quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Carnaval de Niterói reúne cerca de 250 mil pessoas

 


Cerca de 250 mil pessoas participaram do Carnaval na cidade de Niterói, tanto nos desfiles da Rua da Conceição, como nos bairros, blocos e no Campo de São Bento, em Icarai.

Na Rua da Conceição, no centro, aproximadamente seis mil pessoas assistiram o desfile do primeiro grupo das escolas de samba na noite da última terça-feira (18.02) na Rua da Conceição, no Centro.

Oito agremiações se apresentaram na avenida. O desfile começou com cerca de uma hora e meia de atraso em razão das chuvas.

O novo ponto de concentração, na Avenida Ernani do Amaral Peixoto, permitiu um deslocamento muito mais ágil e dinâmico ao desfile.

As escolas chamaram atenção do público pelo luxo das fantasias e alegorias criativas. Cada desfile durou em média, 40 minutos.




Este ano, primeira vez, o corpo de jurados foi escolhido através de edital de convocação, o que garante total transparência e isenção. A apuração das notas do desfile será nesta quinta­-feira a partir das 15h na quadra da Unidos do Viradouro, no Barreto.

Menos de nove horas após o fim dos desfiles, toda a estrutura de arquibancadas, cabines de jurados, house mix, camarotes e banheiros foram retirados do local e a via liberada para o trânsito e comércio local.

De acordo com o presidente da Neltur, Paulo Freitas, o carnaval deste ano foi o melhor da atual administração.
"O slogan Família & Folia, o carnaval atingiu seus objetivos. O que se viu foram muitas famílias, paz, tranquilidade nos 21 bairros onde aconteceram eventos", afirmou.

Durante os quatro dias de carnaval foram realizados um total de 68 atendimentos nos postos médicos montados no Rio do Ouro, Largo da Batalha, Avenida Central e Rua da Conceição. Dentre eles o maior número foi de ingestão alcoólica, totalizando oito atendimentos, seguido de curativos, totalizando seis. O restante foi cefaleia, entorse, hipertensão, entre outros.

Fonte: Prefeitura de Niterói




CIÊNCIA: Navios espanhóis do século XVI propagaram formigas tropicais pelo mundo




Los barcos españoles del siglo XVI propagaron las hormigas tropicales por todo el planeta

"Las hormigas invasoras son un problema enorme. Una vez que llegan, establecen realmente altas densidades en nuevos hábitats, con consecuencias negativas para la agricultura, las especies nativas y la calidad de vida humana", dijo Helms Cahan. "El control cuesta millones de dólares al año."

Investigadores han documentado genéticamente la historia de la hormiga de fuego tropical (Solenopsis geminata), la primera especie de hormiga conocida que viajó por el mundo a través del mar.

Su estudio, publicado en la revista Molecular Ecology, revela que los galeones españoles del siglo XVI transportaron hormigas de fuego tropical desde Acapulco, México, a través del Pacífico hasta las Filipinas, y de allí a otras partes del mundo. Hoy en día, estas especies de hormigas se encuentran en casi todas las regiones tropicales del mundo, en particular en África, América, Australia, India y el sudeste asiático.

"Muchos de estos buques, sobre todo si iban a algún lugar para recoger el comercio, llenaban su bodega con lastre y luego lo extraían en un nuevo puerto para reemplazarlo con carga", dijo el profesor de Entomología de la Andrew Suárez, uno de los autores del estudio. "Se movían, sin saberlo, un gran número de organismos en el suelo de lastre."

"Las hormigas invasoras son un problema enorme. Una vez que llegan, establecen realmente altas densidades en nuevos hábitats, con consecuencias negativas para la agricultura, las especies nativas y la calidad de vida humana", dijo Helms Cahan. "El control cuesta millones de dólares al año."

Los investigadores analizaron los genomas de hormigas de fuego tropicales de 192 localizaciones, observando los patrones de diversidad genética. El equipo también analizó los patrones de comercio de los galeones españoles que van desde y hacia el Nuevo Mundo a mediados del siglo XVI.

"Si nos fijamos en los registros, nos fijamos en la historia, nos fijamos en las antiguas rutas comerciales y nos fijamos en la genética, todo pinta este cuadro de que esta fue una de las primeras invasiones globales, y coincidió con lo que podría ser el primer patrón del comercio mundial de los españoles ", dijo Suárez. "Las hormigas de las áreas introducidas en el Viejo Mundo son genéticamente más similares a las hormigas de suroeste de México, lo que sugiere que su población de origen vino de esta región".

"Acapulco era un lugar de paso grande para el comercio del Imperio español", dijo Suárez. "A partir de ahí, los galeones españoles trajeron plata a Manila, que sirvió como un centro para el comercio con China", escribieron los autores.

Fonte: ECOticias






Fungo letal a anfíbios está disseminado pela Mata Atlântica


Anfíbio da espécie Hypsiboas albomarginatus infectado pela doença (foto: Luís Felipe Toledo)


Pesquisadores constatam que causador de doença que atinge a pele e é uma das principais causas do declínio mundial de anfíbios também já se encontra na Amazônia e no Cerrado

Por Elton Alisson

Agência FAPESP – Uma doença infecciosa e letal tem sido apontada como uma das principais causas do declínio mundial e da perda de espécies de anfíbios – os animais mais ameaçados de extinção no planeta.

Trata-se da quitridiomicose – doença que infecta células com queratina da epiderme de anfíbios adultos, causando desequilíbrio nas trocas gasosa, de água e de eletrólitos pela pele desses animais e levando-os à morte por parada cardíaca. Em girinos, o fungo degrada a queratina dos dentículos, dificultando a alimentação e prejudicando o crescimento.

“Ao permanecer mais tempo como girinos e metamorfosear com tamanhos menores, esses animais têm mais chances de serem predados na natureza, o que pode provocar o declínio dessa população”, disse Luís Felipe Toledo, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), à Agência FAPESP.

Um estudo coordenado por ele e realizado por um consórcio de pesquisadores de universidades e instituições de pesquisa do Brasil e dos Estados Unidos no âmbito do projeto “Into the heart of an epidemic: a US-Brazil collaboration for integrative studies of the amphibian-killing fungus in Brazil”, apoiado pela FAPESP, revelou que o fungo causador da quitridiomicose – o Batrachochytrium dendrobatidis (Bd) – está amplamente disseminado pela Mata Atlântica e já se encontra presente em outros biomas brasileiros, como a Amazônia e o Cerrado.

Além disso, o Brasil tem uma linhagem nativa e outra híbrida do fungo, provavelmente mais virulenta do que a pandêmica em circulação pelo mundo, apontou o estudo.

“Constatamos que o Batrachochytrium dendrobatidis [Bd] não está mais restrito à Mata Atlântica e há pelo menos duas linhagens do fungo exclusivas no Brasil”, disse Toledo.

De acordo com o pesquisador, já se sabia, desde o começo dos anos 2000, da presença do fungo Bd na Mata Atlântica – bioma com a maior diversidade de anfíbios do país e onde esses animais sofrem os maiores riscos de extinção em razão de fatores como a destruição de habitats e a introdução de espécies invasoras.

Com o projeto apoiado pela FAPESP, realizado com o intuito de aumentar o conhecimento sobre a ecologia e a evolução da quitridiomicose nas Américas – onde os surtos da doença têm sido mais devastadores –, os pesquisadores identificaram que o fungo Bd está presente em uma ampla variedade de habitats e regiões da Mata Atlântica.

Até o início do projeto, o fungo havia sido detectado em cerca de 110 espécies de anuros (sapos) em vários habitats, principalmente nas porções sul e sudeste da Mata Atlântica, e em duas espécies de anuros do Cerrado – dois biomas com o maior número de espécies de anfíbios ameaçados de extinção no mundo.

Em um artigo já aceito para publicação na revista Diseases of Aquatic Organisms, os pesquisadores relatam que identificaram espécies de anuros infectados pelo fungo capturados na natureza também na região norte da Mata Atlântica, nos Estados da Bahia, Pernambuco e Minas Gerais.

Em outro artigo aceito para publicação na revista North-Western Journal of Zoology, eles também descrevem ter identificado exemplares de espécies de sapos da Mata Atlântica ameaçadas de extinção infectadas pelo fungo. Com isso, o número de espécies de anuros infectados por Bd na Mata Atlântica saltou para 128.

“Os resultados do nosso estudo indicam que o fungo Batrachochytrium dendrobatidis está presente em toda a Mata Atlântica e que atua como um agente patogênico generalista no bioma, infectando famílias de anuros com maior diversidade de espécies”, afirmou Toledo.

No artigo, os pesquisadores também relatam o primeiro registro de uma espécie de anuro capturado na natureza infectado pelo fungo na Amazônia, no Estado do Pará.

