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domingo, 25 de outubro de 2026

O Globo dá destaque a tecnologia implantada em Niterói para identificar disparos de armas de fogo

Em 2024, quando eu era prefeito de Niterói, visitei nos EUA a empresa Sound Thinking que oferece a tecnologia ShotSpotter, um sistema de localização de disparos de armas de fogo. Fui acompanhado do atual prefeito de Niterói Rodrigo Neves, então secretário executivo da Prefeitura, e do secretário municipal de Ordem Pública, coronel Paulo Henrique Moraes. 

Decidimos contratar a tecnologia para complementar os recursos disponíveis no Centro Integrado de Segurança Pública - CISP, que passou a ser a primeira cidade do Brasil a contar com o ShotSpotter, que se tornou operacional em 2025.

A sistema identificou 1.290 disparos na cidade e permitiu o deslocamento rápido de agentes de segurança (policiais) ao local e permitiu a prisão de criminosos. O ShotSpotter é hoje uma das principais ferramentas para a manutenção dos índices de criminalidade em Niterói como o melhor da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Saiba mais na matéria, a seguir:

Axel Grael
Prefeito de Niterói (2021-2024)


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Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) de Niterói, onde agentes da prefeitura recebem os dados sobre disparos na cidade e acionam a PM: 97% dos alertas confirmados — Foto: Marcelo Theobald

Por Roberta de Souza

Tecnologia implantada em Niterói identifica disparos em tempo real e contribui para prisão de suspeitos envolvidos nos tiroteios

Em 2025, sistema identificou 1.290 disparos na cidade e contribuiu para a prisão de suspeitos envolvidos em tiroteios. Barreto e Fonseca, na Zona Norte, lideram ocorrências

No alto de prédios e postes de luz em Niterói, pequenas caixas que passam despercebidas pela maioria dos moradores monitoram a violência na cidade. São sensores acústicos capazes de identificar disparos de arma de fogo e enviar informações para uma central de segurança. O sistema, chamado ShotSpotter, utiliza a técnica da triangulação para localizar a origem dos tiros e, com o auxílio de inteligência artificial e de especialistas em acústica, pode fornecer à polícia dados sobre o número de disparos, a quantidade de atiradores e até o tipo de arma utilizada. Em 2025, a tecnologia identificou 1.290 disparos na cidade e contribuiu para a prisão de suspeitos envolvidos em tiroteios.

Dados consolidados a partir dos alertas emitidos pelo sistema em Niterói, obtidos pelo GLOBO, apontam que, em 2025, foram registrados 314 episódios de disparos de arma de fogo na cidade. Os bairros com o maior número de tiros captados pelo ShotSpotter foram Engenhoca, com 341; Barreto, com 292; e Fonseca, com 274, todos na Zona Norte. As três localidades enfrentam confrontos intensos desde o ano passado, em meio à ofensiva do Terceiro Comando Puro (TCP) para tomar comunidades controladas pelo Comando Vermelho (CV), facção que mantém hegemonia na cidade.

Também foram registrados disparos no Centro (87), em Santa Rosa (55) e em Icaraí (49). De acordo com a prefeitura, todos os alertas emitidos pelo sistema após a identificação do estampido resultam em uma ação policial no local, imediata ou planejada, a depender da complexidade de acesso ao território.

Sete presos

Na semana passada, um alerta gerado pelo ShotSpotter ajudou policiais do 12º BPM (Niterói) a prender sete suspeitos na comunidade do Santo Cristo, no Fonseca.

A equipe foi ao local após receber um aviso de tiroteio identificado pelo sistema. Ao chegar, encontrou um homem morto, com ferimentos a tiro, e um radiotransmissor ao lado do corpo. Após buscas na região, os policiais localizaram sete homens escondidos em residências abandonadas. Os agentes também apreenderam três pistolas, dinheiro e drogas.

Segundo a Prefeitura de Niterói, nove alertas emitidos pelo sistema neste ano resultaram em prisões e apreensões. O secretário municipal de Ordem Pública, Gilson Chagas, afirma que a tecnologia tem ajudado a qualificar as operações policiais. Ele também sustenta que esse recurso contribui para evitar o uso excessivo da força pelos agentes de segurança.

— Nós proporcionamos à polícia condições de atuar de maneira mais efetiva, porque as incursões são feitas com base em um dado técnico e, assim, acabam sendo muito mais qualificadas. Os agentes sabem exatamente de onde está partindo o disparo. Além disso, o sistema também me permite descobrir a sequência dos tiros, quem atirou primeiro e de que posição. Para a investigação policial, isso é ótimo, porque consigo estabelecer uma cronologia do que aconteceu — explica.

O sistema funciona por meio de sensores acústicos espalhados pela cidade que, ao detectarem um disparo, enviam dados geolocalizados para uma central.

Com o auxílio de inteligência artificial, a tecnologia da empresa SoundThinking faz uma primeira análise e encaminha as informações a uma equipe especializada. Os técnicos realizam uma segunda avaliação para verificar se há mais de um atirador no local, qual tipo de arma foi utilizado e se ela é automática. O procedimento é feito com base no som dos disparos.

Só depois dessa etapa o alerta chega à tela dos agentes do Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) de Niterói, que acionam o batalhão mais próximo para verificar a ocorrência. Todo o processo até o alerta chegar ao Cisp leva cerca de 20 segundos. Segundo a prefeitura, a partir daí, são necessários mais 60 segundos para que a Polícia Militar seja acionada.

A tecnologia foi implementada na cidade em maio de 2025, após um investimento de cerca de R$ 9 milhões. Não foi, porém, a primeira vez que um sistema desse tipo foi implantado no Brasil ou no Estado do Rio. Em 2011, equipamentos capazes de detectar tiros foram instalados em uma área de seis quilômetros quadrados na Zona Norte da capital fluminense. O sistema, no entanto, funcionou por menos de três anos e acabou abandonado. O investimento nos equipamentos, importados dos Estados Unidos, foi estimado em R$ 1,3 milhão. Na época, a Secretaria de Segurança informou que o projeto havia sido interrompido devido ao alto custo.

Para Pablo Nunes, diretor do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), a tecnologia pode distorcer os dados sobre a violência armada ao contabilizar disparos apenas nas áreas previamente delimitadas, sem oferecer um retrato completo dos tiroteios na cidade. Ele também destaca que o sistema já foi abandonado por algumas cidades fora do Brasil devido ao alto custo e à falta de resultados efetivos no enfrentamento à violência.

— Na prática, o que a gente tem visto é que as experiências acumuladas simplesmente não confirmam muitos dos benefícios prometidos. No caso dos Estados Unidos, onde há mais cidades que testaram esse sistema por mais tempo, investigações já mostraram que o ShotSpotter não reduziu os disparos de armas de fogo e, em alguns casos, não ajudou na coleta de evidências para crimes. Esses resultados levaram, inclusive, cidades como Atlanta, Charlotte e Nova Orleans a abandonar o sistema.

É preciso ir além

Nunes ressalta que o enfrentamento à violência armada no Rio exige medidas mais profundas.

— O problema da violência armada é grave e, no Rio de Janeiro, acontece de uma forma que não se vê em nenhum outro estado do Brasil. O ponto é que a existência dessas tecnologias não pode ser compreendida, por si só, como uma solução. É necessário se perguntar quais são os problemas que estão na origem da violência armada — analisa.

O sistema evoluiu

Atualmente, os sensores de detecção de tiros em Niterói cobrem uma área de 10,36 quilômetros quadrados, distribuída pelas zonas Sul e Norte. Segundo o secretário municipal de Ordem Pública, Gilson Chagas, o contrato prevê três anos de funcionamento, com possibilidade de prorrogação e ampliação. Ele afirma, porém, que não há necessidade de estender a cobertura a todo o município. O secretário também ressalta que a tecnologia evoluiu desde as primeiras experiências com esse tipo de sistema no Brasil.

