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| Foto: Ricardo Stuckert/Lula oficial |
NÃO PODEMOS ADMITIR RETROCESSOS DEMOCRÁTICOS, SOCIAIS, AMBIENTAIS E CLIMÁTICOS. É PRECISO DERROTAR A EXTREMA DIREITA!
Não há dúvidas sobre o risco que estamos correndo: poderemos voltar a sofrer as consequências de um governo negacionista e predatório, que causará graves retrocessos ambientais e civilizatórios.
Leia a matéria do G1 abaixo, onde o candidato da extrema direita afaga os grileiros e desmatadores da Amazônia. Acesse aqui para assistir ao vídeo.
Assim como o seu pai, o candidato Flávio Bolsonaro nunca escondeu as suas CONVICÇÕES ECOCIDAS. Mais uma vez, declarou de forma explícita as suas intenções de "passar a boiada" e estimular o avanço da destruição da Amazônia. Em evento de campanha, em Marabá (PA), município que faz parte do chamado "Arco do Desmatamento" (região de maior ocorrência de desmatamento e queimadas na Amazônia), prometeu "acabar com 'entraves ambientais' e disse que produtor poderá fazer 'o que quiser' em sua terra":
"Eu vou fazer a maior regularização fundiária que o Pará já viu. A sua terra vai ser sua no papel. Vamos respeitar a propriedade privada. Você vai poder plantar, criar gado, vai fazer o que quiser na sua terra e o que você explorar da terra é seu".
Segundo Flávio, as medidas de proteção florestal existem "principalmente por causa de razões ideológicas". A fala soa como música aos ouvidos de latifundiários e grileiros, grandes responsáveis pelo desmatamento da região. Com esse discurso, o candidato estimula a criminalidade ambiental e cria a expectativa de um "liberou geral", de um salvo conduto para o avanço do crime. Importante lembrar que o Pará lidera o desmatamento e as queimadas na Amazônia, embora a taxa de desmatamento no estado também tenha se reduzido em função dos programas de controle desenvolvidos pelas autoridades ambientais.
BIODIVERSIDADE
A lógica da destruição da floresta é a mais antiga prova de ignorância e de desperdício de oportunidades e representa a reprodução dos erros que seguem sendo repetidos há séculos, com as consequências que todos conhecemos. Sou engenheiro florestal e já trabalhei com inventários de biodiversidade e projetos de restauração florestal na Amazônia.
O Brasil é o país mais biodiverso do mundo e um hectare de Floresta Amazônica pode abrigar entre 200 e 300 espécies de árvores e até 500 espécies, caso considerem-se também arbustos, espécies de menor porte e herbáceas. Essa é uma riqueza que pode sustentar uma economia potente, com dezenas de cadeias produtivas que podem gerar muitas oportunidades para o presente e o futuro.
Quantos medicamentos e outros produtos que hoje são consumidos no mundo todo surgiram de estudos sobre a biodiversidade? Quantas alternativas de produção ou de aproveitamento econômico da floresta em pé existem em substituição à mera queima da cobertura florestal? Como pode uma candidatura falar em prosperidade e destruir as bases naturais da sua economia?
Cada hectare desmatado, que transforma a rica floresta em monocultura ou normalmente em pasto, pode representar a perda de um tesouro em biodiversidade e até mesmo a perda de espécies antes que sejam conhecidas. Mas, para políticos irresponsáveis, de formação tacanha e referenciados no atraso e não no futuro, proteger a floresta e a biodiversidade é "apenas ideologia". Aliás, como se isso fosse pouco! Enfrentar o ecocídio é uma responsabilidade ideológica e moral, sim!
ENFRENTANDO O DESMATAMENTO
Há poucos dias, soubemos aliviados que o Brasil atingiu o recorde de redução de desmatamento na Amazônia e no Cerrado. O desmatamento da Amazônia foi de 3.335 km2 entre agosto de 2025 e julho de 2026, uma redução de 41,8% em relação ao período anterior. No Cerrado, a queda foi de 23,8%. O desmatamento diminuiu também no Pará. Em quatro anos, o governo Lula entregou redução de 71% do desmatamento na Amazônia e de 48% no Cerrado. Os números representam a menor taxa de perda de florestas da série histórica, iniciada em 1988. O programa desenvolvido pelo Governo Lula é considerado o maior programa de redução de desmatamento já desenvolvido no mundo e os seus resultados já são considerados uma referência no mundo.
