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sábado, 25 de outubro de 2025

COP30: Conheça as cartas emitidas pelo presidente da COP, o embaixador André Corrêa do Lago

Ana Toni, diretora executiva, e o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30.Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A medida que se aproxima a COP30 (Belém, de 10 a 21 de novembro de 2025), aumentam as preocupações com os desafios do encontro que se realizará numa difícil conjuntura mundial. Será preciso superar o negacionismo e a sabotagem de Trump, o aparente recuo da Comunidade Europeia e outros desafios. Os europeus sempre foram propulsores dos avanços mas, pressionados pela guerra na Ucrânia e o enfraquecimento da OTAN, agora estão divididos entre investir no enfrentamento da emergência climática ou em armas.

Nas últimas COP's e encontros sobre o clima, uma grande expectativa foi se acumulando sobre a COP30. Impasses e polêmicas eram postergados: "Na COP30 a gente resolve", diziam...

A COP30 acontecerá dez anos após o Acordo de Paris, celebrado em 2015 (COP21), quando os países se comprometeram, através de seus planos nacionais de ação climática - as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), a reduzir as emissões dos gases do efeito estufa - GEE e adotar medidas de adaptação às mudanças climáticas. Nenhum país cumpriu o que prometeu!

Por isso, o principal resultado esperado da COP30 é a apresentação de novas NDCs, mais ambiciosas, embora factíveis, bem como a adoção de medidas para a sua efetiva implementação. No entanto, apenas 67 paises apresentaram suas NDCs renovadas! A expectativa é que até a COP30 o número de NDCs chegue a 105.

A ciência alerta que estamos num momento crítico para o futuro climático da Terra e as medidas de mitigação e adaptação nunca foram tão urgentes.

Diante da importância da COP30, a presidência brasileira, exercida pelo embaixador André Corrêa do Lago e por Ana Toni, diretora executiva (CEO), tem feito um grande esforço para garantir os resultados da Conferência. Corretamente, os dirigentes têm pressionado para que a COP30 deixe a retórica dos alertas e a longa fase de negociações (já dura 30 anos) e inaugure a fase de ação efetiva, repetindo o bordão: "Implementation, implementation, implementation..."

CARTAS DIPLOMÁTICAS

Chamando as nações do mundo para a implementação da agenda climática, a Presidência da COP30 emitiu oito Cartas para a comunidade internacional, demarcando a importância dos temas que estarão em debate em Belém e exortando os países à responsabilidade, a abandonar a quase letargia que nos deparamos e instando todos à ação.

A Carta mais recente, a oitava, foi publicada no dia 23 de outubro e dedicada ao tema da Adaptação às Mudanças Climáticas, "como o próximo passo da evolução humana" e "a primeira parte de nossa sobrevivência". Importante observar que a Adaptação é uma medida que envolve diretamente as cidades e as ações efetivas estão acontecendo de fato na instância local.

De forma contundente, com muitos chamados à reflexão, o presidente André Corrêa do Lago afirma:

"À medida que a era dos alertas dá lugar à era das consequências, a humanidade se depara com uma verdade profunda: a adaptação climática deixou de ser uma escolha que sucede a mitigação; ela é a primeira parte de nossa sobrevivência. Em cada momento decisivo de nossa evolução, nossa espécie conquistou seu lugar neste planeta por meio da adaptação – aprendendo, inovando e transformando as próprias condições da vida. A adaptação sempre exigiu a coragem de abandonar o que já não nos serve, preservando, ao mesmo tempo, aquilo que nos define.

Hoje, essa verdade evolutiva revela-se novamente com urgência. A biologia evolutiva confirma o que a sabedoria ancestral sempre reconheceu: a sobrevivência nunca pertenceu apenas aos mais fortes, mas aos mais cooperativos – aqueles capazes de cultivar relações simbióticas que sustentam a vida em equilíbrio. A cooperação tem sido a essência de nossa humanidade no processo de seleção natural".

Sobre as ações de adaptação, a COP30 terá três prioridades de ações globais e nacionais a serem debatidas em Belém: 

"Do objetivo último da Convenção ao objetivo de longo prazo do Acordo de Paris quanto a resiliência, do Objetivo Global de Adaptação (GGA) aos Planos Nacionais de Adaptação (NAPs), a COP30 deve ser a COP da adaptação. Ambição e ação em adaptação serão essenciais para que, em Belém, possamos avançar em três prioridades: (i) fortalecer o multilateralismo; (ii) aproximar o regime climático da vida cotidiana das pessoas; e (iii) acelerar a implementação climática".

Sobre os impactos da inação e procrastinação das medidas inevitáveis que o mundo precisa adotar, a Carta não faz rodeios e alerta: 

"Dados inéditos do Índice Global de Pobreza Multidimensional de 2025, publicados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento em 17 de outubro, revelam que 1,1 bilhão de pessoas, de um total de 6,3 bilhões em 109 países, vivem em pobreza multidimensional aguda – mais da metade delas crianças. Desses 1,1 bilhão, 887 milhões vivem em regiões que já enfrentam ao menos um grande risco climático, e 309 milhões enfrentam três ou mais riscos simultaneamente. A empatia nos obriga a perceber as vidas humanas por trás desses números – pequenos e microempreendedores perdendo seus negócios e sonhos, famílias deslocadas por enchentes, agricultores vendo seus campos secarem, crianças caminhando quilômetros em busca de água.

Sem adaptação, a mudança do clima se torna um multiplicador da pobreza, destruindo meios de subsistência, deslocando trabalhadores e aprofundando a fome. À medida que os impactos se intensificam, a inação não representa uma falha técnica, mas sim uma escolha política sobre quem vive e quem morre. O filósofo africano Achille Mbembe denunciou essa lógica como “necropolítica” – o uso do poder para decidir quais vidas são protegidas e quais consideradas descartáveis. Como formuladores de políticas e atores políticos, não somos menos responsáveis por atos de omissão.

A adaptação é tão vital para a proteção das economias quanto para a preservação das vidas humanas. Os desastres relacionados ao clima já custam à África entre 2% e 5% do PIB a cada ano. Nos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS), um único furacão pode comprometer décadas de progresso, como demonstrou a devastação causada pelo Ciclone Freddy em partes do Oceano Índico e do Caribe. Nos Países Menos Desenvolvidos (LDCs), as secas e enchentes recorrentes – do Sahel ao Chifre da África e ao Sudeste Asiático – comprometem a segurança alimentar, pressionam as finanças públicas e revertem conquistas de desenvolvimento arduamente alcançadas. Nos países da América Latina. os impactos climáticos também vêm agravando as desigualdades e aumentando as vulnerabilidades.

Estas não são apenas crises ambientais; são alertas fiscais, fraturas sociais e riscos sistêmicos à estabilidade global. A inação em relação à adaptação desencadeia instabilidade com repercussões globais no médio e longo prazo. Ao mesmo tempo, recursos nacionais que poderiam ser destinados a transições de baixo carbono e resilientes ao clima são cada vez mais consumidos por respostas emergenciais. À medida que as lacunas de adaptação se ampliam, o peso crescente das perdas e danos reduz ainda mais o espaço fiscal para investimentos de longo prazo, sobretudo nos países em desenvolvimento".
Adaptar não é uma escolha, mas uma necessidade:
A adaptação não é uma alternativa ao desenvolvimento – é a própria essência do desenvolvimento sustentável em um mundo em mudança climática. Ela fortalece a estabilidade fiscal, reduz o risco dos investimentos e aumenta a produtividade. Cada estrada resiliente, cada escola adaptada ao clima, cada sistema de alerta precoce se paga em perdas evitadas. O Banco Mundial estima que medidas robustas de adaptação podem gerar até quatro vezes o seu custo em benefícios econômicos. O financiamento para adaptação, portanto, não deve ser visto apenas como assistência.
Sobre o descumprimento das promessas de financiamento e a relevância das ações locais:
" (...) o financiamento para adaptação ainda representa menos de um terço do total do financiamento climático, muito aquém das necessidades. A falta crônica de investimentos deixa os países vulneráveis, obrigando-os a desviar recursos escassos da saúde, da educação e da infraestrutura para respostas emergenciais e ações de recuperação. O desequilíbrio entre mitigação e adaptação enfraquece a resiliência coletiva e perpetua desigualdades estruturais. Muitas comunidades já realizam iniciativas locais e experimentais de adaptação, mas esses esforços são frequentemente pouco reconhecidos, subfinanciados e mal conectados ao planejamento nacional".
Corrêa do Lago fala de uma nova economia: a economia da adaptação:
"(...) o surgimento de uma economia da adaptação, capaz de moldar novos caminhos para um crescimento e desenvolvimento positivos para o clima, ainda está por emergir. São necessários esforços adicionais para integrar plenamente a adaptação à ampla transição econômica que todos enfrentamos, garantindo que comportamentos preventivos e a resiliência permaneçam no centro das políticas econômicas, das práticas de compras públicas e dos novos mecanismos de incentivos financeiros. Soluções baseadas na natureza e sinergias entre clima e biodiversidade podem acelerar essa mudança: investir em florestas, áreas úmidas, manguezais e outros ecossistemas protege a natureza e fortalece economias resilientes e inteligentes para o clima".
O documento conclui reafirmando a necessidade de ênfase na implementação e adotando "uma agenda global guiada pelo cuidado". 
"Para além das negociações, a Agenda de Ação Climática da COP30 deve apresentar soluções concretas, para que Belém também seja lembrada como a COP da implementação da adaptação. Convidamos todas as iniciativas a trazerem suas melhores soluções e o mais alto nível de ambição para fechar lacunas em políticas e práticas – por exemplo, em saúde, segurança alimentar, gestão da água, financiamento para adaptação, cidades e regiões, infraestrutura, micro e pequenas empresas, entre outros.

