domingo, 25 de outubro de 2026

O Globo dá destaque a tecnologia implantada em Niterói para identificar disparos de armas de fogo

Em 2024, quando eu era prefeito de Niterói, visitei nos EUA a empresa Sound Thinking que oferece a tecnologia ShotSpotter, um sistema de localização de disparos de armas de fogo. Fui acompanhado do atual prefeito de Niterói Rodrigo Neves, então secretário executivo da Prefeitura, e do secretário municipal de Ordem Pública, coronel Paulo Henrique Moraes. 

Decidimos contratar a tecnologia para complementar os recursos disponíveis no Centro Integrado de Segurança Pública - CISP, que passou a ser a primeira cidade do Brasil a contar com o ShotSpotter, que se tornou operacional em 2025.

A sistema identificou 1.290 disparos na cidade e permitiu o deslocamento rápido de agentes de segurança (policiais) ao local e permitiu a prisão de criminosos. O ShotSpotter é hoje uma das principais ferramentas para a manutenção dos índices de criminalidade em Niterói como o melhor da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Saiba mais na matéria, a seguir:

Axel Grael
Prefeito de Niterói (2021-2024)


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Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) de Niterói, onde agentes da prefeitura recebem os dados sobre disparos na cidade e acionam a PM: 97% dos alertas confirmados — Foto: Marcelo Theobald

Por Roberta de Souza

Tecnologia implantada em Niterói identifica disparos em tempo real e contribui para prisão de suspeitos envolvidos nos tiroteios

Em 2025, sistema identificou 1.290 disparos na cidade e contribuiu para a prisão de suspeitos envolvidos em tiroteios. Barreto e Fonseca, na Zona Norte, lideram ocorrências

No alto de prédios e postes de luz em Niterói, pequenas caixas que passam despercebidas pela maioria dos moradores monitoram a violência na cidade. São sensores acústicos capazes de identificar disparos de arma de fogo e enviar informações para uma central de segurança. O sistema, chamado ShotSpotter, utiliza a técnica da triangulação para localizar a origem dos tiros e, com o auxílio de inteligência artificial e de especialistas em acústica, pode fornecer à polícia dados sobre o número de disparos, a quantidade de atiradores e até o tipo de arma utilizada. Em 2025, a tecnologia identificou 1.290 disparos na cidade e contribuiu para a prisão de suspeitos envolvidos em tiroteios.

Dados consolidados a partir dos alertas emitidos pelo sistema em Niterói, obtidos pelo GLOBO, apontam que, em 2025, foram registrados 314 episódios de disparos de arma de fogo na cidade. Os bairros com o maior número de tiros captados pelo ShotSpotter foram Engenhoca, com 341; Barreto, com 292; e Fonseca, com 274, todos na Zona Norte. As três localidades enfrentam confrontos intensos desde o ano passado, em meio à ofensiva do Terceiro Comando Puro (TCP) para tomar comunidades controladas pelo Comando Vermelho (CV), facção que mantém hegemonia na cidade.

Também foram registrados disparos no Centro (87), em Santa Rosa (55) e em Icaraí (49). De acordo com a prefeitura, todos os alertas emitidos pelo sistema após a identificação do estampido resultam em uma ação policial no local, imediata ou planejada, a depender da complexidade de acesso ao território.

Sete presos

Na semana passada, um alerta gerado pelo ShotSpotter ajudou policiais do 12º BPM (Niterói) a prender sete suspeitos na comunidade do Santo Cristo, no Fonseca.

A equipe foi ao local após receber um aviso de tiroteio identificado pelo sistema. Ao chegar, encontrou um homem morto, com ferimentos a tiro, e um radiotransmissor ao lado do corpo. Após buscas na região, os policiais localizaram sete homens escondidos em residências abandonadas. Os agentes também apreenderam três pistolas, dinheiro e drogas.

Segundo a Prefeitura de Niterói, nove alertas emitidos pelo sistema neste ano resultaram em prisões e apreensões. O secretário municipal de Ordem Pública, Gilson Chagas, afirma que a tecnologia tem ajudado a qualificar as operações policiais. Ele também sustenta que esse recurso contribui para evitar o uso excessivo da força pelos agentes de segurança.

— Nós proporcionamos à polícia condições de atuar de maneira mais efetiva, porque as incursões são feitas com base em um dado técnico e, assim, acabam sendo muito mais qualificadas. Os agentes sabem exatamente de onde está partindo o disparo. Além disso, o sistema também me permite descobrir a sequência dos tiros, quem atirou primeiro e de que posição. Para a investigação policial, isso é ótimo, porque consigo estabelecer uma cronologia do que aconteceu — explica.

O sistema funciona por meio de sensores acústicos espalhados pela cidade que, ao detectarem um disparo, enviam dados geolocalizados para uma central.

Com o auxílio de inteligência artificial, a tecnologia da empresa SoundThinking faz uma primeira análise e encaminha as informações a uma equipe especializada. Os técnicos realizam uma segunda avaliação para verificar se há mais de um atirador no local, qual tipo de arma foi utilizado e se ela é automática. O procedimento é feito com base no som dos disparos.

Só depois dessa etapa o alerta chega à tela dos agentes do Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) de Niterói, que acionam o batalhão mais próximo para verificar a ocorrência. Todo o processo até o alerta chegar ao Cisp leva cerca de 20 segundos. Segundo a prefeitura, a partir daí, são necessários mais 60 segundos para que a Polícia Militar seja acionada.

A tecnologia foi implementada na cidade em maio de 2025, após um investimento de cerca de R$ 9 milhões. Não foi, porém, a primeira vez que um sistema desse tipo foi implantado no Brasil ou no Estado do Rio. Em 2011, equipamentos capazes de detectar tiros foram instalados em uma área de seis quilômetros quadrados na Zona Norte da capital fluminense. O sistema, no entanto, funcionou por menos de três anos e acabou abandonado. O investimento nos equipamentos, importados dos Estados Unidos, foi estimado em R$ 1,3 milhão. Na época, a Secretaria de Segurança informou que o projeto havia sido interrompido devido ao alto custo.

Para Pablo Nunes, diretor do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), a tecnologia pode distorcer os dados sobre a violência armada ao contabilizar disparos apenas nas áreas previamente delimitadas, sem oferecer um retrato completo dos tiroteios na cidade. Ele também destaca que o sistema já foi abandonado por algumas cidades fora do Brasil devido ao alto custo e à falta de resultados efetivos no enfrentamento à violência.

— Na prática, o que a gente tem visto é que as experiências acumuladas simplesmente não confirmam muitos dos benefícios prometidos. No caso dos Estados Unidos, onde há mais cidades que testaram esse sistema por mais tempo, investigações já mostraram que o ShotSpotter não reduziu os disparos de armas de fogo e, em alguns casos, não ajudou na coleta de evidências para crimes. Esses resultados levaram, inclusive, cidades como Atlanta, Charlotte e Nova Orleans a abandonar o sistema.

É preciso ir além

Nunes ressalta que o enfrentamento à violência armada no Rio exige medidas mais profundas.

— O problema da violência armada é grave e, no Rio de Janeiro, acontece de uma forma que não se vê em nenhum outro estado do Brasil. O ponto é que a existência dessas tecnologias não pode ser compreendida, por si só, como uma solução. É necessário se perguntar quais são os problemas que estão na origem da violência armada — analisa.

O sistema evoluiu

Atualmente, os sensores de detecção de tiros em Niterói cobrem uma área de 10,36 quilômetros quadrados, distribuída pelas zonas Sul e Norte. Segundo o secretário municipal de Ordem Pública, Gilson Chagas, o contrato prevê três anos de funcionamento, com possibilidade de prorrogação e ampliação. Ele afirma, porém, que não há necessidade de estender a cobertura a todo o município. O secretário também ressalta que a tecnologia evoluiu desde as primeiras experiências com esse tipo de sistema no Brasil.

— Não teria motivo para tentar colocar isso na cidade inteira. Esse não é o objetivo. A ferramenta não é para isso. Ela precisa ser instalada naqueles locais onde há maior incidência ou probabilidade de ocorrência, porque é um recurso público e temos que usá-lo com critério. Sobre a questão de o sistema falhar e captar o que não é tiro, isso já evoluiu muito. A inteligência do sistema hoje diferencia até o barulho dos fogos daqui do dos Estados Unidos para poder filtrar corretamente. É muito raro a gente encontrar um disparo que não seja de arma de fogo.

De acordo com a prefeitura, 97% dos disparos alertados pela plataforma foram confirmados em campo pelos policiais civis. Tecnologia implantada em Niterói identifica disparos na cidade em tempo real e contribui para a prisão de suspeitos envolvidos nos tiroteios.