— Não teria motivo para tentar colocar isso na cidade inteira. Esse não é o objetivo. A ferramenta não é para isso. Ela precisa ser instalada naqueles locais onde há maior incidência ou probabilidade de ocorrência, porque é um recurso público e temos que usá-lo com critério. Sobre a questão de o sistema falhar e captar o que não é tiro, isso já evoluiu muito. A inteligência do sistema hoje diferencia até o barulho dos fogos daqui do dos Estados Unidos para poder filtrar corretamente. É muito raro a gente encontrar um disparo que não seja de arma de fogo.

De acordo com a prefeitura, 97% dos disparos alertados pela plataforma foram confirmados em campo pelos policiais civis. Tecnologia implantada em Niterói identifica disparos na cidade em tempo real e contribui para a prisão de suspeitos envolvidos nos tiroteios.

Fonte: O Globo



sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Com impacto do El Niño chegando, 10% da área do Brasil já está em alerta para seca

Mapa da situação atual de seca no Brasil, com estiagem destacada nas áreas amarelas, segundo o Cemaden — Foto: O GLOBO/Cemaden

Estiagem na Amazônia e no Nordeste é primeiro sinal claro de influência do aquecimento das águas do Pacífico no país, que deve ter aumento de chuvas no Sul

Por Rafael Garcia

A estiagem na Amazônia é primeiro sinal claro de influência do El Niño de 2026 no Brasil, país que já tem 158 cidades em status de alerta para seca em setembro, afirma o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Os municípios nessa condição correspondem a quase 10% (9,8%) da área do país.

Segundo técnicos da instituição, a região mais afetada de imediato é a calha Norte do rio Amazonas, principalmente a bacia do Rio Negro. Na região Nordeste, há preocupação concentrada na faixa de sertão do norte da Bahia até Pernambuco, passando por Alagoas e Sergipe. No Pantanal não há ainda municípios em alerta, mas o nível de vazão dos rios na bacia do Rio Paraguai também preocupa.

Segundo a meteorologista Adriana Cuartas, pesquisadora do Cemaden, o problema que a Amazônia está vendo agora é, em parte, uma herança do el Niño de 2023 e 2024, possivelmente agravado também pela mudança climática global.

— Infelizmente, as chuvas que têm acontecido até agora ali não foram suficientes para recuperar totalmente essas bacias — disse a cientista em apresentação para jornalistas. — Então, a sensação é que elas permanecem em algum déficit hídrico e não estão se recuperando. Essa que é a questão.

A região Centro-Oeste também enfrenta neste momento um nível mais moderado de estiagem, algo comum dentro da sazonalidade, sem que possa ser diretamente atribuída ao El Niño. Segundo o Cemaden, os dias mais chuvosos no Sul e no Sudeste, que coincidem com a passagem de uma frente fria, também são um padrão normal para a faixa do Rio de Janeiro ao Rio Grande do Sul, e não necessariamente reflexo do fenômeno no Pacífico.

Na apresentação, Gilvan Sampaio, cientista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), falou sobre como o El Niño se tornou um elemento meteorológico que ganhou espaço na cultura popular, mas disse que nem tudo o que ocorre no clima quando o fenômeno está ativo se deve a ele.

— A frente de rajada de ventos que chegou recentemente a São Paulo e Rio de Janeiro não foi trazida El Niño, e está chovendo há duas semanas aqui em São Paulo, mas também não é culpa do El Niño — diz o pesquisador.

Fonte: Cemaden • (Índice integrado de seca para o último mês)

Os eventos extremos de chuva, que preocupam sobretudo na região Sul, pode estar relacionados com o fenômeno em alguns anos, como ocorreu com as enchentes históricas em cidades gaúchas em 2024. Eles são porém, mais difíceis de prever do que o impacto da seca.

— O excesso de chuva tem uma escalas de tempo diferente. A falta de chuva vai se acumulando aos poucos, e os problemas acontecem depois de semanas, meses, ou às vezes mais de ano — explica Giovanni Dolif, do Cemaden. — Já excesso de chuva é mais repentino. Uma chuva rápida, de poucas horas, pode causar um grande desastre.

Os pesquisadores ressaltam, também, que a natureza mais dinâmica dos eventos ligados ao excesso de água na atmosfera também tem a localização mais difícil de determinar.

— Cada El Niño ocorre de uma forma. Um dos El Niños mais fortes do século passado, o de 1982/1983, por exemplo, afetou mais Santa Catarina, já o de 2023/2024 teve três episódios intensos de chuva, todas no Rio Grande do Sul — diz Sampaio.

Se a demora para saber o tamanho do impacto do El Niño atual tem causado ansiedade no Sudeste e no Sul, porém, no Norte e Nordeste ela já está palpável, dizem os pesquisadores.

A situação de estiagem tomou um grau mais preocupante sobretudo para a agricultura de pequena escala, que sofre com as condições na região Norte. Focos de incêndio florestal também aumentaram, com Manaus amanhecendo sob fumaça pela terceira vez em dez dias.

Em termos de número de municípios afetado no último mês, os cinco estados com índice de seca "severo" medidos pelo Cemaden foram Bahia (101), Sergipe (43), Alagoas (42), Amazonas (15) e Roraima (13). Todas as cidades com índice de seca "extrema" são baianas: Anguera, Lamarão, Santa Bárbara e Tanquinho, no norte do estado.

A análise do impacto do El Niño no Norte e Nordeste traz um resultado diferente, porém, quando o tema é risco de fogo, afirmam os dados do Cemaden. Como os incêndios florestais também têm como variáveis importantes o vento e o calor, além da seca, nem sempre ele está onde a estiagem é pior.

Os alertas de risco de incêncio agora no Brasil estão concentrados na região do Matopiba, área de divisa entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, área de transição entre Cerrado e Amazônia. Em dois dias, essa frente de risco se desloca para o oeste de Goiás e no pantanal mato grossense, que preocupa por causa da baixa vazão dos rios agora.

Assim como no caso das chuvas, as ondas de calor são mais difíceis de prever em longa escala, por isso o Cemaden oferece uma previsão de apenas dez dias de antecedência em seu painel de risco de fogo.

Ansiedade climática

Se as consequências do El Niño de 2026 estão demorando a aparecer, meteorologistas afirmam estar convictos de que elas virão, porque existe um intervalo entre o registro do aquecimento das águas do Pacífico, que caracterizam o fenômeno em si, e a influência que elas exercem na América do Sul.

"As anomalias da temperatura da superfície do mar já ultrapassaram os 3°C no Pacífico Equatorial Leste. Esse aumento, juntamente com os outros índices de medição, indicam uma intensificação constante do El Niño até o final de 2026", diz o último boletim do Instituto Nacional de Meteorologia sobre o fenômeno. "Além disso, a probabilidade, no Hemisfério Sul, de um evento muito forte durante a primavera e o verão de 2026–2027, supera os 90%, enquanto há probabilidade de 75% de ser o evento mais forte registrado desde 1950, durante o trimestre outubro–novembro-dezembro de 2026."

O diretor do Departamento de Clima e Sustentabilidade do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Osvaldo Moraes, afirma que, apesar de o país requerer cautela e preparação, há um grau de incerteza razoável ainda sobre os impactos.

— Quando nós ouvimos falar em "Super El Niño", imediatamente as pessoas já fazem a conexão com "super impactos", mas isso não é bem assim — afirma. — Não existe uma correlação tão direta entre um super evento extremo e um super impacto, porque o impacto não depende só da intensidade da ameaça, mas também da magnitude das vulnerabilidades.

O Cemaden, um centro técnico criado em 2011, foi concebido em grande medida com objetivo de mapear o status dessa segunda variável da equação climática. Segundo os pesquisadores da unidade, o atual El Niño é um momento em que o valor desse tipo de trabalho, realizado com apoio de outros núcleos de pesquisa, deve se provar.

