sexta-feira, 23 de outubro de 2026

MARINA SILVA VISITA NITERÓI PARA REFORÇAR CAMPANHA PELO PRESIDENTE LULA


Lendo a Carta de Niterói.

Saudando a presença da ministra Marina Silva, ao lado do também ex-ministro do Meio Ambiente Carlos Minc.

Com dois grandes nomes do ambientalismo brasileiro: Marina Silva e Carlos Minc.

Reunimos mais de 600 pessoas, entre ambientalistas, lideranças políticas, lideranças de movimentos sociais, estudantes e 



Nas fotos acima, Marina Silva visita o Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis.

Niterói recebeu na quarta-feira (21 de outubro de 2025), a visita da ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, que veio para um encontro com lideranças ambientalistas e para o lançamento da Carta de Niterói, documento em apoio à reeleição do presidente Lula e do fortalecimento das políticas ambientais e climáticas no Brasil.

A ex-ministra visitou o Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis (POP) e depois reuniu-se em evento público realizado na Pousada Dunas de Itaipu, que reuniu cerca de 800 pessoas. Na ocasião, li a Carta de Niterói que foi divulgada publicamente (leia a Carta abaixo).

Marina Silva é considerada uma dos maiores nomes do ambientalismo brasileiro e mundial. Começou como uma liderança dos seringueiros do Acre ao lado de Chico Mendes. Foi senadora e deputada federal, além de ocupar o cargo de ministra do Meio Ambiente três vezes. Foi também candidata a presidente da República. Acompanho o trabalho da ministra há muitas décadas e sou testemunha também do grande prestígio que ela tem nas instâncias da sustentabilidade planetária. Nas COPs (Conferências das Partes) sobre mudanças climáticas, Marina é sempre saudada como uma referência e saudada como celebridade. Lembro-me da COP 26, em Glasgow, Escócia, realizada em 2021, no final do governo Bolsonaro. A postura negacionista e de ação contrária à agenda ambiental fez a presença brasileira ter contorno de vexame internacional. O reflexo era o amplo e luxuoso stand do Brasil, que era um verdadeiro latifúndio improdutivo. O Brasil recuperou o protagonismo a partir da COP seguinte, em Sharm el-Sheikh, no Egito, quando a volta de Lula, já eleito, foi saudada com entusiasmo pelos presentes.

Como ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, na atual gestão do presidente Lula, Marina liderou a recuperação da situação de "terra arrasada" causada pela desastrosa gestão de Bolsonaro, que nomeou o pior ministro do Meio Ambiente da história, Ricardo Salles, que desmontou a estrutura ambiental do governo brasileiro. Aquele (des)ministro foi flagrado em reunião com o então presidente Bolsonaro, anunciando que utilizaria o momento das atenções da sociedade e da imprensa para a COVID-19 para "abrir a porteira e deixar passar a boiada". Ou seja, promover o desmonte da legislação ambiental. 

Com a vitória de Lula em 2022, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima - MMA foi reestruturado, assim como o IBAMA, ICMBIO, assim como a FUNAI, que passou a integrar o recém criado Ministério dos Povos Indígenas, uma grande conquista institucional. Além do MMA, as áreas ambientais e climáticas passaram a ser prioridades em vários ministérios, como merece destaque a atuação do Ministério da Fazenda, Ministério das Cidades, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, dentre outros.

Agora, ao final da sua gestão, o Governo Lula ostenta entregas históricas ao povo brasileiro. Há poucos dias, soubemos aliviados que o Brasil atingiu o recorde de redução de desmatamento na Amazônia e no Cerrado. O desmatamento da Amazônia foi de 3.335 km2 entre agosto de 2025 e julho de 2026, uma redução de 41,8% em relação ao período anterior. No Cerrado, a queda foi de 23,8%. O desmatamento diminuiu também no Pará. Em quatro anos, o governo Lula entregou a redução de 71% do desmatamento na Amazônia e de 48% no Cerrado. Os números representam a menor taxa de perda de florestas da série histórica, iniciada em 1988. O programa desenvolvido pelo Governo Lula é considerado o maior programa de redução de desmatamento já desenvolvido no mundo e os seus resultados já são considerados uma referência global.

Também na agenda climática, as conquistas são animadoras. Relatório recentemente publicado pelo Observatório do Clima, mostra que as emissões de gases de efeito estufa do Brasil caíram 6% em 2025 e chegaram ao menor nível em oito anos. O país lançou na atmosfera 2,06 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente, medida que reúne os diferentes gases responsáveis pelo aquecimento global. Em 2024, esse volume havia sido de 2,19 bilhões de toneladas. Os números fazem parte da 14ª edição do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa) e mostram que a redução foi puxada principalmente pela queda do desmatamento na Amazônia e no Cerrado.

No governo Bolsonaro, as emissões chegaram a 2,716 bilhões de toneladas e o recorde de emissões mais baixas foi de 1,789 bilhões de toneladas e aconteceu em 2009, no Governo Lula, quando o ministro do Meio Ambiente era Carlos Minc.
Saiba mais sobre os resultados do Governo Lula em SÓ A ELEIÇÃO DE LULA PODERÁ EVITAR O INACEITÁVEL RETROCESSO. Flávio promete acabar com 'entraves ambientais'.

A presença de Marina em Niterói trouxe ainda mais ânimo para as mobilizações em favor da eleição de Lula no segundo turno, que tem reunido milhares de pessoas, com uma forte liderança dos estudantes da UFF, de outras universidades e de secundaristas.

No domingo, dia 25, o voto tem que ser em Lula (13), para afastar o retrocesso representado pela candidatura da extrema direita.

Axel Grael


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CARTA DE NITERÓI

NÃO PODEMOS ADMITIR RETROCESSOS DEMOCRÁTICOS, SOCIAIS, AMBIENTAIS E CLIMÁTICOS. O FUTURO DO BRASIL NÃO PODE SER ENTREGUE AO NEGACIONISMO E À DESTRUIÇÃO. 

O Brasil está diante de uma escolha que ultrapassa os limites de uma eleição. Está em jogo o país que queremos ser, o futuro que construiremos e as condições de vida que deixaremos para as próximas gerações. 

Nós, ambientalistas, educadores, a juventude , representantes da sociedade civil e cidadãos comprometidos com a democracia e a sustentabilidade, manifestamos nossa profunda preocupação com os riscos de um novo ciclo de retrocessos democráticos, sociais, ambientais e climáticos no Brasil. Não podemos aceitar que o negacionismo volte a orientar as decisões do Estado brasileiro . 

Não podemos permitir que a destruição dos nossos patrimônios naturais seja tratada como preço inevitável do desenvolvimento. Não podemos assistir, em silêncio, à ameaça de direitos conquistados com décadas de mobilização, pesquisa, resistência e luta democrática.

DEFENDER O MEIO AMBIENTE É DEFENDER A VIDA, A DEMOCRACIA, O DIREITO DE EXISTIR COM DIGNIDADE. O CLIMA NÃO ESPERA. 

A crise climática está diante de nós: nas chuvas extremas que destroem casas e interrompem vidas; nas secas que comprometem o abastecimento de água, a produção de alimentos e o trabalho de milhares de famílias; nas queimadas que cobrem cidades de fumaça; no calor que adoece. 

Não há desenvolvimento possível em um país que destrói as bases naturais da própria economia. Não há prosperidade duradoura quando a produção compromete a água, o solo, a biodiversidade e o clima dos quais depende. 

NÃO PODEMOS VOLTAR À POLÍTICA DA DESTRUIÇÃO 

A experiência recente do Brasil demonstrou que as escolhas políticas fazem diferença concreta na proteção ambiental. Durante o governo de Jair Bolsonaro, o país enfrentou um período de enfraquecimento da governança ambiental e de aumento do desmatamento na Amazônia. A expressão “passar a boiada”, que ganhou notoriedade em 2020, tornou-se um símbolo do risco de flexibilizar proteções ambientais em momentos de menor atenção pública.

