domingo, 15 de fevereiro de 2026

Cinco cidades do RJ tiveram a emergência climática reconhecida em 2026. No Brasil, são cerca de 200 cidades

Defesa Civil Nacional libera R$ 324 mil para assistência às vítimas das chuvas em Itaperuna (Foto: Reprodução). Fonte: MIDR.

Passados 45 dias do início do ano de 2026, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil - SEDEC, vinculada ao Ministério da Integração Regional e do Desenvolvimento Regional - MIDR e a Defesa Civil do RJ, divulgaram uma situação muito preocupante com relação à segurança climática das cidades brasileiras e do estado do Rio de Janeiro, respectivamente.

Segundo a defesa civil estadual, conforme dados atualizados na sexta-feira, 35 cidades fluminenses foram afetadas pelas chuvas desde o dia 1º de fevereiro, resultando em quatro mortes, 1.668 pessoas desalojadas e 118 desabrigadas.

O MIDR divulgou uma lista inicial de municípios em situação de emergência climática no Brasil, em 2026. Dentre estes municípios, três são do estado do Rio de Janeiro: 

  • Piraí e Rio Claro foram reconhecidas pelos resultados de chuvas intensas, 
  • Itaperuna foi incluída em função dos danos dos alagamentos. 

Outros atos do ministério, publicados entre os dias 10 e 12 de fevereiro, estenderam as medidas para outras cerca de 20 cidades no país. Em 13/02, comforme também divulgado pelo MIDR, foi reconhecida a situação de emergência das cidades fluminenses de Cantagalo e São Sebastião do Alto, decisão esta que será publicada no Diário Oficial da União, na quarta-feira, dia 18 de fevereiro. 

Segundo o MIDR, nesta quinta (12/02), a Defesa Civil Nacional aprovou o primeiro plano de trabalho para assistência humanitária para Itaperuna, no valor de R$ 324,7 mil. 

No início de janeiro (07/01), o governo federal já havia aprovado a liberação de R$ 250 milhões em créditos extraordinários, recursos autorizados pelo presidente Lula após edição da Medida Provisória (MP) 1.333 de 7 de janeiro de 2026. O valor de R$ 220 milhões teve destinação para ações de proteção e defesa civil, enquanto o restante foi previsto para o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), para a implementação infraestruturas de segurança hídrica. 

A MP incluiu as seguintes medidas:
  • Atendimento às populações afetadas por desastres naturais, como tornados e secas, em várias regiões do País;
  • Melhoria na segurança hídrica, especialmente no semiárido e em Minas Gerais, por meio de obras de barragens e adutoras;
  • Contribuição para a saúde pública e segurança alimentar, garantindo acesso à água em áreas impactadas por escassez hídrica;
  • Redução de desigualdades e promoção do desenvolvimento sustentável em regiões vulneráveis.
A SEDEC orienta as prefeituras em dificuldades a fazer a solicitação de ajuda federal por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD). O recurso liberado poderá ser usado na compra de cestas básicas, água mineral, refeições, kits de limpeza residencial e higiene pessoal, entre outros itens.

SEGURANÇA HÍDRICA

MIDR e ANA seguem monitorando o Sistema Cantareira (Foto: Sabesp)

Apesar das chuvas, nos últimos meses houve também uma grande preocupação com a segurança hídrica, uma vez que observou-se níveis muito reduzidos de estocagem de água nos principais mananciais que abastecem São Paulo (Cantareira) e Rio de Janeiro (Rio Paraíba do Sul).

CANTAREIRA:  Segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico - ANA, o Sistema Cantareira encerrou o mês de janeiro de 2026 com aproximadamente 23% do seu volume útil total, permanecendo, à época, na “Faixa 4 – Restrição”, conforme a Resolução Conjunta nº 925, de 29 de maio de 2017. Entretanto, em fevereiro de 2026, o sistema apresentou recuperação nos níveis de armazenamento, impulsionada pelas chuvas registradas no período. Na atualização mais recente, o Cantareira alcançou 32,01% do volume útil, percentual que retira o sistema da Faixa 4 e o reposiciona em uma condição operacional menos crítica, conforme os critérios estabelecidos pela norma vigente.