Fonte: O Globo



Passagem de Flávio Bolsonaro pelo Senado é marcada por pautas antiambientais

Flávio Bolsonaro em outubro de 2026. Foto: Marina Uezima / Brazil Photo Press via AFP

Agora candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro atuou contra o meio ambiente e o clima em ao menos 17 ocasiões no Senado

por Roberto Kaz

Ao longo dos sete anos e oito meses em que Flávio Bolsonaro passou no Senado, o agora candidato da extrema direita à Presidência da República acumulou um vasto histórico de votações nocivas ao meio ambiente. Foram ao menos 17 iniciativas com conteúdos antiambientais, de acordo com um levantamento inédito do Observatório do Clima. Na lista, estão propostas para extinguir reservas legais, reduzir áreas protegidas, flexibilizar o licenciamento ambiental, restringir demarcações de terras indígenas e permitir que projetos com gás fóssil acessem o Fundo Clima.

Como é amplo o cardápio de retrocessos ambientais endossados por Flávio Bolsonaro, convém analisá-los em ordem cronológica. Em abril de 2019, por exemplo, Flávio aproveitou seus primeiros meses no Senado para apresentar um projeto de lei que eximia os produtores rurais da obrigação de manter uma reserva legal em suas propriedades. Sim, Flávio tentou mudar a lei que garante que em ao menos 20% das fazendas – ou 80% no caso da Amazônia Legal – a vegetação nativa seja mantida em pé pelo bem do clima, da biodiversidade e do próprio agronegócio.

Uma análise feita à época pelo pesquisador Gerd Sparovek, professor titular da Universidade de São Paulo (USP-Esalq), calculou que tal lei, se aprovada, resultaria em um desmatamento de 167 milhões de hectares – cerca de três vezes o tamanho do estado de Minas Gerais. Talvez por isso uma consulta pública no site do Senado tenha resultado em 129 mil votos contrários ao projeto, ante 3 mil votos a favor. No fim das contas, o próprio Flávio pediu o arquivamento da proposta, quatro meses depois que ele foi apresentado (o PL tinha co-autoria do senador Márcio Bittar, do MDB do Acre).

Ainda naquele ano de 2019, Flávio Bolsonaro apresentou outro projeto de lei, este para acabar com uma estação ecológica, a dos Tamoios, localizada entre Angra dos Reis e Paraty (a ideia era entregar a área, na costa fluminense, de mão beijada à indústria do turismo). Além disso, Flávio protocolou uma Proposta de Emenda à Constituição para enfraquecer as regras do cumprimento da função social das propriedades, incluindo a proteção ambiental, exigidas dos donos de áreas rurais. Ambos os projetos foram amplamente rejeitados em consultas públicas online e não tiveram andamento.

Flávio Bolsonaro passou o ano de 2020 sem protocolar nenhuma proposta no Senado. Em 2021, voltou ao tema da Estação Ecológica dos Tamoios, apresentando um projeto de lei complementar para a criação da “Região Administrativa Integrada de Desenvolvimento Sustentável da Costa Verde” – nome pomposo para a velha ideia de entregar a costa de Paraty, Angra (e nesse PLP, também a de Mangaratiba) à exploração da iniciativa privada.


O projeto, que teve andamento lento, só foi avaliado pela Comissão do Meio Ambiente do Senado em 2025. Em seu parecer, a relatora Eliziane Gama explicou que o texto padecia de “vícios insanáveis”, desrespeitando “o pacto federativo”, já que se propunha a avançar sobre responsabilidades estaduais e municipais. Além disso, a relatora questionou a proposta de retirar da Estação Ecológica dos Tamoios cinco de 29 ilhas que estão sob sua guarda: “Tal ato configura um ataque ao sistema de unidades de conservação brasileiro, em especial por se tratar de uma unidade de conservação de proteção integral.” Votou pela rejeição do projeto.

O ano de 2025, aliás, foi intenso para o senador. Flávio Bolsonaro votou a favor do projeto de lei 2159/2021 – o famoso PL da Devastação -, contribuindo para o enfraquecimento da política do licenciamento ambiental. Também votou a favor de: (1) tornar projetos que incluem gás natural fóssil elegíveis ao financiamento do Fundo Clima; (2) inserir o marco temporal na Constituição, restringindo o reconhecimento de terras indígenas; e (3) reduzir deveres de fiscalização ambiental, derrubando assim um veto do presidente Lula ao próprio PL da Devastação. Além disso, no mesmo ano, Flávio foi coautor de um projeto de lei para subordinar a demarcação de terras indígenas à aprovação legislativa.

A atuação antiambiental de Flávio Bolsonaro no Senado também foi detalhada pela ferramenta Farol Verde, do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), que mede o alinhamento de parlamentares com as agendas de clima e meio ambiente. A ferramenta dá uma “nota” de 0 a 100, sendo 100 o mais alto índice de convergência ambiental. Flávio Bolsonaro tirou nota 7.

Não bastasse essa atuação no Congresso, o candidato da extrema direita agora quer trazer algumas de suas propostas como senador para o Executivo: projetos apresentados sem sucesso voltaram a aparecer, de forma direta ou indireta, em seu plano de governo.

Esse é o caso da proposta de “eliminar superposições entre Ibama, Funai e ICMBio”, vista pelos próprios servidores de tais autarquias como um risco para a continuidade dos trabalhos de fiscalização ambiental. Ou a promessa de “acelerar o licenciamento”, abrindo brechas para que obras sejam realizadas sem as devidas salvaguardas socioambientais.

O exemplo mais gritante, no entanto, talvez seja a promessa de “zerar o desmatamento ilegal até 2029”. Olhando isoladamente, a proposta de seu plano de governo é até bonita. Mas juntando todas as peças – e considerando as sutilezas do discurso –, dá pra ver que não é: se a proposta de acabar com a Reserva Legal (aquela porcentagem de 20% a 80% que precisa ser preservada e que ele tentou derrubar) for levada para o Executivo, muito desmatamento ganhará o carimbo de “legalizado”. E por muito, estamos falando de 167 milhões de hectares de mata nativa, ou três Minas Gerais, seis estados de São Paulo ou todo o estado do Amazonas.

Fonte: Observatório do Clima





sábado, 24 de outubro de 2026

Queda de desmatamento rendeu até R$ 192 bilhões para a economia do Brasil, estima FGV

Estudo calcula que redução da devastação na Amazônia e no Cerrado evitou 1,49 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa e gerou R$ 1,16 trilhão em benefícios climáticos para o mundo desde 2023

A redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado desde 2023 pode ter gerado até R$ 192 bilhões em benefícios para a economia brasileira, por meio de danos climáticos evitados. No cenário global, o valor chega a R$ 1,16 trilhão, segundo estudo do economista Bráulio Borges, publicado pelo Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A pesquisa compara os níveis de desmatamento dos dois biomas entre 2019 e 2022 com os registrados de 2023 a 2026. Nesse intervalo mais recente, cerca de 22,3 mil quilômetros quadrados deixaram de ser desmatados em relação ao cenário hipotético em que o ritmo anterior tivesse sido mantido. A área preservada é ligeiramente superior à do estado de Sergipe, que tem aproximadamente 21,9 mil quilômetros quadrados.

Saiba mais sobre a pesquisa do IBRE/FGV.

O levantamento considera dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que apontaram queda de 41,8% no desmatamento da Amazônia e de 23,8% no Cerrado entre agosto de 2025 e julho de 2026. No primeiro bioma, a área desmatada foi de 3.335 km², a menor desde 1998. No segundo, foram 5.516,69 km², o menor número desde 2001.

Emissões evitadas

De acordo com os cálculos de Borges, a redução do desmatamento evitou a emissão de 1,49 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa entre 2023 e 2026. Essas emissões, que incluem o dióxido de carbono (CO₂), contribuem para o aquecimento global e as mudanças climáticas. As florestas ajudam a conter esse processo ao armazenar carbono na vegetação e nos solos.

Para estimar os benefícios econômicos, o pesquisador utilizou o chamado Custo Social do Carbono (CSC), indicador que atribui um valor monetário aos prejuízos provocados pela emissão de gases de efeito estufa. No cenário central, o estudo adota uma média ponderada de US$ 145 por tonelada de CO₂.

A partir dessa metodologia, o valor global dos danos climáticos evitados chega a R$ 1,16 trilhão. Em um cenário mais conservador, o benefício seria de R$ 621 bilhões. Já na projeção mais otimista, alcançaria R$ 9,8 trilhões. Para a economia brasileira, a estimativa varia de R$ 67 bilhões a R$ 192 bilhões.

— Em ambos os casos, trata-se de um benefício que se materializa majoritariamente sob a forma de danos evitados, menos perdas de safras, menor estresse térmico sobre a produtividade do trabalho, menos eventos extremos, entre outros — afirma o economista.