Agora, as declarações de Flávio Bolsonaro sobre a eliminação de entraves ambientais e a possibilidade de fazer “o que quiser” em uma propriedade rural exigem atenção e debate público. A defesa da atividade produtiva não elimina a responsabilidade de respeitar a legislação, proteger os recursos naturais e garantir direitos coletivos. 

PROTEGER AS CONQUISTAS E AVANÇAR 

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE divulgados em outubro mostram que a Amazônia e o Cerrado registraram as menores taxas de desmatamento de suas séries históricas no governo Lula . Na Amazônia, foram 3.335 km² desmatados entre agosto de 2025 e julho de 2026, uma queda de 41,8% em relação ao período anterior. No Cerrado, a redução foi de 23,8%. 

Na Amazônia, o desmatamento acumulado nos quatro anos do governo Lula foi 46% menor do que nos quatro anos do governo Bolsonaro. São resultados também com impacto climático global. Segundo estimativa do físico Shigueo Watanabe Jr., pesquisador do ClimaInfo, a redução do desmatamento na Amazônia durante o atual governo evitou a emissão de aproximadamente 1,2 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa. 

Esses avanços não autorizam acomodação. Ao contrário: precisam ser consolidados e ampliados, com prevenção e combate aos incêndios, responsabilização por crimes ambientais, recuperação de áreas degradadas, proteção dos territórios e incentivo e valorização de quem produz de maneira sustentável. O Brasil tem condições de conciliar produção, geração de empregos, inovação, inclusão social e conservação da natureza. Tem ciência, tecnologia, biodiversidade, recursos naturais e capacidade de liderar a transição para uma economia de baixo carbono. 

Mas esse caminho exige políticas consistentes, instituições fortalecidas e compromissos que resistam às disputas eleitorais. Os compromissos climáticos assumidos pelo país no âmbito do Acordo de Paris precisam sair do papel e orientar as decisões de governo. A liderança internacional conquistada pelo Brasil deve se traduzir em resultados concretos para a população brasileira e para o planeta. O país que abriga a maior parte da floresta amazônica não pode abrir mão de sua responsabilidade histórica. 

Não existe soberania sobre um território cuja natureza é destruída , onde milicianos avançam e cuja população é condenada à vulnerabilidade. 

NOSSA RESPONSABILIDADE É COM AS GERAÇÕES PRESENTES E FUTURAS 

Niterói conhece a importância de planejar o futuro, proteger seus ecossistemas e preparar as cidades para os desafios climáticos. Essa responsabilidade não termina nas fronteiras municipais: ela se conecta à defesa da Mata Atlântica, da Amazônia, do Cerrado, dos oceanos e de todos os territórios que sustentam a vida no Brasil. 

É a partir desse compromisso que fazemos um chamado à sociedade brasileira. Não podemos tratar como normal a destruição ambiental. Não podemos aceitar o retrocesso como destino. Não podemos permitir que a intolerância, o autoritarismo e o negacionismo comprometam conquistas democráticas e políticas públicas essenciais à proteção da vida. 

O que está em disputa é a possibilidade de construir um Brasil democrático, socialmente justo, ambientalmente responsável e preparado para enfrentar a crise climática. 

Diante do segundo turno das eleições presidenciais, em 25 de outubro, defendemos a importância de seguirmos com as políticas de proteção ambiental, enfrentamento das mudanças climáticas e o fortalecimento da democracia. Nesse contexto, é FUNDAMENTAL a mobilização de toda sociedade brasileira, dos independentes, conservadores lúcidos e da direita democrática , em apoio a chapa Lula Presidente Geraldo Alckmin Vice Presidente para garantir a preservação dos avanços socioambientais e o enfrentamento dos riscos de retrocesso representado pela candidatura de Flávio Bolsonaro. 

Este é um chamado à ação, à consciência e à responsabilidade histórica. Pela democracia. Pela justiça social. Pelo clima. Pela floresta. Pelas cidades. Pelos povos e comunidades que protegem nossos territórios. Pelas crianças de hoje e pelas gerações que ainda virão. 

O Brasil não pode retroceder e a vida não pode esperar. O futuro precisa ser defendido agora. No próximo dia 25 é 13! 

Niterói, 21 de outubro de 2026.



segunda-feira, 19 de outubro de 2026

SÓ A ELEIÇÃO DE LULA PODERÁ EVITAR O INACEITÁVEL RETROCESSO. Flávio promete acabar com 'entraves ambientais'.

Foto: Ricardo Stuckert/Lula oficial

NÃO PODEMOS ADMITIR RETROCESSOS DEMOCRÁTICOS, SOCIAIS, AMBIENTAIS E NA POLÍTICA CLIMÁTICA. É PRECISO DERROTAR A EXTREMA DIREITA!

Não há dúvidas sobre o risco que estamos correndo: poderemos voltar a sofrer as consequências de um governo negacionista e predatório, que causará graves retrocessos ambientais e civilizatórios.

Leia a matéria do G1 abaixo, onde o candidato da extrema direita afaga os grileiros e desmatadores da Amazônia. Acesse aqui para assistir ao vídeo.

Assim como o seu pai, Flávio Bolsonaro nunca escondeu as suas CONVICÇÕES ECOCIDAS. Mais uma vez, declarou de forma explícita as suas intenções de "passar a boiada" e estimular o avanço da destruição da Amazônia. Em evento de campanha, em Marabá (PA), município que faz parte do chamado "Arco do Desmatamento" (região de maior ocorrência de desmatamento e queimadas na Amazônia), prometeu acabar com o que chama de 'entraves ambientais' e disse que o produtor poderá fazer 'o que quiser' em sua terra:

"Eu vou fazer a maior regularização fundiária que o Pará já viu. A sua terra vai ser sua no papel. Vamos respeitar a propriedade privada. Você vai poder plantar, criar gado, vai fazer o que quiser na sua terra e o que você explorar da terra é seu".

Disse ainda que as medidas de proteção florestal existem "principalmente por causa de razões ideológicas". 

A fala soa como música aos ouvidos de latifundiários e grileiros, grandes responsáveis pelo desmatamento da região. Com esse discurso, o candidato estimula a criminalidade ambiental e cria a expectativa de um "liberou geral", de um salvo conduto para o avanço do crime. 

Importante lembrar que o Pará lidera o desmatamento e as queimadas na Amazônia, embora a taxa de desmatamento no estado também tenha se reduzido em função dos programas de controle desenvolvidos pelas autoridades ambientais.

BIODIVERSIDADE

A lógica da destruição da floresta é a mais antiga prova de ignorância e de desperdício de oportunidade. Representa a reprodução dos erros repetidos por séculos, com as consequências que todos conhecemos. 

Sou engenheiro florestal e já trabalhei com inventários de biodiversidade e projetos de restauração florestal na Amazônia. O Brasil é o país mais biodiverso do mundo e um hectare de Floresta Amazônica pode abrigar entre 200 e 300 espécies de árvores e até 500 espécies, caso considerem-se também arbustos, espécies de menor porte e herbáceas. Essa é uma riqueza que pode sustentar uma economia potente, com dezenas de cadeias produtivas que podem gerar muitas oportunidades para o presente e para o futuro. 

Quantos medicamentos e outros produtos que hoje são consumidos no mundo todo surgiram de estudos sobre a biodiversidade? Quantas alternativas de produção ou de aproveitamento econômico da floresta em pé existem em substituição à mera queima da cobertura florestal? Como pode uma candidatura falar em prosperidade e destruir as bases naturais da sua economia?

Cada hectare desmatado, que transforma a rica floresta em monocultura ou normalmente em pasto, pode representar a perda de um tesouro em biodiversidade e até mesmo a perda de espécies antes que sejam conhecidas. Mas, para políticos irresponsáveis, de formação tacanha e referenciados no atraso e não no futuro, proteger a floresta e a biodiversidade é "apenas ideologia". Aliás, como se isso fosse pouco! Enfrentar o ecocídio é uma responsabilidade ideológica, ética e moral, sim!

