quinta-feira, 4 de julho de 2019

Brasil é campeão em área adequada para recuperação de florestas



"O Brasil e a Mata Atlântica são os campeões de áreas importantes para restauração", diz Pedro Brancalion


Estudo liderado por brasileiro aponta regiões com maior potencial para a restauração de florestas tropicais destruídas. No mundo, 11% delas podem ser recuperadas. Apesar da aptidão, Brasil vê desmatamento disparar.

Praticamente sem financiamento, mas decididos a fazer ciência para guiar decisões políticas na área de recuperação de florestas tropicais, pesquisadores de um time internacional passaram os últimos quatro anos focados numa questão: localizar as melhores oportunidades de restauração florestal no globo.

A resposta aparece em forma de um artigo publicado nesta quarta-feira (03/07) na revista Science Advances. O Brasil é o país com mais pontos promissores, seguido por Indonésia, Índia, Madagascar e Colômbia.

O trabalho, liderado pelo brasileiro Pedro Brancalion, contou com cientistas nos Estados Unidos, Alemanha e Austrália. "O Brasil e a Mata Atlântica são os campeões de áreas importantes para restauração", afirma Brancalion, da Universidade de São Paulo (USP), à DW Brasil.

Com base num complexo conjunto de dados e imagens de satélites, o mapa gerado durante as análises mostra a costa brasileira, originalmente coberta por floresta tropical, como a área com maior potencial.

Foram usados três critérios para analisar a viabilidade de uma recuperação florestal: custos de oportunidade da terra, variação da paisagem no sucesso da restauração e chances de persistência da restauração.

Onde mais se ganha dinheiro com a exploração do solo, menor é a chance de se recuperar a paisagem original. "É mais fácil pensar em recuperação de uma pastagem ou área declivosa na Mata Atlântica, onde não se ganha quase nada, do que numa área de cana-de-açúcar no interior de São Paulo", alerta Brancalion, que assina outro artigo sobre o mesmo tema a ser publicado na Science.

Segundo a metodologia, regiões na Amazônia atualmente são dadas como inviáveis. "Pressões sociais e econômicas ainda são pela perda da floresta, e não pelo ganho", justifica o principal autor do artigo. "Quanto maior a perda média de florestas nos últimos dez anos num determinado raio, menor é a chance de uma floresta ser restaurada e persistir."

Medições do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o desmatamento da Floresta Amazônica em junho foi 60% maior do que no mesmo período do ano passado.

O estudo de Brancalion apontou que, em todo o globo, 11% das florestas tropicais destruídas poderiam ser recuperadas, com melhor custo-benefício para a redução de emissões de carbono, produção de água, melhora da qualidade de vida das pessoas e proteção da biodiversidade. A área total identificada pelos cientistas, de 100 milhões de hectares, é equivalente ao tamanho de Espanha e Suíça.

Chave para remediar mudanças climáticas

Florestas são apontadas como fator-chave para remediar os impactos da crise climática. Ao armazenar um dos principais gases que causam o efeito estufa, o CO2, elas auxiliam no combate ao aumento da temperatura, além de serem essenciais na produção de água, alimento e renda para muitas comunidades.

Florestas naturais são também estratégicas para que as metas climáticas estipuladas em acordos internacionais sejam alcançadas. Um deles é o chamado Desafio de Bonn: lançado em 2011 na cidade de mesmo nome na Alemanha, o pacto propõe a recuperação de 150 milhões de hectares de terra degradada até 2020 e de 350 milhões de hectares até 2030.

Os cientistas que assinam o estudo providenciam agora uma certa inteligência espacial para que acordos como esse sejam transformados em árvores plantadas nos locais mais indicados.

"A gente não sabe como botar isso em prática. Não vai ser fácil recuperar porque tem gente trabalhando nessas áreas, com gado, agricultura. Por isso a proposta de criar essa ferramenta", afirma Brancalion. O próximo passo é lançar um aplicativo com as informações para que governos consultem os dados ao elaborar projetos de restauração florestal.

Ao assinar o Acordo de Paris, o Brasil se comprometeu a restaurar 12 milhões de hectares até 2030 e até 15% das áreas degradadas até 2020. O país já tem experiências práticas que mostram como projetos do tipo são também um bom negócio, com exemplos que vão de norte a sul do país e são acompanhados pelo WRI Brasil (World Resource Institute).

O fato de o Brasil aparecer no estudo como país com mais pontos potenciais para a recuperação florestal não causa surpresa a Carlos Rittl, do Observatório do Clima. Segundo Rittl, o país dispõe de meios legais para promover a restauração florestal, como a Política Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Proveg).

"Mas a agenda em curso é outra. É de destruição, promovida pelo governo de Jair Bolsonaro, pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles", critica. "A ciência, mais uma vez, mostra que a natureza é boa também para a economia. Mas o governo se esforça para chegar atrasado no futuro. Ou joga o futuro debaixo da esteira do trator, que destrói florestas e acaba com a política ambiental."


Fonte: Deutsche Welle




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Mais de 10 milhões de pessoas não se conectam às redes de esgotos





Mais de 10 milhões de brasileiros têm rede de esgoto à disposição, mas não estão ligados a ela, segundo estudo da Associação Brasileira de Agências Reguladoras

As ligações ociosas limitam não apenas os benefícios da rede de saneamento, mas também os investimentos do setor, já que os prestadores de serviço deixam de arrecadar anualmente aproximadamente R$ 1,5 bilhão.

A principal razão para a ociosidade são os custos das tarifas mensais, segundo Fernando Franco, presidente da Abar. “Muitas vezes, a pessoa prefere fazer uma fossa no quintal de casa do que se ligar à rede”, diz. Realizado em fevereiro deste ano, o estudo da Abar foi feito com dados de oito agências reguladoras estaduais, responsáveis por 38,6% das ligações de esgoto ativas no Brasil. O levantamento apontou 1,1 milhão de ligações ociosas e 11 milhões de ligações ativas. Posteriormente, o resultado foi extrapolado para o país inteiro, indicando 2,8 milhões de domicílios, em que vivem 10 milhões de pessoas, sem ligação com a rede.

Taxa de disponibilidade

Para diminuir a ociosidade, é essencial que as prefeituras ampliem a fiscalização, determinem um prazo para que a ligação seja feita e apliquem sanções caso isso não seja obedecido, na visão da Abar. Estudo do Instituto Trata Brasil mostrava que, em 2015, 81% dos municípios não tinham legislação específica que tornasse a ligação obrigatória. Para Franco, isso diminui os incentivos para as prefeituras diminuírem a ociosidade.

Para a Abar, é necessária a criação de uma espécie de taxa de disponibilidade, que será cobrada pelo simples fato de a rede estar disponível para o domicílio, independentemente de ela ser usada ou não. A obrigatoriedade de pagamento da tarifa deve levar à queda da ociosidade, já que pouco valerá a pena para o domicílio pagar uma taxa que não oferece nenhum benefício, segundo Franco. Além disso, a Abar defende que poder público e prestadores de serviços ampliem os subsídios para domicílios de baixa renda, de maneira semelhante ao que já é feito por alguns Estados, como São Paulo, Ceará e Espírito Santo.