Fonte: O Globo 





5º leilão do Eco Invest Brasil tem R$ 49,95 bilhões homologados para seis setores produtivos

Iniciativa é voltada ao fortalecimento da inovação tecnológica e ao desenvolvimento de cadeias estratégicas para a competitividade brasileira. - Foto: Yasin Hemmati

Bradesco, HSBC, Itaú e Santander foram selecionados para estruturar fundos e operações de crédito nas áreas contempladas

Os ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e da Fazenda homologaram, nesta quarta-feira (7/10), o resultado do 5º leilão do Programa Eco Invest Brasil. A iniciativa é voltada ao fortalecimento da inovação tecnológica e ao desenvolvimento de cadeias estratégicas para a competitividade brasileira.

Foram apresentadas 23 propostas por seis instituições financeiras, totalizando uma demanda de R$ 181,3 bilhões para fundos de inovação e crédito corporativo. Desse total, R$ 49,95 bilhões foram homologados e serão destinados a investimentos em seis cadeias produtivas estratégicas ligadas à inovação e à transformação ecológica, por meio de fundos, crédito corporativo e recursos não reembolsáveis.
 
Nesta rodada, o leilão combinou três instrumentos financeiros: Fundos de Inovação Eco Invest, Instrumentos de Crédito Corporativo e Fomento à Pesquisa e ao Empreendedorismo de Base Tecnológica. As instituições financeiras disputaram cada cadeia estratégica conforme sua capacidade de mobilizar capital privado.

A alavancagem global foi de aproximadamente 3,8 vezes, considerando a soma dos recursos públicos e privados em relação ao capital catalítico. Ou seja, para cada R$ 1 aportado pelo Tesouro Nacional, serão mobilizados cerca de R$ 3,80 em investimentos privado.

Participaram da disputa Bradesco, Citibank, HSBC, Itaú, Santander e Banco do Brasil. Ao final do processo, Bradesco, HSBC, Itaú e Santander foram selecionados para estruturar fundos e operações nas seis cadeias estratégicas.

As instituições financeiras selecionadas serão responsáveis pela constituição dos fundos e pela oferta de crédito corporativo às empresas aptas a ampliar sua produção. Como contrapartida, também deverão destinar recursos não reembolsáveis à pesquisa aplicada e ao empreendedorismo de base tecnológica.

Como parte das contrapartidas, as propostas homologadas preveem aproximadamente R$ 249,8 milhões em recursos não reembolsáveis no primeiro ano para ações de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e empreendedorismo de base tecnológica. As propostas também preveem destinação de 10,25% a 20% dos investimentos dos Fundos de Inovação a projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) em cooperação com universidades e Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs).

Recursos priorizam seis cadeias estratégicas

Nesta edição, o Programa Eco Invest Brasil contemplou seis cadeias produtivas ligadas à inovação e à transformação ecológica:
  • Circularidade de resíduos minerais e industriais para insumos;
  • Automação e inteligência artificial (IA) aplicada a processos produtivos e tecnológicos;
  • Fertilizantes verdes, bioinsumos e proteínas alternativas;
  • Biomateriais e química verde;
  • Beneficiamento de minerais críticos, baterias e mobilidade elétrica;
  • Combustíveis verdes avançados, biogás e biometano.
O principal destaque foi a cadeia de circularidade de resíduos minerais e industriais, que concentrou o maior volume homologado, com R$ 11 bilhões, o equivalente a cerca de 22% do total dos investimentos.

O Bradesco foi selecionado para estruturar os fundos da cadeia de circularidade de resíduos minerais e industriais, além das áreas de fertilizantes verdes, bioinsumos e proteínas alternativas, com R$ 9 bilhões, e de biomateriais e química verde, com R$8,5 bilhões.

O Itaú ficou responsável pela cadeia de automação e inteligência artificial aplicada a processos produtivos e tecnológicos, com R$ 9,75 bilhões em investimentos. O Santander venceu a cadeia de beneficiamento de minerais críticos, baterias e mobilidade elétrica, com R$ 6,5 bilhões, enquanto o HSBC foi selecionado para combustíveis verdes avançados, biogás e biometano, com R$ 5,2 bilhões.

Entre as atividades priorizadas pelos bancos, destacam-se reciclagem e valorização de resíduos (R$ 8,8 bilhões), automação, robótica e manufatura inteligente (R$ 8,11 bilhões), biofertilizantes, bioinsumos e biodefensivos (R$ 7,2 bilhões) e baterias e sistemas de armazenamento de energia (R$ 4,55 bilhões).

Dos recursos públicos de capital catalítico, R$ 9 bilhões serão destinados aos fundos de inovação e R$ 4,2 bilhões às operações de crédito corporativo. Os critérios do leilão também favoreceram propostas com maior participação de capital estrangeiro e maior proporção de investimentos em projetos desenvolvidos em parceria com universidades e ICTs, bem como iniciativas voltadas à aquisição e à internalização de tecnologias de empresas internacionais de base tecnológica.

Programa Eco Invest Brasil

O Programa Eco Invest Brasil integra o Plano de Transformação Ecológica, e tem como objetivo mobilizar capital privado nacional e internacional para projetos com impacto econômico, social e ambiental.

A iniciativa combina instrumentos financeiros inovadores, mecanismos de redução de riscos e atração de investimentos de longo prazo para acelerar a transição ecológica brasileira.

Com os cinco leilões realizados, o Programa Eco Invest Brasil já mobilizou mais de R$ 190 bilhões e reúne 13 instituições financeiras credenciadas.

Os documentos e demais informações referentes ao 5º leilão estão disponíveis no site do Programa Eco Invest Brasil.

Fonte: MMA





quinta-feira, 9 de julho de 2026

PARQUE SOLAR É MAIS UM LEGADO DE SUSTENTABILIDADE E INOVAÇÃO QUE DEIXAMOS PARA NITERÓI

Quem chega em Niterói pela Ponte, ao se aproximar da Praça do Pedágio e olhar para o Morro da Boa Vista localizado bem à sua frente, já deve ter notado que há uma novidade na encosta: é o PARQUE SOLAR, um projeto inovador e um novo conceito de geração de energia de forma limpa, sustentável e que beneficia a comunidade.

Parque Solar implantado em encosta de Niterói é mais um legado de inovação iniciado na nossa gestão como prefeito da cidade. Projeto é uma referência para outras comunidades de Niterói e para outras cidades. Foto Leonardo Simplicio (Divulgação). 

O projeto de implantação do Parque Solar na Encosta do Morro da Boa Vista, no Centro de Niterói, era uma antiga ideia que acalentei por anos e consegui desenvolver quando fui secretário da Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão - SEPLAG, da Prefeitura de Niterói. O projeto avançou e saiu do papel graças principalmente ao empenho da engenheira florestal Valéria Braga e do secretário de Defesa Civil Walace Medeiros. 

Na sua concepção inicial, a iniciativa teve como objetivo aproveitar as condições favoráveis da encosta para a produção de energia fotovoltaica, proteger a maior área de reflorestamento da mantido pela Prefeitura e beneficiar a comunidade. A água da chuva acumulada nas próprios painéis solares é captada e estocada em reservatórios com capacidade para 30 mil litros, para ser utilizada na manutenção e limpeza do Parque Solar, permitir a irrigação das mudas e proteger a área dos constantes incêndios que prejudicam as áreas de reflorestamento.

Em 2018, o conceito inovador do projeto foi reconhecido com a conquista do Prêmio Lidera Rio, vencendo na categoria principal - "Prêmio de Melhor Projeto" - e na categoria "Sustentabilidade e Resiliência". A premiação foi promovida pelo SEBRAE-RJ, em parceria com o Instituto República, CLP e Cidadis e contou com a participação de várias prefeituras fluminenses.

Na minha gestão como prefeito de Niterói (2021-2024) contratamos um serviço especializado para o desenvolvimento do projeto executivo, licitamos e demos início às obras de sua implantação, que foram concluídas na atual gestão do prefeito Rodrigo Neves. A obra foi concluída e entregue no dia último dia 04 de julho. 

