sábado, 18 de junho de 2011

Coppe realiza seminário sobre recursos hídricos segunda, dia 20

RECURSOS HÍDRICOS E CLIMA SÃO TEMAS DE SEMINÁRIO NA COPPE/UFRJ

O Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (IVIG/COPPE/UFRJ) realiza, dia 20 de junho, no Rio de Janeiro, o 1º Seminário MDL-H20: Sub-rede de Recursos Hídricos e MDL, a partir das 9h30, no auditório do Instituto. O objetivo deste encontro é dar o pontapé inicial na construção da Sub-rede de recursos hídricos e clima, vinculada à Rede Clima. Na oportunidade, serão apresentados o projeto da Sub-rede e os estudos sobre as necessidades de fortalecimento institucional e capacitação técnica, entre outros tópicos.

A proposta de criação da Sub-rede teve início com o desenvolvimento do Estudo do Potencial e de Restrições de Uso do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo nos temas de interesse da Gestão Recursos Hídricos no Brasil, criando iniciativas e apoiando ações que levem em conta os aspectos de mitigação, impactos, vulnerabilidade e adaptação, de modo a estimular a cooperação e a integração nacional entre grupos de pesquisa. Esse estudo é fruto de um convênio assinado pelo IVIG com a FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos).

O seminário será coordenado pelos professores Luiz Pinguelli Rosa e Marcos Freitas e contará com a presença de secretários estaduais e técnicos da área de Meio Ambiente e Recursos Hídricos.

Rede Clima - A Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede CLIMA) foi instituída pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) no final de 2007 e tem como objetivo principal gerar e disseminar conhecimentos para que o Brasil possa responder aos desafios representados pelas causas e efeitos das mudanças climáticas globais. A economia brasileira tem expressiva base em recursos naturais renováveis, o que torna o país potencialmente vulnerável às mudanças climáticas, vulnerabilidade esta acentuada pelas disparidades regionais de desenvolvimento. A Rede CLIMA é constituída de uma Secretaria Executiva, no Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), e dez sub-redes temáticas, entre elas a sub-rede Mudanças Climáticas e Energias Renováveis, coordenada pelo professor Luiz Pinguelli.

Evento: 1º Seminário MDL-H20: Sub-rede de Recursos Hídricos e MDL


Data: 20/06/11
Hora: das 9h30 às 17h
Local: auditório do IVIG
Endereço: Av. Pedro Calmon, s/nº, prédio anexo ao Centro de Tecnologia da Cidade Universitária na Ilha do Fundão.

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Fonte: Velassessoria - relações com a imprensa
Mariane Thamsten - (21) 8227-6713

Iatismo ameaçado

Exclusão da classe Star da Olimpíada de 2016 pode tirar da competição os maiores medalhistas brasileiros

Paula Rocha


Regata da Classe Star

A Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro, pode perder parte de seu brilho. Ao menos para a vela brasileira, esporte que mais obteve medalhas olímpicas para o País (16 no total) e que promete trazer vitórias nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara em novembro. Por decisão da Federação Internacional de Vela (Isaf, em inglês), a classe Star está excluída dos Jogos Olímpicos de 2016. A determinação representa um baque para o iatismo brasileiro – a Star é a categoria que mais rendeu conquistas olímpicas até hoje (leia quadro). É nela que competem os maiores nomes da vela nacional, como Torben Grael, Lars Grael, Marcelo Ferreira, Robert Scheidt e Bruno Prada. Scheidt e Prada, aliás, acabam de ganhar o título da Copa do Mundo de Vela pela Star e são a grande aposta do iatismo brasileiro para a Olimpíada de 2012 em Londres. Sem a categoria, eles correm o risco de não competir em águas cariocas, em 2016.

O principal argumento da Isaf para a exclusão da classe é o alto custo das embarcações. Na Star, cada barco pode ser construído pelos próprios competidores, sem necessidade de haver um único fabricante, o que aumenta o preço. Para Scheidt, no entanto, há outra motivação por trás da deliberação. “É uma decisão política. Como a Star não tem grande representatividade em países da Ásia e da Oceania, eles preferem barcos mais simples”, diz ele, para quem excluir a categoria é um erro tremendo. “A Star é o caminho natural de campeões em outras classes e a preferida de grandes velejadores brasileiros. A disputa no Rio de Janeiro certamente atrairia muito interesse.”

