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sábado, 25 de novembro de 2017

Parque Estadual da Serra da Tiririca celebra seus 26 anos



COMENTÁRIO DE AXEL GRAEL:

O Parque Estadual da Serra da Tiririca (PESET) é uma unidade de conservação especial. Nasceu em 1991, como resultado de uma mobilização, iniciada na década de 1980, de ambientalistas e profissionais da área ambiental tanto do lado de Niterói como de Maricá, motivados pela ameaça da crescente pressão imobiliária contra aquele patrimônio.

Fui fundador e presidi o Movimento de Resistência Ecológica - MORE (fundado em 1980) e do Movimento Cidadania Ecológica (fundado em 1989), organizações ambientalistas sediadas em Niterói e que tiveram papel decisivo no projeto de criação do parque. Com o apoio de outras organizações que integraram a Frente em Defesa da Serra da Tiririca (também criada em 1989), o Movimento de Resistência Ecológica redigiu o documento que embasou a criação do PESET e, posteriormente, redigiu o Projeto de Lei para a sua criação, encaminhando os documentos para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, que aprovou a lei em 1991.

Neste mesmo ano, 1991, fui nomeado presidente da Fundação Instituto Estadual de Florestas (IEF-RJ), órgão do governo estadual, responsável então pela gestão das unidades de conservação do Estado do Rio de Janeiro. Foi uma interessante e feliz situação para mim: ter participado da idealização e da proposição do parque como militante ambientalista e depois recebe-lo como dirigente e gestor público, responsabilizando-me pelos primeiros passos para a sua implementação.


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Tenho orgulho de ter participado da idealização e da proposição do parque como militante ambientalista e depois recebe-lo como dirigente e gestor público, responsabilizando-me pelos primeiros passos para a sua implementação.

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O PESET nasceu com 2.400 hectares e expandiu-se com a incorporação de novas áreas, como o Morro das Andorinhas, as Ilhas Oceânicas do Pai, Mãe e Menina, o entorno da Lagoa de Itaipu, o Morro da Peça e finalmente, o então Parque Darci Ribeiro, inicialmente criado pelo município de Niterói e depois incluído no PESET.

Cabe destacar também que ao completar 26 anos, o Parque Estadual da Serra da Tiririca insere-se num contexto de várias outras iniciativas e investimentos em conservação, nos quais tem importância crucial. Dentre estas ações destacam-se: o desenvolvimento do Programa Região Oceânica Sustentável (PRO-Sustentável), que investirá na implantação de infraestrutura para o PESET e a criação pelo governo estadual da Reserva Extrativista de Itaipu.

Ao longo de sua história, se por um lado o PESET não logrou obter os investimentos esperados pelo Governo do Estado para a sua efetiva estruturação, por outro lado teve a sorte de contar com alguns bons gestores, que aliaram-se a uma aguerrida militância ambientalista, permitindo que o parque se tornasse uma realidade. Hoje, o Parque recebe milhares de visitantes por mês.

Parabéns à equipe do PESET e a todos que construíram a bela história de uma das mais marcantes e bem sucedidas campanhas ambientalistas do estado do Rio de Janeiro e do país.

Axel Grael
Engenheiro florestal e ambientalista
Secretário executivo da Prefeitura de Niterói



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Peset celebra seus 26 anos

Atualmente, o Peset recebe cerca de 300 mil visitantes por ano. Foto: Evelen Gouvêa



Carolina Ribeiro

Criado em 1991, Parque Estadual da Serra da Tiririca, segue como um dos principais atrativos da região

Há muitos anos, um grupo de ambientalistas lutava pela preservação ambiental da Serra da Tiririca. Com o movimento, em novembro de 1991 foi criado o Parque Estadual da Serra da Tiririca (Peset), que completa 26 anos na próxima quarta-feira (29). Para comemorar a data, o parque preparou uma programação especial, que começa com a observação de aves nas unidades de conservação, o Vem Passarinhar. Neste sábado (26), o encontro será pelo Caminho de Darwin e Laguna de Itaipu. O ponto de encontro é na Praça do Engenho do Mato, na Região Oceânica de Niterói, entre 7h e 16h.

Abrangendo áreas dos municípios de Niterói e Maricá, a unidade é composta por uma área marinha e uma terrestre, que compõem 3.493 hectares. Durante a sua programação, o Peset separou dois dias para a observação da extensa lista de espécies de aves, são 202. Neste sábado, o grupo sai da Praça do Engenho do Mato, às 7h, segue de carro até o acesso ao Caminho Darwin, e vai até a Laguna de Itaipu. Amanhã, o ponto de encontro é na Rua Domingo Mônica Barbosa, 4, no Recanto, em Itaipuaçu, Maricá. A programação será de passeio pela área do Peset do município e a área de proteção ambiental de Maricá.

Atualmente, o Peset possui 300 mil visitantes anualmente, que buscam diferentes atrações e tipos de turismo. Por conta disso, segundo o administrador do local, Alexandre Ignácio, a fiscalização e o cuidado são intensos para garantir a conscientização da população e a educação ambiental, sobretudo de crianças.

“Criamos regras para que tudo funcione bem. Fazemos controle de acesso às trilhas, regulamos os grupos de esporte, que cada vez crescem mais, como salto, rapel e escalada. Durante a fiscalização, conversamos e explicamos como funciona a proteção, mas as vezes precisamos autuar, ser incisivos e fazer ocorrência”, explicou Alexandre.

Os esportes fazem tanto sucesso no Peset que, cada vez mais, novos projetos surgem para as trilhas. Um grupo conseguiu, neste ano, autorização do Inea para realizar tirolesas de 40m de altura e 60m de distância, na Enseada do Bananal. A próxima atividade será no dia 3.

Fonte: O Fluminense



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sábado, 7 de dezembro de 2024

GRATIDÃO PELO RECEBIMENTO DA MEDALHA TIRADENTES


Foi com muita alegria que recebi a Medalha Tiradentes, a maior honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro - ALERJ, por proposição do deputado estadual Vitor Junior. 

Na cerimônia, realizada na quarta-feira (4), às 16:00, fui surpreendido com o plenário histórico da ALERJ cheio de amigos e colegas de diferentes etapas da minha longa caminhada profissional, do serviço público, de militância ambientalista, social e na politica. 

Na mesa, além do deputado Vitor Júnior e da minha esposa Christa, estavam o prefeito eleito Rodrigo Neves, a vice-prefeita eleita Isabel Swan, a deputada Marta Rocha - presidente do PDT-RJ, o reitor da UFF Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, a geógrafa Dionê Marinho Castro - que me acompanha há muitos anos e que liderou o Programa Região Oceânica Sustentável - PRO Sustentável. Na plateia, representantes da sociedade civil, lideranças comunitárias, ambientalistas, jornalistas, dirigentes e membros da equipe do governo municipal, além de muitos outros amigos.

Agradeço muito às palavras generosas dos oradores e às emocionantes reações dos amigos presentes. No meu pronunciamento, lembrei da minha trajetória, desde a escolha da profissão de engenheiro florestal, em 1976, até a passagem pela presidência do IEF-RJ, no Governo Brizola, pela presidência FEEMA, pelo concurso público para a Prefeitura do Rio de Janeiro, chegando aos 12 anos de atuação na Prefeitura de Niterói, como vice-prefeito, à honra de ser eleito prefeito da cidade.

Lembrei dos sonhos que tínhamos no início da militância ambientalista de ver Niterói como uma referência de sustentabilidade urbana e de justiça social e a oportunidade que tivemos, desde 2013, de implementar esse sonho. Ao longo destes 12 anos, a cidade viveu o seu maior ciclo de investimentos em infraestrutura, viu mais de 56% do seu território se tornar parques, viu as ciclovias (que praticamente não existiam) chegarem a 86 km se tornarem as mais movimentadas do país, viu o saneamento e a gestão de resíduos sólidos urbanos serem reconhecidos como dos melhores do pais, viu a cidade se tornar referência de resiliência e politica climática, viu as melhores políticas serem implementadas (Moeda Social Arariboia), além dos maiores investimentos da história na infraestrutura das comunidades, regularização fundiária e tantas outras ações. 

Niterói avançou muito na direção daquilo que sempre sonhamos, não sem muito trabalho e superação de obstáculos, mas sempre sabendo onde queríamos chegar.

Compartilho o reconhecimento expresso na Medalha Tiradentes com todos aqueles que estiveram conosco e viabilizaram cada conquista. Também expressei o meu agradecimento à minha esposa Christa, pois sem a parceria e dedicação dela, nada disso teria sido possível. 

Por fim, mais uma vez, o agradecimento ao deputado Vitor Junior por ter proporcionado este momento tão especial.

Axel Grael
Prefeito de Niterói


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Prefeito Axel Grael é homenageado com a Medalha Tiradentes na Alerj

O prefeito de Niterói, Axel Grael, recebeu na noite desta quarta-feira (04) a Medalha Tiradentes, a maior honraria concedida pelo Poder Legislativo estadual. A homenagem foi entregue pelo deputado estadual Vitor Junior (PDT), em uma sessão solene realizada no Palácio Tiradentes, sede histórica do parlamento fluminense. O evento reuniu secretários municipais, lideranças políticas da cidade e do Estado, além da primeira-dama, Christa Vogel Grael.

O deputado Vitor Junior destacou que a honraria reconhece a trajetória de Axel Grael como ambientalista, prefeito, gestor público e pela atuação no terceiro setor, especialmente no Projeto Grael, que promove a inclusão de jovens no esporte da vela. Ele também ressaltou o papel de Grael na criação do Movimento de Resistência Ecológica (MORE) e na campanha que levou à criação do Parque Estadual da Serra da Tiririca, além de sua liderança em iniciativas de preservação da Baía de Guanabara.

