segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Incríveis fotos de barcos radicais

Contender: Barco com apenas um tripulante mas velejado com trapézio.

Contenders no contravento

Moth: barco veleja sobre hidrofoils

CST Composites International 14: velejando com o spinnaker

CST Composites International 14: Ooops! Segura peão...!!!

CST Composites International 14: decolando na planada.

Campeonato Mundial de 49er, nas Bahamas. Repare na água!!!

49er: Montagem da boia de sotavento.

29er nas águas cristalinas das Bahamas

12 ft Skiff

12 ft Skiff

sábado, 9 de janeiro de 2010

ILHA GRANDE: Tragédia no paraíso



Fotos do site www.veja.abril.com.br


Assim como aconteceu no ano passado com o drama de Santa Catarina, iniciamos o ano de 2010 sob o impacto das tragédias causadas pelas chuvas em várias partes do país. Dois destes acidentes foram deslizamentos de encostas ocorridos na cidade de Angra dos Reis e na Enseada do Bananal (Ilha Grande), destruindo parte da Pousada Sankay. Em ambos os acidentes, ocorreram mortes, que no total, somente no estado do Rio de Janeiro, foram em número maior que 70 fatalidades.

UMA REGIÃO VULNERÁVEL: A região da Costa Verde é muito vulnerável a essas catástrofes, devido às suas características naturais: relevo de montanhas escarpadas que se debruçam sobre o mar, chuvas frequentes e intensas, além de solos instáveis e muito suscetíveis à erosão e deslizamentos. O acidente da Enseada do Bananal é um exemplo didático do processo que leva ao deslizamento de grandes massas de terra, fenômeno que não é raro na região. As fotos do deslizamento mostram um embasamento rochoso, liso e muito elevado. O solo é raso, de pequena granulometria e alta capacidade de retenção de água. Em ocasiões de chuvas fortes, como verificou-se a partir do dia 30, a água percola o solo e, ao encontrar a rocha, tende a escorrer em direção à base da encosta. Gradativamente, esse movimento da água vai "lubrificando" o contato do solo com a rocha, fazendo com que se perca a aderência. O solo encharcado, com o seu peso aumentado, então, tende a se desprender. Forma-se o deslizamento, que costuma acontecer de forma muito rápida. Havendo residências no caminho, estas acabam sendo levadas pela avalanche de terra, rochas, troncos de árvores e outros detritos. No relato de alguns dos sobreviventes do acidente na Pousada Sankay, verifica-se que alguns sinais de que o problema aconteceria foram vistos mas não interpretados devidamente. Afirmaram que dias ou horas antes, viram o carreamento anormal de grande quantidade de sedimentos pelas drenagens naturais do terreno, a ponto de entulhar as praias próximas à pousada. Apesar disso, não é de se esperar que as pessoas - turistas frequentadores da pousada - pudessem antever a gravidade do problema. Foi uma fatalidade!!!!

A OCUPAÇÃO E SUAS CONSEQUÊNCIAS: Apesar da fragilidade, devido à sua especial beleza cênica, a região passou a ser justamente reconhecida como um paraíso, tornando-se, consequentemente, o foco de intensa cobiça imobiliária. Proliferaram hotéis, pousadas, marinas, condomínios e mansões que, mesmo cercadas de luxo, nem sempre seguiram os melhores cuidados ambientais. Hoje, pode-se dizer que a Costa Verde foi tomada por empreendimentos que abrigam “uma boa parte do PIB brasileiro”, considerando o alto poder aquisitivo dos proprietários e frequentadores da região. Os antigos moradores - pescadores e caiçaras - tiveram as suas posses adquiridas pelos novos interessados. Acabaram deixando as praias, onde habitavam tradicionalmente. Alguns se deslocaram morro acima, perto de onde moravam, e viraram caseiros dos donos de suas antigas terras. Outros migraram para Angra dos Reis e Parati, estabelecendo-se nas áreas disponíveis, ou seja, em áreas de risco, como encostas e manguezais. Lá, somaram-se a outros migrantes que chegaram à região atraídos pela expectativa de emprego na industria naval e pelas obras (usina nuclear, etc).

