terça-feira, 31 de outubro de 2023

RENATURALIZAÇÃO DO RIO JACARÉ: Projeto pioneiro e inovador de restauração de um rio urbano avança em Niterói




Na quarta-feira, 25 de outubro, fiz mais uma vistoria nas obras de Renaturalização da Bacia do Rio Jacaré, na Região Oceânica da cidade, obra que faz parte do Programa Região Oceânica Sustentável - PRO Sustentável. A Prefeitura de Niterói avança em várias frentes de obras, que foram iniciadas em 2022. A previsão é de que as intervenções sejam finalizadas no segundo semestre de 2024.

A transformação do Jacaré num bairro sustentável não se limita ao enorme desafio de restauração do rio, mas inclui também uma série de ações com foco na urbanização e saneamento de várias comunidades ao longo da Estrada Frei Orlando. Além disso, construímos a unidade do Médico de Família, um prédio concebido com todas as técnicas de arquitetura sustentável. Temos ainda o Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis (POP Sirkis), que fica no entorno da lagoa onde o Rio Jacaré desemboca. 

O Rio Jacaré tem 5,9 km de extensão e é o principal rio da bacia da Lagoa de Piratininga e a sua recuperação, assim como a implantação do POP Sirkis, são indispensáveis para a despoluição da lagoa. 

O bairro do Jacaré conta com cerca de 7.000 habitantes.

Projeto inovador

Visitando a área da bacia do Rio Jacaré com especialistas internacionais e brasileiros para planejar o trabalho de renaturalização do Rio Jacaré.

A renaturalização do Rio Jacaré é uma das iniciativas mais desafiadoras do Programa Região Oceânica Sustentável - PRO Sustentável. É o primeiro projeto do tipo num rio urbano no país, portanto muito das técnicas utilizadas são experimentais e desenvolvidas com muito competência e criatividade pela equipe técnica do projeto. 

O PRO Sustentável é uma iniciativa da Prefeitura de Niterói, com financiamento do Banco de Desenvolvimento da América Latina - CAF, que teve início em 2007. O programa desenvolve ações de sustentabilidade e infraestrutura urbana, como drenagem e pavimentação de vias, mobilidade (Transoceânica e sistema cicloviário), implantação de parques (Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis e Parque Natural Municipal de Niterói - PARNIT), despoluição do Sistema Lagunar de Piratininga e Itaipu e a renaturalização do Rio Jacaré.

Antes de iniciar as obras, a Prefeitura realizou um evento técnico com especialistas internacionais, providenciou vários estudos realizados pela UFF ou por empresas especializadas, de forma a embasar as intervenções. Conheça os principais estudos realizados.

Veja como estão os trabalhos na atualidade:

Rio Jacaré com a aplicação das técnicas de renaturalização.

Reestabelecimento dos meandros e seções dos rios.

Posicionamento de gabiões para proteger o rio do processo de assoreamento.

Formação de gabiões por funcionários das obras para a contenção de taludes e prevenção da erosão das margens.

Técnicas diferentes para a renaturalização do Rio Jacaré.

Trabalho das equipes para a reconformação da calha do rio

Bacia de retenção: o local permite o espraiamento das águas em situação de cheias do rio, evitando alagamento a jusante.

Veja como era o Rio jacaré, antes dos trabalhos de renaturalização:

O Rio Jacaré encontrava-se bastante assoreado, poluído com esgoto, com interferências irregulares no seu curso e com suas margens ocupadas em vários trechos. Em várias partes, a sedimentação chegava a impedir o escoamento das águas de forma superficial.


Rio Jacaré, antes dos trabalhos de recuperação, com alto grau de degradação e poluição.

Construções irregulares sobre o rio estão sendo retiradas.

Detalhes das intervenções:

Os trabalhos passaram por três etapas:  

1ª etapa - Estudo da dinâmica ambiental da Bacia do Rio Jacaré – atraves de um convênio com a UFF foi realizado um grande diagnóstico socioambiental e um estudo das condições hidrogeológicas do Rio Jacaré. 

2ª etapa - Levantamento fundiário da FMP do Rio Jacaré e da legislação ambiental e urbana que incidem na área; Mobilização dos habitantes locais para atuarem como protagonistas do processo; Projeto /obras requalificação ambiental (Saibreira, Vale verde e Coqueiro); Elaboração do projeto executivo de Renaturalização da Bacia do Rio Jacaré; Cadastro socioeconômico para identificação da população de baixa renda

3ª etapa - Demolição das construções que não configuram moradias na FMP do Rio Jacaré; Implantação de sistemas individuais de esgotamento sanitário alternativo, para as edificações que estão abaixo da estrada Frei Orlando; Obra de Renaturalização do Rio Jacaré; Revegetação da FMP; Recuperação e proteção de nascentes. 

As obras de intervenção no leito do rio e suas margens tiveram como objetivo recuperar o ecossistema do Rio Jacaré e contaram com medidas para o desassoreamento, com a remoção de uma camada de aproximadamente 20 cm ao longo de todo o rio. Com o rebaixamento da cota de fundo do Rio Jacaré, o nível do lençol freático adjacente mais alto, passa a ser aflorante na calha, aumentando o escoamento visível e indo ao encontro à necessidade de reconfiguração do córrego principal do Rio Jacaré, para que este possua um caráter hidráulico mais visível à população. Essa proposição é associada à implantação de degraus de controle de nível no Rio para que tal intervenção não cause desequilíbrio dos processos de erosão/sedimentação.



Tipologias da área de intervenção:

Tipologia A – trecho confinado em galerias
Tipologia B – trecho canalizado
Tipologia C – trecho conservado e antropizado
Tipologia D – trecho conservado e natural

Localização da bacia do Rio Jacaré



PRO Sustentável

O PRO Sustentável é um programa premiado que tem sido reconhecido como um dos maiores e mais importantes iniciativas de sustentabilidade urbana, de iniciativa responsabilidade de um governo local. As diversas ações estão assim divididas:


Para mais informações sobre o Projeto de Renaturalização do Rio Jacaré, acesse o site do PRO Sustentável.