Durante a cerimônia, o parlamentar enfatizou a experiência de Axel Grael em cargos como presidente do Instituto Estadual de Florestas (IEF) e da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema), além de subsecretário de Meio Ambiente do Estado do Rio. Ele também lembrou da atuação de Grael como vice-prefeito e secretário municipal de Niterói, antes de sua eleição como prefeito em 2020, com mais de 60% dos votos no primeiro turno.

“Axel Grael tem obtido importantes resultados não só na área ambiental. Nos últimos anos, ele tem se destacado na captação de recursos, na elaboração de projetos e na execução de ações em diversas áreas de Niterói. O Projeto Grael, fundado em 1998, já transformou a vida de mais de 17 mil alunos da rede pública, proporcionando iniciação esportiva na vela e formação para o mercado de trabalho, um exemplo de transformação social”, afirmou Vitor Junior.

Agradecido, Axel Grael compartilhou o reconhecimento com sua equipe e os cidadãos de Niterói.

“Receber a Medalha Tiradentes é uma emoção indescritível e uma grande responsabilidade. Divido esta honraria com nossa equipe e os cidadãos niteroienses, que nos ajudam a construir uma cidade mais sustentável e inclusiva. Reforço meu compromisso de continuar trabalhando com dedicação e transparência para o desenvolvimento de Niterói e do Estado”, declarou o prefeito. “Sempre pensei em uma Niterói sustentável, com proteção ambiental e recuperação de áreas degradadas. Hoje, a cidade tem 57% do território protegido por unidades de conservação. Fizemos o Parque Orla Piratininga, que hoje é referência nacional. Várias partes da cidade foram transformadas em parques e unidades de conservação. Niterói é hoje em sustentabilidade urbana”.

O prefeito eleito de Niterói, Rodrigo Neves, destacou a importância do trabalho de Axel Grael para a cidade e o estado.

“Axel Grael é uma referência em gestão pública e em comprometimento com o desenvolvimento sustentável. Sua liderança deixa um legado marcante em Niterói e inspira não só nossa cidade, mas todo o Estado do Rio de Janeiro. Essa homenagem é mais do que merecida e reflete a admiração de todos nós pelo seu trabalho e dedicação à nossa população e ao meio ambiente”, afirmou Rodrigo Neves.
Além da primeira-dama de Niterói, Christa Vogel Grael, participaram da mesa de homenagem – presidida pelo deputado estadual Vitor Junior –, Marta Rocha, deputada estadual (PDT); Rodrigo Neves, prefeito eleito de Niterói; e Isabel Swan, vice-prefeita eleita de Niterói; Dionê Marinho Castro, coordenadora do PRO Sustentável; e o reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Antônio Claudio Lucas da Nóbrega.

Um pouco mais sobre Axel Grael

Axel Schmidt Grael, 66, é engenheiro florestal, gestor público e ambientalista. Natural de São Paulo, possui raízes profundas em Niterói, onde sua família se estabeleceu em 1924, com a chegada do avô, Preben Schmidt, da Dinamarca. Casado com Christa Vogel Grael, Axel é filho de Ingrid Schmidt e do coronel Dickson Melges Grael, e irmão dos medalhistas olímpicos Torben e Lars Grael.

Na década de 1970, Axel fundou o Movimento de Resistência Ecológica (MORE), pioneiro no Rio de Janeiro e em Niterói. Presidiu também o Instituto Cidadania Ecológica e o Instituto Baía de Guanabara. Também liderou ações para proteger a Baía de Guanabara e foi um dos responsáveis pela campanha que resultou na criação do Parque Estadual da Serra da Tiririca.

Com vasta experiência no setor público, presidiu o Instituto Estadual de Florestas (IEF) e a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) em duas gestões. Foi subsecretário estadual de Meio Ambiente e, desde 2013, atuou em diversos cargos na Prefeitura de Niterói, onde se destacou na captação de recursos e no planejamento de ações estratégicas.

No terceiro setor, Axel é fundador do Projeto Grael, que já atendeu mais de 17 mil jovens da rede pública de Niterói, oferecendo iniciação esportiva e capacitação para o mercado de trabalho por meio da vela.

Eleito prefeito de Niterói em 2020 com ampla votação, Axel Grael segue comprometido com o desenvolvimento sustentável, social e econômico da cidade.

Fonte: Prefeitura de Niterói


sábado, 10 de agosto de 2019

DEPOIMENTO: "MILITÂNCIA PELA SUSTENTABILIDADE DE NITERÓI"



BAÍA DE GUANABARA. Banhistas na Praia de Charitas, Enseada de Jurujuba. A recuperação da balneabilidade da enseada foi uma das primeiras lutas ambientalistas que me dediquei e agora, após 40 anos, vemos os resultados aparecendo. 


Motivado por matérias publicadas nesse sábado sobre os avanços do saneamento de Niterói, faço aqui um depoimento oferecendo o meu olhar sobre a evolução de Niterói na agenda do saneamento, recuperação de ecossistemas e sobre a minha participação em etapas importantes destas bandeiras.

Niterói tem longa tradição ambientalista e de organização comunitária e tive a oportunidade de contribuir de diversas formas. Comecei a atuar como ambientalista em Niterói no final da década de 1970. Fundei organizações ambientalistas que, segundo muitos, marcaram época na defesa da causa e pude liderar ou dar contribuições em diversos episódios importantes.

Foram muitas décadas de atuação intensa, passando pela: 
  • criação do Movimento de Resistência Ecológica - MORE (fundado em 1980), do qual fui fundador e presidente.
  • criação do Movimento Cidadania Ecológica - MCE (fundado em 1989), do qual fui fundador e presidente.
  • Instituto Baía de Guanabara - IBG (fundado em 1993), do qual fui presidente. O IBG tem sede em Niterói.
  • criação do Instituto Rumo Náutico - Projeto Grael (fundado em 1998), do qual fui fundador, com os meus irmãos Torben e Lars Grael e fui presidente.
Além destas organizações de atuação ou sede em Niterói, dentre outras, também tive as seguintes participações:
  • ajudei a fundar o Instituto Preservale, fundado em 1994 e que atua pela proteção, fortalecimento e valorização do Vale do Café. Fui diretor da área ambiental do instituto.
  • fui dirigente da Rede Brasileira Agroflorestal - REBRAF, fundado em 1990 pelo saudoso Jean Dubois, um belga de nascimento e de coração brasileiro, um dos maiores especialistas em engenharia florestal, com quem aprendi muito.
  • fui dirigente da Fundação Brasileira pela Conservação da Natureza - FBCN, organização histórica do movimento ambientalista brasileiro. 
  • fui também vice-presidente da Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente - ABEMA, na gestão de Cláudio Roberto Langone (2001-2003). A ABEMA, fundada em 1985, reúne os órgãos ambientais dos estados.

Em paralelo a isso, e muitas vezes de forma concomitante, atuei na área ambiental também como dirigente na administração pública, como presidente do Instituto Estadual de Florestas - IEF, presidente da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente - FEEMA, como subsecretário da Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro. Na Prefeitura de Niterói, fui vice-prefeito, secretário da Secretaria Executiva e secretário da Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão (SEPLAG) de Niterói e como idealizador de várias políticas públicas no município de Niterói.

Não fui o único a seguir esta trajetória e ao longo desta longa atuação, convivi com importantes personalidades ambientalistas do passado, como Marcelo Ipanema, Dora Hees de Negreiros, João Batista Petersen, Omar Serrano e outros ainda atuantes, como Paulo Bidegain, Alba Simon, Katia Vallado, Katia Medeiros, Carlos Jamel e outros. Também cabe destaque a atuação de especialistas das universidades que ajudam a subsidiar as ações e profissionais do setor público que vêm tirando projetos esperados há tantos anos do papel.

Dentre estes profissionais, quero destacar alguns colegas da minha equipe de trabalho, como a geógrafa Dionê Marinho Castro e todos que compõem a Unidade de Gestão de Projetos - UGP / PRO Sustentável, a engenheira florestal Valéria Braga e tantos outros competentes profissionais que estão viabilizando os avanços de Niterói para a sustentabilidade. Também em outros órgãos fora da SEPLAG, como na SMARHS, SECONSER, CLIN, Águas de Niterói, Urbanismo, Defesa Civil, SMO/EMUSA e tantos outros.

São estas equipes que têm viabilizado projetos como o Niterói Mais Verde (implantação de Parques e recuperação de ecossistemas: elevou a cobertura de áreas protegidas a mais de 50% do território municipal de Niterói), PRO Sustentável (sustentabilidade para a Região Oceânica), Niterói de Bicicleta, Niterói Contra Queimadas, EcoSocial e o Enseada Limpa.

Mesmo na conjuntura atual de crise econômica paralisante, de falta de capacidade de investimentos do setor público, de escalada de um discurso anti-ambiental e anti-sustentabilidade, particularmente no governo federal, Niterói tem conseguido avançar graças a liderança do prefeito Rodrigo Neves que tem mantido a sustentabilidade no eixo condutor das políticas públicas da cidade.

Trajetória e militância

Na minha infância (tenho 61 anos), a Baía de Guanabara e a Enseada de Jurujuba (Saco de São Francisco) eram muito mais limpos, sem a poluição que vieram ao longo das décadas seguintes. A fauna era muito mais exuberante. Me lembro das velejadas com o meu avô, Preben Schmidt, no seu barco Aileen - ainda na família e muito bem cuidado pelo meu irmão Torben, quando víamos o salto das jamantas (um tipo de arraia bem grande) próximo ao Morro do Morcego, os enormes grupos de botos pela Baía de Guanabara. Também lembro bem dos cavalos-marinhos, caranguejos e os cardumes de mamarreis na frente do Rio Yacht Club (Sailing).