Fotos Leonardo Simplicio (Divulgação)

O Parque Solar, que contou com um investimento de R$ 7,7 milhões, possui 2 mil módulos fotovoltaicos e ocupa uma área de 36 mil metros quadrados. A usina tem capacidade para produzir cerca de 150 mil quilowatts-hora (kWh) de energia por mês energia, reduzindo as despesas do consumo de energia dos prédios públicos. Para se ter uma ideia, a energia produzida é suficiente para suprir o consumo de 19 creches públicas. Com isso, o retorno do investimento virá em dois anos. 

O Parque Solar é parte do esforço que iniciamos na nossa gestão para a transição energética da cidade, que incluiu a captação de recursos junto ao PAC, do Governo Federal, para a implantação de ônibus elétricos, do VLT de Niterói e a aquisição de veículos elétricos para a descarbonização da frota da Prefeitura e mitigar emissões de Gases de Efeito Estufa na cidade.

A energia solar é uma das formas mais sustentáveis de geração de energia, é a fonte que mais cresceu no Brasil entre 2024 e 2025, com o excepcional avanço de 24,%.

Axel Grael
Prefeito de Niterói (2021-2024)



domingo, 3 de maio de 2026

Tomografia é usada para avaliar saúde das árvores em Niterói


Funcionários da Seconser realizam tomografia de árvore no Campo de São Bento — Foto: Divulgação/Cláudio Fernandes

Técnica permite analisar estrutura interna e orienta poda ou remoção

Por Rafael Timileyi Lopes

A prefeitura passou a utilizar tecnologia de ponta para avaliar sinais de fragilidade nas árvores, através do uso de tomografia. A medida permite identificar o estado interno dos troncos e estimar com maior precisão o risco de queda. De acordo com o município, a ferramenta vem sendo aplicada de forma direcionada em casos que exigem diagnóstico mais aprofundado e integra o protocolo de segurança arbórea adotado pela prefeitura.

A ação faz parte de um conjunto de normas coordenadas pela Secretaria municipal de Conservação e Serviços Públicos (Seconser), que inclui o monitoramento contínuo da vegetação urbana e iniciativas como o Arboribus e o Verdes Notáveis. De acordo com a pasta, atualmente a cidade conta com 64.601 árvores catalogadas em um sistema que reúne informações detalhadas sobre cada exemplar.



Fotos cedidas pelo biólogo Alexandre Moraes, responsável pela arborização pública de Niterói, mostrando o uso do Tomógrafo. 

Na prática, a espécie de “raio X” usa sensores instalados ao redor do tronco que emitem sinais capazes de atravessar a madeira e retornar com dados sobre sua integridade. Processados em tempo real, os resultados são apresentados em gráficos, nos quais áreas em vermelho indicam regiões comprometidas, como cavidades, sinais de apodrecimento interno ou presença de cupins.

Participação popular

Com base nesses dados, a prefeitura define as medidas de manejo. Árvores com risco inferior a 35% passam por intervenções como poda, desbaste ou redução de copa, para diminuir o peso e aliviar a pressão sobre a estrutura. Já exemplares com índices mais elevados entram na faixa considerada crítica e podem ser incluídos no protocolo de remoção. A população também participa desse processo, diz a prefeitura, por meio do aplicativo Colab, que permite informar onde há árvores com risco, solicitar podas e indicar locais para novos plantios.

O monitoramento é reforçado pelo Arboribus, considerado um dos censos arbóreos mais completos do país. Cada árvore catalogada tem registrados dados como nome popular, nome científico, origem, altura, dimensões da copa e circunferência do tronco, além de avaliação fitossanitária — classificada como boa, regular, ruim ou morta. As informações são atualizadas continuamente e integradas ao sistema SiGeo, que registra as intervenções realizadas pelas equipes da Seconser.

Segundo a secretária municipal de Conservação e Serviços Públicos, Dayse Monassa, o uso de tecnologia aliado ao acompanhamento sistemático permite orientar decisões mais seguras e eficientes.

— O objetivo é manter o equilíbrio entre o verde e o espaço urbano, garantindo conforto térmico, qualidade do ar e segurança para todos. Ao integrar tecnologia, monitoramento contínuo e planejamento ambiental, avançamos na construção de uma arborização mais segura e resiliente — afirma.

Fonte: O Globo Niterói



sexta-feira, 3 de abril de 2026

MARTINE GRAEL COMANDARÁ O BRASIL NO SAILGP NO PRÓXIMO FIM DE SEMANA. Niterói será a base logística





Martine Grael é a comandante do Mubadala Brazil SailGP Team. É a primeira e única mulher a liderar uma equipe na mais competitiva e sofisticada modalidade da vela mundial.

Você já ouviu falar na Sail Grand Prix (ou SailGP)? É uma das mais radicais e sofisticadas modalidades da vela mundial e o próximo evento acontecerá na Baía de Guanabara no próximo final de semana (11 e 12 de abril de 2026). Será o Enel Rio Sail Grand Prix. As regatas acontecerão próximo ao Aterro do Flamengo e você pode adquirir ingressos para assistir bem de pertinho.

O Brasil possui uma equipe na competição: o Mubadala Brazil SailGP Team, comandado pela bi-campeã olímpica Martine Grael, minha querida sobrinha, velejadora do Rio Yacht Club, de Niterói.  Seu irmão, Marco Grael (na posição de grinder), também faz parte da tripulação, que conta com mais 5 velejadores. A equipe estreou no ano passado e está na sua segunda temporada. A primeira vitória da equipe brasileira aconteceu na etapa de Nova York, em junho de 2025.


Tecnologia e performance

Chamados de Fórmula 1 dos mares, os barcos da SailGP são os F50, cujo projeto foi desenvolvido ao longo de 10 anos com o uso da mais moderna tecnologia de design e material, para garantir alta performance, competitividade e muita adrenalina. São catamarãs que navegam sobre "foils", estruturas que permitem que os barcos "voem sobre as águas", mantendo o mínimo de contato com o mar e, assim, transformam o máximo da energia em velocidade. Além da tecnologia dos cascos e dos foils, os barcos são equipados com velas em forma de asas, que também são decisivas na performance. Movidos exclusivamente pelo vento, os barcos chegam a mais de 100 km/hora e garantem um espetáculo de tecnologia e exigem muita capacidade técnica das equipes. 

Quando eu ainda estava como prefeito de Niterói (2021-2024) ajudei a trazer o SailGP para a Baía de Guanabara e ter a nossa cidade co-sediando o evento. O "Box" de cada uma das 13 equipes do Sail GP (Brasil, Suécia, Austrália, Nova Zelândia, França, Inglaterra, Alemanha, Espanha, Canadá, Itália, Dinamarca, Suiça e Estados Unidos) estarão no Caminho Niemeyer, em Niterói.

Falta pouco para torcermos muito pela Martine, Marco e toda a equipe do Mubadala Brazil SailGP Team. 

Axel Grael


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Leia matéria na VEJA Rio












terça-feira, 17 de março de 2026

Projeto de Lei que proíbe fiscalização do desmatamento por satélite tramita em regime de urgência na Câmara de Deputados

Fiscais do IBAMA foram atacados em emboscada de criminosos na Terra Indígena Tenharim-Marmelos, no município de Manicoré, quando fiscalizavam a extração ilegal de madeira. Foto: Divulgação IBAMA.

A tentativa de "passar mais uma boiada". O competente jornalista André Trigueiro, dedicado à temática ambiental, fez um importante alerta sobre o que pode ser mais um atentado contra a política ambiental do país e um duro golpe contra a ação de fiscalização do IBAMA no combate ao desmatamento. 