A COP30 acontece no epicentro da crise climática. No entanto, das águas que avançam e dos céus que se transformam, emerge uma força mais profunda – a determinação das pessoas em proteger o que amam. Em Belém, honremos essa determinação e a transformemos em uma agenda global guiada pelo cuidado, não pela indiferença; pela interdependência, não pelo individualismo; pela coragem, não pela resignação. Em Belém, onde os rios encontram o mar, renovemos a aliança entre a humanidade e a natureza – transformando vulnerabilidade em solidariedade, cooperação em resiliência e adaptação em evolução. Mudando por escolha, juntos".

CARTAS ANTERIORES

Em março, a Presidência da COP30 publicou a primeira Carta. Veja, a seguir, o conteúdo de cada um dos documentos:

A primeira Carta trouxe a mensagem da cooperação entre os povos e propôs um esforço coletivo global e lançou ao mundo o conceito de Mutirão, de grande repercussão nos evento climáticos de preparação para a COP30. Veja alguns trechos:

"Ao aceitar a realidade e combater a catástrofe, o cinismo e o negacionismo, a COP30 deve ser o momento da esperança e das possibilidades por meio da ação – jamais da paralisia e da fragmentação. Devemos enfrentar a mudança do clima juntos e reativar nossas habilidades coletivas e individuais de resposta: nossas "responsa-habilidades".

"A cultura brasileira herdou dos povos indígenas nativos do Brasil o conceito de 'mutirão' ('motirõ' em tupi-guarani). A presidência da COP30 convida a comunidade internacional a se juntar ao Brasil em um mutirão global contra a mudança do clima”.

A Presidência convoca também os governos subnacionais: "A líderes e partes interessadas além da UNFCCC – em finanças, governos subnacionais, setor privado, sociedade civil, academia e tecnologia – a próxima presidência da COP30 os convida a participar do nosso "mutirão" global. A humanidade precisa de vocês".

Afirma que a UNFCCC passa da visão para a ação, conclamando a comunidade internacional a mobilizar-se diante da urgência climática.

Enfatizou a mobilização de esforços e detalhou três objetivos: reforçar as negociações multilaterais, aproximar o debate climático da vida das pessoas e acelerar a implementação do Acordo de Paris. O alerta sobre a dimensão da Crise Planetária:

"O relatório “Estado do Clima Global”, da Organização Meteorológica Mundial (OMM), confirmou que 2024 foi o ano mais quente já registrado, tendo a concentração atmosférica de dióxido de carbono alcançado o nível mais alto dos últimos 800 mil anos. Notam-se sinais claros de uma crise planetária no aumento da temperatura dos oceanos, na diminuição da cobertura do gelo marinho e massa das geleiras e no crescente nível do mar".

A Presidência da COP30 refere-se a quatro Círculos de Liderança: (i) o "Círculo dos Presidentes das COP", (ii) o "Círculo dos Povos", (iii) o "Círculo de Ministros da Fazenda" e (iv) o "Círculo do Balanço Ético Global". Como ondas que se formam e se fundem em uma implacável corrente, esses círculos fluirão juntos, canalizando a sabedoria coletiva para gerar renovação e evolução.

Refere-se aos impasses entre os negociadores e pede que se encontrem soluções conjuntas. Dirige-se aos atores sociais que participarão da SB62: 

"Em um contexto em que a urgência climática ocorre em interação com desafios geopolíticos e socioeconômicos crescentes, a Presidência da COP30 espera que todas as delegações se orientem por três prioridades interconectadas para o SB62 e a COP30: (1) reforçar o multilateralismo e o regime climático sob a UNFCCC; (2) conectar o regime climático à vida real das pessoas; e (3) acelerar a implementação do Acordo de Paris estimulando ações e ajustes estruturais em todas as instituições capazes de contribuir para esse objetivo".

Participei da SB62. Veja aqui as minhas anotações do evento realizado em Bonn, em junho de 2025.

A Carta também destacou outros pontos importantes: "Atingir essas metas inter-relacionadas exigirá mais do que compromisso. Exigirá uma mudança na forma como pensamos e trabalhamos juntos. O pensamento sistêmico — tema do qual tratei em minha última carta — é a chave para a exponencialidade na cooperação, a justiça nas transições e a sustentabilidade dos resultados. Assim como na nossa política, economia e sociedade — e no planeta onde tudo isso se insere —, as negociações também compreendem uma "ecologia de perspectivas", igualmente vulnerável a riscos de pontos de não-retorno e de danos irreparáveis ao processo decisório. Esperamos que o Mutirão global também leve os negociadores a se engajar no cuidado e no reparo dessa ecologia compartilhada no processo que construímos juntos. Temos a responsabilidade e a agência para evoluir da competição para a simbiose".

Foca na Agenda de Ação, em temas como: triplicar o uso de energia renovável, duplicar a eficiência energética e investir para parar e reverter o desmatamento. A Carta vai direta ao ponto:

"O primeiro Balanço Global (GST) é nossa bússola para a Missão 1.5. Ele orienta nossos esforços coletivos para perseguir os objetivos do Acordo de Paris, no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza. A Agenda de Ação deve criar a motivação coletiva para a plena implementação do GST. Deve mobilizar todas as partes interessadas para trabalhar ao lado dos governos em prol de causas globais, como interromper e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030. Também deve apoiar a aceleração da transição energética em todo o mundo, incluindo a triplicação da capacidade global de energia renovável, a duplicação da taxa média anual global de melhorias na eficiência energética até 2030 e a transição para o afastamento dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos, de maneira justa, ordenada e equitativa".

"Para apoiar a plena implementação do GST, a Agenda de Ação da COP30 será moldada como um "celeiro de soluções" — um repositório de iniciativas concretas que conectam a ambição climática com oportunidades de desenvolvimento em investimentos, inovação, finanças, tecnologia e capacitação. Guiada pelo teor do GST, a Presidência da COP30 propõe que a Agenda de Ação seja organizada em seis eixos temáticos que abrangem mitigação, adaptação e meios de implementação: (i) Transição nos Setores de Energia, Indústria e Transporte; (ii) Gestão Sustentável de Florestas, Oceanos e Biodiversidade; (iii) Transformação da Agricultura e Sistemas Alimentares; (iv) Construção de Resiliência em Cidades, Infraestrutura e Água; (v) Promoção do Desenvolvimento Humano e Social; e, finalmente, o eixo transversal, (vi) Catalisadores e Aceleradores, incluindo Financiamento, Tecnologia e Capacitação".

Faz um apelo às pessoas para que assumam o protagonismo na resposta às questões do clima e defende uma especial atenção para populações mais vulneráveis.

"Somos os povos das Nações Unidas, resolvidos a salvar as gerações futuras do flagelo dos riscos emergentes. Sabemos, no fundo das nossas almas e através das nossas instituições, que pertencemos uns aos outros. Encontramos sentido em honrar os nossos antepassados e em salvaguardar o futuro dos nossos filhos. Achamos propósito em unir as nossas forças e combinar os nossos esforços em prol da proteção, da justiça e da prosperidade compartilhadas.

Somos pessoas em famílias, cidades e países. Somos pessoas em negócios, mercados e finanças. Somos pessoas da natureza, de ecossistemas e do planeta. Em um clima em transformação, as experiências humanas de perda e de convivência não são abstratas. Elas são geográficas, corpóreas, sagradas. Transformam-se em memórias, luto e coragem. Que as honremos na COP30".

Lança o lema: "Mudar por escolha: juntos!"

A presidência da COP convocou os países a estabelecer novas metas de redução de gases de efeito estufa - condição essencial para mais ambiciosas para que seja possível frear o aumento da temperatura global.

Refere-se aos resultados da SB62: "Nesta carta, refletirei sobre as 62ª sessões do Órgão Subsidiário de Assessoramento Científico e Tecnológico (SBSTA) e do Órgão Subsidiário de Implementação (SBI) da UNFCCC (SB62), que foram realizadas em Bonn, Alemanha, de 16 a 26 de junho de 2025. Com base no que a Presidência ouviu das Partes em Bonn, apresento abaixo os próximos passos em nosso caminho rumo à COP30.

