terça-feira, 5 de março de 2019

Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo e recicla apenas 1%





Brasil é o 4º país do mundo que mais gera lixo plástico

A crise mundial da poluição por plásticos só vai piorar a menos que todos os atores da cadeia de valor dos plásticos se responsabilizem pelo custo real do material para a natureza e para as pessoas, alerta um relatório do WWF (Fundo Mundial para a Natureza) publicado hoje. O novo estudo, “Solucionar a Poluição Plástica: Transparência e Responsabilização”, reforça a urgência de um acordo global para conter a poluição por plásticos.

CLIQUE AQUI E FAÇA O DOWNLOAD DO ESTUDO COMPLETO EM PORTUGUÊS

A proposta desse acordo global será votada na Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEA-4), que será realizada em Nairóbi, no Quênia, de 11 a 15 de março. Segundo o estudo do WWF, mais de 104 milhões de toneladas de plástico irão poluir nossos ecossistemas até 2030 se nenhuma mudança acontecer na nossa relação com o material.

Em fevereiro, o WWF lançou uma petição para pressionar os líderes globais a defenderem esse acordo legalmente vinculativo sobre a poluição dos plásticos marinhos na UNEA-4, que até agora atraiu 200.000 assinaturas em todo o mundo. Para participar da petição, acesse: 


Segundo o estudo lançado pelo WWF, o volume de plástico que vaza para os oceanos todos os anos é de aproximadamente 10 milhões de toneladas, o que equivale a 23 mil aviões Boeing 747 pousando nos mares e oceanos todos os anos – são mais de 60 por dia. Nesse ritmo, até 2030, encontraremos o equivalente a 26 mil garrafas de plástico no mar a cada km2, revela o estudo conduzido pelo WWF.

"Nosso método atual de produzir, usar e descartar o plástico está fundamentalmente falido. É um sistema sem responsabilidade, e atualmente opera de uma maneira que praticamente garante que volumes cada vez maiores de plástico vazem para a natureza", afirma Marco Lambertini, Diretor-Geral do WWF-Internacional.

De acordo com o estudo:

“O plástico não é inerentemente nocivo. É uma invenção criada pelo homem que gerou benefícios significativos para a sociedade. Infelizmente, a maneira com a qual indústrias e governos lidaram com o plástico e a maneira com a qual a sociedade o converteu em uma conveniência descartável de uso único transformou esta inovação em um desastre ambiental mundial.

Aproximadamente metade de todos os produtos plásticos que poluem o mundo hoje foram criados após 2000. Este problema tem apenas algumas décadas e, ainda assim, 75% de todo o plástico já produzido já foi descartado.”


No Brasil

O Brasil, segundo dados do Banco Mundial, é o 4o maior produtor de lixo plástico no mundo, com 11,3 milhões de toneladas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia. Desse total, mais de 10,3 milhões de toneladas foram coletadas (91%), mas apenas 145 mil toneladas (1,28%) são efetivamente recicladas, ou seja, reprocessadas na cadeia de produção como produto secundário. Esse é um dos menores índices da pesquisa e bem abaixo da média global de reciclagem plástica, que é de 9%.

Mesmo parcialmente passando por usinas de reciclagem, há perdas na separação de tipos de plásticos (por motivos como estarem contaminados, serem multicamadas ou de baixo valor). No final, o destino de 7,7 milhões de toneladas de plástico são os aterros sanitários. E outros 2,4 milhões de toneladas de plástico são descartados de forma irregular, sem qualquer tipo de tratamento, em lixões a céu aberto.

O levantamento realizado pelo WWF com base nos dados do Banco do Mundial analisou a relação com o plástico em mais de 200 países, e apontou que o Brasil produz, em média, aproximadamente 1 quilo de lixo plástico por habitante a cada semana.

PRODUÇÃO E RECICLAGEM DE PLÁSTICO NO MUNDO

Números em toneladas


Fonte: WWF / Banco Mundial (What a Waste 2.0: A Global Snapshot of Solid Waste Management to 2050)

* Valor total de lixo plástico descartado em resíduos sólidos urbanos, resíduos industriais, resíduos de construção, lixo eletrônico e resíduos agrícolas, na fabricação de produtos durante um ano.



“É hora de mudar a maneira como enxergamos o problema: há um vazamento enorme de plástico que polui a natureza e ameaça a vida. O próximo passo para que haja soluções concretas é trabalharmos juntos por meio de marcos legais que convoquem à ação os responsáveis pelo lixo gerado. Só assim haverá mudanças urgentes na cadeia de produção de tudo o que consumimos”, afirma Mauricio Voivodic, Diretor Executivo do WWF-Brasil.

Impacto socioambiental

A poluição do plástico afeta a qualidade do ar, do solo e sistemas de fornecimento de água. Os impactos diretos estão relacionados a não regulamentação global do tratamento de resíduos de plástico, ingestão de micro e nanoplásticos (invisível aos olhos) e contaminação do solo com resíduos.

A queima ou incineração do plástico pode liberar na atmosfera gases tóxicos, alógenos e dióxido de nitrogênio e dióxido de enxofre, extremamente prejudiciais à saúde humana. O descarte ao ar livre também polui aquíferos, corpos d'água e reservatórios, provocando aumento de problemas respiratórios, doenças cardíacas e danos ao sistema nervoso de pessoas expostas.

Na poluição do solo, um dos vilões é o microplástico oriundo das lavagens de roupa doméstica e o nanoplástico da indústria de cosméticos, que acabam sendo filtrados no sistema de tratamento de água das cidades e acidentalmente usados como fertilizante, em meio ao lodo de esgoto residual. Quando não são filtradas, essas partículas acabam sendo lançadas no ambiente, ampliando a contaminação.
 
Micro e nanoplásticos vêm sendo ainda consumidos por humanos via ingestão de sal, pescados, principalmente mariscos, mexilhões e ostras. Estudos indicam que 241 em cada 259 garrafas de água também estão contaminadas com microplásticos. Apesar de alarmante, ainda são pouco conhecidos os impactos desta exposição humana, a longo prazo.

Apesar de ainda haver poucos estudos sobre o impacto da ingestão de plástico por seres humanos e outras espécies de animais, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou, em 2018, que entender os efeitos do microplástico na água potável é um passo importante para dimensionar o impacto da poluição de plásticos em humanos.

No caminho das soluções

O estudo do WWF também aponta as possíveis soluções e caminhos capazes de estimular a criação de uma cadeia circular de valor ao plástico. Pensados para cada elo do sistema, que envolve a produção, consumo, descarte, tratamento e reúso do plástico, os cuidados necessários propostos oferecem uma orientação para os setores público e privado, indústria de reciclagem e consumidor final, de modo que todos consumam menos plástico virgem (o plástico novo) e estabeleçam uma cadeia circular completa.

Os principais pontos da proposta são:

Cada produtor ser responsável pela sua produção de plástico – O valor de mercado do plástico virgem não é real pois não quantifica os prejuízos causados ao meio ambiente e também não considera os investimentos em reúso ou reciclagem. É necessário haver mecanismos para garantir que o preço do plástico virgem reflita seu impacto negativo na natureza e para a sociedade, o que incentivaria o emprego de materiais alternativos e reutilizados.

Zero vazamento de plástico nos oceanos – O custo da reciclagem é afetado pela falta de coleta e por fatores como lixo não confiável, ou seja, misturado ou contaminado. As taxas de coleta serão maiores se a responsabilidade pelo descarte correto for colocada em empresas produtoras dos produtos de plástico e não apenas no consumidor final, uma vez que serão encorajadas a buscar materiais mais limpos desde seu design até o descarte.

