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terça-feira, 19 de julho de 2016

Dados da SOS Mata Atlântica mostram o crescente protagonismo municipal na estratégia de conservação da Mata Atlântica

 
 
COMENTÁRIO AXEL GRAEL:
 
O texto de Márcia Hirota, sempre competente em motivar a tropa da conservação da Mata Atlântica e de difundir as informações que nos dão o quadro geral da proteção deste bioma, mostra os importantes avanços na criação de unidades de conservação e o cada vez maior protagonismo municipal nesta estratégia.
 
A partir de 2014, Niterói passou a ser uma referência nas estratégias de conservação. Localizada no coração da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, a partir do Decreto 11.744/2014 e o Plano Urbanístico Regional, a cidade passou a contar com mais de 4.400 hectares, o que perfaz mais de 35% do seu território protegido atraves de unidades de conservação e tem como meta alcançar 50%. Isto poderá acontecer como desdobramento do atual processo de revisão do Plano Diretor da cidade e outras medidas de planejamento territorial.
 
O mais importante, é que Niterói está avançando no aspecto que é considerado o ponto fraco das Unidades de Conservação no país: a sua efetiva implementação. Principalmente, no caso das UCs municipais.
 
Neste aspecto, a cidade está em fase de implantação de seu sistema de áreas protegidas e realizará, nos dias 26 e 28 de julho, as Oficinas de Planejamento Participativo do Parque Natural Municipal de Niterói, a mais importante unidade em implantação.
 
Além disso, Niterói está desenvolvendo iniciativas fundamentais para a proteção da integridade das áreas protegidas em Niterói, como a seguir:
 

Através do Programa Região Oceânica Sustentável (PRO-Sustentável), a Prefeitura de Niterói está captando recursos da ordem de R$ 300 milhões para investimentos em infraestrutura sustentável, o que inclui a implantação do PARNIT, do Parque Orla de Piratininga, do Parque da Praia do Sossego, além de investir no Projeto de Renaturalização do Rio Jacaré e projetos como a implantação de 57 quilômetros de ciclovias na região, incluindo trechos em unidades de conservação.

Com estas ações, Niterói faz fileira com a SOS Mata Atlântica para mostrar que o protagonismo municipal é possível e indispensável para que se o sonho de reverter o processo de degradação da Mata Atlântica seja realidade.

Axel Grael
 
 
 
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A Mata Atlântica invisível nas cidades

 
 



Artigo de Marcia Hirota* - A vista parece a de sempre, mas não é. Nesses dias de inverno, período mais seco do ano, uma faixa de poluição é visível e aumenta a cada dia, piorando o ar de São Paulo. Uma girafa mecânica mostra que a cidade continua sendo adensada aqui e em outras regiões. Tudo demais, verde de menos.

As 3.429 cidades da Mata Atlântica, incluindo São Paulo, apresentam um dos maiores índices de urbanização do país, com quase 90% da população vivendo em áreas urbanas. Habitam os municípios do bioma 72% da população brasileira. São 145 milhões de pessoas que dependem da floresta para os serviços ambientais essenciais, como a regulação do clima, a qualidade do ar e o abastecimento de água.

Nossas cidades foram construídas sobre nossas florestas. E boa parte do que restou da Mata Atlântica original, por incrível que pareça, está próxima ou inserida nas áreas mais urbanizadas do país. Na medida em que as cidades crescem, a pressão sobre as áreas com vegetação nativa também aumenta. Diante desse cenário, a conservação das florestas urbanas ganha ainda mais importância.

O primeiro passo para proteger essas áreas verdes é conhecê-las. Foi o que acabou de fazer a Prefeitura Municipal de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente e com apoio técnico da Fundação SOS Mata Atlântica, ao mapear os fragmentos de remanescentes florestais, os bosques e as áreas naturais na cidade. O mapeamento, lançado no dia 30 de junho no Diário Oficial, mostra que a vegetação de São Paulo vai além das conhecidas grandes florestas naturais existentes nos extremos norte e sul. Há também uma porção de inúmeras pequenas manchas verdes acima de 85 m2 distribuídas por toda a cidade. No total, 30% da área da cidade ainda é coberta por Mata Atlântica. Para terem uma ideia, a área mínima mapeada no Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, parceria entre a SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), é de 10.000 m2.

O diagnóstico da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente é um dos produtos do Plano Municipal da Mata Atlântica (PMMA) de São Paulo, e agora será utilizado para que o município, a partir do Plano Diretor, defina as áreas prioritárias para recuperação e conservação. A partir do mapeamento, as autoridades locais poderão avaliar, por exemplo, a necessidade de criação de novas Unidades de Conservação (UCs) municipais, uma ferramenta estratégica para assegurar a proteção da paisagem natural, da biodiversidade e conciliar conservação, expansão e desenvolvimento local.

Áreas protegidas nas cidades

Para compreender os desafios da relação entre urbanização e conservação da natureza, a SOS Mata Atlântica realizou recentemente um levantamento que mapeou, pela primeira vez, a situação das UCs municipais da Mata Atlântica.

As Unidades de Conservação podem ser criadas pelos governos federal, estaduais e municipais. Informações sobre as UCs federais e estaduais são de mais fácil acesso e algumas dessas, muitas vezes, são até bastante conhecidas pelo grande público, mesmo que ele não identifique essas áreas exatamente como uma Unidade de Conservação. Dois bons exemplos são os famosos e super visitados Parque Nacional do Iguaçu e Parque Nacional da Tijuca.

Já sobre as Unidades de Conservação municipais as informações são bastante fragmentadas, o que dificulta, inclusive, entender quais os desafios na criação, gestão e os caminhos para o fortalecimento desse importante mecanismo de conservação da Mata Atlântica local, lacuna que o estudo da SOS Mata Atlântica busca preencher. E os dados são surpreendentes.

O levantamento – coordenado pelo biólogo Luiz Paulo de Souza Pinto, com apoio da equipe técnica e voluntária da SOS Mata Atlântica – identificou 870 Unidades de Conservação municipais, que totalizam 2,7 milhões de hectares (ha) e representam 40% do total de unidades existentes na Mata Atlântica, considerando as esferas federal, estadual e municipal. Dessas, 852 unidades (2,6 milhões de ha) estão em áreas de florestas ou ecossistemas associados. Outras 18 unidades (131 mil ha) foram registradas na Zona Marinha.