Na minha terceira carta, convidei os negociadores a se engajarem como co-construtores de uma infraestrutura global de confiança, trabalhando juntos em modo de força-tarefa para garantir progressos significativos na SB62. As sessões de junho em Bonn alcançaram encaminhamentos satisfatórios que podem abrir caminho para resultados bem-sucedidos na COP30, incluindo questões pendentes de negociação relacionadas a (i) indicadores do Objetivo Global de Adaptação (GGA) no âmbito do Programa de Trabalho Emirados Árabes Unidos-Belém, (ii) o Diálogo sobre a implementação dos resultados do Balanço Global (GST) e (iii) o Programa de Trabalho sobre Transição Justa (JTWP)".

Cobra das empresas que liderem ações concretas para transformar compromissos em realidade.

"Diante de um cenário de incerteza sistêmica, em que a urgência climática interage com desafios geopolíticos e socioeconômicos cada vez mais complexos, uma tendência é certa: a transição climática em curso é irreversível. Em diversos setores, líderes visionários e pioneiros já anteciparam as mudanças radicais que se avizinham e escolheram, há décadas, agir, iniciando uma revolução sustentável em muitos segmentos da economia. Como mencionei em minha primeira carta, os líderes empresariais que anteciparem essas mudanças radicais serão aqueles que prosperarão, ao construir resiliência e aproveitar as extraordinárias oportunidades que a transição em curso oferece. Hoje, conclamo todos os líderes empresariais a se unirem ao mundo em Belém. Façam parte desse movimento, juntando-se à mobilização global por um futuro mais próspero, resiliente e sustentável".

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Enfim, é uma corrida contra o relógio e o relógio está ganhando. E o preço da derrota é enorme e cresce a cada dia. A falta de ação é uma irresponsabilidade perante as atuais e futuras gerações. 

As ações virão: pela razão ou pelo desastre. Que façamos por merecer a designação que demos a nós mesmos: Homo sapiens. Que venha pela sabedoria.

Axel Grael
Prefeito de Niterói (2021-2024)
Membro do Comitê Global do ICLEI
Doutorando PPGAU/UFF


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quinta-feira, 23 de outubro de 2025

ONU: aquecimento global de 1,5°C é inevitável, reconhece Guterres


Segundo o secretário-geral da ONU, reduções substanciais nas emissões de carbono nas próximas décadas ainda podem reverter o cenário.

Em mais um apelo à comunidade internacional, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que o aumento da temperatura média do planeta nos próximos anos deve superar o limite de 1,5oC em relação aos níveis pré-industriais, definido pelo Acordo de Paris. Mas ressaltou que o quadro pode ser revertido de modo a conter as mudanças climáticas neste século.

“Uma coisa já está clara: não conseguiremos conter o aquecimento global abaixo de 1,5°C nos próximos anos. A ultrapassagem agora é inevitável, o que significa que teremos um período, maior ou menor, com maior ou menor intensidade, acima de 1,5°C nos próximos anos”, disse Guterres no congresso da Organização Meteorológica Mundial (OMM) nesta 4ª feira (22/10) em Genebra, na Suíça.

Para o secretário-geral da ONU, essa situação reforça a necessidade de sistemas de alerta precoce de desastres naturais, considerando os impactos que o aquecimento atual já garante. Por outro lado, ele ressaltou que o quadro não é irreversível: ainda há tempo e condições para os países conseguirem conter o aumento da temperatura média global dentro do limite mais rígido do Acordo de Paris até o final deste século.

“Se houver uma mudança de paradigma e as pessoas assumirem seriamente que precisamos lidar com o problema, é possível antecipar o máximo possível para chegar ao zero líquido [de emissões] e, em seguida, ficar consistentemente com líquido negativo no futuro para que as temperaturas caiam novamente e o 1,5°C ainda permaneça possível antes do final do século”, destacou Guterres.

De fato, o panorama não é otimista. Como a AFP observou, a pouco mais de duas semanas até a COP30, nem metade dos quase 200 países signatários do Acordo de Paris entregaram suas novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC). Considerando os poucos que entregaram seus novos compromissos climáticos – que, segundo Guterres, equivalem a 70% das emissões globais -, a perspectiva é de uma redução coletiva de 10% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) até 2035, um número muito abaixo dos 60% de redução que os cientistas indicam como necessário para se conter o aquecimento global em menos de 1,5oC.

O caminho para a reversão deste cenário é um só: precisamos reduzir as emissões de GEE de forma substancial e sustentada o quanto antes possível, sob o risco de mudanças climáticas ainda mais imprevisíveis e devastadoras no futuro. “A ciência nos diz que é necessário ter muito mais ambição”, alertou o chefe da ONU.

Sobre a COP30, Guterres afirmou que espera o fim do impasse sobre financiamento climático, que ainda divide países ricos e pobres. “No Brasil, os líderes precisam concordar com um plano confiável para mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais em financiamento climático até 2035 para os países em desenvolvimento. As nações desenvolvidas devem honrar [também] seu compromisso de dobrar o financiamento para adaptação para pelo menos US$ 40 bilhões neste ano e implementar rapidamente ferramentas comprovadas para desbloquear bilhões e mais em financiamento concessional”, disse.

A fala de Guterres no congresso da OMM também foi repercutida pela Reuters, Estadão, Folha e UOL, entre outros.

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Em tempo: Uma análise do Climate Central divulgada ontem mostrou o tamanho do prejuízo causado pelos eventos climáticos extremos que ocorreram no 1º semestre de 2025 nos EUA. Segundo o levantamento, a primeira metade deste ano foi a mais custosa já registrada, puxada em parte pelos megaincêndios que devastaram Los Angeles em janeiro. Nesse período, foram observados 14 desastres climáticos com danos de pelo menos US$ 1 bilhão cada. No total, esses eventos provocaram danos de US$ 101 bilhões, considerando perda de casas, empresas, rodovias e outras infraestruturas. Só os incêndios na Califórnia custaram US$ 61 bilhões. A notícia é do Guardian.

Fonte: ClimaInfo


quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Mundo ultrapassa a marca de 1,6°C: entenda o que isso significa para o clima e quais os impactos para o Brasil

Primeiro dia sem gelo no Ártico pode acontecer em 2027, alerta estudo

Especialistas explicam que calor recorde afeta mais países subdesenvolvidos e tropicais, como o Brasil, e expõe à população a extremos. Dados do Cemaden mostram que, em 2024, regiões no país ficaram até 2,2°C mais quente.

Por Poliana Casemiro

O mundo está ficando mais quente e isso está acontecendo muito antes do esperado. O ano de 2024 foi o mais quente já registrado na Terra e, pela primeira vez, a temperatura média global aumentou 1,6ºC em relação aos níveis pré-industriais, superando o que é considerado limite seguro para o planeta.

➡️ Você pode pensar que o ano ser o mais quente já visto pode não ser uma novidade – e não é. Há uma década, os anos vêm marcando recordes de temperatura. Por exemplo: 2023 já tinha sido considerado o ano mais quente vivido na Terra.

🔴 O problema é que, agora, esse aumento chegou a um patamar acima do limite do que é considerado seguro. A previsão dos pesquisadores há quase uma década para quando isso acontecesse é que sofreríamos extremos de chuva, seca e mortes. E foi o que vimos em 2024:
🔴 Chuvas intensas como as que devastaram cidades inteiras no Rio Grande do Sul e na Espanha, que viveu a pior tempestade da história;
🔴 A pior temporada de furacões da história dos Estados Unidos;
Chuvas que mataram centenas de pessoas na África e mudaram a paisagem do deserto;
🔴 Ao mesmo tempo, secas extremas, deixando pessoas sem água e isoladas, como vimos no Norte do Brasil;
🔴 Incêndios florestais de grandes proporções, como os que aconteceram no Brasil e cobriram o país de fumaça por meses.

O que especialistas dizem é que todo esse cenário pode ser apenas uma amostra do que podemos esperar no futuro caso a Terra continue tão quente como está.

➡️ O 1,5°C foi definido no Acordo de Paris, em 2015, após pesquisas indicarem que esse seria o “limite seguro” das mudanças climáticas. Isso porque, se o índice atingisse a marca de 2°C, que era o que estava sendo previsto com o avanço das emissões, a Terra estaria em risco.

Para que esse limiar fosse mantido, no entanto, era necessário conter o avanço das emissões de gases do efeito estufa, causadores do aquecimento global. Esses gases, como o dióxido de carbono, fazem parte do dia a dia do mundo e de operações que são pilares da economia – o que torna tudo mais difícil.

O que os especialistas dizem é que ter chegado a 1,6°C mais quente em relação aos níveis pré-industriais em 2024 é um indício de que podemos estar mais perto dos 2°C.

"A indústria e os países estão fracassando no compromisso de reduzir as emissões e, agora, superamos um marco limite. Se a gente não reduzir rapidamente, vamos bater os 2°C em breve e isso vai ser um suicídio ecológico"

— Carlos Nobre, climatologista e referência mundial em estudos sobre mudanças climáticas.

