segunda-feira, 11 de maio de 2026

Santa Marta e o teste de um novo multilateralismo climático

Créditos: Ministério do Meio Ambiente da Colômbia.

Frustrados com os impasses das COPs, diplomatas e observadores buscam arenas alternativas e testam na prática o “multilateralismo em dois níveis”.

Em um momento em que choques energéticos, disputas comerciais e a política doméstica de grandes emissores voltam a tensionar a ação climática global, cresce a busca por espaços capazes de avançar onde as COPs de clima travam. O primeiro teste foi a 1ª Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, finalizada na semana passada em Santa Marta, na Colômbia. A Cúpula trouxe uma sensação pouco comum entre aqueles que acompanham a diplomacia climática contemporânea – esperança.

Acostumados com as amarrações políticas que praticamente paralisaram as negociações da Convenção de Clima (UNFCCC) nos últimos anos, os participantes do encontro na Colômbia enxergaram, com diferentes graus de otimismo, um caminho novo a ser explorado.

A sensação não é injustificada. Na COP30 de Belém, há poucos meses, vimos como os impasses entre países desenvolvidos e em desenvolvimento quase dinamitaram os resultados finais das negociações na capital paraense. A frustração das nações mais pobres e vulneráveis já era alta desde a conclusão das conversas sobre financiamento climático na COP29 de Baku, em 2024. Soma-se isso à indisposição de alguns países em discutir o nó crucial da luta contra as mudanças climáticas – a exploração e o consumo de combustíveis fósseis.

Esse foi justamente o tema central em Santa Marta. Há décadas, a ciência do clima aponta o uso crescente e continuado das fontes fósseis de energia como o principal fator por trás do aumento das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e, consequentemente, da elevação da temperatura média global.

No entanto, as Partes da UNFCCC só concordaram com uma citação aos combustíveis fósseis no documento de síntese do primeiro Balanço Global do Acordo de Paris na COP28 de Dubai, em 2023. Ou seja, foram quase três décadas para os governos concordarem com o óbvio, ainda que em termos mínimos (“transicionar para longe” ao invés de “abandonar” os combustíveis fósseis). E logo – na COP seguinte, recuaram dessa constatação, inviabilizando qualquer avanço adicional.

Para quem negocia e acompanha as conversas internacionais sobre clima, está cada vez mais claro que o sistema multilateral não está sendo capaz de entregar as soluções necessárias para enfrentar o problema climático. É por essa razão que Santa Marta trouxe uma brisa fresca de novidade ao oferecer um espaço alternativo para os países (ao menos, aqueles mais dispostos) discutirem o fim dos combustíveis fósseis com muito mais liberdade e centralidade do que nas COPs.

Como destacou o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, em sua última carta, estamos acompanhando o surgimento de um “multilateralismo em dois níveis”, que mantém a estrutura institucional baseada no consenso (UNFCCC), mas adiciona um novo ambiente, com uma velocidade distinta de ação e reação, focada na implementação. Esse segundo nível permite que coalizões voluntárias e atores dispostos mobilizem recursos, implementem soluções e gerem aprendizado em escala.

Nesse novo modelo de multilateralismo climático, a UNFCCC e suas COPs preservam o elemento legislativo da ação climática global, baseado nos documentos jurídicos que sustentam esse ordenamento internacional (a Convenção e o Acordo de Paris), resguardando a legitimidade, a universalidade, a clareza jurídica e a direção coletiva. Mas o sistema ONU deixa de ser o único ambiente de interlocução política internacional sobre o clima, abrindo a porta para o surgimento de outros espaços e fóruns, focados em pontos específicos – como combustíveis fósseis (como é o caso de Santa Marta), financiamento, adaptação, entre outros – e organizados de forma complementar aos processos das COPs climáticas.

A própria COP30 sinalizou essa transformação ao dar protagonismo inédito à Agenda de Ação, destacando iniciativas de atores não-governamentais e subnacionais que avançam na implementação dos compromissos climáticos dos países. Outro exemplo foi o lançamento, também em Belém, do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), capitaneado pelo Brasil e com a adesão de mais de 50 nações, como um esforço para destravar o financiamento para a proteção florestal em países tropicais.

A transformação do multilateralismo climático ainda está no começo. Em Santa Marta, por exemplo, a coalizão de cerca de 50 países que se reuniu no evento demonstrou ter disposição para consolidar o espaço como catalisador do abandono da energia fóssil, mas os próximos passos ainda são incertos e dependem de diversos fatores nacionais e internacionais. De toda forma, uma segunda conferência está marcada para 2027, em Tuvalu, co-presidida pela Irlanda.

O balanço positivo feito por participantes e observadores indica que a iniciativa pode ser promissora, especialmente para impulsionar os “mapas do caminho” para acabar com a dependência dos combustíveis fósseis. Se ela progredir, é possível que outros espaços surjam para destravar mais tópicos de implementação da ação contra a mudança climática. E este movimento pode não apenas complementar as COPS, mas redefinir onde, e como, a diplomacia climática realmente acontece.

Fonte: ClimaInfo





Santa Marta é marcada por avanço político e pressão por um tratado pelo fim dos combustíveis fósseis

Divulgação: Ministério do Meio Ambiente da Colômbia

Proposta de Povos Indígenas e entidades de criar zonas livres de combustíveis fósseis é incluída nos encaminhamentos da conferência.

Há três décadas, países se reúnem anualmente em conferências da ONU para tentar frear as mudanças climáticas. Mas nunca os principais responsáveis pela crise do clima – o petróleo, o gás fóssil e o carvão – foram tratados de modo tão direto, honesto, pragmático e em todas as suas dimensões, como na 1ª Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis realizada em Santa Marta, Colômbia, na semana passada, destaca Giovana Girardi na Agência Pública.

O encontro terminou na 4ª feira (29/4) com um saldo político relevante, frisa ((o))eco, ainda que sem resultados vinculantes – aliás, este não era o objetivo. Ao operar fora do modelo tradicional das COPs do clima, a conferência funcionou como uma coalizão de países dispostos a avançar na implementação da transição energética sem depender do consenso global. Uma estratégia que busca contornar o bloqueio diplomático imposto pelos grandes produtores de combustíveis fósseis e deslocar o debate para o campo da ação.

Por isso, nos próximos meses, os 57 países reunidos em Santa Marta focarão em destravar o financiamento da transição energética – tema que também costuma travar as negociações climáticas. Os países também concordaram em coordenar a elaboração de planos nacionais e regionais para substituir os combustíveis fósseis e alinhar políticas comerciais entre as nações para fortalecer os setores verdes, detalha o Projeto Colabora.

“Por mais difícil que seja, sabemos que esta conversa não pode terminar aqui. Devemos manter o ímpeto, liderar com coragem, enfrentar o desafio e construir uma coligação de voluntários”, afirmou Irene Vélez Torres, ministra de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia, que copresidiu a conferência junto com os Países Baixos. “Esta será uma ampla plataforma intergovernamental e multissetorial, complementar à UNFCCC [a Convenção do Clima da ONU], projetada para identificar os caminhos legais, econômicos e sociais necessários à eliminação gradual dos combustíveis fósseis”, reforçou.