A Câmara de Deputados aprovou, ontem (16/03), 10 projetos de lei (PL) para tramitar em Regime de Urgência. Um deles, o PL 2.564/2025, de autoria do deputado federal bolsonarista Lúcio Mosquini (PL-RO), "que regulamenta a aplicação de medidas administrativas cautelares na fiscalização ambiental e veda a imposição de embargo baseado exclusivamente em detecção remota de supressão de vegetação". 

O PL altera a Lei de Crimes Ambientais (Lei n° 9.605/1998) e propõe:

Art. 2º A Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 72-A:

“Art. 72-A Constatada a ocorrência de dano ambiental, o agente de fiscalização, no uso do seu poder de polícia, poderá adotar medidas administrativas cautelares para afastar risco iminente de agravamento do dano, para interromper a sua ocorrência e para resguardar a recuperação ambiental.

§ 1º As medidas administrativas cautelares não poderão ser utilizadas como instrumento de antecipação das sanções previstas no art. 72 desta Lei, sob pena de nulidade do processo.

§ 2º Fica vedada a imposição de embargo baseado exclusivamente em detecção remota de infração decorrente de supressão de vegetação, sendo garantida a notificação prévia do autuado para prestar esclarecimentos em prazo razoável antes da imposição da medida.”

O projeto de lei quer impedir exatamente o que está dando certo e fazendo os números do desmatamento caírem. O IBAMA, com a ajuda de outros órgãos, vem modernizando a sua capacidade de fiscalização ambiental através da adoção de tecnologias para enfrentar o desmatamento, as queimadas, o saque de madeira e a grilagem de terras públicas. Com isso, melhora-se a capacidade de controle sobre crimes ambientais, seja na Amazônia, no Cerrado, na Mata Atlântica e outros biomas, detectando as irregularidades de forma remota, com satélites, e até drones etc. Desta forma, é possível acompanhar a conservação de áreas protegidas e de reservas legais, o correto cumprimento dos casos de desmatamento legal e devidamente autorizado e, sobretudo, punir os criminosos. 

Relatórios mostram que o avanço da criminalidade na Amazônia é uma das principais preocupações atuais e que o desmatamento, a grilagem, o tráfico de drogas e outros crimes se intercruzam e se fortalecem mutuamente. 

É importante lembrar que controlar o desmatamento é uma obrigação perante as atuais e futuras gerações e que o Brasil tem metas a cumprir perante o mundo, nos seus compromissos climáticos (NDC) assumidos diante do Acordo de Paris.

Pois bem, o projeto de lei que tramita em regime de urgência pretende proibir a "detecção remota", justamente o que tem dado mais efetividade e resultados no trabalho de fiscalização e contribuído para a queda no desmatamento no Brasil. 

Segundo a justificativa do projeto de lei, o fiscal terá que ir in-loco para impedir o desmatamento e autuar os responsáveis, ou seja, uma aposta na impraticabilidade. Seria a volta da velha fórmula que permitiu o desmatamento desenfreado no passado.

Por exemplo, de agosto de 2024 a agosto de 2025, a Amazônia teve uma área desmatada de 5.796 km², o que representou uma redução de 11,08% em relação ao período anterior (de agosto de 2023 a julho de 2024), segundo estimativa do sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE (vide, MMA). 

Mesmo com as sucessivas reduções do desmatamento no atual governo - ao contrário do que aconteceu no governo anterior, ainda é um desmatamento ANUAL correspondente a uma área superior a toda a Região Metropolitana do Rio de Janeiro, espalhada pela imensidão de mais de 5,2 milhões de km² da Amazônia Legal. Além disso, o trabalho de fiscalização no terreno tem se mostrado um risco à vida dos fiscais, que têm sido vítimas de ataques e emboscadas praticadas pelos criminosos. Foi o que acabou de acontecer no último sábado (15/03), quando um grupo de fiscais do IBAMA foi atacado quando fiscalizavam a extração ilegal de madeira na Terra Indígena Tenharim-Marmelos e sofreram uma emboscada. Ou seja, voltar à fiscalização exclusivamente in-loco, como quer o Sr. deputado, é impraticável e só serve para facilitar a ação dos criminosos!

Assista à matéria do Jornal Nacional, da Rede Globo, em 17/03/2026.

Hoje, à noite, no Jornal Nacional, o presidente da Câmara de Deputados, Hugo Motta, afirmou que o PL só irá a votação após ampla discussão. Então, como justificar o Regime de Urgência? Entenda-se: "O Regime de Urgência na Câmara Federal é um rito processual que acelera a tramitação de projetos de lei, permitindo que sejam votados diretamente no Plenário, dispensando o parecer de comissões temáticas. Ele reduz prazos, prioriza a matéria na pauta e pode ser solicitado por líderes, bancadas ou pelo Presidente da República" (Portal da Câmara dos Deputados).

Alguém tem dúvidas sobre qual é o interesse por trás da inviabilização da fiscalização do desmatamento? A continuidade do desmatamento dos biomas brasileiros é inaceitável. Que se restabeleça o bom-senso. 

Axel Grael


terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Revista italiana destaca Martine Grael e traz notícias da SailGP


Rolex SailGP Championship 2025

The Rolex SailGP 2025 Championshipin Auckland, New Zealand. Photo: Bob Martin for SailGP.

There are seasons that pass, and seasons that remain. The 2025 edition of SailGP rightfully belongs to the second category: a championship that has overturned hierarchies, broadened horizons, and transformed high-performance sailing into one of the most powerful global sporting spectacles. It has been a dizzying evolution, considering that in 2019—the year of its debut—there were six teams and five stages.

Today, however, there were 12 boats on the starting line, with two major new entries, Red Bull Italy and Mubadala Brazil, and a calendar that has doubled in size. Marking every moment of this metamorphosis is Rolex, a partner of the circuit since its inception. The Geneva-based company has not only renewed its commitment, but has relaunched it in grand style: ten additional years as Official Timekeeper and, above all, the role of Title Partner of the championship.

Emirates Great Britain SailGP Team and shore crew celebrate with the Impact League trophy. Photo: Andrew Baker for SailGP

This move definitively establishes the Rolex SailGP Championship among the great global sporting events, on a par with Formula 1 or the NBA, with the same blend of adrenaline, technology, and epic storytelling. Against such a backdrop, 2025 was a year of firsts, a series of events that redefined the circuit and ushered in a new cycle.

The first shock came with the triumph of the Emirates Great Britain SailGP Team, which snatched the title from Australia and New Zealand after years of unchallenged dominance. Sir Ben Ainslie and his crew built a meticulous success, made up of perfect starts, coolness in extreme situations, and a consistency that even defeated the masters of foiling. For the first time, the roll of honor speaks British, and it does so at the end of the most competitive season ever.

The Rolex SailGP 2025 Championship ITM New Zealand Sail Grand Prix in Auckland, New Zealand. Photo: Bob Martin for SailGP.

Another highly anticipated first was that of Italy with the Red Bull Italy SailGP Team: the debut of the Italian team on the circuit, a natural entry for a country that has grown up with the America’s Cup, technology, and nautical design. The Italian team did not just make an appearance: it immediately got into the rhythm of the championship, showing talent, ambition, and the competitive hunger that has always accompanied our country’s sailing projects. And the podium in the final stage in Abu Dhabi bodes well for 2026.

The Apex Group Bermuda Sail Grand Prix in Bermuda. Photo: Bob Martin for SailGP.

Then there was the geographical surprise: the debut in Switzerland, on Lake Geneva. A new, complex, unpredictable race course. Irregular winds, fresh water that changes the responsiveness of the foils, mountain scenery that turns every gust into an unknown. But the spectacle was memorable: seeing the F50s speeding through the mountains, suspended a few centimeters above the water, confirmed that the Rolex SailGP Championship is not only global, but deeply visionary. Where you can fly, you can race.

Photo: Jon Buckle for SailGP. Handout image supplied by SailGP


MARTINE GRAEL

And then there was the most powerful first, the one that truly changed the face of the circuit: Martine Grael, two-time Olympic champion, became the first sailor in SailGP history to win a race, in the New York leg, at the helm of an F50. A victory that transcends the sporting result and becomes a symbol of cultural change.