🔴 É importante lembrar que o cálculo é uma média, que leva em conta as temperaturas registradas no mundo todo, que tem lugares mais quentes que outros. Os países mais vulneráveis são os tropicais, como o Brasil. Um levantamento feito pelo Cemanden a pedido do g1 mostra que há locais no país que ficaram 2,2°C mais quentes nos últimos 80 anos. (Leia mais abaixo)

O g1 conversou com Carlos Nobre, climatologista e referência mundial em estudos sobre mudanças climáticas; Paulo Artaxo, pesquisador e membro do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU; e José Marengo, membro do IPCC e coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) para explicar o que esse cenário pode causar e o que devemos esperar do futuro.

O que significa ultrapassar 1,6°C na temperatura para o clima?

Cientistas no mundo todo vêm alertando sobre o aumento da temperatura global. O calor é um risco à saúde humana e à natureza, muda o clima e pode até fazer países desaparecerem, como as Ilhas no Pacífico que podem sumir com o aumento do nível das águas – consequência do aquecimento global.

Quando foi feito o Acordo de Paris, em 2015, o que as pesquisas apontavam era que seria necessário reduzir essas emissões para evitar que o planeta chegasse aos 2°C de aquecimento. Ou seja, o esperado era que a Terra chegasse a temperatura atual apenas décadas de 2025.

No entanto, desde o acordo, a transição energética — para que o mundo usasse menos combustíveis fósseis em sua produção — andou a passos lentos. As emissões continuaram a subir. (Veja o gráfico abaixo)

Dados mostram que 2024 atingiu recorde de emissões de gases do efeito estufa — Foto: Arte/g1

À época do acordo, o ano de 2015 tinha sido o mais quente já registrado na Terra e a temperatura média global tinha aumentado em 0,90°C – o que já era considerado um alerta. Mas não parou por aí: os últimos 10 anos seguiram batendo recordes, ano a ano. Com isso, ficando mais perto do limite.

🔥 Por exemplo: em 2021, o aumento da temperatura média global tinha sido de 1,11°C em relação aos níveis pré-industriais. Em 2022 esse número foi para 1,15°C, superado em 2023 para 1,48°C e, agora, 2024 ultrapassa todos os índices ao chegar a 1,6°C.

Ou seja, enfrentamos “uma década de calor mortal”, como declarou a Organização das Nações Unidas (ONU) e esse calor significa que podemos estar mais perto de atingir níveis em que não é mais possível reverter.

Para Paulo Artaxo, membro do IPCC, painel ligado à ONU, o índice pode indicar que chegamos ao limite, avançando décadas em relação ao que a ciência havia previsto.

"O que estamos observando é que estamos ultrapassando todos os limites e isso significa que podemos já estar no caminho dos 2°C, o que não pode acontecer. Isso significa um colapso, principalmente para países tropicais como o nosso".

— Paulo Artaxo, pesquisador e membro do IPCC, o painel sobre mudanças climáticas da ONU.
Carlos Nobre, referência mundial em estudos sobre mudanças climáticas, também reforça que o índice indica que, caso as emissões não sejam reduzidas, é possível que não consigamos impedir a Terra de chegar a uma temperatura de “colapso”.

Rio Madeira em meio á seca — Foto: DNIT

Como isso afetou o Brasil e quais os riscos para o país?

De acordo com o centro europeu Copernicus, todos os continentes pelo mundo foram afetados pelas altas temperaturas. No Brasil, análises de órgãos locais como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mostram que o país viveu o ano mais quente de sua história.

Um levantamento do Centro Nacional de Desastres Naturais (Cemaden), órgão do governo federal que apoia na tomada de decisões sobre extremos climáticos, feito a pedido do g1 mostra que nos últimos 80 anos há regiões no país que ficaram até 2,2°C mais quentes.

A análise usou os dados do Copernicus, mas com o recorte nacional, por bioma, representando as regiões do país, e observou a diferença de temperatura entre 2024 e o que foi observado em 1940, início da série histórica.

Veja os índices por bioma:

🔥 No Pantanal, o aumento da temperatura nos últimos 84 anos foi de 2,2°C, o que abrange regiões do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, por exemplo.
🔥 Na Mata Atlântica, que fica na região Sudeste, o índice foi de 1,72°C.
🔥 No Cerrado, que cobre parte do Centro-Oeste e Nordeste, as temperaturas ficaram 1,61°C mais altas.
🔥 Na Caatinga o aumento foi de 1,3°C no período de 80 anos;
🔥 No Pampa, que fica na região Sul, o aumento foi de 0,62°C.

O aumento das temperaturas também causou extremos. Em 2024, o país viveu a pior seca já registrada em sua história recente. A estiagem fez a terra aparecer em meio aos rios do Norte, maior bacia do mundo. A falta de chuva fez a vegetação secou e vivemos incêndios recordes que cobriram parte do país de fumaça e tornou difícil respirar por meses.

Prédios praticamente somem no horizonte devido à camada de poluição e fumaça em São Paulo — Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

Isso tudo aconteceu ao mesmo tempo em que na outra ponta do país, no Rio Grande do Sul, chuvas torrenciais se formassem, devastando cidades que ficaram completamente alagadas e matando dezenas de pessoas.

O que José Marengo, um dos principais especialistas do país sobre clima, explica é que o Brasil experimentou dos extremos que eram previstos quando a terra aquecesse além do patamar limite.

O Rio Grande do Sul foi prejudicado pelo grande volume de chuva que atinge o estado — Foto: Reprodução/TV Globo.

Marengo alerta que o Brasil é um dos países vulneráveis a esses extremos com o aumento das temperaturas e que se o patamar não for revertido, será como cair de um “penhasco alto”.

"O calor altera o clima e nos deixa expostos a desastres como ondas de calor intensas, seca, chuvas difíceis de conter os estragos. Passar desse patamar é como cair de um penhasco alto".

— José Marengo, pesquisador sobre o clima.

Um relatório recente do Cemaden, que faz o alerta de desastres no país, levando em conta desastres ligados às chuvas, aponta que apesar das oscilações, o volume de ocorrências chegou a patamares elevados. Em 2024, foram 1,6 mil ocorrências. (Veja o gráfico abaixo)

Os pesquisadores alertam que nesse período houve melhorias no monitoramento, o que fez com que os números crescessem. Ainda assim, o aumento das ocorrências de desastres se tornou uma realidade. Reforçam ainda que os dados são de ocorrências e não representam a magnitude. O caso do Rio Grande do Sul, por exemplo, é um dos piores desastres na história do país, o que faz de 2024 um marco quando se fala em tragédias por extremos.

Cestas de alimentos foram destinadas às famílias ribeirinhas afetadas pela seca extrema — Foto: Divulgação

Para além do risco à saúde e à vida, ainda há o risco para a economia. De um lado, há um gasto dos cofres públicos que precisam encontrar verba em meio às crises para apoiar as cidades afetadas. Entre 2011 e 2023, o governo federal perdeu R$485 bilhões com desastres naturais.

De outro, as perdas econômicas aos setores produtivos no país. Segundo a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), em um balanço que reuniu dados apenas de 2024 sobre a seca nos estados do Norte, região mais afetada pela crise, os prejuízos financeiros chegam a R$ 2 bilhões.

E se a média global superar os chegar aos 2°C mais quentes que a era pré-industrial?

O que os especialistas apontam é que as previsões são de que cidades pelo país fiquem até 4°C mais quentes. Isso significa um calor insuportável.


Fumaça de queimadas contribuem para o aquecimento do globo — Foto: REUTERS/Adriano Machado

O que é preciso fazer para frear o avanço das temperaturas?

A única maneira de conter o avanço das temperaturas e evitar que o mundo atinja a marca de risco de 2°C é frear as emissões de gases do efeito estufa.

De acordo com os dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Copernicus, as emissões vem aumentando em 2024 e podem ter chegado a patamares maiores dos que já registrados antes.

🔴 Você pode se perguntar: como isso acontece se há um acordo internacional para redução desses índices? Isso acontece porque o compromisso não vem sendo cumprido e não é uníssono entre os países.

Empresas têm anunciado há alguns anos projetos de redução de emissão, mas especialistas apontam que isso não está sendo feito na velocidade que o mundo precisa.

A humanidade como um todo, em particular os países desenvolvidos e a indústria do petróleo, fracassou em reduzir as missões e acabar com a exploração de combustíveis fósseis.

— Paulo Artaxo, membro do IPCC.

Na COP 30, que acontece no Brasil, os países vão ter que anunciar as novas metas, atualizando o acordo de Paris. Para Carlos Nobre, essa edição da conferência, em que novas metas são estabelecidas, acontecendo depois de um anúncio como esse, torna o evento no Brasil um dos mais importantes desde a sua criação, mas é também um desafio.

“Os desafios do país são muito grandes para essa COP. A edição vai ser muito estratégica para mudar o patamar do aquecimento global que estamos observando atualmente”, reforça Carlos Nobre.

País é o sexto maior emissor de gases do efeito estufa — Foto: Reprodução/TV Globo

O Brasil já anunciou uma atualização do seu compromisso do Acordo de Paris e afirmou que prevê reduzir suas emissões de gases de efeito estufa entre 59% e 67% até 2035.

