domingo, 1 de fevereiro de 2026

MMA realiza reunião sobre perspectivas climáticas para 2026 e risco de incêndios no país

Dados apoiarão o planejamento e a execução de ações de prevenção e combate aos incêndios pelo MMA e suas unidades vinculadas. - Foto: Rogério Cassimiro/MMA

Encontro marcou a primeira etapa do trabalho de prevenção e combate aos incêndios em 2026; dados apresentados serão utilizados para basear a atuação da pasta

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) promoveu, na quinta-feira (29/01), a primeira reunião com meteorologistas e órgãos ambientais federais para debater as perspectivas climáticas para 2026 e o risco de incêndios florestais em todos os biomas do país. O encontro, que reuniu mais de 120 técnicos e autoridades públicas, marcou a primeira etapa dos trabalhos de prevenção aos incêndios florestais conduzidos pelo Governo do Brasil este ano.

Os indicadores apresentados subsidiarão a atuação do ministério e suas unidades vinculadas no planejamento e implementação de ações de prevenção e combate aos incêndios, em conjunto com estados, municípios e sociedade civil.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou que os avanços são frutos de uma atuação com foco na prevenção. “Graças a esses esforços contínuos, foi possível reduzir as áreas atingidas por incêndios em 2025 no Brasil, com queda de 32% em relação à média dos últimos dez anos”, afirmou.

Marina Silva enfatizou, ainda, que resultados consistentes dependem de políticas públicas bem desenhadas e de parcerias bem articuladas. “Isso é fruto de um trabalho conjunto e de uma política transversal, que envolve ações de controle, a participação da sociedade e o esforço da ciência, que nos oferece subsídios para atuar de forma mais eficiente”, completou.

Ao destacar as ações do Governo do Brasil no combate aos incêndios florestais, Marina Silva lembrou os avanços alcançados com a implementação da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF). A legislação estabelece diretrizes para disciplinar e aprimorar o uso do fogo, com foco na prevenção e no combate a incêndios florestais, na conservação dos ecossistemas e no respeito às práticas tradicionais, envolvendo todos os entes federativos e setores da sociedade.

A avaliação foi compartilhada pelo secretário-executivo da pasta, João Paulo Capobianco, que ressaltou a atuação conjunta entre os governos federal, estadual e municipal. “Estamos aqui, de fato, realizando uma ação da mais alta relevância. A partir das contribuições e das previsões meteorológicas, podemos obter informações com base na ciência e propor ações integradas de forma eficiente”, enfatizou.

O levantamento apresentado indica um cenário de altas temperaturas em todo o país, com chuvas abaixo da média e temperaturas acima dos níveis históricos, especialmente nas regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste.

As informações também alertaram para um histórico de déficit hídrico, em especial na Amazônia e no Pantanal, que torna a vegetação mais suscetível à ocorrência de incêndios.

Os especialistas apontaram também que o quadro pode ser agravado pela estiagem prolongada e pelo acúmulo de material combustível, o que favorece a ocorrência de incêndios a partir dos meses de março e abril. Embora a situação climática atual seja de neutralidade, há um cenário favorável à ocorrência do fenômeno El Niño nos próximos meses.

As análises serão monitoradas e reavaliadas, e novas reuniões ocorrerão a cada 45 dias para atualização das projeções de risco climático para incêndios florestais, conforme explicou o secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do MMA, André Lima.

“A partir dessas reuniões periódicas, podemos calibrar as projeções ao longo do ano, considerando que, para além de três ou seis meses, é sempre mais difícil construir cenários e identificar perspectivas. Esse processo também nos ajuda a dimensionar os esforços necessários e as ações preparatórias para o enfrentamento dos períodos mais desafiadores”, concluiu o secretário.

Em função das projeções que indicam um quadro mais crítico em 2026 em relação a 2025, está prevista a realização da primeira reunião da Sala de Situação. O encontro deverá ocorrer antes do período de Carnaval, com foco na discussão e articulação de ações preventivas.

O cenário meteorológico e hídrico e os riscos de incêndios nos biomas brasileiros para os próximos meses foram apresentados pelos representantes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ).

Também participaram do encontro a secretaria adjunta V da Secretaria de Articulação e Monitoramento da Casa Civil, Micheline Gomes, o presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho, a procuradora da República, Analúcia Hartmann, a secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso, Mauren Lazzaretti, além de representantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e entre outros órgãos federais e estaduais, pesquisadores e sociedade civil.

Ações de prevenção e combate aos incêndios florestais

Desde 2023, o Governo do Brasil conduz uma série de medidas para prevenir e combater os incêndios florestais. Confira:
  • contratação do maior contingente de brigadistas federais da história, formado por 4385 profissionais – 2600 do Ibama e 1.785 do ICMBio, um aumento de 26% em relação ao ano de 2024.
  • a infraestrutura para 2025 incluiu sete novos helicópteros para uso do Ibama em ações de enfrentamento aos incêndios e desmatamento. A renovação da frota aumenta em 75% a capacidade de transporte de agentes e brigadistas, em 40% a quantidade de horas de voo por ano e em 133% a capacidade de lançamento de água.
  • desde 2023, o Fundo Amazônia aprovou R$ 405 milhões para apoiar os Corpos de Bombeiros dos nove estados da Amazônia Legal na prevenção e combate a incêndios florestais. Destes, já foram contratados 370 milhões. São projetos no valor de R$ 45 milhões cada para Roraima, Amapá, Pará, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso e Tocantins e de aproximadamente R$ 21 milhões e R$ 34 milhões para Acre e Rondônia, respectivamente.
  • pela primeira vez, o Fundo Amazônia apoiará também ações de prevenção e combate a incêndios em estados fora da Amazônia, como no Cerrado e Pantanal. Em julho, foram aprovados R$ 150 milhões para os Corpos de Bombeiros Militares e brigadas florestais de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Piauí e Distrito Federal. O projeto, de autoria do Ministério da Justiça e Segurança Pública, foi apresentado por meio de um trabalho interministerial.
  • sanção da Lei 15.143/2025, que amplia a capacidade de respostas aos incêndios florestais, permite a transferência de recursos diretamente do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) para estados e municípios e garante mais agilidade na contratação de brigadistas, reduzindo o intervalo da sua recontratação para três meses. A lei permite ainda o uso de aeronaves estrangeiras em emergências ambientais.
  • anúncio dos Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas (PPCDs), pela primeira vez, para todos os biomas brasileiros, com estratégias específicas para a preservação ambiental em diferentes eixos até 2027 (acesse aqui);
  • desde janeiro de 2025, o MMA realizou quatro reuniões com especialistas de órgãos públicos e universidades para avaliar a situação climática e previsões futuras, além de seu impacto sobre a ocorrência de grandes incêndios florestais de comportamento extremo;
  • publicação de edital que prevê recursos no valor de R$ 32 milhões do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) em conjunto com o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD) para apoio a municípios prioritários na Amazônia e Pantanal na implementação de Planos Operativos de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (junho de 2025);
  • retomada da Sala de Situação Interministerial sobre Incêndios do Governo do Brasil, integrada por 10 ministérios e outros seis órgãos federais (maio e junho de 2025). O grupo se reúne de forma periódica para monitorar a evolução do quadro climático e sua repercussão sobre o risco de incêndios, bem como para apoios mútuos em ações de prevenção e combate;
  • conclusão dos Planos de Prevenção e Combate a Incêndios dos Biomas Pantanal e Amazônia para a temporada deste ano, elaborado conjuntamente entre o Governo do Brasileiro e os estados que abrigam o bioma (maio de 2025).
  • veiculação de campanha de prevenção e combate aos incêndios florestais criminosos na Amazônia Legal voltada ao Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará e Roraima, estados que mais sofreram com os incêndios no último ano (abril de maio de 2025);
  • publicação de portaria pelo MMA (nº1.327/2025) declarando emergência por risco de incêndios (março de 2025): aponta áreas vulneráveis a incêndios em todo o país e os períodos de maior risco para viabilizar a contratação emergencial de brigadistas federais e a atuação de estados e municípios.
  • Decreto n° 12.189, assinado pelo presidente Lula, que aumenta as punições por incêndios florestais no país.
Fonte: MMA




Governo do Brasil anuncia presidente da COP15 sobre Espécies Migratórias

João Paulo Capobianco é o presidente da COP15 sobre Espécies Migratórias. - Foto: Ricardo Stuckert / PR

Secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, vai liderar o processo; realizada no Pantanal, conferência será promovida pela primeira vez no Brasil

O Governo do Brasil anuncia, nesta sexta-feira (23/1), o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco, como presidente da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS, na sigla em inglês).