DEFICIÊNCIAS DA GESTÃO PÚBLICA: O problema é que o poder público nunca geriu o uso do solo com eficiência. Planejou mal, não implantou o pouco que planejou e permitiu a ocupação de áreas de risco como encostas, mangues e não foi capaz de impedir que áreas ambientalmente frágeis também tivessem o uso inadequado. E isso não aconteceu por falta de instrumentos, pois a região era uma das mais regulamentadas do país. Os municípios (Angra e Parati) tem a sua parte de responsabilidade, mas a maior parte da regulamentação é estadual (principalmente) e federal. Cerca de 80% do território de Parati é coberto por unidades de conservação federal (Parque Nacional da Serra da Bocaina e APA Cairuçu), enquanto cerca do mesmo percentual de Angra é coberta por unidades de conservação estadual (APA Tamoios, Parque Estadual da Ilha Grande, Reserva Biológica da Praia do Sul, Parque Estadual Cunhambebe). Isso tem sido mais um fator de conflito e confusão. É como se a regulação do uso do solo da região estivesse sob intervenção federal ou estadual. A Ilha Grande, por exemplo, chegou a ter vários instrumentos legais superpostos regulando o seu uso: Parque Estadual, APA, Reserva Biológica, Plano Diretor Municipal, etc. Em 1987, toda a ilha foi transformada em Reserva Biológica por um decreto assinado por Brizola. Pensava-se, na época, que por ser a mais restritiva de todas as categorias de unidades de conservação, a medida estancaria a ocupação da Ilha. O resultado foi péssimo. O Decreto “não pegou” e desmoralizou toda a legislação que incidia sobre a área, pois se era possível ignorar aquele instrumento legal, como fazer cumprir os demais? Por outro lado, a legislação, os procedimentos administrativos ou a ênfase das autoridades, nem sempre está com o foco certo, ou seja, voltada para as questões mais relevantes. Como exemplo, citamos a atenção que as autoridades tem dispensado (principalmente o Ministério Público), para o controle das irregularidade da construção de atracadouros (pier, ponte, cais, decks, etc.), apesar de quase sempre com razão, em detrimento de preocupação com os riscos geotécnicos das intervenções. Isso nas está na cultura das instituições e, agora, depois dos últimos acidentes, é prometido pelo governo.

APESAR DOS PROBLEMAS, A ILHA GRANDE AVANÇA: No atual governo, o imbróglio jurídico ganhou uma ótima medida para a sua solução. O governador Sergio Cabral providenciou a revogação de todos os decretos e leis conflitantes e a abrangência do Parque Estadual da Ilha Grande, antes restrito apenas a uma parte do sudeste da Ilha, passou a valer para quase toda a ilha. A excessão ficou apenas para as áreas já ocupadas e onde já era considerado Reserva Biológica da Praia do Sul. Além disso, a partir de um belo planejamento desenvolvido pelo biólogo Paulo Bidegain, o parque recebe um investimento que deve ser o maior em execução em uma unidade de conservação no país. Caso mantenha-se o ímpeto de ordenamento e de priorização, estaos certos que a Ilha Grande será um modelo de conservação e uso sustentável para o país.

Outro fato a celebrar é a realização, em 2008, do concurso público para o INEA, o que permitiu equipar o órgão com um maior efetivo de técnicos para cumprir as suas atribuições legais. Só isso, já foi um grande avanço. Os órgãos ambientais do Estado do Rio de Janeiro, criados a partir de 1975, NUNCA tinham tido um concurso público!!!!

LICENCIAMENTO AMBIENTAL - RIGOR EM EXCESSO OU PERMISSIVIDADE? Na minha experiência de presidente da Feema por duas vezes e de subsecretário de Meio Ambiente do RJ, aprendi as dificuldades da atuação na região. A excessiva e restrita normatização do uso do solo da região requer uma revisão de procedimentos, não para diminuir o rigor, mas para que as regras sejam mais claras e o controle mais eficiente. Os órgãos ambientais sempre foram acusados de excesso de rigor pelos proprietários e empreendedores locais. Por outro lado, os mesmos interessados, depois que já compraram o seu pedacinho de paraíso (normalmente um lote, em um parcelamento de dezenas ou centenas de outros lotes), sentem-se afrontados quando o vizinho quer fazer o mesmo que ele, construir. Então, nesse caso o mesmo órgão que ele acusava de rigoroso, é omisso. E não é raro que certos "poderosos", que abundam na região, considerem ser possível burlar as regras estabelecidas, fazendo suas obras (algumas suntuosas e até assintosas, perigosas para o meio ambiente, desproporcionais e de péssimo gosto e sem harmonia com o paisagem), a revelia dos órgãos ambientais e depois tentando atuar junto aos amigos políticos para que a sua irregularidade seja relevada. Esses casos, quase sempre, em conflito com os órgãos ambientais e com o Ministério Público, acabam judicializados.