Ainda temos um longo trabalho pela frente, mas dá orgulho de ver o quanto avançamos e o quanto estamos transformando essa região tão especial de Niterói. Continuamos trabalhando para fazer de nossa cidade uma referência de sustentabilidade urbana e de justiça social.

Axel Grael
Prefeito de Niterói



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Rio Jacaré

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domingo, 29 de outubro de 2023

Em eventos em Bordeaux, França, Niterói apresenta as suas iniciativas de governo digital e direitos digitais





Centro Histórico de Bordeaux: ruas sem carros ou de acesso restrito. Fotos axel Grael

Estive na cidade francesa de Bordeaux (Bordéus), entre os dias 16 e 21 de outubro, acompanhado pela secretária do Escritório de Gestão de Projetos (EGP), Katherine Azevedo e pelo diretor de Serviços Digitais da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão (SEPLAG), Daniel Gaspar, cumprindo agenda técnica de interesse de Niterói, compartilhando a nossa experiência e buscando novas ideias para a nossa cidade. Viajei a convite dos organizadores do evento internacional "Digital Society, Digital Cities", promovida pela Bordeaux Métropole (Metrópole de Bordeaux) e pela Cities Coalition for Digital Rights - CC4DR, rede de cidades para a promoção politicas de governo digital e debater as suas implicações sobre direitos digitais, da qual Niterói é uma das participantes.

Bordeaux é um bom exemplo. Com uma aposta na reforma urbana, no transporte coletivo, na bicicleta e no enfrentamento de outros desafios das cidades atuais, Bordeaux tornou-se uma referência mundial de sustentabilidade urbana, assim como Niterói é cada vez mais reconhecida como uma referência de sustentabilidade e justiça social no Brasil.

Direito Digital

A CC4DR é uma iniciativa lançada em novembro de 2018 pelas cidades de Amsterdam, Barcelona e Nova York e que reúne atualmente 59 cidades e tem o apoio da ONU-Habitat, Eurocities e United Cities and Local Governments. Como expresso no site da CC4DR, o objetivo da coalisão é facilitar a cooperação entre cidades para promover e defender os direitos digitais no desenvolvimento de políticas públicas. A CC4DR tem o compromisso de buscar a solução para desafios digitais comuns e trabalhar para construir alicerces legais, éticos e operacionais para avançar nos direitos humanos no ambiente digital.

Niterói é o único município do estado do RJ a fazer parte da rede, que integra outras cidades do Brasil, como Curitiba (PR), Maceió (AL), São Paulo (SP) e Assaí (PR).

Participação de Niterói

Os projetos da Prefeitura de Niterói na área de governos digitais foram apresentados, na quinta-feira (19), na convenção “Digital Society, Digital Cities”. Com Daniel Gaspar, diretor de Serviços Digitais da Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão - SEPLAG, participei do painel “O que acontece nos territórios quando as cidades agem em prol de direitos digitais?”, que também contou com apresentações de representantes de Roterdã (Holanda) e de Toronto (Canadá). Daniel apresentou o Portal da Transparência de Niterói e os testes de usabilidade feitos para melhorar o acesso da população às informações, um estudo produzido a partir do Programa de Desenvolvimento de Projetos Aplicados (PDPA) da Prefeitura e da Universidade Federal Fluminense (UFF).


Niterói vem trabalhando para superar os desafios com relação a direitos digitais, como a democratização do acesso às tecnologias, a transparência sobre dados, indicadores e inclusão digital das pessoas. Integrar a rede CC4DR é interessante porque ela oferece potentes oportunidades de troca de experiências sobre a promoção de direitos digitais na rede. 

“A Prefeitura de Niterói é reconhecida por já ter conquistado diversos prêmios em rankings de transparência, resultado dos investimentos da gestão municipal no Portal da Transparência. O município também vem se destacando em ações de inclusão digital da população, com a transformação digital da gestão e o Portal de Serviços ao Cidadão. Com a participação mais ativa na rede, vamos trocar experiências com outras cidades, participar de consultorias, cursos de formação e opinar na definição das prioridades políticas e de serviços da rede”, explicou Gaspar.

Durante o evento em Bordeaux, a CC4DR realizou a sua Assembleia Geral, na qual representei a cidade de Niterói. Foram aprovadas as seguintes metas a serem perseguidas pela coalisão, listadas a seguir, conforme versão em inglês do release:
  • Boost transparency & participation in data and digital technologies
  • Provide proactive digital services that meet resident needs
  • Promote the ethical use of digital technologies and data
  • Promote digital inclusion in cities
  • Empower residents and cities to support digital rights.
  • Make digital rights part of the global agenda
To collaborate on these missions, the Coalition launched the following three services:
  • A Digital Rights Think Tank, defining emerging challenges and producing policies advancing digital rights in our cities.
  • A Digital Rights Lab, providing tailored support on local digital rights challenges and plans.
  • A Digital Rights academy, improving learning and local capacities in the field of digital rights.
Bordeaux

A metrópole de Bordeaux engloba 28 municípios, reunindo 820.000 habitantes. A cidade é mundialmente famosa pelos seus vinhos e está localizada no departamento de Gironde, na região de Aquitaine. 

É considerada também uma referência mundial de renovação urbana, sustentabilidade e mobilidade, desde que passou por intensa transformação entre 1996 e 2008, sob a liderança do estão prefeito Alain Juppé, que estruturou um plano de renovação urbana. Juppé já havia sido primeiro-ministro da França, utilizou a sua influência em Paris para trazer recursos para a cidade. 