A ampliação da coalizão para além dos países em Santa Marta também foi enfatizada pela ministra do Clima dos Países Baixos, Stientje van Veldhoven, na plenária final. “Esta é a coalizão dos dispostos; esta é a coalizão dos que fazem e queremos que ela cresça”, destacou. Ela lembrou que há uma clara tendência para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis – reforçada pela guerra no Oriente Médio, que inflou os preços do petróleo e do gás e restringiu a oferta – e é preciso aproveitar a oportunidade. “É hora de traçar um roteiro concreto que nos permita incorporar o novo e deixar o antigo para trás”, adicionou.

Colômbia e Países Baixos produziram um documento com conclusões sobre a conferência. Entre os encaminhamentos listados, está a criação de zonas livres de combustíveis fósseis – uma proposta capitaneada pelos Povos Indígenas e por várias organizações da sociedade civil. “Para limitar a expansão da extração, os países poderiam implementar planos de fechamento, zonas livres de combustíveis fósseis quando pertinente, interromper a emissão de novas licenças, gerenciar ativos encalhados, distribuir de forma justa os custos de encerramento ou leiloar, ao longo do tempo, o fechamento de instalações de produção de combustíveis fósseis”, diz um trecho do documento.

O anfitrião da próxima conferência para além dos combustíveis fósseis, já está definido: Tuvalu, país insular do Pacífico e um dos mais ameaçados pela elevação dos oceanos provocada pelas mudanças climáticas. O encontro será copresidido pela Irlanda.

Até lá, o Observatório do Clima reitera que o encontro em Santa Marta, embora tenha terminado com forte alinhamento entre países, terá como prova final de êxito o desenho de mapas do caminho nacionais. “Países que compareceram ao encontro precisam demonstrar compromisso ao entregar seus roteiros. O Brasil, lembrado em Santa Marta como iniciador da discussão sobre roadmaps, tem pecado nesse sentido, com o atraso de quase três meses na entrega das diretrizes para o próprio mapa.”

A conferência de Santa Marta e seus desdobramentos foram noticiados também por g1, Valor, Amazônia Vox, O Globo, UOL e Folha.

Em tempo: No dia seguinte ao fim da conferência de Santa Marta, o presidente designado da COP31 pela Turquia afirmou que a transição energética será um tema central na cúpula do clima, em novembro, mas que simplesmente dizer às nações para eliminarem os combustíveis fósseis "não é realista", destaca a Folha. Ao ser pressionado sobre se as palavras "combustíveis fósseis" poderiam constar de uma decisão final da COP31, Kurum disse: "Não se trata de colocar algumas palavras em um texto."

Fonte: ClimaInfo




Amazônia e Cerrado registram queda no desmatamento em abril, indica INPE


Valor acumulado nos quatro primeiros meses do ano foi o segundo mais baixo da série histórica na Amazônia e o quarto menor para o Cerrado.

Dados do DETER, do INPE, apontam para queda nos alertas de desmatamento para Amazônia e Cerrado em abril. No caso da floresta amazônica, a área desmatada foi de 228 km² – queda de 15% em comparação a abril de 2025. Já no Cerrado, a diminuição foi de 40%, de 691 km² para 418 km², informa a Folha.

O primeiro semestre é caracterizado por taxas mais baixas devido à estação chuvosa – que dificulta a entrada de homens e máquinas na floresta-, além de maior presença de nuvens, que pode prejudicar a precisão das informações obtidas via satélite. No acumulado do ano, de janeiro a abril, a queda do desmatamento na Amazônia foi de 6%, em comparação ao mesmo período do ano passado.

É o segundo mais baixo da série histórica, que começou em 2016. Já no Cerrado, a taxa foi de 1.884 km² neste ano, com queda de 4% em comparação a 2025. É o quarto menor valor na série histórica do Cerrado, que começou em 2019.

Em contrapartida, Mato Grosso (255 km²), Roraima (117 km²) e Pará (144 km²) lideram o desmatamento na Amazônia em 2026, e Tocantins (568 km²), Maranhão (370 km²) e Bahia (225 km²) o desmate no Cerrado no mesmo período.

Os piores números ainda estão por vir. O período mais seco, de maio a setembro, deve ser intensificado pela chegada do El Niño, lembra o ICL Notícias. O fenômeno, que deve ser de moderado a forte, tende a acentuar a estiagem nas regiões Norte e Nordeste e potencializar as ondas de calor, criando o cenário propício à propagação de incêndios florestais.

Em 2024, o desmatamento foi responsável por 42% das emissões de gases do efeito estufa do Brasil, segundo dados do Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima. O governo Lula tem como uma das promessas chegar ao desmatamento zero até 2030.

Fonte: ClimaInfo




INPE, INMET, Funceme e CENSIPAM divulgam nota técnica sobre o El Niño e indicam aumento da probabilidade do fenômeno em 2026

Anomalia da temperatura da super´fície do mar: abr/2026. Fonte: CPTEC/INPE

Documento aponta cerca de 60% de chance de formação do fenômeno ao longo do segundo semestre, com possível atuação até o início de 2027

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM) publicaram uma nota técnica conjunta com as análises mais recentes sobre a possível evolução do fenômeno El Niño ao longo de 2026. O documento indica aumento da probabilidade de formação do fenômeno ainda neste ano, especialmente ao longo do segundo semestre.

De acordo com a nota técnica, a parte mais superficial do Oceano Pacífico equatorial encontra-se, desde o início do ano, em condições próximas da neutralidade. No entanto, o oceano subsuperficial vem apresentando sinais de aquecimento anômalo das águas. Essas anomalias se propagam em direção ao continente pelo Pacífico e afloram na superfície, especialmente na porção leste do oceano, onde a termoclina – camada que separa as águas mais profundas das superficiais – tende a se localizar mais próxima da superfície. O aquecimento das águas superficiais observado ao longo de abril reforça o indicativo de transição para o El Niño nos próximos meses.

Segundo previsões do Centro de Previsão Climática (CPC) da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), há cerca de 60% de probabilidade de estabelecimento do fenômeno no trimestre maio-junho-julho. As previsões da nota conjunta indicam ainda alta probabilidade, superior a 80%, de configuração do El Niño ao longo do segundo semestre de 2026, com possibilidade de persistência até o início de 2027. A intensidade do fenômeno ainda não pode ser definida, embora exista a possibilidade de que o evento atinja, ao menos, intensidade moderada.

Previsão probabilística para ocorrência de condições de El Niño (barras em vermelho), neutras (barras em cinza) e de La Niña (barras em azul), emitida pelo CPC/NOAA em abril de 2026. Fonte: Nota Técnica - EL NIÑO 2026 (INPE, INMET, Funceme e CENSIPAM)

O El Niño é um fenômeno natural associado ao aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, que altera a circulação atmosférica e influencia as condições meteorológicas e oceânicas em diversas regiões do planeta. Como explica o chefe da Divisão de Previsão do Tempo e Clima do INPE, Enver Ramirez, “o El Niño é um fenômeno que obedece às interações entre diversos componentes do sistema terrestre, principalmente entre o oceano e a atmosfera. Pequenas alterações podem impactar vários parâmetros, como a intensidade, a duração do evento e os efeitos que o fenômeno pode ter em diferentes regiões do planeta. Assim, mesmo que o ápice do evento aconteça no final do ano, alguns episódios associados ao fenômeno podem ser sentidos em diferentes regiões ao longo do seu desenvolvimento”.

No Brasil, os impactos do El Niño tendem a se manifestar de forma distinta entre as regiões. Em geral, há aumento da probabilidade de chuvas acima da média na Região Sul e déficit de precipitação em áreas da Amazônia, especialmente em sua porção leste, além de condições mais secas em partes das regiões Norte e Nordeste. Essas características, no entanto, podem variar conforme a intensidade do fenômeno e a influência de outros fatores climáticos, como as condições do Oceano Atlântico, que têm se mostrado importantes especialmente para as regiões Norte e Nordeste.