Uma coisa é certa. Não podemos culpar quem critica a falta de fiscalização e controle. A presença do estado precisa se intensificar. Urge a modernização nos recursos de monitoramento e a implementação de um processo mais participativo de tomada de decisão, de modo que as medidas de gestão e controle tenham um maior lastro social, maior legitimidade e, portanto, mais efetividade.

UMA LAMENTÁVEL TRAPALHADA: Contraditoriamente com os avanços recentes que já comentamos, cometeu-se um grande erro que foi a publicação do Decreto 41.921/09, tornando as regras da ocupação da APA Tamoios mais permissivas do que antes. E, pior, a sua publicação foi feita à revelia do Conselho Gestor da APA, que vinha há anos debatendo um Plano de Manejo para a unidade. Em entrevista à Rede Globo, a secretária do Ambiente, Marilene Ramos, assumiu a responsabilidade pela iniciativa e admitiu que nenhuma medida administrativa (entende-se que licenciamentos ambientais, principalmente) foi tomada com base no referido Decreto. Apesar de não admitir que a apresentação do Decreto para a assinatura do governador tenha sido um erro, a declaração (do tipo: "sugerimos a medida ao governador mas, fiquem tranquilos, não estamos adotando as regras do Decreto") é o reconhecimento que, na verdade, a SEA entende o oposto, ou seja: equivocou-se.

CORRUPÇÃO: Há ainda mais um grave problema que a região precisa se livrar: a corrupção. O mais recente escândalo foi a Operação Cartas Marcadas, em 2007, que desvendou um esquema de fraudes em licenças ambientais. E a corrupção é um mal com duas faces. Não há corrupção sem corruptor. E a região da Costa Verde sempre foi uma das mais preocupantes quanto às irregularidades e desvios de conduta. De certo, a presença de um grande número de proprietários e empreendedores de alto poder econômico, estimula a corrupção. O problema é crônico e precisa ser combatido, pois a consequência das irregularidades é, quase sempre, a autorização indevida de atividades em desacordo com a legislação e com os cuidados ambientais que a região requer. Perde o meio ambiente, perde a coletividade.
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Enfim, todos devem lamentar as tragédias do Reveillon de Angra, as mortes, os danos patrimoniais e ambientais. Como sempre acontece, e é compreensível, diante da indignação com a tragédia, que sempre expõem os erros na ação pública e privada, o momento é de cobranças por parte da sociedade e de se registrarem novas promessas dos governantes da vez. Mas, para que as promessas de agora não sejam esquecidas no tempo, como as do passado, é preciso a mobilização da sociedade em torno das mudanças e reparações necessárias.

E, como dizia Darci Ribeiro: que venham logo os “fazimentos”.

Com base na nota "Tragédia no paraíso", da Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói, 09/01/10.





Mundial de Star: velejadores lamentam a poluição da Baía de Guanabara

Torben Grael e Marcelo Ferreira treinam para o Mundial de Star 2010.


Começará no Rio de Janeiro, nesta terça feira, a programação oficial do Campeonato Mundial da Classe Star, o evento de maior destaque do calendário da vela no Brasil em 2010. As regatas válidas pelo campeonato iniciam-se na próxima semana.

Os organizadores contam com a presença récorde de 81 embarcações, representando 18 países: Canada, EUA, Irlanda, Grã Bretanha, Argentina, Brasil, Alemanha, Geórgia, Portugal, Espanha, Sérvia, Suiça, Chile, Suécia, Croácia, França, Áustria e Noruega. Dentre os participantes, estarão alguns dos mais importantes velejadores da atualidade. Será um evento do mais alto nível técnico, que ganhou ainda mais destaque internacional por ser realizado na provável raia olímpica da Rio 2016.