Maior medalhista olímpico do País, Torben Grael considera uma dupla perda a saída da Star da Olimpíada de 2016. “Perde a vela mundial, pois essa é a classe mais antiga (está no programa olímpico desde 1932), e perde o Brasil, pois é na Star que velejam os melhores atletas do País.” Ele espera que o Comitê Olímpico Brasileiro consiga modificar essa deliberação. Não é a primeira vez que tentam tirar a Star das competições olímpicas. Em 1997, foi aprovada a exclusão da classe da Olimpíada de Sydney, em 2000, mas já em 1998 ela retornou após muitas discussões. Em novembro, está marcada uma assembleia da Isaf, quando o assunto poderá ser retomado. “Como país-sede dos jogos, temos possibilidade de reverter essa decisão. Estamos confiantes”, afirma Ricardo Baggio, superintendente da Confederação Brasileira de Vela e Motor.
 
 
 
Fonte: Isto É

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Representantes de escolas públicas conhecem o Projeto Grael

Representantes de escolas públicas e membros da equipe do Projeto Grael.
Na quinta feira, dia 16, foi realizado o IV Encontro Vivenciando o Projeto Grael. É a quarta edição do evento anual organizado pelo Projeto Grael, que reúne diretores, professores e demais representantes das escolas da rede pública de educação. Na ocasião, são debatidos as atividades desenvolvidas no Projeto Grael e seus resultados, além de formas de estreitamento das relações institucionais e pedagógicas com as escolas públicas.

O encontro reuniu 24 representantes das seguintes escolas públicas:
  • C.E. Joaquim Távora
  • E.M. Vila Costa Monteiro
  • C.E Fernando Magalhães
  • C.E Maria Pereira das Neves
  • C.E Guilherme Brigg
  • C.E Duque de Caxias
  • E.M Prof. Paulo de A. Campos
  • IEPIC
  • CIEP 449 Gov. Leonel de Mora Brizola
  • E.E Embaixador Raul Fernandes
  • C.E Aurelino Leal
  • CEC Macedo Soares
  • Escola Técnica Estadual Henrique Lage
  • Outras
Além destes participantes, estiveram presentes outros representantes das secretarias Estadual e Municipal de Educação.

Todos os participantes do IV Vivenciando o Projeto Grael sentiram-se satisfeitos com os resultados, com as perspectivas de cooperação futura. Esperamos contar com uma presença ainda maior de escolas na próxima edição do Encontro.

Sobre o Projeto Grael

O Projeto Grael atende exclusivamente a estudantes da Rede Pública de Educação, abrindo cerca de 800 vagas para os cursos realizados em sua sede em Niterói-RJ, além de cerca de 300 vagas na unidade de Três Marias-MG. Os alunos atendidos em Niterói são provenientes de escolas municipais e estaduais localizadas nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Maricá, Itaboraí e Rio de Janeiro.

No Projeto Grael são oferecidos cursos de:
  • Vela e Natação
  • Profissionalizante: fibra de vidro, marcenaria, elétrica/eletrônica, capotaria náutica, mecânica Diesel e de motor de popa.
  • Programas ambientais, meteorologia, oceanografia.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Blocos do Rio se mobilizam contra as mudanças no Código Florestal


No próximo domingo, 19, os blocos de carnaval do Rio de Janeiro organizam uma manifestação contra as mudanças no Código Florestal aprovadas na Câmara dos Deputados. O protesto promete animação máxima: serão 38 blocos batucando, cantando e sambando em favor das nossas florestas. A concentração será às 10h, no posto 6, Praia de Copacabana. O Instituto Terra de Preservação Ambiental não vai ficar de fora dessa: vamos cair no samba, na luta para barrar o desmonte da legislação ambiental brasileira.

Seminário Valores Olímpicos e do Esporte

Agência oficial do governo federal: Brasil não precisa alterar Código Florestal para aumentar a produtividade



Projeção do governo descarta necessidade de alterar Código Florestal para aumentar produção de alimentos

Gilberto Costa
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento preveem um crescimento de 23% na produção de alimentos (grãos) entre a safra 2010/11 e 2020/21 e um aumento de 9,5% da área plantada.