Foram identificadas 870 Unidades de Conservação municipais, que totalizam 2,7 milhões de hectares (ha) e representam 40% do total de unidades existentes na Mata Atlântica, considerando as esferas federal, estadual e municipal. Dessas, 852 unidades (2,6 milhões de ha) estão em áreas de florestas ou ecossistemas associados. Outras 18 unidades (131 mil ha) foram registradas na Zona Marinha.


A maioria das UCs municipais estão localizadas na malha urbana e periurbana (45% e 20%, respectivamente, em uma amostragem de 371 unidades). Isso significa que 65% das unidades estão sob influência dos centros urbanos e mais próximas das pessoas. Entretanto, mesmo em menor número (35%), as unidades inseridas no ambiente rural dos municípios representam a maior cobertura territorial (77%), contribuindo para a proteção da paisagem natural e de áreas-chave de bacias hidrográficas que abastecem as cidades.

Isso significa que 65% das unidades estão sob influência dos centros urbanos e mais próximas das pessoas. Entretanto, mesmo em menor número (35%), as unidades inseridas no ambiente rural dos municípios representam a maior cobertura territorial (77%),


O estudo, lançado no final de 2015, contou com patrocínio do Bradesco Seguros e Bradesco Cartões e a ampliação dos dados foi realizada graças ao apoio do Instituto Credit Suisse Hedging-Griffo.

Recorde de UCs

Os Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná possuem o maior número e área de UCs municipais. Os três Estados, juntos, contêm 81% da área e 70% do número total dessas unidades. Duas das maiores unidades municipais, com área acima de 50 mil ha, são as Áreas de Proteção Ambiental do oeste do Paraná, dos municípios de Altônia e Alto Paraíso, que formam um complexo de unidades para a proteção das florestas do rio Paraná.
 
Os Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná possuem o maior número e área de UCs municipais. Os três Estados, juntos, contêm 81% da área e 70% do número total dessas unidades.


Minas Gerais possui o maior número de municípios com UCs municipais (135) e mais da metade (52%) da área total das UCs municipais da Mata Atlântica. Umas dessas unidades é o Parque Natural Municipal das Andorinhas, em Ouro Preto. Seus 557 ha abrangem as nascentes que formam a Cachoeira das Andorinhas e a cabeceira do Rio das Velhas, importante afluente do Rio São Francisco e uma das principais fontes de água para a região metropolitana de Belo Horizonte.

O Estado do Rio de Janeiro mostra maior capilaridade na cobertura dessas unidades. Pelo menos 83% dos municípios fluminenses possuem UCs municipais, com destaque para a capital, que tem a maior rede de proteção entre os municípios avaliados. Uma das unidades de conservação municipais na cidade carioca é o Monumento Natural Municipal dos Morros do Pão de Açúcar e Urca, que protege um dos ícones do Rio de Janeiro e do país, o Pão de Açúcar. O estado do Rio de Janeiro possui ainda o maior parque municipal da Mata Atlântica – o Parque Natural Municipal Montanhas de Teresópolis – e o maior número de Unidades de Conservação municipais Marinhas.
 
Pelo menos 83% dos municípios fluminenses possuem UCs municipais, com destaque para a capital, que tem a maior rede de proteção entre os municípios avaliados.


Há 55 unidades municipais no Estado de São Paulo. Distribuídas por 25 municípios, somam cerca de 186 mil ha. Entre elas está a Reserva Biológica Municipal Serra do Japi, em Jundiaí, um importante sítio de pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e outras universidades, onde foram registradas mais de 660 espécies de plantas.

Apesar da relevância, as Unidades de Conservação municipais ainda são invisíveis e não estão integradas, efetivamente, nas análises e estratégias de conservação da biodiversidade. No entanto, o levantamento apresenta um indicativo da importante contribuição dessas unidades na proteção de populações de espécies e na manutenção e provimento de serviços ambientais, como abastecimento de água para consumo humano. E mais: por estarem concentradas nas áreas urbanas, elas são extremamente importantes no desafio de reconectar natureza e sociedade, garantindo para os cidadãos qualidade de vida, belas paisagens e oportunidades de lazer e recreação.

Para contribuir com esse desafio, a Fundação SOS Mata Atlântica apoiará neste ano, por meio de um edital, 24 projetos que buscam criar ou implementar UCs municipais públicas e privadas no país. O patrocínio do edital é do Bradesco Seguros, do Bradesco Cartões e da Repsol Sinopec Brasil.

O objetivo é estimular as cidades a fortalecerem a gestão ambiental de seus territórios, investindo nas políticas, no planejamento e na execução de medidas que assegurem proteção e uso sustentável do ambiente. É um conjunto de projetos agregadores que contribuirão muito para fortalecer esses importantes mecanismos de conservação da biodiversidade local, reunindo poder público, instituições e pessoas, especialmente proprietários de terras, para somar esforços.

No último domingo (17/7), comemorou-se o Dia da Proteção das Florestas, uma data criada com o objetivo de conscientizar a população sobre a necessidade de conservar e recuperar as áreas verdes. Neste dia, é importante constatar que há ainda muito o que fazer, mas que essa realidade só vai mudar quando a sociedade assumir a missão de proteger e usufruir os benefícios das nossas florestas urbanas. Um caminho é reconhecer as Unidades de Conservação municipais como um importante instrumento de proteção ambiental e torná-las visíveis. Desafio que depende de conhecimento, mas também de engajamento das autoridades locais e de toda sociedade.

*Marcia Hirota é diretora-executiva da organização, ONG brasileira que desenvolve projetos e campanhas em defesa das Florestas, do Mar e da qualidade de vida nas Cidades.

Saiba como apoiar as ações da Fundação em www.sosma.org.br/apoie
 
 
 



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domingo, 1 de novembro de 2015

CIDADES VERDES: As florestas protegidas nas cidades


Vista do arborizado bairro dos Jardins, em São Paulo. Se toda cidade fosse assim... (Foto: Alexandre Mansur)


MARCIA HIROTA E EVANGELINA VORMITTAG*

Uma cidade arborizada e biodiversa, com temperaturas mais frescas, clima regulado e ar puro ainda é um sonho

Vivemos desconectados das nossas florestas. Com poucas exceções, repetimos um modelo de desenvolvimento em que grandes populações são adensadas em centros urbanos cinzas e áridos, repletos de serviços de todos os tipos, mas distantes dos serviços ambientais tão importantes à nossa sobrevivência e qualidade de vida. A água, vamos buscar cada vez mais longe. Uma cidade arborizada e biodiversa, com temperaturas mais frescas, clima regulado e ar puro, é quase sonho.