Anfitriões do evento, os brasileiros participam com um forte time de velejadores. Dentre eles estão os timoneiros: Alan Adler, Torben Grael, Lars Grael e Robert Scheidt. Lamentavelmente, mais uma vez os nossos problemas ambientais causam constrangimentos. As fortes chuvas dos últimos dias trouxeram uma grande quantidade de lixo para as águas da Baía de Guanabara, o que frustrou os velejadores.

Da Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói, 09/01/10.

Baleias e ambientalistas em apuros


Nesta semana um navio baleeiro japonês abalroou e afundou uma lancha de ambientalistas da ONG Sea Shepherd, que luta para impedir a matança de baleias nos mares do sul. Foi mais uma batalha dos ambientalistas nos gelados mares Antárticos para impedir a matança das baleias por navios japoneses, que usam o cínico argumento que estão fazendo pesquisa científica. Os ambientalistas da Sea Shepherd, que arriscam as suas próprias vidas para salvar a vida das baleias perderam a embarcação, que afundou, e alguns dos que estavam a bordo se feriram. Apesar do ataque, a Sea Shepherd anunciou que os trabalhos de defesa das baleias continuará.


Mas, também nesta semana, fomos confortados por uma boa notícia que veio do Havaí. Ao conduzir uma embarcação dedicada a levar turistas para avistarem as baleias, um guia especializado estranhou o comportamento de uma delas, que se movia com dificuldades. Ao se aproximar e mergulhar para investigar o que ocorria, verificou que a baleia de cerca de 10 metros estava enroscada em uma rede de pesca e ainda tinha preso à cauda um cabo de cerca de 10 metros com uma pequena âncora. Após um dia todo de trabalho, especialistas que foram convocados para salvar o animal conseguiram cortar a rede e libertá-la. Declararam ainda, que acreditam que ela tenha se prendido na rede próximo ao Alasca, portanto a mesma percorreu quase mil quilômetros naquela condição. Apesar de ferida e exausta, os biólogos acreditam que a baleia está fora de perigo.


Da Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói, 09/01/10.

Velejador tetraplégico cruza o Atlântico

Geoff e a enfermeira Susana, que o ajudou na travessia.

Geolff Holt na ponte de comando de seu catamarã Impossible Dream. Barco especialmente projetado para permitir a sua travessia do Atlântico.


Geoff Holt no convés do Impossible Dream.

Na quinta feira, dia 7 de janeiro, o velejador inglês Geoff Holt tornou-se o primeiro velejador tetraplégico a cruzar o Oceano Atlântico. A bordo do catamarã Impossible Dream, de 60 pés, especialmente projetado e equipado para a finalidade, partiu do sul da Inglaterra no dia 10 de dezembro.

A bordo, estava também uma enfermeira neozelandesa chamada Suzana, cuja função a bordo era apenas ajudar Geoff nos seus cuidados pessoais e zelar pela sua segurança. Um dia antes de chegar, Geoff passou por uma grande dificuldade: uma pane elétrica. O Impossible Dream é altamente dependente da energia elétrica para suprir equipamentos eletrônicos de navegação, o piloto automático, o elevador que leva a cadeira de rodas de Geoff para dentro e para fora da cabine, motores elétricos e hidráulicos que regulam velas. A falta de energia exigiu muito esforço de Geoff, que chegou a Tortola exausto.

Ao concluir o seu desafio, o velejador que ficou tetraplégico aos 18 anos ao se acidentar mergulhando em águas rasas, declarou que espera servir de exemplo e estimular outros deficientes a perseguir o seu sonho e continuar sempre velejando.

Da Coluna Rumo Náutico. Jornal O Fluminense, Niterói, 09/01/10.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Reproduzimos, a seguir, matéria publicada no site do jornal O Estado de São Paulo sobre os problemas de Angra dos Reis:

Venda de licenças ambientais foi denunciada em 2007
Pousada Sankay não se beneficiou do esquema, mas também apresentou irregularidades na construção

Marcelo Auler

RIO - Antes mesmo de reassumir, em janeiro de 2007, a presidência da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema), o engenheiro ambiental e ex-velejador Axel Grael foi avisado que funcionários do órgão vendiam licenças ambientais para construções irregulares em Angra dos Reis. "A primeira coisa que fiz foi uma investigação, mas levei o assunto à Justiça, pois nas sindicâncias é mais difícil chegar a um resultado já que um colega investiga o outro. Por isso, recorri a um órgão externo independente", explica.