Na década de 1970, vimos a Enseada de Jurujuba ser tomada por uma gordura espessa e mal-cheirosa (cheiro de peixe podre) tomando as praias, principalmente São Francisco, Charitas, mesmo Icaraí. O mesmo ocorria nos clubes da orla da Estrada Fróes para onde os ventos levavam o "óleo de sardinha", que as indústrias de pescado do bairro de Jurujuba lançavam sem qualquer tratamento nas águas da enseada.

Em 1979, comecei a organizar manifestações contra a poluição das fábricas, que culminou com uma regata de protesto que reuniu cerca de 100 barcos nas proximidades de Jurujuba, que exibiam em suas velas frases de esperança pela Baía de Guanabara.

Em 1980, com a ajuda do meu paí Dickson Grael (que redigiu comigo o primeiro estatuto) e de um grupo de amigos, fundei o Movimento de Resistência Ecológica - MORE, tendo como primeira bandeira resistir contra a poluição da Baía de Guanabara e das "fábricas de sardinha". Com o apoio de jornais locais, em Niterói, (Luiz Antônio Mello e Jardel Ferre, jornalistas de jornais como o LIG, Opinião e Sete Dias eram os nossos porta-vozes) lançamos uma campanha que se chamava "Os tubarões da sardinha", mirando sensibilizar a Feema e os proprietários das indústrias a instalar equipamentos para o tratamento dos seus efluentes.

Leia: INEA fecha fábrica de sardinha: uma fétida lembrança de décadas atrás


Ainda estudante de engenharia florestal, mas muito motivado pelas causas ambientais, comecei a me aprofundar nos detalhes técnicos sobre o assunto e, em conversa com o engenheiro químico e velejador Ricardo Silveira, um dos fundadores da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente - FEEMA, soube de um dado que me impressionou na época: a poluição das fábricas de sardinha (incluindo as que ficavam na Ilha da Conceição e na Niterói Manilha) correspondia a mais do que toda a carga orgânica que chegava à Baía de Guanabara através do esgoto de toda a cidade de Niterói. Um pouco mais de uma dezena de fábricas poluíam mais do que quase meio milhão de pessoas. É importante lembrar a precariedade do tratamento de esgoto da cidade naquela época, pois o tratamento de esgoto restringia-se a uma pequena parte da cidade. A informação virou o nosso mantra. Repetíamos à exaustão: "As fábricas poluem mais do que todo o esgoto produzido em Niterói!" (o saneamento de Niterói era muito precário naquela época).

Brigamos contra as fábricas por décadas e o problema resolveu-se da pior forma: todas as empresa fecharam. As fábricas mataram a galinha dos ovos de ouro e inviabilizaram a própria atividade. Sistemas simples e de baixa sofisticação (baseados em decantação) teriam resolvido o problema a baixos custos. É o que pregávamos.

Sem as fábricas, reduziu-se uma grande parte do problema, mas a escalada da poluição continuou com a falta de saneamento básicos em todas as cidades da Bacia da Baía de Guanabara. Em 1999, Niterói deu um passo importante para avançar na agenda do saneamento. Após uma disputa judicial com o estado, o município rompeu com a CEDAE, exerceu o seu poder concedente e contratou mediante licitação a Concessionária Águas de Niterói.

Saneamento

Os resultados do novo modelo de parceria com a iniciativa privada são evidentes: enquanto Niterói aproxima-se de alcançar 100% de oferta de rede de esgoto e tratamento de todo o esgoto coletado, e por isso, está estre as 10 melhores cidades do país em saneamento, conforme o ranking do Instituto Trata Brasil. Os municípios servidos pela CEDAE, avançaram muito pouco. A capital (Rio de Janeiro), que é o município mais populoso do estado, com uma população mais do que dez vezes superior à de Niterói, tem apenas cerca de 40% de esgoto coletado e tratado. São Gonçalo, Itaboraí, Caxias, Nova Iguaçu coletam e tratam menos do que 5% e estão estre os piores municípios do ranking do Instituto Trata Brasil.



Capa de O Globo

Matérias na Editoria Rio.

Desde 2013, o prefeito Rodrigo Neves atuou para reduzir os prazos para atingir a universalização do saneamento e renegociou o contrato com a concessionária Águas de Niterói. O resultado se consumará em 2020. Um dos grandes esforços no momento é promover a cooperação da população para que façam a conexão com de cada propriedade com a rede de esgoto. Isso é feito através do Programa "Se Liga" (desenvolvido pela Prefeitura, em parceria com Águas de Niterói e o INEA) e o programa "Se Liga na Rede", promovido pela Prefeitura e por Águas de Niterói.

Enseada Limpa

Matéria publicada neste sábado no O Globo e Extra (vide acima) mostram os avanços do saneamento em Niterói e as boas consequências no cotidiano das pessoas, com o sensacional aumento do número de clubes e praticantes de canoa havaiana na cidade, com uma maior concentração de clubes justamente na Enseada de Jurujuba.

Com o programa Enseada Limpa, Niterói rompeu o ceticismo quanto a possibilidade de despoluição da enseada diante de uma Baía de Guanabara tão poluída. No início do programa, em 2013, dizia-se que seria inútil tentar despoluir a enseada. Mostramos que era possível. De 2013 a 2018, avançamos de cerca de 15% de balneabilidade para mais de 60%.

Sempre acreditamos em resultados de enseada por enseada. Um programa amplo, a nível de toda a bacia hidrográfica da Baía de Guanabara é imprescindível, mas isso não impede que se avance com ações locais e de menor custo, desenvolvidos na escala do cidadão. Quando se fala que despoluir a Baía de Guanabara pode custar ainda mais de 20 bilhões de reais, muita gente se sente desestimulado de se envolver na causa. Quando se traz o problema para a escala local, de um pequeno rio, uma praia, ou enseada, a relação entre a causa do problema e os seus efeitos é mais evidente. Fulaniza-se o problema: a poluição vem da casa do fulano, daquela "língua de esgoto"... Sabe-se de quem, para quem e como reclamar.

PRO Sustentável

Com base nessas premissas, da importância da ação local, desenvolvemos o Programa Região Oceânica Sustentável (PRO-Sustentável), desenvolvido atualmente pela Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão - SEPLAG, com financiamento captado junto ao Banco de Desenvolvimento da América Latina - CAF.

Dentre os componentes do PRO Sustentável, estão várias ações inovadoras no campo do saneamento, como o Projeto de Renaturalização do Rio Jacaré, a implantação do Parque Orla de Piratininga - POP com todas as suas soluções de drenagem sustentável, as iniciativas para a despoluição do Sistema Lagunar de Piratininga e Itaipu,

Plano de Saneamento

Em atendimento à Política Nacional de Saneamento Básico, aprovada pela Lei 11.455/2007, a Prefeitura de Niterói está atualizando o seu Plano Municipal de Saneamento Básico - PMSB. De acordo com a legislação, o plano abrange distribuição de água, coleta e tratamento de esgoto, coleta e tratamento de resíduos sólidos e drenagem.

A iniciativa de Niterói ao atender ao chamamento legal para um Plano de Saneamento, vai muito além de apenas atender ao escopo das exigências da lei. Por estar próximo da universalização da coleta e do tratamento de esgoto, a cidade tem uma ambição muito maior.

Assim como ocorre em outras cidades que superaram a etapa do tratamento de esgoto (cá entre nós: uma agenda do século 19), Niterói pensa no passo adiante da implantação de redes de esgoto e tratamento de esgoto, que é lidar com novos desafios: drenagem.

Sempre cito o exemplo do programa de despoluição da Baía de Chesapeake, nos EUA e o comparo com a despoluição da Baía de Guanabara. Ambos os programas começaram na mesma época, mas na Baía de Guanabara, a ênfase sempre foi o saneamento básico. Em geral, na Chesapeake, o problema já tinha sido resolvido há muitas décadas. E eles estavam começando um programa de despoluição !

Mesmo com o esgoto tratado, a Baía de Chesapeake continuava com altos índices de poluição. O que faltava? Resolver o problema das fontes não-pontuais de poluição e a drenagem urbana.

Em conjunto com a conexão das propriedades com a rede de esgoto, a drenagem e a recuperação dos corpos hídricos da cidade (como estamos fazendo com o PRO Sustentável) serão as prioridades de Niterói após a universalização da coleta e tratamento do esgoto.

Vamos em frente!

Axel Grael
Coordenador Geral do PRO Sustentável

Secretário
Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão - SEPLAG
Prefeitura de Niterói



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quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Engenharia Florestal: minha profissão e um pouco da minha trajetória



Vistoriando área de reflorestamento no Morro do Peixe Galo, em Jurujuba.


Já se vão mais de 40 anos de militância ambientalista e de profissão

Entre 1977 e 1983 cursei engenharia florestal no Instituto de Florestas (IF), da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRuRJ, localizada no município de Seropédica, RJ. A escolha da profissão ocorreu um pouco antes de fazer o vestibular, como chamávamos o ENEM na época.

Eu dizia desde muito novo que seria advogado, mas me encantei com a engenharia florestal ao tomar conhecimento que a profissão existia e quando tive a oportunidade de conversar, em Brasília, na década de 1970, com um dos maiores nomes e pioneiro do ambientalismo brasileiro: o Dr. Paulo Nogueira Neto.

Para uma certa surpresa da família, decidi ser engenheiro florestal e me orgulho muito disso.


Ficheiro:Instituto de Florestas.jpg
Sede do Instituto de Florestas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRuRJ.


Engenharia florestal

Fui o quarto colocado no vestibular e fui buscar aquilo que eu escolhi.

O Curso de Engenharia Florestal da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRuRJ), foi o terceiro a ser instalado no País, reconhecido pelo Decreto n° 1984 de 10 de janeiro de 1963 e seu funcionamento teve início em 1967, exatos dez anos antes de eu me matricular no curso. A primeira turma se formou em 1970.