Trata-se de uma grande conquista que mostra que o compromisso assumido pelo Governo Lula de zerar o desmatamento até 2030 é exequível. A meta foi apresentada na NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada, sigla em inglês) apresentada pelo Brasil perante o Acordo de Paris. Basta compromisso e vontade política que chegaremos lá.
No entanto, a notícia chega quando estamos enfrentando as consequências do super El Niño que já levou 10% do território do país à condição de Alerta de Seca. A Amazônia é a região mais afetada (saiba mais aqui). Diante disso, vemos cidades amazônicas envoltas em fumaça e equipes do governo federal e dos estados enfrentando um grande número de queimadas nas proximidades. Segundo o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, os incêndios na vegetação podem ter origem criminosa. A ação estaria sendo orquestrada por inimigos da Amazônia, que provocam intencionalmente os incêndios, incentivados pela expectativa de impunidade que viria com a eleição da extrema direita.
DIREITA = DESMATAMENTO
No "Arco do Desmatamento", crimes ambientais mantém uma economia excludente, imediatista, insustentável e predatória, baseada na eliminação da floresta e no uso perdulário dos recursos naturais.
Motivados pela conjuntura fora-da-lei, eleitores da região votam sistematicamente em candidatos alinhados com o ideário bolsonarista, contrário ao meio ambiente, e que ignora o potencial das florestas e da biodiversidade para o futuro da região. Com isso, hoje, temos um contingente de políticos na região que respaldam a grilagem e que insuflam a população contra a legislação e os órgãos ambientais. Quem mais sofre as consequências são as populações tradicionais e os povos indígenas. Quem perde é cada um dos brasileiros das atuais e futuras gerações!
A correlação entre desmatamento e políticos de direita é comprovada por números. Dos 70 municípios monitorados pelo Ministério do Meio Ambiente devido ao desmatamento (Municípios Prioritários, de acordo com a Portaria GM/MMA Nº 834, de 9 de novembro de 2023), 68 tiveram prefeitos de direita eleitos no pleito de 2024.
Segundo O Globo, Flávio Bolsonaro no pleito de 2026 e Jair Bolsonaro em 2022, obtiveram suas maiores votações proporcionais justamente em municípios-símbolo da fronteira agropecuária e do desmate, a exemplo de Novo Progresso (PA) e São Félix do Xingu (PA). Veja os números referentes ao primeiro turno de 2026:
O Globo mostra ainda que "apesar do baixo desempenho especificamente em locais marcados pela alta atividade exploratória da floresta e fiscalização insuficiente, Lula obteve mais votos que Flávio na maioria dos municípios da Amazônia Legal: o presidente venceu em 425 cidades, contra 351 do candidato do PL". Apesar dos inimigos da floresta, Lula venceu no primeiro turno no Pará com 49,91% dos votos no estado, contra 44,5% do candidato da extrema direita.
CLIMA
O Brasil é um dos países mais vulneráveis às mudanças climáticas e as consequências estão acontecendo agora com desastres climáticos em todas as regiões do país. Estamos enfrentando, de forma recorrente e cada vez mais intensa, chuvas extremas e secas severas em todas as regiões do país. A ciência tem comprovado e procura alertar a população que grande parte dos problemas decorrentes das mudanças climáticas no país (chuva demais e chuva de menos) tem ligação com a Amazônia e os seus problemas de desmatamento. Até mesmo, no Rio Grande do Sul, que tem sido assolado por chuvas intensas, tem os seus problemas relacionados com o fenômeno dos rios voadores, que traz umidade da Amazônia para outras regiões da América do Sul.
A ciência tem alertado também que o desmatamento da Amazônia está levando o bioma perigosamente à situação chamada pelos pesquisadores de "Ponto de Não-Retorno", a partir do qual o ecossistema não suporta mais as condições vigentes e se degrada ou passa pelo processo conhecido como "savanização". Com isso, a floresta diminuirá a sua capacidade de emitir umidade para a atmosfera, com sérias consequências para áreas atuais de produção de alimentos e de mananciais de abastecimento de água para as cidades.
Em entrevista recente, ao ser perguntado sobre as mudanças climáticas, Flávio disse que era apenas um problema cíclico e que "resolveria o problema com investimentos em saneamento". Comprovou o seu negacionismo e que não entende nada de mudanças climáticas e nem de saneamento. Caso eleito, Bolsonaro formará uma aliança devastadora com seus correligionários, avançando na política de desmonte da legislação e inviabilizando o trabalho dos órgãos ambientais.
