domingo, 3 de novembro de 2013

Verena Andreatta detalha o projeto da TransOceânica


Trajeto paralelo usará trecho da Estrada Francisco da Cruz Nunes para fazer integração com a TransNiterói, outro corredor expresso de ônibus. Foto: Arquivo


Expectativa para TransOceânica

Igor Mello

Secretária Municipal de Urbanismo detalha projeto que permitirá ao passageiro de ônibus ir do Engenho do Mato a Charitas em 20 minutos

Mais do que apenas ser uma ligação mais rápida entre a Região Oceânica e Charitas, o projeto da TrasOceânica - corredor expresso para ônibus de alta capacidade – pretende servir como estopim para a revitalização de bairros como Cafubá, Piratininga, Itaipu e Engenho do Mato, afirma a secretária municipal de Urbanismo, Verena Andreatta.

O corredor expresso terá 9,3 Km e outras intervenções urbanísticas devem melhorar a qualidade de vida dos moradores de seu entorno. O planejamento do projeto durou 10 meses para ficar pronto. O início das obras está previsto para o primeiro semestre de 2014, com o começo da escavação do Túnel Charitas-Cafubá.

“Ao contrário do que aconteceu na TransOeste [BRT já funcionando no Rio], as estações serão no mesmo nível da via, pois acreditamos que funcione melhor na realidade de Niterói, urbanística e ergonomicamente. Também atuaremos na condição física e estrutural dos bairros por onde ela passa: a fiação passará a ser subterrânea, a sinalização para pedestres e ciclistas será uma prioridade, também faremos a urbanização de todo o trajeto”.

O projeto pretende unir o corredor para ônibus – projeto destinado a deslocamentos para grandes distâncias – com o incentivo ao uso de bicicletas em trajetos menores, dentro de cada um dos bairros da Região Oceânica ou, em alguns casos, entre eles. Ainda segundo Verena, a obra deve criar uma ampla rede de ciclovias e bicicletários.

“Vamos tentar incorporar ciclovias por todo o trajeto da TransOceânica. Se não for possível, em alguns trechos elas serão deslocadas para ruas paralelas”, relata.

Trajeto – O corredor expresso começa no entroncamento da Estrada Francisco da Cruz Nunes com a Rua Irene Lopes Sodré, no Engenho do Mato, e seguirá até a Charitas, que vai ganhar uma estação intermodal para integração com as barcas. Uma canaleta exclusiva para os ônibus será construída na faixa mais próxima do canteiro central, onde ficarão localizadas as 13 estações do trajeto. De acordo com os cálculos da Secretaria de Urbanismo, hoje os ônibus percorrem 18 Km para chegar de Engenho do Mato a Charitas, gastando aproximadamente 1h15 no percurso. Quando a obra for inaugurada, esse tempo deve cair para algo em torno de 20 minutos, já que a velocidade média prevista para o BHLS é de 50 Km/h.

Também receberão a faixa expressa a Avenida Dr. Raul de Oliveira Rodrigues e o Túnel Charitas-Cafubá. Um trajeto paralelo usará o trecho final da Estrada Francisco da Cruz Nunes e a Avenida Conselheiro Paulo de Melo Kalle para fazer a integração com a TransNiterói, o outro corredor expresso de ônibus, que deve começar a ser construído em 2015.

Pela nova via  circularão os ônibus que farão parte do sistema BHLS e os veículos convencionais, usados nas linhas já existentes.

BHLS – Enquanto o BRT serve para transportar grandes contingentes populacionais de um ponto afastado até uma área com grande volume de empregos, em um movimento pendular similar ao do metrô, o BHLS (Bus of High Level of Service) possibilita que diversas linhas de uma região trafeguem por um corredor exclusivo.

No caso específico de Niterói, o usuário que vive em bairros como Engenho do Mato, Itaipu, Piratininga e Cafubá continuarão pegando ônibus perto do local onde moram e poderão usufruir do corredor expresso sem fazer baldeações. Caso o sistema tradicional de BRT fosse adotado, o morador teria que embarcar em uma linha alimentadora, desembarcar nas estações para só então seguir nos veículos que trafegam pela TransOceânica, perdendo tempo e viajando com menos conforto. Com o modelo adotado, algumas linhas que já existem também poderão circular pelo corredor exclusivo.
“No caso do BHLS, essa canaleta exclusiva também vai permitir que algumas linhas comuns operem sem fazer paradas nas estações, que funcionarão apenas com bilhetagem eletrônica. O tráfego vai ter todo um controle eletrônico, para evitar acidentes e atropelamentos como têm acontecido com frequência no Rio. Os ônibus que operam dentro do sistema, sem sair da via expressa, farão parada nas estações, enquanto os demais a usarão como uma pista seletiva, nos mesmos moldes do que já ocorre na Av. Brasil, no Rio”, explica a secretária.

Diversos países já adaptaram com sucesso esse novo conceito. Na Inglaterra, metrópoles como Londres e Manchester já usam o modelo, também adotado em Hamburgo e Essen, na Alemanha, Madrid e Castellon, na Espanha, além de Paris, Nantes e Lorient, na França.

Operação – Os ônibus que vão circular na TransOceânica serão munidos de portas nos dois lados. Segundo Marcio Barbosa, superintendente do Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio (Setrerj), a novidade possibilita que os carros operem dentro e fora da TransOceânica.
“As portas localizadas no lado convencional serão usadas nas ruas dos bairros, que contam com pontos de ônibus normais. As novas portas, por sua vez, servirão para embarque e desembarque nas estações do BHLS”, diz.

A prefeitura ainda não definiu como a operação da TransOceânica será feita. A dúvida é se as linhas serão supridas pelas empresas, nos moldes existentes para os percursos tradicionais, ou se haverá a criação de um pool, como ocorreu no Rio.

“Em teoria, os contratos existentes prevêem a operacionalização pelos vencedores dos consórcios. Já temos uma prévia de estudos técnicos que nos dão bastante segurança de que essa é a melhor opção”, diz Andreatta.

Tarifa – A prefeitura ainda não definiu se a tarifa dos BHLS será o modal da cidade, de R$ 2,75, ou se haverá a necessidade de um valor diferenciado. De acordo com a secretária, essa questão ainda vai ser estudada, de modo a garantir o equilíbrio financeiro da operação.

Fonte: Prefeitura de Niterói

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Um comentário:

  1. Bom dia, meu nome é Rômulo e sou engenheiro civil e gostaria de saber como os ônibus que trafegarem no corredor e também os carros que utilizarem a Transoceânica farão com relação aos intermináveis sinais de trânsito e dezenas de cruzamentos que transformam um percurso curto num estafante caminho, lembrando a Avenida Nossa Sra. de Copacabana ou a Av. Rio Branco.

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