A próxima edição da conferência acontecerá em Campo Grande (MS) de 23 a 29 de março de 2026. O evento reunirá governos, cientistas, povos indígenas e comunidades tradicionais e sociedade civil de todo o mundo para enfrentar os desafios urgentes de conservação que acometem milhares de espécies de animais silvestres que cruzam fronteiras internacionais terrestres, marinhas e aéreas. Esta será a primeira vez que o Brasil sediará a reunião – a última promovida na América Latina ocorreu em 2014, no Equador.

O presidente da COP15 será responsável por articular as negociações entre os países para impulsionar a conectividade ecológica e a conservação de ecossistemas. Nesse contexto, a escolha de Mato Grosso do Sul, estado que abriga três quartos do bioma Pantanal, é considerada estratégica, uma vez que é um dos principais eixos de rotas migratórias das Américas.

Segundo João Paulo Capobianco, “as espécies migratórias de animais silvestres desempenham um papel fundamental na conservação da biodiversidade, gerando benefícios ambientais e econômicos, como o fortalecimento do turismo sustentável e do setor de serviços". “Sediar a COP 15 da Convenção sobre Espécies Migratórias significa uma grande responsabilidade para o Brasil e reforça a liderança do país na agenda ambiental global, com impactos positivos para todos os biomas brasileiros e para o sistema costeiro-marinho", complementou.

“Agradeço ao presidente Lula por acolher a indicação do MMA à nomeação de João Paulo Capobianco como presidente da COP15”, pontuou a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva. “Capobianco é amplamente reconhecido por sua atuação de longa data pela conservação do meio ambiente e possui consistente experiência na gestão pública: ocupou a presidência do ICMBio e está à frente, pela segunda vez, da secretaria-executiva do MMA, onde foi também secretário nacional de Biodiversidade e Florestas. Ao ocupar o cargo, participou da coordenação da COP8 sobre Diversidade Biológica presidida pelo Brasil, ocorrida em Curitiba no ano de 2006.”

Parte da CMS desde 2015, o Brasil é o país mais biodiverso do mundo. Inúmeras espécies de animais migratórios dependem de seus habitats para sobreviver, o que inclui reprodução, alimentação e locais de parada em seus trajetos. Os seis biomas brasileiros abrigam biodiversidade extraordinária, que incluem animais migratórios como a onça-pintada, o morcego-de-cauda-livre-mexicano e o falcão-peregrino.

Além disso, o Brasil apresenta notável diversidade de espécies migratórias, incluindo tubarões, arraias, peixes migratórios de água doce, tartarugas, inúmeras famílias de espécies de pássaros, morcegos, bem como pequenos cetáceos, baleias e outros mamíferos marinhos.

Até a abertura da COP15, a presidência formal da COP permanece sob a responsabilidade do Uzbequistão, onde ocorreu a 14ª edição da conferência em fevereiro de 2024. Mas caberá desde já ao Brasil, como presidência designada, liderar os esforços para o êxito das negociações, promovendo o diálogo entre países e demais partes interessadas.

Biografia

Biólogo e ambientalista, Capobianco é especialista em Educação Ambiental pela Universidade de Brasília (UnB) e doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP).

Foi secretário nacional de Biodiversidade e Florestas e secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente de 2003 a 2008, além de presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Nesse período, exerceu, entre outras, as funções de coordenador do Grupo de Trabalho Interministerial de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia, presidente do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético e da Comissão Brasileira de Florestas e vice-presidente do Conselho Nacional do Meio Ambiente.

Atuou como professor visitante da Universidade de Columbia entre 2008 e 2009, onde integrou o CEES – Centro de Meio Ambiente, Economia e Sociedade, período em que também trabalhou como pesquisador associado do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).

É autor de diversas publicações sobre questões ambientais, entre elas o livro “Biodiversidade na Amazônia Brasileira”, que recebeu o Prêmio Jabuti de Não-Ficção em 2003, e o livro “Amazônia - uma década de esperança” (Estação Liberdade), lançado em 2021.

Convenção

A CMS é um tratado ambiental das Nações Unidas que fornece uma plataforma global para a conservação das espécies migratórias, seus habitats e rotas de migração em toda sua área de distribuição.

Reúne governos, povos indígenas e comunidades tradicionais, e sociedade civil e especialistas em vida silvestre para abordar as necessidades de conservação de espécies migratórias e seus habitats ao redor do mundo.

Desde que a Convenção entrou em vigor, em 1979, 133 países da África, América Central e do Sul, Ásia, Europa e Oceania aderiram. Saiba mais aqui.

Fonte: MMA



Brasil apresenta para Unesco candidatura do Parque Nacional Marinho de Abrolhos, na Bahia, à Lista do Patrimônio Mundial Natural

 

Criado em 1983, Abrolhos foi o primeiro parque nacional marinho do país e faz parte do maior complexo recifal do Atlântico Sul. - Foto: Arquivo/Enrico Marcavaldi

A partir da entrega, dossiê entra no processo formal de análise da Convenção do Patrimônio Mundial, com avaliação técnica dos órgãos consultivos da Unesco e decisão prevista para julho de 2027

O Governo do Brasil entregou, nesta quarta-feira (29/1), à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) o dossiê de candidatura do Parque Nacional Marinho de Abrolhos, na Bahia, à Lista do Patrimônio Mundial Natural. O título é dado a lugares cuja relevância natural ou cultural, segundo a Unesco, ultrapassa fronteiras nacionais e tem importância para toda a humanidade.

Criado em 1983, Abrolhos é o primeiro parque nacional marinho do Brasil e integra o maior complexo recifal do Atlântico Sul. A candidatura baseia-se na representatividade do ecossistema, nas formações recifais características da região, na biodiversidade associada e na função da área como local de reprodução e de cuidado parental da baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) durante o período reprodutivo da espécie.

O documento de candidatura foi elaborado de forma coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão responsável pela gestão da unidade, e Ministério das Relações Exteriores (MRE), com apoio do WWF-Brasil e do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), no âmbito do Projeto Áreas Marinhas e Costeiras Protegidas (GEF Mar).

Segundo a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, o processo reforça a estratégia de fortalecimento da gestão das unidades de conservação marinhas e de ampliação da presença de ecossistemas brasileiros na Lista do Patrimônio Mundial.

“Esse reconhecimento fortalece a governança ambiental, valoriza a ciência e contribui para que os ecossistemas marinhos brasileiros tenham o destaque compatível com sua relevância global”, disse a ministra.

Referência global para a conservação marinha, o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos desempenha papel estratégico na proteção de espécies migratórias, sobretudo da baleia-jubarte, que utiliza a região como área de reprodução e cuidado dos filhotes.

Para o secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, e presidente da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS, na sigla em inglês), a candidatura do sítio reforça a convergência entre a agenda de biodiversidade brasileira e os compromissos assumidos no âmbito da convenção a ser presidida e sediada pelo país em março de 2026.