Até então, o único registro de anfíbio infectado na Amazônia era o de girinos de rã-touro (Lithobates catesbeianus) obtidos em um ranário comercial, disse Toledo.

“Estimamos que a presença do fungo Batrachochytrium dendrobatidis na Amazônia seja recente e menos abundante do que na Mata Atlântica”, afirmou o pesquisador. “Na Mata Atlântica, aproximadamente 40% dos anfíbios têm o fungo, enquanto na Amazônia a prevalência parece ser menor”, comparou.

O fungo em diversas fases (imagens: Luís Felipe Toledo)


Linhagem brasileira

Os pesquisadores também constataram que, além da linhagem pandêmica (Bd-GPL) do Batrachochytrium dendrobatidis (Bd), a Mata Atlântica também tem um linhagem “genuinamente brasileira”, batizada de Bd-Brazil, e outra linhagem híbrida entre o Bd-GPL e o Bd-Brazil, chamada Bd-Hybrid.

A descoberta da linhagem híbrida, descrita em artigo publicado na revista Molecular Ecology e, posteriormente, caracterizada em um artigo publicado na revista Proceedings of the National Academy os Sciences of the United States of America (PNAS), supreendeu os pesquisadores porque, até então, estimava-se que o fungo Bd se reproduzisse de maneira assexuada (sem a conjugação de material genético).

“A existência dessa linhagem híbrida indicou que tanto a linhagem Bd-Brazil como a Bd-GPL são capazes de se reproduzir de forma sexuada”, explicou Toledo.

Outra descoberta recente dos pesquisadores foi a de que a linhagem híbrida pode ser mais virulenta do que as linhagens brasileira e pandêmica do fungo, que causa perda e extinção de espécies em países da América Central, como o Panamá, além da Austrália e no oeste dos Estados Unidos.

Uma das razões para isso é que o fungo híbrido é maior e possui mais conteúdo de DNA do que as linhagens pandêmica e brasileira. Com isso, poderia produzir mais proteínas e enzimas que aumentariam a sua eficiência na infecção de anfíbios.

O fungo se propaga pela água. Os esporos flagelados (zoósporos) nadam até encontrar outro anfíbio, onde se convertem em cistos e se transformam em zoosporângios – onde os zoósporos se desenvolvem, explicou Toledo.

“Há uma relação entre a morfologia e o potencial de infecção do fungo”, disse Toledo. “A cepa pandêmica, por exemplo, pode ser maior, com zoósporos e zoosporângios com diâmetro maior do que os da linhagem brasileira do fungo e, consequentemente, mais virulenta”, explicou.

De acordo com o pesquisador, a existência na Mata Atlântica das três linhagens do fungo – incluindo a mais ancestral – sugeriu a hipótese de o patógeno ter surgido no bioma ou em outro lugar na América do Sul.

Os resultados dos estudos obtidos até o momento, contudo, apontam que ainda é prematuro e impossível indicar de forma inequívoca a origem geográfica do fungo e como ele poderia ter se disseminado pelo mundo, disse Toledo.

“Trabalhamos com a hipótese de que a linhagem brasileira se originou e permaneceu no Brasil e, mais recentemente, ter chegado ao país a linhagem pandêmica e as duas terem se hibridado”, afirmou.

Possíveis origens

Segundo os pesquisadores, desde a descoberta do fungo Bd em 1998 e da ligação dele com o declínio de espécies de anfíbios no mundo, têm sido levantadas diversas hipóteses para tentar explicar o surgimento e a transformação da quitridiomicose em uma doença pandêmica.

Uma delas é que o comércio internacional para consumo humano de rã-touro americana (Lithobates catesbeianus) – que é altamente resistente e frequentemente infectada pelo fungo – tenha contribuído para a propagação internacional da doença.

Os resultados do estudo realizados pelos pesquisadores brasileiros indicaram, porém, que o fungo Bd já estava presente no Brasil muito antes de essa espécie de rã nativa da América do Norte – que se tornou invasora no oeste da América do Norte, na América do Sul, na Europa e na Ásia – ter sido introduzida no Brasil, em meados da década de 1930.

“O comércio internacional de rã-touro pode ter contribuído para a propagação mundial da quitridiomicose, mas não foi o fator fundamental. O problema, agora, é que há ranários exportando animais infectados com a linhagem brasileira do fungo, que consegue se reproduzir de forma sexuada. Isso pode agravar ainda mais o problema em outros lugares do mundo”, disse Toledo.

Os pesquisadores encontraram durante o estudo exemplares de rã-touro americana criados em ranários na América do Sul e comercializadas nos Estados Unidos infectados com a linhagem brasileira do fungo.

“Não sabemos se as rãs foram exportadas para esses países pelo Brasil ou pelo Uruguai, mas deveria ter algum mecanismo de controle e segurança nesses países para evitar que a situação se agrave com o passar do tempo”, alertou Toledo.

Danos às espécies

Segundo o pesquisador, não há uma estimativa oficial do número de espécies de anfíbios que sofreram declínio ou foram extintas no Brasil e em outros países em razão da quitridiomicose porque o fungo só foi descrito em 1998.

O que se sabe é que o fungo já infectou mais de 500 espécies de anfíbios em uma grande variedade de habitats aquáticos e terrestres nas Américas, e que os maiores declínios foram registrados em regiões com maior diversidade de espécies.

“Há uma interação entre a espécie, o fungo e as condições ambientais, como o clima e relevo, que interferem na dinâmica e na propagação da doença”, disse Toledo.

Em estudo também publicado na revista Diseases of Aquatic Organisms com anuros de três regiões da Mata Atlântica com níveis variados de altitude, os pesquisadores relatam que a prevalência e a intensidade da infecção pelo fungo Bd são maiores em altitudes mais elevadas.

Uma das explicações é que as regiões mais altas apresentam condições favoráveis para o crescimento e a propagação do fungo, como a temperatura baixa e chuva.

Além de anuros, o fungo ataca cecílias e salamandras e não apresenta risco para os humanos, afirmou Toledo.

“Ao entender melhor a ecologia e a fisiologia do fungo e como a doença se propaga será possível identificar melhor áreas para conservação e monitoramento de espécies e outras medidas de contenção do avanço da quitridiomicose”, avaliou.

O artigo Chytrid fungus acts as a generalist pathogen infecting species-rich amphibian families in Brazilian rainforests (doi: 10.3354/dao02845), de Valencia-Aguilar e outros, poderá ser lido na revista Diseases of Aquatic Organisms.

O artigo Batrachochytrium dendrobatidis in near threatened and endangered amphibians in the southern Brazilian Atlantic Forest, de Preuss e outros, poderá ser lido na revista North-Western Journal of Zoology em http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1365-294X.2012.05710.x/abstract;jsessionid=022DC05DC4F5FD33A9CF7F487CF58573.f01t02.

O artigo Complex history of the amphibian-killing chytrid fungus revealed with genome resequencing data (doi: 10.1073/pnas.1300130110), de Rosenblum e outros, pode ser lido por assinantes da revista PNAS em http://www.int-res.com/abstracts/dao/v97/n3/p173-184/.

E o artigo Interaction between breeding habitat and elevation affects prevalence but not infection intensity of Batrachochytrium dendrobatidis in Brazilian anuran assemblages (doi: 10.3354/dao02413), de Gründler e outros, pode ser lido na revista Diseases of Aquatic Organisms em http://www.int-res.com/abstracts/dao/v97/n3/p173-184.


Fonte: Agência FAPESP






Desmatamento e mudança climática reduzem chuva e provocam crise


Foto: Paulo de Araújo/MMA


Impermeabilização do solo faz com que a água da chuva chegue mais rápido aos cursos d'água e ao mar

Por: Luciene de Assis - Editor: Marco Moreira

Criar e manter unidades de conservação (UCs) da natureza nas áreas urbanas pode ser uma resposta para a falta de água, que deflagrou a crise hídrica no Sudeste do Brasil. A escassez está associada a vários fatores, como a carência de planejamento dos assentamentos urbanos, os equívocos no manejo do uso do mineral, a utilização de equipamentos urbanos de distribuição ineficientes e responsáveis por enormes desperdícios, e a pouca consciência do brasileiro em relação à escassez deste recurso.

A avaliação foi feita pelo biólogo e diretor do Departamento de Áreas Protegidas (DAP) do Ministério do Meio Ambiente, Sérgio Henrique Collaço de Carvalho. Segundo ele, a existência de unidades de conservação dentro e no entorno das cidades ajudaria na estabilização do regime de precipitação de chuvas e reteria água no subsolo e lençóis freáticos. O desmatamento e a impermeabilização do solo fazem com que a água da chuva chegue mais rápido aos cursos d'água e ao mar, além de modificar o regime de precipitação.

