Em uma década, o município mais que dobrou seu PIB, consolidando-se entre as cidades médias e grandes com maior PIB per capita do Brasil. Na segurança pública, apresentou avanços notáveis, com redução expressiva e histórica das taxas de homicídio e de roubos; no campo fiscal, aumentou a arrecadação própria, elevou o investimento público per capita e reduziu o endividamento, fortalecendo sua autonomia e capacidade de investimento. Na saúde, houve expansão robusta da atenção primária, cuja cobertura alcançou 95% da população, com projeção de universalização até 2033. Na educação, o município também alcançou resultados expressivos, com a construção recorde de escolas, a ampliação da rede municipal e a garantia de matrícula em creche para todas as crianças, reforçando o compromisso de Niterói com a inclusão, a equidade e a formação das novas gerações. (NQQ 2050, pág. 17).
Nos últimos anos, o mundo experimentou um ritmo de mudança sem precedentes. O avanço das tecnologias digitais e da inteligência artificial vem transformando o trabalho, os sistemas produtivos, o consumo e até as relações humanas. A transição energética e a agenda climática remodelam as economias e a geopolítica global, enquanto novas formas de mobilidade, produção e conectividade alteram o modo de vida nas cidades. Paralelamente, crises recentes — como a pandemia de Covid-19, os conflitos armados em diferentes regiões do planeta, a emergência climática e o aumento da polarização social e política — revelaram a vulnerabilidade das sociedades e reforçaram a importância da cooperação e a busca de soluções inovadoras para problemas cada vez mais complexos(...)Niterói chega a 2025 como uma cidade que amadureceu institucionalmente e construiu uma base sólida de políticas públicas. Ao longo da última década, a cidade avançou em planejamento, gestão fiscal, saúde, sustentabilidade, segurança e expansão da rede municipal de educação. No entanto, o novo cenário global impõe desafios inéditos: reduzir desigualdades territoriais; adaptar-se a eventos climáticos extremos; enfrentar a transição demográfica e as novas demandas de saúde; promover a transição econômica, aumentando a diversificação, o valor agregado da economia local e a melhoria da massa salarial; e preparar-se para as novas formas de trabalho e de convivência digital. A capacidade de antecipar e responder a essas transformações definirá o futuro de Niterói.As tendências que se projetam até 2050 apontam para um mundo mais tecnológico, interconectado e consciente de suas limitações ambientais. A transição digital e a inteligência artificial remodelarão a economia e os serviços públicos, exigindo segurança, capacitação e ética no uso de dados. A transição ecológica e a agenda climática impulsionarão uma reconfiguração das matrizes energéticas e produtivas, valorizando cidades que investem em eficiência, mobilidade limpa e infraestrutura resiliente. A economia do cuidado ganhará centralidade em função do envelhecimento populacional e das novas demandas sociais, enquanto o fortalecimento da economia criativa e cultural trará oportunidades de inovação, pertencimento e identidade. A transformação do consumo e o avanço das redes colaborativas tendem a gerar novas formas de sociabilidade e participação cidadã, reforçando o papel das comunidades na construção do bem-estar coletivo.Nesse contexto, as cidades passam por um processo de reinvenção. Ganha força um novo paradigma urbano, que valoriza a escala humana, o adensamento equilibrado e a convivência nos espaços públicos. A reconversão de áreas degradadas, o controle do espraiamento, o fortalecimento das identidades locais e a priorização da mobilidade ativa e sustentável apontam para territórios mais criativos, saudáveis e acolhedores. As cidades do futuro são chamadas a ser não apenas motores econômicos, mas também espaços de bem-estar, pertencimento e inovação social — uma referência que orienta também o caminho de Niterói em direção a 2050. (NQQ 2050, pág 23 e 24)
- Humanidade
- Equidade
- Sustentabilidade
- Responsabilidade
- Efetividade
| NITERÓI JOVEM ECOSOCIAL. Exemplo de programa desenvolvido pela Prefeitura de Niterói, em conformidade com os Valores definidos. O programa foi idealizado por mim e pela também engenheira florestal Valéria Braga em 2018 e já atendeu a mais de 1.000 jovens de Niterói. |
DESAFIO: TRANSIÇÃO ECONÔMICA