"Abrolhos simboliza de forma concreta o que a Convenção sobre Espécies Migratórias busca proteger: ecossistemas essenciais para o ciclo de vida de animais que circulam pelo Planeta, ultrapassando fronteiras nacionais. A baleia-jubarte depende de áreas como Abrolhos para se reproduzir e garantir a perpetuação da espécie. Ao avançar com a candidatura do Parque como Patrimônio Mundial Natural, o Brasil reafirma seus compromissos com a proteção dessa área de grande importância ambiental e com a cooperação internacional, conservando regiões vitais para proteção das espécies migratórias”, afirmou.

A entrega do documento contou com a participação do secretário de Meio Ambiente do Estado da Bahia, Eduardo Sodré, e de representantes do Itamaraty, em articulação com entes federais e estaduais envolvidos no processo.

Com a submissão, a candidatura passa agora pelas etapas de admissão e avaliação técnica pelos órgãos consultivos da Convenção do Patrimônio Mundial, conforme as Diretrizes Operacionais da Unesco. A previsão é que a análise final pelo Comitê do Patrimônio Mundial ocorra em julho de 2027.

A candidatura de Abrolhos é a terceira apresentada pelo Governo do Brasil desde 2023, após as inscrições do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses e do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, encerrando um período superior a duas décadas sem novas candidaturas de sítios naturais pelo Brasil.

Fonte: MMA



quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

LANÇAREI A MINHA PRÉ-CANDIDATURA A DEPUTADO FEDERAL NA SEGUNDA FEIRA, 02 DE FEVEREIRO


Prezados amigos, companheiros trabalhistas, ambientalistas, colegas de trajetória, eleitores do RJ e leitores do Blog do Axel Grael.

Na segunda-feira, dia 02/02, às 18:30, faremos o anúncio oficial da minha pré-candidatura a deputado federal em atividade na sede do PDT de Niterói, com as presenças do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, e do prefeito Rodrigo Neves, além de outras lideranças importantes.

Minha candidatura busca apresentar uma opção de representação política alinhada aos princípios inafastáveis da: 

  • Democracia, 
  • Justiça social, 
  • Soberania e interesses nacionais
  • Paz
  • Responsabilidade planetária, do avanço no caminho para a sustentabilidade e resiliência climática
Para a instrumentalização destes grandes princípios, defendemos a primeira versão de uma lista preliminar de ações para o mandato de deputado federal: 

RIO DE JANEIRO
  • LINHA TRÊS DO METRO: obter recursos federais para a Linha 3 do Metro, ligando a Estação da Carioca (Rio), Niterói, São Gonçalo e Itaboraí.
  • HIDROVIÁRIO: apoiar o planejamento da implantação de novas linhas de transporte hidroviário.
  • SEGURANÇA: modernizar tecnologicamente as polícias do RJ, apoiar a estruturação das Guardas Municipais, estabelecer protocolos de planejamento e execução de operações policiais, reduzindo a letalidade da ação da polícia
  • RMRJ: fortalecer a Gestão Metropolitana no Rio de Janeiro, dando mais eficácia e transparência ao Instituto Rio Metrópole, despartidarizando a sua atuação
  • CLIMA: avançar na política climática estadual, muito defasada com relação a outros estados.
  • TRANSIÇÃO ENERGÉTICA: preparar a economia do Rio de Janeiro para o futuro de baixo carbono que se aproxima.
  • MERCADO DE TRABALHO: numa economia em transição, o Rio de Janeiro precisa preparar a força de trabalho para os novos cenários que se aproximam
  • REGULAÇÃO: repensar a regulação dos serviços públicos concedidos e promover um modelo eficiente e viável para os municípios.
  • ÁGUA: proteger mananciais, avaliar e garantir a segurança hídrica do RJ
BRASIL

- Meio Ambiente e Clima
  • BIOMAS: a defesa da Amazônia, da Mata Atlântica e dos demais biomas brasileiros.
    • avançar na implementação dos Sistemas de Pagamento por Serviços Ambientais
  • RESTAURAÇÃO: cumprir as metas do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa - PLANAVEG., do Ministério do Meio Ambiente - MMA
  • REVERTER RETROCESSOS: a reconstrução da legislação ambiental brasileira
  • EMERGÊNCIA CLIMÁTICA: criação e regulamentação da legislação ambiental para estabelecer referências para as políticas de adaptação e mitigação climática, além de fortalecimento do federalismo climático.
    • Monitorar e apoiar o cumprimento da NDC brasileira
    • Promover o desenvolvimento de Planos de Ação Climática em todas as cidades do país com população acima de 100 mil habitantes até 2030
    • Fortalecer os planos nacionais de contingência climática
    • Regulamentar a adaptação das cidades costeiras à elevação do nível do mar.
  • DEFESA CIVIL: Fortalecimento das defesas civis em todos os níveis, estimulando a cooperação entre estados e municípios em situação de emergência climática
  • CONTROLE DA POLUIÇÃO: avanços para padrões de emissões atmosféricas e efluentes baseados em padrões de carga poluente e não apenas em diluição: a métrica da maioria dos nossos padrões são em mg/l, ou semelhantes, portanto critério de diluição. 
    • Avançar no princípio poluidor pagador.
  • AGROTÓXICOS: avançar na legislação de agrotóxicos
  • LIXO: avançar na Política Nacional de Resíduos Sólidos, com ênfase para a reciclagem, e atenção para o lixo marinho. Controlar a política de produção de embalagens e outros produtos plásticos
  • RESÍDUOS PERIGOSOS: buscar uma referência legal mais rígida e eficaz para a destinação de resíduos perigosos e contaminação de solos
  • ÁGUA: avançar na legislação sobre escassez hídrica
- Cidades Sustentáveis
  • TRANSPORTE SUSTENTÁVEL: o transporte é a principal fonte de emissões de poluentes atmosféricos e a transição. 
    • Fortalecer o transporte coletivo em detrimento do individual, 
    • Promover a descarbonização da frota de veículos, principalmente no transporte público
    • Apoiar a implantação de transporte público de alta eficiência, como metro, BRT, VLT e outros modais.
  • BICICLETA: apoiar e promover as opções de transporte ativo, como a bicicleta e a caminhabilidade das cidades
  • VERDE URBANO: promover a proteção efetiva pela criação de unidades de conservação das áreas de florestas e outros ecossistemas naturais nas áreas urbanas e seus entornos, promovendo a integração destas áreas de forma sustentável ao cotidiano da população.
  • SOLUÇÕES BASEADAS NA NATUREZA: adoção de SBN a exemplo do que foi adotado pela cidade de Niterói no Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis - POP.
  • REFORMA URBANA SUSTENTÁVEL: promover o planejamento da adaptação urbana às emergências climáticas, seguindo o exemplos como: 
    • Paris: das ações de enfrentamento das ondas de calor e redução do trânsito de veículos nas regiões centrais
    • Copenhague: implantação de sistemas de drenagem sustentável para o controle de inundações
    • Londres: soluções para o fortalecimento do transporte coletivo, controle do trânsito em áreas críticas de engarrafamento
- Transição energética
  • METAS: estabelecer metas legais de transição para uma economia de baixo carbono e garantias de cumprimento
  • ENERGIAS LIMPAS: fortalecer o parque energético eólico, solar, de bioenergia e outras fontes 

- Cidadania
  • PARTICIPAÇÃO: a regulamentação dos instrumentos de cidadania e participação popular: audiências públicas e acesso à informação
  • MOEDA SOCIAL: regulamentar a criação e operação de moedas sociais locais de forma a estimular a adoção dessa política de transferência de renda, utilizando a experiência da Niterói, com a Moeda Social Arariboia
  • ONGs: Fortalecimento das iniciativas da sociedade civil
    • Criação de um sistema de incentivo fiscal para iniciativas ambientais
  • POUPANÇA ESCOLA: promover a experiência de Niterói em outras cidades
Estas sempre foram as minhas causas ao longo de uma longa trajetória de atuação cidadã, de militância ambientalista, social, política e na política partidária. Estas causas também foram o foco principal da minha dedicação profissional, como engenheiro florestal, como servidor público de carreira e empreendedor social. Me sinto privilegiado de poder conciliar convicção, ideologia, militância e profissão.