PARAÍBA DO SUL: No Reservatório Equivalente do Paraíba do Sul, que integra os reservatórios de Paraibuna, Santa Branca, Jaguari e Funil, os dados técnicos divulgados pela ANA indicam que o sistema encerrou o mês de janeiro de 2026 com níveis de armazenamento abaixo da média histórica, refletindo um quadro de atenção para a gestão dos recursos hídricos da bacia.

No entanto, assim como observado no Cantareira, o Paraíba do Sul também apresentou elevação dos volumes armazenados ao longo de fevereiro. De acordo com a atualização mais recente da ANA, o reservatório equivalente da bacia passou a operar com aproximadamente 40% do volume útil, evidenciando melhora nas condições hidrológicas e redução do risco imediato para o atendimento aos usos múltiplos da água, incluindo o abastecimento da população fluminense.

Axel Grael
Engenheiro Florestal
Doutorando em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU/UFF)

(com informações do MIDR, SEDEC e ANA)


---------------------------------------------------------

MAIS INFORMAÇÕES

Baseando-se em dados  da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil - SEDEC, atualizados com as informações acima, a coluna de Lauro Jardim, no O Globo, deste domingo, divulgou dados sobre a situação de desastres e emergências climáticas nas primeiras semanas de 2026:

--------------------------------------------------------


Governo federal já reconheceu situação de emergência por desastres em 171 cidades só em 2026; veja lista

Por Gustavo Maia — Brasília

Tornado deixa rastro de destruição em São José dos Pinhais (PR) — Foto: Reprodução

Fenômenos climáticos já causaram bastante estrago no país em 2026. Nas primeiras semanas do ano, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil já reconheceu situação de emergência em 171 cidades brasileiras, em decorrência de 12 tipos de desastres.

Chuvas intensas foram as causas do maior número de ocorrências (64), seguidas de estiagem (60), seca (18), inundações (9), enxurradas (5) e vendavais (5).

Completam a lista: granizo (3), alagamentos (3), deslizamento (1), erosão da margem fluvial (1), incêndio florestal (1) e... tornado — o que atingiu em São José dos Pinhais (PR) em janeiro.

Os municípios que tiveram a emergência reconhecida pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional neste ano ficam em 20 estados das cinco regiões do Brasil. Minas Gerais lidera o ranking, com 36 cidades afetadas por seis tipos de desastres.

Rio Grande do Sul (19), Bahia (18), Paraíba (18), Ceará (16), Pernambuco (11), Rio Grande do Norte (11), Santa Catarina (11), Acre (8), Pará (5), Alagoas (5), Rio de Janeiro (3), São Paulo (2), Goiás (2), Mato Grosso (1), Maranhão (1), Paraná (1), Piauí (1), Sergipe (1) e Tocantins (1) foram os outros estados atingidos.

Veja a lista de municípios a seguir:

Chuvas intensas (64):

Açucena (MG); Almenara (MG); Angelina (SC); Bom Jesus (PI); Campina das Missões (RS); Campos Borges (RS); Caparaó (MG); Capinópolis (MG); Carvalhópolis (MG); Cândido Godói (RS); Cerro Grande (RS); Cerro Grande do Sul (RS); Chapada (RS); Cotriguaçu (MT); Cumaru do Norte (PA); Dom Feliciano (RS); Dona Francisca (RS); Dores do Turvo (MG); Durandé (MG); Elói Mendes (MG); Encruzilhada (BA); Faxinal do Soturno (RS); Formiga (MG); Gaspar (SC); Ibicaré (SC); Ibirataia (BA); Irecê (BA); Itabira (MG); Jaborá (SC); Jacareacanga (PA); José Gonçalves de Minas (MG); Massaranduba (SC); Matipó (MG); Mongaguá (SP); Nova Palma (RS); Nova Trento (SC); Novo Barreiro (RS); Óbidos (PA); Ouro Verde de Minas (MG); Passos (MG); Pelotas (RS); Pescador (MG); Piraí (RJ); Porto Lucena (RS); Prata (MG); Presidente Prudente (SP); Resplendor (MG); Riachinho (MG); Rio Claro (RJ); Rio Novo (MG); Santa Maria (RS); Santo Cristo (RS); São João Batista (SC); São João da Urtiga (RS); São João do Itaperiú (SC); São Lourenço do Sul (RS); Sobrália (MG); Teófilo Otoni (MG); Três Marias (MG); Uirapuru (GO); Unaí (MG); Varjão de Minas (MG); Várzea da Palma (MG); Viçosa (MG)