>> Por que você deve valorizar as árvores de sua rua no verão

A causa essencial dessa desarmonia entre percepção e realidade se dá pela falta de conhecimento sobre o papel das florestas nas nossas vidas. Acreditamos que florestas são apenas aquelas grandes extensões de copas de árvores distantes das cidades, mas nos esquecemos que nossas próprias cidades foram construídas sobre essas áreas verdes e ainda dependem muito do que delas sobraram.

No Brasil, 72% da população, algo como 145 milhões de pessoas, vive nas 3.429 cidades da Mata Atlântica e dependem dos serviços ambientais prestados pelo bioma. Essas cidades apresentam também um dos maiores índices de urbanização do país, com quase 90% da população vivendo em áreas urbanas. E qual a surpresa se não que boa parte do que restou da Mata Atlântica e hoje encontra-se protegida também está próxima ou inserida nessas mesmas regiões urbanizadas.

"Mais de 80% das UCs Municipais da Mata Atlântica estão sob influência dos centros urbanos e próximas das pessoas. Isto porque a maioria dessas unidades estão localizadas nas cidades (71%) ou no seu entorno (10%)".


O dado é de um recente estudo em que a SOS Mata Atlântica buscou compreender os desafios dessa relação entre urbanização, conservação da natureza e cidadania, mapeando, pela primeira vez, a situação das Unidades de Conservação (UCs) Municipais da Mata Atlântica.

As UCs são áreas que possuem recursos fundamentais para a vida e, por isso, são protegidas por lei e devem receber o cuidado de todos. Elas estão dividias em 12 categorias, algumas bastante restritivas e que não permitem a entrada de pessoas; outras não apenas permitem como estimulam a visitação, como são os casos dos parques – dois exemplos são os famosos Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, e o Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, no Paraná.

O levantamento da SOS Mata Atlântica identificou 730 Unidades de Conservação Municipais, que totalizam 2,3 milhões de hectares (ha). A maior parte dessas UCs (715 unidades ou 2,29 milhões de ha) estão em áreas de florestas ou ecossistemas associados. Outras 15 unidades (80 mil ha) foram registradas na Zona Marinha. As UCs Municipais identificadas representam 46% do total de unidades existentes na Mata Atlântica.

"SOS Mata Atlântica identificou 730 Unidades de Conservação Municipais, que totalizam 2,3 milhões de hectares (ha). A maior parte dessas UCs (715 unidades ou 2,29 milhões de ha) estão em áreas de florestas ou ecossistemas associados. Outras 15 unidades (80 mil ha) foram registradas na Zona Marinha. As UCs Municipais identificadas representam 46% do total de unidades existentes na Mata Atlântica".


Mais de 80% das UCs Municipais da Mata Atlântica estão sob influência dos centros urbanos e próximas das pessoas. Isto porque a maioria dessas unidades estão localizadas nas cidades (71%) ou no seu entorno (10%).

Mesmo em menor número (19%), as unidades inseridas no ambiente rural dos municípios representam a maior cobertura territorial, o equivalente a 81%, sendo sua principal contribuição a proteção e manutenção da água doce e bacias hidrográficas que abastecem os centros urbanos.

Essas florestas inseridas ou próximas das cidades trazem ainda diversos outros benefícios, como a regulação do clima, a qualidade do ar e a proteção da saúde das pessoas, temas que ficam para um segundo artigo.

Para conservar e recuperar as áreas verdes das nossas cidades, antes temos um desafio extremamente importante pela frente: reconectar meio ambiente e sociedade. Nossa qualidade de vida, saúde, alimentação, equilíbrio e bem-estar social dependem da natureza.

*Marcia Hirota é diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica; Evangelina Vormittag é diretora presidente do Instituto Saúde & Sustentabilidade.

Fonte: Revista Época


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sábado, 2 de março de 2019

Anunciada a DÉCADA DA ONU PARA A RESTAURAÇÃO DOS ECOSSISTEMAS 2021-2030



Paisagem rural na Guatemala.


COMENTÁRIO:

O anúncio da instituição da Década da ONU para a Restauração dos Ecossistemas 2021-2030 foi proposto pelo governo de El Salvador, com o apoio dos países do Sistema de Integração Centro-americana (SICA), durante um evento internacional realizado em Foz do Iguaçu, onde representantes de diversos países se reuniram em março de 2018 para dar continuidade ao Desafio de Bonn. Em 2012, o Ministério do Meio Ambiente e Recursos Naturais do menor país da América Central deu início ao Programa de Restauração de Ecossistemas e Paisagens Rurais de El Salvador, que foi a inspiração para que a mesma iniciativa fosse proposta como um esforço global em Foz do Iguaçu.

Desafio de Bonn

O Desafio de Bonn foi lançado em 2011 pelo governo alemão e pela IUCN e, posteriormente, foi endossado pela Declaração de Nova York sobre Florestas, aprovada na Conferência do Clima de 2014.

A base para o Desafio de Bonn foi o conceito de Restauração da Paisagem Florestal (FLR), que tem como objetivo restaurar a integridade ecológica e melhorar a qualidade de vida da população através de paisagens multifuncionais.

A proposta do Desafio de Bonn era restaurar 150 milhões de hectares no mundo inteiro até 2020 e 350 milhões de hectares até 2030. 

A restauração de 150 milhões de hectares de áreas desmatadas e degradadas em biomas do mundo todo - com os princípios da FLR - geraria benefícios da ordem de 84 bilhões de dólares/ano com impactos positivos diretos em oportunidades para comunidades rurais. Além disso, cerca de 90% dos investimentos seria potencialmente negociáveis nos sistemas de mercado de carbono e outros.

O alcance da meta de 350 milhões de hectares gerará US$ 170 bilhões/ano em benefícios líquidos de recuperação de mananciais e bacias hidrográficas, produtividade agrícola e produtos florestais e poderia sequestrar anualmente 1,7 gigatoneladas de CO2 equivalente.

É importante ressaltar que a proposta não é, obviamente, transformar áreas de produção agropecuária em áreas florestais, mas recuperar áreas degradadas. Segundo levantamentos, estas áreas disponíveis no mundo somam cerca de 2 bilhões de hectares, o que corresponde a mais do que toda a área da América do Sul.

