Desde a década de 1980, como parte da minha militância ambientalista, defendi a implantação de ciclovias em Niterói. Só consegui êxito décadas depois. Em 2012, na campanha eleitoral para a Prefeitura de Niterói, quando fui candidato a vice-prefeito, na chapa que tinha Rodrigo Neves como candidato a prefeito, defendi mais uma vez que a cidade deveria ter ciclovias, como uma das suas principais iniciativas pela sustentabilidade e para o enfrentamento dos seus problemas no trânsito.
Em janeiro de 2013, nos primeiros dias de gestão, já anunciávamos a criação do programa Niterói de Bicicleta, que passei a liderar desde então. Passados 13 anos do início da iniciativa, Niterói agora possui 100 km de ciclovias, conta com as três ciclovias mais movimentadas do Brasil (nas avenidas Marquês do Paraná, Roberto Silveira e Amaral Peixoto), além de ter a maior proporção de mulheres e de idosos pedalando. Niterói é hoje uma referência nacional para a política cicloviária. Na minha gestão como prefeito de Niterói, mais do que dobramos a malha cicloviária da cidade, fizemos com que chegasse à Zona Norte da cidade e à Região Oceânica, onde implantamos mais de 60 km de ciclovias. Também criei a Coordenadoria do Niterói de Bicicleta - que deu ao programa independência administrativa, e implantamos as Roxinhas (NitBike) - o sistema de bicicletas compartilhadas de Niterói.
Agora, esse esforço é reconhecido também pelo Índice Copenhagenize, que mostra Niterói como uma das melhores cidades do mundo na implementação de políticas para o transporte ativo por bicicleta.
Conforme os dados da avaliação, Niterói (43° do ranking, logo após Barcelona, que ocupa o 42° lugar) posiciona-se à frente de cidades como: Minneapolis, EUA (44° lugar), Tampere, Finlândia (45°), Glasgow, Escócia (46°), Wellington, Nova Zelândia (47°), Fukuoka, Japão (48°), Bogotá, Colômbia (51°), São Francisco, California, EUA (54°), Seul, Coreia do Sul (58°), Fortaleza, Brasil (69°), Tóquio, Japão (72°), Guadalajara, México (73°), Buenos Aires (74°), Dubai, EAU (85°), Curitiba, Brasil (92°) e Rio de Janeiro (93°).
--------------------------------------------------------------------------
Niterói conquistou o primeiro lugar na América Latina no ranking das cidades mais amigas da bicicleta do mundo, elaborado pela consultoria internacional Copenhagenize Design Company, em conjunto com o Instituto de Tecnologia e Inovação da União Europeia (EIT). O órgão é considerado o mais prestigiado levantamento mundial sobre políticas públicas de ciclomobilidade.
O prefeito Rodrigo Neves comemorou o reconhecimento nesta quarta-feira (18), acompanhado do coordenador do Niterói de Bicicleta, Filipe Simões, e do consultor ambiental e climático da Prefeitura de Niterói, Axel Grael. Desde 2013, a cidade saiu de 20 quilômetros de infraestrutura cicloviária para cerca de 100 quilômetros distribuídos por diferentes regiões da cidade — um aumento de 4,55 vezes em relação à malha cicloviária original. O levantamento avalia cidades de todo o mundo com base em critérios como infraestrutura cicloviária, segurança viária, políticas públicas e integração com o transporte público.
“A conquista internacional é resultado de um processo que iniciamos já em 2013, com a criação do programa Niterói de Bicicleta, que estruturou políticas públicas voltadas para a mobilidade ativa e para a transformação urbana. Hoje temos uma Niterói cada vez mais saudável e sustentável, amiga da bicicleta”, afirmou Rodrigo Neves.
Um dos marcos dessa política foi justamente a implantação do bicicletário na Praça Arariboia, ao lado da estação das barcas, onde antes funcionava um estacionamento para cerca de 25 carros. No local, a Prefeitura construiu o Bicicletário Arariboia, o primeiro equipamento desse tipo na Região Metropolitana do Rio, que hoje atende mais de 20 mil usuários cadastrados e se tornou referência nacional na integração entre transporte público e bicicleta.