A engenharia florestal ainda é uma profissão pouco conhecida, mas com uma área de atuação bem variada. Na época que eu me formei (1983), as maiores oportunidades para os profissionais estavam muito concentradas no mercado da silvicultura, ou seja, trabalhar nas empresas de plantio de eucalipto e pinus para a produção de matéria-prima para papel, celulose, carvão e madeira. É onde estavam a maioria dos empregos e os que pagavam melhor. O país ainda contava com incentivos fiscais para o reflorestamento e havia um crescente avanço deste mercado, demandando profissionais.

Alguns dos meus colegas de turma foram para a área de tecnologia (da madeira e outros produtos florestais), outros foram para a área acadêmica, para o setor público, para o mercado de consultoria etc. Os colegas se espalharam pelo país. Foram para a Amazônia, para o Cerrado, para o sul do país e outras regiões.

Quando eu me casei com a Christa, disse a ela: "Sou engenheiro florestal: vamos acabar morando no mato". Ela, sempre parceira, não se incomodou. Mas, "o mato" acabou não vindo. Até hoje ela me cobra: "Cadê o mato?" 😊


Trajetória

Na engenharia florestal, eu não quis o mercado da silvicultura - dominante e mais atraente, e segui o caminho da atuação em meio ambiente, uma aposta ousada para o início da década de 1980: o país ainda sob regime militar, com forte influência desenvolvimentista e quando pouco se falava sobre a questão ambiental, seja no Brasil ou no exterior.

Na minha trajetória pessoal, atuei em diversas frentes: movimento ambientalista/movimento social, setor público, consultoria ambiental e outras áreas da iniciativa privada. Tive até mesmo, uma curta passagem pela academia, quando iniciei um doutorado em geografia, cumpri todos os créditos, mas por motivos profissionais (assumi a presidência da Feema), lamentavelmente, não concluí a minha tese.

Saiba mais detalhes da minha carreira como engenheiro florestal na administração pública, no setor privado, no movimento ambientalista e social e na academia.

Estas atividades foram se alternando ao longo da minha carreira, ou ocorreram de forma simultânea, como é o caso da militância ambientalista, que exerço desde os tempos de estudante universitário, independente da atuação profissional.

Movimento ambientalista e movimento social

Nas ONGs, fui pioneiro do movimento ambientalista em Niterói, quando fundei, em 1980, o Movimento de Resistência Ecológica - MORE. Numa época em que pouco se falava em meio ambiente, em que o termo sustentabilidade sequer existia, consegui mobilizar um grande número de pessoas em defesa do patrimônio natural de Niterói e da Baía de Guanabara.

Comecei liderando campanhas em defesa da Baía de Guanabara (contra as fábricas de sardinha em Jurujuba e outras localidades), defendendo as lagoas de Piratininga e Itaipu e lutando pela criação do Parque Estadual da Serra da Tiririca - PESET. Também já defendíamos ciclovias em Niterói, quando o assunto não era pauta nem dos urbanistas e especialistas em mobilidade. Também lutamos pelo aprimoramento da legislação ambiental. Fizemos o lobby junto ao legislativo municipal para a aprovação de leis de conteúdo ambiental. Por exemplo, a maior parte do Capítulo de Meio Ambiente da Lei Orgânica da cidade, válido até hoje, foi redigido por nós e defendido junto aos parlamentares.

Também trago com orgulho e boas lembranças o tempo que atuei como voluntário, em conjunto com outros jovens ambientalistas, da assessoria informal do então Curador do Meio Ambiente do Ministério Público Estadual, Dr. João Batista Petersen.

Já naquela época, me engajei ainda em campanhas em defesa da Amazônia, Pantanal e outros biomas.

Em 1989 fundei o Movimento Cidadania Ecológica, em 1996 ajudei os meus irmãos a fundar o Projeto Grael, de 1998 a 1999, presidi o Instituto Baía de Guanabara - IBG. Com o saudoso Jean Dubois, fiz parte da diretoria da Rede Brasileira Agroflorestal - REBRAF, além de outras atividades. Fiz parte do Conselho Curador da Fundação Brasileira de Conservação da Natureza - FBCN, tendo entre os meus pares o almirante Ibsen Gusmão Câmara, um dos maiores nomes do ambientalismo brasileiro.

Indústria

O meu primeiro emprego foi no Estaleiro Verolme, em Angra dos Reis, onde exerci atividades na área ambiental e de gestão da vila de Jacuecanga: onde moravam os funcionários da empresa. Plantei muitas árvores, mas meus colegas implicavam que eu ia plantar árvores em navio: foi quase isso. Se deixassem, eu faria!

Já naquela primeira experiência exerci funções de gestão urbana (pequenas obras, paisagismo, implantação e manutenção da arborização urbana, saneamento, limpeza urbana), que me ajudaram no futuro nas atividades na Prefeitura do Rio e de Niterói.

Consultoria

Em 1986, tive uma oportunidade na consultoria ambiental, atividade de exerci por diversos momentos da minha vida profissional e que eu considero ter sido a minha grande escola. A primeira empresa foi a já extinta Enge-Rio, que mantinha um departamento de Meio Ambiente com mais de uma centena de profissionais. Eu trabalhava na Divisão de Vegetação.

Depois vieram outras experiências em empresas como a Jaakko Pöyry, Gaia, Haztec, até que constituí a minha própria empresa, a Grael Ambiental.


Engenheiro florestal Axel Grael com a antropóloga Mirian Nutti e o arqueólogo Cláudio Delorenci na aldeia Wai-Wai, na Área Indígena Nhamundá-Mapuera (PA), Década de 1980. 

Meninos arqueiros na Aldeia do Rio Mapuera.

Embora tenha estado sempre radicado no Rio de Janeiro, trabalhei em projetos em todos os biomas do país, principalmente na Amazônia. Minhas principais áreas de atuação na consultoria ambiental foram:
  • Recuperação de área degradadas e áreas mineradas
  • Planejamento regional
  • Planejamento de áreas protegidas, gestão de bacias hidrográficas, mananciais
  • Inventário florestal e estimativa de fitomassa
  • Mapeamento florestal a partir de sensoriamento remoto e planejamento de sobrevoos.
  • Estudos ambientais em projetos de hidrelétricas, oleodutos (polidutos), mineração, estradas e outros projetos de infraestrutura.
  • Estudos ambientais em projetos de dragagem para instalações portuárias e recuperação de áreas contaminadas (Ex: coordenação do projeto de reabilitação de área contaminada por metais pesados da indústria Ingá, no Porto de Itaguaí) 
  • Licenciamento ambiental e coordenação de equipes multidisciplinares.

A medida que fui ficando mais experiente na elaboração de projetos, acabei atuando muito na prospecção de novos contratos. Cabia a mim visitar clientes, conhecer os seus problemas e apresentar soluções técnicas. Foi quando eu mais viajei, mais encontrei desafios e mais aprendi.

Setor público

Em 1991, tive a minha primeira oportunidade no setor público, já com a responsabilidade de ser o presidente da Fundação Instituto Estadual de Florestas - IEF-RJ (1991-1994), órgão do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Hoje, o órgão não existe mais e suas funções (gerir parques, biodiversidade e fiscalizar o desmatamento) estão incorporadas pelo Instituto Estadual do Ambiente - INEA.

Em 1996, fui aprovado (3º colocado) em concurso público para engenheiro florestal da Prefeitura de Cidade do Rio de Janeiro. Na Prefeitura do Rio, fui diretor executivo da Fundação Parques e Jardins e Coordenador de Planejamento e Educação Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente da Cidade - SMAC (responsável pela gestão de parques municipais, planejamento ambiental e até mesmo implantação do programa cicloviário do Rio) e coordenei o Projeto de Recuperação Ambiental da Macrobacia de Jacarepaguá, negociando recursos junto ao governo japonês.

Também presidi a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente - FEEMA (1999-2000 e 2007 e 2008) e fui subsecretário de Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro. Na ocasião, atuei no Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG).

Parques

Embora, com responsabilidades que foram muito além do escopo específico da engenharia florestal, sempre mantive as florestas presentes na minha atividade, dando destaque a criação de parques e a recuperação de ecossistemas. Ao longo desta trajetória, cabe destaque:
  • Parque Estadual da Serra da Tiririca, entre Niterói e Maricá: fui um dos líderes da articulação no movimento social que culminou com a criação do Parque, em 1991. Quando a lei foi aprovada, eu já era o presidente do IEF-RJ e tive a missão de tomar as primeiras medidas para a sua implantação.
  • Reserva Ecológica da Juatinga, em Parati: criada durante a minha gestão no IEF-RJ.
  • Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, homologada pela UNESCO: fui um dos responsáveis pela criação no RJ. A publicação dedicada à iniciativa fluminense traz uma homenagem à minha atuação: "Dedicado a Axel Grael e equipe do Instituto Estadual de Florestas – RJ, que tornaram possível a criação da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica no Estado do Rio de Janeiro".
Niterói