Destas áreas, localizadas prioritariamente em regiões tropicais e temperadas:

  • 1,5 bilhão de hectares têm vocação para restauração em forma de mosaicos, em que florestas e arborização são combinadas com outros tipos de uso do solo, incluindo agrosilvicultura, agricultura familiar e pequenos assentamentos.
  • Cerca de 500 milhões de hectares poderiam ser apropriados para restauração com prioridade florestal em larga escala.
  • Adicionalmente a estes 2 bilhões de hectares, existem cerca de 200 milhões de hectares de terras despovoadas de florestas boreais que foram degradadas pelo fogo. Essas áreas são consideradas de difícil recuperação devido à sua situação em áreas remotas.

Compromisso brasileiro

Cabe também lembrar que em dezembro de 2016, o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, anunciou a contribuição voluntária brasileira ao Desafio de Bonn: 

  • Até 2030, o país irá restaurar, reflorestar e promover a regeneração natural de 12 milhões de hectares de áreas florestais. 
  • Além disso, serão implementados cinco milhões de hectares de sistemas agrícolas que combinem agricultura, pecuária e floresta e recuperados cinco milhões de hectares de pastagens degradadas.

Para alcançar essas metas, o Brasil estabeleceu uma Política Nacional de Recuperação de Vegetação Nativa (Proveg), que será implementada pelo Plano Nacional de Recuperação de Vegetação Nativa (Planaveg)

Desafios na conjuntura nacional atual

Apesar do protagonismo brasileiro em um passado recente no cenário diplomático da agenda do clima, hoje temos no Governo Bolsonaro um ambiente refratário ao tema e até mesmo uma ameaça textual do presidente de tirar o Brasil da Convenção do Clima e declarações reativas do atual ministro do Meio Ambiente.

O Governo Bolsonaro vira as costas para um movimento irreversível no mundo ao se aliar às teses dos setores mais atrasados do ruralismo brasileiro. 

A atitude irresponsável do atual governo têm colocado o Brasil como objeto das críticas mundiais. O lamentável recuo brasileiro nos exclui de grandes oportunidades, uma vez que o Brasil seria um dos países que mais teria a ganhar, por suas vastas extensões de terras disponíveis para a recuperação, que habilitaria o país a receber investimentos internacionais, beneficiando comunidades rurais e até mesmo cidades e regiões metropolitanas, como Niterói pode colocar-se como um exemplo.

Que o Brasil saia das sombras e abrace a agenda que salvará as atuais e futuras gerações da imprevidência e inação dos tomadores de decisão do momento. 

Fiat lux! Que se faça luz na escuridão.

Axel Grael
Engenheiro Florestal

Secretário Executivo
Prefeitura de Niterói





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Bienvenida, Década de las Naciones Unidas para la Restauración de los Ecosistemas 2021-2030

Las Naciones Unidas han emitido un histórico “llamado a la acción” para movilizar el apoyo político y financiero necesario para restaurar los ecosistemas degradados y deforestados del planeta en la próxima década, y así impulsar el bienestar de 3.200 millones de personas en todo el mundo. Más de 2 mil millones de hectáreas, un área más grande que el continente sudamericano, podrán ser restauradas gracias a esta iniciativa.

La Década de las Naciones Unidas para la Restauración de Ecosistemas, aprobada por la Asamblea General el 1 de marzo, se extenderá desde 2021 hasta 2030 y promoverá la ampliación de los trabajos de restauración para abordar la grave degradación de los paisajes, incluidos los humedales y los ecosistemas acuáticos en todo el mundo.

Se espera que la Década lleve las acciones de restauración de los paisajes a la cima de las agendas nacionales, en base a la creciente demanda pública de acción en temas como el cambio climático, la pérdida de biodiversidad y los impactos resultantes sobre las economías y los medios de vida.

“Creo que hay muchas estrellas que se están alineando ahora”, dijo Tim Christophersen, jefe de la Subdivisión de Agua, Tierras y Clima de ONU Medioambiente, quien se desempeña como presidente de la Asociación Global sobre Restauración del Paisaje Forestal, en una entrevista con Landscape News.

“Tenemos que conservar lo que queda, detener el sangrado, pero también darle a la paciente Tierra una transfusión de sangre”, dijo.

“Estas cosas tienen que ir en paralelo. Hay una comprensión más clara de eso ahora, y el amplio movimiento para la restauración tiene muchos años de experiencia”, agregó.

ONU Medioambiente trabajará con la Organización de las Naciones Unidas para la la Alimentación y la Agricultura (FAO) en la dirección de la implementación de la Década.

La idea de la Década surgió a partir de una propuesta de El Salvador, un líder latinoamericano de los esfuerzos ambientales, a fin de unificar recursos globales y dedicar 10 años a promover acciones de restauración. Durante un evento clave como parte de las actividades del Desafío Bonn en marzo de 2018 en Foz de Iguazú, Brasil, el Ministerio de Medio Ambiente y Recursos Naturales de El Salvador (MARN) instó a la comunidad internacional a apoyar la idea de una década dedicada a la restauración de los paisajes.

El MARN, junto con el ex director de ONU Medioambiente, Erik Solheim, continuó promoviendo la adopción de la Década en otro evento GLF en Nairobi en agosto 2018, un preludio directo a la propuesta de la Década que se hiciera pública en septiembre pasado en la Asamblea General de la ONU en Nueva York.

Se estima que la degradación de la tierra le cuesta a la economía mundial entre USD 2 y 4,5 mil millones cada año, mientras que los beneficios económicos de los esfuerzos de restauración podrían alcanzar anualmente un estimado de USD 84 mil millones. Cada año, al menos 7 millones de hectáreas de paisajes forestales tropicales desaparecen o son degradados, lo que pone en riesgo los medios de vida, la biodiversidad y la seguridad alimentaria, al tiempo que exacerba el cambio climático, los conflictos sociales y la migración humana.

La Década también tiene como objetivo restaurar las zonas costeras y humedales, ecosistemas que han ido disminuyendo incluso más rápidamente que los ecosistemas terrestres. Se proyecta que los arrecifes de coral disminuirán en un 70 a 90 por ciento más, con un aumento de 1.5 grados Celsius de la temperatura global, con graves efectos para la biodiversidad, la economía global y la atmósfera.