Martine Grael. Photo: Andrew Baker for SailGP.

“We knew it would be difficult,” says Martine Grael, who leads the Mubadala Brazil SailGP Team alongside her brother Marco. “We were entering a circuit where many teams have four seasons of experience. Our goal was to grow, step by step. The victory came sooner than expected, but it is only one step on a longer journey.”

Martine Grael

Her leadership is a manifesto: in the world’s most technologically extreme championship, talent has no gender. Alongside her, and no less instrumental in charting the course for the future, is Hannah Mills, tactician for Emirates Great Britain and veteran of the circuit. She was among the first women to climb aboard an F50 in 2020 and is now actively working to increase female and youth participation.

Hannah Mills

“The sport of sailing is changing. When I was a girl, I only saw the Olympics as a prospect. Today, there is SailGP, the America’s Cup, and programs that really push women’s professionalism. The opportunities exist: you no longer have to just imagine them,” adds Mills.

The Rolex Los Angeles Sail Grand Prix held in the Port of Los Angeles, California, USA. Photo: Jason Ludlow for SailGP.

Initially designed to integrate women, the role of tactician has now proven to be fundamental in a circuit where fleet density and speed make every detail critical. “With so many boats on the water, having someone who observes the fleet, the routes, and the weather in real time is essential. At first, it was a way to include female sailors: today, it is an essential function of the race.”

Rolex SailGP Championship Event 5 Season 2025. Photo: Jason Ludlow for SailGP.

Of course, there is still a gap to be filled, but the course has been set, and there is no turning back. “The gap stems from opportunities: boys jump on many different boats from an early age, girls less so. The new rules are changing the course. Sailing is evolving rapidly. It is a privilege to be part of this transformation,” comments Martine Grael.

Photo: Ricardo Pinto for SailGP. Handout image supplied by SailGP

Hannah Mills adds: “There is room for two women on board, and I dream of a completely mixed 3+3 crew. With the new simulator and a dedicated training center, the gap will quickly narrow. The goal is not to create exceptions, but normality: we want it to be no longer newsworthy to have a woman at the helm in a few years’ time.” Ultimately, Britain’s first victory, Italy’s debut, the Swiss leg, and Martine’s victory at the helm are not isolated incidents, but pieces of a larger change.

Silhouette of Switzerland SailGP Team. Photo: Ricardo Pinto for SailGP.

2025 has made clear what the Rolex SailGP Championship has been cultivating for years: more spectacular, more global, more inclusive sailing. A future in which technology does not replace humanity, but enhances it; in which women do not enter “by decree,” but because they make a difference. 2025 was not a milestone: it was a beginning.

Matteo Zaccagnino

Fonte: Top Yacht Design









terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Luciano Moreira, parceiro do Projeto Grael, é um dos 10 cientistas mais influentes no mundo em 2025

Dr. Luciano Moreira (quinto da direita para a esquerda) com técnicos da Fiocruz e dirigentes da Fundação Bill e Melinda Gates, em visita ao Projeto Grael, em 2016.

O pesquisador brasileiro Luciano Moreira, acaba de ser anunciado pela renomada revista científica "Nature" como um dos 10 cientistas mais influentes no mundo em 2025. 

O professor Luciano Moreira é engenheiro agrônomo e entomólogo, formado pela Universidade Federal de Viçosa-MG, sendo pesquisador ligado à Fundação Oswaldo Cruz - FIOCRUZ. O cientista desenvolve pesquisa sobre o uso da bactéria Wolbachia, de presença comum em muitos insetos, mas que os mosquitos Aedes aegypti não possuem naturalmente no seu organismo. Quando inoculado no mosquito, a bactéria bloqueia a transmissão da dengue, zika e chikungunya. Esta é a base do Método Wolbachia para o controle das doenças. Trata-se de uma tecnologia natural, eficaz e segura. Não há mudança genética nem no mosquito nem na bactéria. O método também evita a aplicação de produtos químicos, tão utilizados no passado. Protege cerca de 14 milhões de pessoas/ano dos efeitos da dengue, zika e chikungunya.

A iniciativa chegou ao Brasil em 2011, com o apoio do Ministério da Saúde, em parceria com a Fundação Bill & Melinda Gates e a National Institutes of Health, que investiram no método Wolbachia R$ 31 milhões.

Agente libera Wolbitos com parte do projeto em cidades brasileiras. | Crédito: Flávio Carvalho / WMP Brasil Fiocruz

Em 2013, quando o Rio de Janeiro e Niterói viviam um grave surto de dengue, o Dr. Luciano Moreira e uma equipe da FIOCRUZ procuraram o Projeto Grael para pedir ajuda. Dr. Moreira estava decidido a testar a sua tecnologia em dois lugares que considerava geograficamente ideais: Jurujuba (Niterói) e Tubiacanga (Ilha do Governador, no Rio de Janeiro). O fato de Jurujuba ser uma península na Baía de Guanabara e ter relativo afastamento de outros bairros, se adequava à metodologia da pesquisa. No caso de Tubiacanga havia uma justificativa semelhante, mas os trabalhos não avançaram tanto que em Jurujuba.

Eu havia sido eleito vice-prefeito de Niterói em 2013 e fiz a ponte entre a equipe da FIOCRUZ e a Secretaria Municipal de Saúde, que aprovou o experimento na cidade e passou a acompanhar e apoiar a iniciativa.

Mosquito x mosquito

De início, o trabalho das equipes causava desconfiança, principalmente quando saíram espalhando mosquitos pelo bairro. Como engenheiro florestal, entendi o objetivo do professor Moreira e convenci a equipe do Projeto Grael que a ideia de soltar mais mosquitos Aedes para combater a dengue, por mais que parecesse estranho, fazia sentido.

Armadilha para captura de mosquitos para fins de monitoramento. Equipamentos semelhantes a este foram instalados no Projeto Grael. Fonte: Portal Drauzio

O Projeto Grael cedeu espaço para apoio logístico das equipes que fizeram o trabalho pioneiro em Jurujuba e ajudou no esclarecimento da comunidade. Recebemos aulas e exposição educativa sobre o trabalho que seria feito e incentivamos os alunos do Projeto Grael a ajudar o trabalho das equipes da FIOCRUZ.

Inicialmente, os técnicos da equipe do prof. Moreira fizeram estudos na região e começaram a soltar os mosquitos com Wolbachia em 2015 e os resultados foram muito positivos. Na minha gestão como prefeito de Niterói (2021-2024), expandimos o método Wolbachia para toda a cidade e, desde então, os números de casos registrados de dengue, zika e chikungunya são muito baixos em Niterói e o modelo foi levado pelo Ministério da Saúde e FIOCRUZ para outras partes do país. 

Hoje, Luciano Moreira dirige a "Fábrica de Mosquitos" da FIOCRUZ, em Curitiba, considerada a maior do mundo. Produz 80 milhões de ovos de mosquitos por semana para alimentar o programa de enfrentamento às doenças no país. O que deu certo em Niterói vai beneficiar outras cidades.

Niterói é muito grata por ter sido escolhida a primeira cidade no país a ser cuidada pelo Método Wolbachia e o Projeto Grael tem orgulho de ter participado, mesmo que de forma modesta, desta grande conquista da Ciência e da Saúde.

Parabéns ao Dr. Luciano Moreira e sua equipe. 

Axel Grael
Prefeito de Niterói (2021-2024)
Vice-prefeito de Niterói (2013-2016)
Cofundador do Projeto Grael


quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Emissões do transporte rodoviário brasileiro mudam de perfil

 

Marcos Santos/USP Imagens

Apesar de avanços tecnológicos em mobilidade, as emissões do transporte rodoviário aumentaram 8% no Brasil na última década.