ENFRENTANDO O DESMATAMENTO

Há poucos dias, soubemos aliviados que o Brasil atingiu o recorde de redução de desmatamento na Amazônia e no Cerrado. O desmatamento da Amazônia foi de 3.335 km2 entre agosto de 2025 e julho de 2026, uma redução de 41,8% em relação ao período anterior. No Cerrado, a queda foi de 23,8%. O desmatamento diminuiu também no Pará. Em quatro anos, o governo Lula entregou a redução de 71% do desmatamento na Amazônia e de 48% no Cerrado. Os números representam a menor taxa de perda de florestas da série histórica, iniciada em 1988. O programa desenvolvido pelo Governo Lula é considerado o maior programa de redução de desmatamento já desenvolvido no mundo e os seus resultados já são considerados uma referência global.

Trata-se de uma grande conquista que mostra que o compromisso assumido pelo Governo Lula de zerar o desmatamento até 2030 é exequível. A meta foi apresentada na NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada, sigla em inglês) apresentada pelo Brasil perante o Acordo de Paris. Basta compromisso e vontade política que chegaremos lá.

Também na agenda climática, as conquistas são animadoras. Relatório recentemente publicado pelo Observatório do Clima, mostra que as emissões de gases de efeito estufa do Brasil caíram 6% em 2025 e chegaram ao menor nível em oito anos. O país lançou na atmosfera 2,06 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente, medida que reúne os diferentes gases responsáveis pelo aquecimento global. Em 2024, esse volume havia sido de 2,19 bilhões de toneladas. Os números fazem parte da 14ª edição do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa) e mostram que a redução foi puxada principalmente pela queda do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. 

No governo Bolsonaro, as emissões chegaram a 2,716 bilhões de toneladas e o recorde de emissões mais baixas foi de 1,789 bilhões de toneladas e aconteceu em 2009, no Governo Lula, quando o ministro do Meio Ambiente era Carlos Minc. 

No entanto, a notícia chega quando estamos enfrentando as consequências do super El Niño. Dados oficiais do portal AdataBrasil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - MCTI, mostram que 1699 municípios brasileiros (30%) vivem situação de escassez e de risco de abastecimento de água. Municípios que correspondem cerca de 10% do território do país já estão formalmente na condição de Alerta de Seca. A Amazônia, outrora a terra das águas, está entre as regiões mais afetadas (saiba mais aqui). A seca aumenta a vulnerabilidade aos incêndios florestais e à ação criminosa contra a floresta. Diante disso, vemos cidades amazônicas envoltas em fumaça e equipes do governo federal e dos estados enfrentando um grande número de queimadas nas proximidades. Segundo o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, os incêndios na vegetação podem ter origem criminosa. A ação estaria sendo orquestrada por inimigos da Amazônia, que provocam intencionalmente os incêndios, incentivados pela expectativa de impunidade que viria com a eleição da extrema direita.

EXTREMA DIREITA = MAIS DESMATAMENTO

No "Arco do Desmatamento", crimes ambientais mantém uma economia excludente, imediatista, insustentável e predatória, baseada na eliminação da floresta e no uso perdulário dos recursos naturais. 

Motivados pela conjuntura fora-da-lei, eleitores da região votam sistematicamente em candidatos alinhados com o ideário bolsonarista, contrário ao meio ambiente, e que ignora o potencial das florestas e da biodiversidade para o futuro da região. Com isso, hoje, temos um contingente de políticos na região que respaldam a grilagem e que insuflam a população contra a legislação e os órgãos ambientais. Quem mais sofre as consequências são as populações tradicionais e os povos indígenas. Quem perde é cada um dos brasileiros das atuais e futuras gerações!

A correlação entre desmatamento e políticos de direita é comprovada por números. Dos 70 municípios monitorados pelo Ministério do Meio Ambiente devido ao desmatamento (Municípios Prioritários, de acordo com a Portaria GM/MMA Nº 834, de 9 de novembro de 2023), 68 tiveram prefeitos de direita eleitos no pleito de 2024. 

Segundo O Globo, Flávio Bolsonaro no pleito de 2026 e Jair Bolsonaro em 2022, obtiveram suas maiores votações proporcionais justamente em municípios-símbolo da fronteira agropecuária e do desmate, a exemplo de Novo Progresso (PA) e São Félix do Xingu (PA). Veja os números referentes ao primeiro turno de 2026:

O Globo mostra ainda que "apesar do baixo desempenho especificamente em locais marcados pela alta atividade exploratória da floresta e fiscalização insuficiente, Lula obteve mais votos que Flávio na maioria dos municípios da Amazônia Legal: o presidente venceu em 425 cidades, contra 351 do candidato do PL". Apesar dos inimigos da floresta, Lula venceu no primeiro turno no Pará com 49,91% dos votos no estado, contra 44,5% do candidato da extrema direita.

CLIMA

O Brasil é um dos países mais vulneráveis às mudanças climáticas e as consequências estão acontecendo agora com desastres climáticos em todas as regiões do país. Estamos enfrentando, de forma recorrente e cada vez mais intensa, chuvas extremas e secas severas em todas as regiões do país. A ciência tem comprovado e procura alertar a população que grande parte dos problemas decorrentes das mudanças climáticas no país (chuva demais e chuva de menos) tem ligação com a Amazônia e os seus problemas de desmatamento. Até mesmo, no Rio Grande do Sul, que tem sido assolado por chuvas intensas, tem os seus problemas relacionados com o fenômeno dos rios voadores, que traz umidade da Amazônia para outras regiões da América do Sul. 

A ciência tem alertado também que o desmatamento da Amazônia está levando o bioma perigosamente à situação chamada pelos pesquisadores de "Ponto de Não-Retorno", a partir do qual o ecossistema não suporta mais as condições vigentes e se degrada ou passa pelo processo conhecido como "savanização". Com isso, a floresta diminuirá a sua capacidade de emitir umidade para a atmosfera, com sérias consequências para áreas atuais de produção de alimentos e de mananciais de abastecimento de água para as cidades. 

Em entrevista recente, ao ser perguntado sobre as mudanças climáticas, Flávio disse que era apenas um problema cíclico e que "resolveria o problema com investimentos em saneamento". Comprovou o seu negacionismo e que não entende nada de mudanças climáticas e nem de saneamento. Caso eleito, Bolsonaro formará uma aliança devastadora com seus correligionários, avançando na política de desmonte da legislação e inviabilizando o trabalho dos órgãos ambientais. 

Caso tenhamos mais um Bolsonaro na presidência, assim como já vimos acontecer antes, o Brasil recuará na política climática e abandonaremos o papel de liderança no cenário climático global, reconquistada com grande esforço. Esse protagonismo foi consolidado com a recente realização da COP30, em Belém, quando assumimos a presidência global sobre o tema, que exerceremos até a realização da COP31, que acontecerá nas próximas semanas. Sabemos que as maiores vítimas desse recuo será a população mais vulnerável nas cidades, mas também a produtividade do próprio agro, cujos segmentos mais retrógrados estão entre os principais apoiadores dos desvarios do extremismo bolsonarista. 

O QUE ESTÁ EM JOGO

Jair Bolsonaro, então presidente do Brasil, bate continência para a bandeira americana em evento em Dallas, no Texas. Foto do Google.

Estamos diante de duas opções diametralmente opostas no segundo turno da eleição. DE UM LADO, a continuidade do governo Lula, que mesmo com as suas contradições, mostra compromissos com a causa socioambiental nos seus atos, suas entregas e sua liderança global em temas da sustentabilidade e clima. No atual pleito, Lula tem o apoio amplamente majoritário das principais lideranças ambientais, dos movimentos populares e iniciativas sociais, das organizações acadêmicas, das artes e da intelectualidade em geral. DO OUTRO LADO, há uma opção pela extrema direita, alinhada ao negacionismo trumpista, com a sua prática de sabotagem ao multilateralismo, à agenda da sustentabilidade e das mudanças climáticas. Uma candidatura que não esconde a sua atitude entreguista com relação aos nossos recursos naturais e que coloca em risco a nossa soberania. Um grupo político que já tentou um golpe contra a democracia e que ostenta uma prática política autoritária, que causará grande dificuldade na defesa das teses ambientais na próxima legislatura federal, uma vez que teremos um congresso amplamente reativo e hostil à causa da sustentabilidade. 