Antes

Depois


O porto de Bordeaux estava decadente, com armazéns abandonados e a região central da cidade muito degradada. A orla do Rio Garone estava tomada por estacionamentos para automóveis e o trânsito era um dos grandes desafios da cidade. Há 20 anos, a Bordeaux ganhou fama de "cidade melancólica", devido ao seu aspecto de abandono e à falta de perspectivas. Eleito em 1995, Juppé apresentou no ano seguinte o Projeto de Renovação Urbana 1996-2008, que tinha como principais objetivos superar as desigualdades sociais e urbanas entre os dois lados do Rio Garone, proteger e restaurar a parte histórica e tombada da cidade, além de promover a valorização do transporte público, com destaque para uma eficiente rede de VLT (bondes elétricos de alta tecnologia). O esforço por uma mobilidade sustentável resultou também no incentivo à bicicleta com uma extensa malha cicloviária e oferta de bicicletas públicas.

Aspecto típico de uma rua da parte histórica de Bordeaux: todas as construções com as cores naturais das rochas calcárias.

A Cara da cidade atual: Cabe destaque a uma das medidas importantes adotadas na reforma urbana de Bordeaux. As edificações são todas construídas com pedras calcárias obtidas historicamente nas jazidas da região. As fachadas não são pintadas. Com o passar dos séculos, as paredes ficaram impregnadas de fuligem o que favorecia o aspecto velho e decadente. O governo metropolitano decidiu incentivar todos os imóveis a fazer uma limpeza geral e o casario passou a ter a coloração característica atual, que dá à cidade um charme ainda mais especial. A retirada dos automóveis do centro histórico diminuiu muito a fuligem e mantém a cidade mais humana, limpa e saudável.

Em 2015, a cidade melancólica já era um centro turístico vibrante e próspero, tendo sido votada como a "European Best Destination 2015". Em abril de 2023, o jornal Le Parisien avaliou cerca de 450 cidades e selecionou Bordeaux como a Cidade Mais Verde da França. Foram adotados critérios como habitação, transportes e emissão de gases de efeito estufa. Os avanços na mobilidade, com a implantação do sistema de VLT e o crescimento do uso de bicicletas foram decisivos para o prêmio. Segundo o levantamento do Le Parisien, Bordeaux é também a cidade francesa com menor emissão de gases de efeito estufa. Na lista de qualidades urbanas feita pelo jornal, estão citados, entre outros, os novos bairros ecológicos, organizados segundo o conceito de desenvolvimento sustentável - que inclui transporte coletivo, triagem de lixo, tratamento da água da chuva e construções que seguem normas para limitar as emissões (Fonte).

A experiência de Bordeaux é inspiradora, mas chama a atenção a ausência da arborização urbana, restrita apenas às praças, parques e outros espaços abertos. Para reverter essa situação, em 2020, a Metrópole de Bordeaux lançou uma operação do governo e mobilizou a população local para plantar 1 milhão de árvores em 10 anos.

Drenagem

Desde a década de 1970, Bordeaux começou a investir no seu sistema de drenagem, ação que ganhou fôlego após a cidade ter experimentado chuvas torrenciais em 1982, com uma precipitação que chegou a 80mm em uma hora, levando o Rio Garonne a chegar a 5 metros acima do nível normal. O centro histórico da cidade ficou inundado, afetando mais de 1.500 casas. As águas levaram três dias para drenar, causando grande transtorno e prejuízo. 

Num esforço enorme, a metrópole decidiu então investir 1 bilhão de euros pelas três décadas seguidas em obras de drenagem, sendo que 2/3 foram investidos nos primeiros 15 anos.



Visita ao Centro de Telecontrole da SABOM

Hoje, são 1.980 km de rede de drenagem, com 44 bacias de espraiamento (bassins d’étalement) e de retenção, 49 elevatórias e cerca de 450 pontos de soluções compensatórias de drenagem, que são soluções baseadas na natureza como células de biorretenção, jardins de chuva, bacias de infiltração etc. A capacidade de armazenamento de água nos equipamentos de retenção é de 2 milhões de metros cúbicos. 

O sistema de drenagem da cidade é gerenciado por um Centro de Telecontrole com uma tecnologia chamada Ramses, que é operado por uma empresa concessionária chamada SABOM (Societé D'Assainissement de Bordeaux Metropole), que tive a oportunidade de visitar.

VLT

A cidade inspirou o sistema de VLT do Rio, que adotou a mesma tecnologia, embora com diferente concepção. Enquanto Bordeaux buscou fortalecer o transporte coletivo e tirar carros da rua, o Rio buscou também fomentar o desenvolvimento e recuperação urbana da Região Portuária da cidade.

Com António Gonzáles, especialista em Mobilidade da Bordeaux Metropole.

Segundo fomos informados por António Gonzáles, especialista em Mobilidade da Bordeaux Metropole, o sistema de Bordeaux é o maior da França, com 70 km de linhas de VLT ("tram"), dispostos em um desenho radial, tendo o centro histórico como foco central. Conforme conversamos com urbanistas e planejadores urbanos, esse é um defeito do desenho do VLT da cidade, que prescinde de linhas integradoras concêntricas, que unam as linhas existentes, evitando que todos tenham que passar pelo centro da cidade. Por esse motivo, começaram a implantar sistemas de BRT, chamados por eles de "Autobus Express".

Em 2014, Bordeaux contava com uma densidade demográfica de 20 habitantes/hectare, um indicador importante para entender o planejamento da cidade, principalmente da mobilidade. Outro dado relevante é que 1/4 dos empregos são ocupados por pessoas que vem de fora, das cidades vizinhas de Bordeaux. Gonzalez considera que a conexão por transporte público ainda não é o ideal para atender a esta demanda. Este é um dos motivos de ainda terem muitos automóveis circulando em Bordeaux. A implantação do sistema de VLT teve um custo de 225 milhões de euros/km. 


Assim como no Rio de Janeiro, a presença do VLT transforma a paisagem das ruas e aperfeiçoa a qualidade urbanística.

Conhecendo o sistema de bilhetagem.

Atualmente, 80% da frota de ônibus funciona à eletricidade e a gás e a previsão é de que, nos próximos dois anos, o restante deixe completamente o diesel. Para estimular a circulação por veículos menos poluentes, a prefeitura reduziu a velocidade em 89% das vias da cidade para 30 km/h, universalizou o estacionamento pago para carros e começou obras para ampliar calçadas e parkings para duas rodas. Além disso, desde 2014 mantém um serviço de compartilhamento de carros elétricos, o BlueCub. (Fonte). 