SEM CONSCIÊNCIA

”Esses fatores influenciam no clima, provocando períodos de estiagem, com escassez de água e crise de abastecimento, sendo que, imediatamente depois, vem o período de chuvas, acarretando alagamentos e a ideia de abundância do recurso”, explica Collaço. Quem vive no Nordeste tem uma percepção mais realista sobre a necessidade de se poupar o recurso, lembra Collaço: “Só o nordestino tem essa percepção e está acostumado com a escassez de água.”?

À exceção do Nordeste, as demais regiões não têm essa consciência acerca da escassez de água, avalia o diretor do DAP/MMA. Segundo ele, no país, boa parte das cidades não reservou espaços para UCs, que ajudam na reserva e provimento de água, como ocorre em cidades planejadas como Brasília.

As UCs favorecem a recarga de água nos reservatórios. “Em áreas desflorestadas e asfaltadas, a água que cai no chão impermeabilizado, sem vegetação nativa ou com pasto, corre muito rápido para dentro dos corpos hídricos, escorre e vai embora, em direção a alguma bacia hidrográfica e segue para o mar, ou pode cair num reservatório, que tem superfície muito grande e onde muita água se perde por evaporação”, acrescenta.

DESMATAMENTO

Num ambiente natural, diz ele, o quadro é outro. ”A água cai nas folhas, há a colaboração do sombreamento, criando um ambiente no qual a água penetra muito mais lentamente no solo e no corpo hídrico, infiltrando mais e fazendo a recarga de mananciais e do sistema superficial, o que garante sua provisão ao longo do tempo”, salienta. “Nessa situação, mais favorável, quando acaba o período de chuva ainda existe água no subsolo, vertendo nas nascentes e chegando aos cursos d'água.”

Sérgio Collaço insiste: as UCs são espaços especialmente protegidos e a principal estratégia de conservação da biodiversidade. “Quando delimitada, é usada como fonte e reserva de recurso natural, além de preservar a paisagem. ”É assim em todo o mundo”, exemplifica. “De forma planejada, uma UC garante a conservação da biodiversidade, estoca recurso natural para se fazer manejo sustentável de longo prazo, sob vários graus de restrições do acesso aos recursos naturais ali existentes.”

AMAZÔNIA

O conceito de Unidade de Conservação surgiu no Brasil ainda na década de 1930, ganhando força no final dos anos 1970 e novamente nos anos 1990 e 2000 na Amazônia. “A questão é que a maior parte das áreas de conservação da biodiversidade está localizada na região Amazônica, fora das áreas urbanas e distantes da população, em ambiente rural ou remoto, como na própria Amazônia, nos rincões do Jalapão, entre outros lugares”, lamenta Collaço.

No caso da crise hídrica, o fim da resiliência (capacidade de se adaptar ou evoluir positivamente na adversidade) está associado ao fim das áreas naturais e a alteração drástica do ambiente que poderia armazenar água da chuva, avalia o diretor do DAP/MMA. “Belo Horizonte não teve esse cuidado e a falta de planejamento urbano, e a explosão demográfica engoliram essas áreas naturais, que deveriam ter sido preservadas para garantir a recarga de água, de forma mais resiliente, no subsolo”, salienta.

CRISE HÍDRICA

Brasília é o exemplo contrário. Collaço acredita que a cidade, nesse sentido, foi melhor planejada no seu desenvolvimento e atraiu menos gente por não ter a dinâmica econômica de Belo Horizonte. A capital do país possui amplos espaços de preservação que garantem a qualidade do abastecimento, quase todo proveniente de UCs. São exemplos o sistema Santa Maria-Torto (localizado no Parque Nacional de Brasília e abastece a parte norte da cidade) e o sistema de Sobradinho (na reserva biológica da Contagem), que, há anos, possuem tanto qualidade quanto volume de água. Ele garante: “São sistemas bem estáveis e que flutuam muito menos em função do regime de chuvas do que os sistemas localizados fora de UCs.”

Além destes, o sistema do Descoberto foi protegido pela gestão da Área de Proteção Ambiental (APA) de mesmo nome, hoje sob gestão do Instituto Chico Mentes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), sendo que esta APA garantiu a boa gestão do uso do solo desde sua criação na década de 1980. De forma semelhante, a cidade de Belo Horizonte conta hoje com a APA Sul, criada somente em 2001 pelo governo estadual, e que deve ter o mesmo papel de proteção de mananciais da APA do Descoberto, no DF, com o desafio de recuperar a resiliência do manancial que abastece a cidade de BH e sua região metropolitana.

FLORESTA

A crise vivida hoje por São Paulo deve-se à falta de planejamento e de conservação dos mananciais, além das mudanças no padrão climático global, em processos acirrados. ”Esse padrão demonstra que o clima está ficando cada vez mais variável (mais extremos de temperatura e precipitação), mudando a dinâmica da floresta amazônica, pois o desmatamento ali registrado, desde dez, quinze anos atrás, comprometeu parte da floresta” evidencia.

E dá um exemplo: “O volume de água que sai da Amazônia, tanto pela mudança do padrão climático global quanto pelo desmatamento verificado na região, diminui o volume de água disponibilizado pelo funcionamento da floresta.”? Junte-se a isso, o mau planejamento das cidades, a ausência de áreas protegidas que garantam a captura desse recurso e melhora na resiliência do ambiente, resulta numa crise como essa, que já vinha se anunciando há algum tempo.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social (Ascom/MMA), Ministério do Meio Ambiente.








quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Balanço de ocorrências de chuvas nesta terça-feira em Niterói




Equipes da CLIN e SECONSER trabalham na limpeza de Niterói após as chuvas de ontem.


A cidade de Niterói registrou chuvas e ventos fortes na noite da última terça-feira (17/2), principalmente no período entre 20h e 21h. Não houve ocorrências graves.

De acordo com a Defesa Civil, o município entrou em estágio de atenção às 20h e retornou ao de vigilância por volta das 7h desta quarta-feira.

O órgão informou que os bairros que registraram o maior volume de chuva foram Maria Paula (43 mm/h), Badu (42,4 mm/h) e Fonseca (38,2 mm/h) e que, em uma hora, choveu o equivalente a uma semana neste período do ano.

A Defesa Civil registrou uma queda de marquise no Fonseca e o desabamento parcial de um muro, no Cubango, ambos os casos sem vítimas, além de 11 ocorrências de quedas de árvore.

Em função das condições climáticas, o Sistema Municipal de Proteção e Defesa Civil foi colocado em prontidão durante a noite. Secretarias municipais e os Núcleos Comunitários de Defesa Civil (Nudecs) foram alertados.

Nesta quarta-feira, equipes da Defesa Civil estão percorrendo regiões que registraram os maiores índices de chuva, com a finalidade de avaliar e identificar sinais de risco iminente e promover as consequentes ações preventivas.

A Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos (Seconser) informou que foram Identificados pontos de alagamento em alguns locais da cidade, como Largo da Batalha e Avenida Roberto Silveira, em Icaraí. O escoamento foi rápido, tendo demorado apenas cerca de 20 minutos após o término da chuva.

Centenas de servidores da Seconser e da Clin (Companhia de Limpeza de Niterói) trabalharam durante a madrugada e pela manhã para desobstrução de vias e completa limpeza das ruas.

De acordo com a Defesa Civil, a previsão para esta quarta-feira é de tempo instável com possibilidade de pancadas de chuvas moderadas e ocasionalmente fortes.

Diante da possibilidade de novas chuvas, o órgão solicita à população ações preventivas como inspecionar telhados e a cobertura das caixas d'agua, verificar em construções a segurança de andaimes, telas de proteção, apara-lixo e a existência de material solto.

A Defesa Civil orienta ainda que, em caso de novas chuvas, atenção e cuidados com raios, permanecendo em áreas edificadas e seguras, evitando ficar em local descampado (inclusive praia), sob árvore, e dentro de água em piscina ou praia.
Fonte: Prefeitura de Niterói


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CHUVAS REGISTRADAS NOS PLUVIÔMETROS DE DEFESA CIVIL DE NITERÓI

Núcleos de chuva associados ao calor e alta umidade do ar, atuaram na cidade de Niterói na noite de terça-feira (17/02), ocasionando chuva moderada a forte em alguns pontos.

Seguem as tabelas com os acumulados máximos em 1 hora e no período das 18h às 21h. Em destaque laranja, tem-se os três maiores taxas horárias de precipitação.

Juliana Hermsdorff V. de Freitas
Setor de Meteorologia
Defesa Civil de Niterói



 
 






terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Mestranda da UFF faz visita técnica a Maryland para estudar impactos ambientais de dragagens


Entre outubro e novembro de 2014, a bióloga e empresária Ana Elisa Silveira fez uma viagem técnica para o estado americano de Maryland, com a colaboração do Comitê Maryland-Rio de Janeiro da organização Companheiros das Américas.