Trajetória

Ao longo desta trajetória há uma longa caminhada: comecei a estudar engenharia florestal em 1977 (pouca gente conhecia essa profissão), fui militante ambientalista (fundei o Movimento de Resistência Ecológica - MORE, em 1980 - pouca gente falava de meio ambiente na época), fui consultor ambiental (trabalhei em todos os biomas do país, inclusive na Terra Indígena Nhamundá-Mapuera), fui empresário (dono da Grael Ambiental) e fui empreendedor social (presidente do Instituto Rumo Náutico - Projeto Grael - organização fundada com meus irmãos Torben e Lars Grael).  

Na carreira pública, levo um privilégio que carrego com orgulho no meu currículo: ter trabalhado com Leonel Brizola e Darcy Ribeiro, no Segundo Governo Brizola, como presidente do Instituto Estadual de Florestas - IEF-RJ (1991-1994). Na ocasião, criamos o Parque Estadual da Serra da Tiririca - PESET (entre Niterói e Maricá), a Reserva Ecológica da Juatinga (Parati), a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Com Darcy Ribeiro, desenvolvi o Projeto Floresta da Pedra Branca, com a implantação de infraestrutura e recuperação ambiental do Parque Estadual da Pedra Branca. Também naquele período, ao lado de Brizola, participei da Rio-92 (momento histórico da luta pela sustentabilidade) e demos início ao Programa de Despoluição da Baía de Guanabara - PDBG.

Depois, fui presidente da FEEMA (1999-2000 e 2007-2008), antigo órgão ambiental do estado, hoje substituído pelo INEA, e fui subsecretário de Meio Ambiente do RJ (2000-2001). Como engenheiro florestal concursado da Prefeitura do Rio, dentre outras responsabilidades destacadas, fui o coordenador geral do Programa de Recuperação Ambiental da Macrobacia de Jacarepaguá. 

Em 2013, fui eleito vice-prefeito de Niterói com Rodrigo Neves como prefeito. Em 2021, fui eleito prefeito, no primeiro turno, com 62% dos votos dos niteroienses. Nesse ciclo de gestão na cidade (2013 até o presente), reduzimos os índices de violência de Niterói a índices históricos, tornamos Niterói uma referência nacional e internacional de sustentabilidade e resiliência urbana. Como exemplo, temos o programa Niterói de Bicicleta, que implantou mais de 80 km de ciclovias e produziu as três ciclovias mais movimentadas do país. 

Como prefeito (2021-2024), criei a primeira secretaria municipal do clima do Brasil e Niterói tornou-se uma referência nacional. Inaugurei o Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis (POP), criei o Parque do Morro do Morcego, Parque Águas Escondidas, Parque do Baldeador (primeiro da Zona Norte) e o novo Parque Natural Municipal de Pendotiba. Na retomada da economia no período pós-COVID, criei a Moeda Social Arariboia (maior programa do país), criamos o maior programa de regularização fundiária, com a meta de 10.000 lotes regularizados a serem entregues. Fizemos o maior investimento em infraestrutura da história de Niterói, que incluiu o maior investimento em contenção de encostas e drenagem, em infraestrutura nas comunidades e na proteção do patrimônio histórico e cultural, com a entrega da restauração do Mercado Municipal, da reforma de toda a infraestrutura, a abertura à visitação da Ilha da Boa Viagem, a entrega do Solar Nôtre Reve (Casa de Norival de Freitas) e o inicio das obras do Cinema Icaraí, da Estação Cantareira e do Centro Cultural Cauby Peixoto. Também iniciamos a reforma urbana do Centro de Niterói, que inclui a Arena Poliesportiva, que deixamos com as obras avançadas. 

Para atender as necessidades da juventude, desenvolvemos iniciativas emblemáticas, como o Projeto Aprendiz, que elevamos de 2.000 participantes a mais de 10 mil, dando ao programa uma infraestrutura e projeção que não existia antes. Na área esportiva, que atende principalmente a juventude, criamos o programa Niterói Esporte nas Comunidades - NEC, que junto com o Parque Esportivo e Social do Caramujo - PESC, o Parque Esportivo do Viradouro, o parque esportivo da Concha Acústica e o Complexo de Atletismo Aida dos Santos - que reformamos em parceria com a UFF, oferecemos mais de 10 mil vagas para programas esportivos na cidade. O programa Niterói Joga em Rede, leva a prática esportiva à rede escolar da cidade.

Com o Niterói Jovem Ecosocial, programa inovador que já beneficiou mais de 2 mil jovens, combinamos atividades práticas de sustentabilidade, com formação profissionalizante e inclusão no mercado de trabalho.

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O parlamento brasileiro, já teve nomes de grande destaque do ambientalismo brasileiro, como Alfredo Sirkis, Fernando Gabeira, Marina Silva, Fábio Feldman e no passado mais longínquo, nomes como José Bonifácio de Andrada e Silva, Augusto de Lima e tantos outros. Mas, embora expressivos em qualidade, sempre foram poucos, mas ajudaram a construir uma legislação ambiental sólida e avançada. Em alguns aspectos, dentre as melhores do mundo. 

Nas últimas legislaturas, vimos o crescimento assustador de uma visão retrograda e irresponsável que desmontou a legislação ambiental brasileira. É preciso fazer esse debate no Congresso e recompor os danos causados à sustentabilidade do país. 

Vemos o Brasil também precisando avançar na legislação e políticas públicas de transição energética, resiliência climática, justiça climática, controle de agrotóxico, proteção aos biomas, à biodiversidade e ao nosso patrimônio genético, fortalecimento das nossas áreas protegidas e a máxima prioridade à politica de respeito à nossa diversidade cultural, com ênfase aos povos indígenas, quilombolas, caiçaras e outros igualmente importantes.

Como deputado federal, queremos defender a educação pública em todos os níveis - inclusive a universidade pública,  gratuita, com financiamento adequado e socialmente inclusiva, a organização da sociedade civil, a participação social nas politicas públicas e o esporte, assim como a cultura, como meio de motivação e inclusão social.

Também defenderemos no Congresso o princípio do federalismo, fortalecendo cada vez mais o protagonismo das cidades nas politicas publicas nacionais, com ênfase para as políticas sociais, ambientais e climáticas. 

Diferente da conotação equivocada que havia há alguns anos, hoje, compreende-se que o tema da sustentabilidade não é apartada do cotidiano do cidadão, muito menos é antagonista ao desenvolvimento social e econômico. Falar em sustentabilidade é falar em segurança alimentar, em disponibilidade hídrica, em qualidade de vida, em geração de empregos, em conforto térmico e, portanto, em enfrentamento às mudanças climáticas, que afeta a todos, mas principalmente aos mais desfavorecidos de infraestrutura e de atenção governamental.

É para defender estas causas que nos colocamos como pré-candidato a deputado federal, visando fortalecer o PDT e oferecendo a nossa experiência e energia para a defesa do povo do estado do Rio de Janeiro e do Brasil no Congresso Nacional a partir de janeiro de 2027.