Reúso e reciclagem serem base para o uso de plástico – A reciclagem é mais rentável quando o produto pode ser reaproveitado no mercado secundário. Ou seja, o sucesso desse processo depende de que valor esse plástico é negociado e seu volume (que permita atender demandas industriais). Preço, em grande parte, depende de qualidade do material, e essa qualidade pode ser garantida quando há poucas impurezas no plástico, e quando ele é uniforme – em geral, oriundo de uma mesma fonte. Um sistema de separação que envolva as empresas produtoras do plástico ajuda a viabilizar esta uniformidade e volume, ampliando a chance de reúso.

Substituir o uso de plástico virgem por materiais reciclados. Produtos de plástico oriundo de uma única fonte e com poucos aditivos reduzem os custos de gerenciamento desses rejeitos e melhoram a qualidade do plástico para uso secundário. Por isso o design e o material de um produto são essenciais para diminuir esse impacto, e cabe às empresas a responsabilidade por soluções.

Reduzir o consumo de plástico resulta em mais opções de materiais que sirvam como opção ao plástico virgem, garantindo que seu preço reflita plenamente seu custo na natureza e, assim, desencorajando o modelo de uso único. “Criar uma cadeia circular de valor para o plástico requer melhorar os processos de separação e aumentar os custos por descarte, incentivando o desenvolvimento de estruturas para o tratamento de lixo”, afirma Gabriela Yamaguchi, Diretora de Engajamento do WWF-Brasil.

Biodiversidade

Estima-se que os resíduos plásticos existentes nos solos e rios seja ainda maior do que nos oceanos, impactando a vida de muitos animais e contaminando diversos ecossistemas, abrangendo agora os quatro cantos do mundo – inclusive a Antártida.
“No Brasil, a maior parte do lixo marinho encontrado no litoral é plástico. Nas últimas décadas, o aumento de consumo de pescados aumentou em quase 200%. As pesquisas realizadas no país comprovaram que os frutos do mar têm alto índice de toxinas pesadas geradas a partir do plástico em seu organismo, portanto, há impacto direto dos plásticos na saúde humana. Até as colônias de corais – que são as ‘florestas submarinas’ – estão morrendo. É preciso lembrar que os oceanos são responsáveis por 54,7% de todo o oxigênio da Terra”, afirma Anna Carolina Lobo, Gerente do Programa Mata Atlântica e Marinho do WWF-Brasil.
Criado como uma solução prática para a vida cotidiana e difundido na sociedade a partir da segunda metade do século 20, o plástico há muito vem chamando atenção pela poluição que gera, uma vez que o material, feito principalmente a partir de petróleo e gás, com aditivos químicos, demora aproximadamente 400 anos para se decompor plenamente na natureza.
 
Estimativas indicam que, desde 1950, mais de 160 milhões de toneladas de plástico já foram depositadas nos oceanos de todo o mundo. Ainda assim, estudos indicam que a poluição de plástico nos ecossistemas terrestres pode ser pelo menos quatro vezes maior do que nos oceanos.

Os principais danos do plástico à natureza podem ser listados como estrangulamento, ingestão e danos ao habitat.
 
O estrangulamento de animais por pedaços de plástico já foi registrado em mais de 270 espécies animais, incluindo mamíferos, répteis, pássaros e peixes, ocasionando desde lesões agudas e até crônicas, ou mesmo a morte. Esse estrangulamento é hoje uma das maiores ameaças à vida selvagem e conservação da biodiversidade.
 
A ingestão de plástico já foi registrada em mais de 240 espécies. A maior parte dos animais desenvolve úlceras e bloqueios digestivos que resultam em morte, uma vez que o plástico muitas vezes não consegue passar por seu sistema digestivo.

Peso na economia
 
A poluição por plástico gera mais de US$ 8 bilhões de prejuízo à economia global. Levantamento do PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente –, aponta que os principais setores diretamente afetados são o pesqueiro, comércio marítimo e turismo. Enquanto o lixo plástico nos oceanos prejudica barcos e navios utilizados na pesca e no comércio marítimo, o plástico nas águas vem reduzindo o número de turistas em áreas mais expostas, como Havaí, Ilhas Maldivas e Coréia do Sul.


Fonte: WWF






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Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo e recicla apenas 1%


Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo; apenas 1,2% é reciclado. — Foto: Adneison Severiano/G1 AM


Estudo foi feito pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e divulgado nesta segunda (4). País produz 11 milhões de toneladas de lixo plástico por ano.

Por Tatiana Coelho, G1

O Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo, atrás apenas de Estados Unidos, China e Índia. O país também é um dos menos recicla este tipo de lixo: apenas 1,2% é reciclado, ou seja, 145.043 toneladas.

Os dados são do estudo feito pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF, sigla em inglês). O relatório “Solucionar a Poluição Plástica – Transparência e Responsabilização" será apresentado na Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEA-4), que será realizada em Nairóbi, no Quênia, de 11 a 15 de março.

Veja os números:

  • Brasil produz 11.355.220 milhões de toneladas de lixo plástico por ano
  • Cada brasileiro produz 1 kg de lixo plástico por semana
  • Somente 145.043 toneladas de lixo plástico são recicladas
  • 2,4 milhões de toneladas de plástico são descartadas de forma irregular
  • 7,7 milhões de toneladas ficam em aterros sanitários
  • Mais de 1 milhão de toneladas não é recolhida no país

O Brasil é um dos países que menos recicla no mundo ficando atrás de Yêmen e Síria e bem abaixo da média mundial que é de 9%. Dentre os maiores produtos de lixo plástico, é o que menos recicla. 


Países maiores produtores de lixo plástico no mundo — Foto: WWF

"O fato de o Brasil está no 4º lugar como gerador de lixo plástico do mundo e reciclar somente 1% é resultado da falta de políticas públicas adequadas que incentivem a reciclagem em larga escala"- Anna Carolina Lobo, coordenadora do Programa Mata Atlântica e Marinho do WWF-Brasil.


"Mas também da adoção de um trabalho conjunto com indústrias para desenvolver novas tecnologias, como plásticos de uso único ou plásticos recicláveis, ou substituir o microplástico de vários produtos. Além da própria sociedade enquanto consumidora porque podemos mudar o cenário de acordo com nossas atitudes do dia a dia", explica Lobo.

Lixo plástico: como você pode fazer sua parte para diminuir os resíduos


Segundo a ONG, a poluição pelo plástico afeta a qualidade do ar, do solo e sistemas de fornecimento de água, já que o material absorve diversas toxinas e pode levar até 100 anos para se decompor na natureza. 


Plástico: descarte irregular ameaça oceanos e ecossistemas — Foto: Pixabay



O que fazer com tanto plástico?

Dentre as possíveis soluções estão a destinação correta, a reciclagem e a diminuição da produção de lixo plástico. O brasileiro produz, em média, 1 kg de lixo plástico por semana, uma das maiores médias do mundo.

Soluções como o banimento de canudinhos e descartáveis são boas iniciativas, mas o trabalho precisa ir além da proibição. Para Lobo, é importante reconhecer e valorizar esses projetos de lei, mas é preciso um trabalho com os estabelecimentos comerciais para que eles não continuem ofertando produtos plásticos e com o consumidor para que faça o descarte corretamente.