A cidade de Niterói cada vez mais se consolida como uma referência nacional de sustentabilidade urbana, devido aos avanços alcançados após 2013. Nesse processo de avanços, liderei iniciativas de criação ou consolidação de várias unidades de conservação no âmbito estadual e municipal. 
  • Na década de 1980, como fundador ou presidente do Movimento de Resistência Ecológica - MORE e depois do Movimento Cidadania Ecológica - MCE, organizações sediadas em Niterói, dei início à campanha que levou à criação do Parque Estadual da Serra da Tiririca - PESET.
  • Na gestão do prefeito Godofredo Pinto, fui nomeado como parte de uma comissão que desenvolveu a proposta de criação da então chamada Reserva Darcy Ribeiro.
  • Em 2014, estruturei o Decreto 11.744, assinado pelo prefeito Rodrigo Neves, que instituiu o programa Niterói Mais Verde e criou o Parque Natural Municipal de Niterói - PARNIT, que elevou a proteção de ecossistemas de Niterói a mais de 50% do seu território.
  • Implantamos a infraestrutura de acesso e outras melhorias no Parque das Águas Eduardo Travassos, no Centro de Niterói
  • No PUR de Pendotiba, definimos a estratégia de proteção aos fragmentos florestais da região.
  • Estruturamos a criação do Parque Natural Municipal de Águas Escondidas, no Centro de Niterói, abrangendo a Chácara do Vintém e as áreas de reflorestamento no Morro da Boa Vista.
  • Estruturamos a criação do Parque Natural Municipal da Floresta do Baldeador, a primeira área protegida da Região Norte de Niterói.
  • Iniciamos a implantação do Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis - POP.
  • Implantamos a Trilha do Cafubá, integrando o Parque da Cidade ao POP.
  • Estamos próximos a dar início à restauração da Ilha da Boa Viagem, um patrimônio histórico, arquitetônico, cultural, paisagístico e ambiental da cidade de Niterói. As obras foram licitadas e terão início em breve.
  • Em 2021, assinei o decreto que regulamentou as Reservas Particulares do Patrimônio Natural - RPPN no âmbito do município de Niterói.
Também merecem registros os avanços no reflorestamento de encostas (saiba mais aqui também) e na arborização urbana da cidade. Uma das prioridades da gestão, desde 2013, foi recuperar o passivo de planejamento que a cidade tinha. Foram realizados o Planejamento Estratégico Niterói Que Queremos, o Plano Municipal de Saneamento Básico, o Plano Municipal de Mobilidade Urbana Sustentável - PMUS, Plano da Mata Atlântica, Plano Cicloviário. O Plano Diretor da cidade encontrava-se defasado há mais de uma década e a sua realização introduziu muitos aspectos de sustentabilidade no planejamento da cidade, contando por exemplo com capítulos sobre parques e clima

Oportunidades e experiência internacional

Ao longo da carreira, tive a oportunidade de participar de congressos, eventos técnicos e treinamentos no exterior, que ajudaram a moldar o profissional que sou hoje. Participei de eventos nos EUA, Canadá, México, Colômbia, Porto Rico, Costa Rica, Argentina, Peru, Equador, Portugal, Alemanha, Dinamarca, Holanda, Cingapura e China.

Também fui selecionado para um programa internacional chamado Leadership for Environment and Development - LEAD, financiado na época pela Fundação Rockfeller.

Uma contribuição valiosa que tive para a minha atuação na área de implantação e gestão de áreas verdes foram os treinamentos que pude desenvolver nos EUA. Cabe destaque para as seguintes oportunidades:
  • Fui convidado pelo Sr. Embaixador dos EUA no Brasil para visita oficial, na categoria de “International Visitor”, sob os auspícios do Programa de Ciência e Tecnologia do USIA- US INFORMATION AGENCY. Visitei o US Park Service, o US Forest Service, o US Fish and Wildlife Service, órgãos gestores de parques estaduais e municipais naquele país, além de outras organizações da administração pública, instituições científicas e ONG’s. Dentre os parques visitados: Yellowstone, Rocky Mountain, Luquillo National Forest, Everglades e outros.
  • Visitas técnicas ao consórcio intermunicipal Maryland - National Capital Park and Planning Commission e à organização National Recreation and Park Association - NRPA

Acabei criando forte ligação com o estado americano de Maryland e me associei na década de 1990 ao Comitê-Rio Maryland da organização Companheiros das Américas, da qual já fui presidente e ainda sou dirigente.

Destas parcerias com Maryland, destaco as atividades descritas nas seguintes postagens:

PARQUES EM MARYLAND: Infraestrutura para áreas brejosas e instrumentos de conservação
Visitando projetos de restauração de rios em Maryland, EUA

Cargo eletivo

Em 2012, me candidatei pela primeira vez a um cargo eletivo e fui eleito Vice-Prefeito de Niterói, na chapa com o prefeito Rodrigo Neves. Uma vez empossado, as minhas primeiras responsabilidades, além de substituir eventualmente o prefeito, foram de captação de recursos para projetos da cidade de Niterói (o prefeito criou o Escritório de Gestão de Projetos - EGP e o colocou sob a minha responsabilidade), além de coordenar alguns dos mais importantes projetos da cidade, inclusive:


Além de outros, como:

  • Programa Niterói de Bicicleta, que já implantou 30 km de ciclovias na cidade e o Bicicletário Arariboia. Através do PRO Sustentável, será implantado mais 60 km de ciclovias na Região Oceânica. 
  • Programa Enseada Limpa, que está promovendo a despoluição da Enseada de Jurujuba
  • Programa Niterói Cidade Inteligente, que implantou o Sistema de Gestão da Geoinformação dde Niterói - SIGEO e outras iniciativas que já deram a Niterói o reconhecimento como uma das 10 melhores cidades do país no tema.

Niterói também é reconhecido por ter um dos maiores e melhores programas de recuperação de florestas urbanas no país. Uma das iniciativas que mais tem alcançado destaque é o Programa Niterói Jovem EcoSocial, que integra reflorestamento de encostas, gestão de trilhas e inclusão social de jovens em situação de risco social. O programa integra o Pacto Niterói Contra a Violência, que ajudei a criar.

Veja mais iniciativas de reflorestamento e restauração de ecossistemas aqui.

O programa de gestão de áreas verdes, implantado na gestão do prefeito Rodrigo Neves é reconhecido como um dos melhores do país e é destaque inclusive na América Latina e no mundo, como pode ser observado nas postagens, a seguir:

NITERÓI MAIS VERDE: FAO lança publicação que inclui Niterói como um exemplo de política para florestas urbanas
Niterói Sustentável: cidade tem 123,2 metros quadrados de áreas verdes protegidas para cada niteroiense
POLÍTICA DE ÁREAS VERDES DE NITERÓI É APRESENTADA EM EVENTO INTERNACIONAL NO PERU
PARQUES E ÁREAS VERDES: Niterói possui um dos maiores índices de áreas verdes/habitante

Em janeiro de 2021, tomei posse como prefeito de Niterói, eleito em primeiro turno com mais de 62% dos votos. Uma das primeiras medidas foi a criação da Secretaria Municipal do Clima - SeClima, a primeira do país. Assumi o compromisso de despoluição do Sistema Lagunar de Piratininga e Itaipu, dar continuidade e avançar ainda mais em toda a agenda da sustentabilidade e fazer da agenda verde uma das alavancas para a recuperação da economia da cidade no período pós-pandemia.

Engenharia florestal e a emergência climática

A engenharia florestal foi o meu ponto de partida e me proporcionou a lente através da qual passei a olhar as políticas públicas, alicerçado nos valores que obtive da minha família, na minha sensibilidade para as questões sociais e nas minhas convicções ideológicas voltadas para a sustentabilidade e para a justiça social.

A tomada de consciência mundial sobre a emergência climática que estamos enfrentando, joga um novo foco sobre a importância da engenharia florestal, pois é consensual que uma das mais eficazes formas de reverter o problema é plantando árvores.

A ONU lançou a Década da Restauração dos Ecossistemas (2021-2030), baseado em estudos que demonstram ser necessário o plantio de 1,3 trilhão de árvores, para ajudar a reverter as mudanças climáticas. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - PNUMA sugeriu investir 2% do PIB mundial para a formação de uma economia verde, que significaria US$ 1,3 trilhão/ano.

UM MUNDO SUSTENTÁVEL E QUE GARANTA O FUTURO DAS PRÓXIMAS GERAÇÕES É POSSÍVEL SIM. BASTA FAZER AS ESCOLHAS CERTAS E RAPIDAMENTE.
US$ 1,3 trilhão é muita coisa? É sim. É muito dinheiro. Mas, o valor corresponde aos gastos mundiais em armamentos no ano de 2007 (US$ 1,339 trilhão. Fonte: Folha de São Paulo). O mundo pode abrir mão das armas? Alguém pode dizer que não, isso não seria realista. E o mundo pode abrir mão do futuro? Isso é realista? Para mim é uma questão de escolha e eu sei muito bem onde eu prefiro que os recursos sejam alocados!!! Pense nisso.
Escrevi o comentário em 2011

E o Brasil é o país com maior potencial para ajudar o mundo nessa tarefa e, no  Como disse o meu colega de faculdade, Gunars Platais, "o Brasil está numa posição de ouro" para contribuir e até se beneficiar. O Brasil se comprometeu, no Acordo de Paris, a restaurar 12 milhões de hectares de florestas até 2030 e até se organizou para isso, ao lançar o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), que dá as diretrizes para a recuperação de 12 milhões de hectares.

Infelizmente, o país está andando agora no sentido oposto, com o atual governo desmantelando as políticas ambientais do país e estimulando o desmatamento. Mas, estamos certo que isso é apenas um desvio de rota, que espero que seja corrigido o mais rápido possível, para que o Brasil volte a andar no sentido da sustentabilidade e volte a ter um papel protagonista no cenário ambiental mundial e não o lamentável papel de vilão que o atual governo escolheu.

A sustentabilidade não é uma opção. É a única chance! As florestas estão indubitavelmente no caminho do futuro e profissionais para conduzir a missão de restaurar os ecossistemas serão cada vez mais necessários.

Axel Grael
Engenheiro Florestal
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1977-1983)


Texto atualizado por Axel Grael em 11/07/2021


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O vídeo abaixo, produzido na Espanha, informa sobre a profissão da engenharia florestal e a sua importância. Os argumentos do vídeo podem ser bem aplicados também à realidade brasileira.