Impacto sobre as chuvas

O estudo ressalta, porém, que os cálculos não incluem os efeitos regionais do desmatamento amazônico sobre as chuvas, a temperatura e a disponibilidade de água no Brasil. Esses fatores são importantes para atividades como a geração de energia hidrelétrica, a agropecuária e o abastecimento urbano.

Borges destaca a importância dos chamados rios voadores, correntes de umidade alimentadas pela evapotranspiração da floresta que transportam vapor d’água para regiões como Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Pesquisas citadas no levantamento relacionam o avanço do desmatamento à redução das chuvas associadas a esse fenômeno.

Segundo o estudo, estimativas de outros pesquisadores indicam que a chuva gerada pela Amazônia brasileira vale cerca de US$ 20 bilhões por ano, considerando o preço da água utilizada na irrigação agrícola. O valor equivale a aproximadamente US$ 60 por hectare de floresta ao ano.

— A redução dos desmatamentos não é incompatível com a expansão da produção agropecuária, até porque o próprio agronegócio é um dos principais beneficiários da chuva gerada pela floresta — observa Borges.

O economista acrescenta que os benefícios associados aos rios voadores se repetem enquanto a floresta permanecer em pé. Também ficam de fora da estimativa os ganhos relacionados à navegação fluvial, à redução de incêndios, à biodiversidade e ao abastecimento urbano.

Remuneração pela floresta em pé

Para Borges, os benefícios gerados pela conservação das florestas brasileiras superam os recursos recebidos pelo país por meio de mecanismos internacionais de financiamento ambiental. Entre as iniciativas estão o Fundo Amazônia, o mercado de créditos de carbono e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), lançado pelo Brasil na COP30, em Belém, em 2025.

— Os valores envolvidos ainda são uma fração muito pequena dos ganhos estimados aqui — pondera.

O pesquisador defende que o Custo Social do Carbono seja incorporado de forma explícita às análises de custo-benefício de políticas públicas, incluindo projetos de infraestrutura na Amazônia, planos de expansão do setor elétrico e a definição de tributos e subsídios.

— Sem isso, continuaremos tomando decisões com base em uma contabilidade que enxerga apenas metade do balanço — afirma.

Fonte: InfoMoney



Brasil se aproxima da meta de emissões da NDC


O Brasil chegou muito perto de cumprir a meta de emissões líquidas estabelecida em sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) para 2025. Segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima divulgados nesta semana, as emissões do país no ano passado foram de 1.405,5 milhões de toneladas de carbono equivalente (MtCO2e). A meta declarada à Convenção do Clima é de 1.320 MtCO2e.

O Gráfico da Semana mostra que a trajetória brasileira está em queda desde 2023. A redução se deve ao controle do desmatamento, refletindo-se na significativa participação do setor de uso da terra e florestas no perfil de emissões do país, que emitiu 162,2 MtCO2e em 2025.

O setor que mais emite gases do efeito estufa é, de longe, a Agropecuária, com 626,3 MtCO2e, seguido pelo setor de Energia, com 426,8 MtCO2e. Para que o país continue na rota de cumprimento de seus compromissos climáticos, é necessário implementar políticas de mitigação eficazes nos dois.

A meta de 1.320 MtCO2e (ou 1,32 GtCO2e) para 2025 usa como referência os dados do Sistema de Registro Nacional de Emissões (Sirene), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Como a ferramenta oficial tem, no momento, números até 2022, o relatório anual do SEEG serve de parâmetro de como o país está em relação à sua meta climática de mitigação. Os resultados de emissões líquidas dos dois sistemas costumam ser próximos.

Fonte: Política por Inteiro


Cenários e Custos da Transição Ecológica no Brasil


Se a transição ecológica é possível, o que impede que ela aconteça? Estudo do CEBRAP e ClimaInfo aponta caminhos para essa mudança

A crise climática deixou de ser uma ameaça distante para se tornar uma realidade que já afeta economias, ecossistemas e a vida das pessoas. Ao mesmo tempo, o cenário internacional passa por uma profunda reorganização dos sistemas produtivos, marcada por crescentes instabilidades geopolíticas e pelo avanço da descarbonização.

Nesse contexto, o Brasil pode ter futuros completamente distintos se optar por seguir pelo caminho em que estamos agora, com uma transição energética parcial e focada apenas nas emissões, ou se reconhecer as interdependências dos sistemas energético e agroalimentar e optar por uma transição ecológica.


O estudo Cenários e custos da transição ecológica no Brasil – As interdependências entre a transição energética e a transição agroalimentar e os riscos de um neoextrativismo verde, publicado pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e o Climainfo, analisa a urgência, os custos e a interdependência entre transição energética e transição no sistema agroalimentar no Brasil.

O documento mostra que a transição ecológica representa uma oportunidade estratégica para produzir respostas à crise climática, mas também para reposicionar a economia brasileira em um cenário internacional marcado pela descarbonização, pela reorganização das cadeias produtivas e pela crescente valorização de ativos ambientais.

Para acessar o estudo completo.

No Brasil, essa transição precisa ser pensada de forma sistêmica. Os sistemas energético e agroalimentar compartilham recursos, cadeias produtivas e dinâmicas territoriais. A expansão da bioenergia, a produção de alimentos, o uso da terra, a conservação da biodiversidade e a exploração de minerais críticos fazem parte de um sistema interligado, no qual as decisões tomadas produzem efeitos simultâneos sobre o crescimento econômico, a segurança energética, a segurança alimentar e nutricional, a competitividade e a sustentabilidade.

Essa interdependência também significa que os custos de não agir tendem a crescer. A manutenção do modelo atual pode ampliar as perdas decorrentes do agravamento de eventos climáticos extremos, da degradação ambiental e da redução da produtividade agrícola, além de aumentar os custos de produção, os conflitos pelo uso da terra e da água, a vulnerabilidade a barreiras comerciais, a insegurança energética e a exposição da economia brasileira a riscos geopolíticos. Em outras palavras, adiar a transição significa acumular custos ecológicos, biofísicos, econômicos, sociais e fiscais cada vez maiores.

Mais do que uma questão tecnológica, portanto, a transição ecológica envolve escolhas econômicas, políticas e territoriais. O desafio não é apenas desenvolver novas tecnologias ou substituir determinadas fontes de energia. É decidir quais atividades queremos incentivar, onde queremos investir, quais territórios queremos proteger e quais caminhos de desenvolvimento queremos construir para as próximas décadas.

Limites Planetários vs. Valores Atuais


Os benefícios dessa transformação, entretanto, não serão automáticos. Eles dependerão das escolhas institucionais e políticas que serão feitas nas próximas décadas e da incorporação explícita de critérios de justiça. O desafio não é apenas reduzir emissões e desenvolver novas tecnologias, mas construir um novo padrão de desenvolvimento capaz de combinar competitividade econômica, conservação ambiental e inclusão social. Uma transição ecológica justa precisa gerar oportunidades econômicas, proteger direitos e reduzir as pressões sobre a natureza.

Isso significa enfrentar contradições que já estão diante de nós. Ao mesmo tempo em que o Brasil se apresenta como uma potência ambiental e climática, seguimos discutindo a expansão da exploração de petróleo e gás e convivendo com o desmatamento e a pressão sobre territórios indígenas e comunidades tradicionais. É justamente nesse ponto que a transição ecológica deixa de ser apenas um debate sobre tecnologias e passa a ser um debate sobre escolhas e prioridades.

Comparação dos cenários de transição


O Brasil tem condições de fazer essa transição. O que está em disputa é a capacidade política de transformar essas condições em um novo caminho de desenvolvimento.

É a partir desse desafio que este estudo propõe pensar a transição ecológica como uma transformação mais ampla do modelo de desenvolvimento brasileiro — capaz de articular energia, agricultura, uso da terra, proteção ambiental e justiça social.

Custos de fazer a transição


O Brasil não precisa esperar o futuro para começar. Muitas das soluções já existem. O que falta é transformar experiências, conhecimento e possibilidades em escolhas políticas capazes de mudar a direção do desenvolvimento.

O estudo parte justamente desse desafio: pensar a transição ecológica como uma transformação mais ampla do modelo de desenvolvimento brasileiro — uma transformação capaz de articular energia, agricultura, uso da terra, proteção ambiental e justiça social.

Fonte: ClimaInfo




sexta-feira, 23 de outubro de 2026

MARINA SILVA VISITA NITERÓI PARA REFORÇAR CAMPANHA PELO PRESIDENTE LULA


Lendo a Carta de Niterói.

Saudando a presença da ministra Marina Silva, ao lado do também ex-ministro do Meio Ambiente Carlos Minc.