Fernando de Noronha já tentou vetar o plástico descartável em 1996; novo decreto prevê multa a partir de abril


Para ela, os entraves no Brasil para uma taxa mais alta de reciclagem e descarte correto do lixo são muitos e passam por diferentes fatores: "Se a gente pensar que nem saneamento básico chegou para todo mundo, imagina a reciclagem. Tem também a falta de estrutura para fazer coleta seletiva em larga escala e a questão da educação ambiental de fazer a separação do lixo. E falta também uma conscientização por paste das empresas de que elas precisam ser responsáveis pelo produto durante todo o ciclo de vida".

Uma das ideias possíveis e mais baratas a curto prazo é voltar com o uso de embalagens retornáveis, como anunciado pelas gigantes da indústria alimentícia Coca-Cola e a Pepsico, que já testam em alguns países o serviço.

Plástico nos oceanos

Sem a destinação adequada, boa parte dos resíduos plásticos acabam nos oceanos. Segundo o relatório da WWF, o volume de plástico que chega aos oceanos todos os anos é de aproximadamente 10 milhões de toneladas, o que equivale a 23 mil aviões Boeing 747 pousando nos mares e oceanos todos os anos – são mais de 60 por dia.


Seringa, canudos e muito plástico: lixo oceânico ameaça piscina natural em Fernando de Noronha

Neste ritmo, até 2030, encontraremos o equivalente a 26 mil garrafas de plástico no mar a cada km2.


"De todo lixo encontrado no litoral brasileiro, a maior parte é plástico. Esse verão do fim de 2018/início de 2019 foi o recordista de animais mortos na costa brasileira- principalmente no litoral de São Paulo- e boa parte dos grandes mamíferos tinham plástico em seus estômagos", disse Anna Carolina Lobo, da WWF.

Fonte: G1  







Projeto de 'bairro ideal' redesenha região de SP em busca de melhor relação com o meio ambiente



O antes e depois da implementação do projeto de arborização do bairro Cidade São Francisco — Foto: Labverde/USP


Grupo da USP projetou um novo bairro Cidade São Francisco, localizado na subprefeitura do Butantã, em São Paulo. Ao sair do papel, mais espécies de animais devem circular na região e temperaturas devem cair.

Por Carolina Dantas, G1

Como seria o "bairro ideal" para aproveitamento e preservação do meio ambiente? Um pedido dos moradores do Cidade São Francisco, em São Paulo, chegou até um grupo de pós-graduação da Universidade de São Paulo (USP), e eles criaram um projeto.

Como atrair a vida selvagem de volta para as grandes cidades

"O bairro tem áreas de praças, de nascentes e córregos que estão sendo contestadas para serem regiões públicas, e isso foi parar no Ministério Público. E foi pedido para o laboratório [grupo da USP] para ser feita uma avaliação desses espaços e dos serviços ecossistêmicos que poderiam prestar para o bairro e para a cidade", disse o professor responsável, Paulo Renato Mesquita Pellegrino.

Do ponto de vista ambiental, a criação acabou sendo desmembrada em duas partes importantes:

- A cobertura arbórea;
- A manutenção das nascentes e uso da água;

Atualmente, o Cidade São Francisco, localizado na subprefeitura do Butantã, tem 26% do espaço com edificações. Ou seja: 74% é "livre" para redesenhar.

Mais espécies

O novo projeto de arborização do bairro Cidade São Francisco superaria a média das melhores cidades do mundo no quesito. De acordo com estudo publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT), uma das cidades com maior índice de cobertura vegetal é Tampa, nos Estados Unidos, com 36,1%. Após as mudanças, o bairro paulistano ficaria com 37,37%.

Ranking de cobertura vegetal feito pelo MIT:

Tampa: 36,1%
Cingapura: 29,3%
Cambridge: 25,6%
Sacramento: 23,6%
Frankfurt: 21,5%
Geneva: 21,4%
Amsterdã: 20,6%
Seattle: 20%
Toronto: 19,5%
São Paulo: 11,7%

OBSERVAÇÃO: Niterói já ultrapassou a marca de 50% do seu território protegido por unidades de conservação.

Além de uma cobertura arbórea e verde ocupando mais de 30% do território, os pesquisadores envolvidos escolheram as espécies que seriam plantadas. São 14 tipos de árvores pensadas para diminuir a temperatura do local e também aumentar a fauna.

Plantar um louro-pardo, uma paineira, ou um sacambu, entre outras, ajudaria a atrair aves, mamíferos, abelhas, borboletas, besouros e outros insetos. 


Laíssa Karzmierczak, Priscilla Perini e Cleandho Marcos de Souza são autores do projeto de arborização — Foto: Carolina Dantas/G1


"Usamos espécies pioneiras, que geralmente têm uma maior sobrevivência e gostam de estar expostas ao Sol direto. Então, nesse momento inicial, elas teriam características para lidar com o calor, com alta taxa de insolação, já que não existe uma vegetação coadjuvante para auxiliar o desenvolvimento da espécie. E elas têm um crescimento mais rápido", explicou o biólogo Cleandho de Souza, um dos autores do projeto. Trabalharam com ele Laíssa Karzmierczak, Priscilla Perrini e Laís Leite.

Mais água e menos calor

Mais árvores ajudariam a melhorar a qualidade do ar e, junto com um projeto para proteger as nascentes e córregos, diminuiriam o calor da região. Hoje, o bairro tem 18% de cobertura arbórea. Veja abaixo como ficariam as temperaturas antes e depois do projeto:


Antes e depois da temperaturas (com simulação) no bairro Cidade São Francisco — Foto: Labverde/USP


As áreas em vermelho e laranja têm temperaturas médias de 25,6ºC a 27ºC; as partes verdes e azuis ficam entre 23.94ºC a 24,17ºC. Em São Paulo, segundo os pesquisadores, existem várias ilhas de calor – uma variação térmica mais quente em determinadas regiões devido à baixa cobertura verde.

"Usamos modelos de captação, de drenagem, para uso das águas. São modelos para uso da água de chuva, de valetas, é uma forma de desenho que você trabalha sempre de forma que as águas escorram pela superfície de calçadas e ruas e sejam encaminhadas para esses dispositivos", disse Pellegrino.

A demanda inicial dos moradores estava relacionada com o cuidado de três praças com nascentes que estariam aterradas. O novo projeto deve aflorar a margem do rio próximo ao bairro e desenterrar as nascentes para criar novas áreas com vegetação no bairro.

"Um dos grupos pensou toda a parte de como a água seria tratada, captada, regulada no local e outro também pensou o uso dos espaços públicos", disse Souza.

Fonte: G1




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Cidade de SP tem mais de 2 mil quedas de árvores em janeiro e fevereiro



Assista ao vídeo com a reportagem aqui.


Projeto da USP estuda árvore recordista de quedas em São Paulo para analisar saúde da planta e evitar riscos.

Por Ananda Apple, SP1

A cidade de São Paulo teve mais de 2 mil quedas de árvores em janeiro e fevereiro deste ano, conforme mostrou o SP1 desta terça-feira (5). Só em janeiro, foram 1.185 quedas, enquanto em fevereiro foram outras 1.034. Em março, 209 árvores caíram.

O risco de uma árvore cair aumenta principalmente devido a três fatores: saúde debilitada por pragas, poda mal feita e chuva contínua. No caso da chuva, o motivo é a água aumentar o peso da árvore em até 50% e os ventos de mais de 80 km/h, que não são raros em São Paulo. O mês de fevereiro foi o mais chuvoso dos últimos 15 anos, segundo o Instituto de Meteorologia.

