sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Fiocruz expande projeto de combate à dengue em Niterói



Moradores de Jurujuba visitam o insetário, no campus da Fiocruz - Peter Illiciev / Divulgação 


Igor Mello

Sucesso em Jurujuba, experiência chegará a três novos bairros em fevereiro

NITERÓI - Mais três bairros de Niterói — Charitas, incluindo a comunidade do Preventório, São Francisco e Cachoeira — terão um aliado inusitado no combate às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti: o próprio mosquito. Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vão começar, já no mês que vem, a liberação de insetos contaminados com uma bactéria que impede a transmissão dos vírus de dengue, zika e febre chicungunha. Em Jurujuba, um dos lugares que abrigaram o projeto piloto no Brasil — assim como Tubiacanga, na Ilha do Governador —, 80% dos mosquitos deixaram de ser vetores para as doenças.

Além do Brasil, o programa Eliminar a Dengue ocorre na Austrália, Indonésia, Colômbia e no Vietnã. De acordo com o pesquisador da Fiocruz Luciano Moreira, coordenador dos trabalhos no Brasil, a expansão vai utilizar as duas técnicas testadas até aqui. Assim como em Jurujuba, que recebeu o programa em agosto de 2015, parte da população de mosquitos contaminados com a bactéria Wolbachia será espalhada através dos Dispositivos de Liberação de Ovos (DLOs), recipientes que recebem água e nutrientes para alimentar larvas de mosquitos contaminados, ainda nos ovos, por meio de microinjeções. Em outros pontos, serão usados mosquitos adultos já transformados. Moreira explica que é necessário adaptar os trabalhos de acordo com as características dos novos bairros:

— Em áreas com muitos prédios, é preciso liberar os mosquitos adultos.

Ainda segundo Moreira, a equipe do projeto — que conta com cerca de 40 pessoas na cidade — trabalha agora na divulgação da iniciativa para os cerca de 20 mil habitantes dos quatro bairros contemplados. Será feita uma campanha de informação através de anúncios em outdoors, rádios e jornais. Em seguida, uma consulta pública será realizada para corroborar a realização do projeto. O processo de liberação dos insetos e monitoramento dos resultados vai durar de oito a 16 semanas, explica o pesquisador:

— Para considerar os resultados satisfatórios, é preciso que os monitoramentos mostrem, por três semanas seguidas, que pelo menos 70% dos mosquitos capturados têm a bactéria Wolbachia. Depois disso, o processo se torna autossustentável, e podemos partir para outras áreas.

A pesquisa tem metas ousadas a médio prazo. Em até um ano, a ideia é que o processo já tenha sido realizado em áreas da Região Oceânica, da Zona Sul e do Centro, protegendo cerca de 260 mil pessoas em Niterói. Nessas novas áreas, os pesquisadores vão, em parceria com a prefeitura, monitorar os índices de dengue, zika e febre chicungunha para comprovar se a técnica reduz significativamente o número de casos das doenças. Moreira se mostra otimista com os resultados obtidos até aqui:

— Em Jurujuba, não fizemos esse monitoramento por se tratar de uma área pequena. As pessoas circulam pela cidade e podem contrair as doenças em outras áreas. Mas os relatos dos moradores são de que o número de casos teve uma queda importante. Acho que há grande chance de essa hipótese se comprovar. Todos os indicativos levam a isso.

Como os insetos circulam por uma área de cerca de 50 metros, a tendência é que os mosquitos contaminados não se espalhem para outros bairros. Segundo Moreira, mesmo que alguns cheguem a outros bairros, não haveria número suficiente para se perpetuarem no ambiente.

Segundo a prefeitura, em 2016 foram registrados 2.546 casos de suspeita de dengue na cidade, um crescimento de 229% em relação ao ano anterior, quando houve 774 notificações. Os casos confirmados de zika também cresceram no período, indo de 11 para 190. Já as confirmações de chicungunha subiram de duas para 37. De acordo com a prefeitura, foram realizadas capacitações para identificação das arboviroses na rede municipal de saúde. A Fundação Municipal de Saúde diz ter estoques de exames e insumos para lidar com um possível aumento no número de casos este ano.