A nota técnica também alerta para o risco de ocorrência de eventos climáticos extremos associados ao fenômeno e seus potenciais impactos em diferentes setores da sociedade e da economia, como abastecimento de água, segurança alimentar, geração de energia, mobilidade, saúde pública e atividades produtivas.

Nesse contexto, as instituições que assinam a nota destacam a importância do acompanhamento sistemático das condições oceânicas e atmosféricas, bem como das previsões meteorológicas e climáticas divulgadas pelos órgãos oficiais, uma vez que o monitoramento contínuo permite aprimorar as previsões e subsidiar ações de planejamento, prevenção, mitigação e resposta frente aos possíveis impactos identificados.

Acesse a nota técnica completa aqui ou no site do CPTEC.

Fonte: INPE



Antes de “Super El Niño”, oceanos voltam a registrar recorde de temperatura

 


Ondas de calor marinhas recordes atravessam uma vasta região desde o centro do Pacífico equatorial até a costa oeste dos EUA e do México.

O mês de abril confirmou a tendência de aquecimento das águas superficiais dos oceanos com o registro da segunda maior temperatura da história — perdendo apenas para 2024. Os dados são do serviço Copernicus, da União Europeia, e foram divulgados na 6ª feira (8/05).

Na média global, março costuma ser o mês mais quente nos oceanos, mas abril registrou temperatura média da superfície dos oceanos de 21°C. Do centro do Pacífico equatorial até a costa oeste dos EUA e do México foram registradas ondas de calor recordes, relata o Phys.org.

A variável, que exclui as regiões polares, é um indicador importante do aquecimento global. Cerca de 90% do excesso de calor gerado pela ação humana é absorvido pelos oceanos.

Segundo o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), abril também foi o terceiro ano mais quente globalmente, marcando temperatura média de 14,89°C – 0,52°C acima da média do mês verificada entre 1991 e 2020, informa a Folha.

O mês foi marcado por diversos eventos climáticos extremos, como ciclones tropicais no Pacífico, inundações devastadoras no Oriente Médio e na Ásia, assim como secas no sul da África, lista o g1.

“[São] sinais característicos de um clima cada vez mais marcado por extremos”, declarou Samantha Burgess, líder do ECMWF.

No Ártico, a extensão de gelo marinho ficou 5% abaixo da média, registrando o segundo pior valor para essa época do ano (em 2019, o valor foi de menos 6%). Na Antártica, a extensão de gelo marinho ficou 10% abaixo da média de abril, próxima a valores observados nos últimos dois anos, contam France 24, Euronews e Financial Times.

O cenário se formando sugere que 2026 siga por caminho parecido ou ainda pior do que em 2024, o ano mais quente já registrado. Zeke Hausfather, meteorologista do instituto independente Berkeley Earth, projeta que 2027 superará o recorde de 2024. O efeito sobre a temperatura média do planeta é observado, geralmente, no ano seguinte ao seu surgimento – ou seja, 2027 pode ser um ano de muitos recordes ruins para o clima, o meio ambiente e a humanidade.

Fonte: ClimaInfo



domingo, 10 de maio de 2026

PARQUES BRASILEIROS TEM RECORDE DE VISITAÇÃO, MOVIMENTAM A ECONOMIA E GERAM EMPREGOS

Os dados monumentais de 2025 revelam uma realidade surpreendente: florestas, praias, rios e montanhas são, na verdade, ativos de alta performance na economia brasileira. Na imagem, o Parque Nacional da Tijuca (RJ), o mais visitado no ano - Foto: Vitor Marigo

Visitação recorde em unidades de conservação injeta R$ 20 bilhões no PIB e gera mais de 332 mil empregos

Estudo mostra que cada R$ 1 investido gera R$ 16 para o PIB e R$ 9,8 bilhões em renda para as famílias. Visitas em unidades de conservação movimentaram mais de R$ 40 bilhões em vendas totais em 2025, ano em que os parques nacionais bateram recorde de visitação

O turismo em Unidades de Conservação (UCs) federais atingiu, em 2025, um novo patamar de impacto econômico no Brasil. É o que aponta o estudo “Contribuições do Turismo em Unidades de Conservação para a Economia Brasileira”, elaborado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que destaca o papel estratégico dessas áreas protegidas para o desenvolvimento econômico do país e confirma a visitação em UCs como política pública de Estado (Lei nº 15.180, de 25 de julho de 2025 e Portaria nº 3.689, de 11 de setembro de 2025).

O estudo mostra que as UCs geraram R$ 40,7 bilhões em vendas, R$ 20,3 bilhões de contribuição ao Produto Interno Bruto (PIB) e R$ 9,8 bilhões em renda para as famílias. O levantamento do ICMBio mostra ainda que 175 Unidades de Conservação federais somaram 28,5 milhões de visitas — recorde histórico desde que os dados começaram a ser monitorados, no ano 2000.

Os parques nacionais concentram a maior parte do fluxo de visitantes e lideram o turismo nas UCs. Em 2025, essas unidades somaram 13,6 milhões de visitas — recorde histórico, acima dos 12,5 milhões registrados no ano anterior. O resultado reflete melhorias no monitoramento da visitação, nos investimentos em infraestrutura e serviços, na inclusão de novas áreas no sistema e na valorização dos ambientes naturais no período pós-pandemia.

O ranking mantém no topo o Parque Nacional da Tijuca (RJ), com mais de 4,9 milhões de visitas, seguido pelo Parque Nacional do Iguaçu (PR), com 2,2 milhões, e pelo Parque Nacional de Jericoacoara (CE), com 1,3 milhão de visitantes.

O crescimento da visitação tem efeitos diretos na economia, com geração de emprego e renda nas regiões do entorno, fortalecimento do turismo sustentável e aumento da arrecadação local.

João Paulo Capobianco, ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), destaca que o Governo do Brasil tem se dedicado a esse tema, por meio de políticas públicas e investimentos em infraestrutura, serviços e pessoal, além de incentivos à visitação, a exemplo do programa Natureza com as Pessoas, lançado pelo ICMBio no ano passado.

“Esse estudo comprova que as Unidades de Conservação não são fundamentais apenas para a regulação dos ciclos hidrológicos e do clima, proteção da biodiversidade e do controle do desmatamento, mas contribuem expressivamente para o desenvolvimento da nossa economia em bases sustentáveis. O cuidado com essas áreas protegidas, portanto, é essencial", coloca Capobianco.

“Desde 2023, o presidente Lula criou e ampliou 20 Unidades de Conservação, que totalizam mais de 1,7 milhão de hectares – cerca de três vezes a área do Distrito Federal. Também ampliamos significativamente o orçamento e o quadro de servidores do ICMBio”, também frisou.

O levantamento também evidencia a eficiência do investimento público no setor. Para cada R$ 1 investido no Instituto Chico Mendes, são gerados R$ 16 em valor agregado ao Produto Interno Bruto (PIB) e R$ 2,30 em arrecadação tributária. Além disso, o turismo nas UCs federais sustenta mais de 332,5 mil postos de trabalho em todo o país.

Outro destaque é o impacto fiscal: a atividade gerou quase R$ 3 bilhões em arrecadação tributária, valor que supera o dobro do orçamento total do órgão gestor, considerando apenas os impostos sobre consumo e remuneração.