A Prefeitura de São Paulo estima que haja 650 mil árvores nas ruas da cidade, sem contar as dos parques. Boa parte dessas árvores não vive em condições ideais.

O biólogo Marcos Buckeridge está desenvolvendo, no Instituto de Biociências da USP, um estudo com mudas de tipuana, uma árvore boliviana que foi muito plantada na cidade há 60 anos e hoje é uma das que mais caem. A ideia do projeto é ser um "médico da árvore". Os pesquisadores colocam agulhas que passam pelo tronco e medem a quantidade de água que a planta bebe e quanto ela consegue aproveitar dos nutrientes.

“Uma das coisas que a gente faz aqui é medir, por exemplo, o fluxo da seiva pra ver se ela está conduzindo, se ela está pegando água e transportando água pro topo, se a fotossíntese dela tá saudável, se ela está produzindo açúcar e redistribuindo pra planta como característica de uma planta saudável”, explica o biólogo.

“Nós estamos tentando descobrir se uma planta doente pode ter comportamentos diferentes e, se nós pudermos medir esse comportamento de forma rápida e barata, nós podemos talvez anteceder de uma forma de um exame médico, da forma que se faz exame médico com pessoas se essa árvore pode cair ou não”, informou Buckeridge.

90 mil podas em 2018

Segundo a Prefeitura de São Paulo, em 2018, foram feitas quase 90 mil podas em árvores e quase 12 mil remoções. São 100 equipes que trabalham em parceria com a Enel, antiga Eletropaulo, identificando se a responsabilidade pela poda é da concessionária ou da Prefeitura. O total de solicitações de poda pelo 156 da Prefeitura foi de 51 mil.

O projeto deve demorar mais dois anos para ser finalizado e depende de apoio para ser colocado em prática.

Fonte: G1




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domingo, 3 de março de 2019

RESTAURAÇÃO DA MATA ATLÂNTICA: pesquisa mostra que nova abordagem reduziria os custos em 57%



COMENTÁRIO:

Com a prioridade mundial que se pretende dar à recuperação florestal ao se instituir a DÉCADA DA ONU PARA A RESTAURAÇÃO DOS ECOSSISTEMAS 2021-2030, as atenções voltam-se para o Brasil, considerando-se a extensão de terras disponíveis para a restauração e as vantagens competitivas que o nosso país teria para atrair investimentos nessa área, como mostra a matéria abaixo.

Com um planejamento adequado e com a adoção de políticas públicas eficientes, poderemos alcançar as vantagens da recuperação ambiental dessas áreas além de oferecer grandes oportunidades para os agricultores e comunidades rurais.

Um grande exemplo disso é o que a Costa Rica tem conseguido nos últimos anos, como pode ser visto na postagem Costa Rica: experiência bem sucedida de recuperação florestal na escala da propriedade rural

Cabe lembrar que o Brasil assumiu o compromisso, em dezembro de 2016, através do ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, com a seguinte contribuição voluntária brasileira ao Desafio de Bonn:

  • Até 2030, o país irá restaurar, reflorestar e promover a regeneração natural de 12 milhões de hectares de áreas florestais.
  • Além disso, serão implementados cinco milhões de hectares de sistemas agrícolas que combinem agricultura, pecuária e floresta e recuperados cinco milhões de hectares de pastagens degradadas.

Desafios na conjuntura nacional atual

Apesar do protagonismo brasileiro em um passado recente no cenário diplomático da agenda do clima, hoje temos no Governo Bolsonaro um ambiente refratário ao tema e até mesmo uma ameaça textual do presidente de tirar o Brasil da Convenção do Clima e declarações reativas do atual ministro do Meio Ambiente.

O Governo Bolsonaro vira as costas para um movimento irreversível no mundo ao se aliar às teses dos setores mais atrasados do ruralismo brasileiro.

A atitude irresponsável do atual governo têm colocado o Brasil como objeto das críticas mundiais. O lamentável recuo brasileiro nos exclui de grandes oportunidades, uma vez que o Brasil seria um dos países que mais teria a ganhar, por suas vastas extensões de terras disponíveis para a recuperação, que habilitaria o país a receber investimentos internacionais, beneficiando comunidades rurais e até mesmo cidades e regiões metropolitanas, como Niterói pode colocar-se como um exemplo.

Que o Brasil saia das sombras e abrace a agenda que salvará as atuais e futuras gerações da imprevidência e inação dos tomadores de decisão do momento.

Fiat lux! Que se faça luz na escuridão.

Axel Grael
Engenheiro Florestal

Secretário Executivo
Prefeitura de Niterói


 

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Brazil could save more species at half the cost with new forest restoration plan

December 18, 2018 by Juanita Bawagan, Imperial College London

A new approach to restoring Brazil's Atlantic Forest could triple biodiversity gains while reducing costs by US$28 billion.

The findings, published in Nature Ecology & Evolution, will be used by the Brazilian Ministry of the Environment and could guide restoration projects around the world.

A team of 25 international researchers, including Senior Lecturer in Conservation Science at Imperial Dr. Morena Mills, developed a customized software to determine the best route for restoration. Using this software, they identified the best way to divide space in Brazil's Atlantic Forest to maximize biodiversity and climate change mitigation while minimizing costs.

This approach would save approximately 745 animals and plants from extinction. As trees regrow, the forest would also capture twice as much carbon dioxide, taking in 1 billion tonnes of carbon dioxide from the atmosphere over the next 20 years. This approach would also cut overall restoration costs by 57%.

Bernardo Strassburg, lead author of the study, from the International Institute for Sustainability and the Pontifical Catholic University of Rio de Janeiro explains: "These restoration targets, if achieved, will bring multiple benefits for people and nature. We show that science can help guide decisions about where to restore, multiplying benefits and saving billions of dollars in costs."

An ecosystem under threat

The Atlantic Forest, located along the coast of Brazil, is one of the most biodiverse ecosystems in the world. It once covered nearly 1.5 million square kilometres but today only an estimated 7-11% remains. To maintain the biodiversity within the Atlantic Forest, these levels need to reach 30%—a measure established by Imperial scientist Dr. Cristina Banks-Leite, who was recently a runner up for a NERC Impact Award for her biodiversity research.

While this restoration solution is directly applicable to the Brazilian Government, their methodology could guide other restoration programs around the world.

The program the team used considered different priorities for land use: biodiversity conservation, climate change mitigation and farming. The program was able to prioritise the most valuable lands to restore, while at the same time focusing on the least valuable lands for farming.

Dr. Morena Mills explains: "People recognise the benefits of forest restoration for their wellbeing and for nature, and there are extraordinary efforts to restore forest happening around the world. Our study provides guidance on how multiple interests, in nature and agriculture, can be reconciled when developing forest restoration plans."

A graphic showing some of the main figures from the report: 745 native species that could be saved from extinction, 1 billion tonnes of carbon dioxide that could be removed from the atmosphere over 20 years, and $28 billion dollars that could be saved.

Going forward

Given the team's success in optimising restoration for Brazil's Atlantic Forest, their research is now guiding plans for Brazil's other five major habitats, including the Amazon Rain Forest. However, the researchers say there is uncertainty about Brazil's environmental agenda following the recent presidential election.

Dr. Mills said: "Regardless of the political situation, this approach sets a foundation for better forest restoration efforts in Brazil and around the world.

"This is a great example of a forest restoration plan which is both good for the people and good for nature."