No entanto, o que especialistas citam é que, com os índices atuais do clima, já não seriam o suficientes. Segundo o Observatório do Clima, o Brasil deveria se comprometer a reduzir as emissões líquidas em 92% até 2035. Isso significa chegar até a metade da próxima década emitindo, no máximo, 200 milhões de toneladas de gases de efeito estufa.

Para se ter ideia, atualmente, a emissão líquida do Brasil é de cerca de 2,3 bilhões de toneladas de gases – o país é o sexto maior emissor do planeta.

China, Estados Unidos, Índia, União Europeia (UE), Rússia, Brasil, Indonésia, Japão, Arábia Saudita e Canadá foram os 10 maiores emissores de gases de efeito estufa (GEE) em 2023 de acordo com o relatório mais recente do EDGAR (Emissions Database for Global Atmospheric Research) da União Europeia.

Um ponto de atenção para o país é a questão da Foz do Amazonas. No ano passado, a Petrobras descobriu uma acumulação de petróleo em águas ultraprofundas da Bacia Potiguar, no poço exploratório Anhangá, na margem equatorial brasileira.

➡️ A margem equatorial se estende por mais de 2.200 km ao longo da costa entre o Rio Grande do Norte e o Oiapoque, no Amapá. A região é considerada a mais nova fronteira exploratória brasileira em águas profundas e ultraprofundas, e já foi chamada de "novo pré-sal".

A possibilidade de explorar petróleo nessa região é criticada por ambientalistas que apontam riscos de tragédias ambientais, afetando o território amazônico. A exploração depende da autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) – o que a Petrobras ainda não teve. Segundo o órgão, a empresa ainda não retornou ao último pedido de esclarecimentos para a avaliação, que estava em aberto desde 2024.

A possibilidade de explorar petróleo em meio à transição pode parecer contraditória em meio ao anúncio de redução de emissões – e foi exatamente isso que Lula disse em uma entrevista em junho de 2024. E completou que “o Brasil tem que ganhar dinheiro com esse petróleo”.

Fonte: G1






segunda-feira, 13 de julho de 2020

Alfredo Sirkis: a despedida de um campeão da sustentabilidade




O movimento ambientalista, a sustentabilidade urbana, a luta contra as mudanças climáticas e a política brasileira perderam um de seus maiores nomes e um lutador aguerrido, Alfredo Sirkis, falecido tragicamente num acidente de automóvel na última sexta-feira, dia 10 de julho. 

Meu último encontro com ele foi há poucos dias, infelizmente de forma remota, quando Sirkis lançou o seu livro "Descarbonarios" numa live que reuniu seus amigos, admiradores e companheiros de caminhada, que eram muitos. No meio da minha correria diária, entrei na reunião, deixei uma mensagem e saí. Ele viu que passei rapidamente, pediu que a nossa amiga, a ambientalista Alba Simon, me ligasse para voltar. Me saudou como o "próximo prefeito de Niterói", disse que viria fazer a nossa campanha e que queria ajudar a fazer de Niterói uma referencia em políticas climáticas. Também se referiu ao prefeito Rodrigo Neves e fez uma defesa enfática com relação à injustiça cometida contra ele em 2018. Era um apaixonado pela cidade do Rio e também por Niterói. Ele sempre acompanhava nossos passos por aqui e me ligava para comentar.

Sirkis tinha personalidade forte, era uma figura firme e imponente. Brizola o chamava de "general prussiano"! Tinha aquele jeito durão e aparência enérgica, mas ao falar de seus projetos e sonhos, mostrava-se um aguerrido perseguidor dos seus ideais. Muito culto, falava vários idiomas e se correspondia com personalidades mundiais da primeira linha. Eu sempre admirei a sua capacidade de leitura e interpretação do cenário político e a sua estreita conexão com o que havia de vanguarda nas políticas para a sustentabilidade no mundo.

Ajudou a fundar três partidos: foi um dos signatários da Carta de Lisboa, de 1979, que deu origem ao Partido Democrático Trabalhista - PDT, foi um dos fundadores de Partido Verde (1986) e da Rede Sustentabilidade (2013). 




Sirkis e a minha carreira na gestão pública

Foi ele que, como presidente do PV, me indicou para o meu primeiro cargo público: presidente do Instituto Estadual de Florestas - IEF-RJ, no segundo governo Brizola. Era 1990/1991, eu tinha por volta de 32 anos, já militava como ambientalista em Niterói desde 1980, e fui pinçado por ele do movimento ambientalista para esse importante desafio. Naquela ocasião eu era um dos líderes do Movimento Cidadania Ecológica - MCE, e tínhamos como principal bandeira a criação do Parque Estadual da Serra da Tiririca, para o qual produzimos os estudos técnicos para embasar a sua criação, redigimos a minuta de projeto de lei e fazíamos a mobilização para pressionar para a sua efetivação.

Agitávamos muito, tínhamos uma grande capacidade de mobilização e chegamos a ter uma grande repercussão na imprensa. Certa ocasião, num domingo, fomos foto de destaque da primeira página do Jornal do Brasil, caminhando pela trilha do Alto Mourão e reivindicando o parque. Dias depois, Sirkis me telefonou, perguntou se eu aceitaria presidir o IEF, justamente o órgão que teria a atribuição de implantar e gerir o nosso parque, além de todas as demais do estado. Apesar da total falta de experiência, aceitei o convite e aguardei a resposta dos entendimentos dele com o governador eleito, Leonel Brizola. 

Eu trabalhava com consultoria ambiental, como responsável pela área ambiental do escritório do Rio de Janeiro da Jaakko Pöyry Engenharia, uma empresa de origem finlandesa e que era na ocasião uma das maiores do país. Quando eu voltava de uma visita a uma indústria no Sul do estado, Sirkis me ligou e disse, preciso que você me acompanhe em uma solenidade. Segui da estrada direto para o local, uma recepção de engravatados e eu me sentindo um mulambo. Lá, encontrei o jornalista Roberto D'Ávila, que já havia sido anunciado como o futuro secretário estadual de Meio Ambiente e este me apresentou aos presentes como o novo presidente do IEF-RJ.

Com Sirkis na cidade do Rio de Janeiro

Depois dos quatro anos no IEF-RJ, já encantado com a administração pública, fui ajudar o Sirkis a implantar a Secretaria de Meio Ambiente da Cidade (Prefeitura do Rio). Na época, ele estava no meio de uma grande polêmica, divergindo publicamente do prefeito Cesar Maia e com o então secretário de Urbanismo, Luiz Paulo Conde, sobre a supressão de umas árvores e a destruição de um bosque de umas árvores ameaçadas de extinção, as tabebuias, na Barra. Para reforçar a sua posição, fui nomeado por ele diretor executivo da Fundação Parques e Jardins do Rio, com a missão de implantar uma política para a arborização pública da cidade.

Na época, eu também o ajudei a iniciar a implantação da malha cicloviária do Rio, uma iniciativa pioneira no país. Juntamente com a arquiteta Estela Neves, eu atuava na estruturação de um programa de educação cicloviária, com a finalidade de superar os muitos conflitos que surgiram com a chegada das ciclovias do Rio.

Ironicamente, Alfredo que era um amante da bicicleta e crítico do automóvel, nos deixou num acidente de carro e batendo num poste com energia solar. Certamente, isso há de nos ensinar algo, assim que formos capazes de compreender tristes momentos como este. 

Sirkis fará muita falta, mas certamente o céu está mais verde e emanando ventos de sustentabilidade para nós. Ele deixou a sua marca por aqui e continuará sempre nos inspirando. 

Axel Grael



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Ex-deputado federal Alfredo Sirkis morre em acidente de carro

O ex-deputado federal Alfredo Sirkis, de 69 anos, morreu num acidente de carro nesta sexta-feira, dia 10, no Arco Metropolitano. Segundo informações O veículo, um Volkswagen Polo, cinza, saiu da pista, bateu num poste e capotou.

O acidente ocorreu por volta das 14h20 no km74, na altura de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, no pista sentido Caxias-Dutra.

Alfredo Hélio Syrkis nasceu no dia 8 de dezembro de 1950 no Rio de Janeiro. Era jornalista, escritor e roteirista de TV e cinema, gestor ambiental e urbanístico e ex-parlamentar. Atualmente, era diretor executivo do think tank Centro Brasil no Clima (CBC). Entre outubro de 2016 e maio de 2019 foi o coordenador executivo do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima (FBMC), tendo organizado a campanha Ratifica Já! que propiciou a ratificação, pelo Brasil, em tempo recorde, do Acordo de Paris; do processo para a elaboração da Proposta Inicial para Implementação da NDC brasileira e da avaliação Brasil Carbono Neutro 2060. Quando deputado federal (2011-2015) presidiu a Comissão Mista de Mudança do Clima do Congresso Nacional (CMMC) e foi um dos vice-presidentes da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados. Decidiu não se candidatar à reeleição, em 2014.