Com dois grandes nomes do ambientalismo brasileiro: Marina Silva e Carlos Minc.

Reunimos mais de 600 pessoas, entre ambientalistas, lideranças políticas, lideranças de movimentos sociais, estudantes e 



Nas fotos acima, Marina Silva visita o Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis.

Niterói recebeu na quarta-feira (21 de outubro de 2025), a visita da ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, que veio para um encontro com ambientalistas e outras lideranças da cidade. Na ocasião, houve o lançamento da Carta de Niterói, documento em apoio à reeleição do presidente Lula e do fortalecimento das políticas ambientais e climáticas no Brasil.

A ex-ministra visitou o Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis (POP) e depois reuniu-se em evento público realizado na Pousada Dunas de Itaipu, que reuniu cerca de 800 pessoas. Na ocasião, li a Carta de Niterói que foi divulgada publicamente (leia a Carta abaixo).

Marina Silva é considerada uma dos maiores nomes do ambientalismo brasileiro e mundial. Começou como uma liderança dos seringueiros do Acre ao lado de Chico Mendes. Foi senadora e deputada federal, além de ocupar o cargo de ministra do Meio Ambiente três vezes. Foi também candidata a presidente da República. Acompanho o trabalho da ministra há muitas décadas e sou testemunha também do grande prestígio que ela tem nas instâncias da sustentabilidade planetária. Nas COPs (Conferências das Partes) sobre mudanças climáticas, Marina é sempre saudada como uma referência e saudada como celebridade. Lembro-me da COP 26, em Glasgow, Escócia, realizada em 2021, no final do governo Bolsonaro. A postura negacionista e de ação contrária à agenda ambiental fez a presença brasileira ter contorno de vexame internacional. O reflexo era o amplo e luxuoso stand do Brasil, que era um verdadeiro latifúndio improdutivo. O Brasil recuperou o protagonismo a partir da COP seguinte, em Sharm el-Sheikh, no Egito, quando a volta de Lula, já eleito, foi saudada com entusiasmo pelos presentes.

Assista ao vídeo com depoimento da ministra Marina ao visitar o Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis (POP).

Como ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, na atual gestão do presidente Lula, Marina liderou a recuperação da situação de "terra arrasada" causada pela desastrosa gestão de Bolsonaro, que nomeou o pior ministro do Meio Ambiente da história, Ricardo Salles, que desmontou a estrutura ambiental do governo brasileiro. Aquele (des)ministro foi flagrado em reunião com o então presidente Bolsonaro, anunciando que utilizaria o momento das atenções da sociedade e da imprensa para a COVID-19 para "abrir a porteira e deixar passar a boiada". Ou seja, promover o desmonte da legislação ambiental. 

Com a vitória de Lula em 2022, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima - MMA foi reestruturado, assim como o IBAMA, ICMBIO, assim como a FUNAI, que passou a integrar o recém criado Ministério dos Povos Indígenas, uma grande conquista institucional. Além do MMA, as áreas ambientais e climáticas passaram a ser prioridades em vários ministérios, como merece destaque a atuação do Ministério da Fazenda, Ministério das Cidades, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, dentre outros.

Agora, ao final da sua gestão, o Governo Lula ostenta entregas históricas ao povo brasileiro. Há poucos dias, soubemos aliviados que o Brasil atingiu o recorde de redução de desmatamento na Amazônia e no Cerrado. O desmatamento da Amazônia foi de 3.335 km2 entre agosto de 2025 e julho de 2026, uma redução de 41,8% em relação ao período anterior. No Cerrado, a queda foi de 23,8%. O desmatamento diminuiu também no Pará. Em quatro anos, o governo Lula entregou a redução de 71% do desmatamento na Amazônia e de 48% no Cerrado. Os números representam a menor taxa de perda de florestas da série histórica, iniciada em 1988. O programa desenvolvido pelo Governo Lula é considerado o maior programa de redução de desmatamento já desenvolvido no mundo e os seus resultados já são considerados uma referência global.

Marina com a juventude de Niterói. Divulgação.

Também na agenda climática, as conquistas são animadoras. Relatório recentemente publicado pelo Observatório do Clima, mostra que as emissões de gases de efeito estufa do Brasil caíram 6% em 2025 e chegaram ao menor nível em oito anos. O país lançou na atmosfera 2,06 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente, medida que reúne os diferentes gases responsáveis pelo aquecimento global. Em 2024, esse volume havia sido de 2,19 bilhões de toneladas. Os números fazem parte da 14ª edição do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa) e mostram que a redução foi puxada principalmente pela queda do desmatamento na Amazônia e no Cerrado.

No governo Bolsonaro, as emissões chegaram a 2,716 bilhões de toneladas e o recorde de emissões mais baixas foi de 1,789 bilhões de toneladas e aconteceu em 2009, no Governo Lula, quando o ministro do Meio Ambiente era Carlos Minc.
Saiba mais sobre os resultados do Governo Lula em SÓ A ELEIÇÃO DE LULA PODERÁ EVITAR O INACEITÁVEL RETROCESSO. Flávio promete acabar com 'entraves ambientais'.

A presença de Marina em Niterói trouxe ainda mais ânimo para as mobilizações em favor da eleição de Lula no segundo turno, que tem reunido milhares de pessoas, com uma forte liderança dos estudantes da UFF, de outras universidades e de secundaristas.

No domingo, dia 25, o voto tem que ser em Lula (13), para afastar o retrocesso representado pela candidatura da extrema direita.

Axel Grael


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CARTA DE NITERÓI

NÃO PODEMOS ADMITIR RETROCESSOS DEMOCRÁTICOS, SOCIAIS, AMBIENTAIS E CLIMÁTICOS. O FUTURO DO BRASIL NÃO PODE SER ENTREGUE AO NEGACIONISMO E À DESTRUIÇÃO. 

O Brasil está diante de uma escolha que ultrapassa os limites de uma eleição. Está em jogo o país que queremos ser, o futuro que construiremos e as condições de vida que deixaremos para as próximas gerações. 

Nós, ambientalistas, educadores, a juventude , representantes da sociedade civil e cidadãos comprometidos com a democracia e a sustentabilidade, manifestamos nossa profunda preocupação com os riscos de um novo ciclo de retrocessos democráticos, sociais, ambientais e climáticos no Brasil. Não podemos aceitar que o negacionismo volte a orientar as decisões do Estado brasileiro . 

Não podemos permitir que a destruição dos nossos patrimônios naturais seja tratada como preço inevitável do desenvolvimento. Não podemos assistir, em silêncio, à ameaça de direitos conquistados com décadas de mobilização, pesquisa, resistência e luta democrática.

DEFENDER O MEIO AMBIENTE É DEFENDER A VIDA, A DEMOCRACIA, O DIREITO DE EXISTIR COM DIGNIDADE. O CLIMA NÃO ESPERA. 

A crise climática está diante de nós: nas chuvas extremas que destroem casas e interrompem vidas; nas secas que comprometem o abastecimento de água, a produção de alimentos e o trabalho de milhares de famílias; nas queimadas que cobrem cidades de fumaça; no calor que adoece. 

Não há desenvolvimento possível em um país que destrói as bases naturais da própria economia. Não há prosperidade duradoura quando a produção compromete a água, o solo, a biodiversidade e o clima dos quais depende. 

NÃO PODEMOS VOLTAR À POLÍTICA DA DESTRUIÇÃO 

A experiência recente do Brasil demonstrou que as escolhas políticas fazem diferença concreta na proteção ambiental. Durante o governo de Jair Bolsonaro, o país enfrentou um período de enfraquecimento da governança ambiental e de aumento do desmatamento na Amazônia. A expressão “passar a boiada”, que ganhou notoriedade em 2020, tornou-se um símbolo do risco de flexibilizar proteções ambientais em momentos de menor atenção pública.

Agora, as declarações de Flávio Bolsonaro sobre a eliminação de entraves ambientais e a possibilidade de fazer “o que quiser” em uma propriedade rural exigem atenção e debate público. A defesa da atividade produtiva não elimina a responsabilidade de respeitar a legislação, proteger os recursos naturais e garantir direitos coletivos. 

PROTEGER AS CONQUISTAS E AVANÇAR 

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE divulgados em outubro mostram que a Amazônia e o Cerrado registraram as menores taxas de desmatamento de suas séries históricas no governo Lula . Na Amazônia, foram 3.335 km² desmatados entre agosto de 2025 e julho de 2026, uma queda de 41,8% em relação ao período anterior. No Cerrado, a redução foi de 23,8%. 

Na Amazônia, o desmatamento acumulado nos quatro anos do governo Lula foi 46% menor do que nos quatro anos do governo Bolsonaro. São resultados também com impacto climático global. Segundo estimativa do físico Shigueo Watanabe Jr., pesquisador do ClimaInfo, a redução do desmatamento na Amazônia durante o atual governo evitou a emissão de aproximadamente 1,2 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa. 