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More information: Bernardo B. N. Strassburg et al. Strategic approaches to restoring ecosystems can triple conservation gains and halve costs, Nature Ecology & Evolution (2018). DOI: 10.1038/s41559-018-0743-8

Journal reference: Nature Ecology & Evolution

Provided by: Imperial College London


--*--


Fonte: Phys.org




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PLANTAR UM TRILHÃO DE ÁRVORES PARA SALVAR O PLANETA
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Niterói Sustentável: cidade tem 123,2 metros quadrados de áreas verdes protegidas para cada niteroiense
FAO: Niterói é destaque em publicação sobre ambiente
No dia das florestas, ONU celebra criação e proteção de áreas verdes em Niterói
NITERÓI MAIS VERDE: FAO lança publicação que inclui Niterói como um exemplo de política para florestas urbanas  








New Deal Verde: discurso pela sustentabilidade lidera o antagonismo político a Trump



COMENTÁRIO:

O movimento New Deal Verde ganha força no cenário político dos EUA com a liderança de setores mais à esquerda do Partido Democrático e tem sido considerado a reação às maluquices megalomaníacas e sectárias de Donald Trump.

A porta-voz do movimento é a deputada Alexandria Ocasio-Cortez, de 29 anos, a mais jovem eleita para o Congresso dos EUA tornou-se um fenômeno de popularidade, vista como a representante da nova geração, dos latinos e da renovação da política americana.

Em oposição a Trump, que insiste na tese negacionista e refratário às iniciativas em favor do combate às mudanças climáticas, Ocasio-Cortez usa os relatórios do IPCC - Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU e, através do New Deal Verde propõe mudanças radicais na economia americana em dez anos, fazendo com que 100% da demanda por energia nos EUA seja atendida por meio de fontes energéticas limpas, renováveis e com zero emissão de carbono e reformar todos os prédios do país, assim como construir novos, “para atingir o máximo de eficiência energética, eficiência de água, segurança, preços acessíveis, conforto e durabilidade”.

Ação e reação: sustentabilidade x retrocessos civilizatórios

O debate está aberto e incendiando a política e o processo pré-eleitoral nos EUA. O interessante é que vemos o discurso da sustentabilidade como oposição ao obscurantismo da extrema direita de Trump, que turbinou candidaturas populistas e radicais de direita mundo afora, como foi o caso de Bolsonaro no Brasil.

O confronto que se delineia é a sustentabilidade x "business as usual", nova economia com bases sustentáveis x lobby do petróleo, responsabilidade global x o isolacionismo segregacionista do muro de Trump.

A reação republicana, dos apoiadores do presidente americano procuram desqualificar as ideias de Ocasio-Cortez insistindo nas mesmas teses reacionárias que levaram Trump ao poder.

Podemos estar vendo o início de um processo histórico de transição para a sustentabilidade. Vamos acompanhar com interesse e aprender com a evolução dos debates norte-americanos e trabalhar para que inspirem ventos saudáveis de inovação e renovação por aqui também, para que o Brasil avance para o caminho da sustentabilidade e não continue retrocedendo, como estamos vendo na atual gestão federal.

Axel Grael




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New Deal Verde, o antagonista do muro de Trump

A congressista Alexandria Ocasio-Cortez e o senador Ed Markey durante a apresentação do "New Deal Verde" em Washington Foto: Jonathan Ernst / REUTERS


Impulsionado pela congressista democrata Alexandria Ocasio-Cortez, plano ambicioso é visto como 'caro e irrealista', mas suscita debates em Washington

Paola De Orte — Especial para O GLOBO

WASHINGTON — O gabinete de Alexandria Ocasio-Cortez chama a atenção de quem passa pelos longos corredores do Edifício Cannon, um dos prédios que abrigam escritórios de parlamentares perto do Capitólio, a sede do Congresso americano em Washington. Em vez de ostentar apenas bandeiras dos Estados Unidos e do estado de origem da deputada do Partido Democrata, a porta do escritório está cercada de post-its coloridos, com recados de seus apoiadores. Eles não param de chegar ao local, e tiram fotos ao lado da placa com o nome da parlamentar, conhecida pelas iniciais AOC.

— Ela representa as latinas no Congresso — diz Brimady Ramirez-Garcia, estudante de ensino médio que veio de Berwyn, Illinois, a mais de mil quilômetros de Washington, para conhecer a capital — Isso nos incentiva a participar da política.

Mulher mais jovem eleita para o Congresso americano, AOC, de 29 anos, é um fenômeno de popularidade da era das redes sociais. Com mais de 3 milhões de seguidores no Twitter, a deputada de origem porto-riquenha que representa os distritos nova-iorquinos do Bronx e do Queens supera nesse quesito a veterana democrata Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Deputados. E, já no início da legislatura, aproveita a atenção para emplacar seu primeiro projeto.

No dia 7 de fevereiro, ao lado do senador Ed Markey, Ocasio-Cortez apresentou ao Congresso uma resolução que propõe um “New Deal Verde”. Citando estudos do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU, o texto propõe reformas radicais na economia americana. Entre elas, “fazer com que 100% da demanda por energia nos EUA seja atendida por meio de fontes energéticas limpas, renováveis e com zero emissão de carbono”, e reformar todos os prédios do país, assim como construir novos, “para atingir o máximo de eficiência energética, eficiência de água, segurança, preços acessíveis, conforto e durabilidade”. O projeto prevê um prazo de dez anos para sua implementação.

— É uma declaração de desejos — diz Alex Brill, especialista em política fiscal do centro de estudos conservador American Enterprise Institute, ao explicar que uma resolução, mesmo que aprovada, não é de aplicação obrigatória.

Ainda assim, o New Deal Verde ganha espaço no debate político em Washington e tende a ser uma referência dos debates que ocorrerão até a corrida presidencial de 2020, assim como foi o muro de Donald Trump em 2016. Tanto democratas quanto republicanos acabaram se posicionando publicamente sobre a proposta.

O plano de Roosevelt

O Green New Deal é uma versão atualizada do New Deal de Franklin D. Roosevelt, série de programas implementados entre 1933 e 1937 nos EUA com o objetivo de recuperar a economia do país após a recessão gerada pela crise de 1929.

Segundo o historiador Eric Rauchway, autor de “A Grande Depressão e o New Deal”, o programa foi prometido por FDR em sua campanha eleitoral em 1932. Ao GLOBO, Eric afirmou que, para compreender as circunstâncias atuais, é preciso entender que o New Deal “prometia um programa de vastas obras públicas, particularmente para criar novas formas de eletricidade, conservar os recursos ambientais, ao mesmo tempo em que promovia justiça social”.

O programa propunha uma rede de usinas hidrelétricas que geraria empregos e iria atender a regiões desassistidas. Ele afirma que o paralelo entre o New Deal de FDR e o Green New Deal está justamente no objetivo de financiar maciçamente obras públicas para implantar “formas sustentáveis de energia” que também gerem empregos.

“Socialistas”

O interesse pelo tema ambiental cresce nos EUA. Segundo uma pesquisa das universidades de Yale e George Mason de 2018, 72% dos americanos dizem que o aquecimento global é importante para eles pessoalmente, um aumento de 16 pontos desde a pesquisa anterior.

Entre os republicanos, a rejeição ao New Deal Verde era esperada. O presidente do Senado, Mitch McConnell, disse que vai pôr o projeto em votação, em uma provocação aos democratas, que se veriam obrigados a votar em um texto que poderia desagradar suas bases menos progressistas.

AOC responde às críticas com humor. Quando o senador republicano John Barrasso acusou-a de querer acabar com os sorvetes e cheeseburgers, respondeu:

— Gosto demais de sorvete para fazer isso.