“Esta es una gran oportunidad para generar impulso y voluntad política, conciencia, y capacidad técnica en todos los niveles”, dijo Christophersen. “Y creo que estamos listos, porque existe un movimiento muy amplio de restauración que tiene muchos años de experiencia. Estamos listos para escalar”.

Un mayor financiamiento podría implementar y ampliar los proyectos de restaurar ecosistemas, revertir la degradación de los suelos y la pérdida de la biodiversidad, así como afianzar los esfuerzos a nivel nacional para cumplir con los objetivos de la Agenda 2030 para el Desarrollo Sostenible y los Objetivos de Desarrollo Sostenible (ODS).

“La degradación de nuestros ecosistemas ha tenido un impacto devastador tanto en las personas como en el medio ambiente”, dijo Joyce Msuya, directora ejecutiva interina de ONU Medioambiente en un comunicado de prensa. “Estamos entusiasmados de que el impulso para restaurar nuestro entorno natural haya ido ganando espacio, porque la naturaleza es nuestra mejor alternativa para enfrentar el cambio climático y asegurar el futuro”.

La Década para la restauración acelerará los objetivos ya existentes, como el Desafío de Bonn, que apunta a restaurar 350 millones de hectáreas de ecosistemas degradados para 2030, por un valor estimado USD 800 mil millones. Hasta la fecha, unos 57 países, gobiernos subnacionales y organizaciones privadas se han comprometido a restaurar más de 170 millones de hectáreas, en base a esfuerzos regionales como la Iniciativa 20×20 en América Latina y la AFR100 para la restauración del paisaje forestal africano, cuya meta es restaurar 100 millones de hectáreas de tierras degradadas para 2030.

La restauración de 350 millones de hectáreas de tierra degradada para 2030 podría generar USD 9 mil millones en servicios ecosistémicos y eliminar de la atmósfera entre 13 y 26 gigatoneladas de gases de efecto invernadero, algo fundamental para los medios de vida y el bienestar humano, agregó José Graziano da Silva, director general de la FAO.

“Nuestros sistemas alimentarios globales y los medios de vida de miles de millones de personas dependen de que todos trabajemos juntos para restaurar ecosistemas sanos y sostenibles para hoy y para el futuro”, dijo.

La restauración de los ecosistemas también es fundamental para lograr los Objetivos de Desarrollo Sostenible, en particular el referido al cambio climático, la erradicación de la pobreza, la seguridad alimentaria, el agua y la conservación de la biodiversidad.

“Creemos que todos los países, de alguna manera, están preparados para dar un gran salto en la restauración”, dijo Lina Pohl, ministra de medio ambiente y recursos naturales de El Salvador.

“Esto no se puede lograr en solo un año. No puedes restaurar un país en un año. Por eso se necesita un esfuerzo coordinado durante una década”, destacó.

Para leer:

Nota Conceptual de la Década de las Naciones Unidas para la Restauración de Ecosistemas 2021-2030

Jefe de ONU Medio Ambiente respalda propuesta de Década de la ONU para la Restauración de los Ecosistemas

Países miembros de la Iniciativa 20 × 20 piden tener un mejor acceso a fondos climáticos y financiamiento privado para la restauración de tierras

Los delegados del Brasil del Desafío de Bonn evalúan los esfuerzos de restauración forestal en todo el mundo


Fonte: Global Landscapes Forum




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Referências

The Bonn Challenge











domingo, 10 de agosto de 2014

Telhados verdes. Solução também para produzir energia


Techos verdes para ahorrar energia



Cada vez más se ven edificios con “techos verdes”. La tendencia a utilizar la cubierta como un jardín está en auge porque ofrece múltiples ventajas desde el punto de vista paisajístico y de la sostenibilidad del edifício.

Según el estudio holandés “Groen boven alles, Energiebesparingsmonitor” Un techo verde reduce la temperatura con respecto a un techo plano convencional hasta un máximo de 21º, garantizando un aislamiento óptimo tanto en la temporada invernal como en el verano, y una reducción considerable en el uso de los aparatos de climatización. Este estudio calcula que para una oficina de dimensión media hay un consumo anual de 1.250 MJ (Mega Joule)porl m2, de los cuales 583 MJ son para la climatización. Con un techo verde se puede llegar a ahorrar un 23% del consumo de calefacción y un 75% de refrigeración, con un balance anual positivo de 150MJ, que corresponden, por ejemplo, a 4.400m3 de gas.

El estudio sigue analizando una vivienda unifamiliar, en Holanda, donde el consumo por refrigeración representa solamente un 10% de las necesidades energéticas anuales, y, por lo tanto, no se ha computado. Sin embargo el consumo debido a sistemas de calefacción se ha calculado en 26.364 MJ, y la presencia de un techo verde ha conseguido reducir en un 23% esta partida. Con los precios actuales de la energía podemos valorar en más de 100€ el ahorro anual.



Protección de la radiación solar y de la lluvia y reducción de la variación de temperatura.

A lo largo de un año se pueden producir variaciones de temperatura de más de 50º. Esta excursión térmica genera un desgaste importante en las láminas impermeabilizantes de las cubiertas. El “sándwich” que compone el techo verde se pone por encima de estas láminas, protegiéndolas y alargando hasta tres veces su vida.

Valorización del edificio.

La clara tendencia del mercado en apreciar la sostenibilidad de la construcción y el bajo impacto ambiental y visual de los edificios se traduce en un mayor valor inmobiliario.




Retención de las aguas de lluvia y menor carga sobre el sistema de alcantarillado.

Se ha calculado que un techo verde puede llegar a absorber hasta un 54% de la aguas de lluvia en la temporada de invierno y un 70% en la de verano. En varios países se están concediendo ayudas económicas o ventajas fiscales para quienes demuestren reducir la carga sobre el alcantarillado urbano.

Amortización de la inversión.

Se calcula que la amortización sobre el coste de la instalación de un techo verde se produce en entre los 10 y los 20 años. Un techo convencional tiene que ser sustituido cada 20 años, aproximadamente, mientras que un sistema con techo verde puede durar hasta 50 años.

Fuente original: http://www.innovaticias.com/

Fonte: ECOticias

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 Veja também o Plano Paisagístico de Berlin.




sexta-feira, 8 de setembro de 2017

PARQUES: Áreas Protegidas municipais fazem parte do planejamento urbano



O Reserva do Bugio, entre Curitiba, Araucária e Fazenda Rio Grande, é a maior UC intermunicipal do país localizada em área urbana. Foto: Jaelson Lucas/Prefeitura de Curitiba.