Estiagem (60)

Afogados da Ingazeira (PE); Afrânio (PE); Agrestina (PE); Águas Belas (PE); Alagoinha (PE); Algodão de Jandaíra (PB); Altinho (PE); Arara (PB); Araripe (CE); Araripina (PE); Arcoverde (PE); Belém do São Francisco (PE); Bernardino Batista (PB); Boa Nova (BA); Boa Vista do Tupim (BA); Belém do Brejo do Cruz (PB); Camalaú (PB); Canapi (AL); Canhotinho (PE); Canudos (BA); Caraúbas (PB); Caririaçu (CE); Catolé do Rocha (PB); Deputado Irapuan Pinheiro (CE); Girau do Ponciano (AL); Guimarães (MA); Ichu (BA); Irajuba (BA); Itapajé (CE); Itatira (CE); Jaguaribara (CE); Lagoa Real (BA); Lastro (PB); Livramento de Nossa Senhora (BA); Malhada de Pedras (BA); Mansidão (BA); Marcionílio Souza (BA); Mãe D'Àgua (PB); Monsenhor Tabosa (CE); Monte Santo (BA); Olho D`Água do Casado (AL); Ouro Branco (AL); Paramoti (CE); Pereiro (CE); Piripá (BA); Pombal (PB); Potengi (CE); Quixabá (PB); Salitre (CE); Santa Cecília (PB); São Francisco (PB); São João do Cariri (PB); São José do Egito (PE); São José do Sabugi (PB); São Mamede (PB); Senador José Porfírio (PA); Senador Rui Palmeira (AL); Solânea (PB); Tanhaçu (BA); Várzea (PB)

Seca (18)

Acopiara (CE); Barro Alto (BA); Caiçara do Norte (RN); Caicó (RN); Campo Grande (RN); Carira (SE); Jaçanã (RN); Jaguaribe (CE); Jardim do Seridó (RN); Parelhas (RN); Pau dos Ferros (RN); Quixeramobim (CE); Riacho de Santana (RN); São Fernando (RN); Senador Pompeu (CE); Serra Negra do Norte (RN); Solonópole (CE); Várzea (RN)

Inundações (9)

Cruzeiro do Sul (AC); Feijó (AC); Plácido de Castro (AC); Porto Acre (AC); Rio Branco (AC); Santa Rosa do Purus (AC); São Sebastião da Bela Vista (MG); Sena Madureira (AC); Tarauacá (AC)

Enxurradas (5)

Albertina (MG); Chuvisca (RS); Cristina (MG); Itaberaba (BA); Virgínia (MG)

Vendavais (5)

Farroupilha (RS); Laguna (SC); Palmas (TO); Pintópolis (MG); São Gonçalo do Abaeté (MG)

Granizo (3)

Dom Bosco (MG); Lontras (SC); Rio das Antas (SC)

Alagamentos (3)

Itaperuna (RJ); Mário Campos (MG); Santo Antônio do Descoberto (GO)

Deslizamento (1)

Joanésia (MG)

Erosão de margem fluvial (1)

Novo Santo Antônio (MG)

Incêndio florestal (1)

Garrafão do Norte (PA)

Tornado (1)

São José dos Pinhais (PR)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Contribua. Deixe aqui a sua crítica, comentário ou complementação ao conteúdo da mensagem postada no Blog do Axel Grael. Obrigado.