Trump também se pronunciou. Em um comício, disse que o texto parece “um trabalho de ensino médio que recebeu uma nota baixa”. Ele tenta associar o projeto à ideia de que os novos democratas são radicais demais, “socialistas”.

Não está claro se a pecha de socialista teria impacto tão negativo quanto aposta o presidente. A revista “The Economist” estampou em sua capa que o socialismo é tendência na geração millennial. A própria Ocasio-Cortez se diz uma “socialista democrática”, e uma pesquisa do Gallup mostra que parcela crescente dos democratas vê o socialismo como positivo: 57% hoje contra 53% em 2010. Já sua visão positiva do capitalismo, no mesmo período, caiu de 53% para 47%.

Mesmo entre os democratas, o New Deal Verde não é consenso. Apesar de ter recebido apoio de alguns dos pré-candidatos do partido à Presidência — Kamala Harris, Kirsten Gilibrand, Elizabeth Warren, Corey Booker e Bernie Sanders —, a resolução deve enfrentar resistência interna.

— Há democratas que vêm de áreas onde se produz carvão ou onde a geração de eletricidade depende do gás natural — diz Kenny Stein, diretor de políticas públicas do centro de estudos pró-mercado Instituto para Pesquisa sobre Energia, ao argumentar que o projeto não tem chance de ser aprovado no Congresso.

O projeto inclui, além das prescrições ambientais, uma série de recomendações econômicas. Uma das propostas é “criar milhões de empregos bons com alta remuneração e garantir a prosperidade e a segurança econômica para todas as pessoas dos EUA”.

Quem já demonstrou reservas foi a própria Nancy Pelosi. Em entrevista ao site “Politico”, a presidente da Câmara chegou a chamar a resolução de “sugestão”. Na mesma entrevista, se referiu ao projeto como “o sonho verde”. Mais tarde, no entanto, voltou atrás no tom desdenhoso e disse que o entusiasmo com o projeto é bem-vindo.

— É mais uma plataforma política para uma campanha do que uma legislação de fato — ressalta Stein, que afirma que o projeto traz proposições vagas e não explica como colocá-las em prática.

Ele também alega que haveria impactos ambientais negativos: seriam gastos muita energia e material para reformar todos os prédios do país, e a poluição visual e a escassez de espaços adequados são entraves à disseminação de usinas de energia eólica.

— Uma usina comum ocupa 607 hectares, enquanto para uma usina eólica precisamos de milhares de hectares.

Ainda segundo Stein, para atingir o objetivo de suprir todo o consumo energético americano com fontes renováveis seria preciso ocupar 12% da área continental do país apenas para atender à demanda atual. Implementar essas mudanças em dez anos é, para ele, “completamente irrealista”.

“Irrealista”

Alex Brill admite que as mudanças climáticas são um problema, mas diz que a solução apresentada é “muito ruim, muito cara, muito irrealista”. Segundo ele, as propostas custariam trilhões de dólares, e o melhor seria a regulamentação por meio de impostos sobre a emissão de carbono.

A conselheira para energia limpa do centro de estudos progressista Third Way, Lindsey Walter, concorda que a proposta de AOC é ambiciosa, mas se diz otimista por ela introduzir novos parâmetros na discussão ambiental:

— Nunca havíamos visto algo nessa escala nos EUA.

Lindsey admite que o projeto enfrenta obstáculos políticos, mas o vê como um “ponto de partida”, que define como serão as discussões ambientais no Congresso americano daqui por diante, mesmo que o texto não seja aprovado como foi apresentado:

— Ele estabelece padrões de como deve ser uma política ampla e ambiciosa para o clima.
Fonte: O Globo




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sábado, 2 de março de 2019

Estudante da UFF propõe solução para as cascas de mexilhão de Jurujuba



COMENTÁRIO:

O professor Márcio Cataldi, coordenador do Laboratório de Monitoramento e Modelagem do Sistema Climático ( LAMMOC ), é um parceiro do Projeto Grael, no Projeto Barco Escola, que utiliza uma embarcação - o Fuzzarca, e a infraestrutura e logística da sede da organização. O  LAMMOC desenvolve um trabalho educacional com estudantes da rede pública e ajuda na manutenção da embarcação.

Barco Escola

O Projeto Barco Escola é um projeto de extensão desenvolvido pela Engenharia de Recursos Hídricos e do Meio Ambiente da Universidade Federal Fluminense - UFF.

Seu principal objetivo é divulgar e propagar os meios sustentáveis e renováveis para a geração de energia entre os alunos do ensino médio de escolas públicas dos municípios da região metropolitana do Rio de Janeiro. 

Os adolescentes e jovens dessas escolas assistem aulas teóricas e práticas dentro de sala de aula. Posteriormente, eles são levados para uma aula prática na Baía de Guanabara a bordo de um veleiro equipado com instrumentos de medição de baixo custo.

Assim, o projeto promove uma maior aproximação desses alunos com o universo acadêmico, incentivando-os a ingressar na faculdade.

A equipe conta com cerca de 20 graduandos do curso de Engenharia ambiental e uma parceria de cooperação técnica com o Projeto Grael.

Mexilhão de Jurujuba

Na postagem abaixo, publicada pelo professor Cataldi, dá-se destaque ao trabalho do aluno da UFF Luiz Felipe, da Engenharia Civil da UFF, que estudou o problema da casca de mexilhão em Jurujuba, resíduo da produção do molusco por cooperativas de produtores no bairro onde localiza-se também o Projeto Grael.

A falta de uma solução para o aproveitamento das conchas tem gerado ao longo de décadas a acumulação do resíduo formando verdadeiros sambaquis modernos que vêm afetando o espelho d'água e polui a Enseada de Jurujuba.

O estudo mostra que há uma solução promissora para o aproveitamento do resíduo e, assim, reduzir os impactos ambientais e, quem sabe, gerar uma receita extra para os produtores.

Axel Grael





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O professor Marcio Cataldi participou, esta semana, junto com a professora Vivian Louback Balthar, da banca do aluno Luiz Felipe, da Engenharia Civil da UFF, cujo trabalho foi muito interessante do ponto de vista social e da #sustentabilidade.

A colônia de pescadores de Jurujuba Niterói, cultiva mexilhões da espécie Perna perna, mas o descarte das cascas deste molusco ainda não possui um destino certo, ficando na maioria das vezes depositadas na praia.

Buscando encontrar uma solução para esse problema, o aluno conseguiu produzir areia a partir da casca de mexilhão.

Segundo o professor Cataldi, os resultados foram bem promissores, podendo apontar para a solução para o problema.

Fonte: Barco Escola UFF-Projeto Grael








Conceito de Restauração da Paisagem Florestal



La Restauración del Paisaje Forestal (FLR) es un proceso continuo de recuperación de las funciones ecológicas de los bosques y de mejoramiento del bienestar humano a lo largo de paisajes forestales deforestados o degradados. FLR es más que únicamente plantar árboles, se trata de la restauración de todo un paisaje para satisfacer las necesidades presentes y futuras, así como ofrecer beneficios y usos de suelo múltiples a lo largo del tempo.





La FLR se manifiesta a través de procesos diferentes, tales como: plantación de nuevos árboles, regeneración natural manejada, agroforestería o mejoramiento del manejo del suelo para incorporar un mosaico de usos de suelo que comprendan: la agricultura, la protección de las reservas de vida silvestre, el manejo de plantaciones, la recuperación de riberas y otros más.