O único caminho para literalmente evitar a "terra arrasada" será o voto em Lula (13), no segundo turno das eleições que acontecerá no dia 25 de outubro. Diante de um Congresso que acaba de ser eleito ainda mais hostil ao meio ambiente, vemos tempos difíceis pela frente, mas sem Lula na presidência, o Brasil "descerá a ladeira sem freios", com graves consequências para as atuais e futuras gerações.

Reflita sobre isso e vamos trabalhar para evitar o pior!

Axel Grael
Engenheiro florestal e ambientalista
Prefeito de Niterói (2021-2024)
Doutorando em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU-UFF), com pesquisa sobre "cidades e mudanças climáticas"


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Flávio promete acabar com 'entraves ambientais' e diz que produtor poderá fazer 'o que quiser' em sua terra no Pará

Flávio Bolsonaro (PL) participa de motocarreata com Daniel Santos em Marabá, no Pará. — Foto: Dione Freires/TV Liberal

Candidato do PL à Presidência da República cumpriu agenda de campanha com apoiadores em uma motocarreata em Marabá, no sudeste do Pará, nesta segunda-feira, 19.

Por Taymã Carneiro, g1 Pará — Belém

O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, disse nesta segunda-feira (19) que pretende realizar um programa de regularização fundiária no Pará e eliminar o que classificou como "entraves ambientais por razões ideológicas", assegurando que os produtores rurais teriam autonomia sobre propriedades.

"Eu vou fazer a maior regularização fundiária que o Pará já viu. A sua terra vai ser sua no papel. Vamos respeitar a propriedade privada. Você vai poder plantar, criar gado, vai fazer o que quiser na sua terra e o que você explorar da terra é seu. Esses entraves que existem ambientais por causa de razões ideológicas a gente vai acabar", afirmou.

O candidato não explicou detalhes das medidas, caso eleito, mas sugeriu flexibilização de regras ambientais e fundiárias no estado que tem forte presença de terras indígenas, unidades de conservação, áreas federais e marcadas por conflitos fundiários.

Flávio Bolsonaro participou de uma motocarreata com apoiadores na cidade de Marabá, no sudeste paraense, incluindo o governador eleito em 1º turno Dr Daniel (Podemos) e o prefeito da cidade Toni Cunha (PL).

O candidato desembarcou no aeroporto da cidade por volta de 10h20 e seguiu em cortejo pelas ruas do município.

O ato político em Marabá reuniu apoiadores por ruas da cidade e em uma ponte, onde candidato discursou sobre as demandas locais de trabalho e infraestrutura.

O candidato também discursou sobre segurança pública e o combate à criminalidade, defendendo o aumento do tempo de prisão para roubos e a aplicação de castração química.

"Eu vou devolver a soberania sobre o seu celular. Eu vou devolver a sua soberania sobre a sua bolsa, sobre a sua moto, sobre o seu carro, sobre a sua propriedade. Eu vou resgatar cada metro, eu vou resgatar cada rua, cada bairro, cada cidade, cada território que esses vagabundos tomaram do povo brasileiro e vou devolver pro povo brasileiro", disse.

O embarque para deixar a cidade ocorreu por volta de 12h40. A próxima agenda do candidato foi prevista para 20h, em Manaus (AM).

Fonte: G1



domingo, 18 de outubro de 2026

Queda no desmatamento é conquista histórica para o Brasil

 


Números mostram que zerar e reverter a perda da Floresta Amazônica até 2030 é possível e só depende de governo e sociedade quererem chegar lá.

Números divulgados ontem (16/10) permitem dizer com orgulho: nunca na história deste país o desmatamento na Amazônia e no Cerrado foi tão baixo. Ou, mais precisamente, nunca na história do sistema PRODES, do INPE, de monitoramento do território brasileiro.

Os números não caíram do céu ou ocorreram por milagre. São o resultado do tremendo esforço do governo Lula, com Marina Silva como ministra do Meio Ambiente, não apenas em reverter a destruição da gestão de Jair Bolsonaro, mas também em cumprir a meta de zerar o desmatamento no país até 2030. Um trabalho que pode virar cinzas — literalmente —, dependendo do resultado do segundo turno das eleições presidenciais, no dia 25 de outubro.

Vamos aos números. A Amazônia registrou entre agosto de 2025 e julho de 2026 um recorde histórico de queda no desmate: 3.335 km², o menor valor desde que as medições por satélite tiveram início, em 1988. O número é 42% menor do que o do ano passado (5.731 km²) e representa uma queda de 71%, considerando os últimos quatro anos.

A redução do desmatamento na Amazônia durante todo o governo Lula (ou seja, a partir de janeiro de 2023) evitou a emissão de cerca de 1,2 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa, estima o físico Shigueo Watanabe Jr., pesquisador do ClimaInfo. É um volume comparável às emissões totais da França acumuladas entre 2023 e 2025, que totalizaram cerca de 1,1 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente, segundo dados do inventário nacional francês.

No Cerrado, bioma mais rapidamente devastado no Brasil, a área desmatada também foi a menor da história, 5.516 km². É uma queda de 23,7% em relação ao ano passado (7.235 km²) e de 48,4% nos últimos quatro anos.

Os dados do INPE representam uma vitória da sociedade brasileira e são motivo de celebração. E também passam três recados claros, destaca o Observatório do Clima.

O primeiro é que zerar o desmatamento é possível. A atual administração assumiu após quatro anos da política antiambiental deliberada do governo de Jair Bolsonaro, que provocou a maior alta do desmate em um mandato presidencial desde o início da série histórica — 60% de aumento em relação ao período anterior — e devolveu a devastação ao menor patamar já registrado em quase quatro décadas. Nos quatro anos do atual governo Lula, a Amazônia perdeu 24.648 km², 46% a menos do que o total desmatado no governo Bolsonaro, de 45.586 km².

O segundo é que é preciso vontade política para que isso aconteça. Os números divulgados ontem são fruto de uma determinação clara e sustentada de proteção ambiental implementada pelo governo, que envolveu um conjunto de políticas públicas de combate aos crimes ambientais, estruturado sob a liderança de Marina Silva. Ações do IBAMA, como os embargos coletivos de áreas desmatadas e os embargos remotos por satélite, bem como a ampliação de instrumentos de financiamento, como o Fundo Amazônia e programas de apoio a municípios, foram fundamentais para os resultados.

O terceiro é que controlar o desmatamento é uma boa notícia não só para o meio ambiente. É bom para o clima, como mostrado acima, pois o controle da destruição da floresta evita a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera. E é bom para o agronegócio, cujo PIB para 2026 é estimado em R$ 3,13 trilhões — uma alta de 17,67% em relação ao de 2022, último ano do governo de Jair Bolsonaro.

“Esses números são uma conquista histórica. Eles colocam o Brasil como protagonista na agenda de proteção das florestas e mostram ao mundo que, com vontade política, é possível frear as motosserras e as emissões de gases de efeito estufa”, reforça Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.

Fonte: ClimaInfo


sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Com impacto do El Niño chegando, 10% da área do Brasil já está em alerta para seca

Mapa da situação atual de seca no Brasil, com estiagem destacada nas áreas amarelas, segundo o Cemaden — Foto: O GLOBO/Cemaden

Estiagem na Amazônia e no Nordeste é primeiro sinal claro de influência do aquecimento das águas do Pacífico no país, que deve ter aumento de chuvas no Sul

Por Rafael Garcia

A estiagem na Amazônia é primeiro sinal claro de influência do El Niño de 2026 no Brasil, país que já tem 158 cidades em status de alerta para seca em setembro, afirma o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Os municípios nessa condição correspondem a quase 10% (9,8%) da área do país.

Segundo técnicos da instituição, a região mais afetada de imediato é a calha Norte do rio Amazonas, principalmente a bacia do Rio Negro. Na região Nordeste, há preocupação concentrada na faixa de sertão do norte da Bahia até Pernambuco, passando por Alagoas e Sergipe. No Pantanal não há ainda municípios em alerta, mas o nível de vazão dos rios na bacia do Rio Paraguai também preocupa.