No entanto, a concessão de alguns desses benefícios traz graves distorções, segundo a entidade. Por exemplo: das 5,6 milhões de pessoas beneficiadas no ano retrasado com a chamada “tarifa social”, 75% estavam no Sudeste – a região com alguns dos melhores indicadores de saneamento. Além disso, “ainda havia cerca de 22,7 milhões de pessoas de baixa renda com acesso ao esgotamento que não eram beneficiadas” pela tarifa social. Outro problema apontado pelo estudo da Abar é a falta de regulação dos serviços de saneamento.

Dados da associação

Dados da associação mostram que, entre 2015 e este ano, “apenas 59,93% dos municípios brasileiros com serviços de abastecimento de água ou esgotamento sanitário” tinham alguma regulação. Mais grave ainda é o caso de outras 1.388 cidades, com serviços de saneamento próprio, que não estavam ligados a uma rede estadual, por exemplo. Desse grupo, apenas 189 municípios (ou 13,62%) tinham agências reguladoras.

Os baixos índices podem “se refletir na prestação dos serviços com qualidade aquém” do desejado ou “impossibilitando investimentos e a expansão” dos serviços, dado que o preço das tarifas pode muitas vezes ser estabelecido em um patamar abaixo do necessário.

Em um grupo de 398 cidades, apenas 0,75 % tinha uma tarifa média que superava “o valor da despesa total com os serviços por metro cúbico”. “Tal resultado, ainda que relativo a um conjunto pequeno de municípios”, mostra geração insuficiente de receitas “para fazer frente aos custos e despesas incorridos na prestação dos serviços”. Outro ponto negativo é que as agências que regulam somente um município ou municípios menores correm maiores riscos de serem aparelhadas politicamente, alerta Franco. Por isso, ele sugere formações de uma espécie de “consórcio” entre diversas cidades, para que elas sejam atendidas por uma única agência.

Fonte original:Valor.
Fonte: Saneamento Básico




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Fui palestrante no "Diálogos da Inovação: Inovação na Gestão Pública", na Casa Firjan






Participei como palestrante do evento 4º Diálogos da Inovação: Inovação na Gestão Pública, promovido pela FIRJAN/SENAI e pela FAPERJ, na Casa FIRJAN, um dos mais novos espaços de cultura e, como define o seu site, um espaço para a reflexão e a criação de propostas e soluções inovadoras para os desafios da nova economia numa sociedade em constante transformação.

No evento, apresentei a experiência da Prefeitura de Niterói de superação da grave crise fiscal que se encontrava no início de 2013, o caminho que a levou do 2.178º lugar no ranking do Índice FIRJAN de Gestão Fiscal (IFGF), em 2012, ao 6º lugar em 2016, os investimentos que elevaram Niterói ao 10º lugar na ranking nacional de cidades inteligentes (Connected Smart Cities), as ações inovadoras em sustentabilidade e outras.


Evolução de Niterói no ranking do Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF), do início da Gestão Rodrigo Neves até o ranking mais recente divulgado (2016): do 2.178º para o 6º lugar.

Niterói inovou na criação do Fundo de Equalização de Receitas, que reserva 10% de todas as receitas provenientes dos Royalties do Petróleo, para o futuro da cidade, quando eventualmente o ciclo de exploração do petróleo declinar. Saiba mais em http://niteroidofuturo.niteroi.rj.gov.br/

Em agosto de 2018, a Prefeitura de Niterói foi avaliada pela agência Standard and Poor´s no grau máximo (brAAA), recomendando investimentos na cidade. 


Fizeram parte da mesa os seguintes palestrantes:

  • Julia Zardo, da Casa Firjan, mediadora.
  • Luana Lourenço, Subsecretária estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação
  • Axel Grael | Secretário Municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão
  • Beatriz Ferreira, cocriadora da rede Novos Designs para a Gestão Pública e está cursando o mestrado em Design na ESDI/UERJ, pesquisando laboratórios de inovação em governo. Formada em Design pela PUC-Rio. 
  • Sérgio Rodrigues | CEO da Lemobs


O meu agradecimento à FIRJAN e à FAPERJ pelo convite e aproveito para registrar a minha mais forte impressão da qualidade do trabalho e das instalações da Casa Firjan. Quem ainda não conhece o local, não demore em conhecer a agenda de atividades para visita-lo. Fica a dica.

Axel Grael
Secretário
Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão - SEPLAG
Prefeitura de Niterói




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Para Luana Lourenço, subsecretária de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, ainda há pouca clareza sobre a definição do conceito de inovação no setor públicoFoto: Vinícius Magalhães


Casa Firjan: inovação na gestão pública é um risco necessário

Inovar é, ao mesmo tempo, um desafio e uma necessidade para o setor público, que precisa acompanhar as demandas cada vez mais complexas da sociedade. Quais os desafios e as possibilidades? Esse foi o tema da quarta edição dos Diálogos da Inovação, realizados quarta-feira, 03/07, na Casa Firjan.

Para Luana Lourenço, subsecretária de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, ainda há pouca clareza sobre a definição do conceito no setor público. “As pessoas precisam compreender que a inovação é disruptiva; ela abala estruturas. E inovar é arriscar-se. A cultura da burocracia e o conservadorismo ainda são muito predominantes no setor público, o que nos impõe o grande desafio de mexer nessa estrutura para dar espaço às novas ideias”, argumentou.

Além da aversão ao risco, Luana também apontou como gargalo a falta de diálogo entre gestor, área técnica e parceiros privados. Para vencer esses desafios, a Secretaria está implantando uma rede de inovação comprometida com a difusão de iniciativas, a cooperação técnica entre órgãos públicos e a integração entre atores. O projeto faz parte da agenda prioritária do governo do estado. “O Rio tem uma comunidade científica brilhante e queremos incentivar soluções inovadoras que tenham impacto efetivo na sociedade. Nossa proposta é criar um ambiente seguro e atuar como um facilitador para o ecossistema de inovação”, afirmou.

Axel Grael, secretário Municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão de Niterói, trouxe exemplos de ações bem-sucedidas. Um passo inovador, segundo ele, foi a regulamentação do Fundo de Equalização de Receita, onde é depositado 10% de toda a receita dos royalties de petróleo. Com isso, o município se previne de futuras crises fiscais.

Grael também citou a criação do portal do Sistema de Gestão da Geoinformação de Niterói (Sigeo Niterói), disponível gratuitamente ao público. A plataforma integra todas as informações georreferenciadas da prefeitura, facilitando o acesso e o uso de dados para planejamento e estruturação de políticas públicas. “Nosso objetivo é auxiliar a gestão pública municipal e, mais do que isso, incentivar a população a se apropriar dessas ferramentas”, ressaltou.

Cidades inteligentes

Sérgio Rodrigues, CEO da Lemobs, falou sobre o trabalho da startup, que apresenta soluções inovadoras para a gestão de serviços municipais, através do desenvolvimento de softwares para cidades inteligentes. Um de seus produtos, o Sigelu (Sistema de Gestão e Limpeza Urbana), facilita a gestão integrada do lixo urbano por meio de uma única interface, que reúne equipes por mapas interativos, relatórios inteligentes e apps para multas em rede. “Tudo está cada vez mais automatizado e a tecnologia pode ajudar muito na gestão das cidades. Não se trata apenas de facilitar a vida dos gestores, mas de toda a população”, analisou.