De acuerdo con una evaluación mundial del potencial de restauración, existen más de dos mil millones de hectáreas de suelo deforestado y degradado alrededor el mundo, que ofrecen oportunidades para realizar algún tipo de intervención de restauración. La restauración de bosques y de paisajes forestales constituye un paso importante para recuperar la salud y el funcionamiento de estos ecosistemas.

La UICN colabora con los socios de FLR para reunir información, desarrollar y aplicar herramientas, construir capacidades y ofrecer apoyo a responsables de formulación de políticas, profesionales, investigadores y propietarios de tierras alrededor del mundo. Adicionalmente, la UICN y el WRI han desarrollado la Metodología de Evaluación de Oportunidades de Restauración (ROAM), dirigida a actores diversos, con pasos prácticos para la restauración de paisajes a diferentes escalas.

Conozca más sobre la restauración de paisaje forestal

Proyectos de FLR en marcha:

- Accelerating Action / Acelerando la Acción
- Bonn Challenge Barometer / Barómetro del Desafío de Bonn
- FLR awareness (BMU7) / Sensibilización FLR
- KNOWFOR II
- Land Use Stabilization / Estabilización de Uso del Suelo
- Mobilising markets / Movilizando mercados
- SUSTAIN
- The Restoration Initiative / La Iniciativa de Restauración


Fonte: IUCN




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Guiding principles of forest landscape restoration

Successful FLR is forward-looking and dynamic, focussing on strengthening the resilience of landscapes and creating future options to adjust and further optimise ecosystem goods and services as societal needs change or new challenges arise. It integrates a number of guiding principles, including:

- Focus on landscapes – FLR takes place within and across entire landscapes, not individual sites, representing mosaics of interacting land uses and management practices under various tenure and governance systems. It is at this scale that ecological, social and economic priorities can be balanced.

- Maintain and enhance natural ecosystems within landscapes – FLR does not lead to the conversion or destruction of natural forests or other ecosystems. It enhances the conservation, recovery, and sustainable management of forests and other ecosystems.

- Engage stakeholders and support participatory governance – FLR actively engages stakeholders at different scales, including vulnerable groups, in planning and decision making regarding landuse, restoration goals and strategies, implementation methods, benefit sharing, monitoring and review processes.

- Tailor to the local context using a variety of approaches – FLR uses a variety of approaches that are adapted to the local social, cultural, economic and ecological values, needs, and landscape history. It draws on latest science and best practice, and traditional and indigenous knowledge, and applies that information in the context of local capacities and existing or new governance structures.

- Restore multiple functions for multiple benefits – FLR interventions aim to restore multiple ecological, social and economic functions across a landscape and generate a range of ecosystem goods and services that benefit multiple stakeholder groups.

- Manage adaptively for long-term resilience – FLR seeks to enhance the resilience of the landscape and its stakeholders over the medium and long-term. Restoration approaches should enhance species and genetic diversity and be adjusted over time to reflect changes in climate and other environmental conditions, knowledge, capacities, stakeholder needs, and societal values. As restoration progresses, information from monitoring activities, research, and stakeholder guidance should be integrated into management plans.

For more on forest landscape restoration


Fonte: IUCN




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Paisagem rural na Guatemala.


COMENTÁRIO:

O anúncio da instituição da Década da ONU para a Restauração dos Ecossistemas 2021-2030 foi proposto pelo governo de El Salvador, com o apoio dos países do Sistema de Integração Centro-americana (SICA), durante um evento internacional realizado em Foz do Iguaçu, onde representantes de diversos países se reuniram em março de 2018 para dar continuidade ao Desafio de Bonn. Em 2012, o Ministério do Meio Ambiente e Recursos Naturais do menor país da América Central deu início ao Programa de Restauração de Ecossistemas e Paisagens Rurais de El Salvador, que foi a inspiração para que a mesma iniciativa fosse proposta como um esforço global em Foz do Iguaçu.

Desafio de Bonn

O Desafio de Bonn foi lançado em 2011 pelo governo alemão e pela IUCN e, posteriormente, foi endossado pela Declaração de Nova York sobre Florestas, aprovada na Conferência do Clima de 2014.

A base para o Desafio de Bonn foi o conceito de Restauração da Paisagem Florestal (FLR), que tem como objetivo restaurar a integridade ecológica e melhorar a qualidade de vida da população através de paisagens multifuncionais.

A proposta do Desafio de Bonn era restaurar 150 milhões de hectares no mundo inteiro até 2020 e 350 milhões de hectares até 2030. 

A restauração de 150 milhões de hectares de áreas desmatadas e degradadas em biomas do mundo todo - com os princípios da FLR - geraria benefícios da ordem de 84 bilhões de dólares/ano com impactos positivos diretos em oportunidades para comunidades rurais. Além disso, cerca de 90% dos investimentos seria potencialmente negociáveis nos sistemas de mercado de carbono e outros.

O alcance da meta de 350 milhões de hectares gerará US$ 170 bilhões/ano em benefícios líquidos de recuperação de mananciais e bacias hidrográficas, produtividade agrícola e produtos florestais e poderia sequestrar anualmente 1,7 gigatoneladas de CO2 equivalente.

É importante ressaltar que a proposta não é, obviamente, transformar áreas de produção agropecuária em áreas florestais, mas recuperar áreas degradadas. Segundo levantamentos, estas áreas disponíveis no mundo somam cerca de 2 bilhões de hectares, o que corresponde a mais do que toda a área da América do Sul.

Destas áreas, localizadas prioritariamente em regiões tropicais e temperadas:

  • 1,5 bilhão de hectares têm vocação para restauração em forma de mosaicos, em que florestas e arborização são combinadas com outros tipos de uso do solo, incluindo agrosilvicultura, agricultura familiar e pequenos assentamentos.
  • Cerca de 500 milhões de hectares poderiam ser apropriados para restauração com prioridade florestal em larga escala.
  • Adicionalmente a estes 2 bilhões de hectares, existem cerca de 200 milhões de hectares de terras despovoadas de florestas boreais que foram degradadas pelo fogo. Essas áreas são consideradas de difícil recuperação devido à sua situação em áreas remotas.

Compromisso brasileiro

Cabe também lembrar que em dezembro de 2016, o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, anunciou a contribuição voluntária brasileira ao Desafio de Bonn: 

  • Até 2030, o país irá restaurar, reflorestar e promover a regeneração natural de 12 milhões de hectares de áreas florestais. 
  • Além disso, serão implementados cinco milhões de hectares de sistemas agrícolas que combinem agricultura, pecuária e floresta e recuperados cinco milhões de hectares de pastagens degradadas.

Para alcançar essas metas, o Brasil estabeleceu uma Política Nacional de Recuperação de Vegetação Nativa (Proveg), que será implementada pelo Plano Nacional de Recuperação de Vegetação Nativa (Planaveg)

Desafios na conjuntura nacional atual

Apesar do protagonismo brasileiro em um passado recente no cenário diplomático da agenda do clima, hoje temos no Governo Bolsonaro um ambiente refratário ao tema e até mesmo uma ameaça textual do presidente de tirar o Brasil da Convenção do Clima e declarações reativas do atual ministro do Meio Ambiente.

O Governo Bolsonaro vira as costas para um movimento irreversível no mundo ao se aliar às teses dos setores mais atrasados do ruralismo brasileiro. 