Axel Grael


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INVESTIMENTOS MAIS IMPORTANTES REALIZADOS NA GESTÃO 2021-2024 DA PREFEITURA DE NITERÓI
Nova pista de atletismo da UFF está quase pronta. Conheça a dimensão das iniciativas de esporte social da Prefeitura
ARBORIZAÇÃO URBANA: georreferenciamento mostra que Niterói tem cerca de 70 mil árvores nas ruas  
Políticas para o clima e resiliência de Niterói ajudam nos debates sobre prevenção e respostas a emergências climáticas  
500 FRENTES DE OBRAS EM ANDAMENTO: Prefeitura investe pesado em infraestrutura, contenção de encostas, escolas e unidades de saúde






domingo, 25 de janeiro de 2026

Eólica e solar superam geração a combustíveis fósseis na UE pela primeira vez

Ilustração de ClimaInfo por Ian Stiepcich

Para o Ember, o marco alcançado pelo bloco em 2025 é um ponto de virada crucial para as energias renováveis em uma era de instabilidade geopolítica.

Em 2025, pela primeira vez, a geração elétrica eólica e solar na União Europeia (UE) superou a produção de eletricidade a partir de combustíveis fósseis. É o que mostra o relatório “European Electricity Review 2026”, do think tank Ember, lançado na 4ª feira (21/1).

Turbinas eólicas e painéis fotovoltaicos geraram 30% da eletricidade da UE no ano passado, mostra o documento. Já as termelétricas a carvão, gás e outros combustíveis de origem fóssil responderam por 29% da demanda elétrica, relatam The Guardian e Al Jazeera.

Sozinha, a energia solar foi responsável por 13% da geração elétrica e cresceu mais de 20% pelo quarto ano consecutivo, superando tanto o carvão quanto a hidreletricidade, destaca a Reuters. A geração solar cresceu em todos os países da UE, com a ampla instalação de painéis solares, e forneceu mais de um quinto da eletricidade em Hungria, Chipre, Grécia, Espanha e Holanda em 2025.

Analista sênior de Energia da Ember e principal autora do relatório, Beatrice Petrovich, afirma que o marco é um “ponto de virada crucial” de importância estratégica para a UE, que tem demonstrado crescente preocupação com sua dependência energética de outros países. “A importância disso vai além do setor de energia”, disse ela. “O perigo de depender de combustíveis fósseis é iminente em um cenário geopolítico instável.”

Em dezembro passado, a UE aprovou uma legislação que proíbe as importações de gás fóssil da Rússia até ao final de 2027. No entanto, surgiram novas dependências com o aumento das importações de gás liquefeito (GNL) dos EUA. A forte dependência de um único fornecedor ameaça a segurança do bloco e enfraquece o poder de negociação em contextos geopolíticos e em disputas comerciais, reforça a Ember.

Por isso, a expansão de projetos de armazenamento, sobretudo de baterias, o reforço da rede e o aumento da flexibilidade do lado da demanda permitem uma maior participação solar e eólica no mix energético. O que não só melhorará a segurança energética, mas também é crucial para garantir preços previsíveis e estáveis, reforça o think tank.A virada renovável da UE foi repercutida também em ESG News, Renewables Now, ANSA, Business Green e SustainableViews.

Fonte: ClimaInfo


Queda histórica do carvão na China e na Índia sinaliza avanço da transição energética

 

Uma usina de energia solar fotovoltaica de 50 MW construída na província de Shanxi, em 2017. Crédito: Planet Labs/Wikipédia

Expansão recorde de solar e eólica permitiu redução inédita do combustível fóssil nos dois maiores consumidores de carvão do mundo, segundo análise do Carbon Brief

Karina Pinheiro

Pela primeira vez em 52 anos, a geração de eletricidade a partir do carvão caiu simultaneamente na China e na Índia, segundo análise publicada pelo site especializado Carbon Brief. O recuo foi registrado em 2025 e ocorre após um ano de expansão recorde das fontes renováveis nos dois países, hoje os maiores consumidores de carvão do mundo.

De acordo com o levantamento, baseado em dados do Centre for Research on Energy and Clean Air (CREA), a produção de energia a carvão diminuiu 1,6% na China e 3% na Índia em relação a 2024. Em termos absolutos, a redução combinada supera 110 terawatts-hora (TWh), volume equivalente ao consumo anual de eletricidade de países de médio porte.

A queda interrompe uma tendência contínua de crescimento observada desde 1973, período em que a expansão econômica dessas nações esteve historicamente associada ao aumento do uso de combustíveis fósseis, especialmente do carvão.

Renováveis crescem acima da demanda

O recuo ocorreu apesar do aumento da demanda por eletricidade nos dois países. Em 2025, tanto China quanto Índia registraram crescimento no consumo de energia, impulsionado pela indústria, pela urbanização e pela digitalização da economia. Ainda assim, a expansão acelerada de fontes renováveis (como solar e eólica) foi suficiente para atender essa demanda adicional sem ampliar a geração a carvão.

Na China, a produção total de eletricidade aumentou, mas a geração térmica caiu pela primeira vez em uma década. O país instalou volumes recordes de capacidade solar e eólica ao longo do ano, reduzindo a participação do carvão na matriz elétrica. Na Índia, a expansão das renováveis também superou o crescimento do consumo, levando à retração da geração fóssil.

Segundo o Carbon Brief, esse movimento indica que as fontes limpas começaram a substituir, na prática, parte da eletricidade antes produzida por usinas a carvão, e não apenas a complementar o sistema.

A inflexão é considerada relevante para o enfrentamento da crise climática. China e Índia respondem por uma parcela significativa das emissões globais de dióxido de carbono do setor elétrico e foram responsáveis por cerca de 93% do aumento dessas emissões entre 2015 e 2024.

O carvão é o combustível fóssil mais intensivo em emissões de gases de efeito estufa. Qualquer redução sustentada em seu uso, especialmente em países de grande escala, tem impacto direto sobre o ritmo de crescimento das emissões globais.

Transição sob disputa

O cenário descrito pelos dados revela uma transição energética em curso, mas ainda marcada por contradições. De um lado, a rápida expansão das fontes limpas demonstra que é possível reduzir o uso do carvão mesmo em economias de grande porte e crescimento acelerado. De outro, interesses econômicos, limitações de infraestrutura e preocupações com segurança energética mantêm o combustível fóssil como peça central das matrizes nacionais.

Um relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA) divulgado em outubro de 2025 afirma que, além de expandir a capacidade de energias renováveis, é urgente investir estrategicamente na modernização e expansão das redes de eletricidade para integrar novas capacidades e fortalecer a segurança energética, bem como ampliar soluções de armazenamento de energia para facilitar a integração das renováveis e proteger a estabilidade da rede. O documento estima que cerca de US$ 670 bilhões por ano precisarão ser direcionados às redes até 2030, além de recursos adicionais para armazenamento e integração ao sistema.

A retração simultânea do carvão na China e na Índia é considerada um marco simbólico da transição energética global. O dado sugere que o crescimento econômico não precisa estar necessariamente vinculado ao aumento do uso de combustíveis fósseis.

No entanto, diante da aceleração das mudanças climáticas e da necessidade de cortes rápidos nas emissões, o avanço ainda é visto como insuficiente. A consolidação dessa tendência dependerá de decisões políticas capazes de transformar recordes pontuais de energia limpa em mudanças estruturais duradouras.

Fonte: ((O)) Eco




The Gardian: Rio de Janeiro é uma das cidades com maior vulnerabilidade hídrica no mundo

Half the world’s 100 largest cities are in high water stress areas, analysis finds

Los Angeles is one of the global cities facing extreme water stress, which is being made worse by climate breakdown. Photograph: Kirby Lee/Getty Images

Exclusive: Beijing, Delhi, Los Angeles and Rio de Janeiro among worst affected, with demand close to exceeding supply

Half the world’s 100 largest cities are experiencing high levels of water stress, with 38 of these sitting in regions of “extremely high water stress”, new analysis and mapping has shown.

Water stress means that water withdrawals for public water supply and industry are close to exceeding available supplies, often caused by poor management of water resources exacerbated by climate breakdown.