A organização, há mais de 50 anos, promove a colaboração entre cidadãos e instituições dos estados de Maryland e Rio de Janeiro. O intercâmbio entre estudantes e pesquisadores é uma das mais ativas áreas de colaboração e as Universidade Federal Fluminense - UFF, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e a University of Maryland são também parceiras e das maiores beneficiárias da parceria.

A bióloga Ana Elisa Silveira, estudante de Pós-graduação na UFF e moradora de Niterói, desenvolve pesquisa sobre impactos ambientais de dragagens, com especial ênfase na Baía de Guanabara. Ana Elisa visitou parques e outras áreas protegidas na Baía de Chesapeake, acompanhou operações de dragagens, visitou empresas e órgãos públicos responsáveis pela gestão do Porto de Baltimore.

A seguir, segue o resumo do relato da visita da Ana Elisa, conforme foi publicado no site do Comitê Maryland-Rio (Maryland-Rio Partners of the Americas).

Axel Grael
Presidente
Comitê Rio de Janeiro-Maryland



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Brazilian Graduate Student Studies in Maryland
Collecting sediment and plant samples on Poplar Island for biomass analysis. Left to right are Ana Elisa Silveira of Universidade Federal Fluminense, in Niteroi, Brazil, and three researchers of Horn Point Laboratory of the University of Maryland Center for Environmental Science.


Ana Elisa Silveira, a graduate student at Universidade Federal Fluminense in Niteroi, Brazil, traveled to Maryland in late 2014 to learn about research being conducted on the Chesapeake Bay by the University of Maryland Center for Environmental Science. In her own words, she briefly describes her experience below.

“I was in Maryland from October 15 to November 25, 2014. It was an amazing experience for me. I had the opportunity to visit many different places and to see different sampling techniques and analyses being conducted on Chesapeake Bay that will improve my research in Brazil that is focused on Guanabara Bay.

“During my stay in Maryland, I worked in the Horn Point Laboratory of the University of Maryland Center for Environmental Science, in Cambridge, Maryland. My interest in visiting Horn Point and Chesapeake Bay was to learn more about different ways of disposal of dredged material, beneficial uses of dredged sediments, monitoring programs, and sampling techniques and analyses of contaminated and non-contaminated sediments. I achieved my goals.

“I took part in a meeting between the Laboratory, the Port of Baltimore, and the Maryland Environmental Service where many important issues were discussed about the dredging that would begin in a few weeks and the research that took place in Chesapeake Bay during the past year. The results and the new targets were also discussed.

“I had the opportunity to watch three PhD defenses in geochemistry and biology, and it was very nice to see how dissertation defenses are conducted in an American University. They were very high level expositions.

“Thanks to Dave Nemazie of the University of Maryland, I took part in a Dredging Material Management Program Annual Meeting. Definitely, it was a very important experience to understand the policy and the popular participation in the dredging process.

“I visited Hart-Miller Island and collected sediments and water samples. Hart-Miller is an artificial island built for disposal of contaminated sediments dredged from access channels to the Baltimore Harbor. Nowadays, it is not being used as a confined disposal facility. There are some environmental issues, such as a very low pH effluent. The low pH makes the water discharge very slow. Many procedures have been implemented to correct this problem, which is related to oxidation of a high level of Fe in the sediments in anoxic condition.

“I also visited Cox Creek and Masonville Cove, each a Dredged Material Confined Facility (DMCF) used by the Port of Baltimore for disposal of contaminated sediments. I had seen the project plans and could discuss the monitoring program, environmental permits, and other issues with the Maryland Environmental Service team.


Poplar Island, located in the mid-Chesapeake Bay, is being restored using dredged material from the Port of Baltimore’s shipping channels. The restoration of Poplar Island includes the creation of uplands and intertidal wetlands offering a diversity of habitats for a variety of Chesapeake Bay wildlife.


“I had a very important meeting with David Blazer, the Harbor Development Director of the Maryland Port Administration, about the dredging of Baltimore Harbor, the policy, prices, equipment, community and other issues related to the harbor.

“I saw a Water-Sediment Interface Analyses in the laboratory and helped to collect some samples in the field.

“I visited Poplar Island in Chesapeake Bay, which is being built up with dredged sediments. This is a very interesting project that involves a huge and multidisciplinary team to restore an island.

“Another interesting project has been taking place in the Oyster Lab at Horn Point, where researchers work to improve oyster production in Chesapeake Bay. Two benefits of this work are improved production of oysters and decreased nitrogen level in the water. High nitrogen and phosphorus levels are environmental concerns in Chesapeake Bay.

“I read many papers to prepare myself for discussions with professors and a great specialist, Jeffrey Hankla, and also with non-governmental organizations that work in a monitoring program in the creeks.

“I had the unique opportunity to be on board with the US ARMY Corps of Engineers in two dredges. By that time we could discuss many issues that are so important in Brazil; many Brazilian standards are based on their studies.

“In return for such hospitality, I prepared a presentation of an overview of Guanabara Bay about the main environmental aspects, and depollution projects in the past and for the future.

“It was an unforgettable trip and I have many thanks for some very special people, hoping to be back soon. From the University of Maryland, I thank Mike Roman, Jeffrey Cornwell, Dave Nemazie, Lorie Staver who kindly shared her room with me, Lowell Adams who made it all come true, and Debbie Hinkle. From the Port of Baltimore, I thank David Blazer and Holly Miller. From the Maryland Environmental Service, I thank Kenna Oseroff and Jeffrey Hankla. From the US ARMY Corps of Engineers, I thank Kevin Brennan and Willie Pack. From Brazil, I thank my advisor Edison Bidone, and Willian Zamboni and Elisamara Sabadini, all of Universidade Federal Fluminense. The personal connections of Ronald Hees, Axel Grael, and Lowell Adams of Rio-Maryland Partners of the Americas made it all possible.”

Fonte: Maryland-Rio Partners of the Américas


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Versão em português do relatório da bióloga Ana Elisa Silveira:

Eu estive em Maryland de 15 de outubro a 25 de novembro de 2014. Foi uma experiência surpreendente. Eu tive a oportunidade de visitar vários lugares diferentes e ver diferentes amostragens e análises que melhoraram muito a minha pesquisa aqui no Brasil.

Durante minha estada em Maryland, eu trabalhei no laboratório de ciências ambientais de Horn Point no Campus de Cambridge em Maryland. Meu interesse em visitar Horn Point e a baía de Chesapeake era aprender mais sobre diferentes maneiras de dispor o material dragado, os usos benéficos deste material, programas de monitoramento e amostragem e análises de sedimentos contaminados e não contaminados. Agora eu posso dizer: Eu atingi os meus objetivos e fui além.

Eu participei de uma reunião entre o Laboratório, o Porto de Baltimore e o Serviço Ambiental de Maryland, onde várias questões importantes foram discutidas sobre a dragagem que iria acontecer em poucas semanas e a pesquisa que vinha acontecendo na baía de Chesapeake no último ano. Os resultados e as novas metas também foram discutidas.

Eu tive a oportunidade de assistir a 3 defesas de doutorado, em geoquímica e biologia, foi muito bom ver como as coisas acontecem numa universidade americana, além do alto nível das exposições.

Graças a Dave Nemazie, da Universidade de Maryland, eu participei da Reunião Anual do Programa de Gestão de Material Dragado. Definitivamente, esta foi uma experiência muito importante para entender a política e a participação popular no processo de dragagem.

Estive em Hart-Miller, coletando amostras de sedimento e água. Hart-Miller é uma ilha artificial construída para dispor sedimento contaminado do canal de acesso ao Porto de Baltimore. Hoje em dia, não é mais utilizada como CDF ( Cava de Disposição Final), entretanto, existem alguns inconvenientes de ordem ambiental, como um efluente com pH muito baixo. O Baixo pH da água faz com que a descarga para o mar seja muito lenta, vários procedimentos têm sido tomados para corrigir este problema, que está associado a oxidação dos altos teores de ferro no sedimento em condições anóxicas.

Eu também estive em Cox Creek e Masonville, ambos estão sendo usados com DCMF (Unidade de Disposição de Material Dragado) pelo Porto de Baltimore para dispor sedimento contaminado. Eu vi o projeto, pude discutir sobre o programa de monitoramento, as licenças ambientais e visitei toda a área com a equipe do Serviço Ambiental de Maryland.

Eu tive uma reunião muito importante com David Blazer, Diretor de Desenvolvimento do Porto, sobre a dragagem, políticas, preços, equipamentos, comunidade e o porto como líder deste processo.

Eu pude ver uma análise em laboratório da interface sedimento-água e participei de algumas coletas em campo.

Estive em Poplar Island, um projeto muito interessante que envolve uma equipe grande e multidisciplinar para restaurar uma ilha que está sendo construída com sedimentos de dragagem.