A atitude irresponsável do atual governo têm colocado o Brasil como objeto das críticas mundiais. O lamentável recuo brasileiro nos exclui de grandes oportunidades, uma vez que o Brasil seria um dos países que mais teria a ganhar, por suas vastas extensões de terras disponíveis para a recuperação, que habilitaria o país a receber investimentos internacionais, beneficiando comunidades rurais e até mesmo cidades e regiões metropolitanas, como Niterói pode colocar-se como um exemplo.

Que o Brasil saia das sombras e abrace a agenda que salvará as atuais e futuras gerações da imprevidência e inação dos tomadores de decisão do momento. 

Fiat lux! Que se faça luz na escuridão.

Axel Grael
Engenheiro Florestal

Secretário Executivo
Prefeitura de Niterói





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Bienvenida, Década de las Naciones Unidas para la Restauración de los Ecosistemas 2021-2030

Las Naciones Unidas han emitido un histórico “llamado a la acción” para movilizar el apoyo político y financiero necesario para restaurar los ecosistemas degradados y deforestados del planeta en la próxima década, y así impulsar el bienestar de 3.200 millones de personas en todo el mundo. Más de 2 mil millones de hectáreas, un área más grande que el continente sudamericano, podrán ser restauradas gracias a esta iniciativa.

La Década de las Naciones Unidas para la Restauración de Ecosistemas, aprobada por la Asamblea General el 1 de marzo, se extenderá desde 2021 hasta 2030 y promoverá la ampliación de los trabajos de restauración para abordar la grave degradación de los paisajes, incluidos los humedales y los ecosistemas acuáticos en todo el mundo.

Se espera que la Década lleve las acciones de restauración de los paisajes a la cima de las agendas nacionales, en base a la creciente demanda pública de acción en temas como el cambio climático, la pérdida de biodiversidad y los impactos resultantes sobre las economías y los medios de vida.

“Creo que hay muchas estrellas que se están alineando ahora”, dijo Tim Christophersen, jefe de la Subdivisión de Agua, Tierras y Clima de ONU Medioambiente, quien se desempeña como presidente de la Asociación Global sobre Restauración del Paisaje Forestal, en una entrevista con Landscape News.

“Tenemos que conservar lo que queda, detener el sangrado, pero también darle a la paciente Tierra una transfusión de sangre”, dijo.

“Estas cosas tienen que ir en paralelo. Hay una comprensión más clara de eso ahora, y el amplio movimiento para la restauración tiene muchos años de experiencia”, agregó.

ONU Medioambiente trabajará con la Organización de las Naciones Unidas para la la Alimentación y la Agricultura (FAO) en la dirección de la implementación de la Década.

La idea de la Década surgió a partir de una propuesta de El Salvador, un líder latinoamericano de los esfuerzos ambientales, a fin de unificar recursos globales y dedicar 10 años a promover acciones de restauración. Durante un evento clave como parte de las actividades del Desafío Bonn en marzo de 2018 en Foz de Iguazú, Brasil, el Ministerio de Medio Ambiente y Recursos Naturales de El Salvador (MARN) instó a la comunidad internacional a apoyar la idea de una década dedicada a la restauración de los paisajes.

El MARN, junto con el ex director de ONU Medioambiente, Erik Solheim, continuó promoviendo la adopción de la Década en otro evento GLF en Nairobi en agosto 2018, un preludio directo a la propuesta de la Década que se hiciera pública en septiembre pasado en la Asamblea General de la ONU en Nueva York.

Se estima que la degradación de la tierra le cuesta a la economía mundial entre USD 2 y 4,5 mil millones cada año, mientras que los beneficios económicos de los esfuerzos de restauración podrían alcanzar anualmente un estimado de USD 84 mil millones. Cada año, al menos 7 millones de hectáreas de paisajes forestales tropicales desaparecen o son degradados, lo que pone en riesgo los medios de vida, la biodiversidad y la seguridad alimentaria, al tiempo que exacerba el cambio climático, los conflictos sociales y la migración humana.

La Década también tiene como objetivo restaurar las zonas costeras y humedales, ecosistemas que han ido disminuyendo incluso más rápidamente que los ecosistemas terrestres. Se proyecta que los arrecifes de coral disminuirán en un 70 a 90 por ciento más, con un aumento de 1.5 grados Celsius de la temperatura global, con graves efectos para la biodiversidad, la economía global y la atmósfera.

“Esta es una gran oportunidad para generar impulso y voluntad política, conciencia, y capacidad técnica en todos los niveles”, dijo Christophersen. “Y creo que estamos listos, porque existe un movimiento muy amplio de restauración que tiene muchos años de experiencia. Estamos listos para escalar”.

Un mayor financiamiento podría implementar y ampliar los proyectos de restaurar ecosistemas, revertir la degradación de los suelos y la pérdida de la biodiversidad, así como afianzar los esfuerzos a nivel nacional para cumplir con los objetivos de la Agenda 2030 para el Desarrollo Sostenible y los Objetivos de Desarrollo Sostenible (ODS).

“La degradación de nuestros ecosistemas ha tenido un impacto devastador tanto en las personas como en el medio ambiente”, dijo Joyce Msuya, directora ejecutiva interina de ONU Medioambiente en un comunicado de prensa. “Estamos entusiasmados de que el impulso para restaurar nuestro entorno natural haya ido ganando espacio, porque la naturaleza es nuestra mejor alternativa para enfrentar el cambio climático y asegurar el futuro”.

La Década para la restauración acelerará los objetivos ya existentes, como el Desafío de Bonn, que apunta a restaurar 350 millones de hectáreas de ecosistemas degradados para 2030, por un valor estimado USD 800 mil millones. Hasta la fecha, unos 57 países, gobiernos subnacionales y organizaciones privadas se han comprometido a restaurar más de 170 millones de hectáreas, en base a esfuerzos regionales como la Iniciativa 20×20 en América Latina y la AFR100 para la restauración del paisaje forestal africano, cuya meta es restaurar 100 millones de hectáreas de tierras degradadas para 2030.

La restauración de 350 millones de hectáreas de tierra degradada para 2030 podría generar USD 9 mil millones en servicios ecosistémicos y eliminar de la atmósfera entre 13 y 26 gigatoneladas de gases de efecto invernadero, algo fundamental para los medios de vida y el bienestar humano, agregó José Graziano da Silva, director general de la FAO.

“Nuestros sistemas alimentarios globales y los medios de vida de miles de millones de personas dependen de que todos trabajemos juntos para restaurar ecosistemas sanos y sostenibles para hoy y para el futuro”, dijo.

La restauración de los ecosistemas también es fundamental para lograr los Objetivos de Desarrollo Sostenible, en particular el referido al cambio climático, la erradicación de la pobreza, la seguridad alimentaria, el agua y la conservación de la biodiversidad.

“Creemos que todos los países, de alguna manera, están preparados para dar un gran salto en la restauración”, dijo Lina Pohl, ministra de medio ambiente y recursos naturales de El Salvador.

“Esto no se puede lograr en solo un año. No puedes restaurar un país en un año. Por eso se necesita un esfuerzo coordinado durante una década”, destacó.

Para leer:

Nota Conceptual de la Década de las Naciones Unidas para la Restauración de Ecosistemas 2021-2030

Jefe de ONU Medio Ambiente respalda propuesta de Década de la ONU para la Restauración de los Ecosistemas

Países miembros de la Iniciativa 20 × 20 piden tener un mejor acceso a fondos climáticos y financiamiento privado para la restauración de tierras

Los delegados del Brasil del Desafío de Bonn evalúan los esfuerzos de restauración forestal en todo el mundo


Fonte: Global Landscapes Forum




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Referências

The Bonn Challenge