Esses avanços não autorizam acomodação. Ao contrário: precisam ser consolidados e ampliados, com prevenção e combate aos incêndios, responsabilização por crimes ambientais, recuperação de áreas degradadas, proteção dos territórios e incentivo e valorização de quem produz de maneira sustentável. O Brasil tem condições de conciliar produção, geração de empregos, inovação, inclusão social e conservação da natureza. Tem ciência, tecnologia, biodiversidade, recursos naturais e capacidade de liderar a transição para uma economia de baixo carbono. 

Mas esse caminho exige políticas consistentes, instituições fortalecidas e compromissos que resistam às disputas eleitorais. Os compromissos climáticos assumidos pelo país no âmbito do Acordo de Paris precisam sair do papel e orientar as decisões de governo. A liderança internacional conquistada pelo Brasil deve se traduzir em resultados concretos para a população brasileira e para o planeta. O país que abriga a maior parte da floresta amazônica não pode abrir mão de sua responsabilidade histórica. 

Não existe soberania sobre um território cuja natureza é destruída , onde milicianos avançam e cuja população é condenada à vulnerabilidade. 

NOSSA RESPONSABILIDADE É COM AS GERAÇÕES PRESENTES E FUTURAS 

Niterói conhece a importância de planejar o futuro, proteger seus ecossistemas e preparar as cidades para os desafios climáticos. Essa responsabilidade não termina nas fronteiras municipais: ela se conecta à defesa da Mata Atlântica, da Amazônia, do Cerrado, dos oceanos e de todos os territórios que sustentam a vida no Brasil. 

É a partir desse compromisso que fazemos um chamado à sociedade brasileira. Não podemos tratar como normal a destruição ambiental. Não podemos aceitar o retrocesso como destino. Não podemos permitir que a intolerância, o autoritarismo e o negacionismo comprometam conquistas democráticas e políticas públicas essenciais à proteção da vida. 

O que está em disputa é a possibilidade de construir um Brasil democrático, socialmente justo, ambientalmente responsável e preparado para enfrentar a crise climática. 

Diante do segundo turno das eleições presidenciais, em 25 de outubro, defendemos a importância de seguirmos com as políticas de proteção ambiental, enfrentamento das mudanças climáticas e o fortalecimento da democracia. Nesse contexto, é FUNDAMENTAL a mobilização de toda sociedade brasileira, dos independentes, conservadores lúcidos e da direita democrática , em apoio a chapa Lula Presidente Geraldo Alckmin Vice Presidente para garantir a preservação dos avanços socioambientais e o enfrentamento dos riscos de retrocesso representado pela candidatura de Flávio Bolsonaro. 

Este é um chamado à ação, à consciência e à responsabilidade histórica. Pela democracia. Pela justiça social. Pelo clima. Pela floresta. Pelas cidades. Pelos povos e comunidades que protegem nossos territórios. Pelas crianças de hoje e pelas gerações que ainda virão. 

O Brasil não pode retroceder e a vida não pode esperar. O futuro precisa ser defendido agora. No próximo dia 25 é 13! 

Niterói, 21 de outubro de 2026.



segunda-feira, 19 de outubro de 2026

DIREITA VENCE ONDE HÁ MAIS DESMATAMENTO. COINCIDÊNCIA? SÓ A ELEIÇÃO DE LULA EVITA O RETROCESSO.

Foto: Ricardo Stuckert/Lula oficial

NÃO PODEMOS ADMITIR RETROCESSOS DEMOCRÁTICOS, SOCIAIS, AMBIENTAIS E NA POLÍTICA CLIMÁTICA. É PRECISO DERROTAR A EXTREMA DIREITA!

Não há dúvidas sobre o risco que estamos correndo: poderemos voltar a sofrer as consequências de um governo negacionista e predatório, que causará graves retrocessos ambientais e civilizatórios.

Leia a matéria do G1 abaixo, onde o candidato da extrema direita afaga os grileiros e desmatadores da Amazônia. Acesse aqui para assistir ao vídeo.

Assim como o seu pai, Flávio Bolsonaro nunca escondeu as suas CONVICÇÕES ECOCIDAS. Mais uma vez, declarou de forma explícita as suas intenções de "passar a boiada" e estimular o avanço da destruição da Amazônia. Em evento de campanha, em Marabá (PA), município que faz parte do chamado "Arco do Desmatamento" (região de maior ocorrência de desmatamento e queimadas na Amazônia), prometeu acabar com o que chama de 'entraves ambientais' e disse que o produtor poderá fazer 'o que quiser' em sua terra:

"Eu vou fazer a maior regularização fundiária que o Pará já viu. A sua terra vai ser sua no papel. Vamos respeitar a propriedade privada. Você vai poder plantar, criar gado, vai fazer o que quiser na sua terra e o que você explorar da terra é seu".

Disse ainda que as medidas de proteção florestal existem "principalmente por causa de razões ideológicas". 

A fala soa como música aos ouvidos de latifundiários e grileiros, grandes responsáveis pelo desmatamento da região. Com esse discurso, o candidato estimula a criminalidade ambiental e cria a expectativa de um "liberou geral", de um salvo conduto para o avanço do crime. 

Importante lembrar que o Pará lidera o desmatamento e as queimadas na Amazônia, embora a taxa de desmatamento no estado também tenha se reduzido em função dos programas de controle desenvolvidos pelas autoridades ambientais.

BIODIVERSIDADE

A lógica da destruição da floresta é a mais antiga prova de ignorância e de desperdício de oportunidade. Representa a reprodução dos erros repetidos por séculos, com as consequências que todos conhecemos. 

Sou engenheiro florestal e já trabalhei com inventários de biodiversidade e projetos de restauração florestal na Amazônia. O Brasil é o país mais biodiverso do mundo e um hectare de Floresta Amazônica pode abrigar entre 200 e 300 espécies de árvores e até 500 espécies, caso considerem-se também arbustos, espécies de menor porte e herbáceas. Essa é uma riqueza que pode sustentar uma economia potente, com dezenas de cadeias produtivas que podem gerar muitas oportunidades para o presente e para o futuro. 

Quantos medicamentos e outros produtos que hoje são consumidos no mundo todo surgiram de estudos sobre a biodiversidade? Quantas alternativas de produção ou de aproveitamento econômico da floresta em pé existem em substituição à mera queima da cobertura florestal? Como pode uma candidatura falar em prosperidade e destruir as bases naturais da sua economia?

Cada hectare desmatado, que transforma a rica floresta em monocultura ou normalmente em pasto, pode representar a perda de um tesouro em biodiversidade e até mesmo a perda de espécies antes que sejam conhecidas. Mas, para políticos irresponsáveis, de formação tacanha e referenciados no atraso e não no futuro, proteger a floresta e a biodiversidade é "apenas ideologia". Aliás, como se isso fosse pouco! Enfrentar o ecocídio é uma responsabilidade ideológica, ética e moral, sim!

ENFRENTANDO O DESMATAMENTO

Há poucos dias, soubemos aliviados que o Brasil atingiu o recorde de redução de desmatamento na Amazônia e no Cerrado. O desmatamento da Amazônia foi de 3.335 km2 entre agosto de 2025 e julho de 2026, uma redução de 41,8% em relação ao período anterior. No Cerrado, a queda foi de 23,8%. O desmatamento diminuiu também no Pará. Em quatro anos, o governo Lula entregou a redução de 71% do desmatamento na Amazônia e de 48% no Cerrado. Os números representam a menor taxa de perda de florestas da série histórica, iniciada em 1988. O programa desenvolvido pelo Governo Lula é considerado o maior programa de redução de desmatamento já desenvolvido no mundo e os seus resultados já são considerados uma referência global.

Trata-se de uma grande conquista que mostra que o compromisso assumido pelo Governo Lula de zerar o desmatamento até 2030 é exequível. A meta foi apresentada na NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada, sigla em inglês) apresentada pelo Brasil perante o Acordo de Paris. Basta compromisso e vontade política que chegaremos lá.

Também na agenda climática, as conquistas são animadoras. Relatório recentemente publicado pelo Observatório do Clima, mostra que as emissões de gases de efeito estufa do Brasil caíram 6% em 2025 e chegaram ao menor nível em oito anos. O país lançou na atmosfera 2,06 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente, medida que reúne os diferentes gases responsáveis pelo aquecimento global. Em 2024, esse volume havia sido de 2,19 bilhões de toneladas. Os números fazem parte da 14ª edição do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa) e mostram que a redução foi puxada principalmente pela queda do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. 