Segundo a meteorologista Adriana Cuartas, pesquisadora do Cemaden, o problema que a Amazônia está vendo agora é, em parte, uma herança do el Niño de 2023 e 2024, possivelmente agravado também pela mudança climática global.

— Infelizmente, as chuvas que têm acontecido até agora ali não foram suficientes para recuperar totalmente essas bacias — disse a cientista em apresentação para jornalistas. — Então, a sensação é que elas permanecem em algum déficit hídrico e não estão se recuperando. Essa que é a questão.

A região Centro-Oeste também enfrenta neste momento um nível mais moderado de estiagem, algo comum dentro da sazonalidade, sem que possa ser diretamente atribuída ao El Niño. Segundo o Cemaden, os dias mais chuvosos no Sul e no Sudeste, que coincidem com a passagem de uma frente fria, também são um padrão normal para a faixa do Rio de Janeiro ao Rio Grande do Sul, e não necessariamente reflexo do fenômeno no Pacífico.

Na apresentação, Gilvan Sampaio, cientista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), falou sobre como o El Niño se tornou um elemento meteorológico que ganhou espaço na cultura popular, mas disse que nem tudo o que ocorre no clima quando o fenômeno está ativo se deve a ele.

— A frente de rajada de ventos que chegou recentemente a São Paulo e Rio de Janeiro não foi trazida El Niño, e está chovendo há duas semanas aqui em São Paulo, mas também não é culpa do El Niño — diz o pesquisador.

Fonte: Cemaden • (Índice integrado de seca para o último mês)

Os eventos extremos de chuva, que preocupam sobretudo na região Sul, pode estar relacionados com o fenômeno em alguns anos, como ocorreu com as enchentes históricas em cidades gaúchas em 2024. Eles são porém, mais difíceis de prever do que o impacto da seca.

— O excesso de chuva tem uma escalas de tempo diferente. A falta de chuva vai se acumulando aos poucos, e os problemas acontecem depois de semanas, meses, ou às vezes mais de ano — explica Giovanni Dolif, do Cemaden. — Já excesso de chuva é mais repentino. Uma chuva rápida, de poucas horas, pode causar um grande desastre.

Os pesquisadores ressaltam, também, que a natureza mais dinâmica dos eventos ligados ao excesso de água na atmosfera também tem a localização mais difícil de determinar.

— Cada El Niño ocorre de uma forma. Um dos El Niños mais fortes do século passado, o de 1982/1983, por exemplo, afetou mais Santa Catarina, já o de 2023/2024 teve três episódios intensos de chuva, todas no Rio Grande do Sul — diz Sampaio.

Se a demora para saber o tamanho do impacto do El Niño atual tem causado ansiedade no Sudeste e no Sul, porém, no Norte e Nordeste ela já está palpável, dizem os pesquisadores.

A situação de estiagem tomou um grau mais preocupante sobretudo para a agricultura de pequena escala, que sofre com as condições na região Norte. Focos de incêndio florestal também aumentaram, com Manaus amanhecendo sob fumaça pela terceira vez em dez dias.

Em termos de número de municípios afetado no último mês, os cinco estados com índice de seca "severo" medidos pelo Cemaden foram Bahia (101), Sergipe (43), Alagoas (42), Amazonas (15) e Roraima (13). Todas as cidades com índice de seca "extrema" são baianas: Anguera, Lamarão, Santa Bárbara e Tanquinho, no norte do estado.

A análise do impacto do El Niño no Norte e Nordeste traz um resultado diferente, porém, quando o tema é risco de fogo, afirmam os dados do Cemaden. Como os incêndios florestais também têm como variáveis importantes o vento e o calor, além da seca, nem sempre ele está onde a estiagem é pior.

Os alertas de risco de incêncio agora no Brasil estão concentrados na região do Matopiba, área de divisa entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, área de transição entre Cerrado e Amazônia. Em dois dias, essa frente de risco se desloca para o oeste de Goiás e no pantanal mato grossense, que preocupa por causa da baixa vazão dos rios agora.

Assim como no caso das chuvas, as ondas de calor são mais difíceis de prever em longa escala, por isso o Cemaden oferece uma previsão de apenas dez dias de antecedência em seu painel de risco de fogo.

Ansiedade climática

Se as consequências do El Niño de 2026 estão demorando a aparecer, meteorologistas afirmam estar convictos de que elas virão, porque existe um intervalo entre o registro do aquecimento das águas do Pacífico, que caracterizam o fenômeno em si, e a influência que elas exercem na América do Sul.

"As anomalias da temperatura da superfície do mar já ultrapassaram os 3°C no Pacífico Equatorial Leste. Esse aumento, juntamente com os outros índices de medição, indicam uma intensificação constante do El Niño até o final de 2026", diz o último boletim do Instituto Nacional de Meteorologia sobre o fenômeno. "Além disso, a probabilidade, no Hemisfério Sul, de um evento muito forte durante a primavera e o verão de 2026–2027, supera os 90%, enquanto há probabilidade de 75% de ser o evento mais forte registrado desde 1950, durante o trimestre outubro–novembro-dezembro de 2026."

O diretor do Departamento de Clima e Sustentabilidade do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Osvaldo Moraes, afirma que, apesar de o país requerer cautela e preparação, há um grau de incerteza razoável ainda sobre os impactos.

— Quando nós ouvimos falar em "Super El Niño", imediatamente as pessoas já fazem a conexão com "super impactos", mas isso não é bem assim — afirma. — Não existe uma correlação tão direta entre um super evento extremo e um super impacto, porque o impacto não depende só da intensidade da ameaça, mas também da magnitude das vulnerabilidades.

O Cemaden, um centro técnico criado em 2011, foi concebido em grande medida com objetivo de mapear o status dessa segunda variável da equação climática. Segundo os pesquisadores da unidade, o atual El Niño é um momento em que o valor desse tipo de trabalho, realizado com apoio de outros núcleos de pesquisa, deve se provar.

Fonte: O Globo 





5º leilão do Eco Invest Brasil tem R$ 49,95 bilhões homologados para seis setores produtivos

Iniciativa é voltada ao fortalecimento da inovação tecnológica e ao desenvolvimento de cadeias estratégicas para a competitividade brasileira. - Foto: Yasin Hemmati

Bradesco, HSBC, Itaú e Santander foram selecionados para estruturar fundos e operações de crédito nas áreas contempladas

Os ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e da Fazenda homologaram, nesta quarta-feira (7/10), o resultado do 5º leilão do Programa Eco Invest Brasil. A iniciativa é voltada ao fortalecimento da inovação tecnológica e ao desenvolvimento de cadeias estratégicas para a competitividade brasileira.

Foram apresentadas 23 propostas por seis instituições financeiras, totalizando uma demanda de R$ 181,3 bilhões para fundos de inovação e crédito corporativo. Desse total, R$ 49,95 bilhões foram homologados e serão destinados a investimentos em seis cadeias produtivas estratégicas ligadas à inovação e à transformação ecológica, por meio de fundos, crédito corporativo e recursos não reembolsáveis.
 
Nesta rodada, o leilão combinou três instrumentos financeiros: Fundos de Inovação Eco Invest, Instrumentos de Crédito Corporativo e Fomento à Pesquisa e ao Empreendedorismo de Base Tecnológica. As instituições financeiras disputaram cada cadeia estratégica conforme sua capacidade de mobilizar capital privado.

A alavancagem global foi de aproximadamente 3,8 vezes, considerando a soma dos recursos públicos e privados em relação ao capital catalítico. Ou seja, para cada R$ 1 aportado pelo Tesouro Nacional, serão mobilizados cerca de R$ 3,80 em investimentos privado.

Participaram da disputa Bradesco, Citibank, HSBC, Itaú, Santander e Banco do Brasil. Ao final do processo, Bradesco, HSBC, Itaú e Santander foram selecionados para estruturar fundos e operações nas seis cadeias estratégicas.

