domingo, 29 de janeiro de 2017

LAGOA DE ITAIPU: preocupação com o assoreamento



COMENTÁRIO DE AXEL GRAEL:

O artigo no jornal O Fluminense, assinado por Raiana Collier, levanta uma correta preocupação com o problema do assoreamento da Lagoa de Itaipu, na Região Oceânica de Niterói. É, de fato, um problema que preocupa, na verdade não só em Itaipu, mas também na Lagoa de Piratininga, que compõe aquele sistema lagunar.

O assoreamento causa graves danos para o ecossistema das lagoas pelos seguintes motivos:
  • soterrar ambientes do fundo das lagoas que são fundamentais para a cadeia trófica
  • reduzir gradativamente o espelho d'água
  • reduzir a profundidade, que por sua vez, dificulta a circulação da água e facilita o aumento da temperatura, que também prejudica a disponibilidade de oxigênio.
  • a chegada de sedimentos também interfere na turbidez das águas e, consequentemente, na penetração da luz na coluna d'água da lagoa. 

As lagoas de Itaipu e Piratininga são originalmente "lagunas" e o assoreamento é um processo natural nesses ecossistemas. As lagunas são gradativamente assoreadas e tendem a se extinguir. O problema é que no processo natural, isso ocorre num tempo geológico. Ou seja, se não fosse pela cidade em volta, e os impactos causados aos ecossistemas das lagoas, elas tenderiam a morrer de qualquer jeito, mas isso poderia levar séculos.

O problema é que com os impactos ambientais da urbanização, o processo está ocorrendo em poucas décadas e é nossa obrigação garantir a sobrevivência das lagoas, para o benefício do meio ambiente e da própria cidade.

Portanto, como vemos acima, o assoreamento é um grande problema e precisa ser evitado e até mesmo corrigido.

No caso da Lagoa de Itaipu, há dois motivos para o assoreamento. Nas proximidades do Canal de Itaipu, o problema é o sedimento trazido pelo próprio mar. No restante da lagoa, o problema é principalmente causado pelo sedimento trazido pelos rios. Por sua vez, este sedimentos têm origem principalmente na área urbana: ruas sem pavimentação. Podemos afirmar isso pois a Região Oceânica conta com um relevo em forma de anfiteatro, com as montanhas que a circundam ainda bem providas de vegetação natural e, hoje, praticamente todas protegidas pelo Parque Natural Municipal de Niterói - PARNIT ou pelo Parque Estadual da Serra da Tiririca - PESET. A presença da vegetação garante baixos índices de erosão nas encostas, restando os processos erosivos nas ruas não-pavimentadas como a grande fonte de sedimentos.

No caso da Lagoa de Piratininga, não há aporte de sedimentos marinhos. Apenas os sedimentos carreados pelos rios e o lodo acumulado no fundo da lagoa ao longo das décadas em que a região experimentou o crescimento urbano, mas por muito tempo sem a infraestrutura de saneamento. O carreamento de elevada carga orgânica e nutrientes dos esgotos causou a eutrofização da lagoa e o aumento do ritmo de acúmulo do lodo.

Portanto, a principal medida para estancar o processo de assoreamento é a continuidade dos esforços da Prefeitura de Niterói de urbanização e pavimentação das vias dos bairros situados na bacia hidrográfica.

Esse trabalho teve início na atual gestão municipal - em 2013 - e terá continuidade agora com recursos do Programa Região Oceânica Sustentável (Pro-Sustentável).

Em síntese: para estancar o processo de assoreamento é preciso dar prioridade para controlar as fontes de sedimento, ou seja, dar continuidade à pavimentação de ruas e dar prosseguimento ao programa "Se Liga", promovido através de uma parceria entre a Prefeitura de Niterói e o INEA, que notifica donos de imóveis para que providenciem a conexão de suas propriedades à rede de esgoto.

Uma vez controlado o processo de assoreamento, a prioridade passa a ser o desassoreamento. No passado, priorizaram-se dragagens. Hoje, acreditamos em alternativas mais eficientes e menos impactantes do que as primitivas dragagens.

Um dos componentes do Pro-Sustentável é a elaboração de um Plano de Gestão Ambiental para o Sistema Lagunar de Piratininga e Itaipu, com medidas de curto, médio e longo prazo. O sistema lagunar é um dos mais importantes patrimônios naturais da cidade e a sua recuperação depende de compromisso duradouro com um plano de ação responsável e que integre governo e sociedade. Chega de improviso!

