quarta-feira, 26 de julho de 2017

Terceiro Setor emprega mais de 2 milhões de pessoas no Brasil






Saiba qual o perfil desses profissionais e os desafios de trabalhar na área social

O Terceiro Setor é composto por organizações não governamentais, sem fins lucrativos e que prestam serviços de caráter público. Atualmente, são cerca de 400 mil Organizações da Sociedade Civil (OSCs) no país, realizando trabalhos direcionados a diversas áreas, como educação, saúde e meio ambiente. Para comparar com o exterior, os Estados Unidos têm mais de 800 mil organizações de interesse social.

"...são cerca de 400 mil Organizações da Sociedade Civil (OSCs) no país, realizando trabalhos direcionados a diversas áreas, como educação, saúde e meio ambiente".

Apesar de o Brasil ter muito menos instituições do Terceiro Setor, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2007 o Terceiro Setor teve participação oficial de 1,4% na formação do Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB). Além disso, de acordo com o Mapa das Organizações da Sociedade Civil, mais de 2 milhões de pessoas estão empregadas no Terceiro Setor.

"...em 2007 o Terceiro Setor teve participação oficial de 1,4% na formação do Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB)"

Perfil do trabalhador no Terceiro Setor

O Terceiro Setor está crescendo no Brasil e, com isso, aumenta a necessidade de profissionais especializados para trabalharem nas organizações. Áreas de gestão, administração e contabilidade são fundamentais para garantir eficiência e credibilidade às atividades realizadas.

Uma pesquisa da Rede Filantropia desenvolvida entre os meses de novembro e dezembro de 2016 traçou o perfil do trabalhador do Terceiro Setor brasileiro. Foram 13 perguntas disparadas para cerca de 40 mil contatos da Rede. Ao todo, foram recebidas 394 respostas, o equivalente a 1% do total de questionários enviados.

O estudo mostra que 36% dos trabalhadores estão entre 46 e 60 anos de idade e 76% estão envolvidos no setor há mais de cinco anos. A formação acadêmica desses profissionais gira em torno de diversas áreas, sendo que as de mais destaque são: administração (18%), serviço social (16%), contabilidade (10,7%), comunicação e marketing (6,9%) e direito (6,3%).

"...36% dos trabalhadores estão entre 46 e 60 anos de idade e 76% estão envolvidos no setor há mais de cinco anos".
"A formação acadêmica desses profissionais (...): administração (18%), serviço social (16%), contabilidade (10,7%), comunicação e marketing (6,9%) e direito (6,3%)".

Mais da metade dos entrevistados disse ter ingressado no Terceiro Setor por uma oportunidade de trabalho (39,1%) ou por acreditarem que o trabalho ajudaria a tornar o mundo mais “justo” (32,2%). O terceiro motivo que mais aparece na entrada para o setor social é a relação com alguém na família que já fazia parte desse meio, com 7,6% das respostas.

A parte interessante é que mesmo sendo um setor sem fins lucrativos, está ocorrendo um maior reconhecimento dos profissionais, fazendo com que mais da metade dos profissionais seja remunerada (52,8%).

"...mesmo sendo um setor sem fins lucrativos, (...) mais da metade dos profissionais é remunerada (52,8%)".

“Quem não é do Terceiro Setor não conhece a dimensão desse universo; as pessoas não entendem a questão de ser organização social e ser remunerado pelo seu trabalho; ou seja, não conhecem a importância desse setor”, afirma Thaís Iannarelli, diretora executiva do Instituto Filantropia.

Desafios

A área trabalhista do Terceiro Setor ainda tem alguns impasses a serem combatidos. O trabalho informal e a falta de profissionalização são alguns dos problemas mais recorrentes. Inclusive, algumas organizações ainda não cumprem com os direitos trabalhistas ou com o regime CLT.

“No Terceiro Setor há um descumprimento da CLT e de normas técnicas do Ministério do Trabalho”, explica Manoel Souza Neto, representante do Sindicato das Instituições Beneficentes, Religiosas e Filantrópicas de São Paulo (Seibref). “A qualidade do trabalho está ligada às questões de remuneração, normas técnicas, saúde, higiene e segurança do trabalhador e muitas organizações ainda não prestam atenção nesses quesitos”, conclui.

O tema terceirização também entra como um desafio na realidade das organizações de interesse social, pois ao contratar uma empresa que faça a parte contábil da OSC, por exemplo, muitas vezes há um distanciamento entre as duas áreas. “Muitas instituições terceirizam serviços de contabilidade, mas o contador precisa estar por dentro da organização, saber de tudo o que está acontecendo para que o trabalho seja bem feito, então há uma falha por conta desse distanciamento”, afirma Thaís Iannarelli.

Por que entrar para o Terceiro Setor?

Mais do que defender e lutar por uma causa, as pessoas que entram na área social buscam uma melhor relação com o trabalho. Correr o risco de ganhar um salário mais baixo muitas vezes vale a pena.

“O Terceiro Setor tem se legitimado, ajudando cada vez mais no cumprimento de políticas públicas; as organizações amadoras passaram a dar espaço para as instituições mais profissionais em termos de gestão, governança, mecanismos de captação de recursos e ferramentas de sustentabilidade; coisas que a gente não via há 5 anos”, disse Erika Spaldig, da BSLaw.

Com o contínuo crescimento do Terceiro Setor, construir um planejamento de carreira pode trazer boas garantias para um profissional, promovendo o bem-estar e a valorização do seu trabalho.

As organizações dependem de profissionais especializados. Sendo assim, há um maior reconhecimento daqueles que atuam na área administrativa, e também daqueles que têm uma profissão própria do setor, como captador de recursos e analistas de projetos sociais.

“O captador de recursos é um profissional muito próprio do Terceiro Setor, arrecadando fundos para causas e projetos sociais; é necessário desenvolver dentro das organizações uma estratégia profissionalizada de mobilização de recursos”, afirma João Paulo Vergueiro, diretor executivo da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR).

Mesmo que uma pessoa comece a trabalhar em alguma instituição de forma voluntária, há chances de um plano de carreira eficaz com garantias e bom salário. Tudo depende da dedicação, do interesse, da especialização e do profissionalismo de cada um. Além da forma como a organização é gerida.

Estas questões foram discutidas em um evento realizado pela Escola Aberta do Terceiro Setor e pela ABCR, no dia 12 de julho, no Conselho Regional de Contabilidade de São Paulo (CRC-SP). O primeiro seminário sobre o trabalhador no Terceiro Setor teve como objetivo debater as condições do trabalho dentro das organizações da sociedade civil e a regulamentação de carreiras específicas do setor.

Fonte: Observatório do Terceiro Setor




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