Outro projeto interessante acontece no laboratório de ostras onde há um estudo para melhorar a produção de ostras na baía de Chesapeake com dois benefícios: melhorar a produção e diminuir a quantidade de nitrogênio na água. Os índices elevados de nitrogênio e fósforo na baía de Chesapeake são uma preocupação ambiental.

Eu precisei ler muitos artigos para me preparar para tudo isso e tive a oportunidade de discuti-los com os professores de lá e com um grande especialista o Dr. Jeffrey Hankla e também com uma ONG que trabalha com programa de monitoramento nos rios de lá.

Eu tive uma oportunidade única de estar a bordo com o Corpo de Engenheiros do Exército Americano em duas dragas. Na ocasião pudemos discutir várias questões que são tão importantes no Brasil já que muitas das nossas normas são baseadas nos estudos desenvolvidos por eles.

Como retorno a tanta hospitalidade, eu preparei uma apresentação geral da baía de Guanabara sobre os principais aspectos ambientais, projetos de despoluição do passado e do futuro.

Esta foi uma viagem inesquecível, eu tenho muito a agradecer a algumas pessoas muito especiais, esperando voltar em breve: da Universidade de Maryland: Mike Roman, Jeffrey Cornwell, Dave Namezie, Lorie Staver que gentilmente dividiu sua sala comigo, Lowell Adams que fez tudo isso virar realidade, Debbie Hinkle, Laura; Porto de Baltimore: David Blazer and Holly Miller; Serviço Ambiental de Maryland: Kenna Oseroff and Jeffrey Hankla; Corpo de Engenheiros do Exército Americano: Kevin Brennan and Willie Pack. Do Brasil, agradeço ao meu orientador Edison Bidone, ao coordenador Willian Zamboni, Elisamara Sabadini, todos professores da Universidade Federal Fluminense. E aos amigos Ronald Hees, Axel Grael e Lowell Adams do Companheiros das Américas Rio-Maryland, que tornaram tudo isso possível.


Ana Elisa Silveira


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LEIA TAMBÉM:

Informações sobre a parceria RJ - Maryland no Blog do Axel Grael: Companheiros das Américas - Comitê RJ-Maryland

DESPOLUIÇÃO DAS BAÍAS DE GUANABARA E CHESAPEAKE: uma comparação das experiências, reflexões e algumas lições

RELAÇÕES RIO-MARYLAND E A BAÍA DE GUANABARA





DESPOLUIÇÃO DAS BAÍAS DE GUANABARA E CHESAPEAKE: uma comparação das experiências, reflexões e algumas lições



Nas décadas de 1970 e 1980, a Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, e a Baía de Chesapeake, no litoral leste dos EUA, ficaram conhecidas nos respectivos países como símbolos de poluição e de degradação ambiental.

Diante do reconhecimento do problema, as baías de Guanabara e Chesapeake providenciaram programas de despoluição aproximadamente na mesma época. Embora com precedentes que remontam a décadas anteriores, a estruturação dos dois programas de despoluição ganharam força e tiveram início efetivo por volta do início da década de 1990.

Para a Baía de Guanabara, o Governo do Estado do Rio de Janeiro foi buscar um apoio internacional inicial no governo japonês, que financiou estudos preliminares que permitiram estruturar o programa de despoluição. Posteriormente, foi firmado um contrato de empréstimo junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID. No caso da Chesapeake, os financiamentos iniciais vieram do governo federal e dos próprios estados, liderados pelo estado de Maryland.

Bacia Hidrográfica da Baía de Chesapeake


Deve-se salientar que o ponto de partida e as ambições dos dois programas foram bem diferentes. O Programa de Despoluição da Baía de Guanabara - PDBG teve como prioridade o investimento em infraestrutura de saneamento e solução para o lixo. Ou seja, o PDBG tinha como objetivo resolver problemas herdados do século XIX e que ainda eram realidade na Baía de Guanabara.

O PDBG enfrentou problemas desde o seu início. Crises políticas, que resultaram na demissão do seu primeiro responsável, o combativo Manuel Sanches. Além disso, no início, o programa enfrentou as turbulências dos tempos de elevada inflação, que corroía diariamente os orçamentos, e depois passou por momentos de descontinuidade e de disputas institucionais. O PDBG sempre foi objeto de disputa entre a CEDAE e a Secretaria de Meio Ambiente do estado.

Um dos grandes erros do PDBG foi na comunicação. Deixou-se criar uma expectativa equivocada do programa como se ele tivesse a capacidade de resolver todo o problema da poluição da Baía de Guanabara, o que fez aumentar a decepção com os seus resultados e a consolidar o ceticismo de muitas pessoas quanto à possibilidade de que algum dia isso acontecerá.

A solução para o problema do lixo foi o maior fracasso do programa. Optou-se por soluções e tecnologias equivocadas e praticamente não se tem qualquer legado daquele investimento.

No saneamento, a opção pelo modelo de grandes estações de tratamento, grandes redes de captação de esgoto e troncos coletores de grande capacidade concentrou o esgoto em certas partes da baía, comprometendo a sua capacidade de suporte para tanta carga orgânica e comprometendo ainda mais a qualidade ambiental. Foi o caso da ETE Alegria.

Além disso, o descompasso entre os investimentos, compartimentados por diversas fontes, levou a uma patética situação de que algumas estações tivessem ficado prontas sem nunca ter recebido esgoto para tratar. Foi o caso São Gonçalo que, apesar de ter sido inaugurada e reinaugurada por sucessivos governos, só conseguiu receber o primeiro aporte de esgoto há poucos meses, ou seja, com décadas de atraso.

O controle da poluição industrial fazia parte dos chamados Programas Ambientais Complementares, juntamente com educação ambiental e outros temas. Era um componente de menor orçamento. Ainda assim, o controle da poluição industrial foi uma das ações com o melhor resultado. Isso ocorreu graças ao trabalho realizado pela Feema, conforme previsto no PDBG, aumentando a fiscalização sobre as indústrias mais poluentes e forçando os investimentos necessários por parte das empresas, mas também graças a forças de mercado que também obrigaram o parque industrial a se modernizar.



Baía de Chesapeake.

TRAJETÓRIAS E PROBLEMAS DISTINTOS

As duas baías têm coisas em comum, mas são muito diferentes entre si. O ecossistema da Guanabara tropical é muito diferente da temperada Chesapeake. Também existem grandes diferenças morfológicas, hidrológicas, de uso do solo e ocupação urbana nas respectivas bacias hidrográficas. Ainda assim, há muito o que se compartilhar em termos de gestão e políticas públicas.

A Baía de Chesapeake é considerada a mais bem estudada do mundo. As preocupações iniciais para a despoluição estavam no controle do aporte de nutrientes como nitrogênio e fósforo, o controle do assoreamento, a recuperação dos ecossistemas, o manejo da pesca, o reflorestamento e outras ações.

As estratégias e a trajetória dos dois programas foi também diferenciada. Na Baía de Guanabara, o programa foi exclusivamente estatal, sem metas de performance ambiental definidas. No caso de Chesapeake, o programa surgiu de pactos entre o órgão ambiental federal, o EPA, os estados, municípios e a sociedade civil. O primeiro acordo foi em 1983, quando se reconheceu a necessidade de promover a despoluição. Posteriormente, em 1987, um novo acordo, mais operacional, já estabelecia metas: obter 40% de redução de poluentes até o ano 2000. O sucesso no alcance das metas, no entanto, foram muito frustrantes e novas metas foram sucessivamente estabelecidas.

DESPOLUIÇÃO E POLÍTICA

O grande desafio na despoluição da Chesapeake tem sido a diferença ideológica, de compromisso e de prioridade que cada estado que compõe a bacia da baía dá para a despoluição. Alguns estados estão na orla da Chesapeake e conseguem motivar mais apoio à despoluição. Outros, fazem parte da bacia hidrográfica, geram grande carga poluente, mas por estarem afastados da baía sentem-se "longe do problema". Maryland historicamente lidera os esforços, com uma participação ativa também da Virgínia e Washington, DC. Mas, no outro lado, sempre esteve o conservador estado da Pennsylvania, com extenso território na bacia hidrográfica de Chesapeake, com grande contribuição de poluentes, mas que reage sistematicamente a assumir compromissos em favor da baía, principalmente, quando estes compromissos demandam gastos, investimentos e, ainda mais, quando os políticos locais alardeiam que a adesão da Pennsylvania obrigaria o estabelecimento de novos impostos e taxas.

A Pennsylvania é tradicionalmente um estado Republicano (desde 1879 só elegeu 9 governadores democratas) e Maryland é tradicionalmente Democrata (ao longo da sua história elegeu 27 governadores democratas e 7 republicanos), mais sensível aos temas ambientais.