Os números apresentados hoje (14) pelo governo mostram que o crescimento da produção agrícola não depende do aumento das áreas agricultáveis – diferentemente do que defendiam os ruralistas com o argumento de que seria necessário modificar o Código Florestal para expandir a produção de alimentos.

Segundo o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, “não é preciso derrubar nenhuma árvore” para produzir mais grãos ou aumentar áreas de pastagem para pecuária de corte. O ministério contabiliza a existência de 120 milhões de hectares “já antropizados” (desmatados) que podem ser recuperados para atividade agrícola ou para o meio ambiente.

De acordo com Rossi, a principal demanda pela mudança do Código Florestal é de “segurança jurídica”, ou seja, em relação à cobrança de multas a quem desmatou irregularmente, prevista em lei, mas considerada inviável pelos produtores rurais que buscam anistia.

Segundo o ministro, o resultado da votação do novo Código Florestal na Câmara dos Deputados “acabou igualando quem fez tudo legalmente e quem fez de forma ilegal”, o que desagradou a presidenta Dilma Rousseff.

Segundo ele, a presidenta vai anunciar juntamente com o lançamento do Plano Safra 2011/2012, marcado para a próxima sexta-feira (17), em Ribeirão Preto (SP), a recuperação de pastagem para pecuária de corte e a recuperação de canaviais.

Fonte: Agência Brasil

Rio de Janeiro entra com tudo no Projeto Jogos Limpos

Iniciativa do Ethos para ampliar a transparência dos gastos com a Copa e com a Olimpíada participa de audiência pública e cria comitê na capital carioca.

Os Jogos Limpos Dentro e Fora dos Estádios começaram com tudo suas atividades no Rio de Janeiro neste início de junho. No dia 6 de junho de 2011, o projeto foi apresentado ao órgão da Prefeitura do Rio de Janeiro que coordena os investimentos na Copa de 2014 e na Olimpíada de 2016. No dia seguinte (7/6), participou de audiência pública convocada pelo Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea) e pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ). E no dia 8 de junho foi instalado o Comitê Local dos Jogos Limpos na capital carioca.

O Projeto Jogos Limpos é uma iniciativa do Instituto Ethos para ampliar a transparência, a integridade e o controle social dos investimentos públicos para a Copa do Mundo de 2014 e para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016. Lançado em março deste ano, o projeto conta com o financiamento do Siemens Integrity Initiative.

Na tarde do dia 6/6, uma equipe do projeto se reuniu com a diretoria da Empresa Olímpica Municipal, entidade da prefeitura carioca responsável pelo planejamento das intervenções na cidade para a Copa e os Jogos Olímpicos, que substituiu o Instituto Rio 2014 e 2016. Durante a reunião, a entidade governamental se comprometeu a apresentar constantemente informações sobre o andamento das obras.

No dia seguinte, Felipe Saboya, coordenador de Mobilização do Projeto Jogos Limpos, participou do painel “Controle, Fiscalização e Legado”, durante o seminário “Confea/Crea-RJ em Campo”. O evento faz parte de uma série de audiências públicas que o sistema Confea/Crea tem realizado pelo país para debater os investimentos nesses grandes eventos esportivos.

Saboya apresentou as primeiras realizações do Projeto Jogos Limpos e o planejamento para as próximas ações, entre as quais a criação de Indicadores de Transparência Municipais em cada uma das 12 cidades-sede.

O Comitê Local carioca

Cerca de 15 pessoas, representando nove entidades, se reuniram na manhã de 8/6 para instalar o comitê carioca dos Jogos Limpos. O Rio de Janeiro foi a terceira cidade a criar um Comitê Local. Curitiba e Fortaleza tiveram suas primeiras reuniões para esse fim respectivamente nos dias 19 e 25 de maio.
As entidades presentes ao encontro foram o Instituto Ethos, o Crea-RJ, a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), a Controladoria-Regional da União no Estado do Rio de Janeiro, a Rio Como Vamos, o jornal O Relato, o Instituto Reação, o Fundo de Investimento Social Elas e a Urece Esporte e Cultura. Estas três últimas entidades também fazem parte da Rede Esporte pela Mudança Social.