Foi vereador em quatro mandatos, secretário municipal de urbanismo e presidente do Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos (IPP), entre 2001 e 2006 e secretário municipal de meio ambiente, entre 1993 e 1996, na cidade do Rio de Janeiro. Membro da delegação brasileira às conferências do Clima de Montreal, Bali, Copenhagen, Durban, Varsóvia, Lima, Paris, Marrakech e Bonn. Integrou as comissões executivas do ICLEI (International Council for Local Environmental Initiatives) e do Metrópolis. Foi um dos fundadores do Partido Verde brasileiro e um dos expoentes da ideologia verde no Brasil.

Autor de nove livros, dos quais o mais conhecido é Os Carbonários (1980), Prêmio Jabuti de 1981, ele iniciou seu trabalho como jornalista, em Paris, em 1973, no recém fundado jornal Liberation, dirigido por Jean Paul Sartre, foi seu correspondente freelancer em Santiago (1973, durante o golpe de estado) e Buenos Aires (1974). Em Portugal colaborou com os semanários Expresso e Gazeta da Semana e os diários República, Diário Popular, Diário de Lisboa, foi redator do Jornal Novo, editor internacional de Página Um e redator chefe da edição em português de Cadernos do Terceiro Mundo. Nessa época também colaborou com Le Monde Diplomatique. Nesse período utilizava o pseudônimo “Marcelo Dias”.

Nos anos 70 passou oito anos e meio no exílio na França, Chile, Argentina e Portugal. Foi líder estudantil secundarista, em 1967 e 1968. Entre 1969 e 1971 participou da resistência armada contra a ditadura militar brasileira (1964–1985) (os Anos de Chumbo), participando de operações armadas, inclusive dois sequestros de diplomatas que levaram à libertação de presos políticos.

Na imprensa brasileira trabalhou como repórter das revistas Veja (1982) e Istoé (1983) e colaborou com os semanários Pasquim, Playboy, Jornal de Domingo e Shalom. Elaborou diversos roteiros para a série Teletema da TV Globo (1986-7) como Maria Testemunha, Estrela do Mar, O russo desaparecido e a Mulata Esmeralda, O grande prêmio e A árvore mágica.

Foi colaborador dos jornais O Globo, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Valor Econômico e Correio Brasiliense.

POLÍTICA

Ao voltar do exílio, dedicou-se à carreira de escritor. Lançou, em 1980, o livro de memórias Os carbonários, que se tornou um best-seller. e ganhou o Prêmio Jabuti de 1981. No ano seguinte, lançou mais um livro de memórias, desta vez abordando seus dois primeiros anos no exílio: Roleta chilena. Em 1983, lançou Corredor polonês, romance baseado na trajetória de seus pais poloneses. Em 1985, fez uma incursão no gênero da ficção científica com Silicone XXI, onde descreve uma Rio de Janeiro futurista.

Abandonando a ideologia marxista de seus tempos de guerrilheiro, Sirkis não entrou para os tradicionais partidos de esquerda e tornou-se um dos expoentes da ideologia verde no Brasil. Em 1986, foi um dos fundadores do Partido Verde brasileiro, seu primeiro secretário-geral e presidente nacional entre 1991 e 1999.

Elegeu-se vereador do município do Rio de Janeiro em 1988, sendo o mais votado, com 43 000 votos.

Em 1989, obteve a aprovação do tombamento do Bosque da Freguesia, em Jacarepaguá e a Lei de Sinalização Ecológica.

Em 1990, obteve a aprovação para a criação da Área de Proteção Ambiental da Prainha, impedindo a construção de doze edifícios no local. Elaborou o capítulo de meio ambiente da Lei Orgânica do Município do Rio de Janeiro.

Em 1991, liderou a luta em defesa da Lagoa de Marapendi, ameaçada por um projetos imobiliários; elaborou o capítulo de meio ambiente do Plano Diretor Decenal e obteve o compromisso do prefeito Marcello Alencar para a construção das ciclovias da orla marítima.

Em 1992, obteve a aprovação da Lei de Incentivos Fiscais para projetos eco-culturais (desde então, chamada Lei Sirkis), que viabilizou o Fórum Global 92 durante a Conferência das Nações Unidas Sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento; criou a Área de Proteção Ambiental das Brisas, na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro e presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito de atividades irregulares de segurança. Foi reeleito vereador, embora tenha se afastado para ser o primeiro secretário municipal de meio ambiente do Rio de Janeiro de 1993 a abril de 1996.

Em 1993, foi convidado pelo prefeito César Maia para criar a secretaria de meio ambiente da cidade, assumindo o cargo de secretário extraordinário. A lei de criação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente encontrou forte resistência na Câmara de Vereadores, sendo rejeitada duas vezes antes de ser aprovada em 1994.

Em 1994, desenvolveu mutirões de reflorestamento, iniciou o projeto das Ciclovias Cariocas e criou o Conselho das Águas da Baixada de Jacarepaguá.

Em 1995, começou a construção das ciclovias; realizou obras de recuperação da rede da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro no entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas; iniciou o saneamento do Recreio dos Bandeirantes; implantou o Parque do Bosque da Freguesia e o Parque Marcelo de Ipanema; iniciou a dragagem da Lagoa do Camorim e ampliou o mutirão de reflorestamento em 47 favelas.

Deixou o cargo de secretário municipal em abril de 1996 com uma aprovação de 87%, segundo pesquisa do IBOPE. Lançou a coletânea Verde Carioca. Concorreu novamente à Câmara de Vereadores. Perdeu as eleições por insuficiência de votos da coligação, mas obteve uma votação pessoal maior do que a grande maioria dos vereadores eleitos e ficou como primeiro-suplente do Partido Verde.

Em 1997, assumiu a secretaria executiva da Fundação Ondazul e seu processo de reorganização. Elaborou o projeto do Parque Ecoturístico do Cânion do São Francisco, na Bahia.

Foi candidato à presidência da república pelo Partido Verde em 1998, com o objetivo de divulgar as propostas do partido.

Ao deixar a presidência nacional do partido em 1999, assumiu a vice-presidência executiva da Fundação Ondazul. Tendo sido votado o primeiro-suplente de vereador do Rio de Janeiro pelo Partido Verde nas eleições municipais de 1996, Alfredo Sirkis conseguiu assumir o mandato em 1999. Cuidou da aprovação das áreas de proteção ambiental da Capoeira Grande e do Morro do Silvério, na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro. Lançou Ecologia urbana e poder local, um ensaio sobre gestão ecológica.

Em 2000, conseguiu a criação dos projetos Reciclagem e Cultura e Manguezais da Baía da Guanabara.

Em 2000, foi candidato a prefeito do Rio de Janeiro. Não conseguiu ser eleito, mas sua votação expressiva fez com que o prefeito eleito César Maia o escolhesse para ser secretário municipal de urbanismo e presidente do Instituto Pereira Passos.[13]

Em 2001, lançou o Programa de Revitalização da Área Portuária e os concursos para o novo Circo Voador e o novo Centro de Convenções; apresentou o Congresso da unificação IULA-FMCU no RioCentro e foi eleito secretário do Metrópolis para América do Sul e Caribe.

Em 2002, iniciou a elaboração de treze projetos para a área portuária; obteve a aquisição do Pátio da Estação Marítima para a construção da Vila Olímpica da Gamboa e da Cidade do Samba; iniciou a elaboração do projeto de ciclovia Bangu-Campo Grande e das novas ciclo-faixas da Zona Sul; negociou as Áreas de Proteção ao Ambiente Cultural do Jardim Botânico, Botafogo e a ampliação da Área de Proteção Ambiental da Lagoa.

Em 2003, criou, na Secretaria Municipal de Urbanismo, a Gerência de Operações Especiais e a Coordenadoria de Regularização Urbanística que dinamizaram, em 61 favelas, o trabalho dos Postos de Orientação Urbanística e Social e coordenou a operação Recreio em Ordem que derrubou quatro prédios erguidos sem licença.

Em 2004, concluiu com sucesso as negociações para a desapropriação do Cassino da Urca para abrigar o Museu do Rio, com um projeto de restauração do prédio original e lançou a rede Autonomia Carioca, que defende a desfusão e a recuperação, pela cidade do Rio de Janeiro, de sua condição de estado brasileiro. Apoiou a reeleição de César Maia em 2004 e continuou como secretário municipal no exercício de governo seguinte.

Em 2005, reassumiu a presidência do Partido Verde no estado do Rio de Janeiro.

Em 2006, por divergências políticas com o prefeito César Maia, exonerou-se do cargo de secretário municipal de urbanismo e passou para a oposição. Concorreu ao Senado Federal do Brasil pelo Partido Verde, obtendo o terceiro lugar, com 500 000 votos, correspondentes a sete por cento dos votos no estado.

Em 2007, coordenou nacionalmente a campanha Brasil no Clima.

Em 2008, candidatou-se novamente a vereador da cidade do Rio de Janeiro, sendo eleito como o quarto mais votado.

Nas eleições de 2010, coordenou a pré-candidatura de Marina Silva à presidência da república e foi eleito deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro com 73.185 votos (0,91% dos votos válidos), o 26º mais votado.