No governo Bolsonaro, as emissões chegaram a 2,716 bilhões de toneladas e o recorde de emissões mais baixas foi de 1,789 bilhões de toneladas e aconteceu em 2009, no Governo Lula, quando o ministro do Meio Ambiente era Carlos Minc. 

No entanto, a notícia chega quando estamos enfrentando as consequências do super El Niño. Dados oficiais do portal AdataBrasil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - MCTI, mostram que 1699 municípios brasileiros (30%) vivem situação de escassez e de risco de abastecimento de água. Municípios que correspondem cerca de 10% do território do país já estão formalmente na condição de Alerta de Seca. A Amazônia, outrora a terra das águas, está entre as regiões mais afetadas (saiba mais aqui). A seca aumenta a vulnerabilidade aos incêndios florestais e à ação criminosa contra a floresta. Diante disso, vemos cidades amazônicas envoltas em fumaça e equipes do governo federal e dos estados enfrentando um grande número de queimadas nas proximidades. Segundo o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, os incêndios na vegetação podem ter origem criminosa. A ação estaria sendo orquestrada por inimigos da Amazônia, que provocam intencionalmente os incêndios, incentivados pela expectativa de impunidade que viria com a eleição da extrema direita.

EXTREMA DIREITA = MAIS DESMATAMENTO

No "Arco do Desmatamento", crimes ambientais mantém uma economia excludente, imediatista, insustentável e predatória, baseada na eliminação da floresta e no uso perdulário dos recursos naturais. 

Motivados pela conjuntura fora-da-lei, eleitores da região votam sistematicamente em candidatos alinhados com o ideário bolsonarista, contrário ao meio ambiente, e que ignora o potencial das florestas e da biodiversidade para o futuro da região. Com isso, hoje, temos um contingente de políticos na região que respaldam a grilagem e que insuflam a população contra a legislação e os órgãos ambientais. Quem mais sofre as consequências são as populações tradicionais e os povos indígenas. Quem perde é cada um dos brasileiros das atuais e futuras gerações!

A correlação entre desmatamento e políticos de direita é comprovada por números. Dos 70 municípios monitorados pelo Ministério do Meio Ambiente devido ao desmatamento (Municípios Prioritários, de acordo com a Portaria GM/MMA Nº 834, de 9 de novembro de 2023), 68 tiveram prefeitos de direita eleitos no pleito de 2024. 

Segundo O Globo, Flávio Bolsonaro no pleito de 2026 e Jair Bolsonaro em 2022, obtiveram suas maiores votações proporcionais justamente em municípios-símbolo da fronteira agropecuária e do desmate, a exemplo de Novo Progresso (PA) e São Félix do Xingu (PA). Veja os números referentes ao primeiro turno de 2026:

O Globo mostra ainda que "apesar do baixo desempenho especificamente em locais marcados pela alta atividade exploratória da floresta e fiscalização insuficiente, Lula obteve mais votos que Flávio na maioria dos municípios da Amazônia Legal: o presidente venceu em 425 cidades, contra 351 do candidato do PL". Apesar dos inimigos da floresta, Lula venceu no primeiro turno no Pará com 49,91% dos votos no estado, contra 44,5% do candidato da extrema direita.

CLIMA

O Brasil é um dos países mais vulneráveis às mudanças climáticas e as consequências estão acontecendo agora com desastres climáticos em todas as regiões do país. Estamos enfrentando, de forma recorrente e cada vez mais intensa, chuvas extremas e secas severas em todas as regiões do país. A ciência tem comprovado e procura alertar a população que grande parte dos problemas decorrentes das mudanças climáticas no país (chuva demais e chuva de menos) tem ligação com a Amazônia e os seus problemas de desmatamento. Até mesmo, no Rio Grande do Sul, que tem sido assolado por chuvas intensas, tem os seus problemas relacionados com o fenômeno dos rios voadores, que traz umidade da Amazônia para outras regiões da América do Sul. 

A ciência tem alertado também que o desmatamento da Amazônia está levando o bioma perigosamente à situação chamada pelos pesquisadores de "Ponto de Não-Retorno", a partir do qual o ecossistema não suporta mais as condições vigentes e se degrada ou passa pelo processo conhecido como "savanização". Com isso, a floresta diminuirá a sua capacidade de emitir umidade para a atmosfera, com sérias consequências para áreas atuais de produção de alimentos e de mananciais de abastecimento de água para as cidades. 

Em entrevista recente, ao ser perguntado sobre as mudanças climáticas, Flávio disse que era apenas um problema cíclico e que "resolveria o problema com investimentos em saneamento". Comprovou o seu negacionismo e que não entende nada de mudanças climáticas e nem de saneamento. Caso eleito, Bolsonaro formará uma aliança devastadora com seus correligionários, avançando na política de desmonte da legislação e inviabilizando o trabalho dos órgãos ambientais. 

Caso tenhamos mais um Bolsonaro na presidência, assim como já vimos acontecer antes, o Brasil recuará na política climática e abandonaremos o papel de liderança no cenário climático global, reconquistada com grande esforço. Esse protagonismo foi consolidado com a recente realização da COP30, em Belém, quando assumimos a presidência global sobre o tema, que exerceremos até a realização da COP31, que acontecerá nas próximas semanas. Sabemos que as maiores vítimas desse recuo será a população mais vulnerável nas cidades, mas também a produtividade do próprio agro, cujos segmentos mais retrógrados estão entre os principais apoiadores dos desvarios do extremismo bolsonarista. 

O QUE ESTÁ EM JOGO

Jair Bolsonaro, então presidente do Brasil, bate continência para a bandeira americana em evento em Dallas, no Texas. Foto do Google.

Estamos diante de duas opções diametralmente opostas no segundo turno da eleição. DE UM LADO, a continuidade do governo Lula, que mesmo com as suas contradições, mostra compromissos com a causa socioambiental nos seus atos, suas entregas e sua liderança global em temas da sustentabilidade e clima. No atual pleito, Lula tem o apoio amplamente majoritário das principais lideranças ambientais, dos movimentos populares e iniciativas sociais, das organizações acadêmicas, das artes e da intelectualidade em geral. DO OUTRO LADO, há uma opção pela extrema direita, alinhada ao negacionismo trumpista, com a sua prática de sabotagem ao multilateralismo, à agenda da sustentabilidade e das mudanças climáticas. Uma candidatura que não esconde a sua atitude entreguista com relação aos nossos recursos naturais e que coloca em risco a nossa soberania. Um grupo político que já tentou um golpe contra a democracia e que ostenta uma prática política autoritária, que causará grande dificuldade na defesa das teses ambientais na próxima legislatura federal, uma vez que teremos um congresso amplamente reativo e hostil à causa da sustentabilidade. 

O único caminho para literalmente evitar a "terra arrasada" será o voto em Lula (13), no segundo turno das eleições que acontecerá no dia 25 de outubro. Diante de um Congresso que acaba de ser eleito ainda mais hostil ao meio ambiente, vemos tempos difíceis pela frente, mas sem Lula na presidência, o Brasil "descerá a ladeira sem freios", com graves consequências para as atuais e futuras gerações.

Reflita sobre isso e vamos trabalhar para evitar o pior!

Axel Grael
Engenheiro florestal e ambientalista
Prefeito de Niterói (2021-2024)
Doutorando em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU-UFF), com pesquisa sobre "cidades e mudanças climáticas"


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Flávio promete acabar com 'entraves ambientais' e diz que produtor poderá fazer 'o que quiser' em sua terra no Pará

Flávio Bolsonaro (PL) participa de motocarreata com Daniel Santos em Marabá, no Pará. — Foto: Dione Freires/TV Liberal

Candidato do PL à Presidência da República cumpriu agenda de campanha com apoiadores em uma motocarreata em Marabá, no sudeste do Pará, nesta segunda-feira, 19.

Por Taymã Carneiro, g1 Pará — Belém

O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, disse nesta segunda-feira (19) que pretende realizar um programa de regularização fundiária no Pará e eliminar o que classificou como "entraves ambientais por razões ideológicas", assegurando que os produtores rurais teriam autonomia sobre propriedades.

"Eu vou fazer a maior regularização fundiária que o Pará já viu. A sua terra vai ser sua no papel. Vamos respeitar a propriedade privada. Você vai poder plantar, criar gado, vai fazer o que quiser na sua terra e o que você explorar da terra é seu. Esses entraves que existem ambientais por causa de razões ideológicas a gente vai acabar", afirmou.

O candidato não explicou detalhes das medidas, caso eleito, mas sugeriu flexibilização de regras ambientais e fundiárias no estado que tem forte presença de terras indígenas, unidades de conservação, áreas federais e marcadas por conflitos fundiários.

