novos Negócios, a ferramenta permite que o empreendedor pesquise uma série de dados relativos à abertura e à viabilidade do seu futuro negócio, contribuindo para a tomada de decisões com mais segurança. Por meio desta aplicação, construída pela equipe do Sistema de Gestão da Geoinformação (SIGeo), do Escritório de Gestão de Projetos do Município, os interessados em iniciar um negócio na cidade poderão consultar as informações remotamente para uma análise preliminar, sem precisar se deslocar até a Prefeitura.

Núcleo de Atendimento ao Empreendedor (NAE) – O espaço é utilizado como um ambiente inspirador e colaborativo para quem quer desenvolver, aprimorar ou iniciar negócios. O objetivo é criar uma atmosfera que leve os empreendedores a promoverem iniciativas que contribuam para o crescimento do seu negócio, alavancando vendas, ou mesmo para aqueles que pretendem iniciar sua empresa e não sabem como agir.

Casa do Empreendedor – Atingiu seu pico de atendimentos em 2021. Oferece serviços de apoio para o microempreendedor individual, de forma presencial e online, facilitando a abertura de cadastro dos MEIs; a alteração de dados cadastrais; a viabilidade de local para novos empreendimentos; a emissão de alvarás; fornece esclarecimentos sobre emissão de nota fiscal eletrônica e a declaração de faturamento e parcelamento. O trabalho intenso de assessoria e apoio surtiu efeito. Dados recentes indicam que, no comparativo com 2020, em 2021 a Casa do Empreendedor aumentou em 50% o número de alvarás emitidos no primeiro semestre. Foram 1.687 novas licenças que permitem o exercício de certas atividades, especialmente na área do comércio. O pico de emissões de alvarás, nos últimos 12 meses, foi em maio deste ano.

Busca Ativa – consistiu no repasse de um cartão pré-pago no valor de R$ 500 ao mês, até dezembro de 2021, para grupos de pessoas que exercem atividades produtivas específicas que possuem cadastro no Município. Foram beneficiados cerca de sete mil microempreendedores individuais que estão com inscrições ativas no cadastro da Secretaria Municipal de Fazenda de Niterói, residentes no município.

GRATIDÃO

Sou muito grato a toda equipe da Prefeitura de Niterói pelo empenho na implementação das políticas públicas de Niterói, com especial agradecimento à secretária Katherine Azevedo, do Escritório de Gestão de Projetos, do secretário Luiz Paulino Moreira Leite e subsecretário Igor Baldez, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico. Quero destacar o trabalho do Américo Diniz e à chefe de gabinete do prefeito, Mariane Thamsten. Sem cada um dos aqui citados e as suas equipes, o nosso projeto, de tanta qualidade com tudo o que foi de fato entregue para Niterói, não teria sido reunido e apresentado com a qualidade que precisávamos para conquistar o prêmio. 

REPERCUSSÃO DO PRÊMIO NACIONAL

A premiação nacional, bem como a conquista de várias categorias na premiação regional do Rio de Janeiro, alcançou repercussão, no âmbito das atividades do SEBRAE, bem como na imprensa em geral:



Graças à conquista do título nacional, fui convidado para palestrar em um grande evento do SEBRAE realizado em Brasília, chamado Transformar Juntos. Segundo o SEBRAE, trata-se do maior evento de políticas públicas do Brasil, que reuniu autoridades municipais e estaduais; gestores públicos; agentes de desenvolvimento; lideranças locais e, é claro, o Sebrae de todas as regiões do país. O encontro teve como temas, a simplificação de abertura de empresas, inovação para governos e compras públicas de micro e pequenas empresas e produtores rurais.

EMPREENDEDOR SOCIAL

Finalistas do Prêmio Empreendedor Social, 2010

Ser premiado nacionalmente como Prefeito Empreendedor é um orgulho que me remete a outro grande reconhecimento. 

Em 2010, fui um dos seis finalistas nacionais de outra premiação: o Prêmio Empreendedor Social, promovido pela Folha de S. Paulo e Fundação Schwab. O prêmio teve 266 inscritos, de 23 estados brasileiros e do Distrito Federal. Competimos apresentando a nossa experiência na gestão do Projeto Grael.

Axel Grael
Prefeito de Niterói (2021-2024)



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Calor extremo avança e reforça papel da ciência na proteção dos brasileiros

 

Vendedor de flores do Cerrado, Vidal Ramos de Oliveira, de 65 anos. Foto: Luara Baggi (Ascom/MCTI)

Com recordes de temperatura, produção científica coordenada pelo MCTI é essencial para subsidiar políticas públicas e reduzir riscos à saúde da população

Perigosas e cada vez mais recorrentes, as elevadas temperaturas médias globais e a maior frequência de ondas de calor extremo são um problema que vai além do desconforto cotidiano: são um risco crescente à saúde pública e à segurança da população. A Organização Meteorológica Mundial (ONM) confirmou que 2025 foi um dos três anos mais quentes já registrados. O dado expõe a necessidade e o papel da ciência no monitoramento e na antecipação desses eventos.

No Brasil, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) atua de forma estratégica, com foco em duas frentes principais: a antecipação de eventos extremos, por meio de monitoramento e previsão; e a adaptação, com produção de conhecimento científico que subsidia políticas públicas e ações de proteção à população.