"Niterói vivencia um momento decisivo em sua trajetória econômica. Após uma década de expansão expressiva em que o PIB municipal mais que dobrou, a cidade consolidou-se como referência nacional em qualidade de vida, políticas públicas de qualidade e solidez fiscal. Nos últimos dez anos, o município experimentou um ciclo de crescimento econômico impulsionado pela indústria extrativa, que possibilitou investimentos e melhorias em infraestrutura, serviços públicos e aumento do bem-estar social. O investimento público per capita saltou de R$ 452 em 2015 para R$ 1.612 em 2024, um crescimento de mais de três vezes no período. Com gestão fiscal sólida e elevada capacidade de arrecadação própria, a gestão municipal está bem posicionada para apoiar essa transição. A receita tributária própria cresceu 47% entre 2014 e 2025, demonstrando melhora das condições econômicas locais e o endividamento caiu 72% no período.POR QUE A AGENDA DE TRANSIÇÃO ECONÔMICA É IMPORTANTE E OPORTUNA1. CONSOLIDAÇÃO DE UM CICLO SUSTENTÁVEL DE PROSPERIDADE: Niterói reúne as condições para inaugurar uma nova fase de crescimento, com redução gradual da dependência das receitas do petróleo e fortalecimento de fontes diversificadas e duradouras de desenvolvimento econômico.2. GERAÇÃO DE RENDA E AMPLIAÇÃO DAS OPORTUNIDADES DE TRABALHO: A transformação do dinamismo do PIB em empregos de qualidade e valorização da renda do trabalho é fundamental para fortalecer o metabolismo econômico local, promover inclusão produtiva e reter talentos na cidade.3. FORTALECIMENTO DO ECOSSISTEMA EMPRESARIAL: A ampliação da inovação, da competitividade e da diversificação dos pequenos negócios — que têm papel estratégico na economia local — é essencial para impulsionar o empreendedorismo e inserir mais empresas em cadeias de valor de maior intensidade tecnológica e criativa.4. APROVEITAMENTO PLENO DAS VOCAÇÕES E POTENCIALIDADES DA CIDADE: A consolidação de eixos estratégicos como a Economia Azul, a Economia Urbana, a Economia Criativa, o Turismo e a Economia Digital e de Inovação pode reposicionar Niterói no cenário nacional e internacional, promovendo prosperidade com sustentabilidade e identidade própria".
"Toda estratégia envolve escolhas. No Niterói que Queremos 2050, essas escolhas se traduzem nas Áreas de Resultado, que reúnem objetivos estratégicos e estratégias voltadas a concretizar o futuro desejado para a cidade. Elas organizam prioridades e concentram esforços naquilo que é mais estruturante e tem maior impacto sobre o desenvolvimento da cidade. Ajudam a dar foco a ideias mais aspiracionais, orientando a ação para o futuro desejado".
PLANEJAR PARA AVANÇAR
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| Foto: Evelen Gouvea |
Niterói lança plano estratégico até 2050 com foco em inovação, inclusão social e qualidade de vida
Durante a solenidade, realizada na Sala Nelson Pereira dos Santos, no Reserva Cultural, o prefeito Rodrigo Neves destacou que Niterói possui o único planejamento estratégico de longo prazo entre as cidades brasileiras de médio porte.
“Estamos construindo uma agenda de futuro para preparar Niterói para os próximos 25 anos, com prioridades muito claras: reduzir desigualdades, avançar na mobilidade sustentável, revitalizar o Centro, ampliar a qualidade de vida nas comunidades e fortalecer uma economia baseada no conhecimento, na tecnologia e na sustentabilidade. O nosso compromisso é transformar planejamento em ações concretas que melhorem a vida das pessoas”, afirmou o prefeito.
Segundo Rodrigo Neves, o novo plano mantém a tradição da cidade em gestão pública eficiente e visão estratégica.
“Esse plano olha para os próximos 25 anos e foi construído com metas muito objetivas de curto, médio e longo prazo. As ações previstas até 2028 já estão definidas e envolvem projetos estruturantes em áreas como mobilidade, inovação, sustentabilidade, urbanização das comunidades e qualidade de vida. Niterói mudou muito nos últimos dez anos, inclusive por causa do planejamento estratégico anterior e de tudo o que conseguimos realizar nesse período. Agora, estamos preparando a cidade para os desafios das próximas décadas, transformando esse planejamento em ações concretas que melhorem a vida das pessoas”, ressaltou.
Construído com ampla participação popular, o plano contou com a colaboração de cerca de 15 mil pessoas e sucede a estratégia iniciada em 2013, reconhecida pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como uma das melhores experiências de gestão pública e planejamento da América Latina. O Niterói Que Queremos 2013-2033 já está com 90% das metas concluídas. Entre as principais entregas estão o túnel Charitas-Cafubá, a TransOceânica, o Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) e o Parque Orla Piratininga Alfredo Sirkis.