Já Beatriz Ferreira, cocriadora da rede Novos Designs para a Gestão Pública, debateu sobre a aplicação do design. Em sua visão, ele deve fazer a ponte entre o gestor e a população, criando uma linguagem comum e dando voz e força às iniciativas. Ela destacou os Laboratórios de Inovação em Governo como locais onde a metodologia do design tem maior entrada para propor soluções. Como mudanças já observadas, Beatriz citou a consciência dos métodos e ferramentas do design, o engajamento da sociedade e a possibilidade de prototipagem para o setor público. “Os laboratórios vêm ganhando força nos últimos tempos e são fundamentais como espaços de experimentação e criação, reunindo profissionais das mais variadas formações”, sublinhou.

Os Diálogos da Inovação acontecem uma vez por mês na Casa Firjan, com o objetivo de discutir sobre as mais importantes temáticas dentro do âmbito da inovação no Brasil e no mundo. O evento conta com parceria da Faperj e da Bambual Editora. Acompanhe aqui a agenda completa da Casa Firjan.


Fonte: Casa Firjan




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RETROCESSOS: Fundo Amazônia pode ser extinto, confirmam ministro Salles e embaixadores






Por Congresso Em Foco

Após reunião na tarde desta quarta-feira (3), o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e os embaixadores da Noruega, Nils Martin Gunneng, e da Alemanha, Georg Witschel, admitiram em conversa com a imprensa que o Fundo Amazônia pode ser extinto. O Fundo fornece recursos para ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento e de promoção da conservação e do uso sustentável da Amazônia Legal. A Noruega é a principal doadora dos recursos (93,8% do total). A Alemanha financiou 5,7% e a Petrobras, 0,5% do total. O fundo já captou cerca de R$ 4,6 bilhões desde 2008, quando foi criado.

O fundo já captou cerca de R$ 4,6 bilhões desde 2008, quando foi criado.

“Nós queremos continuar a cooperação”, declarou o embaixador da Noruega. O embaixador da Alemanha disse que “a conversa clareou o caminho”, mas reconheceu, porém, a chance de extinção. “Queremos evitar”, completou. O encontro desta semana foi o terceiro voltado para a debater o futuro do fundo, que também foi atingido pelo decreto do presidente Jair Bolsonaro que fechou dezenas de conselhos. O Comitê Orientador do Fundo Amazônia (Cofa) e do Comitê Técnico do Fundo Amazônia (CTFA) estão entre os eliminados e precisam ser substituídos. Os embaixadores aguardam decisão do governo brasileiro também sobre isso.

Ao lado dos diplomatas, Salles afirmou que nas próximas duas semanas Brasil e doadores vão trocar minutas de um novo "desenho institucional" para o fundo. "Foi uma boa reunião, nós discutimos mais uma vez bons parâmetros para aprimorar a governança do fundo, questões que entendem que devem ser mantidas outras que nós entendemos que podem ser eventualmente alteradas, mas o importante é que há um acordo comum sobre o esforço de continuidade, tanto da parte dos doadores quanto do governo brasileiros", mencionou Salles.

Questionado, o ministro admitiu que há possibilidade, ao menos em tese, de extinção do Fundo Amazônia. “Em teoria, sim. Mas o que estamos falando aqui é de continuidade de diálogo com mais afinco, com mais de dedicação, com mais sinergia entre os diversos envolvidos”, argumentou.

A permanência do Brasil no Acordo de Paris, para redução da emissão de gases de efeito estufa, é vista como chave pelos diplomatas para a manutenção do fundo.

“A prioridade da Noruega é ajudar o Brasil cumprir o acordo. Podemos fazer isso de maneira a diminuir o desmatamento e apoiar o desenvolvimento sustentável”, disse o embaixador Gunneng, que indagou: “Como podemos ver o Fundo da Amazônia sem o Brasil no Acordo de Paris?” Ele salientou que “contratos e metas [do fundo] são baseados no acordo”. Georg Witschel ressaltou que, na reunião de chefes de Estado do G20, em Osaka, no Japão, na semana passada o Brasil e outros 18 países ratificaram o Acordo de Paris.

Entre 2008 e 2017, 103 projetos foram apoiados com recursos do fundo, no valor total de R$ 1,9 bilhão. O BNDES é o órgão gestor e executor dos contratos.

De acordo com relatório apresentado em maio deste ano pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, BNDES, entre 2008 e 2017, 103 projetos foram apoiados com recursos do fundo, no valor total de R$ 1,9 bilhão. O BNDES é o órgão gestor e executor dos contratos.

Em maio, Ricardo Salles chegou a promover uma coletiva de imprensa para questionar a existência de irregularidades nos contratos do Fundo, o que foi negado tanto pelos países doadores, como pelo BNDES e pelo Tribunal de Contas da União. O episódio impulsionou uma série de denúncias contra Salles em órgãos federais de fiscalização, como o próprio TCU, e à Comissão de Ética Pública da Presidência da República.

*Com informações da Agência Brasil.


Fonte: Congresso em Foco











Depois das obras de drenagem e pavimentação, Boa Vista ganhará praça revitalizada e com iluminação de LED






02/07/2019 – Com o objetivo de levar mais entretenimento e lazer para moradores da Região Oceânica, a Prefeitura de Niterói inaugura nesta quinta-feira (4), a nova praça do Boa Vista. O local ganhou nova iluminação, além do campo de futebol, e passou por uma completa revitalização. O bairro já havia recebido obras de drenagem e pavimentação em 13 ruas.

“Nos anos recentes realizamos o maior investimento em drenagem, infraestrutura e pavimentação da história da Região Oceânica. Implantamos dezenas de ruas em vários bairros. O Boa Vista, após décadas de enchentes e lama, agora é um bairro completamente revitalizado com infraestrutura e iluminação em todas as ruas. A inauguração da nova praça da região consolida toda mudança positiva que melhorou muito a qualidade de vida dos moradores e valorizou os imóveis e patrimônio das pessoas”, afirmou o prefeito Rodrigo Neves.

As obras também incluíram a reforma da quadra poliesportiva, arquibancada, instalação de brinquedos infantis, academia para a terceira idade, e novas mesas e cadeiras para a área de convivência.

“A praça também ganhou iluminação de LED, que é mais econômica, sustentável e tem maior durabilidade. São 28 pontos de luz e oito projetores de lâmpada de vapor metálico no local, que tem tudo para se tornar o espaço de lazer e ponto de encontro dos moradores do bairro”, destacou a secretária de Conservação, Dayse Monassa.

Antiga reivindicação dos moradores, a reurbanização total do bairro já está mudando a realidade dos moradores. Foram mais de seis quilômetros de drenagem de águas pluviais e terraplanagem. O bairro é cercado por dois rios e, antes das obras, quando chovia forte, os moradores sofriam com os alagamentos.