Niterói desenvolveu com a ajuda da Agência Francesa de Desenvolvimento - AFD, um estudo de viabilidade técnica e econômica para o desenvolvimento do seu VLT. 

Ciclovias e mobilidade sustentável

Como vimos acima, tirar carros do centro histórico e reduzir a velocidade foram metas perseguidas pelos planejadores de Bordeaux. Com a ênfase no transporte coletivo, a cidade viu o número de ciclistas avançar 20%, enquanto que a circulação de carros caiu apenas 4% nos últimos dois anos. Hoje, Bordeaux é a segunda cidade com maior número de ciclistas da França (atrás de Paris) e a 12ª no mundo. Estima-se que 13% dos deslocamentos na cidade sejam por bicicleta. A rede de ciclovias na Grande Bordeaux chega a 1.400 km (Fonte). Segundo informações do António Gonzales, o planejamento da Métropole Bordeaux é que em 2030, 32% dos deslocamentos sejam peatonais (a pé) e 18% sejam de bike.

Presença da bicicleta: atualmente corresponde a 15% dos deslocamentos.

Paraciclo rústico no Jardin Publique.

Ciclovia.

Vélobox - Abrigo para Bicicletas: equipamento público oferecido pela administração da cidade, para estacionar bicicletas com segurança. Os interessados precisam alugar o espaço.

Bordeaux foi eleita a sexta melhor cidade para andar de bicicleta no mundo (Fonte: Copenhagenize). Segundo o site do Transports Bordeaux Mètropole - TBM, a rede de bicicletas compartilhadas conta com 186 estações e mais de 2000 bicicletas, das quais 1000 são elétricas. Mais mulheres do que homens circulam de bicicleta pela cidade, o que é raro na França. Bordeaux reservou 75 milhões de euros para fazer das bicicletas um meio de transporte importante na cidade (Fonte: CircuitoD).

Para estimular a circulação por veículos menos poluentes, a prefeitura reduziu a velocidade em 89% das vias da cidade para 30 km/h, universalizou o estacionamento pago para carros e começou obras para ampliar calçadas e parkings para duas rodas (Fonte). Em 2014, foi dado o início a um serviço de compartilhamento de carros elétricos, o BlueCub, mas a experiência não logrou êxito, tendo sido desativada em 2020.

Serviços prestados ao cidadão


Empréstimo de livros. É possível oferecer ou pegar livros emprestados


Containers nas praças para receber matéria orgânica para compostagem.

Outras visitas importantes



Visitamos a Central Solar de Labarde. Produção anual em 2022: 76.800 MWh, energia suficiente para alimentar a demande de energia de 34.600 habitantes. A Central Solar de Lagarde, inaugurada em 2021, evita o lançamento de 37.600 t de CO2/ano. 

Também visitamos a Bordeaux Métropole Valorisation, no município vizinho de Bègles, uma das unidades de processamento dos resíduos sólidos urbanos gerados na metrópole de Bordeaux. 

Pierre Hurmic

No dia 18 de outubro, me reuni com o prefeito de Bordeaux, Pierre Hurmic e a vice-prefeita Celine Papin. 

Com o prefeito Pierre Hurmic ao meu lado.

Pierre Hurmic é o prefeito de Bordeaux desde 2020. Ingressou na política em 1990 e participou da criação da “Écologie Génération”. Pierre é um grande defensor do conceito ecológico de cidade, de se comprometer com uma sociedade humana e unida e de lutar por outro modelo urbano. Atualmente é membro do Grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeia (EELV) - é um grupo político no Parlamento Europeu, composto por deputados de duas famílias de partidos com ideologias distintas: Partido Verde Europeu e Aliança Livre Europeia, juntamente com alguns independentes. 

Após assumir a prefeitura, em 2020, Pierre declarou imediatamente uma emergência climática, a diretriz do mandato. Atualmente, junto a sua trabalha na implementação do projeto “Bordeaux Respire” para fazer de Bordeaux uma cidade ecológica e unida.

Na conversa com o prefeito Hurmic, falamos sobre a possibilidades de parcerias com Niterói, já que ambas as cidades procuram avançar na agenda da sustentabilidade urbana. Falamos sobre as iniciativas na agenda da mobilidade, clima e sustentabilidade. O prefeito Hurmic se interessou pelas experiências de Niterói na implantação das soluções de drenagem sustentável no POP Alfredo Sirkis e pela Moeda Arariboia.

Estabelecemos uma agenda para seguir avançando na cooperação entre as cidades, que será coordenado pela vice-prefeita de Bordeaux Celine Papin e pela secretária do Escritório de Gestão de Projetos (EGP) e Relações Internacionais, Katherine Azevedo.

Para finalizar, o nosso agradecimento ao produtor cultural Nicolas Martin Ferreira pelo apoio logístico e pela contribuição decisiva para a organização da agenda em Bordeaux.

Axel Grael
Prefeito de Niterói


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VLT DO RIO DE JANEIRO - vistoria técnica às obras de implantação do VLT do Rio de Janeiro

Ciclovias:

BICICLETAS: Niterói é a terceira cidade do País com mais pessoas acima de 60 anos pedalando
MÜNSTER: Conhecendo a CIDADE DA BICICLETA NA ALEMANHA  
NITERÓI DE BICICLETA: Niterói pretende se tornar referência em cicloturismo   
NITERÓI DE BICICLETA. Bicicletas são necessárias como uma opção limpa e eficaz de mobilidade
Como as bicicletas tomaram as ruas das cidades holandesas  



domingo, 24 de setembro de 2023

NITERÓI NA ROTA DO ECOTURISMO: RECEBEMOS AQUI O CONGRESSO BRASILEIRO DE TRILHAS



Entre os dias 20 e 24 de setembro, Niterói foi a casa do 2º Congresso Brasileiro de Trilhas, o maior evento da América Latina voltado para este segmento! No emblemático Caminho Niemeyer, recebemos com muita alegria milhares de gestores públicos, movimentos sociais, pesquisadores e empreendedores para uma extensa programação com debates, seminários e oficinas. Niterói é uma grande referência quando se fala em estratégia de gestão sustentável focada em preservação ambiental e incentivo ao ecoturismo! Por isso, foi com muito orgulho que apresentamos toda a nossa experiência e estrutura nesta agenda.