Erika Guimarães, Luiz Paulo Pinto e Mônica Fonseca*
Erika Guimarães é gerente de Áreas Protegidas da Fundação SOS Mata Atlântica;
Luiz Paulo Pinto é biólogo e consultor da organização;
Marcia Hirota é diretora-executiva da Fundação.



As Unidades de Conservação (UCs) municipais da Mata Atlântica representam 41% do número e cerca de 22,6% da área total dos espaços protegidos oficialmente nos diferentes níveis político-administrativos do bioma, como mostra recente estudo publicado pela Fundação SOS Mata Atlântica. Mesmo pouco conhecida e valorizada, a contribuição das UCs municipais demonstra grande potencial de dar capilaridade às ações de conservação necessárias para o enfrentamento dos desafios de gestão em um bioma rico em biodiversidade, biologicamente heterogêneo, socioeconomicamente complexo e altamente antropizado, com é o caso da Mata Atlântica.

São múltiplos os fatores que tem motivado as prefeituras na iniciativa de reservar espaços protegidos em seus territórios. O estudo identificou seis fatores predominantes: a proteção de remanescentes da vegetação nativa e da paisagem natural em geral; uso público, com a promoção de lazer, recreação, turismo e ecoturismo; educação ambiental, proporcionando contato com a natureza e interpretação ambiental; atividades de pesquisa sobre a biodiversidade e/ou aspectos socioeconômicos; proteção de espécies raras, endêmicas e ameaçadas da fauna e flora nativa; e proteção de recursos hídricos como bacias, mananciais, rios e outros cursos d’água, principalmente para o abastecimento das cidades.

A criação de UCs municipais vem ocorrendo desde a década de 1960, mas a partir dos anos 1990 foi possível perceber um grande salto nesse processo, a partir da constituição do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços com critérios ambientais, o ICMS Ecológico, nos estados do Paraná e Minas Gerais. A conservação da biodiversidade através das UCs passou a ser um critério de repasse dos recursos financeiros desse tributo aos municípios. Com isto, nos primeiros quatro anos de implementação do ICMS Ecológico do Paraná, por exemplo, mais que duplicou o número e aumentou 18 vezes a área de UCs municipais em relação aos anos anteriores.

As UCs municipais também representam uma ferramenta relevante para influenciar o uso e ocupação dos territórios nos municípios ao constituírem um elemento importante para a dinâmica socioeconômica da paisagem local. Cerca de 40% dos municípios da Mata Atlântica avaliados possuem 17% ou mais do seu território coberto por UCs municipais. Esses números não consideram a possível sobreposição entre as diversas UCs, mas mostram uma tendência importante e a necessidade de avaliar a cobertura e inserção dos espaços protegidos no âmbito local. Os espaços protegidos contribuem para o ordenamento territorial, oferecem oportunidades para a instalação de empreendimentos sustentáveis, promovem o acesso a recursos naturais e o contato com a natureza, proporcionando bem-estar social e o acesso a serviços ambientais para diferentes propósitos.

“O estudo registrou a formação de corredores ecológicos, criação conjunta de UCs municipais, participação em mosaicos de UCs, e formação de consórcios intermunicipais para a união de esforços e busca de soluções conjuntas capazes de fortalecer a rede de proteção local”.



A inserção efetiva das UCs municipais nas estratégias de conservação da biodiversidade e nos processos de desenvolvimento territorial sustentável tem demandado dos municípios uma atuação em diferentes escalas, que vão desde as articulações institucionais até os mecanismos de mobilização e participação social. Para isso, parcerias são essenciais, seja com os diferentes setores do governo municipal, com outros setores da sociedade, ou pela integração com municípios vizinhos e órgãos estaduais e federais, criando mecanismos e opções para a boa gestão e governança das UCs. O estudo registrou a formação de corredores ecológicos, criação conjunta de UCs municipais, participação em mosaicos de UCs, e formação de consórcios intermunicipais para a união de esforços e busca de soluções conjuntas capazes de fortalecer a rede de proteção local. A participação do setor privado nos esforços de conservação por meio da criação das Reservas Particulares do Patrimônio Natural, as RPPNs, agora também já reconhecidas na esfera municipal, é também uma das formas de articulação que temos visto fortalecida.

Um exemplo interessante é a criação de uma área protegida na Região Metropolitana de Curitiba (PR). As prefeituras de Curitiba, Araucária e Fazenda Rio Grande se uniram para criar, em 2015, a Reserva do Bugio ou Refúgio do Bugio, maior UC intermunicipal do país localizada em área urbana. São 1.765,02 hectares (ha) protegidos ao longo dos rios Barigui e Iguaçu na confluência entre os três municípios e divididos em três Refúgios de Vida Silvestre Municipais: REVIS do Bugio (827,80 ha), em Curitiba; REVIS Rio Iguaçu-Foz do Barigui (334,22 ha), em Araucária; e REVIS Foz do Rio Maurício-Rio Iguaçu (603 ha), em Fazenda Rio Grande. A expectativa das prefeituras é a de que a unidade contribua para a melhoraria da qualidade das águas e na diminuição do impacto das enchentes, além da proteção da biodiversidade local.

Alguns municípios, como João Pessoa (PB), Recife (PE), Salvador (BA), Linhares (ES), Extrema (MG), Sorocaba (SP), Curitiba (PR) e Cristal (RS), possuem Sistemas Municipais de Unidades de Conservação (SMUC), que, em geral, seguem diretrizes do sistema nacional, com adequações que atendem especificidades locais. Esses sistemas podem ser utilizados como modelo para os municípios que estão organizando e estruturando seus SMUCs, que é o caso de Belo Horizonte e Rio de Janeiro. O SMUC é um importante instrumento para integração do Fundo Municipal de Meio Ambiente, do Conselho Municipal de Meio Ambiente e dos demais mecanismos da estrutura ambiental dos municípios. Muitos desses sistemas trazem ainda em seu arcabouço uma legislação especifica para reconhecimento das RRPPNs e, assim, passam a atuar ativamente na criação, gestão e manejo dessas reservas. Hoje, no Brasil, já identificamos pelo menos 17 municípios que tem legislação específica para reconhecimento dessa categoria.

“Os PMMAs, ao serem elaborados, apontam nos municípios as florestas naturais, áreas prioritárias para a conservação e que, portanto, devem ser manejadas e protegidas ou recuperadas”.