O governador de Maryland, Martin O'Malley, cuidava pessoalmente da agenda ambiental do seu governo e estabeleceu o exemplar procedimento do Baystat, que promovia uma rotina gerencial que envolvia todos os setores do governo. O'Malley convocava periodicamente o seu secretariado para debater a situação da Baía, a partir de cada um dos indicadores ambientais, que eram monitorados em tempo real. As reuniões eram públicas e participativas.



GOVERNADOR MARTIN O'MALLEY VISITA O PROJETO GRAEL, DEZEMBRO DE 2013. Na ocasião, foi ofertado ao governador uma foto do encontro que selou a parceria entre os estados de Maryland e Rio de Janeiro, em novembro de 1964. O encontro se deu no então restaurante Samanguaiá, atual sede do Projeto Grael.


Sob a liderança de O'Malley, conhecido como um das lideranças políticas mais ambientalistas dos EUA, Maryland avançou muito na despoluição da Baía. Recentemente, ao traçar novas metas para a Baía, estabeleceu-se como prioridade a descentralização da ação para os municípios e a ênfase no controle das fontes não pontuais de poluição (non-point sources). As atenções se voltaram para o controle das drenagens em áreas urbanas e águas pluviais, ou a "storm water managenment".

Um ambicioso programa foi estabelecido e a sua implementação deveria ser de responsabilidade primordial dos municípios. As ações requeriam recursos volumosos. Para capta-los, passou-se a discutir a cobrança de uma taxa para as ações de drenagem. O assunto provocou uma grande polêmica, mobilizando setores conservadores da sociedade, insuflados pela crise econômica americana. Os adversários do governador, liderados por políticos do Partido Republicano, passaram a acusar-lo de querer instituir a "Rain Tax", um imposto sobre a chuva!

A polêmica alcançou uma dimensão tão intensa, que a popularidade do governador foi severamente afetada, levando à sua derrota nas eleições estaduais de 2014 para o candidato republicano Larry Hogan, um declarado antiambientalista. O governador O'Malley, que havia conduzido uma reforma tributária que reduziu o importo de renda de 86% dos contribuintes do seu estado foi derrotado por um discurso demagógico que fez os eleitores acreditarem que os investimentos ambientais para a melhoria da Baía de Chesapeake não deveriam ser creditados na conta da população.

Teriam os republicanos, então, uma ideia melhor para custear os investimentos ou apenas deixarão a despoluição da Baía de Chesapeake de lado?

Curiosamente, na mesma eleição, o estado da Pennsylvania elegeu um governador Tom Wolf, do Partido Democrata!

O que trarão estes novos ares políticos para a cena ambiental de Chesapeake?


BENEFÍCIOS DE UMA BAÍA LIMPA

A influente e bem estruturada Chesapeake Bay Foundation, a mais conhecida ONG que trabalha pela despoluição daquela baía, publicou recentemente um relatório sobre os benefícios econômicos da despoluição daquela Baía. O estudo aponta que o cumprimento de uma série de metas para a despoluição - os chamados Blueprints - levariam os benefícios econômicos calculados para a Baía em 2009, de um valor de US$ 107,2 bilhões/ano para US$ 129,7 bilhões/ano, um incremento de US$ 22 bilhões/ano.

Para isso, foram estabelecidas metas de redução da carga poluente em 60% até 2017 e o alcance de 100% das ações de despoluição até 2025. O estudo também alerta que, caso as medidas de despoluição não sejam tomadas, o aumento da degradação ambiental causará um decréscimo destes benefícios da ordem de US$ 5.6 bilhões/ano, reduzindo os benefícios econômicos para o patamar de US$ 101,5 bilhões.

Como a figura abaixo demonstra, só em ganhos recreativos com a despoluição, seriam gerados US$ 1 bilhão/ano.

Did you know? Saving the Chesapeake means the more we get to play in a clean, healthy environment. In fact, restoring our waters increases the economic value of our recreational activities by $1 billion a year!

Um estudo semelhante foi produzido para a Baía de Guanabara pelo Instituto Trata Brasil, do qual o Projeto Grael é um dos apoiadores e que tem o velejador Lars Grael como um de seus embaixadores.

O estudo é intitulado “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento à Sociedade dos Municípios da Baía de Guanabara” e, diferente do estudo da Chesapeake Bay Foundation, tem o foco exclusivo no saneamento, não avaliando os benefícios de outros investimentos setoriais e seus benefícios.

Uma das conclusões do estudo é que a universalização do saneamento na Baía de Guanabara demandaria investimentos em torno de R$ 27,7 bilhões, ou seja, um volume de recursos equivalente a 9,3% da soma do PIB (Produto Interno Bruto) dos municípios da Baía de Guanabara.


Estudo realizado pelo Instituto Trata Brasil.
Os resultados mostram ainda que a sociedade e os municípios do entorno da Baía de Guanabara podem ter ganhos econômicos elevados com a universalização do saneamento básico, garantindo, por exemplo, um acréscimo na economia local de R$ 460 milhões por ano ou ainda 13,8 bilhões em trinta anos.
Cooperação entre os programas das duas Baías

Desde o início dos dois programas de despoluição, algumas iniciativas de intercâmbio e trocas de experiências foram sendo desenvolvidas.

As baías são muito diferentes em termos morfológicos e ecológicos e de sociais, mas muitas experiências são interessantes de serem comparadas. Principalmente, na concepção e na governança da baía.

Neste sentido, o Comitê Rio de Janeiro/Maryland da organização Companheiros das Américas iniciou uma aproximação das iniciativas de cooperação desde o início da década de 1990. Desta aproximação surgiu em 30 de julho de 1993 o Instituto Baía de Guanabara, idealizado sob a inspiração da Chesapeake Bay Foundation.

No âmbito governamental, a parceria demorou muito a "pegar embalo", causando inclusive alguns constrangimentos: em 2001, durante o governo de Anthony Garotinho, o Rio de Janeiro recebeu a visita do governador de Maryland, Parris Glendening. Na ocasião, em movimentos pioneiros do que seria futuramente a colaboração entre os estados, ficou decidido que seria criado ou designado uma instância oficial nos gabinetes dos dois governadores para promover os avanços na cooperação bilateral. O lado de lá fez a sua parte: foi criado no gabinete do governador de Maryland uma assessoria para cuidar do assunto, vinculado a um programa que já existia, chamado de "Sister State Program". Do nosso lado, nada!

Após vários intercâmbios técnicos, com visitas de parte a parte, em março de 2011, o governador do RJ, Sérgio Cabral, esteve em Maryland e assinou acordo com o governador Martin O'Malley que, dentre outras áreas de cooperação, incluía o intercâmbio entre os programas de despoluição da Baía de Guanabara e Chesapeake, além de cooperação também na área náutica.


Governador do RJ, Sérgio Cabral (esquerda) e o  Governador O’Malley de Maryland (direita) assinam uma proclamação reconhecendo os 50 anos de cooperação entre os estados do Rio e Maryland, através da organização Companheiros das Américas/Partners of the Americas. Em pé, atrás, estão Axel Grael, então Vice-Presidente do Comitê Rio- Maryland e Lowell Adams, Presidente do Comitê Maryland-Rio. 4 de dezembro de 2013. (Photo courtesy of Executive Office of the Governor, State of Maryland)


Em dezembro de 2013, após uma visita preparatória a Maryland de técnicos do Rio de Janeiro, do qual eu fiz parte, o governador Martin O'Malley retribuiu a visita e esteve no Rio de Janeiro, quando acordos mais específicos de cooperação ambiental foram assinados. Como um desdobramento da visita de O'Malley, foi realizado nos dia 28 a 30 de julho e 2014, o Workshop de Cooperação Técnica Rio de Janeiro-Maryland (USA) – Estruturação de Modelo de Governança para a Recuperação Ambiental da Baia de Guanabara.