Dentre as melhorias realizadas pela Prefeitura constam a construção da ponte sobre o Rio da Vala, que permitiu o alargamento das pistas nesta área da Estrada Francisco da Cruz Nunes, sentido Itaipu, beneficiando 400 casas. Toda a obra custou cerca de R$ 20 milhões. Locais como Bairro Peixoto, Fazendinha e Cafubá receberam drenagem e pavimentação dentre as melhorias realizadas pela prefeitura na Região.


Fonte: Prefeitura de Niterói









quarta-feira, 3 de julho de 2019

MANUEL CASTELLS EM NITERÓI !!!!





O Seminário Educação, cultura e tecnologia: a escola do século XXI terá a participação do sociólogo espanhol e teórico da comunicação Manuel Castells.

O evento propõe uma reflexão acerca de um conjunto de questões contemporâneas que desafiam educadores, gestores, agentes culturais, pesquisadores e diversos setores sociais interessados na construção de um modelo educacional compatível com as exigências da sociedade do conhecimento.

O impacto da comunicação em rede e das tecnologias digitais sobre a produção de conhecimento, dentre outros temas, serão objeto de discussão em um ambiente marcado pela diversidade de ideias e a liberdade de pensamento.

O seminário será no dia 15/07, a partir das 13h30, no Teatro Popular Oscar Niemeyer.

Mais informações e inscrições pelo site:
http://niteroi.rj.gov.br/seminariocastells

Confirme sua presença no evento:https://www.facebook.com/events/715799852169944/


Fonte: Prefeitura de Niterói












Lançado na Europa mapa do envenenamento de alimentos no Brasil



O atlas de envenenamento foi lançado em Berlim, Alemanha, país que sedia as maiores empresas agroquímicas do mundo: a Bayer/Monsanto (incorporada pelo grupo Bayer) e a Basf, que dominam a produção de toda a cadeia alimentar – sementes, fertilizantes e agrotóxicos – Fotomontagem: Moisés Dorado


Em exposição crônica aos agrotóxicos, brasileiro corre mais risco de morte e desenvolvimento de doenças

Por Ivanir Ferreira

Um ousado trabalho de geografia que mapeou o nível de envenenamento dos alimentos produzidos no Brasil foi lançado em maio, em Berlim, na Alemanha, país que contraditoriamente sedia as maiores empresas agroquímicas do mundo. Quem estava presente no lançamento do atlas Geografia do uso de agrotóxicos no Brasil e conexões com a União Europeia ficou perplexo com a informação sobre o elevado índice de resíduos agrotóxicos permitidos em alimentos, na água potável, e que, potencialmente, contamina o solo, provoca doenças e mata pessoas. A obra, que já foi publicada no Brasil, é de autoria da geógrafa Larissa Mies Bombardi, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

O Brasil é campeão mundial no uso de pesticidas na agricultura, alternando a posição dependendo da ocasião apenas com os Estados Unidos. O feijão, a base da alimentação brasileira, tem um nível permitido de resíduo de malationa (inseticida) que é 400 vezes maior do que aquele permitido pela União Europeia; na água potável brasileira permite-se 5 mil vezes mais resíduo de glifosato (herbicida); na soja, 200 vezes mais resíduos de glifosato, de acordo com o estudo, que é rico em imagens, gráficos e infográficos. “E como se não bastasse o Brasil liderar este perverso ranking, tramita no Congresso nacional leis que flexibilizam as atuais regras para registro, produção, comercialização e utilização de agrotóxicos”, relata Larissa.

A pesquisadora explica que o lançamento do atlas na Europa se deu pelo fato de a Alemanha sediar a Bayer/Monsanto e a Basf, indústrias agroquímicas que respondem por cerca de 34% do mercado mundial de agrotóxicos. A Monsanto, recentemente incorporada ao grupo Bayer, é a líder mundial de vendas do glifosato, cujos subprodutos têm sido associados a inúmeras doenças, incluindo o câncer e o Alzheimer. “Queríamos promover discussão sobre a contradição de sediarem indústrias que controlam toda a cadeia alimentar agrícola – das sementes, agrotóxicos e fertilizantes – e serem rigorosos quanto ao uso de mais de um terço dos pesticidas que são permitidos no Brasil. Eles são corresponsáveis pelos problemas gerados à população porque vendem e exportam substâncias sabidamente perigosas, porém, proibidas em seu território”, diz.


Geógrafa Larissa Bombardi, autora da pesquisa que deu origem ao atlas da Geografia do uso de agrotóxicos no Brasil – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens


Intoxicação e suicídios

Segundo a geógrafa, as perdas não se limitam à contaminação de alimentos e dos cursos d’água. O atlas traz informações de que, depois de extensa exposição aos agrotóxicos, ocorrem também casos de mortes e suicídios associados ao contato ou à ingestão dessas substâncias.


Atlas: Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia, de Larissa Mies Bombardi – Laboratório de Geografia Agrária da FFLCH – USP, São Paulo, 2017


Entre 2007 e 2014, o Ministério da Saúde teve cerca de 25 mil ocorrências de intoxicações por agrotóxicos. O atlas mapeia as regiões mais afetadas: dos Estados brasileiros, durante o período da pesquisa, o Paraná ficou em primeiro lugar, com mais de 3.700 casos de intoxicação. São Paulo e Minas Gerais ficaram na segunda colocação, com 2 mil. Das 3.723 intoxicações registradas no Paraná, 1.631 casos eram de tentativas de suicídio, ou seja, 40% do total. Em São Paulo e Minas gerais o porcentual foi o mesmo. No Ceará, houve 1.086 casos notificados, dos quais 861 correspondiam a tentativas de suicídio, cerca de 79,2%. Os mapas de faixa etária mostram que 20% da população afetada era composta de crianças e jovens com idade até 19 anos. Segundo Larissa, no Brasil, há relação direta entre o uso de agrotóxicos e o agronegócio. Em 2015, soja, milho e cana de açúcar consumiram 72% dos pesticidas comercializados no País.

O atlas Geografia do uso de agrotóxicos no Brasil e conexões com a União Europeia, em português, foi lançado no Brasil em 2017 e traz um conjunto de mais de 150 imagens entre mapas, gráficos e infográficos que abordam a realidade do uso de agrotóxicos no Brasil e os impactos diretos deste uso no País. A pesquisa que deu origem à publicação teve o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Em Berlim, o lançamento aconteceu na sede do ENSSER (European Network of Scientists for Social and Environmental Responsability), rede europeia sem fins lucrativos que reúne cientistas ativistas responsáveis ambiental e socialmente, em Glasgow, Escócia. O suporte financeiro para o lançamento do atlas na Europa foi da FFLCH e da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP.