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INGENERIA FORESTAL

Una profesión para la vida.

COLEGIO OFICIAL DE INGENIEROS TÉCNICOS FORESTALES Y GRADUADOS EN INGENIERÍA FORESTAL Y DEL MEDIO NATURAL






Fonte: Forestales.net




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DEPOIMENTO: "MILITÂNCIA PELA SUSTENTABILIDADE DE NITERÓI"  
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PARQUE ORLA DE PIRATININGA - PUBLICADO EDITAL PARA OBRAS     
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domingo, 29 de setembro de 2019

GERAÇÃO GRETA: como são os jovens que disseram basta à destruição do planeta



COMENTÁRIO:

Comecei como ambientalista no cada vez mais remoto final da década de 1970, quando ainda era estudante de engenharia florestal e comecei a liderar em Niterói campanhas em defesa da Baía de Guanabara, da recuperação das lagoas de Piratininga e Itaipu e da criação do Parque Estadual da Serra da Tiririca. Eram os primórdios do movimento ambientalista no país e quase não se falava no assunto. O termo "sustentabilidade" nem existia. 

Fui o idealizador e um dos fundadores do Movimento de Resistência Ecológica - MORE, organização que marcou época no movimento ambientalista de Niterói e do estado do Rio de Janeiro e que formou uma geração de militantes ambientais, muito ainda ativos e influentes formadores de opinião sobre esses temas.

Já naquela época, na década de 1980, estava na nossa agenda a questão climática. Eu já escrevia no "Boletim do More" sobre a questão climática. Parecia que estávamos "pregando no deserto"... 

Apesar de toda dificuldade e reação do establishment, a temática do clima, ao longo do tempo ganhou força nos meios acadêmicos e diplomáticos, influenciando 

Geração Greta

Hoje, ao ver nascer um potente movimento de jovens pelo clima, vemos que aquelas vozes do passado 

O movimento mundial de jovens pelo clima, chamado internacionalmente de "Fridays for Future", liderado pela admirável adolescente sueca Greta Thunberg, é de nos encher de esperança e nos renova as forças para a luta pela sustentabilidade.

Eles têm toda a razão de 'puxar as orelhas' das atuais gerações de dirigentes globais, que têm avançado tão pouco na tão emergencial agenda climática, apesar das inúmeras reuniões promovidas pela ONU e pela diplomacia mundial (as COP´s), que apesar dos esforços dos ambientalistas, dos cientistas e outros setores engajados, sempre esbarram na ação irresponsável de certos bushs trumps da vida, além de grandes corporações, que alimentavam as inconsistentes teses negacionistas, que a cada dia, se veem mais limitadas aos seus próprios redutos. 

Para nos encher de vergonha e frustração, vemos esse pequeno clube ganhar a adesão extemporânea do nosso desastrado presidente. A cada nova declaração de Bolsonaro, pateticamente celebrada por uma minoria de seguidores da sua seita ecocida, o Brasil se isola e assume o triste papel de vilão planetário! Foi o que vi pessoalmente em um evento internacional sobre cidades e clima que participei recentemente na Alemanha.

A força do movimento "Fridays for Future" impressiona. A cada sexta-feira, adolescentes e jovens do mundo todo fazem "greve" e ocupam as ruas das suas cidades para exigir uma ação dos seus governantes para reverter as mudanças climáticas.

Na última sexta-feira, avaliações preliminares consideram que 7 milhões de jovens foram às ruas. Um número extraordinário! Corresponde a cerca de 1 pessoa nas ruas para cada 1.000 terráqueos! E, por enquanto, a mobilização alcança majoritariamente os estudantes...

A reação dos negacionistas, por falta de argumentos convincentes, concentram-se em propagar fake news, teses conspiratórias, além de infames provocações aludindo ao aspecto e à doença de Greta Thunberg, portadora da Síndrome de Asperger. Uma crueldade!

Greta. Obrigado por revigorar as esperanças!

Axel Grael




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Geração Greta: como são os jovens que disseram basta à destruição do planeta


Assista ao vídeo com a reportagem aqui.


Inspirados pela adolescente sueca Greta Thunberg, os mais novos lideram hoje a luta contra o aquecimento global

G. AbrilE. CamhajiC. OquendoS. TorradoJ. OliveiraM. Centenera,

Numa tarde ensolarada do final do verão europeu, Roger Pallàs, um universitário catalão de 22 anos, cabelos loiros e corpo franzino, dirige sua van rumo à Costa Brava enquanto cantarola: “The people gonna rise like the waters, we’re gonna face this crisis now... [o povo vai se erguer como as águas, vamos enfrentar esta crise já]” —um dos hinos que ele e seus companheiros tentaram propagar nas greves pelo clima em Girona. Eles compartilharam a música no quilométrico grupo de WhatsApp, mas as pessoas têm dificuldade para aprender, afirma Roger, que pouco depois para o carro e pega Lucas Barrero, colega de classe e de batalhas climáticas, um andaluz de 22 anos e discurso sólido. Quando retomam o caminho em direção ao mar, Barrero fala do livro que acaba de publicar, El Mundo Que Nos Dejáis (o mundo que vocês deixam para nós, na tradução livre em português), que é na verdade um “manifesto” com o qual espera “sacudir um pouco as consciências”, diz ele. No livro, escreve coisas como esta: “Somos a primeira geração que sofrerá, ou melhor, que já sofre, os efeitos da crise ecológica e climática. No entanto, somos a última que pode fazer algo para deter este desastre”.

Depois, à medida que o Mediterrâneo vai aparecendo por trás dos pinheiros, a conversa caminha para para o veganismo (Roger, que cresceu em uma região amplamente dedicada à indústria suína, é vegano) e para a Lei de Mudança Climática proposta pelo Governo espanhol —“nasceu morta”, dispara Lucas. Falam também da ministra belga de Meio Ambiente, que sugeriu que as greves estudantis pelo clima que têm sacudido o mundo nos últimos meses não são um “movimento espontâneo”, e sim uma campanha orquestrada (ela garantiu ter informações do serviço secreto sobre o assunto). Foi forçada a renunciar. Barrero cita então uma informação-chave sobre as manifestações iniciadas pela adolescente sueca Greta Thunberg há um ano: elas são protagonizadas por crianças e jovens, é verdade, mas para cada um deles há, potencialmente, dois pais e quatro avós. Ou seja: cada milhão de estudantes aglutinaria até seis milhões de adultos por trás. O que o torna um movimento juvenil, mas de influência exponencial. E nisso está o bate-papo quando Roger vira, entra numa trilha e para às portas de uma escola de mergulho ao lado da praia de Sant Pere Pescador, onde trabalha o terceiro dos amigos que trouxeram para a Espanha o movimento de Greta. Do meio das roupas de mergulho surge Ander Congil, um basco de 22 anos e sorriso expansivo, e os três se abraçam porque, devido ao verão, já faz algum tempo que não se veem.


A semente de Girona
Ander Congil, Roger Pallàs e Lucas Barrero (da esquerda para a direita) na praia de Sant Pere Pescador, em Girona, na Catalunha. Têm 22 anos e foram os primeiros a organizar, em janeiro, uma greve pelo clima na Espanha, imitando Greta Thunberg. Barrero cresceu na serra de Aracena (Huelva), Congil em Tolosa (Gipuzkoa) e Pallàs em Folgueroles (Barcelona). Apaixonados pela natureza, conheceram-se como alunos do curso de Ciências Ambientais e Biologia da Universidade de Girona. “Quando vimos o movimento na Europa, dissemos: ‘Temos de pegar isso e trazer para cá, porque isso é muito forte”, recorda Pallàs. “Ficamos plantados em frente à Generalitat [Governo] de Girona, éramos três amigos, chegaram mais duas amigas, outras duas pessoas pararam... até que divulgamos nas redes e isto explodiu”, acrescenta Congil. “Nós, os jovens, é que temos saído às ruas porque somos os mais prejudicados”, explica Barrero. “Reivindicamos nosso futuro, senão seremos levados a um colapso.”

Sua paixão pela natureza os uniu: conheceram-se no curso de Ciências Ambientais e Biologia, que tem poucos alunos e é oferecido apenas pela Universidade de Girona (entre as públicas). Compartilharam apartamento, caminhadas pelos montes, viagens. Os três ficaram impressionados com o protesto daquela sueca e seu discurso “impactante” para os líderes mundiais em Katowice (Polônia) no final de 2018, durante a conferência da ONU sobre mudança climática: “As desculpas de vocês acabaram”, repreendeu-lhes Thunberg, “e o nosso tempo está acabando”.

E foi assim que, numa sexta-feira de janeiro, véspera do dia de São Canuto, um andaluz, um basco e um catalão decidiram sentar-se em frente ao edifício da Generalitat (Governo) de Girona com um cartaz que dizia: “Greve pelo clima”. A primeira na Espanha. Naquele dia, duas amigas se juntaram a eles e dois curiosos pararam para ver o que estava acontecendo. Em poucas semanas, gente de outras cidades estava ligando para eles e perguntando como se unir ao movimento Fridays for Future (“sextas-feiras pelo futuro”). Enquanto a onda verde ia colorindo o mundo, eles participaram de reuniões de coordenação regionais, nacionais e internacionais, encontraram-se com cientistas, viajaram para o Parlamento Europeu e conseguiram levar centenas de pessoas às ruas de Girona, às quais tentaram ensinar este hino: “The people gonna rise like the waters...”. Como resume Roger Pallàs, sentado nas dunas da praia enquanto o sol se esconde atrás das colinas e uma bruma púrpura se desenha sobre o mar escuro: “Houve um boom que não esperávamos. Isso nos deu muita força, e a partir daí não paramos mais”.