Watershed Investigations and the Guardian mapped cities on to stressed catchments revealing that Beijing, New York, Los Angeles, Rio de Janeiro and Delhi are among those facing extreme stress, while London, Bangkok and Jakarta are classed as being highly stressed.

Separate analysis of Nasa satellite data, compiled by scientists at University College London, shows which of the largest 100 cities have been drying or getting wetter over two decades with places such as Chennai, Tehran and Zhengzhou showing strong drying trends and Tokyo, Lagos and Kampala showing strong wetting trends. All 100 cities and their trends can be viewed on a new interactive water security atlas.

Guardian graphic. Source: Watershed Investigations

About 1.1 billion people live in major metropolitan areas located in regions experiencing strong long-term drying, compared with about 96 million in and around cities in regions showing strong wetting trends. However, the satellite data is too coarse to show details and context at the local scale.

Most of the city regions in notably wetting zones are in sub-Saharan Africa, with just Tokyo and Santo Domingo in the Dominican Republic sitting elsewhere. Most of the urban centres in areas with the strongest drying signals are concentrated across Asia, particularly northern India and Pakistan.

Now in its sixth year of drought, Tehran is perilously close to “day zero” when no water will be available for its citizens, and last year the country’s president, Masoud Pezeshkian, said the city may have to be evacuated if the drought continues. Cape Town and Chennai have both come close to day zero and many of the world’s fastest-growing cities are situated in drying zones where they could experience future water shortages.

Mohammad Shamsudduha, professor of water crisis and risk reduction at UCL, said: “By tracking changes in total water storage from space, [the Nasa project] Grace shows which cities are drying and which are getting wetter, offering an early warning of emerging water insecurity.”

On Tuesday the UN announced that the world had entered a state of water bankruptcy where deterioration of some water resources had become permanent and irreversible. Prof Kaveh Madani, director of the United Nations University Institute for Water Environment and Health, said poor management of water is frequently the main cause of bankruptcy and that climate breakdown is seldom the sole reason: “Climate change is like a recession on top of bad management of business.”

The World Bank Group has also been sounding the alarm. Global freshwater reserves have plunged sharply over the past 20 years, according to the group, which says the planet is losing about 324bn cubic metres of freshwater every year, enough to meet the annual needs of 280 million people, or roughly the population of Indonesia. The losses affect major river basins on every continent.

By 2055, England could need to find an additional 5bn litres of water a day to meet demand for public water supply – more than a third of the 14bn litres of water currently put into the public water supply, according to the Environment Agency. Other water sectors, such as agriculture and energy, may need an additional 1bn litres of water a day.

Shamsudduha said the “hidden resource of groundwater offers the UK a more climate-resilient water supply”, but added that “without sustained monitoring and better management we risk managing it blindly amid intensifying development and climate pressures”.

Parts of southern England have recently suffered water outages, which South East Water blamed on winter storms. However, regulators had already written to the company with “serious concerns” about its security of supply.

On Tuesday the government published a water white paper aimed at overhauling the water system, including establishing a new chief engineer role, “MOT checks” on water infrastructure and new powers for a new water regulator.

Fonte: The Gardian


sábado, 24 de janeiro de 2026

Prefeitura publica Edital para as obras de macrodrenagem da Bacia do Rio Icaraí

Niterói convive há décadas com um problema histórico de drenagem, causando transtornos a cada chuva mais forte: o alagamento da Avenida Roberto Silveira, do Campo de São Bento e entorno. A obra é há muito tempo aguardada e o problema tem data para acabar.

Em 2024, ainda na minha gestão como prefeito de Niterói, licitei e contratei o projeto de engenharia para a drenagem da bacia do Rio Icaraí. Este é o último grande projeto de macrodrenagem que faltava fazer em Niterói (fizemos várias obras na Região Oceânica, no Barreto/Engenhoca, no Fonseca e Pendotiba), para prevenir os problemas de alagamento em situação de chuvas fortes e reforçar a resiliência climática da cidade. O projeto foi concluído em 2025, pela gestão do prefeito Rodrigo Neves, e a Prefeitura acaba de anunciar o lançamento do edital para a contratação das obras definitivas. A obra tem previsão de execução em 30 meses e contarácom 6 km de rede de drenagem com galerias de 5,0 x 1,5 metros.

Nos últimos anos, Niterói passou pelo maior ciclo de investimentos da sua história, com mais de R$ 2,6 bilhões investidos em infraestrutura só entre os anos de 2021 e 2024. Uma grande parte dessas obras teve como objetivo a resiliência climática da cidade, como as intervenções de contenção de encostas, que aportaram um investimento de mais de R$ 1 bilhão desde 2013, sendo que a metade desse valor - R$ 500 milhões, foram investidos nos quatro anos da minha gestão.

Saiba mais sobre as obras de macrodrenagem já realizadas em Niterói na postagem PRIORIDADE DE NITERÓI E DE OUTRAS CIDADES EM DRENAGEM PARA ADAPTAÇÃO ÀS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

A cidade não fica pronta nunca, mas esse é um passo decisivo no avanço para a resiliência climática, sustentabilidade e operacionalidade urbana de Niterói. É preciso seguir avançando. 

Axel Grael
Prefeito de Niterói (2021-2024)

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Prefeitura publica Edital para as obras de macrodrenagem da Bacia do Rio Icaraí


A Empresa de Infraestrutura e Obras de Niterói (ION) lançou, nessa quinta-feira (22/01), o Edital de Licitação para a contratação de empresa visando a elaboração do projeto executivo e execução das obras de macrodrenagem da Bacia do Rio Icaraí, que irá solucionar os problemas de alagamento no entorno do Estádio Caio Martins e adjacências.

A licitação está marcada para o dia 13 de abril. O edital está disponível para download no site oficial da ION (www.ion.niteroi.rj.gov.br), podendo, também, ser retirado presencialmente na sede da empresa, segundo orientações contidas no Diário Oficial.

O projeto prevê a realização de obras de macrodrenagem nas ruas Lopes Trovão e Presidente Backer, e microdrenagens num quadrilátero delimitado pelas ruas Paulo César, Santa Rosa, Mariz e Barros e a Avenida Roberto Silveira. Ao todo, são estimados a construção de 6 quilômetros de rede, com galerias medindo até 5m x 1,5m.

O volume de água coletado será depositado num grande reservatório subterrâneo a ser construído em parte do terreno onde hoje se encontra o campo de futebol do Estádio Caio Martins, com capacidade para 102.659 m³ e área de cerca de 15 mil m², abrangendo, também, a parte onde se localizam as arquibancadas voltadas para a rua Presidente Backer, que serão demolidas.

Três bombas de sucção serão responsáveis por transferir o volume de água para o reservatório, que terá a função de armazenar e liberar, de maneira controlada, o fluxo para o Rio Icaraí, evitando a ocorrência de enchentes e alagamentos. A expectativa é a de que, além da área que receberá as obras, os trabalhos também beneficiem regiões adjacentes, como parte dos bairros Viçoso Jardim, Cubango, Santa Rosa e Pé Pequeno.

A elaboração do projeto básico considerou a preservação das estruturas dos imóveis de toda a região, que não sofrerão qualquer intervenção durante os trabalhos.

Após o término do processo licitatório e contratação da empresa vencedora, o prazo previsto para a conclusão das obras é de 30 meses, contados a partir da publicação da Ordem de Início.

Fonte: ION


sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

A cada dólar investido na proteção da Natureza, US$ 30 são aplicados em sua devastação

Wirestock

Segundo o PNUMA, a maior parte das finanças para o bem-estar ambiental é estatal; o organismo propõe cortar subsídios e investimentos destrutivos.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) lançou na 5ª feira (22/1) o relatório “Estado das Finanças para a Natureza 2026”, com dados de 2023. O documento comprova que, quando se trata de investimentos em meio ambiente, estamos (muito) no vermelho. Afinal, para cada dólar investido na proteção da Natureza, o mundo gasta mais de US$ 30 na sua destruição.