“Os resultados mostram que as unidades de conservação, como parques nacionais, por exemplo, são estratégicas para o desenvolvimento do Brasil. Tivemos recorde de visitação e dados robustos de geração de emprego, renda e arrecadação, o que só reforça que investir em conservação da natureza e na vivência das pessoas nas áreas naturais gera benefícios econômicos, saúde e qualidade de vida", explica o presidente do ICMBio, Mauro Pires.

"Cada real aplicado retorna de forma concreta para o desenvolvimento de nosso país, fortalecendo o turismo sustentável, valorizando os territórios e ampliando a conexão das pessoas com a natureza”, esclarece.

O estudo “Contribuições do Turismo em Unidades de Conservação para a Economia Brasileira” utiliza o Tourism Economic Model for Protected Areas (TEMPA), uma adaptação do modelo americano MGM2 para a realidade de países em desenvolvimento. O modelo é reconhecido internacionalmente pela Unesco e pelo Banco Mundial como referência científica.

Entre as categorias de manejo, os parques nacionais são os principais motores econômicos, gerando R$ 21,6 bilhões em vendas e 219,6 mil empregos. Já as reservas extrativistas se destacam pelo turismo de base comunitária, apresentando a maior arrecadação tributária por visita, de R$ 116,60, causando impacto direto nas arrecadações municipais.

Fonte: ICMBio




sábado, 9 de maio de 2026

Adaptação em pauta: Calor extremo, deslocamento e articulação federativa

Foto Fernando Frazão/Agência Brasil

Realizados nos dias 7 e 8 de maio, o 3º Encontro Nacional do Programa Cidades Verdes e Resilientes (PCVR) e o 2º Encontro Nacional do AdaptaCidades serviram como termômetro da agenda climática no Brasil. Mais do que eventos protocolares, os encontros promoveram o alinhamento estratégico entre municípios, estados e o governo federal. Em pauta, temas críticos como calor extremo, financiamento e deslocamentos forçados evidenciaram os avanços e os desafios para a adaptação das cidades brasileiras.

No Encontro do Programa Cidades Verdes e Resilientes, o tema central foi o enfrentamento ao calor extremo com Soluções Baseadas na Natureza (SBNs). O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) apresentou algumas iniciativas, dentre elas: o edital ArborizaCidades e a nova versão do Cadastro Ambiental Urbano, o GEOCAU.

O ArborizaCidades, vinculado ao Plano Nacional de Arborização Urbana (PlaNAU), destina R$19 milhões a municípios para planejamento, viveiros e arborização urbana, com foco em periferias e na redução de ilhas de calor. Já o GEOCAU é uma atualização do Cadastro Ambiental Urbano, agora com informações climáticas como mapas de ilhas de calor por setor censitário em todos os municípios brasileiros.

A integração entre dados climáticos, financiamento e planejamento urbano para o combate ao calor extremo representa um avanço qualitativo em linha com a Estratégia Nacional de Adaptação do Plano Clima, ainda que em escala modesta frente a um cenário no qual 48% dos brasileiros relatam ter enfrentado ondas de calor no último ano.

Ainda durante o evento, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) lançou a coletânea “Migração, Deslocamento e Realocação Planejada Relacionados à Mudança do Clima no Brasil”, em parceria com a Rede Clima. Segundo o estudo, nos últimos dez anos, 84,5% dos municípios brasileiros foram atingidos por algum tipo de desastre relacionado a eventos climáticos extremos e mais de 4 milhões de brasileiros tiveram suas casas destruídas.

Em paralelo, a ACNUR apresentou o “Roteiro de Ação: Deslocamento Forçado e Mudança do Clima”, elaborado em apoio técnico ao MMA. O documento oferece um passo a passo para que estados e municípios incluam pessoas deslocadas internas, refugiadas e migrantes em seus planos de adaptação, desde a governança até análise de risco, medidas e monitoramento.

Os números trazidos ilustram a urgência: globalmente, mais de 120 milhões de pessoas estão deslocadas à força, e cerca de três em cada quatro vivem em países com alta ou extrema exposição a riscos climáticos. Em um país em que um em cada quatro brasileiros já precisou sair de casa temporariamente devido a eventos extremos, tratar o deslocamento apenas como efeito colateral de desastres é, em si, uma forma de má adaptação.

A agenda que emergiu em Brasília aponta caminhos para corrigir esse rumo. As iniciativas apresentadas durante o PCVR e o que foi discutido no âmbito do AdaptaCidades sinalizam um movimento importante do governo federal para organizar ferramentas de enfrentamento ao calor extremo, ao deslocamento climático e fortalecer institucionalmente os estados para uma implementação efetiva de políticas de adaptação. O passo seguinte é sustentar esse caminho e assegurar que esse esforço se traduza em resultados concretos nos territórios.

Fonte: Instituto Talanoa / Política por Inteiro


sexta-feira, 8 de maio de 2026

Niterói lança novo plano estratégico para a cidade até 2050, tendo ouvido mais de 15 mil pessoas

 


A Prefeitura de Niterói lançou nesta quinta-feira, dia 7 de maio, o Planejamento Estratégico Niterói que Queremos 2050 (NQQ 2050), com metas a serem alcançadas pela cidade até 2050. 

Trata-se do segundo ciclo de planejamento de longo prazo realizado pela administração municipal, produzido com a participação ativa de lideranças comunitárias, ambientalistas, empresariais, acadêmicas, dirigentes governamentais e representantes de diversos outros segmentos da sociedade niteroiense. Também participaram cidadãos que se propuseram a pensar coletivamente o futuro da cidade. No total, cerca de 15 mil pessoas contribuíram para produzir coletivamente um cenário futuro para a cidade a ser alcançado com as politicas públicas e investimentos da prefeitura.


Este foi o mesmo processo realizado em 2013, quando produziu-se o primeiro plano, o Niterói que Queremos 2013-2033, que norteou as políticas e os investimento públicos desde a sua formulação. Na ocasião, 10 mil pessoas colaboraram com a elaboração do plano. Hoje, sete anos antes do previsto para a conclusão do NQQ 2033, mais de 90% das metas já foram alcançadas e a cidade se transformou muito. 

Segundo expresso no texto do relatório do NQQ 2050, as políticas públicas de Niterói no período permitiram alcançar as seguintes conquistas:
Em uma década, o município mais que dobrou seu PIB, consolidando-se entre as cidades médias e grandes com maior PIB per capita do Brasil. Na segurança pública, apresentou avanços notáveis, com redução expressiva e histórica das taxas de homicídio e de roubos; no campo fiscal, aumentou a arrecadação própria, elevou o investimento público per capita e reduziu o endividamento, fortalecendo sua autonomia e capacidade de investimento. Na saúde, houve expansão robusta da atenção primária, cuja cobertura alcançou 95% da população, com projeção de universalização até 2033. Na educação, o município também alcançou resultados expressivos, com a construção recorde de escolas, a ampliação da rede municipal e a garantia de matrícula em creche para todas as crianças, reforçando o compromisso de Niterói com a inclusão, a equidade e a formação das novas gerações. (NQQ 2050, pág. 17).
O texto da publicação também contextualizou os avanços de Niterói diante dos muitos desafios da atualidade:
Nos últimos anos, o mundo experimentou um ritmo de mudança sem precedentes. O avanço das tecnologias digitais e da inteligência artificial vem transformando o trabalho, os sistemas produtivos, o consumo e até as relações humanas. A transição energética e a agenda climática remodelam as economias e a geopolítica global, enquanto novas formas de mobilidade, produção e conectividade alteram o modo de vida nas cidades. Paralelamente, crises recentes — como a pandemia de Covid-19, os conflitos armados em diferentes regiões do planeta, a emergência climática e o aumento da polarização social e política — revelaram a vulnerabilidade das sociedades e reforçaram a importância da cooperação e a busca de soluções inovadoras para problemas cada vez mais complexos
(...)