Entre 2000 e 2010, o Brasil aumentou em 200% o consumo de agrotóxicos. A soja foi a cultura que mais consumiu pesticidas

Mapa de intoxicação por agrotóxicos de uso agrícola (2007-2014)

Uso de malationa (inseticida) na cultura do feijão – Limite máximo de resíduos permitido no Brasil e nos países da comunidade europeia






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terça-feira, 2 de julho de 2019

RETROCESSOS AMBIENTAIS: Desmonte sob Bolsonaro pode levar desmatamento da Amazônia a ponto irreversível, diz físico que estuda floresta há 35 anos



'Falta de recursos é uma justificativa para você implementar sua própria agenda', diz cientista, que refuta o argumento de que cortes no orçamento dos órgãos ambientais sejam reflexo de restrição fiscal. MARCOS SANTOS/USP IMAGENS. Image caption


Camilla Veras Mota
Da BBC News Brasil em São Paulo

Sem pressão internacional como a que Alemanha e França fizeram sobre o governo brasileiro durante a reunião do G20, o desmatamento na Amazônia vai acelerar a trajetória crescente que se desenha desde 2013.

Com o ritmo atual de desmonte da estrutura de fiscalização e da legislação ambiental demonstrado durante os seis primeiros meses, a destruição da floresta pode atingir um limite irreversível "em dois governos Bolsonaro", prevê o cientista Paulo Artaxo, doutor em física atmosférica pela Universidade de São Paulo (USP) e estudioso da Amazônia desde 1984, quando viajou para lá pela primeira vez como parte de sua pesquisa de doutorado.

Estimativas mostram que, desmatada uma área de 40% da floresta, o restante não consegue sustentar o funcionamento de um ecossistema de uma floresta tropical chuvosa e, nesse cenário, parte da floresta poderia virar cerrado. A Amazônia já perdeu 20% da cobertura original.

"É uma questão absolutamente crucial para a estabilidade do clima do planeta - assim como reduzir as emissões de combustíveis fósseis dos países desenvolvidos", explica Artaxo.

Hoje em dia, ele vai à região pelo menos uma vez por mês para supervisionar o Projeto LBA, a torre de 325 metros que investiga a atmosfera amazônica e que permitiu ao cientista ajudar a desvendar a formação das nuvens de chuva na Amazônia.


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Artaxo é um dos 12 brasileiros que fazem parte da lista dos 4.000 cientistas mais influentes do mundo, feita com base em números de citações em artigos acadêmicos pela Highly Cited Researchers 2018. Também é membro, desde 2003, do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

O pesquisador conversou com a BBC News Brasil na última quinta-feira (27), quando começou a ser noticiada a resposta do presidente Bolsonaro aos comentários feitos pela chanceler alemã Angela Merkel sobre a política ambiental do Brasil - ao chegar ao Japão para a cúpula do G20, o presidente afirmou que a Alemanha tinha muito o que aprender com o país e que não tinha ido ao encontro para "ser advertido".

Para Artaxo, é justamente a pressão vinda de outros países o único caminho que pode frear o atual processo desmonte da fiscalização e da legislação ambientais que ele afirma ter se iniciado com o novo governo. Usar temas econômicos como moeda de troca, como foi o caso do acordo entre Mercosul e União Europeia, seria uma estratégia eficiente nesse sentido.

Enquanto isso, o cenário que era de mudança climática se encaminha cada vez mais para o de "emergência climática" global.

Nas condições atuais, o planeta vai aquecer em média 3,5ºC. No caso do Brasil, "vamos ver o Nordeste se desertificar totalmente nos próximos 30 anos, vamos ver alterações profundas no bioma amazônico e mudanças climáticas sem precedentes nos últimos 10 milhões de anos".

"Isto vai ocorrer. O que nós podemos fazer é minimizar esse cenário."

Leia, a seguir, trechos da entrevista.


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Acordo entre Mercosul e União Europeia anunciada em paralelo à cúpula do G20 trouxe cláusulas de compromisso ao cumprimento de metas para o clima. FRANCK ROBICHON/EPA


BBC News Brasil - Como o senhor avalia a agenda ambiental nesses seis meses de governo Bolsonaro?

Paulo Artaxo - A mesma coisa que o Trump fez nos EUA. Basicamente desmontar toda a legislação ambiental - que, no Brasil, foi construída a duras penas ao longo dos últimos 30 anos, incluindo Código Florestal e assim por diante -, e desmontar toda a estrutura de fiscalização do Ministério do Meio Ambiente.

Porque este governo tem como uma das principais bandeiras o não cumprimento da lei. Nós temos um governo que a todo momento diz: 'Olha, não vamos cumprir a lei, essa lei não vale, essa lei não é boa'. Seja de cadeirinhas para criança no carro, seja o cadastro ambiental rural na Amazônia (o presidente editou em junho Medida Provisória extinguindo o prazo para os proprietários de terra fazerem o cadastro).

Então, a lei que eles não gostam não é pra ser cumprida. É a primeira vez no Brasil a gente tem um governo que vai contra sua própria razão de existência, que é dar um ordenamento jurídico para um país como o Brasil.

BBC News Brasil - Em termos de medidas concretas, em que consiste esse desmonte ao qual o sr. se refere?

Artaxo
- O principal é você estimular ações violentas no campo. O atual governo está fazendo isso, primeiro, por meio da não repressão quando esses atos violentos ocorrem.

O Brasil hoje é campeão de ações que matam ambientalistas, aqueles que lutam pelo direito da terra, ações contra populações indígenas e assim por diante. O que a gente vê é uma fração muito pequena do que está ocorrendo no campo, que é o que acaba saindo na grande imprensa.

A segunda questão é a destruição de todo o sistema de fiscalização ambiental no Brasil. O Ibama tinha, por exemplo, um sistema chamado Prevfogo, de prevenção de queimadas, que tinha centenas de funcionários há um ano e hoje está reduzido a algumas dezenas de pessoas para cuidar do combate a queimadas na Amazônia.

É um sistema que, mesmo que o Brasil no ano que vem retome a necessidade de combater queimadas, basicamente todas as pessoas que estavam lidando com isso foram dispensadas.

BBC News Brasil - O governo fala, nesses casos, que isso é reflexo da falta de recursos, que acaba afetando todos os ministérios...

Artaxo
- O Brasil é a nona economia do planeta e não existe essa questão de falta de recursos. Falta de recursos é uma justificativa para você implementar a sua própria agenda. Por que não faltam recursos para pagar os juros da dívida? Por que não faltam recursos para financiar a produção agropecuária brasileira? Por que não faltam recursos para se dar subsídios às indústrias?

E faltam recursos para manter um sistema como o Prevfogo, que custa absolutamente nada para o país, mas que foi desmantelado. O discurso de falta de recursos não existe. O problema é onde você aloca os recursos. É a mesma coisa nos EUA. O Trump desmontou toda a estrutura da EPA (Environmental Protection Agency). É falta de dinheiro? Não. É ideologia.

BBC News Brasil - O sr. elencou então como segundo ponto esse desmonte da estrutura de fiscalização...

Artaxo
- Fiscalização e legislação. Aí entra, por exemplo, o desmonte do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente, criado em 1981 e do qual o físico faz parte), da estrutura de monitoramento e acompanhamento das mudanças climáticas globais, que antes era dividido entre Ministério da Ciência e Tecnologia, Ministério do Meio Ambiente e Itamaraty.

Se você vai hoje nesses três órgãos e pergunta quem cuida da questão climática no país, você não encontra ninguém. Toda a divisão de clima do MCTI não existe mais.