As UCs municipais são também componentes essenciais nos Planos Municipais da Mata Atlântica (PMMA), previstos na Lei da Mata Atlântica (Lei nº 11.428, de 2006). Os PMMAs, ao serem elaborados, apontam nos municípios as florestas naturais, áreas prioritárias para a conservação e que, portanto, devem ser manejadas e protegidas ou recuperadas. Esse mecanismo, se vinculado ao Plano Diretor do município, pode colaborar com as estratégias de zoneamento e ordenamento do solo, tendo as UCs municipais como uma das principais medidas para a proteção do patrimônio ambiental nas cidades e como âncoras da infraestrutura verde do município, que englobam todas áreas naturais e áreas verdes urbanas de um determinado território.

Em uma amostragem de 720 UCs municipais registradas no estudo, que apresentam informações sobre sua localização, foi possível verificar que a maioria das UCs municipais está situada na malha urbana (278; 38,6%) ou em áreas periurbanas (129; 17,9%), na circunvizinhança das cidades ou de núcleos urbanos. Isso significa que 56,5% das UCs municipais da Mata Atlântica estão sob a influência dos centros urbanos e mais próximas das pessoas. Isso reforça ainda mais a importância dessas áreas para a qualidade de vida nas cidades.


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720 UCs municipais registradas no estudo, que apresentam informações sobre sua localização, foi possível verificar que a maioria das UCs municipais está situada em:
  • malha urbana (278; 38,6%)
  • áreas periurbanas (129; 17,9%), na circunvizinhança das cidades ou de núcleos urbanos.
Isso significa que 56,5% das UCs municipais da Mata Atlântica estão sob a influência dos centros urbanos e mais próximas das pessoas.

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O crescente processo de urbanização na Mata Atlântica tem afetado a biodiversidade e a oferta de serviços ambientais vitais para as populações que vivem nas cidades. Desse modo, todo e qualquer esforço na proteção das florestas urbanas remanescentes e de toda infraestrutura verde nos municípios deve ser valorizado, além de ser complementar aos esforços de conservação dos governos estaduais e federal. A infraestrutura verde é sem dúvida um elemento essencial para enfrentar os enormes desafios da vida urbana, como os desastres naturais (ex.: enchentes, deslizamentos de morros etc.), ondas de calor, proliferação de doenças contagiosas, abastecimento de água, espaços para o lazer e recreação, além de contribuírem para o enfrentamento às mudanças do clima.

Soma-se a isso o fato de que cerca de 80% dos remanescentes florestais da Mata Atlântica estão em propriedades privadas. Nesse contexto, o papel de empresas e cidadãos proprietários de terras e imóveis é extremamente relevante e deve ser incentivado e valorizado, trazendo destaque ainda maior para as unidades de conservação privadas.

Todos esses elementos devem ser trabalhados no planejamento e o desenho apropriado para a integração entre a malha urbana e os ambientes naturais e seus serviços ambientais serão essenciais para garantir o bem-estar da população e a sustentabilidade dos municípios. Nesse contexto, a contribuição dos municípios na proteção desses remanescentes no ordenamento territorial local ganha mais importância, o que coloca em evidência ainda maior a necessidade de entendimento desse complexo sistema socioambiental envolvendo centros urbanos, UCs e áreas verdes em geral.

*Este conteúdo é baseado no estudo “Unidades de Conservação Municipais da Mata Atlântica”, publicado pela Fundação em julho deste ano – conheça o relatório completo.

Fonte: O Eco



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LEIA TAMBÉM:

PARQUES DE NITERÓI: Desafios para unidades de conservação no contexto metropolitano









terça-feira, 31 de maio de 2016

Universidades e empresas espanholas desenvolvem redes de sensores para combater incêndios florestais



COMENTÁRIO DE AXEL GRAEL:

Desde o início da atual gestão da Prefeitura de Niterói, está se estruturando um sistema de prevenção e combate a incêndios em vegetação. Implantou-se o programa Niterói Contra Queimadas, que vem tendo sucesso na prevenção e resposta rápida contra os focos de incêndio.

O programa Niterói Contra as Queimadas, pioneiro no estado do Rio de Janeiro e provavelmente no país, desenvolve as seguintes ações:
  • RAS QUEIMADAS: Assinatura de convênio com o Corpo de Bombeiros para a remuneração de profissionais da corporação (RAS: Regime Adicional de Serviço) para um plantão permanente e 24 horas para a prevenção e resposta a incêndios florestais.
  • VOLUNTÁRIOS CONTRA QUEIMADAS: a Defesa Civil de Niterói já capacitou duas turmas de voluntários para dar suporte às ações preventivas, educativas e de suporte ao trabalho dos profissionais da Defesa Civil e Corpo de Bombeiros no combate a incêndios em vegetação.
  • AÇÕES EDUCATIVAS NAS COMUNIDADES: através da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade e da Defesa Civil, ações de educação e esclarecimento sobre os riscos das queimadas à saúde, ao meio ambiente e as implicações legais de quem causar o fogo.
  • AÇÕES COERCITIVAS: salvo raríssimas exceções, queimadas são sempre causadas por ação humana, seja por acidente ou por intenção (leia o texto Queimadas: mitos e verdades). E é importante ressaltar que queimadas são consideradas crimes ambientais e a legislação prevê punições para quem as causa. Por este motivo, nas regiões de focos de incêndios mais recorrentes os moradores da proximidade serão notificados quanto às consequências dos incêndios e, quando os responsáveis por incêndios forem identificados serão tomadas as medidas legais cabíveis.
  • INVESTIGAÇÃO DE RESPONSABILIDADES: através de denúncias às autoridades policiais especializadas (Delegacia do Meio Ambiente), a Prefeitura tem buscado identificar responsáveis por incêndios que causem danos à vegetação e coloquem em risco a saúde e o patrimônio público e particular.
  • MONITORAMENTO DOS DANOS CAUSADOS POR QUEIMADAS: implantação de um sistema de monitoramento e avaliação do dano por fogo na vegetação de Niterói. Através deste trabalho é possível identificar os pontos mais prováveis de início de incêndios, facilitando o trabalho de identificação de responsabilidades.
  • PLANO DE CONTINGÊNCIA PARA INCÊNDIO EM VEGETAÇÃO: assim como foi providenciado para emergências causadas pelas chuvas (casos de deslizamento de encostas e inundação), a Defesa Civil de Niterói está concluindo o Plano específico para queimadas, estabelecendo em conjunto com outros órgãos da administração municipal e outros órgãos parceiros (Exemplo: Defesa Civil Estadual, Corpo de Bombeiros, INEA), uma matriz de responsabilidades para que todos saibam como proceder em casos de incêndio em vegetação e que recursos deverão colocar a disposição.
Além de prevenir e combater as queimadas, a principal causa de perda dos ecossistemas naturais na cidade de Niterói, a Prefeitura estruturou o programa Niterói Mais Verde, com o objetivo de proteger as áreas verdes da cidade, implantando unidades de conservação e promovendo o ecoturismo a visitação destas áreas pela população de Niterói.