Niterói chega a 2025 como uma cidade que amadureceu institucionalmente e construiu uma base sólida de políticas públicas. Ao longo da última década, a cidade avançou em planejamento, gestão fiscal, saúde, sustentabilidade, segurança e expansão da rede municipal de educação. No entanto, o novo cenário global impõe desafios inéditos: reduzir desigualdades territoriais; adaptar-se a eventos climáticos extremos; enfrentar a transição demográfica e as novas demandas de saúde; promover a transição econômica, aumentando a diversificação, o valor agregado da economia local e a melhoria da massa salarial; e preparar-se para as novas formas de trabalho e de convivência digital. A capacidade de antecipar e responder a essas transformações definirá o futuro de Niterói. 

As tendências que se projetam até 2050 apontam para um mundo mais tecnológico, interconectado e consciente de suas limitações ambientais. A transição digital e a inteligência artificial remodelarão a economia e os serviços públicos, exigindo segurança, capacitação e ética no uso de dados. A transição ecológica e a agenda climática impulsionarão uma reconfiguração das matrizes energéticas e produtivas, valorizando cidades que investem em eficiência, mobilidade limpa e infraestrutura resiliente. A economia do cuidado ganhará centralidade em função do envelhecimento populacional e das novas demandas sociais, enquanto o fortalecimento da economia criativa e cultural trará oportunidades de inovação, pertencimento e identidade. A transformação do consumo e o avanço das redes colaborativas tendem a gerar novas formas de sociabilidade e participação cidadã, reforçando o papel das comunidades na construção do bem-estar coletivo. 

Nesse contexto, as cidades passam por um processo de reinvenção. Ganha força um novo paradigma urbano, que valoriza a escala humana, o adensamento equilibrado e a convivência nos espaços públicos. A reconversão de áreas degradadas, o controle do espraiamento, o fortalecimento das identidades locais e a priorização da mobilidade ativa e sustentável apontam para territórios mais criativos, saudáveis e acolhedores. As cidades do futuro são chamadas a ser não apenas motores econômicos, mas também espaços de bem-estar, pertencimento e inovação social — uma referência que orienta também o caminho de Niterói em direção a 2050. (NQQ 2050, pág 23 e 24)
Os valores do NQQ 2050 são:
  • Humanidade
  • Equidade
  • Sustentabilidade
  • Responsabilidade
  • Efetividade

NITERÓI JOVEM ECOSOCIAL. Exemplo de programa desenvolvido pela Prefeitura de Niterói, em conformidade com os Valores definidos. O programa foi idealizado por mim e pela também engenheira florestal Valéria Braga em 2018 e já atendeu a mais de 1.000 jovens de Niterói.

DESAFIO: TRANSIÇÃO ECONÔMICA
"Niterói vivencia um momento decisivo em sua trajetória econômica. Após uma década de expansão expressiva em que o PIB municipal mais que dobrou, a cidade consolidou-se como referência nacional em qualidade de vida, políticas públicas de qualidade e solidez fiscal. Nos últimos dez anos, o município experimentou um ciclo de crescimento econômico impulsionado pela indústria extrativa, que possibilitou investimentos e melhorias em infraestrutura, serviços públicos e aumento do bem-estar social. O investimento público per capita saltou de R$ 452 em 2015 para R$ 1.612 em 2024, um crescimento de mais de três vezes no período. Com gestão fiscal sólida e elevada capacidade de arrecadação própria, a gestão municipal está bem posicionada para apoiar essa transição. A receita tributária própria cresceu 47% entre 2014 e 2025, demonstrando melhora das condições econômicas locais e o endividamento caiu 72% no período. 

POR QUE A AGENDA DE TRANSIÇÃO ECONÔMICA É IMPORTANTE E OPORTUNA 

1. CONSOLIDAÇÃO DE UM CICLO SUSTENTÁVEL DE PROSPERIDADE: Niterói reúne as condições para inaugurar uma nova fase de crescimento, com redução gradual da dependência das receitas do petróleo e fortalecimento de fontes diversificadas e duradouras de desenvolvimento econômico. 
2. GERAÇÃO DE RENDA E AMPLIAÇÃO DAS OPORTUNIDADES DE TRABALHO: A transformação do dinamismo do PIB em empregos de qualidade e valorização da renda do trabalho é fundamental para fortalecer o metabolismo econômico local, promover inclusão produtiva e reter talentos na cidade. 
3. FORTALECIMENTO DO ECOSSISTEMA EMPRESARIAL: A ampliação da inovação, da competitividade e da diversificação dos pequenos negócios — que têm papel estratégico na economia local — é essencial para impulsionar o empreendedorismo e inserir mais empresas em cadeias de valor de maior intensidade tecnológica e criativa. 
4. APROVEITAMENTO PLENO DAS VOCAÇÕES E POTENCIALIDADES DA CIDADE: A consolidação de eixos estratégicos como a Economia Azul, a Economia Urbana, a Economia Criativa, o Turismo e a Economia Digital e de Inovação pode reposicionar Niterói no cenário nacional e internacional, promovendo prosperidade com sustentabilidade e identidade própria".

ÁREAS DE RESULTADO
"Toda estratégia envolve escolhas. No Niterói que Queremos 2050, essas escolhas se traduzem nas Áreas de Resultado, que reúnem objetivos estratégicos e estratégias voltadas a concretizar o futuro desejado para a cidade. Elas organizam prioridades e concentram esforços naquilo que é mais estruturante e tem maior impacto sobre o desenvolvimento da cidade. Ajudam a dar foco a ideias mais aspiracionais, orientando a ação para o futuro desejado".
 As Áreas de Resultado do NQQ 2050 são:


PLANEJAR PARA AVANÇAR

A meu ver, um dos graves problemas do Brasil é não contar com um projeto de nação, que reúna consensos e permita a união de esforços em torno das suas prioridades. O mesmo acontece com estados no país. Niterói é uma das poucas cidades no Brasil a contar com um planejamento de longo prazo e, menos ainda,  são as cidades que guiam o seu desenvolvimento por planos construidos de forma participativa. O NQQ não é uma peça de planejamento de um governo, mas da cidade, já que expressa o sonho de muitas pessoas da sociedade que expressaram as suas expectativas para o futuro.

Planejar é fundamental, mas não é tudo! É preciso tirar os planos do papel e isso só se alcança com muita disciplina na gestão e fazendo o imprescindível para que um plano sobreviva: cumpri-lo! Os avanços listados acima não teriam acontecido sem a escolha das prioridades políticas e as metas adequadas.

Conheça o Portal do Planejamento https://www.portalplanejamento.niteroi.rj.gov.br/

Em Niterói, implementamos uma cultura de gestão balizada em planejamento. Todos os gestores são cobrados sistematicamente de acordo com os planos de metas da cidade. A administração municipal promove trimestralmente Encontros de Gestores, liderados diretamente pelo prefeito e os gerentes de cada meta apresentam o cumprimento de seus respectivos cronogramas. As metas são referenciadas em cada entrega e prazos previstos no NQQ e seus resultados são divulgados ao público, como no exemplo do Plano de Metas Anual 2024, divulgado na minha gestão como prefeito.