O governo federal publicou na última 3a feira (2/12) o Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos Automotores Rodoviários, que atualiza os dados oficiais sobre poluição atmosférica e emissões de gases decorrentes do transporte rodoviário depois de uma década desde o último levantamento. Elaborado pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), sob coordenação dos Ministérios do Transportes (MT) e do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o relatório mostra avanços importantes na redução dos poluentes de veículos automotores nos últimos 40 anos, mas também destaca obstáculos para a descarbonização do setor.

Um dos dados que mais chama a atenção é o aumento de 8% das emissões de dióxido de carbono equivalente (CO2e) entre 2012 e 2024, passando de 189 milhões de toneladas de CO2e para 204 milhões. Como a Exame assinalou, o crescimento acontece mesmo com avanços tecnológicos na indústria automotiva, que acabaram tendo seus benefícios “anulados” pelo crescimento da frota, que ultrapassou 71 milhões de veículos em 2024, e pelo uso mais intensivo de veículos nas ruas brasileiras. Segundo o inventário, em 2024, os automóveis responderam por 34% das emissões de CO2e enquanto os caminhões emitiram 40% e ônibus e motos 26%. Entre os gases, o CO2 representou 97% do total das emissões do setor.

Outra mudança importante apontada pelo levantamento é o perfil do material particulado (MP). Embora as emissões de combustão tenham diminuído na última década, as emissões provenientes do desgaste de pneus, freios e pavimentos aumentaram e hoje representam aproximadamente metade do total de MP liberado pelo transporte rodoviário. Assim, as emissões de combustão caíram para menos de 18 mil toneladas em 2024, mas o total agregado com desgaste chegou a 38 mil toneladas.

Pela primeira vez, o inventário considerou as estimativas de carbono negro (black carbon), poluente climático de vida curta e com impactos relevantes à saúde humana. De acordo com a análise, o transporte rodoviário brasileiro emitiu cerca de 8 mil toneladas por combustão em 2024, com crescimento das emissões por desgaste.

O inventário cobre o período de 1980 a 2024 e tem como objetivo oferecer insumos para políticas públicas de descarbonização do transporte rodoviário no Brasil. “O documento oferece dados essenciais para reduzir emissões, qualificar a gestão ambiental e apoiar a transição para um sistema de transporte mais limpo e sustentável”, comentou Adalberto Maluf, secretário nacional de meio ambiente urbano, recursos hídricos e qualidade ambiental do MMA.

Fonte: ClimaInfo


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segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

ARBORIZAÇÃO: Soluções inovadoras permitem aprimorar a gestão de árvores urbanas

 

Evitar a queda de árvores demanda podas adequadas e cuidados com o sistema radicular. Léo Ramos Chaves/Revista Pesquisa FAPESP

Mapas tridimensionais de raízes e plataformas que usam inteligência artificial podem orientar podas e garantir a integridade das plantas

Na corrida contra o tempo para adaptar as cidades brasileiras à emergência climática, surgem novas ferramentas para o manejo de árvores nas cidades. Lançada pela startup Propark, de Piracicaba, no interior de São Paulo, a plataforma Arbolink utiliza dados fornecidos por satélites e captados por veículos com visão computacional para gerir a arborização urbana. Em outra iniciativa, a empresa Kerno Geo Soluções, com sede na capital paulista, oferece um serviço que faz um mapeamento tridimensional (3D) das raízes de árvores sem precisar escavar o terreno.

Preservar a saúde do sistema radicular é importante para assegurar a integridade da árvore, mostrou um artigo publicado em 2024 na revista Urban Forestry & Urban Greening por um grupo da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), entre outros. Ao analisar dados de 456 árvores que caíram na região central de São Paulo entre 2016 e 2018, os pesquisadores perceberam que em 33% dos casos o problema estava nas raízes. Em outros 46%, a falha estava nos galhos e, em 21% das vezes, nos próprios troncos.

“Em uma cidade como São Paulo, as concessionárias de água, gás, internet estão sempre instalando tubulações no subsolo. O controle por parte do poder público é muito falho. São poucos os locais com fios aterrados. Nesses lugares, o controle é maior, mas no restante da cidade não. A árvore fica em segundo plano”, comenta o geofísico Vinicius Neris Santos, sócio da Kerno Geo Soluções. “Quando uma raiz é cortada, a consequência pode surgir um mês ou um ano depois, na próxima ventania ou chuva mais forte. Por isso, é importante saber onde e como estão as raízes.”

Para mapear os sistemas radiculares das árvores, a tecnologia criada pela empresa, batizada de Kerno Andas, aplica um método geofísico já usado por outras companhias e instituições para cadastramento de tubulações de água e esgoto, cabos elétricos e canos de gás enterrados no solo. Em cerca de 45 minutos, a ferramenta faz o mapeamento subterrâneo de uma área de 5 metros (m) por 5 m ao redor da árvore, independentemente de o terreno ser um gramado, de cimento, asfalto ou terra. Emitindo ondas eletromagnéticas, o georradar revela a distribuição espacial, a profundidade e o diâmetro das raízes. A detecção alcança cerca de 2 m de profundidade. A inovação foi desenvolvida com apoio do programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe) da FAPESP.

Além da disposição das raízes no espaço, a empresa pretende incluir no serviço a indicação da saúde das raízes. O desenvolvimento é fruto de um estágio de pós-doutorado de Santos na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP. “Estamos trabalhando com o espectro do sinal eletromagnético, que é capaz de fornecer informações mais detalhadas das raízes a partir das diferentes frequências desse espectro”, declara o pesquisador. Entre os clientes da empresa, estão a prefeitura de Belo Horizonte (MG) e companhias de manejo arbóreo.

Técnicos fazem mapa 3D das raízes sem escavar o terreno usando a tecnologia Kerno AndasLéo Ramos Chaves/Revista Pesquisa FAPESP

Softwares e saúde da floresta

Empresas e institutos de pesquisa também têm desenvolvido softwares para digitalizar a gestão da arborização urbana. A ideia é de que essas ferramentas facilitem a formação e a atualização de inventários e o controle de podas e plantios. Um exemplo recente é o sistema Arbolink, da empresa Propark. Usado por prefeituras em cinco estados – São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul –, o sistema gerencia demandas de licenciamento ambiental, integrando dados gerados por satélites e por veículos com visão computacional, além de informações coletadas por técnicos em campo.

“A plataforma tem um banco de dados robusto sobre espécies arbóreas, incluindo características biomecânicas dos exemplares. Com isso, permite uma visão em tempo real da floresta urbana, facilitando a interoperabilidade entre secretarias municipais e concessionárias de serviços públicos”, destaca o engenheiro-agrônomo Marcelo Machado Leão, diretor da empresa.

O Arbolink também foi projetado para possibilitar a interação colaborativa da população, que pode solicitar serviços de poda e relatar problemas relacionados às árvores. A plataforma usa IA para avaliar e gerenciar o risco de queda das árvores e garantir o plantio adequado, evitando conflitos futuros com a infraestrutura urbana. “O sistema é adaptável para atender às legislações municipais locais e está recebendo novos módulos e funcionalidades inovativas”, conta Leão.

Uma das novidades em implantação é a possiblidade de fiscalização e de realização de cálculos de serviços ecossistêmicos, como o de balanço de carbono. Outra é a gestão preventiva de riscos por meio de algoritmos de predição climática, importante para preparar as cidades para eventos climáticos extremos, como vendavais e chuvas intensas, que têm se tornado mais frequentes. A inovação teve apoio do programa Pipe da FAPESP.

Outra ferramenta, criada no IPT, órgão vinculado ao governo do estado de São Paulo, é um software para gestão da governança urbana, chamado Arbio, indicado para a realização de inventários arbóreos municipais. A solução já foi utilizada em São José dos Campos e São Caetano do Sul, ambas em São Paulo, e está sendo negociada para ser assumida pela Prodesp, a empresa de tecnologia do governo estadual.