Talvez um movimento de massas nunca tenha se espalhado tão rápido antes. A ativista sueca fez seu primeiro protesto em 20 de agosto de 2018. Começou sozinha. Sete meses mais tarde, na primeira greve mundial pelo clima, em 15 de março, 1,4 milhão de pessoas saíram às ruas, segundo os organizadores. Mais de duas mil de cidades de 128 países se somaram, e Thunberg se consolidou como o símbolo de uma geração bastante internacional, costurada pelo inglês e pelas redes sociais e também, segundo a maioria de entrevistados para esta reportagem, pela frustração acumulada com a passividade dos adultos e dos líderes políticos diante de um planeta ameaçado. Greta aglutinou os mais jovens com uma mensagem e uma missão. Sua visão do mundo ultrapassou fronteiras. Viaja da Oceania às Américas. De Nova York a Tomelloso, em Castela-Mancha. Nas palavras de Hugo Abade, um universitário de 19 anos originário desta localidade agrícola manchega: “Quando vi Greta, senti esperança. Esperança porque somos muitas Gretas pelo mundo, movendo-nos com uma só voz e uma única demanda: deixar um planeta habitável”. Ele se integrou ao movimento em Madri, onde estuda. E neste verão setentrional, quando voltou para casa de férias, lançou pelo Instagram as sementes de uma mobilização neste município de 36.000 habitantes. Em agosto, centenas de crianças se concentraram em Tomelloso e pediram à administração municipal a declaração de “emergência climática”, uma reivindicação habitual do movimento.


'Fridays' Rurais
O efeito Greta não conhece fronteiras e passou das capitais para as áreas rurais. Na foto acima, membros da Juventude pelo Clima de Tomelloso, um município agrícola de 36.000 habitantes da província de Cidade Real, na comunidade autônoma de Castela-Mancha. Os jovens posam em um campo colhido perto da cidade manchega. Há poucas semanas, registraram na Prefeitura um pedido de declaração de emergência climática, uma das iniciativas promovidas por Greta Thunberg. “É inspirador que alguém tão jovem possa mover tantas pessoas no mundo”, diz Alicia Serna, de 20 anos. O grupo também está preparando uma lista de propostas concretas. Entre elas, recuperar o mercado municipal para poder comprar produtos locais. “Nas grandes áreas não podemos ter acesso a esses produtos que estão sendo cultivados a poucos quilômetros daqui”, reclama Hugo Abad, de 19 anos.


Adelaïde Charlier, uma belga de 19 anos, líder visível das greves em Bruxelas, marchou pela capital europeia com Thunberg e foi recebida, entre outros, pelo presidente francês, Emmanuel Macron. Ela se sensibilizou com o primeiro vídeo de Thunberg que viu no Facebook, no qual a ativista exortava políticos, banqueiros e empresários do Fórum Econômico Mundial de Davos. “Nossa casa está em chamas. (…) Quero que entrem em pânico” —afirmava também que, segundo o IPCC, o painel científico da ONU que reúne mais de 700 especialistas em mudança climática, “restam menos de 12 anos para podermos corrigir nossos erros”. “É tão poderoso o que ela diz!”, diz por telefone a jovem belga. “Todas essas frases... Quando você as escuta em uma garota tão jovem, quer fazer a mesma coisa, unir-se a ela, e acredita que todo mundo deveria fazer isso. Acho que esse discurso mudou a mentalidade dos jovens. Já tínhamos consciência do problema, mas não víamos a urgência. É importante perceber que é uma crise, uma emergência. E a única forma de ser ouvidos e pressionar os adultos é por meio da greve.”

O movimento continua se espalhando. Neste verão europeu, 400 crianças do Fridays for Future originárias de 38 países se juntaram em Lausanne (Suíça) para tentar encontrar pontos em comum e coordenar ações iminentes, como a próxima greve mundial pelo clima, na sexta-feira. A declaração acertada no encontro de Lausanne pede que o aumento da temperatura global seja mantido “abaixo de 1,5 grau em relação aos níveis pré-industriais”. E lança um grito de alerta geracional: “O colapso da nossa sociedade e dos nossos ecossistemas está no horizonte e o tempo está se esgotando. O que acontecer nos próximos meses e anos determinará o aspecto da humanidade no futuro. Nossa extinção coletiva é uma consequência possível. (…) Nós nos reunimos em Lausanne porque nossos medos e objetivos comuns nos unem, e porque a hora de agir é agora”.

Kelmy Martinez, suíço de 21 anos e um dos organizadores da cúpula, acredita que há elementos comuns que definem sua geração: “Nossos pais cresceram em um mundo no qual tudo estava indo bem. Era o final da Guerra Fria, a economia crescia. Nós vimos outra face. O 11 de Setembro, os atentados de Madri e Londres, a crise econômica de 2008, a crise da dívida de 2011”, enumera. “Começamos a perguntar a nós mesmos: será que essa é a forma certa de viver e fazer negócios? E fomos percebendo que há uma crise humana e ambiental, que algo falha no sistema, porque isto não ocorre em um que funciona.” Sobre a garota sueca e o que significou sua aparição, ele afirma: “Greta chegou em um momento-chave. As pessoas estavam prontas para se unir e sair às ruas”.


Salto para o México
Clara Martínez, Camila González, Jorge Martínez e Valeria Cruz em um parque da Cidade do México. Pertencem ao movimento Fridays for Future deste país, um dos mais ativos da América Latina, com presença em 60 cidades.


Camila González, por exemplo, nunca tinha participado de uma marcha, mas decidiu aderir a este movimento, gerado a quase 10.000 quilômetros de sua casa na Cidade do México. Com 15 anos, estava farta de sentir que sua opinião não contava, e o fato de ter sido uma garota de sua idade que ergueu a voz a fez abrir os olhos, destaca. “Antes era mal visto que uma criança reclamasse de um adulto, mas os papéis estão se invertendo”, afirma González, que se tornou uma das participantes mais ativas do Fridays for Future no México. “Hoje, nossa geração tem voz e poder para melhorar as coisas.” E desta vez as garotas assumiram a liderança. Há três mulheres para cada homem na coordenação mexicana do movimento. “É uma revolução total”, diz Clara Martínez, de 22 anos, uma das organizadoras do protesto mundial de março. Tudo foi preparado em menos de um mês, em chats no WhatsApp, publicações no Instagram e chamadas de vídeo. “Meu coração batia muito rápido, não sabíamos o que esperar”, lembra Martínez, emocionada.

A representação mexicana se estabeleceu como a mais ativa da América Latina, com 220 atividades realizadas e presença em 60 cidades. Mas o México não é a Suécia e importar o Fridays for Future implica reconhecer uma realidade muito diferente neste país com 52 milhões de pobres, onde a corrupção permite abusos terríveis e a violência mata dezenas de milhares de pessoas por ano. Vinte e um ambientalistas foram assassinados em 2018, segundo o Centro Mexicano de Direito Ambiental. A América Latina é a região onde é mais letal defender o meio ambiente: nela ocorrem mais de 50% dos homicídios de ativistas ambientais no mundo, alerta a Global Witness.

O continente tem uma longa tradição de luta pela defesa do clima, dos ecossistemas, dos recursos naturais. De fato, antes que Greta fosse Greta, os mais novos também enfrentaram os adultos na Colômbia com o objetivo de preservar o pulmão do mundo: em 2017, 25 crianças e jovens entraram com uma ação coletiva de tutela para proteger a Amazônia. Encorajados pelo DeJusticia, um centro de estudos jurídicos e sociais, protagonizaram um caso visionário: processaram o Estado por não garantir seus direitos à vida e ao meio ambiente no futuro. Para surpresa de todos, no ano passado a Corte Suprema da Colômbia lhes deu a razão.


Pacto pela Amazônia
Da esquerda para a direita e de cima para baixo, Yurshell Rodríguez, de 24 anos, Aymara Cuevas, de 10, Laura Jiménez, de 23, e Pablo Cavanzo, de 14. Os quatro são parte de um grupo de 25 crianças e jovens colombianos que, diante do avanço do desmatamento da Amazônia, entraram em 2017 com uma ação legal coletiva contra o Estado exigindo que ele garanta seu direito futuro de desfrutar o meio ambiente. A Corte Suprema lhes deu a razão neste processo revolucionário, exigindo que o Governo construa “um pacto entre gerações” e alertando para o “prejuízo iminente e grave para todos os colombianos, para as gerações do presente e do futuro”, se não foram tomadas medidas para frear a destruição do pulmão do mundo. Após a vitória, os autores da ação se transformaram em símbolos de uma juventude ativa contra a passividade dos mais velhos. Pablo Cavanzo, um dos mais jovens, explica seus motivos: “Os mais velhos não estão abrindo os olhos. Nossa geração está brigando com os adultos para que tomem decisões razoáveis, pois quando estivermos em posição para mudar a situação, já será tarde demais. Estamos a tempo”.


Graças a eles, hoje a Amazônia colombiana é reconhecida como sujeito de direito; o Estado tem a obrigação de construir um “pacto entre gerações”, e o Governo é advertido de que o desmatamento provoca “um prejuízo iminente e grave para todos os colombianos, para as gerações do presente e do futuro, pois amplia incontrolavelmente a emissão de dióxido de carbono para a atmosfera”.