O NQQ 2050 é a nova "carta de navegação" que nos levará para um futuro cada vez mais próspero, inclusivo, seguro, resiliente e sustentável.

Parabéns Niterói! Sigamos em frente!

Axel Grael
Prefeito de Niterói (2021-2024)
Vice-Prefeito de Niterói (2013-2016)
Secretário de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão - SEPLAG, de Niterói (2019-2020)


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Foto: Evelen Gouvea

Niterói lança plano estratégico até 2050 com foco em inovação, inclusão social e qualidade de vida

A Prefeitura de Niterói lançou, nesta quinta-feira (07), o novo planejamento estratégico da cidade para os próximos 25 anos. Batizado de Niterói Que Queremos 2025-2050, o documento estabelece diretrizes e metas para o desenvolvimento econômico, social e urbano do município, com foco em inovação, redução das desigualdades e melhoria da qualidade de vida da população.

Durante a solenidade, realizada na Sala Nelson Pereira dos Santos, no Reserva Cultural, o prefeito Rodrigo Neves destacou que Niterói possui o único planejamento estratégico de longo prazo entre as cidades brasileiras de médio porte.

“Estamos construindo uma agenda de futuro para preparar Niterói para os próximos 25 anos, com prioridades muito claras: reduzir desigualdades, avançar na mobilidade sustentável, revitalizar o Centro, ampliar a qualidade de vida nas comunidades e fortalecer uma economia baseada no conhecimento, na tecnologia e na sustentabilidade. O nosso compromisso é transformar planejamento em ações concretas que melhorem a vida das pessoas”, afirmou o prefeito.

Segundo Rodrigo Neves, o novo plano mantém a tradição da cidade em gestão pública eficiente e visão estratégica.

“Esse plano olha para os próximos 25 anos e foi construído com metas muito objetivas de curto, médio e longo prazo. As ações previstas até 2028 já estão definidas e envolvem projetos estruturantes em áreas como mobilidade, inovação, sustentabilidade, urbanização das comunidades e qualidade de vida. Niterói mudou muito nos últimos dez anos, inclusive por causa do planejamento estratégico anterior e de tudo o que conseguimos realizar nesse período. Agora, estamos preparando a cidade para os desafios das próximas décadas, transformando esse planejamento em ações concretas que melhorem a vida das pessoas”, ressaltou.

Construído com ampla participação popular, o plano contou com a colaboração de cerca de 15 mil pessoas e sucede a estratégia iniciada em 2013, reconhecida pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como uma das melhores experiências de gestão pública e planejamento da América Latina. O Niterói Que Queremos 2013-2033 já está com 90% das metas concluídas. Entre as principais entregas estão o túnel Charitas-Cafubá, a TransOceânica, o Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) e o Parque Orla Piratininga Alfredo Sirkis.

“É isso que a gente quer ver: uma cidade que ofereça o melhor serviço para toda a população. Um governo que escuta, olha para as pessoas e responde às prioridades, construindo um plano a partir dessa consulta popular. É por meio desse trabalho de longo prazo, com visão e compromisso, que a gente chega lá. Queremos mitigar os efeitos das mudanças climáticas, ser referência como cidade inteligente, com soluções baseadas na natureza, e usar a tecnologia e a inteligência artificial com balizadores brasileiros e base na nossa cultura, avançando com firmeza e compromisso”, afirmou a vice-prefeita e secretária do Clima e Sustentabilidade, Isabel Swan.

A secretária de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão, Elissa Rasma, lembrou que a elaboração do plano envolveu mais de 20 secretarias municipais, consultas a especialistas e dezenas de encontros de escuta e participação social.

“Foram 10 meses de trabalho intenso, liderado pelo prefeito Rodrigo Neves e desenvolvido a muitas mãos. Buscamos referências internacionais e as melhores práticas de gestão pública no Brasil e no mundo. Esse plano foi, sobretudo, construído com a cidade e para a cidade. Ouvimos mais de 60 especialistas e realizamos mais de 100 horas de diálogo para transformar isso em metas, planos e projetos estratégicos, olhando sempre para o futuro das próximas gerações”, explicou a secretária.

Caminhos para 2050 – Um dos principais desafios previstos no plano é a transição econômica do município. Embora Niterói tenha dobrado o Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos anos, a meta agora é consolidar uma economia baseada no conhecimento, na inovação e na tecnologia. A estratégia prevê o fortalecimento do Distrito de Inovação da Cantareira, o incentivo à economia digital, o apoio a startups e a expansão da chamada economia do mar — setor ligado às atividades náuticas, à pesca, aos serviços e à tecnologia marítima.

A transição demográfica também aparece entre as prioridades do planejamento. Niterói já apresenta uma população com idade média mais elevada do que a brasileira, o que exigirá novos investimentos em saúde, acessibilidade e serviços voltados à terceira idade. O objetivo é preparar a cidade para uma realidade em que a longevidade terá peso crescente nas políticas públicas, fortalecendo ações de cuidado, prevenção, acessibilidade e acolhimento em todas as fases da vida.

As ações previstas incluem iniciativas voltadas para a saúde pública e a qualidade de vida das famílias. Entre os objetivos estão a ampliação do acesso ao saneamento básico e o avanço na universalização dos serviços de água e esgoto tratado no município.

A redução da desigualdade territorial aparece entre as prioridades do Niterói Que Queremos 2050, com a implantação do programa Vida Nova no Morro. A iniciativa prevê atuação nas 83 comunidades da cidade, beneficiando mais de 150 mil pessoas com obras de infraestrutura, contenção de encostas, saneamento, melhorias habitacionais — como reboco e pintura nas residências — e políticas integradas nas áreas de cultura, educação, saúde e segurança pública.

Para viabilizar o programa, a Prefeitura sancionou a Lei nº 4.048/2025, que autoriza o acordo de cooperação e financiamento com o BID. O investimento total será de cerca de R$ 800 milhões, sendo R$ 620 milhões financiados pelo banco e o restante como contrapartida municipal. Além da parceria com o BID, a Prefeitura busca novas alianças estratégicas, como com a ONU-Habitat.

Reviver Centro – Na região central, a Prefeitura aposta em um amplo processo de revitalização urbana. O Centro de Niterói deverá receber novos investimentos imobiliários, retrofit de prédios antigos, estímulo à moradia estudantil e fortalecimento de equipamentos culturais e públicos. A expectativa é transformar a área em um novo polo de desenvolvimento econômico e residencial. As obras já estão em andamento, e o novo calçamento já pode ser visto em ruas no entorno da Avenida Amaral Peixoto.

“A revitalização do Centro começou com entregas importantes, como o Mercado Municipal, a Casa Norival de Freitas, a nova Arena Niterói, a Concha Acústica e a nova Praça Arariboia. Agora vamos avançar ainda mais com a requalificação da Amaral Peixoto, da Rua da Conceição e de todo o entorno, resgatando o coração da cidade e valorizando nosso patrimônio histórico”, afirmou Rodrigo Neves.

A mobilidade urbana sustentável é um dos eixos estratégicos do plano. Entre os projetos previstos estão a implantação do VLT de Niterói, começando pelo trecho entre Barreto e Centro; a expansão da malha cicloviária, conectando a Avenida Amaral Peixoto à Alameda São Boaventura; e novos terminais integrados, como o Terminal do Caramujo, que ajudará a reduzir a circulação de ônibus de outros municípios no Centro. A meta é diminuir em até 50% o número de ônibus que entram diariamente na cidade, reduzindo congestionamentos e impactos ambientais.