“A ideia é que o Arbio seja distribuído pelos 645 municípios paulistas. Já há conversações”, conta o biólogo Sérgio Brazolin, chefe do Laboratório de Árvores, Madeiras e Móveis do IPT. “O seu diferencial é que há dentro dele um modelo de cálculo estrutural. A ferramenta faz operações matemáticas para mostrar a probabilidade de queda ou de ruptura da árvore. Tudo a partir dos dados das plantas, como tamanho, localização, data da última poda. Assim como o Arbolink, é uma ferramenta que ajuda o técnico a tomar decisões de manejo.”

Nuvem de pontos feita com o radar Lidar, usado pela startup Treetronics, mostra se a árvore tem propensão à queda. Treetronics

O próximo passo, anuncia o biólogo, é incorporar inteligência artificial a uma nova versão do Arbio. A tendência nessa área é buscar a automatização para categorizar as árvores de uma localidade em relação à urgência que apresentam em relação à queda e à poda. “As pesquisas caminham para o uso de tecnologias de captura de imagem, como Lidar (detecção de luz e medida de distância), e ferramentas de geoprocessamento, para localizar e medir a árvore. Com dados históricos de quedas e sua relação com ventos e chuva, poderemos usar ferramentas de inteligência artificial para criar algoritmos mais precisos”, destaca Brazolin.

Na USP, um grupo liderado pelo biólogo Marcos Buckeridge, do Instituto de Biociências, e o engenheiro mecânico Emílio Carlos Nelli Silva, da Escola Politécnica (Poli), recorreu à técnica de otimização topológica na orientação de possíveis podas e repodas. Esse método é usado em projetos de engenharia para encontrar um design que maximize o desempenho de estruturas diversas. As indústrias aeroespacial e automotiva, entre outras, empregam a metodologia. O serviço é oferecido pela startup Treetronics, criada em abril deste ano.

Para elaborar o algoritmo da poda, os pesquisadores voltaram-se para a geometria e o comportamento estrutural da árvore. “Aplicamos a metodologia de simulação computacional usada em estruturas de engenharia em geral”, diz Silva. O desenvolvimento natural de uma árvore, explicam os pesquisadores, otimiza a sua estrutura – ou seja, cria as condições mais favoráveis em termos de distribuição de troncos e galhos, favorecendo sua estabilidade e capacidade de suportar forças externas. O algoritmo pode ser usado em qualquer tipo de árvore.

“A árvore é uma estrutura por si otimizada. Mas se a poda é realizada de qualquer jeito, ela se fragiliza, perde esse balanceamento e tende a cair”, diz o engenheiro da Poli. Nas cidades, raízes e galhos enfrentam barreiras para um crescimento ideal. Solos compactados, fiação elétrica aérea, cimento, pavimentação e tubulações estão entre os principais obstáculos. Além disso, há as alterações ocorridas em seu entorno, como a derrubada ou a construção de edifícios que interferem na intensidade e direção dos ventos.

A fim de captar a complexa geometria da árvore e inseri-la em um modelo computacional, os pesquisadores da Treetronics recorreram à tecnologia Lidar. Ainda pouco acessível, a ferramenta é capaz de fazer um escaneamento tridimensional a laser (ver Pesquisa FAPESP nos 308 e 346) e gerar uma nuvem de cerca de 3 milhões de pontos para cada planta.

“O sensor Lidar faz uma imagem tridimensional da árvore em poucos minutos. Colocamos esses dados no computador e simulamos a planta se deformando, sob a ação do vento. Além de melhorar a poda, é possível avaliar se há uma propensão à queda”, afirma Silva. Os modelos ainda estão sendo aperfeiçoados, mas já há conversas com as prefeituras de São Paulo e outros municípios paulistas para a realização de testes e adoção da ferramenta.

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O verde nas cidades

Plataforma digital disponibiliza mapas interativos com dados ambientais e sociais dos municípios brasileiros

Gestores públicos, pesquisadores e a população em geral contam, desde 2024, com a plataforma on-line UrbVerde para visualizar dados ambientais dos 5.570 municípios do país, com mapas interativos das áreas verdes, números comparativos entre as cidades e integração de dados socioeconômicos. O projeto, apoiado pelo Programa de Pesquisa em Políticas Públicas da FAPESP e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), reúne cerca de 50 pesquisadores de 11 instituições. A prefeitura de Diadema (SP) e um consórcio dos municípios do ABC paulista são parceiros da iniciativa.

Informações como índices de cobertura vegetal, suscetibilidade a ilhas de calor e populações atendidas por parques e praças estão reunidas a partir de dados de satélites e fontes diversas, como o Censo Demográfico do IBGE e o OpenStreetMap, projeto colaborativo com dados abertos e detalhados de mapas do mundo. “Esse sistema de informação geográfica on-line visa apoiar o planejamento urbano, a formulação de políticas públicas e a adaptação climática das cidades”, diz Guilherme Bueno de Freitas, vice-coordenador da UrbVerde.

Segundo Freitas, apesar de recém-lançado, o sistema passa por uma atualização. “Usamos Diadema como projeto-piloto para desenvolver metodologias e indicadores, que vão contribuir para um plano de ação climática”, conta. Entre os itens a serem desenvolvidos que o grupo pretende incluir nos mapas estão os pontos de maior probabilidade de sofrer inundações, os de risco a arboviroses e os de vulnerabilidade alimentar.

“Queremos pegar o maior número de informações abertas e replicáveis, para poder dar visibilidade à plataforma. Temos a pretensão de acessar as cidades pequenas de todo o país, que são as que têm menos condições de ter algum tipo de análise socioambiental”, diz Freitas. A plataforma está disponível gratuitamente.

A reportagem acima foi publicada com o título “Poda high-tech” na edição impressa nº 357, de novembro de 2025.

Projetos

1. Avaliação não destrutiva de árvores em ambiente urbano através da combinação dos métodos da eletrorresistividade e ground penetrating radar (nº 19/09483-0); Modalidade Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe); Pesquisador responsável Vinicius Rafael Neris dos Santos (Kerno); Investimento R$ 992.692,11.

2. Desenvolvimento de software destinado à avaliação dos riscos de queda de árvores em áreas urbanas (nº 15/15888-2); Modalidade Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe); Pesquisador responsável Marcelo Machado Leão (Propark); Investimento R$ 544.381,65.

3. Gestão de florestas urbanas em tempo real utilizando aprendizado de máquina (nº 19/18287-0); Modalidade: Bolsa de Pós-doutorado. Pesquisador responsável João Paulo Papa (Unesp); Bolsista Danilo Samuel Jodas (Unesp); Investimento R$ 431.473,61.

4. Urbverde: Políticas públicas para qualificação territorial orientada à adaptação climática e redução das desigualdades (nº 23/10076-6); Modalidade Pesquisa em Políticas Públicas; Pesquisador responsável Marcelo Fantin (USP); Investimento R$ 652.864,46.

5. Florestas funcionais: Biodiversidade a favor das cidades (nº 20/09251-0); Modalidade Jovens Pesquisadores. Pesquisador responsável Giuliano Maselli Locosselli (USP); Investimento R$ 206.086,80.

Artigos científicos

CAVALARI, A. A. et al. Predicting tree failure to define roles and guidelines in risk management, a case study in São Paulo/Brazil. Urban Forestry & Urban Greening. v. 91. jan. 2024.

SANTOS, V. R. N. et al. Tree roots GPR detection based on 3-D time-reversal signal processing. IEEE Geoscience and Remote Sensing Letters. v. 21. 18 set. 2024.

JODAS, D. S. et al. Detection of trees on street-view images using a convolutional neural network. International Journal of Neural Systems. v. 32, n. 1. 2022.

BUCKERIDGE, M. Árvores urbanas em São Paulo: Planejamento, economia e água. Estudos Avançados. v. 29, n. 84. 2015.



Fonte: Revista Pesquisa FAPESP