É um desmonte que, para se refazer toda essa estrutura num próximo governo, vai demorar de 10 a 20 anos, realisticamente.

BBC News Brasil - Do ponto de vista ambiental, que tipo de consequência de médio e longo prazo essa política pode acarretar? Pode haver algum tipo de dano irreversível?

Artaxo
- Pode não, já está tendo. O desmatamento na Amazônia já está aumentando, porque todos os mecanismos de combate foram desmantelados.

Não são problemas futuros - é no presente. A questão de agrotóxicos. Vamos ter algum problema no futuro? Não, estamos tendo no presente. São quase 250 novos agrotóxicos, inclusive que são proibidos em outros países, aprovados nesses seis meses. Não é no futuro, é prejuízo hoje, que já está ocorrendo.

BBC News Brasil - Existe uma conta de que o "ponto de não retorno" para a Amazônia, a partir do qual a floresta entraria em autodestruição, seria um desmatamento de 40% de sua área. O quão distante estamos desse limite?

Artaxo
- Ontem (26/6) o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) soltou um novo número de quanto da floresta original foi desmatada.

Nós desmatamos 20% - 20% de 5,5 milhões de km² é uma área absurdamente grande. Estimativas de cálculos do Carlos Nobre, do Thomas Lovejoy mostram que, se você desmatar 40% da floresta, basicamente o restante não tem condições de sustentar o funcionamento de um ecossistema de uma floresta tropical chuvosa.

E aí todo o carbono que está armazenado naquela floresta vai para atmosfera, agravando em muito e acelerando em muito as mudanças climáticas.

Nós não estamos falando de um aspecto trivial ou de um aspecto que não tenha impacto sério sobre o clima do planeta. É uma questão absolutamente crucial para a estabilidade do clima do planeta - assim como reduzir as emissões de combustíveis fósseis dos países desenvolvidos, em particular dos EUA.

BBC News Brasil - Então estamos no meio do caminho?

Artaxo
- Isso, estamos no meio do caminho. E o restante do caminho pode acontecer nos próximos oito anos, durante dois mandatos de governo Bolsonaro.

BBC News Brasil - No ritmo atual, essa é uma possibilidade real?

Artaxo
- Não há menor dúvida. A única coisa que pode impedir isso é pressão internacional. É o que a Merkel está fazendo essa semana (a chanceler alemã declarou, em sessão do Parlamento, estar "muito preocupada" com a atuação do presidente brasileiro na área ambiental, disse considerar a situação "dramática" e afirmou que conversaria sobre o tema com Bolsonaro durante a cúpula do G20).

Mesmo pressão interna não é suficiente, não tem força.

BBC News Brasil - O caminho é esse então, usar como moeda de troca temas econômicos importantes, como o acordo Mercosul-União Europeia?

Artaxo
- Claro.

BBC News Brasil - Nesse sentido, o governo tem questionado o Fundo Amazônia. O ministro do Meio Ambiente chegou a entrar em atrito com a Noruega, um dos principais mantenedores do fundo, afirmando que não há indicativo de que ele tenha ajudado a reduzir o desmatamento e apontando problemas em contratos com ONGs. Faz sentido a análise do ministro?

Artaxo
- Veja, o ministro não fez uma análise. Ele primeiro acusou o Fundo Amazônia, sem qualquer comissão que fizesse análise de cada projeto que estava sendo executado, de estar desviando recursos. Por que isso?

Porque o Fundo Amazônia é o único instrumento em funcionamento hoje trabalhando pela sustentabilidade e preservação da Amazônia. Não existe qualquer outro recurso financeiro para isso.

Segundo aspecto: o Fundo Amazônia tem mais de R$ 300 milhões depositados no BNDES esperando para ser gastos. O que o ministro quer é passar a mão nesses R$ 300 milhões.

Este dinheiro está aqui, já foi doado, é muito difícil para Noruega e para Alemanha pedirem esse dinheiro de volta. Mesmo que eles cortem futuros investimentos no fundo, este já foi feito.

BBC News Brasil - Tomando a própria Noruega, entretanto, a gente tem o caso recente da mineradora Hydro Alunorte, que despejava rejeitos em nascentes amazônicas por meio de um duto clandestino. A posição do país para cobrar uma política ambiental responsável do Brasil não fica comprometida?

Artaxo
- Você tem que separar uma questão de macropolítica ligada com mudanças climáticas globais com questões específicas de uma, duas ou três empresas.

É evidente que as empresas, inclusive as alemãs no Brasil, se aproveitam da fraca legislação ambiental brasileira. A mesma coisa com Noruega, EUA, França.

BBC News Brasil - Nesse caso específico o governo norueguês também é acionista.

Artaxo
- Não importa isso, é uma empresa. Isso ocorre sim.

E a culpa disso não é deles, é nossa. Nós é que temos que ter uma legislação que proteja a população brasileira de questões como Brumadinho etc. O erro não é deles, é nosso, da fraqueza da nossa legislação em proteger a economia e a população brasileira.

BBC News Brasil - Qual é a maneira mais eficiente de se controlar desmatamento?

Artaxo
- Controlar desmatamento é muito, muito, muito simples. Temos todas as ferramentas para isso. Um sistema de monitoramento de queimadas que não existe em nenhum outro lugar do mundo - o sistema do INPE funciona, é extremamente eficiente e foi aprimorado e validado com experimentos de campo ao longo dos últimos 20 anos.

Com o cruzamento agora com o MapBiomas, com o cruzamento com o cadastro ambiental rural e dados de propriedade de terra, a gente não sabe só onde mas quem está desmatando.

O Brasil, se quiser zerar o desmatamento, pode fazer isso no ano que vem. Não falta nenhuma tecnologia para isso, basta vontade política.

(Entre 2004 e 2012) nós conseguimos reduzir o desmatamento de 24 mil km² por ano para 4 mil km². Esses 4 mil km² em 2013/2013 estão hoje em 8 mil km² e, em 2019, vai ser um número próximo de 10 mil km² de floresta desmatada.

BBC News Brasil - O ministro Ricardo Salles defende a geração de emprego para as comunidades locais, uma alternativa à exploração ilegal da floresta, como caminho para reduzir o desmatamento. Faz sentido?

Artaxo
- Faz. Inclusive um dos principais projetos do Fundo Amazônia, executado pelo Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (Ipam), trabalhou quatro anos exatamente nesta direção: como dar uma vida decente com recursos para populações ribeirinhas de tal maneira que eles não precisem se deslocar e continuar desmatando.

Com isso, você ataca um dos aspectos do desmatamento, que é uma questão muito mais complexa e envolve grandes empresas agropecuárias, mineração, empresas de extração de madeira e também pequenos sitiantes e pequenos proprietários de terra.

Esse projeto do Ipam foi de extremo sucesso, evitou um desmatamento enorme porque deu perspectiva, renda e assessoria técnica para pequenos produtores do sul do Pará. Um minúsculo investimento de R$ 2 milhões ou R$ 3 milhões traz um retorno enorme para a comunidade e para o Brasil.

É possível achar um caminho de sustentabilidade para a Amazônia com uma renda decente para os 20 milhões de brasileiros que vivem na região amazônica? A resposta clara é sim. Mas, para isso, você precisa de políticas públicas consistentes, de longo prazo.