As instituições financeiras selecionadas serão responsáveis pela constituição dos fundos e pela oferta de crédito corporativo às empresas aptas a ampliar sua produção. Como contrapartida, também deverão destinar recursos não reembolsáveis à pesquisa aplicada e ao empreendedorismo de base tecnológica.

Como parte das contrapartidas, as propostas homologadas preveem aproximadamente R$ 249,8 milhões em recursos não reembolsáveis no primeiro ano para ações de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e empreendedorismo de base tecnológica. As propostas também preveem destinação de 10,25% a 20% dos investimentos dos Fundos de Inovação a projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) em cooperação com universidades e Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs).

Recursos priorizam seis cadeias estratégicas

Nesta edição, o Programa Eco Invest Brasil contemplou seis cadeias produtivas ligadas à inovação e à transformação ecológica:
  • Circularidade de resíduos minerais e industriais para insumos;
  • Automação e inteligência artificial (IA) aplicada a processos produtivos e tecnológicos;
  • Fertilizantes verdes, bioinsumos e proteínas alternativas;
  • Biomateriais e química verde;
  • Beneficiamento de minerais críticos, baterias e mobilidade elétrica;
  • Combustíveis verdes avançados, biogás e biometano.
O principal destaque foi a cadeia de circularidade de resíduos minerais e industriais, que concentrou o maior volume homologado, com R$ 11 bilhões, o equivalente a cerca de 22% do total dos investimentos.

O Bradesco foi selecionado para estruturar os fundos da cadeia de circularidade de resíduos minerais e industriais, além das áreas de fertilizantes verdes, bioinsumos e proteínas alternativas, com R$ 9 bilhões, e de biomateriais e química verde, com R$8,5 bilhões.

O Itaú ficou responsável pela cadeia de automação e inteligência artificial aplicada a processos produtivos e tecnológicos, com R$ 9,75 bilhões em investimentos. O Santander venceu a cadeia de beneficiamento de minerais críticos, baterias e mobilidade elétrica, com R$ 6,5 bilhões, enquanto o HSBC foi selecionado para combustíveis verdes avançados, biogás e biometano, com R$ 5,2 bilhões.

Entre as atividades priorizadas pelos bancos, destacam-se reciclagem e valorização de resíduos (R$ 8,8 bilhões), automação, robótica e manufatura inteligente (R$ 8,11 bilhões), biofertilizantes, bioinsumos e biodefensivos (R$ 7,2 bilhões) e baterias e sistemas de armazenamento de energia (R$ 4,55 bilhões).

Dos recursos públicos de capital catalítico, R$ 9 bilhões serão destinados aos fundos de inovação e R$ 4,2 bilhões às operações de crédito corporativo. Os critérios do leilão também favoreceram propostas com maior participação de capital estrangeiro e maior proporção de investimentos em projetos desenvolvidos em parceria com universidades e ICTs, bem como iniciativas voltadas à aquisição e à internalização de tecnologias de empresas internacionais de base tecnológica.

Programa Eco Invest Brasil

O Programa Eco Invest Brasil integra o Plano de Transformação Ecológica, e tem como objetivo mobilizar capital privado nacional e internacional para projetos com impacto econômico, social e ambiental.

A iniciativa combina instrumentos financeiros inovadores, mecanismos de redução de riscos e atração de investimentos de longo prazo para acelerar a transição ecológica brasileira.

Com os cinco leilões realizados, o Programa Eco Invest Brasil já mobilizou mais de R$ 190 bilhões e reúne 13 instituições financeiras credenciadas.

Os documentos e demais informações referentes ao 5º leilão estão disponíveis no site do Programa Eco Invest Brasil.

Fonte: MMA





terça-feira, 13 de outubro de 2026

Congresso será mais hostil ao meio ambiente e clima

Reabertura dos trabalhos no Congresso, em fevereiro de 2026. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom

Sete em cada dez parlamentares da próxima Legislatura se posicionam contra a agenda socioambiental, mostra análise do OC

O Congresso piorou para a agenda ambiental e climática no país. Análise feita pelo GT Congresso do Observatório do Clima mostra que 68,9% dos parlamentares que vão compor a 58ª Legislatura (2027-2031) possuem baixa convergência ambiental. Os números foram divulgados nesta terça-feira (6).

O índice de convergência ambiental indica o quanto a atuação e os votos dos deputados e senadores se aproximam das agendas de clima e meio ambiente: quanto maior a convergência, maior o alinhamento com essas pautas.

No Senado, o quadro é pior: 64 dos 81 senadores (79%) da próxima Legislatura estão nas faixas Baixa ou Muito Baixa de convergência ambiental. Na Legislatura passada (2023-2027), eram 58 parlamentares (71,6%). Apenas 17 senadores (21%) estão nas faixas Boa ou Muito Boa de convergência.

A piora decorre do crescimento de partidos de extrema direita na Casa, que historicamente apresentam convergência ambiental muito baixa — o Partido Liberal (PL) passou de 15 para 28 cadeiras (34,6%) — e da baixa performance ambiental dos novos senadores.

Na Câmara, o cenário também não é favorável às agendas: 345 dos 513 deputados (67,3%) estão nas faixas de convergência Baixa ou Muito Baixa. Na Legislatura anterior, eram 63%. O grupo nas faixas Boa ou Muito Boa caiu de 181 para 168 deputados. Também nesta Casa, o PL ampliou sua bancada, de 98 para 121 deputados (23,6%).

Segundo Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, a piora trazida pelas urnas, especialmente no Senado, pode colocar em risco parte importante da proteção ambiental do país e facilitar a aprovação de retrocessos como o enfraquecimento da atuação dos órgãos ambientais, a redução ou extinção de áreas protegidas, a diminuição da proteção às florestas e aos biomas brasileiros e a anistia a grileiros. Para ela, o potencial para liderar pautas socioambientais vem de alguns parlamentares da Câmara, já que há deputados progressistas alinhados à agenda que conquistaram votações expressivas.

“Este quadro evidencia quatro anos de muito esforço para aqueles que atuam em clima e meio ambiente, e muita preocupação tanto com graves retrocessos quanto com as terríveis consequências disso tudo para a crise climática. Somando com um governo negacionista de Flávio Bolsonaro, isso significará o caos ambiental”, afirma.

Metodologia – A análise para a determinação do Índice de Convergência Ambiental considerou a composição e o perfil socioambiental dos parlamentares – como se posicionaram em votações sobre temas como licenciamento ambiental, comércio de emissões, terras indígenas, transição energética, proteção aos biomas e vetos presidenciais a dispositivos ambientais.

Prioritariamente, e sempre que disponíveis, foram utilizados os dados do Farol Verde, plataforma do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS). Complementarmente, foi usada a média da convergência de cada partido político apurada pela mesma plataforma. Além disso, o histórico de cada nome foi analisado individualmente, com base na atuação em cargos públicos, políticas implementadas e posicionamentos relacionados à agenda socioambiental. Foram priorizadas fontes oficiais, como Câmara, Senado, assembleias legislativas e governos, com uso também de matérias publicadas na imprensa quando necessário. As faixas de convergência consideradas foram: Muito Baixa (0 a 25%), Baixa (26 a 50%), Boa (51 a 69%) e Muito Boa (70 a 100%).

Acesse a análise completa aqui.

Fonte: Observatório do Clima



sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Diretora da COP do Brasil acusa Estados Unidos de frear políticas climáticas de outros países

 

COP30 - Ana Toni, Diretora Executiva da COP30 — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

Ana Toni afirma que o uso de tarifas e pressões comerciais pelos EUA trava metas de descarbonização em outros países

Com sua estratégia comercial, os Estados Unidos “influenciaram muito negativamente” as políticas climáticas de outros países, afirma Ana Toni, que foi diretora-executiva da COP30 no Brasil e promove para o encontro deste ano um “mapa de caminho” sobre o abandono dos combustíveis fósseis.

Em conversa com a AFP a poucas semanas da cúpula do clima organizada pela ONU em Antália (9 a 20 de novembro), Ana Toni criticou a “falta de solidariedade” das nações mais ricas com os países em desenvolvimento, que cobram recursos econômicos para se adaptar à mudança climática.