Na abertura do evento, defendi a importância do Congresso de Trilhas para o debate sobre as políticas públicas voltadas à valorização dos parques e conectividade entre os territórios protegidos. Em meus mais de 30 anos de experiência nesta área, um dos aprendizados que considero mais importantes é sobre o papel estratégico que as trilhas podem ter para formar uma massa crítica a favor das áreas verdes. Ainda existe uma falsa dicotomia como se desenvolvimento e conservação ambiental caminhassem em lados opostos. Precisamos trabalhar para reverter essa concepção equivocada, uma vez que esses espaços têm grande potencial como instrumentos de geração de oportunidades e de emprego e renda. O melhor caminho é termos as pessoas frequentando - e consequentemente defendendo - os parques. Falo mais sobre este assunto aqui.

No ano passado o Congresso aconteceu em Goiânia, ocasião em que pude apresentar um pouco da gestão de Niterói e iniciativas que garantem a proteção de aproximadamente 56% do nosso território. Este ano foi a nossa vez! Foi muito bacana mostrar presencialmente para tantas pessoas, aqui em nossa cidade, tudo que estamos fazendo. Os participantes do Congresso puderam, por exemplo, conhecer o trecho niteroiense da Rota Charles Darwin, que conecta unidades de conservação como o Parque Natural Municipal de Niterói (Parnit) e o Parque Estadual da Serra da Tiririca (Peset).

Os participantes do Congresso também puderam se encantar com o recém-inaugurado Parque Natural Municipal do Morro do Morcego, um atrativo chave na estratégia da Prefeitura de Niterói para o ecoturismo. Com uma das melhores redes de trilhas do País, paisagens exuberantes e a apenas 14 km de uma das principais portas de entrada do Brasil, nossa cidade tem um potencial extraordinário para o turismo voltado ao meio ambiente. Nosso Guia de Trilhas, lançado em 2020, em breve ganhará uma nova edição, ainda mais robusta. O Parque do Morro do Morcego tem a marca dos esforços que viemos desenvolvendo desde 2013: com gestão qualificada e planejamento para preservação do ecossistema aliada a geração de renda, niteroienses e visitantes poderão aproveitar uma joia antes tão distante para a maioria.

Um relatório recente do US News & World Report colocou o Brasil como principal destino de aventura do mundo entre 78 nações. Precisamos promover o entendimento das unidades de conservação como um patrimônio com potencial de uso sustentável em benefício da população, e não como desperdício de verbas públicas. As mais de 3 mil pessoas que participaram do Congresso sinalizam que, apesar de ainda termos muito a fazer, estamos avançando e existe muita gente neste País disposta a contribuir com a mobilização pelos parques, pelas trilhas e pela conservação ambiental.

Deixo aqui registrado minha gratidão a todos que vieram a Niterói para o 2º Congresso Brasileiro de Trilhas, especialmente à secretária nacional de biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Rita Mesquita, ao presidente da Rede Brasileira de Trilhas, Hugo Castro, e ao Diretor da Rede Brasileira de Trilhas, Pedro da Cunha. Parabéns e minha gratidão também à toda a equipe da Prefeitura de Niterói envolvida na organização deste evento. Niterói já está na rota do ecoturismo! Temos orgulho de nossa tradição ambientalista e seguimos trabalhando com a convicção de que nossa cidade tem vocação para o avanço e para o pioneirismo.

Axel Grael
Prefeito de Niterói


sábado, 23 de setembro de 2023

Artigo da Universidade de Yale alerta sobre a poluição causada pelo desgaste dos pneus


Os problemas causados pelos veículos automotores não estão relacionados apenas com a poluição causada pela emissões de gases e ruído dos motores, além da saturação do sistema viário das cidades pelo excesso de automóveis. Há outras graves preocupações que não têm tido a devida atenção.

Na semana que várias cidades do mundo celebram o Dia Mundial Sem Carro, o site da Escola de Meio Ambiente da Universidade de Yale, de New Haven, Connecticut, EUA, publicou um importante alerta sobre uma dimensão pouco conhecida da poluição urbana: o impacto ambiental causado pelos pneus e freios dos veículos. A legislação e padrões de controle da poluição focou nas emissões de gases veiculares e se omitiu quanto às chamadas emissões não-atmosféricas (Non-Exhaust Emissions), que inclui o pó causado pelo desgaste dos pneus.

O artigo, assinado por Jim Robbins, informa que 78% dos microplásticos nos oceanos é composto por borracha sintética proveniente do desgaste dos pneus nas ruas e que são carreados pela drenagem urbana e de estradas chegando aos rios e ao mar. A poluição também é propagada pelo ar na forma de particulados que podem ser inalados oferecendo um grande risco àsaude humana. 

Os pneus são constituídos de mais de 400 compostos químicos, muitos deles cancerígenos. Preocupado com os riscos à saúde, ao meio ambiente e à biodiversidade, o governo da Califórnia estabeleceu um prazo até 2024 para que os fabricantes de pneus substituam o mais perigoso dos componentes que é o 6PPD-q. A Europa, por sua vez, está regulando as emissões automotivas através da norma Euro 7, que encontra grande resistência das montadoras.