Flávio Bolsonaro participou de uma motocarreata com apoiadores na cidade de Marabá, no sudeste paraense, incluindo o governador eleito em 1º turno Dr Daniel (Podemos) e o prefeito da cidade Toni Cunha (PL).

O candidato desembarcou no aeroporto da cidade por volta de 10h20 e seguiu em cortejo pelas ruas do município.

O ato político em Marabá reuniu apoiadores por ruas da cidade e em uma ponte, onde candidato discursou sobre as demandas locais de trabalho e infraestrutura.

O candidato também discursou sobre segurança pública e o combate à criminalidade, defendendo o aumento do tempo de prisão para roubos e a aplicação de castração química.

"Eu vou devolver a soberania sobre o seu celular. Eu vou devolver a sua soberania sobre a sua bolsa, sobre a sua moto, sobre o seu carro, sobre a sua propriedade. Eu vou resgatar cada metro, eu vou resgatar cada rua, cada bairro, cada cidade, cada território que esses vagabundos tomaram do povo brasileiro e vou devolver pro povo brasileiro", disse.

O embarque para deixar a cidade ocorreu por volta de 12h40. A próxima agenda do candidato foi prevista para 20h, em Manaus (AM).

Fonte: G1



domingo, 18 de outubro de 2026

Queda no desmatamento é conquista histórica para o Brasil

 


Números mostram que zerar e reverter a perda da Floresta Amazônica até 2030 é possível e só depende de governo e sociedade quererem chegar lá.

Números divulgados ontem (16/10) permitem dizer com orgulho: nunca na história deste país o desmatamento na Amazônia e no Cerrado foi tão baixo. Ou, mais precisamente, nunca na história do sistema PRODES, do INPE, de monitoramento do território brasileiro.

Os números não caíram do céu ou ocorreram por milagre. São o resultado do tremendo esforço do governo Lula, com Marina Silva como ministra do Meio Ambiente, não apenas em reverter a destruição da gestão de Jair Bolsonaro, mas também em cumprir a meta de zerar o desmatamento no país até 2030. Um trabalho que pode virar cinzas — literalmente —, dependendo do resultado do segundo turno das eleições presidenciais, no dia 25 de outubro.

Vamos aos números. A Amazônia registrou entre agosto de 2025 e julho de 2026 um recorde histórico de queda no desmate: 3.335 km², o menor valor desde que as medições por satélite tiveram início, em 1988. O número é 42% menor do que o do ano passado (5.731 km²) e representa uma queda de 71%, considerando os últimos quatro anos.

A redução do desmatamento na Amazônia durante todo o governo Lula (ou seja, a partir de janeiro de 2023) evitou a emissão de cerca de 1,2 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa, estima o físico Shigueo Watanabe Jr., pesquisador do ClimaInfo. É um volume comparável às emissões totais da França acumuladas entre 2023 e 2025, que totalizaram cerca de 1,1 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente, segundo dados do inventário nacional francês.

No Cerrado, bioma mais rapidamente devastado no Brasil, a área desmatada também foi a menor da história, 5.516 km². É uma queda de 23,7% em relação ao ano passado (7.235 km²) e de 48,4% nos últimos quatro anos.

Os dados do INPE representam uma vitória da sociedade brasileira e são motivo de celebração. E também passam três recados claros, destaca o Observatório do Clima.

O primeiro é que zerar o desmatamento é possível. A atual administração assumiu após quatro anos da política antiambiental deliberada do governo de Jair Bolsonaro, que provocou a maior alta do desmate em um mandato presidencial desde o início da série histórica — 60% de aumento em relação ao período anterior — e devolveu a devastação ao menor patamar já registrado em quase quatro décadas. Nos quatro anos do atual governo Lula, a Amazônia perdeu 24.648 km², 46% a menos do que o total desmatado no governo Bolsonaro, de 45.586 km².

O segundo é que é preciso vontade política para que isso aconteça. Os números divulgados ontem são fruto de uma determinação clara e sustentada de proteção ambiental implementada pelo governo, que envolveu um conjunto de políticas públicas de combate aos crimes ambientais, estruturado sob a liderança de Marina Silva. Ações do IBAMA, como os embargos coletivos de áreas desmatadas e os embargos remotos por satélite, bem como a ampliação de instrumentos de financiamento, como o Fundo Amazônia e programas de apoio a municípios, foram fundamentais para os resultados.

O terceiro é que controlar o desmatamento é uma boa notícia não só para o meio ambiente. É bom para o clima, como mostrado acima, pois o controle da destruição da floresta evita a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera. E é bom para o agronegócio, cujo PIB para 2026 é estimado em R$ 3,13 trilhões — uma alta de 17,67% em relação ao de 2022, último ano do governo de Jair Bolsonaro.

“Esses números são uma conquista histórica. Eles colocam o Brasil como protagonista na agenda de proteção das florestas e mostram ao mundo que, com vontade política, é possível frear as motosserras e as emissões de gases de efeito estufa”, reforça Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.

Fonte: ClimaInfo


sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Com impacto do El Niño chegando, 10% da área do Brasil já está em alerta para seca

Mapa da situação atual de seca no Brasil, com estiagem destacada nas áreas amarelas, segundo o Cemaden — Foto: O GLOBO/Cemaden

Estiagem na Amazônia e no Nordeste é primeiro sinal claro de influência do aquecimento das águas do Pacífico no país, que deve ter aumento de chuvas no Sul

Por Rafael Garcia

A estiagem na Amazônia é primeiro sinal claro de influência do El Niño de 2026 no Brasil, país que já tem 158 cidades em status de alerta para seca em setembro, afirma o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Os municípios nessa condição correspondem a quase 10% (9,8%) da área do país.

Segundo técnicos da instituição, a região mais afetada de imediato é a calha Norte do rio Amazonas, principalmente a bacia do Rio Negro. Na região Nordeste, há preocupação concentrada na faixa de sertão do norte da Bahia até Pernambuco, passando por Alagoas e Sergipe. No Pantanal não há ainda municípios em alerta, mas o nível de vazão dos rios na bacia do Rio Paraguai também preocupa.

Segundo a meteorologista Adriana Cuartas, pesquisadora do Cemaden, o problema que a Amazônia está vendo agora é, em parte, uma herança do el Niño de 2023 e 2024, possivelmente agravado também pela mudança climática global.

— Infelizmente, as chuvas que têm acontecido até agora ali não foram suficientes para recuperar totalmente essas bacias — disse a cientista em apresentação para jornalistas. — Então, a sensação é que elas permanecem em algum déficit hídrico e não estão se recuperando. Essa que é a questão.

A região Centro-Oeste também enfrenta neste momento um nível mais moderado de estiagem, algo comum dentro da sazonalidade, sem que possa ser diretamente atribuída ao El Niño. Segundo o Cemaden, os dias mais chuvosos no Sul e no Sudeste, que coincidem com a passagem de uma frente fria, também são um padrão normal para a faixa do Rio de Janeiro ao Rio Grande do Sul, e não necessariamente reflexo do fenômeno no Pacífico.

Na apresentação, Gilvan Sampaio, cientista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), falou sobre como o El Niño se tornou um elemento meteorológico que ganhou espaço na cultura popular, mas disse que nem tudo o que ocorre no clima quando o fenômeno está ativo se deve a ele.

— A frente de rajada de ventos que chegou recentemente a São Paulo e Rio de Janeiro não foi trazida El Niño, e está chovendo há duas semanas aqui em São Paulo, mas também não é culpa do El Niño — diz o pesquisador.

Fonte: Cemaden • (Índice integrado de seca para o último mês)

Os eventos extremos de chuva, que preocupam sobretudo na região Sul, pode estar relacionados com o fenômeno em alguns anos, como ocorreu com as enchentes históricas em cidades gaúchas em 2024. Eles são porém, mais difíceis de prever do que o impacto da seca.

— O excesso de chuva tem uma escalas de tempo diferente. A falta de chuva vai se acumulando aos poucos, e os problemas acontecem depois de semanas, meses, ou às vezes mais de ano — explica Giovanni Dolif, do Cemaden. — Já excesso de chuva é mais repentino. Uma chuva rápida, de poucas horas, pode causar um grande desastre.

Os pesquisadores ressaltam, também, que a natureza mais dinâmica dos eventos ligados ao excesso de água na atmosfera também tem a localização mais difícil de determinar.

— Cada El Niño ocorre de uma forma. Um dos El Niños mais fortes do século passado, o de 1982/1983, por exemplo, afetou mais Santa Catarina, já o de 2023/2024 teve três episódios intensos de chuva, todas no Rio Grande do Sul — diz Sampaio.

Se a demora para saber o tamanho do impacto do El Niño atual tem causado ansiedade no Sudeste e no Sul, porém, no Norte e Nordeste ela já está palpável, dizem os pesquisadores.