O relatório revela que o financiamento diretamente prejudicial à Natureza atingiu US$ 7,3 trilhões (R$ 38,8 trilhões) em 2023, ante apenas US$ 220 bilhões (R$ 1,1 trilhão) de investimentos em soluções baseadas na natureza (SbN), destaca o Down to Earth. A proporção de 33:1 em favor de atividades negativas para a Natureza alimenta a tripla crise planetária das mudanças climáticas, da perda de biodiversidade e da poluição, alerta o documento.

O levantamento considera as finanças públicas e privadas globais, explica a Folha. Dos fluxos de financiamento prejudiciais à Natureza, US$ 4,9 trilhões (R$ 26 trilhões) foram provenientes de fontes privadas e US$ 2,4 trilhões (R$ 12,7 trilhões) de subsídios públicos. Já dos investimentos em SbN, 90% – US$ 197 bilhões (R$ 1 trilhão) – são provenientes de fontes públicas.

“Se você seguir o fluxo do dinheiro, verá a dimensão do desafio que temos pela frente. Podemos investir na destruição da Natureza ou impulsionar sua recuperação – não há meio-termo”, diz Inger Andersen, diretora executiva do PNUMA. “Enquanto o financiamento de soluções baseadas na natureza avança a passos de tartaruga, investimentos e subsídios prejudiciais disparam. Este relatório oferece aos líderes um roteiro claro para reverter essa tendência e trabalhar com a Natureza, em vez de contra ela.”

O PNUMA reforça que os investimentos em iniciativas focadas no meio ambiente deveriam crescer 2,5 vezes, chegando a US$ 571 bilhões (R$ 3 trilhões) por ano até 2030, para que sejam cumpridas as metas do mais recente tratado da ONU para a biodiversidade. Pode parecer muito, mas o valor representa apenas 0,5% do PIB global em 2024. A projeção do órgão é que esse valor precise atingir US$ 771 bilhões (R$ 4,1 trilhões) anuais até 2050.

Ainda que a escala desse tipo de mudança seja desafiadora, o relatório apresenta exemplos de países que estão adotando medidas concretas para implementá-la.

Na Costa Rica, o reflorestamento de terras degradadas em nível nacional foi viabilizado por meio de incentivos financeiros provenientes de uma taxa sobre combustíveis fósseis. Já na Dinamarca, a transição dos combustíveis fósseis foi acelerada pelo direcionamento de verba arrecadada com impostos sobre energia para pesquisas científicas voltadas à energia eólica. Também foram utilizados mecanismos, como a taxação das emissões de carbono e contratos mais longos e estáveis para produtores de energia renovável. Outlook Business, ECO e SustainableViews também repercutiram o relatório do PNUMA.

Fonte: ClimaInfo




quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Discurso de Mark Carney, em Davos: "Estamos passando por uma ruptura da ordem mundial, não uma transição"

A cidade de Davos, na Suíça, está recebendo o Fórum Econômico Mundial entre os dias 19 e 23 de janeiro. O evento, realizado anualmente, é um dos mais importantes acontecimentos da agenda internacional, reunindo os principais chefes de estado e líderes mundiais, dirigentes destacados da sociedade civil, bem como representantes das principais organizações empresariais. 

Nos primeiros dias, tivemos duas participações diametralmente opostas. Em contraste com a fala de ontem, de Donald Trump, com retórica agressiva, arrogante, preconceituosa e racista, recheada de informações falsas ou distorcidas, com provocações irresponsáveis contra os países europeus - aliados dos EUA há no mínimo 70 anos, ouvimos um dia antes a fala lúcida, realista e edificadora de Mark Carney, primeiro ministro do Canadá, que transcrevemos e apresentamos o vídeo no YouTube

Dentre as muitas mensagens de Carney, o alerta sobre a ruptura da ordem mundial, a crítica contra a ambição de Trump sobre a Groenlândia, dizendo que o Canadá honrará o tratado da OTAN e defenderá a Groenlândia em caso de ataque militar. Exortou a importância das "médias potências", defendeu o multilateralismo e disse que nas atuais relações internacionais, "Ou se está sentado à mesa, ou se está no menu". Em outras palavras, "Ou se está na mesa de negociação, ou serás consumido". Ou como interpretou o jornalista Fernando Gabeira, em comentário na GloboNews: "Quem não comer, será comido". Veja um trecho da fala do primeiro ministro Carney:

“Serei direto: estamos no meio de uma ruptura da ordem mundial, não de uma transição. (...) O fim de uma ficção confortável e o início de uma realidade brutal, em que a geopolítica das grandes potências não está sujeita a nenhuma restrição. (...) Todos os dias somos lembrados de que vivemos em uma era de rivalidade entre grandes potências, que a ordem baseada em regras está se esvaindo, que os fortes fazem o que podem, e os fracos sofrem o que devem”, afirmou Carney (G1).

Leia no texto ou assista no vídeo, a seguir, a íntegra do discurso de Carney, conforme foi divulgado pela própria organização do Fórum Econômico Mundial, de Davos:


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Canadian Prime Minister Mark Carney praised the strengths of the middle powers in his special address at Davos 2026. Image: World Economic Forum / Ciaran McCrickard


This transcript was produced using AI and subsequently edited for style and clarity. The edits do not alter the substance of the speaker’s remarks.

"Thank you very much, Larry. I'm going to start in French, and then I'll switch back to English".

[The following is translated from French]

"Thank you, Larry. It is both a pleasure, and a duty, to be with you tonight in this pivotal moment that Canada and the world going through.

Today I will talk about a rupture in the world order, the end of a pleasant fiction and the beginning of a harsh reality, where geopolitics, where the large, main power, geopolitics, is submitted to no limits, no constraints.

On the other hand, I would like to tell you that the other countries, especially intermediate powers like Canada, are not powerless. They have the capacity to build a new order that encompasses our values, such as respect for human rights, sustainable development, solidarity, sovereignty and territorial integrity of the various states.

The power of the less power starts with honesty"
.

Assista o discurso de Mark Carney no YouTube.

[Carney returns to speaking in English]

"It seems that every day we're reminded that we live in an era of great power rivalry, that the rules based order is fading, that the strong can do what they can, and the weak must suffer what they must.

And this aphorism of Thucydides is presented as inevitable, as the natural logic of international relations reasserting itself.

And faced with this logic, there is a strong tendency for countries to go along to get along, to accommodate, to avoid trouble, to hope that compliance will buy safety.

Well, it won't.

So, what are our options?

In 1978, the Czech dissident Václav Havel, later president, wrote an essay called The Power of the Powerless, and in it, he asked a simple question: how did the communist system sustain itself?

And his answer began with a greengrocer.

Every morning, this shopkeeper places a sign in his window: ‘Workers of the world unite’. He doesn't believe it, no-one does, but he places a sign anyway to avoid trouble, to signal compliance, to get along. And because every shopkeeper on every street does the same, the system persist – not through violence alone, but through the participation of ordinary people in rituals they privately know to be false.

Havel called this “living within a lie”.

The system's power comes not from its truth, but from everyone's willingness to perform as if it were true, and its fragility comes from the same source. When even one person stops performing, when the greengrocer removes his sign, the illusion begins to crack. Friends, it is time for companies and countries to take their signs down.

For decades, countries like Canada prospered under what we called the rules-based international order. We joined its institutions, we praised its principles, we benefited from its predictability. And because of that, we could pursue values-based foreign policies under its protection.

We knew the story of the international rules-based order was partially false that the strongest would exempt themselves when convenient, that trade rules were enforced asymmetrically. And we knew that international law applied with varying rigour depending on the identity of the accused or the victim.