Outra medida importante da Prefeitura, foi a contratação de um serviço especializado para implantar o Cadastro Técnico Multifinalitário. Através do mesmo contrato, será implantado um sistema de monitoramento permanente dos riscos de incêndio em vegetação, de identificação de focos e de avaliação de danos causados pelo fogo.

Neste caso, a experiência desenvolvida pelos espanhóis, objeto da matéria abaixo, nos interessa.

Por uma Niterói mais verde!

Axel Grael
Vice-prefeito
Niterói


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Una red de sensores contra los incendios forestales

Un equipo de la Universidad Politécnica de Madrid ha diseñado una red inalámbrica de sensores para la prevención y extinción de incendios forestales. La iniciativa forma parte de un proyecto que está desarrollando un sistema multidisciplinar que integrará datos captados por diferentes fuentes como satélites, medios aéreos y sensores terrestres, con el fin de mejorar las gestión de estos siniestros.


Red terrena desplegada durante una jornada de pruebas en la Sierra de Mariola. / Álvaro Araújo.


El grupo B105 Electronic Systems Lab, de la Universidad Politécnica de Madrid (UPM), ha participado en un proyecto de investigación cuyo objetivo es mejorar la conservación de los bosques mediante tecnologías que permitan reducir al mínimo el riesgo de incendios forestales y mitigar los daños al medio ambiente en caso de que se produzcan.

Los incendios forestales son uno de los principales problemas medioambientales en España. En 2015 se produjeron casi 12.000 incendios, que quemaron más de 100.000 hectáreas, según datos del Ministerio de Agricultura, Alimentación y Medio Ambiente.

Ahora el equipo de la UPM ha desarrollado una red de sensores inalámbricos capaz de medir variables ambientales y proporcionar datos en tiempo real, por lo que pueden resultar muy útiles a los organismos encargados de combatir los incendios. Los resultados del trabajo se han publicado en la revista Journal of Sensors

La iniciativa se enmarca en el proyecto PROMETEO, cuyo objetivo ha sido desarrollar un sistema multidisciplinar que integre datos captados por diferentes fuentes -satélites, medios aéreos y sensores terrestres- que permita optimizar las labores de prevención y extinción de los incendios forestales.

Una vez desplegados en el terreno, los nodos forman automáticamente una red que encamina las medidas y mensajes de forma inalámbrica hacia un nodo central. Este nodo central, tras agregar la información procedente de todos los sensores, la envía hacia el centro de control. En el centro de control se añade la información del terreno a la procedente de otras fuentes, como imágenes por satélite, datos climatológicos históricos, modelos del terreno y del comportamiento del fuego, etc.

La iniciativa forma parte de un proyecto para desarrollar un sistema multidisciplinar que integre datos de satélites, medios aéreos y sensores terrestres

Consorcio de universidades y empresas

Esta información agregada puede ser utilizada en dos etapas diferentes por los organismos encargados de combatir los incendios. En primer lugar, en la fase de prevención, permite conocer qué lugares presentan una mayor probabilidad de incendio.

Con estos datos se pueden tomar medidas para evitar su aparición además de realimentar los modelos del terreno con datos actualizados. Si, a pesar de estas acciones se produce un incendio, la información proporcionada por el sistema resulta de gran ayuda en la fase de extinción, ya que aporta datos en tiempo real sobre el avance del fuego. Esto hace que las labores de extinción resulten más eficientes y a la vez sean más seguras para las brigadas desplegadas sobre el terreno.

En PROMETEO, impulsado por el Centro de Desarrollo Tecnológico Industrial (CDTI) ha participado un consorcio formado por quince empresas de distintas disciplinas y otros tantos organismos públicos de investigación de varias universidades españolas. El grupo B105 Electronic Systems Lab, de la ETSI Telecomunicación de la UPM, junto con el grupo GIICA de la Universidad Politécnica de Valencia y la empresa ISDEFE, que se ha encargado de la tarea de desarrollar una red terrena de sensores.

Esta red está formada por nodos sensores de muy bajo consumo y tamaño capaces de medir variables ambientales como la temperatura, la humedad del terreno, y la dirección y velocidad del viento. A su vez, están dotados de un pequeño procesador y una interfaz inalámbrica por la que transmitir sus mediciones.

Referencia bibliográfica:
Antonio Molina-Pico, David Cuesta-Frau, Alvaro Araujo, Javier Alejandre, and Alba Rozas. "Forest Monitoring and Wildland Early Fire Detection by a Hierarchical Wireless Sensor Network". Journal of Sensors, 2016, doi:10.1155/2016/8325845


Fonte: Agência SINC



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QUEIMADAS: MITOS E VERDADES

NITERÓI CONTRA QUEIMADAS: Trabalho de campo noturno no Morro da Boa Vista para a capacitação dos voluntários do NUDEC Queimadas
NITEROI CONTRA QUEIMADAS: Programa de reflorestamento da Clin contribui para recuperar áreas degradadas por queimadas em Niterói
NITERÓI CONTRA AS QUEIMADAS: O QUE SE PERDE CADA VEZ QUE O FOGO DESTRÓI AS NOSSAS FLORESTAS?
ALERTA: Niterói está com alto risco de incêndio em vegetação. Soltar balão e praticar queimadas é crime!
NITERÓI RESILIENTE - NUDEC QUEIMADAS: Voluntários contra queimadas

Cadastro Técnico Multifinalitário

CADASTRO TÉCNICO MULTIFINALITÁRIO: Prefeitura terá informações georreferenciadas centralizadas em banco de dados

Outros

FABRICAR E SOLTAR BALÃO É CRIME: Ação contra balões é intensificada
COMBATE ÀS QUEIMADAS: Governo do Estado do RJ passará a contar com aeronave específica para combate a incêndios florestais