Caso tenhamos mais um Bolsonaro na presidência, assim como já vimos acontecer antes, o Brasil recuará na política climática e abandonaremos o papel de liderança no cenário climático global, reconquistada com grande esforço. Esse protagonismo foi consolidado com a recente realização da COP30, em Belém, quando assumimos a presidência global sobre o tema, que exerceremos até a realização da COP31, que acontecerá nas próximas semanas. Sabemos que as maiores vítimas desse recuo será a população mais vulnerável nas cidades, mas também a produtividade do próprio agro, cujos segmentos mais retrógrados estão entre os principais apoiadores dos desvarios do extremismo bolsonarista.
O QUE ESTÁ EM JOGO
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| Jair Bolsonaro, então presidente do Brasil, bate continência para a bandeira americana em evento em Dallas, no Texas. Foto do Google. |
Estamos diante de duas opções diametralmente opostas no segundo turno da eleição. DE UM LADO, a continuidade do governo Lula, que mesmo com as suas contradições, mostra compromissos com a causa socioambiental nos seus atos, suas entregas e sua liderança global em temas da sustentabilidade e clima. No atual pleito, Lula tem o apoio amplamente majoritário das principais lideranças ambientais, dos movimentos populares e iniciativas sociais, das organizações acadêmicas, das artes e da intelectualidade em geral. DO OUTRO LADO, há uma opção pela extrema direita, alinhada ao negacionismo trumpista, com a sua prática de sabotagem ao multilateralismo, à agenda da sustentabilidade e das mudanças climáticas. Uma candidatura que não esconde a sua atitude entreguista com relação aos nossos recursos naturais e que coloca em risco a nossa soberania. Um grupo político que já tentou um golpe contra a democracia e que ostenta uma prática política autoritária, que causará grande dificuldade na defesa das teses ambientais na próxima legislatura federal, uma vez que teremos um congresso amplamente reativo e hostil à causa da sustentabilidade.
O único caminho para literalmente evitar a "terra arrasada" será o voto em Lula (13), no segundo turno das eleições que acontecerá no dia 25 de outubro. Diante de um Congresso que acaba de ser eleito ainda mais hostil ao meio ambiente, vemos tempos difíceis pela frente, mas sem Lula na presidência, o Brasil "descerá a ladeira sem freios", com graves consequências para as atuais e futuras gerações.
Reflita sobre isso e vamos trabalhar para evitar o pior!
Axel GraelEngenheiro florestal e ambientalista
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| Flávio Bolsonaro (PL) participa de motocarreata com Daniel Santos em Marabá, no Pará. — Foto: Dione Freires/TV Liberal |
Por Taymã Carneiro, g1 Pará — Belém
O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, disse nesta segunda-feira (19) que pretende realizar um programa de regularização fundiária no Pará e eliminar o que classificou como "entraves ambientais por razões ideológicas", assegurando que os produtores rurais teriam autonomia sobre propriedades.
"Eu vou fazer a maior regularização fundiária que o Pará já viu. A sua terra vai ser sua no papel. Vamos respeitar a propriedade privada. Você vai poder plantar, criar gado, vai fazer o que quiser na sua terra e o que você explorar da terra é seu. Esses entraves que existem ambientais por causa de razões ideológicas a gente vai acabar", afirmou.
O candidato não explicou detalhes das medidas, caso eleito, mas sugeriu flexibilização de regras ambientais e fundiárias no estado que tem forte presença de terras indígenas, unidades de conservação, áreas federais e marcadas por conflitos fundiários.
Flávio Bolsonaro participou de uma motocarreata com apoiadores na cidade de Marabá, no sudeste paraense, incluindo o governador eleito em 1º turno Dr Daniel (Podemos) e o prefeito da cidade Toni Cunha (PL).
O candidato desembarcou no aeroporto da cidade por volta de 10h20 e seguiu em cortejo pelas ruas do município.
O ato político em Marabá reuniu apoiadores por ruas da cidade e em uma ponte, onde candidato discursou sobre as demandas locais de trabalho e infraestrutura.
O candidato também discursou sobre segurança pública e o combate à criminalidade, defendendo o aumento do tempo de prisão para roubos e a aplicação de castração química.
"Eu vou devolver a soberania sobre o seu celular. Eu vou devolver a sua soberania sobre a sua bolsa, sobre a sua moto, sobre o seu carro, sobre a sua propriedade. Eu vou resgatar cada metro, eu vou resgatar cada rua, cada bairro, cada cidade, cada território que esses vagabundos tomaram do povo brasileiro e vou devolver pro povo brasileiro", disse.
O embarque para deixar a cidade ocorreu por volta de 12h40. A próxima agenda do candidato foi prevista para 20h, em Manaus (AM).
Fonte: G1