Grael comunicou ao delegado Luiz Marcelo Xavier, da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, que, durante nove meses, com o respaldo do Ministério Público Estadual e da juíza Juliana Bessa Ferraz, da 1ª Vara de Angra dos Reis, fez a investigação que resultou na Operação Cartas Marcadas. "Uma denúncia contra quatro funcionários da Feema colocou 20 e tantos na cadeia", lembra Grael.

No total, 29 pessoas foram denunciadas e tiveram o mandado de prisão expedido. Formavam um grupo que, além da negociação de licenças ambientais, fraudava licitações da prefeitura. Entre os presos estavam Marco Antônio Barbosa, analista ambiental; Francisco de Almeida Costa Júnior, fiscal da Feema; Dennys da Rosa Rocha, biólogo e fiscal da Feema; e Silvio Pinheiro, o Silvinho, que estaria à frente do grupo.

Em seguida, junto com o Ibama, o Instituto Estadual de Florestas e o Centro Integrado de Combate a Crimes Ambientais (Cicca), Grael investigou "os empreendimentos favorecidos pela ação irregular do grupo". A relação dos beneficiados foi enviada à Procuradoria Geral do Estado que pedia à Justiça autorização para derrubar os prédios construídos ilegalmente. Algumas casas foram abaixo, mas outras conseguiram bloquear a ação na Justiça.

Nessa época, ficou evidenciado que a Pousada Sankay, mesmo sem estar entre as que se beneficiaram do grupo preso, também apresentava irregularidade na sua construção, feita em cima de um costão de rochedo - o que contraria a Constituição Estadual e o Código Florestal. Essa irregularidade, segundo Grael, a salvou. "Por ser construída no costão, não houve corte no talude. Muito da lama que estava ali, como se vê nas fotos, passou porque ela não estava assentada diretamente. Se ela tivesse cumprido a legislação e não avançado sobre o costão rochoso talvez tivesse ficado muito mais vulnerável. Mas isso não anula o fato de que ela está irregular sobre o costão", afirma Grael.

O Estado de São Paulo, Cidades, 07/01/10. On Line, 7:10 h.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Um ano novo, uma nova regata, um novo set...


Eu sempre gostei da época de Ano Novo. Acho que a magia está na sensação de recomeço, de sonhar com as oportunidades que virão. Sempre faço a analogia de um novo ano com a largada de uma nova regata de um campeonato imaginário de vela, ou o começo de um novo set no vôlei, um novo game no tênis, etc. Tenha-se vencido ou perdido a etapa anterior, o recomeço iguala a contagem e as chances de cada um se renovam.
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Simbolicamente, um ano novo nas nossas vidas também é assim. Como se fosse o legado das regatas ou dos sets anteriores, trazemos conosco para as etapas seguintes a nossa história, os nossos feitos, a nossa cultura e educação. Obviamente, esses são os trunfos que nos ajudarão na jornada que se reinicia. E, como bem sabem as pessoas do mar, uma jornada de sucesso requer um bom Plano de Navegação. É preciso definir metas (os portos de destino), conhecer as condições da viagem, estabelecer rotas, pensar a logística. Também, é preciso ter a consciência que não estamos sós no barco, que, por sorte, contamos com a colaboração de uma tripulação. E a jornada só será um sucesso se toda a tripulação também for vitoriosa. Portanto, é época de se desejar o bem de todos, mas também refletir sobre o nosso papel na construção desse bem coletivo.
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Manifestamos aqui a nossa esperança nos tempos que chegam, de que saberemos levar o nosso barco triunfante rumo a uma sociedade mais solidária e sustentável. Que bons ventos impulsionem a todos em 2010.


Da Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói, 02-01-10.