Por Pedro Malavolta (Instituto Ethos)

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Fonte: INSTITUTO ETHOS

Velejadores do Clube Naval curtem um grupo de golfinhos na Baía de Guanabara



Assista a um belo e estimulante registro feito por Rodrigo Amado, técnico de vela da Flotilha de Optimist do Clube Naval-Charitas. O vídeo mostra jovens velejadores navegando junto a um grupo de dezenas de golfinhos que nadavam entre o Morro do Morcego e a Ilha de Boa Viagem, nas proximidades da Enseada de Jurujuba, em Niterói.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Torben Grael reúne a família a bordo do Magia V

Torben Grael com a família na tripulação. Foto Matias Capizzano, Caras.

O amor pelos esportes náuticos parece ser uma herança genética na família de Torben Grael (50). Entre os principais iatistas do Brasil e do mundo - com seis títulos mundiais e cinco medalhas olímpicas -, ele declara seu amor pelo esporte.

"É algo que faço desde garoto e sempre me motiva a querer mais", orgulhase ele, ao lado da mulher, Andrea Soffiatti Grael (47), com quem é casado há 24 anos, e do filho Marco Grael (21).

O trio participou da 2ª edição do Mitsubishi Sailing Cup, na Classe S40, cujo vencedor da primeira etapa, disputada em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, foi a embarcação argentina Negra.

"Acho superlegal poder participar das competições com o meu marido e meus filhos. A sensação é muito mais gostosa, pois vivemos cada momento juntos", observa Andrea, referindo-se à caçula, Martine Grael (20).

Comandante do barco Magia V, na foto maior, Marco vibra com a oportunidade de aprender mais com a experiência do pai. "Nasci vendo meus pais velejando, o que me levou a gostar muito do esporte. Meu pai é bastante competitivo e a experiência conta muito nos momentos decisivos. Ele tem algo a ensinar a todo momento", diz o jovem, dedicado também aos treinos para disputar as Olimpíadas de Londres, em 2012.

"Andrea e eu velejamos juntos há muito tempo, mas agora com o Marco estamos aproveitando um momento diferente. Para ele, é uma oportunidade ótima de ver como funciona um circuito competitivo como este", avalia Torben, que assumiu o controle tático da equipe.

Idealizado pelo presidente do conselho da montadora no País, Eduardo de Souza Ramos (66), o evento reuniu 14 barcos do Brasil, Argentina e Chile. "Este é um sonho que nasceu há seis anos e conseguimos transformá-lo em realidade nacional. Isso me deixa extremamente feliz", fala Eduardo, que também coleciona importantes títulos no esporte. "Essa é a grande paixão da minha vida", confessa ele, animado.


Fonte: Portal Revista Caras

Belo Monte desmoraliza licenciamento ambiental, artigo de Sérgio Abranches

Local onde pretende-se construir a Hdrelétrica de Belo Monte.

O que há de comum entre o exame das mudanças no Código Florestal e o licenciamento de Belo Monte?

Ambos desmoralizam o marco regulatório e legal. Um gerou e vai gerar mais desmatamento e desmando no campo. Outro quebra a confiança no processo de licenciamento e leva a um afrouxamento geral das regras ambientais.

Além disso são marcados pela falta de transparência do processo e pela distorção dos argumentos, apresentados como se fossem técnicos e indiscutíveis, quando são parciais e discutíveis. Dou exemplos de argumentos insustentáveis usados em cada caso.

De um lado, os ruralistas dizem que não é possível produzir com o Código Florestal como ele está e que faltarão alimentos. Mas o fato é que existem produtores que estão em conformidade com o código e muitos técnicos de peso mostram que é possível conciliar produção e a preservação de APPs, matas ciliares e reservas florestais mínimas. O que as evidências indicam é que APPs, matas ciliares e cobertura florestal mínima fazem bem à agricultura.