Em entrevista à BBC News Brasil, Ricardo Salles não descartou a possibilidade de mineração até em terras indígenas


BBC News Brasil - O governo tentou tirar a Funai do Ministério da Justiça, o Congresso decidiu mantê-la na pasta. O presidente editou então nova Medida Provisória, transferindo a competência da demarcação de terras para a Agricultura, mas a medida foi suspensa pelo STF. Como o senhor avalia essa queda de braço?

Artaxo
- Não importa onde a Funai vai ficar, na minha opinião. Pode ficar na Agricultura, pode ficar na Justiça, no Meio Ambiente, em qualquer lugar.

Mas, se for uma Funai fraca, inoperante, com dez funcionários para cuidar de centenas de reservas indígenas... Não faz a menor diferença.

O que é mais importante é a política do governo de realmente destruir a população indígena brasileira. Isto é explícito.

Esse embate, se fica na Agricultura, se fica na Justiça, na minha opinião, não é importante. O que a gente quer é uma Funai forte, que efetivamente proteja a população indígena, que dê assistência a essa população indígena, que a proteja de mineradores, de ataques de latifundiários, das milícias que atuam na Amazônia, do crescente tráfico de drogas que está entrando forte na Amazônia, através das fronteiras com a Colômbia, Bolívia e Peru. E isto não está ocorrendo.

BBC News Brasil - No meio dessa polêmica da Funai a gente vê circulando gráficos mostrando que as áreas de reservas indígenas são aquelas em que...

Artaxo
- A floresta é mais preservada. Isso é real, você mede por satélite, fácil. É exatamente por isso que os indígenas estão sendo atacados, porque eles conseguem preservar adequadamente as suas fronteiras.

BBC News Brasil - O governo ameaçou retirar o Brasil do Acordo de Paris, mas voltou atrás. O senhor viu isso como sinalização positiva?

Artaxo
- Sair ou não sair, na minha opinião, é uma questão meramente semântica. Se você não cumprir as metas, tanto faz - que é do que o Trump acabou sendo convencido.

Para quê sair do Acordo de Paris? É só não cumprir as metas - não tem punição pra ninguém. É irrelevante a questão de sair ou não sair, se você não tem uma política para cumprir os compromissos internacionais do país na área ambiental e energética.

BBC News Brasil - O ministro falou que todas as metas serão cumpridas...

Artaxo
- Dependendo de como você calcula o cumprimento dessas metas... O Brasil se comprometeu a reflorestar 12 milhões de hectares. As florestas abandonadas estão nesse critério? Se for, nós já cumprimos. Mas será que a promessa foi feita nessa direção? Não, ela foi feita na direção de fomentar novas áreas com plantio para retirar CO2 na atmosfera. E isso não está sendo feito.

Outros tópicos vão ser também igualmente difíceis. Por exemplo, ter um aumento significativo da fração de energias alternativas, solar e eólica, na matriz energética brasileira. Isso está sendo cumprido, mas de forma muito mais lenta que o necessário.

A principal promessa, que é reduzir o desmatamento ilegal a zero até 2025... Neste ano, nós desmataremos 10 mil km² de florestas virgens. Isto não tem como ser cumprido. Nós não vamos cumprir as nossas metas.

BBC News Brasil - Ainda no caso do Acordo de Paris, chegou-se a dizer que o governo reviu sua posição por pressão do próprio agronegócio, que tem feito contraponto a alguns aspectos da política ambiental bolsonarista...

Artaxo
- Assim como na sociedade brasileira, é importante a gente perceber que existem duas correntes antagônicas, no governo e no agronegócio, que estão radicalmente divididas.

Assim como a sociedade brasileira acabou sendo dividida por esse discurso do ódio e da violência.

Tem uma corrente do agronegócio que diz: 'Vamos ocupar a Amazônia o mais rápido possível, enquanto a gente pode, vamos derrubar tudo o que for possível, sem qualquer fiscalização, sem qualquer punição, sem qualquer mecanismo estatal de controle'. Essa é uma corrente.

A outra corrente é a que diz: 'Olha, essa estratégia vai nos prejudicar, prejudicar a imagem do agronegócio brasileiro no estrangeiro, e daqui a pouco vai ficar difícil a gente exportar até para a China, porque nós podemos ser acusados de predadores do meio ambiente' - e isso não é um bom negócio pro Brasil.

BBC News Brasil - Essas duas correntes estão representadas hoje no Congresso?

Artaxo
- Sim. Obviamente, a primeira é atualmente predominante, claramente.

Então nós temos que trabalhar para construir políticas públicas para diminuir a velocidade da destruição da floresta amazônica, já que o próprio presidente tem uma política de destruir o mais rápido possível a maior parcela possível da floresta.

BBC News Brasil - O senhor acha que há risco de o Acordo de Paris virar um Protocolo de Kyoto, não ver as metas cumpridas e se tornar uma frustração no futuro?

Artaxo
- Não é questão de ser frustração. Existe um problema grave na questão das mudanças climáticas globais - a falta de governança.

Essa história do fracasso de Kyoto... Não é fracasso. Seria impossível, sem um sistema de governança global que funcione, você atingir as metas de Kyoto - assim como vai ser impossível atingir as metas do Acordo de Paris.

Quem vai punir os EUA pelo não cumprimento das metas? Quem vai punir o Brasil? Que tribunal vai julgar isto? Quem vai aplicar essas sanções? Isso tudo não existe. Isso tudo vai ter que ser construído do zero.

Nós temos que fazer o pós-Acordo de Paris ser um acordo com vinculação, ou seja, onde haja penalidades claras para os países que não cumprirem as suas metas. Por enquanto, nós estamos brincando de reduzir emissões.

Mesmo se todas as metas do Acordo de Paris forem cumpridas, o planeta se aquece ainda 2,7ºC, em média, o que em áreas continentais significa um aumento de 3,5ºC.

BBC News Brasil - Ou seja, nossa geração ainda vai ver uma situação de catástrofes...

Artaxo
- Não é catástrofe. É importante dizer o seguinte: isso não está colocando em risco a nossa existência (como humanidade).

Eu não gosto de chamar de catástrofe. Nós vamos ver o planeta se aquecendo, em média, 3,5ºC, vamos ver o Nordeste se desertificar totalmente nos próximos 30 anos, vamos ver alterações profundas no bioma amazônico e mudanças climáticas sem precedentes nos últimos 10 milhões de anos.

Isto vai ocorrer. O que nós podemos fazer é minimizar esse cenário. O próximo acordo pós-Paris vai ter que lidar com esse cenário.

Por isso que, nas últimas semanas, vários países estão dizendo que a gente está entrando em uma "emergência climática". Caiu a ficha. A Islândia vai proibir a venda de carros a gasolina, diesel ou qualquer combustível fóssil a partir de 2025. Noruega também.

Outros países estão tentando ganhar o máximo de dinheiro possível agora, antes que esse cenário aconteça - como os EUA.