Os quatro pneus de um carro emitem coletivamente 1 trilhão de micropartículas (menores do que 100 nanômetros) por quilômetro! No mundo são vendidos anualmente cerca de 2 bilhões de pneus. Segundo o autor, caso empilhados deitados, alcançariam a distância da terra para a lua. O mercado estima que em 2030, essa quantidade chegará a 3,4 bilhões/ano. Bicicletas também liberam partículas dos seus pneus, mas em quantidades muito menores. A produção anual por veículo de microresíduos de pneus é maior nos EUA do que na Europa, pois os veículos europeus percorrem distâncias menores.

Segundo o artigo, carros elétricos desgastam 20% mais os pneus do que os demais, pois são mais pesados e possuem mais torque.

Outra publicação, da Revista dos Pneus, informa que "as partículas de desgaste dos pneus e das estradas são uma mistura de fragmentos do piso dos pneus e elementos da superfície da estrada, tais como minerais e pó de estrada, aproximadamente 50% cada um. Estas partículas são geralmente consideradas microplásticos devido à sua dimensão e composição". A publicação informa ainda que a poluição causada pelo desgaste dos pneus é 1.000 vezes pior que as emissões atmosféricas dos automóveis. Atualmente, acredita-se que as Non-Exhaust Emissions - NEE constituam a maioria do material particulado primário dos transportes rodoviários, 73% das PM10 (partículas inaláveis menores do que 10 micra) e 60% das PM 2,5 (menores do que 2,5 micra), partículas ainda mais perigosas à saúde.

Voltando ao artigo de Robbins, um estudo realizado em Vancouver, Canadá, estimou que jardins de chuva (rain gardens) - um tipo de solução utilizada em drenagem sustentável, que compõe um conjunto de técnicas conhecidas como Soluções Baseadas na Natureza - previnem que mais de 90% dos micro resíduos de pneus cheguem aos corpos hídricos. Soluções como essa estão sendo implantadas pelo Programa Região Oceânica Sustentável (Pro Sustentável), da Prefeitura de Niterói, principalmente no premiado Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis (POP Sirkis) e seu entorno. 

Axel Grael
Prefeito de Niterói



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Highway traffic in Colombo, Sri Lanka. THILINA KALUTHOTAGE/NURPHOTO VIA AP


Road Hazard: Evidence Mounts on Toxic Pollution from Tires

Researchers are only beginning to uncover the toxic cocktail of chemicals, microplastics, and heavy metals hidden in car and truck tires. But experts say these tire emissions are a significant source of air and water pollution and may be affecting humans as well as wildlife.

BY JIM ROBBINS • SEPTEMBER 19, 2023

For two decades, researchers worked to solve a mystery in West Coast streams. Why, when it rained, were large numbers of spawning coho salmon dying? As part of an effort to find out, scientists placed fish in water that contained particles of new and old tires. The salmon died, and the researchers then began testing the hundreds of chemicals that had leached into the water.

A 2020 paper revealed the cause of mortality: a chemical called 6PPD that is added to tires to prevent their cracking and degradation. When 6PPD, which occurs in tire dust, is exposed to ground-level ozone, it’s transformed into multiple other chemicals, including 6PPD-quinone, or 6PPD-q. The compound is acutely toxic to four of 11 tested fish species, including coho salmon.

Mystery solved, but not the problem, for the chemical continues to be used by all major tire manufacturers and is found on roads and in waterways around the world. Though no one has studied the impact of 6PPD-q on human health, it’s also been detected in the urine of children, adults, and pregnant women in South China. The pathways and significance of that contamination are, so far, unknown.

Seventy-eight percent of ocean microplastics are synthetic tire rubber, according to one estimate.

Still, there are now calls for regulatory action. Last month, the legal nonprofit Earthjustice, on behalf of the fishing industry, filed a notice of intent to sue tire manufacturers for violating the Endangered Species Act by using 6PPD. And a coalition of Indian tribes recently called on the EPA to ban use of the chemical. “We have witnessed firsthand the devastation to the salmon species we have always relied upon to nourish our people,” the Puyallup Tribal Council said in a statement. “We have watched as the species have declined to the point of almost certain extinction if nothing is done to protect them.”

The painstaking parsing of 6PPD and 6PPD-q was just the beginning of a global campaign to understand the toxic cocktail of organic chemicals, tiny particles, and heavy metals hiding in tires and, to a lesser extent, brakes. While the acute toxicity of 6PPD-q and its source have strong scientific consensus, tire rubber contains more than 400 chemicals and compounds, many of them carcinogenic, and research is only beginning to show how widespread the problems from tire dust may be.

While the rubber rings beneath your car may seem benign — one advertising campaign used to feature babies cradled in tires — they are, experts say, a significant source of air, soil, and water pollution that may affect humans as well as fish, wildlife, and other organisms. That’s a problem because some 2 billion tires globally are sold each year — enough to reach the moon if stacked on their sides — with the market expected to reach 3.4 billion a year by 2030.

Tires are made from about 20 percent natural rubber and 24 percent synthetic rubber, which requires five gallons of petroleum per tire. Hundreds of other ingredients, including steel, fillers, and heavy metals — including copper, cadmium, lead, and zinc — make up the rest, many of them added to enhance performance, improve durability, and reduce the possibility of fires.

Both natural and synthetic rubber break down in the environment, but synthetic fragments last a lot longer. Seventy-eight percent of ocean microplastics are synthetic tire rubber, according to a report by the Pew Charitable Trust. These fragments are ingested by marine animals — particles have been found in gills and stomachs — and can cause a range of effects, from neurotoxicity to growth retardation and behavioral abnormalities.

Tire emissions from electric vehicles are 20 percent higher than those from fossil-fuel vehicles.

“We found extremely high levels of microplastics in our stormwater,” said Rebecca Sutton, an environmental scientist with the San Francisco Estuary Institute who studied runoff. “Our estimated annual discharge of microplastics into San Francisco Bay from stormwater was 7 trillion particles, and half of that was suspected tire particles.”