Em 2011, lançou o livro O efeito Marina, sobre a campanha presidencial de Marina no ano anterior. Entrou em conflito com o grupo dominante do PV que provocou a saída de Marina Silva do partido ao negar-se a promover um processo democrático de convenção. Sirkis permaneceu no partido em situação de isolamento.

Em 2012, participa da mobilização de resistência na Câmara e nas ruas contra o enfraquecimento do Código Florestal brasileiro e organiza como evento paralelo à Conferência Rio + 20 o Rio/Clima – The Rio Climate Challenge com a participação de lideranças ambientais e climáticas de 14 países.

Em 2013, foi um dos articuladores da Rede Sustentabilidade, porém quando o TSE negou o registro do partido Sirkis acompanha Marina Silva e filia-se ao PSB

Em 2014, assume a presidência da Comissão Mista de Mudanças Climáticas do Congresso Nacional. Ao se aproximar o processo eleitoral, em protesto pela coligação do PSB com o PT, no Rio de Janeiro, abre mão de sua candidatura à reeleição para deputado federal e afirma: “depois de ter feito oposição, ainda que moderada, ao governo durante quatro anos, no Congresso, não posso agora aparecer como candidato em uma coligação com o PT”. Também se afasta discretamente da Rede Sustentabilidade.

Em 2015, volta ao terceiro setor, dedica-se a cursos de formação de gestores de governança local e a criação do “think tank” Centro Brasil no Clima (CBC). No momento não exerce atividade político partidária.

Em 2016 assume o encargo não-remunerado de secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas que é presidido pelos presidentes da República e constituído de Ministros outros membros do poder público e representantes da sociedade civil no setor acadêmico, empresarial e terceiro setor.

Fonte: A Tribuna









sábado, 7 de março de 2020

Defesa Civil de Niterói e Cruz Vermelha discutem ações integradas em casos de fortes chuvas



As políticas públicas de resiliência e a Defesa Civil de Niterói estão entre as mais destacadas no país e a cidade tem se beneficiado destes avanços, como ficou evidente nas últimas chuvas, quando o Rio de Janeiro e outros municípios da Região Metropolitana foram duramente afetados e Niterói superou bem.

Desde 2013, mais de 500 milhões de reais foram investidos em obras de contenção de encostas, mais de 200 milhões em obras de macrodrenagem, além da estruturação da Secretaria Municipal de Defesa Civil e Geotecnia.

O investimento da Prefeitura de Niterói também inclui o monitoramento meteorológico 24h, que permite a avaliação e adoção de estratégias da Defesa Civil, principalmente, no que tange aos eventos extremos de chuvas e ventos. Atualmente a cidade conta com 51 pluviômetros, que permitem o monitoramento em tempo real do volume de chuva que incide em cada região, possibilitando a tomada de ações de avaliação de risco e de eventuais evacuações de área com o uso do Sistema de Alerta e Alarme por Sirenes. Estão instaladas na cidade 30 plataformas do Sistema de Alerta e Alarme por Sirenes, em 25 comunidades.

Com a nova Defesa Civil de Niterói vieram planos e protocolos de atuação em casos de contingência, a implantação de ferramentas tecnológicas, a implantação de uma rede de 102 Núcleos Voluntários de Defesa Civil - NUDEC, incluindo comunidades e, mais recentemente, também os chamados NUDEC Condomínios, reunindo mais de 2.000 voluntários treinados para atuação em situação de emergência e ações preventivas.

Também merece destaque o trabalho que vem sendo realizado no controle de construções em áreas de risco, que é coordenado pelo Grupo Executivo para o Crescimento Ordenado e Preservação das Áreas Verdes (Gecopav) realiza a fiscalização de áreas verdes e atua na prevenção de crescimento desordenado. Mais de 140 edificações irregulares foram demolidas e mais de 700 notificações foram emitidas nos últimos três anos.

A Defesa Civil de Niterói também desenvolve um trabalho pioneiro e inovador na área de prevenção e controle de incêndios em vegetação (queimadas), que inclui a formação de um corpo de voluntários com formação específica, que passam a integrar o chamado NUDEC Queimadas.

Axel Grael
Secretário
Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão - SEPLAG
Prefeitura de Niterói



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Defesa Civil de Niterói e Cruz Vermelha discutem ações integradas em casos de fortes chuvas




Ações de prevenção e resposta serão alinhadas entre os dois órgãos

Na tarde desta terça-feira (3), representantes da Secretaria Municipal de Defesa Civil e Geotecnia e da Cruz Vermelha de Niterói estiveram reunidos para discutirem o reforço das estratégias relacionadas às ações no caso de chuvas fortes como as ocorridas nos últimos dias na Região Metropolitana do estado, incluindo Niterói. Entre as propostas apresentadas estão o alinhamento das ações, a integração nas medidas de prevenção e resposta e as diretrizes de trabalho.

A comitiva da Cruz Vermelha conheceu o Centro de Monitoramento e Operações da Defesa Civil de Niterói, bem como o funcionamento do protocolo de alerta e alarme do município. A Cruz Vermelha faz parte desse protocolo por ser um órgão de respeitabilidade reconhecida, dispondo de uma equipe de voluntariado sempre pronta para o apoio nas ações da Defesa Civil.

Durante o encontro, o subsecretário Defesa Civil e Geotecnia, Eric Oliveira, falou sobre as respostas positivas em relação às ocorrências das últimas chuvas que caíram na cidade. Além do subsecretário, participaram da reunião Renata Teixeira, da Defesa Civil de Niterói, o presidente e vice-presidente da Cruz Vermelha Niterói, Anderson Dopazo e Renata Cardoso, que estavam acompanhados pelo instrutor Carlos Augusto.


Fonte: Prefeitura de Niterói




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LEIA TAMBÉM:

CLIMA E RESILIÊNCIA URBANA: Publicação registra os resultados de evento de cidades latino-americanas realizado em Niterói    

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Maia diz que questão do meio ambiente prejudica imagem do Brasil: 'Se não resolvermos, não adianta fazer reformas'



Maia diz que questão do meio ambiente prejudica imagem do Brasil no exterior. Assista à entrevista aqui.


Presidente da Câmara participou de evento em São Paulo e destacou a correlação entre investimento internacional e a questão do meio ambiente.

Por G1 SP

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta segunda-feira (28) em um evento na cidade de São Paulo que a imagem do Brasil no exterior "não parece muito boa nesse momento" por causa da agenda do meio ambiente.

"Voltei agora da Inglaterra. De Londres fui à Irlanda, em Dublin, onde a agenda do meio ambiente é muito forte. E nossa imagem não parece muito boa nesse momento. E isso, se nós não resolvermos, não adianta fazer reformas tributárias, administrativas, previdenciária, porque vocês sabem melhor do que eu que há uma correlação entre investimento internacional e a questão do meio ambiente", disse Maia no evento 'Meio Ambiente e os Desafios de uma Reforma Tributária Justa e Eficiente'.

Nos últimos meses, o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) teve de lidar com questões ambientais que chamaram a atenção do mundo, como as queimadas na Amazônia e as manchas de óleo nas praias do Nordeste.

"Acho que é um ativo que veio para ficar muitos anos, e o Brasil é parte da construção dessa agenda, e nós não podemos perder esse tema, que seja na questão tributária, que seja na nossa estrutura", continuou.

A fala do presidente da Câmara durou cerca de 20 minutos. Maia destacou que as reformas precisam estar inseridas dentro de medidas que tragam benefícios concretos à população.

"Nós também temos um modelo onde os interesses particulares se sobrepõem aos coletivos", disse. "É óbvio que a gente tem um volume de carros enorme. Estimulamos a produção de carros em detrimento do transporte de massa. É óbvio que fizemos isso. São Paulo tem 120 km de Metrô; de trem, a China construiu 9 mil km. E nós continuamos achando - e o Congresso fez parte disso, infelizmente, eu fiz parte disso, aprovamos o Rota 2030. Eu, pessoalmente, era radicalmente contra, mas como, graças a Deus, não sou dono do parlamento, e vivemos numa democracia, aprovamos a renovação de incentivos para o setor automobilístico", reconheceu Maia.


Fonte: G1










segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Mancha de óleo que polui o Nordeste pode chegar às praias do Rio



COMENTÁRIO:

Há 19 anos atrás, eu exercia o cargo de presidente da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente - FEEMA, órgão ambiental pioneiro e emblemático da gestão pública do meio ambiente no Brasil.

Na ocasião, enfrentei um dos maiores desastres ambientais do país: o vazamento de óleo na Baía de Guanabara causado pela Refinaria Duque de Caxias, a REDUC. Identificamos os responsáveis, combatemos as manchas de óleo, em conjunto com o IBAMA, aplicamos a maior multa ambiental aplicada até então - a multa máxima prevista pela Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998), que recentemente havia sido promulgada.

Cobramos da Petrobras a responsabilidade da empresa pela limpeza da Baía, de reparação dos danos através de Compensações Ambientais e encaminhamos ao legislativo estadual um projeto de lei para a regulamentação da lei federal (produzido pelo então assessor Jurídico da FEEMA, o atual procurador do estado Rodrigo Mascarenhas), que resultou na  Lei Estadual 3.467/2000, que Dispõe Sobre as Sanções Administrativas Derivadas de Condutas Lesivas ao Meio Ambiente no Estado do Rio de Janeiro, e Dá Outras Providências.