BBC News Brasil - O senhor fala de cair a ficha, mas a questão ambiental mobiliza menos a sociedade civil do que outros temas. Os cientistas estão falando de impactos negativos sérios na vida das pessoas no médio prazo e, ainda assim, não há uma pressão social importante pra que os governos tomem uma atitude pra tentar evitar esse cenário.

Artaxo
- Veja, você acha que as pessoas têm consciência do que significa você dar uma arma na mão de cada um dos brasileiros? Acha que as pessoas têm consciência disso? Não.

São coisas que estão no dia a dia delas, violência urbana, e as pessoas votaram por isso. Tá respondido.

BBC News Brasil - Não adianta então ficar mostrando mapa com as capitais litorâneas do Brasil submersas...

Artaxo
- Não. Mas, para a Ciência, é muito claro. O nível do mar vai subir 1,5 metro até 2050, 2070. A praia de Copacabana que você vê hoje vai ser coisa do passado.

Não há menor dúvida - e esse processo é irreversível faça o que você quiser fazer com o Acordo de Paris. Vamos falar português bem claro.

BBC News Brasil - Sua visão como cientista então, diante desse cenário, é otimista ou pessimista?

Artaxo
- Esse negócio de a imprensa ficar procurando heróis e vilões, ser otimista ou pessimista... Não existe isso.

A sociedade tem uma dinâmica complexa, que é dirigida não por desejo das pessoas, mas pelo interesse econômico. Quem vai mandar nisso é o dinheiro.

Um grupo de 477 investidores que administram um patrimônio total de US$ 34 trilhões assinou uma carta aberta aos governos falando que nós precisamos urgentemente apertar as metas do Acordo de Paris, fazer medidas concretas e mensuráveis pra diminuir as emissões já.

Por que eles estão fazendo isso? Não é porque eles são bonzinhos. Eles têm uma única preocupação: como é que eu vou continuar ganhando dinheiro? Uma fração dos bilionários percebeu que eles estão correndo um risco enorme.

Agora voltando para a sua pergunta, não é questão de ser otimista ou pessimista, você tem que ser realista: nem um lado, nem outro.

O que a realidade está nos mostrando é que a gente está realmente acelerando as mudanças climáticas, os eventos climáticos extremos, isso já está tendo um impacto econômico e social enorme na nossa sociedade, e isso vai se intensificar muito e em um futuro muito próximo, nos próximos cinco ou dez anos.

Isto vai trazer recessão econômica, tensões enormes entre os países. Hoje você tem uma região do Oriente Médio que é semiárida. Quando essa região ficar desértica, com cinco graus acima do que é hoje, o que vai acontecer com as migrações para a Europa? O que a gente está vendo hoje é uma amostra grátis do que vai vir nos próximos dez anos. Esta ficha está caindo.

BBC News Brasil - Ainda assim, líderes como o presidente americano não acreditam...

Artaxo
- Essa questão do "acredito" também me deixa doente em qualquer debate. Não é religião, nós estamos falando de Ciência. Você pode acreditar em Deus, acreditar ou não na sua mulher, isso é irrelevante.

O que nós estamos observando cientificamente é que estamos mudando fortemente e rapidamente o clima do nosso planeta. Ponto.


Fonte: BBC Brasil









segunda-feira, 1 de julho de 2019

MERCADO MUNICIPAL: Obra de reforma e modernização do espaço tem início







Prédio na Av. Feliciano Sodré será transformado em polo de gastronomia e lazer

A revitalização do Mercado Municipal Feliciano Sodré, no Centro de Niterói, já começou. O edifício, com traços de art decó e da arquitetura neoclássica, está passando por reforma e modernização, mantendo aspectos originais e será transformado em um polo de gastronomia, cultura e lazer. A previsão de conclusão da primeira parte das obras e abertura do mercado é para o segundo semestre de 2020.

A Prefeitura de Niterói e o consórcio Novo Mercado Municipal, vencedor da licitação, firmaram uma Parceria Público Privada (PPP) para a reforma e gestão do espaço por 25 anos. O investimento do consórcio será de R$ 69 milhões em três anos, sendo R$ 30 milhões na reforma do atual prédio.

“A localização estratégica do Mercado Feliciano Sodré o posiciona como potencializador do processo de renovação do centro da cidade”, destaca a secretária municipal de Fazenda, Giovanna Victer.

A diretora do consórcio, Sofia Avny, explica que a obra contará com duas fases. A primeira, recém-iniciada, remodela a estrutura existente do mercado, viabilizando no menor tempo possível a reabertura do local. Nessa etapa serão concluídas todas as intervenções no edifício, desde a demolição de elementos que serão trocados até toda construção complementar, novos espaços, reforço estrutural, fechamentos e anexos. Além disso será acrescida ao terreno a área livre atrás do edifício.

O térreo do mercado será um espaço para comercialização de frutas, incluindo espécies raras e de cultivo orgânico, verduras, legumes, produtos tradicionais da região, açougue, empórios especiais, produtos gourmet, queijos, laticínios e especiarias. No mezanino ficarão restaurante, cervejarias artesanais, adega.


Fonte: O Fluminense







Niterói fechará acordos de cooperação com Unesco








27/06/2019 – Niterói se prepara para assinar dois acordos de cooperação técnica com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) nas áreas de Educação, Cultura, Ciência e Desenvolvimento. O anúncio foi feito na tarde desta quinta-feira (27), durante uma reunião entre o prefeito Rodrigo Neves e a representante da entidade no Brasil, Marlova Noleto.

“É uma honra receber representantes da Unesco no Brasil. Vamos trabalhar nos acordos nas próximas semanas para assinarmos no final de julho. Teremos ao nosso lado a Unesco – que por si só tem todas as credenciais – nesse desafio cada vez maior de melhorar a qualidade de vida e da educação, além do desenvolvimento de ações relacionadas à proteção social. Também temos o objetivo de fortalecer a cultura e o turismo, dando cada vez mais visibilidade para a cidade. Isso trará possibilidades extraordinárias para o município”, afirmou o prefeito.

Na área cultural, os projetos contemplam entre outras coisas o Museu do Cinema Brasileiro e a criação do Centro de Memória do arquiteto Oscar Niemeyer. Um dos destaques foi o pleito para o reconhecimento das obras do arquiteto em Niterói como patrimônio da humanidade. A cidade tem o segundo maior acervo de Niemeyer, atrás apenas de Brasília.

“A cooperação com a Unesco vai fortalecer os projetos em desenvolvimento e trará mais visibilidade para Niterói. É uma parceria promissora. O Município tem um planejamento estratégico e uma gestão de projetos eficientes, além de estar com as finanças em dia e comprometida com a Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável”, afirmou Marlova.

A representante da Unesco e sua equipe conheceram os projetos que a Prefeitura está desenvolvendo em sustentabilidade, resiliência e inteligência (Smart City). A parceria internacional também será desenvolvida nas áreas de economia criativa, proteção do patrimônio histórico, preservação da memória e desenvolvimento de museus.

Também participaram do encontro a secretária de Fazenda, Giovanna Victer, Planejamento, Axel Grael, entre outras autoridades municipais, e a historiadora e professora da UFF, Ismênia de Lima Martins.


Fonte: Prefeitura de Niterói