Na prática, as projeções climáticas e meteorológicas elaboradas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), unidade de pesquisa do MCTI, permitem identificar, com antecedência, regiões que devem enfrentar picos de temperatura acima do normal por vários dias consecutivos, condição que caracteriza uma onda de calor. Esses dados são incorporados a sistemas de monitoramento e de alerta utilizados por órgãos de defesa civil e de gestão de riscos, orientando ações preventivas e a comunicação com a população.

Para o médico e 2º Secretário do Conselho Federal de Medicina (CFM), Estevam Rivello, a antecipação de ondas de calor e as orientações necessárias são indispensáveis para a segurança da população. “A exposição prolongada ao calor pode levar rapidamente à desidratação, tontura, desmaios, alterações cardíacas e, nos casos mais graves, à hipertermia, que é uma emergência médica.”

Ciência para antecipar ondas de calor

O monitoramento das condições climáticas e das temperaturas é feito a partir de uma ampla base científica e tecnológica. O MCTI, por meio do Inpe, acompanha a evolução das temperaturas, produz séries históricas e desenvolve modelos climáticos que permitem identificar tendências de aquecimento e a ocorrência de eventos extremos.

Esses dados são incorporados a sistemas de monitoramento utilizados por órgãos de Defesa Civil e de gestão de riscos. Ter essas informações com antecedência permite que as autoridades enviem alertas e que gestores públicos se preparem para os impactos associados, como aumento do risco à saúde da população, as estiagens prolongadas e a maior probabilidade de incêndios florestais.

O vendedor Vidal Ramos de Oliveira, de 65 anos, acumula mais de 30 anos de trabalho diário na Esplanada dos Ministérios, onde mantém uma barraca para vender flores do Cerrado e pequenos objetos turísticos de Brasília (DF). “Eu já me acostumei, porque eu trabalho aqui há quase 40 anos, mas agora até as chuvas estão poucas, antes chovia dias sem parar”, diagnosticou.

Vidal está certo, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Em 2024 e 2025, as chuvas diminuíram na capital federal. As temperaturas também acompanharam a seca e ficaram 0,6°C acima do esperado no verão e 0,9°C na média de temperatura mínima. Para lidar com o calor extremo, o comerciante aposta nas proteções básicas, mas imprescindíveis. “Eu estou com muita água aqui”, afirma.

Alertas e redução de riscos à população

No campo da gestão de riscos, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), também vinculado ao MCTI, atua no acompanhamento contínuo de eventos extremos — como secas, incêndios florestais e impactos à saúde da população — que podem ser agravados pelas ondas de calor.

O vendedor de picolés Julio Cesar Siqueira, de 55 anos, conta que o calor interfere em toda a dinâmica de trabalho. “Ele deixa a gente lento, tonto, fraco. É um risco para a saúde de todos”, inicia. Segundo ele, os alertas ajudam na orientação. “Ajuda a saber o que vai acontecer, mas tem que usar protetor solar, se manter em locais mais cobertos. Eu tento ficar sempre no guarda-sol, usar proteção e beber muita água.”

As análises indicam a persistência de temperaturas elevadas por vários dias consecutivos em determinada região, associadas à baixa umidade do ar. Nesses casos, os alertas permitem que gestores locais reforcem ações preventivas, como a orientação à população sobre hidratação, redução da exposição ao sol e atenção especial a grupos mais vulneráveis, além do preparo das redes de saúde e de resposta a emergências.

Impacto Social: quem sente o calor no dia a dia?

Trabalhadores braçais e expostos ao ar livre, crianças e idosos estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos do aumento das temperaturas e da recorrência das ondas de calor. “Quando o organismo perde a capacidade de regular a própria temperatura por causa do calor excessivo, os efeitos podem ser rápidos e graves, principalmente em crianças, idosos e trabalhadores expostos ao Sol”, afirma Rivello, do CFM.

Na avaliação do cardiologista Murilo Lustosa, a desidratação é o principal problema de saúde associado às ondas de calor. “Em situações de temperatura extrema, o corpo tenta compensar o calor por meio do suor, o que leva à perda de líquidos e de eletrólitos essenciais”, explica. Segundo o médico, esse processo pode provocar câimbras musculares, tontura, fraqueza e exaustão física, além de precipitar e agravar doenças cardíacas pré-existentes.

Lustosa destaca ainda que o calor excessivo impacta diretamente a segurança no trabalho. “Pessoas expostas ao calor intenso ficam mais suscetíveis a cometerem erros durante a atividade, aumentando o risco de acidentes”, afirma. Por isso, medidas preventivas, baseadas em evidências científicas, são fundamentais. “Informação é conhecimento, e conhecimento salva vidas”, conclui o especialista.

Adaptação: conhecimento para reduzir impactos

Além do monitoramento, a ciência produzida no âmbito do MCTI contribui para estratégias de adaptação às altas temperaturas. Estudos sobre ilhas de calor urbanas, planejamento das cidades e desenvolvimento de tecnologias de proteção ajudam a compreender como o ambiente construído intensifica o problema e quais soluções podem reduzir seus efeitos.

Essas pesquisas subsidiam políticas públicas nas áreas de saúde, urbanismo, defesa civil e meio ambiente, reforçando o papel da ciência como base para decisões que impactam diretamente a vida da população. Ao produzir dados, monitorar tendências, emitir alertas e gerar conhecimento para adaptação, o MCTI contribui para que o Brasil esteja mais preparado para lidar com os impactos do aquecimento global, protegendo a saúde da população e apoiando políticas públicas baseadas em evidências.

Fonte: MCTI