MUTIRÕES COMBATE POSSÍVEIS CRIADOUROS

Como forma de prevenção para uma possível epidemia das doenças causadas pelo mosquito, a prefeitura tem realizado mutirões para eliminar focos do Aedes aegypti na cidade. Segundo o município, profissionais da Saúde, da Clin e da Guarda Municipal já estiveram em seis comunidades desde o início do ano. A previsão é que ainda sejam realizadas mais três campanhas este mês: amanhã no Morro do Bumba; dia 21 no Morro da Boa Vista, em São Lourenço; e dia 28 no Vital Brazil.

Apesar do alto número de notificações no ano passado, o último Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti (Liraa), que mede a infestação, encontrou focos em 1,1% dos imóveis visitados, próximo do índice considerado satisfatório (abaixo de 1%). A prefeitura não divulgou quais bairros apresentam as maiores concentrações.

No levantamento anterior, realizado em outubro, foram pesquisados 52 grupos: 24 considerados satisfatórios, 26 em alerta e dois em risco. Os bairros com piores índices foram Cachoeira, Viradouro, Viçoso Jardim e Matapaca.

Fonte: O Globo Niterói




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Jurujuba tem 80% de Aedes aegypti incapazes de transmitir doenças


Desde o ano passado, o estudo é feito em Jurujuba e em Tubiacanga, na Ilha do Governador, no Rio. - Fiocruz imagens / Divulgação 


Por Leonardo Sodré

Projeto da Fiocruz será ampliado para Centro, Icaraí e Região Oceânica

NITERÓI - O projeto da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que dissemina no ambiente mosquitos Aedes aegypti em que foram inseridos a bactéria Wolbachia — que tira a capacidade deles de transmitirem os vírus de dengue, zika e chicungunha — já atingiu 80% da população desses insetos em Jurujuba. Durante seis meses, o bairro foi usado como base para os pesquisadores do programa “Eliminar a dengue: Desafio Brasil”, uma iniciativa internacional que ocorre simultaneamente na Austrália, na Indonésia, no Vietnã e na Colômbia. A partir do ano que vem, o projeto será levado para Centro, Icaraí e Região Oceânica.

Desenvolvido por pesquisadores australianos em 2009, o método de infecção do mosquito com a bactéria Wolbachia para reduzir a transmissão do vírus da dengue e de outras doenças pelo Aedes aegypti é inovador. O uso da Wolbachia começou a ser estudado depois que pesquisadores perceberam que os pernilongos transformados pela bactéria há tempos picam os homens sem provocar qualquer tipo de doença ou reação imune causadas por ela.

Em agosto do ano passado, os pesquisadores da Fiocruz começaram a soltar Aedes aegypti com Wolbachia em Jurujuba. Em janeiro deste ano, a população de mosquitos do bairro com a bactéria já estava consolidada. De acordo com Luciano Moreira, pesquisador da Fiocruz que coordena o projeto no Brasil, no próximo verão será possível mensurar o impacto da mudança nos casos de dengue:

— Como iniciamos no ano passado e rapidamente conseguimos chegar a 50% de mosquitos com Wolbachia, vamos comparar o número de casos registrados no verão anterior com o do próximo para saber se o crescimento da população de Aedes aegypti com a bactéria em Jurujuba se refletirá na diminuição de casos da doença. É uma previsão que ainda precisa ser comprovada.

Desde o ano passado, o estudo é feito em Jurujuba e em Tubiacanga, na Ilha do Governador, no Rio. Um financiamento internacional captado em outubro permitirá que a Fiocruz amplie a área de abrangência do projeto e passe a soltar Aedes aegypti com Wolbachia em outras regiões da cidade e da capital do estado.

— Com o apoio das prefeituras, planejamos expandir em larga escala o projeto em Niterói e no Rio de Janeiro, para atingir um território com contingente populacional de cerca de 2,5 milhões de pessoas. Em Niterói, vamos ampliar para a região das praias da Baía e para a Região Oceânica — confirma Moreira.





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