Do outro lado, os defensores de Belo Monte dizem que se a hidrelétrica não for feita, sua geração teria que ser suprida por térmicas a óleo, muito piores ambientalmente. Nem mesmo a afirmação de que uma térmica é sempre pior que uma hidrelétrica em termos de emissões é verdadeira em todos os casos. Há estudos (baixe aqui) mostrando que algumas hidrelétricas brasileiras emitem mais que termelétricas a carvão (veja aqui), enquanto outras, embora melhores que aquelas que usam carvão, são piores que as que queimam óleo.

Argumentam que a alternativa eólica é cara e a geração intermitente por causa do regime dos ventos. O custo das hidrelétricas está sempre subestimado. Belo Monte começou em R$ 19 bilhões, passou a R$ 27 bi e ninguém acredita que vá custar menos de R$ 30 bi, na melhor das hipóteses. O custo das eólica é sempre superestimado. A diferença no custo da transmissão entre uma e outra nunca é considerada.

Com relação à intermitência, é um problema tecnicamente superável. Mas, no Brasil, ele simplesmente não existe. No Nordeste, o vento sopra com constância e mais forte no período da seca, quando os reservatórios do Sudeste estão baixos. A eólica é o complemento ideal para as hidrelétricas.

E ninguém sequer menciona a energia solar, fotovoltaica. No Brasil há áreas em que a insolação anual excede os requisitos de máxima eficiência de geração fotovoltaica. São áreas áridas, quase desérticas ou desérticas, que se beneficiariam com a implantação de usinas fotovoltaicas. Ao contrário da região Amazônica que perde, para que a eletricidade seja exportada para o Sudeste a alto custo.

Custo? Que tal considerar o custo total, considerando geração, transmissão, danos ambientais e emissões de gases estufa? Que tal dar preço ao carbono e incluir no custo dos projetos?

A falta de transparência, no caso do Código Florestal esteve na unilateralidade do processo, que não considerou opiniões de técnicos, cientistas, especialistas e interesses afetados pelas mudanças. As audiências eram pró-forma, não para efetivamente ouvir e levar em consideração os argumentos. No caso de Belo Monte, é mais grave e profunda, porque atinge o próprio processo de licenciamento e o desmoraliza.

Quem ler o documento do Ibama verá que ele atropela as próprias regras da agência para as etapas do licenciamento, ao considerar cumpridas condições obrigatórias para o prosseguimento do processo, que o próprio documento diz que estão apenas “parcialmente cumpridas”. Sem dizer em que extensão foram cumpridas. Pode ir de perto de zero a 100%. Claro que uma ação incipiente é muito diferente de outra, que foi 90% realizada. Ambas podem ser consideradas como “parcialmente cumpridas”. (O documento pode ser baixado aqui) Miriam Leitão faz uma leitura elucidativa do documento em sua coluna de hoje no Globo.

Outro exemplo, é o das linhas de transmissão, que têm a ver com impacto ambiental não avaliado e com o custo total da energia de Belo Monte. O documento diz que a empresa apresentou apenas “traçado orientativo” (sic). A condição era que apresentasse “projeto básico de engenharia, com seu traçado definitivo sobre imagem de alta resolução e discriminação das faixas de servidão e acessos a serem eventualmente abertos”. Essa diferença nunca poderia ser considerada atendimento “parcial”. A discriminação determinada pela agência permitiria determinar o desmatamento causado pela implantação das linhas, por exemplo. Sem falar em que um “traçado orientativo”, signifique o que significar, não permitiria apropriação adequada nem de custos de implantação, nem de danos ambientais. Logo o custo do kW entregue continuará sendo um mistério e o dano ambiental seguramente maior do que o Ibama pode avaliar.

As exigências de saneamento não foram cumpridas. O documento do Ibama considera isso “preocupante”. Preocupante podemos dizer nós da sociedade. A agência ambiental tem obrigação, de dizer não ao pedido de licenciamento, diante dessa falha grave. É grande o risco para a saúde pública, aumento da mortalidade infantil e piora da qualidade de vida e do bem-estar das populações. Isso é muito mais que preocupante.

Preocupantes mesmo são o comportamento do Ibama e a atitude do governo. O Ibama está claramente licenciando o que não tem condições de ser licenciado. O governo se manifesta como se tudo que fizesse fosse perfeito. Tem convicções cuja solidez rivaliza com a fé inabalável das pessoas santas.