O coordenador do Niterói de Bicicleta, Felipe Simões, ressaltou que o reconhecimento internacional demonstra que políticas públicas bem planejadas podem transformar as cidades.
“Esses investimentos dos últimos anos foram fundamentais para posicionar Niterói nesse que é o principal ranking de cidades amigas da bicicleta do mundo. Essa conquista mostra que é possível, com boa gestão, planejamento e diálogo com a população, transformar a cidade em um lugar mais saudável, sustentável e melhor para se viver”, destacou.
Além da expansão da malha cicloviária, a cidade investe continuamente na manutenção da infraestrutura, na educação para o trânsito e na ampliação do sistema de bicicletas compartilhadas. O serviço de bikes públicas já ultrapassa 150 mil usuários cadastrados e está presente em diferentes regiões do município.
“Há alguns anos, muita gente não acreditava no potencial da bicicleta como meio de transporte na cidade, mas hoje vemos cada vez mais pessoas ocupando as ciclovias e utilizando espaços como esse bicicletário, sempre cheio. É por isso que a gente recebe prêmios como esse e segue incentivando cada vez mais gente a escolher a bicicleta em Niterói”, analisou o consultor ambiental e climático da Prefeitura de Niterói, Axel Grael.
Outro diferencial apontado por especialistas é a governança da política cicloviária em Niterói, que conta com equipe técnica dedicada exclusivamente ao tema e planejamento integrado entre mobilidade, urbanismo e sustentabilidade. O modelo tem atraído gestores de diversas cidades brasileiras interessados em conhecer a experiência da cidade.
------------------------------------------------------------
Ciclovias de Niterói batem 'concorrente' paulista e são as mais movimentadas do Brasil; conheça outros modelos de micromobilidade
COPENHAGUE: como a bicicleta chegou a 2/3 dos deslocamentos da população da cidade
Mais um domingo de agradável pedalada no Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis - POP
A Geração Z não se interessa por automóveis: prenúncio de um futuro sem carros?
Orla Viva e a busca de valorização dos espaços públicos para o lazer
NOVAS REGRAS NAS CICLOVIAS ENTRAM EM VIGOR HOJE: veja o que muda

A experiência de Niterói é particularmente interessante porque evidencia um ponto que, muitas vezes, passa despercebido no debate público: mais do que a extensão da malha cicloviária, o que efetivamente diferencia uma política bem-sucedida é a sua capacidade de formar rede.
ResponderExcluirRecentemente, uma reportagem do G1 Poderia analisar esta matéria acessível em https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/bom-dia-rio/noticia/2026/04/03/ciclovias-desconectadas-no-rio-obrigam-ciclistas-a-dividir-espaco-com-carros.ghtml chamou a atenção para um problema recorrente em outras grandes cidades brasileiras, como o Rio de Janeiro: a existência de ciclovias desconectadas, que terminam abruptamente e acabam por transferir ao ciclista o risco da descontinuidade. Esse tipo de fragmentação revela como a infraestrutura, quando não concebida de forma sistêmica, pode perder grande parte de sua utilidade prática.
Nesse contexto, o caso de Niterói se destaca justamente por apontar um caminho distinto. A consolidação de uma política contínua, com expansão territorial e integração progressiva dos trechos, sugere uma compreensão mais madura da mobilidade ativa — não como elemento acessório, mas como componente efetivo do sistema urbano.
Mais do que um reconhecimento pontual em rankings internacionais, trata-se de um exemplo relevante de como o planejamento local, quando consistente ao longo do tempo, pode produzir resultados concretos e replicáveis. É uma referência que tende a enriquecer o debate e a inspirar outros municípios que enfrentam desafios semelhantes.
Parabéns pela iniciativa e pelo trabalho desenvolvido — que contribui não apenas para a mobilidade urbana, mas para a qualificação do próprio debate público sobre o tema.