A situação de estiagem tomou um grau mais preocupante sobretudo para a agricultura de pequena escala, que sofre com as condições na região Norte. Focos de incêndio florestal também aumentaram, com Manaus amanhecendo sob fumaça pela terceira vez em dez dias.

Em termos de número de municípios afetado no último mês, os cinco estados com índice de seca "severo" medidos pelo Cemaden foram Bahia (101), Sergipe (43), Alagoas (42), Amazonas (15) e Roraima (13). Todas as cidades com índice de seca "extrema" são baianas: Anguera, Lamarão, Santa Bárbara e Tanquinho, no norte do estado.

A análise do impacto do El Niño no Norte e Nordeste traz um resultado diferente, porém, quando o tema é risco de fogo, afirmam os dados do Cemaden. Como os incêndios florestais também têm como variáveis importantes o vento e o calor, além da seca, nem sempre ele está onde a estiagem é pior.

Os alertas de risco de incêncio agora no Brasil estão concentrados na região do Matopiba, área de divisa entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, área de transição entre Cerrado e Amazônia. Em dois dias, essa frente de risco se desloca para o oeste de Goiás e no pantanal mato grossense, que preocupa por causa da baixa vazão dos rios agora.

Assim como no caso das chuvas, as ondas de calor são mais difíceis de prever em longa escala, por isso o Cemaden oferece uma previsão de apenas dez dias de antecedência em seu painel de risco de fogo.

Ansiedade climática

Se as consequências do El Niño de 2026 estão demorando a aparecer, meteorologistas afirmam estar convictos de que elas virão, porque existe um intervalo entre o registro do aquecimento das águas do Pacífico, que caracterizam o fenômeno em si, e a influência que elas exercem na América do Sul.

"As anomalias da temperatura da superfície do mar já ultrapassaram os 3°C no Pacífico Equatorial Leste. Esse aumento, juntamente com os outros índices de medição, indicam uma intensificação constante do El Niño até o final de 2026", diz o último boletim do Instituto Nacional de Meteorologia sobre o fenômeno. "Além disso, a probabilidade, no Hemisfério Sul, de um evento muito forte durante a primavera e o verão de 2026–2027, supera os 90%, enquanto há probabilidade de 75% de ser o evento mais forte registrado desde 1950, durante o trimestre outubro–novembro-dezembro de 2026."

O diretor do Departamento de Clima e Sustentabilidade do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Osvaldo Moraes, afirma que, apesar de o país requerer cautela e preparação, há um grau de incerteza razoável ainda sobre os impactos.

— Quando nós ouvimos falar em "Super El Niño", imediatamente as pessoas já fazem a conexão com "super impactos", mas isso não é bem assim — afirma. — Não existe uma correlação tão direta entre um super evento extremo e um super impacto, porque o impacto não depende só da intensidade da ameaça, mas também da magnitude das vulnerabilidades.

O Cemaden, um centro técnico criado em 2011, foi concebido em grande medida com objetivo de mapear o status dessa segunda variável da equação climática. Segundo os pesquisadores da unidade, o atual El Niño é um momento em que o valor desse tipo de trabalho, realizado com apoio de outros núcleos de pesquisa, deve se provar.

Fonte: O Globo 





5º leilão do Eco Invest Brasil tem R$ 49,95 bilhões homologados para seis setores produtivos

Iniciativa é voltada ao fortalecimento da inovação tecnológica e ao desenvolvimento de cadeias estratégicas para a competitividade brasileira. - Foto: Yasin Hemmati

Bradesco, HSBC, Itaú e Santander foram selecionados para estruturar fundos e operações de crédito nas áreas contempladas

Os ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e da Fazenda homologaram, nesta quarta-feira (7/10), o resultado do 5º leilão do Programa Eco Invest Brasil. A iniciativa é voltada ao fortalecimento da inovação tecnológica e ao desenvolvimento de cadeias estratégicas para a competitividade brasileira.

Foram apresentadas 23 propostas por seis instituições financeiras, totalizando uma demanda de R$ 181,3 bilhões para fundos de inovação e crédito corporativo. Desse total, R$ 49,95 bilhões foram homologados e serão destinados a investimentos em seis cadeias produtivas estratégicas ligadas à inovação e à transformação ecológica, por meio de fundos, crédito corporativo e recursos não reembolsáveis.
 
Nesta rodada, o leilão combinou três instrumentos financeiros: Fundos de Inovação Eco Invest, Instrumentos de Crédito Corporativo e Fomento à Pesquisa e ao Empreendedorismo de Base Tecnológica. As instituições financeiras disputaram cada cadeia estratégica conforme sua capacidade de mobilizar capital privado.

A alavancagem global foi de aproximadamente 3,8 vezes, considerando a soma dos recursos públicos e privados em relação ao capital catalítico. Ou seja, para cada R$ 1 aportado pelo Tesouro Nacional, serão mobilizados cerca de R$ 3,80 em investimentos privado.

Participaram da disputa Bradesco, Citibank, HSBC, Itaú, Santander e Banco do Brasil. Ao final do processo, Bradesco, HSBC, Itaú e Santander foram selecionados para estruturar fundos e operações nas seis cadeias estratégicas.

As instituições financeiras selecionadas serão responsáveis pela constituição dos fundos e pela oferta de crédito corporativo às empresas aptas a ampliar sua produção. Como contrapartida, também deverão destinar recursos não reembolsáveis à pesquisa aplicada e ao empreendedorismo de base tecnológica.

Como parte das contrapartidas, as propostas homologadas preveem aproximadamente R$ 249,8 milhões em recursos não reembolsáveis no primeiro ano para ações de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e empreendedorismo de base tecnológica. As propostas também preveem destinação de 10,25% a 20% dos investimentos dos Fundos de Inovação a projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) em cooperação com universidades e Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs).

Recursos priorizam seis cadeias estratégicas

Nesta edição, o Programa Eco Invest Brasil contemplou seis cadeias produtivas ligadas à inovação e à transformação ecológica:
  • Circularidade de resíduos minerais e industriais para insumos;
  • Automação e inteligência artificial (IA) aplicada a processos produtivos e tecnológicos;
  • Fertilizantes verdes, bioinsumos e proteínas alternativas;
  • Biomateriais e química verde;
  • Beneficiamento de minerais críticos, baterias e mobilidade elétrica;
  • Combustíveis verdes avançados, biogás e biometano.
O principal destaque foi a cadeia de circularidade de resíduos minerais e industriais, que concentrou o maior volume homologado, com R$ 11 bilhões, o equivalente a cerca de 22% do total dos investimentos.

O Bradesco foi selecionado para estruturar os fundos da cadeia de circularidade de resíduos minerais e industriais, além das áreas de fertilizantes verdes, bioinsumos e proteínas alternativas, com R$ 9 bilhões, e de biomateriais e química verde, com R$8,5 bilhões.

O Itaú ficou responsável pela cadeia de automação e inteligência artificial aplicada a processos produtivos e tecnológicos, com R$ 9,75 bilhões em investimentos. O Santander venceu a cadeia de beneficiamento de minerais críticos, baterias e mobilidade elétrica, com R$ 6,5 bilhões, enquanto o HSBC foi selecionado para combustíveis verdes avançados, biogás e biometano, com R$ 5,2 bilhões.

Entre as atividades priorizadas pelos bancos, destacam-se reciclagem e valorização de resíduos (R$ 8,8 bilhões), automação, robótica e manufatura inteligente (R$ 8,11 bilhões), biofertilizantes, bioinsumos e biodefensivos (R$ 7,2 bilhões) e baterias e sistemas de armazenamento de energia (R$ 4,55 bilhões).

Dos recursos públicos de capital catalítico, R$ 9 bilhões serão destinados aos fundos de inovação e R$ 4,2 bilhões às operações de crédito corporativo. Os critérios do leilão também favoreceram propostas com maior participação de capital estrangeiro e maior proporção de investimentos em projetos desenvolvidos em parceria com universidades e ICTs, bem como iniciativas voltadas à aquisição e à internalização de tecnologias de empresas internacionais de base tecnológica.

Programa Eco Invest Brasil

O Programa Eco Invest Brasil integra o Plano de Transformação Ecológica, e tem como objetivo mobilizar capital privado nacional e internacional para projetos com impacto econômico, social e ambiental.

A iniciativa combina instrumentos financeiros inovadores, mecanismos de redução de riscos e atração de investimentos de longo prazo para acelerar a transição ecológica brasileira.

Com os cinco leilões realizados, o Programa Eco Invest Brasil já mobilizou mais de R$ 190 bilhões e reúne 13 instituições financeiras credenciadas.

Os documentos e demais informações referentes ao 5º leilão estão disponíveis no site do Programa Eco Invest Brasil.

Fonte: MMA