Década do Esporte


Essa será a década do esporte no Rio de Janeiro. Já temos garantido um calendário dos sonhos, com os maiores eventos mundiais. Virão os Jogos Militares Mundiais em 2011, a Copa do Mundo de Futebol em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016. Vários outros eventos esportivos, de menor magnitude, mas de importância internacional também acontecerão. É o caso da vela, que promoverá o Campeonato Mundial da Classe Star, que se inicia no dia 12/01/10. Trata-se da mais disputada modalidade da vela olímpica, que deverá trazer para o Rio de Janeiro cerca de 80 tripulações da elite da vela mundial. Já em fevereiro, a Baía de Guanabara será o palco de um festival de embarcações históricas, os chamados “tall ships”. Veremos vários navios-veleiros, como o Cisne Branco, da Marinha do Brasil, na Baía de Guanabara, lembrando a época em que o nosso porto era um movimentado abrigo para navios a vela.
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Para conquistar os grandes eventos para o Rio de Janeiro, prometemos muitas obras e melhorias que transformarão a cidade, resolvendo muitos de seus problemas sociais e ambientais. Ganharemos as mais modernas instalações esportivas, obras de infraestrutura da cidade e a Baía de Guanabara terá 80% de sua poluição controlada. Os eventos movimentarão a economia do Rio de forma inédita e darão uma projeção global ao Rio de Janeiro. Quem diria, há pouco tempo, que teríamos o esporte como uma das principais alavancas do nosso desenvolvimento?
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Mas, como Lars Grael tem alertado repetidamente, mais importante do que termos uma Olimpíada no Brasil, será termos um Brasil olímpico. Com a população saudável, usufruindo do esporte na sua plenitude social, educativa e ambiental, contribuindo para a qualidade de vida da população. Queremos ver campeões surgindo como conseqüência de uma massa de praticantes de esportes e não como o fruto do acaso, que é o fato recorrente de quase todos os talentos individuais que temos tido a felicidade e a sorte de encontrar.
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Que a Década do Esporte nos direcione nesse caminho.

Da Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói, 02-01-10.

Década do Meio Ambiente

A comprovação científica das mudanças climáticas levou a preocupação ambiental à prioridade da pauta diplomática mundial e, através da mídia, chegou mais próximo da população em geral. E essa década será decisiva. Mesmo tendo fracassado, a COP 15, Conferência do Clima realizada em dezembro em Copenhague, alguns avanços ocorreram principalmente pouco antes da sua realização. O mais importante foi o anúncio de compromissos “voluntários” para a redução das emissões de gases de alguns dos países campeões da poluição. Foi o caso dos EUA, China, Brasil, Índia, México. As metas apresentadas têm como ano de referência 2020, portanto ao longo da década deverão ser criadas as regras, os mecanismos e a disponibilização da tecnologia para viabilizar o processo. Apesar das metas de Copenhague serem muito tímidas diante do tamanho do problema, a tarefa parece hercúlea quando confrontada com as dificuldades da mudança do comportamento da sociedade que resiste em mudar. Como exemplo, vimos o Congresso brasileiro aprovar uma lei estabelecendo a Política Nacional de Mudanças Climáticas. Ao sancioná-la na terça feira, o presidente Lula vetou o artigo que determinava a substituição gradativa das fontes fósseis de energia por fontes alternativas. É muito decepcionante, mas compreensível. A força do lobby petroleiro é fortíssima e não será vencida facilmente. Mas não há como migrar o mundo para uma economia de baixo-carbono sem acabarmos com a nossa dependência do petróleo. Esse é apenas um dos conflitos que deverão ser enfrentados nessa década, que poderá ser a última chance que temos para evitar uma catástrofe climática.

Da Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói, 02-01-10.

Década da Responsabilidade Socioambiental

Muito se tem falado no Brasil, nos últimos anos, da importância da Responsabilidade Social e Ambiental Corporativa para promover as transformações necessárias para o desenvolvimento do país. É verdade que avanços significativos aconteceram, mas ainda é preciso que o conceito seja introjetado nas empresas de uma forma mais genuína. O que se verifica hoje é que pouco sobraria da dita responsabilidade caso não houvesse os mecanismos de incentivos fiscais atuais. Ainda há pouco investimento real por parte das empresas. Mas, cresce rapidamente o número de institutos corporativos e os setores específicos nas empresas para as políticas de responsabilidade social. Isso é um alento, pois essas atividades costumavam estar vinculadas aos setores de marketing ou de comunicação. Nos próximos meses, será oficialmente instituída a norma ISO 26000, de Responsabilidade Social. Esperamos que a medida consolide definitivamente a prática.

Da Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói, 02/01/10.