E criticou os Estados Unidos, que por decisão de seu presidente Donald Trump se retiraram em 2025 do Acordo de Paris, e com sua política tarifárias e pressões vêm condicionando, segundo ela, o cumprimento da agenda climática de outros países.

— Direta e indiretamente, os Estados Unidos influenciaram muito negativamente a capacidade de outros países de avançar na sua implementação [de medidas para combater o aquecimento global] — disse Ana Toni, diretora executiva da COP30 realizada no ano passado em Belém.

Nessa engrenagem influi a rivalidade entre Estados Unidos e China, explicou a brasileira.

Os países “são mais reticentes na hora de importar produtos chineses de baixo carbono, por medo de represálias dos Estados Unidos” ou porque “os Estados Unidos pressionaram esses países para que comprem produtos com maior pegada de carbono” e de fabricação norte-americana.

— Isso logicamente atrasa a capacidade desses países de aplicar metas mais ambiciosas de descarbonização — estimou.

Transição voluntária

Ana Toni destacou que a crise no estreito de Ormuz, que se traduziu em escassez de combustível na Ásia e altas generalizadas nos preços da energia, demonstra que a dependência do petróleo pode ser “muito prejudicial para o equilíbrio geral” do mundo.

— É a prova de que fazer a transição para além dos combustíveis fósseis não é apenas para combater a mudança climática, mas também uma questão de soberania, e serve igualmente para resolver um problema econômico e garantir segurança energética — explicou à AFP.

Após um acordo histórico em 2023 em Dubai no qual se anunciou o “princípio do fim” dos combustíveis fósseis, a questão ficou fora do encontro de Belém dois anos mais tarde, por pressão dos países produtores.

A presidência brasileira não desanimou e se comprometeu a promover um “mapa de caminho” global de saída progressiva e voluntária do petróleo, do carvão e do gás.

Toni teve um papel-chave nesse documento que será apresentado no início de novembro, dias antes da reunião em Antália, onde a Austrália, grande exportadora de carvão, ficará encarregada de pilotar as negociações.

A responsável detalhou que esse documento não fará recomendações país por país, nem proporá metas quantificadas ou cronogramas, mas as formulará de maneira geral, segundo o nível de dependência de cada nação em relação aos combustíveis fósseis.

— Todos os países podem avançar para diminuir sua exposição [ao petróleo, ao gás e ao carvão] e caminhar por essa transição, mesmo que partam de lugares muito diferentes — apontou.

Consenso sobre a eletrificação

Toni considerou “positiva” a iniciativa turca de promover voluntariamente a eletrificação de diversos setores econômicos (transporte, construção, indústria) para reduzir emissões.

Algumas organizações socioambientais alertam que o incremento proposto pela Turquia — 35% de eletricidade no consumo energético global daqui até 2035 — deve vir de fontes renováveis.

A responsável brasileira respondeu que a eletrificação de combustíveis fósseis “melhora a eficiência do uso desse combustível”, e asseverou que há um “consenso de que a eletrificação, por si só, já é importante”.

Em contrapartida, lamentou que os países mais ricos não estejam dispostos a aumentar suas contribuições financeiras, apesar do choque causado pelo colapso fatal de uma geleira no Nepal, que os climatologistas vinculam ao aquecimento global.

— A gente se pergunta o que mais precisa acontecer para que essas imagens vistas no Nepal sensibilizem a população dos países ricos — disse.

O Brasil decidirá em 25 de outubro no segundo turno entre o presidente esquerdista cessante, Luiz Inácio Lula da Silva, e o direitista Flávio Bolsonaro, o mais votado no primeiro turno.

Em caso de mudança, Toni pede para não retornar à política de Jair Bolsonaro de desmatamento massivo e para manter a tendência do último ano, no qual a Amazônia brasileira registrou o menor nível de desmatamento da última década.

Segundo ela, essa política não foi apenas boa para o meio ambiente, mas também “fundamental para as relações comerciais e diplomáticas do Brasil”.

— O próprio agronegócio brasileiro deveria lutar para que isso se mantenha — arrematou.

Fonte: O Globo





ONU alerta para ‘janela cada vez menor’ para recuperar florestas no mundo

Flagra de garimpo ilegal na zona de amortecimento do Parque Nacional do Rio Novo, Pará; área está próxima a uma das localizações com PLG analisada pelo relatório — Foto: Laís Modelli / Greenpeace

Relatório da FAO aponta que 489 milhões de hectares de florestas foram desmatados desde 1990 e que apenas um quinto das áreas previstas para restauração está, de fato, sendo recuperado.

Há uma janela de oportunidade cada vez menor para recuperar as florestas do planeta — e o mundo ainda está longe de cumprir os compromissos assumidos para isso. O alerta está no relatório State of the World’s Forests, divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que defende que a restauração de florestas e paisagens degradadas seja tratada pelos governos como uma prioridade nacional.

Desde 1990, mais de 489 milhões de hectares de florestas foram desmatados em todo o mundo. Uma área ainda maior sofreu algum grau de degradação. Nas últimas duas décadas, iniciativas nacionais, regionais e globais estabeleceram a meta de colocar mais de 1 bilhão de hectares sob processos de restauração. Segundo a FAO, porém, apenas cerca de um quinto dessa área está efetivamente sendo recuperado.

O relatório reconhece avanços na proteção de florestas e no plantio de árvores em diferentes partes do mundo, mas considera que o ritmo das ações não acompanha os compromissos assumidos nem a dimensão crescente das necessidades. Para a organização, a combinação entre perda de cobertura florestal e degradação dos ecossistemas aumenta os riscos ambientais, sociais e econômicos.

As florestas ocupam cerca de 4,14 bilhões de hectares, aproximadamente um terço da superfície terrestre. Elas armazenam cerca de 714 gigatoneladas de carbono e abrigam até 80% da biodiversidade terrestre do planeta. Também participam da regulação das chuvas e têm papel na segurança alimentar e na geração de renda: quase um terço da população mundial depende das florestas para sua subsistência.

A pressão sobre esses ecossistemas, no entanto, vem de diferentes frentes. Todos os anos, cerca de 127 milhões de hectares de florestas são afetados por incêndios. Insetos, doenças e eventos climáticos extremos também provocam danos, que se somam à expansão da agricultura, à crise climática, à poluição e à exploração de combustíveis fósseis e outros recursos naturais.

A degradação também cria um problema econômico. Segundo o relatório, a recuperação de 1 bilhão de hectares de florestas e outros ecossistemas degradados poderia gerar cerca de US$ 1,8 trilhão em benefícios por ano. A restauração, portanto, é apresentada pela FAO não apenas como uma estratégia ambiental, mas como uma forma de fortalecer sistemas de produção de alimentos e o desenvolvimento de comunidades rurais.

“É mais do que uma prioridade ambiental — é um investimento estratégico em sistemas agroalimentares resilientes e no desenvolvimento rural”, afirmou Qu Dongyu, diretor-geral da FAO.

Para a organização, o atraso nas iniciativas de recuperação tende a elevar os custos no longo prazo e pode aprofundar desigualdades. O risco é que áreas já degradadas sejam mantidas em trajetórias consideradas insustentáveis, enquanto a demanda mundial por produtos e serviços ligados ao uso da terra continua crescendo.

O diagnóstico da ONU chega em um momento em que a restauração florestal ganhou espaço entre as estratégias de enfrentamento da crise climática. Plantar árvores, porém, não é suficiente para reverter a degradação, segundo o próprio relatório: o desafio envolve recuperar paisagens inteiras e garantir condições para que os ecossistemas permaneçam funcionais no longo prazo.

Fonte: O Globo



terça-feira, 6 de outubro de 2026

Europa Ocidental teve verão mais quente da história, com calor extremo, seca e incêndios

Uma mulher com um leque perto da Torre Eiffel durante onda de calor em Paris, em 20 de junho de 2026. — Foto: REUTERS/Sarah Meyssonnier

Segundo o observatório europeu Copernicus, 52% do continente enfrentou níveis muito fortes de estresse térmico. Rios tiveram os menores fluxos de água em mais de 30 anos.