This fiction was useful, and American hegemony, in particular, helped provide public goods, open sea lanes, a stable financial system, collective security and support for frameworks for resolving disputes.

So, we placed the sign in the window. We participated in the rituals, and we largely avoided calling out the gaps between rhetoric and reality.

This bargain no longer works. Let me be direct. We are in the midst of a rupture, not a transition.

Over the past two decades, a series of crises in finance, health, energy and geopolitics have laid bare the risks of extreme global integration. But more recently, great powers have begun using economic integration as weapons, tariffs as leverage, financial infrastructure as coercion, supply chains as vulnerabilities to be exploited.

You cannot live within the lie of mutual benefit through integration, when integration becomes the source of your subordination.

The multilateral institutions on which the middle powers have relied – the WTO, the UN, the COP – the architecture, the very architecture of collective problem solving are under threat. And as a result, many countries are drawing the same conclusions that they must develop greater strategic autonomy, in energy, food, critical minerals, in finance and supply chains.

And this impulse is understandable. A country that can't feed itself, fuel itself or defend itself, has few options. When the rules no longer protect you, you must protect yourself.

But let's be clear eyed about where this leads.

A world of fortresses will be poorer, more fragile and less sustainable. And there is another truth. If great powers abandon even the pretense of rules and values for the unhindered pursuit of their power and interests, the gains from transactionalism will become harder to replicate.

Hegemons cannot continually monetize their relationships.

Allies will diversify to hedge against uncertainty.

They'll buy insurance, increase options in order to rebuild sovereignty – sovereignty that was once grounded in rules, but will increasingly be anchored in the ability to withstand pressure.

This room knows this is classic risk management. Risk management comes at a price, but that cost of strategic autonomy, of sovereignty can also be shared.

Collective investments in resilience are cheaper than everyone building their own fortresses. Shared standards reduce fragmentations. Complementarities are positive sum. And the question for middle powers like Canada is not whether to adapt to the new reality – we must. The question is whether we adapt by simply building higher walls, or whether we can do something more ambitious.

Now Canada was amongst the first to hear the wake-up call, leading us to fundamentally shift our strategic posture.

Canadians know that our old comfortable assumptions that our geography and alliance memberships automatically conferred prosperity and security – that assumption is no longer valid. And our new approach rests on what Alexander Stubb, the President of Finland, has termed “value-based realism”.

Or, to put another way, we aim to be both principled and pragmatic – principled in our commitment to fundamental values, sovereignty, territorial integrity, the prohibition of the use of force, except when consistent with the UN Charter, and respect for human rights, and pragmatic and recognizing that progress is often incremental, that interests diverge, that not every partner will share all of our values.

So, we're engaging broadly, strategically with open eyes. We actively take on the world as it is, not wait around for a world we wish to be.

We are calibrating our relationships, so their depth reflects our values, and we're prioritizing broad engagement to maximize our influence, given and given the fluidity of the world at the moment, the risks that this poses and the stakes for what comes next.

And we are no longer just relying on the strength of our values, but also the value of our strength.

We are building that strength at home.

Since my government took office, we have cut taxes on incomes, on capital gains and business investment. We have removed all federal barriers to interprovincial trade. We are fast tracking a trillion dollars of investments in energy, AI, critical minerals, new trade corridors and beyond. We're doubling our defence spending by the end of this decade, and we're doing so in ways that build our domestic industries.

And we are rapidly diversifying abroad. We have agreed a comprehensive strategic partnership with the EU, including joining SAFE, the European defence procurement arrangements. We have signed 12 other trade and security deals on four continents in six months. The past few days, we've concluded new strategic partnerships with China and Qatar. We're negotiating free trade pacts with India, ASEAN, Thailand, Philippines and Mercosur.

We're doing something else. To help solve global problems, we're pursuing variable geometry, in other words, different coalitions for different issues based on common values and interests. So, on Ukraine, we're a core member of the Coalition of the Willing and one of the largest per capita contributors to its defence and security.

On Arctic sovereignty, we stand firmly with Greenland and Denmark, and fully support their unique right to determine Greenland's future.

Our commitment to NATO's Article 5 is unwavering, so we're working with our NATO allies, including the Nordic Baltic Gate, to further secure the alliance's northern and western flanks, including through Canada's unprecedented investments in over-the-horizon radar, in submarines, in aircraft and boots on the ground, boots on the ice.

Canada strongly opposes tariffs over Greenland and calls for focused talks to achieve our shared objectives of security and prosperity in the Arctic.

On plurilateral trade, we're championing efforts to build a bridge between the Trans Pacific Partnership and the European Union, which would create a new trading bloc of 1.5 billion people. On critical minerals, we're forming buyers’ clubs anchored in the G7 so the world can diversify away from concentrated supply. And on AI, we're cooperating with like-minded democracies to ensure that we won't ultimately be forced to choose between hegemons and hyper-scalers.

This is not naive multilateralism, nor is it relying on their institutions. It's building coalitions that work – issues by issue, with partners who share enough common ground to act together.

In some cases, this will be the vast majority of nations.

What it's doing is creating a dense web of connections across trade, investment, culture, on which we can draw for future challenges and opportunities.

Argue, the middle powers must act together, because if we're not at the table, we're on the menu.

But I'd also say that great powers, great powers can afford for now to go it alone. They have the market size, the military capacity and the leverage to dictate terms. Middle powers do not.

But when we only negotiate bilaterally with a hegemon, we negotiate from weakness. We accept what's offered. We compete with each other to be the most accommodating.

This is not sovereignty. It's the performance of sovereignty while accepting subordination. In a world of great power rivalry, the countries in between have a choice – compete with each other for favour, or to combine to create a third path with impact.

We shouldn't allow the rise of hard power to blind us to the fact that the power of legitimacy, integrity and rules will remain strong, if we choose to wield them together – which brings me back to Havel.

What does it mean for middle powers to live the truth?

First, it means naming reality. Stop invoking rules-based international order as though it still functions as advertised. Call it what it is – a system of intensifying great power rivalry, where the most powerful pursue their interests, using economic integration as coercion.

It means acting consistently, applying the same standards to allies and rivals. When middle powers criticize economic intimidation from one direction, but stay silent when it comes from another, we are keeping the sign in the window.

It means building what we claim to believe in, rather than waiting for the old order to be restored. It means creating institutions and agreements that function as described. And it means reducing the leverage that enables coercion – that's building a strong domestic economy. It should be every government's immediate priority.

And diversification internationally is not just economic prudence, it's a material foundation for honest foreign policy, because countries earn the right to principled stands by reducing their vulnerability to retaliation.

So Canada. Canada has what the world wants. We are an energy superpower. We hold vast reserves of critical minerals. We have the most educated population in the world. Our pension funds are amongst the world's largest and most sophisticated investors. In other words, we have capital, talent… we also have a government with immense fiscal capacity to act decisively. And we have the values to which many others aspire.

Canada is a pluralistic society that works. Our public square is loud, diverse and free. Canadians remain committed to sustainability. We are a stable and reliable partner in a world that is anything but.. A partner that builds and values relationships for the long term.

And we have something else. We have a recognition of what's happening and a determination to act accordingly. We understand that this rupture calls for more than adaptation. It calls for honesty about the world as it is.

We are taking the sign out of the window. We know the old order is not coming back. We shouldn't mourn it. Nostalgia is not a strategy, but we believe that from the fracture, we can build something bigger, better, stronger, more just. This is the task of the middle powers, the countries that have the most to lose from a world of fortresses and most to gain from genuine cooperation.

The powerful have their power.

But we have something too – the capacity to stop pretending, to name reality, to build our strength at home and to act together.

That is Canada's path. We choose it openly and confidently, and it is a path wide open to any country willing to take it with us. Thank you very much".