Axel Grael
Engenheiro florestal, ambientalista.
Secretário-Executivo da Prefeitura Municipal de Niterói




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Lagoa de Itaipu: assoreamento preocupa quem vive na região

O cenário que se observa é de avanço dos blocos de areia por conta do assoreamento tanto em pontos mais externos quanto internos da Lagoa de Itaipu, na Região Oceânica de Niterói. Fotos: Evelen Gouvêa


Raiana Collier

Bancos de areia se formaram no canal que faz a ligação com o mar, onde antes só era possível atravessar a nado

A falta de ações e iniciativas para salvar a Lagoa de Itaipu, na Região Oceânica de Niterói, continua preocupando moradores e frequentadores da região. Mais de seis meses depois da assinatura de documento com o objetivo de recuperar a integridade ambiental e atividades sustentáveis do sistema lagunar de Piratininga e Itaipu, o cenário que se vê é de avanço dos blocos de areia por conta do assoreamento tanto em pontos mais externos quanto internos da lagoa. O Subcomitê do Sistema Lagunar Itaipu-Piratininga (CLIP) propõe um projeto de aumento de oxigênio nas lagunas, que deve melhorar as condições das duas lagoas. Enquanto isso, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) continua sem previsão para a retomada das obras de desassoreamento dos dois locais, “em função da crise pelo qual passa o Estado do Rio”.

Para o aposentado Luiz Thurler, de 61 anos, a Lagoa de Itaipu está morrendo. Ele lembra que, quando era mais jovem, atravessava o canal artificial a nado. Hoje, fazer o mesmo percurso é tarefa simples com as águas batendo nas canelas.

“Há quatro anos venho tentando chamar atenção para o problema. Acho que é preciso botar uma máquina e tirar a areia. A nascente está fechando. Nunca vi absolutamente nada ser feito nesses anos que moro aqui”, lamentou.

A frequência de banhistas nas areias surgiu com o assoreamento na região do canal artificial aberto nos anos 40, ligando a Praia de Itaipu à de Camboinhas. O integrante do CLIP e biólogo Paulo Bidegain explicou que o assoreamento nessa região acontece por ação do mar.

“O assoreamento no canal é basicamente areia, empurrada diariamente pelo mar. Muito entra e pouco sai. O canal até funcionou por bastante tempo”, defendeu.

Nas partes mais internas da Lagoa, a situação é diferente. Paulo não vê a dragagem do canal da Lagoa de Itaipu como prioridade. Ele explicou que a medida não seria capaz de resolver o problema do assoreamento, principalmente por conta de sua composição.

“Na parte interna da lagoa, apenas um quarto do assoreamento é de areia do mar. O resto é lodo que é, essencialmente, matéria orgânica. Esse lodo é provocado pelo esgoto depositado durante dezenas de anos na Lagoa, que funcionava como uma espécie de estação de tratamento de esgoto de toda a Região Oceânica”, apontou.

O biólogo explica que, em determinado momento de sua história, a Lagoa “entrou em colapso”, e não conseguiu mais processar o esgoto nela depositado. Para ele, a solução para o problema se divide em duas frentes de ação: tratamento de esgoto que ainda é depositado na Lagoa, e um projeto de injeção de microbolhas que transformaria o habitat aquático de anaeróbico para aeróbico, ativando o trabalho de bilhões de bactérias, que podem reduzir a camada de lodo em um metro.

Segundo o Inea, a qualidade da água dos rios da bacia drenante da lagoa de Itaipu “não se apresentam em condições satisfatórias em termos de qualidade de água, em função da contribuição de esgotos irregulares”. O órgão alegou que tem se esforçado para regularizar as ligações clandestinas de esgotos da região por meio do projeto Se Liga, em parceria com a Prefeitura de Niterói e a Concessionária Águas de Niterói. A concessionária realiza um levantamento prévio dos imóveis não conectados em área contemplada por rede coletora e os repassa para que possamos adotar medidas administrativas, assim adequando o lançamento de seus efluentes. Até o momento, foram notificados 900 imóveis com eficácia de 92,41% das ligações.

O instituto, porém, não dá informações sobre o projeto das microbolhas, promovendo aumento do oxigênio dissolvido no sedimento e coluna d’água. A iniciativa, continua sem perspectivas de sair do papel. Sem perspectivas está também o programa de recuperação das lagoas do Inea, parado há quase um ano.

A prefeitura informou que a limpeza do entorno da lagoa é realizada de forma manual, uma vez por semana. Quinzenalmente (principalmente no período de chuvas) é realizado serviço de roçadeira no local. Quando necessário, é realizada também a limpeza com auxílio de maquinários específicos para remoção de entulhos.

Fonte: O Fluminense



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