Tire wear particles, or TWP as they are sometimes known, are emitted continually as vehicles travel. They range in size from visible pieces of rubber or plastic to microparticles, and they comprise one of the products’ most significant environmental impacts, according to the British firm Emissions Analytics, which has spent three years studying tire emissions. The company found that a car’s four tires collectively emit 1 trillion ultrafine particles — of less than 100 nanometers — per kilometer driven. These particles, a growing number of experts say, pose a unique health risk: They are so small they can pass through lung tissue into the bloodstream and cross the blood-brain barrier or be breathed in and travel directly to the brain, causing a range of problems.

According to a recent report issued by researchers at Imperial College London, “There is emerging evidence that tyre wear particles and other particulate matter may contribute to a range of negative health impacts including heart, lung, developmental, reproductive, and cancer outcomes.”



The report says that tires generate 6 million tons of particles a year, globally, of which 200,000 tons end up in oceans. According to Emissions Analytics, cars in the U.S. emit, on average, 5 pounds of tire particles a year, while cars in Europe, where fewer miles are driven, shed 2.5 pounds per year. Moreover, tire emissions from electric vehicles are 20 percent higher than those from fossil-fuel vehicles. EVs weigh more and have greater torque, which wears out tires faster.

Unlike tailpipe exhaust, which has long been studied and regulated, emissions from tires and brakes — which emit significant amounts of metallic particles in addition to organic chemicals — are far harder to measure and control and have therefore escaped regulation. It’s only in the last several years, with the development of new technologies capable of measuring tire emissions and the alarming discovery of 6PPD-q, that the subject is receiving much needed scrutiny.

Recent studies show that the mass of PM 2.5 and PM 10 emissions — which are, along with ozone and ultrafine particles, the world’s primary air pollutants — from tires and brakes far exceeds the mass of emissions from tailpipes, at least in places that have significantly reduced those emissions.

Tires release 100 times the amount of volatile organic compounds as a modern tailpipe, says an analyst.

The problem isn’t just rubber in its synthetic and natural form. Government and academic researchers are investigating the transformations produced by tires’ many other ingredients, which could — like 6PPD — form substances more toxic than their parent chemicals as they break down with exposure to sunlight and rain.

“You’ve got a chemical cocktail in these tires that no one really understands and is kept highly confidential by the tire manufacturers,” said Nick Molden, the CEO of Emissions Analytics. “We struggle to think of another consumer product that is so prevalent in the world, and used by virtually everyone, where there is so little known of what is in them.”

“We have known that tires contribute significantly to environmental pollution, but only recently have we begun to uncover the extent of that,” said Cassandra Johannessen, a researcher at Montreal’s Concordia University who is quantifying levels of tire chemicals in urban watersheds and studying how they transform in the environment. The discovery of 6PPD-q has surprised a lot of researchers, she said, because they have learned that “it’s one of the most toxic substances known, and it seems to be everywhere in the world.”

Regulators are playing catch up. In Europe, a standard to be implemented in 2025, known as Euro 7, will regulate not only tailpipe emissions but also emissions from tires and brakes. The California Environmental Protection Agency has passed a rule requiring tire makers to declare an alternative to 6PPD-q by 2024.

Tire companies are conducting their own studies of 6PPD, which they have long considered critical for tire safety, and seeking alternatives. In response to new regulations and the emerging research on tire emissions, 10 of the world’s large tire manufacturers have formed the Tire Industry Project to “develop a holistic approach to better understand and promote action on the mitigation” of tire pollution, according to a statement by the project. The group has committed to search for ways to redesign tires to reduce or eliminate emissions.

One critical area of research is how long tire waste, and its breakdown products, persist in the environment. “A five-micron piece of rubber shears off the tire and settles on the soil and sits there a while,” said Molden. “What, over time, is the release of those chemicals, how quickly do they make their way into the water, and are they diluted? At the system level, how big of a problem is this? It is the single biggest knowledge gap.”

Another area of research centers on the impacts of aromatic hydrocarbons — including benzene and naphthalene — off-gassed by synthetic rubber or emitted when discarded tires are burned in incinerators for energy recovery. Even at low concentrations, these compounds are toxic to humans. They also react with sunlight to form ozone, or ground-level smog, which causes respiratory harm. “We have shown that the amount of off-gassing volatile organic compounds is 100 times greater than that coming out of a modern tailpipe,” said Molden. “This is from the tire just sitting there.”

Scientists found that rain gardens could prevent more than 90 percent of a dangerous tire pollutant from entering streams.

When tires reach their end of life, they’re either sent to landfills, incinerated, burned in an energy-intensive process called pyrolysis, or shredded and repurposed for use in artificial turf or in playgrounds or for other surfaces. But as concern about tire pollutants grows, so do concerns about these recycled products and the hydrocarbons they may off-gas. There is ongoing debate over whether crumb rubber, made from tire scraps, poses a health threat when used to fill gaps in artificial turf. Based on several peer-reviewed studies, the European Union is instituting stricter limits on the use of this material. Other studies, however, have shown no health impact.

Besides California’s requirement to study alternatives to 6PPD, there are a number of efforts worldwide to redesign tires to counter the problems they pose. More than a decade ago, tire makers hoped that dandelions, which produce a form of rubber, and soy oil could provide a steady and sustainable supply of rubber. But tires made from those alternatives didn’t live up to expectations: they still required additives. The Continental Tire Company, based in Hanover, Germany, markets a bicycle tire made of dandelion roots. Tested by Emission Analytics, it emitted 25 percent fewer carcinogenic aromatics than conventionally made bike tires, but the plant-powered tire still contained ingredients of concern.

Other companies are searching for ways to address the problem of tire emissions. The Tyre Collective, a clean-tech startup based in the U.K., has developed an electrostatic plate that affixes to each of a car’s tires: The plates remove up to 60 percent of particles emitted by both tires and brakes, storing them in a cartridge attached to the device. The particles can be reused in numerous other applications, including in new tires.