Um ministro diz que o colapso do consórcio, por causa das dúvidas sobre a viabilidade econômico-financeira do projeto, não tem importância, que há filas de investidores querendo entrar. No mercado se diz outra coisa. Só haverá investidor, se o governo pagar a conta. Isto é, o investidor privado será simbólico. Vai contribuir com uma mão e receber do governo de volta, com lucro, com as outras mãos. Mesmo quando constrangido a entrar, como aconteceu com a Vale.

Outro ministro diz que as obras não afetarão qualquer comunidade indígena. Outra autoridade diz que de forma alguma haverá conflitos e quebra-quebras, como houve em Jirau. Outro, ainda, diz que o recrutamento da mão de obra será prioritariamente local, portanto não haveria grande afluxo de pessoas.

Mas o que se sabe e se viu é que não há oferta local de força de trabalho para que o recrutamento seja feito predominantemente na região. Mesmo que houvesse, isso não estancaria a migração em massa de pessoas, não apenas para trabalhar nas obras, mas para explorar o entorno, com atividades legais e ilegais, produzindo inevitável aumento do desmatamento, da criminalidade, das doenças e do potencial de conflito. Ainda mais sem infraestrutura e saneamento como o próprio Ibama reconhece.

Mas são todos peremptórios, nas suas afirmações. Não há dúvidas. Temos um governo onisciente, que conhece o futuro, mesmo quando para nós ele esteja coberto pelas brumas densas de numerosas dúvidas. Para este governo não há incertezas ou riscos. É claro que esse voluntarismo todo é um grande risco para o Brasil.

Ou estamos diante de uma nova religião. Tudo é questão de afirmação de fé. Nesse caso, seria até heresia levantar questões técnicas e científicas.

Diante dessa atitude, de um documento desses, fica difícil confiar. O licenciamento ambiental está sendo desmoralizado no Brasil. Ele fere claramente a legislação ambiental. Mas a ministra do Planejamento diz que qualquer liminar será derrubada, como foram todas as outras. O presidente do Ibama diz, com a expressão mais séria possível, que não teme ações do Ministério Público, porque está seguro da “higidez técnica e jurídica (sic) dessa licença que está sendo emitida”.

Com licenciamento falho, dúvidas sérias no projeto de engenharia e no desenho financeiro, Belo Monte deveria obviamente ser repensada. Mas será tocada a toque de caixa, até começarem a aparecer as consequências dos erros de decisão.

Dá para prever o que acontecerá, se essas consequências aparecerem ainda neste governo. Reagirá como nos outros casos. Quando as coisas dão errado, o governo faz que não é com ele. Distribui broncas a terceiros, afirma que tudo será retificado. E todos esquecemos piedosamente, para que tudo continue como está e se cumpra a vontade incontrastável desse governo de sábios.

Sérgio Abranches, PhD, cientista político, é pesquisador independente sobre Ecopolítica, a relação entre o desenvolvimento econômico, o progresso social e o meio ambiente, com ênfase na mudança climática e na Amazônia. É comentarista da rádio CBN, onde mantém o boletim diário Ecopolítica. É co-fundador de O Eco, agência de notícias ambientais apoiada pelas fundações Avina e Hewlett, dedicada a ampliar a pauta ambiental na imprensa e treinar jovens jornalistas na cobertura sobre meio ambiente no Brasil. Manteve uma coluna sobre questões ambientais, segurança energética e mudança climática em O Eco por seis anos. É colaborador do blog The Great Energy Challenge, uma parceria entre o Planet Forward e a National Geographic. É autor de Copenhague: Antes e Depois, Civilização Brasileira, 2010, sobre a política global do clima. A matéria sobre os Muriquis da Reserva Montes Claros, Caratinga, MG, em co-autoria com a colunista de O Globo, Miriam Leitão, e publicado simultaneamente em O Globo e O Eco, recebeu o prêmio de jornalismo ambiental da SOS Mata Atlântica.

Artigo originalmente publicado no Blog Ecopolítica.

Fonte: Ecodebate