Fonte: Prefeitura de Niterói


segunda-feira, 4 de maio de 2026

Nova York lança Plano de Floresta Urbana com meta de alcançar 30% de cobertura verde em 2040

Nova York acaba de anunciar o seu primeiro Plano de Floresta Urbana (Urban Forest Plan - UFP).

Uma das métricas para se avaliar a arborização das cidades e florestas urbanas é a mensuração do chamado "dossel", que é a cobertura verde composta pela copa das árvores da cidade. Isso pode ser medido através de sensoriamento remoto e permite avaliar a expansão da arborização, áreas mais deficitárias de vegetação e planejar a ação da administração pública. Quanto mais árvores e quanto mais qualidade da copa das árvores - volume e densidade - mais eficiência na proteção da cidade para os extremos de calor e mais fixação de carbono.

O plano tem por objetivo expandir o dossel dos atuais 23,4% para 30%, em 2040. Para atingir o objetivo, o plano prevê conservar o dossel florestal atual, ampliar para ruas e espaços públicos e promover plantios em propriedades privadas. Também está no planejamento a mobilização dos nova-iorquinos a cuidar e proteger a floresta urbana. 

Isso é parte do objetivo do Plano de Floresta Urbana que a cidade de Nova York acaba de lançar, como parte de uma política de resiliência climática que começou a ser estruturado após a tragédia causada pelo furacão Katrina, em agosto de 2005, que assolou os EUA, causando milhares de mortes no país e foi devastador também em Nova York.

Com o UFP, a municipalidade pretende também atuar sobre o aspecto da Justiça Ambiental, corrigindo o déficit de arborização nas comunidades menos atendidas por infraestrutura verde. Segundo o plano, as comunidades objeto da ação prioritária de Justiça Ambiental contam com a cobertura de 19% de dossel, enquanto as demais comunidades possuem 26% de dossel. 

Axel Grael
Engenheiro florestal
Prefeito de Niterói (2021-2024)
Vice-Prefeito de Niterói (2013-2016)
Presidente da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente - FEEMA (1999-2001 e 2007-2008)
Presidente do Instituto Estadual de Florestas - IEF (1991-1994)


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New York City Announces Release of First-Ever Urban Forest Plan

Plan lays out NYC’s strategy to achieve 30% tree canopy by 2040 through protection, preservation, and planting of more trees


Read the full plan here.

New York City Chief Climate Officer Louise Yeung (middle) waters a new tree at NYCHA's Red Hook House East during the release of the City's first-ever Urban Forest Plan.

BROOKLYN, NY – Today at NYCHA’s Red Hook Houses in southern Brooklyn, Chief Climate Officer Louise Yeung announced the release of New York City’s first-ever Urban Forest Plan (UFP): a comprehensive roadmap to preserve tree canopy, plant more trees, and cultivate an ecosystem of stewardship. Climate Officer Yeung, the head of the Mayor’s Office of Climate & Environmental Justice (MOCEJ), was joined by Deputy Mayor for Operations Julia Kerson, Department of Parks & Recreation Commissioner Tricia Shimamura, NYCHA Vice President of Sustainability Siobhan Watson, and the Executive Director of Trees New York for the announcement and subsequent stewardship activity on the NYCHA campus.

The UFP lays out the City’s goal of achieving 30 percent tree canopy by 2040. Today, the urban forest canopy shades 23.4% of New York City, covering roughly 45,000 acres — an area about the size of Brooklyn. Reaching this expanded canopy will help the City achieve broader goals of advancing environmental justice, mitigating the effects of heat, and improving quality of life.

“New York has always been defined by the dreams we dare to build together. Today, we’re planting those dreams in the soil itself,” said Mayor Zohran Kwame Mamdani. “The Urban Forest Plan is a commitment that no matter your neighborhood, you deserve clean air, shade in the heat of summer, and streets that reflect the possibility of our great city. Together, we’re going to grow a New York that is greener, healthier, and more beautiful for everyone who calls it home.”

“No matter where you live, work, or spend time outside, all New Yorkers know the immediate relief that comes from standing under the shade of a tree on a hot day. What may be less obvious is that trees are one of the most affordable and accessible ways to help adapt to a changing climate,” said New York City Chief Climate Officer Louise Yeung. “Yet for too long, New Yorkers of color in environmental justice communities have been left behind, lacking critical access to trees and all the benefits they provide. Expanding and caring for our urban forest is a matter of racial and environmental justice, and I look forward to bringing our first-ever Urban Forest Plan to life.”

“Our urban forest serves as essential living infrastructure to keep our city cool and resilient, and every New Yorker deserves equal access to its benefits. The Urban Forest Plan marks a turning point for how New York City grows, protects, and cares for its more than seven million trees, and NYC Parks is proud to help lead this effort alongside our partners and communities,” said NYC Parks Commissioner Tricia Shimamura. “Year over year we have planted a record number of trees, adding canopy where it is needed most, and investing in our forestry workforce to ensure our trees are protected. Now the Urban Forest Plan will help ensure a unified strategy for lessening the effects of climate change and ensuring that New Yorkers in every neighborhood can benefit from a healthier, greener, and more resilient city.”

"At City Parks Foundation, we are incredibly proud to have played a role in the development and release of New York City's first Urban Forest Plan," said Heather Lubov, Executive Director of City Parks Foundation. "Planting and preserving the canopy will, of course, be critical to the success of the city's efforts to cool and clean our communities, but we're thrilled that the newly released plan also puts stewardship front and center to ensure that both trees and communities thrive. We look forward to working with the city and the many dedicated individuals and grassroots and nonprofit partners to achieve the goals of the plan."

"We are thrilled that New York City's first Urban Forest Plan acknowledges the vital role of NYCHA campuses' tree canopy," said NYCHA Chief Executive Officer Lisa Bova-Hiatt. "Preserving and expanding the tree canopy not only provides physical comfort but also empowers residents through hands-on workforce opportunities. We are proud to work with our partners across the city toward greener NYCHA campuses and a more resilient New York City."

NYC Parks manages and cares for millions of street and park trees across all five boroughs, helping to grow and sustain the city’s urban forest.

Expanding Tree Canopy as an Environmental Justice Priority

An equitably distributed and ecologically diverse urban forest in New York City will cool neighborhoods, help manage stormwater, improve air quality, reduce greenhouse gas emissions, increase habitat for wildlife, and enhance the health of, and quality of life for, all New Yorkers. At the core of the UFP is the City’s commitment to addressing unequal distribution of tree canopy as a critical matter of racial and environmental justice. Environmental Justice communities have approximately 19% canopy cover, compared to 26% in non-Environmental Justice areas.

In the Bronx, for example, neighborhoods like Pelham Bay live under a dense, connected tree canopy that cools the air, filters pollution, and absorbs stormwater. Just a few miles away in Hunts Point, one of the hottest, most pollution-burdened neighborhoods in the city, the tree canopy covers only six percent of the neighborhood, among the lowest in the entire city and a fraction of the borough-wide canopy level of 27%.

Cross-Agency Coordination and Partnership

The Urban Forest Plan outlines strategies to close these gaps and expand canopy where it is needed most.