In San Francisco, scientists studying the pollutants in storm runoff found a potential solution: Rain gardens, installed in yards to capture stormwater, were also trapping 96 percent of street litter and 100 percent of black rubbery fragments. In Vancouver, B.C. researchers found that rain gardens could prevent more than 90 percent of 6PPD-q from running off roads and entering salmon-bearing streams. Tire waste particles, says Molden, of Emissions Analytics, are finally getting the attention they deserve, thanks in part to California’s rule requiring a search for alternatives to 6PPD. The legislation “is groundbreaking,” he says, “because it puts the chemical composition [of tires] on the regulatory agenda.” For the first time, he adds, “Tire manufacturers are being exposed to the same regulatory scrutiny that car manufacturers have been for 50 years.”




sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Marisqueiros de Niterói são reconhecidos como comunidade tradicional e agora têm prática legalizada nas praias da cidade

 


Foi com muito orgulho que assinei, no início desta semana, um decreto que reconhece os marisqueiros de Niterói como comunidade tradicional no município. Essa nova medida é muito importante porque, além de legalizar a prática nas praias da nossa cidade, permite uma maior fiscalização do manuseio dos mariscos. Os marisqueiros compõem um grupo que é marca da cultura niteroiense e o reconhecimento de sua atividade é fruto do trabalho em parceria da Prefeitura de Niterói com a Universidade Federal Fluminense (UFF), através do Programa de Desenvolvimento de Projetos Aplicados (PDPA).


Recebi um grupo de lideranças dos marisqueiros, a subsecretária de Cidadania e Economia Criativa, Walkiria Nichteroy, e a coordenadora do PDPA no Escritório Escola de Engenharia e Design (E3D) da UFF, Suzana Hecksher, para a assinatura da nova legislação e para uma boa conversa sobre a importância da prática da maricultura em nossa cidade. O reconhecimento da atividade dos marisqueiros como tradicional, além da importância simbólica, também vai permitir que esses trabalhadores sejam formalizados, viabilizando sua inclusão em diversos serviços públicos.

Fiquei especialmente feliz com a fala da Dona Salete Ferreira, liderança marisqueira que falou da importância de poder trabalhar de forma legalizada, em seu espaço, garantindo seu sustento e de sua família. Para a Prefeitura de Niterói, é fundamental que este grupo tenha condições de avançar em sua qualidade de vida, enquanto preserva a sua identidade. Acompanho há muitos anos a prática da maricultura. Quando realizada de forma correta e sustentável, é positiva até para a fauna marinha, que pode ser atraída pela boa oferta de alimentos.

O projeto desenvolvido através do PDPA - O reconhecimento da atividade dos marisqueiros é fruto de um trabalho em parceria da prefeitura de Niterói com a Universidade Federal Fluminense (UFF), que desenvolveu o projeto “Futuro Próspero da Produção de Mexilhões em Niterói: da Tradição ao Dinamismo”. Através da proposta, pesquisadores da universidade atuam no desenvolvimento econômico e social da maricultura. A iniciativa faz parte do Programa de Desenvolvimento de Projetos Aplicados (PDPA) e conta com o apoio da Fundação Euclides da Cunha (FEC).

Entre os principais objetivos do PDPA, destacam-se o monitoramento da qualidade higiênico-sanitária dos mexilhões produzidos no município de Niterói, a disseminação de informações, também sobre empreendedorismo e de caráter financeiro, para o grupo de marisqueiros, além da criação de uma unidade de beneficiamento de moluscos.


MAIS UM RECONHECIMENTO: PARQUE ORLA PIRATININGA CONQUISTA PRÊMIO FIRJAN DE SUSTENTABILIDADE 2023



Pode parecer notícia repetida, mas é mais uma vitória: o já multipremiado Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis (POP) conquistou um novo reconhecimento! Desta vez, o projeto levou o Prêmio Firjan de Sustentabilidade 2023, na categoria Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos. Recebi o troféu durante o Rio Construção Summit, que por uma feliz coincidência aconteceu na última terça-feira, 19, Dia Mundial pela Limpeza da Água.

Com o Parque Orla, apostamos em um projeto arrojado e de caráter inovador. Desde sua concepção, é uma iniciativa muito estratégica, porque reúne o esforço de recuperação da Lagoa de Piratininga e do entorno, com requalificação do espaço e oferecimento de um espaço de lazer e recreação para a população. Por isso, trabalha com princípios de sustentabilidade ambiental e justiça social. O primeiro trecho do POP foi entregue em junho, o Centro de Esporte e Lazer na Ilha do Tibau foi entregue em julho, e em breve vamos entregar o parque completo, com resultados ainda mais impactantes.

Recebi o prêmio acompanhado da coordenadora do Programa Pro Sustentável, Dionê Marinho Castro, peça fundamental para a construção do Parque Orla. Como ela comentou, transformamos uma área por muitos anos degradada em um grande jardim. Tenho muito orgulho de apresentar o Parque Orla Piratininga Alfredo Sirkis como o maior projeto de soluções baseadas na natureza do país!

Esse é o terceiro prêmio do POP apenas este ano. Em maio, o projeto foi vencedor na categoria “Desenvolvimento Urbano Sustentável e Mobilidade” do LATAM Smart City Awards 2023, entregue no México. Em junho, foi escolhido pelo “Prêmio Cidades Sustentáveis: acelerando a implementação da Agenda 2030” como o melhor projeto ambiental do País

O parque - O POP integra o Programa Região Oceânica Sustentável (PRO Sustentável), financiado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF). Com investimento de R$ 100 milhões, o equipamento conta com jardins filtrantes que limpam as impurezas das águas pluviais e das três principais bacias hidrográficas que desaguam na Lagoa de Piratininga, devolvendo água de qualidade para a Lagoa de Piratininga.

O Parque Orla tem uma área de 680 mil metros quadrados, incluindo as ilhas do Modesto, Pontal e do Tibau. O projeto também conta com quatro píeres de contemplação e seis de pesca, 10.6 km de ciclovia, 17 áreas de lazer, 3 mirantes e um centro ecocultural voltado para educação ambiental.

Estamos animados e trabalhando incansavelmente para vermos o POP em breve completamente entregue à população. Vamos em frente!

Axel Grael