LIÇÕES E REFLEXÕES DA ANÁLISE DOS PROGRAMAS DE DESPOLUIÇÃO DAS DUAS BAÍAS

  • Complexidade do cenário político institucional: se na Baía e Guanabara são 16 municípios com grande desigualdades entre eles, na Baía de Chesapeake são seis estados: Maryland, Pennsylvania, Delaware, Washington (DC), Virgínia, e West Virginia. As diferenças políticas são um desafio ainda maior na baía de Chesapeake.
  • Continuidade: o programa de despoluição da Baía de Guanabara sofreu ao longo de sua existência com a falta de prioridade e de continuidade política e gerencial. Mesmo com a realização dos Jogos Olímpicos nas águas da Baía de Guanabara, o programa contou com o apoio necessário. Na Baía de Chesapeake, mesmo com um programa de muito maior lastro social, com muito mais qualidade gerencial e com instituições muito mais fortes, o programa mostra-se vulnerável a mudanças políticas. Como garantir a continuidade e blindar o programa contra revezes políticos ou situações conjunturais desfavoráveis? No nosso caso, como fazer que a Baía de Guanabara deixe de desperdiçar oportunidades únicas como a que temos agora com o momento olímpico nas suas águas?
  • Cidadania e pertencimento: o programa de despoluição da Baía de Guanabara, tanto no PDBG como no atual PSAM, foram vistos e entendidos pela população e pelo governo como um programa estatal, de responsabilidade do governo do Estado e de seus órgãos ambientais e de saneamento. Na Chesapeake, a origem da mobilização e a cobrança pelo programa de despoluição e a sua continuidade são de origem na sociedade. As ações e as prioridades foram estabelecidas mediante pactos multi-institucionais e assim são geridos. A Baía de Guanabara precisa de mais participação. Como avançar no tema do saneamento e do lixo sem a participação dos municípios? Como envolver mais o setor empresarial que podem ter uma contribuição muito mais efetiva, como se verifica no modelo de concessão que foi adotado por Niterói? Tanto lá como aqui, percebe-se muita frustração com a evolução do programa, mas a característica muito mais participativa do programa norte-americano poderá garantir mais resiliência em momentos desfavoráveis como o que vivem no momento.
  • Modelo de financiamento das ações: o debate que se trava de forma tão intensa na Baía de Chesapeake sobre como financiar os investimentos - a polêmica do "rain tax"- nos leva a reflexão sobre a forma como nós tratamos o problema. Enquanto lá se busca na socidade a forma de bancar os investimentos, aqui nós recorremos aos bancos multilaterais como o BID. Esse caminho é economicamente sustentável? Teremos como captar desta forma os quase R$ 30 bilhões que precisamos só para a universalização do saneamento na Baía de Guanabara? E a despoluição não é só isso. É preciso pensar em outras formas de financiamento e as experiências de Parceria Público-Privada - PPP que já se tem na região metropolitana do Rio de Janeiro (Niterói e Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro) podem ser um exemplo.
  • Governança: um dos maiores obstáculos aos avanços na Baía de Guanabara é a falta de uma forma eficiente de governança. Quem manda na Baía de Guanabara? Como as decisões são tomadas? O modelo de governança de Chesapeake não é propriamente um modelo para nós, uma vez que é extremamente complexo e moldado para a conjuntura e cultura local. Mas, o que serve de exemplo é a multisetorialidade e a desconcentração da ação para a escala local.
  • Metas: Lá na Chesapeake pratica-se algo muito forte na cultura gerencial daquele país: o estabelecimento de metas! Sabe-se onde se pretende chegar. As metas, por si só, para serem estabelecidas já motivam a formação de consensos. É o que nos falta.
  • Medir sucessos: um dos grandes problemas do programa da Guanabara é que não existe capacidade de se medir com credibilidade os avanços e o sucesso das ações. Como não temos foco nas metas de performance ambiental, mas sim em obras de engenharia, negligenciamos nas ações de monitoramento. Além da fragilidade gerencial, a consequência é que o programa fica muito vulnerável às críticas. É fácil dar destaque aos problemas. Qualquer foto de um acúmulo de lixo flutuante, o registro da coloração das águas tomadas por bloom de algas ou manchas cá e acolá, torna a crítica muito fácil. Como demonstrar os resultados alcançados com os milhões de reais que já foram investidos se não se monitora? Como superar o ceticismo atual e construir mais apoio político e social para a despoluição da Baía de Guanabara se não se é capaz de comprovar os avanços?
O fato é que os grandes desafios para a despoluição, tanto aqui na Baía de Guanabara, mas também lá na Chesapeake, não são tecnológicos. Acima de tudo, os desafios são políticos e não há como superar estas dificuldades sem que a despoluição encontre massa crítica suficiente para coloca-la na linha de frente das prioridades. Estou convencido que dinheiro não é o maior desafio, mas sim a prioridade política.

É preciso reerguer também a sociedade civil. O movimento ambientalista nunca esteve tão fraco e desarticulado. Precisamos reanimar a militância ambientalista para que hajam canais mais eficientes de participação cidadã.

Axel Grael
Vice-prefeito de Niterói
Presidente do Comitê Rio de Janeiro-Maryland da organização Companheiros das Américas/Partners of the Americas.




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sábado, 14 de fevereiro de 2015

ACORDO PARA EMBALAGENS ESTÁ EM FASE FINAL




Texto do acordo foi submetido a consulta pública de 15 de setembro a 15 de outubro de 2014, tendo recebido mais de 900 sugestões de alteração.

A análise jurídica do texto do acordo setorial para a implantação do sistema de logística reversa de “embalagens em geral” deverá estar pronta nos próximos dias, quando seguirá para o chamado “grupo de coalizão”, como se autodenominam as 22 associações que representam o comércio, a indústria e distribuidores de produtos domésticos, como alimentos e bebidas. O setor deverá voltar a discutir a redação ainda em fevereiro.

“Essa nova discussão será muito importante para finalizar esse acordo setorial. Os próximos dias serão decisivos para as negociações com os setores que devem cumprir a logística reversa”, acentua Zilda Veloso, diretora de Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

O texto do acordo foi submetido a consulta pública entre 15 de setembro e 15 de outubro do ano passado, tendo recebido mais de 900 sugestões de alteração. A intensa participação trouxe opiniões de representantes de municípios, de recicladores, de órgãos ambientais e da sociedade civil.

“Essencialmente, o Ministério do Meio Ambiente media as negociações para que seja feita a separação de materiais secos e orgânicos, a redução de resíduos e o encaminhamento de embalagens para o mercado de reciclagem”, explica Zilda.

Atingir essa meta é um bom negócio em todos os sentidos. A diretora comenta que, no Brasil, cerca de 50% do descarte é composto por lixo orgânico, 35% por lixo seco e os 15% restantes por outros materiais, incluindo os rejeitos (que não têm possibilidade de reciclagem ou não podem ser aproveitados por questões técnicas ou econômicas de cada região). Do lixo seco, cerca de 70% são embalagens.

Sucesso

Esse será o terceiro acordo setorial definido entre as cinco cadeias produtivas que serão responsáveis pela logística reversa prevista pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/10). As cinco cadeias foram definidas pelo Comitê Orientador da Logística Reversa (Cori), composto pelos Ministérios do Meio Ambiente, da Fazenda, da Indústria e Comércio, da Saúde e da Agricultura. São elas: descarte de medicamentos; embalagens em geral; embalagens de óleos lubrificantes e seus resíduos; lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista; e eletroeletrônicos.

No ano passado, o setor privado assinou contrato para a destinação de lâmpadas. E o acordo para o correto descarte de embalagens de lubrificantes já está funcionando na prática. Em 2005, o setor criou uma entidade gestora, que cresceu e se transformou no Instituto Jogue Limpo, que hoje está presente em 14 estados e no Distrito Federal e já supera 330 milhões de embalagens encaminhadas para reciclagem.

Próximos passos

As expectativas a partir de agora serão os acordos dos setores de medicamentos e de eletroeletrônicos. Importadores, fabricantes e o comércio varejista de remédios estão em negociação e devem apresentar propostas no início deste ano. E o setor de eletroeletrônicos apresentou reivindicações que ainda estão sendo analisadas.

“Depois de concluirmos esses acordos, passaremos a rever os que foram feitos por outras cadeias produtivas antes da Lei 12.305”, afirma Zilda Veloso. Ela se refere aos setores de agrotóxicos, pneus, lubrificantes, pilhas e baterias.

A diretora de Ambiente Urbano do MMA comenta que o setor de agrotóxicos consegue recolher mais de 94% das embalagens que são colocadas pela indústria no comércio, fato que ela considera inédito no mundo. A Lei dos Agrotóxicos (Lei nº 7.802/89) foi sancionada em 1989 e, em 2000, foi alterada para incluir a obrigação de reciclagem de embalagens. Até então os agricultores as enterravam, queimavam, jogavam nos rios ou nas lavouras, com riscos para o meio ambiente e para a saúde.

GT Empresas e Resíduos Sólidos

Logística reversa e tratamento pós-consumo de eletroeletrônicos foram tema da última reunião do Grupo de Trabalho Empresas e Resíduos Sólidos do Instituto Ethos. O encontro, que ocorreu em 27 de janeiro, na sede do Ethos, em São Paulo, contou com a participação de várias organizações de diferentes setores que vêm atuando ativamente nas políticas públicas relacionadas ao tema de resíduos sólidos.

Contou também com representantes do Instituto Nacional de Resíduos (Inre), o qual assinou uma parceria com o Instituto Ethos com o propósito de somar esforços em favor da sustentabilidade na implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) em todo o país, buscando minimizar custos para as empresas e para a sociedade.

Com informações de Cristina Ávila, da Ascom/MMA, publicadas originalmente no site do Ministério do Meio Ambiente

Fonte: Ethos


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DEBATE - O dilema das APPs urbanas: o Código Florestal e as cidades


Marginal Tietê, em São Paulo.