Por Roberto Peixoto, g1

A Europa Ocidental registrou em 2026 o verão mais quente de sua história, em uma temporada marcada por ondas de calor persistentes, seca, incêndios florestais e níveis excepcionalmente baixos nos principais rios do continente, mostram dados do observatório europeu Copernicus.

Considerando toda a Europa, este foi o terceiro verão mais quente já registrado.

As altas temperaturas começaram mais cedo que o normal em algumas áreas, com uma grande onda de calor atingindo o oeste europeu ainda no fim de maio, e permaneceram ao longo dos meses seguintes.

Na Europa Ocidental, a temperatura média entre junho e agosto chegou a 21,7°C, 2,5°C acima da média de 1991 a 2020. O resultado superou o recorde anterior, registrado em 2003.

O calor também se espalhou por uma área maior e persistiu por mais tempo. Ao longo de 2026, foram registrados 17 dias em que pelo menos 60% da Europa Ocidental teve temperaturas acima de 30°C. Em 2003, haviam sido 11 dias, e, em 2025, sete.

Além das temperaturas do ar, o levantamento mostra que o calor provocou forte impacto sobre o corpo humano.

Até o fim do verão, 52% da Europa havia enfrentado pelo menos condições classificadas como "muito fortes" de estresse térmico, associadas a temperaturas percebidas de 38°C ou mais.

ENTENDA: O estresse térmico mede como condições de calor, umidade, vento e radiação afetam o corpo humano. Em níveis elevados, aumenta o risco de problemas como desidratação e insolação.

Entenda o que é o fenômeno El Niño

Na Europa Ocidental, foram registrados em média 41 dias de estresse térmico forte, um recorde para a região e cinco dias a mais que em 2003.

Os episódios classificados como muito fortes chegaram a 13 dias, também o maior número já registrado.

"A Europa enfrentou um verão de extremos climáticos combinados em 2026", afirmou Samantha Burgess, líder de Estratégia Climática do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), responsável pelo serviço climático do Copernicus.

Segundo ela, o calor recorde ocorreu ao mesmo tempo que condições secas generalizadas, níveis excepcionalmente baixos nos rios e mares muito quentes, com consequências para a disponibilidade de água, produção de energia, transportes, ecossistemas e saúde humana.



Rios tiveram menor fluxo em mais de 30 anos

A seca prolongada também deixou marcas nos rios europeus. De acordo com o Copernicus, o continente teve em 2026 o verão com os menores fluxos de água desde o início da série histórica, em 1992.

Níveis recordes ou próximos de recordes de baixa foram observados simultaneamente em grandes rios, como Reno, Danúbio, Pó, Loire, Ródano e Sena, principalmente em julho e agosto.

A redução afetou o transporte de cargas e aumentou a pressão sobre sistemas de irrigação, geração hidrelétrica, abastecimento de água e resfriamento de reatores nucleares.

As condições secas, combinadas às sucessivas ondas de calor, também favoreceram os incêndios florestais.

Até 2 de setembro, a área queimada na União Europeia era quase duas vezes maior que a média registrada entre 2006 e 2025 para o mesmo período, segundo o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais. Espanha e França estiveram entre os países mais afetados.

Dados do Serviço de Monitoramento da Atmosfera do Copernicus mostram ainda que as emissões provocadas pelos incêndios na Europa ficaram entre as dez maiores registradas desde 2003, expondo milhões de pessoas a níveis perigosos de poluição do ar.

Navios cargueiros navegam pelo rio Reno, com o nível da água baixo e a Catedral de Colônia ao fundo, na Alemanha, nesta segunda-feira (3). — Foto: Thilo Schmuelgen/Reuters

Mares europeus também tiveram calor excepcional

Aliado a tudo isso, o calor também atingiu os mares ao redor do continente. Durante o verão, foram registradas temperaturas recordes ou próximas de recordes na superfície do oceano em grande parte da costa atlântica europeia e nas regiões oeste e central do Mar Mediterrâneo.

Essas águas excepcionalmente quentes vieram acompanhadas de ondas de calor marinhas fortes a excepcionais, períodos prolongados em que a temperatura do oceano permanece muito acima do normal.

ENTENDA: Ondas de calor marinhas são períodos persistentes de temperaturas anormalmente elevadas no oceano. Além de afetarem os ecossistemas marinhos, elas podem aumentar o calor nas regiões costeiras.

Segundo o Copernicus, mares mais quentes dificultam o resfriamento durante a noite e aumentam a umidade do ar perto da costa, o que pode agravar o estresse térmico enfrentado pela população.

Para Burgess, a combinação observada neste verão mostra como diferentes extremos podem ocorrer ao mesmo tempo e ampliar seus impactos.

"À medida que o clima continua aquecendo, eventos como esses reforçam a importância de aumentar a resiliência diante de riscos climáticos cada vez mais interligados", afirmou.

Fonte: G1




sexta-feira, 18 de setembro de 2026

EUA registram verão mais quente em 132 anos

 

Verão meteorológico, definido entre os meses de junho e agosto, atingiu temperatura média de 23,6°C no território continental do país.

Resumo
  • Verão mais quente da história: segundo a NOAA, o verão de 2026 (junho-agosto) nos EUA continentais registrou temperatura média de 23,6°C, superando os recordes de 1936 (Dust Bowl) e 2021 em 0,2°C - o mais quente em 132 anos de medições.
  • Tendência de aquecimento acelerado: com o recorde de 2026, quatro dos cinco verões mais quentes já registrados ocorreram nos últimos cinco anos, incluindo 2022 e 2024. Agosto também foi o mais quente desde 1895, com média de 24,2°C e máximas diárias de 31,4°C.
  • El Niño amplia riscos para setembro: calor extremo, seca e ventos fortes já alimentaram incêndios florestais catastróficos. Com o El Niño caminhando para se tornar muito forte, a NOAA prevê temperaturas acima da média em setembro e risco elevado de incêndios no Noroeste e no Vale do Mississipi.

O país do (pseudo) negacionista climático Donald Trump “torrou” nos últimos meses. Segundo a Administração Atmosférica e Oceânica Nacional (NOAA, sigla em inglês), os Estados Unidos continentais (os 48 estados contíguos e o Alasca, excluindo o Havaí) tiveram em 2026 o verão mais quente desde o início dos registros de temperatura, há 132 anos.

O verão meteorológico, definido entre os meses de junho e agosto, atingiu uma temperatura média de 23,6°C neste ano. A CNN destaca que esse número supera em 0,2°C os registros prévios dos verões de 1936, na época do Dust Bowl – período de grave crise ambiental, agrícola e econômica que atingiu as Grandes Planícies dos EUA e do Canadá durante a década de 1930 – e de 2021, de acordo com a NOAA.

Com o recorde de 2026, quatro dos verões mais quentes já registrados ocorreram nos últimos cinco anos, com 2022 e 2024 em 4º e 5º lugares, respectivamente, detalha a Folha. O que reflete a influência das mudanças climáticas, cuja causa principal é a queima de combustíveis fósseis.

O ano também registrou o mês de agosto mais quente nos EUA desde o início das medições, em 1895, com temperaturas médias de 24,2°C. As temperaturas máximas diurnas médias foram de 31,4°C em todo o território continental, também a mais quente já registrada.

A maior parte dos EUA registrou temperaturas acima da média ou muito acima da média no mês passado. Condições próximas ao normal só foram observadas em áreas das planícies do norte e do meio-oeste, segundo a NOAA. O calor extremo, somado ao tempo seco e a fortes ventos, facilitou a proliferação de incêndios florestais, levando a cenários catastróficos em algumas regiões.

E com o El Niño a um milímetro de se tornar muito forte (saiba mais aqui), a agência prevê que as temperaturas de setembro também deverão ficar acima da média em grande parte dos EUA continentais. A seca deverá persistir neste mês em áreas significativas do território estadunidense, como o noroeste e o Vale do Mississipi, com potencial significativo de incêndios florestais acima da média.

Washington Post, USA Today, CBS, Phys e Al Jazeera também noticiaram o recorde de temperatura nos EUA.

Fonte: ClimaInfo