“É isso que a gente quer ver: uma cidade que ofereça o melhor serviço para toda a população. Um governo que escuta, olha para as pessoas e responde às prioridades, construindo um plano a partir dessa consulta popular. É por meio desse trabalho de longo prazo, com visão e compromisso, que a gente chega lá. Queremos mitigar os efeitos das mudanças climáticas, ser referência como cidade inteligente, com soluções baseadas na natureza, e usar a tecnologia e a inteligência artificial com balizadores brasileiros e base na nossa cultura, avançando com firmeza e compromisso”, afirmou a vice-prefeita e secretária do Clima e Sustentabilidade, Isabel Swan.
A secretária de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão, Elissa Rasma, lembrou que a elaboração do plano envolveu mais de 20 secretarias municipais, consultas a especialistas e dezenas de encontros de escuta e participação social.
“Foram 10 meses de trabalho intenso, liderado pelo prefeito Rodrigo Neves e desenvolvido a muitas mãos. Buscamos referências internacionais e as melhores práticas de gestão pública no Brasil e no mundo. Esse plano foi, sobretudo, construído com a cidade e para a cidade. Ouvimos mais de 60 especialistas e realizamos mais de 100 horas de diálogo para transformar isso em metas, planos e projetos estratégicos, olhando sempre para o futuro das próximas gerações”, explicou a secretária.
Caminhos para 2050 – Um dos principais desafios previstos no plano é a transição econômica do município. Embora Niterói tenha dobrado o Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos anos, a meta agora é consolidar uma economia baseada no conhecimento, na inovação e na tecnologia. A estratégia prevê o fortalecimento do Distrito de Inovação da Cantareira, o incentivo à economia digital, o apoio a startups e a expansão da chamada economia do mar — setor ligado às atividades náuticas, à pesca, aos serviços e à tecnologia marítima.
A transição demográfica também aparece entre as prioridades do planejamento. Niterói já apresenta uma população com idade média mais elevada do que a brasileira, o que exigirá novos investimentos em saúde, acessibilidade e serviços voltados à terceira idade. O objetivo é preparar a cidade para uma realidade em que a longevidade terá peso crescente nas políticas públicas, fortalecendo ações de cuidado, prevenção, acessibilidade e acolhimento em todas as fases da vida.
As ações previstas incluem iniciativas voltadas para a saúde pública e a qualidade de vida das famílias. Entre os objetivos estão a ampliação do acesso ao saneamento básico e o avanço na universalização dos serviços de água e esgoto tratado no município.
A redução da desigualdade territorial aparece entre as prioridades do Niterói Que Queremos 2050, com a implantação do programa Vida Nova no Morro. A iniciativa prevê atuação nas 83 comunidades da cidade, beneficiando mais de 150 mil pessoas com obras de infraestrutura, contenção de encostas, saneamento, melhorias habitacionais — como reboco e pintura nas residências — e políticas integradas nas áreas de cultura, educação, saúde e segurança pública.
Para viabilizar o programa, a Prefeitura sancionou a Lei nº 4.048/2025, que autoriza o acordo de cooperação e financiamento com o BID. O investimento total será de cerca de R$ 800 milhões, sendo R$ 620 milhões financiados pelo banco e o restante como contrapartida municipal. Além da parceria com o BID, a Prefeitura busca novas alianças estratégicas, como com a ONU-Habitat.
Reviver Centro – Na região central, a Prefeitura aposta em um amplo processo de revitalização urbana. O Centro de Niterói deverá receber novos investimentos imobiliários, retrofit de prédios antigos, estímulo à moradia estudantil e fortalecimento de equipamentos culturais e públicos. A expectativa é transformar a área em um novo polo de desenvolvimento econômico e residencial. As obras já estão em andamento, e o novo calçamento já pode ser visto em ruas no entorno da Avenida Amaral Peixoto.
“A revitalização do Centro começou com entregas importantes, como o Mercado Municipal, a Casa Norival de Freitas, a nova Arena Niterói, a Concha Acústica e a nova Praça Arariboia. Agora vamos avançar ainda mais com a requalificação da Amaral Peixoto, da Rua da Conceição e de todo o entorno, resgatando o coração da cidade e valorizando nosso patrimônio histórico”, afirmou Rodrigo Neves.
A mobilidade urbana sustentável é um dos eixos estratégicos do plano. Entre os projetos previstos estão a implantação do VLT de Niterói, começando pelo trecho entre Barreto e Centro; a expansão da malha cicloviária, conectando a Avenida Amaral Peixoto à Alameda São Boaventura; e novos terminais integrados, como o Terminal do Caramujo, que ajudará a reduzir a circulação de ônibus de outros municípios no Centro. A meta é diminuir em até 50% o número de ônibus que entram diariamente na cidade, reduzindo congestionamentos e impactos ambientais.
Fonte: Prefeitura de Niterói