Avenida Ary Parreiras, Icaraí, Niterói.


Nelson Novaes Pedroso Jr, Sandra Steinmetz e André de Castro dos Santos

O Código Florestal, tanto nas suas versões passadas como na atual, é reconhecido como importante instrumento de proteção ambiental. Concebido para regular principalmente o uso e a ocupação do imenso território rural brasileiro, sua aplicação nas áreas urbanas tem se mostrado desafiadora frente à ocorrência de inúmeros conflitos e situações de insegurança jurídica. Neste contexto, a regulamentação das Áreas de Preservação Permanentes (APPs) nos espaços urbanos constitui uma questão que precisa ser discutida pelo poder público e pela sociedade.

O atual Código Florestal foi promulgado em 2012, após anos de embates técnicos e políticos que deixaram evidente uma polarização entre ruralistas e ambientalistas. De um lado, aqueles que defendiam o aumento da produção agrícola por meio da reformulação de um Código considerado por eles ultrapassado e extremamente preservacionista. Do outro, aqueles que se preocupavam com a conservação das nossas florestas e viam a reformulação do Código como um potencial indutor do desmatamento de novas áreas e “anistiador” daquelas suprimidas ilegalmente no passado.

Qualquer dicotomia, é bom ressaltar, pode resultar na perigosa simplificação de uma situação complexa e na negligência de um amplo espectro de cenários possíveis. Não seria diferente em se tratando de um Código que visa regulamentar o uso do solo em um país de proporções continentais, grande produtor e exportador de commodities e, ao mesmo tempo, detentor de uma das maiores biodiversidades do planeta. Com o desafio de promover a agropecuária em consonância com a conservação ambiental, o foco do processo legislativo recaiu sobre as áreas rurais e florestais, relegando as áreas urbanas a um segundo plano.

Os dois principais instrumentos de proteção ambiental do Código Florestal são as reservas legais e as APPs. As reservas legais se aplicam às propriedades e posses rurais, enquanto que desde a Lei 7.803 de 18/07/89 a delimitação das APPs também se aplica às áreas urbanas, definição mantida no Código de 2012. Se por um lado celebramos a permanência das áreas urbanas na delimitação das APPs, por outro nos deparamos com o desafio de aplicar uma norma pensada para áreas rurais a realidades urbanas distintas da que a motivou. Além disso, são muitas as leis e normas municipais urbanas voltadas ao uso e ocupação do solo que se sobrepõem à lei federal, gerando conflitos legais e resultando em insegurança jurídica.

As poucas menções do Código Florestal a espaços urbanos dizem respeito à regularização fundiária de interesse social em assentamentos inseridos em área urbana de ocupação consolidada e que ocupam APP, e de interesse específico dos assentamentos em APPs não identificadas como áreas de risco. Nesses casos, o Código Florestal remete parte dessa prerrogativa a outra lei, que dispõe sobre o Programa Minha Casa Minha Vida (Lei 11.977/09) e autoriza os municípios a admitir a regularização fundiária de interesse social em APPs urbanas consolidadas.

Porém, a lei não discute a continuidade de atividades urbanas em APPs consolidadas que não se enquadrem nas situações expostas anteriormente nem novas ocupações e usos naquelas ainda não consolidadas, valendo as delimitações estabelecidas pelo Código Florestal - o que tem contribuído para adicionar mais um fator de insegurança jurídica ao tema.

Como a questão das APPs urbanas não possui regulamentação específica e parte da regularização das suas ocupações é dada por outra lei, muitos órgãos licenciadores estaduais têm interpretado a questão de formas diferentes, dando margem a questionamentos jurídicos e técnicos. A CETESB, por exemplo, tem interpretado que córregos canalizados não têm mais função de APP.

Na tentativa de avançar no tema, algumas propostas legislativas foram apresentadas nos últimos anos a fim de dispor um tratamento específico às APPs urbanas. Ainda na vigência do antigo Código Florestal, havia importante discussão sobre o tema, incluindo o conflito – ao menos aparente – desta lei com o a Lei 6.766/79 (Lei de Parcelamento do Solo), a qual limita o direito de construir de modo menos restritivo em relação ao diploma ambiental. Também são muito discutidas as competências de ordenamento urbano, amplamente delegadas aos municípios pela Constituição e Estatuto da Cidade, abrangendo a definição do uso e ocupação de APPs. Atualmente, encontra-se em trâmite no Senado o Projeto de Lei 368/12 especificamente sobre APPs urbanas. No entanto, este PL também não objetiva regulamentar essa áreas, restringindo-se a determinar que tenham suas delimitações definidas pelos planos diretores e leis de uso do solo dos municípios, ouvidos os conselhos estaduais e municipais de meio ambiente.

Desse contexto, surgem algumas questões a se considerar antes de expandir a competência dos municípios para regulamentar as APPs urbanas ou flexibilizar seu uso e ocupação. Até que ponto as delimitações das APPs dadas pelo Código Florestal são aplicáveis às áreas urbanas? É desejável e viável estabelecer critérios para diferenciar os espaços passíveis de proteção, regularização e recuperação? Qual o limite para novas ocupações em APPs urbanas, ainda que para utilidade pública e interesse social? Há como ter um regulamento federal sobre APPs urbanas que direcione o disciplinamento municipal destas áreas? Se sim, o Código Florestal deve ser alterado ou é possível regulamentar as APPs urbanas por meio de outra lei já existente ou a ser elaborada?

Essas e outras questões precisam ser enfrentadas, em especial os limites e as possibilidades de uso das APPs no espaço urbano, levantando os conflitos socioambientais decorrentes e propondo um instrumento regulatório mais adequado e eficiente. Não é tarefa fácil, mas um diálogo racional, ponderado e colaborativo entre múltiplos atores dos setores público e privado e da sociedade civil deve ser iniciado o quanto antes. Para isso, o Centro de Pesquisa Jurídica Aplicada da FGV Direito SP está conduzindo o projeto de pesquisa “Subsídios para a regulamentação das APPs urbanas”.

Fonte: Observatório Florestal


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CPJA reúne especialistas para debater Áreas de Preservação Permanente

Neste encontro, foram apresentados os resultados de uma pesquisa respondida por 583 gestores públicos e especialistas ambientais, urbanistas e juristas.

O Centro de Pesquisa Jurídica Aplicada (CPJA) da Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV Direito SP) realizou no último dia 09, segunda-feira, o segundo workshop da pesquisa “Desafios para a regulamentação das Áreas de Preservação Permanente Urbanas”. Coordenada por Nelson Novaes Pedroso Jr, do CPJA, e pela bióloga e consultora ambiental Sandra Steinmetz, esta pesquisa tem como objetivo discutir os limites e as possibilidades de uso das Áreas de Preservação Permanentes (APPs) no contexto urbano e propor um instrumento regulatório mais adequado e eficiente.

Neste encontro, foram apresentados os resultados de uma pesquisa respondida por 583 gestores públicos e especialistas ambientais, urbanistas e juristas. Entre os principais pontos levantados, destaca-se a grande importância atribuída às funções hidrológicas, de drenagem e de estabilidade geotécnica e geológica das APPs em espaços urbanos. Segundo 78,9% dos respondentes da pesquisa, as funções das APPs urbanas são diferentes daquelas presentes nas áreas rurais. Mais expressiva ainda foi a proporção de pessoas (86,5%) que acreditam que existam problemas de insegurança jurídica das normas de delimitação das APPs previstas no Código Florestal quando aplicadas em áreas urbanas consolidadas, sendo que 93% destas concordaram que uma forma de reduzir essa insegurança jurídica seria por meio do estabelecimento de uma regulamentação específica.

Com base nos resultados apresentados, os participantes do workshop debateram sobre as definições, os parâmetros e condicionamentos necessários para a regulamentação das APPs urbanas e quais seriam os entes federativos responsáveis pela regulamentação e fiscalização. "Também recebemos nessa pesquisa muitas sugestões, entre elas a de dar incentivos para a proteção e recuperação das APPs nas cidades, pois só uma nova regulamentação não seria suficiente para garantir a preservação", conta Sandra. "Apesar de diferentes posições terem sido manifestadas durante o evento, é consenso entre todos que as APPs urbanas precisam ser requalificadas de forma a gradualmente terem recuperadas e garantidas suas funções ambientais e sociais. O desafio é como promover isso por meio de um instrumento regulatório mais adequado às diferentes realidades ambientais e socioeconômicas das nossas cidades", conclui Nelson.

As novas etapas da pesquisa incluem um café da manhã com a Frente Parlamentar Ambientalista do Congresso Nacional, um seminário e um policy paper sobre estratégias de regulamentação das APPs urbanas.

Fonte: FGV