“Reaching 30 percent canopy will be a true whole-of-city effort, bringing together agencies across city government to work in lockstep with communities, nonprofits, and property owners, who will be the true stewards of these forests,” said Deputy Mayor for Operations Julia Kerson. “New York’s urban forest is living infrastructure, and like every system that keeps this city running, it deserves investment, care, and measurable goals. We look forward to delivering all three.”

To reach 30% canopy coverage by 2040, the UFP outlines measures to protect existing canopy, expand planting in streets and public spaces, promote tree planting on private property, and strengthen workforce and stewardship programs that engage New Yorkers in caring for the urban forest.

City agencies will coordinate implementation of the plan in partnership with community organizations, nonprofit and institutional partners, and private property owners. Progress toward the city’s 30% canopy goal will be tracked over time, with updates and continued public engagement helping guide the plan’s implementation and future iterations. The plan fulfills requirements under Local Law 148 of 2023, which mandated that the city develop and regularly update a long-term urban forest strategy informed by public engagement.

Read the full Urban Forest Plan: https://on.nyc.gov/ufp

Fonte: NYC



Grande Muralha Verde da China: erros e acertos do plantio de 1 bilhão de árvores para conter o deserto


China’s Billion-Tree Experiment: Can Planting Forests Really Stop the Desert?



China’s Billion-Tree Experiment: Can Planting Forests Really Stop the Desert?

Across northern China, the wind still blows hard — but it no longer carries quite as much sand.

On the edge of the Tengger Desert, in Inner Mongolia and neighbouring regions, villages once braced themselves each spring for choking sandstorms. Fields vanished overnight, windows were sealed with tape, and children walked to school with scarves over their faces. Today, many of those same horizons are lined with rows of young trees, shrubs and grasses — a living barrier known as China’s “Great Green Wall”.

This vast reforestation effort, launched in the late 20th century, is one of the largest environmental engineering projects in human history. Its aim: to slow, halt, and ultimately reverse desertification.

So has it worked? The answer is complicated — and instructive for dryland restoration efforts worldwide.

What Is China’s Great Green Wall?

Often compared to the Great Wall of China, this “green wall” is not a single forest but a mosaic of shelterbelts, grasslands and restored soils stretching thousands of kilometres across northern China. Since the 1990s, government programmes have coordinated:
  • Large-scale tree planting
  • Sand dune stabilisation
  • Grazing restrictions in vulnerable areas
  • Financial incentives for local households to restore land
Chinese researchers estimate that more than one billion trees have been planted in key desertification zones over three decades.

The goal was not cosmetic greening, but climate resilience: slowing wind, anchoring soil, retaining moisture and giving ecosystems a chance to recover.

How Trees Help Slow Desertification

The science behind desert restoration is straightforward, if hard to implement at scale.
  • Trees and shrubs reduce wind speed, limiting how much sand is lifted and carried
  • Roots stabilise loose soil, preventing dunes from migrating
  • Vegetation traps sand, turning shifting surfaces into rough, stable ground
  • Moisture lasts longer, allowing grasses and native plants to establish
In practice, workers often begin by laying straw grids across dunes to break surface winds. Only then are saplings planted in careful patterns designed to interlock root systems. Water is trucked in and rationed meticulously — every tree planted by hand.

It is slow, repetitive, physically demanding work. Desert-scale change, built one hole at a time.

Measurable Successes of the Billion-Tree Programme

From satellite imagery to lived experience, there is clear evidence that parts of northern China look very different today than they did in the 1990s.

Reduced Desert Expansion

In several monitored regions, desertification has slowed, stabilised, or even reversed. Areas once dominated by bare sand now support patchy but persistent vegetation.

Fewer and Weaker Sandstorms

Major cities downwind, including Beijing, now experience fewer severe sandstorms than in previous decades. For residents, this means clearer skies, cleaner air and fewer days of disruption.

Improved Local Livelihoods

Some communities that once watched pastureland disappear now graze animals under sparse tree cover. For many families, the benefits are practical rather than symbolic: reduced crop loss, less soil erosion and greater stability.

The Limits and Failures of Mass Tree Planting

Despite these gains, China’s experience also highlights the risks of oversimplified solutions.

Water Stress and Groundwater Depletion

Early phases prioritised fast-growing tree species, such as poplars, that consumed large amounts of groundwater. In some areas, this lowered water tables, leaving ecosystems vulnerable once again.

Low Survival Rates

In harsh desert conditions, many plantations failed. Entire sections of trees died after just a few years, exposing the land beneath and wasting scarce resources.

Monocultures and Ecological Fragility

Planting single species over large areas reduced biodiversity and resilience. Uniform forests are more susceptible to disease, drought and climate stress.

Tensions with Local Communities

Grazing bans and top-down land-use plans sometimes disrupted traditional livelihoods. In places, communities felt excluded from decisions that directly affected their survival.

These shortcomings were not minor details — they forced major policy changes.



What Changed: From Tree Numbers to Ecosystem Thinking

Over time, China adapted its approach. Later programmes placed greater emphasis on:
  • Native and drought-tolerant species
  • Mixed vegetation, including shrubs and grasses
  • Natural regeneration, rather than planting everywhere
  • Monitoring groundwater, alongside tree cover
  • Local knowledge, recognising where wind, sand and water actually move

The result is not a picture-perfect forest, but a scruffy, uneven, living landscape — one that functions better than rows of identical trees ever could.

One forestry engineer in Ningxia described the turning point this way:

“First we planted trees to fight the sand. Then we realized we had to plant communities, not just trees. Different species, different heights, different roots — that’s when the land started to hold.”

Lessons for Global Desert Restoration

From the Sahel to Central Asia, governments and NGOs now look to China’s experience for guidance. The key lesson is not “plant a billion trees”, but something more nuanced:
  • Plant what belongs in that ecosystem
  • Measure success over decades, not election cycles
  • Combine trees with grasslands and human livelihoods
  • Treat water as the limiting factor it is
  • Be willing to admit mistakes and change course
There is no universal blueprint for stopping desertification. What transfers are principles, not numbers.

A Long Game with No Quick Fix

Three decades on, northern China’s landscape tells a mixed but meaningful story. The desert has not vanished — but in many places, it has paused. That alone is significant.

China’s billion-tree experiment shows what sustained political will, labour and funding can achieve — and what they cannot. It warns against chasing easy headlines about “greening deserts” while inviting us to rethink how we live with drylands rather than surrendering to them.

For organisations like Natural World Fund, the message is clear: lasting environmental change is slow, local, adaptive and deeply human. As climate change expands drylands across the globe, the real question is not whether we can plant trees — but whether we can build lasting ecosystems by adapting to help the bespoke landscapes recover for good.

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At Natural World Fund, we recognise that land degradation and desertification are not problems that can be solved by planting trees alone. Fragile dryland ecosystems depend on a careful balance of soil, water, vegetation and human use. When that balance is disrupted — through overgrazing, water mismanagement or poorly planned interventions — landscapes become vulnerable to erosion, biodiversity loss and long-term decline. Protecting and restoring these environments requires a whole-ecosystem approach: using native plants, safeguarding water resources, supporting local communities and allowing nature to recover in ways that suit each place. Only by working with the land, rather than imposing one-size-fits-all solutions, can we build resilient landscapes that sustain both people and wildlife for generations to come.

Image sourcesgreat-green-wall (1): Wikipedia Commons
en_nw_pkg_focus_xxxx_fr2_china_desertification (1): Wikipedia Commons

Fonte: Natural World Fund


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