No combate ao óleo, mobilizamos toda a equipe da FEEMA, outros órgãos governamentais, forças militares, trouxemos especialistas em resgate da fauna e organizamos a atuação dos voluntários. Reorganizamos o Plano de Emergência Ambiental da Baía de Guanabara e decidimos dar um freio nas frequentes ocorrências de derramamento de óleo na Baía de Guanabara, impondo uma estratégia de tolerância zero contra as "manchas de óleo".

Fazíamos pelo menos um voo semanal de helicóptero e passamos a fiscalizar diariamente a Baía de Guanabara, multando responsáveis e tomando a iniciativa de reportar à imprensa cada uma das manchas de óleo encontradas, mesmo as pequenas. Cada caso ganhava a primeira página dos jornais. Alguns nos acusavam de criar uma "paranóia" das manchas de óleo, mas o fato é que o número de ocorrências diminuiu muito.

Eu também era presidente da FEEMA quando houve a explosão e naufrágio da plataforma P-53 e depois o incidente com a P-07, ambas da Petrobras, e que resultaram em extensos vazamentos de óleo. Nos dois episódios, mobilizamos o plano de contingência e evitamos que grandes porções do óleo derramado no mar chegasse ao litoral, onde ecossistemas mais frágeis e vulneráveis, como manguezais, costões e outros, poderiam ser afetados.

Desastre nas praias do Nordeste

O que vemos agora é o maior desastre ambiental já visto no litoral brasileiro, que ocorre justamente durante uma gestão federal que decidiu promover o desmonte da estrutura governamental do país, da legislação ambiental e que extinguiu conselhos e desmobilizou os planos de respostas para acidentes. É o caso do Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo, criado por lei em 2013, cujos dois conselhos que o compunham foram extintos no início do Governo Bolsonaro. Como consequência, passados dois meses do aparecimento das manchas (borras) de petróleo, o governo foi incapaz de articular uma resposta e ainda não se vê os protocolos do PNC sendo devidamente acionados.

As cenas que temos assistido são grandes grupos de voluntários (pescadores, ambientalistas, moradores e até turistas), dedicados ao difícil e perigoso trabalho de retirada do óleo, trabalhando de forma improvisada, eventualmente com algum apoio de governos e empresas locais.

E o problema continua aumentando a cada dia. Áreas já limpas continuam a receber mais óleo e a extensão de litoral afetado segue aumentando. Como diz a matéria abaixo, do jornal O Dia, autoridades admitem que o óleo poderá chegar ao litoral norte do Rio de Janeiro.

Investigação e respostas

Após o acidente da REDUC e outros que ocorreram no país logo depois, como o acontecido poucos meses depois na refinaria em Araucária, no Paraná, motivaram um esforço legislativo que resultou na Lei 9.966/2000, a chamada Lei do Óleo.

Esta Lei, contrariando os órgãos ambientais, acabou por definir a responsabilidade sobre derramamentos de óleo no mar para a Marinha do Brasil.

Cumprindo essa missão, a Marinha do Brasil iniciou gestões para tentar apurar responsabilidades, enquanto outras autoridades federais, de forma açodada, confusa e irresponsável, davam declarações de cunho ideológico sobre a origem venezuelana do óleo, um dos países escolhidos como inimigo pela presidência da República e seus seguidores mais próximos.

Até agora, não se tem pistas dos responsáveis pelo lançamento do óleo. Pesquisadores da COPPE/UFRJ e outros centros de pesquisa tentam ajudar fazendo simulações com modelos matemáticos que apontam o possível foco de dispersão do óleo muitos quilômetros oceano a dentro. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE, que também poderia dar uma contribuição, acabou desmoralizado por acusações do próprio governo federal, durante outro episódio ambiental vexaminoso que são os incêndios na Amazônia.

Considerações

Tenho ouvido algumas versões de amigos, oficiais da Marinha, sobre algumas hipóteses que explicariam a origem do óleo, admitindo a possibilidade de derramamento acidental ou criminoso de um navio em movimento, ou uma operação clandestina de transferência de um navio para outro em alto-mar.

O que teria acontecido? Um naufrágio? Poderia um navio naufragar na atualidade sem que se tivesse qualquer notícia ou capacidade de se identificar através dos modernos mecanismos de monitoramento de rotas? Um navio clandestino? Mas, transportando petróleo cru? Qual refinaria aceitaria tal encomenda?

Não quero aqui lançar mais hipóteses especulativas, mas me chama a atenção a quantidade de óleo que vem chegando ao litoral. É muita coisa para ser desperdiçado em eventual acidente ou simples descarte.

Acho que ainda vamos sofrer muito com os impactos deste acidente, mas também vamos aprender muito. Mas, que a lição mais importante seja que a questão ambiental seja encarada de forma responsável e por profissionais competentes. A imprevidência e desleixo do governo brasileiro com a segurança ambiental do país tem custado um elevado prejuízo ao patrimônio natural do país e nos desmoralizado perante a comunidade internacional.

Que as investigações avancem com competência e com a devida transparência e que o Governo Federal acione o Plano de Contingência como era esperado e que repare os danos mesmo que tardiamente. É o que a sociedade brasileira deseja e, por falta de escuta nos gabinetes do Planalto, tem exigido através do Ministério Público e da Justiça.

Que o Brasil saia da inércia e sobreviva!

Axel Grael




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Mancha de óleo que polui o Nordeste pode chegar às praias do Rio

No litoral de Alagoas, um grupo de trabalho retira óleo da praia - Felipe Brasil/Fotos Públicas


Especialista diz que entrada poderá ser por São Francisco de Itabapoana, Barra de São João e Quissamã

Por GUSTAVO RIBEIRO

Rio - A partir desta semana, pesquisadores da Coppe/UFRJ investigarão quais áreas do país ainda poderão ser atingidas pelo óleo que já se espalhou pelo litoral de nove estados do Nordeste. Será a segunda fase de um estudo que apontou a possível origem do material poluente: uma área entre 600 e 700 quilômetros da costa brasileira, na fronteira entre Sergipe e Alagoas.

"Considerando os pontos onde foi localizado óleo, foi feito um trabalho de modelagem inversa. A partir das condições hidrodinâmicas, calculamos a trajetória do óleo voltando no tempo para tentar achar a origem", ressaltou Carina Bock, pesquisadora do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia da Coppe/UFRJ.

O próximo passo será fazer a mesma modelagem para frente. O objetivo é descobrir para onde o óleo pode se deslocar. Será possível saber, por exemplo, se ele chegará ao Estado do Rio, em quanto tempo e possíveis pontos de entrada. A primeira fase do estudo concluiu que o material deve ter começado a se espalhar entre julho e agosto.

O oceanógrafo David Zee, da Uerj, se preocupa com a falta de ações de contenção por parte do governo federal e vê grandes chances de o Espírito Santo e o Rio de Janeiro serem atingidos. A mancha se estende do Maranhão ao Norte da Bahia.

"As praias do Norte e Nordeste vão ficar com resquícios do óleo pelos próximos 20 anos. Se chegar ao Sul da Bahia, o Espírito Santo é a bola da vez", comentou Zee. No Rio, segundo ele, a entrada se daria pelos municípios de São Francisco de Itabapoana, Barra de São João e Quissamã, no Norte do estado. "Se chegar àquela região, a pesca vai ser afetada e muita gente faz pesca de subsistência nessas cidades".

Segundo o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), o Ibama garantiu que não foi identificada mancha em alto mar nem tendência de deslocamento nas proximidades do Estado do Rio. O órgão informou que possui um plano de contingência que abrange o cenário de surgimento de óleo em praias, e que mantém a vigilância.

Marinha e PF investigam o acidente ambiental

Levantamento divulgado pelo Ibama na quinta-feira mostrou que 187 localidades do Nordeste foram atingidas pela mancha em 76 municípios de nove estados: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. De acordo com o órgão, a investigação da origem do material poluente está sendo conduzida pela Marinha. Já a investigação criminal é objeto da Polícia Federal.

Ainda segundo o Ibama, o poluente se concentra em camada sub-superficial da água. "Por essa razão, as manchas não são visualizadas em imagens de satélite, sobrevoos e monitoramentos com sensores para detecção de óleo, sendo detectadas apenas quando alcançam a costa", explicou o Ibama. O órgão informou que os prejuízos para a fauna e a flora estão sendo avaliados.

Na quinta-feira, o Ministério Público Federal ajuizou ação contra a União por omissão no desastre ambiental. A Procuradoria pede que seja colocado em prática o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Água. "Tudo que se apurou é que a União não está adotando as medidas adequadas em relação a esse desastre ambiental que já chegou a 2.100 quilômetros dos nove estados da região", afirma o MPF, que pede multa diária de R$ 1 milhão em caso de descumprimento.


Fonte: O Dia