Os 25 demandantes, em maior ou menor grau, tornaram-se símbolos da causa verde. A pequena Aymara Cuevas, de 10 anos, que vive em Itagüí, perto de Medellín, é hoje a voz do comitê ambiental de sua escola e se coloca na primeira fila das marchas de que participa com outras crianças. Yurshell Rodríguez, de 24 anos, nasceu no meio do Caribe, no arquipélago de San Andrés, Providencia e Santa Catalina. Semanas atrás, alertou mais de mil empresários e acadêmicos em uma cúpula sobre sustentabilidade em Bogotá: “As previsões dizem que 17% da minha ilha estarão cobertos de água em 2070. Ou seja, as praias em que estive, e provavelmente minha cultura de raiz [o povo indígena de San Andrés], podem desaparecer. Não podemos permitir isso”. O furacão Greta chegou à Colômbia para unir forças, segundo Laura Jiménez, de 23 anos, outra das demandantes: “Quando Greta apareceu, percebemos que há muitas formas de mobilização. Eu, por exemplo, não gosto de estar na linha de frente, minha forma de me manifestar foi a ação de tutela. Na verdade, não importa se você não é um ambientalista puro. Não precisamos de 100 ativistas perfeitos, e sim que todos sejamos ativistas imperfeitos conscientes de que cada um, de sua posição, em sua casa, pode fazer algo”.

Thunberg conseguiu tornar o discurso sólido e homogêneo. Não importa o lugar do mundo, todos pedem igualmente que os cientistas sejam ouvidos, e ressaltam a situação de urgência: “Este não é um problema do futuro. Já estamos vivendo a emergência climática”, sustenta, por exemplo, a brasileira Nayara Almeida, de 21 anos, que ajudou a promover no Rio de Janeiro um grupo semelhante ao da ativista sueca. O grupo participou da greve mundial de 15 de março, quando os protestos se espalharam por 24 cidades do país. “Organizamos tudo em quatro dias, falando com amigos e conhecidos. Hoje, o movimento tem cerca de 2.000 jovens em 50 cidades”, conta Almeida. Nestes dias em que a Amazônia queima, os grupos do Fridays for Future de todo o planeta convocam manifestações em frente às Embaixadas brasileiras e a maré verde exibe sua capacidade de mobilização em tempo recorde.


As vozes do Brasil
DANIEL RAMALHO
Membros do movimento Fridays for Future do Rio. Da esquerda para a direita, Juliana de Araújo, de 23 anos, Nayara Almeida, de 21, Ana Gil, de 24, Tua Frank, de 26, e Manu Amaral, de 24. No Brasil, o movimento reúne 2.000 pessoas. E as retratadas explicam por que Greta foi fundamental na criação de um movimento global: “Sua mensagem tem muito poder. É a narrativa de toda a juventude do mundo”.


“Em 2050, o planeta será inabitável”, alerta um cartaz diante da embaixada brasileira em Buenos Aires. É sexta-feira, é claro, 23 de agosto, dia de protestos em cidades ao redor do mundo. Entre os manifestantes está Bruno Rodríguez, de 18 anos, estudante de Ciências Políticas e Direito. Veste uma camiseta dos Jovens pelo Clima, grupo ao qual pertence —e que ele representaria na Cúpula da Juventude para o Clima, realizada neste sábado na sede da ONU em Nova York. Dos cem participantes que receberam bolsas da ONU, 13 são latino-americanos, e Rodríguez é o único argentino. “A ideia é levar uma proposta como região para que se entenda o que acontece nos nossos países”, diz ele.

Esse encontro juvenil antecedeu o oficial, que começa nesta segunda-feira: a Cúpula de Ação Climática da ONU em Nova York, o encontro que motivou a odisseia atlântica de Greta. A adolescente, por coerência, evita o avião para reduzir sua pegada de carbono, de modo que, para chegar a Manhattan, navegou duas semanas em um veleiro. A revista The Economist aproveitou a travessia para publicar um artigo intitulado “O efeito Greta”, explicando como cresceu, desde sua ascensão midiática na Suécia, o flygskam —uma palavra que resume a “vergonha de voar” de avião e que, segundo o gráfico que ilustra o texto, provocou consideráveis reduções no número de viajantes aéreos em seu país.

Greve climática em Buenos Aires
MARIANA ELIANO
À esquerda, Julieta Itzcovich, de 17 anos, uma entre as dezenas de jovens que saem às ruas em Buenos Aires (Argentina) todas as sextas-feiras replicando as greves pelo clima iniciadas na Suécia há um ano. “Somos a geração que mais será afetada”, diz. “Se nada for feito, em 2030 vamos chegar a um ponto sem retorno”. À direita, Bruno Rodríguez, de 18 anos, cofundador da organização Juventudes pelo Clima de Buenos Aires e representante da Argentina na Cúpula da Juventude para o Clima, realizada neste sábado em Nova York.


O efeito Greta talvez explique em parte o resultado histórico dos Verdes nas últimas eleições europeias: as pesquisas de boca de urna indicaram que os ecologistas foram a primeira opção para os jovens na Alemanha, Áustria e França. Mas não foi só um lampejo geracional. Uma pesquisa pós-eleitoral do Parlamento Europeu apontou que “combater a mudança climática e proteger o meio ambiente” foi a principal motivação para ir votar em sete países: Dinamarca, Suécia, Holanda, Alemanha, Luxemburgo, Áustria e França. E em um ano esse assunto subiu do quinto para o segundo lugar entre as principais preocupações da população da União Europeia.

O conceito do Fridays for Future já não apenas uma questão juvenil. Ele se ampliou para todos os tipos de coletivos. Segundo Miriam Leirós, uma professora de 42 anos que lidera o Teachers for Future (“professores pelo futuro”) na Espanha, o movimento lhe deu “esperança e vergonha” em partes iguais: “Esperança porque você vê que as gerações não estão dormindo e são capazes de lutar. E vergonha porque os jovens é que tiveram de nos dar um puxão de orelha”.


Mudança e esperança em Madri
XIMENA Y SERGIO
Um grupo do movimento Fridays for Future de Madri, inspirado pelas greves das sextas-feiras pelo clima de Greta Thunberg. De pé, a partir da esquerda: Manuela Martín, de 16 anos, Matías Spatz, de 17, José Ferreras, de 23, e Koro López de Uralde, de 23. Sentados, Alejandro Martínez, de 25, Marta Macías, de 20, e Pablo Sallabera, de 23. Os sete posam no dia do protesto convocado no final de agosto em frente à Embaixada do Brasil em Madri para denunciar a queima descontrolada da Amazônia. Martín, a mais jovem, conta que é “relativamente nova” no movimento. “Entrei de cabeça assim que o conheci, considerei que era uma coisa muito necessária e estou me dedicando totalmente há quatro meses”, diz ela. Ferreras, representante de Madri, acrescenta: “O essencial é a esperança de que pode haver uma mudança. Somos muitas pessoas e isto está crescendo”. Macías reflete sobre seu impacto: “Graças à difusão do que fazemos, estamos colocando a questão da mudança climática, da emergência climática, na ordem do dia”.


Ao meio-dia de 23 de agosto, no centro de Madri, jovens ativistas preparam esse puxão de orelha a um passo da embaixada brasileira. Saúl Flores, poeta e estudante universitário, orienta um grupo de novatos na arte do die-in, algo como uma morte simulada que deixa o manifestante deitado na rua, obstruindo de forma pacífica o trabalho da polícia. Essa “morte” se tornou uma das marcas registradas do Extinction Rebellion (“rebelião da extinção”), outro movimento ambientalista nascido em Londres em 2018. Não é tão juvenil. E tem métodos mais contundentes: em abril, seus ativistas paralisaram o centro da capital britânica durante dias, e mais de 1.000 deles foram detidos. Em Madri, começaram a organizar oficinas de introdução à desobediência civil, nas quais, entre outras coisas, um participante brinca de deitar no chão enquanto outro, no papel de policial, tenta retirá-lo.


Manuela Martín, que com 16 anos é a mais jovem e tem a mesma idade da menina que deu início a tudo, resume esse sentimento geracional em uma palavra: “Raiva”.

Rebelião ou extinção!”, gritam em coro os convocados para a manifestação em frente à embaixada. Três adolescentes chegam, sentam-se e aprendem slogans com brilho nos olhos. Neles se percebe o romantismo das primeiras manifestações. “Não é fogo, é capitalismo!”, exclamam. Uma mulher foi com suas filhas, de 12 e 16 anos. “Greta é um modelo a seguir, uma pessoa muito valente”, dizem as meninas. E a mãe: “Sou fã absoluta. Mas tenho medo do que a superexposição na mídia possa provocar”.

No dia seguinte, no Centro Social Okupado La Ingovernable (“a ingovernável”), transformado em QG dos ativistas pelo clima, um grande grupo de membros do Fridays for Future de Madri se reúne em assembleia. Eles não permitem o acesso, mas no intervalo para o almoço (em tupperware) vários concordam em ser entrevistados em uma sala de aula presidida pelo grafite de um Mickey enorme com cara de quem consumiu LSD. Na mesa há gaspacho, salada de grão-de-bico, macarrão com legumes. Todos estão se esforçando para mudar seu estilo de vida.

Alejandro Martínez, de 25 anos, explica por que os mais jovens é que se rebelaram: “Até agora, as mensagens das gerações anteriores sempre foram de esperança. Mas a emergência climática é real. Segundo o IPCC, temos apenas 10 anos para evitar que a temperatura global suba acima de 1,5 grau. Crescemos com consciência do perigo e vendo como não se fazia nada a respeito”. Koro López de Uralde, de 23 anos, com experiência em ambientalismo desde o berço (é filha do líder do partido ecologista Equo e ex-diretor do Greenpeace na Espanha Juantxo López de Uralde), acrescenta: “Havia muita gente que estava preocupada com este assunto, mas não sabia como contribuir. Foi uma maneira de canalizar toda essa energia”. Manuela Martín, que com 16 anos é a mais jovem e tem a mesma idade da menina que deu início a tudo, resume esse sentimento geracional em uma palavra: “Raiva”.

O EL PAÍS faz parte do Covering Climate Now, uma iniciativa global de mais de 220 veículos de comunicação, enfocada em dar atenção à crise climática.

Fonte: El País




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